segunda-feira, abril 30, 2012 |
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"Pois há
amigos em certas horas que deixarão de o ser no dia da aflição”
(Eclesiástico
VI, 8).
Contrariando a resistência pessimista de Dom Willianson e de seus círculos partidários, o
Superior Geral da Fraternidade São Paio X prossegue perseverante na conclusão de
um justo acordo entre Roma e sua Congregação Sacerdotal.
Certamente Dom Fellay compreende
a importância desse acordo. Sabe que sua realização sem as prévias exigências
de aceitação do Concílio Vaticano II e da Missa Nova, além da concessão para
criticá-los, representará uma grandiosa vitória para toda a Igreja, bem como a
legitimação do heróico combate de Dom Lefebvre em defesa da Tradição. É como se
Roma dissesse: “É possível ser católico mesmo não aceitando e até criticando o
Vaticano II e o Novus Ordo Missae”.
Muito mais que regularizar a
situação jurídica da FSSPX, o acordo aplicará um golpe decisivo contra o Modernismo
e seus derivantes. A tradição será fortalecida no seio da Igreja, provocando o
inevitável enfraquecimento das forças modernistas. Padres, até então temerosos
de assumirem posições consideradas tradicionalistas, serão encorajados a proclamarem
a verdadeira Fé e a atuarem destemidamente pelo retorno da Missa Antiga.
Essa iminente reviravolta, indubitavelmente
favorável à resistência tradicional, já causa notável temor nos adeptos
influentes do modernismo. Cientes dos efeitos de um acordo que se aproxima,
planejam maneiras desesperadas de solapá-lo, como ficou subentendido na
estranha carta de Monsenhor Guido Pozzo ao Superior Geral do IBP.
Essa correspondência,
tornada pública às vésperas de um acordo, pretendia desencorajar a FSSPX, visto
que, supostamente, revelaria a oculta intenção do Papa de conduzir os “lefebvristas”
à adesão do modernismo conciliar.
Como observou um consulente do site, é absurdo deduzir, com essa interpretação, uma imprudência do Papa que
colocaria tudo a perder depois de tantos esforços em favor da restauração.
Mas, pior que essa sabotagem
modernista, é a infidelidade dos que se diziam amigos da Fraternidade São Pio
X. Desprezando o bem comum por um egoísta interesse particular, declaram
veemente oposição ao acordo, projetando insinuações de imprudência ao Superior
da FSSPX.
Assim se manifestou o Mosteiro da Santa Cruz de Dom Tomás de Aquino. Respaldando-se numa pseudo prudência, a
“comunidade amiga” elencou uma série de razões pelas quais contesta a marcha de
Dom Fellay em direção ao acordo com a Santa Sé.
Nesse importante momento de
esperança para alguns e de desespero para outros, Dom Fellay é abandonado pelos
“amigos” que deveriam apoiá-lo para que faça o melhor para sua congregação e, sobretudo,
para o triunfo da Igreja.
Quanto a Dom Fellay, ele
convocou seus fiéis a rezarem e oferecerem sacrifícios na intenção de que seja
feita, acima de tudo, a vontade de Deus, e não a vontade de alguns poucos
inconformados.
“Por isso a Fraternidade São
Pio X, que quer apenas o bem da Igreja e
a salvação das almas, dirige-se com confiança à Santíssima Virgem Maria
para que ela lhe obtenha de seu Divino Filho as luzes necessárias para conhecer
claramente sua vontade e para cumpri-la audaciosamente” (Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal
São Pio X).
Entretanto, em resposta a
esse apelo, o Superior da FSSPX recebeu a ingratidão dos “amigos”, dispostos a sustentá-lo
só na medida em que favoreça seu espírito sectário.
Para justificar esse
abandono, alegam a imprudência de um acordo nas atuais circunstâncias em que Roma se encontra.
Dizem que a FSSPX será tragada pelo modernismo conciliar, além de ser tratada
como uma simples opção no imenso balaio ecumênico. Em suma, a Fraternidade será
destruída e seu apostolado sufocado pelas amarras de um acordo que diminuirá
sua liberdade de atuação.
Argumenta a “comunidade
inimiga” que, após o acordo, a FSSPX será aos poucos pressionada a ceder em
suas posições, tornando-se paulatinamente complacente ao Modernismo.
Ora, a Fraternidade
requisita de Roma o direito de recusar e criticar o Concílio e sua Missa fabricada,
como sempre fez desde a sua fundação. Reconhecidos e preservados esses dois direitos,
o Concílio será consequentemente despojado de sua lendária autoridade
infalível, arbitrariamente evocada pelos modernistas. Desse modo, haverá menos
razões para temer, pois a cúpula modernista terá mais dificuldades em forçar a
aceitação de um evento que se reconheceu falível e passível de contestação.
Essa é a liberdade mais
importante que a FSSPX irá conquistar: o direito de preservar intactos seus
princípios com o aval de Roma. Por isso, é ilógico dizer que sua liberdade de
atuação será prejudicada. Muito pelo contrário: oficialmente reconhecida, a
Fraternidade será fortalecida diante de um modernismo que perde seu maior
escudo: a outrora incontestável autoridade do Vaticano II.
Sem sua principal defesa, o
modernismo ficará muito mais vulnerável.
Esperamos, entretanto, que a
Fraternidade São Pio X não renunciará agora aos princípios católicos que sempre
professou e defendeu, mesmo que venha a sofrer eventuais perseguições da
hierarquia modernista.
Esse deveria ser o voto de
confiança dos amigos ingratos. Entretanto, empenhados – como os modernistas e
sedevacantistas – em impedir a qualquer custo o acordo, revelam uma frágil confiança
na FSSPX. De fato, eles supõem na Fraternidade uma fidelidade apenas
circunstancial, de tal modo que, submetida à pressão do modernismo, facilmente virá
a capitular, corrompendo-se pelo puro desejo da “legalidade”.
Não parece provável essa ridícula
decadência da congregação que herdou de um herói da fé, Dom Marcel Lefèbvre, o
combate pela tradição católica. E torna-se ainda mais improvável, considerando
a situação enfraquecida do Vaticano II graças aos poderosos efeitos de um bom
acordo.
Além do mais, a FSSPX será
revigorada por um “retorno”, sem necessidade de renúncia de suas convicções. E
dentro desse novo contexto, padres dela poderão vir a ser bispos sem precisar
renunciar à própria fé em troca da mitra episcopal.
Por essas e outras razões,
podemos desprezar a acusação de imprudência, levantada contra Dom Fellay.
Segundo a puríssima doutrina
de Santo Tomas, a prudência é uma virtude que se ordena ao bem comum (Parte
II-II, q. 47, art. 10). Confirmando esse princípio, recorda o Aquinate que a
caridade jamais busca seu próprio interesse, como ensina o Apóstolo: “Não buscando o que é útil para mim, mas o
que é de interesse geral, para que se salvem” (I Cor. X, 33).
A partir dessa verdade
revelada, conclui o ilustre doutor: “[...] sendo o homem parte de uma casa e de
uma cidade, necessariamente deve
considerar o que é bom para si pelo que é prudente para o bem da coletividade,
pois o bem da parte depende de sua relação com o todo [...]” (Parte II-II,
q. 47, art. 10).
Aplicando esse ensino da
Suma Teológica ao proceder da “comunidade amiga”, temos duas conclusões
possíveis:
1) Ou a “comunidade” não se considera parte da Igreja, e
por isso busca unicamente seu benefício particular, ou;
2) De fato faz parte da Igreja, mas por motivos não
declarados, age imprudentemente contra a caridade, desprezando o bem comum.
Nos dois casos a imprudência
é imputável.
Por outro lado Dom Fellay parece
mostrar, em sua atuação comedida, a verdadeira caridade católica, que trabalha
pelo bem da Igreja e pela salvação das almas. Caridade também manifesta neste sermão
proferido por Dom Alfonso de Galarreta, Bispo da FSSPX:
"Por princípio temos
que ter contato e por princípio temos que ir a Roma [...] porque somos
católicos, apostólicos e Romanos. Depois, porque, se Roma é o centro do
Catolicismo, é de Roma que a solução deve vir. Então, vale mais o pouco de bem
que pode ser feito em Roma, do que o muito bem que se pode fazer em outro
lugar” (Considerações
sobre um discurso filo-romano)
São Pedro e São Paulo foram
até Roma para anunciar o Evangelho de Cristo e dar testemunho da verdade. Foram
como ovelhas entre lobos. Roma não era cristã. E mesmo sob as pressões e
perseguições do império, os dois gloriosos Apóstolos não cederam. Não
capitularam. Foram martirizados. Morreram pela Fé. E por fim, Roma se
converteu.
Assim esperamos ao menos de
Dom Fellay e Dom Galarreta, os dois Bispos mais favoráveis ao acordo.
E como também queremos somente
o triunfo da Igreja, unimo-nos aos verdadeiros amigos da FSSPX, oferecendo
nossas orações para que Dom Fellay não recue por receio dos lobos, e deste modo
ajude o glorioso Pontífice reinante na antiga e eterna Roma Católica, serva de
Nosso Senhor.
In Corde Jesu, semper
Eder Silva
segunda-feira, abril 30, 2012 |
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Pe. Marcélo Tenorio
A tiara papal não é
simplesmente um adorno nem tão pouco uma ostentação de poder, de império e de
domínio político. Seu significado é bem mais profundo e grave, de forma que,
hoje em dia, um papa já não pode usá-la sem causar grande impacto. Se existe um
símbolo eclesiástico temido e rejeitado é, justamente, a tiara papal: os
inimigos entendem muito bem o que ela evoca.
A tiara possui três
coroas sobrepostas, conhecida mais como "tríplice coroa", ou triregnum. Isso quer dizer que o Vigário
de Cristo detém o poder pleno, supremo e absoluto sobre os três reinos:
--a primeira coroa, "Pai
dos Reis";
--a segunda coroa, "Pastor Universal";
--a terceira, "Vigário
de Jesus Cristo".
O último papa a
fazer uso da tiara foi o Papa Paulo VI, em 1963. Ele usou de uma tiara nova,
presente dos fiéis de Milão, onde foi arcebispo e cardeal.
A nova tiara de
Paulo VI tinha algo de profética. Era essencialmente feia, sem expressão
alguma. Os adornos tinham sido retirados e a tríplice coroa não era tão visível:
a impressão era de que se desmoronava de cima para baixo..Seu formato não era
agradável e, segundo alguns críticos parecia uma "ogiva nuclear".
No final da II
Sessão do Concílio Vaticano II, em 1963, Paulo VI desceu os degraus de seu
trono, na Basílica de S. Pedro, e depositou a tiara sobre o altar.
Muitos atribuíram àquela
atitude um gesto de humildade.
A verdade é que,
depois disso, a tiara não voltou mais a ser usada, a não ser nas ornamentações dos
brasões papais ou na cabeça da imagem de São Pedro, na basílica vaticana, pela
solenidade dos apóstolos.
Paulo VI manteve na
Constituição Apostólica Romano Pontifici
Eligendo (1975), sobre as Eleições dos Papas, menções à coroação dos seus
sucessores:
“Finalmente, o
Pontífice será coroado pelo Cardeal Protodiácono e, dentro de um momento
oportuno, irá tomar posse na Arquibasílica Patriarcal de Latrão, de acordo com
o ritual prescrito".
João Paulo I não
quis a coroação. Houve apenas uma cerimônia chamada de "inauguração do
Sumo Pontífice", embora tenha usado a Sedia
Gestatoria (trono móvel, ricamente adornado, utilizado para transportar o
Papa).
Seu sucessor, João
Paulo II, não só recusou a coroação como retirou qualquer menção à coroação dos
pontífices na Constituição Apostólica de 1996, Universi Dominici Gregis. Assim ele se pronunciou em sua "Inauguração":
"O último Papa
que foi coroado foi Paulo VI em 1963, mas após a cerimônia de coroação solene
ele nunca usou a tiara novamente e deixou seus sucessores livres para decidirem
a esse respeito. O Papa João Paulo I, cuja memória é tão viva em nossos
corações, não gostaria de usar a tiara, nem o seu sucessor deseja hoje. Este
não é o momento de voltar a uma cerimônia e um objeto considerado, erradamente,
como um símbolo do poder temporal dos papas. Nosso tempo nos chama, nos exorta,
nos obriga a olhar para o Senhor e mergulhar na meditação humilde e devota
sobre o mistério do poder supremo do próprio Cristo".
O Papa Bento XVI
inicia o seu pontificado com um brasão que não mais apresenta a tiara papal. Em
seu lugar uma mitra, embora com três linhas, fazendo uma discretíssima menção à
tríplice coroa.
"O Santo Padre
Bento XVI decidiu não usar mais a tiara no seu brasão oficial pessoal, mas
colocar só uma simples mitra, que não é portanto encimada por uma pequena
esfera e por uma cruz como era a tiara".
Todavia, inesperadamente
- e esse papa sempre nos surpreende -, a tiara papal reaparece, a la Gregório XVI , no brasão papal da nova flâmula
da sacada da Basílica de São Pedro .
O problema central
da tiara não são as pedras preciosas nela contidas, pois isso poderia ser bem
resolvido e não é a questão fundamental. O antigo argumento de que a Igreja
deveria "vender" tudo que possui e dar aos pobres, "porque é
muito rica", já não se encaixa mais nas mentes inteligentes. Tudo ali é
patrimônio da humanidade e sabe-se que mais gastos provoca que rentabilidade.
Basta pensarmos no valor incalculável da restauração de um pequeno pedaço da Capela
Sistina e em quem deve pagar essa conta.
Logo, a questão da
tiara é teológica! Ela representa o império de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre
a humanidade inteira: sobre a Igreja, sobre os Estados, sobre toda a sociedade.
Eis aqui o tríplice reino, o tríplice múnus.
Era comum de se ver
nas belas igrejas antigas e centenárias, como um marco da passagem de um século
para outro, uma cruz, colocada na parede da Igreja, no pórtico de entrada com
as seguintes frases: “Cristo vence - Reina - Impera. A Ele o Poder, a Glória, o
Domínio e o Império, pelos Séculos dos Séculos”.
A supremacia de
Cristo Rei deve resplandecer na face da Igreja e, sobretudo, na pessoa de seu
Vigário, o Papa.
A tiara papal na
verdade anuncia a Supremacia de Deus sobre os três reinos: Igreja, Estado e Sociedade.
Ao iniciar um novo
tempo, a modernidade, onde a “deusa razão” inaugura a época do
antropocentrismo, do homem livre, do livre pensamento, da libertação das
cadeias de todo e qualquer dogma ou verdade absoluta; onde o triunfo da Revolução
Francesa, com seus princípios maçônicos, é amplamente assumido em todas,
sobretudo na filosofia e teologia, devastando tudo e destruindo por toda parte
o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a tiara simplificada, lisa, sem
adornos, oval, de Paulo VI, nos anuncia o “desmoronamento” da Igreja pelo que
viria depois...
E hoje, assistimos a
toda essa derrocada que começou com a separação oficial da Igreja e do Estado.
Ora, o Estado existe
pelas pessoas que o compõem, de maneira que a ideia da laicidade do Estado é,
no mínimo, absurda, visto que, sendo a Lei Divina superior à lei humana
positiva, esta existe, com legitimidade, apenas quando em perfeita conformidade
e submissa à Lei Divina.
Incentivando a
laicidade do Estado, colaboramos com a destronização de Nosso Senhor Jesus
Cristo, Rei e Senhor dos Exércitos e, ao invés de servirmos à Verdade plena,
que sempre aponta à Verdade Católica, terminamos como humanistas e doutores do
"amor fraterno universal", oco, visto que desprovido da perfeita
caridade que somente existe fundamentada na Verdade, que é Cristo.
A laicidade gera a
pluralidade religiosa, que por sua vez, gera o subjetivismo religioso, pai do
indiferentismo e avô do ateísmo prático.
Leão XIII,
considerava esta questão de extrema importância, tanto que se dedicou ao
assunto em sua Encíclica
"Immortale Dei":
"Deus dividiu o
governo de toda sociedade humana entre dois poderes: o eclesiástico e o civil;
o primeiro, que cuida das coisas divinas e o outro que cuida das humanas. Cada
qual na sua esfera é soberano, cada um tem seus limites perfeitamente
determinados e traçados conforme a sua natureza e seu fim determinado. Ha assim
como que uma esfera de atuação onde cada um exerce sua ação 'jure' próprio".
E ainda:
"Gregório XVI, em sua Carta-Encíclica
"Mirare Vos", de 15 de agosto de 1832, (...) sobre a separação da
Igreja e do Estado, dizia o seguinte: 'Não poderíamos esperar situação mais
favorável para a Religião e o Estado, se atendêssemos os desejos daqueles que
anseiam por separar a Igreja do Estado e romper a concórdia mútua entre o
sacerdócio e o império; pois se vê quanto os que gostam de uma liberdade
desenfreada temem esta concórdia, pois ela sempre produziu bons e saudáveis
frutos para a causa eclesiástica e civil".
A laicização do
Estado destrona Nosso Senhor. As leis já não se pautam mais na Lei divina, a
Igreja, possuidora da Verdade plena e com vinte séculos de existência, é posta
ao lado das seitas mais bizarras: Cristo e Baal em pé de igualdade.
Um exemplo claro
acontece em nosso dias: a aprovação da lei nazista de extermínio de indefesos.
Na fala dos ministros estava estampada essa idéia de calar a voz da
Igreja, neutralizá-la. O sucesso do STF advém de outro: o princípio maçônico de
igualdade, liberdade e fraternidade.
Não se pode negar a
grande dificuldade que a Igreja enfrenta hoje diante de um mundo que odeia a
Verdade e que não aceita mais o "jugo" de Deus.
Como insistir no
Reinado Social de Nosso Senhor e na Supremacia da Verdade e da Fé? Como fazer com
que Ele reine, quando seu trono foi retirado do Estado e, em muitos casos,
com beneplácitos eclesiástico?
Era um cardeal quem
dizia: "O reinado de Nosso Senhor é praticamente impossível em nossos
dias!" - uma afirmação terrível!
"Eu sou Rei e
para isso vim ao mundo!", retrucou Jesus a Pilatos.
O Reinado Social de
Nosso Senhor é vital! A Europa começa a despencar moralmente, numa crise jamais
vista, justamente porque Nosso Senhor foi retirado de seu trono. E as
consequências são vistas a olho nu: famílias acabadas, jovens perdidos, sem
sentido algum, liberação e supremacia das vontades mais diabólicas do homem. Eis
a separação de todo o equilíbrio social, quando se exclui Nosso Senhor Jesus
Cristo.
A humanidade
caminhando para um paganismo prático encontrará, no fim da linha, apenas o
caos, o nada, o "não ser".
Bento XVI, em sete
anos de pontificado, tem surpreendido, positivamente, em muitos pontos,
sobretudo na reafirmação de valores já esquecidos pela sociedade cristã. Mesmo
pagando um alto preço, não tem se omitido em relação à proclamação da Verdade
sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo.
Há pouco tempo, Sua
Santidade recebeu no México um presente típico, um chapéu e, imediatamente, o
pôs sobre a cabeça. Isto também fizera noutras vezes, com outros estilos.
Tempos atrás recebeu de presente dos católicos húngaros uma bela tiara, mas
ponderou, olhou, olhou, agradeceu e... a entregou ao secretário.
No auge das invasões
de terra pelo MST, aqui, nas terras tupiniquins, Lula pôs em sua cabeça um boné
do movimento vermelho. Como falou aquele boné em sua cabeça! Falou-nos muito
mais que suas atrapalhadas palavras.
Como ressoou alto
aquele gesto de Paulo VI, retirando de sua cabeça a tiara...
Como ecoaria
"urbi et orbi" a tiara de volta à cabeça do Vigário de Cristo?
Nós sabemos como.
Esperemos, pois não
está tão distante: ela já se encontra em suas mãos.
Como tenho tanta
certeza?
As fontes em Roma são
falantes..jorram para todos os lados...
Più non ti dico… pìu non ti dico!
segunda-feira, abril 30, 2012 |
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Nosso Senhor Jesus Cristo disse, na instituição da Eucaristia, que seu sacrifício seria feito “por vós e por muitos”, usando palavras que já tinham sido preditas pelo profeta Isaías. A Santa Igreja repetiu por séculos essas mesmas palavras durante a Consagração do Vinho. Até mesmo a reforma litúrgica de Paulo VI manteve a mesma fórmula em sua versão latina. Porém… as Conferências Episcopais, em toda parte, caíram num lamentável lapso de tradução, levando todos os padres a afirmar durante a Missa, e todo o povo a crer, que Nosso Senhor morreu “por todos”, numa ilusória salvação universal.
O fato é que a salvação merecida pelo sacrifício de Nosso Senhor é oferecida “a todos” mas apenas “muitos” a aproveitam. E que configura uma audácia criminosa o fato de alterar palavras tão excelsas quanto o que é dito na Consagração!
Há alguns anos atrás, Bento XVI dera um prazo de dois anos para que todas as Conferências Episcopais alterassem suas traduções: ele foi solenemente ignorado! “Pegando papel e caneta”, como diz o Pe.Lombardi, ele escreve uma carta pessoal ao episcopado de lingua alemã… Como a dizer que “se ao Papa eles não atendem, quem sabe a um confrade eles darão ouvidos…”
Triste desdobramento de hoje, o porta-voz da Cúria Romana, Pe.Lombardi, dá notícia do pedido do Papa, acrescentando, como a desculpa-lo, que o Papa insiste na tradução “por muitos”, mas é papel da catequese ensinar que Cristo morreu “por todos”…
Notícia Radio Vaticano
Comentário Lucia Zucchi
Pe. Lombardi: Papa esclarece palavras “por muitos e por todos” da fórmula de consagração
Cidade do Vaticano (RV) – Dias atrás Bento XVI endereçou uma carta ao episcopado alemão na qual se detém sobre uma questão concernente à correta interpretação a ser atribuída à fórmula da consagração do vinho na missa. Trata-se de uma questão teológica, mas com implicações de fé para todo cristão, como reitera o Diretor-Geral da Rádio Vaticano, Pe. Federico Lombardi, em seu editorial para “Octava dies”, o semanário de informação do Centro Televisivo Vaticano:
“O que fez o Papa em Castel Gandolfo na semana após a Páscoa? Pegou papel e caneta e escreveu em sua língua uma carta de certo modo especial, dirigida aos bispos alemães, que poucos dias depois a publicaram. Diz respeito à tradução das palavras da consagração do cálice do sangue do Senhor durante a missa. A tradução “por muitos”, mais fiel ao texto bíblico, deve ser preferida a “por todos”, que pretendia tornar mais explícita a universalidade da salvação trazida por Cristo. Alguém poderá pensar que o tema sirva somente para refinados especialistas. Na realidade, permite entender o que é importante para o Papa e com qual atitude espiritual ele o aborda. Para o Papa as palavras da instituição da Eucaristia são absolutamente fundamentais, trata-se do coração da vida da Igreja. Com o “por muitos”, Jesus se identifica com o Servo deJahwé anunciado pelo profeta Isaías; portanto, repetindo essas palavras expressamos melhor uma dúplice fidelidade:
a nossa fidelidade à palavra de Jesus, e a fidelidade de Jesus à palavra da Escritura. Não há dúvida sobre o fato que Jesus morreu para a salvação de todos, portanto, é tarefa de uma boa catequese explicar isso aos fiéis, mas, ao mesmo tempo, explicar o significado profundo das palavras da instituição da Eucaristia. O Senhor se oferece “por vós e por muitos”:
sentimo-nos diretamente envolvidos e na gratidão tornamo-nos responsáveis pela salvação prometida a todos. O Papa – que já tratara disso em seu livro sobre Jesus – dá-nos agora um exemplo profundo e fascinante de catequese sobre algumas das palavras mais importantes da fé cristã. Uma lição de amor e de respeito vivido pela Palavra de Deus, de reflexão teológica e espiritual altíssima e essencial, para viver a Eucaristia com mais profundidade. O Papa conclui dizendo que no Ano da Fé devemos empenhar-nos dessa direção. Esperamos fazê-lo realmente.” (RL)
sexta-feira, abril 27, 2012 |
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Pe. Marcélo Tenorio
I - Apresentação
Têm sido disseminadas nos meios católicos as
famosas orações e Missas de "Cura e Libertação".
Essa prática, estranha à teologia do Aquinate,
quer no âmbito privado ou na da Sagrada Liturgia da Missa, tem gerado confusão,
perplexidade e, em muitos casos, escândalos entre os fiéis que não reconhecem
nesta forma "nova" de culto, a sua identidade católica.
O presente artigo já estava pronto quando
chegou em minhas mãos um católico, lúcido, oportuno e eficaz pronunciamento
episcopal dos bispos de Medellim e Puebla condenando essas missas ditas de Cura
e Libertação, porque “apresentam
aspectos e procedimentos que não
estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.”[i]
Continua
o documento episcopal:
“Com o ambíguo nome de ‘Missa de Cura’
(pois em todas as missas a Palavra e o Corpo de Cristo podem nos curar) se
designa uma certa maneira de manipular a celebração desse Sacramento, com
interesses diversos que vão desde as melhores intenções até a simonia [n.d.r.: venda de bens espirituais]. É necessário evitar que este tipo de
celebração se preste à exploração da emotividade, da necessidade de
cura e da visão fantasiosa que algumas pessoas podem ter. Acima de tudo, nunca
se pode aceitar que se faça negócio com o sofrimento das pessoas.”[ii]
“[...] Junto com as erroneamente
chamadas "Missa de cura" também são promovidos exorcismos,
unções, orações de libertação e outras práticas que alteram
gravemente o sentido da vida sacramental da Igreja. Na realidade, através da
catequese e de celebrações dignas, devemos procurar que tanto a Eucaristia como
os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, instituídos por nosso
Senhor Jesus Cristo, ajudem com a graça de Deus às pessoas que precisam de
auxílio espiritual.”[iii]
As Missas e Orações de Cura e Libertação,
quase sempre têm inclusos outros "fenômenos" carismáticos, tais como
oração em línguas estranhas, revelações e o mais que estranho repouso no
espírito.
Quanto à "oração em línguas" e a
catolicidade da RCC, já nos detivemos aqui em nosso blog.[iv] Agora queremos
discorrer sobre a missa e oração de cura e Libertação: sua origem, teologia,
como também sobre os demais carismas que "auxiliam" e aparecem
presentes nessa prática.
II - Pronunciamento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé
Antes de tudo é importante relembrar o que a
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé ensinou e legislou sobre o assunto,
pela pena do então Cardeal Ratzinger,
hoje Sua Santidade, o Papa, no documento intitulado "Instrução sobre as
Orações para alcançar de Deus a Cura."[v]
Fala o ex Santo Ofício:
"O anseio de felicidade, profundamente radicado no coração humano, esteve sempre associado ao desejo de se libertar da doença e de compreender o seu sentido, quando se a experimenta. Trata-se de um fenômeno humano que, interessando de uma maneira ou de outra todas as pessoas, encontra na Igreja particular ressonância. Esta, de facto, vê a doença como meio de união com Cristo e de purificação espiritual e, para os que lidam com a pessoa doente, como uma ocasião de praticar a caridade. Não é só isso porém; como os demais sofrimentos humanos, a doença constitui um momento privilegiado de oração, seja para pedir a graça de a receber com espírito de fé e de aceitação da vontade de Deus, seja também para implorar a cura."
Fica claro que a Santa Igreja ensina ser o
momento de enfermidade como rico e propício ao crescimento da alma levando-a a
uma maior união com Deus e favorecendo a compreensão em relação à vida e à
existência nesse mundo.
A Graça de Deus tanto está para os que sofrem,
como para aqueles que cuidam com generosidade dos enfermos, e também para
aqueles que se edificam com o testemunho de resignação de tantos que, no
momento da dor, unem-se à paixão de Nosso Senhor e, por ela, conseguem a sua
própria salvação.
Também são católicas as intercessões para se
pedir a cura, segundo a vontade de Deus, dos que sofrem. Assim fundamentou-se a
Igreja e sustentou a devoção aos santos, recorrendo à sua valiosa ajuda.
É importante perceber que se por um lado a
Sagrada Congregação atesta a catolicidade e, portanto, legitimidade das orações
que suplicam a Deus pela cura física, de outro mostra-se preocupada com essa
forma “diferente” de se rogar a cura,
justamente por ela conter maneiras
estranhas à doutrina de sempre da Igreja, como atestaram os bispos mexicanos,
acima.
Vejamos o que nos diz o documento da “Doutrina
da Fé”:
"A oração que implora o restabelecimento da saúde é, pois, uma
experiência presente em todas as épocas da Igreja e naturalmente nos dias de
hoje."
Entretanto, em seguida, pondera:
“Mas o que constitui um fenômeno sob
certos aspectos novo é o multiplicar-se de reuniões de oração, por vezes
associadas a celebrações litúrgicas, com o fim de alcançar de Deus a cura. Em certos casos, que não são poucos, apregoa-se a existência de curas alcançadas,
criando assim a expectativa que o fenômeno se repita noutras
reuniões do gênero. Em tal contexto, faz-se por vezes apelo a um suposto carisma de cura.”
Logo de início o presente documento nos traz luzes importantes para a
compreensão do problema. Expomo-las aqui de maneira simples e pontual.
1.
Nada é pacífico, nem conhecido, pois se assim o fosse a
Sagrada Congregação não emitiria um documento de tamanha importância sobre o
assunto, nem tampouco analisaria a questão, visto que sendo católica a prática,
bastaria uma nota desta mesma Congregação autenticando a forma e
fundamentando-se no Magistério Perene da Igreja.
2.
O assunto é tratado como “fenômeno” e como “novo”. É
claríssimo que por “fenômeno” não se compreende uma intervenção sobrenatural de
Deus, já que o termo é bem usado em várias ciências, sobretudo na sociologia e
antropologia hodiernas. Quanto ao “novo”, quer indicar justamente algo
desconhecido à Igreja (o que já deveria ser motivo, mais que suficiente, às
indagações e suspeitas de um fiel atento à doutrina apostólica). Algo
“desconhecido” quanto prática religiosa eclesial, mas não quanto à forma
protestante pentecostal, já conhecidas por seu subjetivismo nocivo à fé.
III - A condenação
das novidades e o afastamento da Teologia de Santo Tomás
Vários Papas condenaram as “novidades” que muitos tentaram introduzir no
seio da Igreja. Assim o grande Papa Pio XII, logo após a II Guerra Mundial
expressa-se preocupado:
“[...] Nós assinalamos, não sem preocupação nem sem
temor, que alguns são excessivamente ávidos
de novidade e se transviam fora dos caminhos da sã doutrina e da prudência.
Porque, querendo e desejando renovar a santa Liturgia, eles promovem, muitas
vezes, a intervenção de princípios que, em teoria ou na prática, comprometem
esta santa causa e, às vezes até as
mancham com erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética.
A pureza da fé e da moral deve ser a regra principal
desta ciência sagrada que é preciso conformar em todos os pontos aos mais
sábios ensinamentos da Igreja. É, portanto, Nosso dever louvar e aprovar tudo
aquilo que é bom e conter ou censurar tudo aquilo que se desvia do caminho
justo e verdadeiro...” [vi]
E ainda:
“[...] Existem hoje alguns [entre os
doutores católicos], assim como nos tempos apostólicos, que se apegam mais do
que convém às “novidades” no temor de passar por ignorantes de tudo o que
arrasta um século de progressos científicos: constata-se, então, que eles, na
sua pretensão de se subtrair da direção do Magistério sagrado, se vêm em grande
perigo de se afastar pouco a pouco da verdade divinamente revelada e de induzir
outros a irem com eles ao erro. – As “novas opiniões”, quer se inspirem elas em
desejo condenável de “novidades”, quer em qualquer louvável razão [...]”[vii]
Aqui o Papa constata o centro e a causa da crise: o abandono da teologia
oficial da Igreja, isto é, a teologia de Santo Tomás!
“De fato, ó dor, os “amadores de novidades” passam
naturalmente do desdém pela teologia escolástica à falta de atenção, até ao
desprezo pelo próprio Magistério da Igreja que, com toda a sua autoridade, aprova inteiramente essa teologia".[viii]
Se na época de Pio
XII já se via claramente uma fumaça sombria a se aproximar da Igreja,
conclui-se que, à época do Concílio Vaticano
II e ao que se seguiu depois dele, a barca de Pedro tenha imergido em nuvens
densas, por vezes escuras de uma desorientação quase geral que levou o próprio
Papa Paulo VI a declarar, após o encerramento do Concílio: “esperávamos uma
primavera e eis que veio uma tempestade!”
Aqui as “novidades”
das mais variadas entraram pela porta da frente. E foram tantas!
Todavia, se hoje
nos encontramos diante dessa novidade carismática e neo-pentecostal (e aqui
está o motivo pelo que se separa da Sã Doutrina) é devido, sobretudo, ao
abandono da teologia escolástica, como muito bem reconheceu o Santo Padre Pio
XII.
IV - O Fenômeno “Carismático”
O fenômeno
“carismático” teve seu início em meios católicos logo após o encerramento do
Vaticano II. A origem de tudo encontra-se no protestantismo pentecostal. Sua
fonte é a heresia luterana da supremacia do subjetivismo sobre a razão
teológica. Para Lutero o conceito de fé deveria ser mudado, visto que para ele
tratava-se de algo “experiencial”, empírico, livre de qualquer autoridade
religiosa, pois que Deus revelar-se-ia no mais íntimo do coração do homem.
Nesse espírito, nada católico, aconteceu o início
daquilo que mais tarde viria a ser chamada de “renovação carismática”, noutros
países “renovação no espírito”.
Aliás, quanto à
origem da RCC, temos duas: a mais conhecida e difundida nos livros e formações
do movimento, é a chamada “Experiência de Duquesne”, onde fica clara a adesão
de dois professores universitários à heresia protestante. A versão nova (talvez
numa tentativa de deixar mais “católica” sua origem) é a inclusão da Beata
Helena Guerra na história, já que, sendo devota do Espírito Santo, teria
influenciado o Papa Leão XIII a pedir sobre a Igreja um “novo pentecostes”.
Como não houve eco nos demais graus da hierarquia, o Espírito Santo teria
passado direto, indo derramar-se sobre os protestantes... Aqui se vê claramente
uma loucura sem medida, para não dizer uma grossa heresia, como se Deus pudesse
derramar suas graças sobre o erro, na divisão e na apostasia.
Ora, vamos aos
fatos: Em agosto de 1966 esses dois professores encontraram-se com Ralph Martin
e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos
livros “A cruz e o punhal” e “Eles falam em outras línguas”, que tratam da experiência pentecostal.
Impressionados com tudo aquilo, procuraram um ministro da igreja episcopal que
os conduziu a uma paroquiana sua chamada de Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu
grupo carismático fez com que eles recebessem o “batismo no Espírito Santo”.
Aqui vale uma
rápida reflexão: o que levou dois católicos e cursilhistas a procurarem
práticas estranhas às suas, comungando de doutrinas protestantes? Por que se dirigiram a um “ministro”
herético? Considero aqui duas coisas importantes: a busca do experiencial e a
leitura de livros que não expressam a nossa fé. Novamente volta à pauta o
desejo pelas “novidades” e agora, num mundo aberto às novas práticas, onde o
homem é colocado ao centro, nada melhor que uma doutrina que valorize o sentir,
o perceber e o viver do homem. E a isso se encaixam, como uma luva, o
sentimentalismo e subjetivismo protestantes.
O resto da história
já é conhecido. Animados pelo espírito protestante com sua teologia, misturados
com neo-pentecostalismos e, maravilhados com os “carismas” que eram
“derramados”, num primeiro momento, já em Duquesne, num retiro, rejeitada a
programação já pronta, resolvem pregar essas novidades aos demais e, pela
“imposição de mãos”, receberam o chamado “batismo no Espírito Santo”. Em pouco
tempo isso cresceu. Muitos aderiram e, desgraçadamente, já se viam padres
envolvidos...
V - A apostasia passa pela curiosidade – S. Pio X
A curiosidade não
freada, diz o Papa São Pio X, é suficiente para entender e explicar todos os
erros, pois para ele a curiosidade é a mesma coisa que o espírito de novidade. Em nome da novidade muitos católicos
mergulharam no erro por darem-se às leituras protestantes e a teólogos
modernistas, além dos filósofos modernos. A apostasia passa pela curiosidade.
Já o mesmo papa,
percebendo as manobras modernistas e como estavam presentes na Igreja, no
início do século XX, escreveu a importante encíclica Pascendi Dominici Gregis, condenando explicitamente os erros do
modernismo:
“[...] Por força desta doutrina, a razão
humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos, isto é,
só das coisas perceptíveis e pelo modo como são perceptíveis; nem tem ela
direito nem aptidão para transpor estes limites...”[ix]
Sendo verdade que a
RCC difundira na Igreja tais formas protestantes através de suas práticas,
seminários e livros, também é verdade que hoje são largamente usadas com ou sem
o aval do mesmo movimento, que de certa forma, perdeu o controle sobre isso por
motivos diversos. Não é difícil encontrar leigos, religiosos e até sacerdotes
que, usando o “jeito carismático” em suas práticas, não o fazem em nome do
movimento, mas em seu próprio, de forma que músicas, maneiras, aeróbicas,
estilos que antes pertenciam somente à RCC, hoje são disseminados em todos os ambientes que valorizam o
sentimento e buscam a primazia dos afetos, em sua grande maioria. Na verdade é
a aplicação da filosofia fenomenológica que teve como patriarca Kant (com seu
sistema anti-intelectual), e depois Husserl e Max Scheller.
O objeto da
metafísica clássica é o ser. Já a fenomenologia centraliza-se na manifestação
dos fenômenos, nas vivências e nas experiências.
VI – As orações de cura e libertação: uma análise
É nítida a
diferença entre a oração que roga a Deus a cura e as formas carismáticas
encontradas hoje. O próprio documento da Sagrada Congregação para Doutrina da
Fé nos aponta diferenciais.
Não se nega a
eficácia da oração:
“As curas ligadas aos lugares de
oração (nos santuários, junto de relíquias de mártires ou de outros santos,
etc.) são abundantemente testemunhadas ao longo da história da Igreja. Na
antiguidade e na idade média, contribuíram para concentrar as peregrinações em
determinados santuários, que se tornaram famosos também por essa razão, como o
de São Martinho de Tours ou a catedral de Santiago de Compostela e tantos
outros. O mesmo acontece na actualidade, como, por exemplo, há mais de um
século com Lourdes. Estas curas não
comportam um «carisma de cura», porque não estão ligadas a um eventual detentor de tal carisma, mas há que tê-las em conta ao
procurar ajuizar, sob o ponto de vista doutrinal, as referidas reuniões de
oração.”
Primeiro
ponto: Não há alguém, ou pessoas
legitimadas com o carisma das curas,
diferente dos ambientes “carismáticos” nos quais há sempre alguém que possui esse “poder” (que impõe as mãos, que
reza, que intercede). Nas missas ditas “de cura e libertação”, sempre é o padre
o protagonista, aquele “detêm” tal carisma, pode até ser auxiliado, mas é ele
quem o possui. Assim também é no grupo de oração: há pessoas -ou pessoa-
especificamente com esse “dom”. Tanto é verdade que é comum uma multidão
acorrer a certas igrejas, abandonando sua paróquia, por causa da presença de
certas pessoas (sacerdote ou não) consideradas pelos fiéis como “ungidas”. Logo,
a eficácia da cura não se encontra na Missa e nos sacramentos por si mesmos,
como ensina a teologia católica, mas no condutor ou pretenso “detentor” do
pseudo poder.
Não
é estranho que nesses ambientes surja um clima de fanatismo e supervalorização
do mediador. Nas procissões com o Santíssimo Sacramento (dentro ou fora da
missa), quem já não presenciou o padre com uma mão no ostensório e a outra no
fiel, como se não bastasse Jesus mesmo ali presente? Num famoso programa de
televisão, num desses momentos de “cura”, o sacerdote com uma mão no
Santíssimo, a outra no microfone, despreocupava-se com o ostensório para
procurar a posição melhor da câmera.
Sobre
o uso da exposição do Santíssimo Sacramento, ou procissão sem o fim para o qual
reza a norma, que é a adoração, a Santa Igreja considera ilegítimo, como está
abaixo, no Documento do Cardeal Ratzinger:
“[...]Também estas celebrações são
legítimas, uma vez que não se altere o seu significado autêntico.
Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura
dos doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a
perder a sua finalidade; esta, de facto, «leva a reconhecer nela a admirável
presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na
comunhão sacramental”».
Nesses
encontros o mediador é preponderante. Ele “realiza” curas e também as proclama
com o anúncio solene do que ali está sendo realizado ao seu comando:
“Nesse momento Jesus está curando
alguém que se encontrava...”
“O Senhor me mostra, me revela, uma
mãe aqui...”
É
bem verdade que muitos santos tiveram o dom da ciência, e sabiam
o que se encontrava no interior das almas. Padre Pio, por exemplo, era
capaz de perceber toda a vida das pessoas que o procuravam. Entretanto numa
vida profundamente humilde, sempre se deu por nada e jamais pediu a Deus as
tantas graças nele derramadas, pelo contrário, tinha em conta o que fala a
Imitação de Cristo:” Aquele que bem se conhece tem-se por vil e não se compraz
nos louvores humanos.” ( I C, Cap. II,1).
É
comum na RCC acontecerem os seminários de dons, onde, após rápida explicação
sobre os carismas, todos são levados a pedir a Deus os dons carismáticos de
revelações, curas, libertação milagres e
outros. Os que “sentem, no coração”, que foram agraciados, já podem servir à
comunidade e, se forem bons em pregação e muitos confirmarem os “toques de
Deus” através deles, então a fama se espalha, todos os procuram e, assim nascem
os “novos ungidos”.
Sobre
esta questão a Sagrada Congregação reprova e considera arbitrária a ideia de
que o carisma de cura pertence a um grupo ou a pessoa.
“Por conseguinte, nas reuniões de
oração organizadas com o intuito de implorar curas, seria completamente
arbitrário atribuir um «carisma de cura» a uma categoria de participantes, por
exemplo, aos dirigentes do grupo. Dever-se-ia
confiar apenas na vontade totalmente livre do Espírito Santo, que dá a alguns um especial carisma de cura para manifestar
a força da graça do Ressuscitado. Há que recordar, por outro lado, que nem as
orações mais intensas alcançam a cura de todas as doenças. Assim São Paulo tem
de aprender do Senhor que «basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se
manifesta todo o meu poder» (2 Cor 12,9) e que os sofrimentos que se têm
de suportar podem ter o mesmo sentido do «completo na minha carne o que falta à
paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja» (Col 1,24)”.
Na
conclusão do presente documento encontramos as disposições disciplinares, que
valem a pena ser lidas para o nosso conhecimento e também para perceber a
distância daquilo que a Igreja ensina com aquilo que se faz hoje “ao
Deus-dará!”
Art.
3 - § 1. As orações de cura litúrgicas
celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27).
Aqui
verificamos que há orações prescritas e que se encontram no ritual da Igreja
Romana, excluindo-se a possibilidade de improvisos e a mistura com outras
orações e formas, ou seja, a criatividade...
§
2. Os que estão encarregados de preparar ditas
celebrações litúrgicas, deverão ater-se a essas normas na realização das
mesmas.
§ 3. A licença de realizar ditas
celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou
Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar
tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada (grifo
do original).
§
3. É necessário, além disso, que na sua execução não se
chegue, sobretudo por parte de quem as
orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade
ou o sensacionalismo (grifo nosso).
Art.
7 - § 1. Mantendo-se em vigor quanto
acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos
livros litúrgicos, não devem inserir-se
orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima
Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas” (grifo nosso).
Logo,
não pode existir uma “Missa de Cura e Libertação”, com elementos estranhos à
sagrada liturgia, mas sim a “Missa pelos Enfermos”, já prescrita no missal, sem
alterações, nem criatividades.
Art.
8 - § 1. O ministério do exorcismo deve
ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com
o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro
de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)
§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se
distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.
§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na
celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
Art. 10 -
A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária,
quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litúrgicas ou não
litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando
houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.
Como vemos, essas normas estão longe de serem
cumpridas pela RCC e a desobediência à
voz da Igreja continua na ordem do dia. Mas, se não há obediência, como pode
haver “intervenções sobrenaturais de Deus” em tais momentos? O principal
critério para se discernir as ações do bom ou mau espírito, como ensina Sto.
Inácio , é justamente a obediência que permeia toda a ação.
Não são poucas as pessoas que me procuram extremamente
confusas pelo que foi por elas visto nesses momentos de oração, sobretudo
perplexas com o que lá assistiram e tendo sua fé abalada até às bases.
Músicas emotivas que se repetem, gerando um clima
propício ao sentimentalismo, embaladas por cantorias em línguas estranhas,
enquanto pseudo exorcismos vão sendo realizados, numerosas pseudo curas e, o
mais esperado é justamente, o “passeio com o Santíssimo Sacramento”. Aquele que
dirige a oração convida a todos para colocarem fotos de entes queridos, já
trazidas para esse fim, para tocarem no ostensório. Assim começa o
“esfrega-esfrega” na custódia (como se Jesus não fosse onipresente),
desrespeitando blasfemando o Santíssimo Sacramento. Mas não fica só nisso!
Ainda com o Santíssimo, as pessoas são convidadas a se aproximarem e, ao
simples toque no ostensório, puft! Repousam no “espírito”! Caem no chão! Ficam
lá em “êxtase”. E a palavra é mesmo essa: “Êxtase”.
No livro chamado “O Repouso no Espírito”, o padre
jesuíta Robert DeGrandis, compara esse “fenômeno” ao êxtase dos santos, como Santa
Teresa d´Avila e outros místicos.
Ora, ensina a teologia mística que são três as vias de
elevação da alma a Deus e que é somente na última via, a “unitiva”, que a alma
começa a gozar dos enlaces do Amado.
Aqui se dão os êxtases e das revelações à alma dos
segredos de Deus. Todavia nem todas as almas santas que atingiram o cume das
virtudes e da santidade (próprias desta última via) passavam por tais
experiências. A própria Teresinha do Menino Jesus, no auge de sua santidade,
encontrava-se em profunda aridez, a ponto de dizer: “Amo-te, mesmo que me seja
negado o paraíso”.
Conheço pessoas que “repousaram no espírito” nessas
orações e missas e que dizem ter “experimentado” uma alegria profunda, mas
vivem privadas da graça santificante por se encontrarem em pecado mortal por
ato, ou por situação assumida, como adultério (segunda união), vida íntima no
namoro, etc. Não é pequeno o número de pessoas que dizem ter passado por essas
“experiências”, mas que ou jamais se aproximaram do sacramento da confissão
(penhor de toda cura) ou que já estão distante dele por anos e anos.
Um padre carismático escrevia que o que acontece é
simples: pela experiência “pessoal com Deus”, a pessoa é elevada já, pelo o que
se chama de “batismo no Espírito” à última via do caminho espiritual, à via
unitiva! Isso é tão absurdo: de uma gravidade e heresia sem tamanho, que nem
vale a pena discorrer!
Como já demonstramos noutros artigos[x],
os carismas como são aplicados nessas orações ou missas, ou ensinados pela RCC,
sobretudo o chamado “repouso no Espírito”, não possuem nenhum respaldo no
magistério da Igreja, quer ordinário ou extraordinário. Não existe nenhum
documento da Santa Sé que autentique ou endosse como católicas essas estranhas
práticas que nunca fizeram parte do comum da Santa Igreja. Todos os carismas,
inclusive o dom das línguas, foram objetivamente ensinados e explicados pelos
padres e doutores, sobretudo Sto. Tomás de Aquino, a quem devemos dar total e
pronto acatamento.
VII
- Conclusão
Recém-ordenado, o jovem padre toma posse de sua nova
paróquia: uma paróquia mais que centenária no interior de Minas. Cheio de
idéias, e dado ao espírito de novidades – aliás, discípulo que era de Chardin,
tinha uma visão cosmológica do mundo e da fé. Muita coisa deveria mudar ali,
pensava o novo pároco, a começar pela imagem da padroeira, que ele achava
antiga demais, sem a “beleza” expressiva da arte moderna. A imagem era de Nossa
Senhora do Carmo, antiga como nem sei o que...
Seu conselheiro o admoestou: “Senhor padre, mexa em
tudo menos nesta imagem, pois o povo não irá aceitar uma mudança!”
Mas o padre já estava com tudo pensado: já tinha
encomendado uma imagem mais nova e atualizada da Virgem, de forma que, na
calada da noite, ele colocaria a Nova no lugar da Velha e esperaria a reação do
povo, afinal, quem vai discutir com o padre?
Apesar das ponderações de seu conselheiro, ele assim o
fez. Num sábado à noite, sabendo que o domingo era sempre cheio, e seria a
prova dos “nove”, trocou a imagem. A Velha foi recolhida e a Nova, enfim, posta
no lugar!
Amanhece o dia! Os sinos tocam a chamada para missa. O
povo vai chegando para as orações, confissões e reza do terço. Todos vão logo
para o altar da querida padroeira e lá rezam...
O padre novo e seu conselheiro, de cima, do coro,
observam tudo: o povo está calado. Silenciosamente calado, no altar da
padroeira. Parecem rezar, parecem não se importar... nenhuma dissidência,
nenhuma revolta! E o padre ficou feliz e exclamou para seu conselheiro: “Não
disse? Não tivemos problemas! O povo aceitou a Nova.”
Passaram-se os meses e o povo permaneceu calado!
Chega a festa da padroeira... e o povo, calado!
Começa a novena... e o povo, calado!
Enfim, o grande dia da procissão. A cidadezinha mineira
estava em festa!
Uma multidão compareceu. O padre feliz, via descer nas
escadarias o belo andor, e nele a imagem Nova da padroeira.
O povo, entusiasmado, cantava hinos em honra à Virgem.
Foi então que o padre gritou:
“VIVA NOSSA SENHORAAAAAAAA!”
“A VELHAAAAAAAAAAAAAAAAA”, gritava o povo!
O padre, pensando não ter ouvido o que ouviu, gritou
mais alto:
“VIVA NOSSA SENHORAAAAAAAAAA!”
“A VELHAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”, gritou mais alto ainda o
povo!
† †
†
Hoje, o que mais existem são as novidades. São Paulo já
nos preveniu sobre isso:
“Virão dias em que os homens já não suportarão a Sã
Doutrina da Salvação” (2 Tm 4, 1-3).
Para nós católicos a única verdade é Cristo e
sua Doutrina que é sempre a mesma, sem novidades, porque Ele é o mesmo
“ontem, hoje e sempre!”
Para a Fé Católica o “Velho” não é sinal de “caduquice”,
pois a Verdade transcende o tempo, posto que eterna, e resplandece
triunfalmente na face da Igreja Mãe e Mestra de toda Verdade.
Portanto, para se estar na Verdade deve-se estar com a
Igreja, mantendo-se longe das novidades, de forma que, aos gritos de “VIVA!” às “coisas novas”, possamos,
sempre responder:
“À VELHA
E à de sempre!!!”
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