O novo bispo de Lurdes, Nicolas Brouwet: uma escolha pessoal de Bento XVI


A nomeação já era esperada nos bastidores. Esperada por alguns, temida por outros. D. Nicolas Brouwet acaba de ser nomeado pelo Papa para substituir, em Tarbes-Lourdes, a D. Jacques Perrier, por este ter atingido o limite de idade.

Nascido em 1962, Nicolas Brouwet não é desconhecido dos leitores do Golias. De tendência francamente conservadora, ele encarnou na Hauts-de-Seine uma linha de nítido contraste se comparada à do bispo diocesano local, D. Gerard Daucourt. Como se os dois prelados fossem não só representantes de duas gerações, mas, na verdade, de duas concepções fundamentais de Igreja. Inútil dizer que a clivagem é importante. Cortês e sorridente, com um físico e uma feição de filho ideal, D. Nicolas Brouwet não tem nada de um homem frágil. Quanto ao mérito, no entanto, de uma doçura e destreza, este padre há muito era visto como capaz porém preterido, e secretamente se inseria na linha mais tradicional possível

Ele é um dos pouquíssimos bispos da França, além de Raymond Centène (Vannes), Marc Aillet (Bayonne) e Dominique Rey (Fréjus-Toulon) a celebrar com prazer a liturgia segundo os livros litúrgicos antigos. Neste sentido, os tradis falam de bom grado deste jovem bispo como um bandeirante que inaugura um “novo” estilo episcopal, muito tradicional. Um bispo em sintonia com as escolhas litúrgicas de Bento XVI. Que foi muito alegremente acompanhar a famosa peregrinação de Chartres e pontificar com uma majestade digna de álbuns de fotografias. Se a diocese de Tarbes-Lurdes não é tão grande, o posto é estratégico devido à importância dos santuários do celebérrimo lugar de peregrinação. Lurdes é uma vitrine da Igreja da França no estrangeiro. Seu novo bispo pretende dar brilho e relevo a uma restauração que agora segue em alta velocidade. 

Segundo nossas fontes, esta nomeação irritou a maioria dos bispos, mesmo que o charmoso Nicolas tenha bom gosto e habilidade para poupar seus confrades de um outro estilo. O mais irritado seria o Cardeal Vingt-Trois, que tinha seus candidatos para Lurdes. Mas o Núncio preferiu escutar os conselheiros mais discretos, mas entretanto mais poderosos. Esta é uma nova página que se abre hoje para o episcopado francês.
Agradecimento a Marcel Ozuna, pelo envio