UMA PORTA QUE SE FECHA?






Pe. Marcélo Tenorio


Hoje termina o ano que ficará gravado na história da Igreja.

As gerações futuras, se é que serão muitas, olharão para essa época com singular particularidade.

Logo no início de 2013, a humanidade assistiu, atônita e desconcertada a renúncia de um Papa. Algo inédito, nunca visto em tempos atuais. Bento XVI, grande teólogo de nossa época descia do Trono de S. Pedro para terminar seus dias entre o claustro e silêncio de um Mosteiro. Não mais governaria a Santa Igreja. Não mais ouviríamos as suas preciosas alocuções.Não mais o seu olhar de Pastor nem tão pouco seu zelo ardente pela Verdade Católica que se expandia na ação e no esplendor da Liturgia Sagrada do Vigário de Cristo.

Silencioso, ressoava por vezes como um trovão. A clareza de seus ensinamentos trouxe para si o ódio dos homens do mundo e da Igreja. Quiseram abafar a sua voz, sabotar os seus ensinamentos, macular as suas palavras. Tudo em vão: era servidor da Verdade que mostra o oculto e escondido.

Vestido como um rei, possuía a humildade  de um plebeu, revestido da pobreza de quem era Vigário. Pobreza que nele era despojamento e não ausência ideológica de tudo.

Se ser humilde é ter consciência do que se é, Bento XVI sabia o que era. Que era o Papa, o Vigário de Cristo na Terra. Viveu seu pontificado como o Papa, desceu- a descida dos humildes –  como papa.

Na quarta-feira de cinzas deste ano, entra solenemente na Basílica de S.Pedro para pontificar sua última missa. Era nítida a emoção dos fiéis, dos prelados, de todos. Em suas palavras nada para si. Nenhum sinal de vangloria, mas apenas o olhar de uma alma pacificada.

Após os agradecimentos do Secretário de Estado, um estrondoso aplauso na basílica, misturado com lágrimas. Bento XVI não reage, está na santa indiferença da qual fala  Inácio de Loyola. Dele, nesse momento, apenas umas palavras: “ Voltemos à oração”, e conclui a Santa Missa, saindo discretamente dos holofotes.

Muitos dizem que aqui termina uma época eclesiástica para nunca mais voltar.
O fato é que não haverá, jamais, um Bento XVI, como jamais teremos um Pio X. Cada papa constrói em seu pontificado uma história que jamais será apagada.

Quem apagará os grandes feitos de Gregório, chamado depois de Magno ou os desmandos  de João XII? Como esquecer o zelo apostólico de Pio X, reconhecido como santo e exemplo para os futuros pontífices?  Como não vislumbrar o sorriso de João Paulo I em contraste com o angustiado olhar de Paulo VI?

Mas além dos olhares, das posturas, do zelo, está o ensino, o Magistério que os papas deixaram à Igreja.

Cada papa será julgado  pela Verdade e assim entrará para história em glória ou em sombras.
 Somente  um papa  pode julgar  o papa anterior. Mas  o faz  a partir da Verdade Católica que é a Verdade de Cristo.

Não são os gestos externos de um papa que contam, mas a Verdade ensinada, de forma que não adianta a postura majestática de Pio XII ou o jeito mais campestre de Leão XIII. De nada vale o temporal de Inocêncio III ou as inovações de Paulo VI, despojando-se da tiara e entrando na basílica andando como qualquer outro e não mais na sede gestatória. Como também nada vale os carismas “ad dextra” de João Paulo II ou os mais contidos, “ad intra” do próprio Bento XVI, mas a Verdade, a Verdade Católica por eles ensinada, defendida, exortada…

Um Papa será julgado pela Verdade que ensina. Sua missão é nos confirmar na Verdade perene, imutável. Ele é o Servidor da Verdade; não está acima dela, mas é seu primeiro servidor.

É claro que a Verdade vivida e defendida também expressa-se em atos, símbolos e ritos.

Muitos dizem que com Bento XVI encerra-se uma história. Fecha-se a porta de uma Igreja triunfalista e engessada.

Os piores inimigos da Igreja aplaudem o novo Papa e pedem mudanças.

A maçonaria aplaude o novo papa e pede mudanças.

Os Boffes aplaudem o novo papa e pedem mudanças

Os modernistas, ateus, liberais..aplaudem o novo papa e dizem:

“tudo mudará. O dogma  pela práxis. A lei pela misericórdia, a hierarquia pelo voto, a Verdade pelo talvez..Tudo mudará”.

Há quem diga muito mais.

E nós?

Nós também aplaudimos o novo Papa e dizemos:

 Tu és Pedro, Francisco!

Confirma-nos na Verdade – Imutável, Perene e sem equívocos!

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às 23h30 min do dia 31 de dezembro – Horário do MS

8 respostas para “UMA PORTA QUE SE FECHA?”

  1. Padre,

    FATO é que contra a Igreja o inferno não prevalecerá (…). É FATO, aqui e algures, na perspectiva temporal e na eternidade (…) se roma locuta causa finita est, se o Deus feito Homem prometeu, a vitória é nossa. E que Deus tenha misericórdia de mim e me dê o pior lugar no purgatório, pois nunca serei merecedor dele. Que Deus lhe abençõe (,,,) ass. um Cristão péssimo e que sonha em assistir a Missa de Sempre!

  2. QUANTA FALTA FAZ A MARCANTE POSTURA DO PAPA BENTO XVI!
    Praticamente insubstituível. A renuncia forçada do grande papa Bento XVI deveu-se à sua saúde deficiente, sem condições de enfrentar à altura os desafios que o acercavam, alguns dos quais foram de certo modo sentidos nas falas do Pe Gabriele Amorth e outro afins, dos que assediavam a S Sé, desse e do outro mundo; também o papa Bento XVI teria dito que as profecias de Fátima cumprem-se à risca.
    Aliás, há um trecho de La Sallete que ajuda a esclarecer essa situação por que passa a presente Igreja assestada por golpes inimigos de todos os lados sob a complacencia de muitos dela, inclusive de leigos.
    Vejam o trecho de la Salette que evidencia do avanço da apostasia por traição de certos hierárquicos – parte se comporia de infiltrados na Igreja da maçonaria-comunismo ou protestantes – idem dos leigos na proporção cabível aos mesmos.
    No ano de 1864, Lúcifer, juntamente com um grande número de demônios, será solto do inferno. Eles vão pôr fim à fé pouco a pouco, mesmo naqueles que se dedicam a Deus. Eles irão cegá-los de tal maneira que, a menos que recebam uma graça especial, essas pessoas irão assumir o espírito desses anjos do inferno; várias instituições religiosas perderão toda a fé e perderão muitas almas.
    Livros maus serão abundantes na terra e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo que concerne ao serviço de Deus. Os chefes, os líderes do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência, e o demônio obscureceu sua inteligência. Eles tornaram-se estrelas errantes que o velho demônio arrastará com sua cauda para fazê-los perecer.
    Sim, os sacerdotes estão pedindo por vingança, e a vingança paira sobre suas cabeças. Ai dos sacerdotes e pessoas consagradas a Deus, que por sua infidelidade e suas vidas perversas estão crucificando o meu Filho de novo!” (Virgem de La Salette, 19 de setembro de 1846).
    2 avanços atuais que poderiam, dentre mais, serem a taça da ira de Deus sobre nós devido ao exposto no post: o comunismo e o aliado islamismo, sendo esse fazendo todos servirem ao deus pagão Alá – de uma religião de odio entre si e aos outros ainda mais, criada por Maomé em 622 DC – o qual era o deus-lìder dos outros 360 deuses da Kaaba, Meca, Arabia Saudita e, por meio de seus satanistas asseclas, imporem sobre todos a “Sharia” da fé islâmica: receonhecerem apenas o deus Alá e Maomé seu único profeta.
    E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. João 3:19

  3. Estamos no século XXI, e ainda alguns vivem a fantasia de uma igreja “romântica” como um conto de fadas, profecias das mil e uma noites!
    O Papa Francisco quer chamar a Igreja para a realidade de Cristo. Sem fundamentalismo, sem confrontos e muito menos relativismos e bem longe da TL.
    O mais próximo de Cristo.
    Mère

  4. Excelente texto, repleto de sabedoria e clareza. Que Deus o guarde na Fé e Nossa Senhora de Fátima o proteja sob o seu manto!

  5. Histórico, sim, mas com um gosto um pouco amargo, de uma surpresa derrota.

    Até hoje não “engoli” a renúncia do Papa Bento. Não sou sedevacanista e até o presente momento nada tenho contra nosso Papa Francisco. Papa é Papa. Quem sou eu, um simples leigo para ousar ser mais papista que Jorge Mário.

    Mas convenhamos que Bento e sua liturgia e oratória nos fazem falta…. E que o jeito despojado de Francisco as vezes assuta, sim, assuta.

    Que a Virgem Maria proteja a Igreja !!!

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