sexta-feira, setembro 30, 2011 |
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O desfile anual dos diversos esquadrões do Corpo da Gendarmeria vaticana, por ocasião da festa patronal de São Miguel Arcanjo, este ano foi mais especial pelo fato da entrega da bandeira histórica, graças ao 150° aniversário da unificação da Itália.
A bandeira, antes da apresentação no Vaticano, foi oficialmente entregue pelo príncipe Ruspoli ao Santo Padre em uma audiência privada na manhã desta sexta-feira.
Na festa estavam presentes o Cardeal Secretário de Estado Vaticano Tarcisio Bertone, o Cardeal Giovanni Lajolo, Presidente do Governatorato além de demais autoridades eclesiásticas.
A histórica bandeira da fortaleza de Porta Pia será exposta no Museu Histórico, no Apartamento Nobre do Palácio Apostólico Lateranense, e depois será transferida para os Museus Vaticanos onde ficará exposta para visitação pública, segundo informações do Cardeal Giovanni Lajolo.
Em 1870, com a tomada da Porta Pia teve fim o poder temporal dos pontífices e a existência do estado pontifício. O acontecimento foi o início das mudanças políticas do atual território italiano que o levaram à unificação. Durante a batalha morreram 54 pessoas, 35 'bersaglieri' sabaudos e 19 zuavos do Papa Rei.
Foi tomada também a bandeira pontifícia que foi restituída recentemente pelo príncipe Sforza ao Papa Bento XVI.
Ontem à noite a bandeira foi apresentada na festa do Corpo da Gendarmeria vaticana, na praça do Governatorato, no Vaticano.
A família Ruspoli conservava a bandeira desde 1870.
Para a festa do Corpo da Gendarmeria, em concomitância com o 150° aniversário da Unidade da Itália, estiveram presentes os representantes das Forças Armadas italianas.
O Corpo da Gendarmeria vaticana é responsável pela segurança da pessoa do Papa e do território do Estado da Cidade do Vaticano.
Enquanto a Guarda Suíça Pontifícia é responsável pela segurança da pessoa do Papa e do Palácio Apostólico. Em 2008 o Estado da Cidade do Vaticano aderiu à INTERPOL, a Organização Internacional de Polícia Criminal. (AA)
Autor: Gaudium Press - 30/9/2011 11:30:00
sexta-feira, setembro 30, 2011 |
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Salve Maria.
É de se esperar que, em mãos dos homens errados, a Agência Zenit transmita, eventualmente, notícias favoráveis aos modernistas... Segue notícia - divulgada por outra agência similar, a ACI - da demissão do fundador da Zenit, o qual, em entrevista, revela a briga (nos bastidores) dos Legionários de Cristo pelo controle total da Agência, com o óbvio intuito de manipular informações.
In Christo et Maria,
Marcel.
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ROMA, 29 Set. 11 / 01:24 pm (ACI/EWTN Noticias) Jesus Colina, fundador e diretor da agência católica de informação Zenit, comunicou sua renúncia a pedido do Conselho diretor da agência diante da decisão dos Legionários de Cristo de dar uma identidade mais institucional a este projeto editorial.A agência Zenit, criada há 14 anos como uma agência independente que busca informar sobre "o mundo visto desde Roma", converteu-se em um ponto de referência na Internet, com edições cotidianas em 7 idiomas.Colina foi nomeado pelo Papa Bento XVI como consultor do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, e recebeu o prêmio da Fundação Path to Peace da Santa Sé nas Nações Unidas.
Em uma entrevista exclusiva concedida à agência ACI Prensa (do grupo ACI), em Roma, Colina explicou os detalhes desta situação. A seguir publicamos o diálogo com o jornalista.
ACI Prensa: Quais são os motivos de sua renúncia?
Jesus Colina: O atual presidente do Conselho da Zenit, o sacerdote Legionário de Cristo Óscar Náder, pediu-me este passo por considerar que minha pessoa, ligada a várias iniciativas católicas de comunicação, não oferece uma idéia clara da identidade institucional da agência Zenit que a partir de agora a congregação dos Legionários de Cristo quer comunicar.
ACI Prensa: Como você explica esta decisão?
Jesus Colina: Bom, na realidade acredito que esta decisão constitui o final de um caminho de perda de confiança mútuo começado já há alguns anos. A maneira em que a Legião de Cristo ocultou as informações sobre o padre Marcial Maciel, descobertas a conta-gotas pela imprensa, faz que rache a confiança nesta instituição por parte de um diretor de agência de notícias.Eu compreendo a dificuldade da situação em que se encontraram os superiores dos Legionários de Cristo. Agora em declarações públicas eles informaram que tinham provas das diferentes vidas do padre Maciel já anos antes de seu falecimento.Entretanto, apesar do comunicado emitido pela Santa Sé em 2006, inclusive em sua morte e depois de dela, eles seguiram apresentando-o como um exemplo de vida.Os superiores me convidaram à missa celebrada na capela do Centro de Estudos Superiores dos Legionários de Cristo, trinta dias depois do seu falecimento. Na homilia diante de centenas de religiosos o padre Maciel foi apresentado como um exemplo de vida a ser seguido. Isto é particularmente grave, pois uma coisa é evitar o escândalo ao informar sobre os crimes ou sobre a dupla vida (embora houvesse que dizer tripla ou quádrupla) do padre Maciel, e outra muito diferente é seguir mantendo esse mito de santidade que a congregação tinha promovido durante a vida dele.Além disso, dado que passaram anos desde o comunicado vaticano no qual se pedia ao padre Maciel que se retirasse e o reconhecimento público de suas mentiras e delitos, difundiu-se entre os religiosos e pessoas próximas aos legionários a impressão de que o Papa o havia castigado injustamente.Isto para mim é muito grave sobre tudo se tivermos em conta tudo o que fez este Papa pela congregação.
ACI Prensa: Mas, posto que em realidade foram os Legionários que pediram sua renúncia tudo leva a entender que eles também perderam a confiança em você.
Jesus Colina: Sim, indubitavelmente, a confiança é um sentimento que tem uma dupla direção, não pode ser unidirecional. Nos dois últimos anos, tudo o que viveu a congregação gerou tensões.Há dois anos a redação da Zenit pediu ao Conselho uma administração totalmente separada e transparente como garantia de independência ante qualquer acusação. A Zenit é uma agência que vive de donativos de seus leitores e deve ser capaz de explicar por quais mãos passa cada dólar.Apesar de que o Conselho tenha prometido um sistema assim, na prática isto não foi feito. Eu estou convencido moralmente de que o dinheiro que nos chegou dos leitores sempre ingressou totalmente à Zenit.Entretanto, formal e administrativamente não posso demonstrá-lo. Como se pode compreender, minhas contínuas queixas diante desta situação levaram a que os superiores dos Legionários também percam a confiança em mim. Esta confiança quebrou-se totalmente quando, para solucionar estas questões e oferecer um futuro editorial e uma maior representatividade eclesiástica, propus a entrada de outras realidades católicas no Conselho da Zenit. Esta proposta não só não foi escutada, mas além disto, precedeu minha demissão também .
ACI Prensa: Você conheceu bem o padre Maciel, inclusive publicou um livro-entrevista. Você sabia algo de sua vida privada?
Jesus Colina: Como a imensa maioria das pessoas que o conheceram, incluindo João Paulo II, nunca teria podido imaginar que ele fosse culpado dos delitos que agora puderam ser comprovados. Nos encontros que mantive com ele, sempre acreditei que me encontrava diante de um autêntico sacerdote. Este é o "enigma" do padre Maciel do que fala Bento XVI em seu livro. Não tive nunca dúvida sobre ele até que o Vaticano publicou o comunicado em que o convidava a retirar-se a uma vida de oração e penitência.O repasso de sua biografia e o crescimento impressionante das obras que fundou, levavam-me a acreditar que na origem deveria haver uma autenticidade cristã. Havia alguns detalhes que em ocasiões podiam surpreender-me, como por exemplo, um certo gosto pela aparência, mas eu o atribuía à sua origem cultural. Como tantas outras pessoas eu também vivi o choque de descobrir a mentira em uma pessoa que havia sido apresentada como modelo de vida.
ACI Prensa: Há 20 anos que você trabalha como correspondente em Roma e 14 desde que começou Zenit, que balanço você faz?
Jesus Colina: O caso Maciel e suas compreensíveis trágicas conseqüências não apaga a aventura humana, espiritual e profissional que vivem aqueles que têm a sorte de dedicar suas vidas a cobrir informativamente a vida do Papa e da Santa Sé.Como jornalista você vê as debilidades humanas, mas também vê muita santidade, uma imensa obra de caridade ao serviço dos mais necessitados. Pude conhecer João Paulo II e agora Bento XVI: dois personagens de uma talha espiritual e intelectual surpreendente.Toda esta profundidade e santidade não pode ficar ofuscada pelas mentiras do padre Maciel. Sinceramente conheço muitos sacerdotes e seminaristas Legionários de Cristo e considero que são autênticos cristãos, mártires em certo sentido da realidade que estão confrontando com tanto amor a Cristo e à Igreja.
sexta-feira, setembro 30, 2011 |
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Caríssimos,Salve Maria!
Um bom texto da Raffaela do PapaRatzinger Blog. Nele, ironicamente, a autora desmascara a astúcia das mídias mentem , enganam e dissimulam contra o papa e a Igreja.
Como dizia Voltaire: " Minta, minta que alguma coisa fica!" Boa leitura. ( O google traduz)
Pe. Marcélo Tenorio
¿Eres un periodista? ¿Un experto? ¿Un blogger? ¿Un comentador o un editorialista? ¿Quieres debilitar, limitar o anular el efecto de toda visita pastoral, viaje apostólico, discurso, homilía o intervención del Papa Benedicto XVI? Estás en el lugar correcto.
He aquí las reglas de oro para hacer una tarea brillante. Sin embargo, presta atención: alguno podría acusarte de describir una realidad que no existe, pero esa es otra historia...
He aquí el decálogo, formado por diez hipótesis que prevén varias soluciones alternativas o complementarias entre sí. El blog se ha inspirado en el Catholic Herald, al que agradecemos por la excelente idea.
Sin embargo, si eres un periodista, un editorialista, un comentador o un blogger que ama la verdad y tiene afecto por el Papa, puedes leer esto y continuar haciendo exactamente lo contrario mientras te ríes un buen rato.
Decálogo del blog para poner palos en las ruedas al Papa Benedicto XVI
1) Prepara anticipada y escrupulosamente cada visita o viaje apostólico de Benedicto XVI:
a) construye una bella polémica sobre los costos del viaje;
b) identifica cuidadosamente las posibles temáticas (sacerdotes pedófilos, disminución de los fieles, desobediencia de los obispos, eventuales contrastes con protestantes, judíos, musulmanes);
c) actúa de tal modo que el viaje sea precedido por una escala de polémicas. Eventualmente, y en el último minuto, finge estar consternado por el comportamiento de los medios;
d) presenta el viaje como “el más difícil del Pontificado”;e) da la máxima resonancia a las manifestaciones de protesta que se están organizando. Dispara las cifras que te ofrecen los organizadores e insinúa que los manifestantes serán más que los fieles;
f) avisa a tus lectores que las Misas y las Vigilias presididas por el Papa Benedicto estarán ciertamente desiertas;
g) pon en evidencia el hecho de que el Papa Benedicto no conoce la realidad de los diversos países que visita porque vive encerrado en el Vaticano (acariciando gatos, escribiendo libros y tocando el piano);
h) entrevista siempre a Hans Küng, una verdadera garantía;
i) pregunta siempre al Padre Lombardi si durante el viaje el Papa se encontrará con víctimas de sacerdotes pedófilos;
j) el día de la partida escribe un artículo absolutamente negativo sobre el viaje en el que precises que nadie está esperando al Papa, el cual será acogido con hielo siberiano;
k) si por casualidad el Papa visita Alemania, no olvides citar la famosa frase “Nemo propheta in patria”.
2) Cuando adviertes, durante el viaje, que la realidad es muy diferente de aquella que has descrito o estás describiendo:
a) no te desanimes;
b) si eres un periodista televisivo, entrevista siempre a quien te dice que prefería a Juan Pablo II o a quien está allí por curiosidad y no para ver a Benedicto XVI. Entrevista preferiblemente a sacerdotes o seminaristas;
c) muestra las imágenes de los manifestantes incluso si son cuatro gatos. En particular: ocupa la mitad de los pocos segundos que te concede el telediario para hablar de las manifestaciones y no de lo que hace o dice el Papa;
d) si eres un periodista de la prensa escrita, trata de no evidenciar que en las manifestaciones antipapa había sólo cuatro gatos y entrevista al portavoz de los manifestantes, el cual inflará las cifras según se le ocurra;
e) nunca hagas notar a los lectores que a las manifestaciones no han llegado las multitudes esperadas;
f) no pongas en evidencia, por el contrario, los números de los fieles que acuden a escuchar al Papa Benedicto;
g) recuerda que cada manifestante debe ser contado por dos y que cada fiel vale la mitad;
h) si durante la visita ocurre un episodio de ninguna importancia (falso atentado, falsas amenazas...), pon en evidencia eso y no la actividad del Papa;
i) si el Papa dice “defendamos la familia”, tú escribe: “Anatema del Papa contra las parejas de hecho”;
j) trata de simplificar al máximo y, si es posible, haz decir al Papa lo que no ha dicho y/o lo que crees haber escuchado sólo tú;
k) si el Papa se encuentra con víctimas de sacerdotes pedófilos tienes dos alternativas: o conviertes el encuentro en la única razón del viaje, o bien (es la tendencia predominante del 2011) ignoras el evento y sigues;
l) no olvides, sin embargo, avisar a tus lectores que el Papa no ha hablado explícitamente de sacerdotes pedófilos;
m) sin embargo, si el Papa habla de ello, finge no haberlo oído;
n) entrevista siempre a Hans Küng;
ñ) si el Papa te sorprende, no le des mucha satisfacción. Siempre puedes decir que este Pontífice tiene un lenguaje complejo que no llega al “hombre común”;
o) si tienes a tu disposición dos cifras sobre las presencias, indica siempre la que sea más baja;
p) pon en evidencia, al límite, que habían sí muchos fieles pero que probablemente estaban allí por curiosidad o porque pasaban allí casualmente;
q) no escribas nunca que extrañamente los fieles se mueven por la curiosidad sólo cuando está de por medio el Papa Benedicto;
r) si puedes, ignora totalmente el resto del viaje.
3) Cuando el viaje ha concluido y adviertes que has cometido, como siempre, una cantidad exagerada de errores:
a) trata de olvidar lo más pronto posible el viaje o la visita en Italia y no hables más del tema;
b) entrevista a Hans Küng para que ilumine a los lectores con su palabra.
4) Recuerda siempre que el tema “pedofilia en la Iglesia” es el argumento más popular de los últimos años:
a) aprovecha cada oportunidad que se presente;
b) quédate tranquilo: por lo general la Santa Sede no interviene en defensa del Papa, sobre todo en lo relativo a este argumento. Sigue adelante, seguro de la impunidad;
c) cuando se difunde la noticia de nuevas acusaciones al Papa (por ejemplo, una denuncia a La Haya), finge no saber que Ratzinger es el hombre que más ha hecho en las últimas décadas para combatir la plaga de los sacerdotes pedófilos;
d) no cites nunca las medidas y el ejemplo del Papa Ratzinger;
e) compórtate como si fuese la primera vez que el Papa es acusado de algo;
f) golpea al Papa en primera plana, preferiblemente con una foto de espaldas;
g) mencionada, de pasada, el caso del padre H, aunque haya sido abundantemente explicado;
h) cita también al hermano del Papa, aunque no tenga nada que ver con los cados de pedofilia verificados dentro del coro de Ratisbona;
i) es fundamental que no subrayes nunca que los casos de pedofilia de los que se trata han tenido lugar décadas atrás;
j) actúa de tal modo que el lector piense que el escándalo pedofilia ha nacido bajo el Pontificado ratzingeriano;
k) no cites nunca otros Pontificados;
l) no puntualices nunca que Ratzinger es el único Papa que se ha encontrado seis veces con víctimas de pedófilos;
m) entrevista a Hans Küng para que diga lo suyo;
n) cuando las cosas se ponen difíciles para la Iglesia, descarga toda la responsabilidad sobre Ratzinger, pero si adviertes que el viento cambia, escribe que los méritos no son sólo de Benedicto XVI;
ñ) nunca y por ninguna razón deberás escribir o pronunciar el nombre de Maciel;
o) continúa insistiendo con la apertura de los archivos fingiendo ignorar el bien hecho en estos últimos años;
p) entrevista al portavoz de las asociaciones de víctimas que más atacan al Vaticano;
q) hazte megáfono de los abogados de las víctimas y no concedas nunca a la otra parte el beneficio de la duda;
r) cuando el Vaticano calle (es decir, siempre) pero autorizados comentadores y editorialistas hagan notar que es absurdo culpar a Ratzinger, el Papa que más ha hecho contra los pedófilos, haz inmediatamente marcha atrás y no hables más de denuncias a la Haya;
s) insinúa que Benedicto XVI podría hacer mucho más, o bien que es demasiado duro y poco misericordioso hacia los culpables. En resumen: ¡actúa de tal modo que siempre tenga la culpa!
t) omite recordar que es desde 1988 que Ratzinger pide mayor severidad en el castigo a los culpables;
u) finge siempre ignorar que la Congregación para la Doctrina de la Fe es competente para los casos de pedofilia en el clero sólo desde el año 2001;
v) recuerda que, en relación a este tema, hay nombres que pueden ser dados y otros que, aún en vida y en salud, nunca deben ser involucrados.
5) Cuando el Papa pronuncia un importante discurso:
a) regla de oro: ¡ignóralo!
b) finge que no ha hablado, salvo para lamentarte por el hecho de que el Papa no se ha expresado sobre un determinado tema;
c) distorsiona el pensamiento del Papa cuando dice algo que no te gusta a ti o a tu editor;
d) intenta forzar algunos conceptos si las frases del Papa pueden ser interpretadas en favor de tu parte política o de la tu editor;
e) el “sí” a la vida debe convertirse en el “no a la píldora del día después”, el “sí” a la familia debe convertirse el “no a las parejas de hecho y en particular a las homosexuales”;
f) si el Papa “reprende” a los obispos de cierto país, defiende siempre a los prelados en nombre de la colegialidad;
g) cita siempre al Concilio e insinúa que el Papa quiere anular todos los documentos conciliares;
h) entrevista a Hans Küng para que recuerde una vez más haber sido perito conciliar;
i) recuerda siempre poner en evidencia que Benedicto XVI no hace y no dice nada que no haya ya hecho o dicho su predecesor;
j) si el Papa dice algo que va contra tu fe política o la de tu editor, corre a la plaza publica y grita: “¡Injerencia!”;
k) sin embargo, si el Papa llegara decir algo contra el partido que no te gusta a ti o a tu editor, reclama la advertencia papal, el anatema y la eventual excomunión. Haz presente que el Santo Padre y la Iglesia no pueden callar. Canta los “Hosanna” cuando Benedicto XVI se exprese como te gusta a ti y a tu editor;
l) remarca que Benedicto XVI no es un Papa político pero, si habla de ética, haz entender que comete una grave injerencia en los asuntos públicos de otro país;
m) al respecto, cita el otto per mille (ocho por mil) omitiendo, sin embargo, que va a la CEI y no al Vaticano.
6) Cuando se habla en televisión de Benedicto XVI:
a) pon en evidencia siempre que es distinto de su predecesor;
b) insinúa que tiene menos carisma o que, de hecho, no lo tiene;
c) entrevista a personas que declaren preferir a otros Papas;
d) si se está hablando del Papa Benedicto, actúa de tal modo que el discurso caiga sobre otros;
e) invita a sacerdotes, obispos y cardenales habilísimos en no hablar del Papa Benedicto;
f) si estás obligado a hacer un programa sobre Ratzinger, transmítelo a la mañana temprano o muy tarde por la noche;
g) introduce las directas con el Papa sólo cuando es necesario;
h) en lo posible graba los eventos y envíalos al aire más tarde por la noche (JMJ de Madrid docet);
i) finge maravillarte si el Papa hace algo inesperado;
j) recuerda a los telespectadores que cuando fue elegido te parecía frío por ser alemán;
k) remarca que es un profesor como si fuese un título de demérito;
n) trata de hacer que por la misma red, en la misma semana (mejor si es en el mismo día), el Papa Benedicto sea ridiculizado mientras su predecesor es recordado con afecto;
ñ) ¿acaso quieres dejar de entrevistar a Hans Küng?
7) Si salen a la luz hechos ocurridos antes del 19 de abril de 2005:
a) haz de tal modo que sea cuestionado el Papa Ratzinger;
b) recoge llamamientos para que el Papa intervenga en primera persona abriendo archivos o haciendo él mismo llamamientos también sobre hechos de los que él no puede tener conocimiento;
c) entrevista a Hans Küng.
8) Cuando se habla de la relación entre Benedicto XVI y las otras religiones o las otras confesiones cristianas:
a) ponte siempre, y en cualquier circunstancia, de parte de los protestantes;
b) cuando se trata de los amigos judíos, no dejes nunca de citar el hecho de que el Papa es alemán, que ha levantado la excomunión a los obispos lefebvristas, en particular a Williamson, que ha firmado el Summorum Pontificum;
c) evita como a la peste el recordar que la oración del Viernes Santo nunca ha sido modificada ni por Pablo VI ni por Juan Pablo II y que Benedicto XVI la ha cambiado para ir al encuentro de los judíos;
d) acepta sin reservas la tesis del silencio de Pío XII y recuerda que Benedicto XVI ha declarado venerable al Papa Pacelli, pero omite señalar que el proceso de beatificación ha sido abierto en 1967;
e) cuando se trata de los amigos musulmanes, cita siempre el discurso de Ratisbona como piedra de tropiezo;
f) haz siempre referencia a la lectio de Ratisbona llamándola, a elección, “gaffe”, “metedura de pata”, “incidente”;
g) por ninguna razón en el mundo deberás citar los progresos en el diálogo entre católicos y musulmanes nacidos después del discurso de Ratisbona;
h) no debes nombrar nunca a los hermanos ortodoxos;
i) si los citas, no recuerdes nunca el reacercamiento entre católicos y ortodoxos atribuyendo el mérito al Papa Benedicto;
j) entrevista a Hans Küng.
9) Si hay un aniversario particular relacionado con el Papa Benedicto:
a) regla de platino: ¡ignóralo!
b) actúa exactamente como has hecho el 29 de junio de 2011 (60° aniversario de ordenación): finge que es un día cualquiera para la Iglesia;
c) presta atención: comienza ya a pensar en el 16 de abril de 2012, día en que Benedicto XVI cumplirá 85 años;
d) por ninguna razón aquella fecha deberá convertirse en ocasión para celebrar al Papa o para constatar su frescura mental o su resistencia física;
e) prepárate desde ahora al evento insistiendo en la posibilidad de la renuncia;
f) al respecto, no dejes de escuchar la opinión de Hans Küng.
10) En lo que respecta a las multitudes que asisten a los eventos presididos por Benedicto XVI:
a) regla de diamante: ¡ignóralas!
b) finge no ver a los fieles que participan en el Angelus y en las audiencias generales;
c) si se presenta un fiel menos de los previstos, haz el titular y cuenta con el ábaco;
d) sin embargo, si las asistencias superan las expectativas, mira para otro lado y no hables más de eso;
e) insinúa que los fieles acuden por la novedad pero omite recordar que Benedicto es Papa desde hace seis años y medio;
f) para reforzar la tesis, concede el debido espacio a Hans Küng.
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Traducción: La Buhardilla de Jerónimo
quinta-feira, setembro 29, 2011 |
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Vale a pena ler um trecho de um artigo do Fr. João, capuchinho de Morgon, na França, publicado na “Carta aos amigos de S. Francisco”, em 1999.
Salve Maria!
Pe. Marcelo Tenório
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“Modelo de respeito e de submissão a seus superiores eclesiásticos e religiosos, em particular por ocasião das perseguições contra ele próprio, o Padre Pio de Pietrelcina não podia ficar mudo ante um desafio nefasto à Igreja.
Antes mesmo do fim do concílio, em fevereiro de 1965, anunciaram-lhe que seria preciso em breve celebrar a missa segundo um novo rito “ad experimentum”, em língua vulgar, e elaborado por uma comissão litúrgica conciliar para responder às aspirações do homem moderno.
Antes mesmo de ter o seu texto sob os olhos, escreveu imediatamente a Paulo VI, pedindo-lhe fosse dispensado dessa experiência litúrgica e pudesse continuar a celebrar a Missa de São Pio V.
Tendo-se o cardeal Bacci deslocado para lhe levar esta autorização, Padre Pio deixou escapar esta queixa para o enviado do Papa: “O Concilio, por piedade, acabai com ele depressa!”
No mesmo ano, na euforia conciliar que prometia uma “nova primavera” para a Igreja e para o mundo, confiava a um de seus filhos espirituais: “Rezemos nesta época de trevas. Façamos penitência pelos eleitos.” E sobretudo por aquele que deve ser o supremo pastor da Igreja católica: toda a sua vida ele “se imolará” pelo Papa reinante, cuja fotografia figurará sempre entre as raras imagens da sua cela.
Quão significativas outras cenas: estas reações em face do “aggiornamento” que as ordens religiosas assimilaram no dia seguinte ao Vaticano II (citações extraídas duma obra munida de Imprimatur):
“O Padre Geral (dos franciscanos) veio de Roma antes do capítulo especial para as constituições, em 1966, para pedir ao Padre Pio orações e bênçãos. Encontrou o Padre Pio no corredor do convento: ‘Padre, vim para vos recomendar o capítulo especial para as novas constituições...’ Apenas ouviu “capítulo especial”, Padre Pio fez um gesto violento e gritou: ‘Não são senão parlapatices e ruínas!’ — ‘Mas que quereis, Padre? As novas gerações... os jovens evoluem à sua maneira... há novas exigências...’ — ‘É o cérebro e o coração que faltam, eis tudo, a inteligência e o amor.Em seguida avançou para a sua cela, deu meia-volta, e apontou o dedo dizendo: “Não nos desnaturemos, não nos desnaturemos! Quando Deus nos julgar, São Francisco não nos reconhecerá como filhos!”
Um ano depois, a mesma cena para o “aggiornamento” dos capuchinhos: “Um dia, confrades discutiam com o Padre Definidor Geral sobre a Ordem, quando o Padre Pio, tomando uma atitude espantosa, se pôs a gritar ao mesmo tempo que fixava o olhar longe: “Mas que estais prestes a fazer em Roma? Que combinais vós? Quereis mesmo mudar a Regra de São Francisco!” E o Definidor diz: “Padre, propõem-se estas mudanças, porque os jovens nada querem saber da tonsura, do hábito, dos pés descalços...” — “Expulsai-os! Expulsai-os! Mas quê? São eles que vão fazer um favor a São Francisco ao tomar o hábito e ao seguir o seu modo de vida, ou é antes São Francisco que lhes faz um grande dom?”
Se se considera que o Padre Pio foi um verdadeiro alter Christus, que toda a sua pessoa, corpo e alma, foi tão perfeitamente conforme quanto possível à de Jesus Cristo, esta recusa nítida das inovações da Missa e do "aggiornamento” deve ser para nós uma lição que reter.
É também notável que o Bom Deus tenha querido lembrar-se dele, seu fiel servidor, pouco tempo antes da imposição implacável das reformas do Concílio no seio da Igreja e da ordem capuchinha. E que Katarina Tangari, uma das suas filhas espirituais mais privilegiadas, tenha apoiado tão admiravelmente os padres de Ecône (seminário fundado por D. Marcel Lefebvre) até à sua morte, um ano após as sagrações episcopais.
E Padre Pio ainda era menos complacente em face da ordem — ou antes da desordem — social e política: “confusão de idéias e reino dos ladrões” (em 1966). Profetizou que os comunistas chegariam ao poder “por surpresa, sem desfechar golpe... Nós nos daremos conta disso da noite para o dia”. Chegou a precisar até, a Monsenhor Piccinelli, que a bandeira vermelha flutuaria sobre o Vaticano, “mas isso passará”.
Ainda aqui a sua conclusão coincide com a da Rainha dos Profetas: “Mas por fim o meu Coração Imaculado triunfará!” Como? Pela onipotência divina, certamente, mas provocada pelas duas grandes forças do homem: a oração e a penitência.
Foi a grande lição que Nossa Senhora nos quis lembrar com insistência, em Fátima, no princípio deste século: Deus quer salvar o mundo pela devoção ao Coração Imaculado de Maria, e não há nenhum problema, material ou espiritual, nacional ou internacional, que não possa ser resolvido pelo Santo Rosário e pelos sacrifícios.”
quinta-feira, setembro 29, 2011 |
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Por Ronaldo Mota
A Igreja frente às heresias
“La découverte des hérétiques, souvent fortuite, jette le désaroi chez les fidèles, clercs et laïcs. Les premiers instruisent, persuadent ou condamnent. Les autres, troublés dans leur quiétude religieuse, réagissent avec viguer.” (H. Maisonneuve. op. cit. p. 22).
H. Maisonneuve, ao analisar a repressão da heresia, define bem quais foram as diferentes maneiras de reação de cada um dos setores dessa sociedade. Tanto o povo quantos as autoridades laicas reagiram com vigor. Aliás, como sabemos, esse vigor exigia muitas vezes a pena de morte. A Igreja também reagia, porém, procurava antes instruir, persuadir e só depois, caso isso não surtisse efeito, aplicar penas espirituais, como a excomunhão, por exemplo. As penas materiais, aplicadas pelo Estado, apenas foram exigidas pela Igreja quando o perigo das heresias chegar a um nível intolerável. E mesmo assim, ao contrário da Justiça civil, se fará grande insistência na necessidade de misericórdia para com os arrependidos.
“Cerca de cinqüenta anos antes da Cruzada contra os albigenses, usaram-se meios pacíficos para impedir a expansão da heresia. O historiador da Cruzada contra os albigenses, Belperron, denomina este período de “Cruzada Espiritual.” (N. Falbel op. cit. p. 47).
Nachman, ao falar sobre a “Cruzada Espiritual”, refere-se à primeira atitude da Igreja diante das heresias, situando seu início cinqüenta anos antes da Cruzada contra os albigenses (1209-1229). Entretanto, o movimento de evangelização dos albigenses revoltosos inicia-se muito antes, e não termina de forma alguma após a cruzada. Pois, como a Igreja visa sempre à conversão, a ação missionária permanece constante, tanto antes como durante a atuação do Tribunal do Santo Ofício.
Em 1119, no Concílio de Toulouse, a heresia cátara foi pela primeira vez notada e condenada oficialmente. Inocêncio II, que pontificou de 1130 a 1143, designa seu legado no Midi, o monge Henri Albéric, de Cluny, para combater a heresia[1]. Albéric, diante do grande problema que a heresia começava a criar naquela região, pede ajuda ao Bispo de Chartres, Geoffroy, e de São Bernardo. Eugênio III (1145-115), logo após tornar-se Papa, envia São Bernardo ao Longuedoc.
“Ao chegar a Toulouse, onde Henrique Lausanne convertera à heresia nobres, burgueses e, em particular, tecelões, São Bernardo consegue reavivar, com sua pregação, a fé católica, mas mesmo assim a heresia não foi extirpada.” (N. Falbel. op. cit. p. 56).
Os trinta anos seguintes a 1140 foi o período de mais rápido crescimento da heresia cátara, pois nessa época a igreja bogomil foi reformada, criando episcopados e enviando missões.[2] Em 1163, realiza-se um concílio em Tours, presidido pelo Papa Alexandre III, onde se buscou algum mecanismo social para impedir o crescimento dessa perniciosa heresia: “Les évêques et les prêtres dénonceront l’existence des « conventicules » ou réunions secrètes. Ils défrendront aux catholiques d’y assiter. Ils leur interdiront, sous menace d’excommunication, d’entretenir des relations avec les héretiques, afin que la solitude sociale de ces herétiques : solatio saltem humanitatis,les invite à se convertir.” (H. Maisonneuve. op. cit. p. 29).
Não encontramos, portanto, a figura lendária de um clero sanguinário, mas de um Papa que, ao mesmo tempo em que protege os cristãos dos perigos da heresia, quer converter os hereges. Todavia, nesse mesmo ano a instâncias do rei da França Luís VII, o qual se alarmava com o catarismo “estendendo-se como um cancro pelas províncias de França”, foi realizado um concílio em Lyon, no qual o Papa Alexandre III, para auxiliar o rei, ordenou que os senhores punissem os hereges com prisões e confiscação de bens.[3]
Entretanto, os cátaros não se abateram, mas muito pelo contrario, responderam desafiadoramente com o grande conventículo, em 1167, no qual Niketas, bispo cátaro, “sagra” diversos outros cátaros e assinala a cada um seu território de atuação. O movimento cátaro continua a crescer. Em 1177 o Conde de Toulouse, Raimundo V, pede auxílio ao Papa, solicitando uma missão cisterciense para a evangelização dos albigenses. A missão lhe é enviada e a heresia foi ainda condenada em 1178, no Concílio de Lambers. Entretanto, ela continua a expandir-se.
Por fim, em 1179, ocorre o Terceiro Concílio de Latrão. Nesse Concílio, o Papa Alexandre III lembra que a Igreja não realiza castigos cruentos mas, entretanto, o Estado tem o direito e o dever de reprimir as facções que perturbam a ordem e a moral pública.[4]Como notam B. Llorca[5] e F. Ayllón, esse Concílio representa a primeira medida de ordem geral da Igreja contra as heresias, medida que conduz também à criação do Tribunal do Santo Ofício, visto que o Estado tem o dever de combater as heresias, mas é a Igreja que deve julgar em questões religiosas. Para a efetivação dessas medidas, o Papa designa como seu legado no Longuedoc o abade de Clairvaux, Henrique, que envia pregadores para a região.
Nessa altura, contudo, a heresia já havia galgado o cume da sociedade, e tinha como defensores personagens da alta nobreza, de maneira que já se podia cogitar o surgimento de um Estado anticatólico no próprio seio da Cristandade Medieval. Henrique, o mesmo abade que enviara pregadores, organiza também uma cruzada, em 1181, contra Roger Trencavel II, senhor de Lavour, o qual tendo aderido à heresia negava-se a reprimi-la, fazendo dos seus domínios um reduto protetor dos heréticos. Porém, a cruzada termina sem grandes resultados. A heresia continua florescendo e a Igreja continua evangelizando o Longuedoc.
Em 1184, ocorre o Sínodo de Verona, no qual o Papa Lucio III elaborou o Decreto Ad abolendum. Tal decreto é a origem[6] da Inquisição Episcopal e, portanto, representa o próprio surgimento da Inquisição Medieval[7]. Nesse Decreto se condenavam os cátaros, os valdenses, os arnaldistas e outros grupos heréticos. Nele exigia-se que os bispos visitassem ao menos duas vezes por ano as cidades e aldeias de suas dioceses onde, com o auxílio de pessoas honestas e bem reputadas, recolheria informações para descobrir os focos heréticos. Exigia-se, sob pena de excomunhão, que os barões e senhores jurassem auxiliar a Igreja. Exigia-se também que os habitantes jurassem denunciar ao bispo os suspeitos de heresia. Os acusados seriam exortados a reconciliar-se com a Igreja e com a sociedade; aqueles que se negassem seriam excomungados e relaxados ao poder secular, o qual lhe aplicaria as sanções de acordo com as leis do Direito comum.
Entretanto: “La Décretale de Lucius III a peu de succès. Les hérétiques continuent à fleurir, notamment dans I’Italie du Nord. Les évêques sont inertes : les Papes souvent très indulgents. En 1196, l’empereur Henri VI demande à Célestin III d’excomunier les Séparatistes, lui promettant son appui. L’Église avait perdu de vue le danger.” (G. Deromieu. op. cit. p. 5, o negrito é nosso). G. Deromieu compreende bem a situação. Muitos bispos não trabalhavam para combater a heresia, os Papas mostravam-se muito indulgentes, a heresia expandia-se e novamente o poder secular alarmava-se.
Em 1198 sobe ao trono pontifício Inocêncio III, que foi eleito e imediatamente enviou missionários ao Longuedoc.
“O Papa Inocêncio III preferia a conversão à perseguição. Os cátaros, porém, não se convertiam facilmente, uma vez que a crescente propagação da heresia no Sul da França e no Norte da Itália fazia com que acreditassem no predomínio dela sobre a Igreja Católica.” (N. Falbel. op. cit. p. 47).
Inocêncio III percebeu que um dos motivos que permitia um tão grande crescimento do catarismo no Longuedoc era a má conduta de muitos clérigos dessa região, os quais se preocupavam mais com questões políticas – as ditas querelas feudais – do que com a evangelização de seu povo. Sabendo disso, Inocêncio III empreendeu a tarefa de reformar tal clero, escolhendo para essa batalha os monges da ordem cisterciense. Enviou, pois, sucessivamente duas missões de cistercienses ao Longuedoc[8].
Em 1200, reuniu-se um Concílio em Avignon, no qual se decidiu que, em cada paróquia, deveria haver uma comissão composta por um padre e dois ou três leigos íntegros, que jurariam denunciar todos que passassem à heresia, ajudassem ou escondessem os hereges.[9] Com esse Concílio, o Papa deu novo impulso à Inquisição Episcopal. Todavia, devido ao apoio das autoridades locais, principalmente do Conde de Toulouse, Raimundo VI, o catarismo continuou fazendo progressos.
Em 1203, Inocêncio III enviou, para auxilio na luta contra os albigenses, seu legado Pedro de Castelnau, também monge cisterciense. Porém, Castelnau logo comunicou ao Papa seu desencorajamento: naquela região, muito corrompida, a heresia era antes defendida que reprimida pelas autoridades, pois até Raimundo VI auxiliava abertamente o catarismo. Por fim, constatando que não podia esperar o auxílio de Raimundo VI, Castelnau o excomungou. O Papa confirmou a excomunhão em maio de 1207. Como resposta à excomunhão, Castelnau foi assassinado em janeiro de 1208, por ordem de Raimundo VI.[10] O Papa, então, convocou uma cruzada contra os albigenses, a qual terminou apenas em 1229 com o Tratado de Paris.
A Igreja, no decorrer de todos esses anos, procurou antes de tudo converter os hereges. Isso fica patente pelas numerosas missões enviadas ao Longuedoc – local mais afetado pelo catarismo. Ainda pouco antes da Cruzada, por volta de 1203, chegaram em Roma D. Diego de Azevedo, Bispo de Osma, e Sto. Domingos de Gusmão, os quais vinham pedir permissão ao Papa para evangelizar os Cumans. O Papa negou-lhes o pedido, ordenando-lhes que fossem para o sul da França auxiliar os missionários cistercienses a converter os hereges.[11]
A Cruzada, contudo, havia demonstrado a que proporção chegara o problema das heresias. Exigia-se, portanto, além do movimento missionário, uma maior organização no combate a elas. Após o Tratado de Paris, o Concílio de Toulouse (1229) fez uma codificação de prescrições observadas contra os albigenses.[12] Em 1231, o Papa Gregório IX publicou uma constituição na qual, visando os abusos das autoridades estatais, declarou que os problemas da fé interessam essencialmente aos vigários diocesanos e aos seus legítimos representantes.[13] No mesmo ano, o senador romano Annibaldo publicou um estatuto contra os heréticos, onde pela primeira vez apareceu o termo latino inquisitor (inquisidor). A Constituição do Papa e a legislação do senador Annibaldo formaram os Estatutos da Santa Sé,[14] que serão enviados a todos os bispos. Contudo, Gregório IX constatou que os bispos, por diversos motivos, não se dispuseram a fazer a devida aplicação desses Estatutos. Em vista disso, em 1232, com a Bula Ille humani generis, o Papa delegou o encargo de inquisidor aos frades da Ordem dos Pregadores (dominicanos), de modo que o tribunal deixou de ser episcopal e passou a ser um tribunal monástico ligado diretamente ao Papa.
É dessa forma, portanto, que surgiu o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, isto é, da luta entre sociedade e heresia, entre Igreja e heresia, dentro de um determinado conjunto de relações entre Igreja e Estado. A necessidade de regrar a reação da sociedade contra as heresias, evitando massacres populares ou abusos políticos por parte do Estado, levou a Igreja, no decorrer de quase um século, a moldar um tribunal que se dedicasse especificamente ao problema das heresias.
“El Tribunal del Santo Oficio surgió gradualmente, como respuesta a la conyuntura histórica que generó la necesidad de legislar y unificar los procedimientos en el combate contra la herejía.” (F. Ayllón. op. cit. p. 67).
Havia, além dos problemas sociais, a necessidade de livrar a sociedade das perniciosas doutrinas heréticas. Contudo, para um lendólogo moderno, que tem a visão turvada pelo relativismo ou pelo superficial e grosseiro ateísmo, torna-se difícil compreender não só os problemas gerados pela heresia como também a própria complexidade histórica. Todavia, os problemas eram evidentes. Tão evidentes, que até protestante Henry Charles Lea, referindo-se aos cátaros, foi obrigado a afirmar: “Essa era a crença cuja rápida difusão através do midi da Europa encheu a Igreja de um terror plenamente justificado. Por mais horror que nos possam inspirar os meios empregados para combatê-la, por mais piedade que devamos sentir por aqueles que morreram vítimas de suas convicções, reconhecemos sem hesitar que, nas circunstâncias, a causa da ortodoxia era a da civilização e do progresso. Se o catarismo se houvesse tornado dominante, ou pelo menos igual ao catolicismo, não há dúvida de que sua influência teria sido desastrosa” (H. C. Lea. Histoire de l’Inquisition au Moyen-Age. vol. I. Paris, 1986-1988, p. 121 apud J. B. Gonzaga. op. cit. p. 111).
Mesmo sendo tão grande o perigo representado pela heresia e sendo os tempos tão rudes – como constata J. B. Gonzaga ao analisar a sociedade e a Justiça criminal comum medieval – a Igreja sempre procedeu misericordiosamente, só aceitando os meios empregados pelo braço secular quando não lhe restava outro meio possível de reação.
Alguns aspectos do Processo Inquisitorial
Além de esquecer fatores históricos importantes para o conhecimento da Inquisição, a lenda procura ainda pintar o processo inquisitorial com a mais negra tinta, dando-lhe um aspecto tenebroso. A História, por outro lado, não permite tal obscurantismo – o estudo do processo inquisitorial demonstra claramente que a Igreja foi benéfica, pois seu objetivo principal não era perseguir, condenar e torturar o herege, mas sim tentar diligentemente trazê-lo de volta à Igreja e ao grêmio da sociedade.
“Le réflexe de défense est d’abord pastoral. C’est dans la nature de choses. L’Eglise a toujours prêché l’Evangile, conformément à la mission qu’elle a reçue du Christ. La prédication est de sa nature persuasive et désintéressée. Cet aspect pastoral est essentiel. Comme il n’est pas le plus spectaculaire, on le perçoit mal. Il convient toutefois de ne pas l’oublier.” (H. Maisonneuve. op. cit. p. 159).
É exatamente por isso que o primeiro procedimento da Inquisição era o Sermão Geral[15], no qual o Inquisidor pregava à população instruindo-a sobre os perigos e a perversidade da heresia, exortando-a a denunciar os hereges. O segundo procedimento é o Tempo de Graça, período que ia de quinze dias a um mês, destinado àqueles que haviam se arrependido e queriam confessar-se. Quando a heresia era manifesta, o crime era sancionado através de penas canônicas, às quais muitas vezes se acrescentava uma peregrinação.
“Aqueles cuja falta se tinha ignorado até então e que se denunciavam espontaneamente podiam ser dispensados de qualquer pena ou sofriam apenas uma penitência bastante ligeira e secreta, a critério do juiz.” (G. Testas e J. Testas. op. cit. p. 35).
Tal maneira de atuação já demonstra quão suave foi a Inquisição frente ao Direito comum da época. Visto que, como nos lembra J. B. Gonzaga, as penas da Justiça comum possuíam dois sentidos: vindicativo e utilitário.
“Antes de tudo, merecia castigo, com valor de vingança, aquele que violara a lei posta pela vontade do soberano. Por acréscimo, buscava-se, através da pena, alguma dentre várias possíveis utilidades. A sanção capital era desde logo útil porque eliminava uma pessoa malfazeja. A mais saliente e constante utilidade procurada, todavia, encontrava-se na idéia de escarmento, com vistas à manutenção da ordem pública: a punição imposta ao criminoso devia ser exemplar, irradiando-se pela coletividade, a fim de incutir pavor e convencer os cidadãos de bem se comportarem;
“Inexistia, no Direito comum, a noção de pena regeneradora, destinada ao aperfeiçoamento moral do condenado.” (J. B. Gonzaga. op. cit. p. 131 – o negrito é nosso).
Com o Direito da Igreja surge, porém, uma situação nova. Como se visa o bem do herege, procura-se antes de tudo um meio de regenerá-lo, e não de matá-lo. Deste modo, a prisão que, no Direito comum, era apenas uma medida processual,[16] torna-se agora uma pena, que visa levar o condenado à reflexão e ao arrependimento. Verifica-se, portanto, a atuação benéfica do Direto da Igreja, que ao utilizar a noção de pena regeneradora enriquece e melhora a própria noção de Direito Penal.
O próximo passo é a convocação do suspeito. Passado o tempo de graça, aqueles que foram denunciados e não se confessaram, serão convocados e submetidos a interrogatório pelo Inquisidor. Caso o acusado confessasse, sendo a confissão considerada a melhor das provas, ele receberia sanções canônicas, evidentemente mais rigorosas que aquelas destinadas a quem confessasse no tempo de graça, mas escapava, todavia, de ser relaxado ao braço secular, onde certamente sofreria a pena capital. Se sobre o acusado pesassem fortes provas e após todo o interrogatório, permeado de exortações e conselhos para que confessasse, ele recusava-se a confessar, só então o Tribunal recorria a expedientes mais violentos. O acusado era submetido à prisão preventiva, em alguns lugares impunha-lhe jejuns prolongados ou privavam-lhe do sono.[17] Durante todo o período da prisão, o acusado recebia visitas de familiares ou de pessoas honradas que lhe aconselhavam confessar e arrepender-se, ou ainda do inquisidor que lhe prometia ser misericordioso caso ele confessasse o crime. Tudo isso era empreendido simplesmente porque o objetivo da Igreja era converter o herege e integrá-lo novamente à sociedade. Se o objetivo fosse apenas vindicativo e utilitário – como no Direito comum – todo esse processo seria mais comodamente simplificado com a aplicação da pena de morte.
E se apesar de todos esses esforços o acusado negava-se terminantemente a confessar?
Em 1252, Inocêncio IV publica o decreto Ad Extirpanda[18], segundo o qual autorizava a utilização da tortura pela Inquisição. É esse um dos pontos nos quais a lenda ultrapassa todos os limites ficcionais. Ela pinta, ou melhor, borra de modo fantástico esse fato histórico. Nasce assim, portanto, a imagem do monge ignorante, feroz e sádico… A lenda não lembra, porém, que um tribunal que recusava a tortura, como fez a Inquisição até 1252, era algo extraordinário na História da Humanidade. Realmente, Inocêncio IV havia cedido às exigências do Direito comum e aceitado o uso de tortura, porém, frisando que essa deveria ser utilizada com prudência.[19]
A tortura, como nos lembra J. B. Gonzaga, era um expediente normal e comumente aceito na época, sendo empregado inclusive até fins do século XIX. Nos Tribunais Eclesiásticos, devido à prudência da Igreja, essa prática foi sem dúvida muito mais branda que no Direito secular.[20] A Igreja exigia que um médico estivesse sempre presente às seções, nas quais os pacientes não podiam ser jamais mutilados ou sofrer perigo de vida. A tortura só podia ser aplicada uma única vez e cada suplício não podia durar mais que meia hora. A confissão feita durante a seção de tortura não tinha nenhum efeito condenatório, devendo ser confirmada longe da ocasião de tortura.[21]
“Al respecto, cabe precisar que la Inquisición no inventó ningún instrumento de tormento, se limitó a emplear algunos de los que eran de uso común en su tiempo; su utilización fue mínima y, en las pocas oportunidades que fue considerada necesaria, se graduaba a la contextura física, edad, estado de salud y faltas atribuidas al procesado.” (F. Ayllón. op. cit. p. 62).
Além de ser evitado e utilizado apenas no último caso, o abrandamento que esse expediente sofre ao ser utilizado pela Inquisição fica evidente quando comparamos entre si os métodos inquisitoriais e os métodos do Direito comum: “Na Justiça secular, supliciava-se com meticulosa crueldade e repetidas vezes, para extorquir do réu a confissão de culpa; mas este resistia tenazmente, porque sabia que, se reconhecesse o crime, receberia uma condenação vindicativa e expiatória, com penas requintadamente atrozes, destinadas a fazê-lo sofrer muito e a escarmentar o povo.” (J. B. Gonzaga. op. cit. p. 127).
Ora, na Justiça canônica, além de uma aplicação da tortura totalmente diversa do Direito comum, a confissão e o arrependimento levavam à absolvição e não à condenação. Por isso, tanto no sistema processual quanto no sistema penal da Inquisição, houve, devido ao objetivo visado pela Igreja, um abrandamento no tratamento dado tanto ao acusado quanto ao condenado.
“À força de ouvirmos falar sobre os “rigores” punitivos da Inquisição, causa espanto verificar como o seu arsenal repressivo era incomparavelmente mais brando, ou menos severo, do que o da Justiça comum. Muito se decepcionará quem espera encontrar grandiosas maldades no sistema penal dos tribunais inquisitoriais.” (J. B. Gonzaga. op. cit. p. 127).
Por fim, se o acusado conseguisse enquadrar-se em todas as inúmeras prescrições previstas pela Igreja, ele poderia ser submetido à tortura. Caso a suportasse, o Inquisidor podia interpretar essa grande resistência como prova de sua inocência e libertá-lo. Entretanto, como nos lembra F. Ayllón, esses casos de tortura ocorreram poucas vezes. E finalmente, quem primeiro pôs em questão a utilidade da tortura foi a Igreja e não o Direito comum, pois já no Directorium Inquisitorum – um dos mais importantes manuais de inquisidores, juntamente com a Practica Inquisitionis de Bernard Gui – escrito na segunda metade do século XIV, o Inquisidor Nicolau Eymerick perguntava-se qual seria a utilidade da tortura, tão vulgarizada no Direito comum. Pois, segundo ele, a tortura levava os fracos a confessarem tudo, mas não conseguia nada dos hereges corajosos.[22] Além do que, como vimos, a Inquisição não utilizava a confissão sob tortura.
Por outro lado, se o acusado não confessasse seu erro e se recusasse pertinazmente a renegá-lo, ele seria relaxado ao braço secular. E nesse caso, como sabemos, a tradição[23] que remonta inclusive ao tempo do Império Romano, era a pena de morte. Todavia, relaxá-lo ou não ao poder secular estava nas mãos do Tribunal Eclesiástico, o qual visava antes de tudo regeneração e a justiça, assim como está expresso pelo Diretório de Béziers de 1246:
“Efforcez-vous d’amener les héretiques à se convertir, montrez-vous pleins de mansuétude à l’egard de ceux qui en manifesteraient l’intetion… Ne procédez à aucune condamnation sans preuves nettement établies. Il vaut mieux laisser un crime impuni que de condamner un innocent”.[24]
A entrega do herege ao braço secular – último recurso possível da Igreja em prol da manutenção da ordem, da moral e da salvação das almas – não implicava necessariamente, caso o herege não fosse reincidente, na morte pois, a todo momento, o inquisidor estava atento e se o herege se arrependia, ainda que só diante do cadafalso, era novamente devolvido à Igreja, que o livrava da pena capital.
Além do mais, é sabido – não pela lenda, mas pela História – que o número de condenações à morte foi pequeno.
“La pena capital se aplicó en pocos casos, debido a la benignidad en el uso de la entrega al brazo secular mostrada por los inquisidores. En realidad, lo que buscaban los pontífices no era sancionar con mayor severidad a los herejes sino más bien impedir la injerencia de las autoridades civiles en materias que, por razones obvias, debían quedar reservadas a la Iglesia.” (F. Ayllón. op.cit. p. 61 – o negrito é nosso).
Por incrível que pareça, o próprio H. C. Lea chegou a afirmar: “eu estou convencido de que o número de vítimas que pereceram na fogueira é bem menor do que normalmente se imagina. O fato de queimar viva, deliberadamente, uma criatura humana, tão só porque ela crê diferentemente de nós, é uma atrocidade tão dramática e de um horror tão pungente que terminamos por aí ver o traço essencial da atividade da Inquisição. Torna-se pois necessário observar que, entre os modos de repressão empregados por força das suas sentenças, a fogueira foi relativamente o menos usado.” (H. C. Lea. Histoire de l’Inquisition au Moyen-Age. vol. I. Paris, 1986-1988, p. 121 apud J. B. G. Gonzaga. op. cit. p. 137 – o negrito é nosso).
A declaração de H. C. Lea é extremamente interessante: primeiro, porque é a afirmação de um historiador protestante e abertamente contra a Inquisição e contra a Igreja, declarando claramente que a fogueira foi a pena menos usada; segundo, porque o autor revela um dos motivos pelos quais ele é tão contrário à Inquisição, ou seja, a sua incompreensão do problema histórico, visto afirmar que uma pessoa era condenada apenas porque discordava da religião vigente, quando na verdade, como vimos, os hereges, e principalmente os cátaros, não apenas discordavam em seu interior, mas trabalhavam abertamente ou secretamente pela destruição da Igreja Católica e do Estado, pois os consideravam obra de Satanás. Além do que, o povo e o Estado – protegendo-se contra as heresias – anteciparam-se à Igreja numa violenta reação contra elas, decorrendo disso o dever da Igreja de regrar essa reação; e em terceiro lugar, por referir-se ao que “se imagina” normalmente sobre a Inquisição.
Ora, essa última afirmação exige uma pergunta: por que normalmente se imagina a Inquisição como uma espécie de cruel maquina de matar? Seria, talvez, porque corre por aí uma lenda negra que trabalha para que as pessoas sejam tão imaginativas?
Conclusão
Alguns autores mais sérios, que não sofrem dos prejuízos ideológicos de Llorente, Sabatini ou Lea, tentando compreender historicamente o que foi a Inquisição, afirmaram ser ela um fruto da mentalidade da época; um fruto do sentimento medieval.
Nós, porém, poderíamos acrescentar que a Inquisição não foi apenas fruto de uma mentalidade, mas de uma situação social particular. Fizemos o possível para expor, dentro dos limites desse pequeno artigo, alguns dos problemas sociais gerados pelas heresias, os quais sem dúvida foram os responsáveis imediatos pelo surgimento da Inquisição.
Não há dúvida de que o desejo da Igreja de ensinar a verdade e combater o erro sempre existiu. Entretanto, num primeiro momento, apesar do perigo representado pelas heresias, a Igreja procurou vencer o erro com a espada espiritual, só aceitando outros meios, que não os espirituais, quando o problema fugia a seu controle e punha em perigo toda a sociedade. A própria sociedade, observa Nachman Falbel,[25]considerava o herege mais perigoso que o infiel, pois seu espírito proselitista tinha a possibilidade não só de perder as almas, mas também de destruir a sociedade cristã por dentro. Por isso, a atuação das heresias suscitou não só a reação da Igreja como também da população e do Estado.
“Las herejías eran entendidas como una violación del bien común al atacar la doctrina cristiana sobre la que se basaba la sociedad. Esto obligaba a la actuación de las autoridades civiles en defensa del orden social; pero sería a las eclesiásticas a las que les correspondiese definir, por motivaciones teológicas, la pureza de la fe.” (F. Ayllón. op. cit. p. 49).
A Igreja Católica, porém, esteve atenta ao seu verdadeiro objetivo, que era manter integra a cristandade e converter o herege, por isso esforçou-se por agir o mais misericordiosamente possível.
Não queremos negar com isso que tenham existido inquisidores rudes e sem caridade, mas apenas constatar que a existência desses foi uma exceção e não uma regra. E mais, foi uma exceção que contrastava com o próprio espírito da Igreja.
“Hay que tener en cuenta, contra la opinión predominante en nuestra época, que la mayoría de los inquisidores medievales no eran hombres ignorantes sino verdaderos expertos en materia teológica, con costumbres austeras; inclusive, llegaban en numerosos casos a la santidad.” (F. Ayllón. op. cit. p. 74).
“Por outro lado, a sua respeitabilidade derivava do fato de destacaram-se pela erudição e conduta exemplar.” (N. Falbel. op. cit. p. 18).
Além do mais, se alguns inquisidores fugiram ao espírito indicado pela Igreja, não lhes faltaram punições. Um exemplo disso foi Conrad de Marbourg. Esse padre secular havia sido incumbido de aplicar os Estatutos da Santa Sé em territórios alemães. Contudo, foi muito rude na sua atuação, gerando protestos que chegaram ao Papa Gregário IX. Este, após apurar as reclamações, expediu ordens para suspendê-lo de suas funções. Outro caso é o de Robert le Bougre, que fora cátaro e convertera-se ao catolicismo, tornando-se posteriormente dominicano. Devido ao seu zelo no combate ao catarismo, acabou sendo nomeado Inquisidor Geral da França. Os bispos locais, porém, recorreram ao Papa alegando excessos e abusos cometidos por ele. O Papa ordenou um inquérito e, diante de abusos neste apurados, destituiu Robert de seu cargo e condenou-o à prisão.[26] Com isso, o Papa Gregório IX indicava claramente como deveria agir um inquisidor, com misericórdia, justiça e caridade, desejando sempre a conversão do herege, assim coma exigia o Diretório de Beziers, em 1246, e toda a tradição da Igreja.
Esse pequeno artigo teve como objetivo lembrar fatores históricos importantes e essenciais para o conhecimento da Inquisição. Fatores que as lendas, como já dissemos, não têm interesse em relatar, pois embora eles sejam importantes para uma maior compreensão da História, não são igualmente importantes para os objetivos ideológicos dos criadores de fábulas.
Referências:
AYLLÓN, Fernando. El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial Del Congreso Del Perú, 1997.
WALSH, William T. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963.
DEROMIEU, Georges. L’Inquisition. Paris, Presses Universitaires De France, 1946.
MILANO, Ilarino da. Eresie Medioevali; Scritti Minori. Itália, Maggioli Editore – Rimini, 1983.
FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977.
GONZAGA, João B. G. A Inquisição em seu mundo. São Paulo, ed. Saraiva, 1993.
MAISONNEUVE, Henri. L’Inquisition. Paris, ed. Desclée, 1989.
TESTAS, Guy e TESTAS, Jean. A Inquisição. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1968.
LLORCA, Bernardino, S. J. Manual de História Eclesiástica, vol. I. Porto, Edições ASA, 1960.
[1] N. Falbel. op. cit. pg. 47.
[2] Idem, p. 38.
[3] Guy Testas e Jean Testas. A Inquisição. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1968, p. 10.
[4] F. Ayllón. op. cit. p. 52.
[5] Bernardino Llorca, S. J. Manual de História Eclesiástica, vol. I. Porto, Edições ASA, 1960, p. 326.
[6] G. Testas e J Testas. op. cit. p. 11.
[7] G. Deromieu. op. cit. p. 4.
[8] H. Maisonneuve. op. cit. p. 38.
[9] G. Testas e J. Testas. op. cit. p. 11.
[10] Idem, p. 12.
[11] Idem, p. 11.
[12] Idem, p. 15.
[13] G. Testas e J. Testas. op. cit. p. 15.
[14] Idem, p. 16.
[15] H. Maisonneuve. op. cit. p. 47.
[16] J. B. Gonzaga. op. cit. p. 135.
[17] G. Testas e J. Testas. op. cit. p. 38.
[18] H. Maisonneuve. op. cit. pp. 49-50.
[19] Idem, p. 50.
[20] J. B. Gonzaga. op. cit. p. 124.
[21] H. Maisonneuve. op. cit. p. 50.
[22] G. Testas. e J. Testas. op. cit. p. 39-40.
[23] H. Maisonneuve. op. cit. pg. 52.
[24] Idem, p. 49.
[25] N. Falbel. op. cit. p. 43
[26] J. B. Gonzaga. op. cit. p. 153.
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