UM ANO DE PONTIFICADO, UM ANO DE CONFUSÃO



Alejandro Sosa Laprida

O estranho pontificado do Papa Francisco. 02/02/14.
Como católico, é sumamente doloroso ver-me obrigado por minha consciência a emitir críticas ao papa. E a verdade é que seria muito bom se a situação da Igreja estivesse normal e eu não encontrasse, por conseguinte, nenhum motivo para formulá-las. Desafortunadamente, somos confrontados com o fato incontestável de que Francisco, em apenas um ano de pontificado, realizou incontáveis gestos atípicos e efetuou um sem-número de declarações cheias de novidades e por demais preocupantes. Os fatos em questão são tão abundantes que não é possível tratá-los todos no marco necessariamente restringido deste artigo. Ao mesmo tempo, não é tarefa simples limitar-se a escolher só alguns deles, já que todos são portadores de uma carga simbólica que os torna inauditos aos olhos do observador atento, indicando uma situação eclesial sem precedentes na história. Depois de árduas reflexões, retive cinco que me parecem ser os melhores indicadores da tonalidade geral que é possível observar neste novo pontificado.

Esses fatos se agrupam em cinco temas diferentes: o islã, o judaísmo, a laicidade, o homossexualismo e a maçonaria. Depois de havê-los expostos nessa ordem, na intenção de destacar em que medida são indicadores de uma inquietante anomalia no exercício do magistério e da pastoral eclesiais, apresentarei de maneira mais sucinta outra série de ditos e feitos que permitirão ilustrar ainda mais, se acaso fosse possível, a heterodoxia radical que resume os princípios e a práxis bergoglianos.
1. A questão do islã
Em 10 de julho de 2013, Francisco enviou aos muçulmanos de todo o mundo uma mensagem de felicitações pelo fim do ramadã. Devemos deixar claro que se trata de um gesto jamais produzido na Igreja Católica antes do Concílio Vaticano II. E devemos acrescentar que nenhum papa havia dirigido semelhantes saudações aos maometanos antes do pontificado de Francisco. A razão é muito simples, e certamente manifesta para qualquer católico que não perdeu completamente o sensus fidei: os atos das outras religiões carecem de valor sobrenatural e, objetivamente considerados, não podem senão privar os seus adeptos do único caminho de salvação: Nosso Senhor Jesus Cristo. Como não estremecer-se de espanto ao escutar Francisco dizer aos adoradores de “allah” que “somos chamados a respeitar a religião do outro, seus ensinamentos, seus símbolos e seus valores”? É impossível deixar de comprovar a distância intransponível que existe entre esta declaração e o que nos ensinam os Atos dos Apóstolos e as epístolas de São Paulo… Que se deva respeitar as pessoas que se encontram nos falsos cultos, isso não se discute, mas que se promova o respeito às falsas crenças que negam a Santíssima Trindade das Pessoas Divinas e a Encarnação do Verbo de Deus é algo insustentável do ponto de vista do magistério eclesiástico e da revelação divina. No entanto, é mister reconhecer que neste ponto não se pode atribuir a Francisco o título de inovador, já que não fez mais que continuar com a linha revolucionária introduzida pelo Concílio Vaticano II, o qual pretende, na declaração Nostra Aetate sobre a relação da Igreja com as religiões não cristãs (hinduísmo, budismo, islã e judaísmo), que “a Igreja Católica não rejeite nada do que é verdadeiro e santo nessas religiões. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas (…). Exorta os seus filhos a que (…) através do diálogo e da colaboração com os sequazes de outras religiões (…) reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores socioculturais que entre eles se encontram”. Palavras que provocam estupor, já que é algo manifestamente absurdo pretender que se deva “colaborar” com gente que trabalha ativamente para instaurar credos e muitas vezes costumes que são contrários aos do Evangelho. Como não ver nesse “diálogo” tão mentado uma profunda desnaturalização da única atitude evangélica, que é a de anunciar ao mundo a Boa Nova de Jesus Cristo, q

ue nos disse claramente o que devemos fazer como discípulos: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt. 28, 18-20)? Esta noção de “diálogo” com as demais religiões carece de todo fundamento bíblico, patrístico e magisterial, e de fato não é mais que uma impostura tendente a desvirtuar o autêntico espírito missionário, que consiste em anunciar aos homens a salvação em Jesus Cristo, e de nenhuma maneira em um utópico “diálogo” entre interlocutores situados em pé de igualdade, enriquecendo-se reciprocamente e pretendendo buscar juntos a verdade. Essa pastoral conciliar inovadora fundada em um “diálogo” inscrito em um contexto de “legítimo pluralismo”, de “respeito” às falsas religiões e de “colaboração” com os infiéis não é mais que uma pérfida emboscada armada pelo inimigo do gênero humano para neutralizar a obra redentora da Igreja. A esse respeito, basta citar a única situação de autêntico “diálogo” que as Escrituras nos relatam, logo no início, a fim de alertar prévia e definitivamente sobre seu caráter intrinsecamente contaminado: trata-se do “diálogo” que Eva travou no jardim do Éden com a serpente, que haveria de desembocar na queda do gênero humano (cf. Gen. 3, 1-6). Poderíamos dar uma lista interminável de citações do Novo Testamento, dos Santos Padres e do magistério da Igreja para refutar a patranha segundo a qual os falsos cultos devem ser objeto de um “respeito sincero” às suas “maneiras de agir e viver, seus preceitos e suas doutrinas”, e para provar que, diferentemente das pessoas que os professam e que naturalmente devem ser objeto de nosso respeito, de nossa caridade e de nossa misericórdia, de nenhum modo as falsas doutrinas religiosas merecem “respeito”, que em ditas religiões não se encontra nenhum elemento de “santidade” e que os elementos de verdade que podem conter estão subordinados ao serviço do erro.

Deve-se reconhecer que Francisco é perfeitamente coerente em sua mensagem com o que o documento conciliar disse acerca dos muçulmanos, a saber, que “a Igreja olha também com estima para os muçulmanos, que adoram ao Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração”. Pois bem, qualquer que seja a sinceridade dos maometanos na crença e na prática de sua religião, não por isso é menos falso sustentar que “adoram ao único Deus”, “que falou aos homens” e que “a cujos decretos procuram submeter-se de todo o coração”, pela simples razão de que “allah” não é o Deus verdadeiro, que Deus não falou aos homens através do Alcorão e que seus decretos não são os do islã. Trata-se de uma linguagem inédita na história da Igreja e que contradiz vinte séculos de magistério e de pastoral eclesiais. Essa prática heterodoxa conduziu aos múltiplos encontros inter-religiosos de Assis, onde se alentou aos membros dos diferentes cultos idolátricos a rezar às suas respectivas “divindades” para obter “a paz no mundo”. Falsa paz, naturalmente, uma vez que se persegue com injúrias o único Senhor da Paz e Redentor do gênero humano, assim como a sua Igreja, única Arca de Salvação. E esta noção enganosa de “diálogo” conduziu igualmente aos últimos pontífices a mesquitas, sinagogas e templos protestantes, nos quais, pelo gesto e pela palavra, deram destaque a esses falsos cultos e não hesitaram em denegrir publicamente à Igreja de Deus criticando a atitude “intolerante” da que Ela havia dado mostras no passado. Vejamos um exemplo recente desta nova mentalidade ecumênica malsã, sincretista e relativista, condenada solenemente por Pio XI em sua encíclica Mortalium Animos de 1928: em 19 de janeiro, por ocasião da Jornada mundial dos migrantes e refugiados, Francisco se dirigiu a uma centena de jovens refugiados em uma sala da paróquia do Sagrado Coração, em Roma, dizendo-lhes que é necessário compartilhar a experiência do sofrimento, para logo acrescentar: “que aqueles que são cristãos o façam com a Bíblia, e que aqueles que são muçulmanos o façam com o Alcorão. A fé que vossos pais vos inculcaram vos ajudará sempre a avançar”. Esta nova práxis conciliar é efetiva e plenamente escandalosa, por um duplo motivo: por um lado, mina a fé dos fiéis confrontados com essas falsas religiões valorizadas por seus pastores; por outro lado, compromete as possibilidades de conversão dos infiéis, que se veem confortados em seus erros precisamente por aqueles que deveriam ajudá-los a livrar-se deles anunciando-lhes a Boa Nova da salvação, recebida dAquele que dissera ser “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo. 14, 6).
2. A questão do judaísmo
A primeira carta oficial de Francisco, enviada no mesmo dia de sua eleição, foi dirigida ao grande rabino de Roma. Fato por demais surpreendente. A primeira carta de seu pontificado enviada aos judeus! Acaso esta decisão obedeceu a um imperativo evangelizador premente, a saber, uma proclamação inequívoca do Evangelho, destinada a curá-los de sua tremenda cegueira espiritual, um convite solene a que reconheçam por fim a Jesus de Nazaré como seu Messias e Salvador? Nada disso. Francisco evoca a “proteção do Altíssimo”, fórmula convencional e vazia de conteúdo, destinada a ocultar as divergências teológicas intransponíveis que separam a Igreja da Sinagoga, para que suas relações avancem “em um espírito de ajuda mútua e ao serviço de um mundo cada vez mais em harmonia com a vontade de seu Criador”. Há duas perguntas que um leitor prevenido não pode deixar de formular. A primeira é: como conceber uma “ajuda mútua” com um inimigo que não tem senão um objetivo em mente, a saber, a aniquilação do cristianismo, e isto há quase dois mil anos? Em que cabeça pode caber o absurdo segundo o qual os judeus desejariam “ajudar” a Igreja, fundada segundo eles por um impostor, por um falso messias, o qual constitui o principal obstáculo ao advento do que eles aguardam, e a propósito do qual Nosso Senhor advertiu-lhes: “Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” (Jo. 5, 43)? Terrível profecia que São Jerônimo comenta dizendo que “os judeus, tendo desprezado a verdade em pessoa, aceitarão a mentira aceitando o Anticristo” (Epist. 151, ad Algasiam, quest. II), e Santo Ambrósio que “isso mostra que os jud

# DESAFIO – "LANÇAI….."

Pe. Marcélo Tenorio

Multiplica-se pela internet um movimento de desafios chamado de “Lançai a Palavra”. Consiste em alguém desafiar pessoas para que, no espaço de 24 horas, elas coloquem um vídeo na internet “proclamando” a Palavra de Deus e lançando, também, desafios a tantas outras. E, como as pessoas gostam de “novidades”, isso tem se alastrado consideravelmente.

BISPO COM PODER DE PAPA: SANTOS FORA DA REGRA


Todos sabem que Francisco gosta de se apresentar apenas como ” Bispo de Roma”.Desde o início de seu pontificado foi assim. Como consequência, renunciou todos os demais títulos, como pode-se ver no Anuário Pontifício, bem como demais símbolos de primazia, que o ressaltava como Príncipe Supremo entre os príncipes. Mas quando o assunto é o exercício de sua autoridade e a nova linha eclesial que traz consigo, não é apenas a autoridade de “bispo de Roma” que ele utiliza…
********* Em poucos meses, seis novos santos canonizados fora das regras Ou seja, sem um milagre comprovado após sua beatificação. Trata-se de um procedimento excepcional, poucas vezes usado na história. Mas o Papa Francisco recorreu a ele com uma frequência sem precedentes. A reportagem é de Sandro Magister e publicada no sítio Chiesa, 19-03-2014. A tradução é de André Langer.
Ao receber em audiência D. Bernardo Álvarez Afonso, bispo de San Cristóbal de la Laguna, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, o Papa Francisco anunciou que no próximo dia 02 de abril proclamará santo a um ilustre filho dessas ilhas: o jesuíta José de Anchieta (1534-1597), definido como o Apóstolo do Brasil. A notícia já foi antecipada no final de fevereiro pelo cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB. Mas D. Álvarez divulgou a notícia no sítio da sua diocese no mesmo dia da audiência, no dia 8 de março, proporcionando ulteriores detalhes do evento.
Com efeito, explicou que Anchieta será incluído na lista dos santos junto com dois beatos nascidos na França e que tiveram um desempenho de suma importância na evangelização do Canadá: a mística missionária Maria da Encarnação, cujo nome de batismo é Marie Guyart (1599-1672), e o bispo Francisco de Montmorency-Laval (1623-1708). Os três foram beatificados no dia 22 de junho de 1980 por João Paulo II junto com outros dois veneráveis que viveram na América, que, entretanto, já foram canonizados pelo procedimento ordinário: Pedro de Betancour (1626-1667) e a jovem virgem indígena Catarina Tekakwitha (1656-1680), proclamados santos, respectivamente, por João Paulo II, no dia 30 de julho de 2002, e por Bento XVI, no dia 21 de outubro de 2012. Tudo normal? Não. O bispo de Tenerife revelou que os três beatos serão proclamados santos não pelo procedimento ordinário, que exige o reconhecimento canônico de um milagre atribuído à sua intercessão, mas através de um canal extraordinário historicamente definido como “canonização equivalente”. Em que consiste este procedimento especial, que “esteve sempre esteve presente na Igreja e efetuado regularmente, embora não de forma frequente”, ilustrou no L’Osservatore Romano de 12 de outubro de 2013 o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Explica o cardeal: “Para este tipo de canonização, segundo a doutrina de Bento XIV, requerem-se três elementos: a possessão antiga do culto, o testemunho constante e comum de historiadores dignos de fé sobre as virtudes ou sobre o martírio e a fama ininterrupta de prodígios”. E o cardeal Amato prossegue dizendo: “Caso se cumprirem estas condições – é doutrina também do Papa Prospero Lambertini – o Sumo Pontífice, por sua autoridade, pode recorrer à ‘canonização equivalente’, ou seja, estender à Igreja universal a oração do ofício divino e a celebração da missa [em honra do novo santo], ‘sem nenhuma sentença formal definitiva, sem ter concluído algum processo jurídico, sem ter cumprido as cerimônias habituais”. Com efeito, o próprio Papa Lambertini – em um volume da sua monumental obra De servorum Dei beatificatione et beatorum canonizatione agora disponível também em italiano em uma edição da Libreria Editrice Vaticana – enumera 12 casos de santos canonizados deste modo antes do seu pontificado (1740-1758). São eles: Romualdo (canonizado em 1595), Norberto (em 1621), Bruno (em 1623), Pedro Nolasco (em 1655), Ramón Nonato (em 1681), Estevão da Hungria (em 1686), Margarida da Escócia (em 1691), Juan de Mata e Félix de Valois (em 1694), Gregório VII (em 1728), Wenceslau da Boêmia (em 1729), Gertrudes de Helfta (em 1738). Além disso, e sempre segundo o L’Osservatore Romano de 12 de outubro passado, o cardeal Amato enumera também as “canonizações equivalentes” posteriores a Bento XIV: Pedro Damião e Bonifácio mártir (canonizados em 1828); Cirilo e Metódio, da Salônica (1880); Cirilo de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Justino mártir e Agostinho de Canterbury (1882); João Damasceno e Silvestre Abade (1890); Beda o venerável (1899); Efrén o sírio (1920); Alberto Magno (1931); Margarida da Hungria (1943); Gregório Barbarigo (1960); João de Ávila e Nicolas Tavelic e três companheiros mártires (1970); Marcos de Križevci, Esteban Pongrácz e Melchor Grodziecki (1995). Como se pode ver, João Paulo II, que também proclamou sozinho mais santos e beatos que todos os seus antecessores juntos – desde o momento em que os Papas reservaram para si tal poder –, utilizou uma única vez o procedimento da “canonização equivalente”.
Também Bento XVI o utilizou apenas uma vez, com Hildegarda de Bingen, proclamada santa no dia 10 de maio de 2012. Mas o Papa Francisco já utilizou duas vezes este procedimento excepcional. Em 9 de outubro de 2013 com Ángela de Foligno (1248-1309) e em 17 de dezembro com o jesu] ]>