Uma resposta papal ao “ardente desejo” de “diversos fiéis” de “conservar a antiga tradição”: foi assim que, originalmente em 2007, o Papa Bento XVI retomou oficialmente a missa tridentina - em latim e versus Deum. Agora, com uma nova instrução publicada pelo Vaticano no último dia 13 de maio, busca-se “garantir a correta interpretação e a reta aplicação” das disposições de então.
Ambos os documentos - a Carta Apostólica Motu Proprio Summorum Pontificum, de 2007e a instrução Universae Ecclesiae, deste ano - e suas repercussões litúrgicas e teológicas para a vida da Igreja são analisados em um dossiê especial publicado na edição desta semana da IHU On-Line, nº. 363, por teólogos e especialistas em liturgia do Brasil e do exterior.
Com o motu proprio (ou seja, um decreto papal), o Papa Ratzinger promulgou "uma lei para a Igreja universal" para regular o uso da liturgia romana anterior à reforma realizada em 1970, no Concílio Vaticano II. Assim, além de celebrar a missa com o Missal Romano contemporâneo, os “diversos fiéis” – segundo a Instrução – que, "tendo sido formados no espírito das formas litúrgicas precedentes ao Concílio Vaticano II teriam a “faculdade” de assistir a missas celebradas conforme o Missal de Pio V, do século XVI, publicado em 1570, logo após o Concílio de Trento, no contexto da Contrarreforma. De acordo com a instrução, o “ardente desejo” desses fiéis é o de “conservar a antiga tradição”.
Na opinião do filósofo e teólogo italiano Andrea Grillo, especialista em liturgia e pastoral, um dos riscos reais que surgem a partir da publicação da instrução é tornar impossível qualquer pastoral litúrgica. Doutor em teologia pelo Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua e professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, de Roma, Grillo afirma que um “efeito perigosamente desorientador” do documento paira sobre todos os católicos.
Por outro lado, pensar que a missa é melhor em latim é um “declínio à magia, não à reverência ao verdadeiro mistério da Eucaristia”, segundo o jesuíta norte-americanoThomas Reese, membro sênior do Woodstock Theological Center, da Universidade de Georgetown, em Washington, e ex-editor da renomada revista católica norte-americana America. Para Reese, a maioria dos fiéis que abandonam a Igreja o fazem “porque nossas liturgias são chatas e porque não abrimos a Bíblia para nossas congregações de fiéis”. Além da liturgia, o jesuíta também analisa outros documentos recentes do Vaticano e dos bispos dos EUA sobre a pedofilia. “As vítimas de abuso sexual ficaram muito decepcionadas com a nova carta do Vaticano”, por não ser forte o bastante, afirma.
Para o teólogo Erico Hammes, professor da PUC-RS, o caráter positivo da nova instrução sobre a liturgia é o “fato de se admitirem na Igreja, preocupada com a unidade, a multiplicidade de fórmulas”. No entanto, questiona Hammes, mestre e doutor em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana - PUG, em Roma, “não se estaria privilegiando uma determinada forma de espiritualidade e deixando as demais na sombra e na desilusão?”.
Já o teólogo Luiz Carlos Susin afirma que “é espantoso o leque de retorno: tudo pode voltar a antes do Concílio em termos de liturgia, não só a celebração da Eucaristia”. Se as gerações anteriores viveram o sagrado cristão segundo o missal de Pio V, então permanece sagrado “para eles”. Ffrei capuchinho, mestre e doutor em Teologia pelaPontifícia Universidade Gregoriana de RomaItália, e professor da PUC-RS e daEscola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - Estef, em Porto Alegre, Susin questiona ainda: "O que virá depois?. Há uma juventude no interior da Igreja que flutua sem solidez e sem propostas mais realistas apegando-se à estética dos rituais”.

4 comentário (s):

Anônimo disse...

Padre, descobri o seu blog recentemente. Procuro ler os seus textos todos os dias e gosto muito.
O Papa Bento XVI liberou a missa de sempre em 2007, mas até hoje existe resistência não só dos fiéis, mas dos Padres e Bispos. Conheço essa missa apenas por vídeos que vi no youtube. Percebe-se o respeito que todos possuem por Jesus Eucarístico na missa. Ele é o centro da atenção. Hoje o Padre e as bandas barulhentas são os centros das atenções.
Conheço poucas pessoas que gostariam de assistir uma missa tridentina. A maioria diz que isso é passado.
Dentro da Igreja existe o movimento RCC. É praticamente uma outra religião. Já tive a triste oportunidade de assistir a um culto protestante. As diferenças entre a RCC e o protestantismo é miníma. Como convencer essas pessoas que a missa tridentina é a missa de sempre?
Hoje vou poucas vezes à Missa. Fico muito triste com isso. O que me conforta, é saber que ainda existem Padres como você que ainda lutam arduamente pela Igreja, não se deixando levar por lobos uivantes que querem perder um número cada vez maior de almas.
Me desculpa pelo desabafo Padre.

Pedindo a sua Benção, me despeço.

Rogério Melo
Brasília-DF

ANIMAS disse...

Caríssimo Rogério
Salve Maria!
A Igreja enfrenta uma crise jamais vista em sua história: uma crise de fé, como já percebia o papa S. Pio X, ao condenar o Modernismo da firme Encíclica Pascendi.
O importante é que todos nós permaneçamos firmes na Fé Apostolica.
O Papa Bento XVI tem se empenhado, em muito, em atravancar a barca de Pedro nas duas colunas: da Eucaristia e da Virgem Maria, segundo o sonho de D. Bosco. rezemos por ele que parece estar praticamente sozinho.
Quanto a você, não se sinta só. Você tem os testemunhos de todos os santos e o Magistério Infalivel da Igreja.
Que Deus o abençoe sempre
Pe. Marcelo

Marcel disse...

Padre, a tua bênção.

Peço licença para, por meio deste comentário, passar uma dica ao Rogério.


Prezado Rogério,

em Brasília/DF tem Missa Tridentina todos os domingos, às 17 horas, na Capela do Instituto Bíblico de Brasília, situada à Quadra 601, L2 Norte (ao lado da Casa do Clero).

Também no DF tenho excelentes amigos na fé católica, com os quais você poderá trocar excelentes ideias. Por ocasião da Missa no endereço que citei, você poderá procurar o sr. Alexandre Pinheiro, é o senhor calvo e de óculos que dá a aula a seguir:

http://www.youtube.com/watch?v=N2JKu9Yf-dw

O Alexandre também faz um excelente trabalho com a edição de bons livros na Editora Pinus. Pode dizer que eu o indiquei quando for procurá-lo.

Espero tê-lo ajudado em tua busca e manutenção da verdadeira fé católica.


In Christo et Maria,
Marcel Ozuna.

Thiago disse...

Rogério, moro em Brasília-DF, pelo menos uma vez ao mês participo da Missa em sua forma extraordinária no Instituto Bíblico, na L2 norte, todos os domingos às 17h, e nas primeiras sextas do mês, às 19h30!

Só não assisto mais vezes por se longe da minha residência!!

Meu e-mail : thitelles@gmail.com

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