Villar Mir: «O mais importante na vida tem que ser Deus, em seguida a família e depois o trabalho»

villar

Tradução Frei Zaqueu – Juan Miguel Villar Mir tem 85 anos e uma longa trajetória no âmbito educativo, político e empresarial. Com duas cátedras foi vice-presidente de Assuntos Econômicos do primeiro governo após a ditadura e de repente decidiu se lançar ao mundo empresarial comprando empresas em quebra. Assim criou a OHL, na atualidade um dos maiores conglomerados empresariais

da Espanha e Europa. Além disso, o marquês de Villar Mir é uma pessoa religiosa e defensora da família. Uma das torres mais altas de Madri é de sua propriedade e nela ordenou instalar uma capela na que se encontra o Santíssimo exposto e cuja luz se pode ver a quilômetros de distância. Em uma entrevista para a Revista Misión fala também da importância de Deus e da oração em sua vida assim como do papel da família:

-Seu grupo é um dos maiores holdings empresariais da Europa, com presença em trinta países, mas o senhor provém de uma família que nunca teve experiência nem no âmbito político nem no empresarial. Como o conseguiu?

– A receita é muito simples: trabalhar, trabalhar e trabalhar. E começar sendo bom estudante [obteve menção de honra em todas as disciplinas de Bacharelado e foi número um de sua promoção em Direito e em Engenharia Civil, que cursou simultaneamente]. Até os vinte e tantos anos, o mais importante que pode fazer uma pessoa que quer triunfar na vida é estudar e quanto mais, melhor. Além disso, tratei de cultivar sempre a estabilidade emocional, que é a segunda condição da receita.

-E como se mantém essa estabilidade na tormenta… e também na euforia?

– Com vontade. A condição de ser emocionalmente estável, de nascimento, ninguém a tem. Há que criá-la dia a dia, compreendendo que nenhum colaborador nosso tem a culpa de que um dia surja um problema de saúde, familiar ou econômico. Para ser um executivo eficaz, há que ser eficaz nos momentos fáceis e nos difíceis. E isso exige trabalhar com continuidade, e também com regularidade de caráter. Um colaborador frustrado, ainda que queira, não faz as coisas bem; para isso, é necessário que as pessoas que nos rodeiam estejam felizes. Todos temos a obrigação de servir aos demais e fazê-los felizes.

– E isso como se concretiza?

– Servir aos demais supõe portar-se sempre bem com os demais, ser atento, tratá-los como querem ser tratados. Com isso os fazemos felizes. Com a sorte de que felicidade e eficácia vão de mãos dadas.

– Isto não se aplica só à empresa…

– Isto vale também para nosso matrimônio, para nossos filhos e netos, para nossos amigos… Uma pessoa que só pensasse em si mesma seria a mais desgraçada, porque o que produz satisfação é ser útil para os demais. É o que te faz dormir bem e ter saúde. O que não serve aos demais tem que viver muito amargurado, porque quem não se porta bem com o resto, não pode esperar que se portem bem com ele. Tudo é recíproco, assim que o mais rentável na vida é ser bom.

-Quando se alcançam êxitos como os seus, também se experimentam mais tentações (avareza, soberba…)?

– Na vida é fundamental não equivocar-se. E o que, porque algo lhe saiu bem, se põe presunçoso, pior ainda, altivo, está cometendo um grave erro. O êxito exige cada dia atitude de trabalho, serenidade, atenção aos demais e, o que é mais importante, humildade. O sensato é atuar de forma humilde e querer fazer as coisas bem, sabendo que tudo o podemos fazer melhor. A presunção é um dos defeitos mais graves, especialmente no âmbito das relações laborais. Villar Mir é muito amigo do Rei Juan Carlos

-Fizeram-lhe alguma vez propostas para corromper-se?

– Infelizmente, a corrupção existe e nisto também há que ter as ideias muito claras. As pessoas que aceitam participar em um entranhado de corrupção estão cometendo um erro fundamental, análogo ao de não cumprir um compromisso: se perde o prestígio e o respeito dos demais. Claro que na vida, e mais estando em trinta países, surgem oferecimentos e tentações vinculados com a corrupção. Mas esse erro não se pode cometer. De nenhuma maneira.

– Seu nome saiu no caso “dos papéis de Bárcenas”. Como encara uma acusação deste calibre?

– Confiando na verdade e em que tudo sempre se acaba esclarecendo. Há que raciocinar com rapidez e contratar o advogado necessário para que defenda a verdade, mas depois há que esquecê-lo para não perder tempo.

-E como vê o fato de que seu genro, Javier López Madrid, apareça vinculado à trama Púnica?

– O primeiro é inteirar-se, de verdade, do que passou. Em nosso caso, se vemos que se imputam falsidades viramos a página. O que suporia um verdadeiro problema é se, efetivamente, alguma dessas acusações encobrisse um comportamento daninho para os demais. Isso sim afetaria à família, ainda que, quando se tem uma família que se quer e cuida, não nascem esses comportamentos.

– De que forma influencia sua esposa em seu êxito profissional e nessa felicidade de que antes falava?

– Tenho a sorte de ter a meu lado uma esposa encantadora, Silvia. Coloquei um busto seu no despacho para tê-la sempre presente. Somos casados “só” a 57 anos, e nesse tempo, falando com propriedade, não temos tido nem uma discussão séria. Nos queremos muito, somos muito felizes juntos e temos três filhos e sete netos que nos dão muitas satisfações. Para trabalhar com eficácia, é necessário ter paz no lar. De fato, no mundo das grandes responsabilidades –salvo exceções–, os solteiros e os divorciados estão menos valorizados. Ter um matrimônio estável ajuda a ter um comportamento estável. Há que ser feliz na família para poder ser eficaz fora de casa.

– Seu filho acaba de receber a presidência da OHL, mas qual é a maior herança que vai deixar a sus filhos?

– Isso eles terão que responder. Em meu caso, do meu pai não recebi herança econômica, mas sim um exemplo excelente de boa educação, respeito à palavra dada, cumprimento dos compromissos, honradez… e de minha mãe, o carinho, o afeto e a ternura que devem dedicar-se aos demais. Esse legado de honorabilidade, de honradez e de carinho é a herança que mais servirá aos filhos na vida. Se há bens econômicos, bendito seja Deus, mas o fundamental é o caráter.

– É mais difícil reerguer uma empresa em quebra ou manter uma família unida?

– Manter uma família feliz e contente é simples, o incômodo e difícil é manter uma família desgostada. Se não se dedica tempo a tua família para que seja feliz, nunca o será. Tem que contribuir. Se o faz, o resto dos membros responderão da mesma forma.

– Estamos no andar 52. No 33 foi construída uma capela. O senhor a visita?

– Sim. Não diariamente, mas sim com frequência.

Assim está a luz que indica que o Santíssimo está exposto na capela do arranha-céus de Villar Mir

– E como é sua relação com Deus?

– O mais importante na vida tem que ser Deus. Em seguida, a família e, depois, o trabalho. Mas quanto ao tempo dedicado, a ordem costuma ser a inversa: dedicamos muito tempo ao trabalho, bastante à família e menos do que deveríamos a Deus.

-Como reza Juan Miguel Villar Mir?

– A verdade é que rezo menos do que deveria, ainda que trato de ser todos os dias boa pessoa e não ofender a ninguém. E me lembro muito do “perdoa nossas ofensas como também nós perdoamos aos que nos ofendem”.

– Como empresário está acostumado a render contas. Tem pensado como será o “balanço de resultados” que apresentará no dia de amanhã ante Deus?

– Sim. Eu confio muito na misericórdia e na grande caridade de Deus! E confio em que receba uma certa bem-vinda quando me apresente ante são Pedro. Nesse balanço, creio que em minha atenção direta a Deus e em minhas orações tiraria uma nota aceitável, não brilhante, mas considero que, nesse sentido, me ajudará o fato de ter me esforçado durante toda minha vida por querer aos demais.

– Como deseja terminar esta entrevista?

-Com a satisfação de haver cumprido outro dever mais.

 Fonte: http://www.religionenlibertad.com/villar-mir-mas-importante-vida-tem-que-ser-

Crédito: Frei Zaqueu

‘Não arrependo’, diz prefeito que quer tirar páginas didáticas com união gay

Segundo executivo, medida foi para resolver problema em Ariquemes (RO).

‘Fui pautado pela vontade dos ariquemenses’, explica Thiago Flores.

Ana Claudia Ferreira e Jeferson CarlosDo G1 Ariquemes e Vale do Jamari

Prefeito Thiago Flores diz que decisão foi feita com apoio de moradores (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)Prefeito Thiago Flores diz que decisão foi feita com apoio de moradores (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)

O prefeito Thiago Flores (PMDB), que determinou a retirada de páginas de livros didáticoscom casamento entre homossexuais, disse que não se arrependeu da decisão em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari. Em entrevista ao G1, Flores afirma que a medida adotada é para resolver um problema criado na administração passada, quando os livros foram totalmente recolhidos e proibidos nas escolas.

“Na minha gestão, a prefeitura adotou a medida de distribuir o material didático, após a supressão das páginas com ideologia de gênero e evitar mais prejuízo no aprendizado dos alunos. Não me arrependo dessa atitude. Fui pautado pela vontade dos ariquemenses. O assunto foi discutido amplamente pela população, que pediu a retirada do conteúdo sobre diversidade familiar, como casamento e adoção de crianças por homossexuais dos livros escolares do ensino fundamental. Minha decisão foi participada com todos e não tomada dentro do meu gabinete”, esclarece.

Após o anúncio da supressão de páginas com conteúdos envolvendo diversidade familiar, o caso ganhou repercussão nacional e dividiu opinião dos internautas. Alguns usuários aprovaram a medida do executivo, enquanto outros afirmaram se tratar de homofobia.

Livro vetado mostra foto de 1° casal gay a adotar criança no  Brasil (Foto: Ana Claudia Ferreira/ G1)
NOTA DO “SENSUS FIDEI”:
Ressaltamos, com relação à matéria em pauta, um detalhe não menos relevante apesar de diminuto. Nos referimos à estratégia da manipulação da linguagem. A nós católicos – porque às leis natural e divina – não existem “casais homossexuais”, uma vez que não há casamento além do de um homem e uma mulher cientes e concordes de sua condição natural. Como não existe ainda a suposta “diversidade familiar”, dado que a Família, instituição divina derivada do Matrimônio, comporta um único modelo, a ratificar, o de um pai, uma mãe e filhos, biológicos ou adotivos. O que passar disto é usurpação. Assim que advertimos a que estejamos atentos, ao nos pronunciarmos por quaisquer meios, evitando a incorreção de conceitos, ainda que seja por uma simples palavra.
Créditos: Frei Zaqueu

Malta suspende a divinis os padres que não deem Comunhão a adúlteros

BpMlt

Tradução Frei Zaqueu –

GOZO, Malta (ChurchMilitant.com) – Os sacerdotes de Malta serão os primeiros clérigos que enfrentam uma suspensão por rejeitar a Sagrada Comunhão aos católicos divorciados “recasados” fora da Igreja.

O bispo Mario Grech, da diocese de Gozo, Malta, está dizendo que despojará todos os sacerdotes de suas faculdades sacerdotais que não sigam suas novas diretrizes, alegando que está seguindo as diretrizes da exortação papal Amoris Laetitia. Segundo os informes, tomou esta severa posição ao regressar esta semana de sua visita a Roma. Segundo a imprensa alemã, D. Grech ameaçou seus sacerdotes com a suspensão a divinis se se negam a cumprir.

As diretrizes D. Grech co-publicadas em 8 de janeiro com o Arc. Charles Scicluna, da arquidiocese de Malta, são: “Se … uma pessoa separada ou divorciada que vive em uma nova relação pode … reconhecer e crer que ele ou ela está em paz com Deus, não pode ser excluído da participação nos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia”

As orientações de Malta se centram nas consciências dos civilmente casados que se apresentam na Missa para receber a Eucaristia. Não se faz menção da consciência do sacerdote que tenta seguir a lei da Igreja tal como está contida no Código de Direito Canônico.

O Canon 915 ordena que aqueles que “perseveram obstinadamente em pecado grave manifesto não sejam admitidos à Santa Comunhão”. Este juízo se baseia na situação objetiva do casal, chamada foro externo, e é completamente independente de seu sentimento subjetivo de culpa, que é parte do que se chama o foro interno.

Um canonista experimentado, o Dr. Ed Peters, enfatizou recentemente que a Santa Madre Igreja manda os sacerdotes seguirem este cânon e não admitir os casais que vivem publicamente em estado de pecado mortal objetivo à Sagrada Comunhão: Ao administrar a Sagrada Comunhão a um membro fiel, os sacerdotes católicos estão obrigados, não pelas diretrizes supostamente elaboradas a partir de um único, ambíguo e altamente controvertido documento papal, mas pelo texto claro de outro documento papal, chamado Código de Direito Canônico (especialmente o Cânon 915 do mesmo), e pela interpretação comum e constante de tais normas através dos séculos.

Em uma entrevista em maio passado, o Card. Raymond Burke, patrono dos Cavalheiros de Malta, qualificou de “grave injustiça” que os bispos ordenassem a seus sacerdotes que fizessem esta mesma coisa que em consciência não podiam fazer. “Se alguém diz ao sacerdote que tem que fazer estas coisas, simplesmente deve rejeitá-lo e enfrentar as consequências”, disse.

Fonte: http://josemartiflorenciano.blogspot.com.br/2017/01/malta-suspende-divinis-los-

EXCLUSIVA: Suspenso a divinis sacerdote na Colômbia por divergir de Francisco

Luis-Carlos-Uribe-Medina-perfil

Tradução Frei Zaqueu – Em 16 de janeiro passado, o bispo de Pereira, Colômbia, Monsenhor Rigoberto Corredor (foto principal), suspendeu a divinis o sacerdote Luis Carlos Uribe Medina porque “expressou pública e privadamente sua rejeição aos ensinos doutrinais e pastorais do Santo Padre Francisco, principalmente com respeito ao Matrimônio e a Eucaristia”. As mesmas segundo se desprende do áudio adjunto do próprio sacerdote, e segundo diversas fontes fiáveis, não são outras que as novas normas que permitem aos adúlteros permanecer em pecado e comungar derivadas de Amoris laetitia. Independentemente que tivesse algum detalhe que desconheçamos, é claro que o texto do decreto centra todo o peso de sua argumentação no desacordo deste sacerdote com Francisco, chegando a afirmar-se que suas ideias são “contrárias à fé católica” (!!!???). Seguimos trabalhando para ampliar as informações desta importante notícia.

Anexamos o decreto e audio do sacerdote após sair do encontro com o bispo.

***

DECRETO 1977 Del 16 de enero de 2017 Por el cual se suspende un sacerdote

EL OBISPO DE PEREIRA

Considerando

1º. Que el Padre Luis Carlos Uribe Medina ha expresado pública y privadamente su rechazo a las enseñanzas doctrinales y pastorales del Santo Padre Francisco, principalmente con respecto al Matrimonio y la Eucaristía.

2º. Que el día de hoy, 16 de enero de 2017, el Señor Obispo convocó al Padre Luis Carlos Uribe Medina, para que explicara su posición doctrinal con respecto a las enseñanzas del Santo Padre. Este acto contó con la presencia de cuatro sacerdotes del clero diocesano.

3º. Que el Padre Luis Carlos Uribe Medina, en esa reunión persistió en su postura en contra del Santo Padre Francisco. Por lo tanto, para el Señor Obispo y los sacerdotes presentes, se concluyó de manera contundente, que el mencionado sacerdote se ha apartado públicamente de la comunión con el Papa y con la Iglesia.

4º. Que el canon 1.364 parágrafo 1 del Código de Derecho Canónico prescribe que: “el apóstata de la fe, el hereje o el cismático incurren en excomunión latae sententiae”. El parágrafo 2 dice que “si lo requiere la contumacia prolongada o la gravedad del escándalo se pueden añadir otras penas, sin exceptuar la expulsión del estado clerical”. Además, a tenor del canon 194, par. 1 n.2, queda

de propio derecho removido del oficio eclesiástico. Igualmente, el canon 751 define el cisma como “el rechazo de la sujeción al Sumo Pontífice o de la comunión con los miembros de la Iglesia a él sometidos”.

5º. Que el día 2 de enero de 2017, el Padre Luis Carlos Uribe Medina, sin comunicar a su Obispo y a ninguna autoridad diocesana, abandonó la Parroquia de Santa Cecilia en Pueblo Rico, Risaralda.

DECRETA ARTÍCULO PRIMERO:

Se suspende al Padre Luis Carlos Uribe Medina, del ejercicio del ministerio sacerdotal.

ARTÍCULO SEGUNDO:

Se prohíbe al Padre Luis Carlos Uribe Medina, difundir sus ideas contrarias a la fe católica y a la disciplina eclesiástica.

ARTÍCULO TERCERO:

Se pide a los fieles de la Iglesia Católica no seguir las enseñanzas del mencionado sacerdote, en tanto no acepte la doctrina y enseñanzas del Vicario de Cristo.

ARTÍCULO CUARTO:

Se exhorta a los fieles a orar por el Padre Luis Carlos Uribe Medina para que retorne a la Unidad de la Iglesia.

Comuníquese y cúmplase.

Dado en Pereira, Risaralda, a los dieciséis días del mes de enero de dos mil diecisiete. + RIGOBERTO CORREDOR BERMÚDEZ Obispo de Pereira

Padre Alirio Raigosa Castaño Canciller

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Fonte: http://adelantelafe.com/exclusiva-suspenso-divinis-sacerdote-colombia-discrepar-francisco/

Luzes, lágrimas, muçulmanos agradecidos… os assombrosos sinais marianos na guerra da Síria

 

 

 

siria

ReL

10 dezembro 2016

Tradução Frei Zaqueu –

A situação dos cristãos na Síria segue terrível ainda que tanto sofrimento

não os tenha feito perder a fé, mas inclusive reforçá-la. Assim o explicou o arcebispo greco-católico

de Homs, Jean Abdo Arbach, recentemente em Madrid e Barcelona após ser convidado por Ajuda à

Igreja que Sofre.

Em uma conversa com a Fundação Cari Filii falou também do amor do povo sírio pela Virgem Maria,

incluídos muitos muçulmanos, assim como dos sinais que apontam a uma especial ação de Maria

naquela terra.

“Nossa região de Homs, com povoados como Qalamún, Malula -onde foram sequestradas umas

religiosas- ou Yebrud, sempre foi de uma grande devoção mariana e sempre tem contado com muitas

capelas dedicadas à Virgem”, explica o arcebispo, que fala espanhol porque durante vários anos foi

pároco dos católicos melquitas de Córdoba (Argentina).

Em Malula, também na diocese de Homs, os cristãos –maioria na cidade-, recolocaram esta imagem da Virgem Maria no alto da população após sua retomada das mãos dos jihadistas Missa em Yebrud sem eletricidade… mas com luz Em março de 2014 o exército sírio reconquistou Yebrud, que tinha sido durante 5 meses o feudo principal da facção rebelde da região de Qalamún, que incluía numerosos jihadistas. Jean Abdo Arbach, que era arcebispo de Homs desde janeiro de 2013, chegou ali em 9 março de 2014 para celebrar missa na capela da Virgem Maria da Salvação, padroeira da diocese. Como em quase todo o povo, não tinha eletricidade devido aos destroços da guerra. “Não tinha eletricidade… e no entanto eu notava algo, umas luzes que brilhavam durante a missa. Não só eu, as outras 70 pessoas que estavam comigo o notaram. E sem eletricidade”, assinala o arcebispo. Dois dias depois, de volta a Homs, o sacerdote de Yabrud lhe telefonou de noite para contar que a imagem da Virgem chorava, que tinha lágrimas. “Voltei a Yebrud para vê-lo. Ali a gente me comentava, que tinham visto as luzes e as lágrimas”.

O arcebispo Arbach de Homs e o bispo Dominique Rey, de Toulon (Francia), junto à nova imagem da Virgem de 7 metros colocada em Yabrud após sua retomada A Virgem, vestida de branco, nas montanhas Os cristãos de Yebrud contavam também histórias. “Diziam que uns muçulmanos tinham visto a Virgem Maria, vestida de branco, caminhando pelas montanhas que dominam à cidade”, muito visível desde o vale donde estão as vivendas. Em outra ocasião, o arcebispo celebrou missa em um povoado, e alguns dos chefes muçulmanos acudiram à missa. “Um destes chefes veio falar comigo, e me falou com devoção e agradecimento da Virgem. Me entregou um quadro que representava um soldado de joelhos, ante a Virgem Maria. Me disse que essa cena tinha passado em Yebrud na noite anterior à libertação. Depois consultei um sacerdote local e me disse que muitos muçulmanos tinham rezado, descalços, venerando à Virgem, que era algo que muitos sabiam ali”, explica o arcebispo. Uma grande imagem da Virgem substitui as destruídas Os jihadistas em Yebrud tinham destruído a Paróquia e os ícones da Virgem na praça onde sempre tinham estado. Nessa mesma praça ante a Paróquia os cristãos levantaram, após a libertação da cidade, uma estátua da Virgem de 7 metros de altura. “A dedicamos a Nossa Senhora da Paz”.

O arcebispo Arbach, revestido segundo o rito greco-melquita, mostra o ícone da Ressurreição: fonte de esperança e renascimento para os cristãos Em Yebrud a Padroeira é a Virgem da Salvação, representada em um ícone do século XVII que tem sua história milagrosa: uns bispos o trasladaram de uma capela a uma grande Igreja, mas no dia seguinte o ícone voltou milagrosamente à sua capela original, como que negando-se a deixar o lugar. Na zona há muita devoção também à Virgem da Paz, Padroeira da catedral de Homs. Devoção ao ícone milagroso de Soufanieh A população cristã de toda Síria é muito devota do ícone da Virgem de Soufanieh, em Damasco, cujos fatos milagrosos (lágrimas e suor de azeite curativo) têm sido aprovados oficialmente tanto pelo arcebispo católico como pelo ortodoxo. Este ícone pertence a um casal misto: Nicolás, ortodoxo, e Myrna, greco-católica. Foram testemunhas dos fatos de 1982 seus amigos e vizinhos muçulmanos. “A Virgem é a Mãe de Deus, a Mãe da Igreja e Nossa Mãe; em maio rezamos cada dia e temos as orações marianas na Síria desde há muitos séculos. Os cristãos sírios a amamos com devoção”, conclui o arcebispo de Homs. Ela dá consolo nestes tempos duros. O arcebispo tem uma lista com nomes e sobrenomes de 420 cristãos que morreram mártires em sua diocese estes anos. E recorda que a cidade de Alepo há pouco contava com 200.000 cristãos e hoje apenas restam ali 30.000 entre grandes privações. (É possível apoiar aos cristãos perseguidos com donativos aqui na Ajuda à Igreja que Sofre)

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Fonte: http://www.religionenlibertad.com/luzes-lagrimas-muçulmanos-agradecidoslos-assombrosos-sinais-marianos-guerra–53646.htm

A DÉBIL FÉ CRISTÃ PAVIMENTA O CAMINHO AO ISLÃ

 

Mons.-Liberati

Mons. Liberati: «Em dez anos vamos ser todos muçulmanos por culpa de nossa estupidez»

Monsenhor Carlo Liberati, arcebispo e prelado emérito de Pompéia (Itália) criticou duramente em um seminário a chegada massiva de imigrantes que professam a religião islâmica, em um contexto de secularização crescente na Europa

17/01/17 8:47

(Infobae) – Tradução Frei Zaqueu – «Em dez anos vamos ser todos muçulmanos por culpa de nossa estupidez. Itália e Europa vivem no ateísmo, fazem leis contra Deus e promovem tradições próprias do paganismo. Toda esta decadência moral e religiosa favorece o islã», disse o arcebispo italiano Monsenhor Carlo Liberati, bispo emérito de Pompéia, durante um seminário.

«Temos uma débil fé cristã. A Igreja não está trabalhando bem e os seminários estão vazios. As paróquias são o único que se mantém de pé. Necessitamos uma verdadeira vida cristã. Tudo isto pavimenta o caminho ao Islã. Adicionalmente, eles têm filhos e nós no. Estamos em total declive», agregou.

O alvo de suas críticas é o sustentado avanço da população muçulmana na Itália como resultado da chegada de imigrantes e refugiados provenientes do Oriente Médio e do Norte da África. Se calcula que uns trezentos e trinta mil chegaram só nos últimos dois anos. As estatísticas oficiais mostram que em 1970 havia só dois mil muçulmanos na Itália, frente a mais de dois milhões que há na atualidade.

Liberati questionou todas as supostas ajudas econômicas que recebem os estrangeiros, em contraposição com o abandono dos pobres italianos. «Ajudamos sem demora aqueles que vêm de fora e nos esquecemos de muitos pobres e velhos italianos que estão comendo do lixo. Necessitamos políticas que se ocupem primeiro dos italianos: os jovens e os desempregados. Sou um manifestante. Se não fosse um sacerdote estaria protestando nas praças», disse.

«Qual é o ponto de que haja tantos imigrantes que, em vez de agradecer pela comida que lhes damos, a jogam, ficam horas olhando seus celulares e inclusive organizam distúrbios?», se perguntou.

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Fonte: http://www.infocatolica.com/?t=noticia&cod=28316

LIVRAI-NOS DE NÓS!

solidao

Fr. Zaqueu

Este artigo o dedico de forma especial às Ordens Contemplativas e de Clausura, escândalo de um mundo escandaloso e escandalizável.

Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cuja posse e conhecimento Ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho o qual quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade. Para este fim tratava-a pelo nome de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estranha, embora no seu Coração a estimasse mais do que a todos os anjos e a todos os homens.

(Tratado da Verdadeira Devoção)

O homem nunca se nutriu tão visceralmente do desejo de ser visto, ser notado, ser quisto ou comentado de alguma maneira, qualquer que seja, pelo motivo que seja. O comprovam o estado islâmico, o pcc e certo vulto eneadáctilo. O comprovam o corpo recém atropelado, agora por segunda vez pelas câmeras celulares de amadores jornalistas, ou ainda o escovar de dentes e a hora das necessidades íntimas tornados notícia do dia em redes sociais. O homem deseja ser visto pela necessidade de ser notado, e ser notado pela necessidade de ser quisto. Porque já não se vê, já não se nota, e não se quer. Isto posto, vamos ao que interessa.

Relendo estes dias o Tratado de S. Luis de Montfort, o extrato acima chamou-me a atenção por um detalhe pequeninamente relevante, e este é que Deus, pelo verdadeiro amor, preserva aos que ama pela omissão. Ele, não raro, os omite, esconde, apaga os holofotes, abrigando-os assim “sob suas asas” dos perigos que diuturnamente os ronda. E considerando a matéria de que somos feitos e de que matéria o demônio o é, isso não nos deveria entupir de barbitúricos, fazer com que socássemos uma bala na cabeça ou na melhor das hipóteses tornar-nos bulímicos, muito ao contrário. Ocorre que à maioria dos homens modernos – e ao usar homens recordo, como elementarmente o fez em dada entrevista o ainda hoje necessário Eneias Carneiro à jornalista Marília Gabriela, que o termo é plural genérico; em que pese as transitórias presidentas que passam atravancando os caminhos da gramática e de milhões de brasileiros – vem surgindo algo curioso digno de atenção: nunca o paladar foi tão alterado com o doce já bem amargo, e o amargo tão adocicado. E vamos metendo dedo na goela para acabar com o que não existe.

Dada a nada desprezível quantidade de complexos que incidem sobre o homem moderno, penso que todos possuam uma raiz comum. Com essa onda de morte ao Criador rondando a um certo tempo, a criatura não vem fazendo outra coisa que tapar simultaneamente nariz e boca obstruindo assim o livre trânsito do que lhe confere a vida e o mantém de olho aberto, mas piscando. E como nada se pode destruir se não for substituído, como dizia Napoleão, lógico é que ao tentar preencher o lugar do Moribundo dar-se-á com a cara no muro, porque se existe algo essencialmente necessário este é a Essência por excelência, recordando a um Boi mudo[1] medieval mais eloquente que as gralhas e hienas modernas. Mas o homem (plural genérico) não aprende, e como é pouco inteligentemente mais empacado que a mula (que quando empaca é por um bom motivo) vai tentando a todo custo e de modo patético substituir o Insubstituível, contingenciar o Necessário. Porém, como 2 + 2 não são nem 3,9 ou 4,1, não serão plásticas ou notas de rodapé que darão jeito. Não adianta querer evoluir neste sentido como não adianta botar a si mesmo, a namorada provocante, o vizinho sarado, a meretriz de luxo, o trabalho frenético, o Padre simpático, as mil e uma diversões ou o programa do Amaury Júnior como ersatz do Criador, cuja existência o comprova a existência de ateus. Pode-se ainda tentar insistir com viagens, baile funk, tabefe no mendigo da rua, horóscopo do dia, dilações do sr. Dawkins, sessão do descarrego, maracanã na segunda-feira ou gurus sob encomenda + novela das 7[2], e é aí que a coisa degringola. Na esteira do santo bispo de Hipona, ao se preterir o Doador pelos bens doados, ainda que legítimos, mantendo-se a devida distância da Essência, perde-se por inteiro uma coisa chamada identidade, sem chance de se obter uma segunda via; ou se cai em um crônico caso de amnésia existencial: “já não se sabe de onde veio ou para onde foi destinado. Melhor dizer, de Quem e para Quem..”[3]. Por isso o “Deus nos acuda”, uma vez que a medida da decepção é a da expectativa. E a cada novo paliativo, nova frustração. Não se acha mais o que agrade, pois o Objeto do agrado se inumou mais fundo que os sete palmos estipulados. Até que se dê conta de que tudo traz consigo o prazo de validade. A insatisfação vem simplesmente porque fomos feitos imagem e semelhança, e uma vez que “fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração inquieto está enquanto não repousa em Ti”[4]… “para onde fugirei?”[5].

Tenho a impressão de que a compulsão de ser vistos, comentados e quistos diária e freneticamente vem de mãos dadas a certo medo de escuro e solidão infantis nas crianças cuja inocência e pureza fazem parte do passado. Naquelas cujo Amigo Invisível (também conhecido como Anjo da Guarda) cedeu lugar ao Hellboy e seus comparsas. A questão é que já não se suporta estar na companhia da boa solidão, vivida e decantada em prosa e verso pelos santos. Porque já não cogitam os ego cogito sum modernos uma solidão que seja boa e benéfica, por isso receitada.

Deus, como dito acima, não poucas vezes nos deixa escondidos para nos manter preservados. Ou retira talentos, bens e dons para não perdermos coisa maior, ao modo dos pais que ao retirar a faca da mão de seus pequenos não lhes lesam, preservam. Ou dos pais que ao dar o devido corretivo no menino que muito insiste em brincar de boneca não lhe retira os direitos humanos, o humaniza. E nisto a máxima do santo de Montfort vem (muito) bem a calhar. A Virgem Maria, a mais bela e perfeita criatura, foi também (justamente por isso) a mais escondida, ainda que dela seja difícil se pensar em extração de dons. Muito simplesmente porque o muito belo muito se cobiça e nem sempre com a melhor das intenções.

Santa Teresa de Jesus certa vez reclamou da forma de tratamento dispensado por Jesus Cristo aos seus amigos dizendo à Sua Majestade – como O tratava – que por isso Ele os tinha em tão pouco número. Ao que respondeu o bom Mestre nada afeito a quantitativos: “É assim que trato a quem amo”. Não necessariamente nessa ordem foi a conversa, mas que nos sirva a moral da história. E essa moral é a de que a forma do tratamento divino se dá –não podia deixar de sê-lo – de forma muito justa, afinal poucos desejam abrir mão do supérfluo em proveito do essencial, que naturalmente é “invisível aos olhos” e custa caro.

O que recobra o magnifico exemplo da jovem Mãe que, antes, durante e depois, a si preferiu o escondimento por saber que muita luz ofusca e mesmo cega. Optou pela solidão repleta de presença porque tempranito entendeu que “só Deus basta”. E elegeu dar luz à Luz ao querer brilhar por conta e risco, posto ser é efêmero e fugaz. Maria foi assim uma menina e uma mulher incomum, tornando-se por isso modelo de felicidade. Ouçamo-la todos os bulímicos, carentes, violentos, afetados, afeminados, autossuficientes, revoltados, maliciosos, covardes, ignorantes e… soberbos; em uma palavra: nós. E preferencialmente antes de ser ainda suicidas. Seu ensino é simples: fazei o que Ele manda, como Ele o fez. De outra forma: que não há precisão de aparecer, basta com fazer reaparecer o que fizemos desaparecer e então desaparecerá o medo de não aparecer. Não ser visto ou notado, não ser noticiado ou quisto, ou ainda aplaudido e recompensado será então o menor dos problemas e o maior dos prazeres. Utopia? Quimera? Masoquismo? Visitemos um verdadeiro Claustro contemplativo; ou uma verdadeira Missa em latim. Rezemos com simplicidade honesta e deixemos selfies e facebooks uma semana que seja. E teremos a resposta.

Digo isto porque há o escondimento e há as razões. O primeiro pode ser quisto e buscado por várias segundas. Por isso há o escondimento do eremita e o do avestruz; há o da recatada, que se esconde da coisificação e da superficialidade, e o da exibida, que se oculta da virtude e da dignidade; como há ainda o medo do pecado e o da polícia, conduzindo obviamente a distintos claustros. Mas é ainda o santo de Montfort quem atesta, ao que busca o escondimento para se ver livre da escravidão travestida de liberdade, que jamais se estará sozinho neste esconderijo de Deus, posto estar situado em um Seio:

Santo Agostinho… afirma que os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte. Este é propriamente o dia do seu nascimento, pois é assim que a Igreja chama a morte dos justos.

Neste bem-aventurado Seio não há “luzes, câmera e ação” ou colunas sociais, porque a lógica é bastante outra. Ali, mais aparece quem mais se esconde, menos cresce quem menos diminui, mais se exalta quem menos se ensoberbece. Nele, por isso, não são necessárias selfies, mãos aplaudindo, caretas ovacionando ou kkk’s. Flores, corações e músicas romanticamente tristes ou tristemente românticas são perfeitamente dispensáveis. Manchetes, flashes, comentários e palavras cheias de sentido algum, tudo se torna muito bem descartável; pois – para ficar em um exemplo – fosse isto solução para o desespero, a tristeza, o sem sentido ou o crescente desejo não de encontrar, mas de sumir do mapa, muitas estrelas não teriam sumido do mapa hollywoodiano ou global, caído como relâmpagos, apagadas por todo o sempre (que o bom Deus tenha piedade de sua alma) amém.

O sábio aconselha ter mil como amigos, mas somente a um abrir o coração[6]. Buscamos no entanto com certo desespero escancarar o coração ao mundo sem importar uma única amizade fiel e desinteressada. Nisto há, penso, certa desconfiança de que já não haja em nós algo que nos agrade, porque esquecemos que somos casa, lar, abrigo. Mais: que esse lar foi pré-projetado para dar abrigo a Quem o projetou, elevando-o da condição de casa a de templo. Mas com o esquecimento, o que antes era casa vira depósito, não raro de lixo. Quiçá por isso já nos custe preservar casas, prédios, cidades, estados, países e mesmo o planeta, nossa casa comum…

Deus ao se fazer Homem não teve medo de ficar só, não só em função de sua autopreservação como Homem, mas também da nossa, dando-nos o exemplo. Não por acaso passou três décadas escondido com a Mãe e só três anos aberto ao entorno, bastando somente três horas na cruz para consumar tudo e salvar a Humanidade, como ouvi recentemente de um sacerdote de Deus.

Triste observar como cresceu, com a tecnologia, o progresso e as heresias, a solidão humana. À espantosa proporção de sorrisos distribuídos em selfies vem diametralmente oposta a infelicidade dos sorridentes. Tive neste sentido a oportunidade de presenciar um fato repleto de semântica e semiologia.  Estava em um passeio em local público quando, junto a um grupo de gente simples, separam-se em minha direção duas mocinhas do grupo ainda na idade da infância, com suas simples, pobres mas pouco decente indumentárias. Pararam a uma distância de uns dois metros. A maior delas tira então do bolso de seu shorts um celular notadamente menos simples e pobre que sua (pouca) roupa para uma selfie com a menor. As caretas e os sorrisos notoriamente artificiais produzidos para a ocasião e que duraram o tempo de um clic manifestaram, através daquelas crianças, uma categoria de felicidade até então para mim desconhecida ao menos na forma do neologismo que me vem à mente, o da “felicidade fotográfica”. O que quero dizer é que concluído o registro o fake sorriso se desfez numa fração de segundos, dando lugar ao que já estava ao modo de estado natural: semblantes insatisfeitos, enfadados, dotados de uma rudeza, feiura e tristeza incomuns às tenras fisionomias tão caras ao Redentor. Eram já crianças, ao que indicava, automatizadas e insensíveis ao bem, ao belo e ao verdadeiro. Mas algo ficou patente: ali estavam duas crianças carentes de serem vistas, notadas, quistas, ainda que por um objeto… que mui provavelmente equivaleria a umas boas cestas básicas em suas mesinhas deixando-as assim um pouco mais feliz ainda que sem selfies.

Estamos em que o mundo, a carne e o demônio desejam e oferecem purpurina, fantasia, arrepio e histerismo, em uma intensidade maior que de costume. Que eles nos sorriem com seus dentes de hiena. Que onde mais procuramos companhia, existem interesses. Que as presenças são a cada dia mais efêmeras e estéreis, feitas somente para a alegria não para a tristeza; apenas para a saúde não para a doença; exclusivamente para a riqueza não para a pobreza. Solitários quanto menos solidários, mendigando olhos que já não se veem a si mesmos, sorrisos que já não sorriem para si ou o sorriem à velocidade de um flash… E nisso estamos.

Mas como o tema é este e não outro deixemos que seja Ela a apontar à Luz ao fim do túnel: a Virgem com seu solitário sorriso pleno de solidariedade; sua laetitia manifestamente oculta; sua plena satisfação anônima e seu silêncio mais eloquente que o mundo. É tempo – enquanto o temos – de olhar à esta Virgem que por ter-se ocultado e permitido ser ocultada hoje é vista, notada e quista – e notícia! –, ainda que disto nunca fizesse questão. Porque a Menina optou por diminuir para que o Menino crescesse. Porque apontou ao Filho, da forma que o faria também um seu cavernoso e santo parente nada dado a suscetibilidades humanas. Porque abriu o coração à Vida, cobrindo seu corpo santo compreendido como templo e abrigo. E assim compreendendo, não teve dificuldade em perceber que todo hogar destelhado, com portas e janelas escancaradas, faz com que seus habitantes mais facilmente se molhem e sejam roubados. Daí que navegar não é assim tão preciso: religar é preciso.

Talvez hoje careçamos como nunca suplicar a que o bom e silencioso Deus, por isso, nos livre de nós, nossos maiores inimigos, devolvendo-nos assim a nós a dignidade perdida, a de seus maiores amigos.

Causa nostrae laetitia: ora pro nobis!

Em 16 de janeiro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017.

Frei Zaqueu

[1] Santo Tomás de Aquino, monge dominicano. Assim apodado por seus confrades por ser grande e corpulento, e falar pouco. Esta, uma característica geralmente associada aos que sabem e fazem muito.

[2] Aqui também utilizado como plural genérico.

[3] Frei Zaqueu: O Casamento Tem Cura.

[4] Santo Agostinho de Hipona, Bispo e Doutor.

[5] Sl CXXXIX.

[6] Eclo VI, 6.

A Crise Ariana e a controvérsia por Amoris Laetitia: um paralelo

sonho do papa liberio

Traduzido por Frei Zaqueu

Um renomado acadêmico compara ambas situações

PROF. CLAUDIO PIERANTONI

 

As reflexões que seguem derivam sua origem de uma coincidência bastante curiosa. Nos primeiros dias de abril deste ano, em efeito, na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Santiago do Chile se pôs em movimento um grupo de estudo sobre a controvérsia ariana.


Na primeira reunião do grupo refletiram sobre a extraordinária rapidez com a que a controvérsia suscitada pelo presbítero alexandrino Ario no ano 318 ou 319 [d. C.], aparentemente reprimida com a condenação deste por parte de Alexandre (o bispo da metrópole), se difundiu rapidamente na Palestina, e desde ali e em poucos anos incendiou todo o Oriente romano, obrigando inclusive o imperador Constantino a convocar um concílio ecumênico para resolvê-la. Aparentemente se trata só de um punhado de frases imprudentes sobre a relação do Filho com o Pai, mas que puseram a descoberto profundas diferenças doutrinais existentes no episcopado, e desencadearam uma polêmica evidentemente latente há muito já instalada.


Pois bem, justamente nesses mesmos dias de abril de 2016 se publicou a exortação apostólica “Amoris laetitia”, e pouco tempo depois […] apareceram as reações do cardeal Burke e as do cardeal Müller, e começou a polêmica. Não passou muito tempo para compreender que o incêndio que se estava propagando rapidamente, justamente como nos tempos de Ario, era de vastas proporções, apesar das modestas aparências de basear-se só em um par de notas imprudentes ao pé da página, das que o Papa afirmava que nem sequer as recordava.


Me pareceu então natural começar a fazer um paralelo entre as duas crises. […] Em efeito, os dois momentos podem ser vistos em analogia, porque em ambos casos muitos católicos percebem uma intervenção importante do magistério como em conflito com a doutrina anterior. E ademais, em ambos casos se percebe um silêncio ensurdecedor da hierarquia da Igreja Católica, naturalmente com suas exceções.


Quanto ao conteúdo, as duas crises são certamente diferentes. No primeiro caso, o tema da discórdia é estritamente teológico, referido ao fundamento da doutrina cristã sobre o Deus uno e trino, enquanto que no segundo caso é teológico-moral, referido principalmente ao tema do matrimônio.


Não obstante, me parece que o elemento principal que aproxima as duas crises é o fato que ambos afetam a um pilar da mensagem cristã, que se é destruído a mensagem mesma perde sua fisionomia fundamental. […]


  1. Paralelo entre as duas crises, nos documentos doutrinais 


Desde o ponto de vista dos documentos doutrinais, o elemento paralelo que maiormente chama a atenção é o carácter de ambiguidade presente nas fórmulas filo-arianas dos anos 357-360 d. C.


Em efeito, […] a minoria filo-ariana, ainda estando no poder, não se arriscou a propor uma posição que se opusesse muito claramente à visão tradicional. Não diz expressamente que o Filho é inferior ao Pai, mas utiliza uma expressão genérica, “semelhante” ao Pai, que podia prestar-se a diversos graus de subordinacionismo. Em síntese, ainda estando no poder, a minoria filo-ariana tenta esconder-se.


De modo análogo, a atual exortação apostólica “Amoris laetitia”, no famoso capítulo VIII, não nega abertamente a indissolubilidade do matrimônio, a afirma explicitamente. Mas na prática nega as consequências necessárias que se derivam da indissolubilidade matrimonial, e o faz através de um discurso sinuoso e enviesado, com formulações que abarcam uma gama de posições diferentes, algumas mais extremas, outras mais moderadas.


Por exemplo, diz que “em alguns casos” poderia dar-se a “ajuda dos sacramentos” às pessoas que vivem em uniões “chamadas irregulares”. Não se dizem quais são estes casos, por isso a partir do texto podem se dar ao menos quatro interpretações, das quais as mais restritivas são obviamente incompatíveis com as mais amplas. Por claridade interpretativa, é então útil classificá-las com base no distinto grau de amplitude, partindo da mais restritiva até a mais extensa:


  1. Sobre a base do princípio de continuidade hermenêutica, a expressão “em alguns casos” deveria interpretar-se como referidos aos casos especificados nos documentos do magistério vigente, como “Familiaris consortio”, a qual diz que se pode dar a absolvição e a comunhão eucarística nesses casos nos que os conviventes prometem conviver como irmão e irmã.


Esta interpretação tem desde já um princípio hermenêutico fundamental, o qual poderia parecer irrefutável, mas essa interpretação está refutada pela nota 329, que afirma de forma explícita que justamente este comportamento (isto é, a convivência como irmão e irmã) seria potencialmente daninho, por isso há que evitá-lo.


  1. “Em alguns casos” pode interpretar-se em sentido mais amplo como referido à certeza subjetiva da nulidade do matrimônio anterior, supondo que por motivos particulares não é possível prová-la em um tribunal.


Em tais casos poderia dar-se certamente que em segredo de consciência não haja culpa na nova união: isto poderia ser visto, no plano da doutrina moral, de forma concorde com “Familiaris consortio”. Mas se mantém uma diferença fundamental no plano eclesiológico: a Eucaristia é um ato sacramental, público, não que não possa tomar-se em consideração uma realidade em si mesma invisível e publicamente incontrolável.


  1. “Em alguns casos” pode interpretar-se, mais amplamente ainda, como referido a uma responsabilidade subjetiva menor ou também nula, devido a ignorância da norma, ou bem à incapacidade de compreendê-la; ou também a uma “força maior”, na que alguma circunstância especial pode ser tão forte como para “forçar” a uma convivência “more uxorio”, que então não constituiria culpa grave; mais bem, inclusive, segundo o documento, o abandono da convivência poderia fazer incorrer em uma culpa mais grave.


Aqui temos já sérios problemas também de teologia moral. Ignorância e incapacidade de compreender podem limitar efetivamente a responsabilidade pessoal, mas parece incongruente, por não dizer contraditório, invocá-las neste discurso, no que se fala de um itinerário e de um discernimento “acompanhado”, os quais são processos que precisamente deveriam culminar na superação dessa ignorância e incapacidade de compreender.

Quanto à força maior, não é para nada obvio, mais ainda é contrário a toda a tradição e a importantes pronunciamentos dogmáticos que ela possa justificar o não cumprimento da lei divina. É verdade que não se pode excluir a priori que possa existir circunstâncias particulares, nas que a situação pode mudar a espécie moral de um ato externamente igual, também consciente e voluntário. Por exemplo, o ato de subtrair um bem de alguém não pode configurar-se como furto, mas como ato de um pronto socorro a uma pessoa ou como um ato direto para evitar um mal maior. Mas ainda supondo, sem concedê-lo, que isto possa aplicar-se ao adultério, o que aqui impede decididamente uma justificação deste gênero é o carácter de permanência do comportamento objetivamente negativo: o que é justificável em um momento pontual, de emergência, não pode sê-lo em uma situação estável, conscientemente elegida.


De todo modo, se mantém firme também o princípio eclesiológico pelo qual em nenhum caso pode fazer-se magicamente visível a nível público o que por sua natureza pertence ao segredo de consciência.


  1. Na interpretação mais extensa de todas, “em alguns casos” pode ampliar-se até incluir todos esses casos – que são além disso esses casos reais, concretos e frequentes que todos temos em mente – nos que se dá um matrimônio pouco feliz, que fracassa por uma série de mal-entendidos e incompatibilidades e aos quais lhes segue uma convivência feliz, estável no tempo, com fidelidade recíproca, etc. (cf. AL 298).


Nestes casos, pareceria que o resultado prático, em particular a duração e a felicidade da nova união contra a brevidade e infelicidade da anterior, pode interpretar-se como uma espécie de confirmação da bondade e, em consequência, legitimidade da nova união. Neste contexto (AL 298) se silencia qualquer consideração sobre a validez do matrimônio anterior e sobre a incapacidade de compreender e sobre a força maior. E em efeito, quando mais adiante (AL 300) se passa a considerar o tipo de discernimento que deverá fazer-se nestes casos, resulta ainda mais claro que os temas em discussão no exame de consciência e no arrependimento respectivo não serão outros que o bom ou mal comportamento frente ao fracasso matrimonial e o bom êxito da nova união.


É claro aqui que o “arrependimento” que há que considerar não se refere em absoluto à nova união em presença de uma união legítima anterior; pelo contrário, se refere ao comportamento durante a crise anterior e as consequências (no melhor dos casos) da nova união sobre a família e sobre a comunidade.


É então evidente que o documento tenta ir mais além, tanto dos casos nos que se tem certeza subjetiva da invalidez do vínculo anterior, como também dos casos de ignorância, de dificuldade para compreender e de força maior ou de suposta impossibilidade de cumprir a lei.


Agora bem, é suficientemente claro que se a medida válida para julgar a licitude da nova união é, em última instância, seu êxito prático, sua felicidade visível e empírica, contra o fracasso e a infelicidade do matrimônio anterior – licitude que obviamente se supõe para receber a absolvição sacramental e a Eucaristia –, a consequência inevitável é que agora o matrimônio anterior é considerado implicitamente, e também publicamente, sem efeito e, em consequência, dissolvido: isto é, o matrimônio é dissolúvel. Deste modo, na Igreja Católica se introduz de fato o divórcio, enquanto que se continua afirmando de palavra sua indissolubilidade.


É também suficientemente claro que se o êxito do novo matrimônio basta para estabelecer sua licitude, isto inclui a justificação praticamente de todos os casos de nova união. Em efeito, se se tivesse que demonstrar que a nova união carece de êxito, não subsistirá o estímulo para justificá-la e se passará ainda a uma união ulterior, na esperança de um êxito maior. Em suma, esta e não outra é precisamente a lógica do divórcio.

Disto se pode logo deduzir que a discussão sobre casos que poderíamos chamar “intermediários”, isto é, os situados entre a posição tradicional e a mais ampla – que como temos mostrado inclui de fato todos os casos –, se por uma parte permite a muitos, mais moderados, reconhecer-se em uma ou outra gradação e, em consequência, pode ter um valor “tranquilizador”, pelo contrário, desde o ponto de vista prático termina por ser muito pouco relevante. Em efeito, em essência e em linhas gerais, o documento outorga carta branca para resolver a grande maioria das situações reais com um critério muito mais simples e em linha com a mentalidade dominante em nossa civilização: em uma palavra, está perfeitamente em linha com a ideologia do divórcio.


*


Voltando ao nosso paralelo, tudo isto lembra muito proximamente a política do imperador Constâncio, ao buscar uma expressão suficientemente genérica que se propusesse manter contentes as muitas posições diferentes. Na controvérsia ariana, o caráter genérico da expressão “semelhante ao Pai segundo as Escrituras” encontra uma perfeita confirmação no carácter genérico da expressão “em alguns casos” que encontramos em “Amoris laetitia”. Em teoria, é possível reconhecê-lo em quase todas as posições.

Como consequência, as situações resultam análogas também quanto ao resultado prático. Da mesma maneira que quase todo o episcopado do império aceitou a fórmula de Rimini-Constantinopla do 359-60 d. C., assim também hoje a esmagadora maioria do episcopado tem aceitado sem queixar-se o novo documento, ainda sabendo que isto legitima de fato uma série de posições incompatíveis entre elas, algumas das quais é manifestamente herética.


Hoje em dia muitos bispos e teólogos acalmam sua própria consciência afirmando, tanto em público como a si mesmos, que dizer que “em certos casos” os divorciados que se “recasaram” podem receber os sacramentos não é em si errôneo e pode interpretar-se, em uma hermenêutica da continuidade, como em linha com o magistério anterior. Justamente da mesma maneira os antigos bispos pensavam que não era em si errôneo dizer que “o Filho é semelhante ao Pai segundo as Escrituras”.


Mas em ambos casos, se bem em uma e em outra fórmula tomada isoladamente se pode reconhecer uma ampla gama de posições, no contexto dos respectivos documentos é muito claro que a posição ortodoxa, verdadeiramente em linha com o magistério anterior, é precisamente a que é justamente excluída. […]


No caso de “Amoris laetitia”, isto se leva a cabo:


– com a negação da formulação de “Familiaris consortio” sobre a abstenção da convivência “more uxorio” como condição do acesso aos sacramentos;

– com a eliminação dos limites anteriores entre certeza da consciência e normas eclesiológicas sacramentais;

– com a instrumentalização dos preceitos evangélicos da misericórdia e do não julgar, usados para sustentar que na Igreja não seria possível a aplicação de censuras gerais a determinados comportamentos objetivamente ilícitos;

– e por último, ainda que não menos importante, censurando duramente a quem tivesse a “mesquinha” e “farisaica” pretensão de invocar normas jurídicas precisas para julgar qualquer caso individual, que pelo contrário deve ser rigorosamente deixado ao discernimento e ao acompanhamento pessoal.


Deste modo, ainda com a boa vontade de respeitar um princípio hermenêutico certamente válido – o da continuidade com os documentos anteriores -, se corre o risco de olvidar outro princípio ainda mais importante e evidente: o do contexto imediato no que se formula uma proposição.


Se se lê as afirmações particulares de “Amoris laetitia” não isoladamente, mas em seu contexto, e o documento por sua vez é lido em seu contexto histórico imediato, se descobre facilmente que a “mens” geral que o guia é essencialmente a ideia do divórcio, além da ideia hoje difundida de não colocar limites claros entre um matrimônio ilegítimo e uma união irregular. […]

  1. Paralelo entre as duas crises, no desenvolvimento histórico


Também se pode advertir um paralelo evidente desde o ponto de vista do desenvolvimento histórico da heresia ariana. Se assiste a sua preparação durante a segunda metade do século terceiro; ao fazer-se pública, é condenada pelo Concílio de Niceia, mas no Oriente, pelo contrário, recebe uma rejeição generalizada. Não obstante, a rejeição de Niceia é mais moderada em uma primeira fase, e o arianismo verdadeiro e genuíno é tolerado somente como um mal menor, mas pouco a pouco esta tolerância lhe permite retomar vigor, até que dadas as favoráveis circunstâncias políticas chega ao poder. Uma vez alcançado este, sente contudo a necessidade de camuflar-se: não se expressa de forma franca e direta, mas em uma forma indireta, apoiando-se sobre a pressão e a intimidação pública. Mas o fato mesmo de impor-se, ainda quando o arianismo era uma minoria, sobre uma maioria covarde e indecisa, o expõe de todos os modos a uma refutação muito mais forte e clara por parte do setor mais ortodoxo e consciente do episcopado que prepara, de forma gradual mas inexorável, a derrota definitiva nas duas décadas que seguem.


Analogamente, no caso da heresia atual, que a causa do nome de seu expoente principal podemos chamar “kasperiana”, temos assistido a uma lenta preparação, a partir da segunda metade do século XX. Se fez pública e foi condenada nos documentos de João Paulo II (sobretudo em “Veritatis splendor” e “Familiaris consortio”). Mas desde um setor do episcopado e da teologia culta estes documentos foram rejeitados de forma mais ou menos aberta e radical, e a práxis ortodoxa foi omitida em amplas e importantes zonas da catolicidade. Esta rejeição foi tolerada amplamente, tanto a nível teórico como prático, e desde ali adquiriu força, até que, dadas as circunstâncias favoráveis, políticas e eclesiásticas, chegou ao poder. Mas apesar de haver alcançado o poder, o erro não se expressa de forma franca e direta, senão melhor através das não de todo claras atividades sinodais (2014-2015), e desemboca logo em um documento apostólico exemplar por sua tortuosidade. Mas o fato mesmo de haver chegado a aparecer em um documento magisterial suscita uma indignação moral e uma reação intelectual muito mais forte e dinâmica, e obriga a todo aquele que tem os instrumentos intelectuais a repensar a doutrina ortodoxa, por uma formulação ainda mais profunda e clara de sua parte, para preparar uma condenação definitiva não só do erro pontual examinado, mas também de todos os erros vinculados a ele, que chegam a incidir sobre toda a doutrina sacramental e moral da Igreja. Ademais permite, e isto não é pouco, pôr a prova, reconhecer e também reunir os que aderem verdadeira e solidamente ao depósito da fé.


Podemos dizer que esta é justamente a fase na que nos encontramos neste momento. Recém começou e se preanuncia não privada de obstáculos. Não podemos prever quanto durará, mas devemos ter a certeza da fé de que Deus não permitiria esta gravíssima crise se não fosse para um bem superior das almas. Será certamente o Espírito Santo o que nos dê a solução, iluminando este Papa ou a seu sucessor, talvez também através da convocatória a um novo concílio ecumênico. Enquanto isso, cada um de nós está chamado, na humidade e na oração, a dar seu testemunho e sua contribuição. E a cada um de nós certamente o Senhor nos pedirá contas.

Fonte: Chiesa

Fonte: http://panoramacatolico.info/articulo/la-crise-ariana-y-la-controvérsia-por-amoris-laetitia-un-paralelo

Quem quer destruir a Ordem de Malta?

Malta-Brasao

Por Roberto de Mattei

Muito antes que as Nações tivessem chegado a estabelecer uma lei internacional; muito antes que tivessem podido forjar o sonho — ainda não realizado — de uma força armada comum para proteção da sã liberdade humana, da independência dos povos e de uma pacífica equidade nas suas relações mútuas, a Ordem de São João já havia reunido em uma irmandade religiosa e sob a disciplina militar, homens de oito ‘línguas’ diferentes, votados à defesa dos valores espirituais, que constituem o apanágio comum da Cristandade: a fé, a justiça, a ordem social e a paz.”

Essas palavras, dirigidas em 8 de janeiro de 1940 pelo Papa Pio XII aos Cavaleiros da Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém, dita de Rodes e depois de Malta, resumem as características da mais antiga das Ordens de Cavalaria, o único Estado soberano cuja bandeira ondulou no campo das Cruzadas. Uma ordem cujo carisma tem sido sempre o da “Tuitio fidei et Obsequium pauperum”[Defesa da fé e serviço dos pobres]. É imaginável que um Papa queira destruir essa instituição, glória da Cristandade? Infelizmente, é precisamente esta a impressão que se tem dos últimos acontecimentos relativos à Ordem de Malta.

O patrono da Ordem de Malta, o Cardeal Raymond Leo Burke

burke

Correspondência Romana ofereceu uma primeira reconstrução dos fatos em 24 de dezembro de 2016. Edward Pentin aprofundou e enriqueceu o cenário com novos detalhes no National Catholic Register de 7 de janeiro de 2017. O quadro, em resumo, é o seguinte: em 6 de dezembro, o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Fra Matthew Festing, na presença de duas testemunhas, uma das quais era o cardeal- patrono Raymond Leo Burke [foto ao lado], pediu ao chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager que renunciasse. Com efeito, tinha vindo à luz que o chanceler Boeselager, durante o período em que foi o Grande Hospitalário da Ordem, havia abusado de seu poder promovendo a distribuição de milhares de preservativos e contraceptivos, inclusive abortivos, em alguns países do Terceiro Mundo. Apesar da promessa de obediência que o liga ao Grão-Mestre, o Grão-Chanceler recusou-se a renunciar. Contra ele foi então iniciado um procedimento para suspendê-lo de todas as posições que ocupava.

Boeselager pediu ajuda à Secretaria de Estado do Vaticano, que nomeou uma comissão de inquérito para “recolher elementos susceptíveis de informar plena e rapidamente a Santa Sé” sobre o assunto. Em 23 de dezembro, o Grão-Mestre da Ordem definiu como “inaceitável” a decisão do Secretário de Estado, observando que a remoção Boeselager é um “ato de administração interna do governo da Ordem Soberana de Malta e, em consequência, recai exclusivamente na sua competência”. Com uma declaração subsequente de 10 de janeiro, o Grande Magistério reiterou a sua intenção de não cooperar com a comissão de investigação do Vaticano, “também a fim de proteger sua esfera de soberania com relação a iniciativas que se apresentam objetivamente (e, portanto, além das intenções, que são juridicamente irrelevantes) como visando questionar ou pelo menos restringir dita esfera”.

A iniciativa do Vaticano parece ter sido uma enorme gafe. O sistema jurídico da Ordem de Malta é regulado pela Constituição de 1997. O artigo 3º da Constituição, parágrafo 1, afirma que “a Ordem é sujeito de direito internacional e exerce funções soberanas”. Estas são: o Poder Executivo, representado pelo Grão-Mestre, assistido pelo Conselho Soberano; o Poder Legislativo, representado pelo Capítulo Geral; o Poder Judiciário, representado pelos Tribunais Magisteriais. A Ordem de Malta emite passaportes diplomáticos e possui escritórios extraterritoriais em Roma, onde oficialmente recebe os representantes de mais de cem países com os quais mantém relações de igual para igual.

Grão-Priorado da Ordem de Malta em Roma (Monte Aventino) [Foto PRC]

A Ordem tem relações privilegiadas com a Santa Sé, mas com plena autonomia. A Santa Sé nomeia um cardeal-patrono e a Ordem o seu embaixador, de acordo com as normas do Direito internacional. Como observa o Prof. Paolo Gambi, apesar de ser detentora da natureza religiosa própria às Ordens dependentes da autoridade eclesiástica, a Ordem tem uma posição muito peculiar, “gozando de uma autonomia quase única na cena eclesiástica e limitando o influxo dessa natureza aos membros que emitiram votos” (La soberana militar Ordem de Malta en el orden jurídico eclesial e internacional, Ius Canonicum, XLIV, n. 87 (2004), pp. 197-231). O artigo 4, parágrafo 6 da Constituição da Soberana Ordem de Malta é claro ao afirmar que “a natureza religiosa não exclui o exercício das prerrogativas soberanas relativas à Ordem enquanto sujeito de direito internacional reconhecido pelos Estados”.

A confirmação de tal status de direito internacional, inclusive em relação à Santa Sé, encontra-se no Anuário Pontifício, onde a Ordem é mencionada apenas uma vez, e não entre as Ordens religiosas, mas antes como uma das Embaixadas dos Estados acreditados junto à Santa Sé. A Constituição de 1997 também eliminou várias intervenções eclesiásticas previstas anteriormente, como a aprovação da Santa Sé para a validade da eleição do Grão-Mestre e o consentimento expresso dela para que a profissão solene de votos seja válida.

Fra Ludovico Chigi Albani della Rovere (1866-1951), Príncipe e Grão-Mestre da Ordem de 1931 a 1951

A competência da Santa Sé sobre a vida religiosa dos Cavaleiros diz respeito apenas àqueles pertencentes à primeira classe, os Cavaleiros de Justiça, que emitem, de forma solene, os três votos monásticos. Os membros da segunda classe, os Cavaleiros na Obediência, cuja promessa nada tem a ver com o voto de obediência dos Cavaleiros de Justiça, estão subordinados apenas aos seus superiores na Ordem. O ex-Grão-Chanceler Albrecht von Boeselager, casado e pai de cinco filhos, é um leigo que pertence à segunda classe, não dependendo de nenhum modo da Santa Sé. Além disso, os Cavaleiros de Justiça, que devem ser considerados “religiosos para todos os efeitos”(artigo 9 parágrafo 1 da, Constituição), não têm vida em comum e representam um unicum na vida da Igreja. Fra Ludovico Chigi Albani della Rovere (1866-1951), Príncipe e Grão-Mestre da Ordem de 1931 a 1951 [foto ao lado], após a morte de sua esposa (1898) pronunciou os votos religiosos como Cavaleiro da Justiça, mas continuou a viver no Palazzo Chigi [foto abaixo] (atual sé do Grande Magisteriado da Ordem), que até 1916 era propriedade de sua família, levando uma vida de grande senhor, como competia à sua condição.

Palazzo Chigi, numa gravura do séc. XVI

Naturalmente, a Igreja tem sobre a Ordem de Malta os mesmos direitos que tem em relação a cada Estado, quando estão em jogo questões que afetam diretamente a fé e a moral. O Papa, de fato, tem o direito e o dever de intervir em toda questão social e política relacionada com a consecução do fim supremo do homem, que é a vida eterna. Se, por exemplo, um Estado legitima as uniões sexuais contra a natureza, o Papa tem o dever de intervir, denunciando a grave violação da Lei divina e natural. E se a Ordem de Malta estiver promovendo a contracepção e o aborto, o Papa tem o dever de fazer ouvir sua voz. Hoje, pelo contrário, a Igreja se abstém de pronunciar-se sobre problemas morais que Lhe são próprios [a distribuição de preservativos], e intervém em questões políticas e administrativas que fogem de sua alçada [a suspensão do ex-Grão-Chanceler].

Christopher Lamb cita no Tablet de 5 de Janeiro uma carta enviada em 21 de dezembro a Fra Matthew Festing pelo Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, na qual se nota que o Papa Francisco deseja que a remoção de von Boeselager não ocorra. “Como já expressei em minha carta anterior, de 12 de dezembro de 2016: sobre o uso e a difusão de métodos e meios contrários à lei moral, Sua Santidade pediu um diálogo sobre o modo pelo qual podemos enfrentar e resolver eventuais problemas. Mas ele jamais disse para exonerar ninguém!”.

Portanto, com relação àqueles que violam a lei divina e natural, o caminho é o do diálogo e da mão estendida. Para quem, pelo contrário, defende a fé e a moral católica, está pronta a vara do comissariado político e da comissão de inquérito.

O grupo de cavaleiros que faz coro com Albrecht von Boeselager representa a corrente secularista, que gostaria de transformar a Ordem de Malta numa ONG humanitária, enquanto a atual equipe dirigente representa a fidelidade às raízes religiosas da Ordem. Mas esse é, aliás, o seu grande pecado, ao qual se soma outro. Ao longo de nove séculos de história, a Soberana Ordem Militar de Malta nunca perdeu sua fisionomia aristocrática, cavalheiresca e soberana. Esta fisionomia representa a antítese do miserabilismo e do igualitarismo professados por aqueles que hoje governam a Igreja. O resultado é que se denuncia o clericalismo, mas se o aplica de fato, com desastrosas consequências. A truculenta intervenção da Secretaria de Estado em nome do Papa Francisco está de fato causando caos e divisões dentro da Ordem.

A Soberana Ordem Militar de Malta superou todas as vicissitudes ao longo de sua história. Durante dois séculos na Palestina, dois séculos em Rodes e dois séculos e meio em Malta, muitas vezes sua missão pareceu caducar. Mas a instituição sempre se reergueu, mesmo quando se alastrou pela Europa o turbilhão da Revolução Francesa e de Napoleão. Deve-se esperar que o Grão-Mestre Fra Matthew Festing e o Conselho Soberano que o assiste saibam resistir com firmeza às fortes pressões que estão recebendo nestes dias.

Bula Pontifícia Pie postulatio voluntatis, documento de 15 de fevereiro de 1113

Ninguém teria podido duvidar do amor ao Papado do Grão-Mestre Ludovico Chigi Albani, que na sua qualidade de Marechal da Santa Igreja Romana participou de três eleições pontifícias. No entanto, ele se opôs tenazmente a qualquer tentativa eclesiástica de ingerência na vida da Ordem. A Santa Sé devia reconhecer a natureza soberana da Ordem de Malta, “sem a interferência de outras autoridades seculares ou religiosas”, como recordou Bento XVI ao receber os cavaleiros, por ocasião do nono centenário da bula pontifícia Pie postulatio voluntatis [foto ao lado] de 15 de fevereiro de 1113, que reconheceu a Ordem e outorgou-lhe seus privilégios. Com este ato solene, disse o Papa Bento XVI, “Pascoal II colocava a recém-nascida ‘fraternidade hospitalar’ de Jerusalém, em homenagem a São João Batista, sob a tutela da Igreja, e a tornava soberana”.

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(*) Fonte: “Corrispondenza Romana”, 11-1-2017. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.

Fonte: http://www.abim.inf.br/quem-quer-destruir-a-ordem-de-malta/#.WHd5JC0rLIU

Cardeal Burke explica como será a correção do Papa

Como indica o titulo desta postagem, e em claro contraste com as palavras ditas pelo Cardeal Muller no Programa de Televisão italiano “Stanze Vaticane”, do Canal TGCOM24 e comentado durante todo o dia em páginas católicas na Internet, o Cardeal Burke afirmou em uma recente entrevista, que a ”Amoris Laetitia” Se supõe como um perigo para a Fé e que se fará a correção do Papa. Ademais disse que não teme perder a Púrpura Cardinalicia, mas sim que teme o juízo de Deus. A entrevista se deu ao periódico The Remnant  publicada no dia 09 de Janeiro.
No Domingo passado(08 de Janeiro) o Cardeal Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista entrou em contradição com sua postura previa(A respeito das Dúbias). Assegurou que não se fará a correção do Papa a curto prazo porque no existe perigo para a fé “Uma correção fraterna ao Papa me parece muito distante, neste momento não é possível, por que não há nenhum perigo para a fé”.  
 
O Cardeal Burke, ademais, voltou a reiterar que a “Amoris Laetitia” não é um documento magisterial, como indica o mesmo Papa Francisco no documento. Segundo Burke, algumas afirmações confusas do documento embora não sejam heréticas materialmente necessitam ser esclarecidas, porque podem induzir os fieis ao erro em questões muito sérias. Para ele se não chegar um esclarecimento por parte do Papa o resultado será devastador.
E quanto ao medo de perder o Barrete Cardinalício, Burke assegurou que conhece qual seu dever e que não teme dizer a verdade. Disse temer estar defronte a Nosso Senhor no juízo final e ter que dizer: “Não te defendi quando estavas sendo atacado e a verdade que tu ensinastes estava sendo traída”.
Ao ser perguntado se a situação atual se parece com o tempo da heresia Ariana no Século IV, disse que de certo modo sim: “Agora está em jogo as verdades da fé: As que se refere ao Sacramento do Matrimonio e as que se refere ao Sacramento da Eucaristia. E se a confusão atual for preservada, chegará um momento que haverá setores amplos de fieis sem a Fé Católica, como  se encontrava quando Santo Ambrósio foi nomeado Arcebispo de Milão.
E em relação sobre quando e como seria essa correção formal, o Cardeal Burke declarou que não seria muito diferente das “Dubias”, em outras palavras aquelas verdades que parecem ser postas em questão pela Amoris Laetitia simplesmente se confrontaria com o que a Igreja tem ensinado, praticado e anunciado sempre em seu magistério oficial, desta maneira os ditos erros serão corrigidos.
 
 
Fonte: http://institutobentoxvi.blogspot.com.br/2017/01/cardeal-burke-explica-como-sera.html