A aproximação da Maçonaria e do Comunismo com a Igreja Católica, no período de 1917 a 1991- Parte II



                                                                                                      Marcelo Fedeli

O presente artigo é uma continuação daquele que pode ser lido no link: A aproximação da Maçonaria e do Comunismo com a Igreja Católica, no período de 1917 a 1991- Parte I
II –ANTECEDENTES AOS ACONTECIMENTOS DE 1917
Ampliando um pouco mais o horizonte do alto desta janela de 2011 notamos que os citados acontecimentos de 1917 têm ligações diretas com importantíssimos fatos ocorridos em meados do Século XIX, como seguem:
A – ALERTA DA VIRGEM EM LA SALETTE
Em 1846 Nossa Senhora em La Salette, chorando, revela uma crise real da fé difundida entre membros do clero em geral e a conseqüente decadência moral em que este se encontrava, chegando a afirmar que “já não há ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Pai Eterno, pelo mundo”, anunciando terríveis calamidades para o mundo e para a Igreja.
B – OS PROFÉTICOS ‘SONHOS’ DE D. BOSCO
Alguns anos depois de La Salette, em 1862 — pouco antes do Concílio Vaticano I e, coincidentemente, cem anos antes do início do Concílio Vaticano II — D. Bosco revela ao Pe. Rua o ‘sonho’ das “Duas Colunas” narrando uma batalha naval em que a nave da Igreja, ao largo, em mar aberto e revolto, em meio a tormentas, distante de duas fortes colunas a que estava anteriormente fixada, é atacada por barcos inimigos. Neste ‘sonho’ o Capitão da nave por duas vezes convoca os pilotos dos navios secundários e os reúne para ver o que fazer [clara referencia aos Concílios Vaticano I e Vaticano II]. A batalha prossegue até que o anúncio de um novo Capitão causa enorme confusão nas hostes inimigas e a Nave é levada de volta às duas colunas sobre as quais se encontravam a Sagrada Hóstia e a Virgem Imaculada  e nelas é acorrentada novamente.
Um segundo ‘sonho’ de D. Bosco narra uma procissão ‘saindo de Roma’, tendo à frente o Papa, seguido pelos cardeais, bispos, sacerdotes e  fiéis em meio a furioso temporal que tudo escurecia. Depois de percorrerem longo caminho perceberam que não estavam maisem Roma. Dois anjos, então, levaram ao Papa um estandarte. O pontífice o pegou e, seguido pelos poucos que ainda o cercavam, voltou a Roma em meio a destroços até entrar novamenteem S. Pedro e entoar um Te Deum, respondido pelo coro de anjos. Terminado o canto o sol voltou a brilhar… [A ‘descrição’ da visão de Lúcia, publicada pelo Vaticano em 26 de Junho de 2000, se assemelha em muito a este sonho].
[Vide detalhes destes dois  ‘sonhos’ de D. Bosco no site]
Alguns anos depois, em Fátima, a Virgem Santíssima volta a falar sobre  crise da fé e da moral, disseminada mais largamente pelo mundo, nos prevenindo também de terríveis calamidades.   Em ambas, suplica orações pelo Papa e pela conversão dos pecadores. Em Fátima, particularmente, deixa uma mensagem até hoje não totalmente esclarecida, mas que, segundo o Cardeal Silvio Oddi — que a leu a Virgem Abençoada nos alertou contra a apostasia na Igreja  [Il Sabato, 17 de março de 1990], tendo o Cardeal Mario Luigi Ciappi — teólogo de quatro Papas, incluindo o Papa João-Paulo II— acrescentado:  “No Terceiro Segredo é predito, dentre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começa no topo”  [Giornale Catholic, março de 2002].
O Cardeal Eugênio Pacelli, em 1936, ainda Secretário de Estado de Pio XI, tres anos antes de se tornar Papa Pio XII, confirmou indiretamente aquela “grande apostasia” ao Conde Enrico Pietro Galleazzi, dizendo:
Suponha, meu caro amigo, que o comunismo seja apenas o mais visível dos órgãos de subversão contra a Igreja e contra a tradição da revelação divina, então nós vamos assistir a invasão de tudo o que é espiritual, a filosofia, a ciência, o direito, o ensino, as artes, a imprensa a literatura, o teatro e a religiãoEstou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e sua alma” […].
Ouço em redor de mim os inovadores que querem desmantelar a Capela Sagrada, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar seus ornamentos, dar-lhe remorso de seu passado histórico.
Pois bem, meu caro amigo, estou convicto que a Igreja de Pedro deve assumir o seu passado ou então ela cavará sua sepultura”
“…um dia virá em que o mundo civilizado renegará seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a crer que o homem se tornou Deus, que seu Filho é apenas um símbolo, uma filosofia como tantas outras, e nas igrejas os cristãos procurarão em vão a lâmpada vermelha em que Deus os espera” [Mons. Georges Roche e Philippe St. Germain, Pie XII devant l´Histoire,Laffont, Paris, 1972, pp 52 – 53; idem Abbé Daniel Le Roux, Pierre m´aimes-tu?edit Fideliter, Brout Vernet 1986. p. 1; idem Padre Dominique Bourmaud, Cien Años de Modernismo, Ed Fundación San Pio X Buenos Aires, 2006, p. 312; apud Dom Bernard Fellay, Superior Geral da FSSPXResposta de 22 de junho de 2001 à carta do Cardeal Castrillon Hoyos de 7 de maio de 2001Communicantes, Août 2001].
E isto em 1936!…
Também o Papa João Paulo II, na cerimônia de beatificação de Jacinta e Francisco a 13 de maio de 2000, fez uma alusão à mais ‘terrível parte’ do Segredo de Fátima, ou seja, à grande apostasia do Clero, ao comentar a frase do Apocalípse : “Um outro portento apareceu no Céu; olhe, um grande dragão vermelho” [Apoc. 12, 3],afirmando:
Essas palavras da primeira leitura da Missa nos fazem pensar que a grande batalha entre o bem e o mal, mostrando como o homem, quando coloca Deus de lado, não consegue alcançar a felicidade, mas termina por se destruir… A Mensagem de Fátima é um chamado a conversão, alertando a humanidade a não ter qualquer parte com o “dragão” cuja “cauda varreu um terço das estrelas do Céu, e as precipitou na Terra” . Ora, os Padres da Igreja sempre interpretaram as estrelas como sendo o clero, portanto, as estrelas varridas pela cauda do dragão, simbolizam um grande número de clérigos influenciados pelo demônio.
 Salientamos ainda que a Mensagem de Nossa Senhora também fazia clara referência “aos erros da Rússia       que se espelhariam pelo mundo. Ora, tal Mensagem fora dada às crianças de Fátima no mes de Julho de1917, portanto três meses antes da Revolução Bolchevista, quando ninguém poderia imaginar o advento do Comunisno naquela nação e muito menos que este se espalharia tão largamente pelo mundo em tão poucos anos.
CPLANO MAÇÔNICO DO SÉCULO XIX PARA CORROMPER A IGREJA NO SÉCULO XX
Na mesma época da aparição de La Salette, chega às mãos do Papa Gregório XVI [1831-1846 ] um documento maçônico terrível, intitulado Instrução Permanente da Alta Venda, nome da mais importante loja dos Carbonários, sociedade secreta italiana ligada à Maçonaria  e que, junto a esta, fora também condenada pela Igreja. Essa Instrução Permanente  foi publicada pelo cardeal Cretinau-Joly, no livro L’église romaine en face de la révolution, a pedido do Papa Pio IX, em Fevereiro de 1861.
[O texto integral da Instrução Permanente  também pode ser encontrado na obra de Mons. George Dillon Grand Orient Freemasonry Unmasked   pp. 51-56, full text of Alta Vendita — Christian Book Club, Palmdale, CA. 4. Michael Davies, Pope John’s Council, (Angelus Press, Kansas City, MO, 1992) p. 166].
Nesse documento se encontra um diabólico e detalhado plano para corromper a Igreja‘por dentro’, não mais tentando destrui-la  de frente, mas utilizá-la através de‘infiltrados’ para criar um invisível governo mundial, de cunho socialista. O Catolicismo e todas as religiões seriam então reunidos  num sincretismo  religioso, fundamentado no conceito  da fraternidade universal maçônica, ou seja, sem “Deus Pai, Criador de todas as coisas”… Curiosa fraternidade maçonica… sem um mesmo Pai…
Para atingir esse objetivo, a Instrução Permanente  apresenta aos seus sequazes um processo a longo prazo, através da difusão dos conceitos liberais na sociedade como, particularmente, dentro da Igreja Católica, até que, pouco a pouco, tanto os leigos como os seminaristas, sacerdotes e prelados absorvessem totalmente os seus princípios progressistas. Dessa forma, seriam posteriormente ordenados sacerdotes e consagrados bispos imbuídos destes princípios liberais na linha do pensamento moderno da Revolução Francesa, isto é, promovendo a separação entre Igreja e Estado, disseminando o relativismo e o sincretismo religioso, a liberdade total de expressão, o evolucionismo, sustentando que o poder vem do povo. Assim, seguindo aInstrução, não se colocaria um maçon no trono de S. Pedro, mas um dia seria eleito um Papa imbuído daqueles princípios e que levaria a Igreja pelos caminhos da renovação e da iluminação maçônicas, acreditando ser católico verdadeiro.
Dentre muitos detalhes, textualmete se lê naquela Instrução:
“ (…) Devemos esperar um Papa que nos seja útil…pois, para destruir a rocha sobre a qual Deus construiu a sua Igreja, não precisamos de pólvora e dos tiros da armas, precisamos dos dedos do sucessor de Pedro (…)”.
“ Para isto é preciso primeiramentre formá-lo (…) e para isto deverá ser plasmada um geração digna do reino que esperamos. Deixem de lado os velhos, as pessoas adultas; procurem os jovens e , se possível, até as crianças (…)  Ganharemos assim a reputação de bons católicos e de puros patriotas sem esforço ”.
“ Esta reputação facilitará a difusão das nossas doutrinas entre os jovens seminaristas e sacerdotes, até nos mosteiros. Em poucos anos, este novo e jovem clero irá ocupar todos os cargos. Formarão o conselho reinante, serão chamados a eleger o Pontífice que reinará sobre a Igreja. E este Pontífice, como muitos dos seus contemporâneos, pela força das coisas, estará imbuído daqueles princípios italianos e humanitários que colocamos em circulação. É uma pequena semente de mostarda que estamos plantando no terreno; mas a aurora da justiça nos levará a poderes mais altos (…)”.
“Se quereis revolucionar a Itália, ficai atentos ao Papa que descrevemos. Se quereis colocar o reino dos escolhidos  sobre o trono da prostituta da Babilonia, trabalhai para que o clero marche sob os nossos estandartes, pensando sempre estar marchando sob aqueles da fé apostólica. (…) Lançai suas redes nas sacristias, nos seminários e nos mosteiros, sem pressa, e prometemos uma pesca milagrosa (…) e vós levareis seus amigos ao redor do trono Apostólico. Assim, promovereis uma revolução revestidos da Tiara e do Pluvial marchando com as bandeiras da cruz, levando adiante uma revolução para a qual basta uma pequeníssima centelha para incendiar todos os cantos da terra”.
[Extratos do livro La Bataglia finale del diavolo, Pe. Paul Kramer, Ed. The Missionary Association, Buffalo, N.York, USA, 2004, p.39 a 43. Versão nossa].
Ainda na metade do Século XIX, surgiram os ‘proféticos’ escritos do apóstata Roca [1830-1893] afirmando que a Igreja passaria por uma “reforma iluministafundamentada no “socialismo de Jesus” , com a supressão total da doutrina escolástica”Roca vaticinou uma reforma total da liturgia num concílio ecumênico que restaurará a venerável simplicidade da idade de  ouro dos Apóstolos, de acordo com as exigências da da civilização moderna  e da consciência”Ainda, segundo Roca, nesse concílio surgiria um acordo perfeito entre os ideais da civilização moderna e o ideal de Cristo e do Seu Evangelho. Isto será a consagração da Nova Ordem Social e o batismo solene da civilização moderna”.  Previu também o surgimento de uma nova religião, um novo dogma,  um novo rito, um novo sacerdócio progressista, sem batina” bem como o “casamento dos padres”. Pouco depois, em 1910, Rudolf Steiner [1861-1925], Rosa Cruz e fundador da Antroposofia, afirmou:Precisamos de um Concílio e de um Papa que o proclame”.
[Extratos da obra Athanasius and the Church of Our Time  Mons. Graber, Ed. Christian Book Club, Palmdale, California, 1974, p. 31-40, apud La Battaglia Finale del Diavolo,Pe. Paul Kramer, Ed. The Missionary Association, Buffalo, N.York, USA, 2004, p. 47-48. Versão nossa].
A implantação desse diabólico plano será facilitada pela grande difusão das idéias liberais da Revolução Francesa na sociedade e no clero, iniciada nos primeiros anos do Século XIX, apesar de todos os Papas daquele Século terem condenado todas as sociedades secretas, incluindo a Maçonaria, bem como seus princípios anti-católicos. Ainda no Século XIX, os golpes mais fortes contra tais erros foram dados pelo Papa Pio IX, através da encíclica Quanta Cura e Syllabus [8/12/1864], bem como pelo Papa Leão XIII com a encíclica Humanum genus [20/4/1884].
Mas, apesar de tais condenações,  o vírus do liberalismo já atingira a alma de muitos católicos, incluindo seminaristas, sacerdotes e altos prelados que procuravam com muita astúcia harmonizar o que haveria de ‘bom’ no pensamento  liberal e introduzi-lo na Igreja.  Pio IX considerava tais ‘católicos’ liberais como os piores inimigos da Igreja, conforme escreveu ao Bispo de Nevers: “O que eu temo, não é a Comuna de Paris — não — o que eu temo é o Catolicismo Liberal … Já disse isto mais de quarenta vezes e repito aqui a vós todos, pelo amor que nutro por vós. A verdadeira ruína da França é o Catolicismo Liberal, que tenta unir dois princípios tão opostos entre eles como o fogo e a água”  [ The Catholic Doctrine, Pe. Michael Muller, Benzinger, 1888, p.282. Apud Pe. Paul Kramer, op cit. p. 45, nota 12.]    
D – O ATEÍSMO COMUNO-SOCIALISTA DE KARL MARX [1818 – 1883]
Como resultado final do processo filosófico iniciado contra a Doutrina da Igreja pelo Humanismo, seguido pelo Racionalismo, Ilumismo, Romantismo, e concomitantemente à Teoria do Evolucionismo de Darwin, surge a filosofia atéia e comunista de Marx, ligado a diversas sociedades secretas socialistas de Paris. Na mesma época — decada de 1840 — ele funda a Liga dos Comunistas e é proclamado o Manifesto do Partido Comunista.
Na última década do Século XIX, os princípios marxistas serão absorvidos por Lenin, que os implantará na Rússia quando da Revolução de Outubro de 1917, iniciando a mais terrível e cruenta perseguição que a Igreja sofreu e sofre até os nossos dias em muitas partes do mundo.
Por terem os mesmos objetivos finais, ou seja, a inversão total da ordem temporal, a Maçonaria e Comunismo se tornaram aliados naturais, conforme afirma o Papa Leão XIII na encíclica Humanum Genus:
“.23 (…) suprimi o temor de Deus o respeito devido às suas leis; (…) e pela força das coisas ireis ter a uma subversão universal e a ruína de todas as instituições: tal é, em verdade, o escopo provado, explícito, que demandam com seus esforços muitas associações comunistas e socialistas; e a seita dos mações não tem o direito de se dizer alheia aos atentados delas, de vez que lhes favorece os desígnios e, no terreno dos princípios, está inteiramente de acordo com elas”.
Assim, de mãos dadas, Maçonaria e Comunismo sempre caminharam unidos para aniquilar toda a doutrina da Santa Igreja, para isto usando também de cruenta perseguição ao clero e aos fiéis, levando-os até ao martírio, e isto até os nossos dias.
E – SURGE A SEITA SECRETA MODERNISTA: PROPULSORA DA IMPLANTAÇÃO DO PLANO MAÇONICO DA ALTA VENDA
[Continua]

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