Conservadores recusam documento sobre Vaticano II






Andrea Tornielli

É verdade que este preâmbulo doutrinal não pode receber a nossa aprovação, mesmo que esteja prevista uma margem para uma ´legítima discussão´ sobre alguns pontos do Concílio Vaticano II”, afirmam conservadores lefebvrianos.

“Quanto é a entidade dessa margem? A proposta que eu vou fazer nestes dias para as autoridades romanas e a sua resposta, por sua vez, nos permitirão avaliar as oportunidades que nos restam. Seja qual for o resultado dessa discussão, o documento final que for aceito ou rejeitado, será tornado público”.


 A afirmação é do superior da Fraternidade São Pio X, o bispo Bernard Fellay, às vésperas da resposta esperada pelas autoridades vaticanas. Depois de uma série de colóquios doutrinais entre os lefebvrianos e a Santa Sé, a Congregação para a Doutrina da Fé havia entregue, em setembro passado, o texto de um “preâmbulo” doutrinal, cuja aceitação era considerada imprescindível pelo Vaticano para restabelecer a plena comunhão e para oferecer à Fraternidade uma sistematização canônica.

 O preâmbulo – deduz-se da entrevista publicada por Fellay no boletim oficial online da Fraternidade (www.laportelatine.org) – estava unido a uma nota de acompanhamento na qual se explicava que seria possível, para os lefebvrianos, pedir esclarecimentos a fim de propor eventuais modificações. Mas os responsáveis da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, o prefeito da doutrina, cardeal William Levada, e Dom Guido Pozzo, eram e são da opinião de que as eventuais modificações certamente não podem ser substanciais.

 Na prática, o preâmbulo pede que a Fraternidade assine embaixo da Professio fidei exigida a toda pessoa que assume um ofício eclesiástico. Essa profissão de fé católica prevê três graus diferentes de aprovação necessários e distingue entre verdades reveladas, declarações dogmáticas, e magistério ordinário. A propósito deste último, ela afirma que o católico é chamado a assegurar um “religioso obséquio da vontade e do intelecto” aos ensinamentos que o papa e o colégio dos bispos “propõem quando exercem o seu magistério autêntico”, mesmo que não sejam proclamados de forma dogmática, como no caso da maior parte dos documentos do Magistério.

 A Santa Sé, portanto, não excluiu a possibilidade de manter uma discussão aberta sobre alguns pontos do Concílio Vaticano II que os lefebvrianos continuam considerando como problemáticos. O caminho para o possível acordo com a Fraternidade, no entanto, parece ainda ser muito íngreme, e se confirmam os rumores das últimas semanas acerca da forte oposição interna à proposta vaticana.

 O entrevistador pergunta a Fellay: “Visto que esse documento é pouco claro, não seria mais fácil dizer aos seus autores vaticanos que ele não era admissível?”. “Teria sido mais fácil – responde o superior da Fraternidade –, mas não o mais honesto. Como a nota de acompanhamento prevê a possibilidade de esclarecimentos, parece necessário pedi-los, em vez de dizer não a priori. Isso não prejudica a resposta que daremos”.

 O bispo lefebvriano também afirma que a única doutrina imutável é o Credo, a profissão de fé católica, enquanto o Concílio Vaticano II foi um Concílio pastoral, “que não definiu dogmas e não acrescentou novos artigos de fé, como ´eu creio na liberdade religiosa, no ecumenismo, na colegialidade…´ O Credo não é mais suficiente hoje para sermos reconhecidos como católicos? Ele não expressa toda a fé católica?”. Portanto, ele parece dizer que o Credo, e não o preâmbulo que contém a Professio fidei, é o texto comum que a Fraternidade estaria disposta a assinar.

 É evidente que a entrevista ainda não representa a resposta. O superior da Fraternidade São Pio X sabe muito bem quantas e quais são as oposições internas ao acordo com Roma, mesmo entre os responsáveis lefebvrianos. No texto escrito que será enviado às autoridades vaticanas, serão pedidas modificações, aparentemente substanciais: se o texto atual “não pode receber a nossa aprovação”, é claro que o que está sendo contestado não são as vírgulas ou as nuances, mas sim aspectos substanciais. A disputa, portanto, continua totalmente em aberto e será preciso ver quais serão as decisões da Santa Sé depois de receber a resposta da Fraternidade.

Vatican Insider, 29/11/2011


FANATISMO ISLÂMICO : “ELES TENTAM CONVERTER ATÉ A MIM”



Bispo comenta o crescente fanatismo islâmico no Paquistão


ROMA, terça- feira, 29 de novembro de 2011 (ZENIT.org) – “As minorias no Paquistão sempre estiveram em desvantagem, mas nunca como agora”. O desabafo à organização Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) é do presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, Dom Joseph Coutts.
Conforme comunicado de imprensa da associação, o bispo de Faisalabad, no Punjab, está muito preocupado com o crescente extremismo e intolerância contra a maior comunidade cristã do seu país.
“Nós sempre fomos discriminados, mas a nossa condição nunca foi tão difícil”, disse o prelado, que pediu do governo do Paquistão um tratamento de “cidadãos de pleno direito” aos cristãos e o reconhecimento da imensa contribuição que o cristianismo faz à sociedade.
Os católicos são apenas 1,2 milhão num total de 180 milhões de habitantes, mas é a Igreja que oferece a maioria dos serviços sociais, de educação, de saúde e de ajuda ao desenvolvimento no Paquistão. Só a diocese de Faisalabad administra 82 escolas, “estruturas que todos os paquistaneses aproveitam, independentemente da sua fé”, reiterou Dom Coutts.
A discriminação sofrida pelos cristãos, inclusive no trabalho e na escola, é notável. Os alunos que não são muçulmanos nãoapenas têm que estudar com livros didáticos que alimentam o ódio sectário, como ainda são privados de obter os créditos extras oferecidos àqueles que frequentam as aulas do corão para melhorar sua média.
“Os alunos sofrem constante pressão para se converter ao islamismo, como todo o resto dos fiéis. Eu mesmo recebo cartas em que me convidam a abandonar a minha religião”, prossegue o bispo.
No noroeste do Paquistão, o extremismo também tem como alvo a própria maioria muçulmana, como no caso das escolas femininas que foram destruídas nos últimos meses, com o objetivo de dificultar a educação das meninas.
“Eles estão dispostos a fazer qualquer coisa, a matar e ser mortos! E muitos muçulmanos que não concordavam com eles foram assassinados”, denuncia Dom Coutts.
Mas isso não impede o bispo de ver sinais de esperança. “Os extremistas não passam de uma minoria. E apesar das enormes dificuldades, a Igreja Católica continuará promovendo serviços para o bem da sociedade e favorecendo o diálogo através das boas ações”.

A Fraternidade SPX e o Preambulo doutrinário

EM ESPANHOL
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Entrevista con Mons.Bernard Fellay, Superior general de la Fraternidad San Pío X

¿Por qué está rodeado con tanto secreto el Preámbulo doctrinal que le entregó el cardenal Levada el pasado 14 de septiembre, ya sea por parte de la Congregación de la fe como por parte de la Fraternidad San Pío X? ¿Qué oculta este silencio a los sacerdotes y los fieles de la Tradición?

Esta discreción es normal para cualquier trámite importante, pues garantiza su seriedad. Resulta que el Preámbulo doctrinal que se nos entregó es un documento que, como indica la nota que lo acompaña, puede recibir aclaraciones y modificaciones. No es un texto definitivo. Dentro de poco vamos a entregar una respuesta a este documento, indicando con franqueza las posturas doctrinales que nos parece indispensable mantener. Nuestra preocupación constante desde el principio de nuestras conversaciones con la Santa Sede –y nuestros interlocutores lo saben bien– ha sido la de presentar con toda lealtad la postura tradicional.
Por parte de Roma, también se impone la discreción, pues es probable que este texto –incluso en su estado actual, que requiere muchas aclaraciones– provoque la oposición de los progresistas, que no admiten ni siquiera la idea de una discusión sobre el Concilio, porque consideran que dicho concilio pastoral es indiscutible o «no negociable», como si se tratara de un concilio dogmático.

A pesar de todas estas precauciones, las conclusiones de la reunión de los superiores de la Fraternidad San Pío X en Albano el día 7 de octubre se han divulgado en Internet, a través de fuentes diversas pero concordantes entre sí.

¡No faltan las indiscreciones en Internet! Es verdad que no podemos avalar este Preámbulo doctrinal, aunque se prevea un margen para una «legítima discusión» sobre ciertos puntos del Concilio. ¿Cuál es la extensión de ese margen? La propuesta que voy a hacer en estos días a las autoridades romanas y su respuesta nos permitirán evaluar las posibilidades que nos dejan. Y sea cual sea el resultado de estas conversaciones, el documento final que se haya aceptado o rechazado se dará a conocer públicamente.
Resaltar mejor las dificultades y las soluciones

Como este documento, según usted, es poco claro, ¿no sería más sencillo señalar a sus autores que queda desestimada su demanda?

Tal vez sería lo más sencillo, pero no lo más honrado. Como la nota que lo acompaña prevé la posibilidad de hacer aclaraciones, me parece necesario pedirlas en lugar de rechazarlas a priori, lo cual no constituye prejuicio alguno sobre la respuesta que vamos a dar.
Como el debate entre Roma y nosotros es esencialmente doctrinal y versa principalmente sobre el Concilio, y como no concierne únicamente a la Fraternidad San Pío X sino también a toda la Iglesia, las precisiones que logremos o no, tendrán el mérito no desdeñable de resaltar mejor dónde están las dificultades y dónde están las soluciones. Éste es desde luego el espíritu que ha guiado constantemente nuestras conversaciones teológicas en estos dos últimos años.

Este documento sirve de preámbulo a un estatuto canónico; por lo tanto, ¿no significa renunciar implícitamente a la hoja de ruta que había trazado usted y que preveía primeramente una solución doctrinal antes de cualquier acuerdo práctico?

Se trata precisamente de un preámbulo doctrinal, cuya aceptación o rechazo será la condición para obtener o no un estatuto canónico. De ninguna manera estamos relegando la doctrina. Y antes de comprometernos con un eventual estatuto canónico, estudiamos de modo preciso este preámbulo con el criterio de la Tradición, a la que estamos fielmente vinculados, pues no olvidamos que son precisamente divergencias doctrinales las que constituyen el origen de la divergencia entre Roma y nosotros desde hace 40 años. Dejarlas de lado para lograr un estatuto canónico nos expondría a ver resurgir inevitablemente esas mismas divergencias, haciendo que el estatuto canónico se vuelva, más que precario, sencillamente invivible.

Por lo tanto, en el fondo, ¿no ha cambiado nada después de estos dos años de conversaciones teológicas entre Roma y la Fraternidad San Pío X?

Estas conversaciones han permitido a nuestros teólogos exponer sin rodeos los puntos principales del Concilio que plantean dificultad a la luz de la Tradición de la Iglesia. Paralelamente, y tal vez gracias a estas conversaciones teológicas, durante estos dos últimos años, se han dejado escuchar otras voces además de las nuestras, formulando críticas que se unen a las nuestras sobre el Concilio. Por ejemplo, Mons. Brunero Gherardini, en su libro Vaticano II, una explicación pendiente, ha insistido sobre los diferentes grados de autoridad de los documentos conciliares y sobre el «contra espíritu» que se deslizó en el concilio Vaticano II desde su comienzo. Igualmente, Mons. Athanasius Schneider, durante un congreso en Roma a finales de 2010, tuvo el valor de pedir un Syllabus que condene los errores de interpretación del Concilio. En el mismo espíritu, el historiador Roberto de Mattei, en su libro Vaticano II, una historia jamás escrita, ha mostrado bien las influencias contrarias que se ejercieron sobre el Concilio. Habría que citar también la Súplica dirigida a Benedicto XVI por los intelectuales católicos italianos que reclaman un examen profundo del Concilio.
Todas estas iniciativas e intervenciones manifiestan claramente que la Fraternidad San Pío X ya no es la única que ve los problemas doctrinales que plantea Vaticano II. Este movimiento se va extendiendo y ya no se va a detener.

Sí, pero estos estudios universitarios y sabios análisis no dan ninguna solución concreta a los problemas que planteaen concreto este concilio.
Estos trabajos manifiestan las dificultades doctrinales que plantea Vaticano II y, consiguientemente, muestran por qué la adhesión al Concilio es problemática. Esto constituye un primer paso esencial.
En la propia Roma, las interpretaciones evolutivas que se dan sobre la libertad religiosa, las modificaciones realizadas sobre este particular en el Catecismo de la Iglesia Católica y en su Compendio, las correcciones que actualmente se están estudiando para el Código de derecho canónico… todo lo cual manifiesta la dificultad que resulta de atenerse a toda costa a los textos conciliares y, desde nuestro punto de vista, muestra claramente la imposibilidad de adherir de modo estable a una doctrina en movimiento.

¿Ya no basta el Credo para ser reconocido como católico?
Según usted, ¿qué es hoy estable doctrinalmente?

La única doctrina ne varietur es, evidentemente, el Credo, o sea, la profesión de fe católica. El Concilio Vaticano II quiso ser pastoral; no definieron ningún dogma. No añadió a los artículos de fe: «Creo en la libertad religiosa, en el ecumenismo, en la colegialidad…» ¿Ya no bastaría hoy el Credo para ser reconocido como católico? ¿Ya no expresa toda la fe católica? ¿Se exige ahora a los que abandonan sus errores y vuelven al seno de la Iglesia que profesen su fe en la libertad religiosa, en el ecumenismo o en la colegialidad? Para nosotros, hijos espirituales de Mons. Lefebvre –que siempre se negó a hacer una Iglesia paralela y que quiso siempre permanecer fiel a la Roma eterna–, no hay dificultad alguna en adherir plenamente a todos los artículos del Credo.

En este contexto, ¿podría haber alguna solución a la crisis en la Iglesia?

A menos de un milagro, no puede haber ninguna solución instantánea. Pretender que Dios dé la victoria sin pedir a los hombres de armas que luchen –repitiendo la expresión de Santa Juana de Arco–, es una forma de deserción. Querer el fin de la crisis sin sentirse uno mismo concernido o implicado, es no amar realmente a la Iglesia. La Providencia no nos dispensa de cumplir con nuestro deber de estado en donde nos ha puesto, ni de asumir nuestras responsabilidades y responder a las gracias que nos concede.
La situación actual de la Iglesia en nuestros países otrora cristianos, es la caída dramática de las vocaciones: cuatro ordenaciones en París en 2011, una sola en la diócesis de Roma para 2011-2012; se trata de una escasez alarmante de los sacerdotes: por ejemplo, un párroco de la región de Aude, que tiene que ocuparse de 80 campanarios; son diócesis exangües, a tal punto que en un futuro próximo habrá que reagruparlas en Francia, lo mismo que ya se han reagrupado las parroquias… En pocas palabras, la jerarquía eclesiástica encabeza estructuras que hoy están sobredimensionadas para unos efectivos que están bajando constantemente, lo cual resulta propiamente incontrolable, y no tan sólo desde el punto de vista económico… Para dar una imagen, sería necesario asegurar el mantenimiento de un convento diseñado para 300 religiosas, mientras que en la actualidad ya no son más que 3. 

¿Podrá esta situación durar 10 años más?

Algunos obispos y sacerdotes jóvenes que heredan esta situación se van dando cuenta cada vez más de la esterilidad de los 50 años de apertura al mundo moderno. Y no echan la culpa de ello únicamente a la laicización de la sociedad, sino que se preguntan sobre las responsabilidades del Concilio, que abrió la Iglesia a este mundo en plena secularización. Se preguntan si la Iglesia podía adaptarse a tal punto a la modernidad sin adoptar su espíritu.
Tales obispos y sacerdotes se plantean esas preguntas, y algunos nos las plantean a nosotros… discretamente, como Nicodemo. Nosotros respondemos que, ante tal penuria, hay que preguntarse si la Tradición es una simple opción o una solución necesaria. Responder que es una opción, es minimizar o incluso negar la crisis de la Iglesia, y pretender contentarse con medidas que ya han hecho prueba de su ineficacia.

La oposición de los obispos

Pero incluso si la Fraternidad San Pío X lograra de Roma un estatuto canónico, no podría, a pesar de todo, ofrecer ninguna solución sobre el terreno, pues los obispos se opondrían a ella, lo mismo que han hecho con el Motu Proprio sobre la misa tradicional.
Esta oposición de los obispos a Roma se ha expresado de modo sordo pero eficaz con respecto al Motu Proprio sobre la misa tridentina, y por parte de algunos obispos sigue manifestándose obstinadamente con respecto al pro multis del canon de la misa, que Benedicto XVI, en conformidad con la doctrina católica, quiere que se traduzca «por muchos» y no «por todos», como figura en la mayor parte de las liturgias en lengua vernácula. En efecto, algunas conferencias episcopales persisten en mantener esta traducción errónea, como acaba de pasar en Italia.
De este modo, el propio Papa está experimentando la disidencia de varias conferencias episcopales sobre este tema entre otros muchos, cosa que puede permitirle entender fácilmente la feroz oposición que habrá indudablemente contra la Fraternidad San Pío X por parte de los obispos en sus diócesis. Se dice que Benedicto XVI desea personalmente una solución canónica; pues tendrá que querer igualmente adoptar los medios que la hagan realmente eficaz.

La nueva cruzada del Rosario, ¿la ha lanzado usted debido a la gravedad de la crisis actual?

Al pedir estas oraciones, he querido sobre todo que los sacerdotes y fieles estén más íntimamente unidos con Nuestro Señor y su Santa Madre, mediante el rezo diario y la meditación profunda de los misterios del Rosario. No estamos en una situación ordinaria que nos permitiría contentarnos con una mediocridad rutinaria. La comprensión de la crisis actual no descansa en rumores propagados por el Internet, así como las soluciones no competen a la astucia política o a la negociación diplomática. Hay que tener una mirada de fe sobre la crisis. Tan sólo frecuentando asiduamente a Nuestro Señor y a Nuestra Señora podrán los sacerdotes y fieles vinculados con la Tradición guardar esta unidad de enfoque que nos da la fe sobrenatural. Así es como formaremos un bloque en este periodo de gran confusión.
Orando por la Iglesia, por la consagración de Rusia –como pidió la Santísima Virgen en Fátima– y por el triunfo de su Corazón Inmaculado, nos elevamos por encima de nuestras aspiraciones demasiado humanas y superamos nuestros temores demasiado naturales. Situados a esa altura, podremos servir realmente a la Iglesia, cumpliendo el deber que se nos ha confiado a cada uno de nosotros.

Menzingen, 28 de noviembre de 2011

OS CAMINHOS DE MARIA SANTÍSSIMA – PARTE 2



As Montanhas de Judá e o caminho de Belém
Ivone Fedeli
Aproveitando o Advento, damos continuidade a nosso trabalho sobre o significado espiritual dos caminhos trilhados pelas Santíssima Virgem, segundo o texto do Evangelho.
Em nosso primeiro artigo vimos como a Sagrada Escritura nos apresenta a Santíssima Virgem, por sete vezes, a caminho:
1.     Pelas montanhas de Judá, indo visitar Santa Isabel;
2.     A caminho de Belém, por ordem de César Augusto;
3.     Em direção a Jerusalém, para cumprir os ritos da apresentação da Purificação e da Apresentação do Menino, no Templo;
4.     Em fuga para o Egito;
5.     De volta do Egito para a Judeia e Galileia, quando morre Herodes;
6.     Em peregrinação ao Templo de Jerusalém, quando perde o Menino Jesus;
7.     Por fim, na Paixão, a caminho do Calvário.
Vimos também como o texto da Sagrada Escritura, além de seu significado histórico, pode e deve ser usado para a meditação dos católicos como fonte de verdades espirituais. Assim, passamos a analisar em que sentido esses “caminhos” da Santíssima Virgem pode servir de modelo para a vida de todos os fiéis.
1.     Primeiro caminho: amor ao próximo e apostolado
Imediatamente, apressadamente, após a concepção do Verbo feito carne, vemos a Virgem Santíssima dirigir-se às montanhas de Judá em auxílio a sua idosa parente, Santa Isabel. Em sua pitoresca linguagem setecentista, São Francisco de Sales comenta assim essa pressa e suas razões:
“Pobre jovenzinha Senhora, grávida do Filho de Deus […] empreende sua viagem com um pouco de ansiedade, pois o Evangelho diz que foi com pressa. Ah! As primícias dos movimentos d’Aquele que ela tem em suas entranhas só podem ocorrer com fervor”.
“Pensando bem, vós não achais que o que incitou mais particularmente nossa gloriosa Mestra a fazer essa visita foi a caridade ardentíssima e uma profundíssima humildade que a fez atravessar com rapidez e prontidão as montanhas da Judeia? Certamente, foram essas duas virtudes que a impulsionaram e a fizeram deixar a pequena Nazaré, pois a caridade não é ociosa; ela ferve nos corações onde reina e habita; e a santa Virgem estava plena dela, uma vez que tinha o próprio amor em suas entranhas”.[1]
Sim, é este o primeiro caminho tomado pela Santíssima Virgem: o caminho da caridade e, muito particularmente, o caminho da caridade para com o próximo, nascida da mais profunda e ardente caridade para com Deus, aquela que é capaz mesmo de deixar a Deus, o íntimo recolhimento de Nazaré, por Deus, no serviço zeloso do próximo.
Com efeito, como afirma São João, “Quem não ama seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê?”[2] Nossa Senhora, ao apressar-se para servir Santa Isabel, ensina-nos, do modo mais eficiente, pelo exemplo, que a caridade para com o próximo, a prática das obras espirituais e materiais de caridade, são o mais seguro sinal de que Cristo vive em nós pela graça.
Assim, ensina a grande Santa Catarina de Siena, fiel discípula da Virgem Santíssima, que:
“Esse afeto [a Deus] não podemos mostrar nele [em Deus] pela utilidade que lhe possamos fazer, pois ele não tem necessidade dos nossos bens[3]; mas podemos e devemos demonstrá-lo nos nossos irmãos, buscando a glória e louvor do nome de Deus neles. Logo, não mais negligência, não dormir na ignorância, mas com coração aceso e audacioso distender os doces e ardorosos desejos e dar a honra a Deus e a fadiga ao próximo, não nos separando nunca do nosso objeto, Cristo crucificado.”[4]
E ensina também a pequena Santa Teresa de Lisieux, outra grande devota de Nossa Senhora, que, “nesta vida, a caridade fraterna é tudo e ama-se Deus na medida em que se a pratica”[5].
Mas Nossa Senhora é modelo não apenas do que devemos fazer, mas também do modo como o devemos fazer, sem que a caridade para com o próximo – o serviço aos outros – nos possa servir de escusa para um afastamento dos atos próprios da caridade para com Deus, aqueles que se referem diretamente à vida espiritual.
Ao estudar, do ponto de vista teológico, a Visitação, o Padre Pier Carlo Landucci, toma-a como modelo perfeito do que deve ser a vida apostólica, segundo a doutrina de São Tomás de Aquino[6], que resume:
“Essa [a vida apostólica] acrescenta ao conceito genérico de vida ativa algumas condições e modalidades particulares, exatamente em razão das quais se torna superior à pura vida contemplativa, enquanto “non fit per modum subtractionis, sed per modum additionis” [7] (ivi 1 ad 3).
Ou seja, a chamada vida apostólica, que os autores reputam como superior à vida puramente contemplativa, já a partir do pressuposto de que não poderia ser de outro modo, pois que foi essa a vida levada por Nosso Senhor Jesus Cristo, não é algo “a menos” que a vida contemplativa, mas algo “a mais”. Isto é, somente se pode falar em vida apostólica, em apostolado, quando à contemplação, à oração, se acrescenta o empenho em levar o próximo ao conhecimento e ao amor daquelas mesmas verdades que se conheceu pelo estudo e pela oração.[8]
Como muito bem resume São Tomás, “assim como é melhor iluminar que apenas brilhar, assim também é melhor levar os outros à contemplação do que apenas contemplar.”[9]
“Com tais condições, continua Landucci, não há oposição entre a atividade e a contemplação, mas esta se torna o pressuposto daquela.”
[…]
“Essas particulares condições, segundo o citado texto do Angélico, são precisamente que a ação ocorra
  • Quanto ao motivo, por um amor a Deus transbordante: “propter abundantiam divini amoris”;
  • Quanto ao fim, para a glória divina: “propter ipsius gloriam”;
  • Quanto ao gosto, contrariando-o, sacrificando-se: “sustinet a dulcedine divinae contemplationis… separari”;
  • Quanto à duração, limitando-a (sem excluir que deva ocupar, contudo, como de costume, a maior parte do dia): “interdum… ad tempus”,
  • Enfim quanto à medida de todos os precedentes (o quando, o como, o quanto dedicar-se à obra, e é, pois, a nota suprema), segundo a vontade divina: ut eius voluntas impleatur”.[10]
E o Padre Landucci mostra como em Nossa Senhora todas estas condições se cumpriram de modo perfeito, razão pela qual ela pode com toda a justiça ser chamada de Rainha dos Apóstolos.
Com efeito, o que a faz, sacrificando-se, deixar o recolhimento de Nazaré, no qual poderia, em íntima e ardentíssima oração, entreter-se com o Verbo Encarnado, que a perfeição de sua caridade fizera descer do céu – tu encontraste graça diante de Deus, diz o Anjo – é justamente essa “abundância do divino amor”, extremamente comunicativa, de si mesma.
É ela que a faz desejar a maior glória de Deus, que a santificação de São João Batista e a iluminação de Santa Isabel – “cheia do Espírito Santo” -, bem como o canto do Magnificat promovem de modo tão excelente. Mas tudo “para cumprir a vontade de Deus”, pois é por sugestão do Anjo que ela se decide a ir, tendo sido, segundo o Padre Landucci um “convite a uma eficaz ação” o propósito da menção de São Gabriel ao caso de Santa Isabel.[11]
Por fim, uma outra nota própria da atividade apostólica correta, radicada na vida contemplativa, é que o seu tempo seja limitado pelas necessidades da própria oração. Assim, ao narrar o nascimento de São João Batista, o texto do Evangelho mostra que, nesse momento em que a casa se enche de visitantes, familiares e amigos, a Santíssima Virgem não mais lá se encontra.
Em seu primeiro caminho, Maria Santíssima é, portanto, um perfeito modelo de apostolado. De um apostolado cuja eficácia vem da união com Nosso Senhor Jesus Cristo e que leva amar o bem do próximo até o sacrifício de si mesmo e de tudo o que se possa ter de mais caro, como Ela provou abundantemente na Paixão, quando consentiu, para o bem dos homens, na imolação de seu Filho Unigênito.
Para nós, a lição desse primeiro caminho da Santíssima Virgem: Nosso Senhor, concebido na alma pela graça santificante, não fica, não pode ficar inoperante. “Obras son amores”, dizia Santa Teresa de Jesus. E as obras de caridade se fazem em favor do próximo. É servindo aos outros, ajudando-as em suas necessidades espirituais e temporais, sendo capazes de levar nosso amor até o sacrifício, que, como mostra Nossa Senhora, servimos a Deus.
2.     Segundo caminho: submissão à Divina Providência
Em sua segunda jornada, a que empreende para Belém, a Santíssima Virgem, nos guia no caminho da submissão amorosa à Divina Providência, da adesão livre da vontade humana a tudo o que for vontade de Deus, esteja ou não de acordo com aquilo que naturalmente se desejaria.
Santo Afonso de Ligorio, ao tratar da excelência dessa virtude, afirma que:
A perfeição funda-se inteiramente no amor a Deus: “A caridade é o vínculo da perfeição”[12]; e o perfeito amor a Deus significa uma completa união com a vontade de Deus. “O principal efeito do amor é unir as vontades daqueles que amam um ao outro de modo a fazê-los querer as mesmas coisas.”[13] Daí decorre, portanto, que quando mais alguém une sua vontade com a vontade divina, maior será seu amor a Deus. Mortificação, meditação, comunhão, atos de caridade fraterna, certamente agradam a Deus, mas apenas quando realizados de acordo com a Sua vontade. Quando não estão de acordo com a vontade de Deus, não apenas tais atos não o agradam, mas Ele os rejeita e os pune.” [14]
Essa virtude de Maria Santíssima é já evidentíssima nos primeiros textos do Evangelho, seja no modo como ela responde ao anúncio do Anjo, dizendo “faça-se em mim segundo a tua palavra”, pondo, assim, em relevo não apenas sua submissão à vontade divina, mas ao próprio meio empregado por Deus para manifestar-lhe sua santa vontade, ou seja, as palavras do Arcanjo; seja no profundo e doloroso silêncio com que espera que a concepção ocorrida seja explicada, segundo o desígnio de Deus, a São José, cuja dor era para ela mesma razão de profundo sofrimento.
Mas é neste segundo caminho, no caminho de Belém, que a submissão de Maria à Divina Providência aparece mais evidente, para nosso exemplo.
Em primeiro lugar porque tanto na Anunciação quanto na revelação dela a São José, a vontade de Deus se manifesta por meios extraordinários: a aparição de anjos.
Na ida para Belém, pelo contrário, a vontade de Deus se revela como ocorre ordinariamente na vida de todos nós: através de causas segundas, que não têm qualquer ligação visível com os planos divinos. No caso, através do edito de César Augusto. Ao contrário do que tantas vezes acontece conosco, que gostaríamos, sim, de sofrer por Deus, mas não através de tais ou tais circunstâncias, não através de tais ou tais criaturas, não em tal determinado tempo ou em tal determinado lugar.
Não é assim o caminho de Maria em sua adesão à Divina Providência: abraçado o fim, a vontade de Deus, são abraçados, juntamente com eles, todos os meios que essa vontade onipotente, sapientíssima e boníssima determina.
O edito, vindo em tão má hora para a sagrada família, as dificuldades da viagem para a Virgem Maria, em final de gravidez, a dureza ou a falta de meios dos habitantes de Belém para acolhê-los, o desconforto, o frio e a falta de limpeza do estábulo, a inconveniência da presença de animais, tudo é recebido por Maria Santíssima com o mesmo amoroso silêncio, com a mesma reverente submissão aos desígnios do Altíssimo, como se tudo viesse diretamente anunciado por um emissário celeste, embora tudo dependesse das circunstâncias ou da vontade dos homens.
Caminho em que Nossa Senhora nos precede para que, seguindo-a, aprendamos a obedecer à vontade de Deus que, normalmente, se vê nas circunstâncias da vida.
Para que aprendamos a obedecer à vontade de Deus quando ela nos cerca de males: doença, pobreza, penas espirituais e, especialmente, daqueles males que nos chegam por meio de nosso próximo.
Para que aprendamos a obedecer à vontade de Deus que, de ordinário, nos aparece como a vontade – nem sempre boa ou benevolente – “dos outros”: indiferença, incompreensão, perseguição, tudo isso que a Virgem Santíssima, a mais digna de todas as puras criaturas de receber amor e louvor, suporta em paz neste caminho de Belém.
Santo Afonso explica, na obra que já citamos, a importância dessa atitude para com tudo o que, na vida, normalmente consideramos como males:
Além disso, devemos unir-nos à vontade de Deus não apenas naquelas coisas que nos vem diretamente de suas mãos, como doença, desolação, pobreza, morte de parente, mas, do mesmo modo, naquelas coisas que sofremos dos homens, por exemplo, desprezo, injustiça, perda de reputação, perda dos bens temporais e todo tipo de perseguição. Nessas ocasiões, devemos lembrar-nos de que, embora Deus não deseje o pecado, pode realmente desejar nossa humilhação, nossa pobreza ou nossa mortificação.
É certo e de fé que tudo o que acontece, acontece por vontade de Deus: “Eu sou o Senhor: “Eu sou o Senhor, formando a luz e criando as trevas, fazendo a paz e criando o mal”[15]. De Deus vêm todas as coisas. Os bens tanto quanto os males. Aquilo a que chamamos adversidade e mal, mas que realmente, são coisas boas e meritórias, quando as recebemos como vindas das mãos de Deus: “Haverá mal na cidade que o Senhor não tenha feito?[16] “Boas coisas e más, vida e morte, pobreza e riqueza vem de Deus”.[17]
Como é evidente, os textos da Sagrada Escritura citados aqui por Santo Afonso referem-se às consequências relativamente más – em ordem à vida presente, aos nossos desejos ou mesmo à justiça – que, por permissão de Deus, decorrem dos bens por Ele diretamente criados, já que Deus não pode ser autor direto do mal, o qual, não tendo substância nem, propriamente, realidade, não pode ser objeto de criação[18].
Todas as coisas a que chamamos males são, na verdade, ausências de bens ou ausência da devida ordem entre os bens. Mas todas elas são coisas permitidas por Deus em vista de um bem maior: nosso crescimento no desapego dos bens passageiros, a penitência de nossos pecados, o aperfeiçoamento de nossas virtudes, a edificação de nosso próximo, a manifestação do poder de Deus.
Comentando esse texto do Antigo Testamento, assim se expressa São João Crisóstomo:
“Eu, o Senhor, criei a luz e as trevas, eu dou a paz e envio os males” […] Que significa isso? É preciso dar uma solução que responda a todos. Mas essa solução onde está? Está no alcance bem compreendido dessas expressões. Redobrai a atenção, eu torno a pedir; não é sem motivo que insiste neste ponto. Nós avançamos para uma doutrina que nos recomenda respeito por sua profundidade. Há coisas boas, há coisas más e outras que ficam no meio; entre estas últimas, várias parecem más e não o são, na realidade; somos nós que as julgamos e dizemos tais. Para tornar meu pensamento mais claro e mais firme, ao mesmo tempo, dou um exemplo: considera-se, geralmente, a pobreza como um mal; contudo, ela não o é, ela até destrói o mal, quando a vigilância e a sabedoria a acompanham. A riqueza, por seu lado, é geralmente considerada como um bem; mas está longe de sê-lo, se não se faz dela o uso que convém. Se a riqueza fosse absolutamente um bem, todo o homem rico seria, por isso mesmo, um homem bom. [19]
            É dessa profunda doutrina que a Virgem Santíssima nos dá o melhor dos ensinamentos, ao dar-nos o melhor dos exemplos. A exemplo dela, todos os cristão devem, para possuir a Cristo, segui-la no caminho de Belém.
É seguindo-a nesse caminho de adesão incondicional e amorosa aos desígnios da Divina Providência, à vontade de Deus para nossa vida, em espírito de sacrifício e de penitência, que atingiremos Belém, a graça de ter Nosso Senhor vivo e atuando em nós, por sua graça.
É São Tomás de Aquino que o explica, seguindo São Bernardo :
No sentido místico, podemos considerar que o parto da Virgem significa o dar a luz da alma penitente, segundo o que está dito em Isaías[20] : Nós somos diante de vós, Senhor, como uma mulher que concebeu e que, estando perto de dar à luz, lança grandes gritos em suas dores.
A esse dar à luz místico, convém o lugar do nascimento de Cristo, ou seja, Belém. É São Bernardo quem diz [dirigindo-se aos cristãos] : « Também vós, se fordes Belém pela contrição do coração, sendo vossas lágrimas o vosso pão, noite e dia, dando-vos essa refeição uma alegria continuada (Belém quer dizer, casa do pão) ; se fordes Juda [região em que se encontra Belém] pela confissão (Judá quer dizer confissão) ; se fordes uma cidade de Davi[21], pelas obras de satisfação, Cristo nascerá em vós e encherá vosso coração de alegria por sua graça, no presente, e de alegria pela glória, no futuro.[22]
            Assim, é a aceitação dos desígnios da Divina Providência sobre nós, e particularmente dos males que ela permite que nos sobrevenham, que nos podem conseguir a alegria da graça e a alegria da glória, únicos verdadeiros bens, pois neles não se mistura nenhum mal, nenhum perigo, como acontece com os outros.
            Que a Santíssima Virgem, que nos serve de exemplo e de guia, nos auxilie nesse caminho.
São Paulo, 23 de novembro de 2011.

[1] FRANCISCO DE SALES, Santo. Le Rosaire – Textes de Saint François de Sales.Roybon: Monastère de Chambarand, 2003. p. 6. Tradução nossa.
[2] 1 Jo 4, 20.
[3] Sl 15, 2.
[4] CATARINA DE SIENA. Le Lettere. Milão: Edizioni Paoline, 1993. Carta 226, p. 1138-1139. Tradução nosso
[5] Cf. COMBES, André. En retraite avec Thérèse de Lisieux. Paris: Les èditions du Cèdre, 1951. p. 157. Tradução nossa.
[6] Cf. II-II 182, 2 c.
[7] Não se obtém subtraindo algo, mas adicionando. Tradução nossa.
[8] A esse respeito, recomendamos a nossos leitores o clássico livro de Dom Chautard,A Alma de todo apostolado, em que essas verdades são detalhadamente explicadas. A obra pode ser encontrada na internet, para download.
[9] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Summa Theologiae, II-II, q. 188, a. 6. Tradução nossa.
[10] LANDUCCI, Pe. Pier Carlo. Maria Santissima nel Vangelo. Milão: Edizione San Paolo, 2000. pp. 79-80. Tradução nossa.
[11] Cf. LANCUDDI, op. cit. p. 82.
[12] Col 3, 14.
[13] St. Denis Areop. De Div. Nom. c. 4. Reproduzimos esta nota tal como dada por Santo Afonso. Na realidade, hoje sabemos que não se trata de São Dionísio, o discípulo ateniense de São Paulo, mas de um autor pseudoepigráfico, provavelmente do século V.
[14] Cf. LIGORIO, Santo Afonso Maria de. Conformity to God’s Will. Trad. THOMAS W. TOBIN, C.SS.R., 1952. Edição Kindle. Tradução nossa.
[15] Is 45, 7.
[16] Am 3, 6.
[17] Ecl 11, 14.
[18] Cf. TOMÁS DE AQUINO, Santo. De Malo of Thomas Aquinas. Trad. Richard Regan. Edição e Notas Brian Davies. Oxfort: Oxford University Press, 2001. P. 61. Resposta à questão 1, “Se o mal é uma entidade”.
[20] Is 26, 17,
[21] Belém e frequentemente chamada na Sagrada Escritura de “Cidade de Davi” e foi, aliás, por serem descendentes de Davi que Nossa Senhora e São José tiveram que ir alistar-se lá, para o rescenceamento.
[22] TOMÁS DE AQUINO, Santo. De l’humilité du Chirst. Apud MEZARD, T. R. P. La Moëlle de Saint Thomas d’Aquin. Paris: P. Lethielleux Éditeur, 1930. V. 1, p. 74-75. Tradução nossa.
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Os Caminhos de Maria Santíssima – Parte 1





Ivone Fedeli
(…)
Os Caminhos de Maria Santíssima – Parte 1
 Ipsam sequens, non devias.[1]

São Bernardo, Segundo Sermão sobre o Missus est

  1. 1.     Caminhos
São Luís de Montfort, em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, afirma que “os predestinados mantêm-se nos caminhos da Santíssima Virgem, isto é, imitam-na, e nisto são verdadeiramente felizes e devotos, trazendo assim o sinal infalível de sua predestinação, como lhes diz essa boa mãe: “Beati qui custodiunt vias meas (Prov 8, 32) – Beatos os que praticam as minhas virtudes e caminham sobre as pegadas da minha vida, com o socorro da divina graça.”[2]
A metáfora do caminho como itinerário espiritual é clássica não apenas nos escritores eclesiásticos, como São Bernardo, Santo Afonso de Ligório[3], São Luís de Montfort e Santo Antônio Maria Claret[4], mas nos próprios livros sagrados. São Jerônimo, por exemplo, em uma de suas cartas atribui um sentido místico, de itinerário espiritual, à longa peregrinação dos israelitas no deserto, considerando cada etapa do caminho uma etapa da vida da alma.
Também o salmo 118, entre outros, utiliza a metáfora do caminho para expor longamente qual deve ser itinerário do homem neste mundo para atingir a bem-aventurança. “Felizes os que se mantêm sem mácula no caminho, os que andam segundo a lei do Senhor”. Beati immaculati in via qui ambulant in lege Domini…[5]
Ao comentar esse salmo, Santo Agostinho observa que ele apresenta uma dificuldade particular, justamente porque parece muito simples.
“Relativamente aos outros [salmos, todos já comentados por ele, que deixou este para o fim]”, afirma o Doutor de Hipona, “na verdade de difícil compreensão, embora o sentido seja obscuro, evidencia-se a própria obscuridade. Neste, nem ela; porque apresenta tal superfície que se acredita bastar ler e ouvir, sem se precisar de um comentador”.[6]
O mesmo se poderia dizer do pequeno texto de São Luís de Montfort que citamos acima. Por um lado, é claríssimo. Manter-se nos caminhos de Maria Santíssima, imitá-la. Não é difícil compreender, que “felizes são aqueles que, sem se deixar seduzir por uma falsa devoção, guardam fielmente os vossos caminhos, os vossos conselhos e vossas ordens!”. Não é o primeiro sentido da frase “é mister fazer todas as ações com Maria, isto é, em todas as ações olhar Maria como um modelo acabado de todas as virtudes e perfeições”[7] que nos escapa. Não, como diz Santo Agostinho do Salmo 118, o sentido primeiro é claro.
A dificuldade, como no salmo, vem da investigação mais profunda. Andar nos caminhos de Maria? Que caminhos? Quais são os caminhos dela? Imitá-la? Em que sentido? Como podemos nós, pobres pecadores, imitar a Imaculada? Que imitação é possível de sua maternidade divina ou de sua assunção gloriosa?
E por outro lado, quão pouco é o que nos diz o Evangelho sobre Maria Santíssima. Sua “humildade profunda que a levou a esconder-se, a calar-se, a submeter-se a tudo e a colocar-se em último lugar”, essas mesmas características dificultam a investigação daquilo a que São Luís de Montfort chama “os caminhos de Maria”. O próprio santo o afirma no Segredo de Maria, ao dizer que Maria Santíssima é a “pérola preciosa”, o “tesouro escondido do Evangelho”[8] e, em outro lugar, que “apenas o Espírito Santo pode fazer conhecer a verdade escondida sob a figura das coisas materiais”.[9]
Porém, nada disso deve ser razão de desânimo. Pelo contrário, se “a glória de Deus é esconder a palavra porque não se devem dar pérolas aos porcos, nem atirar aos cães as coisas santas”[10], “a glória dos reis – do homem, que pela razão é rei da criação e pela graça é filho de Deus –  investigar o texto”.[11]
São Gregório Magno em seu Comentário ao Cântico dos Cânticos explica de modo magistral como a investigação das metáforas e alegorias da Sagrada Escritura nos pode conduzir ao conhecimento das verdades doutrinárias, morais e espirituais que o Espírito Santo depositou nelas:
“A alegoria oferece à alma afastada de Deus [nesta vida mortal, em que não vemos Deus face a face] uma espécie de máquina que a faz elevar-se para ele. Por meio dos enigmas, reconhecendo nas palavras alguma coisa que lhe é familiar, ela compreende, no sentido das palavras, o que não lhe é familiar e, graças a uma linguagem terrestre, separa-se da terra. Pois, atraída por alguma coisa de conhecido, compreende alguma coisa do desconhecido. É, com efeito, dessas realidades que nos são conhecidas, e que se fazem as alegorias, que se revestem os pensamentos divinos; então, ao reconhecer a aparência exterior das palavras chegamos à inteligência interior”.[12]
Embora São Gregório esteja falando, especificamente, da grande alegoria do Cântico dos Cânticos, que trata das relações de Deus com sua Igreja e com cada alma em particular, o mesmo princípio se aplica a todos os textos da Sagrada Escritura, mesmo àqueles que narram fatos históricos.
Assim, por exemplo, São Paulo vê nos filhos de Abraão, um da escrava, outro da livre[13] uma prefigura dos filhos da Sinagoga, escrava, e da Igreja, livre. Bem como, São Luís de Montfort utiliza a história da bênção de Jacó, conseguida por sua mãe Rebeca, para deduzir e explicar os princípios da verdadeira devoção a Maria Santíssima, que ensina em seu Tratado.[14] São apenas dois exemplos entre os inúmeros que poderiam ser citados.
Também nós, desejosos de compreender melhor os caminhos de Maria Santíssima, para mantermo-nos neles, para imitá-la, como ensina São Luís de Montfort, podemos interrogar a esse respeito o texto da Sagrada Escritura, buscando uma compreensão mais profunda, que nos leve a um amor mais ardente.
  1. 2.     Sete caminhos
No texto dos Evangelhos por sete vezes encontramos a Santíssima Virgem efetivamente a caminho. Por sete vezes o texto nô-la mostra descolando-se de um lugar para outro. Assim, tomemos esses trechos como ponto de partida de nossa investigação. Que Nossa Senhora, em caminho, nos mostre os caminhos que devemos seguir, nos mostre como imitar, em nossa miséria, sua inigualável grandeza, como manter-nos, sem nos desviar, sem sair da via, nas sendas que ela tomou.
Sete vezes, como dissemos, o Evangelho nos diz que Maria Santíssima se põe a caminho: a primeira, logo após ter concebido em seu seio puríssimo, o Verbo de Deus, quando, “se levantou e foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá”[15]; em seguida, na ocasião em que, por força do edito de César Augusto, “também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com sua esposa, que estava grávida”.[16]
Pela terceira vez, Nossa Senhora se põe a caminho, segundo o texto sagrado, porque “concluídos os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no [ao Menino Jesus] a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor”[17] e de novo, desta vez em circunstâncias trágicas, quando, depois da visita e da partida dos Reis Magos, “um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.”[18]
Findo o perigo, com a morte de Herodes, uma quinta vez vemos a Santíssima Virgem a caminho, desta vez porque “o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel […] e ele, levantando-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel”.[19]
A sexta vez em que o Evangelho nos mostra Maria Santíssima caminhando é quando “Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.”[20]
Por fim, o sétimo caminho tomado pela Santíssima Virgem de que nos fala o Evangelho é a via crucis, o caminho do Calvário, embora sem mencioná-la explicitamente. Diz o texto: “Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam”[21], multidão entre a qual, com certeza, se encontrava a Santíssima Virgem, suposição tanto mais razoável quanto é confirmada pela tradição antiquíssima da Via Sacra, que consagra uma de suas estações ao encontro de Jesus com sua Mãe. E confirmada, ainda, pelo próprio texto do Evangelho, ao dizer que “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.”[22]
Examinemos, em primeiro lugar, as razões deste número simbólico, o sete. Segundo a tradição exegética, cuja interpretação se fundamenta particularmente na interpretação dos números dada por Santo Agostinho[23], “os números, na maioria das vezes, não querem transmitir uma quantidade exata, um dado preciso, mas sim expressar uma realidade, um valor teológico, um dado simbólico”[24], embora o símbolo jamais possa contrariar o sentido literal.[25]
Portanto, se o Evangelho nos apresenta a Santíssima Virgem caminhando por sete caminhos, não devemos tomar esse número como casual. Pelo contrário, tanto mais que o sete é um número de grande significado simbólico.
Segundo Frei Acílio Mendes, OFM, sendo o número 7, soma de 4 com 3,
“Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição (Nm 23,4; Mt 15,36); grande quantidade (Is 30,26; Pr 24,16; Mt 18,21); totalidade (Ap 1,4); indica séries completas como no Apocalipse: 7 Cartas (Ap 2-3); 7 Selos (Ap 6,1-17); 7 cabeças (Ap 12,3). O Cordeiro imolado recebe 7 dons (Ap 5,12). O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias; a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa. Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos – Lv 25) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7 (Mt 18,22). É importante ver que no Apocalipse aparece a metade de 7, isto é, 3,5 (Ap 11,9). Às vezes diz-se: um tempo, dois tempos, meio tempo (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é três anos e meio. Também pode ser 42 meses (Ap 11,2), é igual a 1.260 dias (Ap 12,6), isto é, sempre a metade de 7. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.”[26]
Num artigo sobre o número do homem, mencionado no Apocalipse, também o Prof. Orlando Fedeli afirma que:
O número sete – é bem sabido – significa totalidade. Com efeito, quando os Apóstolos perguntaram quantas vezes deviam perdoar o ofensor, Cristo lhes respondeu que deviam fazê-lo 70 x 7 vezes, para significar sempre, todas as vezes. O sete simboliza totalidade porque ele é composto de 3 + 4, significando pois ordem total; espiritual (3) e material (4). Por isto, este número cabe bem a Cristo, Deus e Homem, que contém toda a ordem, divina e humana. Não é então sem razão que o Apocalipse apresenta Cristo como “aquele que tem os sete espíritos de Deus” (Apoc.,) e que caminha entre os sete candelabros. O número sete corresponde a muitos totais. Sete são os sacramentos, sendo que três imprimem caráter (Batismo, Crisma e Ordem) e quatro não. Sete são as virtudes, sendo que três são teologais (Fé, Esperança e Caridade) e quatro são cardeais. Sete são os dons do Espírito Santo e sete são os vícios capitais. Sete são as cores, sendo que três são fundamentais e quatro resultam da combinação delas. Sete são as notas da escala, e três delas formam um harmônico. Sete eram as matérias da escola medieval, divididas em: Trivium (lógica, gramática e retórica) e Quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia), sendo que o Trivium era formado pelas ciências que regem a formação e manifestação do pensamento e o Quadrivium estudava as criaturas sob o ângulo matemático. O número sete pode ser formado com 6 + 1 = 7, e então ele significa a perfeição nas partes com Deus.[27]
Assim, dada essa característica de totalidade e de perfeição do número sete, seja considerado como soma de três mais quatro, seja como a adição de seis mais um[28], podemos ver nessa apresentação dos sete caminhos da Santíssima Virgem uma espécie de itinerário completo, de modelo perfeito dos caminhos espirituais pelos quais devemos passar para, à imitação da Santíssima Virgem, atingir aquela perfeição a que todos fomos chamados.[29]
São Tomás de Aquino explica em que sentido somos todos viajantes, em que sentido todos estamos a caminho, esclarecendo, assim, a razão profunda da recorrência dessa metáfora tanto na Sagrada Escritura quanto nos autores eclesiásticos:
“Somos ditos viajantes porque tendemos para Deus que é o fim último de nossa beatitude. Nesta vida, avançamos tanto mais quanto mais nos aproximamos de Deus, do qual nos aproximamos não pelos passos do corpo, mas pelas disposições da vontade. É a caridade que faz essa aproximação; pois é por ela que o espírito se une a Deus.”[30]
Os diferentes caminhos, portanto, são os vários modos pelos quais a caridade se exerce, os diferentes atos através dos quais, aumento no amor, a alma se aproxima de Deus. Ao estudarmos os caminhos da Santíssima Virgem, podemos, legitimamente, ver neles os modelos para nossos próprios caminhos. Podemos, todos, tomar para nós as palavras ditas por Nosso Senhor a Dom Bosco: “Eu te darei a mestra sob cuja orientação poderás tornar-te sábio e sem a qual toda a sabedoria se converte em estultícia.”[31]
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[1] BERNARDO DE CLARAVAL, Santo. Sermons sur la Vierge Maria. Seguindo-a, não sairás do caminho. Tradução nossa.
[2] LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Perópolis: Editora Vozes, 2009. pp. 190-191.
[3]AFONSO DE LIGÓRIO, Santo. Via della Salute. “O livro Via della Salute chega a 700 edições. Na coletânea OARX está reunido com os opúsculos: o Settenario di Meditazioni in onore di S. Giuseppe e Novena dei morti. Apud OLIVEIRA, Luiz Carlos. Cristo nasobras ascéticas de Santo Afonso. Dissertação de Mestrado em Teologia com especialização em Teologia Espiritual. Roma: Teresianum – Pontifício Instituto de Espiritualidade, 2000.
[4] CLARET, Santo Antonio Maria. Camino recto y seguro para llegar al cielo. Publicado originalmente em catalão, em 1845, e um ano mais tarde em castelhano, língua em que já tem quase duzentas edições.
[5] Sl 118, 1. na Vulgata, nas versões modernas Salmo 119.
[6] AGOSTINHO DE HIPONA, Santo. Comentário aos Salmos. São Paulo: Paulus, 1998. V. 3, p. 370.
[7] LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Op. cit. no. 260.
[8] Cfr. LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. O Segredo de Maria, no. 70.
[9] Cfr. LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Tratado da Verdadeira Devoção,no.261.
[10] Cfr. Mt 7,6.
[11] Prov 25, 2.
[12] GREGÓRIO MAGNO, Santo. Commentaire sur le Cantique des Cantiques.Paris: 1984.
[13] Cfr Gl, 4.
[14] Cfr. LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Tratado da Verdadeira Devoção, no. 183 e ss.
[15] Lc 1, 39.
[16] Lc 2, 4-5
[17] Lc 2, 22
[18] Mt 2, 13.
[19] Mt 2, 20-21
[20] Lc 2, 42-45
[21] Lc 23, 27
[22] Jo 19, 25
[23] Cf. AGOSTINHO DE HIPONA, Santo. De Musica
[24] MENDES, OFM. Frei Acílio. Os números na Bíblia. Texto completo em:http://www.cantodapaz.com.br/blog/11-significado-dos-numeros-na-biblia/
[25] Cf. TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. I – I, q. 1. Aa 9-10.
[26] MENDES, OFM. Frei Acílio. Op. cit.
[27] FEDELI, Orlando. O número do homem. Texto completo em:http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=numero
[28] O três significa a perfeição espiritual, enquanto o quatro a perfeição material. Assim, são três as Pessoas Divinas, três as virtudes teologais, três as potências da alma, por exemplo, enquanto são quatro, por exemplo, as estações do ano, os pontos cardeais e as virtudes cardeais. O seis significa a perfeição das partes, por ser sempre tanto a soma quanto a multiplicação dos três primeiros números, enquanto o um, como é evidente, é o número que significa Deus.
[29] Cf Mt 5, 48.
[30] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. II-II q.24 4 e 7
[31] BOSCO, São João. Memórias do Oratório Festivo.
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(…) Omitimos a introdução. Veja na íntegra abaixo

MISSAS “RORATE” NA PARÓQUIA DE S. SEBASTIÃO


                   Da mesma forma que a Santíssima Virgem,  vendo aproximar-se o nascimento de seu Filho, o Salvador do mundo, preparou-se no silêncio das noites, assim também nós, preparemo-nos para a vinda deste Menino que já está tão próximo de nós. Como as virgens prudentes, com nossas lâmpadas acesas e cânticos nos lábios vejamos, despertos as luzes invadirem as trevas de uma noite que conheceu seu ocaso no dia de Natal!

Com minha bênção

Pe. Marcélo Tenorio

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Local: Paróquia de S. Sebastião
Hora: 21h
Rua Minas Gerais, 549, Monte Carlo – Campo Grande – MS – 3317 4863

Datas das Missas:

Sábado 26 – nov
Sábado 03 – dez
Sábado 10 -dez

Explicação litúrgica
A sua origem pode ser encontrada no século XV nos países alpinos.
Inicialmente a Missa Rorate era uma missa votiva em honra de Maria, a Mãe de Deus, e era celebrada nos sábados de Advento. Foi também chamada “ofício angélico”, porque se lia o evangelho da Anunciação (Lc 1, 26-38) ou “missa dourada”.
O específico da Missa Rorate é que se celebra à luz de velas.
Para dar um acento particular ao Advento, poder-se-ia celebrar a Missa Rorate em dias feriais do Tempo de Advento, mas segundo as normas da Igreja somente até ao dia 16 de Dezembro.
O mais importante é dar uma certa solenidade e precisamente o facto de que se celebre à luz das velas e se cante o “Rorate coeli” (ou outro canto igualmente expressivo do mistério do Advento).






QUEM É SATANÁS REALMENTE?





Palestra do padre Gabriel Amorth no Umbria International Film Fest


por Lucas Marcolivio
TERNI, quinta-feira, 24 de novembro, 2011 (ZENIT.org) – Quem é o diabo? Qual é seu nome real? Quão poderoso é? Como se manifesta a sua obra destruidora nas vidas dos homens?

Estas e outras perguntas semelhantes foram respondidas pelo Padre Gabriel Amorth, célebre exorcista italiano, em uma vídeo-intrevista projetada ontem à tarde durante o Umbria International Film Fest, pouco antes da projeção do filme O rito de Mikael Hafstrom, cujo objeto é precisamente o exorcismo.

O diabo, disse o padre Amorth, é essencialmente “um espírito puro criado por Deus como um anjo”. Como os homens, também os anjos foram submetidos à uma prova de obediência, que Satanás – que era o mais brilhante dos espíritos celestes – se rebelou.
Satanás é, portanto, o primeiro diabo da história sagrada, e o mais poderoso de todos. Assim como no céu, com os santos e anjos, nas suas várias categorias, também no inferno há uma hierarquia. Enquanto o Reino de Deus é governado pelo amor, o reino de Satanás é dominado pelo ódio. “Os demônios se odeiam entre si e a sua hierarquia é baseada no terror”, disse o padre Amorth.
“Um dia – disse o exorcista – eu estava quase liberando uma pessoa possuída por um demônio que não era nem mesmo um dos mais fortes. Por que você não vai embora?, perguntei-lhe. Porque – me respondeu – se eu sair Satanás me punirá “. A finalidade da existência dos demônios é “arrastar o homem ao pecado e trazê-lo para o inferno”, disse Amorth.
O que é, então, que impulsiona o homem a esta louca obra de auto-destruição e condenação? Segundo o padre Amorth, o homem é sempre impulsionado pela “curiosidade”, uma inclinação que pode ser “positiva ou negativa dependendo das circunstâncias”.
O verdadeiro ‘triunfo’ do demônio, porém, é que ele está “sempre escondido” e a coisa que mais deseja é que não se “acredite na sua existência”. Ele “estuda a cada um de nós, nas suas tendências para o bem e para o mal, e depois suscita as tentações”, aproveitando-se das nossas fraquezas.
A época contemporânea, afinal de contas, é representada precisamente pelo total esquecimento da figura do diabo que, assim, consegue os seus mais importantes sucessos. Se a humanidade perde o sentido do pecado, é quase automático que entrem ideias de que “o aborto e o divórcio sejam uma conquista da civilização e não um pecado mortal”, disse Amorth.
É óbvio que o diabo está por trás de práticas como o ocultismo e a magia, e até aqui, “aproveitando a nossa curiosidade”. Quem quiser “conhecer o próprio futuro ou falar com os mortos”, por exemplo, vai, ainda sem querer, encontrar-se com o demônio. 

O padre Amorth não descarta nem sequer o filme Harry Potter: o ídolo literário e cinematográfico de tantas crianças ao redor do mundo é, de fato, de acordo com o exorcista, uma mensagem publicitária da “magia” apesar de ser vendido “até mesmo em livrarias católicas”.

Perigosas e desonestas, para Amorth, são também as práticas orientais aparentemente inócuas como o Yoga: “Você acha que está fazendo para relaxar, mas leva ao Hinduísmo – explicou o exorcista – Todas as religiões orientais são baseadas na falsa crença da reencarnação “.
Perguntado se Satanás atormenta mais as almas dos ateus ou aquelas dos crentes, o padre Amorth disse que o mundo pagão é mais vulnerável ao diabo do que o mundo cristão ou crente, no entanto, “um ateu é mais difícil que venha visitar um sacerdote”.
Amorth, que disse ter exorcizado também “muçulmanos e hindus”, salientou: “Se viesse comigo um ateu eu diria para mim mesmo que, de todos modos, estou agindo em nome de Jesus Cristo e lhe recomendaria que se informasse sobre quem fosse Cristo “.
Um aspecto curioso  e nem por isso secundário do trabalho de um exorcista está ligado aos nomes dos demônios. “A primeira coisa que eu pergunto ao possuído é qual seja o seu nome – disse o padre Amorth -. Se ele me responde com o nome verdadeiro para o diabo já é uma derrota:  foi forçado a dizer a verdade, a sair do esconderijo”.
Caso contrário, o diabo vai responder cada vez com um nome diferente. “Os demônios na realidade, como os anjos, não têm nomes – disse Amorth – mas se atribuem apelidos até mesmo bobos, como Isbò: este era um diabo com um nome estúpido, mas poderosíssimo, ao ponto de ter conseguido matar um exorcista e um bispo “.
O padre Amorth também afirmou que a pessoa possuída não está necessariamente em pecado mortal, porque “Satanás pode tomar o corpo, mas não a alma”, e advertiu que o demônio não só atua com a possessão, mas também com o assédio, a obsessão e a infestação (esta última referida principalmente a locais físicos).
O malefícios associados à práticas ocultas (feitiços, vudú, macumba, faturas, etc.), são “muito raros”, disse o exorcista.
Aqueles que rezam e que confiam constantemente em Deus “não devem ter medo” do demônio. Além disso, o padre Amorth disse que nunca teve medo do diabo durante os exorcismos. “Às vezes – deixou claro – eu estive com medo de  machucar fisicamente alguém porque, por exemplo, é arriscado exorcizar uma pessoa doente do coração”.
Amorth concluiu a entrevista confirmando que muitas pessoas, de fato, vendem sua alma ao diabo, mas, ironicamente, ele acrescentou, “Eu tenho queimado muitos contratos ….”
[Tradução TS]

Mensagem do Papa São Gregório Magno à RCC






Para os que pensam ter o dom das línguas, mas  que perderam o dom de ouvir



                                                              Orlando Fedeli 

São Gregório Magno, foi Papa no final do século VI. Foi um dos maiores Papas da Igreja. Em um de seus sermões, ele tratou dos pretensos carismas, e o que ele disse então responde perfeitamente às pretensões do falso misticismo da RCC de hoje em dia.
 
Este sermão, foi feito por esse santo Papa, no dia da Ascenção de Nosso Senhor Jesus Cristo,  em 24 de Maio de 591, na basílica de Sâo Pedro, comentando o texto do Evangelho de São Marcos (XVI, 15-20).
Ele será bem útil àqueles que, sendo humildes,  amarem mais terem ouvidos para ouvir do que pretenderem ter línguas estranhas para falar.  
 
Ouçamos, pois, São Gregório:
 
***
 
Eis os sinais que acompanharão aqueles que terão acreditado: em meu nome, eles expulsarão os demônios, eles falarão em línguas novas, eles pegarão em serpentes, e se tiverem bebido algum veneno mortal, ele não lhes fará nenhum mal. Eles imporão suas mãos aos doentes e estes serão curados” (São Marcos, XVI,16).
 
Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé?
Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las.
Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22).
 
Sobre esses sinais e esses poderes, temos nós que fazer observações mais precisas?
A Santa Igreja, faz todo dia, espiritualmente, o que ela realizava então nos corpos, por meio dos Apóstolos. Porque, quando os seus padres, pela graça do exorcismo, impõem as mãos sobre os que crêem, e proibem aos espíritos malignos de habitar sua alma, faz outra coisa que expulsar os demônios?
        Todos esses fiéis que abandonam o linguajar mundano de sua vida passada, cantam os santos mistérios, proclamam com todas as suas forças os louvores e o poder de seu Criador, fazem eles outra coisa  que falar em línguas novas?
Aqueles que, por sua exortação ao bem, extraem do coração dos outros a maldade, agarram serpentes.
Os que ouvem maus conselhos sem, de modo algum, se deixar arrastar por eles a agir mal, bebem  uma bebida mortal, sem que ela lhes faça mal algum.
Aqueles que todas a vezes que vêem seu próximo enfraquecer, para fazer o bem, e o ajudam com tudo o que podem, fortificam, pelo exemplo de suas ações, aqueles cuja vida vacila, que fazem eles senão impor suas mãos aos doentes, a fim de que recobrem a saúde?
 
Estes milagres são tanto maiores pelo fato de serem espirituais, são tanto maiores porque repõem de pé, não os corpos, mas as almas.
Também vós, irmãos caríssimos, realizais, com a ajuda de Deus, tais milagres, vós os realizais, se quiserdes.
Pelos milagres exteriores não se pode obter a vida. Esses milagres corporais, por vezes, manifestam a santidade.Eles não criam a santidade.
Os milagres espirituais agem na alma.Eles não manifestam uma vida virtuosa. Eles fazem vida virtuosa.
Também os maus podem realizar aqueles milagres materiais. Mas os milagres espirituais só os bons podem fazê-los.
É por isso que a Verdade diz, de certas pessoas:
“Muitos me dirão, naquele dia: “Senhor, Senhor, não foi em teu nome que nós profetizamos, que nós expulsamos os demônios e que realizamos muitos prodígios? E Eu lhes direi:”Eu não vos conheço. Afastai-vos de Mim, vós que fazeis o mal” (São mateus VII, 22-23).
 
Não desejeis, ó irmãos caríssimos, fazer os milagres que podem ser comuns também aos réprobos,, mas desejai esses milagres da caridade e do amor fraterno dos quais acabamos de falar: eles são tanto mais seguros pelo fato de que são escondidos, e porque acharão, junto a Deus, uma recompensa tanto mais bela quanto eles dão menor glória diante dos homens”(São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209).
       
***
Eis o que nos ensina São Gregório Magno, Papa, prevenindo-nos contra o pretender possuir imprudentemente os dons e carismas extraordinários do Espirito Santo.
 
E este santo Doutor da Igreja nos previne ainda contra os que pretendem que se tornem comuns a todos, os carismas e dons que o Espírto Santo dá extarordinaraiamente apenas a alguns, que ele escolhe sem precisar que se lhes ensine trejeitos que imitem os verdadeiros dons, que são gratuitos, e não fruto de uma técnica humana.
 
Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça. E que toda língua pretensiosa e imprudente se cale.