# DESAFIO – "LANÇAI….."

Pe. Marcélo Tenorio

Multiplica-se pela internet um movimento de desafios chamado de “Lançai a Palavra”. Consiste em alguém desafiar pessoas para que, no espaço de 24 horas, elas coloquem um vídeo na internet “proclamando” a Palavra de Deus e lançando, também, desafios a tantas outras. E, como as pessoas gostam de “novidades”, isso tem se alastrado consideravelmente.

O fato de se fazer uma leitura da Sagrada Escritura, não há nada de mal; como minha mãe dizia, “mais vale um Deus-te-abençoe do que um diabo-te-carregue”. Entretanto é necessário entender não o que se ver, mas o espírito que move e a direção para onde se vai.

Não é novidade para ninguém que após o Vaticano II, houve um vendaval decorrente daquilo que o cardeal Ratzinger chamava de “anti-espírito” do Concílio e que Mons. Lefèbvre chamava, por sua vez, de “espírito mesmo do Concílio” E, com esse vendaval (que Paulo VI morreu e não descobriu por onde ele entrou – basta ler suas palavras angustiadas no décimo ano de seu pontificado, no dia 29 de junho de 1972, Solenidade de S. Pedro e S. Paulo: “ ..por alguma fissura a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus”) entrou também um espírito de romantismo que corrompeu tudo, não deixando nada sem ser atingido pelo seu veneno, sobretudo a Sagrada Liturgia, expressão máxima daquilo que se crer e professa. Ora, se consegue contaminar o que se crer com uma “diabetes espiritual” protestante e romântica, que resultado nós teremos? Quais as consequências disso tudo? Uma protestantização da Fé , da Liturgia e dos Costumes, visto que o romantismo sustenta o protestantismo.

As bases do protestantismo liberal é o romantismo. Toda tese protestante é romântica e não pode ser diferente. Ela não é objetiva, porque abstrata, introspectiva, individualista. Fundamenta-se no subjetivismo da fé que gera o relativismo moral e religioso.

Citemos aqui, como base, Schleiermacher. Friedrich Danill Ernst Schleiermacher. Ele nasceu em 1768, na Breslávia e faleceu em 1834. Em 1797, já em Berlim, foi grande colaborador da revista romântica “Athenaeum”. Em sua teologia orientava as almas para o “sentimento de Salvação em Cristo”. Foi considerado o pai da teologia romântica, sofrendo grande influência dos filósofos Kant , Spinoza, entre outros.

Síntese de sua teologia romântica:

“Há de rechaçar a tendência de estabelecer seres e de determinar naturezas […] a investigar as ultimas causas e a formular verdades eternas […] não deve servisse do Universo para deduzir deveres, ela não deve conter nenhum código de leis […] não pretende, como a metafísica, explicar e determinar o Universo de acordo com sua natureza, ela não pretende aperfeiçoá-lo e consumá-lo, como a moral […] sua essência, não é pensamento nem ação, senão intuição e sentimento.”(1)

Eis o triunfo do subjetivismo romântico em sua doutrina protestante.

“Uma religião não é válida por ser verdadeira, senão porque engendra um sentimento de piedade”, ensinava ele.

A Santa Doutrina Católica, por sua vez se opõe ao subjetivismo romântico, visto que a Fé aqui é entendida e definida como “ adesão da inteligência à Verdade”, como ensina o Aquinate e não um sentimento meramente romântico como pretendia Lutero, seus sequazes e, como vimos, esse aí, doutor de coisa-nenhuma.

Para Santo Tomás há uma correlação profunda e rigorosa entre Fé e Razão, antídotos contra um fanatismo perigoso ou um racionalismo etéreo. Aliás, desde a antiguidade se tem a tentação de separar a Fé da Razão. O germe do protestantismo sempre presente desde a origem das civilizações, visto que proveniente do pecado original, inspirado pelo “diábolos”, o divisor.
Encontramos entre os gregos já duras críticas contra essa dissociação. Heráclito, Pitágoras e Xenofontes, já falavam sobre isso.

Noutros momentos da história religiosa, percebemos um movimento interessante: ora, a Fé que busca a razão ( isso bem presente na época dos Santos Padres), ora a Razão que busca a fé ( época escolástica tomista). Aqui entra S. Tomás com a sua “Veritas Prima”. Para ele a Verdade Primeira era o objeto da Fé. Esse pensamento do “doutor angélico” é doutrina católica e sobre ele se fundamenta o que a Igreja acredita e entende por Fé.(2)

Li hoje uma parte da homilia de D. Henrique Soares, recentemente nomeado bispo de Palmares, zona da Mata de Pernambuco. É muito propícia para o que discorremos agora. Dizia ele: “Não sou cristão porque Cristo falou coisas bonitas. Buda também falou coisas bonitas, Gandhi também falou coisas bonitas…Sou cristão porque Cristo é Deus. Morreu e ressuscitou por nós. Esta é a Verdade!”

Fomos invadidos de todos os lados por um romantismo protestante. Muitos já não tem a Fé católica baseada na Verdade objetiva, mas em sentimentos “bonzinhos” e “bonitinhos” e “lindinhos”. Nossas liturgias, catequeses e até movimentos (antigos e os inventados recentemente) são usados para despertar os sentidos e alimentá-los. Encontros são planejados para despertar não a Fé, mas os sentimentos. Passou a ser termômetro não a convicção no que se crer, mas a emoção que chega antes e, por vezes, sozinha. Maneiras novas de rezar, tais como: “cristotecka”, ‘cristofolia”, cristo-rock, “carnaval-com-Cristo” e tantas outras engenhocas. Isso sem falar em bandinhas de “samba-católico”, “funckcatólico” e derivados, passando pela banda dos tatuados da “Rosa de Saron” que de católica nem o nome tem; com péssimas músicas, condizentes com ausência total de doutrina. “Bonitinha”, mas ordinária, não Verdadeira. Pouco tempo atrás essa mesma banda em programas de televisão, fazendo uso de um exacerbado relativismo teológico, falava heresias como se fossem “pérolas”.

Claro que com esse “romantismo protestante”- oriundo de movimentos pentecostais e neopentecostais , que entraram nos meios eclesiásticos, como a rcc, por exemplo, surge, em nosso meio, uma nova “maneira de ser”. Jovens e adultos católicos com cara de protestantes, jeito de protestantes, maneira de protestantes, “gingas” de protestantes….

Nós temos dois mil anos de Fé, de atos e de maneiras de ser.

De longe pode se reconhecer um ortodoxo, justamente por sua “maneira de ser”. De longe pode se reconhecer um judeu, pela sua forma judia de ser. De longe pode se reconhecer um roqueiro, um testemunha de Jeová, um hare krisna….justamente pela sua maneira de ser, de portar e até de falar..

Também dentro da Igreja há maneiras diversas, mas num mesmo espírito católico. Certa vez vi um rapaz entrar numa igreja e, pela maneira como fez a vênia para o altar, sabia que era um beneditino e acertei-na-mosca! Se me puserem, de olhos vendados dentro de um mosteiro, ao retirarem minhas vendas, saberei imediatamente se aquela casa é franciscana ou cisterciense…,beneditina ou jesuíta. São maneiras, gestos diferentes, mas um mesmo espírito católico assimilado por 20 séculos.

O que não podemos dizer de muitos grupos, pessoas, movimentos. Certos “slogans “, maneiras de saudação que não fazem parte de nossa forma de ser. “A PaiXX de jesuiXX” ou “ JesuiX ti ama”, ou ainda “Allelluyaaa”, “ôooo Glória”, nunca estiveram em nosso vocabulário de católicos. Nunca coresponderam à Verdade católica, mas à uma linguagem r

omântica, adocicada, protestantizada…Em coisas bem sutis esconde-se o próprio “espírito da coisa”.Como diz Nosso Senhor: “A boca fala do que o coração está cheio”. Primeiro engole-se a doutrina por várias vias: pela música, pelas ideias, pela convivência. Segundo, torna-se o que se come. Por que desde de sua origem a rcc tem cara e jeito de protestante? Simples: porque bebeu “na fonte” (experiência de Duquesne, a “ cruz e o punhal”, e até pregação conjunta: pastores heréticos com pregadores da Canção Nova – “ fratres in unum” – entre outras influências.

A coisa está tão grave que até Adélia Prado – imaginem! Até ela protestou. Vou citar, com a devida licença do Ozuna:

“… Nós começamos a copiar os evangélicos no que eles têm de pior e a qualidade caiu. A qualidade da música […] começamos a ter animadores de missa, palmas […] Tudo equivocado! Os valores se misturaram. Perde-se a sacralidade da liturgia. Em momento de adoração que tem que ser com silêncio e as pessoas cantam sem parar músicas horríveis…” (3)

Mais importante que “ Lançar a Palavra” pela Palavra, é viver a Fé católica sem equívocos nem “misturebas”

Esses vídeos podem ser feitos por católicos e protestantes, sem diferença alguma. É a bíblia pela bíblia e nada mais.
O que nos diferencia dos protestantes é justamente a Verdade, a Verdade Católica. E esta Verdade deve nos impregnar em tudo: mente e corpo, gestos e palavras.

A Sagrada Escritura é uma das fontes da Revelação, mas não a única, apenas. Rodopiar em cima da Bíblia pela bíblia não é católico. Sem a autoridade da Igreja , a Bíblia nada seria.
Ensina Santo Agostinho:

“Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica”
(St. Agostinho – Contr. Epist. Manichaei. v, 6)

Alguns podem objetar: “mas padre, conheço tantos que se converteram escutando a Palavra”!…
Respondo: conheço muito mais que por“escutarem a Palavra” estão nas seitas, enchendo galpões e auditórios. É o efeito da “Sola Scriptura”.

Não são os meios capazes de converter alguém à Verdade, mas a vontade do próprio Deus que se manifesta na sua Igreja. Deus , quando quer, se utiliza de tudo, até do profano, para salvar… Ele é capaz de fazer das pedras “filhos de Abraão”….E se é capaz de fazer das pedras “ filhos-de-Abraão”, também pode ser capaz de fazer deste péssimo artigo, escrito por mim, antídoto contra diabetes espiritual…

No mais, sejamos católicos, apenas católicos sem afetações importadas.
Morramos católicos, com jeito de católicos e não protestantizados.

As palavras até convencem, mas o exemplo é que arrasta.

No mais, nesta quaresma, ofereçamos a Deus o sacrifico de uma alma contrita, embora com ouvidos incomodados

Mas antes de ir embora, quero deixar aqui também o meu # DESAFIO:

IDE A TOMÁS DE AQUINO!

Desafio feito, desafio cumprido?

” A todos quantos agora sentem sede da verdade,dizemo-lhes: ide a Tomás de Aquino!” ( Pio XI)

***

(1)(Schleiermacher, Sobre la religion. Discursos, p.11-12. apud CARLÉS, Frederico Rivanera – Bibliografia:
http://www.pfilosofia.xpg.com.br/geocities/encfil/schleiermacher.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Schleiermacher

(2)Summa Contra Gentiles e Summa Theologiae

(3) Em ” Roda Viva”

22 respostas para “# DESAFIO – "LANÇAI….."”

  1. Reverendíssimo Padre,

    Excelente análise crítica. E o senhor mencionou a causa desta crise terrível: o Vaticano II.
    A fumaça entrou na Igreja por uma fenda. Quem abriu? Paulo VI disse: “Pregamos o ecumenismo e nos distanciamos mais uns dos outros”. O ecumenismo separou ao invés de unir. Não converteu hereges e distanciou os católicos. A lamentação é de Paulo VI. E quem pregou o ecumenismo senão o Vaticano II? Depois ele disse: “cavamos abismos ao invés de aterrá-los”. Ele acusa a si mesmo de ter cavado abismos. Repito, as lamentações são de Paulo VI.

    Abismo e ecumenismo….

    E a fumaça de Satanás invadiu o Templo de Deus.

    Eder

  2. Não, Pe Marcelo, o seu artigo não é péssimo, é excelente.

    Talvez os católicos românticos (que não são poucos) achem péssimo. Nós não.

    Que Nossa Senhora guie o seu sacerdócio.

  3. OS LEIGOS EM GERAL, ATRIBUEM AS CRISES DA IGREJA AO VATICANO II!
    ANTES DELE, PORÉM, HAVIA MUITA INFILTRAÇÃO NA IGREJA E S PIO X JÁ ALERTAVA SOBRE O MODERNISMO!
    E já no tempo do papa Leão XIII: “Os comunistas, socialistas e niilistas são uma peste mortal que como a serpente…QAM
    Parece-me alguns sonhadores crêem que antes do Concilio tudo era maravilhoso, porém…
    Lênin, por ordem da Alta Maçonaria, idem sucessores, como Stálin, na década de 20, iniciaram uma infiltração sistemática na Igreja por eles, pelos seus subsidiários comunistas, mais os protestantes e seus capachos infiltrados no Vaticano II se aproveitaram e fizeram deturpações, como na Liturgia.
    E o caso de D Clemente Isnard com uma tradução rejeitada do Missal, mas imposta no Brasil?
    É bom saber que dezenas de altos dignitários da Igreja seriam maçons – caso Bugnini por ex, o bispo de Kiev, da KGB, idem D Hélder, um dos fundadores da CNBB e D Arns, D Demétrio, D Balduíno, D Casaldáliga etc., e contribuíram eficazmente para os problemas de socialismo na Igreja; e temos a CNBB – já teria até escolhido Dilma para 2014… – de evidente viés esquerdista e seus tentáculos CEB, CIMI, CPT, CBPJ infestados de esquerdistas sacerdotes pró marxistas.
    A própria Canção Nova-Pe Fabio de Melo-Pentecostalismo protestante + sincretismo etc. – que relativista mix doutrinário! – não são exemplos de contaminadores da autêntica fé católica?
    Em La Salette, Quito e Fátima as previsões de N Senhora das ferozes crises por que passaria a Igreja nesses tempos do fim, tudo sucede pela rejeição do Cristo sofredor, da cruz, pois querem uma cômoda religião que atenda os imediatistas interesses do homens, segundo seus apetites carnais.
    È bom notar que os protestantes no quesito propaganda por aí, são iguais aos comunistas, como nos veículos, a começar do “Só Jesus salva” – mas a Igreja católica não – colorem a coisa mas é tudo falso!.
    Há uma imensa sede de Deus no presente, mas estão se deixando levar, no nosso caso, por um cristianismo meramente exteriorizado e relativista, à la RCC, de muito badalo, sonzão, danças, Carnaval de Cristo, êxtases, falar em línguas, “repouso no Espirito” como o protestante, uma suposta religião emotivo-subjetivista, sentimentalista, de “diálogos e revelações” com Deus, mais me parecendo que é o diabo deitando e rolando nessa babel do relativismo atual…

    1. Comentando um pouco tarde, este problema já é antigo mesmo, a ponto de ver pessoas mais velhas dizerem, “Na minha época, o Padre ia rezar a Missa (que era a Tridentina), e a mulher dele (!) sentava na primeira fila com os filhos, e todos sabiam disso e ninguém se importava”. Ou escuto, “As pessoas só participavam da Missa na hora da Eucaristia.” Um demônio exorcizado pelo Padre Gabriele Amorth (pode-se ler o diálogo no site Derr.adeiras Gra.ças) inclusive disse mais ou menos assim (obrigado pela Virgem Santíssima), “Engraçado, quando tudo estava direito ninguém obedecia, agora que está tudo virado do avesso todos dão a desculpa da obediência para desrespeitarem a Igreja; obediência é apenas a Jesus Cristo e o Sumo Pontífice”… ou seja, quando estava tudo direitinho na teoria, boa parte queria era desobedecer mesmo, e quem obedecesse era chamado de “beato/beata” e ainda ganhava má fama, como se quisesse ser melhor que os outros, ainda que a pessoa só tivesse a intenção pura de agradar a Deus. Isto é o que escuto, mas o CVII é absurdo pois tornou a desobediência regra, e desobediências talvez nunca antes imagináveis.

  4. A fumaça de satanás ter entrado no templo é a apostasia isso sim…
    incrível olhar a janela suja do outro e esquecer da própria encardida,
    cade as iniciativas católicas de evangelização,a com certeza deve estar acontecendo,com mais um monte de festa regada a bebida alcoólica viciando os jovens,mais disso a mais de 2000 anos ninguém diz que é a fumaça de satanás que entrou no templo,mais agora a cnbb se posiciona empurrada pelo sistema.
    Não entendo,se os jovens compartilham literaturas seculares dizem que é pra falar da biblia se falam da biblia não é bem assim…o que vcs querem então???!!!!!

  5. Não, Mc Sharabadai, a apostasia é a consequencia da fumaça.

    Eu entendo que, o que o Pe Marcelo quer dizer é que se colocar a Bíblia na mão de qualquer um, sem a assistência da Igreja, ele poderá sair pior do que entrou, como diz São Pedro que há coisas difíceis, em São Paulo, que os indoutos interpretam para sua própria perdição.

  6. Como dizia São Paulo: A Letra mata, o Espírito vivifica. (2Co 3,6). O problema não é ler a Bíblia, de forma alguma, mas a maneira como se esta fazendo. Pe Marcelo foi muito feliz ao dizer: “Não são os meios capazes de converter alguém à Verdade, mas a vontade do próprio Deus que se manifesta na sua Igreja. Deus , quando quer, se utiliza de tudo, até do profano, para salvar…”. Ou seja, não é agimos como pregadores protestantes que faremos a Igreja florescer mas é como São Francisco de Assis afirmou: “Evangelize, se possível, com as palavras”. Não é com repetições da Palavra por clamores, mas sim com a imitação de Cristo, pois a Palavra é Cristo, pois Ele é a Verdade e a vida.(Jo 14,6). Essa é a vocação de todos os católicos, serem santos. (Lev 19,2). Por ultimo passo a palavra a Santa Teresa de Jesus, que ao explicar os efeitos e benefícios de sua vida de oração, falou do que ocorria com aqueles que estão por perto: Ela (a alma) passa a beneficiar os que lhe são próximos sem o saber e sem nenhum esforço pessoal; as pessoas o compreendem, porque as flores têm um odor tão forte que despertam o seu desejo de aproximar-se delas. Entendem que há virtudes naquela alma e veem a fruta, que desperta o paladar; desejam ajudá-la a comer.” (Livro da Vida, Cap19-3)

  7. Faço minhas as palavras do João Miguel:

    “Não, Pe Marcelo, o seu artigo não é péssimo, é excelente.

    Talvez os católicos românticos (que não são poucos) achem péssimo. Nós não.

    Que Nossa Senhora guie o seu sacerdócio.”

  8. A paz de Cristo.

    Algumas pontuações importantes:

    1) Nosso reverendíssimo Pe. Marcelo Tenório não disse que o Concílio Vaticano II é a causa desta crise de Fé na Igreja, mas disse que após o Concílio houve um vendaval. Isto é um fato, e está certíssimo. A crise de Fé na Igreja teve seu ápice alguns anos após o Concílio. E o início desta crise se deu muitos anos antes do Concílio, na verdade, séculos antes.

    2) É mentira que Paulo VI tenha reconhecido o Concílio Vaticano II como causa da crise.

    3) É mentira que o Concílio Vaticano II tenha sido a causa da crise.

    4) O Concílio Vaticano II veio como um remédio para a crise, porém a recusa de progressistas e tradicionalistas em recebê-lo, fez com que continuássemos com o a crise que já existia.

    Tudo isto pode ser comprovado nos pronunciamentos de Paulo VI, nos documentos do magistério e no decorrer da história.

    Em Cristo,

    Rui

  9. Reverendo Padre.

    Interessante sua concordância com o Cardeal Ratzinger e com Dom Lefebvre, neste afirmação:

    “Não é novidade para ninguém que após o Vaticano II, houve um vendaval decorrente daquilo que o cardeal Ratzinger chamava de “anti-espírito” do Concílio e que Mons. Lefèbvre chamava, por sua vez, de “espírito mesmo do Concílio”

    O senhor concorda que o vendaval produzido decorreu do “anti-espírito” e do “espírito do Concílio”.

    Em certo sentido, a crise provém de um ati-espírito que procede uma leitura modernista do Vaticano II em absoluta ruptura com o passado. Porém, a crise também provém do próprio Concílio que, com seu espírito de aggiornamento relativista e ecumênico, favoreceu a interpretação modernista e uma atitude de ruptura com o passado.

    Novamente, parabéns, caríssimo padre.

    Eder

  10. A paz de Cristo.

    É mentira que o Concílio Vaticano II ensine o erro.

    É mentira que o Concílio Vaticano II modificou a doutrina anterior da Igreja.

    É mentira que o Concílio Vaticano II seja responsável pela crise de fé.

    O Magistério da Igreja deixou isto claro:
    “Primeira questão: Terá o Concílio Ecuménico Vaticano II modificado a precedente doutrina sobre a Igreja?
    Resposta: O Concílio Ecuménico Vaticano II não quis modificar essa doutrina NEM SE DEVE AFIRMAR QUE TENHA MUDADO; apenas quis desenvolvê-la, aprofundá-la e expô-la com maior fecundidade.
    Foi quanto João XXIII claramente afirmou no início do Concílio[1]. Paulo VI repetiu-o[2] e assim se exprimiu no acto de promulgação da ConstituiçãoLumen gentium: “Não pode haver melhor comentário para esta promulgação do que afirmar que, com ela, A DOUTRINA TRANSMITIDA NÃO SE MODIFICA MINIMAMENTE. O que Cristo quer, também nós o queremos. O QUE ERA, MANTEVE-SE. O QUE A IGREJA ENSINOU DURANTE SÉCULOS, TAMBÉM NÓS O ENSINAMOS. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura”[3]. Também os Bispos repetidamente manifestaram e seguiram essa mesma intenção[4].” (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé – Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja – 29-06-2007)
    http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20070629_responsa-quaestiones_po.html

    Dom Marcel Lefebvre (fundador da FSSPX), participou integralmente do Concílio Vaticano II (1962 a 1965) , e assinou junto com o Papa Paulo VI, as atas de promulgação de todos os documentos do Concílio, considerando-os “como doutrina do Magistério Supremo da Igreja.”

    Portanto erram os que acusam o Concílio de ensinar o erro e causar a crise de Fé na Igreja.

    Em Cristo,

    Rui

  11. A paz de Cristo.

    Ao ensinamento não infalível do Magistério também se deve obediência.

    Cân. 752 — Ainda que não se tenha de prestar assentimento de fé, DEVE CONTUDO
    PRESTAR-SE OBSÉQUIO RELIGIOSO DA INTELIGÊNCIA E DA VONTADE ÀQUELA DOUTRINA QUE QUER O SUMO PONTÍFICE QUER O COLÉGIO DOS BISPOS ENUNCIAM AO EXERCEREM O MAGISTÉRIO AUTÊNTICO, APESAR DE NÃO TEREM INTENÇÃO DE A PROCLAMAR COM UM ACTO DEFINITIVO; façam, portanto, os fiéis por evitar o que não se harmonize com essa doutrina.

    “Cân. 1371 — SEJA PUNIDO COM PENA JUSTA:
    1.° quem, fora do caso previsto no cân. 1364, § 1, ensinar uma doutrina condenada pelo Romano Pontífice ou pelo Concílio Ecuménico OU REJEITAR COM PERTINÁCIA A DOUTRINA REFERIDA NO CÂN. 750, § 2 OU NO CÂN. 752, e, admoestado pela Sé Apostólica ou pelo Ordinário, não se retractar;
    2.° quem, por outra forma, não obedecer à Sé Apostólica, ao Ordinário ou ao Superior quando legitimamente mandam ou proíbem alguma coisa e, depois de avisado, persistir na desobediência. “

    Em Cristo,

    Rui

  12. Barata tonta, tudo isso já foi respondido em polêmicas longínquas.

    É óbvio que se deve obediência ao Magistério, mesmo quando não implica infalibilidade. Porém, ensinam os Doutores que, havendo erros no ensinamento, não se deve obedecer. Porque o falível significa possibilidade de erro, e existindo erro, o súdito não está obrigado a obedecer. O Papa João XXII ensinou que os santos não gozavam imediatamente da visão beatífica de Deus. Os teólogos do tempo não aceitaram este ensino. Houve oposição pública a esta pregação do Papa. No fim, o Pontífice reconheceu o erro em seu próprio ensinamento.

    Interessante seria discutir se o Vaticano II, além de falível, foi verdadeiro magistério autêntico. Dizem que o Magistério do Vaticano II precisa ser interpretado à luz da Tradição. Ora, o que precisa de luz é treva. É o obscuro que precisa ser iluminado para ser entendido. O Magistério do Vaticano II foi então obscuro, porque necessita de luz. O Magistério do Vaticano II foi polissêmico. Ora, um Magistério que precisa ser interpretado para ser entendido, é Magistério nulo. Um professor que ensinasse de modo obscuro e polissêmico, não seria compreendido pelos alunos, necessitando ser interpretado. De fato, esse professor não ensinou, ele confundiu. O Vaticano II, com sua língua bífida, foi ambíguo, obscuro e polissêmico. É o que demonstrarei no artigo que logo publicarei.

    Passar bem.

    ICJS
    Eder

  13. A paz de Cristo.

    É mentira que eu seja barata tonta.

    Não há dúvida que o falível significa possibilidade de erro. Porém, de existir a possibilidade de erro, a existir o erro de fato, há uma grande distância.

    Vamos a um exemplo didático. Dona Maria é uma ótima cozinheira e as tortas dela sempre ficam deliciosas. Mas ela é falível, e portanto existe a possibilidade da torta ficar salgada. Mas isto não significa que Dona Maria tenha feito alguma torta salgada. E olha que Dona Maria é apenas uma cozinheira.

    De maneira muito superior se dá quanto ao Magistério Ordinário pontifício (não revestido pela infalibidade), que não goza só de experiência e estudos, mas goza da assistência do Espírito Santo. Este pode errar? Sim, a Igreja diz que pode. Mas e na prática errou?

    Provavelmente, quanto ao Papa João XXII, o que o catequista tradicionalista está citando são discursos ou homilias, que são inferiores a um Documento Papal dirigido a toda a Igreja.

    O FATO é que não há nenhum registro histórico de documentos oficialmente expedidos pelo Magistério Ordinário pontifício (não revestido pela infalibidade) dirigidos à Igreja Universal (antes do Concílio Vaticano II), como por exemplo encícliclas, bulas, motu próprio, decretos, excomunhões, que foram anulados por ensinarem erros.

    JAMAIS na história da Igreja, um documento do Magistério Ordinário pontifício dirigido à Igreja Universal (a exemplo do Concílio Vaticano II) ensinou o erro.

    NESTES TERMOS, a prática mostra que o Magistério pode errar, mas não erra ou não errou até hoje, não sendo nem comum e nem tradicional que erre.

    Portanto, podemos e devemos confiar no Magistério. “PARA NÃO NOS AFASTARMOS EM NADA DA VERDADE, devemos sempre estar dispostos a crer que o que nos parece branco é preto, se a Igreja hierárquica assim o determinar.” (Santo Inácio)

    O catequista tradicionalista é ciente que antes do Concílio em questão, não há nenhum registro histórico de documentos oficialmente expedidos pelo Magistério Ordinário pontifício dirigidos à Igreja Universal que ensine o erro. E contraditoriamente, tenta desmerecer o Concílio Vaticano II sugerindo que não é magistério autêntico, que é treva, que é obscuro, que é Magistério nulo pois em alguns momentos precisa de interpretação.

    Ao manter tal tese absurda, que o catequista prove que nunca nenhum documento do Magistério necessitou que alguma parte de seu texto fosse devidamente explicada para correta interpretação. Claro que para provar tal absurdo ele teria que começar eliminando a Congregação para a Doutrina da Fé, a qual por inúmeras vezes explicou a correta interpretação de textos do Magistério.

    Para ajudar o leitor, vamos lembrar que quando se diz polissêmico, significa dizer que tem mais de um sentido, mais de um significado. E há textos de difícil interpretação, tanto na Bíblia quanto no magistério anterior ao Concílio Vaticano II, que se pode errar com facilidade na interpretação, chegando-se a uma interpretação pessoal diferente do que aquela que ensina a Igreja.

    A verdade é que o Magistério da Igreja, desde o Papa João XXIII, passando pelo Papa Paulo VI, pelo Papa João Paulo I, pelo Papa João Paulo II, pelo Papa Bento XVI e no atual Papa Francisco, ou seja, de maneira unânime e contínua defende o Concílio Vaticano II como ensino da Doutrina de sempre, sem alterações, ou seja, sem erros.

    E a Igreja sempre ensinou que, “ubi Petrus, ibi Ecclesia” – “Onde está Pedro (o Papa) aí está a Igreja.”

    Em Cristo,

    Rui

  14. Um princípio manco….

    O que nunca aconteceu na prática, não significa que jamais acontecerá. Se existe o princípio, existe a possibilidade. E isto basta. Se o Vaticano II errou na prática, será demonstrado em um artigo breve.

    O Magistério define e, enquanto tal, deve ser preciso, empregando termos prudentes. Magistério que precisa ser interpretado é inútil ou nulo. Magistério deve encerrar discussões, clarear pontos escuros. O Vaticano II abriu discussões e obscureceu pontos claros da doutrina.

    Bom, ademais, um longo estudo de refutação.

    Eder

  15. A paz de Cristo.

    O que nunca aconteceu antes, também pode ser futuramente definido pelo Magistério como mais um modo em que ocorre a infalibilidade. O que impede? Por hora, claro que não é uma situação definida como infalível. Mas a prática é fantástica, sem erro algum em um número de linhas que provavelmente ultrapassa a casa do milhão de linhas escritas/aprovadas pelo Magistério Ordinário pontifício nos documentos oficiais dirigidos a toda a igreja Universal. Viva a Santa Madre Igreja! Viva o Santo Padre o Papa! Viva o Espírito Santo!

    O Vaticano II não obscureceu nada da doutrina, muito pelo contrário, aumentou a definição dos contornos doutrinais, e fez brilhar muito mais a Santa Mãe Igreja! O que está obscurecida é a visão daqueles que já começam a perder a fé, já sugerem que um concílio geral não foi magistério autêtico. O próximo passo rumo ao abismo da perdição eterna é o sedevacantismo. Que Deus tenha misericórdia destas almas, de nós e do mundo inteiro.

    Em Cristo,

    Rui

  16. Esse é um excelente post, principalmente nos dias de hoje, que em nome do ecumenismo, estão nivelando a Igreja de Jesus Cristo com as seitas.

  17. Pingback: fitflop online
  18. Os conventos e mosteiros também estão cheios de heresias… claro que não tão exageradas quanto as paróquias de base por aí.

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