PADRE BETO ESTÁ EXCOMUNGADO PELA IGREJA!

Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru sobre o Rvedo. Pe. Roberto Francisco Daniel
29/04/2013
Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru                
         É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. 

Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. 

Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.

         O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.
         A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.

         Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto .

         Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.

         Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.
        
         Bauru, 29 de abril de 2013.
            Por especial mandado do Bispo Diocesano, assinam os representantes do Conselho Presbiteral Diocesano.

Cf
 

Fiéis lotam igreja em missa de padre que defende homossexuais



Mais de mil pessoas lotaram a igreja Santo Antônio, em Bauru, no domingo de manhã para de despedir das missas celebradas pelo Padre Beto que anunciou sua saída da igreja no sábado. Pedro Motta deixa um churro de adeus. Crédito: Luly Zonta/Agência BOM DIA


Centenas de fiéis de Bauru (SP) lotaram a igreja na manhã deste domingo (28) para assistir à missa de despedida do padre que se afastou de suas funções após declarações de apoio aos homossexuais.

Conhecido por contestar os princípios morais conservadores da Igreja Católica, Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, havia recebido um prazo do bispo diocesano, Dom Caetano Ferrari, 70, para se retratar e “confessar o erro” cometido em declarações divulgadas na internet.

Em um vídeo publicado no site Youtube, o padre admitiu a possibilidade de existir amor entre pessoas do mesmo sexo, inclusive por parte de bissexuais que mantêm casamentos heterossexuais. Ele também questionou dogmas da Igreja.

Ontem, dois dias antes do prazo estabelecido pelo bispo para a retratação, padre Beto anunciou que iria se afastar de suas funções religiosas e convocou a missa de despedida para hoje.

Na missa, o padre falou sobre amor e coerência e afirmou que para “Jesus Cristo não existia preconceito”.

“Jesus amava os seres humanos independentemente da condição social, da raça e da sexualidade”, disse o religioso.

A missa de despedida lotou a Igreja Santo Antônio, no Jardim Bela Vista, bairro tradicional de Bauru.

Em torno de mil pessoas ocuparam os bancos e ficaram em pé nas laterais.
O padre foi aplaudido de pé no final da missa e aclamado quando percorreu o corredor de saída da igreja pela última vez. Muitos fiéis choraram e, em seguida, formaram fila para cumprimentá-lo na porta.

Um dos mais emocionados era o pai de santo umbandista Ricardo Barreira, que assistiu à celebração vestido de branco e chorou muito.

“Não sou católico, mas o padre Beto sempre me representou. Agora mais ainda”, disse. O umbandista recebeu o apoio do padre quando disputou a eleição para vereador.

Beto vai entregar seu pedido de “desligamento do exercício dos ministérios sacerdotais” nesta segunda-feira para o bispo. Ele garantiu não ter planos para o futuro, mas disse que poderá se reunir com seus seguidores para sessões de orações.
Procurado pela reportagem, o bispo preferiu esperar o recebimento do pedido para comentar a decisão.

ESTILO
Padre Beto sempre chamou a atenção dos católicos da cidade pelo estilo diferente dos religiosos tradicionais.

Usa roupas com estampas “roqueiras” e com a imagem do guerrilheiro comunista Che Guevara. Usa piercing, anéis e frequenta choperias. Nas missas, no entanto, usava as vestimentas tradicionais e seguiu todos os rituais católicos.

Seus sermões atraiam os fiéis em razão dos questionamentos sociais, políticos e morais.
As últimas declarações polêmicas do padre provocaram protestos de católicos tradicionais da comunidade de Bauru.

Por outro lado, a reprimenda do bispo, que considerava padre Beto um “filho amado, mas rebelde” gerou manifestações de apoio e provocou comoção entre os admiradores.
Ao explicar sua decisão de se afastar da igreja, disse que se trata de “um momento que faz parte de sua caminhada”.

“Pensei em pedir perdão. Mas tudo que falei é bem pensado. Posso estar errado, mas o dia em que admitir será porque conclui isso mesmo. Senão seria hipocrisia”, afirmou.
Disse ainda que é importante “dormir bem porque foi coerente” e que assim as pessoas vão percebê-lo “como homem de Deus”.

Integrante do grupo de liturgia da Igreja Santo Antônio, Michele Dias fez uma homenagem na despedida.
Disse que se “curou” de uma síndrome do pânico após palestra em que Beto falou sobre a importância de enfrentar os medos.

A missa reuniu católicos de todas as gerações. O casal formado por Giovani e Luzia Dermengi, de 77 e 70 anos, respectivamente, mora em outra região da cidade, mas tinha o hábito de frequentar as missas do padre Beto.

“Ele foi um renovador e a igreja precisa disso”, afirmou Luzia.
O arquiteto Fábio Said, 30, virou amigo do religioso e diz que ele levou muitos jovens para a igreja, por falar diretamente com seus fiéis e dar conselhos que às vezes até irritavam, mas depois eram compreendidos.

“E agora? A fé continua, mas é difícil”, disse sobre a despedida.
Aos 6 anos, Pedro Motta Popoff não frequenta a missa todos os finais de semana. Neste domingo foi acompanhar a mãe, Carla Motta, que declarou estar na igreja por um ato de cidadania e apoio ao padre.

Pedro ficou na fila da despedida e deu de presente a Beto um churro comprado na porta da igreja. Depois disso, Beto cumprimentou os demais fiéis com o presente do menino nas mãos.

Agora à noite, o padre Beto realiza uma segunda missa de despedida na Igreja São Benedito. Será a última antes de ele entregar o pedido de afastamento. O padre tem 14 anos de sacerdócio.

Telepapa





Juan Manuel de Prada
Tradução: Carlos Wolkartt


A exposição mediática do Papa é um fenômeno que pode nos parecer normal, e que de fato o é, nesta fase da História; porém é um fenômeno tão aparatoso que, inevitavelmente, afeta a vida dos católicos, se não no substantivo de sua fé, ao menos na forma de vivê-la. Durante séculos, um católico podia morrer mui tranquilamente sem saber sequer quem era o Papa de Roma, ou sabendo só de forma mui brumosa, ignorando se era gordo ou magro, alto ou baixo, taciturno ou prolixo, finíssimo teólogo ou rústico pastor. Durante séculos, a um católico bastava saber que em Roma havia um homem que era o Vigário de Cristo na Terra, e que esse homem, cuja sucessão estava assegurada, custodiava o depósito da fé que ele professava, herdada de seus predecessores. Durante séculos, um católico vivia sua fé na oração e na frequência dos Sacramentos, e os únicos ensinamentos que recebia eram os que o Cura de sua aldeia ministrava nos púlpitos e os que lhe transmitiam seus pais, no aconchego de sua casa. Assim era desde a fundação da Igreja até a poucos séculos atrás; e aquela foi a idade de ouro da Cristandade.

Antes de alcançar esta fase mediática da História, houve outra fase intermediária, na que a difusão da impressão em papel permitiu a um católico curioso conhecer os pronunciamentos dos Papas em questões de fé e moral, através de suas encíclicas; e também, quiçá, as dificuldades que o papado atravessava, em meio ao concerto político internacional. Então, um católico conhecia a imagem [foto] do Papa graças às impressões; e se era leitor ávido de jornais e revistas, podia ter uma ideia superficial das linhas mestras de seu pontificado. Porém, uma imensa maioria de católicos seguia ignorante de tais particularidades, e seguia vivendo sua fé ao modo tradicional: em comunhão com seus conterrâneos e atendendo os ensinamentos do Cura de sua aldeia, que talvez fora um santo ou talvez um homem de moral relaxada e até dissoluta – questão que ao católico de fé era insignificante, pois lhe bastava saber que, santo ou libertino, esse Cura, enquanto rezava a missa, era outro Cristo.

Porém chegou esta fase mediática da História, e tudo mudou. O Papa, de repente, converteu-se em uma figura onipresente, e o católico passou a conhecer intimidades sobre o Papa: começou a saber se o Papa padecia de gota ou calvície; começou a saber se gostava de futebol ou xadrez; começou a saber se era austero ou magnificente no vestir; se calçava sapatos de marroquim ou cordovão; se gostava de experimentar o chapéu de Mariachi ou o Tricórnio que lhe presenteavam os fiéis que recebia em audiência. E disseram a esse católico que, conhecendo tais intimidades, poderia amar mais genuinamente o Papa, que deste modo se tornaria mais “humano”, mais “próximo” e “acessível”. Afirmação por completo grotesca, pois o Papa não tem outra missão na Terra que ser Vigário de Cristo; e, para aproximar-se do Papa, isto é, para aproximar-se de Cristo, para fazê-Lo mais “humano”, “próximo” e “acessível”, o mesmo Cristo já nos deixou a receita: “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me”, etc. (Mateus XXV, 35). Não é conhecendo as intimidades do Papa que o católico se aproxima de Cristo, mas padecendo com os “pequeninos” nos quais Cristo se reproduz.

Cabe perguntar se, pelo contrário, essa onipresença mediática do Papa não contribui para que a fé do católico se distraia ou esfrie. Cabe perguntar se o seguimento mediático do Papa, não só em seus pronunciamentos sobre questões que afetam a fé e a moral, senão nas mais diversas questões quotidianas, não gera um tipo de “papolatria”, de todo alheia à tradição católica e que pode ser comparada à fama que provocam os cantores, futebolistas e atores. Cabe perguntar também se essa exposição mediática tão abusiva do Papa não gera uma distorção na transmissão da fé, pois se Cristo houvesse desejado que a fé fosse transmitida “pelo grande”, haveria inventado facilmente o megafone, a radiofonia, as antenas, a linha ADSL, a TDT e as redes sociais da Internet; e, havendo podido fazê-lo, preferiu que a fé fosse transmitida no calor do trato humano, através das pequenas comunidades que foram ampliando-se mediante o testemunho pessoal e intransferível, coração a coração de seus seguidores.


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Fonte

PRADA, Juan Manuel de. Telepapa. Portal Inversión & Finanzas. Na Internet: http://goo.gl/h7pGs.


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RENITÊNCIAS

A infalibilidade nas canonizações


Bernhard Bartmann
Tradução: Carlos Wolkartt

Há poucos dias, fui questionado sobre se a canonização implica a infalibilidade. Como não tenho autoridade para dissertar sobre este assunto, decidi traduzir parte de uma obra alemã que trata desta matéria, escrita pelo Padre Bernhard Bartmann, prelado doméstico (título honorífico) de Sua Santidade Pio XI.

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Pode-se considerar a questão da infalibilidade da canonização dos santos pelo ponto de vista histórico e teológico. Os primeiros santos foram, além dos Apóstolos e Profetas, os Mártires, cujos nomes os bispos escreviam em um índice oficial dos reconhecidos pela Igreja. A inserção se realizava depois de um juízo ponderado acerca da vida interior do mártir, e não se aceitava a qualquer pessoa. Em relação aos três primeiros séculos, o protestante H. Achelis observa que os bispos exerciam um controle severo e recusavam aos falsos mártires (Christentum in den ersten drei Jahrhunderten, II, p. 356).

Mais tarde, aos santos mártires se agregaram os santos “confessores”: Antônio, Paulo, Atanásio, Efrém, Martinho de Tours, etc. Era mais fácil constatar a realidade do martírio que a santidade dos confessores: para estes, o povo tomava parte no juízo, porém ao bispo competia, em última instância, admiti-los no índice (Rademacher, Das Seelenleben der Heiligen, 1917, 2 ed.. pp. 32 y ss.).

Em relação à “visão beatífica” dos não-mártires, o primeiro juízo definitivo foi pronunciado pelo Papa Bento XII em 1336 (Dz. 530). O culto dos santos passava de uma diocese a outra, e assim se propagava por toda a Igreja.

No final do século X e inícios do século XI, a Igreja procurou, mediante fórmulas fixas, regular pouco a pouco o culto dos santos, porém só o conseguiu de modo definitivo em 1600. Na época pós-tridentina surgiu a questão teológica. Nos tempos do Concílio de Trento, Tomás Badia (1483-1547), Mestre do Sacro Palácio, sustentou, contra Ambrósio Catarino, que a Igreja, ao honrar os santos, podia cair em erro. Afirmava que se deve crer na glória dos santos em geral, mas não na glória de cada santo em particular – sustentava, pois, que era preciso distinguir entre “credere ex pietate” e “credere ex necessitate fidei” (Schweitzer, Ambrosius Catharinus Politus [1484-1553], p. 73, 1910: cfr. pp. 16-63, 144 ss., 220-223).

Nas canonizações, a Igreja não pode tomar por fundamento a Revelação, senão somente os testemunhos humanos concernentes à vida e aos milagres, testemunhos sempre examinados com grande rigor (processum informativum super fama, sanctitatis, virtutum et miraculorum) [até antes da metade do século XX].

A quase totalidade dos teólogos, hoje, considera infalível esse juízo da Igreja, porém a tese da infalibilidade da Igreja neste caso é julgada de maneira diversa. Pesch disse que alguns a tem por uma “pia sententia”, enquanto que para outros, como Bento XIV, é “de fide”. Ele mesmo a qualifica como “teologicamente certa”: é uma via média que pode aceitar-se.

As dificuldades a resolver são as seguintes: em primeiro lugar, não está absolutamente claro se a Igreja quer definir o fato de que o santo alcançou a visão de Deus. Ademais, o juízo da Igreja poderia referir-se somente ao pequeno número dos santos canonizados pelo magistério, e não ao número daqueles que, antes da práxis da canonização solene, foram declarados santos pelos bispos, pelas ordens religiosas, e pouco a pouco receberam aceitação geral, sem que se houvesse examinado rigorosamente as razões a favor de sua santidade. Finalmente – a principal dificuldade – deve-se acrescentar que não é possível, sem uma revelação divina, chegar a uma certeza de fé sobre o estado de graça de uma alma (Trid. S. 6. c. 12. Dz. 805), e depois da morte do último Apóstolo, a Igreja já não recebe nenhuma Revelação pública. Certamente, na Revelação encerrada com os Apóstolos, encontramos a promessa geral da vida eterna para os eleitos: sem embargo, não se atribui de modo definitivo a nenhuma pessoa particular honrada como santa pela Igreja. A predestinação é um mistério inescrutável. A Igreja, na investigação sobre a vida dos santos, não se apoia sobre o testemunho divino, senão tão somente sobre informações humanas e elementos naturais que sempre podem ser subjetivos. Deus pode testemunhar a favor dos santos por meio de milagres. Porém, também estes, como a canonização mesma, não têm relação íntima e direta com as verdades reveladas. Estes milagres só podem ser reconhecidos por quem crê neles, pois essa fé não é obrigatória. A antiga controvérsia sobre se é possível provar um dogma com um milagre notório na Igreja, foi resolvida negativamente. É bastante difícil refutar tais argumentos quando são examinados com seriedade. Quando Eusébio Amort escreve que “dubietas revelationis tollatur per indubitata miracula”, aparta-se da noção estrita de Revelação.

Portanto, aqui não se deveria falar da mais alta certeza dogmática. Assim pensa também Scheid, que ao tratar acerca da infalibilidade do Papa na canonização dos santos (Zeitschrift für katholische Theologie, 1890, p. 509), escreve: “a dificuldade do problema está em encontrar uma prova verdadeiramente satisfatória desta infalibilidade, cuja existência se afirma. A canonização toca o limite extremo do campo das decisões infalíveis. Não é, por isso, fácil estabelecer de maneira clara e probatória que ela, em toda sua extensão, entra no âmbito da infalibilidade da Igreja”. Na maioria das vezes, como Melchor Cano, foge-se dos argumentos particulares e peremptórios para basear-se em um “grupo de argumentos”, como se o número pudesse, de algum modo, suprir a fragilidade de cada argumento. Scheid mesmo procurava mostrar que a Igreja pretende obrigar a todos os fiéis a crer na canonização dos santos. Por certo, seria mais seguro que houvesse uma declaração da Igreja que afirmasse ser essa a sua vontade.

Contudo, o juízo da Igreja sobre a santidade de uma pessoa merece, sem dúvida, grande consideração, seja por motivo de sua autoridade infalível, seja pela severidade e o rigor com que examina as qualidades para a canonização [repetindo: até antes da metade do século XX]. Em todo caso, os atos da canonização só podem ser aceitos por fé geral, eclesiástica, e não por fé divina. O fiel não faz um ato de fé especial na canonização, mas nela crê com um ato de fé geral, ato que aceita o culto da Igreja em seu conjunto.

Se no número dos santos encontramos algum “falso” santo, como Barlaão e Josaphat, o culto relativo que lhes é rendido se dirige a Deus. Assim como pode honrar-se a um rei por meio de um pseudoembaixador, de semelhante modo pode honrar-se a Deus por intermédio de um pseudossanto.


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Fonte

BARTMANN, Bernhard. Lehrbuch der Dogmatik [Compêndio Dogmático], Freiburg, 1932.

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Cf.

O antropocentrismo da Gaudium et Spes






Mons. Brunero Gherardini
Tradução: Carlos Wolkartt

Posto que o termo é recorrente, não podemos continuar falando de antropocentrismo sem antes darmos uma breve explicação, a qual, em estrema síntese, poderia ser assim formulada: O antropocentrismo é a concepção que vê o homem no centro do universo, como valor fundamental e ponto de confluência de tudo quanto existe. Trata-se de uma concepção muito semelhante àquela de F. C. Schiller, que a fez depender da máxima protagórica pela qual o homem é a medida de todas as coisas. É a máxima a partir da qual se desenvolve ultimamente uma teoria filosófica, conhecida como Humanismo (Troiano, Ferrari, Maritain). Esta toma o homem não só como medida, mas também como valor fundamental de todo o universo, no plano teórico, antes que no plano apreciativo. Maritain acrescenta a nota, completamente insustentável, de uma discrasia entre humanismo e encarnação [1].

Não disponho de elementos para dizer, nem sequer para suspeitar, que os redatores da Gaudium et Spes e os Padres conciliares, ao redatar, discutir e votar tal documento, tiveram todos a firme intenção de sustentar o magistério conciliar em dita teoria. De fato, sem embargo, a dependência é inegável. Mesmo antes de ser elevado a alturas vertiginosas, o homem é constituído como ponto focal e objeto de todo o documento: “É o homem, portanto, e precisamente o homem integral (et quidem unus et totus), na unidade de corpo e alma, de coração e consciência, de entendimento e vontade, o fulcro de toda a exposição a seguir” (GS 3/a). A afirmada centralidade do homem, de sua realidade natural, de sua dignidade e de seu surgimento por cima de toda outra realidade de criatura; o homem em sua concreção histórica e em seu contexto social e cultural; o homem, pois, com todo o cúmulo de sua problematicidade: eis aqui o único objetivo do mais extenso documento conciliar e o único ponto de apoio – fulcro – de todo o seu conteúdo.

Quando uma tal problemática é confundida com o conceito de mistério e imersa nele – “o mistério do homem” –, a deriva antropocêntrica torna-se ainda mais evidente em prejuízo do “mistério de Cristo” que deveria iluminá-la e resolvê-la: diz-se, com efeito, que “o mistério do homem encontra a verdade sobre ele somente no mistério do Verbo encarnado” (22/a) e que a razão profunda pela qual o enigma do homem se ilumina e se resolve é o fato mesmo da encarnação, com que “o Filho de Deus se une, de certo modo, a todo homem (cum omni homine quodammodo se univit)” (22/b). Agora, se é verdade que somente no mistério do Verbo encarnado é possível descobrir a solução completa do enigma do homem, a razão dada está, por sua parte, absolutamente privada de fundamento, é insustentável, absurda.

O mistério do Verbo encarnado é, como indica a palavra, o de sua encarnação mesma, e com ela também o de sua individualidade como este sujeito que domina dois mundos distintos, o divino e o humano, n’Ele hipostaticamente unidos, graças à função que o Eu pessoal do Verbo exerce sobre a natureza humana de Cristo, identifica, integra e aperfeiçoa [2]. Ao dizer “dois mundos distintos, o divino e o humano”, a doutrina católica se refere não aos indivíduos que a eles pertencem, mas às duas naturezas ou substâncias, a divina e a humana, unidas – e ao mesmo tempo, distintas e sem confusão – na hipóstase divina do Verbo. Porém, no texto da Gaudium et Spes citado acima, a doutrina da união e da distinção está radicalmente subvertida: a união hipostática, expandida à humanidade inteira apesar da atenuação do “quodammodo”; o limite entre o divino e o humano, suprimido; a inexistente distinção entre natureza e sobrenatureza.

É, sim, verdade também que os Padres conciliares advertiram à enormidade de sua declaração, e com o método usual do dizer e não dizer propuseram um redimensionamento: recorreram efetivamente ao advérbio “quodammodo”, isto é, “de certo modo ou medida”, para atenuar o ranger de uma contradição irredutível: o Verbo haveria se unido não com a natureza humana, senão “de certo modo ou medida” com todos os singulares detentores desta natureza. Além do fato de que, na linguajem teológica, inclusive na de Santo Tomás, o advérbio “quodammodo” e o uso mesmo de “quidam-quaedam-quoddam” geralmente ser uma implícita confissão de insegurança, de indecisão, de não peremptoriedade, e acabam então por confirmar aquilo que deveriam e queriam modificar; de nenhum modo nego a intenção – de per si evidente – de suavizar a insustentável declaração; porém a declaração permanece exatamente como o que é, e como é. Mantém, embora atenuado – ainda que não se saiba em que sentido e medida – o significado de suas palavras, que é este: não estão todos presentes no Verbo encarnado, mas que o Verbo está presente em todos, estando encarnado em todos, ainda que seja de um modo indefinível. [Os Concílios de] Éfeso e Calcedônia estão, assim, suprimidos. E está eliminada a assunção da substância humana individual e perfeita da parte do Verbo. E está eliminada também a união e a distinção das duas naturezas. Com Cristo, todo o divino está já em todo o humano, porém em todo o sujeito humano. A deriva antropocêntrica do divino não poderia ter uma proclamação mais significativa que esta: “Ipse enim, Filius Dei, incarnatione sua cum omni homine quodammodo se univit”.

Poderia continuar agora citando, um após o outro, os cantos de louvor ao homem contidos na Gaudium et Spes, expressão de uma radical obsessão antropológica, que não raramente parece converter-se em uma verdadeira adoração: não direi muito, ou pelo menos não muito que seja mais significativo de quanto já expus. Não posso, todavia, renunciar a pôr em evidencia outro absurdo metafísico deste documento, o qual, in 24/c, não hesita em asseverar que o homem “in terris sola creatura est quam Deus propter seipsam voluit” [3]. O homem, portanto, é a única criatura criada por Deus por si mesma. O absurdo metafísico consiste no fato de que, se Deus cria por alguém ou por alguma coisa fora de si, ou está sujeito, ou se submete Ele mesmo. Em um e outro caso, sendo condicionado a e por algo, a e por alguém fora d’Ele, não é nem pode chamar-se Deus: não é o Absoluto, não é o Ser supremo, não é o Necessário distinto de todo o contingente. Nota-se, pois, que não se trata só de um absurdo metafísico, mas também de uma contradição interna: o citado 24/c é, de fato, contradito pelo 41/a que diz: “mysterium Dei, qui est ultimus finis hominis”, o fim último, por cima do qual não há nenhum outro, havendo criado Deus tudo por si mesmo, também ao homem. Diria, além disso, sobretudo ao homem que, enquanto dotado de inteligência, ao reconduzir a Deus o conhecimento racional da concatenação de causas e efeitos, expressa sua dependência radical d’Ele e rende glória a Seu Amor difuso. De resto, não sendo todos professores de metafísica e talvez, inclusive, não gozando todos de uma mentalidade metafísica, os Padres conciliares deveriam conhecer bem, todos, a Sagrada Escritura e abster-se de escrever uma afirmação de tal e tanta gravidade, como aquela da “única criatura criada por si mesma”: “Propter semetipsum – lê-se em Provérbios XVI, 4 – operatus est Dominus” (cfr. Det. XXVI, 19): só por si e pela expansão de sua glória externa.

Se a Gaudium et Spes houvesse pretendido sublinhar que todo o criado o quis o Criador pelo homem e que o pôs a ele como fim, de modo que o homem, vértice do criado, não fosse subordinado a outra criatura, não haveria motivo para chamar-se escândalo. Porém, não sendo este o sentido dado pelo Concílio às suas palavras, o escândalo está aí e, que escândalo! Em um Concílio ecumênico!

O documento é uma contínua sucessão de proclamações chocantes, em tal número que se torna difícil a seleção de exemplos: poderia dizer-se tolle et lege. Contudo, me parece não só oportuno, senão necessário, resaltar alguma outra coisa. Falei da confusão entre o natural e o sobrenatural. Não é coisa insignificante. É o ostracismo, embora não ostentosamente manifesto, da perspectiva teocêntrica e a porta de entrada para a perspectiva antropocêntrica. Uma troca de papéis: do cristão porque o é da Igreja, e também de cada um porque o é de toda a humanidade. Não por casualidade já o Proêmio da Gaudium et Spes alude a tal ideia, como se se tratasse de um dos temas de fundo sobre o qual o documento virá depois articulado. Podemos ler que “não há nada que seja genuinamente humano que não encontre um eco no coração” dos cristãos, cuja comunidade “se sente por isto – quapropter – verdadeira e intimamente solidária com o gênero humano e com sua história”. Se isto se referisse a uma partilha cristã de qualquer motivo de perturbação do coração do homem ou em qualquer nobre esperança sua, nada haveria que objetar; porém o solidarizar-se da Igreja, ou melhor, a sua comunicação com todo o gênero humano sobre a base da condição natural idêntica nos cristãos e nos não cristãos, esquecendo as razões sobrenaturais que a impulsionam, sim, vai de encontro a todo homem, porém só para resolver o problema fundamental: o pecado original, a correlativa questão da salvação eterna, as questões sobre uma existência alienada com as premissas do evangelho e com suas exigências de coerência evangélica [4].

O fato é que a ampliação do interesse conciliar, deixando de referir-se unicamente aos cristãos e aludindo ao homem enquanto tal, confirma a mencionada abertura à perspectiva antropocêntrica. E que tal abertura responda a uma pretensão primordial da Gaudim et Spes, está demonstrado por sua confissão direta: tanto mais significativa, esta, enquanto formulada a partir dos compassos iniciais, com um propósito evidentemente programático. Tendo declarado a vontade de abrir um diálogo com a humanidade para “pôr à sua disposição as energias de salvação [5] que a Igreja, sob a guia do Espírito Santo, recebe de Seu Fundador”, a GS 3/a – praticamente para eliminar a suspeita de um regresso ao sobrenaturalismo medieval que tais palavras podem sugerir – explode em um hino a favor do homem, em cujo valor reconhece a função de fundamento das próprias preocupações e da própria doutrina. O texto foi citado precedentemente, porém a repetição neste momento é um instrumento retórico para demonstrar a verdadeira intenção do Concílio: “É o homem, portanto, e precisamente o homem integral, na unidade de corpo e alma, de coração e consciência, de entendimento e vontade, o fulcro de toda a exposição a seguir”. Fulcro. Querendo pôr em evidência a base e o fundamento do antropocentrismo da Gaudium et Spes, não se poderia escolher palavra mais clara e eficaz.

E obviamente, junto com o homem, o mundo. Já se recordou o que queria João XXIII, o que queria Paulo VI e, já com o Concílio em fase de recepção, o que havia querido João Paulo II e o que quer o Pontífice reinante: a reconciliação da Igreja com o mundo. E também se pôs em evidência o equívoco ligado à reiteração desta frase: a Igreja não se havia feito inimiga do mundo, senão o mundo da Igreja. Daí outro equívoco: que a Igreja deseje reconciliar ao mundo consigo, como parte de sua missão, porém esta não pode exigir-lhe adaptar-se e, todavia, muito menos homologar-se com os princípios do mundo. Equívoco à parte, uma pergunta aparece como inevitável neste momento: Qual é o significado do termo “mundo” no uso da Gaudium et Spes, em seguida imitado pelo novo linguajar teológico?

A ambiguidade do termo, amplamente abrangida na Sagrada Escritura, é conhecida. Do mundo, a Escritura reconhece sua criação por Deus (At XVII, 24; Jo I, 3-10; Col I, 16; Heb I, 12) e o testemunho que o mundo rende à divina providência (At XIV, 16), porém conhece também o estado de subordinação a Satanás (I Jo V, 19) que faz o teatro através do pecado desde sua origem (Jo I, 29) e, portanto, a pedra de tropeço no caminho do Reino (Mt XVIII, 7). Sem embargo, este mesmo mundo totalmente à mercê do maligno é aquele que o Pai envolve em seu amor e ao qual faz doação de Seu Unigênito (Jo III, 16-17). A Gaudium et Spes nem ignora, nem rejeita, nem analisa tal ambiguidade; a acolhe tal qual é. Põe-se inclusive em atitude de admirada veneração ante este mundo no qual, mais além da ambiguidade, considera “a inteira família humana, com todas as realidades no meio das que vive, (…) o teatro da história da humanidade, (…) os sinais de seus esforços, de suas derrotas e de suas vitórias”, objeto “do amor do Criador” [6], submetido “à escravidão do pecado, porém libertado por Cristo crucificado e ressuscitado com a anulação da potestade do maligno e destinado, conforme o projeto de Deus, a ser transformado e a alcançar a própria realização” [7] (Gs 2/b). Se isto não bastasse, ao longo de toda a constituição pastoral, o tema do mundo é novamente confirmado e uma vez mais respeitado em sua ambiguidade de base. A Gaudium et Spes, de fato, espera que “o mundo reconheça a Igreja como realidade social da história e seu fermento”, porém se diz também consciente de quanto a Igreja “recebeu da história e da evolução do gênero humano” [8] (44/a): “Os conceitos e as línguas de diversos povos”, “a sabedoria dos filósofos”, “o intercambio vivo entre a Igreja e as diversas culturas dos diferentes povos” (44/b). Esta é uma nada desprezível ajuda que “os crentes e não crentes” oferecem à Igreja “na medida em que ela mesma depende de fatores externos”: uma ajuda e um “benefício que pode vir, inclusive, da própria oposição daqueles que a hostilizam e perseguem” (44/c). A estas alturas, para a constituição pastoral, já não há fronteiras contrapostas, e se alguém as contrapõem, serão todas, sempre, inclusive em uma eventual perseguição, um “benefício” que o mundo presta à Igreja. As extremidades se aproximaram em tal modo e a tal ponto, que chegaram já a soldar-se. O que a Igreja fez e disse, o fez e o disse ao mundo; e quando o mundo vai avançando em seu curso, o faz para benefício da Igreja.

Graças à “transformação social e cultural” que tem suas repercussões sobre todos os aspectos da convivência humana, incluindo a religiosa (4/b), a Gaudium et Spes elogia o cancelamento dos atritos do passado. A transformação, na verdade, não só repercute na condição histórica da convivência humana, já para despejar a eventualidade e a ideia mesma de uma revolução anticristã – que, não obstante, segue seu próprio caminho e não se retrai hoje do ódio contra os cristãos, infligindo-lhes uma morte violenta na cólera contra a Fé – senão que discorre segura pela via do antropocentrismo, do que o mundo, tal como vem apresentado, se converte no ambiente ideal. O ambiente, digo, donde se vive os “sentimentos amorosos”, ou o teatro no qual os “sentimentos amorosos” recitam-se. Um ambiente nunca mais limitado por cercas, mas dilatado por sua queda, segundo o ingênuo otimismo que caracterizou o discurso conclusivo de Paulo VI durante a Missa de 7 de dezembro de 1965 [9]; em tornou do já triunfante antropocentrismo que se atreve a equiparar os direitos do homem com os de Deus, o que identifica estes com aqueles e reconhece como divinos os pensamentos e projetos puramente humanos. A este respeito foi emblemático o discurso de Paulo VI, recordado acima, donde equiparou o Vaticano II ao encontro entre “a religião de Deus que se fez homem” e “a religião (porque é tal) do homem que se faz Deus”.

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Notas (em italiano)

1. Si ricorda di F. C. S. Schiller, Humanism, philosophical essays e Studies in Humanism, l’uno del 1903 e l’altro del 1907. Di j. Maritain, è invece da ricordar il famoso Humanisme intégral, Paris 1936 (trad. it. Roma 1947), fortemente criticato da A. Messineo su “La Civiltà Cattolica” del 29 marzo 1954, pp. 663-669, a sua volta oggetto di replica da parte di G. Aceti in Vita e Pensiero 1914-1964, Vita e Pensiero, Milano 1966, pp. 512-520.

2. Val la pena, a tale riguardo, di ricordare che cosa il Magistero ecclesiastico sancì a) al Concilio di Efeso, con la dottrina dell’unione ipostatica “vera reale física”; b) e al Concilio di Calcedonia, con la dottrina dell’integrità e perfezione della natura assunta. Tutto ciò per dichiarare che in Cristo c’è una sola persona, perché c’è una sola sussistenza, quella del Verbo, la quale unisce in sé in modo reale e profondo la natura divina e la natura umana, mantenendole però integre reali e distinte. L’unione è dottrina di Efeso; la distinzione, di Calcedonia.

3. Cito in latino, perché questa lingua mantiene rigorosamente le concordanze che consentono, assai più delle lingue volgari, di stabilire l’esatto pensiero dei Padri conciliari. Dicendo che l’uomo è, sulla terra, “sola creatura quam Deus propter seipsam creavit”, cade ogni dubbio sulla finalità della sua creazione: il femminile “se ipsa” è in perfetta concordanza col femminile “sola creatura” e col pronome pure femminile “quam”; Dio è in tal modo perentoriamente escluso dalla sua finalità creatrice. Ed accontento così, con un richiamo alla legge delle concordanze, chi mi consiglia di legger attentamente l’originale.

4. E nulla dico sulla mancanza d’un collegamento logico tra la premessa d’una “più profonda penetrazione nel mistero della Chiesa” e la conseguenza del suo discorso non più rivolto “ai soli [suoi] figli, né solamente a coloro che invocano il nome di Cristo, ma a tutti indistintamente gli uomini” (GS 2/a). Parrebbe che la realtà dei non cristiani, ai quali oggi la Chiesa si rivolge, fosse la novità derivante da un più approfondito esame del suo mistero. Che cosa fu, allora, prima di codest’esame, l’evangelizzazione in genere, che cosa in special modo furon le missioni?

5. Per l’ennesima volta metto l’accento sul vezzo invalso soprattutto dal Concilio in poi di parlare d’una generica e mai precisata salvezza, con assoluta reticenza di ciò che caratterizza la salvezza cristiana ed il suo oggetto: l’accesso dal peccato alla grazia e, quindi, alla vita eterna.

6. Il testo originale porta: “Quem christifideles credunt ex amore Conditoris conditum et conservatum”: come si vede, non un’affermazione della creazione dal nulla da parte dell’amore divino che s’espande negli oggetti da esso stesso creati, ma l’aggancio di tali oggetti alla credulità dei cristiani, secondo i quali – soggettivamente, quindi – ciò che è troverebbe spiegazione nella potenza creatrice dell’amore di Dio.

7. Altra frase ermetica: il progetto di Dio prevede, dunque, il “trasformarsi” del mondo fin al “compimento” (!!!). Il testo sembra ignorare che ci si trasforma in meglio ed in peggio e che il pervenir a compimento (“ad consummationem” significa più propriamente “fin al termine”, “alla conclusione”) non ha senso se non si specifica. Così com’è, può dir tutto ed il cpntrario di tutto.

8. Ennesima sfasatura formale e logica: i termini di paragone son Chiesa e mondo, non Chiesa e genere umano.

9. Si veda il testo in Acta Synodalia sacrosancti Concilii Œcumenici II 1970-1980, Typis Vaticanis, Città del Vaticano 1970, vol. IV/7, pp. 654-662.

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Fonte

GHERARDINI, Brunero. Il Vaticano II. Alle radici di un equivoco, Lindau 2012, pp. 185-195.

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Cf:

Padre que não acredita em Deus nem no Diabo atrai multidões




Adolfo Huerta Alemán, da diocese de Saltillo, no México, é um fenômeno de popularidade em seu país. Ele é mais conhecido pelo apelido de “El Gofo” e seu visual pode fazê-lo ser confundido com um músico de uma banda de heavy metal.  O sacerdote disse recentemente que faz sexo com frequência e que a existência de Deus para ele não importa.
Por causa de suas declarações e do sucesso que faz especialmente entre os jovens mexicanos, o bispo local decidiu que Gofo deverá responder diante do tribunal eclesiástico diocesano.
Tudo começou com uma entrevista publicada em 22 de março pela revista mexicana Proceso, onde Adolfo, vigário recentemente nomeado da Paróquia Senhor da Misericórdia, disse “se Deus não existe, pouco me importa”. Para ele, disse, a fé é simplesmente “uma motivação para dar sentido à vida”, que o motiva “a encontrar um significado e conseguir melhorar nossos relacionamentos, algo que vai ajudar a me tornar um ser humano melhor.”
Quando perguntado pelo repórter se faz sexo, Gofo admitiu que “frequentemente”, mas observou que não tem compromisso com ninguém porque seu rebanho exige muito de seu tempo.
De acordo com a mesma publicação, o padre usa bótons com as imagens de Che Guevara e personagens da série South Park, desenho animado que constantemente ofende a Cristo, a Igreja e o Papa. Gofo pinta seu longo cabelo de azul e vermelho e comumente pinta o rosto com tinta branca para enviar alguma mensagem.
Alemán também expressou repetidas vezes seu apoio a ideologia dos  ”transgênero” e republicou mensagens na rede social Twitter da organização católica Free Choice, que nos últimos 10 anos tem gastou mais de US $ 13 milhões para promover o aborto na América Latina, especialmente no México.
Em 18 de Fevereiro, publicou na internet uma “carta aberta ao novo Papa” onde pedia que Francisco aceitasse “padres casados”, “sacerdotisas” e “abortistas incompreendidas”. Ordenado há seis anos, padre Gofo tem um forte trabalho social na área de El Toreo, onde predomina a população pobre e é forte a presença do crime organizado.
Embora já que tenha dito não crer que a Bíblia é a palavra de Deus, usa trechos dela nas missas, juntamente com citação de filmes de Hollywood ou canções de rock. Muitas vezes usa seu senso de humor ácido e se defende: “Temos de atualizar o Evangelho à cultura contemporânea.”
Para ele, “A renúncia de Bento reflete o cansaço de uma igreja que está se enfraquecendo. Não irá acabar, mas não causa nenhum impacto nem mudança de mentalidade. Você precisa entender que a fé nada mais é que um compromisso com a minha realidade histórica, de mudar as circunstâncias da Igreja, ter compromisso com as vítimas de tráfico, com os familiares dos desaparecidos, com os transexuais. A Igreja Católica não deveria ser um fardo para a sociedade, mas um alívio”.
Andando pelas ruas, pergunta às pessoas se querem que ele celebre uma missa em suas casas. A resposta geralmente é sim. Centenas de pessoas, sobretudo jovens, vão ouvi-lo falar nessas cerimonias a céu aberto. Aos 35 anos de idade, ele anda em uma moto de 125 cilindradas, bebe cerveja e ouve a banda de heavy metal Iron Maiden em seu celular.
Publicou um texto que lhe rendeu a acusação de ser pornográfico. Recebeu como punição três meses em um retiro com outros padres.
Gofo se sente discriminado por ser diferente. Por sua aparência, já foi acusado de ser satânico. Mas ele não se importa, afinal não acredita no diabo. “Eu acho que o diabo é um personagem, um conceito não me ajuda a crescer como pessoa nem fazer meu trabalho corretamente… Eu acredito que a linguagem da Igreja tem de ser atualizada, precisa evoluir, (…) esse tipo de linguagem não é mais útil, não atende mais às necessidades do nosso povo”, finaliza. Com informações Lagaceta Cristiana e Revista Proceso.
Cf

“A Igreja avança entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”





Papa Francesco celebra a festa litúrgica de São Jorge, seu onomástico, lembrando o fervor missionário dos primeiros mártires

Roma,  23 de Abril de 2013  (Zenit.org


No dia da festa de São Jorge, o papa Francisco reiterou a essência cristocêntrica da Igreja Católica Romana. Por ocasião da festa litúrgica do santo mártir, o papa presidiu a missa na Capela Paulina, no Vaticano, com a presença dos cardeais residentes em Roma.
“Obrigado, porque eu me sinto bem acolhido por vocês”, disse Francisco aos cardeais ao começar a homilia. Logo em seguida, o Santo Padre abordou a natureza profunda da Igreja e o sentido do martírio.

“A identidade cristã não é uma carteira de identidade”, explicou; ela se situa no “pertencer à Igreja Mãe”. Por isso, acrescentou o papa, “encontrar Jesus fora da igreja não é possível”. Citando Paulo VI, Francisco prosseguiu: “É uma dicotomia absurda querer viver com Jesus sem a Igreja, seguir Jesus fora da Igreja, amar Jesus sem a Igreja”.

Comentando a primeira leitura (At 11,19-26), o Santo Padre disse que “justo no momento em que a perseguição se desencadeia, também se desencadeia a natureza missionária da Igreja”, que avança “em meio às perseguições do mundo e às consolações de Deus”, sempre a meio caminho “entre a cruz e a ressurreição”.

Aqueles que seguem este caminho “não erram”, declarou o pontífice. É uma estrada, no entanto, que não tem nada a ver com o “caminho do mundanismo”, que se percorre “negociando com o mundo”, do qual a única consolação obtível é puramente “humana” e “superficial”.

A Igreja imprime em seus filhos “a identidade da fé”, mas, se não formos “ovelhas de Jesus”, a fé não criará raiz, ou, no máximo, permanecerá “sem substância”.

Um último aspecto destacado pelo papa diz respeito à evangelização. Na primeira leitura, São Barnabé expressa a “doce e confortadora alegria de evangelizar”, que acompanhava a coragem de todos os primeiros cristãos, capazes de “anunciar Jesus para os gregos, o que na época era escandaloso”.

Da mesma forma, nós também devemos pedir ao Senhor um “zelo apostólico que nos impulsione a seguir em frente”, levando o nome de Jesus “até o seio da Santa Mãe Igreja, como dizia Santo Inácio, ‘hierárquica e católica’”, concluiu o Santo Padre.

No início da missa, o cardeal decano Angelo Sodano dirigiu seus cumprimentos ao papa Francisco pelo dia do seu onomástico, pedindo, para o papa e para os cardeais presentes, “o dom da fortaleza cristã que o Espírito Santo derramou nos mártires de todos os tempos”.
Sinteticamente, Sodano traçou depois o perfil do santo do dia: deixando de lado a couraça militar, São Jorge “vestiu a couraça da fé e do amor” e doou seus bens aos pobres, dando testemunho da sua fé até o martírio.

“Junto com Sua Santidade, Santo Padre”, continuou Sodano, “imploraremos o dom da fortaleza cristã para aqueles que ainda hoje sofrem por causa da fé, assim como no tempo de São Jorge. Poucos dias atrás, Sua Santidade nos lembrou que o tempo dos mártires não terminou ainda. Ó Senhor, por intercessão de São Jorge, sustentai a nossa fraqueza e fazei brilhar sobre nós o vosso poder”.

FEMINISTAS ATACAM ARCEBISPOS

Ativistas seminuas do grupo feminista Femen invadiram uma conferência em uma universidade de Bruxelas. Durante o ato as manifestantes jogaram água no arcebispo de Mechelen-Bruxelas, Andre-Joseph Leonard. O bispo não reagiu e evitou olhar para as manifestantes.

BISPO DE BAURU DÁ ULTIMATO AO PADRE BETO DANIEL

Adicionar legenda
Ato do Governo Diocesano sobre pronunciamentos do pe. Beto pelos meios digitais
23/04/2013

Tendo em vista os recentes pronunciamentos do padre Roberto Francisco Daniel (padre Beto) em páginas pessoais da internet, que têm provocado escândalo junto aos fiéis, agora, extrapolando-se o âmbito diocesano e indo para o mundo aberto da mídia eletrônica; tendo em vista, sobretudo, o conteúdo desses pronunciamentos que ocorrem em desacordo com os ensinamentos da Igreja no campo da doutrina, da moral e dos costumes; tendo em vista que não em poucas oportunidades o Bispo Diocesano já lhe vem alertando sobre seus pronunciamentos; e tendo em vista o diálogo realizado hoje, 23 de abril, na Cúria Diocesana, sobre o assunto, determino ao padre Beto a retirar de imediato tudo o que estiver na mídia, com palavras e imagens relativas a estas suas declarações. Determino a se retratar através do mesmo meio utilizado (site, Facebook e YouTube), no prazo até 29 de abril de 2013, confessando humildemente que errou quanto a sua interpretação e exposição da doutrina, da moral e dos costumes ensinados pela Igreja.

Nossa Diocese, que caminha rumo ao Jubileu de Ouro de sua fundação, encontra-se em oração permanente, suplicando ao Divino Espírito Santo, seu padroeiro, que ilumine nossas mentes e nossos corações para caminharmos na busca da conversão, da santidade, da comunhão e da paz.

Dom Frei Caetano Ferrari, ofm, 

Bispo Diocesano de Bauru.

Cf: 

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Abaixo , em vídeo, declarações do padre
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZA6B4pwHY8s