Diante de falsos valores, Bento XVI apresenta bem-aventuranças

 
 
CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI apresentou hoje as bem-aventuranças como o programa de vida dos cristãos diante dos falsos valores do mundo.
Foi a proposta que fez ao rezar a oração mariana do Ângelus, junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, com quem comentou a passagem evangélica da liturgia deste dia, o sermão que Jesus pronunciou para proclamar “bem-aventurados” os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos.
“Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar” explicou o Pontífice.
Pois bem, segundo o Bispo de Roma, as bem-aventuranças não são algo do passado; “o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro”.
“As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros”, sublinhou.
“Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu”, afirmou.
As bem-aventuranças, explicou, “refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens”.
Bento XVI comentou o Evangelho das bem-aventuranças “na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – ‘o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa'”.
Por este motivo, concluiu, “a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano”.

LUTA DE VIDA OU MORTE

A realidade do aborto nos Estados Unidos

Pe. John Flynn, L.C.
ROMA, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Com os novos membros da Câmara Legislativa dos Estados Unidos, parece que o aborto vai continuar sendo um tema candente.
O deputado Mike Pence apresentou uma proposta de lei com outros 122 co-patrocinadores para acabar com o financiamento federal a quem aborta, conforme o Christian Newswire de 7 de janeiro.
A Planned Parenthood é a organização que mais perderia com a nova lei. Segundo Pence, a Planned Parenthood recebeu no ano passado 363 milhões de dólares de fundos do governo federal. Nesse período, a organização realizou 324.008 abortos, 5,8% a mais que no ano anterior.
Pence declarou sua oposição ao aborto e enfatizou que “é imoral tirar os dólares de impostos de milhões de norte-americanos contrários ao aborto para usá-los na promoção do aborto no país ou no exterior”.
Neste mês, a Planned Parenthood também é alvo de publicidade negativa com a publicação do livro “unPLANNED”, de Abby Johnson, ex-funcionária de uma clínica de abortos.
Durante oito anos, ela trabalhou primeiro como voluntária e depois como contratada da Planned Parenthood. Seu apoio ao aborto mudou drasticamente no dia em que lhe pediram ajuda na execução de um: ela foi testemunha, graças ao ultrassom, de como um bebê de 13 semanas lutava pela vida enquanto o procedimento era realizado.
Numa entrevista publicada em 11 de janeiro no site do National Catholic Register, Johnson afirmou que nunca tinha visto um monitor de ultrassom durante um aborto até então. Ela era diretora da clínica em Bryan, Texas.
Johnson explicou que a Planned Parenthood sempre tinha lhe dito que um feto não possuía desenvolvimento sensorial até as 28 semanas. Essa afirmação contradizia o que ela mesma tinha visto na tela do ultrassom: o feto lutando para não ser sugado.
Seu livro descreve como essa experiência a fez abandonar o trabalho na clínica. O texto conta o seu caminho desde a universidade até virar chefe de uma clínica e depois a sua transformação em defensora pró-vida.
A Planned Parenthood tentou evitar a publicação do livro, mas não conseguiu. O que mais preocupava a organização era a descrição de como ela pressionava para que a clínica de Johnson aumentasse o número de abortos por causa do grande lucro gerado pelos procedimentos.
Estatísticas preocupantes
Não há estatísticas oficiais totais do número de abortos nos Estados Unidos. Uma boa ideia da situação, no entanto, pode ser obtida a partir do estudo publicado em 11 de janeiro pelo abortista Guttmacher Institute.
Segundo o estudo, baseado num censo das instituições abortistas conhecidas, parou de cair o número de abortos, fenômeno que era uma constante desde 1981. O instituto afirmou que a taxa de 2008 foi de 19,6 abortos por cada 1.000 mulheres de 15 a 44 anos. É um pequeno aumento em comparação com os 19,4 de 2005.
O número total de abortos em 2008 (1,21 milhão) subiu ligeiramente, em cerca de 6.000. O número de instituições abortivas também mostrou pequeno crescimento, de 1.787 para 1.793 entre 2005 e 2008.
O censo descobriu ainda um aumento no uso do aborto farmacológico em vez dos procedimentos cirúrgicos nas primeiras etapas da gravidez, normalmente por meio do abortivo RU-486.
Em artigo de 11 de janeiro, analisando os últimos números, o Washington Post proporcionou mais informação sobre o uso da RU-486. Em 2010, seu uso subiu 24% em comparação com 2009, passando de 161.000 para 199.000. Representa 17% de todos os abortos.
A reação do Guttmacher Institute a esses dados foi defender maior acesso aos serviços contraceptivos e a garantia de uso dos serviços abortivos para as mulheres.
Na contramão, Jeanne Monahan, diretora do Family Research Council do Center of Human Dignity, pediu mais esforço para se reduzir o número de abortos.
Num comunicado de imprensa, também de 11 de janeiro, Monahan louvou as organizações de defesa da vida e destacou que as pesquisas mostram um número crescente de norte-americanos que se declaram pró-vida.
Monahan criticou a campanha do Guttmacher Institute para eliminar as restrições ao aborto: “Como eles podem dizer que a taxa de abortos não é alta demais?”.
Um comentário sobre o informe publicado no mesmo dia pela LifeNews.com abordou a tese do instituto de que mais contraceptivos reduziriam os abortos.
O artigo destacou que o mesmo estudo mostrava que a maioria dos abortos (54%) acontecia quando os anticoncepcionais falhavam. Os últimos dados da Espanha parecem corroborar esta análise, mostrando um aumento do número de abortos apesar de ter havido ao mesmo tempo muitíssima divulgação do planejamento familiar.
Dado que a pílula e os chamados “métodos de barreira” apresentam falhas, junto com o fato de as pessoas nem sempre os usarem adequadamente, o artigo defendia que o controle da natalidade é simplesmente incapaz de eliminar as gravidezes “indesejadas”.
Pavoroso
Pouco antes da publicação dos últimos números, o arcebispo de Nova Iorque, Dom Timothy M. Dolan, divulgou um chamamento à redução dos abortos na cidade.
“É claramente pavoroso que 41% dos bebês de Nova Iorque sejam abortados, e que esse número chegue a ser maior ainda no Bronx e no caso dos nossos bebês afro-americanos”, declarou em entrevista coletiva de 6 de janeiro, na Chiaroscuro Foundation do Penn Club de Nova Iorque.
O arcebispo observou que Nova Iorque é conhecida por acolher os imigrantes e agregou: “Tragicamente, estamos deixando de lado o menor de todos, o mais frágil e vulnerável: o bebê no ventre materno”.
Em reportagem de 7 de janeiro sobre essa entrevista coletiva, o New York Times explica que se tratava de um esforço conjunto de vários líderes religiosos, coordenados pela Chiaroscuro Foundation, uma entidade sem fins lucrativos financiada de forma privada por seu presidente, Sean Fieler, dono de um banco de investimentos.
A cifra de 42% vinha de um informe do departamento de saúde da cidade. As estatísticas mostravam que tinham acontecido 87.273 abortos em 2009, número abaixo dos 94.466 de 2000. O informe também revelava que a taxa de abortos por gravidez nas mulheres negras era próxima de 60%.
Não se costuma falar da taxa de abortos tão alta que há entre as mulheres negras, algo que organizações como TooManyAborted.com estão tentando mudar.
Segundo a informação publicada em sua página na internet, cerca de 40% de todas as gravidezes de mulheres negras terminam em aborto. Esta cifra é o triplo em relação às mulheres brancas e o dobro em relação a todas as raças combinadas.
A página na internet também explica que a pressão pelos “direitos reprodutivos” tem sua origem em uma mentalidade elitista promovida pela fundadora do Planned Parenthood, Margaret Sanger. Ela e outros trabalharam duro para promover o aborto entre os negros e os pobres.
Todas essas notícias surgiram enquanto se preparava o maior evento pró-vida do ano, a Marcha pela Vida de 24 de janeiro, em Washington D. C. A Igreja Católica celebrou o acontecimento com uma Vigília Nacional de Oração, de 23 a 24 de janeiro, na Basílica da Capela Nacional da Imaculada Conceição.
A vigília abriu com uma Missa, presidida pelo cardeal Daniel N. DiNardo, presidente do Comitê pró-Vida da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.
Ainda que a manifestação normalmente receba pouca cobertura da mídia, atrai um grande número de pessoas, muitas delas jovens. Seu êxito mostra como o destino das crianças abortadas continua sendo um tema que congrega muita gente.

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NA ASSOCIAÇÃO DOS LITURGISTAS DO BRASIL?

Ceará acolhe assembleia de liturgistas

CRATO, sábado, 29 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – A cidade de Crato (Ceará, nordeste do Brasil) acolhe de 30 de janeiro a 4 de fevereiro a 22ª Assembleia Nacional da ASLI (Associação dos Liturgistas do Brasil).
A ASLI tem programado um caminho em três etapas de aproximação ao 50° aniversário da Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concilio Vaticano II.
Neste primeiro evento, se buscará refletir sobre as raízes históricas, culturais, teológicas e pastorais da Sacrosanctum Concilium. Em 2012, se resgatarão os eixos essenciais da SC em conexão com os outros documentos conciliares. E em 2013, se fará uma releitura crítica de todo o processo da receptio da SC, apontando desafios para o futuro na vida da Igreja.
O evento dos próximos dias, intitulado A caminho dos 50 anos da Sacrosanctum Concilium: raízes  históricas e teológicas da Constituição, tem assessoria de Dom Emanuele Bargellini, osb cam, e Frei José Ariovaldo da Silva, ofm.

ABORTO QUE NÃO INFLUI…

 
 
Colunistas de jornal e políticos reclamaram contra os religiosos por terem empurrado a questão do aborto para a política, num país laico, mas, em nome da sua não religiosidade eles empurraram a questão do aborto para as sacristias e púlpitos. Não querem que lhes empurremos pela garganta um assunto que consideram religioso, mas querem empurrar pela nossa um assunto que consideramos humano, ético e de direito. Está lá no artigo 2º do Código de Direito Civil que o nascituro tem o direito de nascer e goza de cidadania desde o primeiro instante da sua concepção. Tirar-lhe a vida é matar um cidadão brasileiro de poucos dias, mas cidadão com direito de nascer… Então não é apenas questão religiosa!

Para provar que era contra o aborto ouviu-se da candidata eleita o argumento de que é contra porque ele é uma violência contra a mulher. Esqueceu de citar que, em primeiro lugar, o aborto é uma violência contra o cidadão que tem o direito de nascer. É isso que ela será chamada a defender como presidente dos brasileiros. Um presidente da Republica precisa defender em primeiro lugar os mais fracos e os mais feridos pela vida. Se, portanto, alguém é contra o aborto, que o seja primeiro por causa do feto e só depois por causa da mulher que não deseja ou não pode ser mãe naquela hora. Dos dois, o feto ainda é o mais frágil, porque, se a mulher hipoteticamente se fere em abortos clandestinos o feto certamente morre. E a morte premeditada do feto, além de ser contra a lei vigente é também assunto de saúde publica. Não se vai ao hospital para ser morto! Uma coisa é a morte acidental e outra a morte premeditada. O artigo 2º deixa claro que feto não é tumor extirpável. Se o hipotético é que a mulher se fere, o fato é que o feto morre.

 
Somos uma democracia e se há os que valentemente lutam pelo direito da grávida de não dar à luz e se consideram modernos por isso, há também quem lute pelo direito do feto de vir à luz. Se há quem seja pró ou contra o aborto pelo bem da mulher, também há quem o seja contra pelo bem do feto. Tudo democraticamente e escudado por leis vigentes! Agora, querem mudar a lei em favor de quem não quer levar adiante uma gestação e esperam que se declare que o feto não é cidadão.
A discussão não vai parar tão cedo. O Código de Direito civil, de 2002, artigo 2 º deixa claro que a questão não está circunscrita ao púlpito e à sacristia. É questão de Estado. O Brasil assinou convenções que defendem os mais fracos.  
Na democracia que ainda temos, há quem queira mudar a lei e quem não queira que ela mude. Há quem ache que Deus não existe, ou, se existe, não tem nada a ver com este mundo. Garantem que os donos daquela vida no seu estágio inicial são os pais. Há quem creia em Deus e garanta que o autor e dono daquela vida é Ele.  
Há quem escolha a vida da mulher e quem escolha a vida do feto. Diante da vida de quem já é grávida e será, talvez, chamada de mãe, há quem fique com o presente da mulher.   Diante da vida do feto que já é filho e será talvez chamado de pessoa, há quem fique com presente e o futuro do feto. Se lhe perguntassem ele certamente pediria para nascer. De quebra, não aceitam que alguém fale por ele. Mas o mundo está cheio de advogados que falam por quem não pode falar por si mesmo. E isto foi e é um grande avanço na ciência do Direito. Daí que defender um nascituro é modernidade e optar por eliminá-lo em favor de uma pessoa adulta que teria problemas com seu nascimento é retrocesso. Com o advento da civilização passou a ser um retrocesso descartar-se de uma vida para resolver um problema. Na Grécia Antiga jogava-se condenados num precipício chamado Apotétes. Resolveremos os nossos criando novos apotetes legais ?
 
Pe. Zézinho

ENQUANTO ISSO, PREPARANDO ASSIS….

 

 

Anglicanos honram cardeal Kasper com Cruz de Lambeth

Prelado afirma que Europa precisa de nova guia espiritual

LONDRES, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O ex-presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos foi homenageado pelo arcebispo anglicano da Cantuária, com um jantar e com a concessão da Cruz de Lambeth.
Rowan Williams ofereceu um jantar em homenagem ao cardeal Walter Kasper no último dia 20, com o apoio do clube Nikean, associação ecumênica da Igreja da Inglaterra.
À noite, o cardeal foi condecorado com a Cruz de Lambeth, concedida a líderes religiosos que prestaram serviços excepcionais à causa da unidade dos cristãos, especialmente em comunhão com os anglicanos.
Em um discurso naquela noite, Kasper expressou “minha profunda gratidão e minha alta consideração” pelo arcebispo e seus colaboradores, “que sempre foram muito prestativos com os oficiais do Conselho Pontifício”.
O prelado destacou que, durante a visita que o Papa Bento XVI fez ao Reino Unido em setembro de 2010, o Pontífice “foi bem recebido por Sua Majestade a Rainha, pelo arcebispo da Cantuária, pelo governo e especialmente pelas pessoas, tanto anglicanas como católicas”.
“Sabemos que a unidade da Igreja não é um fim em si – disse ele -, mas ajuda a cumprir a missão da Igreja, que consiste em difundir o Evangelho e seus valores em um mundo que precisa muito deles, a fim de proporcionar mais justiça, liberdade e paz.”
“De modo particular – acrescentou o cardeal -, o nosso velho continente, com sua grande herança cultural, mas também uma confusa desorientação espiritual, precisa de uma nova guia espiritual e uma nova evangelização.”
“Somente juntos podemos e devemos tentar fazer isso, da forma mais unida possível”, disse ele.
O cardeal Kasper também afirmou: “É nossa responsabilidade comum cumprir a última vontade do Senhor: ‘Que todos sejam um, para que o mundo creia'”.
Ele assegurou a seus ouvintes que “o Santo Padre, o meu sucessor no Conselho Pontifício e a Igreja Católica Romana como um todo têm a vontade e a determinação, mais do que nunca, de continuar neste caminho de diálogo sincero, que começamos depois do Concílio Vaticano II, há quase 50 anos”.
Desafios
O prelado reconheceu alguns dos problemas enfrentados por este diálogo: em primeiro lugar, na definição de “o que é ser a única Igreja de Cristo entre as muitas igrejas?”.
E acrescentou: “O que significa perceber que esta catolicidade, em si mesma não confessional, abrange todo o significado original?”.
“Sabemos que isso envolve a questão da primazia – disse o cardeal -, que para ambos não é uma coisa simples, porque isso, além das questões teológicas que surgem, está profundamente enraizado na consciência deste país, na sua história e também nas nossas convicções católicas.”
O prelado destacou um segundo desafio: “Como nos aproximamos, com a nossa mensagem, desta mentalidade moderna ou pós-moderna em nossa sociedade ocidental, secularizada e pluralista?”.
“Aqui surgem os problemas éticos e pastorais, e nossa fidelidade à mensagem do Evangelho é desafiada”, afirmou, reconhecendo o esforço por definir a “fidelidade muito além do fundamentalismo e do liberalismo”.
Estas “não são questões fáceis – disse -, mas, para o bem de nosso povo, não podemos nos permitir ceder”.
Acrescentou que “é nosso dever fazer o nosso melhor para encontrar respostas comuns; esta é a nossa intenção no novo começo da terceira fase das discussões da nossa Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana”.
O cardeal exprimiu sua esperança com relação ao “crescimento e aumento da cooperação ecumênica e espiritual entre grupos e comunidades de diferentes igrejas, em suas orações diárias e reuniões, em que leem a Bíblia juntos, trocando experiências espirituais e orando juntos”.
“O ecumenismo não está morto – concluiu; está vivo e está entrando numa nova e promissora fase da sua história.”

DANDO A VIDA PELO PAPA

Memórias de um ex-guarda-costas de João Paulo II

Por Edward Pentin 
ROMA, quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Durante 12 anos, o ex-capitão da guarda suíça Roman Fringeli foi treinado e preparado para dar a vida pelo Papa.
De 1987 a 1999, ele protegeu o futuro beato João Paulo II como um de seus cinco guarda-costas pessoais nas viagens papais. Este período compreendeu 15 viagens apostólicas a Asia, Europa, África y América.
Durante três anos e meio deste período, Fringeli liderou o contingente de guardas suíços que acompanhava João Paulo II quando este viajava ao exterior. “Diante de uma necessidade das circunstâncias, eu teria dado minha vida pelo Papa”, afirmou. “Este era sempre meu pensamento quando viajávamos”.
Natural da Basileia, norte da Suíça, Fringeli deixou a força oficial há cerca de 10 anos. Mas seu entusiasmo permanece e ele está disposto a compartilhar suas felizes e às vezes angustiantes experiências.
Ele recorda vivamente como lutaram com grande trabalho para conter uma multidão em Nairobi, como gritaram com os militares em Moçambique para que evitassem que uma grande massa de gente se aproximasse demais do Papa e como enfrentaram a difícil tarefa de proteger o Papa diante de um milhão de pessoas em Seul.
“Recordo Ruanda, durante uma missa, tivemos um aviso de um ataque terrorista aéreo”, conta. “Pode imaginar? Justamente ali, havia quatro anos, tinha acontecido o genocídio”.
Em outra viagem, estando com o Papa em voo charter, o avião fez três tentativas de aterrissar, por causa da neblina. Depois de ser desviado a Johannesburgo, o contingente do Papa teve de viajar de carro para Lesotho, para chegar ali ao som de tiros das forças especiais, que tinham resgatado um grupo de reféns.
O Papa João Paulo II, que tinha ido a Maseru para beatificar o sacerdote missionário Joseph Gérard, visitou depois alguns feridos no hospital. “Foi uma viagem especial e terrível. João Paulo II queria oferecer uma mensagem de paz e o fez”, relata Fringeli.
Mas talvez sua visita mais problemática foi em Berlim, em 1996. Grupos de anarquistas protestavam de forma selvagem, lançando objetos no papa-móvel, enquanto outros desfilavam nus enquanto o Papa passava.
“De repente, essa gente começou a lançar bolas vermelhas cheias de tinta nas janelas do papa-móvel”. Fringeli recorda que estava atrás do veículo papal, tentando afastar os manifestantes. “Senti-me envergonhado da Alemanha pelo que aconteceu. A polícia permitiu que a multidão se aproximasse demais do papa-móvel”.
Bento XVI visitará Berlim em setembro e alguns estão preocupados com a possibilidade de que esse evento se repita. “Nunca se sabe o que acontecerá em Berlim”, disse Fringeli. “Pode aparecer mais uma vez gente louca, mas Bento XVI é alemão e isso pode ajudar, também talvez a polícia faça melhor o seu trabalho, controlando as multidões”.
Fringeli também disse que o surpreendeu ver que a polícia alemã parecia assustada por ter de frear a multidão. “Eles não queriam tocá-los”.
Mas na África, Fringeli viu que a segurança local pode ser excessiva. Na viagem que João Paulo II fez a Iaundé, capital de Camarões, em 1995, ele recorda ver um homem com deficiência mental que estava perambulando em frente ao papa-móvel. A polícia o arrastou “como se fosse um saco de batatas”, jogando-o na multidão. 
Nem revólver nem colete
A proteção que o Vaticano dá ao Papa durante as viagens consiste em dois guardas suíços à paisana, um capitão e um cabo, além de três policiais do Vaticano. O restante da proteção fica com as autoridades locais.
Durante seu período de serviço, Fringeli não usava colete à prova de balas nem revólver. “Que você pode fazer com uma pistola na frente de uma multidão?” “Poderia matar pessoas, e o mesmo acontece na basílica da praça de São Pedro ou em uma audiência”.
Em vez disso, ele confiava muito em sua perspicácia visual e no treinamento pessoal. O ex-guarda nos mostrou uma foto sua vestido em traje preto, caminhando ao lado de João Paulo II, em uma visita à Romênia, com os olhos fixos na multidão.
“Sempre estava observando com precisão, buscando um movimento repentino, alguém correndo ou saltando por cima das linhas de segurança; essa era minha tarefa”.
Ao ser questionado sobre a falha de segurança que houve na basílica de São Pedro no Natal de 2009, quando uma mulher saltou em direção ao Papa, ele destaca o quão inesperado pode ser algo assim.
“Você precisa saber o que está acontecendo em questão de segundo”. “Normalmente, isso é responsabilidade da pessoa que está ao lado do Papa, mas nesta ocasião tudo aconteceu muito rápido”. Apesar de tudo, Fringeli afirma que a segurança do Vaticano é muito boa.
O ex-guarda tem muitas boas recordações de Wojtyla e está encantado com a notícia de sua beatificação. “Para mim, João Paulo II foi um Papa santo, como todos os papas nos dois ou três últimos séculos”, disse.
Ele conta que João Paulo II sempre dizia que Nossa Senhora o protegia e que colocou sua sobrevivência nas mãos da Virgem desde o atentado de 1981.
“Foi um mensageiro da paz”, disse. “Alguns diziam que teria sido melhor se ele tivesse estado mais tempo no Vaticano e não viajando tanto, mas para o Papa não eram viagens de lazer, ele tinha uma agenda muito apertada, que durava o dia inteiro”. 
Fringeli lembra um outro episódio, em que centenas de pessoas caminharam durante vários dias, de Zâmbia até o Zimbabue, para ver Wojtyla. As 104 viagens que João Paulo II fez fora da Itália estavam dedicadas a essas pessoas, especialmente de países pobres, que nunca poderiam ir a Roma. 
O ex-guarda conta com carinho como João Paulo II sempre agradecia sua equipe de segurança ao final de cada viagem. Quando era mais jovem, frequentemente realizava passeios espontâneos, que nem sempre ganhavam a simpatia dos guarda-costas. “Não era fácil viajar com o Papa, porque não sabíamos o que ele faria fora do programa”. “Mas a experiência ajudava muito”.
Apesar das obrigações das viagens papais, Fringeli se sentia muito satisfeito e seu entusiasmo nunca diminuía. “Era estranho. Durante a viagem nos cansávamos muito, mas ao final sempre pensávamos: quando será a próxima?”
Ele rende homenagem a duas figuras chave das viagens apostólicas: o cardeal Roberto Tucci, organizador das viagens longas, a quem define como “um grande, grande homem”, e Camilo Cibin, o último guarda-costas da polícia vaticana, que protegeu o Papa até este completar 80 anos.
“Sem nenhum dos dois – disse – o Papa não teria sido capaz de fazer nenhuma de suas viagens.

BENTO XVI SOBRE STA. JOANA D´ARC

(26/1/2011) Na audiência geral desta quarta feira que teve lugar na Aula Paulo VI, no Vaticano; Bento XVI salientou a influência benéfica que a religião pode exercer nas decisões políticas, ao evocar a memória de Joana d’Arc condenada à morte na fogueira.
Um dos aspectos “mais originais” da vida da santa francesa, como sublinhou o Papa, consiste na “ligação entre experiência mística e missão política.
Joana d’Arc “é um belo exemplo de santidade para os leigos empenhados na vida política, sobretudo nas situações mais difíceis”.
Depois de referir que “a fé é a luz que guia todas as escolhas”, Bento XVI afirmou que Joana d’Arc convida os católicos a “fazer da oração o fio condutor” da sua existência, a terem “plena confiança no cumprimento da vontade de Deus, qualquer que seja” e “viver a caridade sem favoritismos” e “sem limites”.
Para o Papa, a padroeira secundária de França faz parte do conjunto de “mulheres fortes, leigas e consagradas na virgindade, que transportam a luz do Evangelho ao coração das realidades mais dramáticas da história e da Igreja”.
Nascida em Domremy no ano de 1412, Joana d’Arc “demonstrou uma grande caridade e compaixão para os mais pobres, doentes e todos os sofredores, no contexto dramático da guerra”, salientou Bento XVI, que recordou a primeira experiência mística da jovem, aos 13 anos.
No contexto da Guerra do Cem Anos, que opôs a Inglaterra e a França, Joana d’Arc escreveu em 1429 uma carta de paz ao rei inglês, que cercava Orleães, mas a proposta foi rejeitada, pelo que a santa participou na luta pela libertação da cidade francesa.
O segundo “momento culminante” da acção política de Joana d’Arc foi a coroação do rei francês Carlos VII, em 1429, lembrou o Papa.
“Durante um ano inteiro, Joana vive com os soldados, cumprindo no meio deles uma verdadeira missão de evangelização”, marcada pela “bondade”, coragem” e “extraordinária pureza”, destacou.
A “paixão” da santa começa em 1430, quando é feita prisioneira, prosseguindo com o seu “longo e dramático” processo de condenação, que decorrerá entre Fevereiro e 30 de Maio de 1431 em Rouen.
De acordo com o Papa, o julgamento foi “inteiramente guiado” por um grupo de teólogos da Universidade de Paris, eclesiásticos franceses que “tendo feito a escolha política oposta à de Joana, fizeram a priori um juízo negativo sobre a sua pessoa e sobre a sua missão”.
No entender de Bento XVI, faltou aos juízes a “caridade e humildade” de ver em Joana d’Arc “a acção de Deus”, dado que foram “radicalmente incapazes” de compreender a santa e de “ver a beleza da sua alma”.
Joana d’Arc foi condenada como “herege” e enviada para a “morte terrível da fogueira” numa das principais praças de Rouen, mas cerca de 25 anos depois o Papa Calisto III ordenou a revisão do processo judicial, que se concluiu com a declaração de nulidade da condenação.
Esta decisão, afirmou o Papa, realça a “inocência” de Santa Joana d’Arc e a sua “perfeita fidelidade à Igreja”, virtudes que conduziram à sua canonização, em 1920, por Bento XV.

http://www.radiovaticana.org/por/Articolo.asp?c=457230