”Eu queria ser chamado apenas de Padre Bento”, afirma Ratzinger

 

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Os sapatos vermelhos, sinal da dignidade papal, não existem mais. No seu lugar, um par de sandálias de couro com meias, que poderiam ser as de um monge qualquer, ou talvez de um turista alemão de passagem por Roma. O hábito, ao contrário, continuou sendo o branco papal, símbolo de um status que permanece mesmo depois da renúncia ao pontificado.

A reportagem é de Vatican Insider, 07-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas ele, confidencia Ratzinger a um jornalista alemão, teria preferido ser chamado simplesmente de “Padre Bento”. Só que, na época, ele estava “fraco e cansado demais” para conseguir se impôr.

Agora, conta Jörg Bremer, um dos correspondentes de Roma do Frankfurter Allgemeine, na conversa publicada na edição dominical do jornal, Ratzinger parece ter reencontrado as suas forças. Aos 87 anos, ele se movimenta sem bengala na sua casa, a Mater Ecclesiae, no Vaticano, os olhos brilham, e as suas respostas são rápidas e precisas.

E, com grande atenção, ele avisa o jornalista sobre o que pode escrever e sobre o que não. Como sobre o seu desejo, depois da renúncia, de ser chamado simplesmente de “Vater Benedikt”. “Podemos escrever isso?”, pergunta Bremer. “Sim, escreva”, responde o “Padre Bento” – talvez possa ajudar”.

Mas por que um papa emérito, que vive retirado e se deixa ver em público apenas quando o papa em serviço o convida (a última vez para a beatificação de Paulo VI), decide falar com um jornalista, rompendo, com todas as cautelas do caso, a regra do silêncio que ele se impôs desde que optou por viver como um monge?

O motivo talvez se encontre na publicação de um novo livro, o quarto, da coletânea dos seus escritos. O fato é que, em 1972, o professor de teologia Joseph Ratzinger, em um artigo “Sobre a questão da indissolubilidade do matrimônio”, tinha se expressado em termos possibilistas sobre a readmissão à Eucaristia dos divorciados em segunda união.

Em alguns casos particulares, escrevera Ratzinger, a readmissão podia ser “coberta pela tradição”. Para republicação, Ratzinger preferiu reformular as conclusões e reiterar o que afirmou como cardeal e depois como papa, ou seja, a intangibilidade da doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio, com as suas consequências em termos de admissão à comunhão.

Então, pode-se dizer que o papa emérito quis entrar e talvez se colocar um pouco enviesado no debate desejado por Francisco por ocasião do Sínodo dedicado a esses temas?

Esse é um “absurdo total”, responde Bento, que ressalta que tem “ótimos contatos” com Francisco. A revisão do texto foi decidida em agosto, poucos meses antes do Sínodo, e não contém “nada de novo”.

A esse respeito, Ratzinger lembra o ensinamento de João Paulo II, “e eu mesmo, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, escrevi coisas muito mais radicais”.

Ainda com o Papa Wojtyla, do qual foi estreito colaborador, Ratzinger lembra, como relata Bremer, que os divorciados em segunda união não devem, contudo, ser excluídos da vida da Igreja.

Por exemplo, segundo Bento, eles devem poder ser padrinhos e madrinhas de batismo (atualmente, muitas dioceses exigem o preenchimento de formulários, assinados pelo pároco, em que se declara, dentre outras coisas, que “não se contraiu matrimônio apenas civil, nem convive, nem buscou o divórcio”).

Na meia hora de conversa, ainda há tempo para um pensamento em vista do Natal, especialmente para a Terra Santa, que ao papa emérito, biógrafo de Jesus, toca especialmente a memória. Porque Jesus não foi só espírito, a sua presença é datável, e “essa dimensão terrena é importante para a fé dos homens”.

Depois, no momento das saudações, Bento mostra medalhas e lembranças do pontificado: “Pode levá-las, se quiser. Mas contanto que não se alimente assim o culto da personalidade”, brinca, com humor alemão, antes de voltar para o seu silêncio, o papa emérito que queria ser chamado apenas de “Padre Bento”.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/538254-eu-queria-ser-chamado-apenas-de-padre-bento-afirma-ratzinger

Charlene vestiu branco na audiência com o Papa.

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O privilégio está reservado apenas a sete mulheres em todo o mundo.

Confirmou-se. Charlene do Mónaco vestiu-se de branco na audiência desta manhã com o Papa Francisco, no Vaticano. A princesa, casada com o príncipe Alberto do Mónaco, é uma das sete mulheres que tem o privilégio de poder usar roupa desta cor frente ao chefe da Igreja católica.

Este direito, designado por privilégio do branco, está reservado a princesas e rainhas católicas e especialmente em encontros importantes no Vaticano, como audiências privadas, canonizações, beatificações ou missas especiais.

Além de Charlene, podem vestir branco a rainha Letizia de Espanha, a rainha emérita Sofia de Espanha (os reis Juan Carlos e Sofia mantêm o título apesar de ele ter abdicado do trono para o filho), a rainha consorte Matilde da Bélgica e a rainha Paola da Bélgica (esta última é casada com o rei Alberto II, que abdicou para o filho, Filipe), a grã-duquesa Maria Teresa do Luxemburgo, e a princesa Marina de Nápoles (casada com Vittorio Emanuelle, príncipe de Nápoles, o filho único do último rei de Itália, Humberto II).

Princess Charlene arrives to meet Pope Francis with her husband Prince Albert II of Monaco at the Vatican

O protocolo exige às restantes mulheres que se encontrem com o Papa a usar um vestido preto sem decote e com mangas compridas e uma mantilha preta na cabeça.

Charlene foi educada como protestante, mas em abril de 2011, pouco antes do casamento com Alberto do Mónaco, a 1 de julho desse ano, converteu-se de “livre vontade” ao catolicismo. Recentemente, segundo a revista “People”, afirmou que o fez não só porque o catolicismo é a religião do Mónaco, mas sobretudo porque a religião lhe deu força.

Esta é a quarta visita de Charlene ao Vaticano: a primeira aconteceu em janeiro de 2013; a segunda, apenas algumas semanas depois; e a terceira em novembro de 2015.

Fonte: http://www.dn.pt/mundo/interior/charlene-vestiu-branco-na-audiencia-com-o-papa-so-mais-seis-o-podem-fazer-4985712.html

A fé católica não é ofendida só com a heresia.

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Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana, 13-01-2016 | Tradução: Hélio Dias Viana :

Em uma longa entrevista aparecida em 30 de dezembro no semanário alemão Die Zeit, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, levanta uma questão de crucial atualidade. Quando perguntado pela entrevistadora sobre o que pensa daqueles católicos que atacam o Papa, definindo-o de “herege”, ele responde: “Não só pelo meu ofício, mas pela convicção pessoal, devo dissentir. Herege na definição teológica é um católico que nega obstinadamente uma verdade revelada e proposta como tal pela Igreja para ser crida. Outra coisa é quando aqueles que são oficialmente encarregados de ensinar a fé se exprimem de forma talvez infeliz, enganosa ou vaga. O magistério do Papa e dos bispos não é superior à Palavra de Deus, mas a serve. (…) Pronunciamentos papais têm ademais um caráter vinculante diverso – desde uma decisão definitiva pronunciada ex cathedra até uma homilia que serve bastante para o aprofundamento espiritual.”

Tende-se hoje a cair em uma dicotomia simplista entre heresia e ortodoxia. As palavras do cardeal Müller nos lembram que entre o branco (a plena ortodoxia) e o preto (a heresia aberta) há uma zona cinzenta que os teólogos têm explorado com precisão. Existem proposições doutrinárias que embora não sendo explicitamente heréticas, são reprovadas pela Igreja com qualificações teológicas proporcionais à gravidade e ao contraste com a doutrina católica. A oposição à verdade apresenta de fato diferentes graus, conforme seja direta ou indireta, imediata ou remota, aberta ou dissimulada, e assim por diante. As “censuras teológicas” (não confundir com as censuras ou penas eclesiásticas) expressam, como explica em seu clássico estudo o padre Sisto Cartechini, o julgamento negativo da Igreja sobre uma expressão, uma opinião ou toda uma doutrina teológica (Dall’ opinione al domma. Valore delle note teologiche, Edizioni “La Civiltà Cattolica”, Roma, 1953). Este julgamento pode ser privado, se for dado por um ou mais teólogos por conta própria, ou público e oficial, se promulgado pela autoridade eclesiástica.

O Dicionário de Teologia Dogmática do cardeal Pietro Parente e de monsenhor Antonio Piolanti resume a doutrina: “As fórmulas de censura são muitas, com uma gradação que vai do mínimo ao máximo. Elas podem ser agrupadas em três categorias: Primeira categoria: em relação ao conteúdo doutrinário uma proposição pode ser censurada como: a) herética, caso se oponha abertamente a uma verdade de fé definida como tal pela Igreja; segundo a maior ou menor oposição a proposição pode dizer-se próxima da heresia, de sabor herético; b) errônea na fé, caso se oponha a uma grave conclusão teológica derivada de uma verdade revelada e de um princípio da razão; a proposição é censurada como temerária caso se oponha a uma simples sentença comum entre os teólogos. Segunda categoria: em relação à forma defeituosa, pela qual a proposição é considerada equivocada, dúbia, capciosa, suspeita, mal soante etc. embora não contradizendo alguma verdade de fé sob o ponto de vista doutrinário. Terceira categoria: em relação aos efeitos que podem ser produzidos pelas circunstâncias particulares de tempo e de lugar, embora não sendo errônea no conteúdo e na forma. Em tal caso a proposição é censurada como perversa, viciosa, escandalosa, perigosa, sedutora dos simples” (Dizionario di teologia dogmatica, Studium, Roma 1943, pp. 45-46). Em todos esses casos a verdade católica é desprovida de integridade doutrinária ou expressa de maneira carente e imprópria.

Esta precisão na qualificação dos erros se desenvolveu sobretudo entre os séculos XVII e XVIII, quando a Igreja se confrontou com a primeira heresia que lutou para permanecer interna: o jansenismo. A estratégia dos jansenistas, como mais tarde a dos modernistas, era de continuar a autoproclamar sua plena ortodoxia, apesar das reiteradas condenações. Para evitar a acusação de heresia, eles se empenharam em encontrar fórmulas de fé e de moral ambíguas e equivocadas, que não se opunham frontalmente à fé católica e lhes permitiam permanecer na Igreja. Com igual precisão e determinação os teólogos ortodoxos especificaram os erros dos jansenistas, rotulando-os segundo as suas características específicas.

O Papa Clemente XI, na bula Unigenitus Dei filius, de 8 de setembro de 1713, censurou 101 proposições do livroRéflexions morales do teólogo jansenista Pasquier Quesnel como, entre outras coisas, “falsas, capciosas, mal soantes, ofensivas aos ouvidos pios, escandalosas, perniciosas, temerárias, ofensivas à Igreja e às suas práticas, suspeitas de heresia, com cheiro de heresia, aptas a favorecer os hereges, as heresias e o cisma, errôneas e próximas da heresia” (Denz.-H, nº 2502).

Pio VI, na bula Auctorem fidei de 28 de agosto de 1794, condenou por sua vez oitenta e cinco proposições extraídas das atas do Sínodo jansenista de Pistoia (1786). Algumas dessas proposições do Sínodo são expressamente qualificadas como heréticas, enquanto outras são definidas, segundo o caso, de cismáticas, suspeitas de heresia, indutoras da heresia, favoráveis aos hereges, falsas, errôneas, perniciosas, escandalosas, temerárias, injuriosas à prática comum da igreja (Denz.H, nºs. 2600-2700).

Cada um desses termos tem um significado diferente. Assim, a proposição na qual o Sínodo professa “estar persuadido de que o Bispo recebeu de Jesus Cristo todos os direitos necessários para o bom governo da sua diocese”, independentemente do Papa e dos Concílios (no. 6), é “errônea” e “induz ao cisma e à subversão do regime hierárquico”; aquela em que se rejeita o limbo (no. 26) é considerada “falsa, temerária, ofensiva às escolas católicas”; a proposição que proíbe a colocação no altar de relicários ou flores (nº 32) é qualificada de “temerária, injuriosa ao piedoso e reconhecido costume da Igreja”; aquela que auspicia o retorno aos rudimentos arcaicos da liturgia, “voltando a uma maior simplicidade de ritos, expondo-a em vernáculo e pronunciando-a em voz alta” (nº 33), é definida como “temerária, ofensiva aos ouvidos pios, ultrajantes à Igreja, favoráveis às maledicências dos hereges contra a própria Igreja”.

Uma análise do Relatório Final do Sínodo dos Bispos de 2015, conduzida segundo os princípios da teologia e da moral católica, não pode senão encontrar graves lacunas naquele documento. Muitas de suas proposições poderiam ser definidas como mal soantes, errôneas, temerárias, e assim por diante, embora de nenhuma se possa dizer que seja formalmente herética.

Mais recentemente, em 6 de janeiro de 2016, foi difundida em todas as redes sociais do mundo, uma videomensagem do Papa Francisco dedicada ao diálogo interreligioso, onde católicos, budistas, judeus e muçulmanos parecem colocados no mesmo plano como “filhos de (um) Deus” que cada um encontra na sua própria religião, em nome de uma comum profissão de fé no amor. As palavras de Francisco, combinadas com as dos outros protagonistas do vídeo e sobretudo com as imagens, veiculam uma mensagem sincretista que contradiz, pelo menos indiretamente, o ensinamento sobre a unicidade e a universalidade da missão salvífica de Jesus Cristo e da Igreja, reafirmado pela encíclica Mortalium animos de Pio XI (1928) e pela Declaração Dominus Jesu, do então Prefeito da Congregação da Doutrina Fé, cardeal Joseph Ratzinger (6 de agosto de 2000).

Se quisermos, como simples católicos batizados, aplicar as censuras teológicas da Igreja a esse vídeo, deveríamos defini-lo como: favorecedor da heresia quanto ao conteúdo; equivocado e capcioso no que diz respeito à forma; escandaloso quanto aos efeitos sobre as almas. Contudo, o julgamento público e oficial de seu conteúdo incumbe à autoridade eclesiástica, e ninguém melhor nem com mais título que o atual Prefeito da Congregação para a Doutrina Fé para exprimir-se a respeito. Muitos católicos desconcertados clamam por isso em alta voz.

Fonte: http://fratresinunum.com/2016/01/13/a-fe-catolica-nao-e-ofendida-so-com-a-heresia/

O CONSELHO DE D. HELDER A PAULO VI, SEU AMIGO

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No livro “Dom Helder – misticismo e santidade”, do jornalista Marcos de Castro (admirador de Dom Helder Câmara), o escritor relata quais eram, segundo o próprio Dom Helder Câmara, as mudanças que o Arcebispo desejava para a Igreja. São 3 sugestões que Dom Helder fizera ao própria Papa Paulo VI, seu amigo de longa data, em uma das muitas conversas particulares que tiveram. A mais chocante de todas, é a terceira sugestão, que transcrevo a seguir:


” o fim do Vaticano tal como existe hoje.
Sobre o último dos três gestos Dom Helder faz a explanação mais longa:


– Com razão ou sem razão, o Vaticano se tornou um contra-sinal, sobretudo para os jovens. Ah, como seria bom se o senhor pudesse doar o Vaticano à Unesco, a serviço da cultura mundial! O Vaticano com os seus jardins, a sua biblioteca, a sua pinacoteca, que maravilha! Santo Padre, o senhor conhece Roma palmo a palmo. Ah, como seria bom – eu sei que por enquanto o senhor não pode -, o senhor, que conhece cada recanto de Roma, descobrir uma casa pequena, uma casa de dimensão humana, que passasse a ser sua nova casa! Uma casa abrindo para uma praça, de tal maneira que o senhor pudesse receber os peregrinos do mundo, mas recebê-los como gente. Santo Padre, o senhor sabe do respeito imenso que eu tenho por Pedro. Pedro, que tem de fato um papel em nome de Cristo, no seio da colegialidade episcopal, um papel no seio de toda a comunidade cristã universal. E o senhor sabe a amizade pessoal, a devoção pessoal que lhe tenho. Mas eu lhe digo, me perdoe, eu já não posso participar daquelas assembléias de domingo, quando o senhor aparece naquela janela e fica ali tão longe, fazendo aqueles gestos…Ah, me perdoe, mas me dá a impressão de uma marionete! Como eu gostaria de vê-lo no meio do povo! O povo segurando o papa, empurrando o papa, todo mundo dando a mão ao papa, como com certeza faziam com o Cristo. Naturalmente, seus conselheiros dirão que não pode ser, que há o perigo até de um atentado. Me perdoe, Santo Padre, mas todas as noites eu peço para que o papa um dia seja morto. Há tanto tempo que um pastor não morre pelas suas ovelhas…


– Me escreva tudo isso, me escreva tudo isso – foi a reação imediata e pressurosa de Paulo VI.


E, naquele momento, ele mesmo ensinou a Dom Helder como fazer a carta chegar diretamente às mãos dele.”
(Dom Helder, Misticismo e Santidade, páginas 206 e 207, do jornalista Marcos de Castro).