PORQUE OS CATÓLICOS ESTÃO PERPLEXOS?

Lefebvre1
Que os católicos deste final do século XX estejam perplexos, quem o negará? Que o fenômeno seja relativamente recente, correspondendo aos vinte últimos anos da História da Igreja, basta observar o que sucede para estar persuadido disto. Há pouco tempo, o caminho estava inteiramente traçado; ou se seguia ou não. Tinha-se a fé, ou então se tinha perdido, ou ainda jamais se tivera. Mas quem a possuía, quem havia entrado na santa Igreja pelo batismo, renovado suas promessas pela idade de onze anos, recebido o Espírito Santo no dia de sua confirmação, este sabia o que devia crer e o que devia fazer.
Hoje, muitos não mais o sabem. Ouvem-se nas igrejas tantos ditos estarrecedores, lêem-se tantas declarações contrárias ao que tinha sido sempre ensinado, que a dúvida se insinuou nos espíritos.
No dia 30 de junho de 1968, encerrando o Ano da Fé, S.S. Paulo VI fazia, diante de todos os bispos presentes em Roma e de centenas de milhares de fiéis uma profissão de fé católica. Em seu preâmbulo, ele prevenia cada um deles contra os danos causados à doutrina pois, dizia, “seria engendrar, como infelizmente se vê hoje, a perturbação e a perplexidade de muitas almas fiéis”.
A mesma palavra se encontra numa alocução de S.S. João Paulo II a 6 de fevereiro de 1981: “Os cristãos de hoje em grande parte, se sentem perdidos, confusos, perplexos e mesmo decepcionados.” O Santo Padre resumia as causas deste fato da seguinte maneira:
“De todos os lados espalharam-se idéias que contradizem a verdade que foi revelada e sempre ensinada. Verdadeiras heresias foram divulgadas nos domínios do dogma e da moral, suscitando dúvidas, confusão, rebelião. A própria liturgia foi violada. Mergulhados num ”relativismo” intelectual e moral, os cristãos são tentados por um iluminismo vagamente moralista por um cristianismo sociológico, sem dogma definido e sem moralidade objetiva.” Esta perplexidade se manifesta a todo o instante nas conversas, nos escritos, nos jornais, nas emissões radiofônicas ou televisionadas, no comportamento dos católicos, traduzindo-se este último numa diminuição considerável da prática como o testemunham as estatísticas, uma desafeição relativamente à missa e aos sacramentos, um relaxamento geral dos costumes.
Foi-se levado a perguntar, por conseguinte, o que provocou um tal estado de coisas. A todo efeito corresponde uma causa. É a fé dos homens que diminuiu, por um eclipse da generosidade da alma, um apetite de gozo, uma atração pelos prazeres da vida e pelas múltiplas distrações que oferece o mundo moderno? Não são estas as verdadeiras razões, elas sempre existiram dum modo ou de outro; a queda rápida da prática religiosa provém antes do espírito novo que se introduziu na Igreja e que lançou a suspeita sobre um passado inteiro de vida eclesiástica, de ensino e de princípios de vida. Tudo isto se fundava sobre a fé imutável da Igreja, transmitida pelos catecismos que eram reconhecidos por todos os episcopados.
A fé se estabelecia sobre certezas. Abalando-as, semeou-se a perplexidade.
Tomemos um exemplo: a Igreja ensinava — e o conjunto dos fiéis acreditava — que a religião católica era a única verdadeira. Com efeito, ela foi fundada pelo próprio Deus, enquanto que as outras religiões são obra dos homens. Em conseqüência disto o cristão deve evitar toda relação com as falsas religiões e de outra parte, fazer tudo para trazer os seus adeptos à religião de Cristo.
Isto é ainda verdadeiro? Com toda a segurança. A verdade não pode mudar, senão jamais teria sido verdade. Nenhum dado novo, nenhuma descoberta teológica ou científica — se é que podem existir descobertas teológicas — jamais fará com que a religião católica não seja mais o único caminho da salvação.
Mas eis que o próprio papa assiste a cerimônias religiosas destas falsas religiões, reza e prega nos templos de seitas heréticas. A televisão espalha no mundo inteiro as imagens destes contatos estarrecedores. Os fiéis não compreendem mais.
Lutero — e eu tornarei a isto nas páginas que seguem — separou da Igreja povos inteiros, transtornou a Europa espiritual e politicamente, arruinando a hierarquia católica, o sacerdócio católico, inventando uma falsa doutrina da salvação, uma falsa doutrina dos sacramentos. Sua revolta contra a Igreja será o modelo seguido por todos os futuros revolucionários que lançarão a desordem na Europa e no mundo. É impossível, quinhentos anos mais tarde, fazer dele, como alguns quereriam, um profeta ou um doutor da Igreja, quando não um santo.
Ora, se eu leio a Documentation Catholique1 ou as revistas diocesanas, encontro escrito aí, pela pena da Comissão mista católico-luterana, oficialmente reconhecida pelo Vaticano I:
“Entre as idéias do concílio Vaticano II, onde se pode ver um acolhimento dos postulados de Lutero, se acham por exemplo:
— a descrição da Igreja como “Povo de Deus” (idéia mestra do novo direito canônico: idéia democrática e não mais hierárquica);
— o acento colocado sobre o sacerdócio de todos os batizados;
— o compromisso em favor do direito da pessoa à liberdade em matéria de religião.
Outras exigências que Lutero tinha formulado em seu tempo podem ser consideradas como sendo satisfeitas na teologia e na prática da Igreja de hoje: o emprego da língua vulgar na liturgia, a possibilidade da comunhão sob as duas espécies e a renovação da teologia e da celebração da Eucaristia.”
Que confissão considerável! Satisfazer às exigências de Lutero, que se mostrou o inimigo resoluto e brutal da missa e do papa! Dar acolhimento aos postulados do blasfemador que dizia: “Eu afirmo que todos os lupanares, os homicídios, os roubos, os adultérios são menos maus que esta abominável missa!” Desta reabilitação tão aberrante não se pode tirar senão uma conclusão: ou se deve condenar o concílio Vaticano II que a autorizou, ou se deve condenar o concílio de Trento e todos os papas que, desde o século XVI, declararam o protestantismo herético e cismático.
Compreende-se que diante de uma tal reviravolta os católicos estejam perplexos. Mas eles têm tantos motivos de o estar! No decurso dos anos presenciaram a transformação do fundo e da forma das práticas religiosas que os adultos tinham conhecido na primeira parte de sua vida. Nas igrejas, os altares foram destruídos ou mudados de destino em proveito de uma mesa, freqüentemente móvel ou encaixada. O tabernáculo não ocupa mais o lugar de honra, na maior parte das vezes; foi dissimulado sobre um sustentáculo e posto ao lado: onde ele ficou no centro o sacerdote ao rezar a missa, lhe volta as costas. Celebrante e fiéis face a face, dialogando em conjunto. Qualquer um pode tocar os vasos sagrados, freqüentemente substituídos por cestos, pratos, tigelas de louça; leigos, inclusive mulheres, distribuem a comunhão que se recebe na mão. O Corpo de Cristo é tratado com uma falta de reverência que insinua a dúvida sobre a realidade da transubstanciação.
Os sacramentos são administrados dum modo que varia conforme os lugares; tomarei como exemplos a idade do batismo e da confirmação, o da bênção nupcial acompanhada de cantos e de leituras que nada têm a ver com a liturgia, tomadas de empréstimo a outras religiões ou de uma literatura decididamente profana, quando não exprimem simplesmente idéias políticas.
O latim, língua universal da Igreja, e o gregoriano desapareceram de um modo quase geral. A totalidade dos cânticos foi substituída por cantigas modernas, nas quais não é raro encontrar os mesmos ritmos que os dos lugares de prazer.
Os católicos ficaram surpresos também pelo brusco desaparecimento do hábito eclesiástico, como se os sacerdotes e as religiosas tivessem vergonha de aparecer com tais.
Os pais que enviam seus filhos ao catecismo verificam que não mais se lhes ensinam as verdades da fé, mesmo as mais elementares: a Santíssima Trindade, o mistério da Encarnação, a Redenção, o pecado original, a Imaculada Conceição. Daí se origina um sentimento de profunda confusão: tudo isto não é mais verdade, está caduco, “ultrapassado”? As próprias virtudes cristãs não são mais mencionadas; em que manual de catequese, por exemplo, se fala da humildade, da castidade, da mortificação? A fé se tornou um conceito flutuante, a caridade uma espécie de solidariedade universal e a esperança é sobretudo a esperança num mundo melhor.
Tais novidades não são aquelas que, na ordem humana, aparecem com o tempo, às quais nos habituamos, a que assimilamos depois de um primeiro período de surpresa e de hesitação. No decorrer da vida de um homem, muitas maneiras de comportamento se transformam; se eu fosse ainda missionário na África dirigir-me-ia para lá de avião e não mais de navio quando não fosse senão pela dificuldade de encontrar uma companhia marítima que fizesse ainda o trajeto. Neste sentido pode-se dizer que é preciso viver com o seu tempo e ademais se está obrigado a isso.
Mas os católicos aos quais se quis impor novidades na ordem espiritual e sobrenatural em virtude do mesmo princípio, compreenderam bem que isto não era possível. Não se muda o Santo Sacrifício da Missa, os sacramentos instituídos por Jesus Cristo, não se muda a verdade revelada uma vez por todas, não se substitui um dogma por outro.
As páginas que vão seguir quereriam responder às questões que vós vos pondes, vós que conhecestes uma outra face da Igreja. Elas quereriam também esclarecer os jovens nascidos depois do concílio e aos quais a comunidade católica não oferece o que eles têm direito de esperar dela. Desejaria, enfim, dirigir-me aos indiferentes ou aos agnósticos que a graça de Deus tocará num dia ou noutro mas que correm o risco de encontrar então igrejas sem sacerdotes e uma doutrina que não corresponde às aspirações de sua alma.
E ademais é com toda a evidência, uma questão que interessa a todo o mundo, se se julga pelo interesse que nisto demonstra a imprensa de informação geral, em particular  em nosso país. Os jornalistas também dão mostras de perplexidade. Alguns títulos ao acaso: “O cristianismo vai morrer?”, “Haverá ainda sacerdotes no ano 2000?”
A estas perguntas eu quero responder, não trazendo de minha parte teorias novas, mas me referindo à Tradição ininterrupta e entretanto tão abandonada nestes anos que a muitos leitores ela aparecerá como qualquer coisa de novo.

1.La Documentation Catholique, 3 de julho de 1983, n.º 1085, pp. 696-697.

Carta Aberta aos Católicos Perplexos – D. Marcel Lefebvre

O DEMÔNIO MUDO E AS CONFISSÕES SACRÍLEGAS

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Erat (Iesus) eiciens daemonium, et illud erat mutum — “Estava (Jesus) expelindo um demônio, e ele era mudo” (Luc. 11, 14).

Sumário. O demônio mudo de que fala o Evangelho, significa o falso pejo com que o espírito infernal, depois de seduzir o cristão a ofender seu Deus, procura fazê-lo ocultar o pecado na confissão. Ah, quantas almas caem todos os dias no inferno por este ardil diabólico! Meu irmão, se jamais o demônio te vier tentar assim, pensa que, se é vergonhoso ofender a Deus tão bom, não o é o confessar o pecado cometido e o livrar-se dele. Quantos santos são venerados sobre os altares, que até fizeram uma confissão pública!

I. O demônio mudo de que fala o Evangelho é o falso pejo com que o espírito infernal procura fazer-nos calar na confissão os pecados cometidos, depois de primeiro nos ter cegado para não vermos o mal que cometemos e a ruína que nos preparamos ofendendo a Deus. — Com efeito, exclama São João Crisóstomo, o demônio faz em todas as coisas o contrário do que Deus faz. O Senhor pôs vergonha no pecado, para que não o cometamos; mas depois de o havermos cometido, anima-nos a confessá-lo, prometendo o perdão a quem se acusa. O demônio, ao contrário, inspira confiança ao pecador com a esperança do perdão; mas cometido o pecado, cobre-o de vergonha, para que se não confesse.

Por este ardil diabólico, ó, quantas alma já foram precipitadas e ainda se precipitam cadaDIA NO inferno! Sim, porque os miseráveis convertem em veneno o remédio que Jesus Cristo nos preparou com seu preciosíssimo sangue, e ficam presas com uma dupla cadeia, cometendo depois do primeiro pecado outro mais grave: o sacrilégio.

Irmão meu, se por desgraça aTUA ALMA está manchada pelo pecado, escuta o que te diz o Espírito Santo: Pro anima tua ne confundaris dicere verum (1). Sabe, diz ele, que há duas qualidades de vergonha; deves fugir daquele que te faz inimigo de Deus, conduzindo-te ao pecado; mas não da que se sente ao confessá-lo e te faz receber a graça de Deus nesta vida e a glória do paraíso na outra.

Se, pois, te queres salvar, não te envergonhes de fazer uma boa confissão; aliás a tua alma se perderá. As feridas gangrenosas levam à morte, e tais são os pecados calados na confissão; são chagas da alma que se gangrenaram.

II. Meu filho, vergonhoso é oENTRAR nesta casa, mas não o sair dela. Assim falou Sócrates a um seu discípulo que não quis ser visto ao sair de uma casa suspeita. É o que digo também àqueles que, depois de cometerem um pecado grave, tem pejo de o confessar. Meu irmão, coisa vergonhosa é ofender a um Deus tão grande e tão bom; mas não o é confessarmos o pecado cometido e livrar-nos dele. Foi porventura coisa vergonhosa para Santa Maria Madalena o confessar em público aos pés de Jesus Cristo, que era uma mulher pecadora? Foi motivo de pejo confessar-se uma Santa Maria Egipcíaca, uma Santa Margarida de Cortona, um Santo Agostinho, e tantos outros penitentes, que algum tempo tinham sido grandes pecadores? Por meio de sua confissão fizeram-se santos.

Ânimo, pois, meu irmão, ânimo! (Falo a quem cometeu a falta de ocultar por vergonha um pecado.) Tem ânimo e dize tudo a um confessor. Dá glória a Deus e confunde o demônio que, como diz o Evangelho, quando saiu do homem, ANDA POR LUGARES  secos, buscando repouso, e não o acha. — Porém, depois de teres confessado bem, prepara-te para novos e mais violentos assaltos da parte do inimigo infernal. Ai de quem o deixa entrar novamente, depois de o haver expulso! Et fiunt novíssima hominis illius peiora prioribus — “O último estado do homem virá a ser pior do que o primeiro”.

Ó meu amabilíssimo Jesus! Iluminai o meu espírito, a fim de que nunca mais me deixe obcecar pelo espírito maligno a cometer de novo o pecado. Pesa-me de Vos haver ofendido, e proponho com a vossa graça antes morrer que tornar a ofender-Vos. Mas, se por desgraça recair, dai-me força para sempre vencer o demônio mudo e confessar-me sinceramente ao vosso ministro. “Peço-Vos, Deus Todo-Poderoso, que atendais propício às minhas humildes súplicas, e que em minha defesa estendais o braço de vossa majestade”. (2) † Doce Coração de Maria, sêde minha salvação. (*III 413)

1. Ecclus. 4, 24.
2. Or. Dom. curr.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso

FSSPX: CRIADA OFICIALMENTE A “CASA AUTÔNOMA DO BRASIL”

Conforme anunciado anteriormente, nesse último domingo, 19/03, foi criada oficialmente a Casa Autônoma da FSSPX no Brasil.

A data foi escolhida para que essa nova etapa da Fraternidade no Brasil esteja sob o patrocínio de São José, patrono da Igreja.

Mais de 300 pessoas se apertaram no Priorado Pe. Anchieta para assistir a Missa solene cantada pelo Pe. Pablo Suárez (ecônomo da FSSPX), tendo como assistentes o Pe. Juan María de Montagut (antigo Prior do Priorado de São Paulo, agora Superior da Casa Autônoma) e o Pe. Mario Trejo (Superior do Distrito da América do Sul).

Nessa nova etapa, pelos regulamentos internos da FSSPX, haverá maior autonomia na administração dos 3 Priorados existentes no Brasil (São Paulo/SP, Santa Maria/RS e Bom Jesus do Itabapoana/RJ) que são responsáveis por 16 centros de Missa e capelas pelo Brasil, bem como na abertura de novas Missões. Hoje a Fraternidade conta com 10 padres aqui no país (inclusive 1 recém ordenado em 2016) e mais 5 seminaristas brasileiros que serão ordenados em 2017/2018 em La Reja (Arg) e que contribuirão na expansão do apostolado em nossa terra.

Após a Missa houve um almoço comemorativo em umHOTEL da cidade.

No final da tarde houveram também: o Canto solene das Vésperas e a Benção do Santíssimo.

Rezemos para que a FSSPX cresça no seu trabalho em favor da Igreja. Que São José e São Pio X mantenha seus incansáveis padres firmes em suas missões e que Nossa Senhora (ouvindo nossas orações – na Cruzada de Rosários pelo centenário de Fátima) dê uma proteção especial à Fraternidade.

“Senhor, dai-nos sacerdotes,

Senhor, dai-nos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas,

Senhor, dai-nos famílias católicas, 

São Pio X, rogai por nós”

Fonte: http://catolicosribeiraopreto.com/criada-oficialmente-a-casa-autonoma-do-brasil/

ROSÁRIO DE REPARAÇÃO NA PRAÇA DE SÃO PEDRO

 

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Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Um grande grupo de fiéis (cerca de oitenta), liderado pela Milizia dell’Immacolata e acompanhado por alguns sacerdotes do Priorado de Albano Laziale (Lazio-Italia), se reuniram na Praça de São Pedro na segunda-feira à tarde para um ato de profissão pública de fé.

Pouco antes havia sido realizada, de fato, a cerimônia do “Vésperas” anglicanas na basílica central do cristianismo, com a aprovação da hierarquia vaticana. Este ato, certamente não é o primeiro de molde ecumênico nesses últimos cinquenta anos, mas que teve o triste privilégio de tido lugar na Basílica do Príncipe dos Apóstolos, despertou a justa indignação de muitos fiéis que procuraram expressar seu desacordo com uma oração de reparação: o encontro foi, portanto, marcado para as 16h na capela da via Urbana, em Roma, para a missa “Ad Tollendum Schisma” e em seguida, partiram para a Via della Conciliazione para a recitação pública do Rosário.

Depois de alguma discussão com a polícia, que parecia não querer permitir a realização das orações muito perto da basílica, o grupo se manteve firme em seu lugar, no topo da Via della Conciliazione, e, guiado por sacerdotes, de joelhos na calçada e voltados para a basílica vaticana, recitaram o santo Rosário e a ladainha de Nossa Senhora.

O grupo, em seguida, moveu-se, conforme os pedidos da polícia, para o Castel Sant’Angelo para entoarem algumas canções marianas e distribuir panfletos à população, a fim de explicar o alcance desse gesto ecumênico e o significado da oração de reparação.

Após este belo testemunho de fé, tudo terminou de forma organizada por volta das 19h. Que o Senhor dê cada vez mais força aos católicos para resistir às tendências ecumênicas e coragem de expressar abertamente sua fé!

OS QUE PENSAM QUE VENCERAM: 2. Verdadeira e falsa restauração

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Caríssimos, Salve Maria!

Excelente texto sobre o que se chamou de “Nova Teologia” apadrinhada por Lubac e Hans Urs von Balthasar – jejuíta e ex jesuíta, mas sempre jejuíta…

Aos seminaristas e estudantes de teologia, de boa vontade, eis o Texto:

Pe Marcélo Tenorio

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Tradução: Airton Vieira

Os que pensam que «venceram» são os neomodernistas fiéis à linha (se assim pode chamar-se) dos padres fundadores da «nouvelle théologie» ou «nova teologia» e, especialmente, à linha (tortuosa e obscura) traçada pelo jesuíta Henri de Lubac e pelo ex-jesuíta Hans Urs von Balthasar. «Se exaltam os expoentes da nova teologia como se fossem eles a pedra angular da Igreja» escreveu com razão o pensador Mons. Julio Meinvielle («De la cábala al progresismo», ed. Calchaqui, Salta (Argentina), 1970).

Antes de apresentar estes «santos padres» do mundo católico pós-conciliar, é, sem dúvida, oportuno ilustrar aqui brevemente a essência da «nova teologia».

O princípio simples de uma heresia complexa

O sacerdote e teólogo alemão Johannes Dörmann, em seu ótimo livro «L’étrange théologie de Jean-Paul II et l’esprit d’Assise» (Ed. Fideliter, Eguelshardt (Francia), 1992) [Ed. em castelhano: «Itinerario teológico de Juan Pablo II hacia la jornada mundial de oración de las religiones en Asís», Fund. são Pio X, Madrid, 1994], escreve:

«A “nouvelle théologie” se apresenta sob dois aspectos, mas é simples em seu princípio, e, por isto, podem agrupar-se suas múltiplas formas sob o mesmo nome. Suas diferentes formas têm em comum o repúdio da teologia tradicional» (p. 55).

O que significa o repúdio da «teologia tradicional» o explica o Autor, concisa e eficazmente, a propósito do último Concílio, que considerou seu dever renunciar por motivos «pastorais» à linguagem escolástica: «Os teólogos manipuladores viram perfeitamente que nesta questão da linguagem se tratava a questão, toda a questão da teologia e da fé. Porque a linguagem escolástica estava indissoluvelmente vinculada à filosofia escolástica, a filosofia escolástica à teologia escolástica e esta última finalmente à tradição dogmática da Igreja» (p. 52). E, portanto, o adeus à linguagem escolástica se havia resolvido em última análise no adeus à Tradição divino-apostólica custodiada fielmente pela Igreja.

«O abandono por parte dos padres da “linguagem escolástica” – escreve ainda Dörmann – era para eles [os teólogos manipuladores do Concílio] a condição sine qua non da ruptura com a antiga dogmática, para instalar a “nova teologia” depois de haver deixado de utilizar a “antiga” e ter-se despedido dela» (p. 53).

A utopia

E como esteve e está motivada esta «despedida» da teologia tradicional, isto é, da teologia católica tout court, indissoluvelmente vinculada à Tradição dogmática da Igreja? Com «esta simples e sedutora ideia: uma “nova teologia” na perspectiva do carácter científico moderno e da imagem moderna do mundo e da história» (p. 55). Em outros termos, com a antiga e sempre renascente utopia da Igreja conciliada com o «mundo moderno», ou seja, com o pensamento filosófico moderno, com o qual Pio IX (cfr. Syllabus, proposição octogésima) declarou que a Igreja não pode nem deve conciliar-se, dado seu caráter essencialmente anticristão:

«Os homens [modernos] são em geral estranhos às verdades e aos bens sobrenaturais e creem poder satisfazer-se com a só razão humana e na ordem natural das coisas e poder conseguir nelas sua própria perfeição e felicidade» (Vaticano I, esquema preparatório de doctrina catholica).

«Para os membros da “nouvelle théologie” – continua Dörmann – o lema “aggiornamento” significava a decidida abertura da Igreja ao pensamento moderno [estranho à verdade e aos bens sobrenaturais] para chegar a uma teologia totalmente diferente da qual deveria nascer uma nova Igreja [secularizada] adaptada a sua época» (op. cit., p. 54). É a idêntica utopia do modernismo. «Onde vai a nouvelle théologie? Torna ao modernismo» escrevia o padre Garrigou-Lagrange O. P.

«Pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia»

E, em efeito, escavando mais a fundo, sob o princípio simples da nova teologia (o adeus à «antiga» e, por isso, envelhecida teologia) encontramos a mesma perversão da noção de verdade que é o fundamento do modernismo:

«A verdade não é mais imutável que o mesmo homem já que ela evolui nele, com ele e para ele» (São Pio X, decreto Lamentabili, proposição quinquagésima oitava). Pelo que o padre Garrigou-Lagrange O. P., não profetizando, mas simplesmente extraindo as lógicas conclusões, escrevia em 1946:

«Onde irá esta nova teologia com os novos mestres nos que se inspira? Onde senão pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?» (La nouvelle théologie où va-t-elle?, em Angelicum 23, 1946, pp. 136-154).

Uma utopia culpável

O veremos. A nós nos interessa aqui sublinhar que a intenção de conciliar a Igreja com o «mundo moderno» (ou seja, com a filosofia moderna subjetivista e imanentista e a «cultura» embebida de subjetivismo e imanentismo que dela promanou) não é uma utopia inculpável. A tal intenção, em efeito, o Magistério dos Romanos Pontífices encerrou repetidamente o caminho, especialmente Gregório XVI com a Mirari Vos (1832), Pio IX com o Syllabus (1864), São Pio X com a Pascendi (1907) e, nos umbrais do último Concílio, Pio XII com a Humani Generis (1950). Nesta última Encíclica, desatendida e depois desautorizada e sepultada pelos mesmos a quem ela havia condenado, Pio XII, ilustrando o clima precedente ao Concílio, assinala «com ansiedade» e claridade os perigos da «nova teologia», que, buscando seu fundamento fora da filosofia perene, põe em perigo todo o edifício do dogma católico. Sobretudo, Pio XII não deixa de sublinhar o desprezo ao Magistério que se adverte sob tal atitude:

«[…] a razão será devidamente cultivada: se […] ela se nutrir daquela sã filosofia que é como um patrimônio herdado das precedentes idades cristãs e que possui uma mais alta autoridade porque o mesmo Magistério da Igreja confrontou com a verdade revelada seus princípios e suas principais assertivas postas à luz e fixadas lentamente através dos tempos por homens de grande engenho. Esta mesma filosofia, confirmada e comumente admitida pela Igreja, defende o genuíno valor da cognição humana, os inquebrantáveis princípios da metafísica – isto é, de razão suficiente, de causalidade e de finalidade – e finalmente sustém que se pode alcançar a verdade certa e imutável.

Nesta filosofia há certamente muitas coisas que não se referem à fé e aos costumes, nem direta nem indiretamente, e que, por isto, a Igreja deixa à livre discussão dos competentes nesta matéria; mas não existe nela a mesma liberdade a respeito de muitas outras, especialmente a respeito dos princípios e das principais assertivas das que já falamos [valor do conhecimento humano, inquebrantáveis princípios da metafísica, etc.] […].

A verdade em toda sua manifestação filosófica não pode estar sujeita a cotidianas mutações especialmente tratando-se dos princípios de por si conhecidos da razão humana ou daquelas asserções que se apoiam tanto na sabedoria dos séculos como também no consenso e no fundamento da Revelação divina […].

Por isto deve deplorar-se mais que nunca que hoje a filosofia confirmada e admitida pela Igreja seja objeto de desprezo por parte de alguns, de modo que, com imprudência, a declaram antiquada pela forma e racionalista pelo processo de pensamento. […].

Sem embargo, enquanto que desprezam esta filosofia, exaltam as demais, tanto antigas como recentes, tanto de povos orientais como dos ocidentais, de maneira que parecem querer insinuar que todas as filosofias ou opiniões, com o acréscimo – se é necessário – de alguma correção ou de algum complemento, se podem conciliar com o dogma católico. Mas nenhum católico pode pôr em dúvida quanto tudo isto é falso, especialmente quando se trata de sistemas como o imanentismo, o idealismo, o materialismo tanto histórico como dialético, ou também como o existencialismo, quando professa ou ateísmo o quando nega o valor do raciocínio no campo da metafísica. […].

Seria verdadeiramente inútil deplorar estas aberrações se todos, também no campo filosófico, fossem respeitosos com a devida veneração pelo Magistério da Igreja, que, por instituição divina, tem a missão não somente de custodiar e interpretar o depósito da Revelação, como também de velar sobre as mesmas ciências filosóficas para que os dogmas católicos não recebam nenhum dano por opiniões não retas».

Resta assim confirmado quanto desde há anos temos repetido e documentando: mesmo sendo membros da hierarquia católica, os neomodernistas são e permanecem sendo uns desobedientes ao Magistério constante e, por isto, infalível da Igreja, e a «obediência» que de fato eles impõem ao novo curso eclesial se concretiza em uma imposição de desobediência à Igreja.

Verdadeira e falsa «restauração»

De quanto se tem dito mais acima se segue que a autêntica restauração percorrerá o caminho inverso ao que tem levado à ruptura com a Tradição doutrinal da Igreja: torna à filosofia perene e portanto à teologia escolástica e portanto à tradição dogmática da Igreja, em obediência às diretivas constantes do Magistério Pontifício.

Os neomodernistas fiéis à «linha» de de Lubac e de von Balthasar se auto intitulam hoje de «moderados» e inclusive de «restauradores», mas não tentam repudiar em absoluto a «nova teologia», da qual – queiram ou não – é filha da crise que paralisa em nossos dias a vida da Igreja. «Nossa linha – dizia “seguro” o padre Henrici S. J. a 30 Giorni (dezembro de 1991) – é a de extremo centro. Nem excessiva atenção [sic!] ao Magistério, nem contestação. Nem direita nem esquerda. Adesão à tradição [que, na linguagem de de Lubac e dos «novos» teólogos, não é – o veremos – a Tradição dogmática da Igreja] na linha da théologie nouvelle de Lyon [sede de de Lubac e de outros «padres fundadores»], que sublinhava a não contraposição [leia-se: identificação] entre natureza e preternatureza, entre fé e cultura, e que se converteu na teologia oficial do Vaticano II».

«Théologie nouvelle» que Pio XII, na Humani Generis, havia condenado como um cúmulo de «falsas opiniões que ameaçam com subverter os fundamentos da doutrina católica»! É, portanto, mais que nunca, necessário saber que há detrás da «moderação» destes neomodernistas de «extremo centro», sim, mas, não obstante, neomodernistas.

 

(continua)

 

Hirpinus

(Traducido por Marianus el eremita. Imagem principal: padre Garrigou-Lagrange O. P)

Fonte: http://adelantelafe.com/los-piensan-vencido-2-verdadeira-falsa-restauracion/

 

Foto: padre Garrigou-Lagrange O. P)

ANTES TARDE QUE NUNCA – UM OÁSIS NO DESERTO

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Airton Vieira

(tonvi68@gmail.com)

Em resumo, se há uma verdade psicológica possível de ser descoberta pela razão humana, ela é esta: que, a menos que os católicos possuam e gerenciem escolas católicas, eles não terão ensino católico.

(Novos argumentos a favor das escolas católicas – G. K. Chesterton)

Pais sendo presos e processados por não querer que os filhos sejam (des)educados contra o senso comum racional e objetivo. Estados nacionais inventando pronomes neutros em uma esdrúxula tentativa de acrescer e assim justificar – como se fora possível – a existência de mais de dois gêneros humanos. Escolas idealizando dias comemorativos para que os homens compareçam travestidos de mulheres e vice-versa, estendendo para dentro da unidade educacional o pagão, caricato e daninho carnaval, encimando em seus carros alegóricos o ídolo da ideologia de gênero. Como não bastasse, muitos ambientes “católicos” aderindo à essa bacanal. E tantos eteceteras mais…

Durante duas décadas fui um dedicado funcionário público do setor educacional de um de nossos Estados da Federação, ainda que à metade deste tempo, um pouco ou nada dedicado cristão. Mas em questão de quase uma década atrás lecionava eu numa pequena escola situada em um pequeno município fronteiriço deste Estado com menos de 10 mil habitantes. Ali onde menos se esperaria, chega, em um triste dia, uma coisa estranha travestida de material paradidático para crianças e jovens dos ensinos fundamental e médio com o nome de: “O caderno das coisas importantes – confidencial” (o itálico é meu). Ao modo de subtítulo na primeira das folhas internas, lia-se: “Saúde e Prevenção nas escolas – Atitude para curtir a vida” (sigo com o itálico e não será demais acrescer um “sic!”). Com financiamento do Governo Federal, Ministérios da Saúde e Educação, Unicef e Unesco (cabe aqui novo SIC!; assim, em maiúsculo, com itálico e negrito). Explico-me com apenas uma de suas introduções: “Regras? A única regra é que não existe regra. A não ser, é claro, as suas próprias.” E a citação, creiam-me, não vai desconexa. De repente o Governo nos começa a propor a que formemos as crianças utilizando questões vitais como sua saúde e educação tendo como objetivo “curtir a vida”. E isso, como não bastasse, na base de uma contradição em termos: “sem regras… a não ser as suas”.

Não demoraria muito a que, servida a entrada, logo viesse o prato principal, o famigerado “Kit gay”. Destrinchei, de capa à contracapa o Caderno, mostrando aos alunos do que se tratava e aonde iria dar essa coisa. Claro está que a Coordenação Pedagógica e a Direção da escola estiveram previamente cientes. Me apoiaram. Mas os dias foram passando, céleres,

com coisas, pessoas e cargos sofrendo mudanças. Em ambientes como este costuma-se dizer que “tudo é política”. Das más. E não se fica só na retórica. Com isso e com toda uma reengenharia social em curso o bom senso e a moral vão perdendo força e vigência, passando às voláteis categorias de “novo e velho”, “acacrônico”, “fora de moda” etc. Consequentemente, comecei a não acompanhar os avanços, respeitar as diversidades, vilipendiando assim os humanos direitos e os bons costumes daqueles que já iam desacostumando-se com o bem, o belo e o verdadeiro. Por esse (e outros) combates (o termo correto), convidado fui então a procurar outros recintos educacionais, o que poderia se traduzir em ser ainda convidado a procurar outros recintos residenciais dado ser esta a única escola estadual situada na sede do município. E eu, como dito, era funcionário do Estado.

Assim cheguei à capital, transferido a outra escola onde não somente o estranho Caderno, como o famigerado Kit já haviam dado as caras, e, senão a pleno, ao menos com algum considerável vapor. Aproveitando os vapores, acompanhei as lo(u)comotivas ideológicas do Governo petista impulsionadas pelos ianques imperialistas como o bordão à serpente, acertando-a como podia (cabeça, tronco e rabo), o que me rendeu um mui certeiro processo administrativo por conduta inadequada e pouco ortodoxa com relação aos padrões de meus patrões. Nestes poucos anos não me faltaram, a mim, abaixo-assinados, reuniões de pais e mestres, de direção, coordenação, afastamentos de sala de aula, discussões e quase pancadaria. Insultos, difamações, calúnias e metodologia similar se fizeram também presentes nestes belos anos de algum sofrimento por amor à Verdade. Deo gratias! Não fiz mais que minha obrigação.

Há algumas semanas, traduzindo uma matéria para alguns blogs1, deparei-me com que os católicos do primeiro mundo chegaram publicamente à conclusão de que um dos instrumentos geradores de maior apostasia às crianças e adolescentes modernos são (pasmem!): as escolas e universidades. Que são estes dois inventos da Igreja os canais da desgraça ateia e materialista, inimigas da metafísica e do teocentrismo. Pensei: ao que parece, levamos menos de cem anos para bem interpretar (“cair a ficha”) o que Gramsci e seu singelo método para implantação do comunismo previa como metas indispensáveis à hegemonia do mesmo: “rifar” a Igreja e a Família2, as duas instituições capazes de frear a ideologia judaico-maçônica de Marx e outros arautos do anti-Evangelho. E para lograr tal empreitada – dizia Gramsci –, mister se tomar posse dos instrumentos criados pela própria Igreja como os acima e outros afins. Se não pode vencê-los, junte-se a eles: para vencê-los. Eis o mote. Mas entre o processamento de dados na cabeça de Gramsci ocorridos nos porões dos cárceres das décadas de vinte e trinta e o que vemos hoje ao vivo e à cores (fortes cores!), tempo foi dado de sobra para correr atrás do prejuízo, o que não foi feito a contento, dado que os filhos das trevas continuam ainda mais ágeis que os da luz. Daí que a letargia

já nos vislumbra um pré-juízo por parte do Autor da Boa Nova, que pediu para vigiarmos ao menos uma hora; e já se vão quase cem anos…

Mas, como diz o dito: “antes tarde que nunca”. Enquanto a maioria de uma boa parcela católica ainda dormita em berço esplêndido alguns heróis da fé cientes de sua missão de bons pastores e boas ovelhas vêm há algum tempo remando contra a maré cada vez mais tempestiva, depositando no gazofilácio da história seu óbolo da viúva ao ponto de os frutos começarem a se fazer sentir “mesmo entre os pagãos”. Porque o senso comum, afinal, é comum. A todos. E cedo ou tarde será preferível ao politicamente correto.

Assim foi que o bom Deus conduziu-me a um pequeno “deserto” nestes nefastos dias carnavalescos que antecedem as quaresmas, dado que nestes dias pululam as serpentes a cada esquina, o que redobra o perigo. A princípio, o que seria para mim tão somente um pequeno Convento circunscrito a uma bucólica zona rural de um município centrado em um Estado no centro do País, e procurado para este fim, se revelou um oásis para além da ilusão de ótica. Aonde as expectativas conduziam-me a um sacerdote de Deus que garantisse uma digna Missa, Confissão, Unção para o caso de alguma necessidade imprevista (estes tempos são mui propícios a imprevistos), silêncio, repouso e por certo um “deserto”, a Providência resolve providenciar algo mais. É que no lugar, junto a um jovem ancião sacerdote havia umas quatro dezenas de religiosas, e com elas um internato para moças, e com ele uma escola… CATÓLICA.

Traçarei apenas um esboço para minimamente explicar o porquê da caixa alta acima: é que ali, ao chegar, logrei entender melhor aquilo de Cristo de que as portas do inferno não lograriam prevalecer sobre sua Igreja. E que tal sentença não poderia jamais receber o rótulo de defasada, como tudo o mais dito por Ele. Assim sendo, começo por descrever que ali não se cobra por nenhuma das dezenas de internas, de vários matizes e lugares, que têm “casa, comida e roupa lavada” em um ambiente honesto, limpo, organizado, digno e piedoso (sem pieguice ou farisaísmo). Os alunos externos (nessa categoria também há alguns moços) pagam o que chamaríamos de valor simbólico. E quando podem. As internas (que variam entre cinco e dezoito anos aproximadamente) às 5:15 já estão na capela para orações e Missa, todas asseadas e (muito bem) vestidas, com seus respectivos véus e livros de orações. Possuem ao menos uns cinco tipos diferentes de figurinos para as ocasiões litúrgica, intelectual, laboral, de lazer e repouso. Confeccionadas por elas, assim como sua comida e a higiene do ambiente. As salas de aula não possuem mais que vinte alunos, e que vão da alfabetização ao ensino médio (com direito à formatura). As professoras, todas mulheres, são ainda todas católicas, bem como alunos e funcionários. E nisso não há discriminação, mas coerência. Algumas religiosas também são professoras e funcionárias. Possuem plantação e criação de animais para “ajudar com o leite das crianças”. E poço artesiano para garantir o que só a água é capaz. As aulas ocorrem somente no turno da tarde. Manhãs e noites são dedicadas a estudos, trabalho, lazer e, obviamente, orações. Nas salas, se levanta à chegada de alguma autoridade, cumprimentando-a em uníssono. Se abaixa a fronte pedindo licença ao se passar entre dois adultos que conversam. Os cumprimentos se fazem não com gírias, mas com uma referência à Santa Mãe de Deus. E pais de distintos recantos do país chegam lá para confiar, como Santa Ana, a sua prole, cuja liberdade de retomá-la está facultada no instante mesmo em que a deixa, porque há autêntica liberdade. Lá há passeios (não a shoppings, evidentemente), mas há exposições

frequentes do Santíssimo com adoração. Lá há ordem. Há respeito. Há felicidade. Há paz. Porque há amor e desejo sincero de renunciar a si mesmo, tomar a cruz (pessoal e intransferível) e seguir o Mestre. Porque há um sacerdote que “reza, tem paciência e não se preocupa”3. Porque há mulheres que, renunciando ao dom natural da maternidade, sem deixar de senti-lo pulsando em suas entranhas, recebem o filho alheio à exemplo da Filha que se fez Mãe de toda a humanidade. Tudo, claro, apesar dos pesares próprios dos que vivem “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. Porque aqui não se fala de paraíso na terra, utopia marxista ou paz maçônica: o que dá no mesmo. Aqui não se fala em filantropia; se fala em caritas in veritate.

Duas foram as palavras destinadas por mim ao sacerdote responsável por esta obra: milagre e heroísmo. Este homem, um “lobo solitário” ainda que autêntico pastor, um herói da fé, tem sua vida esteada por milagres contínuos, certamente fruto e resultado de quem leva Deus a sério. Tudo para dizer que o dinheiro que mantém este “oásis no deserto” cai milagrosamente como o maná dos hebreus. É que Deus e por consequência as gentes de boa vontade veem que aqui se toma a peito o que é fundamental: a salvação das almas, objetivo maior de nossas vidas. Tudo gira em função da salvação daqueles e daquelas que o Criador nos confiou, e isso faz TODA a diferença.

Dos dias que lá estive – e que não me foi cobrado absolutamente nada – restou-me a certeza mais que cimentada de que os católicos necessitam “antes cedo que tarde” reaver este instrumento como prioridade de suas vidas: a escola católica. A Igreja nasce para atender às ordens de Cristo de ser seu Corpo a se propagar “até os confins da terra”. Para isso ensinando, curando, pregando, alimentando, vestindo… a fim de santificar o mundo. Ser “sal e luz”, portanto, passa por educar as mentes ao Bem, à Beleza e à Verdade; fazer com que se perceba e se guie pela verdade objetiva, que nada mais é que o obvio e se manifesta no senso comum. Saber que há um começo que ruma a um Fim, e nos pormos a caminho.

Que Nossa Senhora do Rosário, pela intercessão de São Domingos, Santa Catarina de Sena, São João Bosco e, de modo especial, São José, confira longa vida a este lugar, tornando-o modelo a ser – urgentemente – seguido!

Em 07 de março do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017 (antiga Festa de Santo Tomás de Aquino).

Airton Vieira

Em tempo: A grande parte das escolas e universidades “católicas” hodiernas já podem, com pesar, ser escritas em meio a aspas. Tal qual muitos templos e seus ministros… Como exemplo, lá pelos idos de 1970 já se podia presenciar moças ainda infantes serem nestas escolas vestidas não de Virgem Maria ou de alguma Santa, mas de “Mulher maravilha” para bailar ao som de “Zodiacs” (sic!). O narro como testemunha ocular. Daí que os pastores minimamente ocupados da salvação de seu

rebanho (pais e padres), percebam que já não resolve dar-lhes o santo preceito dominical sem a formação humana e espiritual que o anteceda, acompanhe e prossiga. Já a Igreja em seus primórdios se atentou ao fato. Com tantos e tão claros sinais dos tempos não haverá novamente de se atentar? A este respeito mui significativo o gesto de uma mãe que conheci nestes dias. Em que pese o fato de não ter a seu lado o pai de sua filha, e desta, além de adolescente ser ainda única; viver a muitos quilômetros de distância, o que lhes possibilitaria um reencontro uma vez ao mês; com o coração sangrando e as forças as buscando do Alto, confiou sua criança às maternas e castas mãos das religiosas, como outrora Santana à sua Maria. É que a maior preocupação daquela mãe não era o pranto momentâneo da filha, que por ainda não entender seu gesto sentia-se abandonada por quem lhe deveria amparar; era a possibilidade real do choro e ranger de dentes eternos que rondam como nunca a grande maioria dos pequenos a nós confiados, à solta e indefesos em um mundo cada dia

DESLIGAMENTO DA SACRA MILÍCIA OU ORDEM DE SANTA MARIA

Comunico, a quem interessar, meu pleno, completo e irrevogável Desligamento desta Ordem, da qual já sai uma vez e agora ,de forma definitiva,saio de novo.

Só não saio da Igreja de sempre:
“daqui não saio, daqui ninguém me tira…
Onde é que eu vou morar?!”

Aos curiosos, o motivo:

a burrice de S. Pio X,
de S. Vicente Ferrer,
minha e de outros…

No mais, valeu pelo riso. E quantos risos!… Ainda gargalho.

“Meu maracatu é da coroa imperial, é de Pernambuco. Ele é da Casa-Real “

Agora, que desçam as cortinas e…o último apague a luz!

Pe. Marcélo Tenorio

SÃO VICENTE DE LÉRINS: REGRA PARA DISTINGUIR A VERDADE CATÓLICA DO ERRO

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Tradução de Airton Vieira – São Vicente de Lérins foi um Padre da Igreja do século V. Sobre sua vida se possuem escassos dados; só os de uma breve notícia que lhe dedica o marselhês Genadio (De viris illustribus, 64; PL 58,1097-98) e os que se desprendem de sua obra mais importante: o Commonitorio. Era de origem francesa, ainda que se ignora o lugar de seu nascimento e onde passou sua vida, somente que, se fez religioso uma vez «afugentados os ventos da vaidade e da soberba, aplacando a Deus com o sacrifício da humildade cristã». Teve um passado tempestuoso, como parece deduzir-se de certa alusão que faz em um de sus livros? Não é seguro, possivelmente a ênfase que põe em suas palavras há que atribui-la à severidade com que os santos costumam julgar-se a si mesmos.

O que sim é indubitável é que foi um homem muito douto nas Escrituras e nos dogmas e com profundos conhecimentos das letras clássicas. Sacerdote no mosteiro da ilha de Leríns (chamada hoje de São Honorato), com o pseudônimo de Peregrino compôs um tratado contra os hereges. Genadio narra também que é autor de outra obra de tema análogo, cujo manuscrito foi roubado, pelo que elaborou um breve resumo, que sim se conserva. Morreu no reinado de Teodosio e Valentiniano, pouco antes do 450. O Commonitorio está escrito três anos depois do Concílio de Éfeso, ou seja, o ano 434.

Este pequeno livro, cheio de vigor e ciência, tem atraído a atenção dos estudiosos sobretudo a partir do s. XVI, e suas afirmações têm sido muito tidas em conta em momentos de confusão doutrinal, desde as polêmicas entre protestantes e católicos do s. XVII até a crise modernista, porque nele se encontra um excelente testemunho cristão e resposta ante os riscos de ceticismo e de relativismo teológico. Em efeito, os temas chaves do tratado são: fidelidade à Tradição e progresso dogmático. O Conmonitorio é um dos livros que mais história deixou a posteriori. Hoje passam de 150, entre edições e traduções a diversas línguas.

A palavra Conmonitorio, bastante frequente como título de obras naquela época, significa notas ou apontamentos postos por escrito para ajudar à memória, sem pretensões de compor um tratado exaustivo. Nesta obra, São Vicente de Lérins se propôs facilitar, com exemplos da Tradição e da história da Igreja, os critérios para conservar intacta a verdade católica.

Não recorre a um método complicado. As regras que oferece para distinguir a verdade do erro podem ser conhecidas e aplicadas por todos os cristãos de todos os tempos, pois se resume em uma notória fidelidade à Tradição viva da Igreja.

O Conmonitorio constitui uma joia da literatura patrística. Seu ensino fundamental é que os cristãos têm de crer quod semper, quod ubique, quod ab ómnibus: só e tudo quanto foi crido sempre, por todos e em todas as partes. Vários Papas e Concílios têm confirmado com sua autoridade a validez perene desta regra de fé. Segue sendo plenamente atual este pequeno livro escrito em uma ilha do sul da França, há mais de quinze séculos.

Vejamos agora um resumo das ensinos de São Vicente que seguem plenamente atuais:

REGRA PARA DISTINGUIR A VERDADE CATÓLICA DO ERRO

Havendo interrogado com frequência e com o maior cuidado e atenção a numerosíssimas pessoas, sobressalentes em santidade e em doutrina, sobre como poder distinguir por meio de uma regra segura, geral e normativa, a verdade da fé católica da falsidade perversa da heresia, quase todas me têm dado a mesma resposta: «Todo cristão que queira desmascarar as intrigas dos hereges que brotam ao nosso redor, evitar suas armadilhas e manter-se íntegro e incólume em uma fé incontaminada, deve, com a ajuda de Deus, apetrechar sua fé de duas maneiras: com a autoridade da lei divina antes de tudo, e com a tradição da Igreja Católica»… É pois, sumamente necessário, ante as múltiplas e enrevesadas tortuosidades do erro, que a interpretação dos Profetas e dos Apóstolos se faça seguindo a pauta do sentir católico. Na Igreja Católica há que pôr o maior cuidado para manter o que tem sido crido em todas as partes, sempre e por todos. Isto é o verdadeira e propriamente católico, segundo a ideia de universalidade que se encerra na mesma etimologia da palavra. Mas isto se conseguirá se nós seguimos a universalidade, a antiguidade, o consenso geral. Seguiremos a universalidade, se confessamos como verdadeira e única fé a que a Igreja inteira professa em todo o mundo; a antiguidade, se não nos separamos de nenhuma forma dos sentimentos que notoriamente proclamaram nossos santos predecessores e padres; o consenso geral, por último, se, nesta mesma antiguidade, abraçamos as definições e as doutrinas de todos, ou de quase todos, os Bispos e Mestres.

EXEMPLO DE COMO APLICAR A REGRA

Qual deverá ser a conduta de um cristão católico, se alguma pequena parte da Igreja se separa da comunhão na fé universal?

-Não cabe dúvida de que deverão antepor a saúde do corpo inteiro a um membro podre e contagioso.

-Mas, e se se trata de uma novidade herética que não está limitada a um pequeno grupo, mas que ameaça com contagiar à Igreja inteira?

-Em tal caso, o cristão deverá fazer todo o possível para aderir-se à antiguidade, a qual não pode evidentemente ser alterada por nenhuma nova mentira.

E se na antiguidade se descobre que um erro tem sido compartilhado por muitas pessoas, ou inclusive por toda uma cidade, ou por uma região inteira?

-Neste caso porá o máximo cuidado em preferir os decretos -se os há- de um antigo Concílio Universal, à temeridade e à ignorância de todos aqueles.

E se surge uma nova opinião, acerca da qual nada há sido ainda definido?

-Então indagará e confrontará as opiniões de nossos maiores, mas somente daqueles que, sempre permaneceram na comunhão e na fé da única Igreja Católica e vieram a ser mestres provados da mesma. Todo o que ache que, não por um ou dois somente, mas por todos juntos de pleno acordo, há sido mantido, escrito e ensinado abertamente, frequente e constantemente, saiba que ele também o pode crer sem vacilação alguma.

EXEMPLOS HISTÓRICOS DE RECURSO À UNIVERSALIDADE E À ANTIGUIDADE CONTRA O ERRO


…Quando o veneno da heresia ariana contaminou não já uma pequena região, mas o mundo inteiro, até o ponto de que quase todos os bispos latinos cederam ante a heresia, alguns obrigados com violência, outros sacerdotes reduzidos e enganados.

Uma espécie de neblina ofuscou então suas mentes, e já não podiam distinguir, em meio de tanta confusão de ideias, qual era o caminho seguro que deviam seguir. Somente o verdadeiro e fiel discípulo de Cristo que preferiu a antiga fé à nova perfídia não foi contaminado por aquela peste contagiosa. O que por então sucedeu mostra suficientemente os graves males a que pode dar lugar um dogma inventado.

Tudo se revolucionou: não só relações, parentescos, amizades, famílias, como também cidades, povos, regiões. O mesmo Império Romano foi sacudido até seus fundamentos e transtornado de, acima abaixo quando a sacrílega inovação ariana, como nova Bellona ou Furia, seduziu inclusive ao Imperador, o primeiro de todos os homens.

Depois de haver submetido a suas novas leis inclusive os mais insignes dignitários da corte, a heresia começou a perturbar, transtornar, ultrajar toda coisa, privada e pública, profana e religiosa. Sem fazer já distinção entre o bom e o mau, entre o verdadeiro e o falso, atacava de perto a tudo o que se pusesse adiante….

E qual foi a causa de tudo isto? Uma só: a introdução de crenças humanas no lugar do dogma vindo do céu. Isto ocorre quando, pela introdução de uma inovação vazia, a antiguidade fundamentada nos mais seguros embasamentos é demolida, velhas doutrinas são pisoteadas, os decretos dos Padres são desgarrados, as definições de nossos maiores são anuladas; e isto, sem que a desenfreada concupiscência de novidades profanas consiga manter-se nos nítidos limites de uma tradição sagrada e incontaminada.

a mesma natureza da religião exige que tudo seja transmitido aos filhos com a mesma fidelidade com a qual foi recebido dos pais, e que, ademais, não nos é lícito levar e trazer a religião por onde nos pareça, mas que antes somos nós os que temos que segui-la por onde ela nos conduza. E é próprio da humildade e da responsabilidade cristã não transmitir a quem nos sucedam nossas próprias opiniões, mas conservar o que tem sido recebido de nossos maiores.

[A respeito dos erros do Bispo Agripino]  houve um tal desenvolvimento de inteligências, uma tal profusão de eloquência, um número tão grande de partidários, tanta verossimilhança nas teses, tal cúmulo de citações da Sagrada Escritura, ainda que interpretada em um sentido totalmente novo e errado, que de nenhuma maneira, creio eu, se teria podido superar toda aquela concentração de forças, se a inovação tão acerrimamente abraçada, defendida, louvada, não se tivesse vindo abaixo por si mesma, precisamente a causa de sua novidade.

ASTUCIA TÁTICA DOS HEREGES


Com frequência se apropriavam de passagens complicadas e pouco claras de algum autor antigo, os quais, por sua mesma falta de claridade parecia que concordavam com suas teorias; assim simulavam que não eram os primeiros nem os únicos que pensavam dessa maneira. Esta falta de honradez eu a qualifico de duplamente odiosa, porque não têm escrúpulo algum em fazer que outros bebam o veneno da heresia, e porque maculam a memória de pessoas santas, como se espalhassem ao vento, com mão sacrílega, suas cinzas dormidas.

…Devemos ter horror, como se de um delito se tratasse, a alterar a fé e corromper o dogma; não só a disciplina da constituição da Igreja nos impede fazer uma coisa assim, como também a censura da autoridade apostólica.

Todos conhecemos com quanta firmeza, severidade e veemência São Paulo se lança contra alguns que, com incrível frivolidade, se haviam afastado em pouquíssimo tempo daquele que os havia chamado à graça de Cristo, para passar-se a outro Evangelho, ainda que a verdade é que não existe outro Evangelho; ademais, se haviam rodeado de uma turba de mestres que secundavam seus caprichos próprios, e apartavam os ouvidos da verdade para dá-los às fábulas, incorrendo assim na condenação de haver violado a fé primeira. Se haviam deixado enganar por aqueles de quem escreve o mesmo Apóstoloo em sua carta aos irmãos de Roma: Os rogo, irmãos, que os guardeis daqueles que originam entre vós dissensões e escândalos, ensinando contra a doutrina que vós haveis aprendido; evitai sua companhia. Estes tais não servem a Cristo Senhor nosso, mas a sua própria sensualidade; e com palavras doces e com adulações seduzem os corações dos simples.

ADVERTÊNCIA DE SÃO PAULO AOS GALATAS

Indivíduos dessa raça, que recorriam as províncias e as cidades fazendo mercado com seus erros, chegaram até os Gálatas. Estes, ao escutá-los, experimentaram como uma certa repugnância rumo à verdade; rejeitaram o maná celestial da doutrina católica e apostólica e se deleitaram com a sórdida novidade da heresia.

A autoridade do Apóstoloo se manifestou então com sua maior severidade: ainda quando nós mesmos, ou um anjo do céu os pregasse um Evangelho diferente do que nós os temos anunciado, seja anátema.

E por que diz São Paulo ainda quando nós mesmos, e não diz ainda que eu mesmo? Porque quer dizer que inclusive se Pedro, ou André, ou João, ou o Colégio inteiro dos Apóstolos anunciassem um Evangelho diferente do que os temos anunciado, seja anátema.

Tremendo rigor, com o que, para afirmar a fidelidade à fé primitiva, não se exclui nem a si mesmo nem aos outros Apóstolos.

Mas isto não é tudo: ainda que um anjo do céu os pregasse um Evangelho diferente do que nós os temos anunciado, seja anátema.

Para salvaguardar a fé entregada uma vez para sempre, não lhe bastou recordar a natureza humana, como que quis incluir também a excelência angélica: ainda que nós -diz- ou um anjo do céu. Não é que os santos ou os anjos do céu possam pecar, mas é para dizer: inclusive se sucedesse isso que não pode suceder, qualquer que fosse o que tentasse modificar a fé recebida, este tal seja anátema.

Mas talvez o Apóstolo escreveu estas palavras às pressas, movido mais por um ímpeto passional humano que por inspiração divina! Continua, não obstante, e repete com insistência e com força a mesma ideia, para fazer que penetre: qualquer que os anuncie um Evangelho diferente do que haveis recebido, seja anátema.

Não diz: se um os pregasse um Evangelho diferente do nosso, seja bendito, louvado, acolhido; mas diz: seja anátema, isto é, separado, afastado, excluído, com o fim de que o contágio funesto de uma ovelha infectada não se estenda, com sua presença mortífera, a todo o rebanho inocente de Cristo.



De tudo o que temos dito, aparece evidente que o verdadeiro e autêntico católico é o que ama a verdade de Deus e à Igreja, corpo de Cristo; aquele que não antepõe nada à religião divina e à fé católica: nem a autoridade de um homem, nem o amor, nem o gênio, nem a eloquência, nem a filosofia; mas que desprezando todas estas coisas e permanecendo solidamente firme na fé, está disposto a admitir e a crer somente o que a Igreja sempre e universalmente tem crido..”

Pode ler-se o Commonitorio inteiro neste link

Fonte: http://adelantelafe.com/san-vicente-de-Lérins-regra-para-distinguir-la-verdad-catolica-del-erro/#at_pco=smlwn-1.0&at_si=58b085c7e713ef7b&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

Mais uma vez Aparições de Medjugorje Condenada pelo Bispo Diocesano

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ROMA, 01 Mar. 17 / 07:00 pm (ACI).- Dom Ratko Peric, Bispo de Mostar-Duvno, a Diocese na Bósnia-Herzegovina que inclui Medjugorje, manifestou em um artigo a sua opinião sobre o que está acontecendo em sua jurisdição, escreveu que “a Virgem Maria não apareceu em Medjugorje” e explicou uma série de pontos para justificar a sua afirmação.

O Prelado fez esta declaração duas semanas depois que o Papa Francisco nomeou Dom Henryk Hoser, Arcebispo-Bispo de Warszawa-Praga (Polônia), como “enviado especial” a Medjugorje com um objetivo pastoral.

Em um longo artigo, Dom Peric falou sobre as supostas aparições, não reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica e cuja história começou em 1981neste povoado da antiga Iugoslávia, onde seis crianças disseram que viram a Virgem Maria.

O então sacerdote Tomislav Vlasic, atualmente retirado do estado clerical, se apresentou como o diretor espiritual dos “videntes” e assinalou que a Virgem os visitou pelo menos 40 mil vezes.

O Bispo de Mostar-Duvno, que em 2009 proibiu os párocos de promover estas “aparições”, recordou as investigações realizadas pela Igreja local e pela Santa Sé, desde o principio, entre 1982 e 1984 por uma comissão diocesana de Mostar, até o estudo encomendado pela Comissão da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2010 e 2014 e a valorização da mesma congregação entre 2014 e 2016, estabelecida por Bento XVI.

“Acreditamos que tudo foi entregue nas mãos do Papa Francisco”, expressou e acrescentou que “a posição da cúria ao longo deste período foi clara e firme: não se tratam de verdadeiras aparições da Santíssima Virgem Maria”.

O Prelado indicou que, “embora muitas vezes se tenha dito que as aparições dos primeiros dias poderiam ter sido autênticas e que mais tarde seria acrescentada uma superestrutura por outras razões, na prevalência de não religioso, esta Cúria também promoveu a verdade a respeito destes primeiros dias” . Além disso, sempre procurou “informar à Santa Sé, especialmente aos Sumos Pontífices João Paulo II, Bento XVI e Francisco”.

Nesse sentido, a fim de apoiar a sua posição, o Bispo de Mostar-Duvno apresentou no texto “sucintamente uma série de pontos inerentes aos primeiros dias das ‘aparições’, pelas quais estamos profundamente convencidos do que afirmamos”.

Em relação ao primeiro ponto, o texto advertiu que era “uma figura ambígua”; uma figura feminina que “se comporta de maneira muito diferente da verdadeira Virgem”. “Ri de maneira estranha, desaparece diante de certas perguntas e depois volta; obedece aos ‘videntes’” e “não se sabe exatamente por quanto tempo aparecerá”, indicou.

Além disso, um dos videntes, Ivan Dragicevic, disse que percebeu no primeiro dia “um tremor” nas mãos da aparição. “Qual tremor? Tal percepção pode suscitar não só uma forte suspeita, como também uma profunda convicção de que não se trata de uma aparição verdadeira da Virgem Maria, mesmo que algumas pessoas digam que apareceu como tal no quarto dia”, indicou.

O Bispo também disse que as mensagens de Medjugorje são “estranhas”, porque “não há um objetivo nestas aparições, não se justifica a aparição, não foi deixada alguma mensagem específica para os ‘videntes’ e para os frades, além do convite a acreditar em toda a aparição, nem para os fiéis da paróquia ou para o mundo”.

Além disso, Dom Peric critica que tenha dito aos “videntes” que aparecerá quantas vezes eles quiserem.

Do mesmo modo, disse que, de acordo com investigações, ocorreu uma “coisa muito inusitada e grave: a aparição permite não só que alguns da multidão pisoteiem o seu véu estendido na terra, mas também que toquem o seu corpo”.

“Tais histórias de tocar o corpo da Virgem, seu vestido, de poder pisar no seu véu geram em nós uma sensação e convicção de que se trata de algo indigno, inautêntico e escandaloso. Aqui não entra a Virgem Católica!”, expressou.

Dom Peric disse que, “tendo em conta tudo o que foi examinado e estudado por esta Cúria diocesana, inclusive o estudo dos primeiros sete dias das pressupostas aparições, pode-se afirmar pacificamente: A Vigem não apareceu em Medjugorje! Esta é a verdade que sustentamos e cremos na palavra de Jesus, segundo a qual a verdade nos fará livres”.

Em uma carta de maio de 1998, a Congregação para a Doutrina da Fé, o então secretário Cardeal Tarcisio Bertone, respondeu algumas perguntas de Dom Gilbert Aubry, Bispo de Saint-Denis de la Réunion (França), a respeito da posição da Santa Sé e de Dom Peric sobre as aparições, peregrinações e trabalho pastoral com os fiéis que vão à Medjugorje.

O Purpurado disse que, em relação à credibilidade das aparições, o dicastério respeita o que disseram os bispos da antiga Iugoslávia na Declaração de Zadar, em 1991, de que “com base na investigação realizada, não é possível estabelecer que houve aparições ou revelações sobrenaturais”.

Do mesmo modo, sobre a posição de Dom Peric contrária às supostas aparições em Medjugorje, o Cardeal Bertone disse que “deveria ser considerada a expressão da convicção pessoal do Bispo de Mostar, que tem o direito de expressar como Ordinário do lugar, mas que é e continua sendo a sua opinião”.

Atualmente, o Papa tem em suas mãos o relatório da Comissão de Investigação sobre Medjugorje presidida pelo Cardeal Camillo Ruini, nomeada durante o pontificado de Bento XVI para investigar este assunto. O relatório concluiu seu processo na Congregação para a Doutrina da Fé e agora aguarda a decisão de Francisco.

Fonte: https://www.aciprensa.com/noticias/obispo-local-se-pronuncia-sobre-autenticidad-de-apariciones-de-la-virgen-en-medjugorje-1119