Dois cardeais eleitores violaram o segredo do conclave?

s-WALTER-KASPER-large 
Como eu tinha escrito aqui no dia 16 de março, as “confidências” – feitas diante de cerca de 5000 jornalistas… – do nosso Papa Francisco sobre um episódio do conclave, mesmo que elas não traiam – nem moralmente nem juridicamente – o segredo da assembleia e o juramento, arriscavam “inspirar outros” cardeais eleitores a se arriscarem em suas [próprias] confidências… E foi o que aconteceu!
Num registro relativamente menor, o cardeal Roger Mahony, Arcebispo emérito (mas pouco meritório) de Lós Angeles (Califórnia), escreveu sobre seu blog, na data de 17 de março:
“Quando nós entramos, enfim, na Capela Sistina, em 12 de março, eu hesitava ainda entre dois ou três candidatos. Entretanto, quando a primeira cédula nos foi distribuída e quando veio o momento de nele inscrever-se um nome, alguma coisa poderosa [something powerful] – e estranha – aconteceu. Eu peguei minha caneta e comecei a escrever. Entretanto, minha mão foi conduzida por não sei que força espiritual superior [by some greater spiritual force]. O nome sobre a cédula simplesmente aconteceu. Eu ainda não havia reduzido minha escolha a um só nome: mas isso foi dado para mim. Eu o escrevia, depois eu me pus a tremer profundamente. Foi então que eu compreendi que o Espírito Santo estava [presente] plenamente na obra da Igreja de Jesus Cristo, e que meu papel não era o de “escolher” o novo sucessor de Pedro, mas “de escrever” seu nomeum nome que me havia sido dado.”
MXR03-POPE-RESIGNATION+Eu não teria a temeridade de glosar sobre este “estranho” fenômeno de escritura automática. Eu deixo isso a alguém mais sábio que eu. Eu observo, entretanto, que o cardeal, sem o citar explicitamente, votou em primeiro escrutínio para o cardeal Bergoglio. Isso seria, juridicamente falando, uma traição ao juramento? Eu de nada sei. O que eu acho é que o Cardeal Mahony tem sim um “problema”.
De outro lado, e num registro objetivamente maior, o Cardeal Walter Kasper, eleitor em alguns dias…, ele violou o segredo do conclave e traiu o juramento. Veja o que ele declara numa entrevista a dada ao blog Catholic Conclave e publicada em 18 de março:
“O Cardeal Bergoglio foi desde o início meu candidato e desde o início do conclave eu votei nele. Ele representa um novo começo para a Igreja (sic!), para uma Igreja humilde e fraterna que está aqui para as pessoas, que se volta à sua fonte: o Evangelho.”
A Igreja acaba de passar das trevas para a luz e o Cardeal Kasper é um dos que acenderam essa chama… Piedoso. Dessa vez, a declaração viola o juramento. Mas ela recai sob a pena canônica de excomunhão latae sentenciae? Eu o ignoro. Deixo aos sábios o cuidado de o dizer, mas o Cardeal Kasper e seu colega o Cardeal Mahony são responsáveis perante Deus dos atos que eles acabam de praticar por suas declarações. Rezemos para que o Todo Poderoso tenha misericórdia deles.
Tradução: Vitor Finotti
Cf.

Uma resposta para “Dois cardeais eleitores violaram o segredo do conclave?”

Os comentários estão desativados.