domingo, outubro 30, 2011 |
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O purgatório é um local onde ficam as almas que morrem em estado de graça, isto é, sem pecado mortal, mas que tem "penas temporais" ainda a expiar por seus pecados ou algumas imperfeições (ou pecados veniais) que não foram suficientemente purificadas, pois no céu "nada de impuro pode entrar"(Ap. 21, 27). O Purgatório é uma verdade positivamente revelada por Deus, que não admite dúvida. Disse Jesus, um dia, à multidão de povo que acabava de ouvir o sublime sermão das bem-aventuranças: "Reconcilia-te com o teu adversário… enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário de entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum, sairás dali, enquanto não pagares até o último ceitil" (Mt 5, 25-26).
Jesus acabara de dizer que os seus discípulos deveriam ser o "sal da terra e a luz do mundo" (Mt. 5, 13), continuando a traçar as normas a seguir para evitar o inferno e chegar ao céu. "Digo-vos", diz o Mestre, "que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no céu" (Mt 5, 20).Eis o céu bem indicado. O inferno não o é menos: "Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno" (Mt 5, 29).
Eis como, na mesma instrução (é o mesmo capítulo de S. Mateus), Nosso Senhor trata do Céu, do inferno e do purgatório; pois o texto citado refere-se claramente ao purgatório. Está no texto e no contexto que não se trata de uma simples comparação. De fato, não pode tratar-se de uma prisão imposta pela justiça humana: isto é, da autoridade policial, e o Mestre nem trata disso e nunca tratou; fala do seu reino espiritual. Aliás, o contexto mostra claramente que não se trata de uma cadeia material – pois Nosso Senhor não teria como afirmar que a pessoa não sairia dali enquanto não pagasse até o último centavo. Trata-se de uma prisão à qual Nosso Senhor tem soberania, é Ele quem manda e decide. Como não pode se tratar do inferno, visto que o inferno é eterno (Mt 25, 41), e não se trata de uma prisão material, trata-se, pois, de uma prisão temporária, onde as almas sofrem, por certo tempo, em expiação de seus pecados; onde são purgadas das faltas leves, que não merecem o inferno, mas impedem de entrar no céu. "Nada de impuro entrará no céu" (Apoc 21, 27).
Outra alusão à existência do purgatório encontramos em I Cor 3, 12-15: "…Aquele, cuja obra (de ouro, prata, pedras preciosas) sobre o alicerce resistir, esse receberá a sua paga, aquele, pelo contrário, cuja obra, (de madeira, feno, ou palha), for queimada, esse há de sofrer prejuízo; ele próprio, porém, poderá salvar-se, mas como que através do fogo". Depois, temos o uso da razão. Para onde iria uma alma que não é bastante santa para ir para o céu e nem bastante santa para ir para o inferno? Ela deve ir para um local de expiação, que é o purgatório. Esse texto não é o único. Existem textos mais claros nos livros que os protestantes retiraram da Bíblia por contradizerem sua doutrina. O texto mais expressivo sobre a existência do purgatório é o do Livro II dos Macabeus (XII, 43), o qual narra como Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício pelos que haviam morrido na batalha, por exemplo, por expiação de seus pecados: "Judas, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição… Santo e salutar pensamento de orar pelos mortos. Eis porque ele ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres de seus pecados."
Ora, ser livre de seus pecados, depois da morte, pelo sacrifício expiatório, indica claramente a existência do purgatório.
O Concílio Tridentino (Sess. XXV, D.B. 983),define como verdade de fé a existência do purgatório. Entre outros testemunhas cristãs dos primeiros séculos, escreve Tertuliano: "A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágios todos os dias aniversários de sua morte." (De Monogamia, 10)
Penas temporais dos pecados
Essa exigência (das penas temporais) é facilmente compreensível, se levarmos em conta o seguinte: quem rouba um relógio ou produz um dano pecuniário a alguém, pode pedir e receber o perdão do respectivo proprietário, mas este exigirá que a ordem anterior seja restaurada ou que o relógio volte ao seu dono. Do mesmo modo, quem difama caluniosamente o seu próximo, pode pedir e receber o perdão deste, mas fica obrigado a restaurar a honra da pessoa ofendida.
Nas Sagradas Escrituras, tenhamos em vista os seguintes casos:
a) Davi, culpado de homicídio e adultério, foi agraciado ao reconhecer o delito; não obstante, teve que sofrer a pena de perder o filho do adultério (cf. 2Sm 12, 13ss);
b) Moisés e Aarão cederam à pouca fé em dados momentos de sua vida; por isso, foram pelo Senhor privados de entrar na Terra Prometida, embora não haja dúvida de que a culpa lhes tenha sido perdoada (cf Nm 20, 12s; 27, 12-14; Dt 34, 4s).
Em outros casos, o perdão é estritamente associado a obras de expiação. Assim o profeta Joel, com a conversão do coração, exige jejum e pranto (cf Jl 2, 12); o velho Tobit ensina a seu filho que a esmola o libertará de todo pecado e da morte eterna (cf. Tb 4, 11s); algo de semelhante é anunciado por Daniel ao Rei Nabucodonosor (cf. Dn 2, 24)
Esclarecimentos:
1. O purgatório não é uma segunda chance para a salvação, como afirmam os desentendidos de plantão. O julgamento do Senhor é único. É preciso entender de uma vez por todas que o purgatório é um estado que a alma já julgada e destinada ao céu, mas que precisa ser purificada, precisa passar.
Muitos desentendidos citam passagens como Ef 1,7 dizendo que não existe uma segunda chance, e de fato não existe. Porém o purgatório não é uma segunda chance:
Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça. (Ef 1,7 )
O Catecismo deixa bem claro que as almas no purgatório possuem a garantia da salvação eterna.Ou seja, uma vez que a alma está no purgatório, o seu destino será unicamente o céu. É apenas uma questão de tempo.
2 – A prática de oração aos mortos não foi “inventada” pela Igreja Católica, que somente a definiu, ou seja, organizou as idéias a seu respeito. Esta prática está descrita já em 2 Mc 12,46.
3 – O “fogo” no purgatório é diferente do “fogo” do inferno. É preciso entender isso com muito cuidado. O sofrimento que a alma passa no inferno é um sofrimento eterno, e portanto de tristeza e de dor. A alma que vai para o inferno nunca terá alívio. Porém o sofrimento que a alma passa no purgatório embora seja grande, é um sofrimento de purificação. Quem lá está, sabe que um dia terá um fim. Os santos da Igreja ensinam que o sofrimento em si é o mesmo. A diferença está no contexto. A alma que está no inferno sabe que aquilo nunca terá fim, enquanto a alma que está no purgatório sabe que em um momento aquele sofrimento terá fim.
4 – O purgatório não é uma passagem obrigatória, mas somente aos que não atingiram a santificação necessária para ver a Deus. É grande o número de pessoas que dizem lutar para ir ao menos ao purgatório, confiando mais na misericórdia Divina que nos seus méritos. Mas sabemos que existem pessoas que podem e vão certamente ver a Deus no céu e por toda eternidade, sem a necessidade do purgatório.
Rezemos pelas almas que padecem no purgatório, pois as nossas orações aliviam e retiram a muitos desse estado de purificação.
Ensinamentos de São Francisco de Sales sobre o Purgatório
1 – As almas alí vivem uma contínua união com Deus.
2 – Estão perfeitamente conformadas com a vontade de Deus. Só querem o que Deus quer. Se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus.
3 -Purificam-se de forma voluntária, amorosamente, porque assim o quer Deus.
4 – Querem permanecer na forma que agradar a Deus e por todo o tempo que for da vontade Dele.
5 – São invencíveis na prova e não podem terum movimento sequer de impaciência, nem cometer qualquer imperfeição.
6 – Amam mais a Deus do que a si próprias, com amor simples, puro e desinteressado.
7 – São consoladas pelos anjos.
8 – Estão certas da sua salvação, com uma esperança inigualável.
9 – As suas amarguras são aliviadas por uma paz profunda.
10 – Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração inefável ternura, acaridade que é mais forte do que a morte emais poderosa que o inferno.
11 – O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá existem são chamas de amor.
( Extraído do livro O Breviário da Confiança, de Mons. Ascânio Brandão, 4a. ed. Editora Rosário, Curitiba, 1981)
PADRE PIO E AS ALMAS DO PURGATORIO
Numa tarde o padre Pio estava em um quarto, localizado na parte baixa do convento, destinado para casa de hóspedes. Ele estava só e descansando sobre o sofá, quando de repente, apareceu um homem envolto em uma capa preta. O padre Pio, surpreso, ergueu-se e perguntou para o homem quem ele era e o que ele queria.
O estranho respondeu que era uma alma do Purgatório. "Eu sou Pietro Di Mauro". Disse-lhe então: "eu morri em um incêndio neste convento, em 18 de setembro de 1908. Na realidade esse convento, depois da desapropriação dos bens eclesiásticos, tinha sido transformado em uma casa de repouso para anciões. Eu morri entre as chamas quando eu estava dormindo, em meu colchão feito de palha, exatamente neste quarto. Eu venho do Purgatório: O bom Deus, deixou-me vir até aqui e lhe pedir que celebre para mim a santa missa de amanhã de manhã para o meu descanso eterno. Graças a esta Missa eu poderei entrar no Paraíso".
Padre Pio falou para o homem que ele teria a missa santa para a sua alma.. o Padre Pio contou: "Eu, queria leva-lo até a porta do convento para me despedir quando repentinamente para minha surpresa ele desapareceu. Eu seguramente percebi que havia falado com uma pessoa morta, na realidade, tenho que admitir que eu reentrei no convento bastante amedrontado. O Padre Superior do convento, Monsenhor Paolino de Casacalenda, notou meu nervosismo, e então contei-lhe o que havia acontecido . Ai então lhe pedí a permissão para celebrar a Santa Missa da manhã seguinte em voto daquela alma necessitada.
Alguns dias depois, Padre Paolino, despertado pela curiosidade foi até o escritório de registro de óbitos da comunidade de St. Giovanni Rotondo, e pediu a permissão para consultar o livro de registro de óbitos do ano de 1908. Após a consulta ele pode então verificar que a história do Santo Padre Pío era verdadeira, pois no registro relacionado às mortes do mês de setembro, Padre Paolino achou o nome, o apelido e a razão da morte: No dia 18 de setembro de 1908, no incêndio da casa de repouso morreu o Sr. Pietro Di Mauro.
Celebrando a Santa Missa
A Sra. Cleonice Morcaldi, de San Giovanni Rotondo era seguidora espiritual do padre Pio. Depois de um mês da morte de sua mãe, Padre Pio chegou para a Sra. Cleonice após o termino da confissão e disse: "Nesta manhã a sua mãe foi para Céu eu a vi enquanto estava celebrando a Santa Missa." Por isso queira decidir a data em que devo celebrar uma missa oferecendo o descanso eterno à alma de sua mãe.
Padre Pio contou a seguinte história a Padre Anastasio:
"Uma tarde, enquanto eu estava rezando só, eu ouvi o sussurro de um terno e eu vi um monge jovem que se mexeu próximo ao altar. Parecia que ele estava espanando os candelabros e regando os vasos das flores. Eu pensei que ele era o Padre Leone, que estava reestruturando o altar, e como era a hora do jantar, eu fui próximo a ele e lhe falei: Padre Leone, vá jantar, não está na hora de espanar e consertar o altar".
Mas uma voz que não era a voz do padre Leone me respondeu: Eu não sou o Padre Leone. Então perguntei: quem é você? A voz então respondeu – "Eu sou um irmão seu que fez o noviciado aqui. Minha missão era limpar o altar durante o ano do noviciado. Desgraçadamente, durante todo esse tempo eu não reverenciei a Jesus Sacramentado Deus todo Poderoso, em nenhuma das vezes em que passava em frente ao altar.
Causei grande aflição ao sacramento santo por causa da minha irreverência. Por esse descuido sério eu ainda estou no Purgatório. Agora, Deus, com a sua bondade infinita, enviou-me aqui para que você estabeleça o dia em que eu passarei a desfrutar o Paraíso. É para você cuidar de mim.. Padre Pio nos conta: "Eu creio ter sido generoso com aquela alma de sofrimento e assim exclamei: ‘você estará amanhã pela manhã no Paraíso, quando eu celebrar a Santa Missa.’ "
"Aquela alma chorou e disse: ‘Cruel de mim, que malvado eu fui’. Então chorou e desapareceu. Aquela exclamação me produziu uma ferida no coração, que eu senti e sentirei a vida inteira. Na realidade eu teria podido enviar aquela alma imediatamente ao Céu, mas eu o condenei a permanecer outra noite nas chamas do Purgatório.”
sábado, outubro 29, 2011 |
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3 MISSAS PELOS MORTOS
DIA DE FINADOS, ÀS 16H > MATRIZ DE S. SEBASTIÃO - Bairro Monte Carlo
Por decreto de Bento XV, a Santa Igreja, no dia dos mortos, por três vezes reza a Santa Missa, multiplicando assim o Sacrifício de Cristo no calvário para livrar as almas que padecem no purgatório. Pela Santa Missa oferecida três vezes, o sacerdote recolhe os frutos infinitos da redenção para todas as almas que necessitam de sufrágios.
A primeira missa pode ser cantada e com comunhão dos fiéis. As duas últimas rezadas , sem comunhão dos fiéis.
A primeira Missa é Oferecida pelas intenções do Sacerdote. A segunda pelo Sumo Pontífice e a terceira por todas as almas.
sexta-feira, outubro 28, 2011 |
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“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos”
Eder Silva
Almas"
http://defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=317&Itemid=1
sexta-feira, outubro 28, 2011 |
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Caríssimos,
Salve Maria!
Após outra boa avaliação desse movimento herético feito pelo Prof. Eder, acima, ficam aqui mais delírios. Agora são as datas das catástrofes para 2012. Se você vai casar, viajar, ter filhos, comprar imóveis, leve em conta o que está abaixo, pois você pode se sentir prejudicado e não terá como recorrer ao procon. Bem, no mais, é só pegar um grande balde de pipocas e.....esperar, o filme jajá começa.
Divirtam-se,
Pe. Marcélo Tenorio
Ps. O Santo Padre? Ele já foi avisado! Alguém poderia avisar ao Obama?Ótimo! Mas nada digam ao Hugo Chaves....é melhor ele achar que tem todo tempo do mundo!....
_________________________
2012:
15 de Fevereiro:
APRESENTAÇÃO AO MUNDO DO ANTI-CRISTO
DIA DA DECLARAÇÃO
23 de Maio:
III GUERRA MUNDIAL
Setembro ( lá pelo fim do mês)
GRANDE AVISO ANTES DA QUEDA DO ASTRO
FALÊNCIA GERAL NO MUNDO
Dezembro:
Dia 18:
TERROR INVADIRÁ O PLANETA: UM ASTRO VIRÁ COM FORÇA CONTRA A TERRA
21 A 22 de dezembro:
ASTRO BATERÁ NA TERRA
Depois disso haverá os 3 dias de trevas e um tempinho depois acontecerá
O JUÍZO FINAL
e
Subirá a legenda com o THE END!
quinta-feira, outubro 27, 2011 |
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| Todos recebem a lamparina ( compromisso pela Paz) inclusive o Papa |
(27/10/2011)
O programa previa dois momentos completamente distintos: de manhã, um encontro de reflexão, com uma dúzia de intervenções, incluindo a do Santo Padre. Teve lugar na parte baixa de Assis, na basílica de Santa Maria dos Anjos.
De tarde, um momento mais celebrativo, com cânticos e gestos simbólicos, culminando num solene empenho de todos os presentes a favor da justiça e da paz.Na reflexão proposta no final do encontro da manhã, Bento XVI, evocando o Encontro de 1986, começou por interrogar-se sobre o que aconteceu desde então e como se encontra hoje a causa da paz.
“Naquele momento a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos após o encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue... A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência…”
Complexas as razões do que aconteceu. Em todo o caso – considerou o Papa, “ao lado dos factores económicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de carácter espiritual”. “A vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz.” Infelizmente (prosseguiu o Papa), não se pode dizer que desde então a situação se caracterize por liberdade e paz. O mundo está cheio de discórdias. Para além das guerras que se reacendem repetidamente, aqui e ali, “a violência como tal está potencialmente sempre presente e caracteriza a condição do nosso mundo”. Muitos entendem, erradamente, a liberdade como liberdade para a violência. A discórdia assume novas e fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular de modo novo.
Procurando identificar as novas fisionomias da violência e da discórdia, Bento XVI apontou duas tipologias diferentes, diametralmente opostas na sua motivação. Antes de mais, o terrorismo, com ataques bem definidos a pontos vitais do adversário, sem nenhuma preocupação pelas vidas humanas inocentes”. Põe-se de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite à violência no direito internacional.
O Papa reconheceu que a existência de um terrorismo que reivindica uma motivação religiosa. “Aqui a religião não está ao serviço da paz, mas da justificação da violência”. “O que os representantes das religiões congregados no ano 1986, em Assis, pretenderam dizer – e nós o repetimos com vigor e grande firmeza – era que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição”. Pode-se perguntar qual é a verdadeira natureza da religião e se haverá uma natureza comum da religião, que se exprima em todas as religiões e, por conseguinte, seja válida para todas. Questões a enfrentar, se quisermos contrastar de modo realista e credível o recurso à violência por motivos religiosos. Tarefa fundamental do diálogo inter-religioso.Como cristão, quero dizer, neste momento: É verdade, na história, também se recorreu à violência em nome da fé cristã. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de dúvida, tratou-se de um uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza. O Deus em quem nós, cristãos, acreditamos é o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas são irmãos e irmãs entre si e constituem uma única família. “A Cruz de Cristo (insistiu o Papa) é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome é «Deus do amor e da paz» (2 Cor 13,11). “É tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela fé cristã, purificar continuamente a religião dos cristãos a partir do seu centro interior, para que – apesar da fraqueza do homem – seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.”
Mas – prosseguiu o Papa - há uma segunda tipologia de violência, com uma motivação exactamente oposta: consequência da ausência de Deus, da sua negação e da perda de humanidade que daí resulta. Se os inimigos da religião vêem nela uma fonte primária de violência na história da humanidade, o facto é que o «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida, porque o homem deixara de reconhecer qualquer norma e juiz superior. “Os horrores dos campos de concentração mostram, com toda a clareza, as consequências da ausência de Deus”. A adoração do dinheiro, do ter e do poder, revela-se uma contra-religião, na qual já não importa o homem, mas só o lucro pessoal. O desejo de felicidade degenera num anseio desenfreado e desumano… A violência torna-se coisa normal e, em algumas partes do mundo, ameaça destruir a nossa juventude. Uma vez que a violência se torna uma coisa normal, a paz fica destruída e, nesta falta de paz, o homem destrói-se a si mesmo. A ausência de Deus leva à decadência do homem e do humanismo.”Finalmente, “ao lado destas duas realidades, religião e anti-religião, existe, no mundo do agnosticismo em expansão, outra orientação de fundo: pessoas às quais não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, estão à procura de Deus”. Pessoas que não se limitam a afirmar que não há Deus, mas que sofrem a sua ausência e procuram a verdade e o bem. São «peregrinos da verdade, peregrinos da paz». Colocam questões tanto a uma parte como à outra. Aos ateus combativos, convidam-nos a tornarem-se pessoas que procuram, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que se possa viver em função dela. “Estas pessoas chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem não raramente fica escondida nas religiões, devido ao modo como eventualmente são praticadas. Que os agnósticos não consigam encontrar a Deus depende também dos que crêem, com a sua imagem diminuída ou mesmo deturpada de Deus. “Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito” – concluiu o Papa. “A Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser «peregrinos da verdade, peregrinos da paz»
Depois do almoço frugal, servido no convento franciscano de Santa Maria dos Anjos, os participantes dispuseram de um momento de recolhimento, partindo depois para a parte alta de Assis, onde, na praça junto do Convento de São Francisco, teve início, às 16.30, o encontro vespertino. Às 19 horas, o regresso a Roma, de comboio.
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Outubro
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