Pe. Fábio de Melo: "¿POR QUÉ NO TE CALLAS?"

Caríssimos, Salve Maria!
É lamentável escutar o que o Pe. Fábio de Melo diz sobre a devoção à Nossa Senhora. Dias atrás ele, em programas que jamais deveria participar defendeu heresias, quando afirmou que “Cristo queria o Reino de Deus e nós só conseguimos lhe dar a Igreja” Não vou entrar aqui em suas colocações péssimas sobre Lei Divina Positiva e lei civil e questões de moralidade cristã. É verdade que depois da polêmica ele veio, em seu blog, se retratar; uma retratação “não-sei-que, mas, porém, todavia”, como é próprio dos modernistas. Agora ele investe contra Nossa Senhora e o culto mariano. Esse padre, apesar de esboçar seus títulos em sua “retratação-mas, mas”, parece desconhecer a doutrina da Igreja quanto à devoção mariana, ou o que os santos escreveram, sobretudo São Luis G. de Montfort em sua grande obra ” Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” e “Glórias de Maria”, de Santo Afonso de Ligório.
O vídeo acima foi postado pelos protestantes que usando o argumento “fabiano”, vão divulgar mais e mais suas heresias e ódio contra Nossa Senhora sob o pretexto de que “Pe. Fábio de Melo, disse”. 
Recebi um comentário de alguém sobre o assunto muito lúcido:
“Parece que ultimamente o pe. Fábio de Melo está se esforçando mais para fazer companhia ao pobre “padre Beto”.

Impossível ouvir a fala dele e não lembrar do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, em que S. Luís condena posições praticamente idênticas à fala desse padre — se não me engano é a falsa devoção do tipo “escrupulosa”, que nega a devoção devida a Nossa Senhora sob o pretexto de não colocá-la acima de Nosso Senhor, como se uma coisa fosse oposta à outra.

E, em outro ponto, S. Luís lembra que um traço comum a todos os santos é a extrema devoção a Nossa Senhora, e um traço comum a todos os hereges é o ódio (ou indiferença, não lembro exatamente) que eles têm por Maria Santíssima.”

Ao Padre Fábio de Melo eu diria o que disse o Rei da Espanha ao falador da Venezuela: ” “Por qué no te callas?”

Pe. Marcélo Tenorio

Após parodiar 'Show das Poderosas', padre pede perdão

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A performance de um padre durante o culto religioso de formatura de uma turma de direito no Recife, em janeiro, fazendo uma paródia do “Show das Poderosas”, da cantora Anitta, ganhou as redes sociais (VEJA VÍDEO ABAIXO). Porém, a exposição e as críticas surpreenderam o padre Hewerton Alves e, nesta quinta-feira (23), ele foi à sede da Arquidiocese de Olinda e Recife. Após uma conversa com o arcebispo Dom Fernando Saburido, divulgou uma nota pedindo desculpas.
A versão vista pelo G1 foi publicada no dia 17 de janeiro e, até o fim da manhã desta quinta (23), tinha sido visualizado por, aproximadamente, 10 mil pessoas. “Creio que de fato, não fui feliz em cantá-la em um culto de formatura. Mas a intenção sempre de minha parte foi de trazer os jovens mais perto da Igreja. A intenção não foi jamais de afrontar ou escandalizar pessoa alguma”, explica a nota.
Padre Hewerton lembra ainda que a música já havia sido apresentada anteriormente, durante a Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2013, e contou com a presença do Papa Francisco. Na ocasião, a versão ganhou o título de “Show da JMJ”, o que teria servido como inspiração.
Nos comentários do vídeo, há mensagens de repúdio, inclusive de pessoas que se dizem católicas e o acusam de querer se promover, mas há também outros que apoiam e veem a versão como uma forma de aproximar-se da juventude, que é a justificativa do padre para a apresentação. “Aos que ofendi peço-lhes perdão e reitero o meu propósito de seguir sempre fiel a minha Igreja e à missão que o Senhor me confiou”, diz a nota.
A Arquidiocese de Olinda e Recife preferiu não se manifestar sobre a conversa que aconteceu entre o arcebispo e o padre, que durou aproximadamente meia hora.

"Fratres in Unum"



Caríssimos, Salve Maria!

Aqui o Papa Francisco almoçando fraternalmente com os judeus do Congresso Latino-americano. 

Será que ele repetiu as palavras de João XXIII na acolhida: ” Eu sou José, vosso irmão”?

Em sua Exortação E. Gaudium, Francisco afirmou que a aliança de Deus com o povo judeu jamais foi abolida. É uma colocação ” nova” feita até hoje por um Pontífice.

Rezemos pela Igreja e pelo Papa.




Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com
“Sejam bem-vindos, e espero que este encontro ajude a fazer crescer o que semeamos juntos”, expressou Francisco ao receber, na última quinta-feira (16 de janeiro), uma delegação de 15 pessoas representada pelo diretor executivo do Congresso Judaico Latino-americano (CJL), Claudio Epelman, e pelo presidente da DAIA, Julio Schlosser.
“É um evento transcendente para toda a comunidade judaica e para o resto do mundo: há 70 anos os judeus europeus eram levados às câmeras de gás; hoje os judeus puderam almoçar comida Cashrut com o Papa, o que era impensável há um século”, disse Schlosser em declarações à imprensa, logo após o encontro que durou aproximadamente duas horas e meia.

Depois de uma breve reunião formal e do posterior almoço – durante o qual compartilharam “um diálogo franco que demonstra que a partir da compreensão e do respeito interconfessionais com todas as partes podemos construir um mundo melhor” – concordaram em destacar que a Argentina é “pioneira em matéria de diálogo inter-religioso” e analisaram a forma de alcançar uma maior aproximação entre ambas as religiões.
Após a troca de saudações e um curto diálogo no qual participaram convidados especiais representados pelo cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, procedeu-se a refeição, servida em uma mesa a cuja cabeceira se sentaram o Papa, Schlosser e o rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-americano “Marshall T. Meyer” – destaca a agência Jewish News.
O fraterno e amistoso encontro incluiu uma troca de presentes, além de anedotas e recordações de Buenos Aires. O almoço culminou, inclusive, com um momento significativo: sentados ao redor da mesa, o Papa e os dirigentes judeus cantaram em hebreu o Salmo 133, que reza: “Hine mah tov uMah-Nayim shevet achim gam yachad” [Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união].
“Ainda permanece em mim a emoção de um encontro maravilhoso. Compartilhamos uma parla e um almoço e falamos de todos os temas que iam surgindo na mesa”, contou o presidente da DAIA em entrevista à agência Télam, enquanto Epelman disse que “como uma demonstração inequívoca de hospitalidade, o Papa nos recebeu em sua residência por horas, nas quais pudemos conversar sobre como aprofundar as relações entre judeus e católicos”. O encontro – considerou – “não tem precedentes pela simplicidade com que fomos recebidos”.
Sem dúvida, um dos temas centrais do encontro foi a próxima visita do Papa à Terra Santa, a ser realizada em maio. “Francisco descreveu essa visita como sublime e disse que a espera com grande expectativa”, afirmou Epelman. “Ele nos falou da importância e transcendência que uma mensagem de paz tem para esse lugar tão conturbado do mundo, que conserva todos os lugares santos das três religiões monoteístas mais importantes para a humanidade”, disse, por sua vez, Schlosser.
Também participaram do encontro o 1º vice-presidente da DAIA, Waldo Wolff; o presidente da FACCMA, Javier Veinberg; o subsecretário de Direitos Humanos do governo portenho e presidente do Museu do Holoc

austo de Buenos Aires, Claudio Avruj; o tesoureiro do CJL, Javier Mutal; os rabinos Isaac Sacca e Ariel Stofenmacher; e Marcos Grabivker, vice-presidente da Associação Internacional de Juristas Judeus.

Também participaram Marcelo Polakoff, presidente da Assembleia Rabínica; Raúl Bergman, presidente da Bnei Tikva; Raúl Feler, de Tucumán; Boris Kalnicki, da Confraternidad Judeo Cristiana; e Ariel Isaak e Ariel Seidler, jovens que ocupam cargos no CJL e que despertaram especial interesse do Papa.

Pe. FÁBIO DE MELO E SUAS HERESIAS





Caríssimos, Salve Maria!

É estarrecedora esta colocação do Pe. Fábio de Melo sobre a Igreja e seu Mistério. Uma heresia clara. Uma negação absoluta da Fé Católica em todo o seu conjunto. Não se pode desacreditar um só ponto da Fé sem abalar todo o edifício da Verdade. Tempos atrás ele falava sobre a Presença Real de Jesus na Eucaristia da forma mais estranha possível, agora, sua falta de doutrina católica fica mais que clara.


“Não adianta pregar a fé com elaborações teológicas. É preciso praticar a caridade. Não importa se você é católico, evangélico, espírita ou de outra religião. Se estiver disposto a amar alguém junto comigo, já somos irmãos. Jesus não queria a Igreja, queria o Reino de Deus, mas a Igreja foi o que conseguimos dar a Ele.Não sou adepto de uma fé que idiotiza. Sou adepto de uma fé que faz pensar: ‘quem somos nós?'”

Rezemos pela Igreja e pelo Papa.

A tacada final para o Anticristo: ONU pretende subjugar a Santa Sé a sua "autoridade"!!


Por direito divino a Igreja é imune em relação aos poderes políticos e isso por uma razão clara : ela sendo instituição divina está acima dos poderes humanos. 
 
Todavia desde o século 13-14, existe, no ocidente, uma tendência que procura sujeitar o poder da Igreja aos poderes civis – políticos. Cabe lembrar do que fez o rei Felipe, o Belo, da França, que tentou  a deposição do papa Bonifácio VIII e transferiu o papado para a cidade de Avinhão, para colocar a Igreja sob seu controle.
 
O fortalecimento do poder dos reis no século 14 , permitiu que no século 16 a reforma protestante tivesse sucesso já que foi sobre o abrigo de reis e princípes interessados em se livrar da ingerência da Igreja nos assuntos temporais, através de seu magistério, que os ditos reformadores conseguiram fazer avançar suas doutrinas e seitas.
 
Lembremos também de Clemente XIV, que aboliu a Ordem dos Jesuítas ( Cia de Jesus) para atender aos déspotas esclarecidos do século 18 que estavam sob a influência do iluminismo – vendo portanto a Igreja como inimiga da civilização e da razão. Os monarcas dessa época exigiam a supressão dos Jesuístas pois os mesmos controlavam as cátedras universitárias e as universidades que em geral estavam nas mãos da Igreja. Importava tirar da Igreja o controle da educação para que os “filósofos” iluministas ocupassem as universidades e assim pudessem forjar a mentalidade das futuras gerações. Clemente XIV era bem visto pelos governos adversos aos Jesuítas. Embora espremido pelas circunstâncias, ele contemporizou quatro anos. Só em 1773 publicou o breve Dominus ac Redemptor noster, com o qual extinguiu a Companhia . Os soberanos Bourbons de França, Espanha, Nápoles e Parma não permitiram mais a permanência dos inacianos em seus países. Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e marquês de Pombal, já os expulsara das terras lusitanas. O Geral, Padre Lourenço Ricci, não admitia modificações essenciais na constituição jesuítica. Preso no castelo Santo Ângelo, morreu octogenário em 1775.
 
Foi graças a isso que a Revolução Francesa se tornou possível – a atuação jesuítica teria decerto  minorado a influência iluminista-maçônica na França o que poderia ter resultado em que não houvesse a explosão revolucionária sobretudo a de 1792 sob liderança jacobina. 
 
Eis que desde 1962 – ano de início do Concílio Vaticano II – o clero vem se abrindo a realidade laica e secular que marca o mundo moderno como se fossem coisas positivas e queridas por Deus. Em razão disso a tradicional doutrina de sujeição dos estados a realeza de Cristo e de seu pontífice( o papa) vem sendo deixada de lado. Não são mais os Estados que devem sujeitar-se a Igreja e aos princípios eternos que ele preserva: antes, pensa o clero modernista,  é ela que deve se adequar a nova realidade onde o poder político de cunho humanista se arroga o direito de ser a última palavra e de ser o portador dos princípios de ordenação da civilização numa inversão satânica da reta ordem criada por Deus!
 
Exemplo disso é que a encíclica “Mater et Magistra” de João XXIII já abria espaço para um poder que regulasse os problemas internacionais, uma autoridade laica a qual todos – incluída aí a Igreja Católica – deveriam obediência : “Os progressos científicos e técnicos multiplicam e reforçam, em todos os setores da convivência, as relações entre os países, tornando a sua interdependência cada vez mais profunda e vital. Por conseguinte, pode dizer-se que os problemas humanos de alguma importância – qualquer que seja o seu conteúdo, científico, técnico, econômico, social, político ou cultural, apresentam hoje dimensões supranacionais e muitas vezes mundiais. Assim, as comunidades políticas, separadamente e com as próprias forças, não têm já possibilidade de resolver adequadamente os seus maiores problemas dentro de si mesmas, ainda que se trate de nações que sobressaem pelo elevado grau e difusão da cultura, pelo número e atividade dos cidadãos, pela eficácia dos sistemas econômicos, e pela extensão e riqueza dos territórios. Todas se condicionam mutuamente e pode, mesmo, afirmar-se que cada uma atinge o próprio desenvolvimento, contribuindo para o desenvolvimento das outras. Por isso é que se impõem o entendimento e a colaboração mútuos. “( Números 199 a 201).
 
Pois bem : hoje nos deparamos com a seguinte notícia referente aos casos- alguns reais outros apenas supostos – de pedofilia dentro da Igreja :http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/renuncia-do-papa/onu-cobra-acoes-do-vaticano-para-combater-a-pedofilia-

na-igreja,f5e65bfb2ec83410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

 
Em suma : a ONU cobra da Igreja a observância de seus estatutos relativos a direitos da infância.
Ok! Nenhum católico em sã consciência pode se opor a que padres respeitem a dignidade infantil.
 
O problema todo não está aí mas sim no que há por trás disso: A ONU PRETENDE QUE A IGREJA A RECONHEÇA COMO AUTORIDADE MORAL SUPREMA E COMPETENTE PARA JULGAR INCLUSIVE A IGREJA NÃO APENAS NO CASO DE PEDOFILIA MAS EM QUALQUER CASO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
O poder laico -secular e mundializante da ONU usa o subterfúgio da “omissão” de parte do clero com os casos de pedofilia para tentar submeter a Igreja a seu juízo.
 
Que consequências imediatas isso pode ter? Imaginem que amanhã grupos de homossexuais poderão procurar a ONU para encaminhar um processo contra a Igreja em razão de sua posição sobre moral sexual e casamento!! O simples fato de autoridades católicas se prestarem ao papel de dar satisfações a ONU fortalece o poder global que se quer criar e abre portas para o império do anticristo.
 
Em suma estamos diante do seguinte problema: que poder deve estabelecer a lei? A ONU crê que as leis que devem reger o mundo globalizado são as que expressam seu credo laicista-secular-humanista. Nesse admirável mundo novo as leis eclesiásticas e divinas não valerão mais. A religião deverá seguir as leis impostas pelo novo clero ( os intelectuais do humanismo secular)!!
 
Será que as autoridades da Santa Sé não enxergam o que há nisso tudo? Rezemos pois os tempos são críticos!

 

«Camarada, ajude-me: meu filho, licenciado em Ateísmo Científico, quer entrar no seminário»


A Comunidade Católica SHALOM elogia CISMÁTICO ORTODOXO. Tempos de confusão e de disparates!

***
Andrey Kuraev nasceu em 1963 em Moscou. Sendo criança no princípio dos anos 70, “eu sonhava com o comunismo”, explica. “Eu me imaginava como uma grande tenda cheia de brinquedos onde cada um podia pegar grátis qualquer coisa, sem dinheiro e sem que os pais dissessem que não poderiam pegar”.
Os pais de Andrey não eram crentes. Tampouco eram especialmente militantes do ateísmo. Seu padre era filósofo e trabalhava na Academia de Ciências. O menino cresceu com gosto pela filosofia. No colégio foi redator de um jornal escolar chamado “O Ateu”. Na hora de escolher a carreira universitária, escolheu a licenciatura mais ideológica de todas: Teoria e História do Ateísmo Científico.
E ali, na licenciatura de ateísmo, pela primeira vez o jovem Kuraev teve contato com os textos reais do Evangelho.
Muita mentira e muita incompetência
Nos livros soviéticos, com seus comentários sobre a história do cristianismo, começou a ver que a crítica materialista não tinha consistência. “Logo me dei conta de que nesses livros havia muita mentira, muitas conjecturas e um sem fim da mais simples incompetência. Em minha época, nenhum dos professores conhecia o hebreu nem o grego, porém isso não lhes impedia de fazer um crítica científica da Bíblia. Isso me decepcionou muito”.
Dessa decepção acadêmica veio a decepção na prática. A mesma atmosfera da sociedade socialista dos anos 80 lhe fazia olhar para a Igreja. O jovem Andrey disse: “Se vês que teu querido Partido mente para você no pequeno e no grande, quem sabe tampouco tem razão no que proclama como a questão principal da filosofia: Existe Deus? O que prevalece, a matéria ou a razão?”
Dostoyevskiy e o diabo
Em 1981, com 18 anos, Kuraev leu “Os Irmãos Karamazov” de Dostoevskiy. Ali descobriu o demônio… e também Cristo como Deus, Criador, Salvador e Juíz do dia

final.

“Entendi que as tentações oferecidas por Satã a Cristo no deserto foram a escolha mais extrema, exata e global. E por isso aceitei a característica do demônio, espírito de sabedoria e maldade sobre-humanas. Então primeiro admiti a existência do demônio. E dali, por lógica, se Cristo pôde rechaçar as tentações, Ele também era de sabedoria sobre-humana, mas também de bondade. Soube que Cristo era Salvador, e minha sensação de vazio interior desapareceu”.
A KGB e os estudantes de ateísmo
Por essas datas foi quando Andrey colaborou com a KGB sem saber. “A nós, os estudantes especializados em ateísmo, o diretor da cátedra nos disse que o Comitê dos Jovens Comunistas de Moscou estava realizando uma investigação sociológica sobre a religiosidade juvenil.
Pediam-nos para fazer o trabalho de campo em forma de observação direta: visitar as igrejas moscovitas cada domingo e depois preencher os questionários. Tínhamos que indicar o nome do sacerdote, o conteúdo de seu sermão (detalhando se se dirigia especificamente à juventude, se citava só a Bíblia e os Padres da Igreja ou também a imprensa e literatura contemporâneas, chamasse o povo, etc.).
Também tínhamos que indicar, a olho, o número de fiéis, quantos jovens tinha e se reconhecíamos alguém, indicá-lo, mas sem especificar os nomes, o que já seria uma delação aberta”, explicou anos depois Kuraev.
“Eu não era capaz nem de distinguir a leitura do Evangelho do sermão e quando tentei perguntar aos fiéis, as pessoas me trataram com má vontade. Preferiam não dar nenhuma informação a um desconhecido curioso. Os sermões não me impressionaram. Neles, como em minhas informações, não havia nada de política. Mas me dediquei a falsificar as cifras descaradamente. Para importunar o poder soviético, eu aumentava o número de fiéis, sobretudo dos jovens. Indiquei que os sacerdotes combinavam perfeitamente o conhecimento da patrística com a cultura clássica e contemporânea. Assim acreditava que ajudava a Igreja… Passado um ano, me dei conta que era justamente o contrário. Que para o poder o fato de ter fiéis jovens em um templo era um sinal para ir aplicar suas medidas de persuasão aos sacerdotes demasiado ativos”.
Na aula de Incompatibilidade da Ciência e da Fé
Andrey decidiu batizar-se, e o fez num templo ortodoxo mais longe de sua casa e da universidade, para evitar que alguém lhe reconhecesse e denunciasse. Se soubessem na universidade, na carreira de Ateísmo Científico, lhe expulsariam e seus pais teriam problemas. Isso lhe assustava. Mas na cerimônia, enquanto era benzido com água batismal, ouviu “não com o ouvido mas com o coração” umas palavras: “O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?”. E deixou de tremer.
Ao sair do batismo, foi diretamente para a universidade, chegou na terceira aula do dia. Era um curso de “Incompatibilidade da ciência natural contemporânea e a religião”. O professor recitava com uma voz monótona sua palestra para um grupinho de estudantes. Andrey não podia controlar seu sorriso de felicidade. Como aos enamorados, se notava em seu rosto. No final o professor não pôde mais: “Kuraev, a que se deve seu riso durante a aula?” Andrey imaginou que se contasse a causa de sua alegria, seu batismo clandestino, imaginou a reação do professor e por pouco explodiu em gargalhadas.
Quando teus pais te pegam …
Para poder ir à igreja, dizia aos seus pais que ia à discoteca. Compreendia que a verdade lhes seria dolorosa porque sabiam melhor que seu filho

como sua conversão iria destroçar sua carreira.

Os pais souberam tudo de surpresa. Um dia regressaram para casa demasiado cedo e encontraram um livrinho de orações e um par de ícones de papel que Andrey não teve tempo para esconder. Houve lágrimas, explicações. O que preocupava de verdade os pais era o futuro de trabalho de seu filho. Ao ver que não pretendia deixar a universidade para ir ao deserto, se tranquilizaram. E, de fato, um par de dias depois, seu padre disse a Andrey: “Sabes?, no final das contas estou contente de que te tenhas te batizado… Agora tens em tuas mãos a chave de toda a cultura européia”.
Surpresas debaixo do sistema
O jovem Kuraev terminou sua tese de fim de carreira, pensando que ninguém a leria detidamente. Parece que se deixou levar demasiado. Seu diretor acadêmico lhe chamou e lhe repreendeu: “Em vez de uma tese de ateísmo científico isto parece um tratado carismático!” O estudante replicou: “Porém não terei mais tempo para reescrevê-lo, agora não posso! Com a Semana Santa…oops…!” Tinha falado demais. Mais o professor não moveu nem uma sobrancelha: “Eu na sua idade tinha tempo para tudo: para o diploma e para o templo!”
Passados dois anos, Andrey anunciou aos seus pais seu desejo de ingressar no seminário ortodoxo. Mais lágrimas. Então, os pais quiseram levar seu filho para falar com seu mestre de literatura, alguém muito respeitado e querido por Andrey. E assim, depois de algo de conversa intranscendente, a mãe disse: “Você sabe?, temos um problema. Andrey quer ingressar no seminário. O que lhe pode aconselhar?”
O professor esteve um tempo pensativo.
“O que posso te dizer, Andrey?”, respondeu então. “Que Deus te ajude a fazer aquilo com que eu sonhei toda minha vida e não me atrevi a fazer!”
Perseguição ao seminarista e sua família
Assim que Andrey levou seus documentos ao seminário, pedindo para ingressar, nada mais para entregar, a seu pai lhe “pediram” para deixar seu cargo na Academia de Ciências. As autoridades bloquearam também o acesso de seu pai a um trabalho importante na UNESCO. E a Academia de Ciências pressionou ao Ministério de Defesa para que chamassem o jovem para realizar o serviço militar para afastá-lo do seminário.
Mas aqui se deu um dos estranhos paradoxos do mundo soviético. Na URSS, os licenciados universitários automaticamente se consideravam tenentes ao entrar no Exército, e se dava um cargo segundo sua especialidade. A um licenciado em Ateísmo Científico tocava ser tenente comissário político! Alguém no Exército decidiu que não queriam ter um seminarista como comissário político e ninguém lhe chamou às fileiras.
A KGB e os seminaristas
Haviam passado só dois dias desde que levou seus documentos ao seminário, quando um agente da KGB lhe fez uma visita. Primeiro tentaram dissuadir-lhe de ingressar no seminário. Como não o conseguissem, uma vez dentro tentaram convertê-lo em informante. O mesmo faziam com todos seus companheiros de curso, que esse ano eram quase todos universitários e intelectuais. Daquela promoção saíram quatro dos atuais bispos ortodoxos. Às vezes os agentes esperavam os seminaristas descaradamente na saída, os levavam a lugares afastados: em um hotel próximo, no registro civil municipal, no museu do monastério…ali havia um quarto para “trabalhar” com os monges que não saíam fora.
“À princípio não te pediam nada. Conversavam. Domesticavam-te, te faziam perguntas sem importância. Depois tiravam fotos de algum companheiro do seminário perguntando quem era. Certamente que o sabiam, mas o importante era que tu lhes dissesses algo, qualquer bobagem. Eu conto porque não estou seguro de que não vá repetir-se”, recorda hoje Kuraev.
“É importante que as pessoas da igreja que passaram por aquilo contem como os kagebistas trabalham com a pessoas e como é possível opor-se. Não se pode agora dizer que todos os sacerdotes colaboravam com a KGB. Se houve algum pecado na consciência da hierarquia, é problema seu, Só Cristo está sem pecado. Tampouco são culpados os sacerdotes que não traíram a ninguém. Se agora as pessoas dessem as costas a esses sacerdotes, seria um triunfo póstumo da KGB”.
Filósofo de prestígio e missionário popular
Hoje, o proto-diácono ortodoxo Andrey Kuraev (http://kuraev.ru) é o personagem mais jovem que figura no”Dicionário de Filosofia Russa dos séculos XIX-XX”. E foi o mais jovem (aos 35 anos) professor de teologia ortodoxa na história da Rússia. Ainda não se considera teólogo, mas sim um jornalista ortodoxo e missionário. É autor de vários livros e centenas de publicações de caráter divulgador. Participa de programas de televisão e rádio. Dá palestras, conferências e cursos por toda a geografia russa e seu portal de missão ortodoxa na Internet reúne até 1.700 pessoas simultaneamente e é toda uma referência para a evangelização no país. Não está mal para um licenciado em Ateísmo Científico.
E o que aconteceu com o menino que sonhava com o comunismo e sua abundância? “Já não busco soldadinhos de chumbo. Mas respeito ao que de verdade necessito hoje, sim, meu sonho comunista se cumpriu”. E em vez de soldadinhos? “Uns presentes extraordinários: o dom da oração, do amor, sabedoria, pureza. Deus os oferece grátis. Só tens que colher.”

O HÁBITO FAZ O MONGE?

Essa matéria saiu na Fonte abaixo com o título de ” deus da transformação”
O medo de ser “para sempre o mesmo” faz de Guilherme Coelho o homem-revolução, criador do Vivencial Diversiones, ex-guru da contracultura, que virou monge católico”

Lendo isso não pude deixar de me lembrar de uma janela que existe lá no Santo Anselmo, em Roma…João XXIII, que ” adorava” janelas, também gostava muito daquela…

Boa leitura…
Rezemos pela Igreja e pelo Papa.



As viagens do beatle George Harrison à Índia reverberaram como um trovão místico numa comunidade rural alternativa em Carpina, Zona da Mata Norte, onde cogumelo valia mais que feijão. Vivendo o desapego em sua forma mais idealista, o pós-adolescente Guilherme Coelho inspirou-se no mergulho transcendental do guitarrista inglês e tomou fôlego para seguir a rota internacional que virou febre entre hippies como ele. Em meados da década de 1960, iniciou os preparativos para a travessia rumo ao Nepal, epicentro espiritual da geração flower power, onde pretendia virar monge budista.
O caminho era tortuoso e caro para alguém cujo patrimônio não passava de um punhado de roupas de algodão coloridas. De São Paulo, esticaria até o Porto de Santos, onde tentaria embarcar com um grupo de amigos em algum navio até a Europa. O resto do trajeto seria percorrido de ônibus ou em caronas até a Índia e, por fim, atravessaria a fronteira até o destino sonhado por mochileiros esotéricos.
Guilherme pediu, em vão, ajuda à mãe, vendeu artesanato, mas o projeto naufragou por falta de dinheiro. Desolado, saiu do mato e foi passar uma temporada de reflexão no Sítio Histórico de Olinda, onde ficaria bem mais que o esperado. Chorando as pitangas na casa da amiga e artista plástica Silvia Pontual, falou do desejo frustrado de virar monge no país pobre e frio em plena Cordilheira do Himalaia.“Sabia que Olinda tem um mosteiro?”, devolveu ela, apontando para a construção barroca no final da rua, onde há mais de 400 anos estão a Igreja e o Mosteiro de São Bento.
No sábado seguinte, Guilherme entrou pela primeira vez na igreja.“Era uma missa do evangelho totalmente diferente, a Missa dos Jovens, celebrada por dom Inácio Osmindo. Tinha uma mistura dos musicais Hair e Jesus Cristo Superstar. Era participativa, com muita música e instrumentos. Era quase uma ópera rock. Fiquei fascinado”. Saiu direto para uma conversa com o abade do mosteiro, a quem revelou a ideia fixa de não mais sair dali.
Raspou os cabelos compridos, tirou a barba, eliminou as túnicas psicodélicas para virar monge, só que bem longe da Ásia e do budismo. Em 1968, foi para o retiro católico ilhado pelas ladeiras de Olinda para abraçar a primeira parte de sua vida monástica, passando quatro anos na completa clausura depois de assistir àquela missa do sábado.

Desfrutaria como poucos daquele pedaço mais indiano da cidade, mas, a partir de 1974, também faria dele palco aberto de liberdade, transgressão e, acima de tudo, transformação. Atrelando a já profunda espiritualidade a uma personalidade bem politizada, ajudaria a fundar a celebrada companhia teatral Vivencial Diversiones, da qual foi ator e diretor durante uma década intensa e não menos conturbada.
a liberdade sem precedentes
No recolhimento da ordem beneditina, viveu os primeiros anos entre incontáveis orações e horas a fio de estudos teológicos e filosóficos. “Foi um período muito bom. Não era uma fuga, era uma busca”. Liberado da clausura sob a bênção liberal do então arcebispo de Olinda e Recife, dom Helder Camara, Guilherme foi enviado com outros monges para morar nos aposentos da Igreja da Boa Hora, onde passou a atuar como missionário em flancos de ajuda social.
De volta às ruas e livre dos votos obrigatórios de monge, migrou para o trabalho comunitário de base, auxiliando famílias carentes, mendigos e até ensinando linguagem corporal a garotas de programa. Guilherme conheceu a Arma (Associação de Rapazes e Moças do Amparo), espécie de braço cultural da igreja, onde comungou do teatro como instrumento de aproximação.


Ensaiavam peças de medalhões da dramaturgia, como Hermilo Borba Filho e Jean Genet, ao mesmo tempo em que improvisavam com intervenções em cenas recheadas de nudez, homossexualismo, violência, política, erotismo e uma gororoba de temas espinhosos para os anos de chumbo do regime militar. No Rio de Janeiro, o grupo Dzi Croquettes já antecipava que a contracultura poderia ter vez no palco principal. A turma do teatro de Olinda achou que, se ainda sobrava em paz, a cidade deles faltava em escândalo.
Em 1974, sob a direção de Guilherme e a bandeira da provocação, o espetáculo Vivencial I teve a estreia no auditório do Colégio São Bento, instituição igualmente católica e vizinha ao mosteiro. Além de dar nome ao grupo, a encenação causou todo tipo de reação, menos o desprezo. Nas barbas da Igreja, chocaram as primeiras famílias locais, mas despertavam furor no público sedento por ousadia. “Não houve rompimento. Criticávamos a Igreja, mesmo participando dela. Isso só acontecia porque dom Helder dava essa liberdade”.
Em pouco tempo, a trupe liderada pelo ex-monge testou todos os limites da tolerância conservadora, atraindo jovens fora da Arma, que nunca atuaram antes. “Guilherme tinha o poder de transformar. Quando entrei no Vivencial, fazia balé clássico, era do Corpo de Baile, minha família era católica e queria que eu fosse freira. Mas, em 1977, eu estava com os peitos de fora. Ele pegou uma fruta verde e me virou pelo avesso”, recorda a atriz Ivonete Melo, 67, que chama o diretor de “meu guru”.
Misturando a calma monástica e a verve provocativa de intelectual, o diretor de fala mansa influenciava os atores sem forçar a barra: “Entrei no grupo com 16 anos depois de ver o primeiro espetáculo. Era bem burguesinha de Boa Viagem. Eu não sabia de nada. Ele falava as coisas, explicava, mas nunca tentava catequizar. Era tudo natural”, emenda Suzana Costa, 56, também atriz e produtora cultural, que integrou o Vivencial nos quatro primeiros anos de existência.
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Ao assumir o timão criativo da companhia, Guilherme metia o bedelho no figurino, na luz e no cenário, confeccionados pelos próprios integrantes, além de administrar as finanças e os egos dos integrantes. Na casa alugada pelo grupo com o dinheiro das apresentações, o clima era de liberdade sem precedentes. “Não tinha essa história de homem vestir roupa de homem ou mulher vestir roupa de mulher. Naquela época, isso era impensável. Hoje, isso foi incorporado pelo mercado da moda”, lembra o diretor, que saiu de casa aos 14 anos, depois de brigar com o pai por conta da roupa que usava em João Pessoa, onde nasceu e passou a adolescência. Filho de um conservador dentista das Forças Armadas, Guilherme flanava pela capital paraibana de calça jeans e camisa vermelha, algo impensável no seio de uma família tradicional há 50 anos: “Era coisa de bicha naquela época. E ele era extremamente homofóbico. Brigamos e fui embora para a vida”.
Guilherme incorporou como poucos a falta de amarras naquele ambiente tropicalista da companhia teatral. Amava homens e mulheres com mesmo apetite, algo comprovado pelos seis filhos que teve de três relacionamentos diferentes. “Jogava em todos os cantos, mas me preservava um pouco. Já tive quatro mulheres ao mesmo tempo. Era pior que Mr. Catra (risos)”, brinca, comparando-se ao cantor de funk carioca e poligâmico confesso. “Ele era a mãe, o pai, o irmão e o amante ao mesmo tempo. Era carismático, levantava o ego de todo mundo, ao mesmo tempo em que era louco. Estudava o tempo todo, ensinava conversando”, lembra Ivonete.
Na terceira e última fase, a trupe comprou um terreno e levantou a sede no Complexo Salgadinho, Olinda, área cercada de mangue, onde os espetáculos teatrais abriam as noites para shows de variedades, terminando com as apresentações de travestis. No mesmo palco baixinho comungavam com harmonia cenas de streaptease, recitais de poesia marginal ou apresentações de improviso de artistas iniciantes como o cantor Lenine.
O Vivencial se dissolveu aos poucos em meio a desgastes internos envolvendo, sobretudo, a gestão financeira. “Guilherme queria construir apartamentos no primeiro andar pra que os atores morassem lá. Alguém questionou, já que os shows lotavam nos fins de semana e os cachês não aumentavam”, lembra Ivonete Melo.
Três décadas depois da última apresentação, em 1983, o rastro libertário do Vivencial ainda é explorado em teses acadêmicas, pesquisas e homenagens. A história do grupo também é extraída como “referência de construção” do premiado longa-metragem Tatuagem, como prefere classificar o diretor Hilton Lacerda. No filme, traços da personalidade e da trajetória de Guilherme Coelho encontram recorte no personagem Clécio, interpretado por Irandhir Santos, que incorpora o líder da fictícia companhia teatral Chão de Estrelas: “Clécio e Guilherme se aproximam na maneira paternalista com que lideravam os grupos, ao mesmo tempo em que permaneciam o tempo todo na zona de conflito. Eram autoritários no trabalho, mas se dedicavam demais, eram solidários. Para os dois, tudo era questão de transformação”, situa Lacerda.
Guilherme e parte dos ex-atores aparecem em uma pequena ponta da película, como espectadores de uma encenação do Chão de Estrelas: “Tudo é mentira e tudo é verdade no filme. Mas o espírito do Vivencial e de Guilherme estão ali”, comenta Suzana Costa. “Enquanto você não conversa com Guilherme pessoalmente, não percebe o quanto é delicado e sedutor”, completa Hilton, que destaca o pioneirismo e a coragem dos ex-integrantes na utilização do corpo como instrumento de mudanças política e de gênero.
Guilherme diante do painel com imagens antigas do grupo e algumas peças do figurino original.
“o sol feriu a terra e a chaga se alastrou”
A natureza hedonista da época, no entanto, tinha seu preço. Naquele início da década de 1980, a sexualidade latente começara a ruir com as primeiras notícias trágicas envolvendo amigos próximos. O mentor da anarquia sem fim entendeu que era hora de acionar o freio de emergência: “Se eu tivesse ficado em Pernambuco, tinha morrido de Aids. Com certeza. Tive que dar um tempo e sair daquele furacão”. Guilherme deixou o Vivencial pouco antes do último suspiro do grupo, e foi passar uma quarentena no Rio de Janeiro, na casa da mãe.
A calmaria veio em forma de um convite de trabalho na Universidade Católica de Brasília, para onde mudou-se em 1985 com cinco dos seis filhos, a então mulher Edna e o histórico familiar “zerado”, acima de qualquer suspeita, diante dos novos vizinhos do plano piloto. “Em Brasília, fui buscar noção de família, de universidade, de educação para os meninos, de uma qualidade de vida que a cidade proporcionava”.
Graças a uma formação sólida dos tempos de clausura e aos quatro cursos de graduação que concluiu naquela fase da vida – é formado em teologia, filosofia, pedagogia e sociologia – o ex-hippie virou professor universitário. Aos 63 anos, leciona várias disciplinas na área de humanas em duas universidades privadas da capital federal.
Letícia Coelho, 19, filha caçula da meia dúzia de herdeiros, nasceu em Brasília dentro de uma célula familiar estruturada, mas igualmente avessa a um padrão conservador: “A nossa casa sempre foi um ambiente muito aberto. Meus pais são pessoas livres, nunca tiveram pudores com nada. Crescemos dessa forma. É engraçado porque meu pai é um porra-louca que não fuma e não bebe”.
Filha do casamento de Guilherme com Edna Gomes, também ex-atriz do Vivencial, a caçula é sócia da mãe numa loja de calçados. Ela lembra de um episódio simbólico da infância, quando um irmão, que hoje é ator, resolveu picotar com tesoura uma calça presenteada pelo pai, customizando a peça ao seu jeito. “Eles foram ao shopping e encontraram um amigo do meu pai, que estranhou e perguntou se ele não via nada de errado na roupa do meu irmão. Ele disse que meu irmão se sentia bem daquele jeito, se expressava daquela forma. É besteira, mas isso é a cara dele”.
Há dez anos, uma inquietação atravessou a rotina da figura paterna. Separado da última mulher e vendo a maioria dos filhos crescidos, teve um lampejo que o transportou de volta à missa do sábado à tarde em Olinda: “Achava que família era para a vida inteira. Mas vi que estava sobrando. Meus filhos tinham projetos de vida individuais. Foi quando procurei algo que estava em aberto na minha vida, que era a questão monástica. Justamente aquilo que tinha abandonado no passado”.
No Mosteiro São Bento da Reconciliação, em Novo Gama, Goiás, onde mora há dez anos.
Desde então, concilia a universidade com a segunda etapa de sua vida de monástica, desta vez sem a clausura da primeira experiência. Mora no Mosteiro São Bento da Reconciliação, em Novo Gama, Goiás, distante 50 quilômetros de Brasília, onde ainda dá aulas três vezes por semana. Compartilha com mais oito monges uma rotina diária de sete orações, atendimentos à população, com acolhimento a pessoas carentes e consultas espirituais, que funcionam como conversas individuais e reservadas, além de muita leitura.
Como o mosteiro não recebe um único centavo da Igreja, os monges se dividem em tarefas de um cotidiano sustentável através da venda de artesanato, agricultura e doações. Guilherme dorme numa “cela” individual, como chamam os cômodos simples, com cama, mesa, um guarda-roupa e um computador. “Não preciso mais do que isso. É suficiente”, diz. A mudança, da qual garante não se arrepender, proporcionou um conforto espiritual que faltava na casa espaçosa do plano piloto. Uma escolha que, a exemplo de outras anteriores, teve seu custo: “Comigo ele é o personagem pai. O personagem monge eu não me aproximo muito. Nunca fui ao mosteiro”, entrega a filha mais nova.
Guilherme Coelho escapa empolgação ao descrever uma missão que, se não é tão difícil como a rota hippie do Nepal, ao menos lhe traz o aditivo da novidade. Ainda sem data de regresso, deve embarcar nos próximos meses para Portugal, no intuito de povoar dois mosteiros em ruínas que estão sendo restaurados nas cidades de Évora e Braga. “Toda vez que eu volto a Pernambuco, encontro as pessoas com os mesmos valores, a mesma aparência. Sempre fui uma metamorfose. Quem não viaja vira uma pessoa mimética. Tenho medo de ficar cristalizado”.


André Duarte (texto) / Alcione Ferreira e Ed Alves (fotos)


Padre Fábio de Melo sobre a fama: Sempre me senti artista

Em entrevista ao programa De Frente Com Gabi, o padre Fábio de Melo fala sobre a fama e os perigos que a cercam: “Tenho medo. Corro o risco das prisões do meu ego”, afirmou

O padre Fábo de Melo é o entrevistado do programa De Frente Com Gabi deste domingo, 19. Sacerdote e professor, graduado em filosofia e teologia, pós graduado em educação, escritor, cantor, compositor e apresentador de televisão o padre atrai milhares de fiéis para seus shows em todo o Brasil, e vende muitos CDs, DVDs e livros. 

Durante o bate-papo, o padre Fábio falou sobre ego, vida pessoal e suas convicções religiosas. “O ego é uma coisa que não para de crescer e é uma coisa muito perigosa. Tenho medo. Corro o risco das prisões do meu ego“, afirmou o sacerdote, que não procura se desvincular da fama.
Sempre me senti artista. Seria uma hipocrisia dizer que sou padre e não sou artista”, comentou o padre, que também falou sobre o Papa Francisco. “Ele tem coragem de mexer em feridas dolorosas. Ele não leva a sério o fato de ser Papa, não porque negligencia, mas porque assume tudo com muita naturalidade. A palavra do Papa não tem a pretensão de dizer ao mundo inteiro. Aquelas regras são para os católicos. O Papa está encorajando todo mundo a ser mais autêntico“, explicou o padre Fábio, que claro, também falou sobre suas convicções religiosas.
Não adianta pregar a fé com elaborações teológicas. É preciso praticar a caridade. Não importa se você é católico, evangélico, espírita ou de outra religião. Se estiver disposto a amar alguém junto comigo, já somos irmãos. Jesus não queria a Igreja, queria o Reino de Deus, mas a Igreja foi o que conseguimos dar a Ele.Não sou adepto de uma fé que idiotiza. Sou adepto de uma fé que faz pensar: ‘quem somos nós?’“, afirmou.
O programa De Frente Com Gabi vai ao ar neste domingo, 0h, logo após o Programa Silvio Santos, no SBT.