FSSPX e ROMA : FRACASSO DOS COLÓQUIOS

O fracasso dos colóquios doutrinários com a Fraternidade São Pio X e a questão de um “ordinariato tradicional”

 

A Comissão Teológica da Fraternidade São Pio X no balcão do Santo Ofício

                                                                                                                 Pe. Carusi

Os colóquios doutrinários entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X – isso já não é  segredo para ninguém – estão longe de caminhar no sentido esperado. Os tons entusiastas se apagaram e as belas esperanças parecem definitivamente ultrapassadas, de um lado como de outro. Nos corredores do Vaticano, reapareceu uma expressão que não se ouvia há muito tempo: alguns dizem que “a Fraternidade é um cisma, eles estão fora da Igreja”. E, no entanto, depois de dois anos de discussões regulares, vai ser preciso encontrar uma maneira de sair disso com a cabeça erguida. As soluções possíveis não são muitas e aquela que parece a mais plausível é que, antes do verão, Roma proporá a Dom Fellay que assine um documento, assinatura que será acompanhada da proposta de uma estrutura canônica ideal: a de um ordinariato pessoal com isenção em relação aos bispos diocesanos.

As discussões já duram dois anos agora, mas os esclarecimentos doutrinários e magisteriais sobre o Concílio e o pós-Concílio não avançaram uma vírgula. Entre mil declarações, não se sabe nem mesmo, ainda hoje, se Dom Fellay já aceitou o Concílio, a fim de obter o levantamento das excomunhões: não somente a carta que pedia essa revogação da condenação – embora esta tenha sido acertada, de forma bilateral – nunca foi integralmente publicada, mas dois textos diferentes circulam ainda (sem que ninguém se escandalize disso). No primeiro texto, os quatro Bispos afirmam aceitar todos os Concílios até o Vaticano II, com certas reservas, enquanto na segunda versão, distribuída aos fiéis um pouco mais tarde, eles afirmam, ao contrário, reconhecer apenas os Concílios até o Vaticano I. Roma também não publicou até agora a versão oficial da carta em sua integridade, o que seria, no entanto, um bom ponto de partida para que as posições respectivas sejam conhecidas, sem mal entendidos. Mas no momento prefere-se – dos dois lados – falar de discussões doutrinárias “de alto nível”.

Foi a Fraternidade que pediu encontros doutrinários, dos quais deveria sair uma solução aos problemas criados pelo Concílio Vaticano II. De dois anos para cá, ela aposta na alta, ignorando as propostas de Roma, propostas que não eram tão inaceitáveis como se diz: a Fraternidade não quis se contentar com tornar-se um organismo canônico sui iuris com a liberdade de discutir teologicamente sobre certas dificuldades da teologia moderna (e sua influência sobre certos atos oficiais não infalíveis) e a faculdade de celebrar exclusivamente a “Missa gregoriana”. Não, ela pretendeu bem mais, ela quis que Roma se comprometesse no terreno teológico: a Sé de Pedro deveria ter mesmo reconhecido publicamente seus erros diante de seus inferiores, como condição prévia a qualquer eventualidade de um acordo prático. Assim, há dois anos, a Fraternidade alimenta a hostilidade entre seus próprios padres e fiéis, apresentando qualquer acordo que precedesse uma conversão de Roma como uma traição da Fé. Essa política levou a certos resultados – desejados ou não, não é nosso papel julgar – mas é um fato que em 2011 há na Fraternidade mais hostilidade a um acordo que em 2001, logo depois do Ano Santo.

Em 2009 apareceu o projeto dos colóquios doutrinários entre os dois partidos, como quando na Idade Média se afrontavam os partidários de Duns Scoto e os tomistas, mas desta vez, no maior segredo. A Fraternidade se apressou, no entanto, em lembrar que “sobre a verdade não se negocia: não haverá nenhum compromisso”. E ela escolheu seus representantes por um critério que parece mais o da rigidez austera que o da afabilidade diplomática… e os teólogos de Ecône atravessam então os Alpes, em várias ocasiões, para ajudar Roma a se converter. “Nós não vamos a Roma para fazer um acordo, pois não há acordo a fazer entre a verdade e o erro. Roma deve se converter. E quando ela se tiver convertido, aí os obstáculos a um acordo canônico terão desaparecido”. O próprio Dom Fellay nunca se distanciou claramente de tais declarações, cujos autores eram aqueles que ele tinha pessoalmente escolhido para discutir “respeitosamente” com a Sé Apostólica.

Roma, nesse momento, cedeu em relação a essa agenda e se engajou nesses debates teológicos, com intenções mais diplomáticas que científicas, compreende-se facilmente. A conseqüência, que todos podem agora constatar, é que o conjunto da problemática do rito tradicional, e da Tradição em geral, se concentrou sobre o único “caso” da Fraternidade São Pio X, em lugar de consistir em uma ajuda concreta para apoiar canonicamente os que estavam já reconhecidos… O que teria como conseqüência  encorajar, com isso mesmo, a Fraternidade a fazer um processo semelhante. Tal concentração do problema, no fundo,  é aliás menos exigente para Roma, que pode tratar a coisa como se fosse apenas uma desacordo com um grupo de cismáticos turbulentos. Dessa decisão, que traduz todo um estado de espírito, segue-se entretanto, do ponto de vista prático, um desequilíbrio completamente insensato, segundo o qual a ComissãoEcclesia Dei e juntamente todos os que dependem dela, no lugar de ser reforçada e confirmada em suas prerrogativas e sua autoridade,  encontrou-se reduzida a um simples órgão da Congregação para a Doutrina da Fé,  e cuja atividade parece se limitar a favorecer o sucesso dos encontros com a São Pio X, ou mais exatamente, com os mais intransigentes da Fraternidade. Entenda quem puder, mas o resultado é grotesco: toda a “questão tradicional” é hoje suspensa aos caprichos da ala dura da Fraternidade. E os bispos podem tranquilamente não se sentir implicados pelo problema, pois é preciso esperar, dizem eles, que Roma regule definitivamente essa questão.  Ao ponto em que o Osservatore Romano, por exemplo, se permita por em dúvida a ortodoxia dos institutos dependentes da Ecclesia Dei, jogando sobre esses – e sobre ela – o descrédito. A situação está portanto, hoje, ligada às futuras escolhas de Dom Fellay, que após haver desacreditado a solução prática, se encontra assim mestre da situação, bloqueando com isso o desenvolvimento de todos os “traidores” como eles dizem com desprezo, que escolheram se reportar a Roma e que assim naufragaram no terrível “pecado de acordismo”.

A situação, no fim das contas, é um pouco como a de certas guerras infames, em que os mercenários dão tiros de canhão, explodem pontes, ferem o inimigo e depois se retiram para a montanha, deixando os civis à mercê das inevitáveis represálias. A Fraternidade São Pio X atira para matar, de cima das muralhas de sua total independência diante de toda autoridade eclesiástica, em particular a dos bispos.  E seus altivos feitos de armas não tem outras conseqüências que as represálias sobre os Institutos Ecclesia Dei , os quais – devido à escolha que fizeram  – são afinal os únicos vulneráveis, para a maior alegria dos primeiros, que os observam do alto de suas fortalezas. Mas Roma temporiza, sem se preocupar em ajudar os seus, e as respostas são sempre as mesmas: “é preciso ter paciência”, “não é o momento de dar garantias canônicas aos Institutos Ecclesia Dei”… a urgência, para eles, está em outro lugar.

Estamos, portanto, no fim dessas discussões, dois anos passados. Houve conversações, textos e refeições quase simpáticas, mas, evidentemente, nenhuma solução. Nem uns nem outros se converteram. A Santa Sé queria de todo jeito que os textos do Concílio fossem interpretados à luz da Tradição, no sentido de uma evolução homogênea; os outros sustentam, ao contrário, que certas passagens são definitivamente heréticas (ou concedem eles, favens haeresim) e que é preciso, portanto, excluí-las do Magistério, e com elas todo o Concílio que as adotou. Esta seria uma condição sine qua non anterior a qualquer acordo: contentar-se em exprimir reservas teológicas, remetendo o julgamento final à Santa Sé – como fez o Bom Pastor – seria uma traição. Os conteúdos heréticos seriam numerosos, mas jamais uma lista de textos problemáticos foi exposta de maneira definitiva. No fundo, mesmo a Fraternidade sabe disso, os textos em questão pecam bem mais por suas ambigüidades do que por suas heresias. Mas para admiti-lo, seria preciso que eles aceitassem ser taxados de “liberalismo” por sua própria ala dura, segundo o vocabulário que eles mesmos adotaram, adaptando-o à situação.

O fim dos debates não trouxe, porém, nenhuma aproximação: os “romanos” deixam escapar que os teólogos da Fraternidade não tem nível para discutir e que sua formação neotomista os fossilizou nos anos 30. A acusação não carece certamente de fundamento, mas é uma forma um pouco rápida, rápida demais, para evitar de ter que enfrentar os verdadeiros problemas que afligem a Igreja há quarenta anos. Do lado de Ecône, acusam-se os teólogos romanos de estarem de tal forma impregnados de “Nova Teologia” que todas as suas fórmulas, mesmo as mais tradicionais, nunca são aceitáveis já que podem sempre esconder, sob termos acima de qualquer censura, noções traiçoeiramente modernistas… o que as torna tanto mais perigosas. Maneira desonesta igualmente de evitar toda verdadeira confrontação – mesmo que esse julgamento contenha algo de verdade – mas que lhes permite passar, com baixo custo, por defensores sem falhas da ortodoxia.

Chega-se, desta forma, a um impasse por ter pretendido obter uma solução “doutrinária”, em lugar de se contentar de pedir garantias realistas, para poder serenamente realizar o que Dom Lefebvre – de uma maneira bem mais sábia e ponderada – tinha definido como “a experiência da Tradição”. Quis-se fazer mais que o necessário, quis-se “converter Roma”. E agora que Roma não quer se deixar converter, chega-se à beira de uma ruptura, ruptura à qual se dará evidentemente o nome reluzente de “doutrinária”, mas que será, de fato, apenas o resultado de um grave erro de orgulho e de imprudência.

A Santa Sé vai propor, portanto, à Fraternidade um ordinariato pessoal (ou algo equivalente), para tentar sair desse impasse. Então ela deverá escolher, e terá somente duas alternativas, tanto uma quanto a outra melhores do que a terceira, que é aquela do equívoco contínuo.

No primeiro caso, a Fraternidade aceitará o estatuto canônico que lhe é proposto. Sem renegar as justas batalhas que conduziu no passado, ela deverá então definitivamente se separar de certa mentalidade sedevacantista ou galicana, e das tendências de “Pequena Igreja” que ela arrasta após si. Ela deverá também entrar em um novo estado de espírito, no qual os bispos diocesanos não devem ser sistematicamente tratados com desprezo, como se eles fossem automaticamente inimigos da Igreja, somente porque celebram a Missa de Paulo VI. Infelizmente, os últimos acontecimentos na França e as declarações desconcertantes de vários superiores da Fraternidade levam a crer que já é tarde demais para esperar essa mudança de tom. Como quer que seja, isso consistiria em aceitar o acordo prático, ou “canônico” se se prefere, mas em situação bem mais problemática que ontem, à força de ter puxado a corda em todos os sentidos.

Na segunda hipótese, a Fraternidade recusará as proposições do Soberano Pontífice, invocando uma explicação ideal: é impossível chegar a qualquer acordo doutrinário sobre os textos do Concílio. Mas então Dom Fellay deverá, por dever de justiça e por amor da verdade, assumir as responsabilidades de suas escolhas e reconhecer que tal acordo doutrinário – que na época Roma não tinha lhe pedido – fracassou e tornou, por causa de suas próprias exigências, a situação atual bem mais complexa do que era anos atrás. Tal escolha teria, ainda assim, um aspecto positivo: acabar com as ambigüidades e com a linguagem dúplice. Essa seria a posição mais coerente com os últimos posicionamentos no interior da Fraternidade, que após o anúncio de Assis III, da beatificação de João Paulo II e das declarações do Papa sobre o preservativo, gritam escandalizados e afirmam que a conversão exigida de Roma não se realizou. As coisas se tornariam, nesse caso, mais claras: aquele que quiser permanecer “romano” saberá finalmente o que fazer e não lhe restará outra alternativa que abandonar a Fraternidade às elucubrações sem fim de um zelo inoportuno. Roma dirá que a Fraternidade abandonou definitivamente a Igreja e já está se falando nos últimos dias, em Roma, de atitude cismática. Mas lamentar-se de um cisma não será fácil, quando de fato nunca se tornou possível, de maneira segura e serena, a experiência da Tradição, já que ela nem mesmo foi seriamente tentada com os organismos existentes. A fraqueza de Roma, é verdade, tornou-se crônica, ao ponto que uma norma aplicativa para o Motu Proprio, que deveria sair em janeiro de 2008, fará possivelmente sua aparição na primavera de 2011… mas ao mesmo tempo se esboçam faraônicos projetos de acordo com a ala dura da Fraternidade, quando não se consegue nem  mesmo defender aqueles que já realizaram tal acordo.  Quando se deixa expulsar de uma diocese um Instituto tradicional reconhecido, pela única razão de que um padre ousou ensinar um pouco de catecismo a algumas crianças; quando o “plano pastoral diocesano” prefere confiar uma paróquia a um grupo de leigos antes que a um padre de batina “porque esse seria assimilado aos lefebvristas”;  quando os grupos estáveis são submetidos a contínuas pressões e interrogatórios que os obrigam a adotar atitudes que eles não aceitam em consciência, a fim de obter (ou por medo de perder) uma “concessão” sempre instável – tudo isso no silêncio geral – fica cada vez mais difícil explicar a pais, a seminaristas e a padres que eles devem abandonar a posição, em certo sentido bem mais confortável e mais fácil, representada pela Fraternidade São Pio X.

Roma deve tomar a iniciativa e não mais aceitar a imposição de uma linha de conduta pelos planos de Dom Fellay. Não está se pedindo o impossível, pede-se apenas a possibilidade de fazer séria, tranqüila e livremente o que Dom Lefebvre chamava “a experiência da Tradição”. Que Roma dê ao menos essa possibilidade àqueles que querem fazê-lo, sob a autoridade do Papa! Aquele que quer combater pelo bem da Igreja é bem vindo: se a Fraternidade se sente envolvida, todos esperam, pela Igreja, seu apoio. Mas é o Vigário de Cristo, e ele apenas, que recebeu de seu Divino Fundador os instrumentos necessários para “salvar a Igreja” na crise que ela atravessa. E não há necessidade, para salvar o “navio que faz água por todos os lados”, daqueles que se acreditam indispensáveis. Mesmo em nosso dever de respeitar antes de tudo o primado da verdade, é sempre a Igreja que nos salva e não é para nós, por mais inflexíveis e puros que possamos ser, o papel de “salvar a Igreja”.
Quinta-feira, 31 de março de 2011

TRADUÇÃO: MONTFORT

HAVERÁ LUGAR PARA TODOS NA BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II




Organização desmente que se criou “situação de emergência” e incentiva a participar


ROMA, terça-feira, 29 de março de 2011 (ZENIT.org) – “Roma está pronta para acolher todos os peregrinos que quiserem vir: temos disponibilidade de lugares, assim como todas as cidades perto de Roma.”
Estas foram as palavras de Dom Liberio Andreatta, na apresentação operacional dos eventos relacionados à beatificação de João Paulo II. A reunião foi realizada na sede do Vicariato de Roma, com a presença de significativas autoridades civis, desmentindo assim as vozes que anunciavam uma situação de emergência.
Para se deslocar dentro Roma, o bilhete dos peregrinos permitirá utilizar o transporte público gratuitamente durante os três dias; o metrô funcionará 22 horas por dia (exceto das 2h às 4h).
Para chegar à capital, serão utilizados os trens, os mesmos que em dia úteis transportam milhares de pessoas, só que, nesses dias, sem o fluxo de trabalhadores. Haverá também uma “noite branca” de igrejas e locais de entrega de pacotes com alimentos.
“Esta será uma demonstração de como João Paulo II é amado”, disse Dom Andreatta, que precisou: “Escolheu-se o dia 1º de maio, domingo ‘in Albis’, porque é dedicado à Misericórdia Divina, porque ele quis santificar Santa Faustina e porque morreu logo depois das vésperas da Festa da Divina Misericórdia.”
Os três eventos relativos à beatificação são:
– A vigília no ‘Circus Maximus’, em 30 de abril, presidida pelo cardeal Agostino Valli, organizada pela diocese de Roma e à qual Bento XVI participará por meio de uma conexão de vídeo. Será possível entrar enquanto houver espaço e não se precisará de ingressos ou tickets.
– A Missa da beatificação de João Paulo II, em 1º de maio, às 10h, presidida pelo Santo Padre. Depois, na basílica de São Pedro, no altar da Confissão, será aberta a veneração dos restos mortais de João Paulo II, até o final da fila de fiéis.
– A Missa de Ação de Graças, na segunda-feira, 2 de maio, em São Pedro. O evento conclusivo será presidido pelo secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone.
Durante a coletiva de imprensa, foi reiterado várias vezes que não haverá tickets para entrar no ‘Circus Maximus’ nem em São Pedro. Ninguém pode, portanto, vender bilhetes de entrada para os eventos.
A organização do evento foi confiada à Obra Romana de Peregrinações (ORP), que preparará, no ‘Circus Maximus’, o sistema de vídeo, áudio e palco para a celebração da vigília, que estará conectada, pela internet, a cinco santuários do mundo.
As áreas periféricas de São Pedro serão equipadas com telões: Castel Sant’Angelo, Via della Conciliazione, Piazza Risorgimento e outros lugares, tudo gerido por 2.500 voluntários.
Também serão distribuídos pacotes com alimentos; a ‘Nestlé’ doou um milhão de garrafas de água. Haverá um kit de informações, com passeios na região do Lácio, que estão relacionados com a vida de João Paulo II, além de serviços de cuidados à saúde. Serão facilitadas as tarifas de trem, de companhias aéreas, navios etc.
“Os custos, ao contrário de outras vezes, considerando a difícil situação econômica atual – disse Dom Andreatta -, não pretendem pesar nos balanços das administrações públicas.” E indicou: “Nós sabemos, através da Cáritas, que muitas famílias têm dificuldade para chegar ao final do mês. E embora cada evento traga riqueza, porque a prefeitura acaba recolhendo impostos, o verdadeiro evento é religioso e, portanto, queremos pensar também nessas famílias”.
“O custo estimado é de três ou quatro euros por pessoa. Não se sabe, portanto, o montante total do evento, visto que variará segundo a quantidade de pessoas que vierem a Roma”, disse Dom Andreatta, acrescentando: “No final do evento, será divulgado o orçamento de forma transparente, de modo a saber como os recursos foram utilizados. Tudo faturado e com IVA”.
O Pe. Caesar Atuire, administrador da ORP, reiterou: “Não há nenhuma emergência, há lugares para todos. Venham a Roma, que Roma os acolherá”.
Sobre os preços inflacionados de hotéis, lembrou que assinaram um decálogo ético com a federação hoteleira e as coisas estão voltando ao normal. E reiterou que “ninguém está autorizado a vender ingressos para entrar na Praça de São Pedro nem para outros eventos”.
Atuire recordou que “ninguém será deixado de fora por motivos financeiros; os jovens que não têm como pagar alojamento terão lugares exclusivos para dormir”.
Em relação ao estacionamento, haverá várias áreas em torno de Roma. Assim, o sistema será reforçado com meios de transporte e principal será o trem. Também haverá estacionamentos facilitados para pessoas portadoras de deficiência.
O tempo aconselhado para viver bem o evento, disse o Pe. Atuire, é de três dias.
“Haverá uma organização modular- reiterou -, que permitirá assistir todos os peregrinos que quiserem vir. O número pode mudar e nós estamos prontos.” Estima-se que serão pelo menos 300 mil peregrinos.
Após o evento, se sobrarem fundos das doações recebidas, serão destinados a um refeitório para os desabrigados na área da estação Termini.
Sobre a coincidência com as celebrações de 1º de maio, considerado por alguns como uma data que a Igreja está “roubando” dos trabalhadores, o Pe. Atuire disse que “não existe conflituosidade com o concerto de São João de Latrão, porque a cerimônia será de manhã e o concerto, à tarde”. Ele também lembrou que o dia 1º de maio é a festa de São José Operário e que a palavra “roubo” sugere uma ideologização.
Em 5 de abril, haverá uma coletiva de imprensa institucional, com o conteúdo do evento e alguns novos detalhes.
Sobre a presença de 300 mil peregrinos, considerados poucos com relação aos dois milhões estimados inicialmente, o gerente da ORP considerou que depende também de como são feitos os cálculos, visto que, se forem baseados nos eventos, pode-se chegar até a 1,5 milhão.
Abriu-se, além disso, uma conta em diversos bancos e os doadores não pagarão taxas extras.
Do selo comemorativo se ocupará o Ministério do Desenvolvimento e ele será oficialmente entregue em 29 de abril, junto com a medalha; ambos estão baseados em uma foto de João Paulo II, tirada em 1999.

BENTO XVI, HERÓI MANGÁ



Editor dos quadrinhos explica a ideia para a JMJ

MADRI, quarta-feira, 30 março de 2011 (ZENIT.org) – Os mangás japoneses (segmento de histórias em quadrinhos) são cada vez mais populares, independentemente da idade do leitor, mas seu interesse é notório entre jovens de todo o mundo. Por isso, nos EUA surgiu a iniciativa de contar a vida de Bento XVI em estilo mangá.
Jonathan Lin e ‘Manga Hero’, uma produtora de quadrinhos com sede em San Rafael, Califórnia, baseou duas de suas obras em cenas da Bíblia.


No mês de agosto essa editora levará a Madri um mangá muito especial, especialmente para a Jornada Mundial da Juventude.

O roteiro da história, leva o título de ‘Habemus Papam’, foi escrito por Gabrielle Gniewek, uma estudante da Universidade João Paulo II (‘JP Catholic’), em San Diego, Califórnia. Este centro acadêmico fundado em 2006 propõe encontrar modos de aproximar Cristo da cultura popular, através de diferentes formas de comunicação. Os estudantes da ‘JP Catholic’ formam-se nisso. 

Jonathan Lin, editor do produto, explica que “o objetivo de ‘Habemus Papam’ é apresentar Bento XVI àqueles que ainda não sabem muito sobre ele, salvo que se trata do máximo representante da Igreja católica. Esta breve história reproduz as diferentes vivências do Santo Padre por todo o mundo – especialmente como cardal, trabalhando com seu antecessor João Paulo II, e culminando com o momento em que foi eleito bispo de Roma”.

Por que um mangá? A resposta é clara: “na última década, a popularidade do mangá teve um crescimento assombroso em todo o mundo, e converteu em fãs milhões de crianças e adultos. De fato, é considerado uma das exportações japonesas mais exitosas. O mangá adquiriu uma grande extensão de conteúdos em um grande número de gêneros. Queremos utilizar o mangá como ferramenta para mostrar à juventude e ao mundo uma Igreja sem medo da modernidade e da rápida evolução da cultura. Não duvidamos em usar novas formas midiáticas para nos comunicar com os jovens”. 

As últimas criações da editora foram sobre figuras bíblicas tão sugestivas como Judite e São Paulo. O editor explica que eles representam perfeitamente um herói e uma heroína, “dois personagens célebres que demonstraram seu valor e nobreza, especialmente quando arriscaram ou sacrificaram suas vidas pela fé”.

Habemus Papam será impresso em uma cidade próxima de Madri e todo o projeto será produzido por ‘Manga Hero’.

O editor explica que os quadrinhos serão distribuídos aos participantes da JMJ e em lugares públicos como igrejas, colégios, praças. Espera-se imprimir mais de 300 mil exemplares, em inglês e em espanhol. 

“Que seja uma boa iniciativa e que ensine as pessoas sobre o Santo Padre, assim como da importância, visibilidade e atividade da Igreja na cultura moderna”, disse Jonathan Lin.


VATICANO II: NEM RUPTURA NEM CONTINUIDADE A TODO CUSTO



Apresentados 3 novos livros de pesquisa sobre o Concílio


ROMA, quinta-feira, 31 de março de 2011 (ZENIT.org) – Às vésperas do cinquentenário do Concílio Vaticano II, foi realizada ontem, na Pontifícia Universidade Lateranense, um encontro promovido pelo Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano II, intitulado “Rumo ao 50º aniversário da abertura do Concílio. De Pio XII a João Paulo II”.
No ateneu romano foram apresentados três livros pelo Centro de Estudos: “A herança do magistério de Pio XII”, “A Igreja croata e o Concílio Vaticano II” e “João Paulo II e o Concílio. Um desafio e um dever”.
O reitor da Pontifícia Universidade, Dom Enrico Dal Covo, disse que “estes três livros contribuirão para um estudo mais aprofundado, e se inserem no que é o compromisso do centro de estudos”.
Ou seja, trata-se de “promover uma nova síntese interpretativa do Concílio Ecumênico Vaticano II, que possa superar a paralisia de interpretação ou hermenêutica parcial, seja de uma parte desequilibrada totalmente sobre a descontinuidade, seja da outra parte, que insiste na maneira única e unilateral na continuidade”.
Portanto, explicou o bispo, “trata-se de recuperar, com um paciente trabalho histórico de documentação, todos os elementos para poder ir além dessa paralisia”.
Os palestrantes foram: Philippe Chenaux, diretor do Centro de Estudos; Dom Bernard Arudura, presidente do Comitê Pontifício de Ciências Históricas; Dom Jure Bogdam, reitor do Pontifício Colégio Croata de São Jerônimo; Gilfredo Marengo, professor do Instituto João Paulo II; e foi lido um texto de Lubomir Zak, vice-decano da Faculdade de Teologia da Lateranense.
Philippe Chenaux disse que “os três livros, muito além dos documentos do Concílio Vaticano II, aprofundam nas fontes locais, como os textos dos padres e teólogos que participaram e conservaram os materiais”.
Isso porque os historiadores muitas vezes conceberam o Concílio como um evento, “mas ele não pode ser reduzido aos 16 documentos aprovados”; portanto, trata-se de “reconstruir um acontecimento histórico, considerando que existe um espírito do Concílio”.
A importância de Pio XII
Cheneaux lembrou que “ler o Concílio como uma ruptura com o passado” é errado como a “hermenêutica da continuidade”, fatos que se encontram na “diferença entre a escola belga” e aquela apegada somente “à letra dos documentos”.
Além disso, porque, do ponto de vista histórico, o Concílio “marca o fim da época da Contrarreforma sem negar a continuidade”, não tanto “porque os homens mudaram, mas o ponto de vista sobre eles”, disse.
Dom Ardura, por sua vez, aprofundou no segundo volume apresentado, que examina a relação com os países da Europa Oriental no Vaticano II, recordando as mudanças históricas, a civilização cristã, a Segunda Guerra Mundial, o comunismo e o período pós-guerra, eventos que levaram Pio XII a se interessar pela questão política e pela harmonia entre fé e cultura.
“Pio XII autorizou, na França, a criação de sacerdotes operários – indicou Arduini -, experiência suspensa em 1954, após o relatório do núncio em Paris, Roncalli”, mas depois permitiu a experiência com a criação da Prelazia da Missão da França.
No percurso histórico também vem a questão da evangelização e do convite aos fiéis a ser anunciadores do Evangelho; a ‘Lumen Gentium’ e o surgimento de conceitos históricos inovadores para a época, sem os quais hoje não se poderia pensar nas relações humanas.
Igreja do Leste
O vice-decano da Faculdade de Teologia, Lubomir Zak, destacou, no texto que foi lido, a contribuição da Igreja no leste europeu, particularmente a da Croácia, e alguns elementos, incluindo a situação política extrema que viviam e que, no entanto, conseguiram participar do Concílio; como, apesar das almas progressistas e conservadoras existentes, promoveram os ensinamentos do Concílio Vaticano II, de forma exemplar.
O vice-decano recordou, no texto, que, após o Concílio, foi verificada uma renovação e que reduzir o Vaticano II a uma ruptura com o passado “era um erro vulgar”.
O volume também mostra como, “com uma concepção positivista e ideológica, não é possível uma interpretação objetiva do Concílio nem uma interpretação eclesialmente compartilhada das suas profundas intuições”, porque “o Concílio foi um dom do Espírito”.
Dom Jure Bogdan, por sua vez, lembrou da participação da Igreja do leste europeu no Concílio e do início da ‘Ostpolitik’ vaticana; da situação da Hungria, Tchecoslováquia, Polônia e do diálogo da Igreja com o mundo contemporâneo.
Também recordou as pressões até o final dos anos 50 contra a Igreja, os seminários maiores e menores e a hierarquia eclesiástica. E como tentaram infiltrar na Igreja através do cavalo de Troia das associações profissionais de sacerdotes, controlada pelas autoridades comunistas.
O livro conta como participaram 28 bispos do Vaticano II, a maioria da Croácia, e suas intervenções nas sessões do Concílio. Também fala da influência do Concílio Vaticano II nos países vizinhos e da vontade de contribuir para a renovação conciliar.
O professor Marengo apresentou o seu volume, indicando que o método buscado foi o de “ter juntos dois registros para manter a distinção, quando fala o Papa e quando fala Karol Wojtyla, mas, ao mesmo tempo, cultivar a interpretação dos atos magisteriais e dos textos anteriores, que são da mesma pessoa e são bases sobre as quais o magistério se enraíza e extrai sua seiva”.
E como palavras tais como “evento, novo Pentecostes, renovação real da Igreja” são fundamentais e explicam como João Paulo II viveu e concebeu o Concílio. Para o Papa polonês, “mais que um ensinamento que deve permanecer na vida da Igreja, o Concílio é a novidade que ele chama de escola do Espírito Santo”.
“Por isso, no sínodo de 1985, ele quis dar a conhecer aos cardeais que não tinham participado do Concílio o espírito do evento.”
Os textos completos dos oradores serão publicados em breve no site da Universidade Lateranense.

NOVO PATRIARCA MARONITA RECEBE ‘COMUNHÃO ECLESIÁSTICA’ DO PAPA


échara Boutros Raï toma posse de sua sede em Bkerké


ROMA, segunda-feira, 28 de março de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI concedeu a ‘Ecclesiastica Communio’, na última sexta-feira, ao 77° de Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Béchara Boutros Raï, eleito pelo Sínodo dos Bispos da Igreja Maronita, em 15 de março, para suceder neste cargo o cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, que, apresentou sua renúncia aos 90 anos.
O novo patriarca, de 71 anos, é originário de Himlaya, uma aldeia montanhosa a leste de Beirute (Líbano), e foi oficialmente designado em uma cerimônia realizada em 25 de março em Bkerké – a 25 km ao norte de Beirute -, onde, desde 1790, encontra-se a residência oficial do patriarca maronita.
“É um motivo de orgulho para a Sua Igreja estar unida, desde o início, ao Sucessor de Pedro – escreveu o Papa na carta de concessão da ‘Ecclesiastica Communio’, em conformidade com o Código de Direito Canônico para as Igrejas Orientais. Pedro foi chamado por Jesus para preservar a unidade, na verdade e no amor à sua única Igreja. Seguindo uma antiga e bela tradição, o nome de Pedro é adicionado ao do Patriarca.”
Na carta, o Papa fez votos de que o novo patriarca tenha “todo o ardor, iluminado pela sabedoria, configurado pela prudência, para guiar a Igreja Maronita. Adornada pela glória de São Maron e dos santos libaneses São Charbel, São Nimatullah, santa Rafqa o beato Estèphe, poderá sair ao encontro do seu Esposo, nosso Salvador”.
“Que o Senhor o assista em seu ministério de ‘Pai e de Cabeça’ – continuou Bento XVI -, para proclamar a Palavra que salva, para que seja vivida e celebrada com misericórdia, de acordo com as antigas tradições espirituais e litúrgicas da Igreja Maronita. Que todos os fiéis que lhe foram confiados encontrem consolo em sua solicitude paternal!”
A Igreja Maronita é uma comunidade ‘sui iuris’ dentro da Igreja Católica; sempre esteve em comunhão com Roma, embora mantendo uma liturgia e um calendário próprios: celebra a sua liturgia em árabe, exceto nos cânticos antigos e nas orações ancestrais da Eucaristia, para as quais usa o aramaico.
Foi fundada por São Maron, que viveu entre os séculos IV e V como eremita, nas montanhas de Taurus, perto de Cirrus – uma cidade antiga no norte da Síria – e em vida ganhou fama como milagreiro e gozou de uma grande reputação como diretor espiritual.
Hoje, a Igreja Maronita possui mais de 3 milhões de fiéis e está presente no Líbano, Síria, Egito, Terra Santa, e nos países da diáspora, como Argentina e Austrália.

PAPA ALEMÃO NO MONUMENTO ÀS VÍTIMAS DO NAZISMO EM ROMA

Acompanhado pelo rabino-chefe de Roma

ROMA, segunda-feira, 28 de março de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI, o Papa alemão, visitou ontem as Fossas Adreatinas de Roma para recordar as 335 vítimas fuziladas pela SS de Hitler 67 anos atrás, em plena ocupação da Cidade Eterna, em retaliação a um ataque contra 33 soldados alemães da resistência italiana.
Convidado pela Associação Nacional das Famílias Italianas do Memorial dos Mártires da Liberdade da Pátria, o Pontífice – como tinham feito João Paulo II (em 1982) e Paulo VI (1965) -, quis lembrar, neste mausoléu, “memorial doloroso do mal mais horrendo”, as vítimas da barbárie nazista e recordar que todos, independentemente da religião, são irmãos, pois são filhos de um mesmo Pai.

“O que aconteceu aqui em 24 de março de 1944 é uma gravíssima ofensa a Deus, porque é uma violência deliberada do homem contra o homem. É o efeito mais execrável da guerra, de toda guerra, enquanto Deus é vida, paz, comunhão”, denunciou.
O Papa havia colocado, pouco antes, rosas vermelhas diante do monumento às vítimas e, ao visitar os túmulos, recolheu-se em oração. Durante a visita, ele foi acompanhado pelo rabino-chefe de Roma, Riccardo Segni, e pelo cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, cujo pai foi morto no massacre.
“Eu vim para confiar à Divina Misericórdia, a única que pode preencher os vazios, os vórtices abertos pelos homens, quando, conduzidos pela violência cega, negam a sua dignidade como filhos de Deus e irmãos uns dos outros”, disse ele em um emocionado discurso, inspirado por escritos e grafites de pessoas que foram torturadas pelos nazistas.
“É preciso acreditar no Deus do amor e da vida e rejeitar qualquer falsa imagem de Deus, que trai o seu santo nome e, portanto, trai o homem, feito à Sua imagem”, disse ele.
Por esta razão, “a verdadeira resposta é segurar as mãos uns dos outros, como irmãos, e dizer: Pai nosso, nós acreditamos em vós e, com a força do vosso amor, queremos caminhar juntos, em paz, em Roma, na Itália, na Europa, em todo o mundo. Amém”, concluiu.
Depois, o rabino-chefe de Roma rezou em hebraico o Salmo 129, “De Profundis”, e o Papa rezou o Salmo 23, “O Bom Pastor”, e fez esta oração a Deus Pai: “Nós vos pedimos pelos nossos irmãos que neste lugar foram assassinados sem piedade: concedei-lhes que possam sempre desfrutar da luz e de paz para do vosso reino”.
Depois de sair do mausoléu, Bento XVI assinou o Livro de Ouro, escrevendo em latim: “Não temerei mal algum, porque tu estás comigo”, precisamente uma frase do Salmo 23.

BENTO XVI: “SE TU CONHECESSES O DOM DE DEUS”




Reflexão sobre a samaritana no Ângelus 

CIDADE DO VATICANO, domingo, 27 de março de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI pronunciou hoje, antes de rezar o Ângelus com milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.
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Queridos irmãos e irmãs:

O terceiro domingo da Quaresma é caracterizado pelo famoso diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, narrado pelo evangelista João. A mulher ia todo dia tirar água de um poço antigo, que remonta ao patriarca Jacó, e nesse dia ela encontrou Jesus, sentado, “cansado do caminho” (João 4, 6). Santo Agostinho comenta: “Há uma razão para o cansaço de Jesus (…). A força de Cristo te criou; a fraqueza de Cristo te regenerou (…). Com sua força nos criou, com sua fraqueza veio nos buscar” (‘In Ioannis Evangelium’, 15, 2). O cansaço de Jesus, sinal da sua verdadeira humanidade, pode ser visto como um prelúdio à sua Paixão, com a qual Ele levou a cumprimento a obra da nossa redenção. Em particular, no encontro com a samaritana, junto ao poço, surge o tema da “sede” de Cristo, que culmina com o grito na cruz: “Tenho sede” (Jo 19, 28). Certamente, esta sede, como o cansaço, tem um fundamento físico. Mas Jesus, continua dizendo Agostinho, “tinha sede da fé daquela mulher” (‘In Ioannis Evangelium’, 15, 11), assim como da fé de todos nós. Deus Pai o enviou para saciar a nossa sede de vida eterna, dando-nos o seu amor, mas, para oferecer-nos este dom, Jesus pede a nossa fé. A onipotência do Amor respeita sempre a liberdade do homem; toca o seu coração e espera pacientemente pela sua resposta.
No encontro com a samaritana, destaca-se, em primeiro lugar, o símbolo da água, que faz referência clara ao sacramento do Batismo, fonte de vida nova para a fé na Graça de Deus. Este Evangelho, de fato, como recordei na catequese da Quarta-Feira de Cinzas, faz parte do antigo caminho de preparação dos catecúmenos para a iniciação cristã, que tinha lugar na grande Vigília da noite da Páscoa. “Quem beber da água que eu lhe darei – diz Jesus -, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (João 4,14). Esta água representa o Espírito Santo, o “dom” por excelência que Jesus veio trazer da parte Deus Pai. Quem renasce na água e no Espírito Santo, ou seja, no Batismo, entra em uma relação real com Deus, uma relação filial, e pode adorá-lo “em espírito e em verdade” (Jo 4, 23.24), como continua revelando Jesus à mulher samaritana. Graças ao encontro com Jesus Cristo e ao dom do Espírito Santo, a fé do homem chega ao seu cumprimento, como resposta à plenitude da revelação de Deus.
Cada um de nós pode colocar-se no lugar da mulher samaritana: Jesus espera por nós, especialmente neste tempo quaresmal, para falar ao nosso coração, ao meu coração. Detenhamo-nos, em um momento em silêncio, em nosso quarto, em uma igreja ou em outro lugar retirado. Escutemos sua voz, que nos diz: “Se tu conhecesses o dom de Deus…”. Que a Virgem Maria nos ajude a não perder esta oportunidade, que qual depende a nossa autêntica felicidade.
[Tradução: Aline Banchieri.

©Libreria Editrice Vaticana]

25 de MARÇO – A ANUNCIAÇÃO

Angelus Domini nuntiavit Mariae.
 Et concepit de Spiritu Sancto.
Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum; benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae.
Amen.

SOBRE O BRASÃO DO PAPA E A TIARA




Roma, 21 mai (RV) – Um temperamento simples, espontâneo, mas também decidido. Foi o que descobriu em Bento XVI o Cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, narrando ontem o seu primeiro encontro com Ratzinger após ter sido eleito papa, no qual decidiram juntos os elementos do novo brasão papal. A ocasião foi a apresentação do livro “Benedictus servus servorum dei” do jornalista Giuseppe De Carli.


“Dois dias depois da sua eleição – contou o purpurado –, chamou-me o Padre Georg dizendo que o papa queria falar comigo urgentemente e eu, vista a minha experiência heráldica eclesiástica, imaginei o motivo.” 

“Pediu-me, de fato, para desenhar-lhe o brasão. Antes, porém, me fez ver o seu brasão de cardeal e eu lhe disse que o mesmo apresentava algumas imprecisões. Ficou surpreso e replicou que ninguém jamais lhe havia dito algo do gênero. Perguntou-me em seguida como deveria ser o brasão papal e eu respondi que era ele quem deveria exprimir a sua preferência. Disse que não queria a tiara, típica dos brasões papais, porque representava um poder temporal que estava superado.”

O Cardeal Montezemolo continuou dizendo: “Eu sugeri ao papa inserir no brasão a mitra no lugar da tiara, símbolo episcopal. Depois sugeri também inserir o pálio, símbolo de jurisdição, e ele gostou muito da idéia. Somente no fim, foi o papa a sugerir um símbolo que, creio, ele tinha em mente desde o início, isto é, a concha, símbolo do peregrino”.

A concha, desenhada também sobre a casula que Bento XVI vestiu na primeira missa de pontificado no dia 24 de abril de 2005, recorda a narração do encontro entre Santo Agostinho e uma criança que procurava colocar, com uma concha, toda a água do mar num buraco. Vendo isso, o bispo de Hipona compreendeu como era inútil também o esforço de fazer entrar a infinidade de Deus na limitada mente humana. (SP/BF)
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Caríssimos,
Salve Maria!
É interessante entendermos, um pouco, o significado da Tiara Papal, que longe de ser apenas um adorno a mais, nos fala sobre o Reinado Social, Temporal, Supremo e Universal de Nosso Senhor Jesus Cristo, através de seu Vigário, o Papa. Embora sua Eminência revele o desejo primeiro de Bento XVI em não querer a Tiara em seu Brasão de Armas- e isso aconteceu apenas 2 dias após ele ser eleito o Vigário de Cristo – no ano passado a Tiara Papal voltou à cabeceira do Brasão e, não na forma estilizada, como a de João Paulo II, mas na forma mesmo tradicional, como poderemos ver na  foto abaixo.

 O último a  ser coroado e a usar a tiara foi o Papa Paulo VI. Ele assumiu o Vaticano II que havia sido convocado e aberto por João XXIII. Vieram dias novos e neles o ” aggiornamento”, o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade, entre outras novas idéias….Paulo VI preferiu usar a coroa que lhe foi oferecida pelos milaneses, bem mais simples, desprovida de todo adorno e mais parecida com uma ogiva de foguete do que com uma tiara. Sua feiúra não provinha de sua simplicidade, mas de um mau gosto tremendo….No final do concílio o Papa Paulo VI renuncia ao uso da Tiara. Entra solenemente com ela em suas mãos e a deposita aos pés do crucificado.

João Paulo I, seguindo os passos de Paulo VI, não quis ser coroado e não usou a Tiara, mas não dispensou a Sédia Gestatória, também abandonada por Paulo VI, que começou a entrar a pé, na Basílica de S. Pedro nos os Pontificais.
Fala-se que João Paulo II recebeu de presente dos católicos húngaros uma tiara, mas o Pontífice não quis a coroação,  apenas a cerimônia de entronização e Juramento de Fidelidade.
Ouve-se falar, em Roma, que o Papa Bento XVI voltará, em algum momento, a usar a tiara. Verdade ou mentira..não se sabe…Um amigo nosso que partiu costumava dizer…”ouve-se tanta coisa em Roma…Lá as fontes falam…é preciso está atento às fontes murmurantes…” Isso é bem verdade….
Eu também já andei escutando cada coisa….
…E più non dico!
Pe. Marcélo Tenorio
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A TIARA PAPAL

Tradicionalmente, a palavra “tiara” refere-se a uma espécie de coroa, de forma alta, freqüentemente de forma cônica, afunilada para o lado do cimo, feita de tecido, couro ou metal e ricamente ornamentada. tiara papal(também conhecida como Tiara Tripla ouTriregnum) é uma tiara com três coroas, rematada por um globo encimado por uma cruz, usada pelo Papas como símbolo de sua autoridade e poder específicos e únicos É distinta da mitra , insígnia litúrgica própria dos bispos, portada igualmente pelos Papas.
Originalmente a tiara era uma cobertura cônica, de tecido bem engomado, forrada, sendo que no período gótico o cone de tecido foi substituído pelo de metal. A tiara, portanto, é uma cobertura de cabeça elevada, geralmente de prata, portando três coroas de ouro, terminada em ogiva , quase sempre, sobreposta por um globo e uma cruz. Atrás, como a mitra, há duas ínfulas, que são fitas franjadas caídas sobre a nuca, marcadas cada uma com uma cruz. A forma da tiara variou no decorrer dos séculos, apresentando-se mais ou menos bojuda, com ou sem globo e cruz, e também quanto à posição das ínfulas, mais ou menos centralizadas.

A Origem da tiara Papal:

Há discordância entre os autores, quanto à origem da tiara papal. A maioria deles admite ser a tiara originária do ‘’camelauco’’, uma espécie de barrete frígio, cônico, alto, de tecido branco, à moda frígia, que do oriente passou a Roma, simbolizando a liberdade; sendo que, pelo fim do século IV, foi adotado pelos papas. Não se confirmou, historicamente, a tradicional afirmação de que o Papa Silvestre I recebeu de Constantino I o camelauco, em sinal da liberdade da Igreja.

O certo é que os papas usavam, inicialmente o camelauco, símbolo tradicional de soberania no Oriente, com a intenção de portarem uma peça distinta da mitra dos bispos. A tiara era usada pelos reis da Ásia em ocasiões de paradas, sendo que ordinariamente aqueles usavam também uma espécie de mitra. Estando os romanos acostumados com o título de “Pontifex Maximus” dado à mais alta dignidade da religião, que a partir de César Augusto foi incorporado pelo imperador, os papas buscaram estabelecer um vínculo entre o seu poder e os antigos imperadores romanos, assumindo a cobertura de cabeça dos imperadores romanos do Oriente – os únicos imperadores romanos que então restavam – e adotando a idéia dos reis assírios e persas de um “Rei dos Reis”, ou seja um Imperador.

As três coroas da tiara papal:

Os autores também discordam quanto à afirmação de que Papa teria colocado aprimeira coroa na base da tiara, sendo que alguns dizem ter sido o Símaco; outros, Leão III ou Nicolau I. Muitos historiadores franceses admitem que esta primeira coroa tenha sido colocada em 1130, sob Inocêncio II, como expressão da soberania papal sobre o Patrimônio de São Pedro. Outra corrente afirma que Clóvis, batizado por volta do ano 498, venceu os visigodos, na Batalha de Vouillé, em 507, graças ao apoio recebido de Anastácio, Imperador do Oriente, que lhe nomeou cônsul e lhe concedeu o uso dos ornamentos correspondentes à dignidade de augusto. Na igreja de São Martinho, em Tours, foi revestido destes ornamentos e teve sua fronte cingida por um diadema, o qual ele ofertou em seguida ao Papa Símaco, constituindo este diadema a primeira coroa da tiara papal (Pfeffel, Histoire d’Allemagne, citada por Anquetil, Histoire de France, Paris 1837, título I, p.323). Este gesto de Clóvis ratificou a afirmação de que a primeira coroa atesta que o Papa é pai dos reis. Assim esta cobertura de cabeça passou a se chamar Regnum. O termo tiara é citado pela primeira vez, na biografia do Papa Pascoal II, no Liber Pontificalis, em 1118. Até o final do século XIII, a primeira coroa era um aro denteado e radiante, quando então passou a ser adornada de florões e folhas de acanto.

Em decorrência do conflito entre Filipe, o Belo, e a Santa Sé; em 1301, o Papa Bonifácio VIII acrescenta uma segunda coroa à tiara papal, para simbolizar a superioridade de sua autoridade espiritual em relação à autoridade civil. Passou a tiara aser donominada Biregnum. Quanto à terceira coroa, com a qual a tiara passou a ser denominada Triregnum, os historiadores divergem quanto à data e quem a acrescentou.

Segundo Pfeffel, foi João XXII que a acrescentou e o Grande Dicionário Histórico (Grand Dictionnaire Historique), de Moreri, nas sua sexta edição, dá o Papa Urbano V , e o Dicionário de Expressões e Fábulas, de Brewer (‘’Brewer’s Dictionary of Phrase & Fable’’ – millennium edition) dá como autor deste acréscimo o Papa Bento XI ou Clemente V. Mas, a maioria dos autores admite que, em 1342, o Papa Bento XII acrescenta à tiara sua terceira coroa, para simbolizar a autoridade moral do Papa sobre todos os soberanos civis. Com este ato ele também reafirmou a posse e Avinhão.

As duas ínfulas foram acrescentadas no século XIII, sendo que apenas no início do século XVI foram acrescentados o globo a cruzeta, como se pode ver na tiara de Júlio II. A primeira tiara de metal, surgida no período gótico, causou vicissitudes, em razão do poder temporal que ela representava. Levada para Avinhão, foi reconduzida a Roma, por Gregório XI e, novamente, transferida a Avinhão, por Clemente VII. Passou depois à Espanha, com o antipapa Bento XIII, antes de ser retomada por Martinho V, em 1429, desaparecendo em 1485, quando foi roubada (E. Müntz, La Tiare pontificale du VIIIe au XVIe s. – Mém. de l’Acad. des Inscriptions, 1897).

Durante a época da Revolução e da guerras da Itália, os soldados franceses pilharam muitas tiaras, das quais se perderam os rastros. Restaram entretanto as mais belas: a de Júlio II e de Paulo III.

As tiaras mais antigas foram destruídas, particularmente, a de Júlio II desenhada por Ambrósio Foppa ao custo de duzentos mil ducados, um terço das arrecadações anuais dos Estados Pontifícios, na época em que um pároco recebia vinte e cinco ducados ao ano; e a de São Silvestre Algumas tiaras antigas foram desmanchadas pelos papas outras saqueadas por invasores militares. O Papa Clemente VII mandou fundir todas as tiaras e jóias do papado, em 1527, para reunir os quatrocentos mil ducados pedidos em resgate pelo exército invasor do Imperador Carlos V. O saque realizado pelo exército de Louis Alexandre Berthier, em 1798, subtraiu inúmeras tiaras ao patrimônio dos papas. Demonstrando que a importância da tiara emas pelo que ela representa do que pelo seu valor material, quando Roma estava nas mãos dos franceses, o Papa Pio VII exilado em Veneza, foi coroado a 21 de março de 1800, com uma tiara de papel maché, feita pelas damas da cidade. Em decorrência do Tratado de Tolentino, o Papa Pio VI as entrega em pagamento, conservando apenas a de “papel maché”. Muitas tiaras foram oferecidas aos papas por líderes mundiais e Chefes de Estado, com a rainha Isabel II de Espanha, o kaiser Guilherme II da Alemanha, e o Imperador Francisco José I da Áustria.

Após a concordata, Napoleão oferece uma tiara suntuosa a Pio VII, a chamada “Tiara Napoleônica”, feita com peças das tiaras papais anteriormente pilhadas.

A última tiara usada numa coroação foi a de Paulo VI, que era muito mais cônica que as anteriores, sem jóias e gemas preciosas, e que, seguindo a tradição, foi ofertada ao pontífice eleito pelos fiéis da sua cidade de origem, no caso Milão.
Vinte e duas tiaras papais chegaram aos dias atuais e maioria dela estão em exposição no Vaticano. As mais apreciadas são: a chamada “Tiara Belga” de 1871, a de 1877 e a de 1903.


Simbolismo da tiara papa:

Os autores dão vários significados para as três coroas. Sendo que todos se referem a um triplo poder.

O significado das três coroas evoluiu no decorrer da história. Tradicionalmente,o triplo poder (militar, civil e religioso) era igualmente exprimido por três títulos:
 

  1. Pai de reis
  2. Regente do Mundo
  3. Vigário de Cristo
     
A maioria dos autores assim explicam:
  • A primeira coroa é símbolo do poder da Ordem Sagrada, pelo que o Papa éVigário de Cristo sucessor de São Pedro , nomeando os bispos e sendo, por excelência, o grande Pai da Cristandade.
  • A segunda coroa representa o poder do Jurisdição, em virtude do poder das chaves, ou seja, o de ligar e desligar na terra e no céu.
  • A terceira coroa representa o poder do Magistério, em virtude da infalibilidade papal. Outros autores dizem que as três coroas expressam as três fases da Igreja: militante (na terra), padecente (no purgatório) e triunfante (no céu).

Outra explicação fala das três funções do papa:
  • Sacerdote: (bispo de Roma)
  • Rei: Chefe de Estado soberano
  • Mestre: árbitro e detentor do magistério supremo, dotado de infalibilidade

Ainda temos que o Papa é para os cristãos:
  • Sacerdote soberano
  • Grande juiz
  • Legislador

E por fim, outros dividem as coroas pelos poderes:

Temporal: Chefe de Estado soberano
Espiritual: Chefe da Igreja
Moral: superioridade em relação aos outros poderes do mundo

O uso da tiara papal:


Seu uso sempre foi extra-litúrgico, sendo utilizada na cerimônia de coroação papal e quando o Sumo Pontífice se dirigia e retornava das funções solenes, como por exemplo nas procissões. Era também colocada sobre o lado direito do altar (lado das leituras), nas missas solenes.
Quando usada nas procissões solenes, e quando o Papa era transportado na sede gestatória. Além disso, a tiara era usada nos atos jurídicos solenes, como por exemplo as falas ex cathedra , no uso da infalibilidade papal; e também na tradicional bênção Urbi et Orbi, no Natal e na Páscoa, cerimônias que prescreviam o seu uso.

Desde Clemente V até Paulo VI todos os papas foram corados com a tiara e a usaram como símbolo da sua autoridade, em ocasiões cerimoniais. Os papas não eram limitados a usar somente a sua tiara, sendo que poderiam livremente, usar outras antigas, de seus predecessores, desde que lhes adaptassem o tamanho.

A coroação papal:

O primeiro papa a ser solenemente coroado, depois de sua eleição, foi Nicolau II, em 1059. As primeiras coroações ocorreram na Arquibasílica de São João Latrão. Porém, tradicionalmente, as coroações passaram a ser na Basílica de São Pedro, sendo que algumas ocorreram em Avinhão. Em 1800. Pio VII foi coroado na igreja do mosteiro beneditino de São Jorge, em Veneza. Desde 1823, todas as coroações ocorreram em Roma, sendo que até a metade do século XIX, voltaram a ser realizadas na Arquibasílica de São João Latrão e depois, novamente, em São Pedro. Os papas Leão XIII e Bento XV foram coroados na Capela Sistina. Pio XI foi coroado na frente do altar-mor da basílica vaticana.
Já, os papas Pio IX, Pio XII, João XXIII e Paulo VI foram todos coroados no balcão principal da basílica, para que a multidão da Praça de São Pedro pudesse visualizar a cerimônia. A primeira coroação a ser filmada e transmitida por rádio foi a de Pio X II, que durou seis horas e contou com a presença de diversos reis, príncipes, chefes de Estado.


A cerimômia

A primeira parte da cerimônia, provavelmente, vem da época em que os papas eram combatentes ativos da ordem temporal. A cerimônia de coroação papal, tradicionalmente era celebrada, na Basílica de São Pedro, ou nas suas vizinhanças, era muito semelhante às cerimônias medievais de Constantinopla.
O papa era levado, processionalmente, ao local da coroação, paramentado de com estola rica e ampla capa pluvial, com mitra preciosa na cabeça, sentado na sede gestatória, sob o pálio, seguido por dois ministros que lhe abanavam com os flabelos.Paulo VI foi coroado, estando paramentado como que para a celebração da missa,com a estola, dalmática, casula, fano e o pálio.De acordo com o Pontifical Romano, o Cardeal Proto-Diácono, retira a mitra do papa e, ao colocar a tiara na sua cabeça, diz: “Accipe tiaram tribus coronis ornatam et scias te esse Patrem Principum et Regum, Pastorem Orbis in terra, Vicarium Salvatoris nostri Iesu Christi, cui est honor in saecula saeculorum, Amen” (Recebei a tiara, ornada de três coroas e sabei que sois Pai de Príncipes e Reis, pastor de toda a terra e Vigário de Jesus Cristo, nosso Salvador, a quem é dada toda honra por todos os séculos dos séculos. Amém).

A seguir, um monge se apresenta por três vezes diante do novo Sumo Pontífice para queimar, a seus pés, uma mecha de estopa e lhe falar: “Sancte Pater, sic transit gloria mundi” (Santo Padre, assim passa a glória do mundo). As primeiras menções a este ritual remontam ao século XIII, nos escritos do dominicano Estevão de Bourbon (Étienne de Bourbon). O padre e cronista Adão de Usk fala também desta cerimônia em seu Chronicon, quando da coroação do Papa Inocêncio VII. O rito da queima da estopa é de inspiração bizantina, numa lembrança que ao Imperador também chega a morte. Na coroação papal lembra ao Soberano Pontífice que ele é um homem e deve-se guardar de todo orgulho e vaidade. Isto também é um resquício da antiga prática romana quando da parada triumfal, um escravo ficavam lado à lado com um general, lhe murmurando “Hominem te esse” ( Tu também és mortal).

Como já dito, a coroação ou a entronização com o juramento de fidelidade, apenas, marcam o início do ministério petrino, tendo valor apenas simbólico e não jurídico. Também há outras cerimônias como a tomada de posse do Palácio e da Arquibasílica de São João Latrão e a proclamação das indulgências. Contudo, há de observar que não houve uma abolição oficial da cerimônia de coroação.

A legislação

Apesar de ter doado a sua tiara, o Papa Paulo VI, na Constituição ApostólicaRomano Pontifici Eligendo, de 1975, manteve o rito da coroação, conforme o texto: “Enfim, o Pontífice será coroado pelo Cardeal proto-Diácono e, dentro de um tempo conveniente, tomará posse da patriarcal Arquibasílica Lateranenese, segundo o rito prescrito.Romano Pontifici Eligendo (1975), 92.

Pela legislação atual, promulgada pelo Papa João Paulo II, na sua Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, de 1996, que reviu as regras para a eleição do papa, apenas é citada a cerimônia de inauguração do ministério petrino: “O Pontífice, depois da solene cerimônia de inauguração do Pontificado e dentro de um tempo conveniente, tomará posse da patriarcal Arquibasílica Lateranenese, segundo o rito prescrito.Universi Dominici Gregis (1996), No. 92. Portanto, a terminologia é descritiva, não estabelecendo nenhuma regra quanto à forma da Cerimônia.Todavia, um pontífice eleito tem plenos e máximos poderes, não sendo vinculado a nenhum cerimonial feito pos seus predecessores, sendo livre para escolher como será a cerimônia de início de seu pontificado, coroação ou entronização com juramento de fidelidade.

Cardeal Piacenza pede adoração eucarística pelas vocações‏



Cada diocese precisa de uma capela de adoração dedicada a rezar pelos sacerdotes

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 22 de março de 2011 (ZENIT.org) – O cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação para o Clero, afirma que não se pode subestimar o valor da adoração eucarística, e recomenda que cada diocese tenha uma capela ou santuário para a adoração eucarística, dedicada à oração pelas vocações consagradas e pela santificação do clero.
Isto foi afirmado em uma nota enviada, no último dia 4 de março, a Dom Dominique Rey, bispo de Toulon (França). Este bispo está promovendo uma conferência internacional sobre a adoração eucarística, que será realizada de 20 a 24 de junho, no ‘Salesianum’ de Roma.
“Não podemos subestimar a importância de adorar o Senhor no Santíssimo Sacramento, sabendo que o culto é o maior ato do povo de Deus”, escreve o cardeal.


A este respeito, acrescenta que a adoração eucarística é “um meio eficaz para promover a santificação do clero, a reparação dos pecados e as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa”.

“Com coragem, devemos pedir ao Senhor que envie novos operários para a sua messe”, diz o cardeal Piacenza.

Acrescenta a recomendação de que “em cada diocese haja pelo menos uma igreja, capela ou santuário dedicado à adoração perpétua da Eucaristia, pela intenção específica de promover novas vocações e pela santificação do clero”.

“Um renovado sentido da devoção a Cristo na Eucaristia – conclui o cardeal Piacenza – só pode enriquecer cada aspecto da vida e da missão da Igreja no mundo.”