FRANCISCANOS DA IMACULADA: SEMINÁRIO FECHADO POR SER CATÓLICO DEMAIS

Salve Maria!
O vídeo mostra o último dia do seminário dos Frades da Imaculada. Este seminário foi sumariamente fechado por ser católico demais. Abaixo, em Inglês maiores explicações sobre o acontecido.
Esse vídeo é importante porque retrata, de fato, o último dia…
Nesse tempos de Amoris Laetitia entre a FSSPX e Roma, não faz mal algum em lembrar o que aconteceu bem pouco  tempo atrás.
On December 8, 2013, the Feast of the Immaculate Conception, the Theological Seminary of the Immaculate Mediatrix (STIM) of the Franciscans of the Immaculate (FI) was closed by their Apostolic Commissioner, Fr. Fidenzio Volpi. On the same day, one of the friars filmed the entire day, which presents, along with additional footage, the way of life in that same seminary.
 

Volpi meets with Pope Francis the day the seminary was closed.

This footage was then kept in secret, witness of something no longer tolerable to those in power, unseen until now.

In this Year of the Consecrated Life, on the Feast of the Purification, which is seen as the Feast of the Consecrated Life,Rorate has obtained this video exclusively, making public a contradiction that has been hidden up to now for the safety of those involved.

With all the problems and scandals in the religious life in our times, which seem to be deemed praiseworthy by the highest authorities, what you’ll see in this video is what they find so unacceptable, so horrific, so dangerous that it had to be stomped out and crushed as “specifically ordered by the Vicar of Christ,” Pope Francis.
Punishment and suppression — and with no trial.

But perhaps our Lady, on her feastday, is offering a vision very different to that which seems to dominate presently in the Church — a vision of the consecrated life which is, as Simeon says of Christ, a sign of contradiction.

A great number of the friars seen in this film have had to flee after the closing of the seminary, having found themselves in a new atmosphere of doctrinal corruption and moral relaxation, of the disintegration of the religious observance they had avowed themselves to maintain on pain of grave sin.

We say “flee” because it’s true. We hear from numerous FI saying how they are in danger, how another Friar they know will speak with us “once they’re safe” meaning in a new diocese with a friendly bishop. You’d think they were fleeing 16th Century England and the Tower — but this form of priest hunting is so much more dangerous as it comes from within.

Watch the video. Spread it far and wide. And pray to our Lady today to make good of this nightmare and grant these good men peace at last.

Fonte: http://rorate-caeli.blogspot.com/2015/02/rorate-exclusive-video-of-franciscans.html

“Mal-educado” na defesa de Nossa Senhora

assumpta

Como resposta ao inaceitável ataque à piedade mariana tradicional dirigido pelo pregador pontifício Cantalamessa que disse que os protestantes recusam Nossa Senhora porque os católicos teriam uma devoção mariana sem fundamento bíblico, traduzimos abaixo o relato de uma defesa de Nossa Senhora feita por um jovem italiano publicado no admirável periódico Si Si No No

Caro Si Si No No,

Esta manhã, por volta das 8 horas, na paróquia da estação da minha cidade, esperei Franco, 18 anos, que todas as manhãs, apenas desce do trem, vai lá rezar e oferecer ao Senhor o seu dia, antes de ir à escola.  Pontualmente chegam ele e um amigo seu mais jovem, Lúcio, que Franco protege das provocações no trem e na escola.

Rezamos juntos uns dez minutos e depois Franco me diz: “Falta um professor e entramos na escola às 9.15 horas.” Então fomos juntos tomar um café da manhã a um lugar tranquilo.

Franco conta-me todo contente e sorridente: “Não há um mês ainda que começamos a escola e eu já recebi uma advertência registrada no diário de classe… e estou orgulhoso por isso.” Olho para ele perplexo: “E por que?”. “Ouça-me – diz-me ele- o que me ocorreu. Nos últimos dias a professora de italiano e história falou-nos de Lutero. Disse-nos também que Lutero não crê nos mitos católicos sobre Nossa Senhora, por exemplo, que Nossa Senhora teria sido assunta  ao céu com seu corpo. “Rapazes, vede que Lutero tem razão: Nossa Senhora morreu e foi sepultada e corrompeu-se o seu corpo no sepulcro, como todos os mortais”.

A essa altura Franco levantou a mão e respondeu: “Professora, isto não é verdade! A senhora não pode falar assim, não deve falar assim, porque sou ofendido como se tivesse falado do pior modo de minha Mãe”. A professora já espumava de raiva, mas Franco continuou: “Nossa Senhora foi concebida imaculada, foi sempre virgem, é Mãe de Deus e…sim, foi assunta ao céu em corpo e alma. Verdade de fé católica, verdade absoluta que a senhora não pode blasfemar assim!”.

A mestra ficou furiosa: “Mas como ousas contradizer-me, a mim que sou laureada em italiano, história, latim e outras matérias que tu nem avalias. Como podes tu provar que Maria foi assunta ao céu? Por que to disse o padre? Ou a tua avó? É hora de deixar de lado os mitos, as fábulas da Igreja!”.

Franco respondeu-lhe: “Professora, com todas seus títulos, a senhora é uma ignorante. A senhora, que estudou, deveria saber que nós católicos cremos na Assunção de Maria Santíssima porque é verdade transmitida pela Tradição, desde o início, desde o tempo dos Apóstolos e, fundando-se nisto, em 1950, o Papa Pio XII definiu a Assunção em corpo e alma como verdade de fé. Ponto e basta”.

A essa altura, a professora reagiu como um vilã, tomou o registro de aula e escreveu: “O aluno F. L. comportou-se como mal educado respondendo de modo desaforado à professora. Prof. etc.”. E concluiu: “Terás de explicar-te ao diretor”. Franco, com o sorriso de sempre e coragem, respondeu-lhe: “Suceda o que suceder, que me importa a sua nota ou o que me diga o diretor” Que pretende a senhora? Fazer-me renegar a minha fé? Deveria envergonhar-se mestra de mentiras!”.

Os colegas de Franco estavam pálidos, quase aterrorizados. Todos guardaram um rigoroso silêncio. A professora não disse mais nada. Poucos minutos depois soou a campainha, a aula tinha terminado, e foram fumar ao corredor.

Disse a Franco: “Assim foi tido como mal educado por causa de Nossa Senhora, que você defendeu contra aquela bruxa! Bravíssimo, você é um gigante. Esteja certo de que Nossa Senhora se recordará para sempre do que você fez por Ela”.

Vede, amigos, esta é uma “boa escola” de hoje: uma “boa educação” para o ateísmo, para a negação da nossa civilização cristã, a má formação de homens sem fé e sem lei. Mas onde haverá um bispo que se insurja contra isto? Haverá? Há ainda  rapazes – no instituto profissionalizante, o mais humilde, portanto – na escola se insurgem na defesa do Credo católico, aí compreendida Nossa Senhora. “Recorde-se – disse-me Franco –  neste mundo parece mandarem os comunistas e maçons, mas nós, Marianos, somos mais fortes, mais poderosos, os vitoriosos somos nós!”.

Si Si No No, porque Nossa Senhora é mais forte que um exército em linha de batalha.

Insurgens

Que Nossa Senhora das Vitórias derrame copiosas bênçãos sobre o jovem Franco, o autor desta crônica e sobre o Si Si No No.

Fonte: http://santamariadasvitorias.org/mal-educado-na-defesa-de-nossa-senhora/

De capitulação em capitulação chegamos às diaconisas

diaconizas

Pe. João Batista de A.  Prado Ferraz Costa

Foi anunciada pelo Vaticano há poucos dias a constituição de uma comissão de teólogos e teólogas encarregada de estudar o diaconato feminino na Igreja primitiva. A referida comissão é fruto de um pedido de  um grupo de religiosas ao papa Francisco I, que a instituiu após “muita oração e reflexão” – assim diz a nota da Santa Sé.

De acordo com os melhores estudiosos do assunto, não há nenhuma dúvida de que as diaconisas dos primeiros tempos da Igreja eram mulheres piedosas que se encarregavam de obras de caridade, recebiam uma bênção (com imposição das mãos do bispo) e tal bênção não era absolutamente um sacramento, mas apenas um sacramental.

À luz da tradição constante da Igreja e do magistério dos papas, não procede nenhuma discussão sobre a admissibilidade do sacerdócio feminino na Igreja Católica. Se por desgraça amanhã houver o abuso de uma ordenação de diaconisas, o sacramento da ordem a elas conferido, sobre ser um sacrilégio, será inválido, mas poderá originar uma enorme confusão na Igreja porque já não serão vistas essas reverendas diaconisas como leigas mas como membros do clero e pertencentes à hierarquia eclesiástica. E certamente não se contentarão em ser diaconisas permanentes mas vão pretender galgar os graus mais altos da hierarquia.

Mas como explicar que, a despeito da meridiana clareza sobre essa matéria, ainda assim se pretenda seja “estudada”, na verdade, posta em discussão?

No século passado, quando, sobretudo, entre os heréticos, a reboque do feminismo mundano neopagão, se começou falar em sacerdotisas, Paulo VI disse que a Igreja, com base na sagrada tradição, não se sentia autorizada a instituir o sacerdócio feminino e, em 1994, João Paulo II, por meio da carta apostólica Ordinatio sacerdotalis, concebida em termos muito mais firmes que seu predecessor Paulo VI, parecia encerrar completamente o assunto.

Entretanto, a questão não foi sepultada. Pelo contrário, recrudesceu. Por isso, esforço-me por identificar algumas causas e dar um depoimento que reputo muito esclarecedor.

Se por um lado o papa João Paulo II no referido documento encerrou a questão no plano teológico e afirmou na Familiaris Consortioque o lugar da mulher é em casa cuidando da sua família, por outro lado não favoreceu o surgimento das condições culturais necessárias para que um princípio teológico não ficasse letra morta mas vigorasse efetivamente na Igreja e em todos os ambientes católicos. Explico-me. O papa João Paulo II disse que lamentava ver como a mulher ao longo dos séculos foi humilhada e maltratada. Ora, na sociedade cristã isso jamais ocorreu. Até parece Francisco I pedindo perdão às mulheres e aos gays. Sem dúvida, esse discurso só pode alimentar a erva daninha do feminismo.

Ademais, o papa João Paulo II, promovendo um ecumenismo e um diálogo inter-religioso sem fronteiras, foi um precursor da “cultura do encontro”, tão cara a Francisco I. Esta cultura do encontro tem sérias consequências e implicações. Em primeiro lugar, a meu juízo, opõe-se às ordenanças divinas do Livro Sagrado. Com efeito, diz o Levítico que Deus ordenou ao povo eleito que vivesse isolado, separado dos povos pagãos para que conservasse íntegra a verdadeira religião, não corrompesse a pureza das suas crenças divinas.

Com todas as adaptações que se possam e  devam fazer aos nossos tempos, a prescrição do Levítico é de um valor perene. É realmente impossível querer guardar íntegra a fé cantando, por exemplo, vésperas solenes ecumênicas nas basílicas e catedrais juntamente com diaconisas e sacerdotisas protestantes. Esse ambiente empestado de ecumenismo, irenismo e sincretismo com o tempo levará certissimamente os católicos a sacrificar sua teologia no altar da unidade religiosa universal. A Igreja, ao contrário  da “cultura do encontro”, devia viver isolada como os hebreus viveram isolados na terra de Canaã, para proteger os seus filhos da contaminação dos erros e perigos. Sem essa cautela, a Igreja corre o risco de ser incorporada à República Universal do Grande Arquiteto.

Trata-se de uma observação justíssima de bons historiadores e filósofos da cultura e da religião que nos ensinam que as questões teológicas controvertidas sempre tiveram o seu desenvolvimento e sua solução sob a influência das instituições políticas e dos valores culturais do seu tempo. De modo que nos dias de hoje em que reinam de norte a sul as Hilarys Clinton, as Teresas May, as Ângelas Merkel (para não falar das infames Rousseff e Cristina Kirchner) e a toque de caixa de todo o movimento feminista mundial, será realmente muito difícil a Igreja barrar o sacerdócio feminino se não for capaz de criar as condições culturais que venham a ser uma muralha, uma cidadela em defesa do dogma. Infelizmente, Ratzinger dizia que era necessário abater as muralhas da Igreja! E Francisco I diz que é pontífice para erguer pontes dentro da sua cultura do encontro, que todos já bem conhecemos.

A outra causa do ressurgimento da questão do sacerdócio feminino é desgraçadamente a timidez dos bons, o espírito de capitulação diante de qualquer obstáculo. Posso ilustrar este ponto com uma história verídica.

Disse-me um padre (da minha inteira confiança) que por volta de 1998 um dos melhores bispos do mundo, tido como um dos mais conservadores, adoeceu e pediu-lhe que o substituísse em um congresso teológico dando uma palestra sobre os sacramentos e a família. No congresso havia leigos, religiosos e religiosas de várias partes do País. Terminada a palestra, no final da tarde, o padre foi visitar o bispo e informá-lo de como se tinham passado as coisas. E disse-lhe: “Sr. bispo, tive oportunidade de explanar a carta Ordinatio sacerdotalis”. Para surpresa e decepção do padre, o bispo recebeu a informação com um amargo dissabor. E o padre perguntou-lhe porque não lhe agradava a referência à carta apostólica de João Paulo II. E o bispo disse: “Acontece que há muita gente de outras dioceses onde se contesta o ensinamento do papa e podia surgir uma discussão inoportuna no congresso.”

Desde então – disse-me o padre – fiquei convencido de que, contando com as atitudes ambíguas e omissões da hierarquia, a heresia avançava em surdina em todos os setores da Igreja.

De maneira que não ficarei surpreso se amanhã vir nas missas solenes da Ecclesia Dei diaconisas cantando o Evangelho, pregando ou batizando seus netinhos. Muitos padres birritualistas certamente vão participar de cerimônias servidas pelas reverendas.

De capitulação em capitulação chegamos às diaconisas e bispas. Que vão, quem sabe, tomar chá com a papisa rainha Elisabeth na sede da seita anglicana.

Anápolis, 4 de agosto de 2016.

Festa de São Domingos Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores, apóstolo do Santo Rosário de Nossa Senhora.

Fonte: http://santamariadasvitorias.org/de-capitulacao-em-capitulacao-chegamos-as-diaconisas/

Sobre a FSSPX , Prelazia Pessoal e Acordos

 

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Não há dúvida que o mundo tradicional deve-se muito à obra de Mgr Marcel Lefèbvre.
Não há dúvidas de que o seu fundador sempre deixou claro a adesão de sua obra ao Sucessor de Pedro, ” quando o mesmo se faz o eco das tradições apostólicas”.
Todavia também é verdade que TODAS as comunidades tradicionais que aceitaram acordos ( que aparentemente não se pedia nada em troca) terminaram por aceitar isso ou aquilo, mas sempre assumindo um OBSEQUIOSO SILÊNCIO quanto aos pontos de conflitos. Assumiram um ” ecumenismo teológico”
Acontecerá a mesma coisa com a FSSPX?
Caminhará ela pelo mesmo caminho que Campos trilha hoje?
O que de fato esses beneplácitos “sem nada exigir” exigem de fato?
Os bispos estão envelhecendo…e então veremos o que de fato acontecerá diante da necessidade de novas sagrações..
A esmola é grande, muito grande…

Pe. Marcélo Tenorio

Declaração do Superior Geral a todos os membros da FSSPX

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Ao final da reunião dos Superiores da Fraternidade São Pio X, além da declaração lida em 29 de junho de 2016, Dom Bernard Fellay havia dirigido aos sacerdotes, na véspera das ordenações sacerdotais em Ecône, uma declaração importante que DICI publica exclusivamente.

Para a glória de Deus,
para honra de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Mãe Santíssima,
para a nossa salvação.

No atual estado de grave necessidade da Igreja, que lhe concede o direito de administrar os auxílios espirituais às almas que a ela recorrem, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X não busca acima de tudo um reconhecimento canônico, ao qual tem direito por ser católica. A solução não é simplesmente jurídica. Trata-se de uma posição doutrinária que é imprescindível manifestar.

Quando São Pio X condenou o modernismo, ele resumiu toda a argumentação da encíclica Pascendi a um princípio fundamental: a independência. Ora, eis que o mundo usa todas as forças para mudar o eixo sobre o qual deve girar. É evidente tanto para os católicos, como para aqueles que não o são, que a Cruz já não é mais esse eixo. Como Paulo VI bem disse, é o homem (cf. Discurso de encerramento do Concílio Vaticano II, 07 de dezembro de 1965).

Hoje, o mundo gira em torno deste eixo, segundo ele, definitivamente estabelecido: a dignidade do homem, sua consciência e sua liberdade. O homem moderno existe para si mesmo. O homem é o rei do universo. Ele destronou a Jesus Cristo. Ele exalta sua consciência autônoma e independente a ponto de dissolver até mesmo os fundamentos da família e do matrimônio.

A FSSPX sempre se opôs a este empreendimento de desconstrução do universo – tanto da sociedade política como da Igreja.

Para remediar essa desordem universal, o Bom Deus levantou um homem, um cristão, um sacerdote, um bispo. O que ele fez? Fundou uma sociedade – sociedade hierárquica – cujo princípio e finalidade são precisamente o antídoto a essa desordem universal: o sacramento da Ordem. A finalidade da Fraternidade São Pio X permanece não só o remédio atual à crise, mas também, e pela mesma razão, a salvação de todos os que cooperam para esse mesmo fim. A Fraternidade quer, acima de tudo, guardar a retidão doutrinal, teológica e social fundada sobre a Cruz de Jesus Cristo, sua Realeza, seu sacrifício, seu sacerdócio, princípio de toda ordem e de toda graça. Dom Marcel Lefebvre combateu durante toda a sua vida para fazer triunfar essas verdades fundamentais. No tempo presente é nosso dever redobrar os esforços, intensificando o mesmo combate sobre os mesmos princípios.

Não somos nem conciliares: eles negam que a Cruz de Cristo seja o eixo do mundo; tampouco dissidentes: eles rejeitam a natureza social da Igreja. Nós somos uma sociedade de sacerdotes de Jesus Cristo, da Igreja Católica.

Chegou realmente o momento da restauração geral da Igreja? A Divina Providência não abandona a sua Igreja, cuja cabeça é o Papa, Vigário de Jesus Cristo. É por isso que um sinal incontestável dessa restauração será a vontade manifestada pelo Sumo Pontífice de proporcionar os meios para restaurar a ordem do sacerdócio, da fé e da Tradição – sinal que será, além de tudo, a garantia da necessária unidade da família da Tradição.

Christus regnat,
Christus imperat,
Deo gratias,
Amen.

+ Bernard Fellay
Anzère, 28 de junho de 2016
na vigilia dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

Fonte: http://www.fsspx.com.br/declaracao-do-superior-geral-a-todos-os-membros-da-fraternidade-sacerdotal-sao-pio-x/

Mons. Marcel Lefèbvre e sua Posição sobre o Papa

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Passemos à segunda parte não menos importante. Temos realmente um Papa ou um intruso na sede de Pedro?
Felizes os que viveram e morreram antes de fazer-se essa pergunta! Há que reconhecer que o Papa Paulo VI causou e ocasionou um sério problema à consciência das católicos. Sem indagar nem conhecer sua culpabilidade na terrível demolição da Igreja sob seu Pontificado, não se pode deixar de reconhecer que acelerou as causas em todas as ordens. Alguém pode se perguntar como um sucessor de Pedro pôde em tão pouco tempo causar mais males à Igreja que a revolução de 1789?
Fatos precisos como as assinaturas estampadas no artigo VII da Instrução concernente ao Novus Ordo Missae, como também o documento da “Liberdade Religiosa” são escandalosos e dão ocasião para que algumas pessoas afirmem que esse Papa era herético e que por sua heresia deixou de ser Papa.
A consequência deste fato seria que a maioria dos cardeais atuais não o seriam e além disso seriam inaptos para a eleição de outro Papa. Os Papas João Paulo I e João Paulo II não teriam sido então eleitos legitimamente.
É então inadmissível rezar por um Papa que não o é e conversar com aquele que não tem nenhum título para sentar na cadeira de Pedro. Como diante do problema da invalidez da nova missa, aqueles que afirmam que não há Papa simplificam demasiado os problemas. A realidade é mais complexa.

Se alguém se põe a perguntar se um Papa pode ser herege descobre que o problema não é tão simples como se crê. Sobre este tema, o estudo muito objetivo feito por Xavier da Silveira mostra que um bom número de teólogos pensa que o Papa pode ser herege como doutor privado, mas não como doutor da Igreja Universal. É necessário, então, examinar em que medida o Papa Paulo VI quis empenhar sua infalibilidade nesses casos diversos onde ele firmou textos próximos da heresia, senão heréticos.

Pudemos pois observar nesses dois casos, como em muitos outros, que o Papa Paulo VI atuou muito mais como liberal que aderindo à heresia. Já que, quando se assinalava-lhe o perigo que corria, entregava um texto contraditório, agregando uma fórmula contrária ao que ele afirmava na anterior, ou escrevendo uma fórmula equívoca, o que é próprio do liberal, o qual é incoerente por natureza.
O liberalismo de Paulo VI, reconhecido por seu amigo o cardeal Daniélou, é suficiente para explicar os desastres de seu Pontificado. O Papa Pio IX, particularmente, falou muito sobre o católico liberal, que ele considerava como destruidor da Igreja. O católico liberal é uma pessoa de dupla face, em contínua contradição. Quer manter-se católico e ao mesmo tempo tem o afã de agradar ao mundo. Afirma sua fé com medo de parecer demasiado dogmático e atua de fato como os inimigos da fé católica.
Um Papa pode ser liberal e permanecer Papa? A Igreja sempre admoestou severamente os católicos liberais. Não excomungou a todos. Também aqui devemos permanecer dentro do espírito da Igreja. Devemos rejeitar o liberalismo, venha de onde venha, porque a Igreja sempre o condenou com severidade por ser contrário ao Reinado de Nosso Senhor e em particular ao Reinado Social.
O afastamento dos cardeais de mais de 80 anos e as convençõezinhas que prepararam os dois últimos Conclaves não tornam inválida a eleição desses Papas: inválida, é afirmar muito, mas, eventualmente duvidosa. Mas a aceitação de fato posterior à eleição e unânime dos cardeais e do clero romano basta para convalidar a eleição. Esse é a opinião dos teólogos.
A questão da visibilidade da Igreja é em demasia necessária para sua existência, como para que Deus possa omiti-la durante décadas.
O argumento dos que afirmam a inexistência do Papa põe a Igreja numa situação confusa. Quem nos dirá onde está o futuro Papa? Como poderia ser designado Papa onde não há cardeais? Este espírito é um espírito cismático, ao menos para a maioria dos fiéis que se afiliaram a seitas verdadeiramente cismáticas como a do Palmar de Tróia, a da Igreja Latina de Toulouse, etc.
Nossa Fraternidade rejeita absolutamente compartilhar esses raciocínios. Queremos permanecer aderidos a Roma, ao sucessor de Pedro, mas rejeitamos seu liberalismo por fidelidade a seus Antecessores. Não temos medo de dizer-lo respeitosamente mas firmemente, como São Paulo diante de São Pedro.
Por isso, longe de rejeitar as orações pelo Papa, aumentamos nossas rezas e suplicamos para que o Espírito Santo o ilumine e o fortaleça na manutenção e defesa da fé.
Por isso jamais rejeitei ir a Roma a seu chamado ou ao chamado de seus representantes. A Verdade deve afirmar-se em Roma mais que em qualquer outro lugar. Pertence a Deus quem a fará triunfar.
Como consequência, não se pode tolerar nos membros, sacerdotes, irmãos, irmãs, oblatos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que recusem rezar pelo Papa e que afirmem que todas as Missas do Novus Ordo Missae são inválidas.
Certamente sofremos por esta incoerência contínua, que consiste em elogiar todas as orientações liberais do Vaticano II e ao mesmo tempo tratar de atenuar seus efeitos.
Mas isto nos deve incitar a rogar e a manter firmemente a Tradição, mas nem por isso afirmar que o Papa não é Papa.
Para terminar devemos ter o espírito missionário que é o verdadeiro espírito da Igreja, fazer tudo pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a divisa de nosso Santo Patrono São Pio X: “Instaurare omnia in Christo”, restaurar tudo em Cristo, e sofrer como Nosso Senhor em sua Paixão para a salvação das almas, para o triunfo da Verdade.
“In hoc natus sum, disse Nosso Senhor a Pilatos, ut testimonium perhibeam veritati”. “Eu nasci para dar testemunho da Verdade”.
8 de novembro de 1979
Retirado do Livro “La Misa Nueva – Mons. Marcel Lefebvre” Editora ICTION, Buenos Aires 1983.
Fonte: http://rainhaddosmartires.blogspot.com.br/2014/07/posicao-do-arcebispo-marcel-lefebvre.html

O martírio do Pe. Hamel: o tormento dos cristãos orientais agora é o nosso

ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Luis Dufaur

A ameaça se realizou. Um padre foi degolado por muçulmanos enquanto celebrava a missa. Isso não aconteceu no Iraque, na Nigéria ou no Paquistão, mas numa pequena cidade da Normandia, sob o céu macio da nossa França como diz a canção.

Alguns estão atônitos face ao horror e se perguntam: por que nós? Por que um padre? Por que um homem de 86 anos?

E eles não saem do atordoamento: o padre Hamel mantinha relações amigáveis com a comunidade muçulmana. A mesquita de Saint-Etienne du Rouvray foi construída num terreno oferecido pela paróquia da cidade, informou “Le Point”. 

O medo é legítimo e atinge a todos nós, mas a surpresa é no fundo uma grave falta nossa.

Durante anos, nós, os cristãos ocidentais, vínhamos sendo avisados pelos nossos irmãos orientais que conhecem o furor islâmico há séculos.

Em 10 de agosto de 2014, o arcebispo de Mosul, Iraque, Mons. Amel Nona advertiu os europeus numa entrevista ao “Corriere della Sera”:

Policial diante da prefeitura de Saint-Etienne du Rouvray após o crime anunciado. D. Amel Nona: “vós vos tornareis vítimas do inimigo que recebestes em vossa casa”
Policial diante da prefeitura de Saint-Etienne du Rouvray após o crime anunciado.
D. Amel Nona: “vós vos tornareis vítimas do inimigo que recebestes em vossa casa”

“Nosso sofrimento hoje constitui o prelúdio daquele que os europeus ocidentais e cristãos vão sofrer no futuro próximo (…) vós acolheis em vossos países um número crescente de muçulmanos. (…) Vós deveis assumir posições fortes e corajosas (…) vossos valores não são os valores deles (…) Se vós não percebeis em tempo, vós vos tornareis vítimas do inimigo que recebestes em vossa casa”.

Mas, a Europa e o mundo cristão adormecido ficaram surdos às previsões do arcebispo Nona. Agora elas se tornaram realidade.

A agradável esplanada do restaurante, o belo passeio à beira-mar e agora uma pequena igreja provincial: já não há na França refúgio para se proteger do ódio dos islâmicos.

O arcebispo de Rouen apelou para a fraternidade e as mais altas autoridades do Estado invocaram a unidade nacional. Mas esses apelos humanistas não vão ajudar.

Os nossos algozes, escreve Burckhardt, querem nos apresentar sua própria interpretação da palavra “Islã”. E, em verdade, é uma versão única de arma na mão pingando nosso sangue. É claro que eles acham que em parte já ganharam.

O nosso hino nacional já não é cantado com vibração. A hierarquia eclesiástica descreve também como “vítimas” àqueles que vêm de assassinar brutalmente um de seus ministros, como diz o comunicado do arcebispo no site da diocese “Rouen Catholique”.

As sociedades doentes batem em aqueles que identificam a doença e receitam o remédio. Cantam as doçuras do “viver juntos”, mas falam com virulência sem precedentes contra os fabricantes de “ódio” e os semeadores de “divisão”, leia-se contra você e eu, que não aguentam mais tanta felonia.

Fim do Ramadan intercultural na igreja de Saint-Jean-Baptiste em Molenbeek, presidida pelo pároco e os imames do bairro dos terroristas
Fim do Ramadan intercultural na igreja de Saint-Jean-Baptiste em Molenbeek,
presidida pelo pároco e os imames do bairro dos terroristas

Abre-se as igrejas para a comemoração do Ramadã, como fez a igreja de São João Batista, no bairro de Molenbeeck, Bruxelas, bairro de onde tinham saído os assassinos que poucos meses antes ceifaram dezenas de vidas no aeroporto e no metrô da capital belga. O ágape ecumênico foi noticiado pelo site da Igreja Católica na Bélgica.

Não há lugar para famílias cristãs mas sim para famílias muçulmanas no avião papal. Veja-se a notícia do “Le Journal du Dimanche”.

Saudamos como libertadores dos nossos “vícios” consumistas e capitalistas aqueles que vêm para tomar posse da terra de nossos antepassados. Ver por exemplo.

Finalmente, se nos inocula tranquilizantes confeccionados com argumentos ridículos: todos os muçulmanos não são terroristas, alguns deles estão entre as vítimas…

Sim, nem todos os muçulmanos são terroristas, mas todos aqueles que atualmente proclamam agressivamente o Islã, o são sem sombra de exceção.

Terão os jihadistas necessidade de uma insurreição geral da população muçulmana na Europa para atingir seus objetivos numa guerra civil?

Passeata de muçulmanos no Reino Unido
Passeata de muçulmanos no Reino Unido

Não. Eles só precisam do silêncio benevolente mas cúmplice– inclusive discreto – de sua comunidade e da passividade da nossa.

Alguns europeus exasperados pela incapacidade dos nossos governos poderão se envolver por sua vez em abusos visando muçulmanos.

Então surgirá entre eles a “necessidade” de uma unidade entre “moderados” e radicais de todas as arestas.

Aqueles que atualmente são 15% da nossa população serão tratados como se fossem a metade.

Para o retorno da “paz civil”, os muçulmanos serão sistematicamente aceitos em “diálogos de paz” que irão moldar o futuro dos nossos filhos.

O contador populacional vai continuar fazendo seu trabalho, o afluxo de “refugiados” prosseguirá, e então nós nos abaixaremos para agradecer a tolerância que os “mais moderados” vão mostrar para nós.

O rei muçulmano Boabdil entrega as chaves de Granada à rainha e ao rei Fernando de Aragão, seu esposo. Francisco Pradilla y Ortiz (1848–1921).
O rei muçulmano Boabdil entrega as chaves de Granada à rainha Isabel
e ao rei Fernando de Aragão, seu esposo.
Francisco Pradilla y Ortiz (1848–1921).

Se quisermos evitar esse cenário dantesco, é em Isabel a Católica expulsando os mouros de Granada que devemos procurar inspiração tão rapidamente quanto possível.

Caso contrário, a Europa em breve conhecerá o destino das cristandades outrora florescentes no Norte de África: em algumas décadas ela irá integrar o sinistro mundo regido pela Sharia: o Dar al-Islam.

Fonte: http://aparicaodelasalette.blogspot.com.br/2016/07/pe-jacques-hamel-rip-o-crime-revelador.html#.V5gBgpZKzL0.facebook

Sermão do Beato Urbano II convocando a Primeira Cruzada

aiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaa

Por Luis Dufaur

Em Clermont-Ferrand, no coração da França, o 27 de novembro de 1095, diante de um Concílio de 13 arcebispos e 225 bispos, o Bem-aventurado Papa Urbano II pregou a primeira cruzada.

O espetáculo era comovedor.

Um Concílio, sob a presidência de um Papa sentado na Sede de São Pedro: a luz colocada num candelabro para iluminar todos os povos.

Aquele que é o foco de irradiação da virtude, na cátedra que ensina a verdade e o bem, se dirige às falanges de Nosso Senhor e de Nossa Senhora para a luta contra o mal.

Este homem, como um novo anjo, na cátedra de São Pedro se toma de zelo pela desventura dos lugares Santos.

Ele não pode tolerar que os lugares Santos estejam de posse de infiéis.

Ele não pode suportar que seja tão difícil chegar até os lugares Santos, para ali prestar culto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele, em nome de Nosso Senhor, agindo como seu vigário na Terra, convoca a primeira Cruzada.

Eis suas palavras que ficaram registradas para a História:

Estátua de Urbano II, Châtillon sur Marne
Monumento ao Beato Urbano II

“Ó Francos, de quantas maneiras Nosso Senhor vos abençoou? Vede quão férteis são vossas terras. Quão verdadeira é vossa fé. Quão indisputável é vossa coragem.

“A vós, abençoados homens de Deus, dirijo estas palavras. E que não sejam levadas levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso Senhor, é sua santíssima voz na terra.

“Vós que sois justos e bons, vós que brilhais na santa fé escutai. Sabei da justa e grave causa que nos reúne hoje aqui, sob o mesmo teto, na piedade de Nosso Senhor.

“Relataremos fatos horríveis que ouvimos sobre uma raça de homens completamente afastados de Deus e desprovidos de fé. Turcos, Persas, Árabes, amaldiçoados, estranhos a nosso Deus, que devastam por fogo ou espada as muralhas de Constantinopla, o Braço de São Jorge.

“Até hoje, por misericórdia do Supremo, Constantinopla foi nossa pedra, nosso bastião da fé em território infiel. Agora essa sagrada cidade encontra-se desfigurada, ameaçada.

“Quantas igrejas esses inimigos de Deus conspurcaram e destruíram? Ouvimos de altares e relíquias sendo profanados por sujeira produzida por corpos Turcos. Ouvimos sobre verdadeiros crentes sendo circuncidados e o sangue desse ato sendo vertido em pias batismais.

“O que podemos vos dizer? Turcos transformam solo sagrado em estábulo e chiqueiro, expelem o conteúdo de seus fétidos e putrefatos corpos em vestimentas dos emissários do Evangelho de Nosso Senhor.

“Os descrentes forçam Cristãos a ajoelhar sobre essas roupas imundas, curvar as cabeças e esperar o golpe da espada.

“Essas vestes, que através da imundície e sangue são testemunhas das aberrações fruto da falta da verdadeira fé, são exibidas junto com corpos dos mártires.

“O que mais devemos lhes dizer, ó fieis? Turcos abusam de mulheres cristãs. Turcos abusam de crianças cristãs.

“Pensai nos peregrinos da fé que cruzam o mar, obrigados a pagar passagem em todos os portões e igrejas de todas as cidades. Quão freqüentemente esses irmãos no sangue de Cristo passam por humilhações e falsas acusações?

“Aqueles que viajam na pobreza, como são recebidos nesses lugares de nenhuma fé? São vasculhados em busca de moedas escondidas. As calosidades em seus joelhos, causadas pelo ato de fé ao Nosso Senhor, são abertas por lâminas. Aos fiéis são dadas bebidas vomitórias para que sejam vasculhadas suas emissões estomacais.

“Após isso são ainda obrigados a sorver excremento liquefeito de bodes e cabras de forma a esvaziar suas entranhas. Se nada for encontrado que satisfaça essas filhos do inferno, ó fieis, escutai.

“Turcos abrem com lâmina da espada as barrigas dos verdadeiros seguidores, de Jesus Cristo em busca de peças de ouro ingeridas e assim escondidas.

“Espalham e retalham entranhas mostrando assim o que a natureza manteria secreto. Tudo a procura de riquezas ou por prazer insano.

“Turcos perfuram os umbigos dos fiéis, amarram suas tripas a estacas e afastam os cristãos, prendendo-os com cordas a outro poste, de forma a que vejam suas próprias entranhas endurecendo ao sol, apodrecendo e sendo consumidas por corvos e vermes.

“Os Turcos perfuram irmãos na fé com setas, fazem dos mais velhos alvos móveis para seus malditos arcos. Queimam os braços e pernas dos mártires até carbonizá-los e soltam cães famintos para os devorar ainda vivos.

“Ó Francos, o que dizer? O que mais deve ser dito?

“A quem, pois, deve ser dirigida a tarefa de vingança tão santa quanto a espada de São Miguel?

“A quem Nosso Senhor poderia confiar tal tarefa senão aos seus mais abençoados e fiéis filhos?

“Ó Francos, vós não sedes habilidosos cavaleiros? Poderosos guerreiros ao serviço da palavra de Deus? Próximos a São Miguel na habilidade de expurgar o mal pela espada?

Clermont-Ferrand, Praça onde o santo Urbano II pregou a Primeira Cruzada“Dêem um passo a frente!

“Não mais levantarão as espadas entre si, ceifando vidas e pecando contra o Evangelho. Aproximem-se guerreiros abençoados.

“Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao objetivo.

“Aproximem-se os que desejam vida eterna, aproximem-se os que desejam absolvição no sagrado.

“Sabei que Nosso Senhor espera seus filhos em lugar abençoado. Na palavra do Santíssimo seguirão e combaterão, não deixem que obstáculos os parem, creiam na palavra de Deus e nada os deterá.

“Deixai todas as controvérsias para trás! Uni-vos e acreditai! Não permitais que posses ou família vos detenham.

“Lembrai-vos das palavras de Nosso Salvador, “Aquele que abandonar sua morada, família, riqueza, títulos, pai ou mãe pelo meu nome, receberá mil vezes mais e herdará a vida eterna”.

“Se os Macabeus dos tempos de outrora conquistaram glória pela sua luta de fé, da mesma forma a chance é ofertada a vós.

“Resgatai a Cruz, o Sangue e a Tumba de Nosso Senhor. Resgatai o Gólgota e santificai o local.

“No passado vós não lutastes vos pondo em risco de perdição? Não levantastes aço contra iguais? Orgulho, avareza e ganância não foram vossas diretivas? Por isso vós merecestes a danação, o fogo e a morte perpétua.

“Nosso Senhor em sua infinita sabedoria e bondade oferece aos seus bravos, porém desvirtuados filhos, a chance de redenção. A recompensa do sagrado martírio.

“Ó Francos, ouvi! Deixai a chama sagrada arder nos vossos corações! Sede instrumentos da justiça em nome do Supremo!

“Francos! A Palestina é lugar de leite e mel fluindo, território precioso aos olhos de Deus. Um lugar a ser conquistado e mantido apenas pela fé.

“Nós apelamos às vossas espadas!

“Lutai contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas outras.

“Glorificai as peregrinações para o centro do mundo, consagrai-vos à Paixão de Jesus Cristo!

“Tornai-vos dignos da Redenção pela Sua morte! Glorificai seu túmulo!

“O caminho será longo, a fé no Onipotente torná-lo-á possível e frutífero.

“Não temais Francos! Não temais a tortura, pois nela reside a glória do martírio!

“Não temais a morte, pois nela reside a vida eterna!

“Não temais dor, pois a recebereis com resignação!

“Os anjos apresentarão vossas almas a Deus.

“O Santíssimo será glorificado pelos atos de seus filhos!

“Vede à vossa frente aquele que é a voz de Nosso Senhor! Segui Sua exemplo e palavras eternas!

“Marchai certos da expiação de vossos pecados, na certeza da glória imortal.

“Deixai as legiões de Cristo Rei se atracar com o inimigo!

“Os anjos cantarão vossas vitórias!

“Que os servidores do Evangelho entrem em Jerusalém portando o estandarte de Nosso Senhor e Salvador!

“Que o símbolo da fé seja mostrado em vermelho sobre o imaculado branco, pureza e sofrimento expressados!

“E que sua palavra seja ouvida como retumbante trovão, trazendo medo e luz para os infiéis!

“Que agora o exército do Deus único brade em glória sobre os Seus inimigos!”

A multidão dos cavaleiros convocados de toda a Europa respondeu “Deus vult”, “Deus o quer”! Esse brado ecoou pela Europa toda. O Islã estava perdido. Jerusalém voltaria em breve a mãos cristãs.

A bem dizer esse brado ressoa até hoje. Pois, ele é um eco sagrado de aquele outro brado que São Miguel Arcanjo lançou no Céu contra a revolta de Satanás: “Quis ut Deus?”, “Quem como Deus?!”

Fonte: http://ascruzadas.blogspot.com.br/2013/04/sermao-do-beato-urbano-ii-convocando.html?m=1

Estado Islâmico e os Católicos Jujubas

 

Salve Maria!

Mais um padre assassinado na França pelos maometanos do diabólico ” Estado Islâmico”.

Onde estão os Cruzados???….
Cantando  e pulando com musiquinhas adocicadas….viraram Católicos Jujubas….

E enquanto Roma pega fogo…..novamente Nero toca harpa…
Ah…., um S. Pio V !!!!!!

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CAFÉ TEOLÓGICO – JOSEPH RATZINGER REFUTA VERSUS POPULUM

 

DEDICADO a todos os  SEMINARISTAS maravilhosamente TEIMOSOS

 

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Caríssimos, Salve Maria!

Esse “Café Teológico” dedico a todos os SEMINARISTAS de boa vontade que, apesar da crise, teimam em continuar Católicos. Bela teimosia!

O motivo da dedicação é justamente pela péssima formação direcionada e ideológica que acontece em muitos institutos teológicos e seminários. Nessas casas,os formadores que são “ecumenicamente” liberais, defendem a pluralidade de pensamento, mas ao mesmo tempo não admitem que os formandos pensem diferente deles, típica democracia petista, verdadeira como uma nota de dez tostões. 

A vocês, seminaristas católicos meu respeito e amizade. Continuem assim: teimosamente católicos.

Sobre a declaração do Cardeal Sarah,  silenciada em muitos sites de Institutos de Teologia, o desmentido do finado Pe. Lombardi ( esse já bem divulgado em sites desses institutos tupiniquis), trago para todos vocês, queridos seminaristas a defesa da Missa ad Orientem do Cardeal Ratzinger, para angústia dos pseudos  doutores malabaristas do País-das-maravilhas..

Boa leitura….e, continuem Teimosos!

Pe. Marcélo Tenorio

 

Ps. Qualquer reclamação dos reitores,  favor endereçar ao Mons. Joseph  Ratzinger.

 

  1. APRESENTAÇÃO

Neste artigo será demonstrado que as interpretações que vêm sendo feitas, por parte de algumas pessoas, da declaração do Padre Frederico Lombardi, ex-porta-voz do Vaticano, não podem ser as mais corretas.

O então porta-voz disse que não haverá nenhuma norma nova para o advento e que o termo «reforma da reforma» deve ser evitado para não causar interpretações erradas. Na mesma linha partidária, o Padre Antonio Spadaro, editor do jornal La Civiltà Cattolica, levantou alguns argumentos contra a Missa «versus Deum», isto é, «de frente para Deus».

Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI

O Cardeal Ratzinger, atual Papa emérito Bento XVI, foi quem promoveu o movimento chamado «reforma da reforma» e contribuiu, como tantos outros ótimos liturgistas, para a compreensão da orientação litúrgica. Pois bem, exporemos o seu pensamento, que se apoia também em outros estudiosos, e, desta forma, refutaremos os argumentos levantados pelos amantes da Missa “ao revés”. O versus populum não é inválido ou ilícito, nem pretendemos isso dizer; queremos apenas demonstrar que o versus Deum também é não somente válido e lícito, mas a melhor forma.

Quanto ao termo «reforma da reforma» é suficiente dizer que não oferece nenhuma possibilidade de má interpretação, pois já foi exaustivamente explicado por inúmeros liturgistas, até mesmo pelo próprio Joseph Ratzinger em diversas oportunidades, inclusive já postamos um desses textos aqui no blog.

Cabe, antes de mais nada, avisar que ao final deste artigo poderá o leitor encontrar um índice para melhor visualização da ordenação das partes. E o aconselhamos que assim faça. Boa leitura.

  1.    INTRODUÇÃO

O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, em um discurso para a Conferência Sacra Liturgia UK 2016, no Oratório de São Filipe Néri (Oratório de Brompton), em Londres, instigou os sacerdotes para que pudessem celebrar também a Forma Ordinária do Rito Romano (segundo o Missal de Paulo VI) de frente para Deus, isto é, «Versus Deum», pois, segundo ele, é “muito importante que retornemos o quanto antes possível para uma comum orientação, dos sacerdotes e fiéis, voltados na mesma direção – para o oriente ou pelo menos para a abside”[2].

O oriente (ou leste) é o símbolo da ressurreição e ascensão do Senhor e, igualmente, de sua segunda vinda, que ocorrerá da mesma forma que partiu (At 1, 11). Se o batistério, colocado à porta da Igreja, no Oeste, é o símbolo do princípio do percurso, o altar ao leste é a meta para qual nos dirigimos, caminhando ao encontro daquele que foi, mas que voltará.

O Cardeal africano, no entanto, esclareceu que esta implementação deve ocorrer “com prudência e com a necessária catequese”[3], por isso, cabe um discernimento pastoral para avaliar como e quando esta prática pode ser aplicada. Neste ponto, ele sugeriu que um bom tempo para que os sacerdotes começassem a implantá-la seria no Advento, isto porque é justamente o tempo em que “esperamos «o Senhor que virá» e «que não tardará» (cf. Introito, Missa da Quarta-feira da Primeira Semana do Advento)”[4]. Trata-se de um tempo litúrgico que está intimamente ligado à orientação litúrgica, por isso, a sugestão deste tempo.

Leia também: A reforma da reforma e o futuro do Missal de Pio V

O purpurado se dedicou a outros temas interessantes (cf. o discurso completo), mas foram estas palavras que criaram alvoroço. Assim, após esse pronunciamento do Prefeito da liturgia surgiram debates em muitos lugares, tudo em torno de uma má compreensão tanto do sentido da orientação litúrgica como da legislação atual.

Nessa onda, até mesmo o Padre Antonio Spadaro, editor do jornal La Civiltà Cattolica, entrou na polêmica através de seu Twitter, incentivando a celebração da Missa de frente para o povo, ou para quem quiser, de costas para Deus. O Padre Spadaro citou como argumento, entre outras coisas, o parágrafo 146 da Instrução Geral do Missal Romano para tentar justificar sua opinião “populista”.

O Vaticano mostrando-se preocupado logo apareceu para pôr panos quentes na história. Através de um pronunciamento do Padre Frederico Lombardi, então porta-voz da sala de imprensa (agora o novo porta-voz é Greg Burke, pois Pe. Lombardi renunciou), foi afirmado que não haverá nenhuma nova normativa para o próximo advento e que o termo «reforma da reforma» pode gerar algumas interpretações erradas, por isso seria melhor evitá-lo. Esta declaração do ex-porta-voz caiu como uma bomba, sendo usada pelo clero mais progressista como arma contra o Cardeal Sarah e os católicos que apoiam tanto a orientação Versus Deum como a «reforma da reforma».

Será que o que disse o Padre Lombardi pode realmente ser usado dessa forma? E a reforma da reforma é um termo tão controverso assim? É o que veremos.

  1.    A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA: DEUS OU POVO?

Nesta seção dividiremos a problemática da orientação litúrgica em três partes. A primeira consiste em um resumido aspecto histórico, no qual será elaborada a fundamentação histórica e, por consequência indireta, um pouco da razão teológica; a segunda será uma análise da legislação atual, trazendo os fundamentos para que tal prática seja, além de válida, tida por lícita; a terceira, por fim, responderá a algumas objeções, aquelas que mais comumente são utilizadas e as que foram levantadas sobre o pronunciamento do Cardeal Sarah pelos partidários da Missa invertida. Desta forma acreditamos delinear e abarcar toda a questão.

3.1.   HISTÓRIA

Em todo o período da cristandade se há algo que sempre esteve claro certamente é, segundo Joseph Ratzinger [5], “a orientação da oração ao oriente”, que é uma tradição que remonta às origens do cristianismo. Pois já no início da era cristão se tinha o sol como símbolo cristão, e, como se sabe, o sol nasce ao leste (oriente), daí dizer que a própria palavra «orientação» só possui seu sentido lato quando aplicado na direção ao leste.

Joseph Ratzinger, à época Cardeal Prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé

O eminente teólogo alemão diz[6] que “a orientação da oração comum a sacerdotes e fiéis (cuja forma simbólica era geralmente em direção ao leste/oriente, quer dizer, ao sol que se eleva), era concebida como um olhar lançado ao Senhor, ao verdadeiro sol” e que na liturgia católica existe uma antecipação do retorno de Cristo, onde “sacerdotes e fiéis vão ao seu encontro”. E esta orientação na oração, continua, “expressa no caráter teocêntrico da liturgia obedece à exortação: «Voltemo-nos para o Senhor»”.

E é possível, nos afirma o Mons. Klaus Gamber, “provar com certeza que jamais houve celebrações versus populum (de frente para o povo) nem na Igreja do Oriente nem na do Ocidente”[7]. Confira o quanto da liturgia católica está intimamente ligada com a luz, com o sol, com o astro que ilumina. Jean Fournée nos recorda que no natal encontramos um rito enormemente ligado com a mística da luz e o mesmo podemos dizer da Epifania, na qual lê-se Isaías: “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor”.

Todo o edifício litúrgico gira em torno deste simbolismo; não esqueçamos, por exemplo, a páscoa que com sua vigília nos oferece uma verdadeira riqueza espiritual, onde o Círio com sua luz é o símbolo de Cristo: “O círio que acendeu as nossas velas possa esta noite toda fulgurar; misture sua luz à das estrelas, cintile quando o dia despontar” (cf. Proclamação da Páscoa). Ainda o Deus que é “a força imutável e luz inextinguível” (cf. Vigília Pascal) é louvado todos os dias na Liturgia das Horas no despontar do sol, onde cantamos o retorno da luz que da noite dissipa as trevas.

Dom N. Le Nourry expõe uma das razões de conveniência da orientação na oração, dizendo que “Cristo, na cruz, olhava para o ocidente, era, pois, normal que os cristãos ao contemplar a cruz se voltassem para o oriente”[8]. Para demonstrar ainda como mais solidez a disposição da Igreja ao oriente, é possível citar, entre muitos outros Padres da Igreja, Clemente de Alexandria (+215) e Orígenes (+255):

O oriente é a imagem do dia que nasce. É deste lado também que cresce a luz, a qual em primeiro lugar faz desaparecer as trevas onde se detém a ignorância e de onde se separou o dia do conhecimento da verdade da mesma maneira como se eleva o sol. Por isto, é normal que se dirijam as orações rumo ao nascimento da manhã. [9]

E agora, a respeito da parte do mundo para a qual se deve dirigir para rezar, serei breve. Sendo quatro essas partes: o norte, o sul, o poente e o nascente, quem pois negará que se deve indicar bem claramente o nascente, e que devemos rezar voltando-nos simbolicamente para esse lado, olhando com a alma de certo modo a saída da verdadeira luz? [10]

Se podemos notar a beleza extraordinária encontrada no simbolismo solar, do oriente, o que dizer da cruz? Não é o sol apenas um símbolo, à título comparativo, enquanto que a Cruz figura realmente o Cristo? Não é a Cruz mais brilhante que todos os astros (“O Crux, splendidior cunctis astris”) [11]? Por que então não ver a Cruz como superior ao sol? A Cruz para nós não representa uma vergonha, mas “o testemunho deslumbrante da glória de Cristo com a qual se iluminará o último amanhecer do cosmo”[12], e nos diz Santo Efrem que a cruz que aparecerá no céu é “como o cetro de Cristo, o grande Rei… superando o brilho do sol e precedendo a vinda do Senhor de todas as coisas”[13] e exclama São João Crisóstomo: “Sinal triunfal, mas resplandecente que o astro dos dias!”[14]

Neste ponto, afirma[15] Joseph Ratzinger que “a orientação ao leste tinha uma estreita relação com o “sinal do Filho do Homem”, com a Cruz que anuncia a segunda vinda do Senhor” e, desta forma, “o oriente se uniu rapidamente ao símbolo da cruz”. À esta afirmação ajunta Jean Fournée, dizendo[16] que “nas origens do cristianismo se associa a oração voltada ao Oriente com o culto da Cruz”, sendo “o culto da cruz, antes de tudo, uma homenagem rendida à glória divina”.

Se a Cruz é o símbolo da glória divina, também o é da esperança. Os primeiros cristãos traçavam uma Cruz na parede oriental de suas casas para rezar diante dela, afirma Fournée, expressando a fé na ressurreição e a esperança do retorno glorioso. Este duplo aspecto da cruz confere o significado do presente e do futuro.

Algumas pessoas não sabem, mas a cruz sobre o altar virada para o sacerdote provém de uma ideia (muito inteligente, por sinal) de Joseph Ratzinger. Ele diz[17] que “onde não seja possível a orientação de uns e outros ao leste, a cruz pode servir como oriente interior da fé” e, assim, novamente “a cruz seria o ponto de referência comum do sacerdote e a comunidade que reza”.  Portanto, essa dica dada é um “tapa-buraco” na orientação litúrgica e mesmo essa ideia tem um problema, apontado por Fournée[18].

Como esquecer toda essa riqueza, deixada como patrimônio cristão? E se seria estranho cantar as Laudes durante do tardar do dia, por que não percebemos a mesma incoerência na orientação litúrgica? Será que ficamos tão insensíveis aos símbolos? Esquecemos que o nosso Deus é a luz do mundo e, no nosso espírito desprezível, perdemos todo o sentido externo? Joseph Ratzinger constata esta insensibilidade do homem moderno.

Infelizmente para os partidários da Missa invertida, será doloroso demonstrar que a primeira pessoa que teve a ideia de uma celebração «versus populum» foi um herege. Martinho Lutero, prova Gamber[19], na sua obra “A Missa alemã e a ordem do culto divino” (“Deutsche Messe und Ordnung des Gottesdienstes“) de 1526, diz assim, no capítulo “O domingo para os leigos”: “Conservaremos os paramentos sacerdotais, o altar e as velas até que se acabem ou até que achemos conveniente mudá-los. Todavia, deixaremos que outros que queiram fazer diferente o façam. Porém, na verdadeira missa, entre verdadeiros cristãos, será necessário que o altar não fique como está e que o sacerdote se volte sempre para o povo (…)”.

Em seu livro, “O ordo divino de Cranmer”, Michael Davies merece crédito por haver demonstrado, especificamente no capítulo 11, que o Livro de Oração de 1549 dos reformadores protestantes desejava a destruição dos altares e a ereção de outros separados da abside. Evidencia é que por toda a Inglaterra foram destruídos altares com a revolução protestante. Constatamos que o mesmo se sucedeu nos tempos modernos. Quer queiramos ou não, esta é a origem do versus populum.

Para citar o Brasil é necessário dizer o que se segue. O movimento litúrgico da década de 20 tinha por meta ótimos objetivos, mas começaram a aparecer diferentes teses, caminhos, conforme o parecer individual de cada liturgista. Nisto residia o perigo, o que culminou em várias correções por parte dos papas, em especial por Pio XII. Aqui no Brasil o movimento estava bem representado, de forma fiel e ortodoxa, por liturgistas como Padre João Batista Reus, S.J., mas também chegaram nestas terras homens com seus desvios, e, em 15 de julho de 1933, o bispo Dom Martinho Michler celebrou para seis rapazes, numa fazendo do interior do Estado do Rio de Janeiro, a primeira missa versus populum e dialogada[20].

Leia também: Revelação de Bento XVI sobre o Movimento Litúrgico

Para finalizar este ponto penso ser interessante destacar o fato descrito por Fournée:

Havia antigamente em Paris uma igreja que se chamava de São Bento o “Bétourné”. A origem deste estranho epíteto é o seguinte. O edifício medieval que havia precedido a construção do séc. XVI estava ‘ocidentado’. Esta anomalia chocou tanto o povo que este batizou a igreja de: São Bento le Mal Tourné (mal virada) ou “Mautourné”. Porém ao ser reconstruída e seu altar mor recolocado no oriente, passou a ser de São Bento le Bétourné (bem virada). [21]

3.2.   LEGISLAÇÃO

Comecemos esclarecendo um fato importantíssimo para nossa questão: a orientação versus populum jamais foi proposta pelos documentos do Concílio Vaticano II. Desnecessário provar, basta consultar os textos, mas mesmo assim fazemos questão de constar que Gamber diz o mesmo: “em vão se buscará na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, promulgada pelo Concílio Vaticano II, uma prescrição que exija celebrar a Santa Missa de frente para o povo”[22]. E não foi proposta pelo simples fato de que jamais se passou pela cabeça dos padres conciliares um tamanho absurdo!

Mons. George Eder já em 1989 esclarecia o equívoco em pensar que a orientação versus Deum tenha sido proibida pelo Concílio Vaticano II.

O Concílio não pediu em nenhum texto que haja em cada igreja um altar de frente para o povo. Nem no novo código de Direito Canônico há algo a este respeito. O Concílio deixou liberdade neste terreno. Porém una nova moda apareceu, e depois se aponta com o dedo para os que não têm o altar de frente para o povo! Fazem o mesmo por causa do latim. Desde o princípio, eu lutei pelo bilinguismo na Igreja; é a boa solução. Se se canta em inglês, todos contentes, porém se se dizem três palavras em latim… é anticonciliar! Por isto quero me servir no futuro desta liberdade que o Concílio deixou para a língua e para o altar. [23]

É o mesmo parecer do Mons. Michael Schmitz que diz que a celebração da Missa na qual “o sacerdote fica de frente para a assembleia nunca foi mencionado no Concílio Vaticano II e é atualmente uma introdução posterior”[24]. Também Ratzinger o constata ao dizer que “o texto conciliar não fala da orientação do altar para o povo”[25]. Michael Davies, depois de seu estudo, conclui o mesmo ao dizer que “não existe nenhuma ordem, rubrica, regulamentação ou lei dentro do Rito Romano que estipule que a Missa deva ser celebrada de frente para o povo”[26]. Portanto, fica elucidado que o Concílio jamais admitiu a celebração de frente para o povo.

O Padre Frederico Lombardi fez uma confusão entre orientação e forma do rito, como se a forma ordinária estivesse intrinsecamente relacionada com o versus populum. Nada mais falso, como já foi provado acima. E Mons. Schmitz ratifica isso ao dizer que “a posição do sacerdote voltado para o oriente junto com a assembleia não é exclusiva do Rito Romano Clássico [forma extraordinária]”[27].

A forma ordinária (Missal de Paulo VI) não apenas não proíbe o versus Deum como regulamenta. Em diversos locais a rubrica supõe que o sacerdote esteja virado para o altar e não para o povo. Diz o Mons. Schmitz que “algumas das rubricas do Rito mais novo parecem ainda pressupor que o celebrante esteja na mesma direção que o povo, esteja num altar solto ou num altar-mor que tenha um retábulo”[28]. Com mais certeza, conclui Davies: “certamente, as rubricas do Novus Ordo Missae, especificamente, definem a prática tradicional e instrui o sacerdote a fim de que se vire para a assembleia em várias ocasiões e logo vira-se ao altar, por exemplo nos artigos de número 107, 116, 122, 198 e 199 da Instrução Geral do Missal Romano (Institutio Generalis)”[29].

Leia também: O que não te contaram sobre as Orações Eucarísticas

Os parágrafos citados por Davies possuem numeração diferente, porque ele usa a versão típica ou de 1969 ou 1970, segundo o que pude conferir. Mas os parágrafos em que ele cita se referem aos momentos em que o sacerdote fala com o povo, em diálogo, em por consequência ele deve estar voltado para a assembleia (“versus ad populum”, “stans versus populum”). Atualizando para o Missal de 2002, podemos dizer que o sacerdote volta-se ao povo quando ele, após fazer o sinal da cruz, faz dirige uma breve palavra para o povo (n. 124); após o lavabo, quando convida o povo a rezar, dizendo “Orate, fratres” (n. 146); ao distribuir a paz ao povo, dizendo “Pax Domini sit semper vobiscum” (n. 154); ao fim da Oração Eucarística, ao mostrar a Hóstia consagrada ao povo, dizendo “Ecce Agnus Dei” (n. 157); novamente quando convida o povo a rezar, após a comunhão, dizendo “Oremus” (n. 165); quando abençoa o povo, ao fim da Missa (n. 167 e 185).

O Ritus servandus in celebratione Missae, que é a Instrução Geral do Missal tridentino, também prescreve que o sacerdote esteja voltado para o povo em iguais momentos, conforme podemos notar: “versus populum (…) dicit voce prædicta: Dóminus vobíscum, vel si sit Episcopus: Pax vobis” (cap. V, 1), “ad populum, et extendens ac jungens manus dicit: Dóminus vobíscum” (cap. VII, 1), “ad populum, et versus eum extendens et jungens manus, dicit voce aliquantulum elata: Orate, fratres” (cap. VII, 7), “stans junctis manibus ante pectus versus populum, dicit, si dicendum est: Ite, Missa est” (cap. XI, 1).

A distinção entre o Missal de João XXIII e o de Paulo VI é apenas acidental, pois como a forma extraordinária (tridentina) obriga que a Missa seja versus Deum[30], o tridentino prescreve o virar-se (“vertit se ad populum”), enquanto que o Missal de Paulo VI não tem essa partícula, porque o sacerdote já pode estar voltado para o povo, uma vez que este missal permite a missa versus populum.

O exposto já é suficiente para comprovar que a Missa, segundo o missal de Paulo VI, pode perfeitamente ser celebrada versus Deum; o que para os emitentes teólogos citados é o ideal. Entretanto, para fundamentar ainda mais podemos citar dois argumentos tão fortes quanto os já enunciados: a prática dos papas e a resposta da Congregação para o Culto Divino.

No ano 2000 a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos foi perguntada se na celebração da Missa, de acordo com o Missal de Paulo VI, fica excluída a possibilidade na celebração da “liturgia eucarística, a posição do sacerdote «versus abside»”, isto é, voltado «versus Deum»”. Assim foi a resposta: “A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, «re mature perpensa et habita ratione» (após madura reflexão e tendo em conta) a história litúrgica, responde: «Negative et ad memtem» (Negativo e segundo a opinião) pela qual deve se levar em conta diversos elementos”[31].

Leia também: Qual a necessidade de uma reforma da reforma?

Some-se a isso o fato de que os papas Bento XVI e Francisco celebraram, igualmente, a Missa de Paulo VI com a orientação versus Deum. Em duas ocasiões, o Papa Francisco celebrou, conforme podemos ver no youtube as celebrações[32], enquanto que o Papa Bento XVI o fez incontáveis vezes, já que a sua missa diária em sua capela particular era de tal forma, conforme provamos através de imagens[33] e vídeos[34].

Portanto, comprovamos que o Concílio jamais promoveu ou propôs o versus populum e que a legislação atual permite a celebração versus Deum, conforme parecer apontado por diversos estudiosos, pela resposta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como através da prática litúrgica dos papas.

3.3.   OBJEÇÕES

Nesta seção serão respondidas[35] as principais objeções que comumente são levantadas contra a orientação versus Deum e também aquelas elencadas nos últimos dias diante do pronunciamento do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah.

A.    O Cardeal Sarah não tem autoridade para legislar sozinho

Esta objeção se discute assim: Parece que o Cardeal Sarah, sem aprovação papal, não tem autoridade para estabelecer uma norma. Logo, a celebração versus Deum não se sustenta.

Ao que respondemos: É verdade, o Cardeal Sarah, sem aprovação papal, não tem autoridade para estabelecer uma norma. Porém, a conclusão dessa premissa é falsa. Isto porque ela não segue nem da premissa nem da realidade dos fatos. Se é verdade que o Cardeal sozinho não tem tal autoridade, verdade é também que ele não desejou nem estabeleceu nenhuma norma nova. O purpurado não criou norma nenhuma, apenas recordou que a legislação atual, já aprovada, permite tal orientação.

Portanto, a celebração versus Deum se sustenta, mas não pelo pronunciamento do purpurado, mas pelas próprias normas já aprovadas, isto é, vigentes.

B.     O Padre Lombardi: “não haverá nova norma”

Esta objeção se discute assim: O Padre Frederico Lombardi afirmou que não haverá nova norma para o Advento. Logo, desmentiu o Cardeal Sarah e, assim, não é permitida a celebração versus Deum.

Ao que respondemos: Esta objeção é bastante semelhante à anterior, tanto na matéria como nos erros que nela são encontrados. O Cardeal Sarah jamais afirmou que o Advento haveria de ter uma nova norma, apenas aconselho este tempo como o início para o uso da orientação, tendo em vista que é um tempo propício, porque o versus Deum está intimamente ligado à esperança do retorno de Cristo. Portanto, o antigo porta-voz da sala de imprensa não desmentiu nada nem ninguém.

A segunda conclusão do nosso oponente (“não é permitida a celebração versus Deum”) é, mais uma vez, uma falácia, pois não segue da premissa, por isso não convém repetir o que já dissemos no item A.

C.     O Cardeal Sarah não obrigou, mas incentivou

Esta objeção se discute assim: O Cardeal Sarah, em seu discurso, não obrigou a celebração orientada, apenas incentivou. Logo, não devemos celebrar versus Deum.

Ao que respondemos: A premissa está correta, pois o purpurado nem mesmo poderia obrigar, tendo em vista o que já dissemos no item A. Entretanto, mais uma vez, a conclusão não segue da premissa, pelo contrário, ela, a conclusão, é contrária à premissa, pois se o purpurado incentivou, como bem disse nosso oponente, como podemos disso concluir que não devemos celebrar versus Deum?

Portanto, esclarecemos novamente que a legislação permite a celebração orientada e que o cardeal, seguindo a mesma linha dos estudiosos já apresentados, prefere a celebração de frente para Deus àquela de frente para o povo, por inúmeros motivos que não cabem neste trabalho resumido. Em outra oportunidade poderemos destacar as razões, além das que já ficaram implícitas aqui, pelas quais a celebração de frente para Deus é a melhor.

D.    O parágrafo 299 da Instrução Geral proíbe o Versus Deum

Esta objeção se discute assim: Parece que o parágrafo n. 299 obriga que o altar esteja separado da parede e que a celebração seja versus populum. Logo, não é permitido celebrar versus Deum.

Ao que respondemos: Essa objeção levantada está equivocada por sua interpretação do parágrafo citado, pois, conforme veremos, a correta interpreta da Igreja é que tal trecho resulta em uma sugestão apenas.

Assim diz o número 299 da Institutio Generalis: “Altare exstruatur a pariete seiunctum, ut facile circumiri et in eo celebratio versus populum peragi possit, quod expedit ubicumque possibile sit.” (O altar seja construído afastado da parede, para que possa facilmente ser circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém realizar em todo lugar que for possível).

Uma análise dos termos usados nos conclui que, de fato, trata-se de uma sugestão. Toda a questão gira em torno da última oração que diz «quod expedit ubicumque possibile sit», pois parece ser obrigatório que o altar esteja separado da parede e a celebração seja de frente para o povo. No entanto, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na resposta de 25 de setembro de 2000, que já citamos, explica que o termo «expedit» (convém) expressa uma sugestão, isto é, permanece uma opção, não uma obrigação.

Antes de tudo, deve-se recordar que o termo «expedit» não constitui uma forma obrigatória, mas uma sugestão, que diz respeito tanto à construção do altar a «pariete seiunctum» [separado da parede], quanto à celebração versus populum [de frente para o povo].

(Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 25 de setembro de 2000)

Fazendo menção a esta resposta da Congregação para o Culto divino, Ratzinger também explica que a interpretação proibitiva não é a correta.

“Esta interpretação [de que o número 299 proíbe o versus Deum], no entanto, foi rechaçada pela competente Congregação para o Culto Divino, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” não expressa uma obrigação, mas um conselho”[36].

Portanto, a interpretação correta nos indica que tanto a posição do altar separado da parede como a celebração de frente para o povo são apenas uma sugestão.

            Além disso, é necessário dizer que o altar separado da parede em nada contraria a celebração versus Deum, ad abside, por que não é a posição do altar em relação ao templo que importa, mas a posição do sacerdote, em conjunto com o povo, em relação ao altar. Em outras palavras, não importa que o altar esteja separado da parede ou não, pois de qualquer modo o sacerdote e o povo podem se colocar diante dele, na mesma direção.

            O Missal da forma extraordinária, tridentino, inclusive regulamenta a forma como deve ser incensado o altar quando ele estiver separado da parede, como diz Gamber:

Que o altar deva estar separado da parede “a fim de ser facilmente circundado” é outra questão. Esta exigência da Congregação dos Ritos está totalmente de acordo com a tradição (o pontifical romano tradicional, no capítulo “Sobre a dedicação das Igrejas”, exige expressamente que o altar não esteja fixo à parede, para que se possa dar a volta por todos os lados a fim de cumprir convenientemente os ritos da consagração. O “Missal de São Pio V” – edição de 1962, por outro lado indica a maneira como a incensação deve ser feita com este tipo de altares. Ao contrário do que se pode normalmente crer, o altar assim disposto está perfeitamente de acordo com a tradição, ainda que a partir da baixa idade média se tenha preferido normalmente fixá-lo à parede). [38]

E.     Deus é espírito, está em todo lugar

Esta objeção se discute assim: Deus é espírito, está em todo lugar, logo não é necessário fixar os olhos no crucifixo para a Ele rezar.

Ao que respondemos: É verdade que Deus é espírito e, por consequência, é onipresente, isto é, está em todo lugar. No entanto, esta doutrina de fé somente existe como consequência do Deus que nos revelou. Se podemos rezar em qualquer lugar, pelo fato de Deus está lá, no ouvindo, também é verdade que este mesmo Deus se encarnou, tomou a matéria, a carne. Deus “tomou um corpo, entrando no espaço e no tempo da terra, assim é apropriado que na oração – pelo menos na liturgia comunitária – nosso falar com Deus seja «encarnado», que seja cristológico, que, através da mediação do Verbo Encarnado, se dirija ao Deus trinitário”[39], assim responde Joseph Ratzinger.

Portanto, o dogma de fé apenas nos possibilita rezar em qualquer lugar, mas devemos viver a fé revelada em sua totalidade, não apenas num único aspecto, e, esta revelação, nos ensina a encarnação que deve transparecer na liturgia. Sendo assim, uma liturgia encarnada, baseada em toda a revelação, pressupõe que todos, sacerdote e fieis, estejam voltados para um símbolo visível, o oriente real ou simbólico.

F.     A Basílica de São Pedro tem altar no centro da Igreja

Esta objeção se discute assim: Parece que nem sempre e em todo lugar foi observada a celebração versus Deum, pois a Basílica de São Pedro possui um altar no centro da nave da Igreja.

Ao que respondemos: O altar foi construído já em tempo tardio, segundo o parecer de Joseph Ratzinger, “provavelmente porque assim ficaria em cima da tumba de São Pedro”[40], fazendo com que o Sacrifício do Senhor expressasse concretamente a comunhão dos santos, conclui o teólogo.

Isso poderia levar alguns a achar que o versus populum era adotado. Entretanto, não é bem assim a realidade dos fatos. A Basílica está “orientada para o ocidente”, por isso o parecer mais provável e seguro é de que o “sacerdote ficava atrás do povo, e, consequentemente, o povo lhe dava as costas”[41], não se tratava de uma celebração cara à cara, mas também orientada, onde todos estavam voltados para a mesma direção, o oriente real (leste).

Acrescenta-se o que diz Fournée sobre este assunto:

[…] em algumas das primeiras basílicas romanas, cuja abside estava para o oeste e a entrada ao leste, e onde, consequentemente, os fiéis olhavam para o ocidente, o sacerdote assim celebrava voltado para o oriente. Tal disposição acarretava forçosamente a Missa versus populum, porém esta não passava de uma consequência e não de uma disposição ritual querida sistematicamente. É, pois, uma afirmação errônea pretender que na Igreja primitiva a Missa se celebrava voltada para o povo. É mais exato dizer que a celebração estava orientada, qualquer que fosse a posição dos fiéis no edifício. Porém quando estes, ao estar situados diante do altar, se encontravam voltados para o oeste, era-lhes prescrito em certos momentos da celebração, especialmente na oratio fidelium, o voltar-se para o leste, e consequentemente, dar as costas ao celebrante e ao altar. Acontecia o mesmo ao convite do Sursum corda. Estas prescrições são anteriores ao primeiro Ordo Romanus, ou seja, pelo fim do séc. VII. O Ordo Romanus I prescreve a orientação durante o Glória, a Coleta e a Oratio fidelium, e reitera a obrigação para o celebrante de estar sempre olhando para o leste durante toda a ação eucarística, desde o prefácio até a doxologia final. [42]

O Pe. Josef Jungmann, um dos mais importantes historiadores do rito romano, diz que “a afirmação, normalmente tão repetida, de que o altar da igreja primitiva supunha sempre que o sacerdote estava voltado para o povo, se comprova que é uma lenda”[43]. Portanto, a objeção não refuta o fato de que, historicamente, jamais a Igreja celebrou missa versus populum, isto é, como sacerdote e fieis olhando-se mutuamente.

G.    A Ceia do Senhor foi celebrada versus populum

Esta objeção se discute assim: Parece que a Ceia do Senhor, nas vésperas de sua Paixão, foi celebrada com os discípulos à sua frente, logo esta é a forma original da Missa.

Ao que respondemos: O argumento é impreciso e carece de fontes históricas. Joseph Ratzinger, para refutar tal objeção, cita[44] Louis Bouyer, eminentíssimo estudioso, que diz que este argumento “se baseia simplesmente em uma concepção equivocada”, pois no início da era cristã “aquele que presidia uma comida jamais sentava na frente dos demais”, “todos estavam sentados, ou encostados, no lado convexo de uma mesa em forma de sigma ou de fechadura”, portanto “todos os participantes se encontravam no mesmo lado da mesa”.

            Acrescenta-se os resultados dos estudos de Gamber e também de Louis Boyer que chegam às mesmas conclusões:

No tempo de Jesus, e em alguns séculos mais tarde, usava-se uma mesa redonda ou uma mesa em forma de sigma (em semicírculo). A parte dianteira ficava livre para permitir servir os diferentes pratos. Os convidados estavam sentados ou deitados por trás da mesa semicircular. Para isso usavam uma espécie de sofá ou um banco, em forma de sigma. [45]

Em todos os banquetes da antiguidade, tanto judeus, como pagãos, nunca se davam a cara… pela simples razão de que todos os participantes estavam situados no lado convexo de uma mesa em forma de sigma, reservando-se o lado côncavo para o vai e vem dos que serviam. De tudo isso resulta que a denominada Missa “de frente para o povo” não é mais que um total contrassenso ou mais ainda uma pura falta de sentido. [46]

            Portanto, é historicamente infundada a objeção levantada.

H.    A Missa é apenas um banquete

Esta objeção se discute assim: Parece que a Missa é apenas um banquete, assim não faz sentido estar olhando para uma direção, menos ainda para a cruz.

Ao que respondemos: Se nosso opositor chegou a tal afirmação, podemos dizer, sem duvidar, que está deixando à largos passos a Fé católica. Joseph Ratzinger diz[47] que neste ponto “os termos comida ou convite não podem descrever adequadamente a Eucaristia” e que, se não há dúvida que nosso Senhor tenha introduzido a ideia do banquete judaico no culto cristão, também não há dúvida que “a Eucaristia remete à cruz”.

A Constituição De Sacra Liturgia, no número 47, explica assim a Missa:

O nosso Salvador, na última Ceia, na noite em que foi traído, instituiu o Sacrifício Eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar o Sacrifício da Cruz pelos séculos afora, até à sua vinda, deixando deste modo à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se recebe Cristo, se enche a alma de graça e é dado o penhor da glória futura.

E, fazendo menção a estas palavras, o Papa Paulo VI, na Encíclica Mysterium Fidei, diz que elas “exaltam-se ao mesmo tempo não só o Sacrifício, que pertence à essência da Missa, que todos os dias é celebrada, mas também o sacramento, no qual os fiéis comem, pela sagrada comunhão” (grifo nosso). E o Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, recolhe a mesma citação no parágrafo 12. Mas friso o que nos interessa: o aspecto sacrifical faz parte da essência da Missa.

Portanto, podemos afirmar que a objeção é, igualmente, falsa e herética.

I.       Jesus está nas pessoas

Esta objeção se discute assim: Parece o homem 1) é imagem e semelhança de Deus, que Jesus 2) está presente em todas as pessoas e que está presente de 3) forma especial no sacerdote. Logo não há necessidade de estarem voltados para o oriente e, mais, seria até mesmo conveniente o olhar mútuo.

Ao que respondemos: Podemos dizer que o ser humano, enquanto criatura especial, 1) é imagem e semelhança de Deus, mas que nem sempre 2) tem Deus no seu coração e que a 3) presença de Cristo no sacerdote é singular. No entanto, estas presenças são diversas, com graus diferentes, e não podem ser usadas como fundamento para uma orientação cara a cara, principalmente pelo fato de serem, sobretudo e ao fim, invisíveis, isto é, não podem ser vistas senão aos olhos da fé.

RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. O ser humano é imagem e semelhança de Deus, conforme professa a doutrina católica, no entanto essa imagem e semelhança não é física, nem visível corporalmente. Joseph Ratzinger desacreditou[48] que este argumento pudesse ser levantado com seriedade, “já que não é tão fácil ver a imagem de Deus no homem”, pois a imagem de Deus não é visível aos olhos, mas “somente com a nova visão da fé”.

Esta imagem e semelhança diz respeito ao fato de Deus ter imprimido, juntamente com o sopro da vida, a razão. É a razão que nos faz semelhantes à Deus, e, por isso, diz Santo Agostinho que “o que faz a excelência do homem é que Deus o fez à sua imagem, pelo fato de lhe ter dado um espírito inteligente que o torna superior aos animais.”

Esta imagem e semelhança não é perfeita, mas imperfeita, sendo usada como advérbio de modo, conforme verifica-se através da preposição “a” da frase, exprimida pela contração com o artigo “a”, resultando em crase. Por dizer que o homem é imagem, ele é semelhança, enquanto que à imagem, demonstra a imperfeição da semelhança, pois a semelhança perfeita somente pode ser encontrada em Jesus, por possuir identidade de natureza com o Pai e o Espírito Santo, conforme o parecer de Santo Tomás.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO. Devemos dizer que Deus está no coração não do homem, mas do justo, e que esta presença especial não altera sua natureza, apenas a eleva. Santo Tomás diz assim: “Assim, pois, a não ser a graça santificante, nenhum outro efeito pode ser a razão de um novo modo de presença da Pessoa divina na criatura racional.” (Suma, I, q.43, a.3). Portanto, é falso afirmar que esta presença é encontrada em toda pessoa; verdadeiro é, porém, dizer que toda pessoa é capaz de possuir esta presença, de forma gratuita.

A graça santificante do Espírito é o Amor, que eleva a natureza humana a um nível mais sublime, mas como a graça não destrói a natureza, segundo o Doutor Angélico, e, por isso, segue-se que a natureza humana permanece a mesma, substancialmente humana. De tal forma, igualmente falso é afirmar que podemos, através dos sentidos externos, ver Deus no homem, ainda que supondo a existência da graça.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO. É necessário dizer, para ser mais preciso, não que Cristo “está” no sacerdote, mas, ao contrário, que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Atuar na pessoa de Cristo não é, em sentido estrito, ser Cristo (embora haja um sentido verdadeiro para tal) substancialmente, uma vez que Pessoa não se multiplica por ser indivisível.

  1. a) Este modo de atuar, in persona Christi, é sacramental, não alterando em nada a natureza do homem ordenado. Por isso, embora o sacerdote aja sacramentalmente na pessoa de Cristo, não pode ser adorado, mesmo celebrando a Missa.
  2. b) Quando o sacerdote, através do caráter a ele conferido pelo sacramento da ordem, atua in persona Christi o faz por um poder a ele concedido. Este poder, ordem, é estrito, no sentido que não se estende para além do conferido, que é a realização do sacramento. Por essa razão, mesmo celebrando uma Missa (agindo in persona Christi) o sacerdote não poderia, por exemplo, ressuscitar um morto através deste caráter sacramental. Se o pode fazer provém, porém, de uma graça distinta, pois pela Ordem é conferido o poder apenas de realizar o sacramento, segundo parecer de Santo Tomás (Suma, III, q.82, a.1).

Conclui-se, portanto, que é de todo falso alegar que o ministro do sacramento da Eucaristia possa ser o centro das atenções, por agir na pessoa de Cristo.

J.      «Não é conveniente rezar voltado para a parede » ou «7 razões para celebrar versus Deum»

Esta objeção se discute assim: A orientação versus abside não traz nenhum benefício à qualidade da celebração. Logo, ou as duas direções, versus populum e versus abside, tem o mesmo peso ou ainda a primeira é superior à segunda.

Ao que respondemos: Nosso adversário em sua apologia à Missa “ao revés”, por fim, esquecendo tudo o que já foi dito afirma, sem fundamentação alguma, que a direção versus populum ou é igual à orientação versus abside ou é melhor. Para refutar, mais uma vez, essa mirabolante direção seria interessante expor todos os bons motivos pelos quais a orientação versus abside é melhor. Porém, como nosso espaço é curto, apenas citaremos algumas, dentre muitas outras, restringindo-nos a dizer alguma palavra somente nos itens que ainda não havíamos citado.

Enumeramos sete razões para o uso da forma «versus abside», «versus Deum» ou «Ad orientem», como queiram nomear, de acordo com as particularidades de cada termo.

  1. Está em total continuidade e harmonia com a tradição católica

Já provamos exaustivamente que a orientação Versus Deum remonta às origens do cristianismo, conforme demonstrado pelos escritos dos primeiros cristãos. Nenhuma palavra a mais é necessária!

  1. Não provém do protestantismo, como é o versus populum

A orientação Versus Deum provém de tradição legitimamente católica, enquanto que o Versus populum remonta às reformas protestantes, conforme já ficou provado. Ninguém pode tirar o puro do impuro (Jó 14, 4)!

  1. Transparece melhor o caráter sacrifical da Missa e não apenas a ideia de banquete

Por que os protestantes rechaçam a ideia de uma celebração orientada? Por causa da doutrina que eles negam: o caráter sacrifical do sacramento. Não é necessário é expor novamente que a Fé católica ensina que o caráter sacrifical faz parte da essência da Missa, o Sacrifício da nova e eterna Aliança, conforme vimos no item H. Convém apenas destacar que a orientação versus populum inverte a Missa, fazendo com que a ideia secundária, isto é, a ideia de banquete, passe a ser a principal.

O grande promotor do movimento litúrgico, Dom Prósper Guéranger, O.S.B., abade de Solesmes, alertou em seu famoso livro Institutions Liturgiques[49], de 1840, que uma das heresias anti-litúrgicas dos sectários era o de substituir o sacrifício pelo banquete: “Nada também de altar, mas simplesmente uma mesa; nada de sacrifício, como em toda religião, mas simplesmente uma ceia.”

A utilização do altar sempre fez referência à sacrifícios, desde das religiões pagãs, passando pelo judaísmo, e chegando no cristianismo como o Sacrifício da Nova Aliança. E Gamber explica que a posição do sacerdote nesses sacrifícios também tem sua correlação.

O sacerdote se coloca diante do altar do sacrifício, não atrás. O mesmo fazia o sacerdote entre os pagãos. No santuário, seu olhar se dirigia para a representação da divindade a quem se oferecia o sacrifício. O mesmo se fazia no Templo de Jerusalém, onde o sacerdote encarregado de oferecer a vítima se colocava diante da “mesa do Senhor” (cf. Ml 1,12), como se chamava o grande altar dos holocaustos situado no centro do Templo, de frente para o templo interior, que guardava a arca da aliança no Santos dos Santos, lugar onde habita o Altíssimo (cf. Sl 16,15). O oficiante está separado da multidão e se põe diante desta, diante do altar e voltado para a divindade. Sempre as pessoas que oferecem um sacrifício estão voltadas para aquele a quem se destina o sacrifício e, nunca, para os que participam na cerimônia. [50]

E essa busca por transformar a celebração da Missa em simples banquete é demonstrado também pelo arranjo do próprio altar, que em muitos lugares nem mais se colocam castiçais e o crucifixo, apenas flores; “deseja-se apenas uma mesa para a comida e não um altar”[51], completa Gamber. A esta ideia também ajunta o Padre Manfred Hauke, no Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, acontecido em Roma no ano de 2015, que constatou que a orientação favorece enormemente o caráter sacrifical da Missa.

A preeminência do sacrifício pela descrição da Santa Missa tem também suas consequências para a orientação da oração. Ao sacrifício corresponde o voltar-se para Deus por parte do celebrante e de toda a assembleia litúrgica. Quando o sacerdote fala com Deus, não faz sentido pedir que ele se volte em direção à assembleia. É melhor, se o celebrante se volta junto com toda a assembleia para a cruz e para o altar, possivelmente na direção do oriente. O oriente, o sol nascente, está no lugar de Cristo ressuscitado cujo retorno esperamos no fim dos tempos. Um voltar-se ao povo, pelo contrário, é conveniente para a proclamação da Palavra de Deus e pela comunicação da graça nas saudações, na bênção e na distribuição da Comunhão. Esta orientação é possível também no rito de Paulo VI, mas as disposições do rito antigo parecem mais propícias a este fim, colocando no centro a cruz, o altar e o próprio Senhor no Tabernáculo. [52]

  1. A posição física está de acordo com a disposição espiritual e interior

A Congregação para o Culto Divino esclareceu, na resposta já mencionada do ano 2000, que na celebração da Missa devemos distinguir duas orientações: a física e a espiritual. A orientação física, ou topográfica, é a posição do sacerdote em relação ao altar e à assembleia, havendo duas espécies: ad abside e versus populum, enquanto que a orientação espiritual (interior), encontrada em uma única espécie, diz respeito à orientação em relação à Deus.

Textualmente, a Congregação diz assim:

No entanto, qualquer que seja a posição do sacerdote celebrante, é claro que o Sacrifício Eucarístico é oferecido a Deus Uno e Trino, e que o sacerdote principal, Sumo e eterno, é Jesus Cristo, que atua através do ministério do sacerdote que preside visivelmente como Seu instrumento. A assembleia litúrgica participa na celebração em virtude do sacerdócio comum dos fiéis, o qual tem necessidade do sacerdote ordenado para ser exercido na Sinaxis Eucarística. Deve-se distinguir a posição física, relacionada especialmente com a comunicação entre os diversos membros da assembleia, e a orientação espiritual e interior de todos. Seria um grave erro imaginar que a orientação principal do ato sacrificial seja para a comunidade. Se o sacerdote celebra versus populum, o que é legítimo e muitas vezes aconselhável, a sua atitude espiritual deve ser sempre versus Deum per Iesum Christum, como representante de toda a Igreja. Também a Igreja, que assume forma concreta na assembleia que participa, está toda voltada versus Deum como primeiro movimento espiritual. (grifo nosso)[53]

A mesma Congregação já havia explicado esta distinção em uma outra oportunidade, nestas palavras:

Convém explicar claramente que a expressão «celebrar voltados para o povo» não tem um sentido teológico, mas somente topográfico-posicional. Toda celebração da Eucaristia é «ad laudem et gloriam nominis Dei, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiae sua sanctae». Teologicamente, portanto,a Missa é sempre dirigida a Deus, em favor do povo[54]. Na forma de celebração é preciso estar atento a não confundir teologia e topografia, sobretudo quando o sacerdote está no altar. Somente nos diálogos a partir do altar o sacerdote fala ao povo. Todo o resto é oração ao Pai por meio de Cristo, no Espírito Santo. Esta teologia deve poder ser visível. (grifo nosso)[55]

Desses dois textos da Congregação para o Culto Divino extraímos quatro importantes ensinamentos, enumerados abaixo:

(I)               É necessário distinguir o aspecto externo (físico-topográfico) e o interno (espiritual-teológico);

(II)               O aspecto interno é sempre dirigido ad Deum;

(III)            O aspecto interno deve poder ser visível;

(IV)            É um grave erro imaginar que a Missa é dirigida ao povo.

Assim, portanto, na celebração «ad abside» os dois aspectos (internos e externos) coincidem, garantindo que o item (III) seja observado, isto é, a teologia (culto oferecido à Deus) é expressa no exterior, no visível. Enquanto que na celebração em sentido contrário o culto que é oferecido à Deus não é expresso no exterior, nem sempre cumprindo o item (III).

  1. Demonstra melhor que a Missa é celebrada para Deus

Esta afirmação se deduz da anterior, uma vez que quando o interior coincide com o exterior, coincide, obviamente, que o culto oferecido à Deus é manifestado com maior força nas ações. Isto não somente oferece uma nobre catequese aos fiéis, como também os ajudam a viver a Ação litúrgica, tal qual sua natureza. E como se isto já não fosse suficiente, notamos ainda que somente a celebração da Missa «versus populum» está sujeita ao «grave erro» mencionado no item (IV) da afirmação anterior.

  1. O Versus Deum também não prejudica a audibilidade

Apenas um único argumento plausível é levantado a favor do versus populum, o da melhor audibilidade, isto é, as palavras são melhor entendidas pela assembleia de fiéis. É exatamente esse o fundamento que é citado pela Congregação para o Culto Divino quando na resposta do ano 2000 diz que “a posição versus populum parece ser a mais conveniente visto que torna a comunicação mais fácil”, remetendo-se ao texto de 1993, onde se lê o mesmo.

Não discordamos que quando o sacerdote fala ad abside a onda sonora não se propaga a longas distâncias, pois parte da onda é absorvida e parte transmitida, enquanto que somente a parcela refletida chegará aos fiéis. Mas devemos dizer três coisas a este respeito:

(I)            A audibilidade é algo muito louvável e desejável, sem dúvida alguma. Mas será que vale a pena ganhar audibilidade às custas de uma orientação que traz consigo benefícios doutrinais e pastorais, como já apresentamos?

(II)          Os momentos em que o sacerdote fala à assembleia de fiéis são poucos, se comparados com aqueles em que ele se dirige à Deus. E é, por isso, que o Missal, tanto o da forma extraordinária (João XXIII) como o da ordinária (Paulo VI), regulamentam os momentos em que o sacerdote deve voltar-se para o povo. A audibilidade era difícil justamente durante as leituras, feitas até então do altar, e foi exatamente por isso que o Papa Pio XII restaurou o uso do ambão, permitindo que as leituras fossem feitas em vernáculo e de frente para o povo, e desde então a liturgia da palavra é feita dessa forma. Assim, não há impedimento para que os fiéis possam ouvir.

(III)        Some-se tudo isto ao seguinte fato: não estamos mais no início do século XX. Os aparelhos sonoros (microfone, caixas de som, etc.) vieram para acabar de vez com esses problemas. Era justo que naquela época se falasse em dificuldade, mas hoje isso já não é mais válido, portanto, a essa objeção de audibilidade tem seu prazo de validade já vencido.

Ainda poderiam objetar que o versus populum confere maior visibilidade, mas observemos que este argumento não é levantado pela Congregação para o Culto Divino, isto porque é falso. Ele acentua exageradamente a necessidade de os fiéis verem o altar e os gestos do sacerdote, sendo usado inclusive por aqueles que se opõem à colocação do Crucifixo no centro do altar. Portanto, limitamo-nos a citar o que diz Fournée e Ratzinger, respectivamente, sobre a celebração versus populum e a cruz sobre o altar nesse tipo de celebração.

A Missa por acaso é um espetáculo? E o que se quer mostrar aos espectadores: como se opera a transubstanciação??? Como se faz a fração da hóstia? Como procede o sacerdote para comungar sob as duas espécies? Acaso o povo tem necessidade de ver isso para crer? Deve-se pensar que antigamente estávamos muito mal informados dos ritos sacramentais e que os fiéis agora têm muita sorte? Vamos então! O único olhar capaz de contemplar o mistério é o olhar interior da fé, e se necessita de referências visíveis e audíveis, que eu saiba não lhe faltava até há pouco quando a Missa estava no bom sentido. Não, verdadeiramente não vejo como virar o altar facilita o acesso ao mysterium fidei. Pelo contrário, penso que, nesta Missa onde se vê tudo, há um perigo de considerar os gestos do celebrante por si mesmos, de se ver tentado a humanizá-los, de deter-se em sua expressão formal, de considerar a quem os realiza em função não de sua missão sagrada, mas da maneira como os leva a cabo. [56]

Um dos fenômenos verdadeiramente absurdos das últimas décadas está, ao meu modo de ver, no fato de se colocar a cruz de lado para ver o sacerdote. A cruz é obstrutiva durante a Missa? Acaso o sacerdote é mais importante que o Senhor? Este erro deve ser corrigido o mais rápido possível; e é possível sem novas reformas. [57]

  1. Evita que o padre se torne o centro das atenções, o showman

Geralmente os apologistas que criticam a Missa em sua forma extraordinária (tridentina), dizendo que os fiéis nada fazem, sendo tudo é realizado pelo sacerdote, são os mesmos apologistas da celebração versus populum. Contradição? Sim, porque na imensa maioria das missas versus populum o sacerdote transforma-se no showman, aquele que tudo faz e que é o centro das atenções, nas palavras de Boyer “o sacerdote-ator, que pretende atrair toda a atenção sobre si e que discursa como um vendedor atrás de seu balcão”[58].

Devemos constatar, para não fazer injustiça, que, é verdade, há sacerdotes que não se colocam como centro das atenções, mas estes são poucos, muito poucos. Na celebração versus populum até o altar, que deveria ser aquilo que une, separa o sacerdote dos fiéis, virou uma barreira, distanciando o povo do sacerdote, criando uma clericalização exagerada a tal ponto que Fournée se pergunta se acaso não dever-se-ia substituir o “Ite Missa est” por um feedback.

Cito, para finalizar, o que de Ratzinger e Fournée, respectivamente, dizem a este respeito.

A verdade é que com isso [versus populum] se introduz uma clericalização como nunca antes existiu. De fato, o sacerdote – o presidente, como agora preferem chamar – se transforma no ponto de referência de toda a celebração. Tudo depende dele. É a ele que devemos olhar, participamos em sua ação, a ele respondemos. Sua criatividade é o que sustenta o conjunto da celebração. Por isso é compreensível que agora se tente diminuir o papel a ele atribuído, distribuindo diversas atividades aos outros e confiando a preparação da liturgia à “criatividade” de uns grupos que, antes de tudo, querem e devem “tomar parte ativamente”. Cada vez se dá menos atenção à Deus e mais importância ao que fazem as pessoas que ali se reúnem e que, de forma alguma, querem se submeter a um “esquema pré-determinado”. O sacerdote de frente para o povo transmite à comunidade o aspecto de um círculo fechado em si mesmo. Já não é – por sua própria disposição – uma comunidade aberta para frente e para cima, mas fechada em si mesma. [59]

Para o sacerdote, porém, que celebra de frente para o povo e que se vê como objeto dos olhares, existe o risco de “fazê-lo com pose”. Este risco é máximo nas Missas transmitidas pela TV. Como poderia ser de outra maneira quando no lugar de seu grupo habitual de fiéis, o celebrante sabe que é o alvo de milhares de rostos, estando as câmeras a fazer dele um ator, um protagonista? Este é um caso extremo, sem dúvida. Porém põe em relevo o aspecto de espetáculo da Missa de frente para o povo, na qual, com demasiada frequência, mesmo diante de uma reduzida assistência, as entoações e os gestos do celebrante parecem estudados como os de um ator, com uma busca pela forma que vai além da simples preocupação pela dignidade. Isto é às vezes tão sensível que alguém pode perguntar se tal Missa deveria concluir não com “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, mas com “Me vistes? ”[60]

  1. CONCLUSÃO

Os mais eminentes estudiosos da história e teologia litúrgica há bastante tempo provaram o qual infundado é a celebração versus populum, isto é, (des)orientada para o povo e não para o oriente, seja o real (leste) ou o simbólico (crucifixo). Esta disposição não tem respaldo nem na história, seja do ocidente ou do oriente, nem na teologia e nem mesmo na pastoral, enquanto que a correta e perfeita orientação versus Deum está concorde com a tradição católica, tanto ocidental como oriental, com sua doutrina e tem uma pastoral provada pela experiência de dois milênios.

Portanto, através deste trabalho pudemos provar que a orientação versus Deum pode ser perfeitamente ser usada na celebração da Missa, segundo o missal do Papa Paulo VI, e, o leitor há que concordar conosco, que esta disposição é a melhor sob diversos aspectos. Não resta dúvida que o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, estava certo ao afirmar que é “muito importante que retornemos o quanto antes possível para uma comum orientação, dos sacerdotes e fiéis, voltados na mesma direção – para o oriente ou pelo menos para a abside”[61].

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ÍNDICE

  1. APRESENTAÇÃO
  2. INTRODUÇÃO
  3. A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA: DEUS OU POVO?

3.1.      HISTÓRIA

3.2.      LEGISLAÇÃO

3.3.      OBJEÇÕES

  1. O Cardeal Sarah não tem autoridade para legislar sozinho
  2.      O Padre Lombardi: “não haverá nova norma”
  3.      O Cardeal Sarah não obrigou, mas incentivou
  4.     O parágrafo 299 da Instrução Geral proíbe o Versus Deum
  5.      Deus é espírito, está em todo lugar
  6.      A Basílica de São Pedro tem altar no centro da Igreja.
  7.     A Ceia do Senhor foi celebrada versus populum
  8.     A Missa é apenas um banquete
  9.       Jesus está nas pessoas
  10. «Não é conveniente rezar voltado para a parede » ou «7 razões para celebrar versus Deum»
  11. CONCLUSÃO

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NOTAS

[1] – Esse artigo foi escrito com zelo, mas ainda não foi revisado. Assim, qualquer contribuição será bem recebida.

[2] – SARAH, Cardeal Robert. Discurso na Conferência Sacra Liturgia UK 2016. A tradução está disponível no site da Associação Redemptionis Sacramentum – ARS.

[3] – Ibidem.

[4] – Ibidem.

[5] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 97. Tradução nossa.

[6] – RATZINGER, Joseph. Prefácio à edição francesa do livro “Voltados para o Senhor”, de Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[7] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[8] – Nourry, Dom N. Le. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), Pag. 12, Nota de rodapé n. 42. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[9] – Clemente de Alexandria, Stromatum., livro VII, cap. 7. P.G. IX, 482-483. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), p. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[10] – Orígenes, P.G. XI, 555. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), p. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[11] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 6. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[12] – Ibidem.

[13] – Ibidem.

[14] – Ibidem.

[15] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 105. (Tradução nossa)

[16] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 6. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[17] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 105. (Tradução nossa)

[18] – Assim diz Fournée em seu livro “A Missa de frente para Deus” (1976): “Onde colocá-lo e em que sentido? (…) Porém, que a Cruz esteja ou não no altar, para onde deve olhar? Se é para o povo, Cristo dá as costas ao ministro do altar, e é mal-educado. Se é para o celebrante, é mal-educado para com os fiéis. (…) Não se poderia imaginar uma pirueta mais desenvolvida para descartar a única solução lógica, que seria voltar a colocar o altar no bom sentido… Em suma, se está em plena contradição, e em plena descortesia: o celebrante está de frente para o povo, mas o divino Crucificado lhe dá as costas! A liturgia se volta a fechar numa relação Cristo-altar-ministro, o que está em flagrante desacordo com todas as boas razões de abertura ao povo que os ardentes defensores da celebração versus populum invocam. E assim se está em ruptura com o simbolismo que, desde o começo do cristianismo, estava unido à cruz do Gólgota, olhando para o oeste, isto é, para o mundo dos redimidos, a que seus braços atraem e reúnem em um mesmo povo.” Assim, ao final, a orientação comum não é seguida por todos, apenas por um, ou o sacerdote ou o povo olham para o crucificado.

[19] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[20] – SILVA, J. Ariovaldo. Citado por Rodrigo Carvalho em “O espírito da Liturgia: De Vagaggini ao Concílio Vaticano II, 2014, p. 28, nota de rodapé n. 72.

[21] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 8. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[22] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 15. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[23] – EDER, George, entrevista ao jornal Kleine Zeitung, em 13 de janeiro de 1989. Citado por Gamber em seu livro Voltados para o Senhor. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[24] – SCHMITZ, R. Michael. O Portão para a eternidade: o Rito romano clássico e seu significado para a Igreja. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS

[25] – RATZINGER, Joseph. Prólogo ao livro do Padre Uwe Michael Lang, “Voltados para o Senhor: a orientação da oração litúrgica”. Tradução nossa.

[26] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423. Tradução nossa.

[27] – SCHMITZ, R. Michael. O Portão para a eternidade: o Rito romano clássico e seu significado para a Igreja. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS

[28] – Ibidem.

[29] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423-424. Tradução nossa.

[30] – Ressalvando o que se diz quanto à orientação topográfica do edifício. Cf. a objeção F.

[31] – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Resposta em 25 de setembro de 2000, Notitiae, prot. Nº. 2036/00/L. Tradução nossa.

[32] – Há dois vídeos disponíveis no youtube, um de 2014 em <youtube.com/watch?v=DHzunCPE98M> e outro de 2015 em <youtube.com/watch?v=7vlj6SqFV8s>

[33] – Imagens do Papa Bento XVI podem ser encontradas facilmente através do google imagens, tal como essa <liturgiacatolicaoficial.blogspot.com.br/2014/08/missa-em-rito-bizantino-versus-deum.html>. Mas basta fazer uma busca na internet que será possível verificar algumas outras.

[34] – Há um vídeo de 2008 em <youtube.com/watch?v=Q0aPU57zx6Q> onde vemos o Cânon sendo rezado pelo Papa Bento XVI e vemos nesse outro endereço <youtube.com/watch?v=6oeUmtzfGs8> uma pequena matéria sobre as missas diárias do Papa em sua capela particular.

[35] – Não descartamos a possibilidade de respostas ainda melhores serem apresentadas.

[36] – RATZINGER, Joseph. Prólogo ao livro do Padre Uwe Michael Lang, “Voltados para o Senhor: a orientação da oração litúrgica”. Tradução nossa.

[37] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423-424. Tradução nossa.

[38] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 15. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[39] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 97-98. Tradução nossa.

[40] – Ibidem, pag. 98.

[41] – Ibidem, pag. 99.

[42] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 7. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[43] – JUNGMANN, Josef A. Missarum Sollemnia. Citado por Klaus Gamber em “Voltados para o Senhor” ,Pag. 18Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[44] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 100. Tradução nossa.

[45] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13-14. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[46] – BOYER, Louis. Epílogo ao livro “Voltados para o Senhor”, do Mons. Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[47] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 100. Tradução nossa.

[48] – Ibidem, Pag. 105.

[49] – GUÉRANGER, Prosper. Institutions Liturgiques. Paris, 1840. Capítulo XIV. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[50] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 27. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[51] – Ibidem.

[52] – HAUKE, Manfred. Conferência. Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, Roma, 2015.

[53] – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Resposta em 25 de setembro de 2000, Notitiae, prot. Nº. 2036/00/L. Tradução nossa.

[54] – A tradução fornecida por THANNER diz «e dirigida ao povo», mas preferi substitui-la já que o texto latino citado diz «ad utilitatem» («para a utilidade»), resultando, consequêntemente, em um texto mais fiel ao que diz a doutrina católica.

[55] – Editoriale Pregare “ad orientem versus”, em Notitiae 29 (1993), 245-249. Citado por THANNER (2005) em “O Dinamismo intrínseco da Celebração eucarística e sua expressão externa”.

[56] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 28. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[57] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 106. Tradução nossa.

[58] – BOYER, Louis. Epílogo ao livro “Voltados para o Senhor”, do Mons. Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[59] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 101-102. Tradução nossa.

[60] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 29. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[61] – SARAH, Cardeal Robert. Discurso na Conferência Sacra Liturgia UK 2016. A tradução está disponível no site da Associação Redemptionis Sacramentum – ARS

Fonte: http://contemplacoescatolicas.blogspot.com.br/2016/07/suma-contra-o-versus-populum_15.html?m=1