Michael P. Foley

As Quatro Estações


As Quatro Têmporas, que caem na quarta-feira, sexta-feira e sábado da mesma semana, ocorrem em conjunção com as quatro estações do ano. O outono [primavera no hemisfério sul, n.d.t.] traz as Têmporas de setembro, também conhecidas como as Têmporas de São Miguel devido a sua proximidade coma Festa de São Miguel em 29 de setembro. O inverno [verão no hemisfério sul, n.d.t.], por outro lado, traz as Têmporas de dezembro, durante a terceira semana do Advento e a primavera [outono no hemisfério sul, n.d.t.] traz as Têmporas da Quaresma, após o primeiro domingo da Quaresma. Finalmente, o verão [inverno no hemisfério sul, n.d.t.] anuncia as Têmporas de Pentecostes, que ocorrem dentro da Oitava de Pentecostes.


No Missal de 1962, as Têmporas eram observadas como férias de segunda classe, dias feriais de especial importância que se sobrepunham inclusive a certas festas de santos. Cada dia tem sua Missa própria, todas as quais são bastante antigas. Uma prova de sua antiguidade é que elas são uns dos poucos dias no rito gregoriano (como o Missal de 1962 agora vem sendo chamado) que têm cinco leituras do Antigo Testamento acompanhadas da leitura da Epístola, uma disposição antiga de fato.


Jejum e abstinência parcial durante as Têmporas eram também observados pelos fiéis desde tempos imemoriais até a década de 60. É esta associação de jejum e penitência com as Têmporas que levou alguns a pensarem que seu nome peculiar tivesse algo a ver com cinzas ardentes, ou brasas. Mas o nome em inglês [ember] deriva-se provavelmente de seu título latino, as Quatuor Tempora ou “Quatro Estações”.


Apostólicas e Universais


A história das Têmporas leva-nos às origens mesmas do Cristianismo. O Antigo Testamento prescreve um jejum quádruplo como parte de sua consagração do ano em curso a Deus (Zac 8, 19). Além destas observâncias sazonais, judeus piedosos na Palestina do tempo de Jesus jejuavam toda segunda e quinta – daí a vanglória do fariseu sobre o jejuar duas vezes por semana na parábola envolvendo um deles e o publicano (Lc 18, 12).


Os primeiros cristãos corrigiram ambos os costumes. A Didache, obra tão antiga que pode inclusive ser datada antes de alguns livros do Novo Testamento, conta-nos que os cristãos palestinos no primeiro século jejuavam todas as quartas e sextas: quartas porque é o dia em que Jesus foi traído e sextas porque é o dia em que Ele foi crucificado. O jejum de quartas e sextas de tal forma fizeram parte da vida cristã que uma palavra em gaélico,Didaoirn, significa literalmente “o dia entre os jejuns”.


No século terceiro, os cristãos em Roma começaram a destinar alguns destes dias à oração sazonal, em parte como imitação do costume judeu e em parte como resposta às festas pagãs que ocorriam por volta da mesma época. Assim nasceram as Têmporas. E depois que o jejum semanal tornou-se menos frequente, foram as Têmporas que permaneceram como testemunho evidente de um costume que remonta aos próprios Apóstolos. Ademais, ao modificando-se os dois jejuns judeus, as Têmporas encarnam a declaração de Cristo de que Ele não veio para abolir a Lei mas para cumpri-la (Mt 5, 17).


Proveitosamente Naturais


Este cumprimento da Lei é crucial porque ensina-nos algo fundamental sobre Deus, Seu plano redentor para nós e a natureza do universo. Tanto no caso dos jejuns sazonais dos judeus quanto das Têmporas dos cristãos, somos chamados a considerar a maravilha das estações naturais e sua relação com o Criador. Pode-se dizer, por exemplo, que as quatro estações indicam individualmente a felicidade do Céu, onde há “a beleza da primavera, o brilho do verão, a abundância do outono e o repouso do inverno”.


Isto é significativo porque as Têmporas são o único tempo no calendário da Igreja onde a natureza qua natureza é destacada e reconhecida. Certamente o ano litúrgico como um todo pressupõe o ritmo anual da natureza (a Páscoa coincide com o equinócio de primavera, o Natal com o solstício do inverno, etc. [no hemisfério norte, n.d.t.]), mas aqui nós não celebramos os fenômenos naturais em si, mas os mistérios sobrenaturais que eles evocam. As Rogações comemoram a natureza, mas principalmente à luz de seu significado agrícola (ou seja, em relação com seu cultivo pelo homem) e não em seus próprios termos, por assim dizer.


As Têmporas, portanto, destacam-se como os únicos dias nas estações sobrenaturais da Igreja que comemoram as estações naturais da terra. Isto é apropriado porque, uma vez que o ano litúrgico renova anualmente nossa iniciação no mistério da redenção, ele deve fazer alguma menção especial à própria coisa que a graça aperfeiçoa.


Caracteristicamente Romanas


Mas e o sábado? A apropriação romana do jejum semanal evoluiu acrescentando o sábado como extensão do jejum de sexta-feira. E durante as Têmporas, eram realizadas uma Missa especial e uma procissão para a Basílica de São Pedro, com a congregação sendo convidada a “ficar em vigília com Pedro”. Sábado é um dia apropriado não somente para uma vigília, mas como um dia de penitência, quando nosso Senhor “jazia no sepulcro, e os Apóstolos estavam com o coração entristecido e em grande pesar”. A propósito, foi este costume que deu origem ao provérbio: “quando em Roma, faça como os romanos”. Segundo a estória, quando Santo Agostinho e Santa Mônica perguntaram a Santo Ambrósio de Milão se eles deviam obedecer aos jejuns semanais de Roma ou de Milão (que não incluía os sábados), Ambrósio respondeu: “quando eu estou aqui, eu não jejuo aos sábados, quando estou em Roma, jejuo”.


Solidariedade entre clérigos e leigos


Outro costume romano, instituído pelo Papa Gelásio em 494, é usar os sábados da Têmporas como dia para se conferir as Ordens Sagradas. A tradição apostólica prescrevia que as ordenações fossem precedidas por jejum e oração (cf. At 13, 3), e assim era bastante razoável situar as ordenações ao final deste período de jejum. Isto permitia à comunidade inteira unir-se aos candidatos no jejum e na oração pela bênção de Deus para sua vocação, e não apenas a comunidade desta ou daquela diocese, mas de todo o mundo.


Orações Pessoais


Além de comemorar as estações da natureza, cada uma das quatro Têmporas assume o caráter do tempo litúrgico em que está situada. As Têmporas do Advento, por exemplo, celebram a Anunciação e a Visitação, as únicas vezes durante o Advento, no Missal de 1962, em que isto é feito explicitamente. As Têmporas da Quaresma permite-nos ligar a estação da primavera [no hemisfério norte, n.d.t.], quando a semente deve morrer para produzir nova vida, à mortificação quaresmal de nossa carne. As Têmporas de Pentecostes, curiosamente, encontram-nos jejuando durante a Oitava de Pentecostes, ensinando-nos que existe um “jejum alegre”. As Têmporas de Outono [no hemisfério norte, n.d.t.] são o único tempo em que o calendário romano ecoa a Festa dos Tabernáculos e o Dia do Perdão dos judeus, duas comemorações que nos ensinam muito sobre nossa peregrinação terrena e sobre o sumo-sacerdócio de Cristo.


As Têmporas também nos oferecem a ocasião de um exame trimestral de nossa alma. O beato Tiago de Varazze (+ 1298) lista oito razões pelas quais nós devemos jejuar durante as Têmporas, a maioria delas relacionada à nossa luta pessoal contra o vício. O verão, por exemplo, que é quente e seco, é análogo ao “fogo e ardor da avareza”, enquanto o outono é frio e seco, como o orgulho. Tiago faz ainda um trabalho cativante ao coordenar as Têmporas com os quatro temperamentos: a primavera é sanguínea, o verão é colérico, o outono é melancólico e o inverno é fleumático. Não espanta que as Têmporas tenham se tornado tempos de retiro espiritual (não diferente de nossos modernos retiros), e que o folclore na Europa cresceu em torno deles, afirmando seu caráter especial.


Até o Extremo Oriente foi afetado pelas Têmporas. No sexto século, quando os missionários espanhóis e portugueses estabeleceram-se em Nagasaki, Japão, eles procuraram fazer refeições saborosas sem carne para as Têmporas e começaram a fritar camarões. A ideia conquistou os japoneses, que aplicaram o processo ao um diferente número de pratos do mar e vegetais. Eles chamam esta deliciosa comida – já adivinharam? – “tempura”, de Quatuor Tempora.


Têmporas Moribundas


Embora as Têmporas tenham permanecido estabelecidas no calendário universal como obrigatórias (assim como o jejum que a acompanha), sua influência irradiante sobre outras áreas da vida por fim diminuiu. No século vinte, as ordenações já não eram exclusivamente programadas para os sábados das Têmporas e seu papel como “exames espirituais” foi gradualmente esquecido. Os textos do Vaticano II poderiam ter feito muito para renovar as Têmporas. A Constituição sobre a Sagrada Liturgia determina que os elementos litúrgicos “que sofreram os prejuízos dos tempos sejam agora restaurados conforme a antiga tradição dos Santos Padres” [“restituantur vero ad pristinam sanctorum Patrum normam nonnulla quae temporum iniuria deciderunt”] (50).


Mas, ao invés, o que veio foram as Normas Gerais para o Ano Litúrgico e o Calendário(1969) da Sagrada Congregação para o Culto Divino, onde lemos:
“Nas rogações e têmporas, a prática da Igreja é oferecer orações aos Senhor pelas necessidades de todo o povo, especialmente pela produtividade da terra e pelo trabalho humano, e lhe dar graças publicamente” (45).


“De modo a adaptar as rogações e as têmporas às várias regiões... as conferências dos bispos devem dispor o tempo e o modo de sua celebração” (46).


Felizmente, as Têmporas não deveriam ser removidas do calendário mas adaptadas pelas conferências nacionais de bispos. Houve, entretanto, várias defeitos nesta disposição. Primeiro, a SCCD trata as Rogações e as Têmporas como sinônimos, o que – como dizíamos no artigo anterior – elas não são. As Têmporas não rezam, por exemplo, pela “produtividade da terra e pelo trabalho humano” no ocaso do inverno. Segundo, ao pedir uma adaptação para as várias regiões, a SCCD permite que as Têmporas assumam um número indeterminado de significados que nada têm a ver com sua natureza, tais como “paz, a unidade da Igreja, a propagação da fé, etc.” Diferentemente do desenvolvimento orgânico das Têmporas, que preservou seu significado básico enquanto assumiu outros, a diretriz de 1969 não oferece salvaguardas para garantir que os novos significados atribuídos não substituiriam o propósito mais fundamental das Têmporas. Terceiro, as conferências nacionais de bispos deviam fixar os dias das Têmporas, mas nenhuma, pelo que sei, jamais o fez.


Têmporas Mortas & Vivos Debates


Devido a esta ambiguidade e falta de direção, as Têmporas desapareceram da celebração do Novus Ordo, e no pior momento possível. Pois exatamente quando a Igreja estava deixando sua celebração litúrgica da natureza cair no esquecimento, o Ocidente estava voltando-se freneticamente para a natureza. Desde a publicação do Príncipe de Maquiavel no século XVI, a sociedade moderna tem se dedicado a uma guerra tecnológica contra a natureza de modo a aumentar o domínio e o poder do homem. A natureza não é mais uma donzela a ser cortejada (como ela tinha sido para os gregos, romanos e cristãos medievais); ela devia, a partir de então, ser violentada, submetida através dos avanços tecnológicos mais impressionantes que fariam da humanidade, nas palavras frias de Freud, “um deus protético”.


Embora existam fortes reações a esta nova atitude, a hostilidade moderna ao que foi dado por Deus apenas expandiu-se com o tempo, evoluindo de uma guerra à natureza a uma guerra à natureza humana. Nossas preocupações atuais com a engenharia genética, “mudanças” de sexo, “casamento” entre pessoas do mesmo sexo – todas tentativas de redefinir e reconfigurar a natureza – são exemplos desta escalada em curso.


O movimento ecológico que começou na década de 60 ajudou a trazer à luz as implacáveis ondas de exploração da natureza, e assim temos hoje um reconhecimento renovado das virtudes do manejo responsável e das maravilhas da terra verde, mas frágil, de Deus. Mas este mesmo movimento, que serviu de muitas formas como um renascimento saudável, é temperado de absurdos.


Geralmente os mesmos ativistas que defendem girinos em perigo são defensores da aniquilação de bebês não-nascidos. Recentemente, após aprovar suas leis abortistas, o governo socialista da Espanha introduziu uma legislação para garantir aos chimpanzés direitos legais de modo a “preservar as espécies da extinção” – isto num país sem população nativa de primatas.


Muitas vezes, o ecologismo contemporâneo é também panteísta em suas convicções, tendo como resultado que para muitos ele torna-se uma religião em si mesmo. Esta nova religião vem completa com seus próprios sacerdotes (climatologistas), seus próprios evangelhos (dados sacrossantos sobre o aumento das temperaturas e o afundamento das geleiras), seus próprios profetas (Al Gore, que infelizmente permanece bem recebido em sua própria terra) e, mais que tudo, seu próprio apocalipsismo, com os quatro cavaleiros do desmatamento, aquecimento global, esgotamento de ozônio e combustíveis tóxicos, todos conduzindo-nos a um Apocalipse mais apavorante para a mente secular que os Quatro Novíssimos.


Conclusão


Meu objetivo não é negar a validade destas preocupações, mas lamentar a moldura neo-pagã em que elas são colocadas muito frequentemente. O home moderno é tão caótico que, quando finalmente redescobre um amor pela natureza, ele o faz da maneira menos natural. Tanto a antiga antipatia à natureza como sua atual idolatria têm uma grave necessidade de correção, uma correção que a Igreja está bem preparada para providenciar. Como Chesterton gracejava, os cristãos podem amar verdadeiramente a natureza porque eles não a adorarão. A Igreja proclama a bondade da natureza porque ela foi criada por um Deus bom e amoroso e porque ele reflete sacramentalmente a grandeza da bondade e do amor de Deus.


A Igreja faz isto liturgicamente com sua observância das “Quatro Estações”, as Têmporas. Celebrar as Têmporas não oferece, obviamente, soluções prontas para as complicadas dificuldades ecológicas do mundo, mas é um bom curso de atualização sobre primeiros princípios básicos. As Têmporas oferecem uma alternativa inteligente ao ecologismo panteísta, e fazem isto sem ser artificiais ou complacentes, como um novo “Dia da Terra” católico ou algo parecido indubitavelmente seriam.


É uma lástima que a Igreja inconscientemente permitiu que o brilho das Têmporas morresse no exato momento da história em que seu testemunho era mais necessário, mas é uma grande ajuda que a Summorum Pontificum tenha novamente tornado sua celebração universalmente acessível. Cabe à nova geração assumir sua prática com uma revigorada consideração daquilo que elas significam.


Michael P. Foley é professor adjunto de patrística na Universidade de Baylor. É autor de Wedding Rites: A Complete Guide to Traditional Music, Vows, Ceremonies, Blessings, and Interfaith Services (Eerdmans) e Why Do Catholics Eat Fish on Friday? The Catholic Origin to Just About Everything (Palgrave Macmillan).




Parece que a penitência não é um sacramento:
1. Com efeito, Gregório diz e encontra-se nos Decretos: “Os sacramentos são o batismo, a crisma, o corpo e o sangue de Cristo, que são chamados sacramentos porque, sob a veste de realidades corporais, o poder divino opera invisivelmente a salvação”. Ora, isto não acontece na penitência, porque aí não se utilizam realidades corporais sob as quais o poder divino atua a salvação. Logo, a penitência não é um sacramento.
2. Além disso, os sacramentos da Igreja são administrados pelos ministros da Igreja, conforme o dito de Paulo: “Considerem-nos portanto como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1Cor 4, 1). Ora, a penitência não é administrada pelos ministros de Cristo, mas é inspirada interiormente por Deus aos homens, segundo o profeta: “Depois que me converteste, eu fiz penitência”. Logo, parece que a penitência não é um sacramento.
3. Ademais, nos sacramentos há um elemento que é o “sinal somente”, um outro que é “a realidade e o sinal” e um terceiro que é “a realidade somente”. Ora, isto não ocorre no sacramento da penitência. Logo, a penitência não é um sacramento.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, assim como o batismo purifica do pecado, assim também a penitência. Daí se entende o que Pedro disse a Simão: “Faça penitência, portanto, da tua maldade” (At 8, 22). Ora, o batismo é um sacramento. Logo, pela mesma razão a penitência.
Gregório, na passagem acima citada na primeira objeção, diz: “O sacramento consiste num rito feito de tal modo que recebemos aí simbolicamente o que devemos receber santamente”. Ora, é evidente que, na penitência, o rito se faz de tal maneira que significa algo de santo, tanto da parte do pecador penitente, quanto da parte do sacerdote que o absolve. Pois o pecador penitente, pelas palavras e ações mostra ter afastado seu coração do pecado. De igual modo, o sacerdote, pelas palavras e ações dirigidas ao penitente, significa o obra de Deus que perdoa o pecado. Por isso, é claro que a penitência na Igreja é um sacramento.
Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. Pelo termo “realidades corporais” entendem-se, em sentido amplo, os atos sensíveis exteriores. Eles são na penitência o que é a água no batismo e o óleo do crisma na confirmação. Deve-se notar que nos sacramentos em que se confere uma graça superior que ultrapassa toda possibilidade da atividade humana, usa-se algumamatéria corporal exterior. Assim no batismo, onde acontece a remissão completa dos pecados tanto no referente à culpa quanto à pena. O mesmo na confirmação, onde se confere a plenitude do Espírito Santo. Também na unção dos enfermos, onde se confere a perfeita saúde espiritual, proveniente do poder de Cristo como um princípio, de certo modo, exterior. Por isso, se existem atos humanos em tais sacramentos, não constituem parte essencial da sua matéria, mas se relacionam com eles na condição de disposição. Nos sacramentos, porém, que têm um efeito correspondente aos atos humanos, tais atos humanos sensíveis têm o lugar de matéria. É o caso da penitência e do matrimônio. Assim, nas curas corporais se aplicam, umas vezes, remédios corporais exteriores ao enfermo, tais como emplastros e xaropes, e, outras vezes, atos dos enfermos, como certos exercícios.
2. Nos sacramentos que têm matéria corporal, é necessário que ela seja administrada por um ministro da Igreja, que está no lugar de Cristo, para significar que a excelência do poder que opera na sacramento vem de Cristo. No sacramento da penitência, os atos humanos têm o lugar da matéria, provenientes de uma inspiração interior. Por isso, a matéria não é administrada pelo ministro, mas por Deus, que age no interior do pecador. O ministro assume o papel de complemento da sacramento, ao absolver o penitente.
3. No sacramento da penitência existe também um “sinal somente”: os atos realizados exteriormente, tanto pelo pecador penitente quanto pelo sacerdote que absolve. “A realidade e o sinal” é a penitência interior do pecador. “A realidade somente” e não o sinal é a remissão do pecado. O primeiro elemento, tomado na sua totalidade, é a causa do segundo. O primeiro e o segundo são a causa do terceiro.
 Suma Teológica III, q.84, a.1
Santo Tomás de Aquino, Teologia, Igreja, Cristo



Cerca de 30 homens encapuzados invadiram o mosteiro

MAR MOUSSA, quarta-feira 29 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) .- Na quarta-feira passada, 22 de Fevereiro, a comunidade de Mar Moussa na Síria sofreu um ataque armado.
De acordo com um comunicado divulgado pela comunidade do mosteiro de Mar Moussa el-Habachi, na quarta-feira 22 de fevereiro, por volta das 18 horas, realizou-se os seguintes fatos:
"Cerca de 30 homens armados, que, com exceção do comandante, estavam mascarados, invadiram o celeiro do mosteiro, onde havia alguns funcionários. Saquearam as instalações em busca de armas e dinheiro, perguntando onde estava o padre responsável. Um dos funcionários foi obrigado a levar algumas pessoas armadas para a outra parte do mosteiro. Ali, quatro freiras foram fechadas em uma sala sob vigilância, quando se preparavam para ir para a oração. Em seguida, alguns dos agressores entraram na igreja. A comunidade monástica, reunida para a meditação lembrou-lhes que este espaço estava consagrado à oração e merecia respeito. Os homens armados obrigaram os presentes, sob ameaças, a se reunirem em um canto da igreja. Depois interceptaram outras pessoas no mosteiro tratando-as de uma forma brutal. Então, sem causar maiores danos, continuaram, sempre sem sucesso, a buscar armas e dinheiro, destruindo todos os meios de comunicação que eles encontraram. Durante o ataque, o responsável do grupo tirava fotos com o seu celular. Depois de permitir que continuassem a oração, ordenou que os presentes permanecessem na igreja durante uma hora. "
"O superior do mosteiro – continua o comunicado – estava em Damasco, e só pôde voltar na madrugada da quinta-feira".
O comunicado disse que "aqueles que tinham autoridade entre as pessoas armadas tinham declarado em seguida a sua intenção de não prejudicar as pessoas presentes no mosteiro, e realmente cumpriram sua palavra durante a agressão".
Naturalmente, continua o comunicado, "surge a questão sobre a identidade do grupo armado. Impossível no momento dar uma resposta certa. Parece ser que se trata de homens acostumados com o uso de armas, a fim de atender seus interesses materiais. Fica totalmente obscurecida a razão pela qual procuravam armas em um mosteiro conhecido há anos pela sua escolha e sua promoção da não-violência."
"Agradecemos a Deus – conclui o comunicado – pela proteção dos seus anjos e oramos durante a missa pelos nossos agressores e suas famílias. Apesar destes acontecimentos dolorosos, não perdemos a paz e nem o desejo de servir à reconciliação. "





Pelo professor da Universidade de Navarra Juan Chapa

PAMPLONA, quarta-feira 29 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org). - O decano da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra e professor de Novo Testamento da mesma universidade, Juan Chapa, encontrou na Inglaterra um novo evangelho apócrifo, texto que pelo seu conteúdo ou forma assemelha-se aos quatro evangelhos incluídos no Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas e João.
O fragmento pertence à coleção de papiros de Oxirrinco, Egito, preservado e publicado na Universidade de Oxford, sob o patrocínio da Egypt Exploration Society de Londres e British Academy.
O texto, recém-descoberto e publicado, mede sete centímetros de comprimento por sete de largura e é escrito de ambos os lados com restos de vinte e duas linhas. De um lado, o documento inclui algumas palavras de Jesus dirigidas a seus discípulos que, como explicou Chapa, são "uma chamada para o seguimento radical, com uma alusão à Jerusalém e ao Reino".  No outro lado, narra-se parte de um "exorcismo" realizado por Jesus que, como indica Chapa, não encontra paralelo exato nos quatro evangelhos canônicos e que, mais do que um novo exorcismo, parece uma síntese dos já conhecidos pelo outros evangelhos e "testemunha a importância que teve entre os primeiros cristãos esta atividade de Jesus".
De acordo com este especialista em papiros, que colabora há anos com o projeto de edição de papiros da coleção britânica, ainda é incerto a dimensão dessa descoberta, mas assegurou que "fornecerá novas luzes para entender melhor o cristianismo dos primeiros dois séculos e o que liam e pensavam os primeiros cristãos do Egito, e também sobre a formação dos Evangelhos". “Destaca especialmente pela sua antiguidade – diz Chapa -, porque foi escrito por volta do ano 200. São poucos os manuscritos preservados dessa época, e ainda menos, testemunhas dos evangelhos apócrifos".
Nesse sentido, observou que, dos dois primeiros séculos, temos "um pouco mais de uma dezena de manuscritos" dos quatro evangelhos canônicos e apenas quatro de evangelhos apócrifos: do Evangelho de Tomé, do chamado Egerton Gospel - um Evangelho desconhecido que só se conhece por este manuscrito – e de outros dois que alguns atribuem ao Evangelho de Pedro.
Os quatro evangelhos incluídos no Novo Testamento são aqueles que a Igreja transmitiu como testemunho autêntico procedente da época apostólica e os outros livros do mesmo gênero perderam por não acrescentar nada novo ao que já continha naqueles quatro, ou porque foram elaborados a partir deles, a fim de difundir alguma doutrina particular, às vezes até em desacordo com a encontrada nos evangelhos canônicos.





A nomeação já era esperada nos bastidores. Esperada por alguns, temida por outros. D. Nicolas Brouwet acaba de ser nomeado pelo Papa para substituir, em Tarbes-Lourdes, a D. Jacques Perrier, por este ter atingido o limite de idade.

Nascido em 1962, Nicolas Brouwet não é desconhecido dos leitores do Golias. De tendência francamente conservadora, ele encarnou na Hauts-de-Seine uma linha de nítido contraste se comparada à do bispo diocesano local, D. Gerard Daucourt. Como se os dois prelados fossem não só representantes de duas gerações, mas, na verdade, de duas concepções fundamentais de Igreja. Inútil dizer que a clivagem é importante. Cortês e sorridente, com um físico e uma feição de filho ideal, D. Nicolas Brouwet não tem nada de um homem frágil. Quanto ao mérito, no entanto, de uma doçura e destreza, este padre há muito era visto como capaz porém preterido, e secretamente se inseria na linha mais tradicional possível

Ele é um dos pouquíssimos bispos da França, além de Raymond Centène (Vannes), Marc Aillet (Bayonne) e Dominique Rey (Fréjus-Toulon) a celebrar com prazer a liturgia segundo os livros litúrgicos antigos. Neste sentido, os tradis falam de bom grado deste jovem bispo como um bandeirante que inaugura um "novo" estilo episcopal, muito tradicional. Um bispo em sintonia com as escolhas litúrgicas de Bento XVI. Que foi muito alegremente acompanhar a famosa peregrinação de Chartres e pontificar com uma majestade digna de álbuns de fotografias. Se a diocese de Tarbes-Lurdes não é tão grande, o posto é estratégico devido à importância dos santuários do celebérrimo lugar de peregrinação. Lurdes é uma vitrine da Igreja da França no estrangeiro. Seu novo bispo pretende dar brilho e relevo a uma restauração que agora segue em alta velocidade. 

Segundo nossas fontes, esta nomeação irritou a maioria dos bispos, mesmo que o charmoso Nicolas tenha bom gosto e habilidade para poupar seus confrades de um outro estilo. O mais irritado seria o Cardeal Vingt-Trois, que tinha seus candidatos para Lurdes. Mas o Núncio preferiu escutar os conselheiros mais discretos, mas entretanto mais poderosos. Esta é uma nova página que se abre hoje para o episcopado francês.
Fonte : golias-news.fr
Agradecimento a Marcel Ozuna, pelo envio





A leitora Lorena Leandro participou daquela audiência pública em que se debateu o aborto. Vejam o método a que recorrem os abortistas..
Reinaldo, escrevo em foram de comentário porque não achei um e-mail de contato. Fui à audiência pública e conto abaixo o que presenciei: O que vi da audiência pública sobre Crimes Contra a Vida
Estive na Audiência Pública que ocorreu em São Paulo para discussão das mudanças no Código Penal com relação aos Crimes Contra a Vida. Minha motivação foram as mudanças propostas sobre a penalização do aborto. Gostaria, aqui, de contar o que vi.
Vi desprezo pela verdadeira democracia, em uma evidente manipulação para que os movimentos pró-aborto dominassem a sessão. Afinal, quais seriam as chances estatísticas de todos, eu disse TODOS, os grupos feministas e abortistas terem se inscrito primeiro do que os outros grupos, como me foi alegado? Chances maiores são de que, ou foram avisados antes de todos sobre a audiência, ou eles mesmos se mexeram para que tal audiência acontecesse.
Vi, portanto, o triste espetáculo da velha ladainha sobre liberdade feminina. Não que as feministas não possam se superar. Houve indignação porque a mulher grávida é chamada de gestante. Uma mulher, com aparência claramente indígena, incluía-se no grupo “pobres e negras” e reclamava do preconceito. Teve mulher estrangeira dando pitaco na legislação. Houve proposta de criminalizar o preconceito contra as mulheres que abortam (trocando em miúdos: coloquem quem for contra o aborto na prisão). Teve até defesa do infanticídio, e tudo isso temperado pela tão famigerada comparação: se não podemos abortar, então não comamos ovo, que estamos a matar o filho da galinha!
Foram horas de insanidade até que a primeira voz se pronunciasse contra o aborto, já com o plenário completamente esvaziado. Aí sim, ainda que vindos de poucas bocas, argumentos bem fundamentados começaram a surgir. O primeiro a falar foi o historiador e jornalista Hermes Rodrigues Nery, o primeiro também a (finalmente) citar um detalhezinho esquecido pelas feministas: o feto. Nery presenteou o ministro Dipp, moderador da mesa, com um modelo em tamanho real de um feto de 12 semanas. A indignação abortista foi geral: chegaram a dizer, com o ódio típico de quem despreza a vida, que se era para sair por aí distribuindo “fetinhos”, elas teriam levado fotos de mulheres ensaguentadas por decorrência do aborto. Sim, foi esse o nível da “discussão”.
O deputado Paes de Lira, apresentado por Dipp simplesmente como “ex-coronel”, e cuja fala aguardei ansiosamente, disse a maior verdade de todas: aquela mulherada gosta mesmo é de ditadura. Também falou um advogado em defesa da vida, indo contra todos os outros ditos advogados e médicos que defenderam, em nome da bioética e do direito, que feto não é gente.
Somente no fim da tarde tive minha chance de falar, ou de, pelo menos, tentar. Assim que me levantei, ouvi “essa aí deve ser pastora”, porque, para essa corja, ter religião é xingamento. Fui a PRIMEIRA mulher, em horas de falatório, a defender a vida. Não só a vida, como também o direito da mulher de obter informações sobre as graves sequelas do aborto. Isso despertou a ira do grupo, que se levantou e, como uma torcida organizada de futebol, vociferou em minha direção. O moderador foi obrigado a intervir para que eu pudesse continuar. Apresentei dados de estudos sérios sobre a relação do aborto e do câncer de mama, dos nascimentos prematuros e do aumento de doenças psicológicas e de suicídio entre mulheres que abortam. Aliás, os defensores da vida foram os únicos a citarem as fontes de todos os dados que apresentaram, diferentemente das feministas, que jogaram na nossa cara números fictícios a tarde inteira.
Além de mim, somente outra mulher esteve lá para defender a vida, e num depoimento emocionado e bonito, disse que a filha de 3 anos, ao olhar a imagem de um feto, já sabe dizer o que ele é: um bebê. Também me surpreendeu um rapaz bastante jovem que, numa fala muito bem estudada, citou até Aristóteles. Vê-se bem que o tipo de discurso pró-vida é muito superior àquele que nos incita à dieta sem ovo.
Mas é preciso falar, também, do que não vi. Alguém pode me dizer onde estavam os movimentos de defesa da vida? Também os representantes religiosos, onde se esconderam? Especialmente os católicos, num ano em que o tema da Campanha da Fraternidade é a saúde pública! NENHUM esteve presente na audiência. O que justifica essa ausência maciça? Se foi uma estratégia, peço que seja mudada! Incomoda-me ver que o mal sempre é mais organizado e articulado que o bem. Incomoda-me ver que os poucos defensores da vida presentes estavam decepcionados pela falta de liderança. Incomoda-me parecer que as mulheres brasileiras são representadas por aquela corja, aquela falsa maioria que certamente será noticiada na imprensa como sendo a grande defensora dos direitos da mulher.
Por isso mesmo fiz questão de estar lá, para provar que elas NÃO me representam. E tenho certeza, não representam a verdadeira sociedade brasileira. Foi um tapa na minha cara ver que poucos fizeram o mesmo. Mas também foi um tapa na cara das feministas ver que, lá mesmo, esses poucos começaram a se unir.
Lorena Leandro
25/02/2012

Por Reinaldo Azevedo

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Agradecimento ao Dr. Tiago Bana pelo envio


Em 2011 o Papa usa um iPad e posta sua primeira mensagem no Twitter

Em breve, também o Papa estará entre os "twitters" com o Angelus e os seus discursos mais importantes. Esta foi a notícia divulgada pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, que esta semana colocou à disposição no site "Pope2you" a Mensagem para a Quaresma dividida em 40 "tweet".

A Rádio Vaticano entrevistou o Presidente do Pontifício Conselho, Dom Claudio Maria Celli:
"Este ano pensamos de lançar via twitter a mensagem do Papa para a Quaresma através do site "Pope2you" – uma iniciativa criada alguns anos atrás para os jovens, e que registra milhares de acessos de várias partes do mundo. Com a ajuda do Pontifício Conselho Cor Unum, escolhemos pequenas frases, pensando que este seja um modo para que os jovens conheçam a mensagem do Papa, pois é o meio que eles mais usam. E por que desta escolha? Porque acreditamos que os jovens tenham uma capacidade de ressonância muito grande: o "tweet" pode ser reformulado, redistribuído, relançado e disseminado. E então diria que isso evoca a imagem do Evangelho: o pequeno grão de mostarda que, semeado no terreno, produz grandes ramos onde as aves do céu podem repousar. Este é o nosso desejo: ao utilizar as novas tecnologias, que a Mensagem do Papa para a Quaresma possa ressoar amplamente e frutificar no coração dos jovens. "

"Ainda devemos definir a data. O Santo Padre já aprovou a iniciativa e espero que inicie em breve. E não somente com o Angelus, mas, por exemplo, com discursos do Papa sobre um determinado país, quando pede colaboração, ajudas ou com algumas festas do nosso calendário religioso: a mensagem de Natal, da Páscoa. Através do "tweet", essas palavras podem chegar ao coração de muitas pessoas, que talvez nunca leriam um discurso do Papa. Também aqui, mais uma vez, o Pontífice demonstra sua sensibilidade para as oportunidades que as novas tecnologias oferecem à comunicação."
Rádio Vaticano

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