Caríssimos ,
Ao meio dia de amanhã, I de agosto, começará o "Perdão de Assis", que se estenderá até o entardecer do dia 02 de agosto.
Abaixo o relato do acontecido e as Indulgências da Porciúncula  estendidas à humanidade inteira.
Boa Leitura.
Pe. Marcélo Tenorio



Certa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos. 
Jesus perguntou-lhe:“Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?”

Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.”

“O que pedes Francisco, é um benefício muito grande,”disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”

No dia seguinte, bem cedinho, Francisco acompanhado de Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe:“Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento (naquela época, toda indulgência concedida a uma pessoa, estava ligada à obrigação dessa pessoa fazer uma oferta), a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?”

“Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

“Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

“Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos de seus pecados, em “estado de graça”, confessado e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia de seu batismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

“Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!"

“Senhor, disse o “Poverello”, este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.”

Ouvindo isto o Papa cheio de amor repetiu três vezes:“Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado algum desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá somente durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.”

A “consagração” da Igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Em 9 de Julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4).Significa que, atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em "estado de graça", visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.

Por outro lado, a Indulgência é "toties quoties", quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quantas a pessoa desejar, isto é, em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1 de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto.






Caríssimo Sr. Fábio


Salve Maria!

Li atento seu comentário da matéria "RCC - Origem e Catolicidade". Não tenho o hábito de responder comentários das postagens, por questão de tempo e de proposta mesmo do nosso blog. Todavia suas considerações foram importantes e uma reflexão sobre as mesmas a partir da doutrina da Igreja, segundo Santo Tomás de Aquino, seria de grande valor, visto que Sua Doutrina é a Doutrina Perfeita, canonizada pela Santa Religião.
O Prof. Eder Silva quis discorrer sobre o assunto e julgo sua colocação perfeita e cabível para a questão em foco.
Abaixo está o seu comentário e depois a doutrina da Igreja comentada pelo Prof. Eder, assim, os leitores terão uma visão melhor e geral do assunto.

Concluíndo, deixo aqui as belas palavras de Pio XI:

" A TODOS QUANTOS AGORA SENTEM SEDE DE VERDADE, DIZEMO-LHES:
   IDE A TOMÁS DE AQUINO."

Com minha bênção,

Pe. Marcélo Tenorio

_________________________


Caríssimo Pe. Marcelo, sua bênção.

De fato, a RCC tem origem protestante e a mantém naquilo que a caracteriza. Tenho, por vezes, conversado com alguns carismáticos, a fim de esclarecer-lhes sobre isto.

Porém, hoje estive lendo um texto do saudoso Prof. Orlando Fedeli

(http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=rcc&artigo=20040812202727&lang=bra), em que ele responde a uma dúvida sobre a dita oração em línguas. E, depois de terminá-lo, vi que algumas questões levantadas pelo rapaz que o indagou não foram respondidas.

Primeiro, o texto enviado pelo rapaz faz uma aproximação da oração em línguas com a tradição apofática da Igreja, que é uma tradição autêntica. Claro que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas objetar-lhe a validade afirmando que em referir-se a algo supra-conceitual está-se a renegar a Fé é faltar com a sinceridade, pelo menos no caso do Professor Orlando que, creio eu, conhecia bem essa tradição da Teologia Negativa.

Mas as questões mesmo que me ficaram foram outras.

Sempre que eu li a respeito, vi que a Igreja considerava o verdadeiro carisma das línguas como um dom dado aos primeiros de falar verdadeiramente outras línguas, mantendo portanto a inteligibilidade, e que a finalidade deste dom era facilitar a difusão do Evangelho em diversos povos.

Quando Paulo diz, porém, que aquele que fala em línguas fala misteriosamente a Deus sem que ninguém o entenda, vi argumentos que diziam que este tipo de linguagem é semelhante, por exemplo, à dos Cânticos dos Cânticos em que se entendem os símbolos mas não se apreende o simbolizado, precisando, para tal, do dom de interpretação, que Paulo cita.

Pois bem. No entanto, na assertiva do rapaz me ficaram umas dúvidas e que ponho logo a seguir:

1- Os carismas autênticos foram sempre dons extraordinários, isto é, não comuns. No entanto, Paulo parece desejar, com relação ao "dom de línguas", que todos o tenham:

"desejo que todos faleis em línguas" (1Cor 14,4-5)

2- Dizíamos que a oração em línguas nada mais era que falar outra língua realmente existente, como quando um italiano fala japonês. Se assim é, a linguagem mantém seu caráter inteligível. No entanto, Paulo parece fazer uma distinção entre a linguagem e o entendimento: ""Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento (1Cor 14,15)" e "Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1Cor 14,14)

Por fim, padre, se o senhor tiver tempo de me esclarecer estes pontos, eu gostaria ainda de saber o que se quer dizer precisamente na expressão "gemidos inefáveis". Li há algum tempo que isso poderia se referir, de novo, à tradição apofática caracterizando talvez o silêncio, uma vez que o inefável é o que não pode ser dito.

Desde já, fico grato.

A sua bênção.

Fábio.


__________________________

Caríssimo Padre Marcelo Tenório,
Salve Maria!

Diante das colocações do sr. Fábio, resolvi fazer um comentário não a critério de solução, mas apenas de complemento, visto que o senhor discorreu impecavelmente sobre a questão dos misteriosos “gemidos” carismáticos.  

Permita-me iniciar minha exposição.

Quando se trata das sublimes verdades da Revelação Divina, é preciso recorrer, por prudência, aos magistrais ensinamentos dos doutores da Igreja, especialmente à sabedoria angélica de Santo Tomás.

A explicação do Aquinate sobre o dom de línguas dissolve as dúvidas e estabelece as bases para distinguir o verdadeiro fenômeno sobrenatural da glossolalia dos pseudo-carismas, vulgarizados nos círculos delirantes da Renovação Carismática.

Comentando o Capítulo XIV da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Santo Tomás escreveu:

“Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178).

Esse ensino é comum a todos os doutores que comentaram o referido trecho da carta de São Paulo.

O dom de línguas, largamente concedido aos cristãos do primeiro século da
Igreja, destinava-se a facilitar o anúncio do Evangelho que precisava ser difundido a todos os povos de todas as línguas existentes. Entretanto, como observa o Aquinate, os Coríntios desvirtuaram o verdadeiro sentido desse dom:

“Porém, os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, prefeririam esse dom ao dom da profecia. E aqui, por ‘falar em línguas o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la; esse tal fala em línguas. E também é falar em línguas o falar de visões tão somente, sem explicá-las, de modo que toda locução não entendida, não explicada, qualquer que seja, é propriamente falar em língua” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178-179).
     
Segundo a exposição do ilustre doutor angélico, o falar em línguas pode ser entendido de dois modos:

1) falar em língua desconhecida, porém existente, como sucedeu em Pentecostes, quando São Pedro falou em sua língua e cada um dos presentes entendeu na sua língua pátria.      

2) pregação ou oração sobre visões ou símbolos.

Essa doutrina é confirmada pelo Aquinate:

“Suponhamos que eu vá até vós falando em línguas (I Cor 14,6). O qual pode entender-se de duas maneiras, isto é, ou em línguas desconhecidas, ou a letra com qualquer símbolos desconhecidos” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 173).

Por sua clareza inconfundível, a primeira forma de falar em línguas dispensa comentários, visto que consiste em falar, miraculosamente, uma língua existente sem nunca tê-la estudado.        

Consideremos, portanto, o segundo modo, que consiste numa simples predicação com linguagem pouco clara, como acontece quando se fala sobre símbolos ou visões em forma de parábolas.

Esclarece São Tomás:  

“[...] se se fala em línguas, ou seja, sobre visões, sonhos [...] (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

Continua:

[lhes falarei] “‘Em línguas estranhas’, isto é, lhes falarei obscura e em forma de parábolas [...] por figuras e com lábios [...]” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 200).

Segundo a doutrina puríssima de Santo Tomás, quem usa de símbolos nos exercícios espirituais, lucra o mérito da prática de um ato de piedade. Mas, se compreende racionalmente os símbolos que profere durante a ação, lucra, além do mérito da boa obra, o fruto da compreensão intelectual de uma verdade espiritual.   

Quando alguém reza a oração do Pai Nosso sem compreender o profundo significado das petições que pronuncia, ganha o mérito da boa ação de rezar. Mas, aquele que reza compreendendo o sentido do que diz, lucra duplamente, isto é, o mérito da ação e o mérito da compreensão de uma verdade espiritual. Por esta razão São Paulo exorta aos que “falam em línguas” (no sentido de usar símbolos em seus atos de piedade) para que peçam o dom de interpretá-las, isto é, de compreender aquilo que diz de modo simbólico, a fim de lucrarem juntamente com a boa ação, o entendimento daquilo que piedosamente executam.   

Quanto ao uso público dessas línguas estranhas, o Apóstolo estabelece que não se as use quando não houver intérprete para explicar os símbolos para os que não conseguem atingir sua clara compreensão.

Em seus comentários sobre o versículo em que São Paulo adverte para que, durante o culto público, não se fale em línguas mais que dois ou três, São Tomás ensina que a leitura da Epístola e do Evangelho na Missa, são formas de falar em línguas que a Igreja manteve do período apostólico, fato diametralmente oposto ao que ocorre nas histerias pentecostais.

Eis as palavras do Aquinate:

“É de notar-se que este costume até agora [...] se conserva na Igreja. Por que as leituras, epístola e evangelho temos em lugar das línguas, e por isso na missa falam dois [...] as coisas que pertencem aos dom de línguas, isto é, a Epístola e o Evangelho” (comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

A interpretação dessas línguas – estranhas ao povo simples – ocorre na Missa após a leitura da Epístola e do Evangelho, quando o padre faz o sermão explicando os símbolos contidos nos textos sagrados que foram lidos.

Nisto consiste o “falar em línguas”, segundo a autoridade indiscutível de Santo Tomás. E, partindo desta teologia absolutamente segura, porque reconhecida pela Igreja, não há como admitir a confusão desordenada de sons, freqüentes nos cultos pentecostais da Renovação Carismática. Ao contrário, quem examina os escritos dos pais da Igreja sobre o assunto, é levado a concluir que os fenômenos de línguas que ocorrem na RCC são de origem diabólica, e não divina, como se pensa e defende.

E para respaldar essa afirmação, confirmamo-la com os próprios dizeres dos padres da Igreja.


No século II da era cristã, Santo Irineu condenou um herege chamado Marcos que profetizava sob influência demoníaca, seduzindo mulheres que, de modo semelhante ao que ocorre nas reuniões pentecostais, passavam a emitir sons confusos:

“Então, ela, de maneira vã, imobilizada e exaltada por estas palavras e grandemente excitadas [...] seu coração começa a bater violentamente, alcança o requisito, cai em audácia futilidade, tanto quanto pronuncia algo sem sentido, assim como lhe ocorre” (Contra Heresias I, XIII, 3).

Fenômeno semelhante aconteceu com o herético Montano, conforme relata Eusébio:

“Ficou fora de si e [começou] a estar repentinamente em uma sorte de frenesi e êxtase, ele delirava e começava a balbuciar e pronunciar coisas estranhas, profetizando de um modo contrário ao costume constante da Igreja [...] E ele, excitado ao falar de duas mulheres, encheu-as com o falso espírito, tanto que elas falaram “extensa, irracional e estranhamente, como a pessoa já mencionada” (História da Igreja V, XVI: 8,9).

No século III, Orígenes denunciou um tal Celso, que pronunciava sons incompreensíveis:

“A estas promessas, são acrescentadas palavras estranhas, fanáticas e completamente ininteligíveis, das quais nenhuma pessoa racional poderia encontrar o significado, porque elas são tão obscuras, que não têm um significado em seu todo” (Contra Celso, VII:9).

Nota-se, portanto, que a confusão sonora nos ambientes carismáticos se identifica com esses fenômenos denunciados como falsos ou diabólicos pelos pais da Igreja.

Na afirmação constante dos doutores, o dom de línguas consiste em falar línguas estranhas existentes, e não sons desconhecidos por todos os homens. Encontramos essa posição em todos os comentadores dos textos de São Paulo, como por exemplo, em Santo Agostinho, Cirilo de Alexandria, Gregório Nanzianzeno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, Didaquê Siríaca, etc.  

Esse sempre foi o ensino da Igreja iluminada pela luz infalível do Espírito Santo.

Para encerrar essa questão, sem desprezar as objeções correlatas, respondemos a indagação do consulente Fábio que recorda as palavras de São Paulo, cujo teor parece contrariar a idéia de que o dom das línguas é um carisma extraordinário, isto é, concedido apenas a alguns.

Orientando os Coríntios, o Apóstolo expressa seu desejo: “Desejo que todos faleis em línguas”. (I Cor, XIV, 5).  

Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, ensina que o falar em línguas não se manifesta em todos os cristãos:

“Todos os dons divinos não podem existir em todos os homens, cada um recebe de acordo com a sua capacidade” (Do Espírito Santo II, XVIII, 149).

É compreensível que, em vista da necessidade da propagação da fé a todos os povos, São Paulo manifeste o desejo de que todos tenham o dom de línguas. Mas o Apóstolo sabe que a cada um é dado um dom particular.

Sobre seu estado celibatário, São Paulo diz: “Quisera que todos os homens fossem como eu” (I Cor, VII, 7). Entretanto, imediatamente pondera: “[...] mas cada um recebe de Deus o seu dom particular, um, deste modo; outro, daquele modo".

E esse mesmo princípio pode ser aplicado ao dom das línguas, que se tornava cada vez mais incomum, conforme se difundia a fé entre os povos.

Para não estender demasiadamente esta carta que já vai longe, indico uma resposta dada pelo professor Orlando Fedeli sobre o significado da expresão “gemidos inefáveis”, objeto da dúvida do sr. Fábio.
Noutra oportunidade poderia transcrever as explicações dos doutores sobre esses “gemidos” que, por serem inefaveis e provenientes da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, são inaudiveis e inatingiveis pela razão humana 

Ademais, ousar dizer que os “grunhidos” carismáticos são gemigos inefáveis do Espírito Santo é, além de absurdo, uma blasfêmia contra a Sabedoria de Deus. Claro, supondo que um carismático já tenha “ouvido” os gemidos do Espírito Santo para identificá-lo com o gemido confuso dos carismáticos.

Espero que o assunto tenha sido exposto com a devida clareza.

Rogando vossa benção, Padre, despeço-me,
in Corde Jesu, semper
Eder Silva.









Caríssimos,
Salve Maria!
Com júbilo postamos  a entrevista com o Prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, S. E. Rvma.  Cardeal Antonio Cañizares Llovera, sobre a Comunhão na boca e de joelhos.
Afirma o Prefeito que comungar desta forma "é o sinal de adoração que necessitamos recuperar"
Boa leitura.

Pe. Marcélo Tenorio



_______________________

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jul. 11 / 01:27 pm (ACI/EWTN Noticias)


Em entrevista concedida à agência ACI Prensa, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, assinalou que é recomendável que os católicos comunguem na boca e de joelhos.Assim indicou o Cardeal espanhol que serve na Santa Sé como máximo responsável, depois do Papa, pela liturgia e os sacramentos na Igreja Católica, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão.A resposta do Cardeal foi breve e singela: "é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos".Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve "ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus". "Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos", afirmou.O Cardeal disse também que comungar desta forma "é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos"."De fato –acrescentou– se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz".O Prefeito vaticano disse ademais que "se trivializarmos a comunhão, trivializamos tudo, e não podemos perder um momento tão importante como é o de comungar, como é o de reconhecer a presença real de Cristo ali presente, do Deus que é amor dos amores como cantamos em uma canção espanhola".Ao ser consultado pela ACI Prensa sobre os abusos litúrgicos em que incorrem alguns atualmente, o Cardeal disse que é necessário "corrigi-los, sobre tudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos".Esta formação, explicou, deve fazer que "celebre-se bem, para que se celebre conforme às exigências e dignidade da celebração, conforme às normas da Igreja, que é a única maneira que temos de celebrar autenticamente a Eucaristia".Finalmente o Cardeal Cañizares disse à agência ACI Prensa que nesta tarefa de formação para celebrar bem a liturgia e corrigir os abusos, "os bispos têm uma responsabilidade muito particular, e não podemos deixar de cumpri-la, porque tudo o que façamos para que a Eucaristia se celebre bem será fazer que na Eucaristia se participe bem".



                                                    Pe. Marcélo Tenorio


Entre tantas coisas que confundem e geram interrogação nos fiéis é justamente o movimento chamado de “ Renovação Carismática Católica”, com suas práticas, tais como a supervalorização de carismas especiais, entre eles os dons de línguas, profecias, curas, repouso no “espírito”, entre outros que têm o seu centro no que eles chamam de “ batismo no Espírito Santo”. Queremos tratar aqui de tudo isso, segundo a Doutrina da Igreja , contida em seu Catecismo Romano , nos ensinos dos Santos Padres e sobretudo, no Magistério infalível e Perene.

É claro que a prática carismática como ensina a RCC inexiste na Igreja. Ao revelar-se, desde Abraão até S. João Evangelista, Deus  Nosso Senhor nos deixou tudo o quanto nos era necessário à salvação. É o que a Igreja chama de Depositum Fidei, de forma que dele se tira tudo e nele tudo o que é perfeitamente católico deve está contido. Sabemos que  somente existem três vias de revelação divina: a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. A Sagrada Escritura é a via primeira, a base de tudo, mas necessita de uma autoridade sobre ela, e esta autoridade é a autoridade legítima da Igreja. Assim Deus o quis. Santo Agostinho costumava dizer que não acreditaria na Sagrada Escritura se sob ela não estivesse a autoridade da Igreja. A Tradição Apostólica é justamente o ensino dos Apóstolos que nos  foi transmitido pelos padres ( pais) que conviveram com eles ( os padres apostólicos), ou por aqueles que conviveram com esses últimos – e receberam a doutrina, transmitiram inequivocamente esta Fé e a defenderam com a própria vida ( padres apologéticos). Tendo a Santa Igreja a autoridade plena, suprema e absoluta dada por Nosso Senhor: “ O que ligares na terra...”, coube-lhe o ensino, de forma que baseada na Sagrada Escritura e no ensino apostólico ela, através de seu Sagrado Magistério, é a Mãe e Mestra da Verdade. Todavia ensina tão somente aquilo que está no Sagrado Depósito, de forma que o que não está presente nessas tríplice vias de revelação, não pode ser considerado católico.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”  (Gl 1, 8-9)

A base da diferenciação não repousa em QUEM ensina: “Nós ou um anjo do céu..”, mas “ O QUE” ensina.

Aqui vale salientar o que já perguntei a alguns líderes da RCC: Onde podemos encontrar este entendimento da RCC sobre o batismo no Espírito, sobre os carismas e demais dons? Em que ensinamento perene do Magistério da Igreja? Em que ensino dos Santos Padres? Trocando em miúdos: se a “doutrina” carismática é católica o é pela Igreja, de forma que  documentos devem ser apresentados . Que documentos da IGREJA  fundamentam tudo isso?. Falei “Documentos Magisteriais” e não pronunciamentos pessoais de papas , cardeais e outros, o que não vale na questão. Uma coisa é o Ensinamento Magisterial, outra é o pensamento pessoal, até mesmo de um papa.

Já no início podemos concluir  quatro coisas:
1.                                  Não existe no Magistério da Igreja NENHUM documento que aprove as práticas carismáticas e sua “teologia neo-pentecostal”.
2.                            Se não existe fundamentação doutrinária, se o Sagrado Magistério não atesta, logo não é católica tal doutrina.
3.                                     Quando se toma um suco de laranja, é do laranjal que nos alimentamos e não do limoeiro. Lendo com atenção abaixo o Testemunho de Duquesne, veremos que somente depois de 2000 anos é que a Igreja é renovada pelo “Espírito”, mas com suco de outro laranjal, de um laranjal envenenado? Ora, são os hereges episcopais, ou seja protestantes, que “devolvem” à Santa Igreja essas “primícias do Espírito”? É um escândalo, um absurdo, visto que na Igreja e somente Nela está a Plenitude do Espírito Santo. E, como ensina Santo Tomás que de um mal não pode se tirar um bem, do cisma, da heresia protestante não pode sair nada de bom.
4.                                     Sendo assim , a origem da RCC é eminentemente protestante, nada tendo de católica.

Este texto provem da chamada “ Experiência de Duquesne”, do livro de  Patty Mansfield, “ COMO UM NOVO PENTECOSTES”, bem difundido pela RCC em seus estudos, ensinamentos e aprofundamentos. O livro narra o início da RCC na Igreja. E mesmo que essa colocação da gênese carismática tenha sido matéria de ensino por muitos líderes do movimento, ultimamente existe a tendência em esconder essa versão dando uma outra meio análoga, mas mais “católica”, acontecida em ambiente católico, mas subjetiva e desprovida de base teológico-argumentativa do mesmo jeito. Vamos à nova versão..

“A primeira pessoa beatificada pelo Papa João XXIII foi uma freira chamada Elena Guerra, fundadora em Lucca, na Itália, das Irmãs oblatas do Espírito Santo. Entre os anos de 1895 e 1903, a irmã escreveu doze cartas ao Papa Leão XIII pedindo a pregação permanente do Espírito Santo, "que é aquele que faz os santos", e expressou ao Santo Padre o seu desejo de ver toda a Igreja unida em permanente oração, como o estavam Maria e os Apóstolos no Cenáculo, aguardando a vinda do Espírito Santo. Como resultado, o Papa Leão XIII publicou "Provida Matris Caritate", onde pediu que a Igreja celebrasse, entre as festas da Ascensão e Pentecostes uma solene novena ao Espírito Santo; e publicou também a sua encíclica sobre o Espírito Santo, "Divinum Ilud Munus", e em 1º de Janeiro de 1901, primeiro dia do século vinte, invocou o Espírito Santo e cantou ele mesmo o hino "veni, Creator Spiritus" em nome da Igreja. Mas, apesar da fraca resposta dos católicos ao chamado do papa Leão XIII, pessoas de outras denominações se puseram em oração ao Espírito Santo e receberam manifestações impressionantes dos dons e poder do Espírito Santo, até que nos meados da década de 1960 também a Igreja Católica começou a experimentar a Graça da Renovação Carismática...”  (http://www.comshalom.org/formacao/rcc/a_origem_rcc.html)

Bem, a Beata Elena Guerra até que tentou, mas  foram os protestantes, cismáticos e heréticos que receberam o poder, os dons, as “manifestações impressionantes” do Espírito?...Ora não foi Nosso Senhor mesmo quem falou que “ Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita a Mim Rejeita? ( Lc 10, 16)  Ora, não estão os hereges, cismáticos em pecado mortal e por isso privados da ação santificadora de Deus, como ensina a Igreja?. Percebe-se aqui um total desconhecimento (ou forçoso deslize) da Fé Católica que, como ensina Santo Tomás  é  a “ adesão da inteligência à Verdade” e não um mero sentimento subjetivo alimentado por experiências de um Deus imanente

Vejamos com atenção o testemunho da “Experiência de Duquesne”, onde dois professores, depois de participarem de uma reunião carismática com os heréticos, “recebem” deles o “batismo no Espírito Santo” e estes, por suas vez o transmitem, quase que “sacramentalmente” para os novos neo-carismáticos em Duquesne. O grifo é nosso, os absurdos, deles:

"Na primavera de 1966, dois professores da universidade de Duquesne tinham ingressado ( 1) num estágio intenso de prece e de indagação sobre a vitalidade da sua fé. Um era professor de história; o outro, instrutor em teologia. Eles sentiam a necessidade de um maior dinamismo interior, a carência de uma força renovada para viverem como cristãos e para darem testemunho de Cristo. Ambos já estavam comprometidos com o Senhor por um bom número de anos; eram, ambos Cursilhistas...também exerciam o papel de moderadores da fraternidade do Campus de Duquesne, denominada Sociedade Chi Ro, que tinha sido fundada por um deles, alguns anos antes, com a finalidade de estimular a prática da oração e da participação na liturgia, a evangelização e a ação social.
Todavia, eles ainda queriam ( 2 )"algo mais". Não tinham uma noção exata daquilo que queriam e que ainda estava faltando, mas fizeram um pacto de mútua oração nesse sentido. Da primavera de 1966 em diante, eles rezavam diariamente para que o Espírito santo renovasse neles todas as graças do Batismo e da Crisma, para que, com o poder e o amor de Jesus cristo, Ele preenchesse neles o vácuo deixado pelas deficiências do esforço humano. Diariamente aqueles dois homens rezavam a linda e famosa 'sequência dourada’ que é usada pela Igreja na liturgia de Pentecostes.
Ó Espírito de Deus, envia do céu um raio de luz!/ Pai dos miseráveis, vossos dons afãveis dai aos corações./ Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívo, vinde!/ No labor, descanso, na aflição, remanso, no calor, aragem./ Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!/ Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele./ Ao sujo lavai, ao seco rogai, curai o doente./ Dobrai o que é duro, guiai-nos no escuro, o frio aquecei./ Dai à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons./ Dai em Prêmio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém.

          Em Agosto de 1966 estes dois professores encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros ( 3 )A Cruz e o punhal" e "Eles falam em outras línguas", que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com a clareza ( 4) que agora viam do papel do Espírito Santo na vida de quem crê, procuraram um ministro da Igreja episcopal, que embora não tivesse vivido a experiência do batismo no Espírito ( 5)  os conduziu a uma paroquiana sua, chamada Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático de oração, ( 6 )os levou e, mais dois professores da Duquesne, a receber o batismo no Espírito Santo.
II . O Fim de Semana de Duquesne
A sociedade Chi Ro estava organizando um retiro para os estudantes da Duquesne,( 7) quando os dois professores, que eram conselheiros desta sociedade, sugeriram uma modificação no tema do retiro, de "sermão da montanha" para "Atos dos Apóstolos". segundo recorda Patty Mansfield, então estudante da Duquesne e participante do retiro, "os dois professores não fizeram nenhuma referência específica ao batismo no Espírito Santo, mas deixaram transparecer um sentimento de antecipação e de alegria, que era profundo. ", o que a levou, junto com outros estudantes, a ficar curiosos quanto ao Que aconteceria no retiro.
No dia 17 de Fevereiro de 1967, vinte e cinco estudantes aproximadamente, acompanhados pelo capelão do Campus, que era um padre da ordem do Espírito Santo, dirigiram-se para um centro de retiros chamado "The Ark and the Dove", situado na região de North Hills, e pertencente à Diocese de Pittsburg. Os professores orientaram o grupo para que cantassem o hino "Veni Creator Spiritus" em cada sessão, implorando a vinda do Espirito Santo. As palestras teriam o seu foco nos primeiros quatro capítulos dos Atos dos Apóstolos. Na noite de sexta-feira, logo após a abertura do evento, na Capela, o instrutor conselheiro levantou uma imagem de Nossa Senhora em que ela está com as mãos erguidas em atitude de oração. Ele fez uma descrição de Maria como uma mulher de fé e de oração. Depois da meditação sobre Maria houve um serviço de contrição e penitência. Para o dia seguinte, os professores coordenadores haviam convidado Flo Dodge, para que participasse do retiro e apresentasse umas palavras aos estudantes. Sua apresentação versou ( 8 ) sobre a realeza de Jesus Cristo e sobre o Batismo no Espírito Santo. Para mais tarde, à noite, estava programada uma festa de aniversário para alguns dos participantes, mas muitos dos jovens foram se sentindo individualmente induzidos a se dirigirem para a capela, aonde experimentaram, de forma manifesta, o Batismo no Espírito Santo. No Domingo, ouviram uma palestra sobre o capítulo segundo dos Atos dos Apóstolos, no fim do dia os estudantes se retiraram ( 9 ) com a recomendação de lerem o livro de John Sherril, "Eles falam outras línguas". Durante algumas semanas após o fim de semana, alguns dos professores e dos alunos da Universidade compareceram às reuniões de oração da casa de Flo Dodge, e depois esta reunião deixou de existir. ( 10) Certamente, já havia preenchido sua finalidade. Enquanto isto, um dos professores foi a South Bend e testemunhou para um grupo de trinta estudantes e alguns amigos ( 11) a maravilha que é viver Pentecostes em nossos dias. Estes pediram que se orasse para que recebessem o Batismo no Espírito Santo. Mais tarde, começaram a realizar-se, regularmente, em Notre Dame, encontros católicos Carismáticos de oração, e se difundia cada vez mais a Graça do Batismo no Espírito. Duquesne, Notre Dame, Michigan, e um número enorme de católicos têm sido Batizados no Espírito Santo....”

Comentário por números.

1.    “num estágio intenso de prece..”
Fica claro a compreensão subjetiva da Fé por parte desses dois. É verdade que a Fé pede razões  para o crer: “Fides quaerens intellectum”, como nos ensina o arcebispo de Cantuária. Deve-se ceder à primazia da Fé, mas para Santo Anselmo, o não estudar, o não procurar, o não investigar o que se crer é negligência. Estava mais uma vez certo o Pai da Escolástica...Os professores avançam para o empírico desprezando o que eles já tinham: a Fé inequívoca da Igreja. Interessante que o testemunho nada fala que eles recorreram a um diretor espiritual....Um padre só aparece bem depois, para o grupo de oração. Tudo fica no subjetivo, bem à moda dos protestantes.

2.    “Todavia, eles ainda queriam  algo mais..”
Ora, o que significava para eles querer algo mais? Já tinham a doutrina infalível dos apóstolos. Já tinham os sacramentos que dão a Graça Santificante. Já tinham a Santa Missa. O que mais faltava?
É S. Paulo que declara à comunidade católica:
“Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. “ ( I Cor I, 7)
           De forma que não precisamos mais de nada. Aliás já temos muito do que nos preocupar: o fazer a vontade de Deus, correspondendo com a sua Graça e , assim, salvar a nossa alma.
          Se esse “ Algo mais” é compreendido como a busca das coisas “ extraordinárias”, dos dons “ especiais”, esse desejo vai contra todo ensinamento dos doutores místicos, sobretudo Santa Teresa D´Avila e S. João da Cruz que recomendavam sempre a fuga da busca de dons extraordinários  por três motivos: por não se merecer, por causa do orgulho e pelas investidas do demônio. Nos seminários de “DONS”, da RCC dá-se um ensino seguido do que se chama “oficina de dons”, onde as pessoas vão “ aprender” a exercer o dom que acabaram de receber por “imposição de mãos”. Muitos dos que “recebem” esses dons, vivem fora do sacramento da confissão, passando até anos sem dele se aproximarem. Já vi de tudo: vi pessoas amasiadas que possuíam e exerciam muitos dons e até uma que, ao ser “batizada no espírito”, tinha uma oração em línguas um tanto diferente, pois mugia, mugia e mugia. Ela misturava o Yoga com seu novo dom...É o perigo quando se procura “ALGO MAIS..”
        3, 4 e 5: Nosso dois professores se “encantaram” com os livros protestantes “ A cruz e o punhal” e “ Eles falam em outras Línguas”. Em seguida vão beber da fonte envenenada de Lutero. Poderiam muito bem ter estudado Santo Tomás, Sto. Agostinho, Sto Anselmo, mas preferiram comer as “bolotas”,  fora da “casa do pai”, como na parábola dos dois filhos.

      Os demais números falam do retorno dos professores, do retiro onde outros tiveram a chamada “ experiência” e uma afirmação interessante:
“Certamente, já havia preenchido sua finalidade..” Sobre o fim do grupo de oração em Flo Dodge. Isso é uma afirmação grave. Quer dizer que a função deste grupo protestante e portanto herético era de “devolver” à Igreja aquilo que ela tinha, mas que perdera depois? Isso nem se comenta. É tão contra à Sagrada Doutrina, como  falar que Nosso Senhor pregava a reencarnação.
        Afirmar tal coisa e ensinar tal coisa é nada conhecer da Verdade sobre a Igreja de Cristo. É pecar gravemente contra a Fé apostólica.
       A Igreja é , desde seu primeiro momento no coração da Trindade pura, santa e imaculada. Possuidora da Verdade Plena, nela está presente até a consumação dos séculos o Espírito Santo. Ele é a SUA alma. Ora, afirmar o que se viu acima é não reconhecer isso, é entender que a Alma da Igreja, andava vagando por aí, até encontrar corações mais abertos, mesmo fora do Corpo Místico de Cristo. Ninguém dá o que não  tem. Os protestantes estão privados da Ação do Espírito Santo, como podem, então, ser preenchidos de dons e de milagres? Se até o padre Quevedo, de doutrina duvidosa, chega a afirmar a magisterial doutrina de que nas seitas protestantes não podem acontecer Milagres, justamente porque estão separados da Igreja e Deus não se contradiz, baseado em que a RCC ensina o contrário? Como o ramo separado do tronco pode tornar-se frondoso de novo?...É verdadeira  monstruosidade na ordem da Graça.
       
        É válido para nós o que ensina S. Leão Magno, papa e Doutor da Igreja. sobre os fenômenos extraordinários, presentes no início:
“Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé? Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las. Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22)”. (São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209).

         Agora, Santo Agostinho, Padre e Doutor da Igreja:
"Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas, saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou".

“Uma vez que mesmo agora quando o Espírito Santo é recebido, ninguém fala nas línguas de todas as nações, é porque a própria Igreja já fala na língua de todas as nações: Já que quem quer que seja que não está dentro da Igreja, não recebeu ainda o Espírito Santo" (Santo Agostinho, Tratado de XXXII sobre João).

           S. Luís de Montfort nos previne contra o desejo de  se buscar dons extraordinários:
"Guardai-vos bem de visar o extraordinário e até de desejar conhecimentos excepcionais, visões, revelações e outras graças miraculosas que Deus por vezes comunicou a alguns Santos enquanto rezavam o Rosário" (A eficácia Maravilhosa do Santo Rosário). 

        Diante do que foi exposto, fiquemos com o essencial para a salvação de nossa alma: a Fé Católica: pura, límpida e sem equívocos.
Vale a pena ler o Credo de Santo Atanásio, também conhecido como  “Quocunque”, nesses tempos difíceis. Este credo foi divulgado por Santo Ambrósio e incluído na Liturgia.

 Quocunque:
1.    Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade. 3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. 4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância. 5. Porque uma so é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. 6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade. 7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. 8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. 9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso. 10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. 11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno. 12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. 13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. 14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente. 15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. 16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. 17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor. 18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor. 19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores. 20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém. 21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado. 22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho. 23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. 24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si. 25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade. 26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade. 27. Mas, para alcancar a salvacão, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. 29. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe. 30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana. 31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade. 32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. 33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. 34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa. 35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo. 36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. 37. Subiu aos Ceus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. 38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos. 39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno. 40. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar".



    


Buscar neste site

Carregando...

VIVA O PAPA

.



Compartilhe nosso blog

Seguidores

Nosso Patrono

São Padre Pio de Pietrelcina
"Sem duvida deveremos prestar contas a Deus de cada minuto, de cada atuação da graça, de cada santa inspiração, de cada ocasião que nos apareceu para praticarmos o bem"

POSUIMUS TE CUSTODEM

.

Postagens populares

Blog Archive

Missa pelas almas

____________________________
Coloque seu pedido de missa por um falecido.
Clique na imagem

MEMENTO MORI

Pio Exercício de Preparação para a Morte
Clique na imagem

Santa Filomena

Conheça a história de Santa Filomena
Clique na imagem
Ocorreu um erro neste gadget

Categorias

Arquivo

Receba nossas postagens por e-mail

Estatísticas