VAI COMEÇAR O CONCLAVE TERÇA-FEIRA

Roma,  (Zenit.org) | 8 visitas

A Sala de Imprensa do Vaticano acaba de informar que a Oitava Congregação do Colégio Cardinalício decidiu que o Conclave para eleição do Papa começa dia 12 de março de 2013.
De manhã na Basílica de São Pedro será celebrada a Missa “Pro Eligendo Pontífice” e à tarde ingresso dos Cardeais em Conclave.

A SALA DAS LÁGRIMAS

  

Sala das Lágrimas (Este lugar recebe o nome de Sala das Lágrimas devido muitos eleitos chorarem no momento que se paramentam, se preparando para ser apresentado ao povo e ao mundo), cômodo ao lado da Capela Sistina que testemunha a comoção do novo Papa enquanto ele se desfaz das vestes cardinalícias e traja a batina branca (um dos 3 tamanhos dispostos ali), a faixa, a “mozzeta” vermelha (ou branca, se for durante a Páscoa, e com arminho, se estiver em tempo frio), cruz peitoral com cordão dourado e o solidéu. Dali ele volta à Sistina, recebe a homenagem dos Cardeais eleitores e se dirige à “loggia” central da Basílica de São Pedro, onde é apresentado com o tradicional: “Habemus Papam”.

Pe. Zuhlsdorf: O resgate da liturgia solene






Entrevista com o Padre John Zuhlsdorf
Por Marcio Antonio Campos

Fonte: Gazeta do Povo, Curitiba
Para restaurar a sacralidade da missa, desfigurada por invenções locais alheias ao senso litúrgico da Igreja, Bento XVI resolveu, em 2007, liberar a celebração da missa tridentina, que era a norma na Igreja até 1969. Essa é a avaliação de um dos principais blogueiros de liturgia do mundo, o padre americano John Zuhlsdorf. Ele discorda da avaliação de muitos especialistas, para os quais a liberação da missa tridentina seria meramente um gesto de boa vontade para buscar o fim do cisma dos tradicionalistas da Sociedade São Pio X. Zuhlsdorf, que mantém o blog What does the prayer really say? (www.wdtprs.com), concedeu entrevista por e-mail à Gazeta do Povo.

Qual o papel da liturgia para Bento XVI?

O culto a Deus pela liturgia sempre foi central em seu pensamento. Ele escreveu muito sobre o tema.

Ratzinger liga a crise da Igreja à crise da liturgia. Como elas se relacionam?
Deus está no topo da hierarquia dos nossos afetos. Se nossa relação com Deus está distorcida, defeituosa ou inadequada, todos os nossos relacionamentos serão distorcidos, defeituosos ou inadequados. Se nosso culto a Deus não é adequado ou agradável a Ele, enfraquecemos todos os outros aspectos de nossa vida. Nenhuma esfera da vida da Igreja pode estar bem se o culto litúrgico da Igreja não estiver saudável. Isso significa que precisamos rezar e adorar a Deus, como Igreja, da maneira como a própria Igreja determina que devemos fazê-lo. E precisamos manter uma continuidade com a forma como a Igreja sempre rezou. Essa continuidade é quebrada quando decidimos fazer as coisas de acordo com nossos próprios critérios, alterando incorretamente o modo de adorar e rezar. Assim fazemos mal a nós e a todos, porque estamos nisso juntos.

Quais as principais contribuições de Bento XVI para a liturgia?
Sua principal contribuição para o Novus Ordo (a missa celebrada atualmente) é, acima de tudo, a permissão para a celebração da missa tridentina na forma antiga, com o “motu proprio” Summorum pontificum. Parece paradoxal, mas não é. A celebração da forma mais tradicional lado a lado com o Novus Ordo cria uma atração gravitacional sobre como a forma nova é celebrada, no sentido de haver maior solenidade. O uso da missa tradicional, que está crescendo, ajudará a “curar” o culto e direcioná-lo para a continuidade com a herança católica e com o modo como a Igreja quer que celebremos.

A missa tridentina ganhou força com Bento XVI, mas ainda está disponível para uma minoria bem restrita. Ela permanecerá assim?
Pequenas minorias podem fazer coisas grandiosas. Além disso, o número de pessoas que frequentam a missa tradicional cresce lentamente, mas de forma consistente. Pelo menos nos Estados Uni­­dos, jovens padres e seminaristas vêm se interessando pela missa tridentina. À medida que eles vão assumindo paróquias, veremos um aumento no interesse por parte dos fiéis também.

Bento XVI também usou as missas papais para mandar mensagens sobre a maneira como ele quer ver a missa ser celebrada…
Sim, é importante a ação humilde, mas clara, do papa. Ele ensina pelo exemplo e pelo convite, em vez da imposição. Ele vem tentando trazer a Igreja de volta ao culto ad orientem (voltado para o oriente), e por isso pede que os altares tenham o crucifixo no centro, mesmo quando o padre está de frente para os fiéis. É um arranjo provisório na direção de colocar padre e fiéis juntos, voltados para a mesma direção, para o crucifixo, para o “oriente litúrgico”. Esta é a melhor forma de expressar nossa esperança e anseio pelo Senhor. O papa também vem promovendo a comunhão de joelhos e diretamente na boca, que é a forma adequada de nos aproximarmos do Senhor Eucarístico. Esses são os exemplos mais importantes.

Qual o papel do monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias pontifícias, nesse processo?
O monsenhor Marini entende muito bem a visão que o Santo Padre tem do culto litúrgico, e trabalhou para implementá-la. Ele tem feito um ótimo trabalho e espero que o próximo papa o mantenha no cargo.

Por que demora tanto para as mudanças e sugestões do papa serem aceitas nas dioceses e paróquias?
Porque é muito mais fácil demolir um prédio que construí-lo. Mas a geração dos que foram animados pelo chamado “espírito do Vaticano II”, oposto aos seus documentos, está passando. Uma nova geração está assumindo posições de liderança e não tem a bagagem desse entendimento torto do Concílio, o que Bento XVI chamou de “hermenêutica da ruptura”. A nova geração quer a continuidade e está bem aberta ao que o papa vem fazendo.


Card. Herranz: Partida dos tradicionalistas foi o que mais fez Bento XVI sofrer‏





JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL , CIDADE DO VATICANO – O Estado de S.Paulo


As sociedades da Europa e da América estão sendo “hipócritas” ao criticar a Igreja, deixando de ver seus próprios defeitos e preferindo acusar a todos os sacerdotes de cometerem “delitos sexuais e de serem corvos que se atacam uns aos outros”, afirmou o cardeal espanhol Julián Herranz.

Herranz é um dos três príncipes do Vaticano escolhidos pelo então papa Bento XVI, no ano passado, para elaborar um dossiê sobre a divulgação de informações sigilosas e os escândalos na Santa Sé depois que o ex-mordomo do pontífice furtou documentos do apartamento papal.

Em entrevista ao Estado, ele, por proibição estrita do agora papa emérito, não falou nada sobre a investigação, mas não poupou críticas às sociedades que, para ele, passam por um processo de “neopaganização”.

O vazamento – que ficou conhecido como Vatileaks – causou um profundo mal-estar na Igreja, obrigando o papa a abrir investigações para determinar as causas do escape de informações confidenciais. Nos últimos dias de seu pontificado, Bento XVI recebeu o relatório de Herranz e tomou a decisão de mantê-lo em sigilo absoluto.

Apenas seu sucessor o receberá e terá a função de lidar com alguns dos casos mais graves já registrados na Igreja nos últimos anos, ainda que cardeais brasileiros tenham declarado nos últimos dias que gostariam de ver seu conteúdo antes do início das votações no conclave, justamente para que ele possa ajudar na tomada de decisão.

Herranz rejeita a tese de que foi o conteúdo de seu informe que fez o papa renunciar, como apontou a imprensa italiana na semana passada. Segundo os jornais em Roma, o dossiê de 300 páginas traria informações sobre uma rede de prostituição homossexual no Vaticano, corrupção e disputa de poder.

“Querem dramatizar as coisas”, insistiu. “Tentar projetar a decisão de um papa – que depois de 2 mil anos de história da Igreja renuncia ao governo – como uma questão dessas é algo ridículo. É ofensivo”, disse.

“O papa disse que sua renúncia foi um ato livre de consciência, depois de meditar muito e sabendo da gravidade de sua decisão”, lembrou o cardeal.

Herranz, que não votará no conclave por já ter passado da idade máxima estabelecida – 80 anos -, diz acreditar que Bento XVI renunciou por dois motivos: a redução do vigor físico e mental e o reconhecimento de que a “barca de Pedro (o papado) precisava de alguém com firmeza no timão diante de um mar com muita turbulência”.

Na avaliação do espanhol, que elaborou o informe com a ajuda de outros dois cardeais da confiança de Bento XVI, uma das mensagens do pontífice emérito nos últimos dias foi justamente àqueles que se “dedicam a apenas criticar a Igreja”.

“Há muitos que se empenham só em acusá-la e em ver só defeitos”, disse. “É a parábola evangélica, que só vê o cisco no olho dos outros, porém não repara na trave que tens no teu”, insistiu. “Uma humanidade na qual há muitas pessoas e famílias – e me refiro às sociedades europeia e americana – que estão tentando existir como se Deus não existisse, dando as costas ao Senhor.”

“Essa mesma sociedade olha a Igreja e começa a acusá-la, como se todos os sacerdotes fossem gente que comete delitos sexuais, como se todos fossem corvos que se atacam uns aos outros e víboras que se movem. Isso é hipocrisia. Isso é não ver o cisco no próprio olho de uma sociedade que está se neopaganizando e que se está degradando espiritualmente”, declarou.

Sobre as declarações do papa nos últimos dias de seu reinado, pedindo a união da Igreja, Herranz afirmou que a maior frustração de Bento XVI foi ter visto a partida dos tradicionalistas. “Isso foi o que mais lhe fez sofrer.”

“Também ocorre que questões ideológicas e políticas podem dividir os cristãos, mas não a Igreja. Não é justo que pessoas do mesmo credo se coloquem umas contra as outras por questões temporais e egoísticas. Foi isso que o fez sofrer”, explicou.

Conclave. Sobre o próximo papa, o cardeal opinou que a renovação na Igreja é importante. Ele acredita, porém, que essa escolha não será feita com base em uma personalidade, cor ou origem. “Temos de ter alguém com profunda espiritualidade e que saiba transmitir isso ao mundo”, declarou. “Não há uma crise de governabilidade na Igreja.”