Fala o Pe. Román, descendente do revolucionário Sandino

MANÁGUA, segunda-feira, 24 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – O decano da imprensa nicaraguense, La Prensa de Manágua, recolheu as declarações de um sacerdote, Pe. Edwin Román, sobrinho-neto de Augusto C. Sandino, quem inspirou os sandinistas atualmente no poder, cujo presidente, Daniel Ortega, avança rumo à perpetuação em um cargo que a Constituição não lhe permite.
O sacerdote denuncia ameaças à Igreja Católica e a desvirtuação da mensagem revolucionária do seu antepassado Sandino, lançando o alerta sobre o que considera ser uma ditadura em nascimento. Exige também justiça no misterioso assassinato do sacerdote Marlon Pupiro, ocorrido no último dia 20 de agosto.
A firme atitude do sacerdote Román fez dele alvo de membros do Conselho de Poder Cidadão, que, segundo disse, lhe enviaram mensagens para que baixe o tom das suas homilias, afirmou o jornal La Prensa no dia 16 de outubro.
O presbítero recebeu ligações e mensagens de texto com ameaças e ofensas. Mas declara sentir-se chamado a defender a pátria: “Como sacerdote, sob a luz da Palavra de Deus, como fizeram os profetas, como fazem os sacerdotes e os bispos, às vezes somos a voz dos que não têm voz”.
“Os próprios profetas, em seu momento, denunciaram os atropelos, as injustiças que eram cometidas – sublinhou. Neste momento histórico, a conferência episcopal, nossos bispos, estão dando um grito de alarme diante do perigo. É um guiar as pessoas, sem cair na política.”
Em sua opinião, o triunfo de Daniel Ortega seria o início de uma ditadura: “É evidente, com tudo o que estamos vendo: todo o Estado e as instituições já estão ao serviço dele”.
“Já estão declaradas as ilegalidades; o próprio presidente, de maneira ilegal, está concorrendo – denuncia. Estamos sendo partícipes ou cúmplices de uma ilegalidade. Eu convidei a não votar por uma ilegalidade; que não contribuamos para que a Nicarágua vá pelo caminho ilegal, porque vamos nos arrepender, vamos nos envergonhar.”
O presbítero lança um apelo aos seus fiéis a “não agir com violência nestes tempos difíceis”, e pede que a justiça seja imposta no caso do assassinato do sacerdote Marlon Pupiro.
Como a morte do Pe. Pupiro afetou a Igreja? Ganhou ou perdeu?, perguntaram ao sacerdote. E ele respondeu: “A Igreja se fortalece com o sangue dos mártires, que nos deixaram sua mensagem de vida”.
“O sangue dos mártires foi um adubo para a Igreja; isso é palpável na comunidade de La Concha, que lamentou sua morte – comentou. O padre sempre estará presente nessa comunidade. Para os sacerdotes, ele foi um testemunho de vida.”

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