O univocismo antimetafísico de um peseudoteólogo

A pedido do Prof. Eder Moreira, publicamos este “breve”, sobre a possibilidade de erros em documentos de Magistério não infalível. Quem acompanha o blog tem ciência que esta resposta surgiu devido à oposição, no assunto, de outro leitor.Este por, sua vez, caso queira, terá todo direito em colocar sua réplica, em forma de artigo.
Salve Maria!
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Depois do reino democrático inaugurado pelo Vaticano II, prolifera-se pelas “trilhas” da internet um volume cada vez mais vultoso de “sábios teólogos”. Em cada “esquina” cibernética, um novo aventureiro com pretensas soluções mágicas para questões complexas da Sacra Teologia. Sem ao menos estudar os princípios rudimentares da metafísica, propalam em alta voz imprudentes sentenças que, por vezes, atingem às fronteiras da heresia.

Oportunamente realizamos algumas intervenções no blog do Reverendíssimo Padre Marcelo Tenório. Mas, ultimamente, essa participação tornou-se visivelmente frequente, devido a pertinácia irredutível de um adepto exclusivo da hermenêutica da continuidade.

Antes da publicação do principal artigo de refutação, antecipamos esta sucinta demonstração do despreparo filosófico e teológico do adversário que pretende ser o modelo perfeito de obediência e fidelidade ao Vaticano.   
Nas últimas postagens sobre a possibilidade de erros em documentos do Magistério não Infalível, nosso opositor assim declarou:

“Não há dúvida que o falível significa possibilidade de erro. Porém, de existir a possibilidade de erro, a existir o erro de fato, há uma grande distância […] Nestes termos, a prática mostra que o Magistério pode errar, mas não erra ou não errou até hoje, não sendo nem comum e nem tradicional que erre”

A primeira refutação encontramo-la no estudo do Padre Daniel Pinheiro, fundamentado na teologia de Santo Tomás:
“O Magistério desse segundo tipo – não infalível – pode, então, conter erros porque ao contrário do primeiro grau estudado, não se encontra garantido na verdade por Deus. O fato de possuir erros é uma possibilidade, mas como nos diz São Tomás: quod possibile est non esse, quandoque non est [o que pode não ser, às vezes não é]”.

Possibilidade de erro significa que pode vir a acontecer, mesmo que ainda não tenha ocorrido. Ademais, negar essa possibilidade de erro no Magistério puramente autêntico seria torná-lo infalível e, deste modo, destruir a distinção que a Igreja faz entre Magistério falível e infalível. Neste sentido, a explicação do Padre Daniel é elucidativa:

“É imcompreensível que alguns afirmem a impossibilidade de erros em atos do Magistério não-infalível. Negar a possiblidade de erro desse Magistério seria torna-lo infalível, e, desse modo, tornar-se-ia também imcopreensível a distinção que faz a Igreja entre Magistério infalível e não-infalível. A Igreja, como boa conhecedora da filosofia e sábia aluna de Deus, não multiplicaria os entes sem neces

sidade, distinguindo-os sem motivo. É preciso distinguir o que a Igreja distingue”.


Essa possibilidade de erro tem base na filosofia e no ensino dos teólogos. Por isso, ainda que nunca tivesse ocorrido na história da Igreja, permaneceria sendo uma possibilidade verdadeira. Do mesmo modo podemos dizer do milagre. Ainda que Deus nunca o tivesse realizado na história, sua possibilidade permaneceria, porque depende unicamente da onipotência divina.

Para afirmar a possibilidade de erros no Magistério não infalível, necessitamos tão somente do ensino dos teólogos. Ora, a confirmação desta possibilidade é praticamente unânime entre eles:

Extraímos as citações do artigo do Revmo. Padre Daniel:

Domenico Palmieri: “… não existindo a certeza da infalibilidade, por isso mesmo, parece não estar ausente a  possibilidade de erro…”

Schultes Reginaldus-Maria, O.P.; “… não podem realmente obrigar ao assentimento de fé porque a possiblidade de erro não está excluída … exclui a probabilidade (o medo, literalmente), mas não a possiblidade de erro…”

Ludovicus Lercher, S.J.: “Este assentimento religioso não é, objetivamente falando, certo. Isso se baseia no fato de que a possibilidade do erro não está excluída, assim como a possibilidade de ser reconhecido como tal (errôneo).” 

Merkelbach, O.P.: “…enquanto a Igreja não ensina com autoridade infalível, a doutrina proposta não é em si irreformável…”

Christianus Pesch, S.J.; “… positivamente deve-se assentir aos decretos das congregações enquanto não ficar claro que elas erraram.” E mais adiante: “Tudo isso se aplica sem dificuldade aos decretos do Sumo Pontífice, que ele realiza sem sua autoridade suprema…”

Straub: “O erro pode, com efeito, estar subjacente.”

Lucien Choupin: “A decisão não estando garantida pela infalibilidade, a possibilidade do erro não está excluída…”
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Outro fato comprovativo desta possibilidade proveio da fundação do Instituto do Bom Pastor com a finalidade de crítica ao Vaticano II. Quem não acreditasse na possibilidade de erros em documentos não infalíveis, dificilmente concederia liberdade para criticá-los. Logo, a possibilidade de erros no Vaticano II é doutrina confirmada pelo Papa Bento XVI. 

Antes mesmo de se tornar Papa, o Cardeal Ratzinger havia sugerido essa possibilidade de erros em cartas trocadas com Dom Lefebvre:

“Aqui, como sobre as questões litúrgicas, é preciso notar que – em função dos diversos graus de autoridade dos textos conciliares – a crítica de algumas de suas expressões, feitas segundo as regras gerais de adesão ao Magistério, não está excluída”.

E conclui o Cardeal:

Não é exigido de V. Excia que renuncie à totalidade de suas críticas ao Concílio e à reforma litúrgica”.

Sob o beneplácito de João Paulo II, Ratzinger afirma existir diversos graus de autoridade nos documentos conciliares. Em decorrência desta realidade, admite o prelado a possibilidade de crítica a certas expressões destes documentos. Portanto, é uma autoridade da Igreja, confirmada pelo Papa, que nos garante ser lícito criticar o Vaticano II e a Missa Nova. E se existe a possibilidade de crítica é porque existe a possibilidade de erros.

Segundo as evidências provenientes da filosofia, da teologia e de atos concretos de Papas, tem-se claramente que a possibilidade de erros no Magistério falível é uma verdade perfeitamente aceitável.

Esta é uma pequena antecipação dos terríveis desastres “hermenêuticos” de um imprudente desafiador de blog.

Em breve, o artigo completo.

In Corde Jesu, semper

Eder Silva

O mais novo refém dos rebeldes sírios, é uma criança cristã de alguns meses.







A população Kessab era predominantemente cristã e está localizado perto da fronteira com a Turquia. A marcha dos islâmicos através da cidade deixou um rastro de sangue e destruição: igrejas devastadas, casas queimadas e mais de 2.000 pessoas deslocadas.

Atualmente, não se sabe se as centenas de cristãos Kessab que foram sequestrados estão mortos, mas os seqüestradores têm mostrado que um deles, de apenas alguns meses ainda vive.

A foto do bebê cercado por muçulmanos sunitas armados com rifles mirando em sua cabeça, tem sido exibido em redes sociais radicais, como espólio de guerra e um aviso contundente ao encolhimento comunidade cristã da Síria cada vez mais castigado pelos “inimigos” e ignorado pelo Ocidente.

FONTE

Cardeal hondurenho relata oposição a papa Francisco na Cúria Romana




O cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga afirma que papa Francisco tem enfrentado oposição em Roma por conta das reformas que se propôs a fazer em seu pontificado.
Segundo uma revista católica americana, Maradiaga relatou as críticas de setores conservadores em discurso para padres da Ordem dos Frades Menores, na Flórida, declarando que “Francisco está construindo um novo jeito de ser Igreja, mas o seu caminho –semelhante ao de São Francisco de Assis para reparar a Igreja no século 13– está encontrando dificuldades na Cúria Romana”.
“Temos que estar preparados, já que essa belíssima, mas estranha popularidade [de Francisco] está causando proselitismo, mas [temos que] igualmente encarar a oposição não somente na velha Cúria, mas também com qualquer um que não queira perder privilégios”, disse o cardeal, amigo próximo do pontífice.
Maradiaga afirmou que expressões como “o que quer esse pequeno argentino?” e “cometemos um erro” estão começando a ser escutadas em Roma. O cardeal foi encarregado por Francisco para ser o coordenador do Conselho dos Cardeais, que tem a missão de “estudar um projeto de reforma da Cúria”.
O discurso foi realizado no dia 8 de abril e divulgado agora pela revista “National Catholic Reporter”. Quem passou as informações para a publicação foi o padre americano Thomas Washburn, que é secretário-executivo da English Speaking Conference –entidade que representa os frades da Ordem nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Irlanda, Lituânia e Malta– e que foi um dos organizadores do evento.

O telefonema polêmico do Papa





Salve Maria!
Mais uma das manifestações de Francisco. Bons tempos em que só se via o papa na janelinha ou no alto da sédia gestatória. 
Que o Papa Francisco gosta de de telefonar, é fato. Que ele telefonou a esta patrícia argentina, também é fato. Se ele disse o que dizem que ele disse, é duvidoso…
Rezemos pelo Papa.


Na última quarta-feira, 23, surgiram boatos sobre o telefonema feito peloPapa Francisco a uma senhora argentina. Ele teria liberado a senhora para comungar, mesmo sendo casada civilmente com um homem divorciado, que já foi casado na Igreja.


Jaqueline Lisbona mora em San Lorenzo, Argentina. Nos últimos 10 anos, seu pároco não a permitiu comungar, visto que seu marido já foi casado na Igreja com a primeira mulher. Incomodada com a situação, em setembro Jaqueline enviou um email ao Papa e deixou seu número de telefone dizendo que se sentia como uma católica de segunda classe. O Papa Francisco lhe respondeu com uma ligação na última quarta-feira, 23. As notícias dos jornais diziam que ele, durante a ligação, disse que ela poderia retornar a receber a comunhão.

Gustavo Sylvestre, jornalista da Radio Del Plata, entrevistou Jaqueline e durante a entrevista ela descreveu como foi a conversa. O Papa perguntou se ela era cristã e ela disse que não era cristã praticante. Quando era jovem costumava ser mais empenhada na Igreja, mas com o tempo se afastou.

“Ele me disse que eu poderia voltar, ele me disse que eu deveria voltar. Bom, é o que vou fazer dentro de pouco tempo”, disse Jaqueline.

A resposta do Papa foi em relação ao seu afastamento da Igreja e não em relação a voltar a comungar. Jaqueline completou dizendo que ele confirmou que a Igreja está tratando deste assunto.

Com tanto rumor causado pelas mídias, o diretor da Sala de Imprensa doVaticano, Padre Federico Lombardi, deu uma declaração nesta manhã.

“Vários telefonemas são realizados pelo Papa Francisco no contexto das suas relações pastorais pessoais. Não se tratando de atividades públicas do Papa, não se pode esperar informações ou comentários da parte da Sala de Imprensa do Vaticano. O que foi difundido – sobre o boato da liberação para comungar feita pelo Papa à senhora argentina -, e a ampliação midiática consequente, não tem confirmação de confiança e é fonte de mau entendimento e confusão. Ou seja, não existem consequências em relação à doutrina da Igreja”, disse Padre Lombardi.

FSSPX – SOBRE AS CANONIZAÇÕES DE JOÃO XXIII E JOÃO PAULO II





Caros Amigos e Benfeitores,
Se a canonização de João XXIII e de João Paulo II se realizar no próximo dia 27 de abril trará um duplo problema à consciência dos católicos. Primeiramente, um problema da canonização enquanto tal: como seria possível dar a toda a Igreja como exemplo de santidade, por uma parte, o iniciador do Concílio Vaticano II e, por outra parte, o Papa de Assis e dos direitos do Homem? Mas também, e mais profundamente, um problema do que aparecerá como se fosse um reconhecimento de autenticidade católica sem precedentes: como seria possível garantir o selo de santidade aos ensinamentos de um Concílio que inspiraram todas as disposições de Karol Wojtyla e cujos frutos nefastos são o sinal inequívoco da autodestruição da Igreja? Esse segundo problema traz por si mesmo sua própria solução: os erros contidos nos documentos do Concílio Vaticano II e nas reformas que se seguiram, especialmente na reforma litúrgica, não podem ser obra do Espírito Santo, que é, simultaneamente, um Espírito de verdade e um Espírito de santidade. Eis porque nos parece necessário recordar quais são os principais erros e quais as razões fundamentais pelas quais não podemos assinar embaixo das novidades do Concílio e das reformas que  derivaram dele, assim como das canonizações, que parecem pretender, de fato, “canonizar” o Vaticano II.

Essa é a razão pela qual queremos protestar com força  essas canonizações, e ao mesmo tempo denunciar a obra que desnatura a Igreja desde o Concílio Vaticano II.Eis aqui os principais elementos:
I – O Concílio
“Enquanto o Concílio se preparava para ser uma nuvem luminosa no mundo de hoje caso se tivessem utilizado os textos pré-conciliares nos quais se encontrava uma profissão solene da doutrina segura sobre os problemas modernos, infelizmente podemos e devemos afirmar que, de uma maneira mais ou menos geral, quando o Concílio inovou,  abalou a certeza das verdades ensinadas pelo Magistério autêntico da Igreja que pertenciam de modo definitivo ao tesouro da Tradição.[…] Sobre esses pontos fundamentais, a doutrina tradicional era clara e ensinada de modo unânime nas universidades católicas.Porém, numerosos textos do Concílio sobre essas verdades permitem duvidar delas de agora em diante.[…] É preciso, então, coagidos pelos fatos, concluir que o Concílio favoreceu de um modo inconcebível a difusão dos erros liberais” [1].
II – Uma concepção ecumênica da Igreja.
A expressão “subsistit in” (Lumen gentium, 8) pretende afirmar que haveria uma presença e uma ação da Igreja de Cristo nas comunidades cristãs separadas; ação e presença distintas   de uma subsistência da Igreja de Cristo na Igreja católica.Tomada nesse sentido, a expressão nega a identidade estrita entre a Igreja de Cristo e a Igreja católica, ensinada desde sempre até aqui, especialmente por Pio XII em duas ocasiões, nas encíclicasMystici corporis[2] e Humani generis[3].A Igreja de Cristo está presente e atua enquanto tal, quer dizer, como a única arca de salvação, somente onde está o vigário de Cristo.O Corpo místico do qual ele é a cabeça visível é estritamente idêntico à Igreja católica romana.
A mesma declaração (LG 8) reconhece também a presença de “elementos salvíficos” nas comunidades cristãs não-católicas.O decreto sobre o ecumenismo agrega ao afirmar que “o Espírito Santo não se recusa empregar essas Igrejas e Comunidades separadas como meios de salvação, embora a virtude desses derive da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica” (UR 3).
Tais afirmações não são conciliáveis com o dogma de que “Fora da Igreja não há salvação”, reafirmado pela Carta do Santo Ofício de 8 de agosto de 1949. Uma comunidade separada não pode se prestar a instrumento da ação de Deus, uma vez que a sua separação é uma resistência ao Espírito Santo.As verdades e os sacramentos que eventualmente são conservados ali apenas podem produzir um efeito salutar  quando em oposição aos princípios errôneos que fundam a existência dessas comunidades e que causam sua separação do Corpo místico da Igreja católica, cuja cabeça visível é o vigário de Cristo.
A declaração Nostra aetate afirma que as religiões não cristãs “não raro refletem lampejos daquela Verdade que ilumina a todos os homens”, embora estes homens devam encontrar em Cristo “a plenitude de vida religiosa” e “considera com sincera atenção aqueles modos de agir e de viver, aqueles preceitos e doutrinas” (NA, 2). Tal afirmação cai sob a mesma reprovação da precedente.Enquanto estão dentro da heresia ou do cisma, os sacramentos, as verdades parciais da fé e a Escritura estão em um estado de separação com o Corpo místico.É essa a razão pela qual a seita que os utiliza não pode realizar, enquanto tal, a mediação da Igreja nem contribuir para a salvação, pois se encontra privada da graça sobrenatural.É preciso afirmar a mesma coisa acerca das maneiras de pensar, viver e agir, tais como se encontram nas religiões não cristãs.
Esses textos do Concílio favorecem a concepção latitudinarista da Igreja, condenada por Pio XI na encíclica Mortalium animos;bem como o indiferentismo religioso igualmente condenado por todos os papas, de Pio IX a Pio XII[4].Todas as iniciativas inspiradas pelo diálogo ecumênico e interreligioso, do qual a reunião de Assis de 1986 é o exemplo mais visível, não são mais do que a colocação em prática, “a ilustração visível, a lição das coisas e a catequese inteligível a todos” (segundo João Paulo II) desses ensinamentos conciliares.Mas elas exprimem também o indiferentismo denunciado por Pio XI, quando ele
reprovou a esperança “de que seria possível conduzir sem dificuldade os povos, apesar das suas divergências religiosas, a um entendimento fraterno sobre a profissão de certas doutrinas consideradas como um fundamento comum de vida espiritual.[…] Solidarizar-se com os partidários e propagandistas de semelhantes doutrinas é se afastar completamente da religião divinamente revelada” [5].
III – Uma concepção colegial e democrática da Igreja.
1. Depois de ter abalado a unidade da Igreja na sua fé, os textos do Concílio abalaram-na também no seu governo e na sua estrutura hierárquica.A expressão do “subjectum quoque” (LG 22) quer dizer que o colégio dos bispos unido ao papa como ao seu chefe é também, além do papa sozinho, o sujeito habitual e permanente do poder supremo e universal da jurisdição na Igreja.É a porta aberta para uma diminuição do poder do Sumo Pontífice, em outras palavras, a pô-lo em dúvida, com o detrimento de colocar em perigo a unidade da Igreja.
Esta idéia de um duplo sujeito permanente do primado é, de fato, contrária ao ensino e à prática do magistério da Igreja, especialmente à constituição Pastor aeternus do Concílio Vaticano I (DS 3055) e à encíclica Satis cognitum de Leão XIII.Pois somente o papa possui de modo habitual e constante o poder supremo, que ele comunica apenas em circunstâncias extraordinárias aos concílios, na medida que considera oportuno.
2. A expressão do “sacerdócio comum” próprio aos batizados, distinta do “sacerdócio ministerial” (LG 10), não expressa com precisão que somente o segundo deve ser entendido no sentido verdadeiro e próprio do termo, ao passo que o primeiro se entende somente no sentido místico e espiritual.
Essa distinção foi afirmada claramente por Pio XII no Discurso de 2 de novembro de 1954. Ela está ausente dos textos do Concílio e abriu caminho para uma orientação democrática da Igreja, condenada por Pio VI na Bula Auctorem fidei (DS 2602). Essa tendência de fazer o povo participar do exercício do poder se encontra também na multiplicação de organismos de todos os tipos, em conformidade com o novo direito canônico (cânon 129 § 2). Ela perde de vista a distinção entre clérigos e leigos, embora esta seja de direito divino.
IV – Os falsos direitos naturais do homem.
A declaração Dignitatis humanae afirma a existência de um falso direito natural do homem em matéria religiosa. Até aqui, a Tradição da Igreja era unânime em reconhecer aos não católicos o direito natural de não ser constrangidos pelos poderes temporais em sua adesão (quanto à intenção no foro interno e ao exercício do catolicismo no foro externo) à única verdadeira religião e reconhecia, no máximo em algumas circunstâncias, uma certa tolerância no exercício das falsas religiões, quanto ao foro externo público. O Vaticano II reconhece, ainda, a todo homem o direito natural de não ser impedido pelos poderes civis de exercer no foro externo público uma religião falsa e pretende reconhecer, como um direito positivo, esse direito natural de isenção a qualquer coerção por parte das autoridades da sociedade.Os únicos limites jurídicos a esse direito seriam aqueles de ordem puramente temporal e profana da sociedade.O Concílio torna, assim, uma obrigação aos governos temporais de não fazer mais distinções por motivos religiosos e de estabelecer a igualdade jurídica entre a verdadeira religião e as falsas.
Esta nova doutrina social está em oposição com os ensinamentos de Gregório XVI na encíclica Mirari vos e de Pio IX na Quanta cura.Ela se baseia em uma falsa concepção de dignidade humana, puramente ontológica, e não mais moral.Em conseqüência, a constituição Gaudium et spes ensina o princípio da autonomia do temporal (GS 36), em outras palavras, a negação da realeza social de Cristo, embora tenha sido ensinada por Pio XI na encíclica Quas primas, e finalmente abre alas à independência da sociedade temporal em relação aos mandamentos de Deus.
V – A protestantização da missa.
O novo rito da missa “se afasta de maneira surpreendente, tanto em seu todo como nos detalhes” [6] da definição católica da Missa, tal como resulta dos ensinamentos do Concílio de Trento.Por suas omissões e equívocos, o novo rito de Paulo VI atenua a identificação da missa com o sacrifício da cruz, a tal ponto que a missa aparece ali muito mais como seu simples memorial do que como esse sacrifício.Esse rito reformado esconde também o papel do sacerdote em detrimento da  ação da comunidade dos fiéis.Ele diminui gravemente a expressão do fim propiciatório do sacrifício da missa, quer dizer, a expiação e a reparação do pecado.
Essas deficiências impedem de enxergar esse novo rito como legítimo.No interrogatório de 11-12 de janeiro de 1979, à questão colocada pela Congregação para a Doutrina da Fé:“O Sr. afirma que um fiel católico pode pensar e afirmar que um rito sacramental, em particular aquele da missa aprovada e promulgada pelo Sumo Pontífice, possa ser não conforme à fé católica ou favens haeresim?”, Dom Lefebvre respondeu:“Esse rito em si mesmo não professa a fé católica de uma maneira tão clara quanto o antigo Ordo missae e, consequentemente, ele pode favorecer a heresia.Mas eu não sei a quem atribui-lo, nem se o papa é responsável por isso.O que é assombroso é que um Ordo missae de sabor protestante, e portanto favens haeresim, possa ter sido difundido pela cúria romana” [7].Essas deficiências graves nos impedem de ver esse novo rito como legítimo, de o celebrar e de aconselhar a assiti-lo ou a participar dele ativamente.
VI – O novo Código, expressão das novidades conciliares.
Segundo as próprias palavras de João Paulo II, o novo Código de direito canônico de 1983 representa “um grande esforço de transferir para a linguagem canonística” [8] os ensinamentos do Concílio Vaticano II, compreendidos – e principalmente – os pontos gravemente falhos apontados até aqui. “Entre os elementos que
exprimem a verdadeira e autêntica imagem da Igreja”, explica ainda João Paulo II, “cumpre mencionar os seguintes:a doutrina que propõe a Igreja como Povo de Deus (cf. Const. Lumen gentium, 2), e a autoridade hierárquica como serviço (ibid. 3); a doutrina que, além disso, apresenta a Igreja como comunhão e que, por conseguinte, estabelece as relações que deve haver entre a Igreja particular e a Igreja universal, e entre a colegialidade e o primado; a doutrina, segundo a qual todos os membros do Povo de Deus participam, cada qual a seu modo, do tríplice múnus de Cristo:sacerdotal, profético e régio.A esta doutrina está unida também a que se refere aos deveres e direitos dos fiéis e expressamente dos leigos; enfim, o esforço que a Igreja deve consagrar ao ecumenismo”.
Esse novo direito acentua a falsa dimensão ecumênica da Igreja, permitindo receber os sacramentos da penitência, da eucaristia e da extrema-unção de ministros não católicos (cânon 844) e favorece a hospitalidade ecumênica autorizando os ministros católicos a dar o sacramento da eucaristia aos não católicos.O cânon 336 retoma e acentua a idéia de um duplo sujeito permanente do primado.Os cânones 204 § 1, 208, 212 § 3, 216 e 225 acentuam o equívoco do sacerdócio comum e a ideia correlativa do Povo de Deus.Enfim, fica esboçada também no novo Código uma definição defeituosa do matrimônio, que não mostra mais o objeto preciso do contrato matrimonial nem a hierarquia entre os seus fins. Longe de favorecer a família católica, essas novidades abrem uma brecha na moral matrimonial.
VII – Uma nova concepção do magistério
1. A constituição Dei Verbum afirma, faltando de precisão, que “a Igreja, no decorrer dos séculos, tende continuamente para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus” (DV 8). Essa imprecisão abre a porta ao erro da Tradição viva e evolutiva, condenada por São Pio X na Encíclica Pascendi e no Juramento antimodernista.Porque, segundo essa novidade, a Igreja poderia “tender para a plenitude da verdade divina” não só porque lhe daria uma expressão mais precisa, mas no sentido em que os dogmas propostos pela Igreja tomariam “um sentido diferente daquele que a Igreja compreendeu e ainda compreende” (Dei Filius, DS 3043).
2. O Discurso de Bento XVI, em 22 de dezembro de 2005, tentou justificar essa concepção evolutiva de uma Tradição viva e desculpar por isso mesmo o Concílio de uma ruptura na Tradição da Igreja.O Vaticano II quis “redefinir a relação da fé da Igreja com relação a certos elementos essenciais desse pensamento” e, para fazer isso, seus ensinamentos  “revisitaram ou igualmente corrigiram certas decisões históricas.Mas, nessa aparente descontinuidade, o Concílio manteve e aprofundou sua natureza [da Igreja] íntima e sua verdadeira identidade”, aquela “do único sujeito-Igreja, que o Senhor nos deu; é um sujeito que cresce no tempo e que se desenvolve, permanecendo sempre o mesmo, o único sujeito do Povo de Deus em marcha”.Essa explicação supõe que a unidade da fé da Igreja não repousa mais sobre um objeto (porque existe descontinuidade, pelo menos nos pontos indicados até aqui, entre o Vaticano II e a Tradição), mas sobre um sujeito, no sentido de que o ato de fé se define mais em função das pessoas que crêem do que em função das verdades cridas.Esse ato se torna principalmente a expressão de uma consciência coletiva, e não mais a adesão firme da inteligência ao depósito das verdades reveladas por Deus.
No entanto, Pio XII ensina na Humani generis que o magistério é a “regra próxima e universal da verdade em matéria de fé e de costumes”, verdade objetiva do depósito da fé, consignada como em suas fontes nas Sagradas Escrituras e na Tradição divina.E a constituição Dei Filius do Concílio Vaticano I ensina também que esse depósito não é “uma invenção filosófica que se poderia completar pelo gênio humano”, mas que ele foi “confiado à Esposa de Cristo para que ela guardasse santamente e declarasse infalivelmente” (DS 3020).
3. De modo manifesto, o discurso de abertura do Papa João XXIII (11 de outubro de 1962) e sua alocução dirigida ao Sacro Colégio em 23 de dezembro de 1962 atribuem ao Concílio Vaticano II uma intenção muito particular, que um tipo que se afirmava “pastoral”, em virtude do qual o magistério deveria “exprimir a fé da Igreja segundo os modos de busca e de formulação literário do pensamento moderno”.A encíclica Ecclesiam suam do Papa Paulo VI (6 de agosto de 1964) precisa ainda mais essa ideia dizendo que o magistério do Vaticano II visa “inserir a mensagem cristã na circulação do pensamento, da expressão, da cultura, dos costumes, das tendências da humanidade tal como ela vive e se move hoje em dia sobre a face da terra” (n° 70); em particular, o anúncio da verdade “não se apresentará armado da coerção exterior, mas pelos únicos caminhos legítimos da educação humana, da persuasão interior, da conversão ordinária, ela oferecerá seu dom de salvação, sempre no respeito da liberdade pessoal dos homens civilizados” (n° 77). A Constituição pastoral Gaudium et spes afirma que “o Concílio tem a intenção antes de tudo de distinguir sob essa luz aqueles valores que hoje são de máxima estimação, relacionando-os à sua fonte divina.Porque esses valores, enquanto procedem da inteligência do homem que lhe foi conferida por Deus, são muito bons. Mas por causa da corrupção do coração humano eles se afastam não raro da sua ordem devida e por isso precisam de purificação” (GS 11). Desses valores do mundo procedem as três grandes novidades introduzidas pelo Vaticano II:a liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo.
4. Nós nos apoiamos, então, sobre essa regra próxima e universal da verdade revelada que é o magistério de sempre para contestar as doutrinas novas que lhe são contrárias.Está bem aqui, de fato, o critério dado por são Vicente de Lérins:“O critério da verdade, e além disso o da infalibilidade do papa e da Igreja, é a sua conformidade à Tradição e ao depósito da fé. Quod ubique, quod semper. O que foi ensinado em todos os lugares e sempre, no espaço e no tempo” [9].Porém, a doutrina do Vaticano II sobre o ecumenismo, a colegialidade e a liberdade religiosa é uma doutrina nova, contrária à Tradição e ao direito público da Igreja, ele próprio baseado sobre princípios divinamente revelados e, enquanto tais, imutáveis.  
Nós concluímos daí que esse Concílio, tendo desejado propor essas novidades, está privado de valor magisterial vinculante, na mesma medida que os propõe.  Sua autoridade já é duvidosa em razão da nova intenção, que se diz

“pastoral”, indicada no parágrafo precedente.Além disso, ela aparece certamente como nula quanto aos pontos determinados em que se encontra em contradição com a Tradição (cf. acima, I a VII,1).


Fiéis ao ensinamento constante da Igreja, junto com nosso venerado fundador, Dom Marcel Lefebvre, e seguindo suas pegadas, nós não cessamos de denunciar o Concílio e seus textos mais importantes como uma das causas principais da crise que abala a  Igreja de cima a baixo, impregnando-a até às suas “próprias entranhas” e às suas “veias”, segundo a vigorosa expressão de São Pio X. Além disso, quanto mais trabalhamos nisso, mais vemos que se confirmam as análises já expostas com uma extraordinária clareza por Dom Lefebvre em 9 de setembro de 1965 na aula conciliar.Permitam-nos retomar suas próprias palavras acerca da Constituição conciliar sobre “a Igreja no mundo de hoje” (Gaudium et spes):

“Essa constituição não é nem pastoral, nem emana da Igreja católica:ela não oferece como alimento a verdade evangélica e apostólica aos homens e aos cristãos e, ainda por cima, a Igreja nunca falou assim.Não podemos escutar essa voz, porque ela não é a voz da Esposa de Cristo.A voz de Cristo, nosso Pastor, nós conhecemos.Esta, nós desconhecemos.A veste é a das ovelhas; a voz não é a do Pastor, mas pode ser do lobo. Eu disse” [10].Os cinqüenta anos decorridos depois dessa intervenção não fazem outra coisa senão confirmar essa análise.
Já em 7 de dezembro de 1968, apenas três anos depois do encerramento do Concílio, Paulo VI devia admitir:

“A Igreja se encontra em uma hora de inquietude, de autocrítica, diríamos até mesmo de autodestruição.” E em 29 de junho de 1972, ele reconhecia:“Por alguma fissura a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus:é a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietude, a confrontação.” Ele constatou, mas não fez nada.Ele continuou a reforma conciliar cujos promotores não duvidavam em comparar à Revolução liberal de 1789, na França, ou àquela comunista de 1917, na Rússia.
Nós não podemos ficar passivos, não podemos nos tornar cúmplices dessa autodestruição.É por isso que vos convidamos, caros amigos e benfeitores, a permanecer firmes na fé, e a não vos deixar perturbar por essas novidades de uma das mais aterradoras crises que a santa Igreja teve que atravessar.
Que a Paixão de Nosso Senhor e sua Ressurreição possam nos fortalecer na nossa fidelidade, no nosso amor indefectível a Deus, a Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, à santa Igreja, divina e humana, em uma esperança sem falha… in Te speravi non confundar in aeternum.

Que o Coração doloroso e imaculado de Maria se digne proteger a todos nós e que chegue logo o seu triunfo!
Winona, domingo de Ramos, 13 de abril de 2014


+Bernard Fellay


[1] Dom Lefebvre, “Carta de 20 de dezembro de 1966 ao Cardeal Ottaviani” in Acuso o Concílio, Ed. Saint-Gabriel, Martigny, 1976, p. 107-111.
[2] Pio XII, Encíclica Mystici corporis, 29 de junho 1943.
[3] Pio XII, Encíclica Humani generis, 12 de agosto de 1950.
[4] Sobre o indiferentismo e o latitudinarismo, vide as proposições condenadas do Syllabus, capítulo 3, n°15 à 18 : “Cada homem é livre de abraçar e de professar a religião que considerar verdadeira com a luz da razão. Os homens podem encontrar o caminho da salvação eterna e alcançar a salvação eterna no culto de qualquer religião. É preciso pelo menos esperar bem na salvação eterna daqueles que não vivem no seio da verdadeira Igreja de Cristo. O protestantismo não é mais do que uma forma diversa da mesma verdadeira religião cristã, forma na qual é possível ser agradável a Deus tão bem quanto dentro da Igreja católica”.
[5] Pio XI, Encíclica Mortalium animos, 6 de janeiro de 1928.
[6] Cardeais Ottaviani e Bacci, “Prefácio ao Papa Paulo VI” noBreve exame crítico do Novo Ordo Missae.
[7] “Mgr Lefebvre et le Saint-Office”, Itinéraires n° 233 de maio de 1979, p. 146-147.
[8] João Paulo II, Constituição apostólica Sacrae disciplinae leges,25 de janeiro de 1983.
[9] Dom Lefebvre, “Conclusão” in Acuso o Concílio, Ed. Saint-Gabriel, Martigny, 1976, p. 112.
[10] Dom Marcel Lefebvre, Acuso o Concílio, Ed. Saint Gabriel, 1976, p. 93.

Princípios de Estética na Música

 Salve Maria!
O vídeo acima é de grande importância para entendermos a questão da Música na vida do cristão católico.A música nunca é neutra: ou nos aproxima de Deus, ou nos coloca em sentido oposto, visto que em tudo, mas também na música deve – se deve buscar o Bom, o Belo e o Verdadeiro. Aqui é colocado de forma precisa questões importantíssimas em relação ao romantismo que invadiu a Igreja e que teve repercussão nas péssimas músicas cantadas hoje na Liturgia, quer por “bandinhas” ditas católicas, quer por movimentos inovadores. É a partir do romantismo musical  que a alma, passo a passo vai se inclinando ao sentimentalismo, ao abstrato, ao não-real, aproximando-se mais e mais do protestantismo e gnosticismo. Vale a pena assistir e, assim, fugir de tudo isso , para se permanecer católico.

Os preparativos para a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma, em 2017





Cidade do Vaticano (RV) – Em 2017, luteranos e católicos vão celebrar juntos os quinhentos anos da Reforma Protestante e recordar com alegria os cinquenta anos de diálogo ecumênico oficial conduzido a nível mundial, na esteira do Concílio Vaticano II.
A Comissão Internacional de Diálogo Luterano-católica pela Unidade, já há alguns anos organizou uma programação com vistas a uma possível declaração comum por ocasião do ano da comemoração da Reforma, em 2017. Nos últimos ciquenta anos, o diálogo ecumênico realizou grandes esforços buscando relacionar a teologia dos reformadores às decisões do Concílio de Trento e do Vaticano II, avaliando se as respectivas posições se excluem ou se completam mutuamente.
Em 2013, a Comissão de diálogo publicou o documento intitulado ‘From Conflict to Communion. Lutheran Catholic Commom Commemoration of the Reformation in 2017’, onde após uma detalhada introdução sobre as comemorações comuns, dedica dois capítulos à apresentação dos eventos da Reforma, resume a teologia de Martin Lutero e ilustra as resoluções do Concílio de Trento. A conclusão do documento apresenta um resumo das principais decisões comuns da Comissão de Diálogo Luterano-católico em 1967, particularmente sobre a justificação, a Eucaristia, as Escrituras e a Tradição.
O documento sobre os preparativos às comemorações, foi apresentado em 17 de junho de 2013 durante uma coletiva de imprensa realizada do Centro Ecumênico de Genebra, e contou com a presença, entre outros, do Presidente e Secretário da Federação Luterana Mundial (FLM), de Dom Munib Youan e do Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
Lançando uma nova luz sobre questões centrais da fé, o documento ecumênico possibilita a superação das controvérsias dos séculos passados e lança bases para uma reflexão ecumênica que se distinga do pensamento dos séculos precedentes, convidando assim os cristãos a considerar esta relação com espírito aberto, mas também crítico, para se avançar ainda mais no caminho da plena e visível unidade da Igreja.
Na primeira metade de 2014 deverá ser publicado o documento “Alegria partilhada pelo Evangelho, confissão dos pecados cometidos contra a unidade e testemunho comum para no mundo de hoje”, com textos e subsídios para uma oração ecumênica comum. Os textos foram preparados por um grupo de trabalho litúrgico formado por representantes da FLM e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade.
Em 2017, o contexto histórico em que se recordará os 500 anos da Reforma é muito diferente do período em que ela foi implementada. A comemoração será realizada, pela primeira vez, numa época ecumênica. Assim, católicos e luteranos não pretendem festejar a divisão da Igreja, mas sim, trazer à memória o pensamento teológico e os acontecimentos relacionados à Reforma, precisamente o que escreve o Documento ‘Do conflito à Comunhão’, publicado em 2013.
O caminhar da história, tem levado luteranos e católicos a tornarem-se sempre mais conscientes de que a origem de acusações recíprocas não subsiste mais, mesmo que ainda não exista um consenso em todas as questões teológicas. Neste sentido, o documento “Do Conflito a Comunhão” conclui propondo cinco imperativos que exortam católicos e luteranos a prosseguirem no caminho em direção a uma profunda comunhão.
Diversos encontros realizados em 2013 marcaram esforços comuns com o objetivo de estreitar o diálogo, com reuniões entre o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Conferência dos Bispos veterocatólicos da União de Ultrecht, realizadas em Konigswinter, em julho de 2013 e em Paderbon, em dezembro. As Comissões de ambas as partes continuam os trabalhos sobre os temas: a relação entre a Igreja universal e a Igreja local e o papel do ministério petrino; e a comunhão eucarística.
Em fevereiro do mesmo ano, realizou-se em Viena o primeiro encontro entre a Comunidade das Igrejas Protestantes na Europa e o Pontifício Conselho, o que levou a reflexões sobre o conceito de Igreja e definições do objetivo ecumênico. Encontros sucessivos realizaram-se em Heidelberg e Ludwigshaf

en am Rhein, com a participação sete teólogos de ambas as partes.
Em 2013, diversas delegações luteranos encontraram-se com o Papa Francisco. Em 2014, uma delegação do Conselho da Igreja Protestante da Alemanha foi recebida em 8 de abril pelo Papa Francisco, encontrando-se sucessivamente com o Cardeal Koch. (JE)

FONTE

FÁTIMA E A MAÇONARIA





Por  Len Port


«Aldo Moro, historiador maçónico bastante rigoroso, sugere a iniciação de Paulo VI na Maçonaria. O mesmo corrobora o padre Malachi Martín no seu romance, Vatican [Editora Secker e Warburg], publicado em Nova Iorque em 1986, em que acusa Paulo VI de pertencer a uma loja secreta. Também encontramos referências semelhantes no livro All’ombra del Papa Inferno [2001], no qual é mencionada a existência de dois grupos muito diferentes no Vaticano: por um lado, o grupo “maçónico-curial”, formado pelos prelados e pelos membros da Cúria afectos à Maçonaria e, por outro, os sacerdotes que pertencem ao Opus Dei. Ambos os grupos se movimentam numa luta permanente pelo poder no Vaticano. O referido livro faz referência à existência de uma organização chamada Loggia Ecclesia, que estaria activa no Vaticano desde 1971 e da qual fariam parte mais de cem pessoas, cardeais, prelados e monsenhores da Cúria. O livro pormenoriza inclusivamente que as reuniões se realizavam nas noites de quinta-feira, num sotão do Arquivo Secreto do Vaticano, e insinua que o cardeal Samore era o responsável por manter um contacto aberto com o Grão-Mestre da Grande Loja Unida de Inglaterra, o duque de Kent.

Em 1976 aparece uma lista [publicada pela
 Publia Gazette e pelo Bulletin de l’Occident Chrétien, de origem francesa, lista que Ricardo de la Cierva reproduz no seu livro La Masoneria Invisible, Editora Fénix, 2002] dos prelados que pertenciam à citada loja secreta do Vaticano. Perante esta situação, o cardeal Siri encarregou o general Mino de investigar a Cúria e a eventual infiltração da Maçonaria no Vaticano. O general Mino nunca chegou a entregar o resultado da sua investigação, porque morreu num estranho acidente rodoviário em 1977.

A citada lista que o grupo
 Cephas Ministry publica na Internet inclui os seguintes nomes:

BISPOS: Alberto Albondi, bispo de Livorno; Fiorenzo Angelini; Salvatore Baldassarri, bispo de Ravena; Luigi Bettazzi, bispo de Ivera; Gaetano Bonicelli, bispo de Albano; Michele Buro; Mario Ciarrocchi; Donate de Bous; Aldo Del Monte, bispo de Novara; Angelinin Fiorenzo; Antonio Mazza, bispo de Velia; Luigi Maverna, bispo de Chiavari; Marcello Morgante, bispo de Ascoli Oiceno; Francesco Salerno; Mario Schierano, bispo de Acrida e Dino Trabalzini, bispo de Rieti.


ARCEBISPOS: Mario Brini; Annibale Bugnini; Enzio D’Antonio; Alessandro Gottardi; Albino Mensa; Aurelio Sabbatini; Mario Giuseppe Sensi; Antonio Travia e Lino Zanini.


CARDEAIS: Augustin Bea; Sebastiano Baggio; Agostino Casaroli; Achille Liénart; Pasquale Macchi; Salvatore Pappalardo; Michele Pellegrino; Ugo Peletti; Leo Suenens e Jean Villot.


PRELADOS, NÚNCIOS E OUTROS: Ernesto Basadonna, prelado de Milão; Mario Bicarella, prelado de Vicenza; Luigi Dadagio, núncio do Papa em Espanha; Pio Laghi, núncio apostólico delegado na Argentina; Virgillio Levi, de
 L’Osservatore Romano; Paul Marcinkus; Dante Pasquinelli, conselheiro do núncio de Madrid; Roberto Tucci, director da Rádio Vaticano.

Actualmente alguns já faleceram e outros já não ocupam os cargos que constavam na lista da época. A lista publicada na Internet ascende a cento e dezasseis membros da cúria.

João Paulo I passou pelo Vaticano tão fugazmente como um meteorito. Foi eleito pela sua honestidade e pela sua sinceridade, era um homem coerente e franco, mas os seus detractores viam nele um populista que nunca entenderia os assuntos políticos da Santa Sé.


Era um homem de grande humildade, a tal ponto que não queria que os guardas suiços do Vaticano se ajoelhassem à sua passagem. Assim que tomou posse do trono do Vaticano iniciou algumas inovações teológicas que produziram profunda preocupação entre o clero conservador, que não estava disposto a tolerar mudanças relevantes. João Paulo I era partidário do controlo artificial da natalidade, pois estava consciente dos milhares de crianças que morriam de fome por esse mundo fora. Mas também – e isso originou ainda mais preocupação – se mostrou disposto a efectuar uma limpeza no Vaticano, visando especialmente os movimentos especulativos e financeiros. Provavelmente o seu erro foi antecipar-se aos factos, ao anunciar que algumas cabeças iriam rolar. Na lista figurava o cardeal secretário de Estado J. Villot, de quem se suspeitava pertencer à loja maçónica do Vaticano conhecida por
 Ecclesia. Outra cabeça que poderia rolar era a do bispo Marcinkus, devido às suas relações com os banqueiros da loja Propaganda Due, Calvi e Sidona. Também figurava entre os “sujos” o bispo Chicago, monsenhor Cody, que esbanjava os fundos da sua igreja com uma amiga que até o acompanhou a Roma, quando foi nomeado cardeal.

Com as suas novas ideias teológicas, e decidido à “limpeza” dos corruptos no Vaticano, João Paulo I assinou a sua sentença de morte.


Por volta de 23 de Setembro, o Papa possuía já bastante informação sobre as manobras financeiras do Vaticano. Inclusivamente, dispunha de referências sobre outra obscura personagem que se movia nas finanças do Vaticano, monsenhor Pavel Hnilica.


Este, fudador do
 Pro Fratibus, foi o responsável por tentar recuperar a mala que Roberto Calvi levava consigo antes de ser assassinado em Londres. Hnilica estava disposto a pagar milhões por aquela mala, onde supostamente Calvi levava informação valiosa e comprometedora.




O dia 28 de Setembro de 1978 foi o último dia da vida de João Paulo I. Aquele dia, tal como os outros, teve início com uma oração na sua capela privada, um pequeno-almoço frugal, enquanto ouvia as notícias da RAI e procedia ao habitual contacto com os seus secretários, John Magee e Diego Lorenzi. Depois seguiram-se as audiências com o cardeal Bernardin Ganti e o padre Riedmatten. Mais tarde almoçou com os cardeais Jean Villot e os padres Lorenzi e Magee. A seguir ao almoço passeou pelos jardins do Vaticano. Passou a tarde a estudar documentos e teve uma longa conversa com o cardeal Jean Villot, telefonou aos cardeais Giovanni Colombo, arcebispo de Milão e Benelli. Depois, como era seu costume, por volta das oito da noite, retirou-se para rezar o rosário na compnahia de duas freiras e dos seus dois secretários. O jantar foi uma sopa de peixe, feijão-verde, queijo fresco e fruta. Seguidamente voltou a ver os noticiários na televisão. E, finalmente, retirou-se para o seu quarto, morrendo cerca das quatro horas da madrugada.

A sua morte foi encoberta desde o início com infindáveis mentiras e explicações confusas. O Vaticano disse que João Paulo I tinha morrido na cama, lendo
 A Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis, uma das obras da literatura cristã mais divulgadas depois da Bíblia, no qual o autor apresenta a vida de Cristo como exemplo. No entanto, mais tarde presumiu-se que aquela versão não seria verdadeira. A madre Vicenza encontrou-o morto no seu escritório, supostamente enquanto examinava um documento secreto enviado pela Secretaria de Estado. E, se era verdade que na sua mesa-de-cabeceira tinha o livro A Imitação de Cristo, o facto é que a causa da morte de João Paulo I não foi esclarecida e o testamento que tinha redigido após a sua nomeação também desaparecera. O seu irmão, Eduardo, de setenta e quatro anos, tinha-o visitado três dias antes da sua morte e explicou: “Nunca nos tínhamos beijado nem abraçado, mas naquela tarde ele quis beijar-me e abraçar-me com força. Perguntei-lhe se estava bem e ele respondeu-me que sim. Mas parti com um estranho pressentimento”. Eduardo conta que no decorrer da conversa que teve com o irmão este terá desabafado: “Até os bancos fundados pelos católicos, que deveriam dispor de gente de confiança, se apoiam em pessoas que de católicos nem o nome têm”.

O abade Ducaud-Bourget diria acerca da morte de João Paulo I: “Com tantas criaturas do diabo a habitar no Vaticano, torna-se difícil acreditar que se tratou de uma morte natural”. David A. Yallop investigou esta morte a fundo e recordou numa entrevista que nenhum médico da Cúria assumiu a responsabilidade de confirmar a sua morte, assinando a certidão de óbito. O seu médico de sempre, o doutor Antonio Da Ros, recusou a hipótese de o Papa sofrer do coração.


Mas estas não foram as únicas contradições suscitadas pela morte de João Paulo I. No seu livro La Santa Allianza, Eric Frattini explica que o termo do café que soror Vicenza levava todas as manhãs ao Pontífice estava intacto quando se descobriu o cadáver, tendo desaparecido depois sem deixar rasto. Também tinham sido substituídos os homens responsáveis pela vigilância habitual do Papa, sem qualquer explicação sobre quem havia dado tal ordem. Hans Roggan, oficial da guarda Suíça, afirmou mais tarde que, no momento em que informou Paul Marcinkus sobre a morte do Pontífice, este não mostrou qualquer admiração. Também ocorreram outros indícios suspeitos, como afirmarem que não tinha havido qualquer autópsia, quando na realidade foram feitas três. Os resultados das referidas autópsias nunca foram tornados públicos.

Relembremos finalmente que foi o padre Giovanni da Nicola quem informou o Sumo Pontífice dos desvios financeiros de Paul Marcinkus e dos seus sócios, através do IOR. Quatro dias depois da morte de João Paulo I, Giovanni da Nicola apareceu enforcado num parque de Roma muito frequentado por travestis e prostitutas. Havia vestígios de luta e tinha o pescoço rasgado, mas a polícia italiana encerrou o caso considerando-o suicídio. O homem que além de Papa mais sabia sobre os segredos do IOR e sobre Paul Marcinckus também tinha sido assassinado.

Para averiguar as causas da morte do Papa João Paulo I foi criada uma comissão de cardeais, dirigida por Silvio Oddi e Antonio Samore. A investigação concluiu que se tratou de “morte natural por enfarte”, mas ainda ficavam muitas perguntas sem resposta e demasiados assuntos sem esclarecimento. A pasta da investigação foi classificada como “segredo pontifício”, tal como ordenou João Paulo II, e foi arquivada numa obscura estante do Arquivo Secreto do Vaticano».
(…) Tendo enfrentado o tema com tanto atraso, depois de cinco papas seguidos terem de certa forma achado que era demasiado escaldante, o Vaticano deve ter pensado que a transferência de Lúcia para o seu local final de repouso poria fim à discussão do Terceiro Segredo. Não foi o que aconteceu. As teorias da conspiração continuam a lavrar. Uma chuva de artigos sensacionalistas, em orgãos de imprensa, blogues e livros fez como que muitos católicos médios se interrogassem também sobre se não haverá mais no Terceiro Segredo que a Igreja não tenha revelado.

Se mais havia, Lúcia levou o segredo para a tumba. Ou não terá levado?


Muito foi dito com base num artigo de um jornal italiano em que o jornalista Vitttorio Messori afirmava que a cela do convento de Lúcia tinha sido selada imediatamente após a sua morte por ordem do cardeal Ratzinger.



“O que lá estiver guardado passará agora pelo crivo de teólogos de confiança e monsenhores enviados, ao que se pensa, pelo próprio cardeal Ratzinger que, como guardião da ortodoxia, deve manter secretas quaisquer tentações da vidente que sempre aparecem nestes casos”, escreveu Vittorio Messori no Corriere della Sera. Estava implícito que Lúcia podia ter deixado escondidos documentos reveladores – talvez diários ou cartas – que podiam embaraçar o Vaticano. Na verdade, diz-se que havia muitos documentos relevantes em português que nunca foram traduzidos nem publicados. O padre Jacinto Farias, dirigente de um painel de investigadores chamado Comissão Científica do Congresso de Fátima, apressou-se a afirmar que os escritos da “Irmã Lúcia não revelariam novos detalhes sobre as apariç] ]>

Como os anjos compuseram o “Regina Coeli”:

Era o ano 590, em Roma. Já devastada por um transbordamento do Tibre, que havia alagado a cidade reduzindo-a à fome, irrompeu uma terrível peste.
Para aplacar a cólera divina, o Papa S. Gregório Magno ordenou uma litania septiforme.
Isto é, uma procissão geral do clero e da população romana, formada por sete cortejos que confluíram para a Basílica Vaticana.
Enquanto a grande multidão caminhava pela cidade, a pestilência chegou a um tal furor, que no breve espaço de uma hora oitenta pessoas caíram mortas ao chão.
Mas S. Gregório não cessou um instante de exortar o povo para que continuasse a rezar, e que diante do cortejo fosse levado o quadro da Virgem que chora, do Ara Coeli, pintado pelo evangelista S. Lucas.
Fato maravilhoso: à medida que a imagem avançava, a área se tornava mais sã e limpa à sua passagem, e os miasmas da peste se dissolviam.
Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”, ao qual S. Gregório respondeu: “Ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nasceu o Regina Coeli.
Após o canto, os anjos se colocaram em círculo em torno do quadro. São Gregório Magno, erguendo os olhos, viu sobre o alto do castelo um anjo exterminador que, após enxugar a espada, da qual escorria sangue, colocou-a na bainha, como sinal do cessamento do castigo.
Como recordação, o castelo ficou conhecido com o nome de Sant’Angelo. Em sua mais alta torre foi posta a célebre imagem de São Miguel, o anjo exterminador.
(Fonte: “Lepanto”, Roma, set/out 83)