ENQUANTO ISSO, PREPARANDO ASSIS….

 

 

Anglicanos honram cardeal Kasper com Cruz de Lambeth

Prelado afirma que Europa precisa de nova guia espiritual

LONDRES, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O ex-presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos foi homenageado pelo arcebispo anglicano da Cantuária, com um jantar e com a concessão da Cruz de Lambeth.
Rowan Williams ofereceu um jantar em homenagem ao cardeal Walter Kasper no último dia 20, com o apoio do clube Nikean, associação ecumênica da Igreja da Inglaterra.
À noite, o cardeal foi condecorado com a Cruz de Lambeth, concedida a líderes religiosos que prestaram serviços excepcionais à causa da unidade dos cristãos, especialmente em comunhão com os anglicanos.
Em um discurso naquela noite, Kasper expressou “minha profunda gratidão e minha alta consideração” pelo arcebispo e seus colaboradores, “que sempre foram muito prestativos com os oficiais do Conselho Pontifício”.
O prelado destacou que, durante a visita que o Papa Bento XVI fez ao Reino Unido em setembro de 2010, o Pontífice “foi bem recebido por Sua Majestade a Rainha, pelo arcebispo da Cantuária, pelo governo e especialmente pelas pessoas, tanto anglicanas como católicas”.
“Sabemos que a unidade da Igreja não é um fim em si – disse ele -, mas ajuda a cumprir a missão da Igreja, que consiste em difundir o Evangelho e seus valores em um mundo que precisa muito deles, a fim de proporcionar mais justiça, liberdade e paz.”
“De modo particular – acrescentou o cardeal -, o nosso velho continente, com sua grande herança cultural, mas também uma confusa desorientação espiritual, precisa de uma nova guia espiritual e uma nova evangelização.”
“Somente juntos podemos e devemos tentar fazer isso, da forma mais unida possível”, disse ele.
O cardeal Kasper também afirmou: “É nossa responsabilidade comum cumprir a última vontade do Senhor: ‘Que todos sejam um, para que o mundo creia'”.
Ele assegurou a seus ouvintes que “o Santo Padre, o meu sucessor no Conselho Pontifício e a Igreja Católica Romana como um todo têm a vontade e a determinação, mais do que nunca, de continuar neste caminho de diálogo sincero, que começamos depois do Concílio Vaticano II, há quase 50 anos”.
Desafios
O prelado reconheceu alguns dos problemas enfrentados por este diálogo: em primeiro lugar, na definição de “o que é ser a única Igreja de Cristo entre as muitas igrejas?”.
E acrescentou: “O que significa perceber que esta catolicidade, em si mesma não confessional, abrange todo o significado original?”.
“Sabemos que isso envolve a questão da primazia – disse o cardeal -, que para ambos não é uma coisa simples, porque isso, além das questões teológicas que surgem, está profundamente enraizado na consciência deste país, na sua história e também nas nossas convicções católicas.”
O prelado destacou um segundo desafio: “Como nos aproximamos, com a nossa mensagem, desta mentalidade moderna ou pós-moderna em nossa sociedade ocidental, secularizada e pluralista?”.
“Aqui surgem os problemas éticos e pastorais, e nossa fidelidade à mensagem do Evangelho é desafiada”, afirmou, reconhecendo o esforço por definir a “fidelidade muito além do fundamentalismo e do liberalismo”.
Estas “não são questões fáceis – disse -, mas, para o bem de nosso povo, não podemos nos permitir ceder”.
Acrescentou que “é nosso dever fazer o nosso melhor para encontrar respostas comuns; esta é a nossa intenção no novo começo da terceira fase das discussões da nossa Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana”.
O cardeal exprimiu sua esperança com relação ao “crescimento e aumento da cooperação ecumênica e espiritual entre grupos e comunidades de diferentes igrejas, em suas orações diárias e reuniões, em que leem a Bíblia juntos, trocando experiências espirituais e orando juntos”.
“O ecumenismo não está morto – concluiu; está vivo e está entrando numa nova e promissora fase da sua história.”