A revolta de uma comunidade “amiga”




“Pois há amigos em certas horas que deixarão de o ser no dia da aflição”
 (Eclesiástico VI, 8). 
Contrariando a resistência pessimista de Dom Willianson e de seus círculos partidários, o Superior Geral da Fraternidade São Paio X prossegue perseverante na conclusão de um justo acordo entre Roma e sua Congregação Sacerdotal.
Certamente Dom Fellay compreende a importância desse acordo. Sabe que sua realização sem as prévias exigências de aceitação do Concílio Vaticano II e da Missa Nova, além da concessão para criticá-los, representará uma grandiosa vitória para toda a Igreja, bem como a legitimação do heróico combate de Dom Lefebvre em defesa da Tradição. É como se Roma dissesse: “É possível ser católico mesmo não aceitando e até criticando o Vaticano II e o Novus Ordo Missae”.
Muito mais que regularizar a situação jurídica da FSSPX, o acordo aplicará um golpe decisivo contra o Modernismo e seus derivantes. A tradição será fortalecida no seio da Igreja, provocando o inevitável enfraquecimento das forças modernistas. Padres, até então temerosos de assumirem posições consideradas tradicionalistas, serão encorajados a proclamarem a verdadeira Fé e a atuarem destemidamente pelo retorno da Missa Antiga.
Essa iminente reviravolta, indubitavelmente favorável à resistência tradicional, já causa notável temor nos adeptos influentes do modernismo. Cientes dos efeitos de um acordo que se aproxima, planejam maneiras desesperadas de solapá-lo, como ficou subentendido na estranha carta de Monsenhor Guido Pozzo ao Superior Geral do IBP.
Essa correspondência, tornada pública às vésperas de um acordo, pretendia desencorajar a FSSPX, visto que, supostamente, revelaria a oculta intenção do Papa de conduzir os “lefebvristas” à adesão do modernismo conciliar.  
Como observou um consulente do site, é absurdo deduzir, com essa interpretação, uma imprudência do Papa que colocaria tudo a perder depois de tantos esforços em favor da restauração.
Mas, pior que essa sabotagem modernista, é a infidelidade dos que se diziam amigos da Fraternidade São Pio X. Desprezando o bem comum por um egoísta interesse particular, declaram veemente oposição ao acordo, projetando insinuações de imprudência ao Superior da FSSPX.
                                                                                                                                 
Assim se manifestou o Mosteiro da Santa Cruz de Dom Tomás de Aquino.  Respaldando-se numa pseudo prudência, a “comunidade amiga” elencou uma série de razões pelas quais contesta a marcha de Dom Fellay em direção ao acordo com a Santa Sé.  
Nesse importante momento de esperança para alguns e de desespero para outros, Dom Fellay é abandonado pelos “amigos” que deveriam apoiá-lo para que faça o melhor para sua congregação e, sobretudo, para o triunfo da Igreja.
Quanto a Dom Fellay, ele convocou seus fiéis a rezarem e oferecerem sacrifícios na intenção de que seja feita, acima de tudo, a vontade de Deus, e não a vontade de alguns poucos inconformados.
“Por isso a Fraternidade São Pio X, que quer apenas o bem da Igreja e a salvação das almas, dirige-se com confiança à Santíssima Virgem Maria para que ela lhe obtenha de seu Divino Filho as luzes necessárias para conhecer claramente sua vontade e para cumpri-la audaciosamente” (Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X).
Entretanto, em resposta a esse apelo, o Superior da FSSPX recebeu a ingratidão dos “amigos”, dispostos a sustentá-lo só na medida em que favoreça seu espírito sectário.
Para justificar esse abandono, alegam a imprudência de um acordo nas atuais circunstâncias em que Roma se encontra. Dizem que a FSSPX será tragada pelo modernismo conciliar, além de ser tratada como uma simples opção no imenso balaio ecumênico. Em suma, a Fraternidade será destruída e seu apostolado sufocado pelas amarras de um acordo que diminuirá sua liberdade de atuação.
Argumenta a “comunidade inimiga” que, após o acordo, a FSSPX será aos poucos pressionada a ceder em suas posições, tornando-se paulatinamente complacente ao Modernismo.
Ora, a Fraternidade requisita de Roma o direito de recusar e criticar o Concílio e sua Missa fabricada, como sempre fez desde a sua fundação. Reconhecidos e preservados esses dois direitos, o Concílio será consequentemente despojado de sua lendária autoridade infalível, arbitrariamente evocada pelos modernistas. Desse modo, haverá menos razões para temer, pois a cúpula modernista terá mais dificuldades em forçar a aceitação de um evento que se reconheceu falível e passível de contestação.
Essa é a liberdade mais importante que a FSSPX irá conquistar: o direito de preservar intactos seus princípios com o aval de Roma. Por isso, é ilógico dizer que sua liberdade de atuação será prejudicada. Muito pelo contrário: oficialmente reconhecida, a Fraternidade será fortalecida diante de um modernismo que perde seu maior escudo: a outrora incontestável autoridade do Vaticano II.
Sem sua principal defesa, o modernismo ficará muito mais vulnerável.
Esperamos, entretanto, que a Fraternidade São Pio X não renunciará agora aos princípios católicos que sempre professou e defendeu, mesmo que venha a sofrer eventuais perseguições da hierarquia modernista.
Esse deveria ser o voto de confiança dos amigos ingratos. Entretanto, empenhados – como os modernistas e sedevacantistas – em impedir a qualquer custo o acordo, revelam uma frágil confiança na FSSPX. De fato, eles supõem na Fraternidade uma fidelidade apenas circunstancial, de tal modo que, submetida à pressão do modernismo, facilmente virá a capitular, corrompendo-se pelo puro desejo da “legalidade”.
Não parece provável essa ridícula decadência da congregação que herdou de um herói da fé, Dom Marcel Lefèbvre, o combate pela tradição católica. E torna-se ainda mais improvável, considerando a situação enfraquecida do Vaticano II graças aos poderosos efeitos de um bom acordo.
Além do mais, a FSSPX será revigorada por um “retorno”, sem necessidade de renúncia de suas convicções. E dentro desse novo contexto, padres dela poderão vir a ser bispos sem precisar renunciar à própria fé em troca da mitra episcopal. 
Por essas e outras razões, podemos desprezar a acusação de imprudência, levantada contra Dom Fellay.
Segundo a puríssima doutrina de Santo Tomas, a prudência é uma virtude que se ordena ao bem comum (Parte II-II, q. 47, art. 10). Confirmando esse princípio, recorda o Aquinate que a caridade jamais busca seu próprio interesse, como ensina o Apóstolo: “Não buscando o que é útil para mim, mas o que é de interesse geral, para que se salvem” (I Cor. X, 33).
A partir dessa verdade revelada, conclui o ilustre doutor: “[…] sendo o homem parte de uma casa e de uma cidade, necessariamente deve considerar o que é bom para si pelo que é prudente para o bem da coletividade, pois o bem da parte depende de sua relação com o todo […]” (Parte II-II, q. 47, art. 10).
Aplicando esse ensino da Suma Teológica ao proceder da “comunidade amiga”, temos duas conclusões possíveis:
1)     Ou a “comunidade” não se considera parte da Igreja, e por isso busca unicamente seu benefício particular, ou;
2)     De fato faz parte da Igreja, mas por motivos não declarados, age imprudentemente contra a caridade, desprezando o bem comum.
Nos dois casos a imprudência é imputável.
Por outro lado Dom Fellay parece mostrar, em sua atuação comedida, a verdadeira caridade católica, que trabalha pelo bem da Igreja e pela salvação das almas. Caridade também manifesta neste sermão proferido por Dom Alfonso de Galarreta, Bispo da FSSPX:
“Por princípio temos que ter contato e por princípio temos que ir a Roma […] porque somos católicos, apostólicos e Romanos. Depois, porque, se Roma é o centro do Catolicismo, é de Roma que a solução deve vir. Então, vale mais o pouco de bem que pode ser feito em Roma, do que o muito bem que se pode fazer em outro lugar” (Considerações sobre um discurso filo-romano)
São Pedro e S
ão Paulo foram até Roma para anunciar o Evangelho de Cristo e dar testemunho da verdade. Foram como ovelhas entre lobos. Roma não era cristã. E mesmo sob as pressões e perseguições do império, os dois gloriosos Apóstolos não cederam. Não capitularam. Foram martirizados. Morreram pela Fé. E por fim, Roma se converteu.
Assim esperamos ao menos de Dom Fellay e Dom Galarreta, os dois Bispos mais favoráveis ao acordo.
E como também queremos somente o triunfo da Igreja, unimo-nos aos verdadeiros amigos da FSSPX, oferecendo nossas orações para que Dom Fellay não recue por receio dos lobos, e deste modo ajude o glorioso Pontífice reinante na antiga e eterna Roma Católica, serva de Nosso Senhor.


In Corde Jesu, semper
Eder Silva
  
   
 
 

A PROFECIA DAS TIARAS






Pe. Marcélo Tenorio
A tiara papal não é simplesmente um adorno nem tão pouco uma ostentação de poder, de império e de domínio político. Seu significado é bem mais profundo e grave, de forma que, hoje em dia, um papa já não pode usá-la sem causar grande impacto. Se existe um símbolo eclesiástico temido e rejeitado é, justamente, a tiara papal: osinimigos entendem muito bem o que ela evoca.
A tiara possui três coroas sobrepostas, conhecida mais como “tríplice coroa”, ou triregnum. Isso quer dizer que o Vigário de Cristo detém o poder pleno, supremo e absoluto sobre os três reinos:
–a primeira coroa, “Pai dos Reis”;
–a segunda  coroa, “Pastor Universal”;
–a terceira, “Vigário de Jesus Cristo”.
O último papa a fazer uso da tiara foi o Papa Paulo VI, em 1963. Ele usou de uma tiara nova, presente dos fiéis de Milão, onde foi arcebispo e cardeal. 
A nova tiara de Paulo VI tinha algo de profética. Era essencialmente feia, sem expressão alguma. Os adornos tinham sido retirados e a tríplice coroa não era tão visível: a impressão era de que se desmoronava de cima para baixo..Seu formato não era agradável e, segundo alguns críticos parecia uma “ogiva nuclear”.
No final da II Sessão do Concílio Vaticano II, em 1963, Paulo VI desceu os degraus de seu trono, na Basílica de S. Pedro, e depositou a tiara sobre o altar.
Muitos atribuíram àquela atitude um gesto de humildade.
A verdade é que, depois disso, a tiara não voltou mais a ser usada, a não ser nas ornamentações dos brasões papais ou na cabeça da imagem de São Pedro, na basílica vaticana, pela solenidade dos apóstolos.
Paulo VI manteve na Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo (1975), sobre as Eleições dos Papas, menções à coroação dos seus sucessores:
“Finalmente, o Pontífice será coroado pelo Cardeal Protodiácono e, dentro de um momento oportuno, irá tomar posse na Arquibasílica Patriarcal de Latrão, de acordo com o ritual prescrito”.
João Paulo I não quis a coroação. Houve apenas uma cerimônia chamada de “inauguração do Sumo Pontífice”, embora tenha usado a Sedia Gestatoria (trono móvel, ricamente adornado, utilizado para transportar o Papa).
Seu sucessor, João Paulo II, não só recusou a coroação como retirou qualquer menção à coroação dos pontífices na Constituição Apostólica de 1996, Universi Dominici Gregis. Assim ele se pronunciou em sua “Inauguração”:
“O último Papa que foi coroado foi Paulo VI em 1963, mas após a cerimônia de coroação solene ele nunca usou a tiara novamente e deixou seus sucessores livres para decidirem a esse respeito. O Papa João Paulo I, cuja memória é tão viva em nossos corações, não gostaria de usar a tiara, nem o seu sucessor deseja hoje. Este não é o momento de voltar a uma cerimônia e um objeto considerado, erradamente, como um símbolo do poder temporal dos papas. Nosso tempo nos chama, nos exorta, nos obriga a olhar para o Senhor e mergulhar na meditação humilde e devota sobre o mistério do poder supremo do próprio Cristo”.
O Papa Bento XVI inicia o seu pontificado com um brasão que não mais apresenta a tiara papal. Em seu lugar uma mitra, embora com três linhas, fazendo uma discretíssima menção à tríplice coroa.
“O Santo Padre Bento XVI decidiu não usar mais a tiara no seu brasão oficial pessoal, mas colocar só uma simples mitra, que não é portanto encimada por uma pequena esfera e por uma cruz como era a tiara”. 
Todavia, inesperadamente – e esse papa sempre nos surpreende -, a tiara papal reaparece, a la Gregório XVI, no brasão papal da nova flâmula da sacada da Basílica de São Pedro .
O problema central da tiara não são as pedras preciosas nela contidas, pois isso poderia ser bem resolvido e não é a questão fundamental. O antigo argumento de que a Igreja deveria “vender” tudo que possui e dar aos pobres, “porque é muito rica”, já não se encaixa mais nas mentes inteligentes. Tudo ali é patrimônio da humanidade e sabe-se que mais gastos provoca que rentabilidade. Basta pensarmos no valor incalculável da restauração de um pequeno pedaço da Capela Sistina e em quem deve pagar essa conta.
Logo, a questão da tiara é teológica! Ela representa o império de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a humanidade inteira: sobre a Igreja, sobre os Estados, sobre toda a sociedade. Eis aqui o tríplice reino, o tríplice múnus.
Era comum de se ver nas belas igrejas antigas e centenárias, como um marco da passagem de um século para outro, uma cruz, colocada na parede da Igreja, no pórtico de entrada com as seguintes frases: “Cristo vence – Reina – Impera. A Ele o Poder, a Glória, o Domínio e o Império, pelos Séculos dos Séculos”.
A supremacia de Cristo Rei deve resplandecer na face da Igreja e, sobretudo, na pessoa de seu Vigário, o Papa.
A tiara papal na verdade anuncia a Supremacia de Deus sobre os três reinos: Igreja, Estado e Sociedade.
Ao iniciar um novo tempo, a modernidade, onde a “deusa razão” inaugura a época do antropocentrismo, do homem livre, do livre pensamento, da libertação das cadeias de todo e qualquer dogma ou verdade absoluta; onde o triunfo da Revolução Francesa, com seus princípios maçônicos, é amplamente assumido em todas, sobretudo na filosofia e teologia, devastando tudo e destruindo por toda parte o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a tiara simplificada, lisa, sem adornos, oval, de Paulo VI, nos anuncia o “desmoronamento” da Igreja pelo que viria depois…
E hoje, assistimos a toda essa derrocada que começou com a separação oficial da Igreja e do Estado. 
Ora, o Estado existe pelas pessoas que o compõem, de maneira que a ideia da laicidade do Estado é, no mínimo, absurda, visto que, sendo a Lei Divina superior à lei humana positiva, esta existe, com legitimidade, apenas quando em perfeita conformidade e submissa à Lei Divina. 
Incentivando a laicidade do Estado, colaboramos com a destronização de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei e Senhor dos Exércitos e, ao invés de servirmos à Verdade plena, que sempre aponta à Verdade Católica, terminamos como humanistas e doutores do “amor fraterno universal”, oco, visto que desprovido da perfeita caridade que somente existe fundamentada na Verdade, que é Cristo.
A laicidade gera a pluralidade religiosa, que por sua vez, gera o subjetivismo religioso, pai do indiferentismo e avô do ateísmo prático.
Leão XIII, considerava esta questão de extrema importância, tanto que se dedicou ao assunto em sua Encíclica“Immortale Dei”:
“Deus dividiu o governo de toda sociedade humana entre dois poderes: o eclesiástico e o civil; o primeiro, que cuida das coisas divinas e o outro que cuida das humanas. Cada qual na sua esfera é soberano, cada um tem seus limites perfeitamente determinados e traçados conforme a sua natureza e seu fim determinado. Ha assim como que uma esfera de atuação onde cada um exerce sua ação ‘jure’ próprio”.
E ainda:
“Gregório XVI, em sua Carta-Encíclica“Mirare Vos”, de 15 de agosto de 1832, (…) sobre a separação da Igreja e do Estado, dizia o seguinte: ‘Não poderíamos esperar situação mais favorável para a Religião e o Estado, se atendêssemos os desejos daqueles que anseiam por separar a Igreja do Estado e romper a concórdia mútua entre o sacerdócio e o império; pois se vê quanto os que gostam de uma liberdade desenfreada temem esta concórdia, pois ela sempre produziu bons e saudáveis frutos para a causa eclesiástica e civil”.
A laicização do Estado destrona Nosso Senhor. As leis já não se pautam mais na Lei divina, a Igreja, possuidora da Verdade plena e com vinte séculos de existência, é posta ao lado das seitas mais bizarras: Cristo e Baal em pé de igualdade.
Um exemplo claro acontece em nosso dias: a aprovação da lei nazista de extermínio de indefesos. Na fala dos ministros estava estampada essa idéia de calar a voz da Igreja, neutralizá-la. O sucesso do STF advém de outro: o princípio maçônico de igualdade, liberdade e fraternidade.
Não se pode negar a grande dificuldade que a Igreja enfrenta hoje diante de um mundo que odeia a Verdade e que não aceita mais o “jugo” de Deus.
Como insistir no Reinado Social de Nosso Senhor e na Supremacia da Verdade e da Fé? Como fazer com que Ele reine, quando seu trono foi retirado do Estado e, em muitos casos, com  beneplácitos eclesiástico? 
Era um cardeal quem dizia: “O reinado de Nosso Senhor é praticamente impossível em nossos dias!” – uma afirmação terrível!
“Eu sou Rei e para isso vim ao mundo!”, retrucou Jesus a Pilatos.
O Reinado Social de Nosso Senhor é vital! A Europa começa a despencar moralmente, numa crise jamais vista, justamente porque Nosso Senhor foi retirado de seu trono. E as consequências são vistas a olho nu: famílias acabadas, jovens perdidos, sem sentido algum, liberação e supremacia das vontades mais diabólicas do homem. Eis a separação de todo o equilíbrio social, quando se exclui Nosso Senhor Jesus Cristo.
A humanidade caminhando para um paganismo pr
ático encontrará, no fim da linha, apenas o caos, o nada, o “não ser”.
Bento XVI, em sete anos de pontificado, tem surpreendido, positivamente, em muitos pontos, sobretudo na reafirmação de valores já esquecidos pela sociedade cristã. Mesmo pagando um alto preço, não tem se omitido em relação à proclamação da Verdade sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo.
Há pouco tempo, Sua Santidade recebeu no México um presente típico, um chapéu e, imediatamente, o pôs sobre a cabeça. Isto também fizera noutras vezes, com outros estilos. Tempos atrás recebeu de presente dos católicos húngaros uma bela tiara, mas ponderou, olhou, olhou, agradeceu e… a entregou ao secretário.
No auge das invasões de terra pelo MST, aqui, nas terras tupiniquins, Lula pôs em sua cabeça um boné do movimento vermelho. Como falou aquele boné em sua cabeça! Falou-nos muito mais que suas atrapalhadas palavras.
Como ressoou alto aquele gesto de Paulo VI, retirando de sua cabeça a tiara…
Como ecoaria “urbi et orbi” a tiara de volta à cabeça do Vigário de Cristo?
Nós sabemos como.
Esperemos, pois não está tão distante: ela já se encontra em suas mãos.
Como tenho tanta certeza?
As fontes em Roma são falantes..jorram para todos os lados…
Più non ti dico… pìu non ti dico!






POR MUITOS = POR TODOS?


Nosso Senhor Jesus Cristo disse, na instituição da Eucaristia, que seu sacrifício seria feito “por vós e por muitos”, usando palavras que já tinham sido preditas pelo profeta Isaías. A Santa Igreja repetiu por séculos essas mesmas palavras durante a Consagração do Vinho. Até mesmo a reforma litúrgica de Paulo VI manteve a mesma fórmula em sua versão latina. Porém… as Conferências Episcopais, em toda parte, caíram num lamentável lapso de tradução, levando todos os padres a afirmar durante a Missa, e todo o povo a crer, que Nosso Senhor morreu “por todos”, numa ilusória salvação universal. 
O fato é que a salvação merecida pelo sacrifício de Nosso Senhor é oferecida “a todos” mas apenas “muitos” a aproveitam. E que configura uma audácia criminosa o fato de alterar palavras tão excelsas quanto o que é dito na Consagração!
Há alguns anos atrás, Bento XVI dera um prazo de dois anos para que todas as Conferências Episcopais alterassem suas traduções: ele foi solenemente ignorado! “Pegando papel e caneta”, como diz o Pe.Lombardi, ele escreve uma carta pessoal ao episcopado de lingua alemã… Como a dizer que “se ao Papa eles não atendem, quem sabe a um confrade eles darão ouvidos…”
Triste desdobramento de hoje, o porta-voz da Cúria Romana, Pe.Lombardi, dá notícia do pedido do Papa, acrescentando, como a desculpa-lo, que o Papa insiste na tradução “por muitos”, mas é papel da catequese ensinar que Cristo morreu “por todos”…
Notícia Radio Vaticano
Comentário Lucia Zucchi
Pe. Lombardi: Papa esclarece palavras “por muitos e por todos” da fórmula de consagração

 

Cidade do Vaticano (RV) – Dias atrás Bento XVI endereçou uma carta ao episcopado alemão na qual se detém sobre uma questão concernente à correta interpretação a ser atribuída à fórmula da consagração do vinho na missa. Trata-se de uma questão teológica, mas com implicações de fé para todo cristão, como reitera o Diretor-Geral da Rádio Vaticano, Pe. Federico Lombardi, em seu editorial para “Octava dies”, o semanário de informação do Centro Televisivo Vaticano:
“O que fez o Papa em Castel Gandolfo na semana após a Páscoa? Pegou papel e caneta e escreveu em sua língua uma carta de certo modo especial, dirigida aos bispos alemães, que poucos dias depois a publicaram. Diz respeito à tradução das palavras da consagração do cálice do sangue do Senhor durante a missa. A tradução “por muitos”, mais fiel ao texto bíblico, deve ser preferida a “por todos”, que pretendia tornar mais explícita a universalidade da salvação trazida por Cristo. Alguém poderá pensar que o tema sirva somente para refinados especialistas. Na realidade, permite entender o que é importante para o Papa e com qual atitude espiritual ele o aborda. Para o Papa as palavras da instituição da Eucaristia são absolutamente fundamentais, trata-se do coração da vida da Igreja. Com o “por muitos”, Jesus se identifica com o Servo deJahwé anunciado pelo profeta Isaías; portanto, repetindo essas palavras expressamos melhor uma dúplice fidelidade:
a nossa fidelidade à palavra de Jesus, e a fidelidade de Jesus à palavra da Escritura. Não há dúvida sobre o fato que Jesus morreu para a salvação de todos, portanto, é tarefa de uma boa catequese explicar isso aos fiéis, mas, ao mesmo tempo, explicar o significado profundo das palavras da instituição da Eucaristia. O Senhor se oferece “por vós e por muitos”:
sentimo-nos diretamente envolvidos e na gratidão tornamo-nos responsáveis pela salvação prometida a todos. O Papa – que já tratara disso em seu livro sobre Jesus – dá-nos agora um exemplo profundo e fascinante de catequese sobre algumas das palavras mais importantes da fé cristã. Uma lição de amor e de respeito vivido pela Palavra de Deus, de reflexão teológica e espiritual altíssima e essencial, para viver a Eucaristia com mais profundidade. O Papa conclui dizendo que no Ano da Fé devemos empenhar-nos dessa direção. Esperamos fazê-lo realmente.” (RL)

SOBRE MISSA DE CURA, EXORCISMOS E LIBERTAÇÕES





Pe. Marcélo Tenorio




I – Apresentação
Têm sido disseminadas nos meios católicos as famosas orações e Missas de “Cura e Libertação”.
Essa prática, estranha à teologia do Aquinate, quer no âmbito privado ou na da Sagrada Liturgia da Missa, tem gerado confusão, perplexidade e, em muitos casos, escândalos entre os fiéis que não reconhecem nesta forma “nova” de culto, a sua identidade católica.
O presente artigo já estava pronto quando chegou em minhas mãos um católico, lúcido, oportuno e eficaz pronunciamento episcopal dos bispos de Medellim e Puebla condenando essas missas ditas de Cura e Libertação, porque “apresentam  aspectos e procedimentos que não estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.”[i]
Continua o documento episcopal:
“Com o ambíguo nome de ‘Missa de Cura’ (pois em todas as missas a Palavra e o Corpo de Cristo podem nos curar) se designa uma certa maneira de manipular a celebração desse Sacramento, com interesses diversos que vão desde as melhores intenções até a simonia [n.d.r.: venda de bens espirituais]. É necessário evitar que este tipo de celebração se preste à exploração da emotividade, da necessidade de cura e da visão fantasiosa que algumas pessoas podem ter. Acima de tudo, nunca se pode aceitar que se faça negócio com o sofrimento das pessoas.”[ii]
“[…] Junto com as erroneamente chamadas “Missa de cura” também são promovidos exorcismos, unções, orações de libertação e outras práticas que alteram gravemente o sentido da vida sacramental da Igreja. Na realidade, através da catequese e de celebrações dignas, devemos procurar que tanto a Eucaristia como os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo, ajudem com a graça de Deus às pessoas que precisam de auxílio espiritual.”[iii]
As Missas e Orações de Cura e Libertação, quase sempre têm inclusos outros “fenômenos” carismáticos, tais como oração em línguas estranhas, revelações e o mais que estranho repouso no espírito.
Quanto à “oração em línguas” e a catolicidade da RCC, já nos detivemos aqui em nosso blog.[iv] Agora queremos discorrer sobre a missa e oração de cura e Libertação: sua origem, teologia, como também sobre os demais carismas que “auxiliam” e aparecem presentes nessa prática.
II – Pronunciamento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé

Antes de tudo é importante relembrar o que a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé ensinou e legislou sobre o assunto, pela  pena do então Cardeal Ratzinger, hoje Sua Santidade, o Papa, no documento intitulado “Instrução sobre as Orações para alcançar de Deus a Cura.”[v]
Fala o ex Santo Ofício:

“O anseio de felicidade, profundamente radicado no coração humano, esteve sempre associado ao desejo de se libertar da doença e de compreender o seu sentido, quando se a experimenta. Trata-se de um fenômeno humano que, interessando de uma maneira ou de outra todas as pessoas, encontra na Igreja particular ressonância. Esta, de facto, vê a doença como meio de união com Cristo e de purificação espiritual e, para os que lidam com a pessoa doente, como uma ocasião de praticar a caridade. Não é só isso porém; como os demais sofrimentos humanos, a doença constitui um momento privilegiado de oração, seja para pedir a graça de a receber com espírito de fé e de aceitação da vontade de Deus, seja também para implorar a cura.”
Fica claro que a Santa Igreja ensina ser o momento de enfermidade como rico e propício ao crescimento da alma levando-a a uma maior união com Deus e favorecendo a compreensão em relação à vida e à existência nesse mundo.
A Graça de Deus tanto está para os que sofrem, como para aqueles que cuidam com generosidade dos enfermos, e também para aqueles que se edificam com o testemunho de resignação de tantos que, no momento da dor, unem-se à paixão de Nosso Senhor e, por ela, conseguem a sua própria salvação.
Também são católicas as intercessões para se pedir a cura, segundo a vontade de Deus, dos que sofrem. Assim fundamentou-se a Igreja e sustentou a devoção aos santos, recorrendo à sua valiosa ajuda.
É importante perceber que se por um lado a Sagrada Congregação atesta a catolicidade e, portanto, legitimidade das orações que suplicam a Deus pela cura física, de outro mostra-se preocupada com essa forma “diferente” de se rogar  a cura, justamente por  ela conter maneiras estranhas à doutrina de sempre da Igreja, como atestaram os bispos mexicanos, acima.
Vejamos o que nos diz o documento da “Doutrina da Fé”:
“A oração que implora o restabelecimento da saúde é, pois, uma experiência presente em todas as épocas da Igreja e naturalmente nos dias de hoje.” 
Entretanto, em seguida, pondera:
“Mas o que constitui um fenômeno sob certos aspectos novo é o multiplicar-se de reuniões de oração, por vezes
associadas a celebrações litúrgicas, com o fim de alcançar de Deus a cura. Em certos casos, que não são poucos, apregoa-se a existência de curas alcançadas, criando assim a expectativa que o fenômeno se repita noutras reuniões do gênero. Em tal contexto, faz-se por vezes apelo a um suposto carisma de cura.”
Logo de início o presente documento nos traz luzes importantes para a compreensão do problema. Expomo-las aqui de maneira simples e pontual.
1.      Nada é pacífico, nem conhecido, pois se assim o fosse a Sagrada Congregação não emitiria um documento de tamanha importância sobre o assunto, nem tampouco analisaria a questão, visto que sendo católica a prática, bastaria uma nota desta mesma Congregação autenticando a forma e fundamentando-se no Magistério Perene da Igreja.
2.      O assunto é tratado como “fenômeno” e como “novo”. É claríssimo que por “fenômeno” não se compreende uma intervenção sobrenatural de Deus, já que o termo é bem usado em várias ciências, sobretudo na sociologia e antropologia hodiernas. Quanto ao “novo”, quer indicar justamente algo desconhecido à Igreja (o que já deveria ser motivo, mais que suficiente, às indagações e suspeitas de um fiel atento à doutrina apostólica). Algo “desconhecido” quanto prática religiosa eclesial, mas não quanto à forma protestante pentecostal, já conhecidas por seu subjetivismo nocivo à fé.
III – A condenação das novidades e o afastamento da Teologia de Santo Tomás
Vários Papas condenaram as “novidades” que muitos tentaram introduzir no seio da Igreja. Assim o grande Papa Pio XII, logo após a II Guerra Mundial expressa-se preocupado:
“[…] Nós assinalamos, não sem preocupação nem sem temor, que alguns são excessivamente ávidos de novidade e se transviam fora dos caminhos da sã doutrina e da prudência. Porque, querendo e desejando renovar a santa Liturgia, eles promovem, muitas vezes, a intervenção de princípios que, em teoria ou na prática, comprometem esta santa causa e, às vezes até as mancham com erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética.
A pureza da fé e da moral deve ser a regra principal desta ciência sagrada que é preciso conformar em todos os pontos aos mais sábios ensinamentos da Igreja. É, portanto, Nosso dever louvar e aprovar tudo aquilo que é bom e conter ou censurar tudo aquilo que se desvia do caminho justo e verdadeiro…” [vi]
E ainda:
“[…] Existem hoje alguns [entre os doutores católicos], assim como nos tempos apostólicos, que se apegam mais do que convém às “novidades” no temor de passar por ignorantes de tudo o que arrasta um século de progressos científicos: constata-se, então, que eles, na sua pretensão de se subtrair da direção do Magistério sagrado, se vêm em grande perigo de se afastar pouco a pouco da verdade divinamente revelada e de induzir outros a irem com eles ao erro. – As “novas opiniões”, quer se inspirem elas em desejo condenável de “novidades”, quer em qualquer louvável razão […]”[vii]
Aqui o Papa constata o centro e a causa da crise: o abandono da teologia oficial da Igreja, isto é, a teologia de Santo Tomás!
“De fato, ó dor, os “amadores de novidades” passam naturalmente do desdém pela teologia escolástica à falta de atenção, até ao desprezo pelo próprio Magistério da Igreja que, com toda a sua autoridade, aprova inteiramente essa teologia”.[viii]
Se na época de Pio XII já se via claramente uma fumaça sombria a se aproximar da Igreja, conclui-se que, à  época do Concílio Vaticano II e ao que se seguiu depois dele, a barca de Pedro tenha imergido em nuvens densas, por vezes escuras de uma desorientação quase geral que levou o próprio Papa Paulo VI a declarar, após o encerramento do Concílio: “esperávamos uma primavera e eis que veio uma tempestade!”
Aqui as “novidades” das mais variadas entraram pela porta da frente. E foram tantas!
Todavia, se hoje nos encontramos diante dessa novidade carismática e neo-pentecostal (e aqui está o motivo pelo que se separa da Sã Doutrina) é devido, sobretudo, ao abandono da teologia escolástica, como muito bem reconheceu o Santo Padre Pio XII.
IV – O Fenômeno “Carismático”
O fenômeno “carismático” teve seu início em meios católicos logo após o encerramento do Vaticano II. A origem de tudo encontra-se no protestantismo pentecostal. Sua fonte é a heresia luterana da supremacia do subjetivismo sobre a razão teológica. Para Lutero o conceito de fé deveria ser mudado, visto que para ele tratava-se de algo “experiencial”, empírico, livre de qualquer autoridade religiosa, pois que Deus revelar-se-ia no mais íntimo do coração do homem.
Nesse espírito, nada católico, aconteceu o início daquilo que mais tarde viria a ser chamada de “renovação carismática”, noutros países “renovação no espírito”.
Aliás, quanto à origem da RCC, temos duas: a mais conhecida e difundida nos livros e formações do movimento, é a chamada “Experiência de Duquesne”, onde fica clara a adesão de dois professores universitários à heresia protestante. A versão nova (talvez numa tentativa de deixar mais “católica” sua origem) é a inclusão da Beata Helena Guerra na história, já que, sendo devota do Espírito Santo, teria influenciado o Papa Leão XIII a pedir sobre a Igreja um “novo pentecostes”. Como não houve eco nos demais graus da hierarquia, o Espírito Santo teria passado direto, indo derramar-se sobre os protestantes… Aqui se vê claramente uma loucura sem medida, para não dizer uma grossa heresia, como se Deus pudesse derramar suas graças sobre o erro, na divisão e na apostasia.
Ora, vamos aos fatos: Em agosto de 1966 esses dois professores encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros “A cruz e o punhal” e “Eles falam em outras línguas”, que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com tudo aquilo, procuraram um ministro da igreja episcopal que os conduziu a uma paroquiana sua chamada de Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático fez com que eles recebessem o “batismo no Espírito Santo”.
Aqui vale uma rápida reflexão: o que levou dois católicos e cursilhistas a procurarem práticas estranhas às suas, comungando de doutrinas protestantes?  Por que se dirigiram a um “ministro” herético? Considero aqui duas coisas importantes: a busca do experiencial e a leitura de livros que não expressam a nossa fé. Novamente volta à pauta o desejo pelas “novidades” e agora, num mundo aberto às novas práticas, onde o homem é colocado ao centro, nada melhor que uma doutrina que valorize o sentir, o perceber e o viver do homem. E a isso se encaixam, como uma luva, o sentimentalismo e subjetivismo protestantes.
O resto da história já é conhecido. Animados pelo espírito protestante com sua teologia, misturados com neo-pentecostalismos e, maravilhados com os “carismas” que eram “derramados”, num primeiro momento, já em Duquesne, num retiro, rejeitada a programação já pronta, resolvem pregar essas novidades aos demais e, pela “imposição de mãos”, receberam o chamado “batismo no Espírito Santo”. Em pouco tempo isso cresceu. Muitos aderiram e, desgraçadamente, já se viam padres envolvidos…
V – A apostasia passa pela curiosidade – S. Pio X
A curiosidade não freada, diz o Papa São Pio X, é suficiente para entender e explicar todos os erros, pois para ele a curiosidade é a mesma coisa que o espírito de novidade. Em nome da novidade muitos católicos mergulharam no erro por darem-se às leituras protestantes e a teólogos modernistas, além dos filósofos modernos. A apostasia passa pela curiosidade.
Já o mesmo papa, percebendo as manobras modernistas e como estavam presentes na Igreja, no início do século XX, escreveu a importante encíclica Pascendi Dominici Gregis, condenando explicitamente os erros do modernismo:
Sendo verdade que a RCC difundira na Igreja tais formas protestantes através de suas práticas, seminários e livros, também é verdade que hoje são largamente usadas com ou sem o aval do mesmo movimento, que de certa forma, perdeu o controle sobre isso por motivos diversos. Não é difícil encontrar leigos, religiosos e até sacerdotes que, usando o “jeito carismático” em suas práticas, não o fazem em nome do movimento, mas em seu próprio, de forma que músicas, maneiras, aeróbicas, estilos que antes pertenciam somente à RCC, hoje são disseminados  em todos os ambientes que valorizam o sentimento e buscam a primazia dos afetos, em sua grande maioria. Na verdade é a aplicação da filosofia fenomenológica que teve como patriarca Kant (com seu sistema anti-intelectual), e depois Husserl e Max Scheller.
O objeto da metafísica clássica é o ser. Já a fenomenologia centraliza-se na manifestação dos fenômenos, nas vivências e nas experiências.
VI – As orações de cura e libertação: uma análise
É nítida a diferença entre a oração que roga a Deus a cura e as formas carismáticas encontradas hoje. O próprio documento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé nos aponta diferenciais.
Não se nega a eficácia da oração:
“As curas ligadas aos lugares de oração (nos santuários, junto de relíquias de mártires ou de outros santos, etc.) são abundantemente testemunhadas ao longo da história da Igreja. Na antiguidade e na idade média, contribuíram para concentrar as peregrinações em determinados santuários, que se tornaram famosos também por essa razão, como o de São Martinho de Tours ou a catedral de Santiago de Compostela e tantos outros. O mesmo acontece na actualidade, como, por exemplo, há mais de um século com Lourdes. Estas curas não comportam um «carisma de cura», porque não estão ligadas a um eventual detentor de tal carisma, mas há que tê-las em conta ao procurar ajuizar, sob o ponto de vista doutrinal, as referidas reuniões de oração.”
Primeiro ponto: Não há alguém, ou pessoas legitimadas com o carisma das curas, diferente dos ambientes “carismáticos” nos quais há sempre alguém que possui esse “poder” (que impõe as mãos, que reza, que intercede). Nas missas ditas “de cura e libertação”, sempre é o padre o protagonista, aquele “detêm” tal carisma, pode até ser auxiliado, mas é ele quem o possui. Assim também é no grupo de oração: há pessoas -ou pessoa- especificamente com esse “dom”. Tanto é verdade que é comum uma multidão acorrer a certas igrejas, abandonando sua paróquia, por causa da presença de certas pessoas (sacerdote ou não) consideradas pelos fiéis como “ungidas”. Logo, a eficácia da cura não se encontra na Missa e nos sacramentos por si mesmos, como ensina a teologia católica, mas no condutor ou pretenso “detentor” do pseudo poder.
Não é estranho que nesses ambientes surja um clima de fanatismo e supervalorização do mediador. Nas procissões com o Santíssimo Sacramento (dentro ou fora da missa), quem já não presenciou o padre com uma mão no ostensório e a outra no fiel, como se não bastasse Jesus mesmo ali presente? Num famoso programa de televisão, num desses momentos de “cura”, o sacerdote com uma mão no Santíssimo, a outra no microfone, despreocupava-se com o ostensório para procurar a posição melhor da câmera.
Sobre o uso da exposição do Santíssimo Sacramento, ou procissão sem o fim para o qual reza a norma, que é a adoração, a Santa Igreja considera ilegítimo, como está abaixo, no Documento do Cardeal Ratzinger:
“[…]Também estas celebrações são legítimas, uma vez que não se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos
doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de facto, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental”».
Nesses encontros o mediador é preponderante. Ele “realiza” curas e também as proclama com o anúncio solene do que ali está sendo realizado ao seu comando:
“Nesse momento Jesus está curando alguém que se encontrava…”
“O Senhor me mostra, me revela, uma mãe aqui…”
É bem verdade que muitos santos tiveram o dom da ciência,  e sabiam  o que se encontrava no interior das almas. Padre Pio, por exemplo, era capaz de perceber toda a vida das pessoas que o procuravam. Entretanto numa vida profundamente humilde, sempre se deu por nada e jamais pediu a Deus as tantas graças nele derramadas, pelo contrário, tinha em conta o que fala a Imitação de Cristo:” Aquele que bem se conhece tem-se por vil e não se compraz nos louvores humanos.” ( I C, Cap. II,1).
É comum na RCC acontecerem os seminários de dons, onde, após rápida explicação sobre os carismas, todos são levados a pedir a Deus os dons carismáticos de revelações, curas, libertação  milagres e outros. Os que “sentem, no coração”, que foram agraciados, já podem servir à comunidade e, se forem bons em pregação e muitos confirmarem os “toques de Deus” através deles, então a fama se espalha, todos os procuram e, assim nascem os “novos ungidos”.
Sobre esta questão a Sagrada Congregação reprova e considera arbitrária a ideia de que o carisma de cura pertence a um grupo ou a pessoa.
“Por conseguinte, nas reuniões de oração organizadas com o intuito de implorar curas, seria completamente arbitrário atribuir um «carisma de cura» a uma categoria de participantes, por exemplo, aos dirigentes do grupo. Dever-se-ia confiar apenas na vontade totalmente livre do Espírito Santo, que dá a alguns um especial carisma de cura para manifestar a força da graça do Ressuscitado. Há que recordar, por outro lado, que nem as orações mais intensas alcançam a cura de todas as doenças. Assim São Paulo tem de aprender do Senhor que «basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder» (2 Cor 12,9) e que os sofrimentos que se têm de suportar podem ter o mesmo sentido do «completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja» (Col 1,24)”.
Na conclusão do presente documento encontramos as disposições disciplinares, que valem a pena ser lidas para o nosso conhecimento e também para perceber a distância daquilo que a Igreja ensina com aquilo que se faz hoje “ao Deus-dará!”
Art. 3  § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27).
Aqui verificamos que há orações prescritas e que se encontram no ritual da Igreja Romana, excluindo-se a possibilidade de improvisos e a mistura com outras orações e formas, ou seja, a criatividade…
§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas, deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.
§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada (grifo do original).
§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo (grifo nosso).
Art. 7  § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas” (grifo nosso).
Logo, não pode existir uma “Missa de Cura e Libertação”, com elementos estranhos à sagrada liturgia, mas sim a “Missa pelos Enfermos”, já prescrita no missal, sem alterações, nem criatividades.
Art. 8  § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)
§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.
§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
Art. 10 – A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litú
rgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.
Como vemos, essas normas estão longe de serem cumpridas  pela RCC e a desobediência à voz da Igreja continua na ordem do dia. Mas, se não há obediência, como pode haver “intervenções sobrenaturais de Deus” em tais momentos? O principal critério para se discernir as ações do bom ou mau espírito, como ensina Sto. Inácio , é justamente a obediência que permeia toda a ação.
Não são poucas as pessoas que me procuram extremamente confusas pelo que foi por elas visto nesses momentos de oração, sobretudo perplexas com o que lá assistiram e tendo sua fé abalada até às bases.
Músicas emotivas que se repetem, gerando um clima propício ao sentimentalismo, embaladas por cantorias em línguas estranhas, enquanto pseudo exorcismos vão sendo realizados, numerosas pseudo curas e, o mais esperado é justamente, o “passeio com o Santíssimo Sacramento”. Aquele que dirige a oração convida a todos para colocarem fotos de entes queridos, já trazidas para esse fim, para tocarem no ostensório. Assim começa o “esfrega-esfrega” na custódia (como se Jesus não fosse onipresente), desrespeitando blasfemando o Santíssimo Sacramento. Mas não fica só nisso! Ainda com o Santíssimo, as pessoas são convidadas a se aproximarem e, ao simples toque no ostensório, puft! Repousam no “espírito”! Caem no chão! Ficam lá em “êxtase”. E a palavra é mesmo essa: “Êxtase”.
No livro chamado “O Repouso no Espírito”, o padre jesuíta Robert DeGrandis, compara esse “fenômeno” ao êxtase dos santos, como Santa Teresa d´Avila e outros místicos.
Ora, ensina a teologia mística que são três as vias de elevação da alma a Deus e que é somente na última via, a “unitiva”, que a alma começa a gozar dos enlaces do Amado.
Aqui se dão os êxtases e das revelações à alma dos segredos de Deus. Todavia nem todas as almas santas que atingiram o cume das virtudes e da santidade (próprias desta última via) passavam por tais experiências. A própria Teresinha do Menino Jesus, no auge de sua santidade, encontrava-se em profunda aridez, a ponto de dizer: “Amo-te, mesmo que me seja negado o paraíso”.
Conheço pessoas que “repousaram no espírito” nessas orações e missas e que dizem ter “experimentado” uma alegria profunda, mas vivem privadas da graça santificante por se encontrarem em pecado mortal por ato, ou por situação assumida, como adultério (segunda união), vida íntima no namoro, etc. Não é pequeno o número de pessoas que dizem ter passado por essas “experiências”, mas que ou jamais se aproximaram do sacramento da confissão (penhor de toda cura) ou que já estão distante dele por anos e anos.
Um padre carismático escrevia que o que acontece é simples: pela experiência “pessoal com Deus”, a pessoa é elevada já, pelo o que se chama de “batismo no Espírito” à última via do caminho espiritual, à via unitiva! Isso é tão absurdo: de uma gravidade e heresia sem tamanho, que nem vale a pena discorrer!
Como já demonstramos noutros artigos[x], os carismas como são aplicados nessas orações ou missas, ou ensinados pela RCC, sobretudo o chamado “repouso no Espírito”, não possuem nenhum respaldo no magistério da Igreja, quer ordinário ou extraordinário. Não existe nenhum documento da Santa Sé que a
utentique ou endosse como católicas essas estranhas práticas que nunca fizeram parte do comum da Santa Igreja. Todos os carismas, inclusive o dom das línguas, foram objetivamente ensinados e explicados pelos padres e doutores, sobretudo Sto. Tomás de Aquino, a quem devemos dar total e pronto acatamento.
VII – Conclusão
Recém-ordenado, o jovem padre toma posse de sua nova paróquia: uma paróquia mais que centenária no interior de Minas. Cheio de idéias, e dado ao espírito de novidades – aliás, discípulo que era de Chardin, tinha uma visão cosmológica do mundo e da fé. Muita coisa deveria mudar ali, pensava o novo pároco, a começar pela imagem da padroeira, que ele achava antiga demais, sem a “beleza” expressiva da arte moderna. A imagem era de Nossa Senhora do Carmo, antiga como nem sei o que…
Seu conselheiro o admoestou: “Senhor padre, mexa em tudo menos nesta imagem, pois o povo não irá aceitar uma mudança!”
Mas o padre já estava com tudo pensado: já tinha encomendado uma imagem mais nova e atualizada da Virgem, de forma que, na calada da noite, ele colocaria a Nova no lugar da Velha e esperaria a reação do povo, afinal, quem vai discutir com o padre?
Apesar das ponderações de seu conselheiro, ele assim o fez. Num sábado à noite, sabendo que o domingo era sempre cheio, e seria a prova dos “nove”, trocou a imagem. A Velha foi recolhida e a Nova, enfim, posta no lugar!
Amanhece o dia! Os sinos tocam a chamada para missa. O povo vai chegando para as orações, confissões e reza do terço. Todos vão logo para o altar da querida padroeira e lá rezam…
O padre novo e seu conselheiro, de cima, do coro, observam tudo: o povo está calado. Silenciosamente calado, no altar da padroeira. Parecem rezar, parecem não se importar… nenhuma dissidência, nenhuma revolta! E o padre ficou feliz e exclamou para seu conselheiro: “Não disse? Não tivemos problemas! O povo aceitou a Nova.”
Passaram-se os meses e o povo permaneceu calado!
Chega a festa da padroeira… e o povo, calado!
Começa a novena… e o povo, calado!
Enfim, o grande dia da procissão. A cidadezinha mineira estava em festa!
Uma multidão compareceu. O padre feliz,
via descer nas escadarias o belo andor, e nele a imagem Nova da padroeira.
O povo, entusiasmado, cantava hinos em honra à Virgem.
Foi então que o padre gritou:
“VIVA NOSSA SENHORAAAAAAAA!”
“A VELHAAAAAAAAAAAAAAAAA”, gritava o povo!
O padre, pensando não ter ouvido o que ouviu, gritou mais alto:
“VIVA NOSSA SENHORAAAAAAAAAA!”
“A VELHAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”, gritou mais alto ainda o povo!
† † †
Hoje, o que mais existem são as novidades. São Paulo já nos preveniu sobre isso:
“Virão dias em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação” (2 Tm 4, 1-3).
Para nós católicos a única  verdade é Cristo e sua Doutrina que é sempre a mesma, sem novidades, porque Ele é o mesmo “ontem, hoje e sempre!”
Para a Fé Católica o “Velho” não é sinal de “caduquice”, pois a Verdade transcende o tempo, posto que eterna, e resplandece triunfalmente na face da Igreja Mãe e Mestra de toda Verdade.
Portanto, para se estar na Verdade deve-se estar com a Igreja, mantendo-se longe das novidades, de forma que, aos gritos  de “VIVA!” às “coisas novas”, possamos, sempre responder:
“À VELHA
E à de sempre!!!”

“Disposta a ter 10 filhos, grávida coloca anúncio em busca de obstetra católico”

Recebemos de uma grande amiga da Montfort a reportagem publicada sobre ela, pela raríssima intenção de ter muitos filhos. Embora não pretendesse ver publicada em nosso site, ela nos mandou o texto com a seguinte observação:
Desculpe pelas palavras e adaptações da jornalista, que não é católica. Apenas um esclarecimento: eu não procurei a jornalista; publiquei um anúncio anônimo num site e coloquei meu celular para contato; a jornalista achou “curioso” e me ligou.
PS.: Bom, pelo menos não foi de todo ruim: uma médica “se indicou”. Amanhã vou procurá-la. Salve Maria!
Ângela Kempfer
“Gestante católica à procura de médica(o) obstetra católica(o) com a máxima urgência!!”, implora anúncio na internet.
A estratégia foi a última alternativa de uma grávida que leva a sério os ensinamentos da Igreja e só encontra pela frente médicos na trincheira do controle de natalidade.
No quinto mês de gestação, Aparecida Moreira só quer um profissional que não “tire sarro” ou desrespeite o modo de vida dela e do marido.
Os dois seguem à risca ensinamentos que aprenderam na Igreja Católica, como a proibição ao uso de anticoncepcionais, preservativos ou qualquer método “contraditório à vida”.
Aos 28 anos, ela já tem um filho de 3 anos e outro que acaba de completar um aninho. E ela não pretende parar por aí. “Vou ter quantos filhos Deus quiser dar. Se forem 10, vou adorar”, comenta. Mesmo assim ela prefere não mostrar o rosto porque tem medo que os médicos “fujam de vez”.
Hoje, na recepção do consultório da quinta profissional procurada até agora, ela conta que nem sequer conseguiu saber ainda o sexo do bebê porque “nenhum médico deu certo até agora”.
Aparecida já passou por quatro obstetras, todos com opiniões bem diferentes das dela e nesta quarta-feira faz mais uma tentativa, sem muita esperança. “Eu mal começo a falar e eles já fazem gracinha, saem com sarrinho. Um deles chegou a me chamar de louca”.
A médica que a atendeu nas duas primeiras gestações não é conveniada ao plano de saúde que a família mantém hoje e Aparecida ficou sem assistência. O marido, professor de História, apóia a esposa e acha absurdo ter de convencer os profissionais sobre a fé. Mas a briga do casal vai além da religião.
Aparecida aproveita a indisposição com a classe para reclamar do trabalho em geral. “Nunca consegui fazer parto normal, por exemplo, porque não tem médico que goste de fazer parto normal. Vivem falando de incentivo, mas isso é mentira. Só querem fazer cesariana”, esbraveja.
A peregrinação pelos consultórios de Campo Grande durante esta gravidez deixa a jovem mãe a um passo de desistir da busca pelo médico católico. “Vai ser minha última tentativa. Se não der certo hoje, vou procurar o menos pior. Vou ter de aceitar”.
Aparecida lembra que já discutiu várias vezes durante as consultas, mas teme que a coisa piore depois do parto.
“Vão querer impor um anticoncepcional. Já ouvi tanta coisa do tipo: deixa de ser besta, isso é coisa do passado, da época das cavernas. Só quero que respeitem o que eu acredito. Não é pedir demais, mas não existe diálogo.“Será que é esse povo que vai pagar as fraldas dos meus filhos?”, ironiza.

Bispos condenam abusos das Missas de Cura e Libertação




As chamadas “Missas de cura”

Depois de muita reflexão e cuidadoso discernimento, os Bispos das Províncias eclesiásticas de Medellin e de Santa Fé de Antioquia [englobam um total de 13 bispos e 10 dioceses]decidimos escrever a todos os sacerdotes, religiosos e fiéis de nossas dioceses uma Carta Pastoral Sobre as chamadas “Missas de cura”. Vimos necessário uma orientação sobre iniciativas e eventos que foram se espalhando em algumas paróquias, que seguramente apresentam  aspectos e procedimentos que não estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.

Médico consulta ministro do STF e acelera aborto de anencéfalo



A pernambucana F., de 30 anos, grávida de 4 meses de um feto anencéfalo, foi internada ontem de manhã em uma maternidade de Recife para realizar um aborto. A internação ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Marco Aurélio Mello responder ao e-mail de um médico, esclarecendo que a decisão da ‘expressiva maioria’ era a de que a interrupção da gravidez nesse caso não é crime e o hospital poderia realizar o procedimento.

Em 13 de abril, o hospital se recusou a realizar o aborto na paciente sob a justificativa de que a decisão do STF sobre o tema – que saiu no dia 12, depois de dois dias de julgamento e oito anos de discussões – ainda não havia sido publicada no Diário Oficial da União e, portanto, não estaria em vigor.

Diante disso, F. ficou sem alternativa e teve de recorrer à Justiça para pedir autorização para fazer o aborto legalmente, conforme revelou o Estado na semana passada.

O caso chegou na sexta-feira à 3.ª Vara do Tribunal do Júri da Capital e ontem à tarde o juiz Pedro Odilon de Alencar deferiu o pedido da gestante, autorizando a realização do aborto.

Resposta. Segundo o médico Olímpio Barbosa de Moraes Filho, que acompanha a gestante, o ministro Marco Aurélio soube do caso de F. por meio de um e-mail do médico Thomaz Gollop, que citava o caso da paciente e perguntava sobre a validade da decisão do Supremo antes da publicação no Diário Oficial.

O ministro respondeu rapidamente e o e-mail foi encaminhado para Moraes. O departamento jurídico do hospital e representantes da OAB de Pernambuco avaliaram a resposta e entenderam que o hospital não cometeria irregularidade em internar a paciente para fazer o aborto antes de o juiz se manifestar.

‘Pela resposta do e-mail, o jurídico entendeu que o Supremo julgou uma ação e que a decisão é de notório conhecimento público, se tornou vinculante e, por isso, o hospital não teria motivos para prorrogar o sofrimento dessa mãe’, afirmou o médico.

Moraes disse que assim que chegou a resposta do ministro, ainda no domingo à noite, ele ligou para a paciente com a notícia. ‘Avisei que o hospital faria o procedimento e ela poderia ser internada hoje (ontem) de manhã’, afirmou.

F. deu entrada ontem pela manhã no hospital – que é referência em casos de aborto legal – e já recebeu a medicação necessária para a realização do abortamento. A mulher poderá ir para casa no dia seguinte ao procedimento.

Parte da ata da decisão do STF foi publicada no Diário Oficial na semana passada. A decisão final deverá ser publicada ainda nesta semana.


COMEÇA NO BRASIL O EXTERMÍNIO DOS INOCENTES!



Como era esperado, começou por Pernambuco o assassinato dos inocentes, como pode ser lido abaixo. Este crime equipara-se ao plano nazistas do extermínio dos incapazes. É um “nazismo branco”. É um crime que clama  ao Céu por justiça. 
Em cada aborto cometido, que tremam os juízes iniquos do STF! Que tremam os demais juízes que, pela pena, banham de sangue nossa Pátria. Que tremam os colaboradores do PT que sabiam muito bem os planos deste partido.

Pe. Marcélo Tenorio

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O juiz da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, Pedro Odilon de Alencar, deferiu, nesta segunda-feira (23), o pedido de interrupção do estado gestacional feito por uma mulher (M.F.A.S.), grávida de quatro meses de um feto anencéfalo. O laudo constatando a má-formação foi feito pelo Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam).

O pedido foi feito à Justiça pela Defensoria Pública na quarta-feira (18), cadastrado e distribuído para a vara na sexta-feira (20). Com base nos documentos apresentados e no parecer favorável do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o juiz deferiu a solicitação.

O magistrado fundamentou sua decisão no artigo 5º da Constituição Federal, incisos 3 e 35, que diz que todos são iguais perante a lei e que ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. Também tomou por base o artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, que afirma que, na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum; e o artigo 128 do Código Penal, inciso 1º – que explica que não se pune o aborto praticado por médico se não há outro meio de salvar a vida da gestante.

Histórico – Na primeira quinzena de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que aborto de fetos anencéfalos (com má-formação do cérebro e do córtex, o que leva o bebê à morte pouco tempo após o parto) não seria mais crime. Em Pernambuco, contudo, magistrados do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) já vinham adotando esse posicionamento há algum tempo.

Uma das primeiras decisões neste sentido foi tomada, em 2005, pelo desembargador Silvio de Arruda Beltrão, da 3ª Câmara Cível da Capital. O magistrado foi relator de um mandado de segurança, impetrado por uma mulher contra decisão da 1ª Vara do Júri da Comarca da Capital, que negou pedido para proceder com a interrupção do estado gestacional em que se encontrava. 

O desembargador destacou em seu texto que a manutenção da gestação de um feto anencéfalo “proporciona lesão à saúde física e psíquica da gestante, bem assim atenta contra a sua dignidade enquanto pessoa humana, uma vez que impõe situação vexatória e constrangedora, posto que a submete a levar a termo uma gravidez que não logrará êxito e, ainda, poderá lhe trazer sérios problemas de saúde”.

Também ressalta “a certeza de que, presentemente, do ponto de vista médico-legal é a morte encefálica o parâmetro para definir a morte de uma pessoa, havendo de se questionar o porque de se invocar o direito à vida de um feto que, lamentavelmente, sequer, possui condições de vida cerebral e, conseqüentemente, de vir a adquirir personalidade no mundo jurídico, após seu nascimento”.

Com base nesses argumentos, o desembargador decidiu pelo deferimento do pedido. “Em face da solicitação de autorização para realização de aborto, instruída com laudos médicos favoráveis, deliberada com plena conscientização da gestante e de seu companheiro, e evidenciado o risco à saúde desta, mormente a psicológica, resultante do drama emocional a que estará submetida acaso leve a termo a gestação, pois comprovado está cientificamente que o feto é portador de anencefalia (ausência de cérebro), anomalia incompatível com a sobrevida extra-uterina, outra solução não resta senão autorizar a requerente a interromper a gravidez”, afirmou Silvio Beltrão.



Fontehttp://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2012/04/23/juiz_autoriza_pedido_de_aborto_de_cerebro_anencefalo_129741.php