Tomás responde: É a penitência um sacramento?


Parece que a penitência não é um sacramento:
1. Com efeito, Gregório diz e encontra-se nos Decretos: “Os sacramentos são o batismo, a crisma, o corpo e o sangue de Cristo, que são chamados sacramentos porque, sob a veste de realidades corporais, o poder divino opera invisivelmente a salvação”. Ora, isto não acontece na penitência, porque aí não se utilizam realidades corporais sob as quais o poder divino atua a salvação. Logo, a penitência não é um sacramento.
2. Além disso, os sacramentos da Igreja são administrados pelos ministros da Igreja, conforme o dito de Paulo: “Considerem-nos portanto como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1Cor 4, 1). Ora, a penitência não é administrada pelos ministros de Cristo, mas é inspirada interiormente por Deus aos homens, segundo o profeta: “Depois que me converteste, eu fiz penitência”. Logo, parece que a penitência não é um sacramento.
3. Ademais, nos sacramentos há um elemento que é o “sinal somente”, um outro que é “a realidade e o sinal” e um terceiro que é “a realidade somente”. Ora, isto não ocorre no sacramento da penitência. Logo, a penitência não é um sacramento.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, assim como o batismo purifica do pecado, assim também a penitência. Daí se entende o que Pedro disse a Simão: “Faça penitência, portanto, da tua maldade” (At 8, 22). Ora, o batismo é um sacramento. Logo, pela mesma razão a penitência.
Gregório, na passagem acima citada na primeira objeção, diz: “O sacramento consiste num rito feito de tal modo que recebemos aí simbolicamente o que devemos receber santamente”. Ora, é evidente que, na penitência, o rito se faz de tal maneira que significa algo de santo, tanto da parte do pecador penitente, quanto da parte do sacerdote que o absolve. Pois o pecador penitente, pelas palavras e ações mostra ter afastado seu coração do pecado. De igual modo, o sacerdote, pelas palavras e ações dirigidas ao penitente, significa o obra de Deus que perdoa o pecado. Por isso, é claro que a penitência na Igreja é um sacramento.
Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. Pelo termo “realidades corporais” entendem-se, em sentido amplo, os atos sensíveis exteriores. Eles são na penitência o que é a água no batismo e o óleo do crisma na confirmação. Deve-se notar que nos sacramentos em que se confere uma graça superior que ultrapassa toda possibilidade da atividade humana, usa-se algumamatéria corporal exterior. Assim no batismo, onde acontece a remissão completa dos pecados tanto no referente à culpa quanto à pena. O mesmo na confirmação, onde se confere a plenitude do Espírito Santo. Também na unção dos enfermos, onde se confere a perfeita saúde espiritual, proveniente do poder de Cristo como um princípio, de certo modo, exterior. Por isso, se existem atos humanos em tais sacramentos, não constituem parte essencial da sua matéria, mas se relacionam com eles na condição de disposição. Nos sacramentos, porém, que têm um efeito correspondente aos atos humanos, tais atos humanos sensíveis têm o lugar de matéria. É o caso da penitência e do matrimônio. Assim, nas curas corporais se aplicam, umas vezes, remédios corporais exteriores ao enfermo, tais como emplastros e xaropes, e, outras vezes, atos dos enfermos, como certos exercícios.
2. Nos sacramentos que têm matéria corporal, é necessário que ela seja administrada por um ministro da Igreja, que está no lugar de Cristo, para significar que a excelência do poder que opera na sacramento vem de Cristo. No sacramento da penitência, os atos humanos têm o lugar da matéria, provenientes de uma inspiração interior. Por isso, a matéria não é administrada pelo ministro, mas por Deus, que age no interior do pecador. O ministro assume o papel de complemento da sacramento, ao absolver o penitente.
3. No sacramento da penitência existe também um “sinal somente”: os atos realizados exteriormente, tanto pelo pecador peniten
te quanto pelo sacerdote que absolve. “A realidade e o sinal” é a penitência interior do pecador. “A realidade somente” e não o sinal é a remissão do pecado. O primeiro elemento, tomado na sua totalidade, é a causa do segundo. O primeiro e o segundo são a causa do terceiro.
 Suma Teológica III, q.84, a.1
Santo Tomás de Aquino, Teologia, Igreja, Cristo

O novo bispo de Lurdes, Nicolas Brouwet: uma escolha pessoal de Bento XVI


A nomeação já era esperada nos bastidores. Esperada por alguns, temida por outros. D. Nicolas Brouwet acaba de ser nomeado pelo Papa para substituir, em Tarbes-Lourdes, a D. Jacques Perrier, por este ter atingido o limite de idade.

Nascido em 1962, Nicolas Brouwet não é desconhecido dos leitores do Golias. De tendência francamente conservadora, ele encarnou na Hauts-de-Seine uma linha de nítido contraste se comparada à do bispo diocesano local, D. Gerard Daucourt. Como se os dois prelados fossem não só representantes de duas gerações, mas, na verdade, de duas concepções fundamentais de Igreja. Inútil dizer que a clivagem é importante. Cortês e sorridente, com um físico e uma feição de filho ideal, D. Nicolas Brouwet não tem nada de um homem frágil. Quanto ao mérito, no entanto, de uma doçura e destreza, este padre há muito era visto como capaz porém preterido, e secretamente se inseria na linha mais tradicional possível

Ele é um dos pouquíssimos bispos da França, além de Raymond Centène (Vannes), Marc Aillet (Bayonne) e Dominique Rey (Fréjus-Toulon) a celebrar com prazer a liturgia segundo os livros litúrgicos antigos. Neste sentido, os tradis falam de bom grado deste jovem bispo como um bandeirante que inaugura um “novo” estilo episcopal, muito tradicional. Um bispo em sintonia com as escolhas litúrgicas de Bento XVI. Que foi muito alegremente acompanhar a famosa peregrinação de Chartres e pontificar com uma majestade digna de álbuns de fotografias. Se a diocese de Tarbes-Lurdes não é tão grande, o posto é estratégico devido à importância dos santuários do celebérrimo lugar de peregrinação. Lurdes é uma vitrine da Igreja da França no estrangeiro. Seu novo bispo pretende dar brilho e relevo a uma restauração que agora segue em alta velocidade. 

Segundo nossas fontes, esta nomeação irritou a maioria dos bispos, mesmo que o charmoso Nicolas tenha bom gosto e habilidade para poupar seus confrades de um outro estilo. O mais irritado seria o Cardeal Vingt-Trois, que tinha seus candidatos para Lurdes. Mas o Núncio preferiu escutar os conselheiros mais discretos, mas entretanto mais poderosos. Esta é uma nova página que se abre hoje para o episcopado francês.
Agradecimento a Marcel Ozuna, pelo envio


Leitora conta a sua experiência na audiência pública que debateu o aborto‏




A leitora Lorena Leandro participou daquela audiência pública em que se debateu o aborto. Vejam o método a que recorrem os abortistas..
Reinaldo, escrevo em foram de comentário porque não achei um e-mail de contato. Fui à audiência pública e conto abaixo o que presenciei: O que vi da audiência pública sobre Crimes Contra a Vida
Estive na Audiência Pública que ocorreu em São Paulo para discussão das mudanças no Código Penal com relação aos Crimes Contra a Vida. Minha motivação foram as mudanças propostas sobre a penalização do aborto. Gostaria, aqui, de contar o que vi.
Vi desprezo pela verdadeira democracia, em uma evidente manipulação para que os movimentos pró-aborto dominassem a sessão. Afinal, quais seriam as chances estatísticas de todos, eu disse TODOS, os grupos feministas e abortistas terem se inscrito primeiro do que os outros grupos, como me foi alegado? Chances maiores são de que, ou foram avisados antes de todos sobre a audiência, ou eles mesmos se mexeram para que tal audiência acontecesse.
Vi, portanto, o triste espetáculo da velha ladainha sobre liberdade feminina. Não que as feministas não possam se superar. Houve indignação porque a mulher grávida é chamada de gestante. Uma mulher, com aparência claramente indígena, incluía-se no grupo “pobres e negras” e reclamava do preconceito. Teve mulher estrangeira dando pitaco na legislação. Houve proposta de criminalizar o preconceito contra as mulheres que abortam (trocando em miúdos: coloquem quem for contra o aborto na prisão). Teve até defesa do infanticídio, e tudo isso temperado pela tão famigerada comparação: se não podemos abortar, então não comamos ovo, que estamos a matar o filho da galinha!
Foram horas de insanidade até que a primeira voz se pronunciasse contra o aborto, já com o plenário completamente esvaziado. Aí sim, ainda que vindos de poucas bocas, argumentos bem fundamentados começaram a surgir. O primeiro a falar foi o historiador e jornalista Hermes Rodrigues Nery, o primeiro também a (finalmente) citar um detalhezinho esquecido pelas feministas: o feto. Nery presenteou o ministro Dipp, moderador da mesa, com um modelo em tamanho real de um feto de 12 semanas. A indignação abortista foi geral: chegaram a dizer, com o ódio típico de quem despreza a vida, que se era para sair por aí distribuindo “fetinhos”, elas teriam levado fotos de mulheres ensaguentadas por decorrência do aborto. Sim, foi esse o nível da “discussão”.
O deputado Paes de Lira, apresentado por Dipp simplesmente como “ex-coronel”, e cuja fala aguardei ansiosamente, disse a maior verdade de todas: aquela mulherada gosta mesmo é de ditadura. Também falou um advogado em defesa da vida, indo contra todos os outros ditos advogados e médicos que defenderam, em nome da bioética e do direito, que feto não é gente.
Somente no fim da tarde tive minha chance de falar, ou de, pelo menos, tentar. Assim que me levantei, ouvi “essa aí deve ser pastora”, porque, para essa corja, ter religião é xingamento. Fui a PRIMEIRA mulher, em horas de falatório, a defender a vida. Não só a vida, como também o direito da mulher de obter informações sobre as graves sequelas do aborto. Isso despertou a ira do grupo, que se levantou e, como uma torcida organizada de futebol, vociferou em minha direção. O moderador foi obrigado a intervir para que eu pudesse continuar. Apresentei dados de estudos sérios sobre a relação do aborto e do câncer de mama, dos nascimentos prematuros e do aumento de doenças psicológicas e de suicídio entre mulheres que abortam. Aliás, os defensores da vida foram os únicos a citarem as fontes de todos os dados que apresentaram, diferentemente das feministas, que jogaram na nossa cara números fictícios a tarde inteira.
Além de mim, somente outra mulher esteve lá para defender a vida, e num depoimento emocionado e bonito, disse que a filha de 3 anos, ao olhar a imagem de um feto, já sabe dizer o que ele é: um bebê. Também me surpreendeu um rapaz bastante jovem que, numa fala muito bem estudada, citou até Aristóteles. Vê-se bem que o tipo de discurso pró-vida é muito superior àquele que nos incita à dieta sem ovo.
Mas é preciso falar, também, do que não vi. Alguém pode me dizer onde estavam os movimentos de defesa da vida? Também os representantes religiosos, onde se esconderam? Especialmente os católicos, num ano em que o tema da Campanha da Fraternidade é a saúde pública! NENHUM esteve presente na audiência. O que justifica essa ausência maciça? Se foi uma estratégia, peço que seja mudada! Incomoda-me ver que o mal sempre é mais organizado e articulado que o bem. Incomoda-me ver que os poucos defensores da vida presentes estavam decepcionados pela falta de liderança. Incomoda-me parecer que as mulheres brasileiras são representadas por aquela corja, aquela falsa maioria que certamente será noticiada na imprensa como sendo a grande defensora dos direitos da mulher.
Por isso mesmo fiz questão de estar lá, para provar que elas NÃO me representam. E tenho certeza, não representam a verdadeira sociedade brasileira. Foi um tapa na minha cara ver que poucos fizeram o mesmo. Mas também foi um tapa na cara das feministas ver que, lá mesmo, esses poucos começaram a se unir.
Lorena Leandro
25/02/2012

CONCLUÍDO PROCESSO DIOCESANO DA CAUSA DE CANONIZAÇÃO DE JÉRÔME LEJEUNE



Cerimônia acontece na catedral de Nôtre-Dame em Paris


PARIS, sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) – No próximo dia 11 de abril será encerrado o processo diocesano da causa de beatificação e canonização de Jérôme Lejeune, com a missa pela vida na catedral de Nôtre-Dame, na capital francesa.
Casado e pai de família, Lejeune (13 de junho de 1926 – 3 de abril de 1994) era médico e pesquisador. Pai da genética moderna, recebeu o prêmio Kennedy 1962 pela descoberta da causa cromossômica da trissomia 21. Conhecido por tratar e acompanhar pacientes com deficiência intelectual e pelo compromisso em favor da vida humana, foi membro da Academia de Ciências Morais e Políticas e reconhecido com numerosos títulos internacionais.
Em 1997, durante a Jornada Mundial da Juventude na França, o papa João Paulo II foi rezar em Châlo Saint Mars (Essonne) diante do túmulo do amigo, a quem tinha nomeado como o primeiro presidente da Academia Pontifícia para a Vida.
Quatro anos e meio depois da abertura da causa de beatificação e canonização (28 de junho de 2007) e dezoito anos depois do falecimento de Lejeune (3 de abril de 1994), chega ao fim a etapa diocesana do processo de beatificação e canonização, que consiste em um trabalho de instrução realizado com o apoio assíduo de voluntários, peritos historiadores, cientistas e teólogos, cuja tarefa é reunir todas as informações sobre a vida e as virtudes do servo de Deus, provenientes de arquivos e depoimentos, além de relatórios dos peritos.
“Chegamos ao fim da fase informativa. Neste estágio não há nenhuma conclusão da Igreja ainda, porque o estudo qualitativo da vida e das virtudes será feito na etapa romana, depois do encerramento do processo diocesano”, explica o padre Jean-Charles Nault, postulador da causa e pároco de Saint-Wandrille.
“Muitos testemunhos de oração pela beatificação de Jérôme Lejeune chegam até nós do mundo inteiro, enviados pelas famílias que o conheceram e por uma nova geração de jovens comprometidos com o Serviço da Vida, além de pessoas sábias que estão felizes por manifestar que não existe contradição entre a fé e a ciência”, acrescenta Mayté Varaut, presidente da Associação de Amigos do Professor Jérôme Lejeune. “É um impulso que vai além de nós mesmos”.

AS ARMAS E OS PALETÓS




















 



Antônio Manuel









Quem acompanha a política nacional se espanta
com o grau de anencefalia da oposição. Os mais exaltados, como Eleonora
Menicucci, já queriam pedir ao doutor que fizesse o aborto, mas o Supremo Tribunal
Federal, que sempre busca a tão propalada neutralidade moral dos seus julgados,
ainda não se pronunciou. Algum ministro governista pediu vista dos autos para
não ficar tão na cara que já está tudo armado. O pior é que esse teatro todo
tem o aval e o aplauso impassível da população inerte.







A política laicista tende para a esquerda, e,
não pensar esquerdamente, pode soar como um auto-exílio do ser. Talvez até você
deixe de ser humano. O patrulhamento se dá através do politicamente correto,
que como um câncer, achincalhou a inteligência e corroeu o sentido moral da
população.







A oposição, que está inserida na sociedade,
sofreu e sofre o reflexo desse novo tempo. Perdida, não sabe o que fazer.
Rebaixa-se numa litania quase infantil, criticando por criticar e nunca
acertando o alvo. A construção da vitória esquerdista, porém, não foi de hoje.







Na vitória do Lula, pela primeira vez, fez-se
menção a tantos e tantos “revolucionários” que construíram a forma mentis do
povo ao longo de todos esses anos. O discurso esquerdista teve uma capilaridade
incrível, porque refez a história à luz de uma interpretação materialista e
também cunhou novos valores. Valores, no entanto, que não condizem com a
formação da família brasileira.




Refazer um caminho com ampla aceitação social é
por demais longo. Ademais, os partidos que hoje fazem oposição, sempre foram
alcunhados de inimigos do povo. Atrele-se ainda o mal quadro de políticos ditos
“direitistas” no Brasil. Salve-se quem puder! Porque a oposição ao governo tem
a cara enrugada e cheias de buracos podres, além de ser despreparada e sem
noção de agir.







Desvirtuados, porém sedentos do poder, muitos
aderem ao governo. Quando não, defendem o livre consumo de maconha. E lembrar
que essa conduta é criticada pelos esquerdistas como coisa de burguês... E pensar
que o autor desta campanha educativa é o maior intelectual da oposição no
Brasil. Isso me faz lembrar Lênin quando mandava o esquerdismo criar a própria
oposição. É o FH do B ensinando o caminho da revolução... Ou melhor, o caminho
para a oposição. O senador protestante do PT protestou: Ó tempos, ó costumes!







Do jeito que está, a implosão do governo virá
de dentro. Não dos casos de corrupção que já foram assimilidados como normal
pelo povo, mas através da eterna briga de poder interno, já que neste playground
que se tornou a política nacional, o mais forte é quem sempre leva. E essa força
se dará com um namoro indiscreto dos paletós com as armas. A democracia não
perde por esperar.







(Antônio
Manuel , é advogado em Recife- PE)










Dolan e a infalibilidade


 
Vie  Le Salon Beige, Benoît et moi,  Raffaella
tradução Montfor

Depois de uma viagem movimentada de nove dias, para o Consistório, o Cardeal Timothy Dolan levou sua mãe à audiência especial do Papa com os neocardeais e suas famílias, na Sala Paulo VI.
Em meio às aclamações e aplausos, o Cardeal Dolan conduziu sua mãe Shirley, de 84 anos, para apresenta-la ao boss.
“Santo Padre, aqui está minha mãe” e, incapaz de resistir à tentação de fazer uma piada, o Cardeal, de 62 anos, acrescentou que ele é um dos príncipes da Igreja mais jovens e sortudos, por ter ainda sua mãe viva.
“Eu perguntei se ele não queria declara-la First Lady do Colégio dos Cardeais”, disse ele.
Dolan contou que o Papa, que fará 85 anos em abril, endereçou então a sua mãe o maior dos cumprimentos, dizendo: “A senhora tem aparência jovem demais para ser mãe de um cardeal”. Ao que a senhora respondeu – mostrando que o espírito vivo é um traço de família: “Santo Padre, essa é uma declaração infalível?”


NÃO HÁ UNIDADE DA IGREJA SEM HUMILDADE



A exortação de Bento XVI aos párocos de Roma no início da Quaresma


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012(ZENIT.org) – Generosidade, mansidão e humildade: são virtudes que o sacerdote de hoje nunca deve esquecer. Recordou esta manhã o Papa Bento XVI, durante o tradicional encontro com os párocos da Diocese de Roma, no início da Quaresma.
***
Recebendo os párocos na Sala Paulo VI, o Papa realizou sua lectio divina, meditando sobre uma passagem da Epístola de São Paulo aos Efésios (Ef 4,1-16).
“Devo ser capaz de aceitar a minha pequena posição na Igreja”, disse Bento XVI, usando a primeira pessoa para dirigir-se ao clero romano. O Santo Padre recomendou aos párocos de resguardarem-se da “vanglória”; não aceitar este exercício de humildade e utilizar a Igreja como um meio para suas próprias ambições, “não faz feliz”, disse o Papa.
É preciso não cair na tentação de “aparecer”, mas, pelo contrário, é necessário “fazer o que Deus pensou de mim e para mim”, que “faz parte do realismo cristão”, acrescentou o Bispo de Roma. Se falta humildade, é ameaçada a “unidade da Igreja”.
“Aceitar-me, aceitar uns aos outros – continuou Bento XVI – são coisas que caminham juntas, esta é a grande harmonia da Igreja e da Criação: somos diferentes uns dos outros. Sendo humilde tenho a liberdade de estar em contraste com qualquer parente” em nome “da liberdade e da verdade”.
Párocos e sacerdotes em geral, são esperados para anunciar Cristo e enfrentar o “analfabetismo religioso”. Um dos objetivos do próximo Ano da Fé que será “uma “renovação catequética, para que a fé seja conhecida e cresça a unidade na verdade”, explicou o Santo Padre.
Se no mundo é difundida a “infantilidade da fé”, é preciso uma “fé adulta”, que, disse o Pontífice, para evitar mal-entendidos, não signifique qualquer forma de independência do Magistério, que quase sempre tem como resultado, “a dependência das ondas do mundo, da ditadura dos meios de comunicação”.
“Devemos reapropriarmo-nos dos conteúdos da fé – prosseguiu o Papa – como riqueza para a unidade, não como um “pacote de dogmas”; para que Cristo seja conhecido, a verdade seja conhecida, e cresça a unidade na verdade. Sem a verdade não é possível ordenar os valores, somos cegos no mundo, e da verdade nasce a caridade”.
O Bispo de Roma exortou também os seus párocos a se comportarem “de maneira digna à vocação recebida”, recordando que “o grande sofrimento da Igreja na Europa e no Ocidente, é a falta de vocações sacerdotais”, para estimular tais é necessário “ouvir o Senhor.”
O Santo Padre, em seguida, entregou aos párocos romanos o livro Escolhido por Deus para os homens (Edições Paulinas 2012).  A publicação, realizada pelas mãos de vários bispos e sacerdotes da Diocese de Roma, visa dar “uma regra de vida, visto mais como um ideal  do que como um conjunto de preceitos. Melhor, um traço de orientação espiritual, um guia para o bem-estar nosso, os sacerdotes”, escreveu o Cardeal Vigário de Roma, Agostino Vallini, no prefácio.
“Fruto do Ano Sacerdotal 2010, incentivado pelo Santo Padre e por ele enriquecido com uma dedicação especial – diz o comunicado divulgado pelo Vicariato de Roma – o texto foi desenvolvido no Conselho presbiterial diocesano”.
Além disso, o volume será “uma ferramenta que atinge as fontes da Escritura e as riquezas do Magistério e da reflexão teológico-espiritual sobre o ministério sacerdotal, bem como o testemunho das vidas de santos sacerdotes romanos. Foi oferecido a todos os sacerdotes romanos para que eles possam crescer na alegria da vocação comum e na unidade do sacerdócio”.
Luca Marcolivio
(tradução:MEM)