Aqui, na íntegra o comentário do Pe. Zezinho sobre a entrevista dada pelo Pe. Marcelo Rossi à Revista Veja. Vale a pena ler.
Pe. Marcélo Tenorio






16/05/2011
A ERA DAS PEQUENAS EMINÊNCIAS

P. Zezinho SCJ



Excelente é mais do que bom. Alguém é excelente quando sua atividade, seus talentos e suas qualidades estão acima da média. Na Igreja Católica dá-se o título de “Excelência” aos bispos. “Eminência” é título dado a dignitários eclesiásticos que se distinguiram em alguma liderança e foram nomeados cardeais. São estes irmãos  chamados cardeais que, por exemplo, elegem o Papa. Eles sabem do seu limite e das exigências da Igreja. A quem mais se confiou deste exige-se mais!...
Nos últimos 30 anos no Brasil, com o crescer da mídia tenho observado outro tipo de eminências. São até excelentes e acima do comum no que fazem, e  certamente  mereceriam reverências e vênias, porque, por seu trabalho na mídia estenderam o púlpito da Igreja. Só por isso já mereceriam aplausos. Quem atua na mídia sabe que não é simples nem fácil manter uma emissora de rádio ou de televisão e atuar nela todos os dias. Quem não atingiu a fama, tendo ou não procurado este destaque, não tem idéia dos meandros e das curvas e ciladas de um microfone, uma câmera ou um palco. E as piores ciladas começam dentro do pregador que acha que é o que não é, e que insiste em chamar os holofotes para a sua pessoa. E pobre de quem ousar fraternalmente chamá-lo às falas ou negar-lhe o espaço que ele acha que pode e merece ocupar... Nem cardeais escolhidos pelo Papa são tão ciosos de seu papel de eminência...
Refiro-me a pelo menos dez entrevistas de teólogos, cantores e padres famosos que nessas últimas décadas foram à grande mídia não católica ou até anti-católica, lavar a roupa suja de seus conflitos contra seu bispos, contra o papa, contra outras pastorais e contra outros padres. Não se contentaram com os foros que há na Igreja para resolver tais diferenças. Deram entrevistas em páginas amarelas de revistas de grande alcance, em programas de grande repercussão na televisão para justificar suas escolhas, seu casamento, sua rebeldia e seu jeito de ser famosos.
Quem leu a revista “Veja” de 17 de abril de 2011 teve ali um triste exemplo de imaturidade e do que significa sentir-se mais eminente do que se é. É o tipo de entrevistas que deveria ser lida e analisada em todos os seminários e movimentos católicos para os futuros pregadores aprenderem como não ser nem fazer quando tiverem nas mãos um microfone. Chega a ser patética...
O ainda jovem, mas ultra-famoso sacerdote que vendeu milhões de discos e livros, vai a público e confessa sua mágoa e indignação, passados quatro anos, contra a diocese e alguns líderes da mesma que, segundo ele, o humilharam e boicotaram, não lhe permitindo o destaque que ele achou que merecia quando o Papa esteve entre nós no Brasil.
Foram palavras dele na entrevista até agora não desautorizada por ele. Culpa aqueles líderes por sua quase depressão, porque negaram-lhe a realização do sonho de estar diante do Papa. Acabaram escolhendo outro e relegando-o a uma atuação secundária, ao amanhecer, em lugar onde havia poucas pessoas. Acusou-os de dor de cotovelo. Por que outros e não ele que fez tanto pela Igreja?... 
Mesmo depois de, mais tarde, haver recebido em Roma um prêmio de excelente evangelizador não se aplacou.  Pela segunda vez diante da grande mídia, ainda magoado disse que interpretava aquele prêmio como “um cala boca” à diocese que não lhe dera o devido destaque na vinda do Papa quatro anos antes, ao Brasil. Em dado momento reclama que dos padres do Brasil apenas um ligou para cumprimentá-lo pelo prêmio. E dá a entender que não precisa do apoio deles... E declara que ainda espera uma manifestação da CNBB por sua conquista... Psicólogos dariam um nome para esse tipo de atitude...
Tudo, dito com realces de que é humilde, não é arrogante, é padre e usa batina; e com ataques pesados aos padres que não usam batina, deixando claro que a batina protege o padre contra o assédio das mulheres... Chega ao ponto de dizer que a batina é a “maior identidade sacerdotal”. Ora, padres e leigos sabem muito bem que o hábito não faz o monge. Confunde uniforme com identidade e identificação com identidade... Vão por aí as diatribes e o desfile de suas mágoas contra o boicote sofrido...   
Mas ele não é o único. Há ex-religiosos famosos que falam contra as ordens e congregações que pagaram seus estudos, dizendo que lá não podiam exercer a caridade nem cuidar de sua família... Outros chamaram a gravadora católica onde começaram de incompetente ou de gravadora de fundo de quintal... E houve quem não hesitou em dizer que no Vaticano foi tratado com truculência. Como ninguém esteve lá para ver, fica a palavra dele contra o Vaticano que não costuma dar esse tipo de entrevistas-resposta aos padres insatisfeitos que atacam suas doutrinas ou disciplinas. Não satisfeitos em discordar, semeiam discórdia!
O fato triste e digno de um debate é que pregadores estão indo à mídia lá fora, lavar a roupa suja de seus conflitos com as autoridades de sua igreja. Não são poucos os que deixam as comunidades religiosas que os formaram para trabalhar como gostam e no que gostam, numa outra diocese. E vão sem a menor culpa. E há os que mudam de diocese, para estar diante de microfones e câmeras, ou para tocar adiante seu projeto pessoal que acham mais importante para a Igreja do que os projetos do grupo religioso onde pronunciaram seu voto de obediência...
Diante das exigências de seu grupo que agora, depois da oportunidade ser eminentes lhes parecem absurdas, simplesmente saem em busca de um púlpito mais aberto às suas aspirações. Talvez estejam certos, talvez não! Mas a ingratidão com que se portam, mostra que escolheram a si mesmos e o seu projeto. Não há retribuição...
O que deve ser objeto de reflexão é a franca disposição de pressionar o bispo, a diocese ou a ordem a reconhecer os seus talentos. Valem-se de todos os meios, inclusive a estratégia de expor para o país inteiro seu conflito pessoal com as dioceses onde atuam.  O bispo, que não é tão famoso, acaba em situação delicada. Não pode falar o que sabe e não pode expor ainda mais o pregador que já se expôs além da conta! O padre queixoso aparece como vítima que até cai em depressão, porque a diocese não reconheceu a sua liderança...
Está tudo claro e sem rodeios nas entrevistas tipo lavanderia!  Na era das eminências que mais do que auto-estima vivem um clima de altíssima estima de si mesmos, um pouco de ascese não faria mal aos futuros comunicadores da fé. Se não forem reconhecidos, com o sem batina o colarinho, mostrem que realmente têm fé e seguem os evangelhos. Perdoem e recolham-se à sua significância que nunca será insignificância, mas que também não pode ser supra-relevância.
Ficar deprimido porque não foi valorizado na vinda do Papa? Um pregador da fé? Não teria sido muito mais cristão manter a boca fechada, solicitar audiência, ir ao líder da diocese e ali derramar suas mágoas? Tinha que ir às páginas amarelas de uma revista que sabidamente não prima em elogiar a Igreja que o ordenou pregador?... Francamente! Institua-se urgentemente nos seminários desde o primeiro ano um curso de Prática e Crítica de Comunicação. É que algumas atuações têm andado abaixo da crítica!...






6 comentário (s):

Marcel disse...

Padre, a tua bênção.

Este texto contém muitas colocações interessantes. Ao mesmo tempo, é uma pena que haja aí certo desdém ao uso de hábito pelos padres (claro que "o hábito não faz o monge", mas o identifica...), bem como uma proposta bem superficial para se resolver o problema do exibicionismo de certos padres - mais que um "Curso de Prática e Crítica de Comunicação", os futuros sacerdotes necessitam aprender espiritualidade sadia, espiritualidade verdadeiramente católica, sem inovação alguma que afete a humildade e a sobriedade esperada de um clérigo.

Guardião disse...

Pe. Marcelo (não Rossi!), a Paz!!

Achei bastante deselegante da parte do Pe Zezinho os comentários tecidos sobre o Pe.M Rossi.

Achei deselegante pelo fato de ambos serem expoentes da música católica brasileira e têem grandes públicos que lhos prestigiam.

Parece-me uma certa pontinha de inveja do mais velho em relação ao mais novo disfarçada de um zelo pela Igreja e pela ortodoxia que ele, Zezinho, de modo algum demonstra. Tal qual o outro, é um modernista contaminado pelo CVII que faz com que seja muito mais cantor que Padre. Tal qual o outro!

E esse é exatamente o problema!! Ambos são expoentes da música...mas não de espiritualidade, de oração, de santidade, de catolicidade, de ortodoxia. Daí vexarem-se em desabafos pieguistas - o Rossi, e críticas pseudo-ortodoxas - o Zezinho. Quanta palhaçada promovida pelos dois!!! Talvez seja algum novo talento.

Talvez se víssemos mais os Padres nas Igrejas, ensinando o Catecismo, confessando, apresentando-se como Padre em todas as ocasiões (inclusive com sua Batina)e menos em cima dos palcos e capas de CDs e DVDs, o povo católico brasileiro seria menos disperso e evasivo...

Em recente declaração Dom Dimas Rezende afirmou que o: "O Cristão que estuda volta a ser católico". Essa afirmação causou furor no meio evangélico, mas é a pura verdade!! O problema é que poucos católicos estudam. E pouco sabem porque o clero - a quem cabe ensinar - não ensina. E não ensina por causa de padres como Zezinho, Rossi, Fábio de Melo e outros que jogam na lama seu sacerdócio trocando-o por musiquetas sentimentaloides e prejudicando a vida de padres que rumam à santidade e que conduzem seus fieis a ela.

Um fraterno abraço
Guardião

Darlan santos disse...

AI Q TUDO OQ ESSE CARA ESCREVEU , NÃO TEM FUNDAMENTO ALGUM ,O FATO DE UM PADRE SER CANTOR NÃO ANULA NELE A CAPACIDADE E AS POSSIBILIDADES DE EVANGELIZAR,MUITO PELO CONTRARIO UM CD OU DVD TEM A CAPACIDADE DE COM SUAS MENSAGENS CHEGAR A LUGARES ONDE A VOZ EM UM MICROFUNE POR MAS ALTO Q ESTEJA NÃO CONSEGUIRIA ALCANÇAR,POR ISSO APOIO SANTO CONCILIA VATICANO SEGUNDO,PADRES CANTORES, QUE CONTINUEM A FAZER OQUE O SALMO 150 FALA:1 Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder!
2 Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza!
3 Louvai-o ao som de trombeta; louvai-o com saltério e com harpa!
4 Louvai-o com adufe e com danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flauta!
5 Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes!
6 Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor.

AO QUE PARECE NEM CONHECIMENTO BIBLICO ESSE CARA QUE ESCREVEU AS BABOZEIRAS A CIMA TEM, ESTUDE QUERIDO ASSIM VOCE SERÁ UM CATOLICO UM DIA.PAZ E BEM ,SHALOM...

Rogério Ribeiro disse...

Boa, José Fernandes!!

Andrade disse...

SÁBIA PALAVRAS, GUARDIÃO!

E ENVIDENTE QUE ALGUNS POUCOS PADRES ESQUECEM DA SUA GRANDE MISSÃO: DIVULGAR A PALAVRA DE CRISTO E SERVIR DE EXEMPLO PARA OUTROS. É EVIDENTE QUE USAR A MÍDIA PARA CUMPRIR ESSA MISSÃO É UMA GRANDE CILADA, AFINAL, O QUE SE VER É QUE ESSES PADRES ESTÃO SE TORNANDO GRANDES ÍDOLOS E TENTANDO OCUPAR O ESPAÇO QUE NÃO É DELES E SIM DO CRIADOR, DEUS PAI.

A HUMILDADE E O AMOR, SEM DÚVIDA, AINDA FALTAM A MUITOS SACERDOTES.

Rachell Lopes de Paula disse...

Estou certa que o próprio Pe. Marcelo lendo este artigo refletiu assim como um irmão ouve e escuta os conselhos e repreensões de seu irmão mais velho. Padre Zezinho é um grande músico católico, precursor de todo este movimento da música católica. Cantamos suas canções nas missas e é uma referencia entre os músicos católicos. Homem sério, neste artigo dá uma chamada aos padres artistas para colocarem os pés no chão e evitarem o deslumbramento que os tornam celebridades ficando a mensagem diluída em meio a tantos programas banais que vemos na tv. Já vi padre sendo humilhado por um apresentador que joga dinheiro na cara das pessoas, dizendo com todas as letras que não gostava de padres. Lamentável! Uma cilada! Outro dia tinha um padre dando uma de DJ tocando um daqueles funks de som de metralhadora para a moçada rebolar...

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