PE. GARRIGOU-LAGRANGE: MISERICÓRDIA PARA O PECADOR OU PARA O PECADO?

garrigou

 

 

 

Propomos a leitura de um texto do Pe. Garrigou Lagrange, que foi um dos maiores católicos tomistas contemporâneos, retirado de seu tratado de espiritualidade As três idades da vida interior (T I – cap. VIII). É de uma realidade singular e recorda que a verdadeira caridade deve levar a sermos misericordiosos com o pecador, mas não com o pecado.

“Existe uma falsa caridade, uma espécie de indulgência culpável e de debilidade, como a doçura daqueles que não ofendem ninguém, porque tem medo de todos. Há também uma suposta caridade, espécie de sentimentalismo humanitário que busca admitir a verdade e que, muitas vezes, por seu contato, a contamina.

Um dos principais conflitos desse momento é aquele que surge entre a verdadeira e a falsa caridade. Esta última nos faz pensar nos falsos cristos de que fala o Evangelho; eles são mais perigosos antes de serem desmascarados do que quando se fazem conhecer como verdadeiros inimigos da Igreja.

“Optima corruptio pessima”, a pior degradação é aquela que nos atrai para o que há de melhor, até a mais alta virtude teologal. O bem aparente que atrai o pecador é, de fato, ainda mais perigoso porque é o simulacro (a representação) de um bem maior; como por exemplo o ideal dos “pan-cristãos” que buscam a união das igrejas em detrimento da fé que essa união supõe.

Se, então, por estupidez ou covardia daqueles que deveriam representar a verdadeira caridade, aprovam alguma coisa que se afirma ser falso, pode-se resultar em um dano incalculável, às vezes até maior do que daqueles que se fazem perseguidores declarados, com o qual mostram que não se pode ter nada em comum. “

Fonte: http://catolicosribeiraopreto.com/pe-garrigou-lagrange-misericordia-para-o-pecador-ou-para-o-pecado/

Steinhardt e Quixote

Dom quixote

É claro que a ideia não é minha, mas de N. Steinhardt, que, em seu Diário da Felicidade, a trouxe e a explicou, mesclando-a com sua incrível biografia. Só que de tão valiosa, resolvi sintetizá-la, evitando misturá-la com minha porca vida, pois desta são poucas coisas que merecem registro; e não porque sejam boas nem extremamente más, mas simplesmente porque sensaborona.

Falo do trecho em que Steinhardt relembra que Dom Quixote, ao ver um bando de mequetrefes numa taverna, conversa com eles como se fossem verdadeiros aristocratas, pessoas sumamente importantes, e que a taverna não seria a espelunca que aparentava, mas, ao contrário, verdadeiro castelo, para explicar em seguida que essa visão quixotesca do homem é a mesma de Deus, como se Deus nos visse a todos como aristocratas, e o mundo que fez, como um castelo.

E de fato Deus nos vê importantíssimos, barões, condes, duques e reis, ainda que porventura trajemos andrajos e trapos, porque, como Ele nos fez à Sua imagem e semelhança, como Ele próprio nos disse para sermos deuses, perfeitos, nós temos a potência de realizar-nos, realizando o próprio projeto divino que encarnamos, projeto único que individualmente a nós mesmos compete pôr em andamento e fazê-lo chegar a bom termo.

Se nós estamos sujos, imundos com nossos pecados, e não queremos limpar-nos, abandonando a ideia de que poderemos ser perfeitos como (e porque) Deus é perfeito, é em razão de termos perdido a capacidade de nos olharmos como filhos de Deus, como verdadeiros aristocratas de um mundo que está por vir, como pessoas destinadas aos céus, como filhos que daqui a pouco, num breve e curtíssimo espaço de tempo, verão a Deus face a face; ocasião em que os que se portam como aristocratas serão recebidos no castelo do Senhor, pois amigos Seus, mas os que se contentam com suas próprias misérias serão arremessados ao castigo eterno, onde haverá choro e ranger de dentes.

Quixote não seria um simples maluco, pois. Ao revés. Mostra-se como a personificação do verdadeiro cristão, que vê seus irmãos com a nobreza que cada um deles tem, e eis aí o sinal distintivo do verdadeiro aristocrata, porque todos são filhos do mesmo Deus e amados por Ele, porque irmãos, ainda que relapsos, mesmo que pródigos, posto que perdidos por perderem-se achando que o mundo não é o verdadeiro castelo que é; lugar que só consegue ser visto por Quixotes ou Príncipes Míchikins, personagem quixotesco de Dostoievski n’O Idiota.

Fonte: http://tiagobanafranco.blogspot.com.br/

HEREGE MARTINHO LUTERO GANHA PRAÇA NA “ROMA DOS PAPAS”

O heresiarca Lutero terá ecumenicamente uma Praça com seu nome em pleno centro de Roma, noticiou Infocatólica.

A Câmara de vereadores da capital italiana aprovou o projeto, que havia sido apresentado há seis anos por umas igrejolas adventistas.

A “Piazza Martin Lutero” ficará muito perto do Coliseu, na área do Colle Oppio, junto ao Viale Fortunato Mizzi.

A placa descritiva do local conterá a descrição: “Praça Martin Lutero, teólogo alemão.”

Lutero

Stefano Bogliolo, responsável pela comunicação da Aliança Evangélica Italiana, disse que a decisão é “altamente simbólica”.

Ele comemora porque “Roma foi a capital dos Estados Pontifícios, extintos em 20 de setembro de 1870, data que difere apenas quatro dias da dedicação da praça” ao heresiarca alemão cujo grito de guerra era “abaixo Roma”.

Com Bogliolo comemoram diversos inimigos do poder temporal dos Papas filiados a associações anticatólicas ou ao movimento ‘progressista católico’, ufano depois do Concílio Vaticano II.

Todos eles anunciaram que iriam à inauguração.

A Santa Sé foi consultada e aprovou a decisão, segundo o Catholic Register, a despeito de Lutero ter coberto de soez lama Roma e a Igreja Católica.

“Foi uma decisão dos vereadores de Roma favorável para os católicos porque está na linha da caminhada de diálogo iniciada com o Concílio Ecumênico [Vaticano II]”, justificou o Pe. Ciro Benedettini, da Sala de Imprensa do Vaticano.

A iniciativa contradiz acentuadamente o que Lutero achava de Roma, onde foi ouvido exclamar, tal vez sob o efeito do álcool, repetidas vezes: “Se o inferno existe, Roma está construído sobre ele”.

A teologia “pos-conciliar” se esforça em vão para achar sofismas contra a existência dos antros infernais. Não duvidará então em ir a encontrar o heresiarca para dialogar eternamente com ele. E a praça poderá ser um lugar evocativo desse eventual encontro ecumênico.

Fonte: http://lumenrationis.blogspot.com.br/2015/09/heresiarca-martinho-lutero-ganha-praca.html