Aniversários que se comemoram em 2017

Por Roberto de Mattei

Da mesma forma que na vida dos homens, os povos também comemoram aniversários. E em 2017 também se comemoram anos de muitas coisas ainda que não todas mereçam um pastel com velinhas.

A efemérides que mais se está comentando é a de Lutero. Transcorreram quinhentos anos desde que em 31 de outubro de 1517 fixou suas 95 teses na ampla porta da catedral de Wittenberg. Com dito gesto pôs em marcha a chamada Reforma Protestante e assinalou o final da Cristandade medieval.

Dois séculos mais tarde, em 29 de junho de 1717, se funda a Grande Loja de Londres. Dito ato está considerado na ata de nascimento da Franco-maçonaria moderna, que a sua vez, tem relação direta com a Revolução Francesa. As Lojas maçônicas constituíram, em efeito, laboratórios operativos de ideias nos que se gestou a Revolução de 1789.

E em 26 de outubro de 1917, segundo se conte pelo calendário gregoriano ou o juliano, o Partido Bolchevique de Lenin e Trotsky ocupou o Palácio de Inverno de São Petersburgo. Desse modo, a Revolução Russa irrompeu na história e ainda não a abandonou.

1517, 1717 e 1917 são, pois, três datas plenas de simbolismo; três acontecimentos que formam parte de um mesmo processo. Em seu discurso à Ação Católica masculina de 12 de outubro de 1952, Pio XII o resumiu com as seguintes palavras: «Cristo sim, Igreja não; (a revolução protestante contra a Igreja); depois: Deus sim, Cristo não; (a revolução maçônica contra os mistérios centrais do cristianismo); e por último, o grito ímpio: Deus morreu; melhor dito: Deus jamais existiu (a revolução comunista ateia). Aqui –conclui Pio XII– temos o intento de construir a estrutura do mundo sobre cimentos que não duvidamos em assinalar como os principais culpáveis dos perigos que espreitam à humanidade».

Três etapas de um mesmo processo que atualmente está alcançando o cume. A Igreja o chamou Revolução, com maiúscula, para descrever sua essência metafísica e sua histórica transcendência que se remonta a vários séculos.

Contudo, este ano se comemora um quarto aniversário do que até agora se tem falado muito pouco. Em 2017 se cumpre também o primeiro centenário das aparições de Fátima, e proponho examinar à luz da mensagem de Fátima as três revoluções que se comemoram este ano.

Alguns princípios que cabe recordar

O primeiro que se deve destacar é que falamos de fatos históricos.

As aparições de Nossa Senhora em Fátima, entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917, são um fato histórico objetivo, não uma experiência religiosa subjetiva na que Nossa Senhora se aparece aos três pastorzinhos.

Aos historiadores imbuídos de racionalismo, entre os que se contam numerosos católicos, gostaria de despojar essa história de todo caráter sobrenatural –milagres, revelações e mensagens do céu–, relegando-os ao âmbito privado da fé. Agora bem, esses milagres, aparições e mensagens, se são autênticos são parte da história, do mesmo modo que o são a guerra, a paz e tudo o que consta nos anais da história.

As aparições de Fátima foram sucessos que tiveram lugar em um lugar concreto e em um momento determinado da história. Sucessos verificados por milhares de testemunhas e por uma investigação canônica que concluiu em 1930. Seis pontífices do século XX reconheceram publicamente as aparições de Fátima, ainda que nenhum deles cumprisse plenamente o que havia pedido Nossa Senhora. Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI visitaram o santuário sendo papas, enquanto que João XXIII e João Paulo I o fizeram sendo respectivamente os cardeais Roncalli e Luciani. Pio XII, por sua parte, enviou seu delegado o cardeal Aloisi Masela. Todos eles honraram Fátima.

Agora bem, a mensagem de Fátima supõe um fato histórico por outro motivo. Não é uma revelação privada exclusivamente para o bem espiritual de quem a receberam –os três pastorzinhos– mas para toda a humanidade.

A Igreja distingue entre revelações públicas e privadas. A Revelação pública concluiu para a Igreja com a morte de São João, o último evangelista. Não obstante, Santo Tomás de Aquino ensina que as revelações e profecias do céu seguem recebendo-se mesmo depois de haver terminado a revelação pública. Não para completar nem propor novas doutrinas, senão para encaminhar a conduta dos homens ajustando-se a ela[1]. Em alguns casos, as revelações privadas estão destinadas à perfeição espiritual de quem recebem esses dons sobrenaturais. Em outros casos, como a das mensagens relativas ao Sagrado Coração recebidas por Santa Margarita Maria Alacoque, têm por objeto o bem da Igreja e de toda a sociedade. O Sagrado Coração de Jesus é o núcleo das revelações de Paray-le-Monial, e o Imaculado Coração de Maria no das de Fátima. Fátima e Paray-le-Monial são revelações privadas para toda a humanidade. Possuem as características de uma grande orientação espiritual na que o Senhor se oferece a dirigir a conduta dos homens em uns momentos determinados da história.

Um terceiro elemento importante se deriva de que algumas revelações privadas, como a de Fátima, não estão destinadas ao bem exclusivo de umas pessoas particulares mas a toda a sociedade, em um período determinado da história. As revelações privadas nos ajudam a interpretar os tempos históricos em que vivemos, mas por sua vez o tempo em que vivemos nos ajuda a entender mais a fundo a importância das revelações. Há uma reciprocidade. Se é certo que as palavras de Deus lançam luz sobre as épocas obscuras da história, também é verdade o inverso: o rumo dos acontecimentos nos ajuda a entender o sentido, às vezes obscuro, das profecias e revelações. No centenário das aparições de Fátima se faz necessário ler as palavras de Nossa Senhora à luz do sucedido ao longo do século passado, que foi um século de devastação[2], para que a luz dessa mensagem ilumine sem falta e com mais claridade os tempos que atualmente vivemos.

A Revolução Russa de 1917

O transfundo histórico em que tiveram lugar as aparições de Fátima foi um terrível conflito conhecido historicamente como a Grande Guerra: a primeira contenda mundial, que entre 1914 e 1918 se cobrou nada mais que nove milhões de vítimas na Europa. Um holocausto de sangue ao que naquele mesmo ano de 1917 qualificou o papa Bento XV de matança inútil[3]. O massacre só foi de utilidade para a Revolução anticristã que viu na guerra una oportunidade de republicanizar a Europa[4] e levar a termo os objetivos da Revolução Francesa.

A guerra transtornou a ordem política que imperava no Velho Continente desde 1815: a do Congresso de Viena, do qual surgiu uma Santa Aliança entre os impérios da Áustria e Rússia frente à Revolução liberal. As tropas do império de Habsburgo se alinharam junto com as alemãs no fronte do leste e contribuíram ao colapso do império czarista.

Em 3 de abril de 1917, um mês antes das aparições, o chefe da seita bolchevique, Vladimir Ilich Lenin (1870-1924), até esse momento exiliado em Zurique[5], regressou a Rússia em um vagão de trem blindado que pôs a sua disposição o estado maior alemão, que queria que a Rússia se afundasse no maior dos caos. Lenin incendiou a Rússia. Mas o fim jamais justifica os meios, e o caos não só arrastou a Rússia, como ao mundo inteiro.

Esse mesmo ano, em 13 de janeiro de 1917, outro revolucionário russo, León Trotsky, atravessou o Atlântico com sua família e se instalou em Nova York. Antony Sutton colocou uma pergunta interessante: «Como sobreviveria Trotsky, que só falava alemão e russo, nos capitalistas E.U.A?»[6]. O que sim é seguro é que o presidente estadunidense Woodrow Wilson facilitou a Trotsky um passaporte para regressar a Rússia a fim de levar a cabo a revolução[7]. Em agosto, uma missão da Cruz Vermelha dos Estados Unidos, composta de advogados e financistas, chegou a Petrogrado. Sua missão era em realidade uma missão dos financiadores de Wall Street destinada a influir e a abonar o terreno para dominar os mercados e recursos russos, através de, ou Kerensky, ou os revolucionários bolcheviques[8].

Entre o exército alemão e os financiadores de E.U.A. Havia interesses comuns. Isto envolveu em certo mistério as origems da Revolução Russa.

A Revolução russa iniciada por Lenin se levou a cabo em duas fases: a primeira foi a chamada Revolução de Fevereiro, que conduziu à abdicação do Czar e a instauração de uma república liberal democrática dirigida por Alexander Kerensky (1881-1970).

A segunda etapa foi a Revolução de Outubro, que desencadeou a caída de Kerensky e a instauração do regime comunista de Lenin e Trotsky. Então se desatou uma época de matanças sem precedentes históricos.

A Revolução Russa, como a Francesa, foi obra de uma minoria, e se realizou com uma celeridade surpreendente, sem que ninguém se desse apenas conta do que sucedia. O repórter socialista estadunidense John Reed, que participou na Revolução, escreveu um livro intitulado Dez dias que estremeceram o mundo, no que descreve de modo realista o ambiente reinante naqueles dias:

«Aparentemente não passava nada; centenas de milhares de pessoas se recolheram numa hora prudente, madrugaram e foram trabalhar. Em Petrogrado os transeuntes circulavam, as tendas e restaurantes estavam abertos, os cines também, se anunciava uma exposição de pinturas (…) A complexa rotina da monotonia diária seguia como sempre, inclusive em meio da guerra. Não há nada tão assombroso como a vitalidade do organismo social: persiste, se nutre, se veste, se diverte como se nada ocorresse em meio das maiores calamidades…»[9].

Fátima 1917

A Revolução Russa não foi só um acontecimento histórico, mas filosófico. Em suas teses sobre Feuerbach (1845), Marx sustenta que a missão do filósofo não consiste em interpretar o mundo, mas em transformá-lo[10]. O revolucionário tem que demostrar mediante a praxe a força e a eficácia de seu pensamento. Ao exercer o poder, Lenin realizou um ato filosófico, porque não se limitou a teorizar, mas levou a efeito a Revolução. Em certo modo, graças a Lenin o socialismo de Marx e Engels se encarnou na história. A Revolução Russa se mostra então como uma paródia diabólica do mistério da Encarnação. Ao encarnar-se, Jesus quis abrir aos homens as portas do Céu; a revolução marxista, em câmbio, fechou as portas do Céu com vistas a converter a Terra em um paraíso impossível. Foi uma erupção do demoníaco na história.

Sem embargo, o Céu respondeu com uma erupção do sagrado na Terra. No outro extremo da Europa, durante esses mesmos meses, estava sucedendo outra coisa:

Em 13 de maio de 1917, na Cova da Iria –lugar isolado entre pedregais e olivais, perto da aldeia portuguesa de Fátima, Portugal «uma Senhora vestida de branco, mais radiante que o sol, derramando raios de luz, mais claros e nítidos que um vaso de vidro cheio de água mais resplandecente penetrada pelos raios do sol» se apareceu a três crianças que guardavam ovelhas: Francisco, Jacinta Marto e sua priminha Lúcia dos Santos. Aquela Senhora manifestou ser a Mãe de Deus, que vinha confiar-lhes uma mensagem para a humanidade, como havia feito em Paris, na rua De Lubac em 1838 e em Lourdes em 1858. Nossa Senhora as mencionou sucessivamente nos dias 13 dos meses seguintes até outubro. Houve seis aparições. A última terminou com um grande milagre atmosférico, um sinal prodigioso do Céu. A Dança do sol, presenciada por milhares de pessoas que puderam descrevê-la com luxo de detalhes, e que foi visível em um raio de 40 quilômetros ao redor[11].

A partir desse momento, a história de Fátima e da Rússia estão entrelaçadas.

A história do século XX, até nossos dias, tem conhecido o combate entre os filhos da luz e os filhos das trevas. Os primeiros se nutrem do que poderíamos chamar o espírito de Fátima; os segundos, do espírito do Príncipe das Trevas, que no século XX se manifestou antes de tudo mediante o comunismo e suas diversas metamorfoses.

O segredo de Fátima

Mais que um lugar, Fátima é uma mensagem.

A mensagem revelada por Nossa Senhora em Fátima consta de três partes chamadas segredos, que formam um todo orgânico e coerente. A primeira é uma aterradora visão do inferno no que se precipitam as almas dos pecadores; a misericórdia do Imaculado Coração de Maria contrapõe esse castigo e é o remédio supremo que oferece Deus à humanidade para a salvação das almas.

A segunda parte tem que ver com uma alternativa histórica de proporções épicas: a paz, fruto da conversão do mundo e o cumprimento das petições de Nossa Senhora, ou um terrível castigo que aguarda à humanidade se se obstina em seu pecaminoso caminho. O instrumento de dito castigo seria a Rússia.

A terceira parte, divulgada pela Santa Sé em junho de 2000, diz respeito à tragédia que reina na Igreja e apresenta a visão de um papa e uns bispos, religiosos e leigos assassinados por seus perseguidores. As controvérsias suscitadas nos últimos anos com relação ao Terceiro Segredo correm o risco de obscurecer a força profética da parte central da mensagem, que se resume em duas frases decisivas: «A Rússia propagará seus erros pelo mundo» e «Por fim, meu Imaculado Coração triunfará».

A Rússia propagará seus erros pelo mundo

«A Rússia propagará seus erros pelo mundo». A palavra erros é precisa: o erro consiste na negação da verdade. Logo a verdade existe e é uma só: a que mantém e difunde a Igreja Católica. Os erros russos são os de uma ideologia que se opõe à ordem natural e cristã porque nega a Deus, a religião, a família e a propriedade privada. Este complexo de erros tem um nome: comunismo, o qual tem na Rússia seu centro de difusão universal.

Com demasiada frequência se identifica o comunismo com um regime meramente político, olvidando sua dimensão ideológica, quando é precisamente sua dimensão doutrinal a que põe de relevo Nossa Senhora.

Durante o século XX, a oposição ao comunismo se limitou a identificar unicamente o comunismo dos tanques soviéticos e do Gulag, que sem dúvida são uma expressão do comunismo, mas não constituem seu núcleo. Pio XI destacou a natureza ideologicamente perversa do comunismo.

«Pela primeira vez na história –afirmou Pio XI em sua encíclica Divini Redemptoris de 19 de março de 1937– assistimos a uma luta friamente calculada e cuidadosamente preparada contra tudo o que é divino.» (2 Tes. 1,4)”.

Muitos anticomunistas têm descuidado este aspecto, tecendo ilusões de que chegariam a um possível acordo mediante um comunismo humanitário purificado de toda violência. Não captaram a maldade ideológica intrínseca do comunismo. E onde está a origem de dita maldade? Os próprios comunistas resumem seus erros na fórmula do materialismo dialético: o universo é matéria em evolução, e a alma de dita evolução é o hegelianismo dialético. Este conceito filosófico panteísta encontra sua expressão política em uma sociedade sem classes. O igualitarismo social e político se deriva de um igualitarismo metafísico, que não só nega toda distinção entre Deus e o homem, como que diviniza a matéria negando toda distinção entre os homens e o resto do criado.

Genealogía dos erros

Os erros não surgem do nada. Os da Rússia, como todos, surgem de erros anteriores, e geram por sua vez mais erros. Se queremos entender do todo sua natureza, temos que perguntar-nos de onde provêm esses erros e aonde nos levam.

O texto que serve de base ao comunismo é o Manifesto do Partido Comunista, publicado por Karl Marx (1818-1883) e Frederick Engels (1820-1895) em fevereiro de 1848. Este lhes foi encarregado a Marx e a Engels pela Liga dos Justos, organização comunista entregada às ideias jacobinas extremas de Gracchus Babeuf (1760-1797). Entre os precursores diretos do socialismo, Engels enumera, junto aos jacobinos, os anabatistas, os niveladores da Revolução Inglesa e os filósofos da Ilustração no século XVIII[12].

Os anabatistas eram a extrema esquerda da revolução protestante, a que o historiador George Hunston Williams (1914-2000) qualificou de reforma radical, em contraposição à reforma magisterial de Lutero e Calvino[13]. Em realidade, não houve oposição, mas desenvolvimento: o que caracteriza a todas as revoluções é que contêm já o germe de suas capacidades desde o momento de sua gênese, e os princípios em que funda suas raízes o anabatismo estão no ímpeto conferido por Lutero desde o mesmo princípio a sua revolução religiosa no século XVI.

O professor Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1995) assinalou o seguinte:

«Como os cataclismos, as más paixões têm uma força imensa, mas para destruir. E força tem já, potencialmente, no primeiro instante de suas grandes explosões, toda a virulência que se patenteará mais tarde em seus piores excessos. Nas primeiras negações do protestantismo, por isso, já estavam implícitos os anelos anarquistas do comunismo. Se, desde o ponto de vista da formulação explícita, Lutero não era mais que Lutero, todas as tendências, todo o estado de alma, todos os imponderáveis da explosão luterana já traziam consigo, de modo autêntico e pleno, ainda que implícito, o espírito de Voltaire e de Roberspierre, de Marx e de Lenin.»[14].

Aqui há que recalcar outro ponto importante. Se bem é certo que «as ideias têm consequências»[15], não todas as consequências são coerentes com suas intenções. O filósofo alemão Wilhelm Wundt (1832-1920) acunhou a expressão «heterogonia dos fins» (Heterogonie der Zwecke) para descrever as contradições que com frequência se dão entre as intenções humanas e a consequência das ações. Esta heterogonia dos fins é típica de todas as utopias, que al negar a realidade estão abocadas a que esta as contradiga.

Por exemplo, Lutero teorizou a somente a fé, negando todo valor à razão humana. E ao mesmo tempo negou a autoridade da Igreja em nome da Sola Scriptura, interpretada conforme o princípio do livre exame. Os anabatistas italianos, que se conhecem como socinianos por seguir as ideias dos hereges sieneses Lelio (1525-1562) e Fausto Socino (1539-1604), conferem um papel primário à razão, desbaratando os textos mesmos das Sagradas Escrituras mediante suas críticas.

O socinianismo é uma forma de protestantismo radical que passou da Itália a Polônia, onde floresceu entre os séculos XVI e XVII. Em seguida se trasladou a Holanda e dali a Inglaterra quando da Revolução Inglesa. O socinianismo é o ponto de encontro entre seitas anabatistas dos séculos XVII e XVIII, junto com as seitas filosóficas de estrutura maçônica do século XVIII. No templo laico das virtudes sociais –a Loja maçônica– se praticava o culto de uma nova ética liberada das rédeas de todo dogma e moral religiosa.

A relação entre o socianismo e a franco-maçonaria se pode estudar através de John Toland (1670-1722), autor de Pantheisticon (1720), onde ilustra a doutrina e a organização de uma sociedade de sodales socratici, que não só seria centro de debate filosófico e político, como também de introdução esotérica ao panteísmo, e propõe a seus membros a conformação de uma república igualitária, livre de toda superstição religiosa[16]. O panteísmo e o igualitarismo sempre estão relacionados.

Em 1723, após a fundação da Grande Loja, o pastor presbiteriano James Anderson publicou as Constituições da Franco-maçonaria. Benjamin Franklin publicou novamente esta obra na Filadélfia em 1734. Franklin (1706-1790) foi elegido esse mesmo ano Grão Mestre dos maçons da Pensilvânia. Em dezembro de 1776, Franklin foi enviado a França como comissionado dos Estados Unidos. Durante sua estadia no país galo, Benjamin Franklin exerceu ativamente como franco-maçom, exercendo como Venerável Mestre da Loja Les Neufs Soeurs. A fundação do Grande Oriente em 1773 assinalou o começo de uma nova etapa: uma campanha política fora das Lojas. Os maçons manipularam as eleições de março e abril de 1789 na França, e se criou um bloqueio no terceiro estado que esteve dirigido pela Maçonaria. Entre os associados da Loja francesa se encontrava o conde Mirabeau (1749-1791), ex embaixador da França em Berlim, orador e estadista, que a princípios de 1791 seria elegido presidente da Assembleia Nacional.

O bibliotecário do Congresso e historiador James H. Billington escreve: «Mirabeau foi o primeiro em aplicar a linguagem evocativa da religião tradicional às novas instituições políticas da França revolucionária. Em data tão recente como 10 de maio de 1789, escreveu à assembleia de constituintes que o haviam elegido para o Terceiro Estado que os Estados Gerais não tinham por objeto reformar senão “regenerar” a nação. Seguidamente definiu à Assembleia Nacional como “sacerdócio inviolável da ordem pública nacional”, a Declaração dos Direitos do Homem como “evangelho político” e à constituição de 1791 como uma nova religião “pela que o povo está disposto a morrer”»[17].

Mirabeau pertencia aos Iluminados da Baviera, sociedade secreta fundada em 1776 por Adam Weishaupt, professor de direito canônico na universidade alemã de Ingolstadt. Os dos livros principais pelos que sabemos da conspiração iluminista de Adam Weishaupt são Proofs of a Conspiracy, do professor John Robison, aparecido pela primeira vez em 1798, e o estudo em quarto volumes do padre Augustine Barruel Memória para servir à história do jacobinismo, publicado em 1799. Recomendo ambos livros. A ordem tinha por objeto acabar com todas as religiões, derrocar todos os governos e abolir a propriedade privada.

A Revolução Russa não foi algo que surgisse espontaneamente. Foi fruto de um processo que se remontava a muito tempo atrás. O teórico comunista Antonio Gramsci (1891-1937) resume esse processo revolucionário na fórmula «filosofia da praxe”. «A filosofia da praxe é a culminação de todo este movimento; (…) se corresponde com o nexo entre a Reforma Protestante e a Revolução Francesa. É filosofia que é ao mesmo tempo política, e uma política que é ao mesmo tempo filosofia»[18].

A Revolução traída

Agora bem, uma falsa filosofia, politizada –isto é, levada à prática– sempre trai suas premissas. Só a verdade é coerente. O erro é sempre contraditório. Neste sentido, a Revolução só se pode estabelecer se se trai a si mesma. Como toda revolução, a comunista de outubro foi traída. O debate entre Stalin e Trotsky é eloquente. Trotsky acusa a Stalin de haver traído a Revolução. Stalin responde que a praxe, ou seja a conquista e manutenção do poder, demonstra a verdade de seu pensamento. Os dois tinham razão e os dos se equivocavam. Quem combate a verdade se combate a si mesmo.

O certo é que no século XX não houve crimes comparáveis com os do comunismo tanto pelo tempo que duraram, como pelos territórios abarcados, como pelo grau de ódio gerado. Mas esses crimes são consequência de erros. Quando se colapsou a União Soviética, pode se dizer que esses erros saíram do envoltório que os continha e se propagaram como um miasma ideológico por todo Ocidente em forma de relativismo cultural e moral.

O relativismo que atualmente se professa e vive no Ocidente tem suas raízes nas teorias do materialismo e do evolucionismo marxista; dito de outro modo: na negação de toda realidade espiritual e todo elemento fixo e permanente no homem e a sociedade.

Antonio Gramsci é o teórico responsável desta revolução cultural que transforma a ditadura do proletariado em ditadura do relativismo. Para Gramsci, o trabalho do comunismo consiste em conduzir a um secularismo integral que a Ilustração havia reservado a uma elite reduzida. A nível social, esse secularismo ateu é acionado, segundo o comunista italiano, por meio de «uma total secularização da vida e dos costumes». Isto é, mediante uma secularização total da vida social que torne possível que a praxe comunista extirpe totalmente as raízes sociais da religião. A nova Europa sem raízes que eliminou toda referência à Cristandade em seu tratado fundacional realizou completamente o plano gramsciano de secularização da sociedade.

É preciso reconhecer que a profecia de Fátima, segundo a qual a Rússia espalharia seus erros pelo mundo, se cumpriu. A caída do Telão ou Cortina de Ferro tornou imparável a difusão de ditos erros. E a decomposição do comunismo se apodreceu no Ocidente. Por sua parte, o anticomunismo desapareceu, porque «são muito poucos os que puderam penetrar na verdadeira natureza do comunismo», como advertiu Pio XI em Divini Redemptoris. Hoje em dia dá quase vergonha dizer que se é anticomunista. Aí radica a grande vitória do comunismo: em que tenha desaparecido sem derramar uma gota de sangue, sem ser levado a juízo, sem que se o faça objeto de acusações ideológicas, sem que ninguém condene sua memória.

Vladimir Bukovsky escreveu em seu livro O juízo de Moscou:

«Tudo quanto sucede em nossa vida, por pouca que seja sua importância, é objeto de escrutínio por parte de alguma comissão. Sobretudo quando há mortes. Um acidente de aviação, uma catástrofe ferroviária, um acidente trabalhista… e os expertos debatem, efetuam análises, procuram determinar responsabilidades. (…) Inclusive das autoridades, se tem a menor relação com o ocorrido. (…) e neste caso temos um conflito (…) que tem afetado praticamente todos os países do mundo, custado dezenas de milhões de vidas e causado prejuízos por valor de milhares de milhões de dólares. E que, como tantas vezes se tem afirmado, está a ponto de ocasionar uma destruição de proporções planetárias. E contudo não há um só país ou organização internacional que o esteja investigando.

Surpreende que ao mesmo tempo que estamos dispostos a investigar todo acidente nos neguemos a investigar a maior catástrofe de nosso tempo? Porque no fundo já sabemos quais seriam as conclusões de tal investigação, como sabe de sobra qualquer que tenha tolerado o mal. Ainda que o intelecto proporcione escusas enganosas que pareçam lógicas e aparentemente aceitáveis, a voz da consciência nos diz que nossa caída começou no momento em que aceitamos a coexistência pacífica com o mal.»[19]

Desafortunadamente, a Igreja Católica tem promovido e segue promovendo essa coexistência pacífica com o mal.

Quando faleceu o ditador comunista Fidel Castro em 26 de novembro de 2016, foi objeto de elogios por parte de todo Ocidente, inclusive da Igreja Católica. Em uma entrevista com Eugenio Scalfari, o papa Francisco, sétimo sucessor de Pio XI, comparou o comunismo com o cristianismo e declarou que as desigualdades são «o maior mal que aflige o mundo»[20]. E não obstante, a essência do comunismo está precisamente na eliminação de toda forma de diferença social, e a expressão religiosa de dito igualitarismo é a igualização ecumênica de todas as religiões, assim como sua expressão filosófica é o panteísmo ecológico.

Há pouco o papa Bergoglio recebeu no Vaticano os expoentes dos chamados movimentos populares, representantes da nova esquerda marxisto-ecologista, e manifestou seu beneplácito rumo os regimes pró-marxistas dos irmãos Castro em Cuba, Chávez e Maduro na Venezuela, Morais na Bolívia, Rafael Correa no Equador e José Mujica no Uruguai.

O cardeal Zen, bispo emérito de Hong Kong e prelado de mais alto cargo na China, acusou em uma entrevista o papa Francisco de vender os católicos chinos ao pactuar com o governo comunista[21].

Os erros do comunismo não só se espalharam pelo mundo, como que hão penetrado até o templo de Deus, como a fumaça de Satanás que envolve e sufoca o Corpo Místico de Cristo.

A fumaça de Satanás na Igreja

E esse não é tudo. Em Fátima, Nossa Senhora mostrou aos três pastorzinhos uma aterradora visão do inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores, e foi revelado a Jacinta que o pecado que leva mais almas ao inferno é o da impureza. Quem iria imaginar que cem anos mais tarde o exercício público da impureza se acrescentaria à ingente quantidade de pecados imundos que se comentem, em forma de liberação sexual e mediante a inclusão de uniões extramaritais, inclusive homossexuais, na legislação dos países mais importantes do Ocidente?

E quem iria dizer que um documento pontifício, a exortação apostólica Amoris Laetitia do papa Francisco, publicada em 8 de abril de 2016, daria naturalização ao adultério? Ne a lei divina nem a natural admitem exceções. Os teóricos da exceção destroem a regra.

Em uma das dúvidas expressadas pelos cardeais ao Papa, lemos: «Depois de Amoris Laetitia nº 301, é possível afirmar ainda que uma pessoa que vive habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como por exemplo o que proíbe o adultério, (cf. Mt 19,3-9), se encontra em situação objetiva de pecado grave habitual?»

O certo é que o fato de que hoje em dia se possa colocar uma dúvida semelhante ao Papa e à Congregação para a Doutrina da fé é sintoma da gravidade e profundidade da crise em que está imersa a Igreja.

O cardeal Kasper e outros pastores e teólogos têm declarado que a Igreja deve adaptar sua mensagem evangélica à praxe dos tempos. Mas priorizar a praxe sobre a doutrina é o núcleo do marxismo-leninismo. E se Marx declarou que a missão do filósofo não consiste em entender o mundo, mas em transformá-lo, hoje em dia muitos teólogos e pastores sustêm que a missão do teólogo não é difundir a Verdade, senão reinterpretá-la na praxe. Ou seja, que não há que reformar os hábitos dos cristãos para levá-los de volta aos ensinamentos do Evangelho, mas adaptar o Evangelho à prática indevida dos cristãos.

«Por fim, meu Coração Imaculado triunfará»

O antídoto contra a ditadura do relativismo é a pureza doutrinal e moral do Imaculado Coração de Maria. Será Nossa Senhora e não os homens quem destrua os erros que nos ameaçam. Esse sem, o Céu há pedido à humanidade uma colaboração concreta.

Afirma Nossa Senhora que as condições para impedir o castigo são: um ato público e solene de consagração da Rússia a seu Imaculado Coração, realizado pelo Papa em união com todos os bispos do mundo, e a prática da comunhão reparadora cada primeiro sábado de mês.

O Concílio Ecumênico Vaticano II tinha sido uma oportunidade ideal para atender o pedido de Nossa Senhora. Em 1965, 510 arcebispos e bispos de 78 países assinaram uma petição ao Papa solicitando em unidade com os padres do Concílio que consagrasse o mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria, e de maneira especial a Rússia e os outros países dominados pelo comunismo. No entanto, Paulo VI fez caso omisso da solicitude.

Pio XII e João Paulo II fizeram atos parciais de consagração para a Rússia e para o mundo, que ainda que dessem seus frutos e não deixaram de ter efeito, foram incompletos.

Em 12 de maio de 2010, Bento XVI elevou na Capela das Aparições uma oração de consagração a Nossa Senhora pedindo a liberação de todos os perigos que nos espreitam. Mas este ato foi igualmente incompleto.

Os devotos de Fátima esperavam que o papa Francisco fizesse algo mais que seus predecessores, e ficaram desiludidos. Em seu ato mariano de outubro de 2013, o Sumo Pontífice não mencionou o Imaculado Coração de Maria nem o mundo, nem tampouco a Igreja, não digamos a Rússia. Francisco irá a Fátima no próximo 13 de maio. Que fará e dirá nesta ocasião?

A consagração da Rússia segue pendente; a prática da comunhão reparadora não está estendida; e sobre o ambiente em que estamos imersos reina um espírito de hedonismo degenerado, de satisfação de todo prazer e desejo prescindindo de leis morais. Quem pode afirmar então, que a profecia de Fátima se cumpriu e que os grandes acontecimentos anunciados por Nossa Senhora em 1917 passaram à história?

Em Fátima, Nossa Senhora não solicitou atos públicos da hierarquia da Igreja. Essas ações, que são necessárias, devem ir acompanhadas de uma sentida atitude de conversão interior e penitência, como nos recorda o Terceiro Segredo, no tríplice chamamento do Anjo para que se faça penitência.

Penitência significa antes de tudo arrependimento, um espírito contrito que nos faça conscientes da gravidade dos pecados cometidos por nós e por outros, e que nos mova a detestar de todo Coração essas iniquidades. Penitência significa um repasso doutrinal e moral de todos os erros que abraça a sociedade ocidental há um século. A mensagem de Fátima nos relembra explicitamente que a alternativa à penitência é um castigo aterrador que espreita a humanidade.

Para que o mundo se salve desse castigo é preciso um câmbio de espírito, mas não poderá fazê-lo se não reconhece a enormidade dos pecados cometidos, começando pela inclusão nas leis de assassinatos massivos e uniões homossexuais. Em ambos os casos se trata de pecados que ofendem diretamente a Deus, Criador da natureza: pecados que, como ensina o Catecismo, clamam ao Céu pedindo vingança. Isto é, que se fazem credores de um grande castigo.

Se não há arrependimento não se pode evitar o castigo. E se não se alude a dito castigo, a mensagem de Fátima fica esvaziada de seu profundo significado.

Penitência significa arrependimento; penitência significa aversão e ódio ao pecado: o ódio ao pecado nos deve impulsionar a combatê-lo e, quando o pecado é público, a atuar publicamente para destruir as raízes e consequências do mal na sociedade. Por isso, o chamado à penitência da mensagem de Fátima é também uma chamada a combater os erros que corrompem totalmente a sociedade atual.

A mensagem de Fátima é mais que uma mensagem anticomunista: é também uma mensagem antiliberal e antiluterana, já que os erros da Rússia são descendentes dos erros da Revolução Francesa e do protestantismo. Também são os erros da revolução anticristã, à que se opõe a contrarrevolução católica. Como disse o conde De Maistre, não se trata de uma revolução em direção contrária, mas é o contrário da Revolução em todos seus aspectos políticos, culturais e religiosos[22].

Fátima se opõe diametralmente a 1917, 1717 e 1517. Estas datas não as celebraremos.

Permitam-me que lhes recorde uma revelação de Nossa Senhora em Fátima da que tivemos noticia há só uns anos. Exatamente em 2013 quando o Carmelo de Coimbra publicou o livro Um caminho sob o olhar de Maria.

Por volta das quarto da tarde de 3 de janeiro de 1944, na capela do convento de Tuy, estando a irmã Lúcia ante o Tabernáculo, Nossa Senhora a instou a escrever o texto do Terceiro Segredo. A irmã Lúcia o conta com estas palavras:

«Senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus, e nEle vi e ouvi: “A ponta da lança, como a chama que se desprende, toca o eixo da Terra, e esta se estremece: montanhas, cidades, povos e aldeias com seus habitantes são sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem de seus limites, desbordando-se, inundando e arrastando consigo em um redemoinho casas e pessoas sem número, que não se podem contar; é a purificação do mundo pelo pecado no que está imerso. O ódio, a ambição, provocam a guerra destruidora.” Depois senti, no palpitar acelerado do coração e em meu espírito, o eco de uma voz suave que dizia: “No tempo, uma só fé, um só batismo, uma só Igreja Santa, Católica e Apostólica. Na eternidade, o Céu!” Esta palavra, Céu, me encheu a alma de paz e felicidade, de tal forma que quase sem dar-me conta, fiquei repetindo por muito tempo: O Céu, o Céu!»[23].

Nossa Senhora nos recorda que um castigo temível aguarda a humanidade, e que a profissão da fé católica em sua totalidade é necessária nos tempos dramáticos que vivemos. Uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja. Não devemos, pois, abandonar a Igreja, mas voltar a Ela e viver e morrer nEla, já que fora da Igreja não há salvação. Fora de suas portas não há outra coisa que o abismo inconsolável do inferno. A alternativa segue sendo ou o Céu ou o Inferno, de cada um dos quais temos uma degustação prévia na Terra. Para as nações, o inferno é uma sociedade ateia, anárquica e igualitária. E o Paraíso para elas é uma civilização cristã austera, hierárquica e sagrada.

Instauramos o Céu na Terra combatendo em defesa da verdadeira Igreja, com tanta frequência abandonada pelos próprios clérigos.

A exclamação final de: «O Céu, o Céu!» parece aludir à dramática eleição entre o Céu, onde as almas salvas alcançam a eterna dita, e o inferno, onde os condenados sofrem pela eternidade.

Para escapar da morte no tempo e na eternidade só há uma saída: combater as desordens do mundo moderno, declarar em nossa vida e na sociedade os princípios perenes da ordem cristã e natural. Esse foi o caminho elegido por muitos santos aos que devemos ter por modelos, como São Maximiliano Kolbe (1894-1941).

Em 17 de outubro de 1917, nas vésperas da Revolução Russa e sem ter a menor ideia das aparições de Fátima, o jovem franciscano polaco fundou a Milícia da Imaculada para combater a Maçonaria, que celebrava o 200 aniversário da fundação da Grande Loja de Londres com blasfemos desfiles pelas ruas de Roma. São Maximiliano Kolbe foi um dos santos que profetizaram o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

O triunfo do Imaculado Coração de Maria, que é também o Reino de Maria anunciado por muitas almas privilegiadas, não é outra coisa que o triunfo na história da ordem cristã e natural preservada pela Igreja. Nossa Senhora anunciou que dito triunfo seria o colofão de uma longa prova de tempos difíceis de penitências e lutas, mas também de imensa confiança em sua promessa.

Dirijamo-nos, pois, a Ela neste centenário de suas aparições para pedir-lhe que se apresse já a fazer de nós instrumentos, em nossa época, de sua vitória contra a Revolução: super Revolutionem vitória in diebus nostris, que equivale a dizer:

Por fim, seu Imaculado Coração triunfará.

Roberto de Mattei

(Traducido por J.E.F)

(Traduzido por AirtonVieira)

[1]  Sto. Tomás de Aquino, Summa TheoLojae, II-II, 174, 6 ad 3.

[2] Robert Conquest, Reflections on a ravaged Century, W. W. Norton & Company, New York 2001.

[3] Bento XV, carta de 1º de agosto de 1917, in AAS IX (1917) p.421-423.

[4] Ferenc Fejtő, Requiem pour un empire défunt, Lieu Commun, Paris 1988, pp. 308, 311

[5] Alexander Solzhenitsyn, Lenin in Zurich, Book Club Associates, London 1976.

[6] Anthony Sutton, Wall Street and the Bolshevik Revolution, Arlington House, New Rochelle 1974, p. 22

[7] Sutton, op. cit., p. 25

[8]  Sutton, op. cit., pp. 86-88

[9] John Reed, Ten Days that Shook the World, Boni and Liveright, New York 1919, p. 112

[10] Tesi su Feuerbach, tr. it. in Feuerbach-Marx-Engels, Materialismo dialettico e materialismo storico, a cura di Cornelio Fabro, La Scuola, Brescia 1962, pp. 81-86

[11] Martins dos Reis, O Milagre do Sol e o Segredo de Fátima, Ed. Salesianas, Porto, 1966

[12]  Frederick Engels, The Development of Socialism. From Utopia to Science, 1878, tr. tr. it. Editori Riuniti, Roma 1958, pp. 15-17.

[13]  George H. Williams, The Radical Reformation, Westminster Press, Philadelphia 1962

[14]  Plínio Correa de Oliveira, Revolução e contrarrevolução, Editorial Fernando III el Santo, Bilbao, 1978, pp. 51-52.

[15] Richard M. Weaver, Ideas have consequences, The University of Chicago Press, Chigago & London 2013.

[16] Margaret C. Jacob, The Newtonians and the English Revolution, Cornell University Press, Ithaca 1976

[17] James H. Billington, Fire in the Minds of Men: Origins of the Revolutionary Faith, Basic Books 1980, pp. 19-20.

[18] Antonio Gramsci, Quaderni dal Carcere, [Prison Notebooks] edizione critica dell’Istituto Gramsci, by Valentino Gerratana, Einaudi, Torino 1975, vol. III, p. 1860

[19] Vladimir Bukovsky, Gli archivi segreti di Mosca, tr. it., Spirali, Milán 1999, pp. 62, 65.

[20] La Repubblica, 11 de novembro de2016.

[21] LifeSiteNews 22nd February 2017

[22]  Joseph de Maistre, Considérations sur la France, cap. X, 3, in Œuvres complètes, Vitte, Lyon-Paris 1924, t. I, p. 157

[23] Carmelo de Coimbra, Um Caminho sob o olhar de Maria, Edições Carmelo, Coimbra 2012, p. 267

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Fonte: http://adelantelafe.com/aniversários-se-comemoram-2017/

Créditos:  Airton Vieira de Souza