“LEFÈBVRE ESTAVA CERTO!” – DIZ AMIGO ÍNTIMO DE PAULO VI


  



” Lefèbvre estava certo!”

Diz amigo íntimo do Papa Paulo VI

No dia 11 de outubro de 1992 – o 30º aniversário da abertura do Segundo Concilio do Vaticano – o jornal italiano “La Stampa” publicou uma entrevista com Jean Guitton, 91 anos, homem francês de letras, amigo de João XXIII, e confidente de Paulo VI desde seu primeiro encontro em 1936 até a morte do segundo em 1978. A entrevista mostra um católico Liberal, como seu amigo Papa Paulo VI, dividido entre a crença no mundo moderno e a crença na Fé Católica. As contradições podem ser percebidas, linha por linha. Que sonho amável, resolvê-las! Mas se a Igreja Católica continuar a seguir semelhantes guias, ela só poderá despedaçar-se. Aqui está a entrevista como publicado em “La Stampa” …

Guitton: No dia que o Conselho abriu eu estava tremendo de emoção. Por toda minha vida eu tinha sonhado com um Concílio que encararia as grandes questões do Século 20: ecumenismo, progresso, direitos das mulheres.. E assim foi, e eu fui o primeiro leigo na história a participar em um Concílio da Igreja Católica. Isso foi a trinta anos atrás.. (emociona-se). “O Concílio foi perfeito. Mas em sua aplicação, quantos erros! A Fé enfraqueceu. Mesmo a verdade perdeu força. A Igreja católica abandonou proclamar-se a Única Igreja Verdadeira. Orou junto com Protestantes, com outras religiões. Nos seminários, Freud, Marx, Lutero tomaram o lugar de Aquino, Ambrósio, Agostinho.(Os destaques são nossos)

Essa é a razão pela qual Lefebvre agiu sozinho, por conta própria?

G: Paulo VI e o Papa Wojtyla deram-me a tarefa de encontrar uma solução, para evitar o cisma. Eu falhei. Falar de Êcone é muito doloroso para mim. PORQUE, QUANDO VOCÊ SE DEBRUÇA SOBRE ISTO, LEFEBVRE ESTAVA CERTO. (Os destaques são nossos)


Em que sentido ele estava certo? 

G: A verdade não pode mudar. Se é branco, não pode tornar-se cinzento, vermelho nem roxo. E se a Igreja possui a verdade, permanece idêntica a si mesma sob sua história. Quando Lefebvre disse que o Concílio não pode mudar declarações solenes da Igreja, em verdade, ele dizia coisas que nós temos que concordar. Mas Lefebvre buscou sustentar-se em um caminho equivocado. Confundiu pertencer à Igreja com pertencer a um partido.(Os destaques são nossos)


Que outras desvantagens há no período depois do Concílio? 

G: Anarquia: o cura não obedecendo o sacerdote da paróquia, o sacerdote não obedecendo o bispo, nem o bispo o cardeal. O catecismo sendo confiado a qualquer um que se apresente. Olhe, a próxima porta para mim aqui em Paris, existem duas paróquias – eles não dizem as mesmas coisas. Pergunte-se, que coerência pode haver em um catecismo confiado a qualquer pessoa?(Os destaques são nossos)


O Novo Catecismo irá resolver as dificuldades? 

G: Este é justamente o problema. Como os católicos podem ter que esperar trinta anos para descobrir o que é correto e errado, fazer ou acreditar? O novo catecismo devia ter chegado três minutos depois do Concílio, não trinta anos mais tarde. 

Existem outras desvantagens? 

G: A crise de vocações. Uma vez o Concílio terminado, pensei que os seminários encheriam outra vez. Em vez disso… E então, viemos a pensar que sinceridade era suficiente para fazer um cristão. Mesmo se você é um ladrão ou um homossexual. Você necessita verdade. Arrependimento. Fé.(Os destaques são nossos)


Há uma perda da Missa Latina? 

G: Sim. Em latim eu expressei as emoções de 60 anos de minha vida como um católico. Mesmo que Paulo VI tenha sofrido com a mudança da liturgia, ele disse para mim: devemos sacrificar nossos sentimentos, fazer o Evangelho compreensível para todos. Tinha razão. Mas o Concílio não aboliu o Latim: ele deixou a liturgia livre. Somente mais tarde a Missa Tridentina foi tratada como uma peça de museu.

Quais foram as vantagens do Concílio? 

G: Diálogo. Por dois mil anos antes do Concílio, tudo que a Igreja católica fez foi condenar. Agora este método foi mudado: em vez de condenação, ela escuta. O diálogo com não-católicos continua hoje mais que nunca: com Anglicanos, com Protestantes; com Ortodoxos, agora que a Rússia Soviética tornou-se de S. Petersburgo. Mesmo relações regulares com o mundo imenso de incrédulos nunca foram tão intensas. 

Qual foi a mais excelente inovação do Concílio? 

G: Liberdade religiosa. Eu me lembro dos cardeais divididos em dois partidos. Os progressistas diziam: a religião deve ser baseada num ato de liberdade. Eu concordei. Soube que Sartre tinha atacado o problema, mas sem resolver ele: porque não há liberdade sem Deus, nem Deus sem liberdade. A linha progressista prevaleceu. 

E os conservadores foram derrotados. Quem eram eles?

G: O principal era Ottaviani. Uma mente clara, excelente, límpida. Ele falava latim lindamente. Lembro-me que nós tínhamos que determinar em que ponto uma família católica torna-se numerosa. Alguém disse, “é numerosa quando há quatro crianças.” “Não, quando há doze”, gritou replicando, “Contrariamente, eu não teria nascido.” Disse-o em latim, é claro.

Que outra personalidade deixou impressões em você? 

G: Wiszinsky. O primaz da Polônia era um homem excepcional. Na direita. 

E sobre Wojtyla? 

G: Ele foi pupilo de Wiszinsky. Eu não sei a que grupo ele pertenceu. Eu digo a você, ninguém sonhou que ele fosse se tornar Papa.

Por que Paulo VI quis que você, um leigo, participasse do Concílio?

G: Houve uma grande afeição entre nós, uma grande amizade. É misterioso como algumas pessoas combinam bem uma com o outro. A primeira vez que eu encontrei com ele foi em um 8 de setembro, ele era bispo… foi como um lampejo de relâmpago. Fez-me prometer que cada 8 de setembro, eu iria e o encontraria. Isso é o que eu fiz durante 27 anos. Quando tornou-se Papa eu disse a ele: “Sua eminência, eu ofereço minhas despedidas. Ele me respondeu, “O quê? Eu não tenho nenhum coração? Eu posso não amar você? Não, eu necessitarei do seu conselho mais que nunca.” 

O que ele disse a você no tempo do Concílio? 

G: A noite depois de minha participação, ele presenteou-me com um relógio, dizendo “Hoje foi um dia histórico. Você foi um dia histórico. Usará este relógio para lembrar-se que este tempo é um sopro comparado com a eternidade.” Eu fiquei exultante… radiante de alegria! 

O que mais ele disse a você? 

G: Que sofria. Seguia o trabalho do Concílio em circuito fechado de televisão. Sentiu no seu coração a divisão entre os Cardeais, soube das manobras táticas que se seguiam. 

Quem manobrava? Os conservadores ou progressistas?

G: Ambos. Havia 2000 bispos. Cada Parlamento possuía homens astutos tentando por meios mais ou menos honestos influenciar os outros. 




O que você lembra do fim do Concílio? 

G: Agora que minha vida está quase terminada eu posso introduzi-lo em um segredo. Paul VI imaginou-se como um moribundo no campo de batalha. A responsabilidade esmagou-o. Um dia ele disse a mim: “Deixa-nos encontrarmo-nos depois da morte.” Foi o homem mais solitário no mundo. Estava sozinho com Deus. Posso ver, o Concílio foi o acontecimento do século. De Gaulle também disse assim para mim. Elogiei-o por salvar a França. Respondeu, “Ah, mas você participou do Concílio.” 

Tivemos 30 anos de dificuldade para a Igreja. Nós hoje ainda podemos nos chamar de cristãos?

G: Estes anos foram o triunfo de violência, a glorificação do sexo, da televisão, do dinheiro. O maior inimigo do Cristianismo não é o ateísmo, que é visível e tangível. O inimigo invisível é a indiferença. 

E sobre consumismo, capitalismo? 

G: Capitalismo é como uma gravata. Pode ser usada tanto para melhorar minha aparência ou como para me estrangular. 

Você disse que o Comunismo não está morto, e levantará outra vez em alguma outra forma. 

G: Eu iria mais longe. O comunismo não é, como tal, contra o Cristianismo. Torna-se assim quando apóia o ateísmo. Os primeiros cristãos tinham suas propriedades em comum. 

O Cristianismo está moribundo? 

G: A Igreja está passando através de uma crise terrível. Mas crise é sua condição essencial. Deus deseja esta condição. A Igreja já estava em crise quando S. João escreveu o Apocalipse. Mas se houvesse de restar um só cristão no mundo, a Igreja permaneceria viva nele. Perceba, nossa era é a da decadência. É como disparar uma flecha. A flecha deve ser puxada para trás antes de poder ser atirada adiante. Veja, hoje estamos sendo pressionados para trás. Mas estamos na véspera de grandes mudanças. O próximo século será a idade da nova evangelização, e a luz irá encher a Igreja mais uma vez. Mas os meus olhos não estarão mais aqui para ver isto.(Os destaques são nossos)

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2 respostas para ““LEFÈBVRE ESTAVA CERTO!” – DIZ AMIGO ÍNTIMO DE PAULO VI”

  1. Guitton, ao meu ver, falha quando disse que o comunismo ñ é contra o cristianismo até que implante a religião do ateísmo. O sr. Guitton deveria saber, que a própria extinção da propriedade privada já é por si uma afronta à Palavra de Deus, que deu ao homem o direito de propriedade. Dizer também que a propriedade era comum no início dos primeiros cristãos, também não justifica o socialismo/comunismo. Naquela época, assim foi necessário devido ao número ainda pequeno de cristãos, que deveriam se unir espiritual e materialmente para sobreviverem em prol de um bem comum.
    Tanto é, que logo após o cristianismo ter superado a fase de grande e violenta perseguição no Ocidente, os cristãos passaram a ter suas propriedades particulares, o que levou ao desenvolvimento da Civilização Ocidental.
    Eis aí um grande problema na cabeça de pessoas tão cultas, instruídas e católicas como Guitton: o preciosismo e a bajulança a correntes ideológicas farsantes como é o socialismo. Ou se apega a religião de Deus espelhada na Igreja Católica ou que abrace a religião do mal como o comunismo. Não dá para misturar ou sequer pincelar o socialismo com ares cristãos. Enquanto senhores como Guitton ficarem filosofando de mãos dadas como o regime do diabo, a Igreja sempre estará a mercê da ruína.
    Pois Deus disse que não divide Sua glória com nenhum outro. Por isso a Virgem Santíssima e o Senhor Jesus so pareceram para pessoas simples e humildes e não para estudados e cultos.

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