Cancelado, pelo Vaticano, o Congresso Internacional sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco.

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Excelente notícia esse cancelamento! Mas uma parte do mal que tinha sido programado já foi feito…

A última assembléia anual da Pontifícia Academia Pro Vida, há algumas semanas atrás, tinha sido um festival de cientistas defensores da “fertilização assistida”, em suas modalidades mais radicais, para grande indignação da maior parte de cientistas católicos que compõe a Academia. A reunião não terminou em pancadas, como uma guerra de torcidas, mas os cientistas vaiaram e bateram na mesa em protesto. Imaginem a cena! A cientista que dirigia a sessão, olímpica, observou que a platéia não estava de acordo, mas ela “se recusava a entrar em um debate teórico, filosófico ou religioso”…

Estranho! Mas quem será que tinha posto lá essa mulher? E tudo isso depois do discurso de abertura da Assembléia, pronunciado por Bento XVI, em que ele lembra que toda discussão sobre esse assunto deve obrigatoriamente levar em conta a moral.

Desta vez, os “irresponsáveis” pelo evento anterior estavam para repetir a dose. Pois tinham convidado, para um Congresso Internacional sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco, uma maioria de cientistas manipuladores embrionários, pedindo-lhes – hipocritamente! – que não tratassem de “suas” células-tronco embrionárias, mas apenas das células-tronco adultas “alheias”.

Será que eles imaginavam que isso ia dar certo? Ou eles planejaram gerar uma raiva nos cientistas pela censura, que transbordaria para a imprensa em protestos contra o “obscurantismo do atual Pontífice e seu modelo de Igreja pré conciliar”? O que eu sei sobre política eclesiástica me diz que padres inocentes e trapalhões não chegam a curas de igrejas da periferia…

Há, na verdade, uma disputa feroz dentro da Cúria Romana, pro ou contra o ensinamento moral sobre defesa da vida, emanado dos Papas e da Congregação para a Defesa da Fé – que tem sido excelente! Ao ganharmos esta batalha atual, ficamos sabendo que já houve duas anteriores em que a doutrina católica foi espezinhada. Em silêncio e para satisfação de quem os organizou! Senão vejamos: “Os dois congressos anteriores também incluíram cientistas que trabalhavam com essas células, sem gerar muita polêmica”.

Possivelmente todos se lembrarão da remoção do sinistro Dom Rino Fisichella – infelizmente uma “remoção por promoção” – da direção da Pontifícia Academia Pro Vida. Dom Fisichella havia censurado em termos duros, através doOsservatore Romano, a Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo do Recife, que tentava impedir o aborto dos gêmeos de uma menina de nove anos, que fora abusada por seu padrasto. O aborto foi feito e o mundo católico ficou com a noção de que o Presidente da Academia tinha sido atendido… Para os membros da Academia, destacados cientistas leigos católicos de todo o mundo, empenhados na defesa da vida, foi uma enorme decepção. Alguns deles chegaram, através de muitos percalços, a entregar uma petição ao Papa, para que removesse esse público defensor do aborto – só em alguns casos! – justamente da Academia Pro Vida. A vitória veio com a criação de um posto mais prestigioso e muito mais vago para Dom Fisichella: o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, no qual ele ainda aguarda, e continuará aguardando, com a misericórdia de Deus, sua nomeação como Cardeal.

Ficou em seu lugar, na Academia Pro Vida, seu antigo chanceler, D. Ignacio Carrasco de Paula, membro do Opus Dei. Se não é ele o responsável pelos atuais desmandos, ele está assinando sem ler as medidas preparadas por algum misterioso secretário, ou um “diretor de estudos”.

De todo modo, parece que a remoção do tumor não extirpou todo o câncer anticatólico… Um triste Carrasco para os que defendem a doutrina católica.
Abaixo a notícia tirada da prestigiada revista científica Nature, publicada em português pela Unisinos.


Pesquisadores de células-tronco embrionárias questionam o súbito cancelamento do encontro anual.

A reportagem é de Ewen Callaway, publicada no sítio da revista Nature, 26-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Vaticano cancelou abruptamente um controverso congresso sobre células-tronco que estava programado para contar com a participação do papa em abril.

Terceiro Congresso Internacional sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco, agendado para os dias 25 a 28 de abril, iria se concentrar sobre aplicações clínicas de células-tronco adultas e reprogramadas. Mas um grande número de conferencistas convidados, incluindo Alan Trounson, presidente doInstituto de Medicina Regenerativa da Califórnia, de San Francisco, e o conferencista principal, George Daley, cientista de células-tronco do Hospital Infantil de Boston, em Massachusetts, estão envolvidos em pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, o que a Igreja Católica considera antiético. Os dois congressos anteriores também incluíram cientistas que trabalhavam com essas células, sem gerar muita polêmica.

Pe. Scott Borgman, secretário da Pontifícia Academia para a Vida da Igreja Católica, um dos organizadores da conferência, disse que fatores logísticos, organizacionais e financeiros forçaram o cancelamento, que foi anunciado no dia 23 de março. A Academia aborda questões bioéticas e teológicas que são relevantes para os ensinamentos da Igreja.

Catholic News Agency, agência de notícias independente com sede emEnglewoodColorado, citou um membro anônimo da Academia que chamou o cancelamento de “um alívio enorme para muitos membros da Pontifícia Academia para a Vida, que sentiam que a presença em seu programa de tantos conferencistas, incluindo o conferencista principal, comprometido com a pesquisa com células-tronco embrionárias, era uma traição à missão da Academia e um escândalo público”.

“Acho que a única interpretação é que estamos sendo censurados. É muito decepcionante que eles não estejam dispostos a ouvir a verdade”, afirmouTrounson. Ele esperava fornecer uma “perspectiva equilibrada” sobre as possíveis aplicações clínicas das células-tronco, tanto adultas quanto embrionárias.

Enquanto isso, alguns cientistas europeus, que haviam convocado um boicote por acreditarem que o congresso difamaria injustamente a pesquisa com células-tronco embrionárias, saudou o seu cancelamento.

Daley diz que assumiu o seu convite como uma indicação de que o congresso estaria aberto à discussão de todos os aspectos da pesquisa com células-tronco. “Há muitas áreas de acordo fundamental sobre a pesquisa com células-tronco, tais como a necessidade de provar a segurança e a eficácia dos medicamentos de células-tronco por meio testes clínicos legítimos antes de que se permita o seu marketing direto junto aos pacientes”, acrescenta.

Borgman afirma que a Academia pediu que seus oradores limitassem suas discussões às células-tronco adultas. No entanto, Daley diz que ele foi convidado não a tornar as células-tronco embrionárias no foco de sua palestra, mas planejava discuti-las em termos de contexto histórico.

Christine Mummery, cientista de células-tronco do Leiden University Medical Center, da Holanda, chamou o cancelamento de uma “boa notícia”. Ela e diversos outros cientistas europeus declinaram os convites para o congresso e incentivaram seus colegas dos Estados Unidos a seguirem o exemplo. “O título [Congresso sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco] foi o que me incomodou, e eu pensei que essa definitivamente não seria uma discussão aberta. Seria toda sobre os defensores das células-tronco adultas, e as pessoas que trabalham com células-tronco embrionárias seriam os bandidos”, diz.

Daley diz que, embora ele e outros participantes receberam pedidos para boicotar o congresso, “o nosso sentimento coletivo foi que era melhor se envolver na discussão ao invés de evitá-la”.

Mons. Jacques Suaudeau, diretor de estudos da Pontifícia Academia para a Vida, chamou o cancelamento de um “triste acontecimento”, em um e-mail enviado à Nature, e disse que os participantes logo receberiam uma explicação oficial. “Eu não posso falar até que a carta de explicação seja entregue. Tudo o que posso dizer é que, até a última sexta-feira, o congresso estava bem encaminhado, e nós pensávamos que o programa, da forma como estava, era digno”.

O congresso deveria ser concluído com uma audiência de duas horas com o Papa Bento XVI.
 
 
 
 
Depois da substituição de Dom Rino Fisichella na Academia Provida, após uma rebelião aberta dos cientistas católicos contra sua defesa pouco católica do aborto perpetrado contra a "menina do Recife", se pensou que a Academia voltaria a defender as posições... católicas. O Papa esteve lá no sábado e fez um discurso bastante claro, condenando toda concepção produzida artificialmente, fora do casamento e pedindo que a técnica respeitasse a moral. Mas, bastou Sua Santidade virar as costas para que a maior parte dos conferencistas defendesse desembaraçadamente a "fertilização assistida" e "in vitro" em diversas modalidades...

Diante dos absurdos defendidos, a douta assembléia começou a se queixar e mesmo a bater nas cadeiras. Ao que a Professora Moderadora Angélique Goverde observou que o público não estava de acordo mas que ela não estava lá para fazer debate "teórico, filosófico ou religioso".

Ah é? E porque o Monsenhor Carrasco de Paula, do OpusDei (não por acaso!), a convidou, senhora - e tantos outros do mesmo estilo?

SM

Lucia Zucchi

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Colère à Rome : L'assemblée de l'Académie pontificale pour la vie marquée par des conférences “amorales”
Posted: 01 Mar 2012 01:10 PM PST


Si Benoît XVI a clairement rappelé, samedi matin, la doctrine catholique à propos de la fécondation artificielle dans son discours à l’Académie pontificale pour la vie (APV) qui tenait sa 18e assemblée annuelle à Rome la semaine dernière, il n’en a pas été ainsi pour les conférenciers choisis pour évoquer ce sujet, à la grande colère de bon nombre de membres de cette institution. Le thème de cette année était l’infertilité : il apparaît qu’une majorité des intervenants a présenté la fécondation in vitro et même la fécondation directe de l’ovule par injection d’un spermatozoïde comme constituant une solution viable pour les couples infertiles.

C’est ce que rapporte Kathleen Gilbert, de LifeSiteNews.com, qui était à Rome et à qui j’emprunte les présentes informations, qui m’ont été confirmées in vivo par l’un des membres fondateurs de l’APV, mercredi à Paris.

Curieusement, vu le contexte – une série de conférences organisée par l’Académie fondée par Jean-Paul II en vue de promouvoir le respect de la vie et « plus spécialement la bioéthique en ce qui regarde la moralité chrétienne » – le dossier de presse de l’événement avait posé le cadre : l’Assemblée n’allait pas « s’occuper des considérations éthiques relatives à la fécondation artificielle » car c’est « un autre sujet ». Citations tirées d’une interview de celui qui a remplacé Mgr Rino Fisichella à la tête de l’APV, Mgr Ignacio Carrasco de Paula…

L’approche se voulait « rigoureusement médicale et scientifique », ajoutait le prélat, avec l’objectif de faire connaître des moyens insuffisamment connus permettant de venir en aide aux couples infertiles.

Evacué, donc, le regard chrétien sur la procréation artificielle : évacué le nécessaire dialogue entre « foi et raison » dont Benoît XVI allait rappeler l’importance cruciale le lendemain précisément en ce qui concerne la bioéthique. Le Pape a précisément rejeté l’approche techniciste de la question. Il suffit de rappeler ses premiers mots pour aborder le sujet : « Le thème choisi par vous cette année, “diagnostic et thérapie de l’infertilité”, outre qu’il a une grande importance humaine et sociale, possède une particulière valeur scientifique et exprime la possibilité concrète d’un dialogue fécond entre la dimension éthique et la recherche biomédicale. »

Foin de tout cela ! Vendredi matin, au moins trois sur les quatre intervenants ont explicitement évoqué la FIV comme une manière appropriée de traiter certaines femmes souffrant d’infertilité, selon des témoins cités par Kathleen Gilbert. Et même si les modérateurs de l’Assemblée ont pris soin de prendre des distances au nom de l’APV par rapport à ces prises de position, cela n’a pas calmé la colère de bien des participants qui parlaient de « désastre », d’un « exemple type de science amorale » et même de « tragédie ».

L’après-midi, Eberhard Nieschlag du Centre de médecine reproductive et d’andrologie à l’Université de Münster a évoqué l’insémination artificielle : « on peut l’essayer en cas de manque de sperme » ; il a également montré une vidéo de la fécondation d’un ovule par l’injection d’un spermatozoïde en expliquant que la procédure n’était « pas vraiment artificielle ». Interpellé, il a précisé que la fécondation n’était pas artificielle, mais seulement la manière de rapprocher le spermatozoïde et l’œuf : « Je crois que c’est surtout un problème sémantique. »

C’est ça : cela s’appelle la « Novlangue »…

L’assistance, de plus en plus indignée, à commencé à gronder, et même, pour certains, à taper sur les fauteuils… Sur quoi la modératrice, le Pr Angélique Goverde, a observé que le public n’était pas d’accord, mais qu’elle se refusait à entrer dans un débat « théorique ou philosophique ou religieux ».

Une autre controverse est née lorsque des orateurs ont soutenu, comme l’industrie de la contraception hormonale, que la pilule protège du cancer des ovaires, sans rappeler qu’elle est aussi liée au cancer du sein dont le nom explose littéralement.

On pensait que le changement à la tête de l’APV, avec le départ de Mgr Fisichella, avait mis fin aux dérives de cette institution. Certes, Mgr Ignacio Carrasco de Paula a protesté de manière vive en 2010 lorsqu’un pionnier de la fécondation in vitro a reçu le prix Nobel pour sa recherche. Mais il a pris la responsabilité d’une réunion censée promouvoir à la fois la bonne science et la bonne éthique.

Celles-ci n’auront pas été absentes de la journée grâce à des présentations sur de nouvelles découvertes et procédures pour aider plus efficacement les couples infertiles que par la FIV. Mais qu’une bonne part des membres de l’APV – des scientifiques, des médecins, des chercheurs, des personnes soucieuses de promouvoir la morale familiale catholique dans de très nombreux pays du monde – en sorte indignés, c’est franchement mauvais signe.

Fonte: NC - Notícias Católicas

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