A morte do Cardeal Martini, o jesuíta Cardeal-Arcebispo emérito de Milão, é ocasião para a imprensa de lembrar daquele que poderia ter sido o grande opositor ao Cardeal Ratzinger no conclave, se não tivesse sido revelada anteriormente sua doença - o Mal de Parkinson, que o matou, sete anos depois. Sua primeira medida como Papa, conforme se anunciara na época, teria sido a mudança da Santa Sé de Roma para Jerusalém...   

Pois o Cardeal Martini, uma das últimas flores do modernismo teológico, deixou um veneno na cauda. Nessa entrevista póstuma, a ser publicada após a notícia de sua morte ter chamado a atenção da mídia, ele louva os santos da Teologia da Libertação, ataca a moral da Igreja, as leis e o direito canônico, defende a comunhão dos divorciados... O cansaço e o esvaziamento da Igreja que ele aponta existem sim, mas foram causados pela "espírito" do Vaticano II que ele tenta relançar agora. 

Salve Maria!
Lucia Zucchi

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"A Igreja está cansada. Nossa cultura envelheceu, nossas igrejas são vastas, nossas casas religiosas estão vazias, e o aparelho burocrático da Igreja se fez crescer. Nossos ritos e nossos hábitos são pomposos(...) Nós no encontramos na situação do jovem rico que se afasta, cheio de tristeza, enquanto que Jesus o chama à tornar-se seu discípulo. Eu sei bem que é difícil deixar tudo... Mas, ao menos, poderíamos buscar homens livres e atentos ao próximo, como o foram Dom Romero e os mártires jesuítas do Salvador.  

Onde estão os heróis que poderiam nos inspirar? Em nenhum caso, não deveríamos nos manter nos limites da instituição. (...) Na Igreja hoje, eu vejo tantas velas que escondem as brasas,  que me sinto frequentemente tomado de um sentimento de impotência. Como podemos liberar essas brasas para revigorar a chama do amor? (...) Eu aconselho ao papa e aos bispos de procurar, para os postos de direção, doze pessoas "incomuns", próximas dos pobres, cercadas de jovens, que experimentem coisas novas. Precisamos desse contato com homens que ardam, para que o Espírito possa se difundir por toda parte.

Meu primeiro conselho é a conversão. A Igreja deve reconhecer seus próprios erros e empreender um caminho radical de mudança, a começar pelo papa e os bispos. A começar pelas questões colocadas sobre a sexualidade e o corpo. (...) Devemos nos perguntar se as pessoas escutam ainda os conselhos da Igreja em matéria sexual. A Igreja é ainda, nesse domínio, uma autoridade de referência ou somente uma caricatura para as mídias?

Meu segundo conselho é a escuta da Palavra de Deus (...) Só aquele que recebe esta Palavra em seu coração pode ajudar na renovação da Igreja e saberá responder com justeza às demandas pessoais. (...) Nem o clero nem o direito canônico podem se substituir à interioridade do homem. Todas as regras, as leis, os dogmas só nos são dados para clarificar a voz interior e ajudar no discernimento do Espírito.

Enfim, os sacramento são para mim, não instrumentos de disciplina, mas um apoio à cura dos homens tomados nas fraquezas da vida. Levamos os sacramentos àqueles que tem necessidade de uma força nova? Eu penso em todos os divorciados e nas famílias recompostas. Eles precisam de uma proteção especial. A Igreja sustenta a indissolubilidade do casamento. É uma graça quando um casamento e uma família alcançam isso. (...) 

A atenção que levamos às famílias recompostas será determinante para a proximidade da Igreja com a geração de seus filhos. Uma mulher abandonada por seu marido encontra um novo companheiro que se ocupa dela e de seus filhos. Esse segundo amor tem êxito. Se essa família é discriminada, a mãe e seus filhos se afastarão. Se esses pais se sentem estrangeiros na Igreja, não se sentem sustentados por ela, a Igreja perderá as gerações futuras. (...) A demanda de acesso dos divorciados à comunhão deve ser levada em conta. Como a Igreja pode vir em ajuda, com a força dos sacramentos, daqueles que vivem situações familiares complexas? (...)

A Igreja está atrasada em 200 anos. Teríamos medo? Medo no lugar de coragem? A fé, a confiança, a coragem são os fundamentos da Igreja. (...) Somente o amor pode vencer o cansaço. Eu o vejo muito com todas as pessoas que me cercam doravante."

Créditos: NC - Notícias Católicas




8 comentário (s):

stefan disse...

Um pretendente desse nível ao papado, a não ser que fosse o anti Cristo em pessoa, as preferências dele atendem a todos os postulados da Nova Ordem Mundial, Maçonaria, da Esquerdista Teologia da Libertação igual à prática do Marxismo Cultural e de partidos socialistas comunistas, em suma, do ateísmo global.
Nesse caso, talvez já estivéssemos às portas de Jesus retornar e instalar seu Reino de paz e justiça e nos salvar...

Apolônio Maria de Jesus disse...

A paz de Cristo.

Se este cardeal tivesse tido uma formação melhor, talvez não tivesse caído neste triste caminho.

É necessário mais didática e seriedade na catequese, nos seminários, nas homilias, nas paróquias e nos eventos de formação. Provavelmente menos de 1% dos católicos sabe que "A Igreja não erra".

Rui

MSP disse...

Por vezes nos surpreendemos pela ação da Providência... não vejo outra explicação. Certamente Deus nos poupou desse sujeito, embora estejamos bem próximos de merecê-lo (vide o que aconteceu com os judeus por cerca de 400 anos), de fato: uma comunidade apóstata merece uma líder herege.
O que nos consola são as palavras de Cristo:
Os portões do inferno jamais prevalecerão.

E de Maria:
No fim meu imaculado coração trinfará.

Até lá, tempos difíceis virão, rezemos para permanecermos firmes na verdadeira fé, e pacientes na tribulação.

Pax et Bonvm.

La Mère Supérieure disse...

será que ele falou alguma inverdade ou heresia?

La Mère Supérieure disse...

O tempo lhe fará justiça, já que os contemporâneos sectário farisáicos não o perceberam.

Marlon Roberto disse...

Ufa! Às vezes dá medo saber de certas coisas. Como uma pessoa que pensava assim esteve tão perto do trono de São Pedro?
Paz e Bem.

Marcel disse...

Será que a "Madre Superiora" não enxergou o óbvio?
O Cardeal Martini defendia coisas inadmissíveis à moral católica, como a tolerância ao homossexualismo (uma das causas da pedofilia no clero), dar Sacramentos aos divorciados, etc., etc.
E, a considerar que o desejo dos fariseus era justamente abolir a Lei e os Profetas (pois suas "regras" eram para anular a Lei mosaica...), cabe perguntar quem são os fariseus de hoje: os tradicionais, ou os progressistas???
Respondendo à pergunta: Sim, no mínimo disse inverdades. Deus tenha piedade deste Bispo, pois aqui no mundo fez muito mal à Igreja.

Marcel disse...

Prezado Marlon, Salve Maria!

Não torço nem pela "seleção brasileira" de qualquer modalidade. Mas, para teu consolo, ao finado Cardeal (que Deus tenha piedade dele e de todos nós) e a outros (Küng, Boff, etc.), bem cabe o chavão anti-corinthiano em voga até alguns meses atrás:

"Nunca serão!!!"

Deo gratias!

In Christo et Maria,
Marcel Ozuna.

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