A BATINA ENTRE AS BALAS

Amigos, Salve Maria.

Um sacerdote “com a faca e o queijo na mão” para converter os fiéis, independente da classe social ou profissão que exerçam. Só faltou a este padre celebrar Missa de sempre… Quem sabe um dia, não? :)

In Christo et Maria,
Marcel.

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Um lugarejo em pé de guerra. Um padre ilhado na casa paroquial.

“Quando eu passei por aqui eu via balas. Você via barulho, bombas”, conta o padre Marcelo José Vieira Júnior.

Estampidos e perplexidade. “Eu nunca vi uma guerra. Eu sou padre de cidade de interior. Eu só via uma guerra. Muitos tiros”.

Foi, então, que o vigário tomou a decisão: correu para dar abrigo ao povo. O repórter Rafael Mônaco acompanhou. O padre chama a comunidade para ir para a igreja. O padre abre a igreja.
“Ninguém vai bater no meu povo, não! Pode entrar!”, chamou o padre.

O que o levou a fazer isso? E por que a cidade de 60 mil habitantes entrou em convulsão?

Colada no Distrito Federal, a goiana Santo Antônio do Descoberto fica a apenas 40 km de Brasília. Mas é como se ficasse em outro planeta, longe do dinheiro e do conforto.
A ponte ruiu, o asfalto sumiu. O hospital é superlotação e demora.

“É o dia todo no hospital para conseguir um mal atendimento”, declara uma mulher.

A população explodiu de raiva. O prefeito diz que está de mãos atadas.

“O povo tem razão em reclamar. Só que eu assumi dívida de mais de R$34 milhões e tenho R$1 milhão por mês para conseguir saldar toda essa dívida e tocar o município”, afirma o prefeito David Leite.

Os problemas ainda estão longe se resolver. Mas os ânimos estão um pouco mais serenados.

Em volta da igrejinha onde as pessoas se refugiaram está tudo aparentemente muito tranquilo.

O homem que evitou aquilo que poderia ter sido um conflito muito mais sério pôde, enfim, se dedicar a uma de suas muitas atividades de rotina.

Um especialista na restauração de imagens sacras, como a Santa Luzia Barroca. Aos 33 anos, Padre Marcelo nem liga se alguém acha que ele é um jovem de hábitos ultrapassados.

Fantástico – O senhor usa batina, né? Quase não se usa mais…

Padre Marcelo – Já não é muito modernismo! O meu povo quer um padre de batina. Se o meu povo quer um padre de batina, eles vão ter um padre de batina.

Basta uma voltinha para constatar a ascendência do padre sobre os fiéis.

Fantástico – Agora, o que a gente ouviu por aí é que o povo aqui não obedece nem o prefeito nem a polícia, mas o padre eles obedecem.

Padre Marcelo – Graças a Deus. Eu não sei se obedecem, mas respeitam, amam o padre que têm. Pode ter a multidão que for. Se eu chamar o povo, eles vêm.

Multidão desesperada foi o que ele viu no dia da confusão. E só tinha gente conhecida.

Tinha meninos coroinhas correndo… Então, era o povo da igreja, pessoas de bem, não era bandido, não!

A polícia parecia confusa. Bateu num homem de muletas. Em vez de prender ou autuar, espancou e chutou. Mo meio do tumulto, o padre apareceu.

“Então, a minha iniciativa é a igreja. Vou abrir a igreja e todo mundo entra, porque a polícia não vai entrar na igreja. E se entrar vai ter que passar por cima do padre”, relata o Padre.

Foi, então, que ele abriu a igreja fundada em 1765, cujas paredes grossas já protegeram muita gente ao longo de quase três séculos.

“Quando os índios vinham atacar os garimpeiros, os colonizadores, eles se escondiam, se refugiavam dentro dessa igreja”, ensina o Padre.

Foi o que fizeram os manifestantes esta semana.

“Mas quando eu vi que a igreja não cabia mais gente, e o povo ficando de fora, os tiros, bombas, eu me coloquei na frente. Se vão atirar, então vão atirar primeiro no padre”, conta.

O padre saiu para o pátio da igreja.

“Falei: ‘olha, ninguém vai atirar no meu povo. Todos pra fora!’. E fui empurrando a polícia pra saírem, saírem e me respeitarem. Esse solo é santo!”.

Negociou o fim do conflito com o comandante da operação. Mas não deixou de conter os fiéis mais exaltados.

Padre Marcelo – Depredar patrimônio público, agredir ou jogar qualquer coisa nos policiais, isso eu não permito também. Foi quando eu trouxe alguns manifestantes pra dentro.

Fantástico – O senhor deu um pito neles também?

Padre Marcelo – Sim, claro! Dos dois lados.

Fantástico – Quem venceu? A fé ou a coragem?

Padre Marcelo – Depois, quando eu saí à frente, que os policiais ameaçavam atirar em mim, eu confesso que, naquela hora, eu tive um pouquinho de medo, sabe?

Fantástico – Tremeu a batina?

Padre Marcelo – Tremeu! Bastante. Mas eu fiquei muito confiante. Eu sabia que eles respeitariam o sacerdote. Porque lá no meio dos policiais, metade eu os conheço. Parte deles vem à missa.

Fantástico – Os policiais?

Padre Marcelo – Sim. E são meninos bons!

O padre ficou com fama de pacificador. Mas quer tirá-lo do sério? Pergunte se ele quer o lugar do prefeito. “Não, não pretendo ser candidato. E me sinto ofendido quando me fazem essa pergunta!”, responde o padre.

E insiste, ao vigário, o que é do vigário: as orações, a igreja, o rebanho. Eu serei aqui tão somente o padre de uma igrejinha do interior. Estou feliz assim”, conclui.


Diante de falsos valores, Bento XVI apresenta bem-aventuranças

 
 
CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI apresentou hoje as bem-aventuranças como o programa de vida dos cristãos diante dos falsos valores do mundo.
Foi a proposta que fez ao rezar a oração mariana do Ângelus, junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, com quem comentou a passagem evangélica da liturgia deste dia, o sermão que Jesus pronunciou para proclamar “bem-aventurados” os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos.
“Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar” explicou o Pontífice.
Pois bem, segundo o Bispo de Roma, as bem-aventuranças não são algo do passado; “o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro”.
“As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros”, sublinhou.
“Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu”, afirmou.
As bem-aventuranças, explicou, “refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens”.
Bento XVI comentou o Evangelho das bem-aventuranças “na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – ‘o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa'”.
Por este motivo, concluiu, “a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano”.

LUTA DE VIDA OU MORTE

A realidade do aborto nos Estados Unidos

Pe. John Flynn, L.C.
ROMA, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Com os novos membros da Câmara Legislativa dos Estados Unidos, parece que o aborto vai continuar sendo um tema candente.
O deputado Mike Pence apresentou uma proposta de lei com outros 122 co-patrocinadores para acabar com o financiamento federal a quem aborta, conforme o Christian Newswire de 7 de janeiro.
A Planned Parenthood é a organização que mais perderia com a nova lei. Segundo Pence, a Planned Parenthood recebeu no ano passado 363 milhões de dólares de fundos do governo federal. Nesse período, a organização realizou 324.008 abortos, 5,8% a mais que no ano anterior.
Pence declarou sua oposição ao aborto e enfatizou que “é imoral tirar os dólares de impostos de milhões de norte-americanos contrários ao aborto para usá-los na promoção do aborto no país ou no exterior”.
Neste mês, a Planned Parenthood também é alvo de publicidade negativa com a publicação do livro “unPLANNED”, de Abby Johnson, ex-funcionária de uma clínica de abortos.
Durante oito anos, ela trabalhou primeiro como voluntária e depois como contratada da Planned Parenthood. Seu apoio ao aborto mudou drasticamente no dia em que lhe pediram ajuda na execução de um: ela foi testemunha, graças ao ultrassom, de como um bebê de 13 semanas lutava pela vida enquanto o procedimento era realizado.
Numa entrevista publicada em 11 de janeiro no site do National Catholic Register, Johnson afirmou que nunca tinha visto um monitor de ultrassom durante um aborto até então. Ela era diretora da clínica em Bryan, Texas.
Johnson explicou que a Planned Parenthood sempre tinha lhe dito que um feto não possuía desenvolvimento sensorial até as 28 semanas. Essa afirmação contradizia o que ela mesma tinha visto na tela do ultrassom: o feto lutando para não ser sugado.
Seu livro descreve como essa experiência a fez abandonar o trabalho na clínica. O texto conta o seu caminho desde a universidade até virar chefe de uma clínica e depois a sua transformação em defensora pró-vida.
A Planned Parenthood tentou evitar a publicação do livro, mas não conseguiu. O que mais preocupava a organização era a descrição de como ela pressionava para que a clínica de Johnson aumentasse o número de abortos por causa do grande lucro gerado pelos procedimentos.
Estatísticas preocupantes
Não há estatísticas oficiais totais do número de abortos nos Estados Unidos. Uma boa ideia da situação, no entanto, pode ser obtida a partir do estudo publicado em 11 de janeiro pelo abortista Guttmacher Institute.
Segundo o estudo, baseado num censo das instituições abortistas conhecidas, parou de cair o número de abortos, fenômeno que era uma constante desde 1981. O instituto afirmou que a taxa de 2008 foi de 19,6 abortos por cada 1.000 mulheres de 15 a 44 anos. É um pequeno aumento em comparação com os 19,4 de 2005.
O número total de abortos em 2008 (1,21 milhão) subiu ligeiramente, em cerca de 6.000. O número de instituições abortivas também mostrou pequeno crescimento, de 1.787 para 1.793 entre 2005 e 2008.
O censo descobriu ainda um aumento no uso do aborto farmacológico em vez dos procedimentos cirúrgicos nas primeiras etapas da gravidez, normalmente por meio do abortivo RU-486.
Em artigo de 11 de janeiro, analisando os últimos números, o Washington Post proporcionou mais informação sobre o uso da RU-486. Em 2010, seu uso subiu 24% em comparação com 2009, passando de 161.000 para 199.000. Representa 17% de todos os abortos.
A reação do Guttmacher Institute a esses dados foi defender maior acesso aos serviços contraceptivos e a garantia de uso dos serviços abortivos para as mulheres.
Na contramão, Jeanne Monahan, diretora do Family Research Council do Center of Human Dignity, pediu mais esforço para se reduzir o número de abortos.
Num comunicado de imprensa, também de 11 de janeiro, Monahan louvou as organizações de defesa da vida e destacou que as pesquisas mostram um número crescente de norte-americanos que se declaram pró-vida.
Monahan criticou a campanha do Guttmacher Institute para eliminar as restrições ao aborto: “Como eles podem dizer que a taxa de abortos não é alta demais?”.
Um comentário sobre o informe publicado no mesmo dia pela LifeNews.com abordou a tese do instituto de que mais contraceptivos reduziriam os abortos.
O artigo destacou que o mesmo estudo mostrava que a maioria dos abortos (54%) acontecia quando os anticoncepcionais falhavam. Os últimos dados da Espanha parecem corroborar esta análise, mostrando um aumento do número de abortos apesar de ter havido ao mesmo tempo muitíssima divulgação do planejamento familiar.
Dado que a pílula e os chamados “métodos de barreira” apresentam falhas, junto com o fato de as pessoas nem sempre os usarem adequadamente, o artigo defendia que o controle da natalidade é simplesmente incapaz de eliminar as gravidezes “indesejadas”.
Pavoroso
Pouco antes da publicação dos últimos números, o arcebispo de Nova Iorque, Dom Timothy M. Dolan, divulgou um chamamento à redução dos abortos na cidade.
“É claramente pavoroso que 41% dos bebês de Nova Iorque sejam abortados, e que esse número chegue a ser maior ainda no Bronx e no caso dos nossos bebês afro-americanos”, declarou em entrevista coletiva de 6 de janeiro, na Chiaroscuro Foundation do Penn Club de Nova Iorque.
O arcebispo observou que Nova Iorque é conhecida por acolher os imigrantes e agregou: “Tragicamente, estamos deixando de lado o menor de todos, o mais frágil e vulnerável: o bebê no ventre materno”.
Em reportagem de 7 de janeiro sobre essa entrevista coletiva, o New York Times explica que se tratava de um esforço conjunto de vários líderes religiosos, coordenados pela Chiaroscuro Foundation, uma entidade sem fins lucrativos financiada de forma privada por seu presidente, Sean Fieler, dono de um banco de investimentos.
A cifra de 42% vinha de um informe do departamento de saúde da cidade. As estatísticas mostravam que tinham acontecido 87.273 abortos em 2009, número abaixo dos 94.466 de 2000. O informe também revelava que a taxa de abortos por gravidez nas mulheres negras era próxima de 60%.
Não se costuma falar da taxa de abortos tão alta que há entre as mulheres negras, algo que organizações como TooManyAborted.com estão tentando mudar.
Segundo a informação publicada em sua página na internet, cerca de 40% de todas as gravidezes de mulheres negras terminam em aborto. Esta cifra é o triplo em relação às mulheres brancas e o dobro em relação a todas as raças combinadas.
A página na internet também explica que a pressão pelos “direitos reprodutivos” tem sua origem em uma mentalidade elitista promovida pela fundadora do Planned Parenthood, Margaret Sanger. Ela e outros trabalharam duro para promover o aborto entre os negros e os pobres.
Todas essas notícias surgiram enquanto se preparava o maior evento pró-vida do ano, a Marcha pela Vida de 24 de janeiro, em Washington D. C. A Igreja Católica celebrou o acontecimento com uma Vigília Nacional de Oração, de 23 a 24 de janeiro, na Basílica da Capela Nacional da Imaculada Conceição.
A vigília abriu com uma Missa, presidida pelo cardeal Daniel N. DiNardo, presidente do Comitê pró-Vida da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.
Ainda que a manifestação normalmente receba pouca cobertura da mídia, atrai um grande número de pessoas, muitas delas jovens. Seu êxito mostra como o destino das crianças abortadas continua sendo um tema que congrega muita gente.

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NA ASSOCIAÇÃO DOS LITURGISTAS DO BRASIL?

Ceará acolhe assembleia de liturgistas

CRATO, sábado, 29 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – A cidade de Crato (Ceará, nordeste do Brasil) acolhe de 30 de janeiro a 4 de fevereiro a 22ª Assembleia Nacional da ASLI (Associação dos Liturgistas do Brasil).
A ASLI tem programado um caminho em três etapas de aproximação ao 50° aniversário da Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concilio Vaticano II.
Neste primeiro evento, se buscará refletir sobre as raízes históricas, culturais, teológicas e pastorais da Sacrosanctum Concilium. Em 2012, se resgatarão os eixos essenciais da SC em conexão com os outros documentos conciliares. E em 2013, se fará uma releitura crítica de todo o processo da receptio da SC, apontando desafios para o futuro na vida da Igreja.
O evento dos próximos dias, intitulado A caminho dos 50 anos da Sacrosanctum Concilium: raízes  históricas e teológicas da Constituição, tem assessoria de Dom Emanuele Bargellini, osb cam, e Frei José Ariovaldo da Silva, ofm.

ABORTO QUE NÃO INFLUI…

 
 
Colunistas de jornal e políticos reclamaram contra os religiosos por terem empurrado a questão do aborto para a política, num país laico, mas, em nome da sua não religiosidade eles empurraram a questão do aborto para as sacristias e púlpitos. Não querem que lhes empurremos pela garganta um assunto que consideram religioso, mas querem empurrar pela nossa um assunto que consideramos humano, ético e de direito. Está lá no artigo 2º do Código de Direito Civil que o nascituro tem o direito de nascer e goza de cidadania desde o primeiro instante da sua concepção. Tirar-lhe a vida é matar um cidadão brasileiro de poucos dias, mas cidadão com direito de nascer… Então não é apenas questão religiosa!

Para provar que era contra o aborto ouviu-se da candidata eleita o argumento de que é contra porque ele é uma violência contra a mulher. Esqueceu de citar que, em primeiro lugar, o aborto é uma violência contra o cidadão que tem o direito de nascer. É isso que ela será chamada a defender como presidente dos brasileiros. Um presidente da Republica precisa defender em primeiro lugar os mais fracos e os mais feridos pela vida. Se, portanto, alguém é contra o aborto, que o seja primeiro por causa do feto e só depois por causa da mulher que não deseja ou não pode ser mãe naquela hora. Dos dois, o feto ainda é o mais frágil, porque, se a mulher hipoteticamente se fere em abortos clandestinos o feto certamente morre. E a morte premeditada do feto, além de ser contra a lei vigente é também assunto de saúde publica. Não se vai ao hospital para ser morto! Uma coisa é a morte acidental e outra a morte premeditada. O artigo 2º deixa claro que feto não é tumor extirpável. Se o hipotético é que a mulher se fere, o fato é que o feto morre.

 
Somos uma democracia e se há os que valentemente lutam pelo direito da grávida de não dar à luz e se consideram modernos por isso, há também quem lute pelo direito do feto de vir à luz. Se há quem seja pró ou contra o aborto pelo bem da mulher, também há quem o seja contra pelo bem do feto. Tudo democraticamente e escudado por leis vigentes! Agora, querem mudar a lei em favor de quem não quer levar adiante uma gestação e esperam que se declare que o feto não é cidadão.
A discussão não vai parar tão cedo. O Código de Direito civil, de 2002, artigo 2 º deixa claro que a questão não está circunscrita ao púlpito e à sacristia. É questão de Estado. O Brasil assinou convenções que defendem os mais fracos.  
Na democracia que ainda temos, há quem queira mudar a lei e quem não queira que ela mude. Há quem ache que Deus não existe, ou, se existe, não tem nada a ver com este mundo. Garantem que os donos daquela vida no seu estágio inicial são os pais. Há quem creia em Deus e garanta que o autor e dono daquela vida é Ele.  
Há quem escolha a vida da mulher e quem escolha a vida do feto. Diante da vida de quem já é grávida e será, talvez, chamada de mãe, há quem fique com o presente da mulher.   Diante da vida do feto que já é filho e será talvez chamado de pessoa, há quem fique com presente e o futuro do feto. Se lhe perguntassem ele certamente pediria para nascer. De quebra, não aceitam que alguém fale por ele. Mas o mundo está cheio de advogados que falam por quem não pode falar por si mesmo. E isto foi e é um grande avanço na ciência do Direito. Daí que defender um nascituro é modernidade e optar por eliminá-lo em favor de uma pessoa adulta que teria problemas com seu nascimento é retrocesso. Com o advento da civilização passou a ser um retrocesso descartar-se de uma vida para resolver um problema. Na Grécia Antiga jogava-se condenados num precipício chamado Apotétes. Resolveremos os nossos criando novos apotetes legais ?
 
Pe. Zézinho

ENQUANTO ISSO, PREPARANDO ASSIS….

 

 

Anglicanos honram cardeal Kasper com Cruz de Lambeth

Prelado afirma que Europa precisa de nova guia espiritual

LONDRES, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O ex-presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos foi homenageado pelo arcebispo anglicano da Cantuária, com um jantar e com a concessão da Cruz de Lambeth.
Rowan Williams ofereceu um jantar em homenagem ao cardeal Walter Kasper no último dia 20, com o apoio do clube Nikean, associação ecumênica da Igreja da Inglaterra.
À noite, o cardeal foi condecorado com a Cruz de Lambeth, concedida a líderes religiosos que prestaram serviços excepcionais à causa da unidade dos cristãos, especialmente em comunhão com os anglicanos.
Em um discurso naquela noite, Kasper expressou “minha profunda gratidão e minha alta consideração” pelo arcebispo e seus colaboradores, “que sempre foram muito prestativos com os oficiais do Conselho Pontifício”.
O prelado destacou que, durante a visita que o Papa Bento XVI fez ao Reino Unido em setembro de 2010, o Pontífice “foi bem recebido por Sua Majestade a Rainha, pelo arcebispo da Cantuária, pelo governo e especialmente pelas pessoas, tanto anglicanas como católicas”.
“Sabemos que a unidade da Igreja não é um fim em si – disse ele -, mas ajuda a cumprir a missão da Igreja, que consiste em difundir o Evangelho e seus valores em um mundo que precisa muito deles, a fim de proporcionar mais justiça, liberdade e paz.”
“De modo particular – acrescentou o cardeal -, o nosso velho continente, com sua grande herança cultural, mas também uma confusa desorientação espiritual, precisa de uma nova guia espiritual e uma nova evangelização.”
“Somente juntos podemos e devemos tentar fazer isso, da forma mais unida possível”, disse ele.
O cardeal Kasper também afirmou: “É nossa responsabilidade comum cumprir a última vontade do Senhor: ‘Que todos sejam um, para que o mundo creia'”.
Ele assegurou a seus ouvintes que “o Santo Padre, o meu sucessor no Conselho Pontifício e a Igreja Católica Romana como um todo têm a vontade e a determinação, mais do que nunca, de continuar neste caminho de diálogo sincero, que começamos depois do Concílio Vaticano II, há quase 50 anos”.
Desafios
O prelado reconheceu alguns dos problemas enfrentados por este diálogo: em primeiro lugar, na definição de “o que é ser a única Igreja de Cristo entre as muitas igrejas?”.
E acrescentou: “O que significa perceber que esta catolicidade, em si mesma não confessional, abrange todo o significado original?”.
“Sabemos que isso envolve a questão da primazia – disse o cardeal -, que para ambos não é uma coisa simples, porque isso, além das questões teológicas que surgem, está profundamente enraizado na consciência deste país, na sua história e também nas nossas convicções católicas.”
O prelado destacou um segundo desafio: “Como nos aproximamos, com a nossa mensagem, desta mentalidade moderna ou pós-moderna em nossa sociedade ocidental, secularizada e pluralista?”.
“Aqui surgem os problemas éticos e pastorais, e nossa fidelidade à mensagem do Evangelho é desafiada”, afirmou, reconhecendo o esforço por definir a “fidelidade muito além do fundamentalismo e do liberalismo”.
Estas “não são questões fáceis – disse -, mas, para o bem de nosso povo, não podemos nos permitir ceder”.
Acrescentou que “é nosso dever fazer o nosso melhor para encontrar respostas comuns; esta é a nossa intenção no novo começo da terceira fase das discussões da nossa Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana”.
O cardeal exprimiu sua esperança com relação ao “crescimento e aumento da cooperação ecumênica e espiritual entre grupos e comunidades de diferentes igrejas, em suas orações diárias e reuniões, em que leem a Bíblia juntos, trocando experiências espirituais e orando juntos”.
“O ecumenismo não está morto – concluiu; está vivo e está entrando numa nova e promissora fase da sua história.”

DANDO A VIDA PELO PAPA

Memórias de um ex-guarda-costas de João Paulo II

Por Edward Pentin 
ROMA, quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Durante 12 anos, o ex-capitão da guarda suíça Roman Fringeli foi treinado e preparado para dar a vida pelo Papa.
De 1987 a 1999, ele protegeu o futuro beato João Paulo II como um de seus cinco guarda-costas pessoais nas viagens papais. Este período compreendeu 15 viagens apostólicas a Asia, Europa, África y América.
Durante três anos e meio deste período, Fringeli liderou o contingente de guardas suíços que acompanhava João Paulo II quando este viajava ao exterior. “Diante de uma necessidade das circunstâncias, eu teria dado minha vida pelo Papa”, afirmou. “Este era sempre meu pensamento quando viajávamos”.
Natural da Basileia, norte da Suíça, Fringeli deixou a força oficial há cerca de 10 anos. Mas seu entusiasmo permanece e ele está disposto a compartilhar suas felizes e às vezes angustiantes experiências.
Ele recorda vivamente como lutaram com grande trabalho para conter uma multidão em Nairobi, como gritaram com os militares em Moçambique para que evitassem que uma grande massa de gente se aproximasse demais do Papa e como enfrentaram a difícil tarefa de proteger o Papa diante de um milhão de pessoas em Seul.
“Recordo Ruanda, durante uma missa, tivemos um aviso de um ataque terrorista aéreo”, conta. “Pode imaginar? Justamente ali, havia quatro anos, tinha acontecido o genocídio”.
Em outra viagem, estando com o Papa em voo charter, o avião fez três tentativas de aterrissar, por causa da neblina. Depois de ser desviado a Johannesburgo, o contingente do Papa teve de viajar de carro para Lesotho, para chegar ali ao som de tiros das forças especiais, que tinham resgatado um grupo de reféns.
O Papa João Paulo II, que tinha ido a Maseru para beatificar o sacerdote missionário Joseph Gérard, visitou depois alguns feridos no hospital. “Foi uma viagem especial e terrível. João Paulo II queria oferecer uma mensagem de paz e o fez”, relata Fringeli.
Mas talvez sua visita mais problemática foi em Berlim, em 1996. Grupos de anarquistas protestavam de forma selvagem, lançando objetos no papa-móvel, enquanto outros desfilavam nus enquanto o Papa passava.
“De repente, essa gente começou a lançar bolas vermelhas cheias de tinta nas janelas do papa-móvel”. Fringeli recorda que estava atrás do veículo papal, tentando afastar os manifestantes. “Senti-me envergonhado da Alemanha pelo que aconteceu. A polícia permitiu que a multidão se aproximasse demais do papa-móvel”.
Bento XVI visitará Berlim em setembro e alguns estão preocupados com a possibilidade de que esse evento se repita. “Nunca se sabe o que acontecerá em Berlim”, disse Fringeli. “Pode aparecer mais uma vez gente louca, mas Bento XVI é alemão e isso pode ajudar, também talvez a polícia faça melhor o seu trabalho, controlando as multidões”.
Fringeli também disse que o surpreendeu ver que a polícia alemã parecia assustada por ter de frear a multidão. “Eles não queriam tocá-los”.
Mas na África, Fringeli viu que a segurança local pode ser excessiva. Na viagem que João Paulo II fez a Iaundé, capital de Camarões, em 1995, ele recorda ver um homem com deficiência mental que estava perambulando em frente ao papa-móvel. A polícia o arrastou “como se fosse um saco de batatas”, jogando-o na multidão. 
Nem revólver nem colete
A proteção que o Vaticano dá ao Papa durante as viagens consiste em dois guardas suíços à paisana, um capitão e um cabo, além de três policiais do Vaticano. O restante da proteção fica com as autoridades locais.
Durante seu período de serviço, Fringeli não usava colete à prova de balas nem revólver. “Que você pode fazer com uma pistola na frente de uma multidão?” “Poderia matar pessoas, e o mesmo acontece na basílica da praça de São Pedro ou em uma audiência”.
Em vez disso, ele confiava muito em sua perspicácia visual e no treinamento pessoal. O ex-guarda nos mostrou uma foto sua vestido em traje preto, caminhando ao lado de João Paulo II, em uma visita à Romênia, com os olhos fixos na multidão.
“Sempre estava observando com precisão, buscando um movimento repentino, alguém correndo ou saltando por cima das linhas de segurança; essa era minha tarefa”.
Ao ser questionado sobre a falha de segurança que houve na basílica de São Pedro no Natal de 2009, quando uma mulher saltou em direção ao Papa, ele destaca o quão inesperado pode ser algo assim.
“Você precisa saber o que está acontecendo em questão de segundo”. “Normalmente, isso é responsabilidade da pessoa que está ao lado do Papa, mas nesta ocasião tudo aconteceu muito rápido”. Apesar de tudo, Fringeli afirma que a segurança do Vaticano é muito boa.
O ex-guarda tem muitas boas recordações de Wojtyla e está encantado com a notícia de sua beatificação. “Para mim, João Paulo II foi um Papa santo, como todos os papas nos dois ou três últimos séculos”, disse.
Ele conta que João Paulo II sempre dizia que Nossa Senhora o protegia e que colocou sua sobrevivência nas mãos da Virgem desde o atentado de 1981.
“Foi um mensageiro da paz”, disse. “Alguns diziam que teria sido melhor se ele tivesse estado mais tempo no Vaticano e não viajando tanto, mas para o Papa não eram viagens de lazer, ele tinha uma agenda muito apertada, que durava o dia inteiro”. 
Fringeli lembra um outro episódio, em que centenas de pessoas caminharam durante vários dias, de Zâmbia até o Zimbabue, para ver Wojtyla. As 104 viagens que João Paulo II fez fora da Itália estavam dedicadas a essas pessoas, especialmente de países pobres, que nunca poderiam ir a Roma. 
O ex-guarda conta com carinho como João Paulo II sempre agradecia sua equipe de segurança ao final de cada viagem. Quando era mais jovem, frequentemente realizava passeios espontâneos, que nem sempre ganhavam a simpatia dos guarda-costas. “Não era fácil viajar com o Papa, porque não sabíamos o que ele faria fora do programa”. “Mas a experiência ajudava muito”.
Apesar das obrigações das viagens papais, Fringeli se sentia muito satisfeito e seu entusiasmo nunca diminuía. “Era estranho. Durante a viagem nos cansávamos muito, mas ao final sempre pensávamos: quando será a próxima?”
Ele rende homenagem a duas figuras chave das viagens apostólicas: o cardeal Roberto Tucci, organizador das viagens longas, a quem define como “um grande, grande homem”, e Camilo Cibin, o último guarda-costas da polícia vaticana, que protegeu o Papa até este completar 80 anos.
“Sem nenhum dos dois – disse – o Papa não teria sido capaz de fazer nenhuma de suas viagens.

BENTO XVI SOBRE STA. JOANA D´ARC

(26/1/2011) Na audiência geral desta quarta feira que teve lugar na Aula Paulo VI, no Vaticano; Bento XVI salientou a influência benéfica que a religião pode exercer nas decisões políticas, ao evocar a memória de Joana d’Arc condenada à morte na fogueira.
Um dos aspectos “mais originais” da vida da santa francesa, como sublinhou o Papa, consiste na “ligação entre experiência mística e missão política.
Joana d’Arc “é um belo exemplo de santidade para os leigos empenhados na vida política, sobretudo nas situações mais difíceis”.
Depois de referir que “a fé é a luz que guia todas as escolhas”, Bento XVI afirmou que Joana d’Arc convida os católicos a “fazer da oração o fio condutor” da sua existência, a terem “plena confiança no cumprimento da vontade de Deus, qualquer que seja” e “viver a caridade sem favoritismos” e “sem limites”.
Para o Papa, a padroeira secundária de França faz parte do conjunto de “mulheres fortes, leigas e consagradas na virgindade, que transportam a luz do Evangelho ao coração das realidades mais dramáticas da história e da Igreja”.
Nascida em Domremy no ano de 1412, Joana d’Arc “demonstrou uma grande caridade e compaixão para os mais pobres, doentes e todos os sofredores, no contexto dramático da guerra”, salientou Bento XVI, que recordou a primeira experiência mística da jovem, aos 13 anos.
No contexto da Guerra do Cem Anos, que opôs a Inglaterra e a França, Joana d’Arc escreveu em 1429 uma carta de paz ao rei inglês, que cercava Orleães, mas a proposta foi rejeitada, pelo que a santa participou na luta pela libertação da cidade francesa.
O segundo “momento culminante” da acção política de Joana d’Arc foi a coroação do rei francês Carlos VII, em 1429, lembrou o Papa.
“Durante um ano inteiro, Joana vive com os soldados, cumprindo no meio deles uma verdadeira missão de evangelização”, marcada pela “bondade”, coragem” e “extraordinária pureza”, destacou.
A “paixão” da santa começa em 1430, quando é feita prisioneira, prosseguindo com o seu “longo e dramático” processo de condenação, que decorrerá entre Fevereiro e 30 de Maio de 1431 em Rouen.
De acordo com o Papa, o julgamento foi “inteiramente guiado” por um grupo de teólogos da Universidade de Paris, eclesiásticos franceses que “tendo feito a escolha política oposta à de Joana, fizeram a priori um juízo negativo sobre a sua pessoa e sobre a sua missão”.
No entender de Bento XVI, faltou aos juízes a “caridade e humildade” de ver em Joana d’Arc “a acção de Deus”, dado que foram “radicalmente incapazes” de compreender a santa e de “ver a beleza da sua alma”.
Joana d’Arc foi condenada como “herege” e enviada para a “morte terrível da fogueira” numa das principais praças de Rouen, mas cerca de 25 anos depois o Papa Calisto III ordenou a revisão do processo judicial, que se concluiu com a declaração de nulidade da condenação.
Esta decisão, afirmou o Papa, realça a “inocência” de Santa Joana d’Arc e a sua “perfeita fidelidade à Igreja”, virtudes que conduziram à sua canonização, em 1920, por Bento XV.

http://www.radiovaticana.org/por/Articolo.asp?c=457230

O PAPA E A CAMISINHA


24 de janeiro de 2011 | 0h 00

Carlos Alberto Di Franco – O Estado de S.Paulo
Papa aprova a camisinha. A manchete correu o mundo e sugeriu uma forte guinada na Igreja Católica. Será? O que, de fato, disse Bento XVI, um papa que surpreende e incomoda? Vamos lá. “Concentrar-se apenas no preservativo equivale a banalizar a sexualidade, e é justamente esta banalização o motivo de tantas pessoas não enxergarem na sexualidade uma expressão do amor, e sim uma espécie de droga, que aplicam a si mesmas”, afirmou o papa. E, a modo de concretização, deu o matiz que alimentou a manchete: “Pode haver certos casos em que o uso do preservativo se justifique, por exemplo, quando uma prostituta usa um profilático. Este pode ser o primeiro passo no sentido de uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade, consciente de que nem tudo está perdido e não se pode fazer tudo aquilo que se deseja”.
As declarações do papa Bento XVI constam de uma entrevista ao jornalista e escritor alemão Peter Seewald. A conversa desembocou no livro A Luz do Mundo, o Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma Conversa com Bento XVI. O comentário sobre o uso da camisinha ganhou as manchetes do mundo inteiro. A contextualização da mídia foi quase unânime: a Igreja mudou e o papa, finalmente, assumiu uma posição produtiva no combate ao avanço da aids.
O papa não mudou. E a Igreja continua a mesma. Explicitou o óbvio: o papa simplesmente lembra que, além de uma desordem sexual, pode haver concomitantemente um risco de atentado contra a vida de outra pessoa, e sem que isso absolva a desordem sexual, que continua a ser uma desordem, pode tornar-se prioritária a obrigação moral de cumprir o quinto mandamento: “Não matarás”.
Como lembrou o jornalista Reinaldo de Azevedo, em seu blog na revista Veja, “o uso da camisinha é um aspecto de uma doutrina maior que diz respeito ao amor e à sexualidade. Pode-se achar errado, contraproducente ou irrealista o pensamento da Igreja, mas não se deve tomar a parte pelo todo. É estúpido afirmar que a Igreja “é contra a camisinha”; esta é tomada apenas como um sinal do que ela considera a banalização do sexo. Mas ainda não se chegou ao essencial”.
“A camisinha”, pondera, “é condenada como a evidência material de uma decisão que é de natureza moral. Para a Igreja, se há uma relação sexual amorosa, entre cônjuges, que convivem num clima de fidelidade e confiança, o preservativo não se explica. “Ah, mas isso também é polêmico!” Pode até ser, mas a polêmica é outra. É estúpido afirmar que a opinião da Igreja sobre a camisinha contribui para disseminar a aids pela simples e óbvia razão de que, seguidas as suas recomendações, a transmissão do vírus pela via sexual seria zero.”
“O que não é aceitável é que os indivíduos se esqueçam da Igreja ao ignorar a castidade antes do casamento e a fidelidade no matrimônio para argumentar que seguiram a sua recomendação só na hora de evitar a camisinha. Essa falácia lógica é repetida mundo afora por inimigos da Igreja e comprada pelo jornalismo sem questionamento”, conclui Azevedo.
É patente que, na hora atual, vivemos numa encruzilhada histórica em que são incontáveis os que parecem andar pela vida sem norte nem rumo, entre as areias movediças do relativismo e os nevoeiros do niilismo. O papa tem plena consciência dessa situação e, em vez de sentir a tentação daqueles teólogos que aspiram aos afagos do mundo para dele receberem diploma de “modernos” e “progressistas”, entrega a vida pela verdade que pode resgatar este mundo, sem se importar minimamente com que o chamem de retrógrado, conservador e desatualizado.
Recusa-se o papa a aceitar a nova “cultura da morte”, a do aborto, a do infanticídio, a da eutanásia. E, igualmente, a cultura da morte do amor entre o homem e a mulher, da destruição do casamento e da família, minados pela idolatria do prazer sexual espanado. Por isso denuncia sem tréguas a cultura hedonista, que, além de matar os inocentes incômodos, leva cada vez mais jovens ao afundamento pessoal no abismo do álcool, das drogas e da depressão psicológica de uma vida sem sentido.
Ou será que querem um papa que deixe de ser cristão para ser mais bem aceito? Pretendem que, perante esse deslizamento do mundo para baixo, com a glorificação de todas as aberrações ideológicas e morais, o papa exerça a sua missão acompanhando a descida, cedendo a tudo e se limitando a um vago programa socioecológico, a belos discursos de paz e amor e a um ecumenismo em que todos os equívocos se possam abraçar e congraçar, porque ninguém acreditaria mais em coisa alguma, a não ser em “viver bem”?
E os católicos? E os jovens católicos que vibram com o papa e depois seguem a onda da cultura hedonista? O que dizer desses católicos? Não há aí um fracasso?
Uma resposta válida, mas excessivamente simplista, seria dizer que são filhos do seu tempo. Uma resposta mais profunda exige algo mais, ainda que seja penoso recordá-lo. Várias gerações de jovens católicos foram traídas por muitos daqueles que, detendo a autoridade educativa na Igreja (padres, bispos e cardeais), se deixaram enfeitiçar pela embriaguez da “modernidade” e, no anseio de “dialogar com o mundo moderno”, a única coisa que fizeram foi capitular diante dos equívocos do mundo e deixar os jovens a eles confiados mergulhados num mar de incertezas. Esqueceram que a juventude, capaz de vibrar com desafios exigentes, é refratária às propostas de um cristianismo light.
O ímã do papado, do atual e de todos, reside, como disse alguém, num enigma: o papa, como tal, representa não, em primeiro lugar, um grande entre os grandes da Terra, mas o único homem no qual milhões de pessoas veem um vínculo direto com Deus, o vigário de Cristo na Terra. Esse é, de fato, o cerne do fenômeno. Por isso o papa será sempre manchete de capa.
DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR 

FRATERNIDADE S. PIO X : “MAGISTRAL DECLARAÇÃO DE CISMA” ?


 

Resposta do IBP a proibicao das missas Motu Proprio pela Fraternidade‏

Posições contraditórias e ambíguas na Fraternidade São Pio X

pela redação de Disputationes Theologicae
Os votos do Padre de Cacqueray para 2011: “Não vão à Missa do motu proprio”

Com um certo escândalo, lemos as recentíssimas proposições do Padre Régis de Cacqueray (o superior do distrito da França, o maior e mais prestigioso da Fraternidade São Pio X), sobre a assistência à Missa de São Pio V, celebrada por sacerdotes canonicamente reconhecidos pela Santa Sé. Este sacerdote, cuja influencia e muito grande sobre os fieis e que e muito estimado pelos seus superiores, ao ponto de ser encarregado de um dos papéis mais importantes da instituição, exprime-se, no seu texto de votos para o ano novo de 2011, com os termos que se seguem: “Para sermos completos sobre esse assunto (falava sobre a importância de assistir à Missa tradicional, mesmo se for difícil encontrá-la), devemos ainda citar as outras Missas de São Pio V, celebradas com o favor dos indultos sucessivos, e por último com o motu proprio. É verdade que nós desaconselhamos a frequencia a elas” [1]. Não se deveria, segundo ele, frequentar os sacramentos distribuídos por aqueles que defendem posições diferentes daquelas da Fraternidade, embora afirme ao mesmo tempo que, no atual clima de espera de um acordo canônico iminente, seria oportuno que os padres diocesanos se aproximassem do rito tradicional… sem, porém, poder contar – ja que ele o desaconselha – com a presença dos fiéis da Fraternidade.

É difícil dizer o quanto há de “teológico” nessas afirmações, e quanto de “ideológico” ou de “partidarismo”. Qualquer que seja a intenção do Padre de Cacqueray, o problema continua a ser como ele dizia a respeito do anúncio da reunião de Assis em outubro próximo, “o perigo que resulta para as almas”. Note-se que a frase do abbé de Caqueray, ainda que gravemente escandalosa, não vem acompanhada de nenhuma justificação teológica, e muito menos de uma rigorosa exposição dos pressupostos de tal afirmação, nem das suas consequências. Todavia, a impressao de um raciocionio tipo “Petite Eglise” não deixara de ser percebida pelo leitor prudente.

Uma argumentação bem estruturada

Por outro lado, o pensamento de um outro teólogo da Fraternidade, o Padre Mérel (antigo professor na Ecône, e com cargos agora no distrito da França) é mais profundo especulativamente, e mais estruturado teologicamente. Num artigo [2] que ficou célebre – foi publicado em muitas ocasiões em revistas locais da Fraternidade a partir de 2008 -, e que possivelmente tenha inspirado as declarações mais vagas do seu superior, exprime-se ele em termos teológicos acessíveis mas extremamente bem construídos. O discurso é simples: a missa de São Pio V, em si, é boa. Entretanto, assistir à Missa de São Pio V nem sempre é bom, depende das circunstâncias. Até aqui, ainda se poderia estar de acordo. Todavia, o abbé Mérel prossegue afirmando que, onde a Missa tradicional fosse celebrada por um sacerdote da Ecclesia Dei, não seria bom participar dela. De fato, pode-se fazer mal uso de uma coisa boa, diz o autor. Com o rum – o exemplo é do texto -, que é uma coisa boa em si, alguem pode se embriagar e portanto pecar. Quais seriam, portanto, as circunstâncias que tornariam má a participação da Missa? Continua o abbé Mérel: “E preciso nao assistir à Missa dos ‘ralliés’ (com esse termo, entendam-se os “traidores”, que dependem da Ecclesia Dei e não da Fraternidade – alusão ao “ralliement” dos catolicos franceses a Republica no pontificado de Leão XIII) [3], porque eles se submetem à hierarquia conciliar”. Continua: “a missa de um padre ‘rallié’ (traduz-se “vendido” / “traidor”) é a Missa de um padre que, ao menos oficialmente, obedece o bispo local e o Papa (…), um padre que, obedecendo as autoridades liberais e modernistas, vai, necessariamente, se desviar, um padre que, no fim das contas, trai tudo o que fez Mons. Lefebvre, trai as almas, engana-as”.

O autor não esquece as questões pastorais, embora secundárias na economia do discurso: diz, por exemplo, que o fiel encontrará, nas igrejas dos “ralliés”, publicações cheias de erros, que poderiam perturbá-lo, ou ouvirá pregações pouco ortodoxas, feitas, durante a Missa tradicional, por um padre que tradicional não é, ou conviverá com “fiéis menos formados na fé”, arriscando, em contato com eles, “deixar-se atrair”. O Padre Mérel, porém, com o talento que o distingue, dá a verdadeira razão teológica, que fundamenta seu discurso: nao e um argumento individual e circunstancial, que diria respeito aos padres que pregam “mal”; e um argumento universal que diz respeito a todos os padres “rallies”, sem excecao: o padre canonicamente submetido a Roma, “não está numa posição justa na Igreja. Não está em regra com Deus”. E conclui: “não se pode nunca desagradar a Deus, estas missas não são para nós!”. E se, por razões excepcionais, se devesse assistir às Missas dos Institutos “Ecclesia Dei”, dever-se-ia “abster-se de comungar”, diz ainda o autor, a fim de mostrar ostensivamente uma resistência passiva. Ele aplica portanto neste caso, a mesma assistência, prevista pelos moralistas, a um rito protestante ou greco-cismático.

Em resumo, assistir a Missa ditas por um sacerdote que não adere às posições da Fraternidade é um pecado, é algo que “desagrada a Deus”, e isso em razão do ministro. Se não se deve, pois, participar, não e apenas por causa das homilias heterodoxas, fator variável e secundário, mas em razão do simples fato de o celebrante estar submetido a uma autoridade à qual não se deve senão resistir, sob pena de pecado. Destaquemos que o autor não assume o risco que declarar lícita a assistência às Missas sem homilia; seria obrigado a admitir que o sacramento é válido e lícito, e não oferece perigo de contaminar a fé dos fiéis; por outro lado, não quer proibir a participação das Missas dos padres da Fraternidade que sustentam teses perigosas para a fé. É a submissão a Roma que, sozinha, faz com que não se possa comungar na missa: o termo medio do raciocinio e que todo padre que se encontra nessa situacao se omite de resistir a Roma.

Uma magistral declaração de cisma

O artigo do Padre Mérel é uma magistral declaração de cisma, ainda que, do ponto de vista do autor, o pecado de cisma (ou de heresia, ou ambos, o texto não o especifica) parece ser mais imputável ao Papa e àqueles que se Lhe submetem. A hierarquia católica teria, no seu conjunto, cometido o pecado de afastar-se da verdade, e, portanto, não se poderia entrar em comunhão com ela nos sacramentos, mesmo se o rito é tradicional. Esse texto foi escrito no verão de 2008, para indicar aos fiéis como comportar-se depois do motu proprio. O mesmo Motu proprio que fora pedido ao Papa pelas autoridades da Fraternidade, que, para isso, pediram aos fieis que rezassem um milhão de rosários.

Para sermos completos, digamos que não é completamente falso o que disse o Padre de Cacqueray, que às vezes pode ser desaconselhado assistir a uma Missa. Poderia ser o caso, ainda em missas tradicionais, quando o significado teológico da Missa de sempre é gravemente deformado ou mesmo simplesmente reduzido – como às vezes acontece – a um puro fenômeno teatral, que acaba por juntar incenso, sedas preciosas e homilias heterodoxas. Mas é insustentável que o princípio deva aplicar-se universalmente a todas as Missas dos que estão canonicamente submetidos ao Papa: uma tal ruptura da communicatio in sacris, com aqueles que nao subscrevem as posições da Fraternidade, não é nada mais que a aplicação prática de uma teoria cismática. Quando São Tomás de Aquino fala de cisma, distingue dois modos decometer esse pecado. O primeiro é a separação da autoridade eclesiástica, o segundo é a recusa de comungar “in sacris” com outras partes da Igreja [4]. Esse último também é nada menos que despedaçar o Corpo Místico de Cristo.

Enfim, caso se creia necessário, afirmamos que estar submedidos a uma autoridade de direta instituição divina, como a do Papa, não significa, de modo algum, submeter publicamente a inteligência a tudo aquilo que tal autoridade sustenta, ou dá a entender, ou parece aprovar, quando fala como teólogo privado, ou age como pessoa privada. Essa não é a doutrina católica do Primado, nem o Pontífice reinante jamais reclamou semelhante submissão. De fato, ainda que se possa conceder que uma certa fatia do tradicionalismo costuma, com servilismo e escarso senso teológico, dogmatizar até às vírgular as afirmações de qualquer autoridade eclesiástica, ainda que somente local, deve-se reconhecer honestamente que esse fenômeno não é, de modo algum, universal. Pelo contrário, afirmar que, necessáriamente, pelo simples fato da obediência canônica, peca-se contra a fé, por omissão de defesa da verdade revelada, é não apenas uma mentira e um engano aos fiéis, mas até um absurdo teológico. Pois isso significaria dizer que a autoridade suprema tornou-se formalmente herética, e, com ela, todos os que se lhe submetem visivelmente, pelo próprio fato de submeter-se.

A Fraternidade, se não quer incorrer em pecado de cisma, deve reconhecer que ela já está submetida visivelmente ao Papa, tanto quanto qualquer padre diocesano. Ontologicamente, a submissão da Fraternidade à autoridade eclesiástica não difere daquela de todos os outros Institutos, tradicionais ou não. Permanece, todavia, um problema canônico, que deve ser resolvido o mais breve possível, por que, de fato, no perdurar desse estado anormal há o perigo de conduzir alguns dos seus membros a posições teológicas gravemente errôneas. Os artigos citados o confirmam.

As incoerências de uma política ambigua

Acrescentemos que, se é natural e compreensível que os sacerdotes da Fraternidade queiram continuar fiéis aos princípios do próprio fundador, também é bom e moralmente necessário ser coerentes nas próprias declarações públicas. Ora, a tese que combatemos acima, pois teologicamente insustentável, torna tambem impossivel o prosseguimento das discussoes em curso entre a Fraternidade e a Santa Sé, mas também uma clara vontade de manter essa situacao de exclusao mutua, sem  comungar nem mesmo nos sacrementos celebrados em rito tradicional. De fato, se, para comungar in sacris com o Papa e necessário esperar o acordo doutrinario, com o qual a Santa Sé adotara a posição da Fraternidade, então será necessário ter a coerencia de afirmar coerência de afirmar que, atualmente, a hierarquia católica está ao menos próxima da heresia e do cisma, tanto que se justifique uma escolha tão grave. Tertium non datur.

Mas se, pelo contrário, o acordo canonico e possível e, mesmo, iminente, segundo os termos do próprio Dom Fellay, e se o Superior Geral da Fraternidade procedesse efetivamente a esse acordo canônico – mesmo mantendo publicamente as reservas expressas sobre o projeto da reunião interreligiosa de Assis e o desacordo com certas escolhas do Papa – o Padre de Cacqueray desaconselhará os “seus” fiéis de assistir as Missas dos padres da Fraternidade e de  receber a comunhão das mãos de Dom Fellay, uma vez concluido esse acordo “pratico”? A coerência entre as afirmacoes desses dois importantes responsáveis pela obra fundada por Dom Lefebvre é pelo menos difícil de compreender: parece mais o reflexo de uma política ambígua. Nos ja exprimimos aqui nossa firme convicção da oportunidade de um acordo canônico, que exatamente não pretenda ser “doutrinario”. Do ponto de vista dogmático, de fato, é absurda a ideia de um acordo “doutrinario”, ao qual o Vigário de Cristo deveria se submeter. Do ponto de vista prático, os fatos demonstram que é ilusorio querer resolver em poucas linhas ou em alguns episódicos encontros entre especialistas, a complexidade da atual situação da Igreja, e, com ela, os problemas levantados por alguns textos magisteriais. Não é, porém, absurdo – nem teologicamente, nem prudencialmente – reconhecer canonicamente a autoridade de Pedro, salvaguardando uma autonomia no debate teológico sobre alguns pontos de perplexidade.

Estamos prontos para publicar aqui, se necessário, qualquer correção ou esclarecimento que, sobre a questão, provier dos legítimos superiores da Fraternidade São Pio X, e a tornar pública uma eventual retificação, ou reserva em relacao aos textos discutidos aqui. Esperamos ainda, de nossa parte, uma clara resposta à pergunta sobre o cumprimento do preceito dominical por um fiel que assista a uma Missa da Fraternidade São Pedro, e receba a comunhao de um sacerdote do Instituto do Bom Pastor, do Cristo-Rei, ou de uma diocese qualquer: o fiel comete com isso um pecado?

A Fraternidade São Pio X, que não pode ser acusada de laxismo, sempre soube dar as explicacoes necessarias, e às vezes punir seus padres com firmeza, quando as opiniões de um membro ou de outro contrastavam com a linha geral. Se as opiniões do tipo “Petite Eglise”, hoje abertamente sustentadas por alguns dos seus sacerdotes, não são compartilhadas pela Fraternidade, com a mesma firmeza se deveria desmenti-las publicamente. Caso contrário, dever-se-a concluir que as ambiguidades sao mantidas voluntariamente.

Tradução de Giulio C. Gequelim
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