CATEQUESE DO PAPA: ARTE AJUDA NA RELAÇÃO COM DEUS


Intervenção do Papa na audiência geral de hoje

CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 31 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a catequese que o Papa Bento XVI dirigiu hoje aos fiéis reunidos para a audiência geral no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo. A catequese de hoje, que pertence ao ciclo da oração, centrou-se na relação entre a arte e a oração.
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Queridos irmãos e irmãs:
Neste período, recordei muitas vezes a necessidade que todo cristão tem de encontrar tempo para Deus, através da oração, em meio às muitas ocupações da nossa jornada. O próprio Senhor nos oferece muitas oportunidades para que nos lembremos d’Ele. Hoje eu gostaria de falar brevemente de um desses meios que podem nos conduzir a Deus e ser também uma ajuda para encontrar-nos com Ele: é o caminho das expressões artísticas, parte dessa via pulchritudinis – “via da beleza” – da qual falei tantas vezes e que o homem deveria recuperar em seu significado mais profundo.
Talvez já tenha lhes acontecido que, diante de uma escultura, um quadro, alguns versos de poesia ou uma peça musical, tenham sentido uma íntima emoção, uma sensação de alegria; percebem claramente que, diante de vocês, não existe somente matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, e sim algo maior, algo que nos “fala”, capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma. Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, que tenta descobrir o sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons. A arte é capaz de expressar e tornar visível a necessidade do homem de ir além do que se vê, manifesta a sede e a busca do infinito. Inclusive é como uma porta aberta ao infinito, a uma beleza e uma verdade que vão além do cotidiano. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, conduzindo-nos ao alto.
Há expressões artísticas que são verdadeiros caminhos rumo a Deus, a Beleza suprema, que inclusive são uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração. Trata-se das obras que nascem da fé e que a expressam. Um exemplo disso é quando visitamos uma catedral gótica: sentimo-nos cativados pelas linhas verticais que se elevam até o céu e que atraem nosso olhar e nosso espírito, enquanto, ao mesmo tempo, nos sentimos pequenos ou também desejosos de plenitude… Ou quando entramos em uma igreja românica: sentimo-nos convidados de forma espontânea ao recolhimento e à oração. Percebemos que nesses esplêndidos edifícios se recolhe a fé de gerações. Ou também quando escutamos uma peça de música sacra que faz vibrar as cordas do nosso coração, nossa alma se dilata e se sente impelida a dirigir-se a Deus. Vem-me à memória um concerto de música de Johann Sebastian Bach, em Munique, dirigido por Leonard Bernstein. No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não racionalizando, mas no profundo do coração, que o que eu havia escutado havia me transmitido verdade, verdade do sumo compositor que me conduzia a dar graças a Deus. Ao meu lado estava o bispo luterano de Munique e espontaneamente lhe comentei: “Ouvindo isso se entende: é verdadeira, é verdadeira a fé tão forte e a beleza que expressa irresistivelmente a presença da verdade de Deus”.
Quantas vezes quadros ou afrescos, frutos da fé do artista, com suas formas, com suas cores, com suas luzes, nos conduzem a dirigir o pensamento a Deus e fazem crescer em nós o desejo de acudir à fonte de toda beleza! É profundamente certo o que escreveu um grande artista, Marc Chagall: que os pintores mergulharam seus pincéis, durante séculos, no alfabeto de cores que é a Bíblia. Quantas vezes as expressões artísticas podem ser oportunidades para lembrarmos de Deus, para ajudar nossa oração ou para converter o nosso coração! Paul Claudel, famoso poeta, dramaturgo e diplomata francês, ao escutar o canto do Magnificatdurante a Missa de Natal na basílica de Notre Dame, em Paris, em 1886, advertiu a presença de Deus. Não havia entrado na igreja por motivos de fé, mas para encontrar argumentos contra os cristãos. No entanto, a graça de Deus agiu no seu coração.
Queridos amigos, eu lhes convido a redescobrir a importância deste caminho também para a oração, para a nossa relação viva com Deus. As cidades e os países do mundo inteiro contêm tesouros de arte que expressam a fé e nos recordam a relação com Deus. Que a visita a lugares de arte não seja somente ocasião de enriquecimento cultural, mas que possa se tornar um momento de graça, de estímulo para reforçar nosso vínculo e nosso diálogo com o Senhor, para deter-nos a contemplar – na transição da simples realidade exterior à realidade mais profunda que expressa – o raio de beleza que nos atinge, que quase nos “fere” e que nos convida a elevar-nos até Deus. Termino com uma oração de um salmo, o salmo 27: “Uma só coisa pedi ao Senhor, só isto desejo: poder morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida; poder gozar da suavidade do Senhor e contemplar seu santuário” (v.4). Esperemos que o Senhor nos ajude a contemplar sua beleza, seja na natureza ou nas obras de arte, para sermos tocados pela luz do seu rosto e, assim, podermos ser, também nós, uma luz para o nosso próximo.
Obrigado.
[No final da audiência, Bento XVI saudou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, nomeadamente para os fiéis da diocese de Viseu. Procurem descobrir na arte religiosa um estímulo para reforçar a sua união e o seu diálogo com o Senhor, através da contemplação da beleza que nos convida a elevar o nosso íntimo para Deus. E que Ele os abençoe. Obrigado!
[Tradução: Aline Banchieri.

Pedido para iniciar processo de beatificação de D. Luciano




Pedido para iniciar processo de beatificação de D. Luciano será enviado à Santa Sé

No último dia 26, uma missa na Catedral de Mariana, presidida pelo arcebispo emérito de Belo Horizonte (MG), cardeal Serafim Fernandes de Araújo, lembrou os cinco anos da morte de dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana por 18 anos, de 1988 a 2006. Na ocasião, o arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha, anunciou o que já havia antecipado em maio, durante a assembleia geral da CNBB: vai solicitar à Santa Sé autorização para iniciar o processo de beatificação de dom Luciano.

“Após cinco anos do falecimento de Dom Luciano, comunico oficialmente que, com o apoio dos bispos brasileiros, a arquidiocese de Mariana, iniciará o que é necessário para obter da Sé Apostólica a autorização para dar início ao processo de beatificação do quarto arcebispo de Mariana, dom Luciano Pedro Mendes de Almeida”, disse dom Geraldo.

Dom Luciano morreu no dia 27 de agosto de 2006, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Ele é reconhecido por sua inteligência brilhante e atuação firme na defesa dos direitos humanos e cuidado com os mais pobres, tendo sido secretário e presidente da CNBB por dois mandatos consecutivos em cada um dos cargos. Sua fama de santidade já corre entre o povo e seu túmulo, na cripta da catedral de Mariana, é permanentemente visitado pelos fiéis.

[Dom Geraldo e dom Serafim depositam flores no túmulo de dom Luciano (Foto: Caetano Etrusco)]

O pedido à Santa Sé vai respaldado por mais de 300 bispos que, na assembleia da CNBB, assinaram a petição a ser encaminhada por dom Geraldo à Congregação para a Causa dos Santos solicitando o nihil obstat (nada impede) para iniciar o processo de beatificação.

Uma vez autorizado o pedido, a arquidiocese instaurará um Tribunal Específico para conduzir a causa. O Tribunal ouvirá as pessoas que serão chamadas a depor no processo mediante um questionário elaborado pela própria Santa Sé. “Há todo um ritual e muitas formalidades que são determinadas no procedimento de um processo para a beatificação”, explicou dom Geraldo.

Beatificacao_domLucianodgeraldo2Para dom Geraldo, o atual momento representa, para a arquidiocese de Mariana, a importância de dom Luciano. “Sem desmerecer seus antecessores, dom Luciano tem um significado muito especial, e aqui deixou marcas de extraordinária importância. A atual estrutura pastoral que temos na arquidiocese de Mariana, o dinamismo pastoral que foi aqui implantado, esta abertura para a questão social, a defesa dos direitos humanos e, sobretudo, o serviço aos pobres com tantas obras sociais. Tudo isso, nós agradecemos a dom Luciano”.

Comenda

A Faculdade Arquidiocesana de Mariana realizou, na sexta-feira, 26, o ato solene de outorga da “Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida do Mérito Educacional e Responsabilidade Social”.

Foram homenageados o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito do São Paulo (SP), ausente por motivo de saúde; o cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo, arcebispo emérito de Belo Horizonte (MG); padre Paulo Vicente Ribeiro Nobre, assessor arquidiocesano da Dimensão Catequética da Arquidiocese de Mariana; irmã Carmem Mendes de Carvalho, coordenadora da residência arquiepiscopal durante o episcopado de dom Luciano; irmã Neusa Quirino Simões (Companhia de Maria), ex-secretária de dom Luciano na CNBB e o Núcleo de Apoio aos Toxicômanos e Alcoólatras de Ouro Preto, Grupo NATA.

São Paulo

No domingo, 28, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, inaugurou, na zona leste da cidade, um novo viaduto, que recebeu o nome Viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida. O arcebispo, que era carioca, foi bispo auxiliar de São Paulo, na Região Belém, durante 12 anos, de 1976 a 1988. Em São Paulo, ele fundou a Pastoral do Menor, que hoje atua em todo o país, e inaugurou outras obras de atendimento aos pobres.

Fonte: CNBB.org.br


EDUCADORES SAIBAM TRANSMITIR AMOR À VERDADE:



Cidade do Vaticano, 30 ago (RV) – “Por todos os professores, a fim de que saibam transmitir o amor à verdade e educar aos autênticos valores morais e espirituais”: essa é a intenção geral de oração do Papa para o mês de setembro. Uma invocação sobre a qual se detém o Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski, entrevistado pela Rádio Vaticano:


Cardeal Zenon Grocholewski:- “Estes dois elementos da intenção de oração para o mês de setembro expressam justamente o núcleo da atual emergência educacional. Diante do relativismo acerca dos valores e das verdades fundamentais da vida, se postula transmitir o amor da verdade: se não se sabe o que é o bem e o que é o mal; se tudo é relativo, então se impõe a pergunta “a que educar?”. A segunda parte dessa intenção de oração é essencial: educar aos autênticos valores morais e espirituais. Na realidade, a educação não pode ser reduzida à transmissão de conhecimentos, e as capacidades podem ser utilizadas tanto para o bem como para o mal. Deve-se educar a pessoa para que saiba – mas, sobretudo, queira – usar esses conhecimentos e capacidades para o bem.”RV: A emergência educacional é um dos grandes temas do Pontificado de Bento XVI: como a sua Congregação está respondendo a esse grande desafio dos nossos tempos?Cardeal Zenon Grocholewski:- “Nós buscamos elaborar um projeto educacional – e isso é muito importante – que tem como foco a centralidade da pessoa humana, a sua integridade. Mesmo em relação à formação intelectual, para nós não é somente uma preparação para a profissão: a formação intelectual em primeiro lugar deve formar a pessoa, tornando-a capaz de ser crítica, de julgar e de avaliar sozinha; de não ser escrava de certas propagandas ou ideologias. Para nós, a formação dos formadores é também muito importante: a formação dos professores, que não devem ter uma formação unicamente intelectual e específica para a matéria que ensinam, mas devem ter também uma certa formação espiritual, que os torne pessoas confiáveis, de modo a representar uma certa “autoridade” para os próprios estudantes. Creio que por tudo isso nosso ensino é muito apreciado. Quando alguns embaixadores junto à Santa Sé, embaixadores não cristãos, vêm aqui à Congregação, e se dizem orgulhosos de ter estudado numa escola ou universidade católica… costumo perguntar por qual motivo, mesmo não sendo cristãos, estudaram numa escola católica. Sempre me dão duas respostas: a primeira, dizem que é porque são melhores; a segunda resposta – para mim muito importante –, é porque a escola católica não transmite somente conhecimentos, mas forma a pessoa.”RV: Falando aos jovens docentes universitários no Escorial, por ocasião da recente Jornada Mundial da Juventude de Madri, o Papa disse que “o caminho para a verdade plena é um caminho da inteligência e do amor, da razão e da fé”…Cardeal Zenon Grocholewski:- “Isso nos reconduz àquilo que o atual Pontífice sempre postulou: alargar os horizontes da racionalidade e, portanto, não restringir o intelecto humano somente a buscar aquilo que é experimentável, aquilo que é útil concretamente, economicamente; mas abrir-se à verdade plena, abrir-se também às questões fundamentais da vida humana, do sentido da vida, do destino da vida… Penso que nesse contexto seja muito útil integrar razão e fé: a razão sincera não pode fechar-se aos problemas apresentados pelas religiões. Não pode fechar-se porque são interrogações fundamentais da vida!” (RL)

PESCADORES DE AQUÁRIO


                                                                                               






                                                                                                         Regina Zucchi

                                                                                              
Quem mora no Brasil e tem a oportunidade de passar algum tempo na França, como ocorreu recentemente comigo, constata, especialmente em Paris, que a quantidade de Missas celebradas segundo o chamado rito extraordinário é muito superior ao que temos no Brasil,  mesmo na cidade de São Paulo, provavelmente a cidade brasileira onde a Missa Antiga tem sua maior difusão. 
Somente em Paris existem, todos os domingos, pelo menos 12 igrejas com uma ou mais missas de acordo com o Missal de 1962. Ademais, existem algumas capelas particulares, pertencentes ao Instituto do Bom Pastor, à Fraternidade São Pedro e à Fraternidade São Pio X, onde esta mesma Missa é rezada.  É importante ressaltar que essas Missas são, na maioria, diocesanas, ou seja, celebradas por padres pertencentes à Diocese de Paris.  Estas celebrações tiveram como origem o Motu Próprio Summorum Pontificum promulgado por Bento XVI.

Igreja de Saint Eugène et Sainte Cécile em Paris

Dentre as celebrações da Missa tradicional em Paris, a mais antiga, mais importante, e a mais conhecida é a da igreja Saint Eugène. O antigo pároco responsável por esta celebração foi sagrado Bispo: é Dom Batut, bispo auxiliar em Lyon.  
O início da celebração no rito antigo é bem anterior ao Motu Próprio, ela ocorreu em 1980. Posteriormente,  devido a pedidos muito insistentes de pessoas ricas e influentes da região, o Cardeal de Paris acabou concedendo oficialmente a autorização para a celebração da Missa antiga. Esta autorização estava suportada pelo  Motu Próprio Ecclesia Dei publicado em 1985 pelo  Papa João Paulo II, que permitia, em alguns casos, a celebração da Missa segundo o missal de 1962. Assim a igreja de Saint Eugène tornou-se uma  paróquia para acolher os fiéis que desejassem a Missa Antiga. Comenta-se, aliás, que não se tratou propriamente de um ato de generosidade do  Cardeal, mas sim de uma ação tática, pois, naquela situação, ou era feita esta concessão ou esses fiéis iriam assistir a Missa na Fraternidade São Pio X. 
Assim, essa igreja foi um caso raro, se não único no mundo.  A princípio, o Cardeal colocou dois Padres, um para cuidar da missa de 1962 e outro da missa de Paulo IV. Mas depois, em 1998, as duas comunidades passaram a estar unidas sob o mesmo pároco.  Com o tempo, o padre foi dando cada vez mais importância para a Missa antiga, o que é comum acontecer com os sacerdotes que passam a celebrar a Missa no rito tradicional. 
Em razão de sua crescente adesão ao rito antigo, o padre começou por transformar o altar fixo em forma de mesa em um altar mesa móvel, que era colocado somente durante as celebrações da nova Missa. A Missa antiga sempre era celebrada em um altar dos tempos pré-conciliares. Depois, ele trocou o altar móvel por uma mesinha, e por fim, acabou por eliminar de todo o altar mesa. Segundo informações, as duas Missas são feitas no altar antigo. A Missa antiga é celebrada não somente aos domingos, mas diariamente. 
 Desde sempre, a Missa antiga de Saint Eugène, além de estar de acordo com todas as rubricas estabelecidas, foi considerada como uma Missa belamente celebrada e, por esta razão, muitos fiéis para lá se deslocam, mesmo possuindo a Missa tradicional mais perto de suas residências.   
Essa igreja tem também uma característica singular para os franceses. A Missa antiga não  “sai de férias”. Na França, em geral, os padres consideram as férias um dever sagrado.  Como na maioria dos locais onde há Missa antiga, ela é rezada por um único padre, quando ele sai de férias, a Missa vai junto. Em Saint Eugene isto não ocorre.  No período de férias, como existe um só padre, ele alterna durante a semana rezando a Missa antiga em um dia e a Nova em outro. No Domingo são celebradas as duas Missas.  Assim, apesar de Paris realmente ficar vazia durante o verão, muita gente freqüenta a Missa da Saint Eugène porque, além da própria Saint Eugène, restam apenas as capelas “particulares”, ou seja, as Missas dos institutos. 
Foi  exatamente devido a um período de férias  da igreja onde eu assistia à Missa antiga, que eu comecei a freqüentar a Saint Eugène. E foi no final de uma dessas  missas  que vi  um rapaz distribuindo folhetos.  Ao ler um desses folhetos vi que se tratava de propaganda convidando a viagens e formações do MJCF (Mouvement de La Jeunesse Catholique de France). Essa é uma associação leiga ligada à Fraternidade São Pio X.  Já os tinha visto na Missa final da Peregrinação de Chartres, não a organizada pela FSSPX,  e  também no final da Missa da igreja que tinha o hábito de freqüentar diariamente. 
Entretanto, foi nessa ocasião que me dei conta de que este grupo realizava seu trabalho de propaganda somente com aqueles que já são os freqüentadores da Missa antiga, pois nas vezes em que presenciei os fiéis se retirando da Missa nova, jamais vi o MJCF distribuindo seus folhetos. 
Este fato causou-me a impressão de alguém que quisesse aumentar sua fortuna tirando o dinheiro do bolso direito para colocar no esquerdo. Ou, melhor ainda, de alguém que pescasse no aquário da sala para levar os peixes ao tanque do fundo do quintal. 
Recordei-me então do apostolado do nosso Professor Orlando que, durante toda a sua vida e especialmente  após ter  fundado a Montfort, trabalhou de forma muito diferente.  Ele jamais pescou em aquários tradicionalistas. Nunca houve, por exemplo, Montfort em Campos. Tínhamos lá muitos amigos, que presenciaram inúmeras palestras proferidas pelo Professor, mas que eram incentivados a permanecer nos grupos em que estavam e colaborar com os seus párocos.  
O que o Professor sempre fez foi trabalhar em território inimigo, pescar em alto mar. Em relação à Missa, seu alvo principal não eram sequer os freqüentadores da Missa nova que não conheciam a Missa de sempre mas, na grande maioria, aqueles que não freqüentavam Missa alguma. Perdeu-se a conta do número de protestantes das mais variadas denominações, espíritas, ateus e freqüentadores de seitas as mais estranhas, algumas delas secretas, que o Professor converteu. 
Na realidade, aconteceu o contrário. A Montfort foi, por diversas vezes, assediada por gente incapaz de levar para a Igreja pessoas que não pertencem às fileiras ditas tradicionalistas. Assim, muitos daqueles que se aproximaram como amigos, de forma sorrateira plantaram a cizânia. Que Deus os perdoe. 
Não se pode deixar de ter presente que não é “pescando no aquário dos outros” que se combate a favor da Igreja. Não é fazendo intriga, criando escrúpulos e divisões que se ajuda o Papa no combate ao modernismo…

http://www.montfort.org.br/index.php/blog/artigos-da-montfort/pescadores-de-aquario/

Fonte:

QUEM TEM BOCA VAI A ROMA

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Padre Marcelo Tenório
Estamos às vésperas de um encontro de Mons. Fellay com o Vaticano, no qual é possível que seja tratada a questão da FSSPX e sua posição na Igreja, além da resultante sobre os colóquios doutrinários acerca do Vaticano II. O encontro acontecerá no próprio dia 14 de setembro, Exaltação da Santa Cruz, data memorável por ter sido neste dia a publicação do Summorum Pontificum, em 2007.
Pois bem. Sobre tal evento, como não poderia ser diferente, Mons. Williamson, um dos 4 bispos da Fraternidade, conhecido por falar o que lhe vem à telha, pronunciou-se, mais uma vez, de forma pessimista, contra acordos e diálogos com as autoridades romanas, chegando a prever situações inusitadas como, por exemplo, uma cláusula na fórmula do acordo onde estariam contidas as artimanhas do Vaticano para sufocar a ação da FSSPX, estabelecendo para o futuro que os bispos e superiores fossem escolhidos por uma comissão mista composta de membros da FSSPX e romanos, mais romanos que piodecianos… Onde estaria esta condição, em que parágrafo, o bispo não sabe precisar em sua visão profética, mas acha ele que em algum lugar do acordo e em letras minúsculas.
O fato é que D. Williamson, por ser sempre contra uma comunhão com Roma, antes de qualquer coisa, já se opõe a tudo e a tudo observa com plena desconfiança.
“… Em todo caso, é preciso estar nessas disposições e não numa disposição de ruptura nem numa disposição de oposição por oposição, de oposição à Igreja, por nada desse mundo.(Dom Marcel Lefebvre – Écône, 3/3/1977 – Conf. DICI n. 7, 11/5/2201 – pag. 17-19)
De fato, a FSSPX se coloca em posição bem confortável: apoiando-se no chamado estado de necessidade, entra e sai em qualquer diocese, sem ao menos ter que informar ao ordinariato local sobre sua presença, até mesmo onde não existe o real estado de necessidade. Mas, se não se tem uma necessidade, então cria-se, já que sem ela perde a sua liberdade de entradas e saídas.
Na minha adolescência conheci Mons. Lefebvre, através de seus livros, pronunciamentos, aparecimento na televisão. Todos o conheciam como O bispo rebelde, todavia bastava chegar perto do Monsenhor para se perceber três coisas extremamente importantes:
1. seu amor pela Igreja; 2. sua luta contra a apostasia (em suas raízes); e 3. um profundo desejo de comunhão com Pedro. De uma firmeza imensa em suas cartas ao Papa, colocava-se, mas sempre na submissão e na obediência de Fé. Nunca mostrou-se contra a tudo que era romano,  muito pelo contrário, contrariava-se por toda essa situação e dizia aos seus filhos que não deveriam, jamais, se acostumarem com tudo aquilo. A mesma postura admirável encontramos em D. Castro Mayer. Em ambos, nada de retraimento, de isolamento, de recusa a tudo e a todos do lado do Papa.
O que percebemos hoje na FSSPX é justamente o oposto. Há um espírito forte de ruptura em alguns membros, e esse espírito se expressa nos mais variados pronunciamentos e divagações teológicas que vão desde a questão da instituição ilícita de Tribunais Eclesiásticos (a FSSPX os chama de Comissão Canônica) – que agem paralelamente aos Tribunais Oficiais da Igreja, inclusive em 3ª. Instância (esta exclusiva à Rota Roma), portanto usurpando poderes exclusivos ao Papa – até ao delirante pensamento de uma eclesiovacância, presente na questão das re-ordenações sob condição.
Quanto à primeira divagação, funciona mais ou menos assim: Em Roma só há modernistas, logo também a Sacra Rota está cheia deles. E se está cheia deles, logo seus veredictos são no mínimo duvidosos, criemos, então, o nosso Tribunal, com nossos juízes e juízos retos e católicos. Imaginem se isso fosse imitado pela sociedade civil diante dos nossos tribunais…
Quanto ao segundo ponto, baseia-se na dúvida sobre a validade das ordenações no novo rito, sendo assim – e só assim – seria válida a afirmação, tão terrível quanto absurda, de Mons. Williamson, de que o volante da Igreja estaria na FSSPX e não mais em Roma.
Em todo caso, há também a questão das duas Romas: a Fiel e a modernista; a uma se adere de coração, a outra se recusa veementemente. Ora, sobre isso bem falou o padre Michel Simoulin:
As expressões “duas Romas”, “duas Igrejas”, só são justas dentro dos limites da analogia: se lhes força o sentido, podem se tornar fonte de confusões e gerar um maniqueísmo, no qual se perde o sentido da Igreja, a fé na sua divindade e o simples senso do sobrenatural.(Pe. Michel Simoulin, superior do Distrito da Itália, da Fraternidade São Pio X, artigo “Na crise da Igreja, um pouco de romanidade verdadeira”, in Communicantes, maio de 2001)
Vele a pena ler outras pérolas vindas dos pronunciamentos dos bispos da Fraternidade. Vejamos:
A FSSPX é o coração da Igreja, seu pulso, seu oxigênio, seu remédio diário. Quem nessa vida não toma remédio?(Mons. Tissier de Malerrais)
A crise que hoje em dia estamos vivenciando um dia será tema filosófico nas universidades, e claro, nós como redentores, sem dúvidas(Mons. Alfonso de Galarreta)
… A Fraternidade está no volante, e qualquer comportamento, forma, tamanho ou tipo de negociação que permitisse a essa Roma tomar novamente o volante [sem se converter] seria equivalente a uma traição à Verdade. Naturalmente que, a partir do momento em que Roma retornasse à Verdade, Roma estaria de volta no volante…(Mons. Williamson)
Essas posturas anti-romanas influenciaram muitos na FSSPX, que hoje percebe-se rachada ao meio entre aqueles que querem o acordo e os que recusam qualquer diálogo. Resta saber se, no caso de um possível acordo firmado por Mons. Fellay, os seus membros e os fiéis obedecerão ao seu superior geral. Em suma: teria Mons. Fellay a boca de sua instituição, pela qual falará, argumentará e decidirá? Essa boca, quase que de ouro, terá sua autoridade firmada pelos ecos ressonantes de sua palavra? Por sua boca fortificará mais a FSSPX em seu enrijecimento quanto a Roma, ou sua voz apaziguará todos os ânimos que lhe são contrários, todos os ventos que lhe são adversos? Como Superior Geral, ele terá uma duríssima missão: a comunhão com Roma e a comunhão com os seus.
Não era da vontade de D. Lefebvre que os bispos fossem superiores da Fraternidade. Eles existiam apenas para manter os sacramentos e, sobretudo, a missa. O Arcebispo Emérito de Tulle não queria que os bispos tivessem função de governo, justamente para não evidenciar uma jurisdição paralela que acarretaria claramente um cisma, por isso escolheu, anos antes, o padre alemão F. Schmidberger, para ser Superior Geral da FSSPX.
Vejamos o que escreveu Dom Gèrald, antes das Sagrações de Écône e publicado no site da FSSPX:
Notai bem, trata-se duma verdadeira sagração episcopal conferindo todos os poderes de ordem e de jurisdição. Mas o bispo assim consagrado usaria tão somente o seu poder de ordem, limitando-se a ordenar sacerdotes e a confirmar crianças. Sem “missão canônica”, ele não pode exercer qualquer poder de jurisdição particular. Consagrado sem a permissão do papa, ele se absterá de tornar-se o pastor duma diocese paralela; recusar-se-á, sob pena de tornar-se cismático, constituir-se chefe duma outra igreja. Não há senão uma só Igreja católica apostólica romana. Por nada do mundo, em consequência, ele usurpará uma jurisdição como fizeram os “ortodoxos” cismáticos.
(http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2010-1e-sagracao-bispos-dgerard.htm)
Ele mesmo, D. Marcel Lefebvre, declarou, à época, que os bispos da FSSPX existiam apenas para manter os Sacramentos e a Missa, e não tinham nenhuma jurisdição, de forma que, passando a necessidade, eles, os bispos, deveriam depositar aos pés do Vigário de Cristo o episcopado recebido.
Mas vieram os tribunais instaurados pela própria Fraternidade. Embora alguns padres da FSSPX afirmem que a ideia teria partido do próprio D. Lefebvre (ele teria cogitado criar uma comissão canônica para deliberar sobre casos complicados surgidos no âmbito da Tradição), a existência dos mesmos só veio a público anos após a morte do fundador da Fraternidade, mais precisamente algum tempo depois do Capítulo Geral de 1994. Seria, portanto, estranho supor que o mesmo D. Lefebvre que afirmava que seus Bispos não teriam qualquer jurisdição, caísse em contradição logo em seguida, propondo uma comissão que, ao emitir sentenças em vez de se limitar a consultas e pareceres, ainda que só em analogia aos Tribunais legítimos, automaticamente conferisse algum caráter jurisdicional a algum dos Bispos ou mesmo padre membro da FSSPX…
Também alguns padres outrora pertencentes à FSSPX – entre eles o Pe. Navas, atual Superior do IBP na América Latina, como também o Pe. Geraldo Zendejas, entre outros – em meio à crescente tendência de seus confrades em atribuir um poder de jurisdição paralelo aos Bispos da FSSPX, deixaram a Fraternidade pouco tempo após a eleição de Mons. Fellay como Superior Geral. Com efeito, esses sacerdotes egressos redigiram estudos, apontando o caráter cismático dos tribunais de exceção’”, mesmo que o crivo adotado para avaliá-los fosse o Direito Canônico antigo (o de 1917), uma vez que os peritos neste Código nunca entenderam haver qualquer suplência de jurisdição para além da administração dos 7 Sacramentos…
Em suma: na FSSPX criou-se o estado de necessidade para esses casos sem se ter o de Direito, nem mesmo justificativa plausível, e o resultado estamos vendo a cada dia.
Agora mesmo é criada uma paróquia, não sei como e apoiado em que iota canônico, aqui na cidade de Campo Grande, para expansão do apostolado da FSSPX. Isso pode ser constatado no site deles, no qual se refere a presença do superior distrital da FSSPX mais o Pároco que cuidará da nova capela:
No dia 07 de Agosto passado, recebemos a visita do rev. Pe. Christian Bouchacourt, Superior do Distrito Sulamericano da FSSPX, que veio conhecer a nova Capela tradicional em Campo Grande e falar do projeto de inovação e expansão do apostolado da Fraternidade na Cidade Morena. Estava acompanhado por nosso pároco, o rev. Pe. Daniel Maret, prior do Priorado Padre Anchieta, de São Paulo (grifo e itálico nosso)
(http://campograndecatolica.blogspot.com/2011/08/lancado-do-projeto-da-fsspx-em-campo.html#axzz1Vu5bkjzM)
Ora, das duas, uma: ou empregaram o termo Pároco de forma equivocada (já que nem a FSSPX se refere oficialmente a seus Priorados e Centros de Missacomo Paróquias), ou de fato a pretensa jurisdição da FSSPX chegou até nós, como uma super-jurisdição universal, capaz de criar Paróquias e Párocos ao bel prazer. Estamos diante de um cisma prático.
Era D. Lefebvre que prevenia a todos da FSSPX:
Cuidado, cuidado, cuidado!… Não nos metamos em um círculo infernal do qual não saberemos como sair. Nesta atitude existe um verdadeiro perigo de cisma…
E ainda, falava ele, em carta, aos padres do distrito da França:
Parece-me que devemos ir sobretudo aonde se nos chama e não dar a impressão de que temos uma jurisdição universal, nem uma jurisdição sobre um país ou uma região. Seria basear nosso apostolado sobre uma base falsa e ilusória. Por isso, igualmente, se outros sacerdotes satisfazem normalmente às necessidades dos fiéis, não temos por que nos imiscuirmos em seu apostolado, mas sim nos alegrarmos de que haja outros sacerdotes católicos que se levantam para salvar as almas(27/4/1987).
É verdade que, durante esses anos de profunda crise, a FSSPX teve um papel de grande importância. Mas não somente ela: Campos e outras comunidades, paróquias, sacerdotes diocesanos, associações de fiéis que, a seu modo, trabalharam contra o que foi chamado pelo próprio papa Paulo VI de autodemolição da Igreja. Mas é mais que verdade que a Igreja de Cristo, sendo a Igreja Católica Romana, tem na pessoa do Supremo Pastor o seu princípio e fundamento. De forma que, sem a comunhão com o Bispo de Roma e sem o seu beneplácito, não pode haver verdadeiro apostolado católico.
Rezemos por este encontro entre Mons. Fellay e as autoridades romanas, marcado para o dia da Exaltação da Santa Cruz, a fim de que aconteça tudo de acordo com o Coração Imaculado de Maria.
Se o Papa me chama, eu vou, aliás eu corro. Isto é certo. Por obediência. Por filial respeito para com o chefe da Igreja (D. Bernard Fellay,  revista 30 dias, setembro de 2000).
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Entrevista do Mons. Pozzo sobre o acordo‏





Tradução de Christiano Oliveira
Monsenhor, qual é a finalidade do Motu Próprio Summorum Pontificum?
O Motu próprio Summorum Pontificum pretende oferecer a todos os fiéis católicos a liturgia romana no usus antiquior, considerando-a como um tesouro precioso a ser conservado. Com este objetivo, ele pretende garantir e assegurar a todos aqueles que pedem o uso da forma extraordinária assim, favorecer a unidade e a reconciliação dentro da Igreja.
Por que este sucesso da missa de São Pio V entre os jovens católicos?
Penso que o recolhimento interior, o sentido da missa como sacrifício é particularmente valorizado pela forma extraordinária. É o que explica, em parte o aumento do número de fiéis que a requerem.
A carta do Papa que acompanhou o Motu proprio indica que havia um aumento do número de fiéis requerendo o uso da forma extraordinária. Qual é a razão segundo o senhor?
A carta que acompanhou o MP apresenta as razões e as explicações que esclarecem as finalidades e o sentido do MP. É fundamental sublinhar que as duas formas do único rito romano se enriquessem mutuamente e devem, então, serem consideradas como complementares. O reestabelecimento do usus antiquior do missal romano com seu quadro normativo próprio é devido ao aumento dos requerimentos vindos dos fiéis que desejavam poder participar da celebração da Santa Missa na forma extraordinária. Trata-se, em essência, de respeitar e valorizar um interesse particular de certo número de fiéis pela Tradição e pela riqueza do patrimônio litúrgico colocado em evidência pelo rito romano antigo. È interessante que esta sensibilidade esteja presente também nas gerações mais jovens, quer dizer, entre pessoas que não foram formadas previamente à este gênero de liturgia.
Dizemos que os movimentos tradicionais suscitam mais vocações que fora deles. É verdade? Se sim, por que?
Nos Institutos que dependem da Comissão Pontificial Ecclesia Dei e que seguem as formas litúrgicas e disciplinares da Tradição, existe um aumento de vocações sacerdotais e de vocações à vida religiosa. Creio, no entanto, que uma retomada das vocações sacerdotais também pode ser constatada nos Seminários. Sobretudo onde oferecemos uma formação e uma educação ao ministério sacerdotal e à uma vida espiritual séria e rigorosa, sem as reduzir pela secularização, que, infelizmente, penetrou na mentalidade e nas formas de vida de certos cléricos e mesmo nos seminários. Isto constitui, penso eu, a causa principal da crise das vocações ao sacerdócio, crise mais qualitativa do que quantitativa. Apresentar a figura do padre em sua profunda identidade, como ministro do sagrado, quer dizer, como alter Christus, como guia espiritual do povo de Deus, como aquele que celebra o sacrifício da Santa Missa e perdoa os pecados no sacramento da confissão, agindo in persona Christi capitis, esta é a condição essencial para a implementação de uma pastoral vocacional que seja frutuosa e permita a retomada das vocações ao sacerdócio ministerial.
O senhor sabe se o Papa está satisfeito com a aplicação do MP?
A comissão pontifícia Ecclesia Dei mantém o Santo Padre informado sobre a evolução da aplicação do MP e sobre o crescimento da sua recepção, apesar das dificuldades de aplicação que constatamos aqui ou lá.
Quais são concretamente as dificuldades de aplicação que os senhores encontram?
Existe resistência por parte de certos bispos e membros do clero que não se deixam tão acessível a missa tridentina.
A instrução Universæ Ecclesiæ parece favorecer ainda mais a celebração da forma extraordinária. É o caso?
A instrução tem por objetivo ajudar a aplicação de maneira cada vez mais eficaz e correta as diretivas do MP. Ela oferece certas precisões normativas e certas clarificações de aspectos importantes para a implementação na prática.
Temos a impressão que é principalmente na França que as reações são mais epidérmicas sobre este assunto. Qual é a razão segundo o senhor?
Pode ser muito cedo para fazer uma avaliação suficientemente completa das reações à Instrução, e isto vale não só para a França. Mas me parece que pensando na situação da Igreja na França, tem que se levar em conta o fato de que existe uma tendência a polarizar e radicalizar os julgamentos e as convicções na matéria. Isto não favorece uma boa compreensão e uma recepção autêntica do documento. É preciso ultrapassar uma visão principalmente emotiva e sentimental. Trata-se – e é um dever – de recuperar o princípio da unidade da liturgia, que justifica precisamente a existência de duas formas, todas as duas legitimas, que não devem nunca ser vistas em oposição ou em alternativa. A forma extraordinária não é um retorno ao passado, e não deve ser compreendida como um questionamento da reforma litúrgica querida pelo Vaticano II. Assim também, a forma ordinária não é uma ruptura com o passado, mas seu desenvolvimento ao menos em certos aspectos.
Solicitude dos Soberanos Pontífices e Igreja universal são os respectivos títulos do MP e de sua instrução. Isto quer dizer que o objetivo é uma reconciliação com os “tradicionalistas”?
A instrução, como eu disse no início, pretende favorecer a unidade e a reconciliação dentro da Igreja. O termo “tradicionalista” é com freqüência uma formula genérica utilizada para definir coisas muito diferentes. Se, por “tradicionalistas”, entendemos os católicos que repropõem com força a integridade do patrimônio doutrinal, litúrgico e cultural da fé e da tradição católica, é claro que eles acharão conforto e apoio na instrução. O termo “tradicionalista” pode também ser entendido diferentemente e designar aquele que faz um uso ideológico da Tradição, para opor a Igreja antes do CVII e a Igreja do Vaticano II, que teria se distanciado da Tradição. Esta opinião é uma maneira deformada de compreender a fidelidade à Tradição, porque o CVII faz, ele também, parte da Tradição. Os desvios doutrinais e as deformações litúrgicas que foram produzidas depois do fim do CVII não tem nenhum fundamento objetivo nos documentos conciliares entendidos no conjunto da doutrina católica. As frases ou expressões dos textos conciliares não podem e não devem ser isoladas ou arrancadas, por assim dizer, do contexto global da doutrina católica. Infelizmente, esses desvios doutrinais e esses abusos na aplicação concreta da reforma litúrgica constituem o pretexto desse “tradicionalismo ideológico” que faz recusar o Concílio. Um tal pretexto se apóia sobre um preconceito sem fundamento. É claro que hoje não é suficiente  repetir o dado conciliar, mas é necessário ao mesmo tempo refutar e recusar os desvios e as interpretações errôneas que pretendem ter fundamento no ensino conciliar. Isto vale também para a liturgia. Esta é a dificuldade com a qual nos deparamos hoje.
“Os fiéis que requerem a celebração da forma extraordinária não devem nunca ajudar ou pertencer à grupos que neguem a validade ou a legitimidade da Santa missa ou dos sacramentos celebrados segundo a forma ordinária, ou que se opõem ao Pontífice romano como pastor supremo da Igreja universal” (instrução Universæ Ecclesiæ, §19). Esta observação visa a Fraternidade São Pio X?
Formas complementares? Papa Bento XVI na Áustria: comunhão na mão e paramentos extravagantes.
Formas complementares? Papa Bento XVI na Áustria: comunhão na mão e paramentos extravagantes.
O artigo da instrução à que você se refere concerne certos grupos de fiéis que consideram ou postulam uma antítese entre o missal de 1962 e aquele de Paulo VI, e que pensam que o rito promulgado por Paulo VI para a celebração do Sacrifício da Santa Missa é prejudicial aos fiéis. Quero precisar que é preciso distinguir o rito e a missa como tal, celebrado conforme as normas, e uma certa compreensão e aplicação da reforma litúrgica caracterizada pela ambigüidade, deformações doutrinais, abusos e banalizações, fenômenos infelizmente bastante difundidos que levaram o cardeal J. Ratzinger a falar sem hesitar em uma das suas publicações do “colapso da liturgia”. Seria injusto e falso atribuir ao missal reformado a causa de um tal colapso. Ao mesmo tempo, é preciso acolher o ensinamento e a disciplina que o papa Bento XVI nos deu na carta apostólica “Summorum Pontificum” para restaurar a forma extraordinária do rito romano antigo e seguir a maneira exemplar com a qual o Santo Padre celebra a Santa Missa na forma ordinária na São Pedro, em suas visitas pastorais e em suas viagens apostólicas.
Hoje ainda, o senhor pensa que o ensino do Concílio não é corretamente aplicado?
No conjunto, infelizmente sim. Existem situações complexas nas quais constatamos que o ensino do Concílio ainda não é compreendido. Praticamos ainda uma hermenêutica da descontinuidade com a Tradição.
Bento XVI parece muito atento à liturgia durante o seu pontificado. Isto procede?
Está absolutamente correto, mas a precisão que eu dei dizia respeito sobretudo aos grupos que pensam que existe uma oposição entre os dois missais.
A Fraternidade São Pio X reconhece esse missal como válido e lícito?
É preciso perguntar à própria Fraternidade São Pio X.
O Santo Padre deseja que a FSSPX se reconcilie com Roma?
Certamente. A carta de levantamento das excomunhões dos quatro bispos consagrados ilegitimamente por Mons. Lefebvre é a expressão do desejo do Santo Padre de favorecer a reconciliação da FSSPX com a Santa Sé.
O conteúdo das discussões que têm lugar entre Roma e a FSSPX é secreto, mas sobre quais questões e de que maneira estão se desenrolando?
O nó essencial é de caráter doutrinal. Para chegar à uma verdadeira reconciliação, é preciso ultrapassar certos problemas doutrinais que estão na base da cisão atual. Nos colóquios em curso, temos a confrontação dos argumentos entre os experts escolhidos pela FSSPX e os experts escolhidos pela Congregação para a Doutrina da Fé. No fim, redigimos sínteses conclusivas que resumem as posições expressas pelas duas partes. Os temas discutidos são conhecidos: o primado e a colegialidade episcopal; a relação entre a Igreja Católica e as confissões cristãs não católicas; a liberdade religiosa; o missal de Paulo VI. Ao termo dos colóquios, submeteremos os resultados das discussões às respectivas instâncias autorizadas para uma avaliação do conjunto.
Não parece concebível que possa haver um questionamento do CVII. Então sobre o que podem ser essas discussões? Sobre uma melhor compreensão dele?
Trata-se da clarificação de pontos para precisar o significado exato do ensinamento do Concílio. É o que o Santo Padre começou a fazer em 22 de dezembro de 2005 compreendendo o Concílio em uma hermenêutica de renovação na continuidade. Entretanto, existem certas objeções da FSSPX que fazem sentido, pois tem havido uma interpretação de ruptura. O objetivo é mostrar que é preciso interpretar o Concílio na continuidade da Tradição da Igreja.
O Cardeal Ratzinger era responsável por estas discussões há 20 anos. Ele ainda segue a evolução delas agora que ele é Papa?
Tem-se primeiro o papel do secretário que é o de organizar e velar pelo bom desenrolar das discussões. A avaliação destas cabe ao Santo Padre que segue as discussões, junto com o cardeal Levada, é informado, e dá a sua opinião. Ele faz o mesmo, aliás, sobre todos os pontos que pode tratar a Congregação.


                                                                              
                                                                

Maçons vão a Santa Missa, em Caruaru

Caríssimos,
Salve Maria!
É de se lamentar esta foto. A fonte é do blog Christi Fidei. Abaixo está postada a posição da Igreja em sua lei canônica sobre as associações maçônicas tirado do livro de D. João Terra, ” Maçonaria e Igreja Católica.”


V. Ut inimícos sanctæ Ecclésiæ humiliare dignéris
R. Te rogamus, audi nos.

A santa missa do 3º domingo de dezembro foi celebrada na Catedral da cidade de Caruaru por sua Excia Revdma DOM BERNARDINO MARCHIÓ, com a presença de maçons, todos paramentados, e cerca de 800 fiéis. Dom Dino é um santo sacerdote que vem dirigindo a Diocese de Caruaru, como Bispo Titular, admirado e querido por todos, em face da obra evangelizadora e humanista que tem desenvolvidoA Maçonaria tem muita estima por este Bispo desde que ele dirigiu a Diocese de Pesqueira/PE, onde o conheceu. Próximo a essa cidade, nasceu Dom Arcoverde, o 1º Cardeal do Brasil. (…). Terminada a celebração da Santa Missa, o Ir. Antônio do Carmo Ferreira, na qualidade de Grão-Mestre do Grande Oriente Independente de Pernambuco, foi ao púlpito, de onde saudou Dom DINO Marchió e lhe concedeu a Comenda do Mérito Maçônico Pernambucano, perante cerca de 800 fiéis que lotaram a CatedralSua Excelência Reverendíssima (foto acima), com um pronunciamento de lindas palavras, agradeceu a distinção e denominou o evento de festa da alegria. Pois que as bênçãos do Grande Arquiteto do Universo nos mantenham sempre assim: alegres, unidos e felizes: como ensinou o Padroeiro:Ut omnes unum sint.
Fonte: ARBLS DEUS E CAMOCIM – Grande loja maçônica do Estado do Ceará – Os negritos são nossos.
A Posição Oficial da Igreja:

“O CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO (Obra citada, pág. 70 a 72)“O Código de Direito Canônico de 27-5-1917 contém os seguintes cânones relativos à maçonaria”:
Cân. 684: “Os fiéis fugirão das associações secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que procuram subtrair-se à legítima vigilância da Igreja”.
 Cân. 2333: “Os que dão seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem ipso facto na excomunhão simpliciter reservata à Sé Apostólica”.
 Cân. 2336: “Os clérigos que cometeram o delito de que tratam os cânones 2334 e 2335 devem ser punidos, não somente com as penas estabelecidas nos cânones citados, mas também com a suspensão ou privação do mesmo benefício, ofício, dignidade, pensão ou encargo que possam ter na Igreja; os religiosos, pois com a privação do ofício e da voz ativa e passiva e com outras penas de acordo com suas constituições. Os clérigos e os religiosos que dão o nome à seita maçônica ou a outras associações semelhantes devem, além disso, ser denunciados à Sagrada Congregação do Santo Ofício”. 
Cân. 1399, nº 8 – são ipso facto proibidos: “Os livros que, tratando das seitas maçônicas ou de outras associações análogas, pretendem provar que, longe de serem perniciosas, elas são úteis à Igreja e à sociedade civil”.
Ver ainda os cânones: 693; 1065; § 1 e § 2, 1240; 1241.
“Desses cânones do Código de 1917 resulta claramente que: Todo aquele que se inicia na maçonaria, incorre, só por este fato, na pena de excomunhão (cân. 2335). 
Por ter incorrido na excomunhão, todo maçom: 
a) deve ser afastado dos sacramentos (confirmação, confissão, comunhão, unção dos enfermos), ainda que os peça de boa fé (cân. 2138, § 1); 
b) perde o direito de assistir aos ofícios divinos, como sejam: A Santa Missa, a recitação pública do Ofício Divino, procissões litúrgicas, cerimônias da bênção dos ramos etc. (cf. cân. 2259, § 1; 2256, n. 1); 
c) é excluído dos atos eclesiásticos legítimos (cân. 2263), pelo que não pode ser padrinho de batismo (cân. 765, n. 2) nem de crisma (cân. 795, n. 1); 
d) não tem parte nas indulgências, sufrágios e orações públicas da Igreja (cân. 2262, § 1).
 O maçom não pode ser admitido validamente nas associações ou irmandades religiosas (cân. 693).
Os fiéis devem ser vivamente desaconselhados de contrair matrimônio com maçons (cân. 1065, § 2).Só após prévia consulta do bispo e garantida a educação católica dos filhos, pode o pároco assistir ao casamento com um maçom (cân. 1065, § 2).
 O maçom falecido, sem sinal de arrependimento, deve ser privado da sepultura eclesiástica (cân. 1240). 
Deve-se negar aos maçons qualquer missa exequial, assim como quaisquer ofícios fúnebres públicos (cân. 1241).
 O Santo Ofício declarou, no dia 20 de abril de 1949, numa resposta ao bispo de Trento, que nada tinha mudado na disciplina do Código de Direito Canônico a respeito da maçonaria”. Façamos então uma nova pergunta: A situação hoje ainda é a mesma? Ou houve alguma mudança? 
Em 27 de novembro de 1983, entrou em vigor um novo Código de Direito Canônico: “O Novo Código apresenta um cânon relativo à maçonaria”:
 Cân. 1374: “Quem se inscrever em alguma associação que maquina contra a Igreja seja punido com justa pena; e quem promover ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito”. (Obra citada, pág. 99).
No mesmo dia em que entrava em vigor o novo Código de Direito Canônico, L´Osservatore Romano publicava esta Declaração da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, sobre a maçonaria: 
“Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo fato de que, no novo Código de Direito Canônico, ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.
 Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério relacional, seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categoria mais amplas. Permanece, entretanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja, e por isso permanece proibida a inscrição nelas.
 Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. 
Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas, com juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, pp. 240-241).
 O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação. Roma, da Sede da Sagrada Congregação  para a Doutrina da Fé, 26 de novembro de 1983″. (Obra citada, pág. 100 e 101). 


Fonte: http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/228/Pode-um-Catolico-ser-Macom



Show em São Paulo marca chegada da Cruz da JMJ






O Brasil sediará a próxima JMJ, no Rio de Janeiro, em 2013.
A Cruz, de madeira e com pouco mais de 3,5 metros de altura, foi dada aos jovens pelo Papa João Paulo II em 1984 e, desde 1994, peregrina nos países que recebem a JMJ um ano antes do evento.

Como o Brasil é um país continental, e para que seja possível que os símbolos da Jornada passem por todas as cidades do país, tanto a Cruz quanto o Ícone de Nossa Senhora chegam ao Brasil já no próximo dia 18 de setembro de 2011, em um grande evento promovido pela Arquidiocese de São Paulo.

Segundo informa o departamento de imprensa da arquidiocese, a acolhida da Cruz no país acontecerá na região do Campo de Marte, com shows, testemunhos e reflexões das 9h às 21h.

Às 16h, chegam ao local, em carro do Corpo de Bombeiros, a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora. Logo em seguida, o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, preside à Missa.

Entre os nomes já confirmados para o evento estão os de padres consagrados como Juarez de Castro, Fábio de Melo e Reginaldo Manzotti.

O evento contará, ainda, com a presença de bandas católicas que mobilizam grande número de jovens, como Rosa de Saron, Dominus e Vida Reluz. A expectativa inicial de público é de 80 mil pessoas.

Este será o primeiro evento para preparar a visita que o Papa Bento XVI fará ao Brasil em 2013.

Após o show no Campo de Marte, Cruz e Ícone seguem em carreata, ainda na noite do dia 18/9, para a Catedral da Sé. De lá, percorreram igrejas da cidade.
Especial

O 18 de setembro será um dia especial para os jovens de São Paulo. Intitulado “Bote Fé”, este evento de acolhida da Cruz Peregrina quer reforçar entre os católicos a importância da evangelização da juventude.

Todas as paróquias da arquidiocese de São Paulo e das dioceses vizinhas são convidadas a manifestar que “botam fé” na juventude brasileira, durante o evento que realizado na região do Campo de Marte, zona norte da capital.

Trata-se de um momento privilegiado da evangelização da juventude no Brasil, confirmado pelo recorde de participação brasileira na JMJ de Madri (mais de 13 mil inscritos).

A campanha “Bote Fé” também tem o objetivo da dar continuidade à graça que a juventude brasileira viveu na JMJ, quando os jovens foram enviados pelo Papa Bento XVI para anunciara boa nova em seus países.

De acordo com Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e referencial do Setor Juventude da Arquidiocese, o “Bote Fé” “é uma convocação para os jovens, de modo especial, ‘botarem fé em Cristo’, acreditarem nele, se firmarem em Cristo, como base de sua fé”.
Mas também é uma convocação para toda Igreja a uma atividade missionária para animar as comunidades, melhorar a autoestima, acreditar realmente que Cristo ressuscitou, que Cristo é a vida”, disse.


BARTOLOMEU I CONVOCA “SINAXIS” DE ANTIGAS IGREJAS ORTODOXAS


Preocupação no Patriarcado de Moscou


ISTAMBUL, quinta-feira, 25 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla convocou uma Sinaxis (palavra grega que significa “assembleia de cunho religioso”), para a qual convidou as antigas igrejas ortodoxas, isto é, os patriarcas ortodoxos de Jerusalém, Antioquia e Alexandria, além do arcebispo de Chipre.
Nessa reunião, programada em Istambul para os próximos dias 1º e 2 de setembro, está previsto que se tratem de duas questões: a situação dos cristãos no Oriente Médio, por um lado, e a situação atual das relações inter-ortodoxas, frente a um futuro concílio pan-ortodoxo.
O objetivo é desbloquear o “ponto morto” em que se encontra a Comissão Preparatória desse concílio pan-ortodoxo, anunciado há mais de um ano, em junho de 2006, durante a histórica visita do patriarca Bartolomeu I à Rússia.
Segundo informa Orthodoxie.com, a decisão do patriarca de convidar o arcebispo de Chipre se deve a que essa igreja “deve sua autocefalia, assim como os três patriarcados, à decisão de um concílio ecumênico”.
Na carta de convocação da Sinaxis, Bartolomeu I indicou que esta peculiaridade “não pretende certamente excluir as demais igrejas ortodoxas das decisões pan-ortodoxas, mas, ao contrário, quer sustentar a facilitar a unidade”.
Precisamente um dos 10 pontos principais tratados pela Comissão Preparatória são os princípios para a declaração da autonomia das igrejas ortodoxas (proclamação do caráter autocéfalo), o ponto de maior fricção entre elas, especialmente entre a Igreja Ortodoxa Grega e a Russa, esta última majoritária dentro da Ortodoxia e autocéfala desde 1488.
Desacordo de Moscou
A convocação da Sinaxis, de fato, foi recebida com fortes críticas por parte do Patriarcado de Moscou, segundo expressou no último dia 21 de junho o metropolita Hilarion, presidente do Departamento de Relações Exteriores.
Naquela ocasião, o metropolita afirmou “não estar de acordo em que um grupo particular de igrejas se considere como o ‘pilar’ da ortodoxia mundial, sobre a base de que a autocefalia é mais antiga que a das outras igrejas, pelo que, neste caso, há uma tentativa de dividir a ortodoxia em igrejas de ‘primeira’ e igrejas de ‘segunda’”.
“Se queremos preparar dignamente e levar a cabo o concílio pan-ortodoxo, devemos apoiar os conceitos eclesiológicos que unem todas as igrejas ortodoxas, e não criar novos conceitos que não podem senão levar à divisão e à desordem”, afirmou.
No entanto, nos últimos dias, segundo confirma o Patriarcado Russo, encontraram-se pessoalmente o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, e o metropolita Hilarion, na ilha turca de Imbros – uma visita interpretada como um sinal de distensão entre ambos.
O encontro durou dois dias (21-22 de agosto), segundo informa hoje o Patriarcado de Moscou. No domingo, o patriarca Bartolomeu, que é original de Imbros, quis mostrar os lugares da sua infância e juventude ao metropolita Hilarion.
Após rezarem juntos as vésperas na igreja da Dormição de São Teodoro, o patriarca se dirigiu publicamente ao metropolita Hilarion, agradecendo pelo trabalho do seu departamento frente às relações entre ambos os patriarcados.
“Isso, naturalmente, não significa que de vez em quando não se condense alguma nuvem e não surja algum problema, mas tentemos superá-los e resolvê-los juntos, para prosseguir com a nossa colaboração harmônica”, concluiu.
(Inma Álvarez)

REAÇÃO JUDAICA À JMJ: FALA DAVID HATCHWELL


Entrevista ao vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri


MADRI, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – “Êxito absoluto”, “gente saudável”, “energia positiva”, “retorno aos valores”: é com esta contundência que se expressa, nesta entrevista, David Hatchwell, vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri (www.cjmadrid.org), ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2011.
ZENIT: Você deu seu apoio à JMJ antes de que ela fosse realizada. Por que esta aliança com um evento católico de envergadura?
Hatchwell: Quem pensa as mesmas coisas precisa estar junto. Os católicos, como outros grupos, têm direito de expressar-se, ainda que haja protestos contra isso. Têm direito a acreditar no que acreditam e, por este motivo, temos esta proximidade, porque nós, os judeus, sabemos bem o que significa ser menosprezados. Entendemos o que é ser deslegitimados e eu vivo isso constantemente.
Sou muito sensível e não me preocupam somente, mas me incomodam as tendências a deslegitimar as pessoas. Uma pessoa pode não concordar com alguém, mas não deve haver ataques a coletivos de maneira injustificada e fora de contexto. Neste sentido, nosso apoio a um ato como a JMJ é claro. Comemoro o fato de que esta JMJ tenha se realizado e daí vem a proximidade com o evento.
ZENIT: Percebi que você gostou do encontro.
Hatchwell: Sem dúvida, esta viagem do Papa foi um êxito absoluto. É o maior acontecimento das últimas décadas, eu não me lembro de ter visto algo assim. Ver Madri com todo tipo de gente jovem nas ruas, pessoas muito sudáveis, com energia positiva, foi incrível, uma delícia. A avaliação só pode ser positiva.
Todos os dias, na grande variedade de eventos que ocorreram, demonstrou-se que o que se queria era um momento espiritual muito potente, e isso aconteceu.
ZENIT: Houve críticas também.
Hatchwell: Foi só um incidente de poucas pessoas, quando do outro lado havia quase dois milhões. Infelizmente, alguns meios de comunicação descontextualizam e mostram o fenômeno marginal. Mas, para mim, foi um êxito absoluto.
Do que li, me consta que uma empresa internacional – a Price Waterhouse Coopers – faz uma auditoria, o que me parece muito sensato por parte da Igreja, essa transparência.
Além disso, as JMJ contribuíram muito para a cidade de Madri, e por isso não entendo essas tentativas de criticá-la. Muito além de informações de manchetes, o que está claro é que Madri esteve no mapa do mundo vários dias e isso foi muito positivo para a Espanha.
ZENIT: Que aspecto da mensagem do Papa mais chamou sua atenção?
Hatchwell: Sem dúvida, a mensagem foi muito importante, especialmente a reconexão com uma série de valores. Esse apelo transcende um credo específico, não somente mensagens cristãs, mas universais.
O Papa pediu aos jovens que sejam muito valentes com suas convicções. Estamos diante de um relativismo ético muito profundo, com uma tendência a tirar valor das coisas que muita gente tem como princípios básicos da sua educação.
Nisso, estamos totalmente de acordo com o Papa: em uma sociedade moderna, são necessários valores para enfrentar o relativismo e continuar acreditando nas convicções morais que as pessoas têm.
Outro aspecto chamativo da mensagem foi que não vivemos na tirania do indivíduo, não existe um “eu” absoluto, mas hoje há valores comuns coletivos espirituais e o serviço ao outro.
ZENIT: Esses valores são compartilhados entre judeus e cristãos?
Hatchwell: Absolutamente. Judeus e cristãos compartilham valores comuns troncais. Jesus era judeu e os primeiros cristãos também: daí os valores compartilhados que, sem dúvida alguma, continuam sendo os mesmos.
ZENIT: Desde o Concílio Vaticano II, as relações entre a Igreja Católica e o judaísmo melhoraram substancialmente.
Hatchwell: Sabemos que, durante séculos, a relação entre a Igreja e o judaísmo não era em absoluto o que temos agora; melhorou há 40 anos. Eu me sinto privilegiado por viver hoje em dia, em um momento no qual a Igreja percebe de maneira totalmente diferente os judeus.
ZENIT: Os jovens judeus têm encontros como a JMJ?
Hatchwell: Encontros sim, mas não tão grandes. Há reuniões de jovens do mundo inteiro, da Rússia, Etiópia, Estados Unidos, nas quais se reúnem e compartilham valores comuns. Refletem sobre a vida, sobre o serviço ao outro, assumem responsabilidades.
Os jovens são muito importantes na nossa tradição. Os idosos têm mais conhecimentos e experiência, mas o presente e o futuro é dos jovens: é preciso investir sempre neles para que conheçam a base da nossa tradição, vivam-na e possam transmiti-la, pois, se não fazemos esforços com as pessoas jovens, em 30 anos, os números podem mudar.
É preciso dar um elemento cultural básico aos jovens. No meu caso, tenho a sorte de viver em um país democrático, onde tenho direito de observar meu culto; e ficaria feliz se meus filhos o seguissem assim como eu, meus pais e assim por diante. Quero mostrar-lhes que não são responsáveis somente pelo seu microcosmos, que tenham uma vida feliz e plena, com êxito, o que é bom, mas servindo os outros, não somente a comunidade judaica, mas que sejam boas pessoas, altruístas.
Neste sentido, cristãos e judeus, novamente, compartilham valores. Pensemos que o judaísmo nasce como a primeira religião monoteísta, em um momento em que não havia o direito à vida para todos; se a pessoa era escrava, não tinha os mesmos direitos, havia muitos sacrifícios humanos… Os direitos humanos são parte do DNA do judaísmo e foram configurando a sociedade atual, como o cristianismo também.
(Miriam Díez i Bosch)