Os dominicanos dançarinos, ao som de Lady Gaga e Weekend

Os vídeos apresentados a seguir são antigos, ambos datados do primeiro semestre de 2012. Segundo informações obtidas no blog Heck Yeah Order of Preachers, os frades dançarinos da Ordem dos Pregadores são noviços, estagiários em um período que precede a emissão dos votos.
De acordo com o Código de Direito Canônico, cânon 646, «o noviciado, com o qual se começa a vida no instituto, destina-se a que os noviços conheçam melhor a vocação divina, a vocação própria do instituto, façam experiência do modo de viver do instituto, conformem com o espírito dele a mente e o coração e comprovem sua intenção e idoneidade».
Certamente não era este o «modo de viver» agourado pelo glorioso São Domingos de Gusmão, muito menos o «espírito» da Ordem que outrora forjou santos como São Pio V, Santa Catarina de Siena, Santo Alberto Magno e Santa Margarida de Hungria.

Islã e cristianismo. Onde o diálogo tropeça





Sandro Magister
Traduzido do original italiano por Carlos Wolkartt
Roma, 30 de dezembro de 2013 – Na mensagem “ubi et orbi” de Natal, o papa Francisco elevou esta oração: “Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome”.
E no Angelus da festa de Santo Estêvão, o primeiro dos mártires, novamente orou “pelos cristãos que são vítimas de discriminações por causa do testemunho prestado a Cristo e ao Evangelho”.
Mais de uma vez o papa Jorge Mario Bergoglio manifestou sua tristeza pela sorte dos cristãos na Síria, no Oriente Médio, na África e em outros lugares do mundo, onde quer que sejam perseguidos e mortos, muitas vezes “por ódio à fé” e por obra dos muçulmanos.
A tudo isto o papa respondeu invocando incessantemente “o diálogo como contribuição para a paz”.
Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, de 24 de setembro [de 2013], o mais importante dos documentos até agora publicados por ele, Francisco dedicou ao diálogo com os muçulmanos os dois parágrafos seguintes:
252. Neste tempo, adquire grande importância a relação com os crentes do Islão, hoje particularmente presentes em muitos países de tradição cristã, onde  podem celebrar livremente o seu culto e viver integrados na sociedade. Não se deve jamais esquecer que eles «professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há de julgar os homens no último dia». Os escritos sagrados do Islão conservam parte dos ensinamentos cristãos; Jesus Cristo e Maria são objeto de profunda veneração e é admirável ver como jo

vens e idosos, mulheres e homens do Islão são capazes de dedicar diariamente tempo à oração e participar fielmente nos seus ritos religiosos. Ao mesmo tempo, muitos deles têm uma profunda convicção de que a própria vida, na sua totalidade, é de Deus e para Deus. Reconhecem também a necessidade de Lhe responder com um compromisso ético e com a misericórdia para com os mais pobres.

253. Para sustentar o diálogo com o Islão é indispensável a adequada formação dos interlocutores, não só para que estejam sólida e jubilosamente radicados na sua identidade, mas também para que sejam capazes de reconhecer os valores dos outros, compreender as preocupações que subjazem às suas reivindicações e fazer aparecer as convicções comuns. Nós, cristãos, deveríamos acolher com afeto e respeito os imigrantes do Islão que chegam aos nossos países, tal como esperamos e pedimos para ser acolhidos e respeitados nos países de tradição islâmica. Rogo, imploro humildemente a esses países que assegurem liberdade aos cristãos para poderem celebrar o seu culto e viver a sua fé, tendo em conta a liberdade que os crentes do Islão gozam nos países ocidentais. Frente a episódios de fundamentalismo violento que nos preocupam, o afeto pelos verdadeiros crentes do Islão deve levar-nos a evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência.
Os comentários à Evangelii Gaudium têm dado pouca atenção a esses dois parágrafos.
Poucos, por exemplo, têm notado o insólito vigor com o qual o papa Francisco reclama também nos países muçulmanos aquela liberdade de culto que os crentes do Islã desfrutam nos países ocidentais.
Os que deram evidência a esta “coragem” do Papa – como o jesuíta e islamólogo egípcio Samir Khalil Samir – têm no entanto observado que ele se limitou a pedir somente a liberdade de culto, silenciando-se sobre aquela privação da liberdade de converter-se de uma religião à outra, que é o verdadeiro ponto dolente do mundo muçulmano.
Padre Samir leciona em Beirute, Roma e Paris. É autor de livros e ensaios sobre o Islã e sobre sua relação com o cristianismo e com o Ocidente, o último publicado este ano pela EMI com o título: Quelle tenaci primavere árabe. Durante o pontificado de Bento XVI, foi um dos especialistas mais ouvidos pelas autoridades vaticanas e pelo próprio papa.
No dia 19 de dezembro, publicou por meio da agência Asia News, do Pontifício Instituto para as Missões Exteriores, uma extensa nota comentando os trechos da Evangelii Gaudium dedicados ao Islã.
Um comentário com duas partes. Na primeira, padre Samir destaca “as muitas coisas positivas” ditas pelo papa Francisco sobre o tema.
Mas na segunda parte ele salienta os limites. Com rara franqueza.
Deixo aqui esta segunda parte do seu comentário. [A nota completa pode ser lida, em italiano, no portal Asia News. NdT].
______________________
PONTOS DA EVANGELII GAUDIUM QUE REQUEREM ESCLARECIMENTO
Por Samir Khalil Samir
1. Os muçulmanos “adoram conosco o Deus único e misericordioso” (n. 252)
Esta frase deve ser tomada com cautela. É verdade que os muçulmanos adoram um Deus único e misericordioso. Mas esta frase sugere que as duas concepções [cristã e muçulmana] de Deus são iguais. No entanto, no cristianismo Deus é Trindade em sua essência, pluralidade única do amor. É um pouco mais que só clemência e misericórdia. Temos duas concepções bastante diversas da unicidade divina. A muçulmana caracteriza Deus como inacessível. A visão cristã da unicidade trinitária sublinha que Deus é amor que se comunica: Pai-Filho-Espírito, ou Amante-Amado-Amor, como sugeria Santo Agostinho.
Então, o que significa a misericórdia do Deus islâmico? Que Ele pratica misericórdia com quem quer, e não a pratica com quem não quer. “Deus faz entrar em Sua misericórdia a quem Ele quer” (Alcorão 48:25). Estas expressões se encontram de modo quase literal no Antigo Testamento (Êxodo 33:19). Mas não se chega nunca a dizer que “Deus é Amor” (1 João 4:16), como se exprime São João.
A misericórdia no caso do Islã é aquela do rico que se inclina aos pobres e lhes concede alguma coisa. Mas o Deus cristão é Aquele que desce ao pobre para elevá-lo ao seu nível; não mostra a sua riqueza para ser respeitado (ou temido) pelos pobres: doa a si mesmo para fazer viver os pobres.
2. “Os escritos sagrados do Islão conservam parte dos ensinamentos cristãos” (n. 252)
É verdadeira em certo sentido, mas [a frase] também pode ser ambígua. É verdade que os muçulmanos assumem palavras ou fatos dos Evangelhos canônicos; por exemplo, a história da Anunciação é contada quase literalmente nos capítulos 3 (A Família de Imran) e 19 (Maria).
Porém, mais frequentemente, o Alcorão se inspira nos contos piedosos dos evangelhos apócrifos, e [os muçulmanos] não extraem o sentido teológico que se encontra neles e não dão a estes fatos ou palavras o sentido que têm na realidade, não por malícia, mas por não terem a visão global da mensagem cristã.
3. A figura de Cristo no Alcorão e no Evangelho (n. 252)
O Alcorão se refere a “Jesus e Maria, [que] são objeto de profunda vener

Papa abole título de Monsenhor para padres com idade inferior a 65 anos




















Gerard O’Connell
Tradução: Carlos Wolkartt

Nova mudança de Francisco para eliminar o carreirismo na Igreja. A partir de agora, a única honra pontifícia que será concedida aos sacerdotes seculares será a de Capelão de Sua Santidade.

Com um novo passo para reformar o clero e eliminar o carreirismo na Igreja católica, o papa Francisco aboliu a atribuição de honra pontifícia de “Monsenhor” para os sacerdotes seculares com idade inferior a 65 anos. A partir de agora, a única honra pontifícia que será concedida aos sacerdotes seculares (padres, isto é, de uma diocese que não são monges ou frades) será a de Capelão de Sua Santidade [grau de Monsenhor mais comum nas dioceses. NdT], uma honra que será eventualmente atribuída só aos sacerdotes com mais de 65 anos de idade.

O Secretário de Estado anunciou esta notícia aos Núncios Apostólicos em todo o mundo e pediu-lhes para informar a todos os bispos dos respectivos países. O Núncio Apostólic

o da Grã-Bretanha, arcebispo Antonio Mennini, escreveu, por exemplo, a todos os bispos da Grã-Bretanha informando-lhes da decisão do Papa. Decisão que não parece ser retroativa: aqueles que já possuem o título de Monsenhor não o perderão.


Ao tomar a sua decisão, o Papa se inspirou nas reformas introduzidas por Paulo VI em 1968, três anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II. Até então, havia 14 “graus” de Monsenhor. Com Paulo VI, esse número foi reduzido para três: Protonotário Apostólico, Prelado de Honra de Sua Santidade e Capelão de Sua Santidade [restando, agora, apenas um. NdT]. Três reconhecimentos concedidos pelo Papa, por meio da proposta do bispo local, a sacerdotes que têm desempenhado um serviço particularmente precioso para a Igreja. Muitos bispos, no entanto, tendem a usar esses títulos como uma forma de premiar os padres fiéis à sua pessoa. Com a decisão de Francisco, as coisas mudam.

EPIFANIA : ANTIGA BÊNÇÃO DAS CASAS e a SAGRADA INSCRIÇÃO NAS PORTAS



20 + C + M+ B + 14



Por ocasião da Solenidade da Epifania, havia, no antigo Ritual Romano, o louvável costume de abençoar ouro, incenso e mirra, e giz, bem como a casa dos fiéis. 
No Ritual da bênção marcava-se, por cima da porta de casa, do lado exterior, a seguinte inscrição com giz abençoado: 20+C+M+B+13.
O 20 e o 13 representam 2013, o ano em que nos encontramos. O “C M B” representam “Christus Mansionem Benedicat” – Cristo Abençoe esta Casa, e cada letra é intercalada com uma cruz (e a estrela, que lembra a que guiou os Magos).
A sigla CMB também era entendida como representando os três reis magos (sendo que Gaspar é também escrito Caspar) e interpretado como uma forma de receber os magos em nossa casa.
Tradicionalmente esta inscrição deve permanecer até ao Pentecostes.
——-
Segue a Bênção:
Benedictio cretae  
in Festo Epiphaniae 
V/. Adjutorium nostrum in nomine Domini. 
R/. Qui fecit caelum et terram.  
V/. Dominus vobiscum.  
R/. Et cum spiritu tuo. 
Bene + dic, Domine Deus, creaturam istam cretae : ut 
sit salutaris humano generi; et praesta per 
invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea 
sumpserint, vel in ea in domus suae portis scripserint 
nomina sanctorum tuorum  Gasparis, Melchioris et 
Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis 
sanitatem, et animae tutelam percipiant. Per Christum 
Dominum nostrum.  R/.  Amen. 
Et aspergatur aqua benedicta. 
Créditos a D. Bento Albertin, OSB

A volta das Comunidades Eclesiais de Base







Alver Metalli
Tradução: Carlos Wolkartt

Vatican Insider, 30 de dezembro de 2013 – Na realidade, elas nunca foram extintas, mas nos anos de João Paulo II e de Bento XVI entraram em um período de sombra. Agora voltam a falar de si mesmas, a refletir sobre sua missão e seu papel dentro da Igreja do Papa latino-americano. Estarão no Brasil em janeiro, isto é, no país que presenciou o nascimento e maior desenvolvimento destas comunidades eclesiais.

Em Puebla, México, no ano 1978, as CEBs – como eram conhecidas – receberam sua “consagração” logo após seus inícios, em 1968. “Converteram-se em comunidades maduras e se multiplicaram sobretudo em alguns países, tanto que agora constituem um motivo de alegria e esperança para a Igreja”, escreviam os bispos no documento final da terceira Conferência geral do episcopado latino-americano. “Em comunhão com o bispo, como foi pedido em Medellín, são transformadas em centros de evangelização e operadoras de libertação e desenvolvimento”. Entre as recomendações da Conferência às igrejas da América Latina, figurava também a de reconhecer a “validez da experiência das comunidades eclesiais de base” e estimular “seu desenvolvimento” (Puebla, n. 156).

Puebla reserva um capítulo especial às comunidades eclesiais de base; as chama “esperança da Igreja”, e as descreve como “lugares propícios ao amadurecimento da fé”. Naqueles anos, marcados por regimes autoritários em muitas partes do continente, as CEBs entravam nos setores mais pobres da sociedade: subúrbios urbanos, favelas, cidades-satélite, zonas marginalizadas e periferias de qualquer tipo. Não é por acaso que o maior impulso [dessas comunidades] é registrado no Brasil, um país em plena revolução industrial atravessado por grandes fenômenos de imigração interna, urbanização acelerada, crescimento selvagem das cidades, serviços sociais deficientes ou inexistentes. As Comunidades de base surgem em meio a igrejas mal edificadas, bairros abusivos ou sem serviços, terrenos em vias de urbanização invadidos por uma massa de camponeses, onde se encarregam de necessidades básicas como a casa, a eletricidade, a água potável, os saneamentos ou a higiene urbana em geral. No Brasil, as CEBs proliferaram em um momento de suspensão da normal dialética política – durante a ditadura militar de 1964 a 1985 – e se converteram em um fator não-partidário de reivindicação social onde os partidos não podiam atuar.


Quinze anos depois, em Santo Domingo, onde a Igreja do continente reúne pela quarta vez seus representantes, o clima é muito diferente. Fala-se – pela primeira vez – de “novos movimentos apostólicos”. Continua-se a fazer referência também às Comunidades eclesiais de base, mas com menos otimismo; na verdade, quase com certo ar de suspeita. Nas discussões e nas reflexões de tantos participantes importantes, toma-se com cautela, desconfiança e alarme o tema das CEBs; os tons são preocupantes; observa-se que muitas comunidades são “vítimas de manipulações ideológicas ou políticas”. Em Santo Domingo a validez das CEBs é ratificada, mas são subtraídos os riscos e se adverte sobre a exigência de definir os critérios de eclesialidade. Pela primeira vez aparece no documento final da Conferência um capítulo sobre os movimentos apostólicos. “É necessário acompanhar os movimentos em um processo de culturalização mais definido e promover a formação de movimentos com uma maior caracterização latino-americana” (Santo Domingo, n. 102).

A Conferência de Aparecida – 30 anos depois da de Puebla e 15 da de Santo Domingo – recupera as Comunidades de base no interior de um impulso fortemente missionário. O lugar privilegiado da comunhão e da missão vol

ta a ser a paróquia “entendida como comunidade de comunidade, espaço de iniciação cristã, educação e celebração da fé; aberta à diversidade dos carismas, serviços e ministérios”. A paróquia é vista como integradora de comunidades e movimentos, tanto de ambiente como apostólicos. É uma Igreja que parte da base, feita de pequenas realidades de base que aderem ao território em todos seus aspectos.


Com o papa Francisco, o momento volta a ser propício para as CEBs. Também por este motivo os delegados se reunirão no Brasil, na cidade de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, de 7 a 11 de janeiro [de 2014]. “Será o momento de reafirmar o papel das CEBs no interior da Igreja”, escrevem os promotores, “e definir sua importância como motores da mudança nas diferentes realidades do Brasil”. A reunião terá como tema “Justiça e profecia ao serviço da vida” e como lema “O anúncio do Reino nos campos e nas cidades”. Estão sendo esperados quatro mil delegados de todo o Brasil. “Na ocasião”, conforme indica o site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “haverá visitas às paróquias e comunidades, testemunhos de luta, desafios e esperança, momentos de celebrações, oficinas e plenárias, que contarão com a participação de diversos assessores nacionais, além de uma Feira de Economia Solidária e Comércio Justo”.

UMA PORTA QUE SE FECHA?






Pe. Marcélo Tenorio


Hoje termina o ano que ficará gravado na história da Igreja.

As gerações futuras, se é que serão muitas, olharão para essa época com singular particularidade.

Logo no início de 2013, a humanidade assistiu, atônita e desconcertada a renúncia de um Papa. Algo inédito, nunca visto em tempos atuais. Bento XVI, grande teólogo de nossa época descia do Trono de S. Pedro para terminar seus dias entre o claustro e silêncio de um Mosteiro. Não mais governaria a Santa Igreja. Não mais ouviríamos as suas preciosas alocuções.Não mais o seu olhar de Pastor nem tão pouco seu zelo ardente pela Verdade Católica que se expandia na ação e no esplendor da Liturgia Sagrada do Vigário de Cristo.

Silencioso, ressoava por vezes como um trovão. A clareza de seus ensinamentos trouxe para si o ódio dos homens do mundo e da Igreja. Quiseram abafar a sua voz, sabotar os seus ensinamentos, macular as suas palavras. Tudo em vão: era servidor da Verdade que mostra o oculto e escondido.

Vestido como um rei, possuía a humildade  de um plebeu, revestido da pobreza de quem era Vigário. Pobreza que nele era despojamento e não ausência ideológica de tudo.

Se ser humilde é ter consciência do que se é, Bento XVI sabia o que era. Que era o Papa, o Vigário de Cristo na Terra. Viveu seu pontificado como o Papa, desceu- a descida dos humildes –  como papa.

Na quarta-feira de cinzas deste ano, entra solenemente na Basílica de S.Pedro para pontificar sua última missa. Era nítida a emoção dos fiéis, dos prelados, de todos. Em suas palavras nada para si. Nenhum sinal de vangloria, mas apenas o olhar de uma alma pacificada.

Após os agradecimentos do Secretário de Estado, um estrondoso aplauso na basílica, misturado com lágrimas. Bento XVI não reage, está na santa indiferença da qual fala  Inácio de Loyola. Dele, nesse momento, apenas umas palavras: “ Voltemos à oração”, e conclui a Santa Missa, saindo discretamente dos holofotes.

Muitos dizem que aqui termina uma época eclesiástica para nunca mais voltar.
O fato é que não haverá, jamais, um Bento XVI, como jamais teremos um Pio X. Cada papa constrói em seu pontificado uma história que jamais será apagada.

Quem apagará os grandes feitos de Gregório, chamado depois de Magno ou os desmandos  de João XII? Como esquecer o zelo apostólico de Pio X, reconhecido como santo e exemplo para os futuros pontífices?  Como não vislumbrar o sorriso de João Paulo I em contraste com o angustiado olhar de Paulo VI?

Mas além dos olhares, das posturas, do zelo, está o ensino, o Magistério que os papas deixaram à Igreja.

Cada papa será julgado  pela Verdade e assim entrará para história em glória ou em sombras.
 Somente  um papa  pode julgar  o papa anterior. Mas  o faz  a partir da Verdade Católica que é a Verdade de Cristo.

Não são os gestos externos de um papa que contam, mas a Verdade ensinada, de forma que não adianta a postura majestática de Pio XII ou o jeito mais campestre de Leão XIII. De nada vale o temporal de Inocêncio III ou as inovações de Paulo VI, despojando-se da tiara e entrando na basílica andando como qualquer outro e não mais na sede gestatória. Como também nada vale os carismas “ad dextra” de João Paulo II ou os mais contidos, “ad intra” do próprio Bento XVI, mas a Verdade, a Verdade Católica por eles ensinada, defendida, exortada…

Um Papa será julgado pela Verdade que ensina. Sua missão é nos confirmar na Verdade perene, imutável. Ele é o Servidor da Verdade; não está acima dela, mas é seu primeiro servidor.

É claro que a Verdade vivida e defendida também expressa-se em atos, símbolos e ritos.

Muitos dizem que com Bento XVI encerra-se uma história. Fecha-se a porta de uma Igreja triunfalista e engessada.

Os piores inimigos da Igreja aplaudem o novo Papa e pedem mudanças.

A maçonaria aplaude o novo papa e pede mudanças.

Os Boffes aplaudem o novo papa e pedem mudanças

Os modernistas, ateus, liberais..aplaudem o novo papa e dizem:

“tudo mudará. O dogma  pela práxis. A lei pela misericórdia, a hierarquia pelo voto, a Verdade pelo talvez..Tudo mudará”.

Há quem diga muito mais.

E nós?

Nós também aplaudimos o novo Papa e dizemos:

 Tu és Pedro, Francisco!

Confirma-nos na Verdade – Imutável, Perene e sem equívocos!

————–

às 23h30 min do dia 31 de dezembro – Horário do MS