VAI COMEÇAR O PERDÃO DE ASSIS: MEIO-DIA DE 01 DE AGOSTO.

Caríssimos ,
Ao meio dia de amanhã, I de agosto, começará o “Perdão de Assis”, que se estenderá até o entardecer do dia 02 de agosto.
Abaixo o relato do acontecido e as Indulgências da Porciúncula  estendidas à humanidade inteira.
Boa Leitura.
Pe. Marcélo Tenorio



Certa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos. 
Jesus perguntou-lhe:“Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?”

Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.”

“O que pedes Francisco, é um benefício muito grande,”disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”

No dia seguinte, bem cedinho, Francisco acompanhado de Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe:“Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento (naquela época, toda indulgência concedida a uma pessoa, estava ligada à obrigação dessa pessoa fazer uma oferta), a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?”

“Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

“Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

“Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos de seus pecados, em “estado de graça”, confessado e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia de seu batismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

“Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!”

“Senhor, disse o “Poverello”, este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.”

Ouvindo isto o Papa cheio de amor repetiu três vezes:“Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado algum desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá somente durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.”

A “consagração” da Igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Em 9 de Julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4).Significa que, atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em “estado de graça”, visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.

Por outro lado, a Indulgência é “toties quoties”, quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quantas a pessoa desejar, isto é, em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1 de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto.


SOBRE O DOM DAS LÍNGUAS EM SANTO TOMÁS DE AQUINO




Caríssimo Sr. Fábio


Salve Maria!

Li atento seu comentário da matéria “RCC – Origem e Catolicidade”. Não tenho o hábito de responder comentários das postagens, por questão de tempo e de proposta mesmo do nosso blog. Todavia suas considerações foram importantes e uma reflexão sobre as mesmas a partir da doutrina da Igreja, segundo Santo Tomás de Aquino, seria de grande valor, visto que Sua Doutrina é a Doutrina Perfeita, canonizada pela Santa Religião.
O Prof. Eder Silva quis discorrer sobre o assunto e julgo sua colocação perfeita e cabível para a questão em foco.
Abaixo está o seu comentário e depois a doutrina da Igreja comentada pelo Prof. Eder, assim, os leitores terão uma visão melhor e geral do assunto.

Concluíndo, deixo aqui as belas palavras de Pio XI:

” A TODOS QUANTOS AGORA SENTEM SEDE DE VERDADE, DIZEMO-LHES:
   IDE A TOMÁS DE AQUINO.”

Com minha bênção,

Pe. Marcélo Tenorio

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Caríssimo Pe. Marcelo, sua bênção.

De fato, a RCC tem origem protestante e a mantém naquilo que a caracteriza. Tenho, por vezes, conversado com alguns carismáticos, a fim de esclarecer-lhes sobre isto.

Porém, hoje estive lendo um texto do saudoso Prof. Orlando Fedeli

(http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=rcc&artigo=20040812202727&lang=bra), em que ele responde a uma dúvida sobre a dita oração em línguas. E, depois de terminá-lo, vi que algumas questões levantadas pelo rapaz que o indagou não foram respondidas.

Primeiro, o texto enviado pelo rapaz faz uma aproximação da oração em línguas com a tradição apofática da Igreja, que é uma tradição autêntica. Claro que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas objetar-lhe a validade afirmando que em referir-se a algo supra-conceitual está-se a renegar a Fé é faltar com a sinceridade, pelo menos no caso do Professor Orlando que, creio eu, conhecia bem essa tradição da Teologia Negativa.

Mas as questões mesmo que me ficaram foram outras.

Sempre que eu li a respeito, vi que a Igreja considerava o verdadeiro carisma das línguas como um dom dado aos primeiros de falar verdadeiramente outras línguas, mantendo portanto a inteligibilidade, e que a finalidade deste dom era facilitar a difusão do Evangelho em diversos povos.

Quando Paulo diz, porém, que aquele que fala em línguas fala misteriosamente a Deus sem que ninguém o entenda, vi argumentos que diziam que este tipo de linguagem é semelhante, por exemplo, à dos Cânticos dos Cânticos em que se entendem os símbolos mas não se apreende o simbolizado, precisando, para tal, do dom de interpretação, que Paulo cita.

Pois bem. No entanto, na assertiva do rapaz me ficaram umas dúvidas e que ponho logo a seguir:

1- Os carismas autênticos foram sempre dons extraordinários, isto é, não comuns. No entanto, Paulo parece desejar, com relação ao “dom de línguas”, que todos o tenham:

“desejo que todos faleis em línguas” (1Cor 14,4-5)

2- Dizíamos que a oração em línguas nada mais era que falar outra língua realmente existente, como quando um italiano fala japonês. Se assim é, a linguagem mantém seu caráter inteligível. No entanto, Paulo parece fazer uma distinção entre a linguagem e o entendimento: “”Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento (1Cor 14,15)” e “Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto.” (1Cor 14,14)

Por fim, padre, se o senhor tiver tempo de me esclarecer estes pontos, eu gostaria ainda de saber o que se quer dizer precisamente na expressão “gemidos inefáveis”. Li há algum tempo que isso poderia se referir, de novo, à tradição apofática caracterizando talvez o silêncio, uma vez que o inefável é o que não pode ser dito.

Desde já, fico grato.

A sua bênção.

Fábio.



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Caríssimo Padre Marcelo Tenório,
Salve Maria!
Diante das colocações do sr. Fábio, resolvi fazer um comentário não a critério de solução, mas apenas de complemento, visto que o senhor discorreu impecavelmente sobre a questão dos misteriosos “gemidos” carismáticos.  
Permita-me iniciar minha exposição.
Quando se trata das sublimes verdades da Revelação Divina, é preciso recorrer, por prudência, aos magistrais ensinamentos dos doutores da Igreja, especialmente à sabedoria angélica de Santo Tomás.
A explicação do Aquinate sobre o dom de línguas dissolve as dúvidas e estabelece as bases para distinguir o verdadeiro fenômeno sobrenatural da glossolalia dos pseudo-carismas, vulgarizados nos círculos delirantes da Renovação Carismática.
Comentando o Capítulo XIV da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Santo Tomás escreveu:
“Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178).
Esse ensino é comum a todos os doutores que comentaram o referido trecho da carta de São Paulo.
O dom de línguas, largamente concedido aos cristãos do primeiro século da
Igreja, destinava-se a facilitar o anúncio do Evangelho que precisava ser difundido a todos os povos de todas as línguas existentes. Entretanto, como observa o Aquinate, os Coríntios desvirtuaram o verdadeiro sentido desse dom:
“Porém, os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, prefeririam esse dom ao dom da profecia. E aqui, por ‘falar em línguas o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la; esse tal fala em línguas. E também é falar em línguas o falar de visões tão somente, sem explicá-las, de modo que toda locução não entendida, não explicada, qualquer que seja, é propriamente falar em língua” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178-179).
     
Segundo a exposição do ilustre doutor angélico, o falar em línguas pode ser entendido de dois modos:
1) falar em língua desconhecida, porém existente, como sucedeu em Pentecostes, quando São Pedro falou em sua língua e cada um dos presentes entendeu na sua língua pátria.      
2) pregação ou oração sobre visões ou símbolos.
Essa doutrina é confirmada pelo Aquinate:
“Suponhamos que eu vá até vós falando em línguas (I Cor 14,6). O qual pode entender-se de duas maneiras, isto é, ou em línguas desconhecidas, ou a letra com qualquer símbolos desconhecidos” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 173).
Por sua clareza inconfundível, a primeira forma de falar em línguas dispensa comentários, visto que consiste em falar, miraculosamente, uma língua existente sem nunca tê-la estudado.        
Consideremos, portanto, o segundo modo, que consiste numa simples predicação com linguagem pouco clara, como acontece quando se fala sobre símbolos ou visões em forma de parábolas.
Esclarece São Tomás:  
“[…] se se fala em línguas, ou seja, sobre visões, sonhos […] (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).
Continua:
[lhes falarei] “‘Em línguas estranhas’, isto é, lhes falarei obscura e em forma de parábolas […] por figuras e com lábios […]” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 200).
Segundo a doutrina puríssima de Santo Tomás, quem usa de símbolos nos exercícios espirituais, lucra o mérito da prática de um ato de piedade. Mas, se compreende racionalmente os símbolos que profere durante a ação, lucra, além do mérito da boa obra, o fruto da compreensão intelectual de uma verdade espiritual.   
Quando alguém reza a oração do Pai Nosso sem compreender o profundo significado das petições que pronuncia, ganha o mérito da boa ação de rezar. Mas, aquele que reza compreendendo o sentido do que diz, lucra duplamente, isto é, o mérito da ação e o mérito da compreensão de uma verdade espiritual. Por esta razão São Paulo exorta aos que “falam em línguas” (no sentido de usar símbolos em seus atos de piedade) para que peçam o dom de interpretá-las, isto é, de compreender aquilo que diz de modo simbólico, a fim de lucrarem juntamente com a boa ação, o entendimento daquilo que piedosamente executam.   
Quanto ao uso público dessas línguas estranhas, o Apóstolo estabelece que não se as use quando não houver intérprete para explicar os símbolos para os que não conseguem atingir sua clara compreensão.
Em seus comentários sobre o versículo em que São Pauloadverte para que, durante o culto público, não se fale em línguas mais que dois ou três, São Tomás ensina que a leitura da Epístola e do Evangelho na Missa, são formas de falar em línguas que a Igreja manteve do período apostólico, fato diametralmente oposto ao que ocorre nas histerias pentecostais.
Eis as palavras do Aquinate:
“É de notar-se que este costume até agora […] se conserva na Igreja. Por que as leituras, epístola e evangelho temos em lugar das línguas, e por isso na missa falam dois […] as coisas que pertencem aos dom de línguas, isto é, a Epístola e o Evangelho” (comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).
A interpretação dessas línguas – estranhas ao povo simples – ocorre na Missa após a leitura da Epístola e do Evangelho, quando o padre faz o sermão explicando os símbolos contidos nos textos sagrados que foram lidos.
Nisto consiste o “falar em línguas”, segundo a autoridade indiscutível de Santo Tomás. E, partindo desta teologia absolutamente segura, porque reconhecida pela Igreja, não há como admitir a confusão desordenada de sons, freqüentes nos cultos pentecostais da Renovação Carismática. Ao contrário, quem examina os escritos dos pais da Igreja sobre o assunto, é levado a concluir que os fenômenos de línguas que ocorrem na RCC são de origem diabólica, e não divina, como se pensa e defende.
E para respaldar essa afirmação, confirmamo-la com os próprios dizeres dos padres da Igreja.
No século II da era cristã, Santo Irineu condenou um herege chamado Marcos que profetizava sob influência demoníaca, seduzindo mulheres que, de modo semelhante ao que ocorre nas reuniões pentecostais, passavam a emitir sons confusos:
“Então, ela, de maneira vã, imobilizada e exaltada por estas palavras e grandemente excitadas […] seu coração começa a bater violentamente, alcança o requisito, cai em audácia futilidade, tanto quanto pronuncia algo sem sentido, assim como lhe ocorre” (Contra Heresias I, XIII, 3).
Fenômeno semelhante aconteceu com o herético Montano, conforme relata Eusébio:
“Ficou fora de si e [começou] a estar repentinamente em uma sorte de frenesi e êxtase, ele delirava e começava a balbuciar e pronunciar coisas estranhas, profetizando de um modo contrário ao costume constante da Igreja […] E ele, excitado ao falar de duas mulheres, encheu-as com o falso espírito, tanto que elas falaram “extensa, irracional e estranhamente, como a pessoa já mencionada” (História da Igreja V, XVI: 8,9).
No século III, Orígenes denunciou um tal Celso, que pronunciava sons incompreensíveis:
“A estas promessas, são acrescentadas palavras estranhas, fanáticas e completamente ininteligíveis, das quais nenhuma pessoa racional poderia encontrar o significado, porque elas são tão obscuras, que não têm um significado em seu todo” (Contra Celso, VII:9).
Nota-se, portanto, que a confusão sonora nos ambientes carismáticos se identifica com esses fenômenos denunciados como falsos ou diabólicos pelos pais da Igreja.
Na afirmação constante dos doutores, o dom de línguas consiste em falar línguas estranhas existentes, e não sons desconhecidos por todos os homens. Encontramos essa posição em todos os comentadores dos textos de São Paulo, como por exemplo, em Santo Agostinho, Cirilo de Alexandria, Gregório Nanzianzeno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, Didaquê Siríaca, etc.  
Esse sempre foi o ensino da Igreja iluminada pela luz infalível do Espírito Santo.
Para encerrar essa questão, sem desprezar as objeções correlatas, respondemos a indagação do consulente Fábio que recorda as palavras de São Paulo, cujo teor parece contrariar a idéia de que o dom das línguas é um carisma extraordinário, isto é, concedido apenas a alguns.
Orientando os Coríntios, o Apóstolo expressa seu desejo: “Desejo que todos faleis em línguas”. (I Cor, XIV, 5).  
Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, ensina que o falar em línguas não se manifesta em todos os cristãos:
“Todos os dons divinos não podem existir em todos os homens, cada um recebe de acordo com a sua capacidade” (Do Espírito Santo II, XVIII, 149).
É compreensível que, em vista da necessidade da propagação da fé a todos os povos, São Paulo manifeste o desejo de que todos tenham o dom de línguas. Mas o Apóstolo sabe que a cada um é dado um dom particular.
Sobre seu estado celibatário, São Paulo diz: “Quisera que todos os homens fossem como eu” (I Cor, VII, 7). Entretanto, imediatamente pondera: “[…] mas cada um recebe de Deus o seu dom particular, um, deste modo; outro, daquele modo”.
E esse mesmo princípio pode ser aplicado ao dom das línguas, que se tornava cada vez mais incomum, conforme se difundia a fé entre os povos.
Para não estender demasiadamente esta carta que já vai longe, indico uma resposta dada pelo professor Orlando Fedeli sobre o significado da expresão “gemidos inefáveis”, objeto da dúvida do sr. Fábio.
Noutra oportunidade poderia transcrever as explicações dos doutores sobre esses “gemidos” que, por serem inefaveis e provenientes da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, são inaudiveis e inatingiveis pela razão humana 

Ademais, ousar dizer que os “grunhidos” carismáticos são gemigos inefáveis do Espírito Santo é, além de absurdo, uma blasfêmia contra a Sabedoria de Deus. Claro, supondo que um carismático já tenha “ouvido” os gemidos do Espírito Santo para identificá-lo com o gemido confuso dos carismáticos.
Espero que o assunto tenha sido exposto com a devida clareza.
Rogando vossa benção, Padre, despeço-me,
in Corde Jesu, semper
Eder Silva.

Cardeal Cañizares: É recomendável comungar na boca e de Joelhos!







Caríssimos,
Salve Maria!
Com júbilo postamos  a entrevista com o Prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, S. E. Rvma.  Cardeal Antonio Cañizares Llovera, sobre a Comunhão na boca e de joelhos.
Afirma o Prefeito que comungar desta forma “é o sinal de adoração que necessitamos recuperar”
Boa leitura.

Pe. Marcélo Tenorio


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REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jul. 11 / 01:27 pm (ACI/EWTN Noticias)


Em entrevista concedida à agência ACI Prensa, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, assinalou que é recomendável que os católicos comunguem na boca e de joelhos.Assim indicou o Cardeal espanhol que serve na Santa Sé como máximo responsável, depois do Papa, pela liturgia e os sacramentos na Igreja Católica, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão.A resposta do Cardeal foi breve e singela: “é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos”.Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve “ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus”. “Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos”, afirmou.O Cardeal disse também que comungar desta forma “é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos”.“De fato –acrescentou– se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz”.O Prefeito vaticano disse ademais que “se trivializarmos a comunhão, trivializamos tudo, e não podemos perder um momento tão importante como é o de comungar, como é o de reconhecer a presença real de Cristo ali presente, do Deus que é amor dos amores como cantamos em uma canção espanhola”.Ao ser consultado pela ACI Prensa sobre os abusos litúrgicos em que incorrem alguns atualmente, o Cardeal disse que é necessário “corrigi-los, sobre tudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos”.Esta formação, explicou, deve fazer que “celebre-se bem, para que se celebre conforme às exigências e dignidade da celebração, conforme às normas da Igreja, que é a única maneira que temos de celebrar autenticamente a Eucaristia”.Finalmente o Cardeal Cañizares disse à agência ACI Prensa que nesta tarefa de formação para celebrar bem a liturgia e corrigir os abusos, “os bispos têm uma responsabilidade muito particular, e não podemos deixar de cumpri-la, porque tudo o que façamos para que a Eucaristia se celebre bem será fazer que na Eucaristia se participe bem”.

RCC – ORIGEM E CATOLICIDADE – I



                                                    Pe. Marcélo Tenorio


Entre tantas coisas que confundem e geram interrogação nos fiéis é justamente o movimento chamado de “ Renovação Carismática Católica”, com suas práticas, tais como a supervalorização de carismas especiais, entre eles os dons de línguas, profecias, curas, repouso no “espírito”, entre outros que têm o seu centro no que eles chamam de “ batismo no Espírito Santo”. Queremos tratar aqui de tudo isso, segundo a Doutrina da Igreja , contida em seu Catecismo Romano , nos ensinos dos Santos Padres e sobretudo, no Magistério infalível e Perene.

É claro que a prática carismática como ensina a RCC inexiste na Igreja. Ao revelar-se, desde Abraão até S. João Evangelista, Deus  Nosso Senhor nos deixou tudo o quanto nos era necessário à salvação. É o que a Igreja chama de Depositum Fidei, de forma que dele se tira tudo e nele tudo o que é perfeitamente católico deve está contido. Sabemos que  somente existem três vias de revelação divina: a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. A Sagrada Escritura é a via primeira, a base de tudo, mas necessita de uma autoridade sobre ela, e esta autoridade é a autoridade legítima da Igreja. Assim Deus o quis. Santo Agostinho costumava dizer que não acreditaria na Sagrada Escritura se sob ela não estivesse a autoridade da Igreja. A Tradição Apostólica é justamente o ensino dos Apóstolos que nos  foi transmitido pelos padres ( pais) que conviveram com eles ( os padres apostólicos), ou por aqueles que conviveram com esses últimos – e receberam a doutrina, transmitiram inequivocamente esta Fé e a defenderam com a própria vida ( padres apologéticos). Tendo a Santa Igreja a autoridade plena, suprema e absoluta dada por Nosso Senhor: “ O que ligares na terra…”, coube-lhe o ensino, de forma que baseada na Sagrada Escritura e no ensino apostólico ela, através de seu Sagrado Magistério, é a Mãe e Mestra da Verdade. Todavia ensina tão somente aquilo que está no Sagrado Depósito, de forma que o que não está presente nessas tríplice vias de revelação, não pode ser considerado católico.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”  (Gl 1, 8-9)

A base da diferenciação não repousa em QUEM ensina: “Nós ou um anjo do céu..”, mas “ O QUE” ensina.

Aqui vale salientar o que já perguntei a alguns líderes da RCC: Onde podemos encontrar este entendimento da RCC sobre o batismo no Espírito, sobre os carismas e demais dons? Em que ensinamento perene do Magistério da Igreja? Em que ensino dos Santos Padres? Trocando em miúdos: se a “doutrina” carismática é católica o é pela Igreja, de forma que  documentos devem ser apresentados . Que documentos da IGREJA  fundamentam tudo isso?. Falei “Documentos Magisteriais” e não pronunciamentos pessoais de papas , cardeais e outros, o que não vale na questão. Uma coisa é o Ensinamento Magisterial, outra é o pensamento pessoal, até mesmo de um papa.

Já no início podemos concluir  quatro coisas:
1.                                  Não existe no Magistério da Igreja NENHUM documento que aprove as práticas carismáticas e sua “teologia neo-pentecostal”.
2.                            Se não existe fundamentação doutrinária, se o Sagrado Magistério não atesta, logo não é católica tal doutrina.
3.                                     Quando se toma um suco de laranja, é do laranjal que nos alimentamos e não do limoeiro. Lendo com atenção abaixo o Testemunho de Duquesne, veremos que somente depois de 2000 anos é que a Igreja é renovada pelo “Espírito”, mas com suco de outro laranjal, de um laranjal envenenado? Ora, são os hereges episcopais, ou seja protestantes, que “devolvem” à Santa Igreja essas “primícias do Espírito”? É um escândalo, um absurdo, visto que na Igreja e somente Nela está a Plenitude do Espírito Santo. E, como ensina Santo Tomás que de um mal não pode se tirar um bem, do cisma, da heresia protestante não pode sair nada de bom.
4.                                     Sendo assim , a origem da RCC é eminentemente protestante, nada tendo de católica.
Este texto provem da chamada “ Experiência de Duquesne”, do livro de  Patty Mansfield, “ COMO UM NOVO PENTECOSTES”, bem difundido pela RCC em seus estudos, ensinamentos e aprofundamentos. O livro narra o início da RCC na Igreja. E mesmo que essa colocação da gênese carismática tenha sido matéria de ensino por muitos líderes do movimento, ultimamente existe a tendência em esconder essa versão dando uma outra meio análoga, mas mais “católica”, acontecida em ambiente católico, mas subjetiva e desprovida de base teológico-argumentativa do mesmo jeito. Vamos à nova versão..

“A primeira pessoa beatificada pelo Papa João XXIII foi uma freira chamada Elena Guerra, fundadora em Lucca, na Itália, das Irmãs oblatas do Espírito Santo. Entre os anos de 1895 e 1903, a irmã escreveu doze cartas ao Papa Leão XIII pedindo a pregação permanente do Espírito Santo, “que é aquele que faz os santos”, e expressou ao Santo Padre o seu desejo de ver toda a Igreja unida em permanente oração, como o estavam Maria e os Apóstolos no Cenáculo, aguardando a vinda do Espírito Santo. Como resultado, o Papa Leão XIII publicou “Provida Matris Caritate”, onde pediu que a Igreja celebrasse, entre as festas da Ascensão e Pentecostes uma solene novena ao Espírito Santo; e publicou também a sua encíclica sobre o Espírito Santo, “Divinum Ilud Munus”, e em 1º de Janeiro de 1901, primeiro dia do século vinte, invocou o Espírito Santo e cantou ele mesmo o hino “veni, Creator Spiritus” em nome da Igreja. Mas, apesar da fraca resposta dos católicos ao chamado do papa Leão XIII, pessoas de outras denominações se puseram em oração ao Espírito Santo e receberam manifestações impressionantes dos dons e poder do Espírito Santo, até que nos meados da década de 1960 também a Igreja Católica começou a experimentar a Graça da Renovação Carismática…”  (http://www.comshalom.org/formacao/rcc/a_origem_rcc.html)

Bem, a Beata Elena Guerra até que tentou, mas  foram os protestantes, cismáticos e heréticos que receberam o poder, os dons, as “manifestações impressionantes” do Espírito?…Ora não foi Nosso Senhor mesmo quem falou que “ Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita a Mim Rejeita? ( Lc 10, 16)  Ora, não estão os hereges, cismáticos em pecado mortal e por isso privados da ação santificadora de Deus, como ensina a Igreja?. Percebe-se aqui um total desconhecimento (ou forçoso deslize) da Fé Católica que, como ensina Santo Tomás  é  a “ adesão da inteligência à Verdade” e não um mero sentimento subjetivo alimentado por experiências de um Deus imanente

Vejamos com atenção o testemunho da “Experiência de Duquesne”, onde dois professores, depois de participarem de uma reunião carismática com os heréticos, “recebem” deles o “batismo no Espírito Santo” e estes, por suas vez o transmitem, quase que “sacramentalmente” para os novos neo-carismáticos em Duquesne. O grifo é nosso, os absurdos, deles:
“Na primavera de 1966, dois professores da universidade de Duquesne tinham ingressado ( 1) num estágio intenso de prece e deindagação sobre a vitalidade da sua fé. Um era professor de história; o outro, instrutor em teologia. Eles sentiam a necessidade de um maior dinamismo interior, a carência de uma força renovada para viverem como cristãos e para darem testemunho de Cristo. Ambos já estavam comprometidos com o Senhor por um bom número de anos; eram, ambos Cursilhistas…também exerciam o papel de moderadores da fraternidade do Campus de Duquesne, denominada Sociedade Chi Ro, que tinha sido fundada por um deles, alguns anos antes, com a finalidade de estimular a prática da oração e da participação na liturgia, a evangelização e a ação social.
Todavia, eles ainda queriam ( 2 )“algo mais”. Não tinham uma noção exata daquilo que queriam e que ainda estava faltando, mas fizeram um pacto de mútua oração nesse sentido. Da primavera de 1966 em diante, eles rezavam diariamente para que o Espírito santo renovasse neles todas as graças do Batismo e da Crisma, para que, com o poder e o amor de Jesus cristo, Ele preenchesse neles o vácuo deixado pelas deficiências do esforço humano. Diariamente aqueles dois homens rezavam a linda e famosa ‘sequência dourada’ que é usada pela Igreja na liturgia de Pentecostes.
Ó Espírito de Deus, envia do céu um raio de luz!/ Pai dos miseráveis, vossos dons afãveis dai aos corações./ Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívo, vinde!/ No labor, descanso, na aflição, remanso, no calor, aragem./ Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!/ Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele./ Ao sujo lavai, ao seco rogai, curai o doente./ Dobrai o que é duro, guiai-nos no escuro, o frio aquecei./ Dai à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons./ Dai em Prêmio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém.

          Em Agosto de 1966 estes dois professores encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros ( 3 )A Cruz e o punhal” e “Eles falam em outras línguas”, que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com a clareza ( 4) que agora viam do papel do Espírito Santo na vida de quem crê, procuraram um ministro da Igreja episcopal, que embora não tivesse vivido a experiência do batismo no Espírito ( 5)  os conduziu a uma paroquiana sua, chamadaFlo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático de oração, ( 6 )os levou e, mais dois professores da Duquesne, a receber o batismo no Espírito Santo.
II . O Fim de Semana de Duquesne
A sociedade Chi Ro estava organizando um retiro para os estudantes da Duquesne,( 7) quando os dois professores, que eram conselheiros desta sociedade, sugeriram uma modificação no temado retiro, de “sermão da montanha” para “Atos dos Apóstolos”. segundo recorda Patty Mansfield, então estudante da Duquesne e participante do retiro, “os dois professores não fizeram nenhuma referência específica ao batismo no Espírito Santo, mas deixaram transparecer um sentimento de antecipação e de alegria, que era profundo. “, o que a levou, junto com outros estudantes, a ficar curiosos quanto ao Que aconteceria no retiro.
No dia 17 de Fevereiro de 1967, vinte e cinco estudantes aproximadamente, acompanhados pelo capelão do Campus, que era um padre da ordem do Espírito Santo, dirigiram-se para um centro de retiros chamado “The Ark and the Dove”, situado na região de North Hills, e pertencente à Diocese de Pittsburg. Os professores orientaram o grupo para que cantassem o hino “Veni Creator Spiritus” em cada sessão, implorando a vinda do Espirito Santo. As palestras teriam o seu foco nos primeiros quatro capítulos dos Atos dos Apóstolos. Na noite de sexta-feira, logo após a abertura do evento, na Capela, o instrutor conselheiro levantou uma imagem de Nossa Senhora em que ela está com as mãos erguidas em atitude de oração. Ele fez uma descrição de Maria como uma mulher de fé e de oração. Depois da meditação sobre Maria houve um serviço de contrição e penitência. Para o dia seguinte, os professores coordenadores haviam convidado Flo Dodge, para que participasse do retiro e apresentasse umas palavras aos estudantes. Sua apresentação versou ( 8 ) sobre a realeza de Jesus Cristo e sobre o Batismo no Espírito Santo. Para mais tarde, à noite, estava programada uma festa de aniversário para alguns dos participantes, mas muitos dos jovens foram se sentindo individualmente induzidos a se dirigirem para a capela, aonde experimentaram, de forma manifesta, o Batismo no Espírito Santo. No Domingo, ouviram uma palestra sobre o capítulo segundo dos Atos dos Apóstolos, no fim do dia os estudantes se retiraram ( 9 ) com a recomendação de lerem o livro de John Sherril, “Eles falam outras línguas”. Durante algumas semanas após o fim de semana, alguns dos professores e dos alunos da Universidade compareceram às reuniões de oração da casa de Flo Dodge, e depois esta reunião deixou de existir. ( 10)Certamente, já havia preenchido sua finalidade. Enquanto isto, um dos professores foi a South Bend e testemunhou para um grupo de trinta estudantes e alguns amigos ( 11) a maravilha que é viver Pentecostes em nossos dias. Estes pediram que se orasse para que recebessem o Batismo no Espírito Santo. Mais tarde, começaram a realizar-se, regularmente, em Notre Dame, encontros católicos Carismáticos de oração, e se difundia cada vez mais a Graça do Batismo no Espírito. Duquesne, Notre Dame, Michigan, e um número enorme de católicos têm sido Batizados no Espírito Santo….”
Comentário por números.

1.    “num estágio intenso de prece..”
Fica claro a compreensão subjetiva da Fé por parte desses dois. É verdade que a Fé pede razões  para o crer: “Fides quaerens intellectum”, como nos ensina o arcebispo de Cantuária. Deve-se ceder à primazia da Fé, mas para Santo Anselmo, o não estudar, o não procurar, o não investigar o que se crer é negligência. Estava mais uma vez certo o Pai da Escolástica…Os professores avançam para o empírico desprezando o que eles já tinham: a Fé inequívoca da Igreja. Interessante que o testemunho nada fala que eles recorreram a um diretor espiritual….Um padre só aparece bem depois, para o grupo de oração. Tudo fica no subjetivo, bem à moda dos protestantes.
2.    “Todavia, eles ainda queriam  algo mais..”
Ora, o que significava para eles querer algo mais? Já tinham a doutrina infalível dos apóstolos. Já tinham os sacramentos que dão a Graça Santificante. Já tinham a Santa Missa. O que mais faltava?
É S. Paulo que declara à comunidade católica:
“Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. “ ( I Cor I, 7)
           De forma que não precisamos mais de nada. Aliás já temos muito do que nos preocupar: o fazer a vontade de Deus, correspondendo com a sua Graça e , assim, salvar a nossa alma.
          Se esse “ Algo mais” é compreendido como a busca das coisas “ extraordinárias”, dos dons “ especiais”, esse desejo vai contra todo ensinamento dos doutores místicos, sobretudo Santa Teresa D´Avila e S. João da Cruz que recomendavam sempre a fuga da busca de dons extraordinários  por três motivos: por não se merecer, por causa do orgulho e pelas investidas do demônio. Nos seminários de “DONS”, da RCC dá-se um ensino seguido do que se chama “oficina de dons”, onde as pessoas vão “ aprender” a exercer o dom que acabaram de receber por “imposição de mãos”. Muitos dos que “recebem” esses dons, vivem fora do sacramento da confissão, passando até anos sem dele se aproximarem. Já vi de tudo: vi pessoas amasiadas que possuíam e exerciam muitos dons e até uma que, ao ser “batizada no espírito”, tinha uma oração em línguas um tanto diferente, pois mugia, mugia e mugia. Ela misturava o Yoga com seu novo dom…É o perigo quando se procura “ALGO MAIS..”
        3, 4 e 5: Nosso dois professores se “encantaram” com os livros protestantes “ A cruz e o punhal” e “ Eles falam em outras Línguas”. Em seguida vão beber da fonte envenenada de Lutero. Poderiam muito bem ter estudado Santo Tomás, Sto. Agostinho, Sto Anselmo, mas preferiram comer as “bolotas”,  fora da “casa do pai”, como na parábola dos dois filhos.
      Os demais números falam do retorno dos professores, do retiro onde outros tiveram a chamada “ experiência” e uma afirmação interessante:
“Certamente, já havia preenchido sua finalidade..” Sobre o fim do grupo de oração em Flo Dodge. Issoé uma afirmação grave. Quer dizer que a função deste grupo protestante e portanto herético era de “devolver” à Igreja aquilo que ela tinha, mas que perdera depois? Isso nem se comenta. É tão contra à Sagrada Doutrina, como  falar que Nosso Senhor pregava a reencarnação.
        Afirmar tal coisa e ensinar tal coisa é nada conhecer da Verdade sobre a Igreja de Cristo. É pecar gravemente contra a Fé apostólica.
       A Igreja é , desde seu primeiro momento no coração da Trindade pura, santa e imaculada. Possuidora da Verdade Plena, nela está presente até a consumação dos séculos o Espírito Santo. Ele é a SUA alma. Ora, afirmar o que se viu acima é não reconhecer isso, é entender que a Alma da Igreja, andava vagando por aí, até encontrar corações mais abertos, mesmo fora do Corpo Místico de Cristo. Ninguém dá o que não  tem. Os protestantes estão privados da Ação do Espírito Santo, como podem, então, ser preenchidos de dons e de milagres? Se até o padre Quevedo, de doutrina duvidosa, chega a afirmar a magisterial doutrina de que nas seitas protestantes não podem acontecer Milagres, justamente porque estão separados da Igreja e Deus não se contradiz, baseado em que a RCC ensina o contrário? Como o ramo separado do tronco pode tornar-se frondoso de novo?…É verdadeira  monstruosidade na ordem da Graça.
       
        É válido para nós o que ensina S. Leão Magno, papa e Doutor da Igreja. sobre os fenômenos extraordinários, presentes no início:
“Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé? Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las. Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22)”. (São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209).
         Agora, Santo Agostinho, Padre e Doutor da Igreja:
“Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas, saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou“.

“Uma vez que mesmo agora quando o Espírito Santo é recebido, ninguém fala nas línguas de todas as nações, é porque a própria Igreja já fala na língua de todas as nações: Já que quem quer que seja que não está dentro da Igreja, não recebeu ainda o Espírito Santo” (Santo Agostinho, Tratado de XXXII sobre João).

           S. Luís de Montfort nos previne contra o desejo de  se buscar dons extraordinários:
Guardai-vos bem de visar o extraordinário e até de desejar conhecimentos excepcionais, visões, revelações e outras graças miraculosas que Deus por vezes comunicou a alguns Santos enquanto rezavam o Rosário” (A eficácia Maravilhosa do Santo Rosário). 
        Diante do que foi exposto, fiquemos com o essencial para a salvação de nossa alma: a Fé Católica: pura, límpida e sem equívocos.
Vale a pena ler o Credo de Santo Atanásio, também conhecido como  “Quocunque”, nesses tempos difíceis. Este credo foi divulgado por Santo Ambrósio e incluído na Liturgia.
 Quocunque:
1.    Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.

2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.5. Porque uma so é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.27. Mas, para alcancar a salvacão, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.29. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.37. Subiu aos Ceus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.40. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar”.

    

CARDEAL VIRGILIO NOÉ E A FUMAÇA DE SATANÁS

Era arcipreste emérito da Basílica de São Pedro



Carísimos

Salve Maria!
Faleceu o Cardeal que foi cerimoniário papal por muitos anos, inclusive na época de Paulo VI. Em entrevista concedida a três anos atrás, ele fala sobre o significado das palavras de Paulo VI, quando se referiu à ” FUMAÇA DE SATANÁS”.
Após a notícia do Zenit, segue a entrevista.
Boa leitura.
Pe. Marcélo Tenorio
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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 25 de julho de 2011 (ZENIT.org) – A Santa Sé informou do falecimento, na manhã desse domingo, aos 89 anos, do cardeal italiano Virgilio Noé, arcipreste emérito da Basílica de São Pedro e vigário geral emérito do Papa para a Cidade do Vaticano.
Nascido em Pavia, em 1922, após uma longa formação em liturgia, história eclesiástica e história da arte em várias universidades pontifícias de Roma, foi nomeado pelo Papa Paulo VI, em 1969, subsecretário da nova Congregação para o Culto Divino, que deveria aplicar a reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II.
Em 1970, é nomeado mestre de Cerimônias Pontifícias, aplicando essas transformações nas celebrações de canonizações, beatificações, nos ritos fúnebres pontifícios e na abertura e fechamento da porta santa com motivo do jubileu de 1975.
Em 1982, durante o pontificado do Papa João Paulo II, foi nomeado secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e, em 1989, coajutor do cardeal arcipreste da Basílica vaticana, da qual seria titular em 2002. João Paulo II o fez cardeal em 1991.
Com a morte do cardeal Virgilio Noé, o Colégio Cardinalício fica composto por 195 purpurados, dos quais 114 são eleitores e 81 não, estes por terem mais de 80 anos.
Entrevista à Bruno Volpe, do site Petrus:

CIDADE DO VATICANO – Fala com um fio de voz e por vezes a respiração lhe pesa tanto que precisa parar. Mas a mente é lúcida e o coração bondoso. A entrevista com o Cardeal Virgílio Noé, 86 anos [no ano da entrevista, 2008], Mestre de Cerimônias Litúrgicas no Pontificado de Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, Arcipreste Emérito da Basílica de São Pedro e ex-Vigário do Papa para a Cidade do Vaticano, se revela comovente, e ao mesmo tempo contagiante. O purpurado, que há muito abandonou a vida pública por causa das enfermidades da idade avançada, ajuda-nos, levando-nos pela mão, a conhecer melhor um Pontífice esquecido [erroneamente] na pressa da história: Giovanni Battista Montini. E revela pela primeira vez a que se referia precisamente Paulo VI quando, em 1972, denunciou a presença da fumaça de satanás na Igreja.

Eminência, quem foi o Papa Paulo VI?

Um verdadeiro cavalheiro, um santo. Lembro-me ainda como ele vivia o Mistério Eucarístico, com amor e participação. Quando penso nele choro, mas não à maneira dos hipócritas. Sinto-me realmente tocado. Devo muito a ele, ensinou-me muito, ele viveu e pagou um grande preço pela Igreja.


O Senhor teve o privilégio de ser Mestre das Cerimônias Litúrgicas precisamente devido à nomeação recebida do Papa Montini nos tempos da reforma pós-conciliar. Como se recorda daquele tempo?
Esplendidamente. Uma vez o Santo Padre disse-me, pessoalmente, e de modo afetuosíssimo, como o Mestre de Cerimônias deveria atuar naquele função e naquele determinado período histórico. Entrou na sacristia. Aproximou-se de mim e disse-me: o Mestre de Cerimônias deve prever tudo e encarregar-se de tudo; tem o dever de aplainar a estrada para o Papa.

Ele acrescentou algo?
Sim. Afirmou que o ânimo de um Mestre de Cerimônias não deve se perturbar nunca por nada, grande ou pequeno, que seja problema pessoal. Um Mestre de Cerimônias, reforçou, deve ser sempre senhor de si mesmo e tornar-se escudo do Papa, pois a Santa Missa deve ser celebrada dignamente, para a Glória de Deus e do seu povo.

Como o Santo Padre recebeu a reforma litúrgica querida pelo Vaticano II?
De bom grado.

Diz-se que Paulo VI era um homem bastante triste, é verdade ou é uma lenda?
Uma mentira. Ele era um pai bom e gentil. Ao mesmo tempo, ficou muito triste pelo fato da Cúria Romana tê-lo deixado sozinho. Mas prefiro não falar sobre isso.

De modo geral, contradizendo os historiadores, o senhor, que era um dos seus mais próximos e fiéis colaboradores, descreve o Papa Montini como uma pessoa serena.
Ele era. E sabe por quê? Porque afirmava sempre que aquele que serve o Senhor não pode nunca ser triste. E ele o servia especialmente no sacrifício da Santa Missa.

Da página com os trechos da homilia em italiano, no site da Santa Sé


Continua inesquecível a denúncia de Paulo VI sobre a fumaça de satanás na Igreja. Ainda hoje, aquele discurso parece de uma atualidade incrível. Mas, com exatidão, o que queria dizer o Papa?
Vocês da “Petrus” fizeram uma boa pergunta aqui, pois estou em condições de revelar, pela primeira vez, o que Paulo VI desejava denunciar com aquela afirmação. Aqui está: o Papa Montini, por satanás, queria indicar todos aqueles padres ou bispos e cardeais que não rendem culto ao Senhor, celebrando mal a Santa Missa por causa de uma errônea interpretação e aplicação do Concílio Vaticano II. Ele falou da fumaça de satanás porque sustentava que aqueles prelados que faziam da Santa Missa uma palha seca em nome da criatividade, na verdade estavam possuídos da vanglória e do orgulho do maligno. Portanto, a fumaça de satanás não era outra coisa além da mentalidade que queria distorcer os cânones tradicionais e litúrgicos da cerimônia Eucarística.

E pensar que Paulo VI é citado quase como a causa de todos os males da liturgia pós-conciliar. Mas, de acordo com o que revelou Vossa Eminência, Montini comparou o caos litúrgico, mesmo que de maneira velada, a algo de infernal.
Ele condenou a ânsia de protagonismo e o delírio de onipotência que se seguiu ao Concílio, a nível litúrgico. Repetia muitas vezes que a Missa é uma cerimônia sacra, tudo deve ser preparado e estudado adequadamente respeitando os cânones, ninguém é “Dominus” (Senhor) da Missa. Infelizmente, e muito, depois do Vaticano II não o entenderam, e Paulo VI sofreu isso, creditando o fenômeno a um ataque do demônio.

Eminência, concluindo, o que é a verdadeira liturgia?
É render glória a Deus. A liturgia deve ser sempre, e não importa em que situações, conduzida com decoro: mesmo um sinal da Cruz mal feito é sinônimo de desprezo e pobreza. Além do mais, eu repito, acreditou-se, depois do Vaticano II, que tudo, ou quase tudo, era permitido. Agora é preciso recuperar, e depressa, o senso do sagrado na ars celebrandi, antes que a fumaça de Satanás invada completamente toda a Igreja. Graças a Deus, temos o Papa Bento XVI: sua Missa e seu estilo litúrgico são um exemplo de correção e dignidade.

Por Bruno Volpe

IRLANDA: NÃO APLICARAM NORMAS DE RATZINGER CONTRA ABUSOS




Esclarecimento do arcebispo de Dublin

DUBLIN, sexta-feira, 22 de julho de 2011 (ZENIT.org) – O arcebispo de Dublin esclareceu que a diocese irlandesa que não denunciou às autoridades os casos de abusos de sacerdotes agiu contra as normas dadas pelo Vaticano, em particular pelo então cardeal Joseph Ratzinger.
Dom Diarmuid Martin interveio na tarde desta quarta-feira no intenso debate que está acontecendo na Irlanda, provocado pela divulgação, em dias passados, de um informe sobre abusos de menores cometidos por alguns sacerdotes na diocese de Cloyne.
Em uma entrevista à rádio nacional RTE, o prelado confirmou a profunda dor que provoca o ocorrido e respondeu a algumas perguntas suscitadas pela intervenção do primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny.
Poucas horas antes, em um debate parlamentar sobre o Informe Cloyne, o líder do partido Fine Gael acusou o Vaticano de ter incentivado os bispos a não denunciar os abusos às autoridades civis.
Dom Martin negou categoricamente as acusações, garantindo que, na diocese de Cloyne, ignoraram as normas emanadas em 2001 pelo cardeal Ratzinger, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
O arcebispo afirmou também que ele mesmo entregou 70 mil documentos à comissão de investigação Murphy, denunciando todos os casos de declarações ou denúncias de abuso à polícia irlandesa.
Expressou também sua indignação e vergonha pelo que as vítimas haviam sofrido, bem como outras pessoas da Igreja, constatando que este escândalo afeta também todos aqueles sacerdotes que testemunham cada dia sua fidelidade a Cristo.
Revelou um recente episódio no qual alguns sacerdotes idosos, “homens de grande integridade e bondade”, foram objeto de graves insultos durante o funeral de um colega sacerdote.
“Esta é a Igreja da qual me sinto orgulhoso e que tenho a responsabilidade de defender”, disse Dom Martin.
E concluiu: “Não quero ver choques entre a Igreja, o Estado e os voluntários. Teremos de trabalhar juntos para garantir que as crianças sejam protegidas”.

UMA JORNALISTA NO PHN DO DUNGA


Acampamento com 100 mil católicos tem funk, gays e paquera 

 ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER ENVIADA A CACHOEIRA PAULISTA (SP) Ao passar o fim de semana em um acampamento católico, nossa repórter aprende funk cristão, conhece fiéis inusitados e ganha até cantada. 
João Brito/Folhapress
CACHOEIRA PAULISTA - SP - 16.07.2011 - O acampamento "PHN" organizado pela Cancao Nova, entidade ligada a igreja catolica, que segundo a organizacao do evento recebeu 100 mil jovens catolicos. O acampamento durou 3 dias e contou com apresentacoes musicais, circo, espetaculos de danca, feiras, alem de diversas missas. (JOAO BRITO/FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
De missa a rock cristão: os maiores eventos acontecem no centro de evangelização


SEXTA 12h Viajo 200 km para o que promete ser uma versão carola de Woodstock: 48 horas acampada ao lado de 100 mil jovens católicos, com direito a fila para banho, frio na barraca e padres tratados como rockstar. O evento, que se chama PHN (Por Hoje Não), de “por hoje não vou pecar”, é da Canção Nova, movimento que tenta modernizar a igreja. Na porta, jovens ziguezagueiam no skate em direção a três meninas com short jeans curtinho. Nenhuma se faz de rogada. É como desembarcar numa micareta para Jesus. SEXTA 13h O missionário Ricardo Sá, 49, de blusa apertada e cabelo brancão, um Lulu Santos da cristandade, prega para dezenas. Defende que sexo fora do casamento é pecado. Às damas, pede paciência: “O amor não está no bar da esquina”. É ele o idealizador do grupo virtual Namoro Cristão, um Par Perfeito para católicos. Você preenche um perfil e troca ideia com outros usuários. Ricardo diz que dá “uma forcinha para os solteiros que querem namorar alguém com os mesmos valores”. 

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João Brito/Folhapress
CACHOEIRA PAULISTA - SP - 16.07.2011 - Paulo e Karolyne sao namorados, adolescentes e curtem o estilo emo-alternativo. O acampamento "PHN" organizado pela Cancao Nova, entidade ligada a igreja catolica, que segundo a organizacao do evento recebeu 100 mil jovens catolicos. O acampamento durou 3 dias e contou com apresentacoes musicais, circo, espetaculos de danca, feiras, alem de diversas missas. (JOAO BRITO/FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
Paulo, 15, e Fabiane, 20, cristãos com estilo alternativo, no acampamento em Cachoeira Paulista (SP)


Karolyne, 16, acena com entusiasmo à pregação. O namorado dela não é cristão. “Vim buscar fundamentos para ter um namoro santo.” Ela e a amiga Paola, 17, vieram de São Gonçalo (RJ) para o PHN. Nesse mega-acampamento em Cachoeira Paulista (SP), o objetivo é dizer não a drogas, álcool, sexo… “…mas aqui dá de tudo!”, diz Paola. “Os meninos comentavam: ‘Pô, você acha que no meio do mato não vai rolar nada?’. Muita menina dá mole.” Elas também reclamam da presença de “coisas estranhas”. Paola está injuriada. “Tem muito gay, e a igreja é contra o homossexualismo… E o povo com aquela roupinha colada, cabelinho na cara… Tá fazendo o que aqui?” SEXTA 16hEncontro Gabriel, 18, perto de uma cruz gigante e iluminada. Com franjão e bermuda justa, ele se diz gay e não está nem aí para os cochichos do povo. “Alguns falam: ‘Nossa, que pecado ser assim’. Mas pecado seria se estivesse fazendo algo errado dentro do camping.” SEXTA 17hProcuro um canto para a barraca. Cada um no seu quadrado: o camping é dividido entre meninos, meninas e famílias. Minhas vizinhas se divertem com o funk “Sou #$%@” no celular. Rezo por uma boa noite de sono, mas algo me diz que as preces não serão atendidas. SEXTA 18h30Num galpão, acontece um campeonato de b-boys dançarinos de break que giram com a cabeça no chão e pernas pro ar. Saúdam Jesus como “o b-boy de todos os b-boys”, pois só Ele “faz movimentos radicais na alma”. 

João Brito/Folhapress
CACHOEIRA PAULISTA - SP - 16.07.2011 - O acampamento "PHN" organizado pela Cancao Nova, entidade ligada a igreja catolica, que segundo a organizacao do evento recebeu 100 mil jovens catolicos. O acampamento durou 3 dias e contou com apresentacoes musicais, circo, espetaculos de danca, feiras, alem de diversas missas. (JOAO BRITO/FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
Jovens se abraçam durante uma das atividades realizadas no acampamento


SEXTA 21hMais de um grupo me fala do famoso tubão: truque de misturar vodca barata no refrigerante para dar olé nos seguranças o álcool é vetado no PHN. Encontro uma ou outra garrafa PET suspeita no camping. Por perto, copinhos com um líquido nada bento. Os donos desconversam. Quem quer beber, eles contam, vai para uma praça próxima à Canção Nova. É lá que conheço quatro amigos, de 15 a 17 anos. Na mesa, guaraná Dolly “não batizado”, juram. Só um namora. O resto está atrás “de pegação”. “E você, não quer sentar e tomar guaraná?”, me pergunta o mais saidinho. Rio, recuso e vou embora, não sem ouvir um “o guaraná não está batizado!”. SEXTA 22h45Esbarro com o mesmo grupinho na sede, mais cabisbaixo. Pergunto do placar com as meninas. Todos zerados. SEXTA 23hPara ser funkeiro cristão, tem que ter disposição, tem que ter habilidade. No auditório, em vez de “créu”, a galera balança o popozão: “Céééééu, céééééu”. Um MC emenda: “Bate na palma da mão quem tem Jesus no coração!”. 

João Brito/Folhapress
CACHOEIRA PAULISTA - SP - 16.07.2011 - O acampamento "PHN" organizado pela Cancao Nova, entidade ligada a igreja catolica, que segundo a organizacao do evento recebeu 100 mil jovens catolicos. O acampamento durou 3 dias e contou com apresentacoes musicais, circo, espetaculos de danca, feiras, alem de diversas missas. (JOAO BRITO/FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
Para aguentar a maratona, jovens estiram saco de dormir na grama


SÁBADO 1hQuando vejo jovens jogados no chão, imagino o pior. No mínimo, o tubão trouxe uma ressaca de 40 dias e 40 noites. Mas não. Só estão em “repouso”. Funciona assim: um aprendiz de missionário encosta um terço na testa das pessoas. Diz que o Espírito Santo as tocará. De olhos fechados, elas são deitadas no chão. A maioria descreve ter visto “um clarão”. O rapaz sugere que eu passe pela experiência. Fecho os olhos, sou instruída a me entregar a Deus, deitam meu corpo e… nada. Mentira: tem a câimbra chatinha na perna. “Você não se entregou”, ele diz. SÁBADO 2h Um dos hits do PHN rola de madrugada: um luau com centenas de jovens. Ontem, conta o missionário que lidera a farra, teve “a libertação”. No rito, todos devem jogar fora os seus pecados. Houve quem se desfizesse de camisinha, maconha e até pedras de óxi, diz. Muitos vão dormir às 4h. Acordarão logo mais para pegar a primeira atividade do dia, dali a quatro horas. Não sem peso na consciência, premedito o pecado da preguiça. 

João Brito/Folhapress
CACHOEIRA PAULISTA - SP - 16.07.2011 - O acampamento "PHN" organizado pela Cancao Nova, entidade ligada a igreja catolica, que segundo a organizacao do evento recebeu 100 mil jovens catolicos. O acampamento durou 3 dias e contou com apresentacoes musicais, circo, espetaculos de danca, feiras, alem de diversas missas. (JOAO BRITO/FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
B-boy cristão para se apresentar com trupe de break dance no acampamento PHN


SÁBADO 10hLevanto no pulo com uma voz convocando para a missa das 11h. Encaro 20 minutos na fila para a ducha quente (em horários de pico, há espera de até três horas e meia). Algumas meninas se descabelam em busca de tomadas para chapinha e secador. SÁBADO 14hQuarenta minutos na fila do refeitório, mas o rango é show: R$ 7 pelo pratão de arroz, salada e carne com gosto de carne. SÁBADO 14h30No centro de evangelização, quase 70 mil pessoas cantam, dançam e deliram com o missionário Adriano Gonçalves, 28, autor de “Santos de Calça Jeans”. Moderninho, o livro usa Homer Simpson e Chapolin Colorado para falar de religião.“Tem quem ache que Deus vai descer do céu como Super-Homem!”, Adriano brinca. Ao fundo, a musiquinha do herói do cuecão vermelho. SÁBADO 22h30Os shows seguem, e vou comer. Meia hora de fila. O garoto na frente paga seu lanche de R$ 6 com moedas de dez centavos. Treino a paciência cristã. DOMINGO 11hBem menos carrancudo do que seu xará do futebol, o missionário Dunga, 43, criou o PHN há 13 anos. Com sua positividade, me lembra um Bono Vox da igreja.Quando jovem, estava mais para Keith Richards: “Dos 14 aos 19, cheirei cocaína, usei maconha”. Até ter “uma experiência com Deus”. Por isso, Dunga acha bom que uma certa juventude transviada vá ao PHN, mesmo que para zoar, e descubra a cristandade por tabela. “Queremos essas pessoas aqui!” 

João Brito/Folhapress
CACHOEIRA PAULISTA - SP - 16.07.2011 - Presenca do Gov. Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em uma missa no acampamento de jovens da renovacao carismatica, da igreja catolica. (JOAO BRITO/FOLHAPRESS FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
O governador Geraldo Alckmin (PSDB – SP) participa de missa no acampamento


*
Filipe Santos, 23, é filho de Dunga. Nunca ficou de porre e diz que vai esperar o sexo depois do casamento está noivo. Ele cresceu na Canção Nova, onde cerca de 400 pessoas moram como numa comunidade hippie sem sexo, drogas……mas com rock ‘n’ roll. Filipe toca baixo em uma banda de rock cristão. Ao saber que Beatles ocupa seu altar musical, lembro que não era exatamente hóstia que John Lennon gostava de ingerir. Ele pondera que ir contra o sistema, hoje, pode ser justamente abraçar o bom-mocismo. E que não há nada de errado em louvar o Senhor com barulheira. “Construímos essa imagem de que igreja é coisa de velho. Mas não é.” DOMINGO 12hO acampamento, que recebeu os primeiros participantes já na quarta-feira, começa a ser desmontado. Pego a estrada de volta a São Paulo. Não consigo deixar de pensar naquele hit da Banda Mais Bonita da Cidade. “Meu amor, essa é a última oração…” 

O LIBERALISMO É PECADO

                                                                                           

                                                                           



                                                              D. Felix Sardà y Salvany
              

O Liberalismo – Parte 1


I

Existe hoje algo que se chama Liberalismo?
Certamente: e parecerá ocioso que demoremo-nos na demonstração deste asserto.
A não ser que todos nós, os homens de todas as nações da Europa e da América, regiões principalmente infestadas desta epidemia, tenhamos convencionado enganar-nos e fazer de enganados, existe hoje em dia no mundo uma escola, um sistema, um partido, uma seita, ou chamem-lhe como quiserem, que por amigos e inimigos é conhecida sob o nome de LIBERALISMO.
Os seus periódicos e associações e governos se apelidam, com toda a franqueza, liberais; os seus adversários lançam-lho em rosto, e eles não protestam, nem sequer o escusam ou atenuam. Mais ainda lê-se todos os dias que há correntes liberais, tendências liberais, reformas liberais, projetos liberais, personagens liberais, datas e recordações liberais, idéias e programas liberais; e pelo contrário chamam-se antiliberais, ou clericais, ou reacionários, ou ultramontanos, todos os conceitos opostos aos significados por aquelas expressões. Há, pois, no mundo atual uma certa coisa que se chama Liberalismo e há também outra certa coisa que se chama Antiliberalismo. É, pois, como muito judiciosamente se tem dito, palavra de divisão, pois tem perfeitamente dividido o mundo em dois campos opostos.
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Mas não é só palavra, pois a toda a palavra deve corresponder uma idéia; nem só idéia, pois a tal idéia vemos que corresponde de fato toda uma ordem de acontecimentos exteriores. Há, pois, Liberalismo, quer dizer, há doutrinas liberais e há obras liberais, e por conseguinte há homens liberais, que são os que professam aquelas doutrinas e praticam aquelas obras. E tais homens não são indivíduos isolados, mas que se conhecem e obram como agrupação organizada, com chefes reconhecidos, com dependência deles, com um fim unanimemente aceite. O Liberalismo, pois, não é só palavra e doutrina e obra, mas é também uma seita.
Fica, pois, assentado que quando tratamos do Liberalismo e de liberais não estudamos seres fantásticos ou puros conceitos de razão, mas verdadeiras e palpáveis realidades do mundo exterior. E bem verdadeiras e palpáveis por nossa desgraça!
Os nossos leitores sem dúvida terão observado que a primeira preocupação que se nota nos tempos de epidemia é sempre a de pretender que não existe tal epidemia. Não há memória, nas diferentes que nos tem afligido no século atual, ou nos séculos passados, de que nem uma só vez tenha deixado de se apresentar este fenômeno. A enfermidade tem já devorado no silêncio grande número de vítimas quando se começa a reconhecer que existe, dizimando a povoação. As participações oficiais são, algumas vezes, as mais entusiastas propagadoras da mentira; e tem-se dado casos em que por parte da autoridade se tem chegado a impor penas aos que afirmassem que o contágio era verdade. Análogo é o que acontece na ordem moral de que estamos tratando. Depois de cinqüenta anos, ou mais, de viver em pleno Liberalismo, temos ouvido a pessoas respeitabilíssimas perguntar com assombro e candidez: – Que! Tomais a sério isso de Liberalismo? Não serão, porventura, exagerações apenas do rancor político? Não seria melhor omitir esta palavra que nos divide e irrita? – Tristíssimo sinal quando a infecção está de tal sorte na atmosfera que, pelo hábito, já não a sentem a maior parte dos que a respiram!
Há, pois, Liberalismo, caro leitor; e disto não duvides nunca.
II
Que é o Liberalismo?
Ao estudar um objeto qualquer, depois da pergunta an sit?, faziam os antigos escolásticos a seguinte: Quid sit?; e esta é a de que nos vamos ocupar no presente capítulo.
O que é o Liberalismo? Na ordem das idéias é um conjunto de idéias falsas; na ordem dos fatos é um conjunto de fatos criminosos, conseqüência prática daquelas idéias.
Na ordem das idéias o Liberalismo é o conjunto do que chamam princípios liberais com as conseqüências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não provenha dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar-se com absoluta independência de todo o critério que não seja o da sua própria vontade expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em religião; liberdade de imprensa, igualmente absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de associação com igual latitude. Estes são os chamados princípios liberais no seu mais cru radicalismo.
O fundo comum de todos eles é o racionalismo individual, ou racionalismo político, e o racionalismo social. Derivam-se deles aliberdade de cultos mais ou menos limitada; a supremacia do Estado em suas relações com a Igreja; o ensino leigo ou independente sem nenhum laço com a religião; o matrimônio legalizado e sancionado pela intervenção exclusiva do Estado; a sua última palavra, a que abarca tudo e tudo sintetiza, é a palavra secularização, quer dizer, a não intervenção da religião em nenhum ato de vida pública, verdadeiro ateísmo social, que é a última conseqüência do Liberalismo.
Na ordem dos fatos o Liberalismo é um conjunto de obras inspiradas por aqueles princípios e reguladas por eles. Como, por exemplo, as leis de desamortização, a expulsão das ordens religiosas; os atentados de todo o gênero oficiais e extra-oficiais, contra a liberdade da Igreja; a corrupção e o erro publicamente autorizado na tribuna, na imprensa, nas diversões, nos costumes; a guerra sistemática ao catolicismo, que apodam com os nomes de clericalismo, teocracia, ultramontanismo, etc., etc.
É impossível enumerar e classificar os fatos que constituem o proceder prático liberal, pois compreendem desde o ministro e o diplomata, que legislam ou intrigam, até ao demagogo, que perora no clube ou assassina na rua; desde o tratado internacional ou a guerra iníqua que usurpa ao Papa e o seu principado temporal, até a mão cobiçosa que rouba o dote da religiosa, ou se apodera da lâmpada do altar; desde o livro profundo e sabichão que se dá como texto na Universidade ou no instituto, até à vil caricatura que regozija os freqüentadores de taberna. O Liberalismo prático é um mundo completo de máximas, modas, artes, literatura, diplomacia, leis, maquinações e atropelamentos completamente seus. É o mundo de Lusbel, hoje disfarçado com aquele nome, e em radical oposição e luta com a sociedade dos filhos de Deus, que é a Igreja de Jesus Cristo.
Eis aqui, pois, retratado, como doutrina e como prática, o Liberalismo.


O Liberalismo – Parte 2


III
Se é pecado o Liberalismo, e que pecado é
O Liberalismo é pecado, quer se considere na ordem das doutrinas, quer na ordem dos fatos.
Na ordem das doutrinas é pecado grave contra a fé, porque as suas doutrinas são heréticas. Na ordem dos fatos é pecado contra os diversos mandamentos da lei de Deus e da sua Igreja, porque a todos viola. Na ordem das doutrinas o Liberalismo é a heresia universal e radical, porque as compreende todas; na ordem dos fatos é a infração radical e universal, porque a todas autoriza e sanciona.
Procedamos por parte na demonstração. Na ordem das doutrinas o Liberalismo é heresia. Heresia é toda a doutrina que nega, com negação formal e pertinaz, um dogma da fé cristã. O Liberalismo-doutrina nega-os a todos, primeiramente em geral, e depois a cada um em particular. Nega-os a todos em geral quando afirma ou supõe a independência absoluta da razão individual no indivíduo, e da razão social ou critério público na sociedade. Dizemos afirma, ou supõe, porque às vezes nas conseqüências secundárias não se afirma o princípio liberal, mas dá-se já por suposto ou admitido. Nega a jurisdição absoluta de Cristo Deus sobre os indivíduos e as sociedades, e por conseqüência a jurisdição delegada que sobre todos e cada um dos fiéis, de qualquer condição e dignidade que sejam, recebeu de Deus, o Cabeça visível da Igreja.
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Nega a necessidade da divina revelação, e a obrigação que tem o homem de admiti-la, se quer alcançar o seu último fim. Nega o motivo formal da fé, isto é, a autoridade de Deus que revela, admitindo da doutrina revelada só aquelas verdades que o seu curto critério alcança. Nega o magistério infalível da Igreja e do Papa, e portanto todas as doutrinas por ele definidas e ensinadas. E, depois desta negação geral e em globo, nega cada um dos dogmas, parcialmente ou em concreto, à medida que, segundo as circunstâncias, os encontram opostos ao seu critério racionalista. Assim, nega a fé recebida no batismo quando admite a igualdade de cultos; nega a santidade do matrimônio quando sustenta a doutrina do chamado matrimônio civil; nega a infalibilidade do Pontífice Romano quando recusa admitir como lei os seus mandatos e ensinamentos e ensinos oficiais, sujeitando-os ao seu passe ou exequatur, não como no princípio para assegurar-se da sua autenticidade, mas para julgar do seu conteúdo.
Na ordem dos fatos é imoralidade radical. E isto porque destrói o princípio ou regra fundamental de toda a moralidade, que é a razão eterna de Deus impondo-se à razão humana; canoniza o absurdo princípio da moral independente, que é no fundo a moral sem lei, ou o que é o mesmo, a moral livre, uma moral que não é moral, pois a idéia de moral, além da sua condição diretiva, encerra essencialmente a idéia de restrição ou limitação. Demais, o Liberalismo é todo imoralidade, porque em seu processo histórico cometeu e sancionou como lícita a infração de todos os mandamentos, desde o que ordena o culto de um só Deus, que é o primeiro do Decálogo, até ao que prescreve o pagamento dos direitos temporais à Igreja que é o último dos cinco desta.
Por isto se pode dizer que o Liberalismo, na ordem das idéias, é erro absoluto, e na ordem dos fatos, desordem absoluta. E por ambos os conceitos é pecado, ex genere suo gravíssimo: é pecado mortal.
IV
Da especial gravidade do pecado Liberalismo
Ensina a teologia católica que nem todos os pecados graves são igualmente graves, ainda dentro da sua condição essencial, que os distingue dos pecados veniais. Há graus no pecado, ainda dentro da categoria de pecado mortal, como há graus na obra boa dentro da categoria da obra boa e ajustada à lei de Deus. Assim o pecado direto contra Deus, como a blasfêmia, é pecado mortal mais grave em si, do que o pecado direto contra o homem, como é o roubo. Pois bem, à exceção do ódio formal contra Deus, que é o maior dos pecados e que raríssimas vezes se comete pela criatura, a não ser no inferno, os pecados mais graves de todos são os pecados contra a fé! A razão é evidente. A fé é o fundamento de toda a ordem sobrenatural; o pecado é tal enquanto ataca qualquer dos pontos desta ordem sobrenatural; é, pois, pecado máximo o que ataca o fundamento máximo daquela ordem. Um exemplo esclarecerá. Se se dá um golpe numa árvore cortando-lhe qualquer dos seus ramos, se lhe faz maior golpe quanto mais importante é o ramo que se corta; se lhe dá golpe máximo ou radical, se se corta a árvore pelo seu tronco ou raiz. Santo Agostinho, citado por Santo Tomás falando do pecado contra a fé, diz com precisão incontestável: Hoc est peccatum quo tenentur cuncta peccataPecado é este em que se contêm todos os pecados. E o mesmo Anjo das Escolas discorre sobre este ponto, como sempre, com sua costumada clareza. Um pecado, diz ele, é tanto mais grave, quanto por ele o homem mais se separa de Deus. Pelo pecado contra a fé o homem separa-se o mais que pode de Deus, pois priva-se do seu verdadeiro conhecimento: por onde, conclui o santo Doutor, o pecado contra a fé é o maior que se conhece.
Todavia, é maior ainda o pecado contra a fé, quando não é simplesmente carência culpável desta virtude e conhecimento, mas negação e combate formal contra dogmas formal e expressamente definidos pela revelação divina. Então o pecado contra a fé, de si gravíssimo, adquire uma gravidade maior, que constitui o que se chama heresia. Inclui toda a malícia da infidelidade mais o protesto expresso contra um ensinamento da fé, ou adesão expressa a um ensinamento que por falso e errôneo é condenado pela mesma fé. Acrescenta ao pecado gravíssimo contra a fé a obstinação e contumácia nele, e uma certa orgulhosa preferência da própria razão sobre a razão de Deus.
Portanto, as doutrinas heréticas e as obras heréticas constituem o maior pecado de todos, à exceção do ódio formal a Deus, do qual, como já dissemos, só são capazes, comumente, o demônio e os condenados.
Conseguintemente, o Liberalismo, que é heresia, e as obras liberais, que são obras heréticas, constituem o pecado máximo que se conhece no código da lei cristã.
Logo (salvo os casos de boa fé, de ignorância e indeliberação), ser liberal é maior pecado do que ser blasfemo, ladrão, adúltero ou homicida, ou qualquer outra coisa das que a lei de Deus proíbe e a sua justiça infinita castiga.
Não o entende assim o moderno Naturalismo, mas sempre assim o creram as leis dos Estados cristãos até ao advento da presente era liberal; assim o prossegue ensinando a lei da Igreja, e assim o continua julgando e condenando o tribunal de Deus. Sim, a heresia e as obras heréticas são os piores pecados de todos, e por isso o Liberalismo e os atos liberais são, ex genero suo, o mal sobre todo o mal.

O Liberalismo – Parte 3


V
Dos diferentes graus que pode haver e há dentro da unidade específica do Liberalismo
O Liberalismo, como sistema de doutrinas, pode chamar-se escola; como organização de adeptos para difundi-las e propagá-las, seita; como agremiação de homens dedicados a fazê-las prevalecer na esfera do direito público, partido. Porém, ou se considere como escola, ou como seita, ou como partido, o Liberalismo oferece dentro da sua unidade lógica e específica vários graus ou matizes que ao teólogo cristão convém estudar e expor.
Primeiramente, convém fazer notar que o Liberalismo é uno, isto é, constitui um organismo de erros perfeita e logicamente concatenados, razão por que se chama sistema. Com efeito, partindo do princípio fundamental de que o homem e a sociedade são perfeitamente autônomos ou livres, com absoluta independência de todo outro critério natural ou sobrenatural, que não seja o individual, segue-se, por uma perfeita ilação de conseqüências, tudo o que em nome dele proclama a demagogia mais avançada.
A Revolução só tem de grande a sua inflexível lógica. Até os atos mais despóticos que executa em nome da liberdade, e que à primeira vista todos tachamos de monstruosas inconseqüências, obedecem a uma lógica altíssima à superior. Pois que, reconhecendo a sociedade por única lei social o critério da maioria, sem outra norma ou regulador, como poderá negar-se ao Estado o perfeito direito de cometer quaisquer tropelias contra a Igreja todas as vezes que, segundo aquele seu único critério social, seja conveniente cometê-las? Admitindo-se que a razão está sempre da parte da maioria, fica por esse modo admitida como única lei a do mais forte; e portanto muito logicamente se pode chegar até às últimas brutalidades.
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Mas, apesar desta unidade lógica do sistema, os homens não são lógicos sempre; e isto produz dentro daquela mesma unidade a mais assombrosa variedade, ou gradação de tintas. As doutrinas derivam necessariamente e por virtude própria umas das outras; os homens, porém, são comumente ilógicos e inconseqüentes.
Os homens, levando até às últimas conseqüências os seus princípios, deveriam ser todos santos, quando os princípios fossem bons; e todos demônios do inferno, quando os princípios fossem maus. É a inconseqüência que, dos homens bons e maus, faz bons a meia bondade, e maus que o não são inteiramente.
Aplicando estas observações ao presente assunto do Liberalismo, diremos que liberais completos se encontram relativamente poucos, louvores a Deus; o que não obsta a que os outros, sem mesmo haverem chegado ao último limite da depravação liberal, sejam, contudo, verdadeiros liberais, isto é, verdadeiros discípulos, sectários ou partidários do Liberalismo, considerado como escola, seita ou partido.
Examinemos estas variedades da família liberal.
Há liberais que aceitam os princípios, porém rejeitam as conseqüências, pelo menos as mais duras e extremas.
Outros aceitam uma ou outra conseqüência, ou aplicação que lhes agrada, fazendo-se, porém, escrupulosos em aceitar radicalmente os princípios.
Quereriam uns o Liberalismo aplicado somente ao ensino; outros à economia civil; outros apenas às formas políticas. Só os mais avançados apregoam a sua natural aplicação a tudo e para tudo.
As restrições e mutilações do credo liberal são tantas, quantos os interesses por sua aplicação prejudicados ou favorecidos; pois existe geralmente o erro de crer que o homem pensa com a inteligência, quando o mais vulgar é que pensa com o coração, e muitas vezes também com o estômago.

Daqui os diferentes partidos liberais que apregoam Liberalismo de mais ou menos graus, como mais ou menos graduada, a gosto do consumidor, expõem o taberneiro a sua aguardente.
Daqui o não haver liberal para quem o vizinho mais avançado não seja um brutal demagogo, ou o menos avançado um furibundo reacionário. É assunto de escala alcoólica, e nada mais.
Assim, pois, tanto os que hipocritamente batizaram em Cadiz o seu Liberalismo com a invocação da Santíssima Trindade, como os que nestes últimos tempos lhe deram por emblema: – Guerra a Deus!, estão todos dentro da tal escala liberal; e a prova é que todos aceitam e em última análise invocam este denominador comum. O critério liberal ou independente é um entre eles, ainda que sejam, em cada um, mais ou menos acentuadas as aplicações.
De que depende esta maior ou menos acentuação? – Muitas vezes dos interesses; não poucas do temperamento; de certas influências de educação, que impedem uns de tomar o passo precipitado que tomam outros; de respeitos humanos talvez, ou considerações de família; de relações ou amizades contraídas, etc., etc. Isto sem contar a tática satânica que às vezes aconselha o homem a não propalar uma idéia para não produzir alarme, e para lograr torná-la mais viável e insinuante; o que sem juízo temerário se pode afirmar de certos liberais conservadores, em quem o conservador não costuma ser mais a máscara ou disfarce do franco demagogo. Contudo, na generalidade dos semiliberais, a caridade pode supor certa dose de candura e de natural bonhomia ou bobice, que se não os faz de todo irresponsáveis, como diremos depois, obriga não obstante a ter-se para com eles alguma compaixão.
Fica pois averiguado, curioso leitor, que o Liberalismo é um só, há porém liberais, como o mau vinho, de diferente cor e sabor.
VI
Do chamado Liberalismo Católico ou Catolicismo Liberal
De todas as inconseqüências e antinomias que se encontram nas escalas médias do Liberalismo, a mais repugnante de todas e a mais odiosa é a que pretende nada menos que a união do Liberalismo com o Catolicismo, para formar o que se conhece na história dos modernos desvarios pelo nome de Liberalismo Católico ou Catolicismo Liberal. O que não obsta tenham pago tributo a este absurdo inteligências preclaras e corações honradíssimos, que não podemos deixar de crer bem intencionados. O Liberalismo teve sua época de moda e prestígio, que, graças ao céu, vai passando, ou já passou.
Este funesto erro teve princípio num desejo exagerado de estabelecer conciliação e paz entre doutrinas que forçosamente e por sua essência são inconciliáveis e inimigas.
O Liberalismo é o dogma da independência absoluta da razão individual e social; o Catolicismo é o dogma da sujeição da razão individual e social à lei de Deus. Como conciliar o sim e o não de tão opostas doutrinas?
Aos fundadores do Liberalismo Católico pareceu coisa fácil. Excogitaram uma razão individual, ligada à lei do Evangelho, porém, coexistindo com ela uma razão pública ou social livre de toda a coerção. Disseram: O Estado, como tal, não deve ter religião, ou deve tê-la somente até certo ponto, que não vá incomodar os que não queiram tê-la. Assim, pois, o cidadão particular deve sujeitar-se à revelação de Jesus Cristo; porém o homem público deve, como tal, portar-se como se para ele não existira a dita revelação.
Desta maneira forjaram a célebre fórmula: A Igreja livre no Estado livre, fórmula para cuja propagação e defesa se ajuramentaram em França vários católicos insignes, entre eles um ilustre Prelado; fórmula, que devia ser suspeita, desde que a tomou Cavour para arvorá-la em bandeira da revolução italiana contra o poder temporal da Santa Sé; fórmula, de que, apesar do seu evidente desastre, não consta que seus autores se hajam retratado ainda.
Não chegaram a ver estes esclarecidos sofistas, que, se a razão individual era obrigada a submeter-se à lei de Deus, não podia declarar-se isenta dela a razão pública ou social sem cair num dualismo extravagante, que submete o homem à lei dos critérios opostos e de duas opostas consciências. Pois que a distinção do homem, em particular e cidadão, obrigando-o no primeiro caso a ser cristão e permitindo-lhe ser ateu no segundo, caiu imediatamente por si sob o peso esmagador da lógica integralmente católica. O Syllabus, de que adiante falaremos, acabou de desfazê-la sem remissão.
Ficou, todavia, desta brilhante – porém funestíssima – escola um ou outro discípulo tardio, que, não se atrevendo já a sustentar em público a teoria católico-liberal, de que fora outrora fervoroso panegirista, segue-a, contudo, obedecendo-lhe ainda na prática, talvez sem se aperceber de que se propõe pescar com redes, que, por velhas e conhecidas, o diabo mandou já recolher.






CONGRESSO MONTFORT – 2011

Congresso Montfort 2011
Vaticano II – História e Doutrina
Programa
29 de julho – sexta-feira
18:30 – 19:30 Credenciamento
19:30 – 19:45 Abertura do Congresso – Informações Gerais
19:45 – 20:00 Apresentação do Coral Companaia – Cancioneiro Montfort
20:00 – 22:00 Vida e História de Monsenhor Marcel Lefebvre – Conferência do Padre Paul Aulagnier – Instituto do Bom Pastor – França
30 de julho – sábado
10:30 – 12:00  Motu Proprio Summorum Pontificum – Padre Paul Aulagnier – Instituto do Bom Pastor – França
12:00 – 14:30 Almoço
14:30 – 16:00 A espiritualidade antes e depois do Concilio – Conferência do Padre Marcelo Tenório – Diocese de Campo Grande
16:00 – 16:30 Coffee Break
16:30 – 18:00  História do Concílio Vaticano II –Conferência da Profa. Dra. Laura Palma
18:00 – 18:30 Apresentação do Coral Infantil Montfort
18:30 – 19:00 Apresentação da Camerata Santa Cecília
19:00 Jantar
31 de julho – domingo
08:30 – 10:30  Raizes do Novus Ordo e duas omissões do Concílio Vaticano II –Conferência do Prof. Marcelo Fedeli
10:30 – 11:00 Breve comparação de textos do Concílio e  textos pré-conciliares –Conferência do Prof. Alberto Zucchi
12:30 – 14:00 Almoço
14:00 – 15:30 Considerações sobre a InstruçãoUniversae Ecclesiae – Palestrante a confirmar
15:30 – 17:00 A vida monástica após o Vaticano II – Frei Tiago de São José – Atibaia
No sábado dia 30 de julho o Padre Paul Aulagnier celebrará missa e, por esta razão, o congresso terá início as 10:30 hs.