CINZAS DE UM CARNAVAL QUE PASSOU: SOMOS O QUE SEREMOS

 

 

Capela-de-Ossos-ou-ossuário

 

 

Pe. Marcélo Tenorio

Nesses dias que antecederam o chamado “reinado de Momo” e agora em plena festa, ponho-me a pensar na efemeridade da vida. Minha lembrança volta-se à cerimônia tocante e comovente – que deveria impregnar a alma de todos com um sincero desejo de retorno para Deus – quando o sacerdote, usando vestes de penitência, impõe, em nossas cabeças, as sagradas cinzas com uma admoestação severa e solene:

” Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris” (Gn 3, 19)
“Lembra-te, ó homem, que és pó e que em pó te hás de tornar.
Santo Inácio de Loyola, falando sobre o objetivo central do homem nesta terra, dizia ter sido o homem feito para “amar a Deus e salvar a sua alma”.
“Amar a Deus e salvar a alma”, deveria ser para todos a única preocupação iminente durante a vida inteira, já que fomos criados para Deus e, perde-lo, por culpa, significa a falência completa, a infelicidade eterna.

Como salvar a nossa alma? Praticando os mandamentos! E todos estão contidos no primeiro: ” Amar a Deus sobre todas as coisas!”

Estamos vivendo em tempos piores do que o do dilúvio. Nesses tempos verdadeiramente das trevas, a humanidade rompeu com seu Criador, a criatura torna-se senhor de sua própria existência. Deus é banido da sociedade e das leis do Estado. Cresce uma nova humanidade que brada aos quatro ventos o seu laicismo : sem religião, sem Deus, sem nada.

No carnaval, festa pagã e da carne, afloram, de maneira mais escancarada todas as inclinações para o mal. E se existe alguma barreira ainda não rompida, o espírito carnavalesco corrói sem muitas dificuldades toda e qualquer resistência, visto que é comum nesses dias de folia, a abolição de toda ou quase toda moralidade.
Não preciso aqui lembrar como os santos enxergavam essa festa e como condenavam veementemente esses dias de folia. E olha que eles viveram em tempos remotos, mais tranquilos, quando não havia, ainda, o total declínio dos valores. O que diriam eles hoje?

Os santos levaram a sério a sua meta: “amar a Deus e salvar a alma”. Sabiam eles que tudo isso aqui era passageiro e que, cedo ou tarde, estariam diante de Deus para um julgamento contra o qual ninguém poderá escapar.

Vivemos no cronos e nele devemos melhorar a cada instante, renunciando sempre ao mal, crescendo na prática das virtudes e eliminando o que não presta em nós.
S. Paulo gostava de comparar a vida espiritual, à busca da santidade, que exige renúncias, com o atleta que prepara-se a vida inteira, no labor constante, para poder ganhar a coroa da vitória. Ora, se alguém é capaz de fazer isso por glórias passageiras, não deveria nós, cientes do nosso fim terreno, já que somos pó, empenharmos para , amando a Deus sobre todas as coisas, salvar a nossa alma?
Fala-nos a “Imitação de Cristo”:
“Mui depressa chegará teu fim neste mundo; vê, pois, como te
preparas: hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe.
Entretanto, logo que se perdeu de vista, também se perderá da
memória. Ó cegueira e dureza do coração humano, que só cuida
do presente, sem olhar para o futuro! De tal modo te deves haver
em todas as tuas obras e pensamentos, como se fosse já a hora
da morte. Se tivesses boa consciência não temerias muito a morte.
Melhor fora evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás
preparado hoje, como o estarás amanhã? O dia de amanhã é
incerto, e quem sabe se te será concedido?..” ( Cap 23)
É no cronos que devemos batalhar para salvar a nossa alma, pois na eternidade estaremos para sempre como sairmos deste mundo. Na amizade de Deus ou Dele afastados eternamente.

Por esses dias fui visitar ,numa cidade não tão distante daqui ,uma religiosa pela qual tenho grande apreço. De uma inteligência privilegiada, perspicaz, conversava sobre tudo e sabia compreender bem a alma humana. Poliglota, tradutora e eficaz em tudo que se dispunha realizar. Depois de anos que não a via, fui informado, aqui, que começara o seu declínio, ficando esquecida já no início do mal de alzheimer. Dirigi-me até lá, ao convento. Encontrei-a aparentemente bem, mas já não era mais a mesma. Esquecida completamente de muitas coisas ..Percebi então que começara o seu declínio que a levará ao ocaso evidente.
Refleti bem sobre isso tudo. Nossa vida é “poeira que passa”. cedo ou tarde estaremos em nosso ocaso. E o que vale é termos aproveitado bem o tempo que Deus nos deu para que ascendêssemos a Ele.
“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes…”
“Lembra-te que és pó!”…

Como nos recordava o Pe. Antônio Vieira num dos seus sermões quaresmal, sabemos que nos tornaremos pó. Claro. Vemos a morte a nos rodear. Olhamos para o que ela fez com os outros, com os nossos entes…O que restou deles? Apenas o pó, nada mais. Mas duas tragédias nos tomam de inopino: a ilusão de que nunca nos tornaremos pó, e a cegueira que nos impede enxergar o pó que já somos.

“Lembra-te que és pó….e que em pó de hás de tornar!”
Seremos aquilo que já somos.
Multidões brincam, despreocupadamente, um carnaval avassalador, que destrói tudo o que é cristão, tudo o que é virtude e que nos aproxima de Deus. Quantos pecados! Quantas blasfêmias!

Se no tempo dos santos antigos essa festa já era nociva à alma, hoje afirmamos ser impossível dela participar sem se afastar de Deus, pelo pecado.
Claro que muitos dirão: ” É radical demais, esse discurso. Temos que nos divertir também! O importante é não ter maldade! Cada um faz o seu carnaval! O cristão brinca como cristão!..

Enganosa e falsa essas afirmações que provém de pessoas que querem servir ” a dois senhores”, como se fosse possível, servindo às trevas, querer também servir ao Reino de Deus.

Não existe meio termo para a mensagem do Evangelho e não existem santos sem radicalidade. Ninguém pode ser ” meio honesto”, ” meio casto”, “meio verdadeiro”. Ou é ou não é! Este é o preço e a exigência que Nosso Senhor nos faz.
“Seja o vosso falar ‘sim, sim; não, não’. O que passar disso é de procedência maligna” (Mateus 5:37).
E ainda:
“E, se um dos teus olhos te faz pecar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno.” ( Marcos 9:47)
Ora, o carnaval em tudo que ele contem é impraticável para todo aquele que deseja o céu. Impraticável sobretudo para os cristãos que devem assemelhar-se em tudo a Cristo.

Há como brincar o carnaval de forma cristã? Não! A abundância de comida para um obeso ou alguém que está de dieta não inibirá os desejos, muito pelo contrário. Pode-se ir até com boa intenções, mas as músicas, os gestos sensuais, os trajes imorais e as práticas pagãs destruirão por completo toda e qualquer inocência.
Diante de tanta profanação do corpo que é templo do Espírito Santo, de tanta imoralidade, de tantas almas que se perdem, de tanta irreverência contra Deus, fiquemos com o exemplo dos santos: aproveitemos o Kairós – o cronos – o tempo presente que nos foi dado.

S. Domingos Sávio, em tenra idade foi capaz de dizer e viver: ” ANTES MORRER QUE PECAR”

Saibamos o que somos e o que seremos: Pó, apenas pó…nada mais que isso!
E do pó lançado à terra..um dia, surgirá e vida novamente

“Assim também agora vós tendes tristeza, mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar.” João 16.22

2 respostas para “CINZAS DE UM CARNAVAL QUE PASSOU: SOMOS O QUE SEREMOS”

  1. CARNAVAL: DIAS DE RETIRO ESPIRITUAL COM SATÃ!
    Duvida que ele estaria ao vivo em meio aos foliões, reluzente, atraente e até saracoteou com v, quem sabe?
    O Carnaval é uma orgia satãnica, devassa, sumamente anticristã, na qual se cometem muitos pecados pois o ambiente transtornado e erotizado o facilita – vai-se de propósito, sabe-se dos graves riscos pecaminosos – ingerem-se álcool e outros causadores de doppings, perde-se o juízo já deficitário e tudo de ruim tem sucedido.
    É uma bacanal muito prestigiada pelos governos marxistas antes de se firmarem definitivamente no poder, pois o caos social e alienação geral à fé católica são os básicos necessários para introdução mais facilmente do comunismo numa sociedade alienada e massificada.
    Nas cartas que 2 expoentes maçons trocaram entre si, Vindice e Nubius, membros da Sinagoga de Satanás, confabulavam de como acabar com a Igreja: pela espada, nada havia conseguido; daí, mudaram de método: inventaram todo tipo de corrupção das mentes, diversão e ocupação exteriores para distrairem da fé, inclusive o fitness e, para as mulheres, as modas sedutoras via mercenárias formosas, como as modelos e artistas, cada vez mais ousadas, e sutilmente as vêm aplicando no esquema conta-gotas, assim como incentivando tudo que desdignifique e as transforme em mulheres-objetos – o homem seria a próxima vítima, automaticamente – parecendo que no presente chegaram ao ápice.
    Sequenciando na obediencia à Serpente na oferta da maçã a Adão!
    Dessa forma, já cooptaram por esse ardil até muitas idosas, hoje em dia de todas as idades muitas andam mais desnudas pelas ruas, super decotadas, calças collants e a parte superior nada faltando retirar, além de NÃO mais as diferenciar das prostitutas nas portas de boites, sendo que as “de familia”, não há muito tempo tempo – envergonhariam até mesmo as cafetinas que dirigiam bordeis – escandalizando e corrompendo a juventude, relativizando-a, principalmente as crianças pelos péssimos exemplos de despudor.
    Assim, os que são atraídos pela atmosfera de sensualismo carnavalesco é algo não é nada novo, porém a um GRANDE CULTO ANUAL AO DIABO que remonta a cerca de 3.500 anos no culto a Dionísio, deus grego da vindima, deus da fertilidade, das plantações, era adorado para que enviasse chuva, tida como o seu sêmen enviado para fertilizar a terra.
    Posteriormente, Dionísio foi adotado pelos romanos sob o nome de Baco e, após ser elevado ao posto de deus da vindima, fizeram-se imagens suas para serem adoradas e tinham aspecto humano, mas com chifres, barbicha e pés de bode e seu olhar de extrema embriaguez…
    Alguma semelhança percebida? Disso, seguiam-se os padrões dos antigos cultos pagãos a Baal, Astaroth, Moloc, etc., fartamente expostos nas S Escrituras e, por trás de tudo, os muitos focinhos com que se apresenta Satã!.

  2. Como considerar que há divertimento, alegria, em uma “festa” onde toda sorte de desordem ocorre, abuso ou excesso das bebidas e comidas , sensualidade desmedida, uma promiscuidade descabida, etc….etc…considerar esses dias como alegres é viver uma alienação sentimentalista e promover o carnaval como algo bom, principalmente nas crianças ao incentivá-las a participar, é colaborar para corromper a pureza dos inocentes…como dizer não há maldade onde o próprio mal se faz presente…que contrassenso…
    Caríssimo Padre Marcelo, o pior é constatar que poucos compartilham desse pensamento, e aqueles que o partilham sofrem as perseguições inclusive no meio familiar…que Nosso Senhor que ilumina os caminhos nos de forças para enfrentá-las… seguros de que a recompensa não será nesta vida digamos como o salmista “não vacilarei”…

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