Mons. Athanasius Schneider: «submeter à votação a verdade divina e la Palavra de Deus es indigno»

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Em uma entrevista concedida ao portal PCH24, Polônia Cristã, Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana (Kazaquistão), analiza a situação da Igreja após o recente sínodo sobre a família e o debate sobre a possibilidade de dar a comunhão aos divorciados recasados. O prelado assegura que no sínodo houve uma clara manipulação por parte de alguns prelados e louva o trabalho de jornalistas e blogueiros católicos que «se comportavam como bons soldados de Cristo e alertavam da agenda clerical que buscava socavar a doutrina perene de Nosso Senhor»

7/11/14 12:37 AM | Imprimir | Enviar

(PCH24/InfoCatólica) Mons. Athanasius Schneider concedeu uma entrevista (a) Izabella Parowicz para PCH24, Polônia Cristã, da que oferecemos amplos extratos segundo os temas tratados:

Sínodo

«Durante o Sínodo, houve momentos de evidente manipulação por parte de alguns clérigos com postos chave na estrutura editorial e reitora do Sínodo. O informe provisional (Relatio post disceptationem) era claramente um texto prefabricado […] Nas seções sobre homossexualidade, sexualidade e os «divorciados recasados», o texto representa uma ideologia neopagã radical. […] Graças a Deus e às súplicas dos fieis de todo o mundo, um número considerável de padres Sinodais rejeitaram decididamente essa agenda. É uma agenda que reflete a moralidade geral corrupta e pagã de nossa época, que está sendo imposta mundialmente mediante a pressão política e através dos quase todo-poderosos meios de comunicação oficiais, leais aos princípios da ideologia mundial de gênero. Este documento sinodal, ainda que só fosse provisional, constitui uma autêntica vergonha e uma indicação da medida em que o espírito do mundo anticristão há invadido níveis importantes da vida da Igreja. […] Por sorte, a Mensagem dos Padres Sinodais é um documento verdadeiramente católico, que esboça a verdade divina sobre a família sem silenciar as raízes profundas dos problemas, ou seja, a realidade do pecado. Oferece ânimo e consolo autênticos às famílias católicas».

Mandamento divino irrevogável

«Um mandamento divino, o sexto mandamento, e a indissolubilidade absoluta do matrimônio sacramental, uma regra de direito divino, significam que os que se encontram em estado de pecado grave não podem ser admitidos à Sagrada Comunhão. Isto o ensina São Paulo em sua carta inspirada pelo Espírito Santo (1Cor 11,27-30) e não pode submeter-se a voto, da mesma forma que a divinidade de Cristo nunca se submeteria a voto. Uma pessoa que segue estando unida pelo vínculo indissolúvel do matrimônio sacramental e que, apesar disso, vive em co-habitação estável com outra pessoa, por preceito divino não pode ser admitida à Sagrada Comunhão. Fazer o contrário seria uma declaração pública por parte da Igreja, legitimando perversamente a negação da indissolubilidade do matrimônio cristão e, ao mesmo tempo, abolindo o sexto mandamento da Lei de Deus: Não cometerás adultério. Nenhuma instituição humana, nem sequer o Papa ou um Concílio Ecumênico, tem a autoridade e a competência para anular, nem sequer de forma breve ou indireta, um dos dez mandamentos ou as palavras divinas de Cristo: O que Deus há unido, que não o separe o homem (Mt 19,6)

É indigno submeter à votação a verdade divina

«O intento de submeter à votação a verdade divina e a Palavra de Deus é indigno dos que, como representantes do Magistério, devem transmitir zelosamente, como servos bons e fieis (cf. Mt 24, 45) o depósito divino. Ao admitir aos «divorciados recasados» à Sagrada Comunhão, esses bispos estabelecem uma nova tradição por sua própria vontade e vulnerabilizando com isso o mandamento de Deus, como Cristo reprovara aos fariseus e aos escribas (cf. Mt 15,3). E o que é pior é o fato de que esses bispos tentam legitimar sua infidelidade à Palavra de Cristo mediante argumentos como a «necessidade pastoral», a «misericórdia», a «abertura ao Espírito Santo». Não têm reparo nem escrúpulo em perverter de forma gnóstica o verdadeiro significado dessas palavras, denegrindo aos que se opõem a eles e defendem o imutável mandato divino e a verdadeira Tradição como rígidos, escrupulosos ou tradicionalistas».

Confusão doutrina(l) entre sacerdotes e fieis

«Só aumentará a confusão doutrinal entre os sacerdotes e os fieis, ao ficar no ar que os mandamentos divinos, a Palavra de Cristo e o ensinamento do Apóstolo Paulo estão ao azar das decisões humanas. […] Devemos crer firmemente que Deus dissipará os planos de engano, infidelidade e traição. Cristo maneja infalivelmente o timão da barca de sua Igreja em meio a tal tormenta. Cremos e confiamos nele que dirige a Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Verdade».

Cristo purifica a fé através da prova

«Neste tempo extraordinariamente difícil, Cristo está purificando nossa fe católica, de modo que, através da prova, a Igreja brille ainda mais e seja realmente luz e sal para um mundo neopagão insípido, graças à fidelidade e à fé simples e pura em primeiro lugar dos fieis, dos pequenos da Igreja, da «ecclesia docta» (a Igreja que aprende), que em nossos dias fortalecerá à «ecclesia docens» (a Igreja que ensina, isto é, o Magistério), de forma similar ao que já ocorreu no século IV».

Anima aos católicos a ser fieis ao Catecismo

«Temos que animar aos católicos ordinários a que sejam fieis ao Catecismo que hão recebido, a que sejam fieis às claras palavras de Cristo no Evangelho, a que sejam fieis à fé que seus pais e antepassados lhes transmitiram. Temos que organizar grupos de estudos e conferências sobre a doutrina perene da Igreja sobre o matrimônio e a castidade, convidando especialmente aos jovens e aos casais. Temos que mostrar a autêntica beleza de uma vida em castidade, a autêntica beleza do matrimônio e a família cristãos, o grande valor da cruz e do sacrifício em nossas vidas. Temos que apresentar mais exemplos dos santos e de pessoas exemplares que, apesar de que sofriam as mesmas tentações da carne, a mesma hostilidade e chacotas do mundo pagão, com a graça de Cristo tiveram uma vida feliz em castidade, em um matrimônio cristão e em uma família».

Formar grupos de ajuda para a conversão e a santidade

«A fé, a fé católica e apostólica pura e íntegra, vencerá ao mundo (cf. 1Jn 5,4). Temos que criar e promover grupos juvenis com o coração puro, grupos de famílias, grupos de esposos católicos, fieis a seus votos matrimoniais. Temos que organizar grupos que ajudem às famílias moral e materialmente danificadas, grupos que assistam com sua oração e bons conselhos aos casais separados, grupos e pessoas que ajudem aos «divorciados recasados» a começar uma conversão séria, reconhecendo com humildade sua situação pecaminosa e abandonando com a graça de Deus os pecados que vulneram o mandamento de Deus e a santidade do sacramento do matrimônio. Temos que criar grupos que ajudem cuidadosamente às pessoas com tendências homossexuais a empreender o caminho da conversão cristã, o caminho feliz e bonito de uma vida casta, e em um momento dado lhes oferecer discretamente um remédio psicológico. Temos que mostrar e pregar a nossos contemporâneos, no mundo neopagão, a Boa Notícia liberadora do ensinamento de Cristo: que os mandatos de Deus e o sexto mandamento em particular são sábios e formosos: A Lei do Senhor é perfeita e é descanso da alma: o preceito do Senhor é fiel e instrui ao ignorante. Os mandatos do Senhor são retos e alegram o coração. A norma do Senhor é límpida e dá luz aos olhos (Sal 19(18),7-8)».

A Igreja em Polônia defendeu a verdade no Sínodo

«É uma honra para o catolicismo polaco que o Presidente do episcopado, Sua Excelência o Arcebispo Gądecki, haja defendido com claridade e valor a verdade de Cristo sobre o matrimônio e a sexualidade humana, mostrando-se como um verdadeiro filho espiritual de São João Paulo II. O cardeal George Pell falou muito adequadamente da agenda progressista sobre a sexualidade e a suposta motivação misericordiosa e pastoral para dar a Sagrada comunhão aos «divorciados recasados» durante o Sínodo, dizendo que só é a ponta do iceberg e uma espécie de cavalo de Troia na Igreja».

Jornalista e blogueiros católicos, soldados de Cristo

«Que no mesmo seio da Igreja há pessoas que socavam o ensinamento de Nosso Senhor se fez evidente ante o mundo inteiro graças a Internet e ao trabalho de alguns jornalistas católicos que não permaneceram impassíveis ante o que estava ocorrendo com o tesouro da fé católica. Alegrou-me comprovar que alguns jornalistas católicos e blogueiros de Internet se comportavam como bons soldados de Cristo e alertavam da agenda clerical que buscava socavar a doutrina perene de Nosso Senhor. Os cardeais, bispos, sacerdotes, famílias católicas e jovens católicos têm que dizer-se: me nego a ajustar-me ao espírito neopagão deste mundo, ainda que sejam bispos e sacerdotes os que o difundam; não aceitarei seu uso falaz e perverso da misericórdia divina e do «novo Pentecostes»; me nego a oferecer grãos de incenso ante a estátua do ídolo da ideologia de gênero, ante o ídolo dos segundos matrimônios, da co-habitação; ainda que meu bispo o faça, eu não o farei; com a graça de Deus, elegerei sofrer em lugar de trair a verdade plena de Cristo sobre a sexualidade humana e o matrimônio».

Bispos e cardeais que oferecem incenso a ídolos neopagãos

«É o testemunho o que convencerá ao mundo, não os mestres, como disse o Beato Paulo VI em Evangelii nuntiandi. A Igreja e o mundo necessitam urgentemente testemunhas intrépidas e francas da verdade plena dos mandamentos e da vontade de Deus, da verdade plena das palavras de Cristo sobre o matrimônio. Os fariseus e escribas clericais modernos, esses bispos e cardeais que oferecem grãos de incenso ante os ídolos neopagãos da ideologia de gênero e a co-habitação, não convencerão ninguém para que creiam em Cristo e ofereçam suas vidas por Cristo.

São João Paulo II, el Papa de la família

Veritas Domini manet in aeternum (Sal 116, a verdade do Senhor permanece para sempre) e Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre (Hb 13,8) e a Verdade os fará livres (Jn 8,32). Esta última frase era uma das citações bíblicas favoritas de São João Paulo II, o papa da família. Podemos acrescentar que a verdade divina revelada e imutável sobre a sexualidade humana e o matrimônio que se nos há transmitido proporcionará autêntica liberdade às almas dentro e fora da Igreja. Em meio da crise da Igreja e do mau exemplo moral e doutrinal de alguns bispos de seu tempo, Santo Agostinho consolava aos fieis simples com estas palavras: «Sejamos como sejamos os bispos, vós estáis a salvo, porque tens a Deus como Pai e a sua Igreja como Mãe « (Contra litteras Petiliani III, 9, 10)».

Biografía de Mons. Schneider

Anton Schneider nasceu em Tokmok, (Kirghiz, antiga União Soviética). Em 1973, pouco depois de receber sua primeira comunhão na mão do Beato Oleksa Zareckej, presbítero e mártir, marchou com sua família à Alemanha. Quando se uniu aos Canônicos Regulares da Santa Cruz de Coimbra, uma ordem religiosa católica, adotou o nome de Athanasius (Atanásio). Foi ordenado sacerdote em 25 de março de 1990. Apartir de 1999, ensinou Patrologia no seminário Maria, Mãe da Igreja em Karaganda.

Em 2 de junho de 2006 foi consagrado bispo no Altar da Cátedra de São Pedro no Vaticano pelo Cardeal Ângelo Sodano. Em 2011 foi destinado como bispo auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana (Kazaquistão), que conta com cerca de cem mil católicos de uma população total de quatro milhões de habitantes. Mons. Athanasius Schneider é o atual Secretário Geral da Conferência Episcopal de Kazaquistão.

Uma resposta para “Mons. Athanasius Schneider: «submeter à votação a verdade divina e la Palavra de Deus es indigno»”

  1. São palavras claras e inequívocas que o Bispo D Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese católica de Astana (Cazaquistão) denunciou, em entrevista, as posições de alguns prelados em matéria de acesso à comunhão para divorciados, chamados recasados (na verdade, o novo casamento não tem nenhum valor).
    Falando da “Relatio post disceptationem”, Dom Schneider vê “uma tarefa que mancha a honra da Sé Apostólica.” Ele denunciou o julgamento de intenções com relação àqueles que defendem a tradição constante de negar acesso a divorciados novamente casados à Sagrada Comunhão, acusados de serem “rígidos, escrupulosos ou tradicionalistas.” A este respeito, o Bispo Athanasius Schneider, cujo nome já tem um sabor patrístico, citou São Basílio, o Grande, que tinha encontrado durante a crise ariana: “um pecado hoje é severamente punido: a cuidadosa observância tradições de nossos pais; por essa razão, o direito está sendo descartado e posto no canto. (. Ep 243).
    Ainda, o bispo também denunciou as ambiguidades do relatório final: “Embora esta proposta não obteve o voto de dois terços necessária, ainda permanece o fato perturbador e sem precedentes da maioria absoluta dos bispos presentes votaram a favor da distribuição da Sagrada Comunhão para “divorciados novamente casados”; este é um triste reflexo da qualidade espiritual do episcopado católico contemporâneo.
    Ele lamenta que o ponto de admitir uma discussão sobre o acesso à comunhão aos divorciados novamente casados sob certas condições, foi mantido no texto final e o repassar disso às dioceses “certamente crescerá essa confusão doutrinária entre os sacerdotes e fiéis que os Mandamentos de Deus, os ensinamentos de Cristo e os do apóstolo Paulo, estando sujeitos a grupos de pressão arbitrárias.
    “É benéfico que os pastores estão protestando contra a intrusão de lobos. Afinal de contas, é a sua missão.
    Obrigado, Senhor!
    Do Riposte Catholique

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