O manifesto dos cardeais e a resposta de Kasper



Nunca tinha acontecido de um Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em exercício, publicasse dois livros, em poucas semanas, para declarar inadmissível qualquer mudança na postura da Igreja a respeito do tema que será discutido em uma reunião sinodal. Foi assim que agiu o cardeal Gerhard Ludwig Müller, que desde 2012 guia o ex-Santo Ofício: em julho ofereceu à impressa um livro-entrevista, no qual se declarava contrário a qualquer abertura em relação à comunhão aos divorciados em segunda união (“A esperança da família”, edições Ares), e agora seu nome é o mais destacado entre os que assinam um volume coletivo que se intitula “Permanecer na verdade de Cristo” (que já foi publicado nos Estados Unidos e que acaba de ser impresso na Itália), cujo conteúdo foi divulgado, ontem, pelo jornal italiano “Corriere della Sera”.
A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 18-09-2014. A tradução é do Cepat.
Os demais autores são outros quatro purpurados: Carlo Caffara, arcebispo de Bolonha, Raymond Leo Burke, Prefeito da Signatura Apostólica, e os eméritos Walter Brandmüller e Velasio De Paolis. Além disso, também colaboram o arcebispo Cyril Vasil, Secretário da Congregação para as Igrejas Orientais, e outros especialistas. Nos dois volumes, o tema central é a participação dos divorciados, que vivem em segunda união, na Eucaristia, algo que consideram inadmissível.
A inédita operação midiática (a que se somam também, na mesma sintonia, um texto do cardeal Angelo Scola e um livro que está para ser publicado do cardeal australiano George Pell, “ministro” de Economia vaticano) foi apresentada como uma resposta às aberturas que o cardeal Walter Kasper apresentou como uma hipótese, em fevereiro deste ano. A ele Francisco havia encomendado a relação introdutória do Consistório. Diante de todos os cardeais, Kasper falou sobre o tema da família e, na última parte de seu articulado discurso, apresentou a possibilidade (caso por caso, em determinadas circunstâncias e após uma caminhada penitencial) de se voltar a admitir a comunhão aos divorciados em segunda união. O discurso causou muitas reações entre os cardeais e, no dia seguinte, tomando a palavra, Francisco o elogiou, dizendo que considerava que Kasper fazia “teologia de joelhos” e que em seu discurso havia encontrado “o amor da Igreja”. Durante os meses seguintes, após a publicação daquele texto, multiplicaram-se as entrevistas e as declarações. As posturas se polarizaram, o confronto e o enfrentamento se deram na arena dos meios de comunicação, assim como aconteceu durante o Concílio Vaticano II.
Francisco, que considera decisiva a mensagem da misericórdia, continua convidando a Igreja para que saia de si mesma e vá ao encontro dos homens e das mulheres nas condições em que vivem. Quis que ocorressem dois Sínodos sobre o tema da família: o primeiro, extraordinário, acontecerá entre os dias 5 e 19 de outubro deste ano. O trabalho continuará depois, envolvendo as Igrejas locais e, em outubro de 2015, um novo Sínodo (ordinário) se ocupará das conclusões.
Entrevista com o cardeal Walter Kasper.
Em fevereiro, o senhor falou a respeito do Sínodo, diante dos cardeais, e apresentou uma hipótese sobre a possibilidade da comunhão aos divorciados em segunda união. Em que consiste?
Não propus uma solução definitiva, mas, sim – após me colocar em concordância com o Papa -, fiz algumas perguntas e ofereci considerações para possíveis respostas. Este é o argumento principal: o sacramento do matrimônio é uma graça de Deus, que converte o casal em um sinal de sua graça e de seu amor definitivo. Inclusive, um cristão pode fracassar e, infelizmente, hoje muitos cristãos fracassam. Deus, em sua fidelidade, não deixa ninguém cair e, em sua misericórdia, oferece aos que desejam se converter uma nova oportunidade. Portanto, a Igreja, que é o sacramento, ou seja, o sinal e o instrumento da misericórdia de Deus, deve estar próxima, ajudar, aconselhar, animar.
Um cristão nesta situação tem uma necessidade particular da graça dos sacramentos. Não é possível conceder segundas núpcias, mas, sim – como diziam os Padres da Igreja -, após o naufrágio, uma barca para sobreviver. Não um segundo matrimônio sacramental, mas os meios sacramentais necessários em sua situação. Não se trata de uma solução para todos os casos, que são muito diferentes, mas para aqueles que fazem tudo o que está ao alcance em suas situações.
O senhor colocou em dúvida a indissolubilidade do matrimônio cristão?
A doutrina da indissolubilidade do matrimônio sacramental se baseia na mensagem de Jesus. A Igreja não tem poder para mudá-la. Este ponto não muda. Um segundo matrimônio sacramental, enquanto alguém do casal continua vivo, não é possível. Entretanto, é preciso diferenciar a doutrina da disciplina, ou seja, a aplicação pastoral em situações complexas. Além disso, a doutrina da Igreja não é um sistema fechado: o Concílio Vaticano II ensina que há um desenvolvimento, no sentido de um possível aprofundamento. Pergunto-me se é possível, neste caso, realizar um aprofundamento semelhante ao que se deu na eclesiologia: ainda que a Igreja católica seja a verdadeira Igreja de Cristo, também há elementos de eclesialidade para além das fronteiras institucionais da própria Igreja católica. Em certos casos, também não seria possível reconhecer em um matrimônio civil alguns elementos do matrimônio sacramental? Por exemplo, o compromisso definitivo, o amor e o cuidado recíproco, a vida cristã, o compromisso público, que não existem nas uniões de fato.
Qual é o seu parecer a respeito deste novo livro, com contribuições de cinco cardeais, incluindo o Prefeito Müller?
Surpreendeu-me. Fiquei sabendo, hoje, pelos jornalistas. O texto foi enviado para eles e não para mim. Em toda a minha vida acadêmica, nunca me aconteceu nada parecido.
Na história recente da Igreja, já aconteceu de alguns cardeais intervirem desta forma organizada e pública, antes de um Sínodo?
Durante o Concílio Vaticano II e no pós-concílio, existiam as resistências de algu

ns cardeais frente a Paulo VI, inclusive por parte do então Prefeito do Santo Ofício. Porém, se não me engano, não com esta modalidade organizada e pública. Se os cardeais, que são os colaboradores mais próximos do Papa, intervêm desta maneira (pelo menos em relação à história recente da Igreja), encontramo-nos frente a uma situação inédita.

O que o senhor espera que aconteça durante as próximas semanas, no debate sinodal?
Espero que possamos ter uma troca de experiências sincera e tranquila, de argumentos, em um ambiente de escuta. Não respostas pré-fabricadas, mas, sim, esclarecimentos sobre o “status quaestionis”, e depois haverá um ano todo para a discussão em nível local, antes das decisões de 2015.
O senhor considera que o Papa Francisco fala muito sobre misericórdia?
Como é possível falar muito de um tema que é fundamental no Antigo Testamento? Claro, a misericórdia não contradiz a doutrina, porque é em si mesma uma verdade revelada, e não cancela os mandamentos do Senhor; mas é uma chave hermenêutica para sua interpretação. O Papa João XXIII, na abertura do Concílio, disse: “Hoje, a Igreja deve usar não as armas da severidade, mas, sim, a medicina da misericórdia”. A misericórdia é, pois, o tema central da época conciliar e pós-conciliar da Igreja católica.

' POBRES FIÉIS CATÓLICOS…"



Dom Antonio Carlos Rossi Keller





Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas… Submetidos tantas vezes às arbitrariedades de uma pseudo liturgia pautada por distorções, abusos, ridículas inserções de palmas, agitação de folhetos, danças, símbolos e mais símbolos que não simbolizam nada.

 Quanto abuso! Quanta arbitrariedade! Quanta falta de respeito não só para com Aquele para quem deveria dirigir-se a celebração, mas também para com os pobres fiéis que são obrigados a engolir esdrúxulas situações falsamente chamadas de ” inculturação liturgica”, mas que na verdade revelam falta de fé ou a ignorância das mais elementares verdades da fé em relação à Eucaristia, à Presença Real e outras.

 Pobres fiéis guiados por alguns pastores que arrotam slogans fundados em um palavreado eivado de conceitos atribuídos ao malfadado “espírito do Concílio” que na verdade, de conciliar nada tem…

 Tal espírito passa longe daquilo que a Igreja de Cristo é e pretendeu favorecer com a reforma litúrgica. Pobres fiéis, forçados a ter de engolir o que destrói a fé, o que na prática nega a centralidade do Mistério de Cristo, poluindo-o com a tentativa de desfocar este Mistério através da inserção de conceitos ideologizados sobre Deus, o homem, a criação e tantas outras realidades.

A “nobre simplicidade” apregoada pelo Concílio transformou-se em desculpa para um “pobretismo” litúrgico que se expressa em despojamento do elementar, em relaxo, sujeira, descaso e outros defeitos. Dá-se à Liturgia, portanto a Deus, o que há de pior: no mínimo, o que é de gosto duvidoso. Chegamos ao tempo em que quem obedece as Normas Liturgicas é acusado de rubricista.

 Ai de quem ousar usar os paramentos prescritos pela legislação litúrgica vigente. No mínimo será caracterizado como “romano”, o que na visão de muitos é considerado como uma ofensa. 

E quem celebrar usando com fidelidade os livros litúrgicos, “dizendo o que está em letras pretas e fazendo o que está em letras vermelhas” será execrado pelos apregoadores do “autêntico espírito do Concílio”. Sinceramente, é preciso muita, mas muita fé mesmo para não deixar de acreditar que ‘as portas do inferno não prevalecerão’, como nos ensina Nosso Senhor.”


Dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen.

Bento XVI tinha razão sobre os muçulmanos



Na noite de 12 de setembro de 2006, minha esposa e eu estávamos jantando em Cracóvia com amigos poloneses quando um agitado vaticanista italiano (me perdoem pela redundância nos adjetivos) me ligou querendo saber o que eu achava “do louco discurso do papa sobre os muçulmanos”. Aquele foi, para mim, o primeiro indício de que o rebanho da imprensa mundial estava prestes a bombardear o que Bento XVI tinha dito em Regensburg; uma suposta “gafe” que os meios de comunicação continuariam a trazer à tona o tempo todo, até o final daquele pontificado.

PADRES VISITAM O ' TEMPLO DE SALOMÃO" e Encontram-se com " Caifás"






Neste sábado (30) pela manhã, o Templo de Salomão  recebeu ministros e dirigentes de outras Igrejas em uma reunião multidenominacional. Visitantes de várias cidades brasileiras encheram o salão principal para ouvir o bispo Edir Macedo em uma reconvocação para ministrar a Palavra de Deus. “Você não sairá daqui a mesma pessoa”, disse o bispo.

O respeito a Deus era o clima

 ainda antes de a reunião começar. Os representantes de outras denominações já chegavam à Esplanada respeitosamente, ao mesmo tempo em que não escondiam a curiosidade em conhecer o Templo. “Estava curioso por vir aqui, e foi um privilégio receber este convite. Como em Israel o Templo não existe mais fisicamente e só ouvimos falar dele na Bíblia, agora podemos ver com nossos próprios olhos”, disse o padre Cássio Fernando, da Capela do Espírito Santo, em Vinhedo, interior de São Paulo. Seu colega da mesma igreja, padre Paulo Correia, considerou “uma honra louvar a Deus na casa de outros irmãos que pregam e vivem a Palavra de Deus”. Ambos estavam acompanhados de outro padre, Joelson Rocha, para quem aquele era um “maravilhoso momento na presença de Deus” 

O caráter multidenominacional era bem evidente na Esplanada, em uma confraternização em torno da adoração que contrariava qualquer ideia costumeira de inimizade. Quem demonstrou gostar muito dessa presença de milhares de pessoas sem preconceitos foi o missionário Josenildo Adelino, pastor que compõe o Conselho Federal das Assembleias de Deus, que já participou de missões em todo o Mercosul e na Europa: “A Universal faz valer o seu nome com essa reunião, unificando aqui, hoje, todas as igrejas com o foco 
no serviço a Deus, que olha por todos nós.”

O restabelecimento do santuário

Mais pessoas chegavam quando a chamada final para a reunião soou pelo sistema de som, e os presentes entraram no Templo, onde assistiram a uma projeção que contou a história da adoração e da sujeição do povo a Deus desde os tempos de Abraão até o início da Universal. Depois, o bispo Macedo clamou a todos para que deixassem o Espírito Santo conduzir seus pensamentos em respeito, oração e reverência, não para contemplar a beleza do santuário físico no qual estavam, mas para restabelecer o santuário em suas vidas.

“Muitos hoje descem ao inferno, mas poucos são os preocupados em salvar suas almas, com uma fé comprometida com a justiça, a verdade, a disciplina, a palavra de honra, a vida realmente entregue no altar”, disse o bispo, lembrando que Israel prosperou e teve vida plena enquanto se voltava para Deus, mas caiu quando começou a prestar atenção somente às suas vontades.

O bispo explicou a todos também que as ofertas no altar não se resumem ao plano físico ou econômico. “Quando temos fé para dar, temos fé para receber. E falo em dar em todos os sentidos, em nossa real entrega no altar. Por que algumas Igrejas definham enquanto outras crescem? É porque isso acontece quando você não se dá por inteiro, não oferta você mesmo, a sua vida, no altar. Só dá uma parte de você.” Ele destacou a todos que aquele mesmo Espírito presente quando a Universal começou, bem pequena, num coreto de praça, está presente hoje porque houve uma entrega total.

Uma Igreja única

Com todos reunidos no Templo, em uma nova oportunidade de entrega a Deus de suas vidas e seus ministérios, o bispo Macedo orou para que Deus fizesse deles uma Igreja única, comprometida com o Seu reino. “Peço não apenas pela Universal, mas por toda a nossa Igreja. Se alguém de outra denominação ganha uma alma para o Senhor, é mais um que luta contra o inferno. Temos esse pensamento unânime, que Jesus volte o mais rápido possível. Mas sabemos que ainda há gente que não ouviu falar de Ti, então, use-nos, os que estão aqui e os que não puderam vir.”

Um só Espírito era evidente no Templo, e foi essa a tônica da reunião. Ao final, o bispo Macedo orou para que Deus abençoasse a todos, que serão “sempre bem-vindos ao nosso meio”.