O CHORO DOS SINOS


Dobrai sinos de Roma,
Dobrai!
Dobrai de tristeza porque um papa sai de vossas muralhas eternas
Para eternizar-se  na história.

Dobrai sinos das montanhas,
Bentos e Anselmos,  dobrai
Porque um bispo vestido de branco
Subindo o Monte
Entrará em vosso claustro,
Empunhando a cruz de Cristo e nela também crucificado.

Dobrai sinos da Igreja,
Dobrai de tristeza numa Esperada Esperança
De que  a Barca,  mesmo em tempestades
Jamais sucumbirá.

É eterna,
Perene,
Indestrutível…

Dobrai sinos de Roma,
Dobrai.

Dobrai sinos de Paulo,
Além dos muros
De João o de Latrão
E de Maria  Maior.

Porque  o anel foi quebrado,
Mas não a promessa
Que sendo também Maior
É inquebrantável,
Indestrutível:
“Tu es Petrus!”
Dobrai sinos do Mundo Inteiro
Dobrai.
Dobrai de tristeza.

Chorai o Pontífice  vivo
Que se faz morto
Por amor
E esperai o alegre momento,
Da chegada do outro
Que sem nome e sem rosto,
–  ainda –
Se aproxima
Do trono  e do altar.

Pe. Marcélo Tenorio

O afeto dos cardeais ao Papa



Cidade do Vaticano (RV) – “Hoje, queremos mais uma vez expressar-lhe toda a nossa gratidão.” Assim, o Decano do Colégio Cardinalício, Card. Angelo Sodano, saudou o Papa Bento XVI, na Sala Clementina, em nome de todos os cardeais presentes em Roma.

“Com grande trepidação, os Padres Cardeais se unem ao seu redor, Santidade, para manifestar-lhe mais uma vez seu profundo afeto e expressar-lhe viva gratidão por seu testemunho de abnegado serviço apostólico, pelo bem da Igreja de Cristo e de toda a humanidade.”

Recordando as palavras pronunciadas pelo Pontífice sábado passado, no final dos Exercícios Espirituais, quando agradeceu a todos por esses quase oito anos, durante os quais seus colaboradores carregaram com competência, afeto, amor e fé o peso do ministério petrino, o Cardeal afirmou que é o Colégio que deve agradecer pelo exemplo que o Papa deu em todo este período:

“Em 19 de abril de 2005, Sua Santidade se inseriu na longa cadeia de Sucessores do Apóstolo Pedro e hoje, 28 de fevereiro de 2013, está prestar a deixar-nos, à espera que o timão da barca de Pedro passe a outras mãos. Assim, prosseguirá a sucessão apostólica, que o Senhor prometeu à sua Santa Igreja, até quando se ouvir sobre a terra a voz do Anjo do Apocalipse que proclamará ‘Já não haverá mais tempo… então o mistério de Deus estará consumado’. Terminará assim a história da Igreja, com a história do mundo, com o advento de novos céus e terra nova.”

O Cardeal Sodano afirmou que, “com profundo amor”, os cardeais tentaram acompanhá-Lo no seu caminho, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, os quais, depois de caminharam com Jesus, disseram um ao outro: ‘Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho?’.

“Sim, Padre Santo, saiba que o nosso coração também ardia enquanto caminhávamos juntos nesses últimos oito anos. Hoje, queremos mais uma vez expressar-lhe toda a nossa gratidão. Em coro, repetimos uma expressão típica de sua querida terra natal: ‘Vergelt’s Gott’, Deus lhe pague!”

(BF)


Bento XVI: último dia do Pontificado em oração




Cidade do Vaticano (RV) – Termina nesta quinta-feira, 28, o pontificado de Bento XVI, que no último dia 11 anunciou a sua renúncia à Sé de Pedro. 

Depois da audiência geral desta quarta, 27, quando diante de 150 mil fiéis na Praça São Pedro o Papa explicou que em seu Pontificado a Igreja viveu ‘momentos difíceis’ e que com sua renúncia ele ‘não desce da Cruz’, esta manhã Papa Ratzinger se despede dos cardeais que já estão em Roma para o conclave. 

Como informou o Diretor da Sala de Imprensa, Padre Federico Lombardi, o dia de hoje será passado em oração e preparação para sua transferência a Castel Gandolfo. O “Papa emérito” deve passar 2 meses nesta residência, enquanto será reformado o mosteiro de clausura nos Jardins Vaticanos, onde passará a morar.

Às 16h55 (hora local), no pátio de São Damaso, Bento XVI recebe as honras de um piquete da Guarda Suíça. Saúda o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone e outros colaboradores, e no heliporto, recebe a saudação do Cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício.

Em sua chegada a Castel Gandolfo, às 17h15, o Papa será acolhido pelo Cardeal Giuseppe Bertello, Presidente do governo do Estado da Cidade do Vaticano, e por Dom Giuseppe Sciacca, Secretário. Também estarão lá o bispo da diocese de Albano, Dom Marcello Semeraro, e autoridades civis da cidade.

Em seguida, Bento XVI fará uma saudação aos fiéis, do balcão do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo. 

Às 20h, começa a Sé Vacante. A Guarda Suíça que presta serviço em Castel Gandolfo cessará o serviço e a segurança do Papa Emérito estará a cargo da Gendarmaria do Vaticano.

O momento em que o Papa deixará o Vaticano, em helicóptero, rumo à residência de Castel Gandofo, poderá ser acompanhado no site da RV: www.radiovaticano.va, através do link “Vatican Player”. A transmissão das imagens será acompanhada pelo áudio original, em italiano. O evento está programado para as 16h30 locais (12h30 de Brasília).
(CM)

Bento XVI garante reverência e obediência ao novo Papa



Cidade do Vaticano (RV) – Após ouvir a saudação do Decano do Colégio Cardinalício, Bento XVI tomou a palavra para se despedir dos Cardeais.

Assim como o Card. Sodano, o Papa também citou a experiência dos discèipulos de Emaús, afirmando que também para ele foi uma alegria caminhar em companhia dos cardeais nesses anos na luz da presença do Senhor ressuscitado. 

Como disse ontem diante de milhares de fiéis que lotavam a Praça S. Pedro, a solidariedade e o conselho do Colégio foram de grande ajuda no seu ministério. “Nesses oito anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiosa no caminho da Igreja, junto a momentos em que algumas nuvens se adensaram no céu. Buscamos servir Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total. Doamos a esperança que nos vem de Cristo e que é a única capaz de iluminar o caminho. Juntos, podemos agradecer ao Senhor que nos fez crescer na comunhão. Juntos, podemos pedir para que nos ajude a crescer ainda nessa unidade profunda, de modo que o Colégio dos Cardeais seja como uma orquestra, onde as diversidades, expressão da Igreja universal, concorrem à superior e concorde harmonia. 

Aos Cardeais, o Papa expressou “um pensamento simples” sobre a Igreja e sobre o seu mistério, que constitui para todos nós a razão e a paixão da vida, escrita por Romano Guardini. Ou seja, de que a Igreja não é uma instituição excogitada, mas uma realidade viva. Ela vive do decorrer do tempo, transformando-se, mas em sua natureza permanece sempre a mesma. O seu coração é Cristo. 

“Parece que esta foi a nossa experiência ontem na Praça. Ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo, e vive realmente da força de Deus. Ela está no mundo, apesar de não ser do mundo. É de Deus, de Cristo, do Espírito Santo e nós o vimos ontem. Por isso é verdadeira e eloquente a outra famosa expressão de Guardini: 

A Igreja se desperta no ânimo das pessoas. A Igreja vive, cresce e se desperta nos ânimos que, como a Virgem Maria, acolhem a palavra de Deus e a concebem por obra do Espírito Santo. Oferecem a Deus a própria carne e o próprio trabalho em sua pobreza e humildade, se tornando capazes de gerar Cristo hoje no mundo. 

Através da Igreja, disse o Papa, o mistério da encarnação permanece presente sempre. E fez um apelo aos Cardeais:

“Permaneçamos unidos, queridos irmãos, neste mistério, na oração, especialmente na Eucaristia cotidiana, e assim serviremos a Igreja e toda a humanidade. Esta é a nossa alegria que ninguém pode nos tirar. Antes de saudá-los pessoalmente, desejo dizer que continuarei próximo com a oração, especialmente nos próximos dias, para que sejais plenamente dóceis à ação do Espírito Santo na eleição do novo Papa. Que o Senhor vos mostre quem Ele quer. E entre vós, entre o Colégio dos cardeais, está também o futuro Papa, ao qual já hoje prometo a minha incondicionada reverência e obediência.”

(BF)

HUMILDEMENTE MAGNO!





Pe. Marcélo Tenorio

Na manhã de hoje o mundo  parou para olhar o Papa Bento XVI, em sua última alocução à Igreja e ao mundo.

Na praça de S. Pedro mais de 150 mil pessoas das mais variadas partes do globo e, sobretudo da diocese de Roma.

O que mais me chamou atenção foi justamente a extrema simplicidade com que o Sumo Pontífice adentrou na Praça de S. Pedro, naquele seu último dia com os fiéis.

No momento como esse é comum o cântico do ” Tu es Petrus”, pelo coro da Sixtina, na entrada do Pontífice. Mas hoje o belo hino foi substituído por uma peça em órgão.

O Papa que poderia estar com vestes  mais especiais  e estola Petrina, preferiu a branca batina e, pelo frio da cidade eterna, a greca branca. Na maior simplicidade chega o Papa e é ovacionado pela multidão que grita palavras de agradecimento e de amor.

Nada na audiência geral que mostrasse diferença das demais . Chegou ao trono como um  “humilde trabalhador da vinha do Senhor”, deixa a praça de S. Pedro da mesma forma: do trono para o claustro.

Visivelmente emocionado agradeceu a todos e prometeu acompanhar-nos na oração.
“Não abandono a cruz, mas fico de uma forma nova junto do Senhor crucificado.”, disse o Papa.

Por fim, o Santo Padre nos deixa a marca de sua profunda fé na Igreja:

“Houve momentos em que as águas estavam agitadas e o vento contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir, mas sempre soube que nessa barca está o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é sua e a não deixa afundar”, acrescentou.

Bento XVI nos dá uma grandiosa lição de humildade e despojamento, desde quando anunciou sua renúncia até hoje em sua última audiência. Entrou com simplicidade, saiu com simplicidade. Nenhuma atitude que chamasse atenção para ele. Nenhum desejo de querer alimentar em nós um sentimento de perda ou de orfandade. Nada! Tudo para a Igreja! Tudo para Cristo.

A Igreja não é dele, mas de Cristo, como afirmou em suas palavras.

Consciente que está cumprindo a vontade divina, o Santo Padre se recolherá ao seu Mosteiro e ali ficará até a sua partida para eternidade.

É claríssimo que estamos vivendo um momento histórico e de graça para a Igreja e para o mundo. Se Nosso Senhor pediu ao papa essa nova missão, agora em claustro, é porque Deus tem seus desígnios para a Igreja que se cumprirão a seu tempo.

Rezemos pela Igreja, por Bento XVI e pelo novo Papa. Sobretudo rezemos pelo triunfo do Coração Imaculado de Maria que é o triunfo da Igreja!