EDUCADORES SAIBAM TRANSMITIR AMOR À VERDADE:



Cidade do Vaticano, 30 ago (RV) – “Por todos os professores, a fim de que saibam transmitir o amor à verdade e educar aos autênticos valores morais e espirituais”: essa é a intenção geral de oração do Papa para o mês de setembro. Uma invocação sobre a qual se detém o Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski, entrevistado pela Rádio Vaticano:

QUEM TEM BOCA VAI A ROMA

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Padre Marcelo Tenório
Estamos às vésperas de um encontro de Mons. Fellay com o Vaticano, no qual é possível que seja tratada a questão da FSSPX e sua posição na Igreja, além da resultante sobre os colóquios doutrinários acerca do Vaticano II. O encontro acontecerá no próprio dia 14 de setembro, Exaltação da Santa Cruz, data memorável por ter sido neste dia a publicação do Summorum Pontificum, em 2007.
Pois bem. Sobre tal evento, como não poderia ser diferente, Mons. Williamson, um dos 4 bispos da Fraternidade, conhecido por falar o que lhe vem à telha, pronunciou-se, mais uma vez, de forma pessimista, contra acordos e diálogos com as autoridades romanas, chegando a prever situações inusitadas como, por exemplo, uma cláusula na fórmula do acordo onde estariam contidas as artimanhas do Vaticano para sufocar a ação da FSSPX, estabelecendo para o futuro que os bispos e superiores fossem escolhidos por uma comissão mista composta de membros da FSSPX e romanos, mais romanos que piodecianos… Onde estaria esta condição, em que parágrafo, o bispo não sabe precisar em sua visão profética, mas acha ele que em algum lugar do acordo e em letras minúsculas.
O fato é que D. Williamson, por ser sempre contra uma comunhão com Roma, antes de qualquer coisa, já se opõe a tudo e a tudo observa com plena desconfiança.
“… Em todo caso, é preciso estar nessas disposições e não numa disposição de ruptura nem numa disposição de oposição por oposição, de oposição à Igreja, por nada desse mundo.(Dom Marcel Lefebvre – Écône, 3/3/1977 – Conf. DICI n. 7, 11/5/2201 – pag. 17-19)
De fato, a FSSPX se coloca em posição bem confortável: apoiando-se no chamado estado de necessidade, entra e sai em qualquer diocese, sem ao menos ter que informar ao ordinariato local sobre sua presença, até mesmo onde não existe o real estado de necessidade. Mas, se não se tem uma necessidade, então cria-se, já que sem ela perde a sua liberdade de entradas e saídas.
Na minha adolescência conheci Mons. Lefebvre, através de seus livros, pronunciamentos, aparecimento na televisão. Todos o conheciam como O bispo rebelde, todavia bastava chegar perto do Monsenhor para se perceber três coisas extremamente importantes:
1. seu amor pela Igreja; 2. sua luta contra a apostasia (em suas raízes); e 3. um profundo desejo de comunhão com Pedro. De uma firmeza imensa em suas cartas ao Papa, colocava-se, mas sempre na submissão e na obediência de Fé. Nunca mostrou-se contra a tudo que era romano,  muito pelo contrário, contrariava-se por toda essa situação e dizia aos seus filhos que não deveriam, jamais, se acostumarem com tudo aquilo. A mesma postura admirável encontramos em D. Castro Mayer. Em ambos, nada de retraimento, de isolamento, de recusa a tudo e a todos do lado do Papa.
O que percebemos hoje na FSSPX é justamente o oposto. Há um espírito forte de ruptura em alguns membros, e esse espírito se expressa nos mais variados pronunciamentos e divagações teológicas que vão desde a questão da instituição ilícita de Tribunais Eclesiásticos (a FSSPX os chama de Comissão Canônica) – que agem paralelamente aos Tribunais Oficiais da Igreja, inclusive em 3ª. Instância (esta exclusiva à Rota Roma), portanto usurpando poderes exclusivos ao Papa – até ao delirante pensamento de uma eclesiovacância, presente na questão das re-ordenações sob condição.
Quanto à primeira divagação, funciona mais ou menos assim: Em Roma só há modernistas, logo também a Sacra Rota está cheia deles. E se está cheia deles, logo seus veredictos são no mínimo duvidosos, criemos, então, o nosso Tribunal, com nossos juízes e juízos retos e católicos. Imaginem se isso fosse imitado pela sociedade civil diante dos nossos tribunais…
Quanto ao segundo ponto, baseia-se na dúvida sobre a validade das ordenações no novo rito, sendo assim – e só assim – seria válida a afirmação, tão terrível quanto absurda, de Mons. Williamson, de que o volante da Igreja estaria na FSSPX e não mais em Roma.
Em todo caso, há também a questão das duas Romas: a Fiel e a modernista; a uma se adere de coração, a outra se recusa veementemente. Ora, sobre isso bem falou o padre Michel Simoulin:
As expressões “duas Romas”, “duas Igrejas”, só são justas dentro dos limites da analogia: se lhes força o sentido, podem se tornar fonte de confusões e gerar um maniqueísmo, no qual se perde o sentido da Igreja, a fé na sua divindade e o simples senso do sobrenatural.(Pe. Michel Simoulin, superior do Distrito da Itália, da Fraternidade São Pio X, artigo “Na crise da Igreja, um pouco de romanidade verdadeira”, in Communicantes, maio de 2001)
Vele a pena ler outras pérolas vindas dos pronunciamentos dos bispos da Fraternidade. Vejamos:
A FSSPX é o coração da Igreja, seu pulso, seu oxigênio, seu remédio diário. Quem nessa vida não toma remédio?(Mons. Tissier de Malerrais)
A crise que hoje em dia estamos vivenciando um dia será tema filosófico nas universidades, e claro, nós como redentores, sem dúvidas(Mons. Alfonso de Galarreta)
… A Fraternidade está no volante, e qualquer comportamento, forma, tamanho ou tipo de negociação que permitisse a essa Roma tomar novamente o volante [sem se converter] seria equivalente a uma traição à Verdade. Naturalmente que, a partir do momento em que Roma retornasse à Verdade, Roma estaria de volta no volante…(Mons. Williamson)
Essas posturas anti-romanas influenciaram muitos na FSSPX, que hoje percebe-se rachada ao meio entre aqueles que querem o acordo e os que recusam qualquer diálogo. Resta saber se, no caso de um possível acordo firmado por Mons. Fellay, os seus membros e os fiéis obedecerão ao seu superior geral. Em suma: teria Mons. Fellay a boca de sua instituição, pela qual falará, argumentará e decidirá? Essa boca, quase que de ouro, terá sua autoridade firmada pelos ecos ressonantes de sua palavra? Por sua boca fortificará mais a FSSPX em seu enrijecimento quanto a Roma, ou sua voz apaziguará todos os ânimos que lhe são contrários, todos os ventos que lhe são adversos? Como Superior Geral, ele terá uma duríssima missão: a comunhão com Roma e a comunhão com os seus.
Não era da vontade de D. Lefebvre que os bispos fossem superiores da Fraternidade. Eles existiam apenas para manter os sacramentos e, sobretudo, a missa. O Arcebispo Emérito de Tulle não queria que os bispos tivessem função de governo, justamente para não evidenciar uma jurisdição paralela que acarretaria claramente um cisma, por isso escolheu, anos antes, o padre alemão F. Schmidberger, para ser Superior Geral da FSSPX.
Vejamos o que escreveu Dom Gèrald, antes das Sagrações de Écône e publicado no site da FSSPX:
Notai bem, trata-se duma verdadeira sagração episcopal conferindo todos os poderes de ordem e de jurisdição. Mas o bispo assim consagrado usaria tão somente o seu poder de ordem, limitando-se a ordenar sacerdotes e a confirmar crianças. Sem “missão canônica”, ele não pode exercer qualquer poder de jurisdição particular. Consagrado sem a permissão do papa, ele se absterá de tornar-se o pastor duma diocese paralela; recusar-se-á, sob pena de tornar-se cismático, constituir-se chefe duma outra igreja. Não há senão uma só Igreja católica apostólica romana. Por nada do mundo, em consequência, ele usurpará uma jurisdição como fizeram os “ortodoxos” cismáticos.
(http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2010-1e-sagracao-bispos-dgerard.htm)
Ele mesmo, D. Marcel Lefebvre, declarou, à época, que os bispos da FSSPX existiam apenas para manter os Sacramentos e a Missa, e não tinham nenhuma jurisdição, de forma que, passando a necessidade, eles, os bispos, deveriam depositar aos pés do Vigário de Cristo o episcopado recebido.
Mas vieram os tribunais instaurados pela própria Fraternidade. Embora alguns padres da FSSPX afirmem que a ideia teria partido do próprio D. Lefebvre (ele teria cogitado criar uma comissão canônica para deliberar sobre casos complicados surgidos no âmbito da Tradição), a existência dos mesmos só veio a público anos após a morte do fundador da Fraternidade, mais precisamente algum tempo depois do Capítulo Geral de 1994. Seria, portanto, estranho supor que o mesmo D. Lefebvre que afirmava que seus Bispos não teriam qualquer jurisdição, caísse em contradição logo em seguida, propondo uma comissão que, ao emitir sentenças em vez de se limitar a consultas e pareceres, ainda que só em analogia aos Tribunais legítimos, automaticamente conferisse algum caráter jurisdicional a algum dos Bispos ou mesmo padre membro da FSSPX…
Também alguns padres outrora pertencentes à FSSPX – entre eles o Pe. Navas, atual Superior do IBP na América Latina, como também o Pe. Geraldo Zendejas, entre outros – em meio à crescente tendência de seus confrades em atribuir um poder de jurisdição paralelo aos Bispos da FSSPX, deixaram a Fraternidade pouco tempo após a eleição de Mons. Fellay como Superior Geral. Com efeito, esses sacerdotes egressos redigiram estudos, apontando o caráter cismático dos tribunais de exceção’”, mesmo que o crivo adotado para avaliá-los fosse o Direito Canônico antigo (o de 1917), uma vez que os peritos neste Código nunca entenderam haver qualquer suplência de jurisdição para além da administração dos 7 Sacramentos…
Em suma: na FSSPX criou-se o estado de necessidade para esses casos sem se ter o de Direito, nem mesmo justificativa plausível, e o resultado estamos vendo a cada dia.
Agora mesmo é criada uma paróquia, não sei como e apoiado em que iota canônico, aqui na cidade de Campo Grande, para expansão do apostolado da FSSPX. Isso pode ser constatado no site deles, no qual se refere a presença do superior distrital da FSSPX mais o Pároco que cuidará da nova capela:
No dia 07 de Agosto passado, recebemos a visita do rev. Pe. Christian Bouchacourt, Superior do Distrito Sulamericano da FSSPX, que veio conhecer a nova Capela tradicional em Campo Grande e falar do projeto de inovação e expansão do apostolado da Fraternidade na Cidade Morena. Estava acompanhado por nosso pároco, o rev. Pe. Daniel Maret, prior do Priorado Padre Anchieta, de São Paulo (grifo e itálico nosso)
(http://campograndecatolica.blogspot.com/2011/08/lancado-do-projeto-da-fsspx-em-campo.html#axzz1Vu5bkjzM)
Ora, das duas, uma: ou empregaram o termo Pároco de forma equivocada (já que nem a FSSPX se refere oficialmente a seus Priorados e Centros de Missacomo Paróquias), ou de fato a pretensa jurisdição da FSSPX chegou até nós, como uma super-jurisdição universal, capaz de criar Paróquias e Párocos ao bel prazer. Estamos diante de um cisma prático.
Era D. Lefebvre que prevenia a todos da FSSPX:
Cuidado, cuidado, cuidado!… Não nos metamos em um círculo infernal do qual não saberemos como sair. Nesta atitude existe um verdadeiro perigo de cisma…
E ainda, falava ele, em carta, aos padres do distrito da França:
Parece-me que devemos ir sobretudo aonde se nos chama e não dar a impressão de que temos uma jurisdição universal, nem uma jurisdição sobre um país ou uma região. Seria basear nosso apostolado sobre uma base falsa e ilusória. Por isso, igualmente, se outros sacerdotes satisfazem normalmente às necessidades dos fiéis, não temos por que nos imiscuirmos em seu apostolado, mas sim nos alegrarmos de que haja outros sacerdotes católicos que se levantam para salvar as almas(27/4/1987).
É verdade que, durante esses anos de profunda crise, a FSSPX teve um papel de grande importância. Mas não somente ela: Campos e outras comunidades, paróquias, sacerdotes diocesanos, associações de fiéis que, a seu modo, trabalharam contra o que foi chamado pelo próprio papa Paulo VI de autodemolição da Igreja. Mas é mais que verdade que a Igreja de Cristo, sendo a Igreja Católica Romana, tem na pessoa do Supremo Pastor o seu princípio e fundamento. De forma que, sem a comunhão com o Bispo de Roma e sem o seu beneplácito, não pode haver verdadeiro apostolado católico.
Rezemos por este encontro entre Mons. Fellay e as autoridades romanas, marcado para o dia da Exaltação da Santa Cruz, a fim de que aconteça tudo de acordo com o Coração Imaculado de Maria.
Se o Papa me chama, eu vou, aliás eu corro. Isto é certo. Por obediência. Por filial respeito para com o chefe da Igreja (D. Bernard Fellay,  revista 30 dias, setembro de 2000).
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Show em São Paulo marca chegada da Cruz da JMJ






O Brasil sediará a próxima JMJ, no Rio de Janeiro, em 2013.
A Cruz, de madeira e com pouco mais de 3,5 metros de altura, foi dada aos jovens pelo Papa João Paulo II em 1984 e, desde 1994, peregrina nos países que recebem a JMJ um ano antes do evento.

BARTOLOMEU I CONVOCA “SINAXIS” DE ANTIGAS IGREJAS ORTODOXAS


Preocupação no Patriarcado de Moscou


ISTAMBUL, quinta-feira, 25 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla convocou uma Sinaxis (palavra grega que significa “assembleia de cunho religioso”), para a qual convidou as antigas igrejas ortodoxas, isto é, os patriarcas ortodoxos de Jerusalém, Antioquia e Alexandria, além do arcebispo de Chipre.
Nessa reunião, programada em Istambul para os próximos dias 1º e 2 de setembro, está previsto que se tratem de duas questões: a situação dos cristãos no Oriente Médio, por um lado, e a situação atual das relações inter-ortodoxas, frente a um futuro concílio pan-ortodoxo.
O objetivo é desbloquear o “ponto morto” em que se encontra a Comissão Preparatória desse concílio pan-ortodoxo, anunciado há mais de um ano, em junho de 2006, durante a histórica visita do patriarca Bartolomeu I à Rússia.
Segundo informa Orthodoxie.com, a decisão do patriarca de convidar o arcebispo de Chipre se deve a que essa igreja “deve sua autocefalia, assim como os três patriarcados, à decisão de um concílio ecumênico”.
Na carta de convocação da Sinaxis, Bartolomeu I indicou que esta peculiaridade “não pretende certamente excluir as demais igrejas ortodoxas das decisões pan-ortodoxas, mas, ao contrário, quer sustentar a facilitar a unidade”.
Precisamente um dos 10 pontos principais tratados pela Comissão Preparatória são os princípios para a declaração da autonomia das igrejas ortodoxas (proclamação do caráter autocéfalo), o ponto de maior fricção entre elas, especialmente entre a Igreja Ortodoxa Grega e a Russa, esta última majoritária dentro da Ortodoxia e autocéfala desde 1488.
Desacordo de Moscou
A convocação da Sinaxis, de fato, foi recebida com fortes críticas por parte do Patriarcado de Moscou, segundo expressou no último dia 21 de junho o metropolita Hilarion, presidente do Departamento de Relações Exteriores.
Naquela ocasião, o metropolita afirmou “não estar de acordo em que um grupo particular de igrejas se considere como o ‘pilar’ da ortodoxia mundial, sobre a base de que a autocefalia é mais antiga que a das outras igrejas, pelo que, neste caso, há uma tentativa de dividir a ortodoxia em igrejas de ‘primeira’ e igrejas de ‘segunda’”.
“Se queremos preparar dignamente e levar a cabo o concílio pan-ortodoxo, devemos apoiar os conceitos eclesiológicos que unem todas as igrejas ortodoxas, e não criar novos conceitos que não podem senão levar à divisão e à desordem”, afirmou.
No entanto, nos últimos dias, segundo confirma o Patriarcado Russo, encontraram-se pessoalmente o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, e o metropolita Hilarion, na ilha turca de Imbros – uma visita interpretada como um sinal de distensão entre ambos.
O encontro durou dois dias (21-22 de agosto), segundo informa hoje o Patriarcado de Moscou. No domingo, o patriarca Bartolomeu, que é original de Imbros, quis mostrar os lugares da sua infância e juventude ao metropolita Hilarion.
Após rezarem juntos as vésperas na igreja da Dormição de São Teodoro, o patriarca se dirigiu publicamente ao metropolita Hilarion, agradecendo pelo trabalho do seu departamento frente às relações entre ambos os patriarcados.
“Isso, naturalmente, não significa que de vez em quando não se condense alguma nuvem e não surja algum problema, mas tentemos superá-los e resolvê-los juntos, para prosseguir com a nossa colaboração harmônica”, concluiu.
(Inma Álvarez)

REAÇÃO JUDAICA À JMJ: FALA DAVID HATCHWELL


Entrevista ao vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri


MADRI, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – “Êxito absoluto”, “gente saudável”, “energia positiva”, “retorno aos valores”: é com esta contundência que se expressa, nesta entrevista, David Hatchwell, vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri (www.cjmadrid.org), ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2011.
ZENIT: Você deu seu apoio à JMJ antes de que ela fosse realizada. Por que esta aliança com um evento católico de envergadura?
Hatchwell: Quem pensa as mesmas coisas precisa estar junto. Os católicos, como outros grupos, têm direito de expressar-se, ainda que haja protestos contra isso. Têm direito a acreditar no que acreditam e, por este motivo, temos esta proximidade, porque nós, os judeus, sabemos bem o que significa ser menosprezados. Entendemos o que é ser deslegitimados e eu vivo isso constantemente.
Sou muito sensível e não me preocupam somente, mas me incomodam as tendências a deslegitimar as pessoas. Uma pessoa pode não concordar com alguém, mas não deve haver ataques a coletivos de maneira injustificada e fora de contexto. Neste sentido, nosso apoio a um ato como a JMJ é claro. Comemoro o fato de que esta JMJ tenha se realizado e daí vem a proximidade com o evento.
ZENIT: Percebi que você gostou do encontro.
Hatchwell: Sem dúvida, esta viagem do Papa foi um êxito absoluto. É o maior acontecimento das últimas décadas, eu não me lembro de ter visto algo assim. Ver Madri com todo tipo de gente jovem nas ruas, pessoas muito sudáveis, com energia positiva, foi incrível, uma delícia. A avaliação só pode ser positiva.
Todos os dias, na grande variedade de eventos que ocorreram, demonstrou-se que o que se queria era um momento espiritual muito potente, e isso aconteceu.
ZENIT: Houve críticas também.
Hatchwell: Foi só um incidente de poucas pessoas, quando do outro lado havia quase dois milhões. Infelizmente, alguns meios de comunicação descontextualizam e mostram o fenômeno marginal. Mas, para mim, foi um êxito absoluto.
Do que li, me consta que uma empresa internacional – a Price Waterhouse Coopers – faz uma auditoria, o que me parece muito sensato por parte da Igreja, essa transparência.
Além disso, as JMJ contribuíram muito para a cidade de Madri, e por isso não entendo essas tentativas de criticá-la. Muito além de informações de manchetes, o que está claro é que Madri esteve no mapa do mundo vários dias e isso foi muito positivo para a Espanha.
ZENIT: Que aspecto da mensagem do Papa mais chamou sua atenção?
Hatchwell: Sem dúvida, a mensagem foi muito importante, especialmente a reconexão com uma série de valores. Esse apelo transcende um credo específico, não somente mensagens cristãs, mas universais.
O Papa pediu aos jovens que sejam muito valentes com suas convicções. Estamos diante de um relativismo ético muito profundo, com uma tendência a tirar valor das coisas que muita gente tem como princípios básicos da sua educação.
Nisso, estamos totalmente de acordo com o Papa: em uma sociedade moderna, são necessários valores para enfrentar o relativismo e continuar acreditando nas convicções morais que as pessoas têm.
Outro aspecto chamativo da mensagem foi que não vivemos na tirania do indivíduo, não existe um “eu” absoluto, mas hoje há valores comuns coletivos espirituais e o serviço ao outro.
ZENIT: Esses valores são compartilhados entre judeus e cristãos?
Hatchwell: Absolutamente. Judeus e cristãos compartilham valores comuns troncais. Jesus era judeu e os primeiros cristãos também: daí os valores compartilhados que, sem dúvida alguma, continuam sendo os mesmos.
ZENIT: Desde o Concílio Vaticano II, as relações entre a Igreja Católica e o judaísmo melhoraram substancialmente.
Hatchwell: Sabemos que, durante séculos, a relação entre a Igreja e o judaísmo não era em absoluto o que temos agora; melhorou há 40 anos. Eu me sinto privilegiado por viver hoje em dia, em um momento no qual a Igreja percebe de maneira totalmente diferente os judeus.
ZENIT: Os jovens judeus têm encontros como a JMJ?
Hatchwell: Encontros sim, mas não tão grandes. Há reuniões de jovens do mundo inteiro, da Rússia, Etiópia, Estados Unidos, nas quais se reúnem e compartilham valores comuns. Refletem sobre a vida, sobre o serviço ao outro, assumem responsabilidades.
Os jovens são muito importantes na nossa tradição. Os idosos têm mais conhecimentos e experiência, mas o presente e o futuro é dos jovens: é preciso investir sempre neles para que conheçam a base da nossa tradição, vivam-na e possam transmiti-la, pois, se não fazemos esforços com as pessoas jovens, em 30 anos, os números podem mudar.
É preciso dar um elemento cultural básico aos jovens. No meu caso, tenho a sorte de viver em um país democrático, onde tenho direito de observar meu culto; e ficaria feliz se meus filhos o seguissem assim como eu, meus pais e assim por diante. Quero mostrar-lhes que não são responsáveis somente pelo seu microcosmos, que tenham uma vida feliz e plena, com êxito, o que é bom, mas servindo os outros, não somente a comunidade judaica, mas que sejam boas pessoas, altruístas.
Neste sentido, cristãos e judeus, novamente, compartilham valores. Pensemos que o judaísmo nasce como a primeira religião monoteísta, em um momento em que não havia o direito à vida para todos; se a pessoa era escrava, não tinha os mesmos direitos, havia muitos sacrifícios humanos… Os direitos humanos são parte do DNA do judaísmo e foram configurando a sociedade atual, como o cristianismo também.
(Miriam Díez i Bosch)