KAROL WOJTYLA NO CONCÍLIO VATICANO II


Antecedentes Romanos
Karol Wojtyla (18.05.1920 – 02.04.2005) não se ausentava da Polónia, desde 1948, altura em que regressara de Roma, concluídos os seus estudos e o doutoramento na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, conhecida por Angélicum. Durante a sua permanência como estudante em Roma, a figura principal da Faculdade de Teologia doAngélicum era o padre Reginald Garrigou-Lagrange (OP) (1877–1964), indiscutível mestre do neo-escolasticismo tradicional, exigente na sua filosofa e na sua teologia dogmática, participando das acesas controvérsias teológicas que deram origem à encíclica Humani Generis(12.08.1950) de Pio XII (1939-1958).
Garrigou-Lagrange interessava-se também pela mística, especialmente em São João da Cruz. Preocupado com a situação da Igreja no pós-guerra, tentou desenvolver uma nova espiritualidade sacerdotal para uma Europa pós-cristã. O padre Garrigou-Lagrange foi o orientador da tese de doutoramento de Karol Wojtyla, pela qual investigou o entendimento da Fé em São João da Cruz, intitulando-se Doctrina de fide apud S. Joannem a Cruce, ou seja, A Doutrina da Fé segundo São João da Cruz.
Na sua permanência em Roma, Wojtyla também viveu dois anos no Colégio Universitário Belga, onde o ambiente intelectual era ativo, repleto de argumentos sobre a “nouvelle theologie”, associada aos dominicanos Marie-Dominique Chenu (1895-1990) e Yves Congar (1904-1995) e aos Jesuitas Jean Danielou (1905–1974) e Henri de Lubac (1896-1991), os quais mais tarde deram um importante contributo ao Concilio Vaticano II.
Durante o verão de 1947, com a ajuda financeira do Cardeal Sapieha, Wojtyla e o seu amigo Starowieysti viajaram pela Europa: Paris, onde contactaram com os padres operários; Holanda, onde durante, dez dias, admiraram o vigor de comunidade eclesiais extremamente vivas e missionárias; Bélgica, onde durante um mês Wojtyla assumiu uma missão junto dos mineiros católicos, nas proximidades de Charleroi. No regresso a Roma passaram por Ars, recordando aí a vida exemplar do Santo Cura João Maria Vianney.

O Concílio, Experiência Única
Quando o Papa João XXIII (1958-1963) surpreendeu a Igreja e o mundo, no dia 25 de janeiro de 1959, ao anunciar a sua intenção de convocar um concilio ecuménico, Karol Józef Wojtyla era Bispo, titular de Ombi e Vigário Capitular de Cracóvia. Tinha sido consagrado Bispo aos 38 anos, no dia 28 de setembro de 1959, festa de São Vencaslou, patrono da Polónia.
Karol Wojtyla participou em todas as sessões do Concilio Vaticano II e referindo-se posteriormente à sua participação conciliar, sublinhava a grande «dívida» que tinha para com o Vaticano II, pois assumia um «significado único e irrepetível para aqueles que nela tomaram parte».
O Concilio Vaticano II proporcionou a Karol Wojtyla uma nova oportunidade de fazer a experiencia concreta da universalidade da Igreja.
Vindo duma nação eslava que se preparava para celebrar o milénio do seu batismo, viajava para Roma todos os Outonos para as sessões do Concílio que duravam dois meses.
Aí, encontrava-se com Bispos de todo o mundo, alguns dos quais oriundos de Igrejas com apenas cem anos e que debatiam com vigor e perspicácia o futuro do catolicismo.
Karol Wojtyla, vinculado incondicionalmente ao Romano Pontífice e à Cúria Romana, mantinha uma distância crítica face à tentação de ver só «Roma» como a Igreja.
A sua responsabilidade primordial mantinha-se em Cracóvia, Igreja Local de que era pastor. Por isso aproveitou a sua presença regular em Roma durante os quatro Outonos do Concilio para tratar de alguns assuntos referentes à Igreja da sua pátria, como beatificação do Irmão Alberto e da Irmã Faustina Kowalska.
A sua preparação para o Concílio
O bispo Wojtyla tinha respondido, em junho de 1959, à Comissão Pré-Preparatória do Concilio. Na sua resposta, introduziu questões: Qual é, perguntou, a condição humana nos nosso dias? O que esperam da Igreja os homens e as mulheres desta era?
A principal questão de todos os tempos, segundo ele, era a pessoa humana. Ao fim de dois mil anos de cristianismo, o mundo tinha uma pergunta a fazer à Igreja: «O que era o humanismo cristão e o que o distinguia de todos os outros humanismo presentes na modernidade atual? Qual seria a resposta da Igreja ao crescente desespero da modernidade [face] a cada e a toda a existência humana?».
Mais tarde, no Concílio, Wojtyla haveria de sugerir que sempre que o Padre se envolvia com o mundo da cultura ou do trabalho, teria de apresentar «o sagrado de modo adequado aos homens de hoje». Por isso, se requeria que os seminários não fossem «simplesmente escolas profissionais, mas sim verdadeiras academias» que preparassem os Padres para a missão de trabalharem com um crescente e bem instruído número de leigos.
Em outono de 1962, na primeira sessão do Vaticano II, o Bispo Wojtyla veio a participar numa controvérsia teológica sobre como deveria a Igreja entender a relação entre as fontes da revelação divina, ou seja, as Escrituras e a Tradição. Tratava-se de um tema com repercussões ecuménicas, pois segundo a reforma clássica, somente a Escritura é lugar da revelação de Deus. Wojtyla acentuou a autorrevelação de Deus nas Escrituras e na Tradição, pois o próprio Deus é a única fonte de revelação. Deste modo, aplicava-se o seu personalismo ao entendimento de Deus e à relação de Deus com o mundo.
Intervenção Conciliar
No dia 11 de outubro de 1962, devido à sua juventude e ao ministério eclesiástico que assumia, o Bispo titular de Ombi e Vigário Capitular de Cracóvia participou na abertura do Concilio Vaticano II, presidido por João XXIII, num lugar próximo da porta da Basílica de São Pedro, a 150 metros do altar-mor.
Quando na primeira sessão, os Padres Conciliares debateram a renovação da liturgia, Wojtyla fez uma breve intervenção que refletia a sua própria experiência pastoral. Segundo ele, o Ritual do Batismo revisto, devia insistir na obrigação dos pais e padrinhos instruírem a criança na fé.
No debate sobre a natureza e missão da Igreja, Wojtyla fez uma intervenção escrita, no qual propunha também que fosse dada uma noção de maior visibilidade à vocação laical.
Em consonância com a proposta do episcopado polaco, pediu que houvesse um documento conciliar referindo explicitamente a Virgem Maria. O Concilio rejeitou a proposta polaca, devido a razões teológicas e ecuménicas, incorporando a declaração sobre a Virgem Maria na Constituição Dogmática sobre a Igreja.
Na segunda sessão do Concilio, outono de 1963, Wojtyla interveio no debate sobre a Igreja como «Povo de Deus», sugerindo que esta imagem fosse descrita de forma sacramental, em analogia com a Encarnação de Cristo.
Defendeu também na segunda sessão que a causa final da Igreja era a Santidade. Assim, todos os batizados tinham uma vocação para a santidade, a qual não estava reservada aos religiosos e à hierarquia, mas a todos, a quem Cristo «santificou na verdade» para que pudessem ser «enviados … ao mundo» (Jo. 17, 18-19). Para Wojtyla, a santidade, à qual todos fomos chamados, é «uma partilha sublime na própria Santidade da Santíssima Trindade».
Na terceira e na quarta sessões, Karol Wojtyla participou não como Bispo Auxiliar jovem, mas como Arcebispo de Cracóvia.
Na terceira sessão, em outono de 1964, Wojtyla fez uma intervenção escrita, em nome do Episcopado polaco, referindo-se ao lugar que a virgem Maria deveria assumir na Constituição Dogmática sobre a Igreja.Não deveria figurar no último capítulo da Constituição, mas surgir de imediato ao primeiro capítulo, sobre «Mistério da Igreja». Como a virgem Maria alimentou o seu filho, deveria agora alimentar o Corpo Místico de Cristo.
Ainda na terceira sessão, o Arcebispo de Cracóvia foi quase forçado a intervir no debate sobre uma proposta de Decreto acerca do Apostolado dos Leigos. Para ele, a dignidade de todos os cristãos tinha a sua origem no Batismo e não no facto da sua participação em movimentos apostólicos, associações, irmandades, confrarias, entre outras. Neste sentido, recomendou um diálogo dentro da Igreja, entre clero e leigos.
Numa intervenção escrita, sobre a proposta do mesmo decreto, Wojtyla defendeu que a questão de um apostolado revalorizado para os leigos, não consistia em transforma-los em quase clérigos, mas em redescobrir a sua identidade  missionária radicada nos sacramentos da iniciação cristã, fazendo deles autênticos e válidos apóstolos na diversidade do mundo, como a cultura, a empresa, a escola, a política, a comunicação social, o trabalho, pois a sua especificidade reside na secularidade,
Wojtyla participou também no controverso debate sobre a liberdade religiosa, através de uma intervenção oral e duas intervenções escritas, contribuindo com a sua experiência polaca, de país inserido no condicionalismo comunista.
A contribuição mais importante dada pelo Arcebispo de Cracóvia ao Concilio Vaticano II foi a sua envolvência na elaboração da Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno, o esquema XIII como foi chamado durante as primeiras três sessões do concilio. O referido esquema foi projetado pelo Papa João XXIII e por dois dos seus principais promotores, o Cardeal Leo-Josef Suenens (1904-1996), da Bélgica, um dos quatro moderadores do Concilio e o Cardeal Giovanni Battista Montini (26.09.1897-06.08.1978), de Milão, futuro Papa VI (1963-1978). O esquema surgiu entre a primeira e a segunda sessão do Concilio, procurando demonstrar que a Igreja vivia no mundo e desejava ter no seu coração lugar para as alegrias e esperanças, dores e sofrimentos de toda a humanidade.
Na altura em que a terceira sessão do Concilio se encontrava na sua quarta semana, em outubro de 1964, alguns membros influentes da Cúria Romana tentavam que o esquema XIII fosse retirado por completo da agenda do Concilio. Era necessário aproximar a Igreja do mundo moderno e ultrapassar a mentalidade de alguns eclesiásticos com as suas «lamentações sobre o estado miserável do mundo». A Igreja tinha uma proposta a fazer ao mundo moderno e devia anuncia-la com racionalidade e não com moralizações e exortações.
Na quarta e última sessão do Concilio, iniciado no dia 14 de setembro de 1965, começou a elaboração de um outro projeto do esquema XIII. Este último projeto de trabalho constitui os alicerces da Gaudium et Spes e foi elaborado em três longas sessões no inicio de 1965 por uma subcomissão. O Arcebispo Wojtyla participou ativamente em todas as três reuniões, no subgrupo onde se encontravam o Arcebispo Gabriel-Marie Garrone (1901-1994), o teólogo dominicano Yves Congar e os jesuítas Henri De Lubac e Jean Damielou.
O debate sobre a Gaudium et Spes teve início na quarta-feira, dia 22 de setembro de 1965. No dia 28 de setembro, terça-feira, o Arcebispo de Carcóvia proferiu o que alguns consideram o discurso mais memorável do Concilio, fazendo notar que a nova constituição pastoral era «mais uma meditação» do que a declaração de uma doutrina. A sua preocupação principal era a pessoa humana, considerada individualmente, na comunidade e no «plano de todas a criação».
O Concilio Vaticano II foi um amplo “pós-doutoramento” que marcou indelevelmente toda a vida daquele que veio a ser o Bem-aventurado João Paulo II.
( Marcação de texto por Marcel Ozuna, Campo Grande, MS)

“Continua o PT com a tentativa de calar a Igreja?”



Dom Walmor e mais quatro padres daqui de BH intimados a depor pela Polícia Federal… A leitura do texto abaixo vale muito a pena.


Durante a eleição presidencial do ano passado, o Partido dos Trabalhadores tentou silenciar os Bispos católicos que mais abertamente denunciaram os aspectos agressivos à vida dos nascituros, ao matrimonio e à família presentes no programa político e nas práticas de governo da sigla.

Agora, voltamos a sentir o sabor amargo daqueles dias. Hoje, quatro sacerdotes da Arquidiocese de Belo Horizonte foram obrigados a se apresentar nas instalações da Polícia Federal para dar esclarecimentos sobre seu suposto envolvimento na divulgação, durante o período eleitoral do ano passado, do“Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, assinado pela Presidência e pela Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB.

Seis messes depois da eleição Presidencial, quatro sacerdotes, sob acusação de crime eleitoral, são  chamados para depor. E não só isso; além dos presbíteros, todos eles da região central da capital, também recebeu intimação da Polícia Federal o Arcebispo Metropolitano Dom Walmor Oliveira de Azevedo, que respondeu por escrito.

Cabe sinalizar que membros da própria Polícia Federal se mostraram constrangidos por terem sido obrigados a dar curso ao interrogatório dos membros do clero. A acusação de crime eleitoral e a consequente demanda partiram — até onde sabemos — do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores.

Crime eleitoral? Sob qual base? Fundamentados em quê? 

Nem o Arcebispo, nem os quatro sacerdotes ordenaram a divulgação do “Apelo” em sua jurisdição. Mas, ainda que o tivessem feito isso, trata-se de um documento de um órgão da Conferencia Episcopal, devidamente assinado, que contém apenas a enumeração de fatos concretos. 

Então, se o Prelado e os presbíteros tivessem solicitado sua divulgação, não haveriam incorrido em delito nenhum. De fato, o Santo Padre, no seu célebre discurso de 28 de outubro, dirigindo-se aos Prelados do Brasil, confirmou o “grave dever dos bispos de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.

Quanto à legalidade ou ilegalidade do “Apelo”, em 30 de outubro do ano passado a Vice-Procuradora Geral Eleitoral Sandra Cureau apresentou um parecer que qualifica dentro dos marcos da lei o texto e divulgação do Apelo, pois, embora o material recomende votar “somente em candidatos ou candidatas e partidos contrários ao aborto”, seu conteúdo “não pode ser conceituado como propaganda eleitoral, pois não foi elaborado por candidato ou partido político”.

No mesmo parecer, Cureau considera ilegal a tentativa de barrar a divulgação do “Apelo”, já que isso significaria violar vários dispositivos constitucionais e da lei eleitoral que garantem a liberdade de expressão. Na época, uma liminar solicitada pelo Partido dos Trabalhadores, e concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ordenou a apreensão de um milhão de cópias “Apelo”, solicitadas a uma empresa gráfica pela Diocese de Guarulhos. Todavia, os mesmos foram devolvidos depois do parecer da Vice-Procuradora.

Em vista desse antecedente, o que pretende então o Diretório mineiro do PT? Calar a Igreja, amedrontá-la, coagi-la, como tentou fazê-lo o Diretório Nacional durante a eleição Presidencial?  O livro dos Atos dos Apóstolos nos diz que quando Pedro e João foram chamados diante do Sinédrio, que lhes ordenou “que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus”, eles corajosamente responderam “não podemos calar”.

Pois bem, hoje, como ontem, a Igreja não pode se calar, e disso tivemos belos exemplos na eleição passada. Quando há Pastores corajosos dispostos a defender suas ovelhas, se for necessário com a própria vida, então os frutos são muitos, as ovelhas reconhecem o Pastor e a confiança na Igreja 
de Cristo se consolida.

A BELEZA QUE NÃO EXISTE




Por Rodolfo Papa*
ROMA, terça-feira, 1º de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – O que é a beleza? Uma longa tradição filosófica refletiu sobre este tema, buscando a explicação sobre o que é, como os homens a conhecem, como a admiram, aprofundando na experiência comum, que é o ponto de partida de toda boa explicação.
Desta reflexão surge que a capacidade de admirar da beleza, natural ou artística, caracteriza-se por um “prazer” que reúne não somente os sentidos, mas toda a pessoa: emoções e paixões; razão e intelecto; trata-se de um prazer não destinado ao útil – portanto, um prazer pelo prazer: isso é uma vivência do prazer frente a qualquer coisa que se conhece, sem pretender comprá-la, possuí-la, modificá-la.
A beleza tem um vínculo particular com a vista. São Tomás de Aquino, com sua célebre afirmação – “Pulchrum est quod visum placet” (Summa Theologiae, I, q. 5, a. 4, ad 1um) -, indica que do belo importa a apreensão e, de forma especial, o deleite: o belo é “agradável ao conhecimento” (ibid., II-II, q. 27, a. 1, ad 3um), porque o belo exige ser “conhecido”.
A beleza, além disso, tem características constantes, como a harmonia e a regularidade, que o próprio São Tomás afirma com a “integritas sive proportio“, ou a certeza, na “debita proportio sive consonantia“, ou na “claritas“, ou no esplendor corpóreo ou espiritual: a beleza do corpo consiste em ter os membros bem proporcionados (debita proportio), com a luminosidade devida à cor (claritas). A beleza espiritual consiste no fato de que o comportamento e as ações de uma pessoa sejam bem proporcionados (proportio), segundo a luz da razão (claritas) (Ibid., I, q. 39, a. 8, resp.).
Esta definição da beleza, que alguns tacham de intelectualista, constitui a análise racional de experiência comum e geral: confirmando isso, existem diversas buscas de ordem psicológica e antropológica que confirmam como, desde crianças e independentemente da cultura, tende-se a reconhecer como belo e agradável o que é harmônico e proporcionado.
No entanto, nos últimos dez anos, foi-se consolidando uma concepção da beleza separada totalmente do conhecimento sensorial e racional, divorciada do prazer estético e da experiência comum. Trata-se precisamente de um “conceito” de beleza construído por alguns teóricos sem nexo algum com a realidade e com a visão.
Sobre a base deste pressuposto nasceram, ao mesmo tempo, diversas tipologias de arte, implicadas por esta esotérica concepção de beleza (beleza como ausência, como falta de harmonia, como algo estranho…). Nestes “objetos” não se chega a apreciar a beleza de nenhuma das maneiras, mas alguns adeptos destas obras dizem que a beleza está presente.
Acontecem então situações hilariantes, que a meu ver podem ser descritas pela fábula “A roupa nova do imperador”, escrita por Hans Christian Andersen (1805 – 1875). A fábula conta a história de um imperador muito vaidoso que é enganado por dois ladrões que dizem ter um tipo de tecido tão belo que só os estúpidos não podem ver. Assim, eles enganam o imperador com um tecido inexistente, que ele finge ver e admira sua beleza, para não ser considerado estúpido. Pede aos ladrões que confeccionem uma roupa com esse tecido, e todos os dignatários da corte e os cidadãos fingem admirar o traje, pensando que não veem a beleza do tecido porque não são capazes de se deleitar. Só uma criança tem coragem de exclamar que o imperador está nu e só então as pessoas se sentem valentes para crer em seus próprios olhos e reconhecer que não viam nada.
Bem, frequentemente, passeando nas salas de muitos museus de arte contemporânea, veem-se muitos imperadores vaidosos, cortesãos e cidadãos, que fingem admirar uma beleza que parece estar reservada só a mentes superiores, até que alguém, com a inocência dos simples, tem a valentia de dizer que não há absolutamente nada.
* * *
* Rodolfo Papa é historiador da arte, professor de história das teorias estéticas na Universidade Urbaniana, em Roma; presidente da Accademia Urbana delle Arti. Pintor, autor de ciclos pictóricos de arte sacra em várias basílicas e catedrais. Especialista em Leonardo Da Vinci e Caravaggio, é autor de livros e colaborador em revistas.



Utilidades da Ressurreição do Senhor‏


Por Santo Tomás de Aquino


Do mistério da Ressurreição do Senhor podemos tirar quatro ensinamentos para nossa instrução:

1) Primeiro, que devemos nos esforçar para ressurgirmos espiritualmente da morte da alma, contraída pelo pecado, para a vida da justificação que se obtém pela penitência.

Escreve o Apóstolo: “Surge, tu que dormes, ressurge dos mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5, 14).

Esta é a primeira ressurreição da qual nos fala o Apocalipse: “Feliz o que teve parte na primeira ressurreição” (Ap 20, 6).

2) Segundo, que não devemos protelar esta nossa ressurreição da morte, mas realizá-la já, porque Cristo ressuscitou no terceiro dia.
Lê-se: “Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia” (Ecle 5, 8).

Porque estás agravado pela fraqueza, não podes pensar nas coisas da salvação, e porque perdes parte de todos os bens que te são concedidos pela Igreja, incorres em muitos males, perseverando no pecado.

Como disse o Venerável Beda, o diabo, quanto mais tempo possui uma pessoa, tanto mais dificilmente a deixa.

3) Terceiro, que devemos também ressurgir para a vida incorruptível, de modo que não mais morramos, isto é, que devemos perseverar no propósito de não mais pecar. Lê-se na Carta aos Romanos: “Assim também vós vos considereis mortos para o pecado, vivendo para Deus em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo, obedecendo-lhes as concupiscências; não exibais os vossos membros como armas de maldade para o pecado, mas deveis vos exibir a vós mesmos para Deus como vivos que saíram da morte” (Rm 6,9; 11-13).

4) Quarto, que devemos ressurgir para uma vida nova e gloriosa evitando tudo o que antes nos foi ocasião e causa de morte e de pecado. Lê-se na Carta aos Romanos: “Como Cristo ressuscitou de entre os mortos pela glória do Pai, também nós devemos andar na novidade de vida” (Rm 5,4). Esta vida nova é a vida da justiça, que renova a alma e a conduz para a glória. Amém.

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AQUINO, Santo Tomás de; Exposição sobre o Credo. São Paulo: Loyola, 1997, p. 56-57.

Beatificação de João Paulo II é alvo de críticas


VATICANO – João Paulo II não tinha apenas amigos. Alguns setores progressistas católicos não o perdoam por terem sido afastados da Igreja com rigor e consideram que o futuro beato não teve a mesma intransigência para com os padres acusados de abusos sexuais nem com os eclesiásticos que acobertaram tais crimes.
 
Durante sua designação em 1978, Karol Wojtyla chegou a dar um leve sopro de esperança aos meios progressistas: poderia esse papa moderno e caloroso se abrir às ideias surgidas depois de 1968?
 
No entanto, mesmo opondo-se às concepções retrógradas dos tradicionalistas, ele se revelou resistente ao “relativismo”, um homem da defesa da doutrina frente às “derivas” posteriores ao Concílio Vaticano II.
 
Ele viveu a opressão do regime comunista na Polônia e temia sobretudo a influência marxista na Igreja. Estava impregnado das concepções morais conservadoras de sua Igreja eslava.
 
Uma primeira ducha fria caiu rapidamente sobre os progressistas: depois de janeiro de 1979, na conferência dos bispos latino-americanos em Puebla, no México, João Paulo II, pedindo sempre por justiça social, desaprova a “Teologia da Libertação” e repudia os bispos “vermelhos”, apesar de seus esforços para criar comunidades de base viva.
 
Uma frente se forma contra ele: o papa é criticado por ser recebido por ditadores. Sua frieza em relação ao bispo progressista de São Salvador, monsenhor 0scar Romero, que seria assassinado em 1980, foi marcante. “Você deve se esforçar para ter uma relação melhor com o governo de seu país”, advertiu João Paulo II a Romero em 1979.
 
Ele pune os teólogos que pediam reformas na Igreja e o abrandamento de sua moral sexual. Pregava castidade, fidelidade, em plena epidemia de Aids na África, recusando o recurso aos preservativos.
 
Movimentos de contestação se formaram como o “Nós somos a Igreja”, exigindo o casamento dos padres e a ordenação de mulheres.
 
Durante o processo de beatificação, teólogos franceses denunciaram também “a oposição tenaz a reconsiderar regras de ética sexual contraditórias, limitadas e insustentáveis”, “a ignorância da expansão do concubinato no clericato”, “a recusa reiterada de um verdadeiro debate sobre a condição das mulheres na Igreja”.
 
A outra frente era a dos tradicionalistas: monsenhor Bernard Fellay, superior da Fraternidade São Pio X, vê no papa uma espécie de anticristo em razão de sua abertura a outras religiões no encontro de Assis em 1986. Segundo ele, a beatificação é um “tsunami” contra a fé.
 
Karol Wojtyla é também criticado por não querer ver os comportamentos criminosos, principalmente de pedofilia, dentro da Igreja, e por não ter tomado medidas firmes quando o escândalo começou a eclodir nos Estados Unidos em 2000.
 
“João Paulo II confiava nos outros e vigiava muito pouco aqueles que o seguiam. Estava tão concentrado na mensagem a ser transmitida que nem sempre governou a Igreja de maneira total”, admite o vaticanista Marco Tosatti.
 
Seu grande apoio ao cardeal austríaco Hans-Hermann Gröer, apesar das acusações de pedofilia, foi muito criticado. Além disso, pesou o fato de não ter dado atenção às primeiras acusações contra o fundador dos Legionários de Cristo, o mexicano Marcial Maciel, recebido em audiência em 2004 e culpado de vários abusos sexuais.
 
“Quando um novo movimento da Igreja, como os Legionários, era capaz de alinhar diante do Papa 80 seminaristas zelosos e obedientes para serem ordenados padres, o Papa pôde apenas aplaudir”, ressalta uma fonte da Igreja. Segundo esta fonte, João Paulo II recusou-se a abordar os escândalos também por temor que fossem calúnias.
 
Karol Wojtyla continuou marcado pelas diversas campanhas lançadas contra a Igreja pelo regime comunista na Polônia do pós-guerra.

 

Frente Parlamentar contra o Aborto reinstalada nesta quarta‏

Deputados reinstalam nesta quarta-feira (27) a Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto. Criado em 2005, o grupo está recebendo adesões.
O evento será acompanhado da realização do 4º Encontro Brasileiro de Legisladores e Governantes pela Vida. Além de parlamentares do Congresso Nacional, o encontro vai reunir governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.
Foram convidados o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representantes de entidades e grupos que trabalham em defesa da vida. A programaçãoinclui o lançamento do livro “Os Fetos Anencéfalos e a Constituição Federal de 1988” , da advogada e professora Patrícia Marques Freitas.
O lançamento da frente ocorrerá às 9 horas, no auditório Nereu Ramos (anexo 2 da Câmara).

RESSURREIÇÃO DE CRISTO: FATO, NÃO ESPECULAÇÃO, DIZ BENTO XVI


Centra sua mensagem pascal no acontecimento que fundamenta o cristianismo

CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de abril de 2011 (ZENIT.org) – Em sua mensagem de Páscoa, Bento XVI quis sublinhar que “a ressurreição de Cristo não é fruto de uma especulação, de uma experiência mística”, mas um fato.
“É um acontecimento, que ultrapassa certamente a história, mas verifica-se num momento concreto da história e deixa nela uma marca indelével”, afirmou o Pontífice depois do meio-dia, ao dirigir-se, da Basílica de São Pedro, aos mais de 70 mil peregrinos que lotavam a praça vaticana.
Mais uma vez, como vem fazendo em cada domingo de ressurreição desde o início do seu pontificado, o Santo Padre destacou o fato histórico no qual o cristianismo encontra seu fundamento.
“Até hoje – mesmo na nossa era de comunicações super tecnológicas – a fé dos cristãos assenta naquele anúncio, no testemunho daquelas irmãs e daqueles irmãos que viram, primeiro, a pedra removida e o túmulo vazio e, depois”, assegurou.
“A luz, que encandeou os guardas de sentinela ao sepulcro de Jesus, atravessou o tempo e o espaço. É uma luz diferente, divina, que fendeu as trevas da morte e trouxe ao mundo o esplendor de Deus, o esplendor da Verdade e do Bem.”
Diante de um autêntico espetáculo de flores, trazidas e ornamentadas por floristas holandeses, o Pontífice continuou sua mensagem pascal afirmando que, “tal como os raios do sol, na primavera, fazem brotar e desabrochar os rebentos nos ramos das árvores, assim também a irradiação que dimana da Ressurreição de Cristo dá força e significado a cada esperança humana, a cada expectativa, desejo, projeto”.
“No Céu, tudo é paz e alegria. Mas, infelizmente, não é assim sobre a terra! Aqui, neste nosso mundo, o aleluia pascal contrasta ainda com os lamentos e gritos que provêm de tantas situações dolorosas: miséria, fome, doenças, guerras, violências”, reconheceu o Santo Padre.
“E, todavia, foi por isto mesmo que Cristo morreu e ressuscitou! Ele morreu também por causa dos nossos pecados de hoje, e também para a redenção da nossa história de hoje Ele ressuscitou”, concluiu, resumindo a mensagem central que os cristãos continuam anunciando, dois mil anos depois daquele acontecimento.
O Santo Padre pronunciou sua mensagem de felicitação pela Páscoa em 65 idiomas.
À tarde, retirou-se à residência pontifícia de Castel Gandolfo e voltará a Roma para presidir a beatificação de João Paulo II, em 1º de maior, domingo da Divina Misericórdia.
Para ler a mensagem de Páscoa de Bento XVI, clique aqui.