“Un discorso pieno di rancore di una fedeli d’Amore”

                                                                                                Eder  Silva



Em seu sublime tratado sobre a Virtude da Caridade, São Paulo nos ensina que o verdadeiro amor – Caritas – não é temerário ou interesseiro. Mas, ao contrário, é prudente e se rejubila com a verdade (I Cor. XIII, 4-6). Nosso Senhor, a Verdade Encarnada, ensinou que todo juízo deve ter fundamento na verdade: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo. VII, 24). São Tomás, em sua Suma Teológica, explica que um dos pecados contra a Virtude da Prudência consiste na falha no reto juízo por desprezo ou negligência dos aspectos necessários (II-II, q.53, a.4). Por fim, o Papa Bento XVI afirma em sua Encíclica Caritas in Veritate que: “A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade”. Em outras palavras, sem a luz da verdade não há verdadeira caridade.

Essas linhas introdutórias, destinadas a recordar o perene ensino da Igreja, servem de fundamento para nosso juízo acerca de um discurso temerário e interesseiro que viemos infelizmente a conhecer. Por questão de justiça, decidimos responder as inverdades desse texto, cuja autora, negligente nas acusações, comportou-se como porta-voz da tradição no que diz respeito à situação da Missa Tridentina em Campo Grande.  

O espaço onde encontramos seu comentário é exclusivamente fraterno, sendo diariamente freqüentado por “teólogos” autodidatas de toda espécie, incluindo até mesmo ferrenhos adeptos do sedevacantismo. Portanto, o ambiente não poderia ser mais propício. E foi nessa confusão de línguas que vislumbramos o comentário enganador e pouco amoroso da senhora Giulia d’Amore.  

Ao comentar no citado espaço sobre os efeitos do Motu Proprio na Arquidiocese de Campo Grande, a sra. d’Amore afirmou temerariamente, isto é, faltando com a caridade e com a prudência, que o outrora Arcebispo Metropolitano (Dom Vitório Pavanello, hoje Arcebispo Emérito) era absolutamente contra a Missa Tridentina:

“O antigo arcebispo era completamente contra a Missa tridentina. A tolerava em uma única paróquia”.

Quais fontes a senhora d’Amore teria consultado para emitir essa conclusão precipitada e completamente tendenciosa? Seja qual ou QUEM for, não lhe transmitiram com fidelidade a verdade sobre o fato. É completamente falsa essa afirmação de que o antigo Arcebispo se manifestou completamente contrário à Missa tridentina. Muito pelo contrário! Dom Vitório pediu para que a Missa fosse celebrada antes mesmo que o Motu Proprio entrasse em vigor na data de 14/09/2007.

O sacerdote solicitado a rezá-la, Padre Marcelo Tenório, deu então início às celebrações em 22/07/2007, portanto, quase imediatamente após a promulgação do Motu Proprio. Nesses quatro anos de Missa na Paróquia São Sebastião, jamais o então Arcebispo manifestou qualquer aversão à Missa Tridentina, tampouco tentou nos impedir de divulgá-la em outras Paróquias da cidade.

Tivemos a oportunidade de presenciar um discurso do senhor Arcebispo, quando o aguardávamos para uma audiência na Catedral Santo Antônio. Para surpresa nossa, o comunicado foi completamente favorável à Missa de Sempre. E assim, novamente, ficou bem clara, como acredita a senhora d’Amore, a “completa oposição” de Dom Vitório à Missa de Sempre.

Não ignoramos um fato aludido pela senhora d’Amore, que, se não fosse pelas omissões e pelos acréscimos inventados, seria uma clara prova de que Dom Vitório jamais executou qualquer ação restritiva às celebrações da Missa antiga. As fontes da sra. d’Amore, além de imprecisas, são completamente fraudulentas. As vozes que lhe sopraram no ouvido inventaram e distorceram vergonhosamente os fatos. E, por justiça, isso merece reparos.

Vejamos as afirmações inverídicas da sra. d’Amore:      

“Por algum tempo, a permitiu em outra, mas sem muito incentivo ou entusiasmo, basta ver o horário que permitia: 5:30 da manhã de domingo! Estimulante, não? Depois voltou a proibi-la”.

Pela convicção das afirmações, algum desinformado pode ser facilmente induzido a pensar que a sra. d’Amore era uma assídua freqüentadora dessas Missas de Motu Proprio. Mas os que realmente estiveram nessas celebrações sabem que não são verdadeiras essas afirmações, e que suas sentenças ou são meros chutes, ou ecos de personagens ocultos que insistem em lhe sussurrar acusações insipientes.   

Em todo caso, a sra. d’Amore está se tornando cúmplice de mentiras, pois as repete sem hesitar e com inteira confiança. Que pena!

A primeira ressalva corretiva diz respeito à referida permissão para celebração da Missa em outra Paróquia que, por algum tempo, também passamos a freqüentar.

Diferente do que descreve a pretensa “relatora oficial da tradição em Campo Grande”, por sinal muito mal informada, essas Missas tiveram início a pedido do Padre Marcelo Tenório que, por ocasião de sua ausência, encarregava outro Padre de rezá-las até seu efetivo retorno. Não houve absolutamente nenhuma intervenção ou consulta ao senhor Arcebispo para que a Missa prosseguisse seu curso em outra Paróquia. Houve apenas um simples combinado entre dois padres, visando dar assistência aos fiéis da Missa Tradicional.   

Quando o Padre da outra Paróquia finalmente decidiu rezar a missa regularmente, e não apenas como substituto, estabeleceu o horário das 15 horas. E assim o fez por decisão própria, novamente sem qualquer interferência do Arcebispo. Entretanto, após algum tempo, houve nova mudança por questões pessoais, e não por determinação do Bispo, conforme impinge o enganador “comentário” da sra. d’Amore.

A partir de então, quem quisesse assistir às Missas na Paróquia deste Padre, deveria sacrificar alguns minutos de sono, chegando pontualmente às 5:30 h, para o início da celebração.

Não ignoramos que o horário fixado pelo Padre possa ter causado certo desestímulo nos fiéis. Mas, apesar do horário pouco incentivador, os católicos ligados à Paróquia prosseguiram perseverantes, oferecendo a Deus a dureza de acordar tão cedo por algo, cuja excelência e sublimidade, estimula qualquer bom católico ao sacrifício de algumas horinhas a mais de sono.

Além do mais, é pertinente frisar que essas missas das 5:30 eram, por assim dizer, uma segunda opção, visto que, quando do seu início, já se rezava, pelo Padre Marcelo Tenório, a Missa na Paróquia São Sebastião todos os Domingos às 17 horas, horário imensamente agradável e estimulador para quem não quisesse madrugar.

Sobre o fato que culminou com o cancelamento das missas das 5:30, deparamo-nos com mais inverdades nada amorosas da sra. d’Amore. Sempre contundente em suas máximas, assegura aos seus leitores que a celebração da Missa fora interrompida porque Dom Vitório proibira. Como dissemos, o senhor Arcebispo nunca dificultou ou proibiu a celebração da Missa de Sempre. Essa Missa deixou de ser rezada por opção do Padre que, diante de certas constatações, julgou conveniente suspendê-la.

Acreditamos que não tenha sido revelado à sra. d’Amore a real causa da suspensão dessa Missa (das 5:30). Claro, pois o real motivo não beneficia em nada os acusadores. É preferível então, pelo contrário, acreditar em informações falaciosas, que atribuem ao Arcebispo uma falsa culpa.

O motivo, segundo nos relatou o próprio Padre, resultou de um abuso silenciado pela “tradição”. Nas Missas de 5:30, o Padre passou a contar apenas com a presença de um grupo de fiéis da FSSPX  - outrora paroquianos da Igreja São Sebastião - que o usava apenas como máquina fornecedora de Sacramentos ou simples máquina de rezar Missa, descartando-o ou desprezando-o para outras finalidades. (e depois somos nós os manipuladores de Padres!). Este Padre então, constatando o espírito oportunista dos chamados “tradicionais”, resolveu cessar as celebrações.

Novo tropeço da sra, d’Amore.

Sua narração temerária e imprecisa não passa de um apanhado de mentiras. Se a sra. d’Amore, com seus comentários nada amorosos, quisesse se tornar a oficial porta-voz da tradição em Campo Grande, poderia, pelo menos, começar a fazer comentários mais precisos e sem falsidades nos fraternos blogs católicos.

+++

Infelizmente essa não é a primeira vez que a sra. d’Amore discursa, direcionando aos seus alvos acusações levianas. Em outro comentário, publicado em seu próprio blog, trata do perfil do novo Arcebispo Metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, concluindo ao seu respeito, nos seguintes termos:

“Vai continuar com a nefasta política de ‘fingir’ obedecer ao Papa empreendida pelo antecessor, ao ‘liberar’ um horário secundário em uma igreja de bairro para um grupo (meio sectário) que tem a ilusão de manipular o padre que foi designado para celebrar as Missas em latim”. (O destaque é nosso).

O grupo qualificado de “meio sectário”, claro, é formado pelos alunos do estimado professor Orlando Fedeli (Que Deus o tenha). Como a sra. d’Amore não fundamentou as acusações que fez – e espero que isso não seja de praxe! – gostaríamos que ao menos elencasse as razões pelas quais conclui amorosamente que somos, sem irônicos eufemismos, um grupo de “meio sectários”. Aliás, existe alguém que seja “meio” sectário? Ou se é sectário de uma vez, ou não se é.

Normalmente, os sectários são aqueles que, de algum modo, criam uma Igreja paralela, rejeitando a hierarquia visível da Igreja verdadeira. Ora, não fomos nós que criamos tribunais paralelos com os mesmos poderes da Rota Romana, usurpando assim, um poder exclusivo do Papa; não fomos nós que retiramos do Papa seu volante, dizendo que ele perdeu o leme, e que só o terá de volta quando se converter; não fomos nós que tratamos o Papa como objeto secundário que, em certas circunstâncias, pode ser descartado; não fomos nós que dissemos que apenas na FSSPX existe Fé pura e Sacramentos não bastardos; não fomos nós que colocamos em dúvidas as ordenações realizadas segundo o novo rito, exigindo dos sacerdotes uma nova ordenação sub-conditione; não fomos nós que nos atrevemos a afirmar que todos os padres estão em pecado por estarem canonicamente submetidos a Roma, fomentando assim, o cisma formal. 

E agora? O espírito sectário está mais próximo de quem, sra. d’Amore? Basta abrir um poucos os olhos para se notar onde realmente se desenvolve um espírito cada vez mais imbuído de sectarismo. Aliás, por falar em “sectarismos”, lemos a seguinte informação de quem se fez “eco da Tradição”, em Campo Grande: “ A FSSPX celebrava as Missas em um convento, até o mês passado. Mas o arcebispo não só não “permitia” como se manifestou contra, publicamente, por algumas vezes...”  Vale indagar: A FSSPX celebrava no convento até o mês passado e não celebrará mais? Qual o motivo? Foi o antigo arcebispo que conseguiu tal proeza de causar inveja a Hugo Chavez?..Se não foi ele, foi quem?.Por que a Missa será celebrada em casas e não na modesta capelinha do convento das irmãs?...Hum..., eu até sei, mas..”piu non dico..”

Para que a sra. d’Amore faça uma boa reflexão sobre seus juízos temerários e sem caridade, transcrevemos trechos de um excelente discurso de Dom Alfonso de Galarreta, um dos quatro Bispos pertencentes à FSSPX:

“A caridade é um dever; quem se opõe, por princípio e ferozmente, a todo contato com os modernistas, com Roma, deveria se lembrar de uma passagem do Evangelho: quando o Senhor não foi recebido em uma cidade, Tiago e João pedem-lhe para fazer descer o fogo divino sobre ela. Mas Jesus os repreende: eles ainda não tinham recebido o Espírito, que é Espírito de caridade [...] Não vejo como a firmeza da Verdade seria oposta à leveza, à engenhosidade e, até, à ousadia da caridade. Nem a intransigência doutrinária é contrária às vísceras da misericórdia e ao sal missionário e apostólico de caridade. Não há que se escolher entre a fé e a caridade, devemos abraçar ambas. Sem a caridade, nada sou: se eu mover montanhas e der tudo aos pobres, sem a caridade, nada sou, como diz a epístola aos Coríntios. A caridade é paciente, a caridade é boa, não é invejosa, não busca o próprio interesse e não leva em conta o mal. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Eis como podemos cooperar para a restauração da Fé, para a restauração de todas as coisas em Cristo”. (A homilia filo-romana de Mons. De Galarreta nas ordenações da FSSPX).

In Corde Jesu, semper
Eder Silva

O texto da senhora Giulia d’Amore

Campo Grande/MS, uma arquidiocese, está em um periodo de mudanças, pois dia 10 de julho toma posse o novo arcebispo. Só o tempo dirá a que veio. Mas pelo seu passado já dá para esboçar um prognóstico. E não é nada bom.

O antigo arcebispo era completamente contra a Missa tridentina. A tolerava em uma única paróquia.
Por algum tempo, a permitiu em outra, mas sem muito incentivo ou entusiasmo, basta ver o horário que permitia: 5:30 da manhã de domingo! Estimulante, não? Depois voltou a proibi-la.

A FSSPX celebrava as Missas em um convento, até o mês passado. Mas o arcebispo não só não “permitia” como se manifestou contra, publicamente, por algumas vezes, perseverando nas mentiras sobre a Congregação de Mons. Lefebvre, chamando-a sempre de cismática. Com isso perpetuava e aumentava o preconceito contra a Fraternidade, assim como já preconizado por Mons. Fellay, antes dos colóquios, e que deu ensejo ao Motu Proprio, para fazer a experiência da Tradição, como queria o fundador da FSSPX.

O interessante é que este tipo de manifestação do arcebispo era lida, obrigatóriamente, nas Missas de todas as paróquias da Arquidiocese. Não tenho conhecimento, de que tenha mandado ler o Motu Proprio tb, ou qqr outro documento pontifício. Não mesmo!

Bom, agora é esperar para ver qual será a postura do novo arcebispo, ex-CNBB… o que, infelizmente, diz tudo!

Salve Maria!

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Missa Cantada na Paróquia Nossa Senhora da Graça - Nova Lima. Presente,  assistindo, o Revmo. Sr. Pároco e Seminaristas.


Matriz de Nossa Senhora da Graça, Advento - 2010


Missa Cantada na Capela de Nossa Senhora Aparecida. Bairro Jd. Marabá, Janeiro, 2011

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