Papa condena aborto e pede a bispos do Brasil que orientem politicamente fiéis‏

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Em reunião em Roma na quarta-feira, 27, o Papa Bento XVI conclamou um grupo de bispos brasileiros a orientar politicamente fiéis católicos. Sem citar especificamente as eleições de domingo, o Papa reforçou a posição da Igreja a respeito do aborto e recomendou a defesa de símbolos religiosos em ambientes públicos. “Quando projetos políticos contemplam aberta ou veladamente a descriminalização do aborto, os pastores devem lembrar os cidadãos o direito de usar o próprio voto para a promoção do bem comum”, disse. 
Falando a bispos do Maranhão, Bento XVI reconheceu que a participação de padres em polêmicas podem ser conturbadas. “Ao defender a vida, não devemos temer a oposição ou a impopularidade”, continuou. O pontífice se posicionou também sobre o ensino religioso nas escolas públicas e, relembrando a história do País com forte presença católica e o monumento do Cristo Redentor, no Rio, orientou os sacerdotes que encampem a luta pelos símbolos religiosos. “A presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia de seu respeito”, concluiu.
Leia abaixo a íntegra do discurso de Bento XVI:
“Amados Irmãos no Episcopado,
Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).
Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo” (ibidem, 82).
Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sociopolítico de um modo unitário e coerente, é “necessária – como vos disse em Aparecida – uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o ‘Compêndio da Doutrina Social da Igreja'” (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. “Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambiguidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana” (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).
Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve “encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política” (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.
Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Bênção Apostólica”.
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A VOLTA DA TIARA PAPAL

No dia 09 de outubro foi apresentado para o mundo o novo brasão do papa Bento XVI, agora trazendo a Tiara, a coroa papal que significa o Tríplice Poder do Vigário de Cristo: que indica a unidade da Igreja e a suprema suserania do Papa sobre toda a Cristandade, como Soberano Universal da Igreja Una, Soberano dos Estados Pontifícios, e Bispo de Roma.
Cogita-se que o Santo Padre a usará na cabeça para benção Urbi et Orbi no Natal do Senhor.
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APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS

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Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Regional Sul 1
NOTA DA COMISSÃO EPISCOPAL REPRESENTATIVA DO CONSELHO EPISCOPAL REGIONAL SUL 1 – CNBB

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico “www.cnbbsul1.org.br“.

São Paulo, 26 de Agosto de 2010.

* Esta nota contém as assinaturas dos bispos D. Nelson Westrupp scj, D. Benedito Beni dos Santos e D. Airton José dos Santos.

Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,

– considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto;

– considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher;

– considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Polítíca das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91,

como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime;

– considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto;

– considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa;

– considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto;

– considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto – problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional;

– considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nº 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,

– considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República;

– considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,

RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.

Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” , elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.

 COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB
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Contra o Manifesto Pela Abundância da Vida e por outras Abundâncias

QUOUSQUE TANDEM ?…
Pe. Marcelo Tenório
Arquidiocese de Campo Grande
O que mais Nosso Senhor abominou foi justamente a cegueira dos fariseus e sua altivez. Sobre eles Nosso Senhor falou, por causa do orgulho: “para que vendo não enxerguem e ouvindo não compreendam”.
O que mais me impressiona diante desta eleição que se aproxima é o descaso e a persistência daqueles que teimam em ficar ao lado da iniqüidade. E aqui não se trata de fazer política partidária, pois não é o papel da Igreja, mas de levantarmos a nossa voz contra um partido e sua candidata que em documentos, portanto, em fatos, e não em “boatarias”, como insinuou um deputado que se diz católico, defende a legalização do aborto e sua total descriminalização além de outros contra valores. Ora, tudo está documentado, basta ler. Há vídeos na internet desta candidata que, em entrevista à Folha de São Paulo, confirma isso em alto e bom tom.

Leio um Manifesto intitulado de “Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da vida em Abundância!” e deparo-me com várias assinaturas de religiosos, padres e até de bispos católicos, todos declarando seu voto à candidata do PT. Claro, alguns nomes bem conhecidos por sua pouca ou quase nenhuma catolicidade: Entre eles, Frei Betto, autor de uma carta desrespeitosa ao Papa João Paulo II, defendendo vários pontos contra a Doutrina Católica, incluindo a defesa de uma “família alternativa”; Ivone Gebara, repreendida pela Igreja por defender o aborto; Marcelo Barros, monge sem mosteiro e sem prior, que dispensa nosso comentário… e até bispos! Bispos que são, pelo seu múnus, “pastores de almas”, “mestres da fé”, todos misturados num mesmo pacote: a defesa da Dilma e da vida em abundância. Mas em abundância de quê?

Sacerdotes, religiosos e, mais ainda, bispos sabem muito bem o que o Magistério da Igreja ensina quanto ao gravíssimo pecado do aborto e bastaria este ponto para que imediatamente se pronunciassem contra este partido e sua candidata. Não adianta abundância de vida terrena, com bens temporais se para isso a Lei Divina é lesada. Não adianta cooperar com a vida terrena, desprezando a vida eterna, pois que “até os pagãos fazem isso”…

Lembro a heróica e digna atitude de pastor de Dom José Cardoso Sobrinho, na época Arcebispo de Olinda e Recife que, corajosamente, se pronunciou contra o aborto realizado em sua Arquidiocese e que lembrou a todos os envolvidos da excomunhão automática da Igreja que insidia sobre eles: “O que desligares na terra, será desligado no céu” (Mt 16, 13).

Quem se levantou em favor de D. José? Qual a voz que a ele se uniu? Que padres, religiosos, que bispos assinaram manifestos de apoio a alguém que cumpria diligentemente a sua função de “Guarda e Pastor do rebanho”? Onde estavam os defensores da “vida em abundância”?… Apenas um silêncio, um grande silêncio… um “obsequioso silêncio” falou mais alto.

Lembro também o que dizia Santa Catarina de Sena aos maus pastores:

“Agora voltastes as costas, como cavaleiros vis e miseráveis: a vossa sombra fez-vos medo. Não sois flores que lançam perfume, mas mau cheiro que empesta o mundo todo. Fostes escolhidos, como anjos terrestres, para nos libertar do demônio do inferno e recebestes o encargo angélico de conduzir as ovelhas à obediência da Santa Igreja; e no entanto quereis o oficio dos demônios. Esta não é a cegueira da ignorância, isto é, que venha da ignorância; não que vos tenha sido apresentada uma coisa por outra. Não: porque vós sabeis qual é a verdade e no-la anunciastes, e não nós a vós. Oh! como sois loucos! vós que nos destes a verdade e quereis saborear a mentira… digo-vos isto sem reverencia alguma, porque estais privados da reverencia” (Cf. Santa Catarina de Sena por suas Cartas, ed , Ed. BiblioBazaar).

É lamentável percebermos esta situação: do antropocentrismo ao liberalismo e, por fim, à grande apostasia. Os pastores se calam… as ovelhas se dispersam ou são engolidas pelos lobos… e, às vezes quando se fala, se diz tanto e não se diz nada, num mais ou menos, num talvez, que seria melhor o silêncio.

Mas a linguagem do texto já conhecemos. Escutamos muito isso nos anos oitenta. É o mesmo bla,bla,bla ideológico que cansou os ouvidos de muitos e que agora volta sem novidade alguma, a não ser a ousadia de querer transformar os “Fatos” em “boatarias”, vejamos:

“[…] não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como ‘contrárias à moral’.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações” (Cf. Manifesto cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da vida em abundância!).

Ora, mas como negar o que foi dito e está gravado em vídeo?

“Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura…”
(Cf. Manifesto…)

Mas é legítimo sim ter como parâmetro a fé e os valores cristãos, quando se trata de escolher um presidente para um país de tradição cristã e católica. E mais legítimo ainda não votar em quem quer que seja que, comprovadamente, pelos fatos, defende algo contra a fé e os valores cristãos.

Fica claro que a preocupação deste manifesto não é a busca da Verdade, porque contra fatos não há argumentos.

Que o PT defende o aborto é FATO! Prova-se pelos seus documentos e prática. Que a Srª Dilma Rousseff defende o aborto, também é FATO!

E qual seria então a preocupação deste manifesto, já que mascaram a verdade? Ideológico! Simplesmente Ideológico.

Contra eles cabem bem as palavras famosas de Cícero no senado de Roma, em 66 a. C., mas que são bem atuais, sobretudo agora

“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?”

(Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? )
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O DIA DOS MORTOS E O PURGATÓRIO

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Por Pe. Marcelo Tenório

Próximo dia 2 de novembro comemoraremos o dia dos “Fiéis Defuntos”, o dia dos mortos… O nosso coração se volta à lembrança daqueles que passaram em nossa vida e que foram importantes para nós.
Onde estarão todos? É a pergunta que fazemos olhando para os túmulos que se levantam, tendo erguida a Santa Cruz, nossa única esperança.
Todos fomos criados para Deus para o céu. Ver a Deus é a nossa plena felicidade, é a nossa meta. Nosso único objetivo: “Senhor é a vossa face que o procuro” (Sl 27,8).
A Santa Igreja ensina a existência de duas realidades eternas para a alma: uma é o céu: a visão beatífica, a posse da felicidade plena que é a participação na vida divina e trinitária. São Paulo nos fala e nos estimula a buscar “As coisas do Alto” e nos diz: “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam” ( I Cor 2,9).
Outra realidade, portanto, é o inferno, a perda eterna, por culpa própria, do Sumo Bem: “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão e Isaque e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora” (Lc 13, 28).
É doutrina infalível da Igreja, portanto de Fé Católica, a existência de um estágio intermediário para alma que precisa de uma maior purificação antes de entrar no céu, na vida de Deus. É um “local” onde ficam as almas que morreram em estado de graça, isto é, sem pecado mortal, mas que necessitam de maior purificação, visto que os pecados cometidos na terra e, contritamente, chorados e perdoados pela confissão sacramental, imprimiram na alma uma macha (culpa temporal do pecado) e esta deverá ser retirada, visto que Deus sendo Sumo Bem e de Santidade inefável, nada admite em si que não seja santidade perfeita, pois no céu nada de impuro pode entrar (Ap 21, 27).
A sagrada Escritura nos traz alusão ao purgatório. Nosso Senhor ensina a sua existência, por isso podemos dizer que é de Verdade Positiva, revelada pelo próprio Deus. Vejamos:
“Reconcilia-te com o teu adversário… enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum, sairás dali, enquanto não pagares até o último centavo” (Mt 5, 25-26).
Agora, S. Paulo:
I Cor 3, 12-15: “…Aquele, cuja obra (de ouro, prata, pedras preciosas) sobre o alicerce resistir, esse receberá a sua paga, aquele, pelo contrário, cuja obra, (de madeira, feno, ou palha), for queimada, esse há de sofrer prejuízo; ele próprio, porém, poderá salvar-se, mas como que através do fogo”.
Aqui ficam apenas esses dois textos, embora existam mais. Também fazendo uso da razão poderíamos pensar para onde iriam as almas que não foram tão más, mas que tinham algumas imperfeições e defeitos a vencer, que não eram bastante santas para irem diretas ao céu, nem tão pérfidas para descerem aos infernos…
Vejamos esse texto do AT, onde já se acreditava na necessidade de se rezar pelos mortos, para ajudá-los em seu estágio de purificação.
“Judas, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição… Santo e salutar pensamento de orar pelos mortos. Eis porque ele ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres de seus pecados.” ( II Mc 12, 43)
Não é difícil de se ver aqui, com clareza, a fé na existência do purgatório, visto que depois de mortos, podem ser livres de seus pecados pelo “sacrifício expiatório”, logo não se trata do inferno, pois este é eterno, mas de um estado intermediário para alma.
Esta Verdade de Fé foi promulgada pelo Santo Concílio de Trento, em sua sessão XXV (cf. Sess. XXV, D. B. 983).
Das Penas Temporais do Pecado.
Falemos das Penas Temporais do Pecado, pois são elas que levam muitas almas ao purgatório, onde depois de um certo “tempo”, livres de toda macha, entram na Felicidade Eterna de Deus.
Vejamos: quando alguém gera um dano ao outro, embora perdoado pelo mesmo, tem a obrigação de reparar o mal que causou. Se alguém rouba uma jóia, se arrepende, é perdoado pelo lesado, mas tem a obrigação moral de devolver o objeto roubado.
Na Sagrada Escritura encontramos exemplos claros de expiação da culpa temporal.
Davi é perdoado pelo adultério e assassinato de Urias, assim que humildemente reconheceu a sua culpa, mas teve que sofrer a perda do filho (2Sm 12, 13); Moisés e Araão por não terem tido, algumas vezes em suas vidas, firmeza de fé, foram, por castigo, privados de entrar na Terra da Promessa (Nm 2, 12s).
Imaginemos ainda uma camisa branca, exposta à poeira. Ora tem certas manchas que basta abrir a torneira, molhar um pouco, leve esfregão e… pronto. Outras manchas já não saem tão rápido: deve-se colocar sabão, esfregar… outras mais intensas demoram a sair e usa-se de outros recursos: água sanitária, detergente, deixa-se de “molho” por algumas horas, um dia… e tem dona de casa que gosta de colocar no sol, afim de amolecerem as manchas e com isso saírem mais facilmente.
Na confissão bem feita e contrita, nos livramos das Penas Eternas do Pecado (o inferno), mas as manchas que o pecado provocou em nós (penas temporais) ficam em nossa alma e devem ser retiradas ainda nesta vida através de várias práticas, tais como jejuns, penitencia, esmolas, indulgência recebida, acolhimento resignado do sofrimento, ou no purgatório após a morte.
Da duração das penas.
As almas no purgatório já estão salvas, por isso as chamamos de “benditas”, entretanto sofrem imensamente no fogo purificador por causa dos pecados cometidos.
Alguns santos da Igreja, em suas experiências místicas nos falaram sobre a realidade do purgatório.
S. Vicente Ferrer nos fala que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado cometido. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório lá sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até o fim do mundo. Nossa Senhora, ela mesma em Fátima, indagada pelo destino de algumas pessoas da convivência de Lúcia e, respondendo particularmente sobre uma certa Maria da Luz, diz: “Esta estará no purgatório até o fim do mundo”.
Os santos também ensinam que as almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas…
S. Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. – “Que queres de mim”, pergunta.
“- Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!… Parecem mil anos!”
São Paulo da Cruz, comovido, reconheceu o padre e disse: “mas faz tão pouco tempo que você faleceu e já fala de mil anos?”. O santo orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pelo defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão.
Santa Lutgarda viu Papa Inocêncio III dizendo que deveria ficar no purgatório até o fim do mundo por algumas faltas no governo da Igreja.
Nosso Senhor mostrou-lhe ainda quatro padres que estavam lá já mais de cinquenta anos, por administrarem mal os Ss. Sacramentos.
Santa Verônica Juliani: Ela fala de uma irmã que deveria ali permanecer tantos anos quantos passou neste mundo.
Ao padre Scoof, de Louvain, foi revelado que um banqueiro de Antuérpia estava no purgatório há mais de duzentos anos porque tinham rezado pouco por ele.
Os Terríveis Sofrimentos no Purgatório.
Santo Tomás nos ensina que no purgatório não há tempo, mas etapas psicológicas sucessivas, o que ele chama de Evo.
O que os santos doutores da Igreja nos falam sobre os terríveis sofrimentos no purgatório, deveria nos encher de grande misericórdia e nos fazer rezar mais e mais pelas almas que ali se encontram.
S. Boaventura ensina que nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem.
São Tomás diz que o menor dos seus sofrimentos ultrapassam os maiores tormentos que possamos suportar. Confirmam esse ensinamento Santo Ambrósio e São João Crisóstomo: “que todos os tormentos que o furor dos perseguidores e dos demônios inventaram contra os mártires, jamais atingirão a intensidade dos que padecem em tal lugar de expiação”.
Quanto ao fogo do purgatório.
É um fogo real, embora não material. As almas nele são lançadas inteiramente: um fogo ativo, penetrante que vai até o mais íntimo do ser, que queima intensamente à medida da consciência que lá se toma do amor incondicional de Deus e da resposta negativa que a ele se deu pelo pecado. Agora, a alma iluminada pela Verdade e Luz divinas vê-se queimada por dentro, em sua essência.
Diz Santo Antônio que esse fogo é de tal maneira rigoroso que comparado com o nosso, da terra, o nosso parece às almas no purgatório, como pintura de painel… elas bem desejariam está no nosso fogo material…
Santa Catarina de Gênova teve uma visão do purgatório e exclamou: “Que coisa Terrível! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. As penas que lá se padecem são tão dolorosas como as penas do inferno”.
S. Nicolau Tolentino viu em êxtase “um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. ‘Padre Nicolau, tem piedade de nós! Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas de nossos dolorosos tormentos’. São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última missa apareceu-lhe uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu”.
No purgatório não há ingratidão. Elas jamais se esquecem daqueles que rezaram e se sacrificaram por elas. E, uma vez, entrando no céu por nossas orações, pedirão incessantemente pela nossa salvação eterna.
Não as deixemos sozinhas. Rezemos, mandemos celebrar missas e missas em sufrágio das pobres almas. Elas já nada podem fazer por elas, necessitam só e somente só das nossas orações. Para elas passaram o tempo e agora se encontram nos suplícios expiatórios.
Há almas que ficam mais “tempo” no purgatório por falta de oração e sacrifício da nossa parte. Cuidemos delas e elas cuidarão de nós.
E ao chegar o dia dos mortos, com os sinos que dobram em sinais de tristeza, rezemos por esses nossos irmãos que já transpuseram os umbrais da eternidade e unidos à Santa Igreja neste dia, rezemos:
Requiem æternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
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UMA CANÇÃO NÃO MUITO NOVA

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Em defesa do Pe. José Augusto

Pe. Marcelo Tenório
Arquidiocese de Campo Grande – MS

Acabei de assistir ao vídeo da Missa rezada pelo Reverendíssimo Padre José Augusto, na Canção Nova, após ler a nota escrita pelo Sr. Wellington Silva Jardim, mais conhecido por Eto, Presidente desta “entidade”. A nota deste senhor merece muita atenção. Vale a pena reler. Aqui está:
“A Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação vem a público para reafirmar que não apóia, não subsidia e não possui vínculos com partidos e candidatos.

É necessário ressaltar que não autorizamos, bem como não aprovamos manifestações isoladas de apresentadores, colaboradores e engajados.

E, em especial, sobre o episódio desta manhã, 05 de outubro, não autorizamos o pronunciamento público do sacerdote Padre José Augusto Souza Moreira sobre o Partido dos Trabalhadores, bem como a opinião do mesmo representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição.

Lamentamos o ocorrido e manifestamos mais uma vez nossa obediência aos princípios democráticos, na legislação eleitoral em vigor e na crença de que o povo brasileiro saberá, com critério e sabedoria determinar o seu futuro nas urnas”.

(o negrito é nosso)

Em suma, a Canção Nova, na pessoa do seu presidente tão democrático quanto o PT tem a ousadia de desautorizar um Padre da Igreja que possui a Missão Sagrada de anunciar a Verdade do Evangelho para o qual foi ordenado.

Ora, mas com que autoridade o Sr. Eto se revestiu? Com a autoridade de Presidente de uma Entidade Católica, sustentada pelos fiéis católicos que, muitas vezes deixam de devolver seu dízimo integral em sua Comunidade para manter esta emissora no ar? Que autoridade ele tem de autorizar ou não autorizar o conteúdo de Homilias dos Padres da Igreja a qual ele mesmo deve se submeter?

Está é a Canção Nova! Tão “obediente aos princípios democráticos” quanto os anões à Branca de Neve “desde que não firam seus interesses”. Mas que medo tem a Canção Nova? Medo de perder! Medo de perder o império, o prestígio e as concessões adquiridas. Contra isso não há profecias nem profetas. O “xandará-lá-lá” só funciona para deixar as coisas acomodadas, incompreensíveis…

É verdade que o nosso Padre em questão poderia ter se preparado mais. Faltou objetividade, argumentação teológico-bíblica mais abalizada. É verdade que parecia mais um desabafo que uma Homilia, e, diga-se de passagem, o nosso caro Sacerdote cometeu uns certos exagerozinhos, mas que não desautorizam o centro, o todo. Falou o essencial: contra o PT, contra quem se filia ao PT, contra aquilo que o PT propicia. Bem falado, Padre!
Ao deixar o Xandará-lá-lá para lá o senhor uniu-se a tantos e tantos cristãos que também estão com medo, não de morrer, não de perder, mas de ficarem calados diante deste momento crítico para nossa Pátria.

Suas Excelências, os Bispos que se cuidem.
Já escutei corajosos pronunciamentos de tantos deles, tais como o Bispo de Guarulhos, de Belém do Pará, Lorena (aliás, é sob a sua jurisdição Diocesana que está a Canção Nova, pois a sua sede fica no território da Diocese de Lorena – e, aqui, vale perguntar se a Canção Nova cumpriu a determinação do seu Bispo Diocesano, Dom Beni, que em nota oficial ordenou que fosse lida em todas as missas, em todas as paróquias e também nas “novas comunidades” a declaração dos bispos do SUL 1, mais de 40 dioceses, que condenam a investida do Governo do PT pela aprovação do aborto ou será que a autoridade do Sr. Eto vetou as ordens do seu Bispo Diocesano? Mas seriam eles, os bispos, também desautorizados pela Canção Nova Católica, na pessoa do Sr. Eto? Será? E será que essa “desautorização” também viria junta com outra, que nos pareceu mais nota de rodapé atribuída ao Mons. Jonas Abib que só apareceu depois da sentença do Presidente Eto? É algo a se pensar…).

E para que servem os Padres na Canção Nova? Ah para estarem a serviço da “Instituição” do Sr. Eto como “maquinas de Sacramento”?
Fico imaginando… os Padres que, pela Ordenação Sacerdotal, tem a Autoridade Sagrada de exercer seu Magistério (em dependência do Bispo, claro) e se submetem ao placet de leigos… a que ponto  nós chegamos…

Mas se os Padres da Canção Nova fizerem a Homilia em línguas? Seria perfeito! Um pronunciamento contra o PT em línguas! Ou até reproduzir, em línguas e bem estranhas, o que falou Dom Luís, Dom Beni ou até o Arcebispo de Belém do Pará… Aí sim não haveria censuras, nem “obsequioso silêncio” imposto pela mais alta hierarquia “cançãonovática” que não escreveu em línguas, mas em português bem claro, claríssimo como um meio-dia em Londres…

Só quem pode falar bem claro lá, para que todos entendam é o Chalita, amigo do Pe. Fábio de Melo, que passou 4 anos falando e falando e falando naquela emissora e que, por tanto falar foi eleito deputado e hoje sai em defesa do PT, do Lula e da Dilma e chama, indiretamente os Bispos que se pronunciaram (fieis ao Magistério) de “boateiros”… Aliás, também a Srª Dilma Rousseff fala bem claro na Canção Nova e até proclama a Sagrada Escritura que ela combate na prática política…

Esta canção não é muito nova e conhecemos bem… O tom não é novo, nem tão pouco a prática… O sobrenome sim precisa ser revisto e, imediatamente!
Tenho uma outra canção que também não é nova e Deus-que-me-livre de canções novas. É uma canção antiga, mas aqui está no português, num bom português para que todos entendam o que não se consegue entender numa canção nova:

“Queremos Deus homens ingratos
Ao Pai supremo, ao redentor
Zombam da fé os insensatos
Erguem-se em vão contra o Senhor

Dá nossa fé, oh! Virgem, o brado abençoai
Queremos Deus que é nosso Rei
Queremos Deus que é nosso Pai”
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