A Mensagem do “Vidente” Pedro Siqueira à Luz da Teologia Católica

Foto:Diário de Pernambuco, de 07/03/2015

 

 

 

Pe. Marcélo Tenorio

 

Muitos têm me perguntado sobre o “vidente” Pedro Siqueira, que diz comunicar-se diretamente com seu anjo da guarda e com os demais anjos de várias hierarquias, além de conversas com outros santos, tais como: S. Francisco de Assis, S. Jerônimo e Pe. Pio. Diz, também, receber “mensagens” de Nossa Senhora, que ele divulga no momento de condução de seus Terços. Ele já esteve presente em várias cidades do Brasil, para momentos de oração , sempre acompanhado de  mensagens de Nossa Senhora para o momento. Também é comum que ele distribua recados particulares para algumas pessoas ali presentes, esses recados lhes seriam   transmitidos pelos anjos, santos ou a pela própria “Mãe de Deus”.

O “vidente” em questão é advogado, professor de direito e escritor. Alguns livros seus são muito bem vendidos: “Você pode falar com Deus”, “ Todo mundo tem um anjo da guarda”, “Senhora das Águas”, “ Senhora dos Ares”

Segundo ele, em entrevistas, já esteve presente no purgatório, no céu e no inferno. As comunicações místicas que alguns santos possuíram, encontramos no testemunho do vidente advogado, semelhante vivência.

Se olharmos os seus vídeos, seus momentos de oração, naturalmente, sem nenhuma mudança de postura, mas com seu violão, dedilhando suas músicas, vai anunciando ao povo as presenças celestes que vão acontecendo. Ora anuncia a chegada da Virgem Maria, detalhando suas roupas e trajes e o lado da Igreja na qual Ela se encontra. Ora anunciando a presença de S. Miguel Arcanjo e de outros seres celestiais.

Nas igrejas por onde vai, uma grande multidão o acompanha. Cresce mais e mais aqueles que acreditam em suas visões e  suas mensagens.

Ora, nós sabemos muito bem que o Espírito Santo sopra onde quer. Deus é sempre livre para fazer brotar das pedras até novos “filhos de Abraão”, todavia o que Deus não pode é se contradizer,  pois sendo Todo Poderoso, Ele que tudo pode, não pode fazer o mal, visto que contrariaria sua Perfeição e Suma Bondade. Isso significa que, mesmo sendo livre em sua ação, Deus caminha sobre um trilho e não pode sair dele, e esse trilho chama-se a Verdade Católica.

A Santa Igreja jamais nos obrigou a acreditar nesta ou naquela aparição de Nossa Senhora. Mesmo as aparições de Fátima, não constituem uma obrigação formal em nosso crer. Posso tranquilamente desacreditar de Fátima e ao mesmo tempo continuar católico, visto que aparições e mensagens da Virgem são consideradas pela Igreja como “revelações privadas”, diferentes das Revelações Públicas, tais como a Sagrada escritura e a Tradição Apostólica, às quais somos obrigados a acreditar.

Todavia, mesmo em relação às revelações privadas a Santa Igreja tem critérios para analisar se provém ou não provem de Deus. Entre eles, concordância das mensagens com o “Depósito da Fé”. As mensagem ditas “do céu” devem está em acordo com a doutrina perene da Igreja. Qualquer equívoco aqui, coloca em xeque a veracidade de tudo, pelo menos no ponto de vista teológico. Deus não erra e nem se equivoca, logo não pode haver contradição alguma entre a mensagem recebida pelo vidente e a doutrina infalível da Igreja.

Outra questão não menos importante, trata-se da vida do próprio agraciado, do vidente. Da maneira como esta sendo conduzida a sua trajetória na Igreja e sua obediência à hierarquia.

Basta uma rápida passagem na vida dos videntes da Igreja (os autênticos), que encontraremos algo em comum: vida de oração, obediência à hierarquia e crescimento na Fé Católica, além do desejo de anonimato.

Busquei conhecer melhor o “vidente” Pedro Siqueira. Li seus livros, mas sobretudo assisti várias entrevistas suas, nas quais expõe seu pensamento. Entre várias entrevistas, quatro foram importantes para que eu percebesse o fio condutor de sua “doutrina” e pudesse comparar com a Doutrina da Igreja. Foram elas: entrevista com Marília Gabriela (MG),com Amaury Júnior ( AJ), ao programa “Cá entre nós”( CEN) e na RDP Internacional.

Confesso que me inquietou a ideia de alguém com uma “experiência mística tão alta”, que inclui até bilocação, está ao mesmo tempo, em programas de televisão e promovendo, de vez em quando, “noites de autógrafos”, para venda de seus livros, que já passam de 50 mil exemplares vendidos, como é o caso do livro “Senhora dos Ares”. Lembrei-me de uma multidão de místicos da Igreja, entre eles Santa Margarida Alacoque, Santa Catarina de Sena, S. Domingos Sávio e tantos outros, que se constrangiam em falar de suas visões e que só faziam isso em obediência às autoridades eclesiásticas. Para Pe. Pio da Pietrelcina, ter as chagas visíveis era  um grande motivo de vergonha e acanhamento. Já o nosso querido S. João Maria Vianney, atribuía os grandes milagres que fazia à Santa Filomena, de quem era grande devoto, e quando o povo lhe vinha agradecido, ele lhe dizia:  “Foi Santa Filomena. Depois que ela resolveu ficar aqui, não temos mais sossego!”

Bem, vamos direto ao ponto e ao mais importante. Suas mensagens, seu pensamento. É de grande valor o pensamento expresso de um “vidente”. Aquele que tem a graça de se comunicar com seu anjo da guarda e com a Virgem Santíssima, é óbvio que deve também ser guiado por eles. Seu pensamento é sempre moldado pela luz divina que lhe comunica a Verdade. Assim aconteceu com todos os videntes até hoje. Santa Bernadete, educada pela Virgem Maria, crescera de tal forma no conhecimento da Verdade, que as demais religiosas percebiam isso. O mesmo aconteceu com os videntes de Fátima; eles tinham com clareza a doutrina católica que lhe foi comunicada pela própria Mãe de Deus. Qualquer pessoa que se diz ter comunicação com Nossa Senhora e, não expressa compreensão de sua Fé, há de se duvidar, da autenticidade do fato.

Quanto à linguagem: Pedro Siqueira sempre se apresenta como católico apostólico e romano e, quando pode, comenta sobre seu diretor espiritual. Segundo ele, sua espiritualidade vem da renovação carismática. Ele conta a história de uma mulher que teria dom de vidência e que era de grupo de oração. Essa mulher havia profetizado que um dia ele rezaria o terço diante de uma multidão de dez mil pessoas, o que, segundo ele, teria acontecido em S. Paulo..

Algo a se notar em seus livros e suas entrevistas é justamente a linguagem usada. Ora, nós sabemos que há uma linguagem própria para cada grupo. Entre os católicos, também. Temos uma linguagem só nossa. Usamos e nos comunicamos com ela. Vejam que, com o surgimento da renovação carismática, entrou em nosso mundo católico uma nova linguagem que nunca foi nossa: tal como as seguintes expressões: “ paz de Jesus”, “Aleluia”, “ô, glória!..”, entre outras. Hoje somos capazes de identificar alguém do mundo pentecostal somente por sua linguagem.

Uma Primeira Curiosidade:

Quem foram os videntes na vida da Igreja? Foram pessoas, geralmente simples, escolhidas por Deus, para transmitir ao mundo a Mensagem do Céu. Vejam que eles apenas transmitiam o que ouviam. Nada mais que isso. Não assumiam papel de pregadores ou de mestres espirituais. Nunca davam opinião pessoal sobre nada, mas repetiam o que tinham ouvido do Alto, e, quando o tempo chegava ao fim, se recolhiam dos olhares dos outros o mais que podiam. Aqui já é diferente. O “vidente” em questão não parece apenas receptor, mas também protagonista. Fala, exorta, se posiciona, emite opiniões. Seus dois livros “Senhora dos Ares” e “Senhora das Águas”, assumem caráter de romances, ficando difícil de se constatar equívocos teológicos, visto que esses podem ser entendidos como “licença literária”, própria da ficção. Já os dois outros livros, “ Você pode falar com Deus” e “Todo mundo tem um anjo da guarda”, são ensinamentos do “vidente” diante daquilo que diz ver e ouvir do mundo espiritual. Nesse último livro, pela Sextante, lemos , na capa, abaixo do título: “Ensinamentos sobre os seres espirituais que nos protegem”.

Segunda Curiosidade: A Linguagem

Embora oriundo da renovação carismática, a linguagem de Pedro Siqueira não pode ser definida como tal. Há uma linguagem diferente, estranha tanto ao neo-pentecostalismo bem quanto ao catolicismo romano. Várias vezes ele se refere a Deus Pai como o “Pai Celestial”. Já em relação à ação da Virgem Maria no momento da oração, o vidente fala de um “campo energético” que aparece acima de todos e que se abre com uma luz dourada que se derrama sobre todos…

Narrado sua emoção em visitar o Monte de S. Miguel, próximo de S. Giovanne Rotondo, e, deparando-se com a rocha na qual S. Francisco teria adormecido, o “vidente” fala de uma “energia” que se apropriou dele: “ Ao avistar o tau gravado na pedra de entrada do santuário, ajoelhei-me coloquei  minha cabeça ali. A energia tomou conta da minha testa; parecia que minha cabeça iria se incendiar.” ( In Todo mundo tem um anjo da guarda, pg 55).

Terceira Curiosidade: Excessiva familiaridade.

Num certo momento o anjo da guarda do vidente aparece-lhe em plena noite, às 3h da manhã. Vejamos sua narrativa:

“..inicialmente, devido ao cansaço, virei para o outro lado na tentativa de voltar a dormir. Ele sacudiu meu ombro”.

 “ Precisa ser mesmo agora? Afinal está tudo escuro lá fora e tenho que trabalhar amanhã.”

Disse o anjo: “ Você vai voltar a dormir. Logo que seu sono estiver profundo, o levarei em espírito para fora do planeta. Vamos ficar em órbita um instante….” ( ibidem: pg 47)

Percebe-se, além da familiaridade do “vidente” com o anjo, podendo até resistir-lhe, novamente a questão da linguagem simplesmente inexistente nas narrativas dos videntes no decorrer da história da Igreja. Jamais lemos palavras como: “energia”, “campo energético”, “ficar em órbita”, etc nas falas e escritos dos videntes. Essa linguagem, pelo contrário, está presente em quem se dá às práticas orientais, filosofias transcendentais, mentalizações. Sem dúvida não faz parte do nosso falar católico.

Algumas vezes, no entanto, sua fala confunde com o pensamento espírita, quando diz: “independente da religião se faz caridade e se evolui espiritualmente…” ( MG 13:34 e 15:19 ).

Quarta curiosidade: Naturalismo Religioso

Uma questão conflitante é que Pedro Siqueira apregoa uma religião natural, sem verdade objetiva, baseada apenas no Amor, na Caridade e na Misericórdia. ( Cf: AJ : tempo 23:16 ). Acredita que o distanciamento dos fieis da Igreja foi devido a uma catequese baseada no pecado e na culpa e que o trabalho dele não leva em conta esse tipo de catequese, mas o Amor, apenas o Amor ( Cf:AJ: tempo: 25:57). Aqui valeria a pena uma indagação: será que ele leu toda a mensagem de Fátima? Nossa Senhora em Fátima foi enfática ao tratar do assunto de pecado, castigo e inferno, tudo que o vidente acima parece se distanciar.

Pedro Siqueira desconhece a doutrina sobre os sacramentos, o que é estranho a quem se diz conduzido pelo anjo e pela Virgem. Para ele os sacramentos são “importantes degraus de uma escada para se chegar a Deus”, apenas. (Cf: A J: tempo: 16:01 ) Aqui temos uma afirmação ou estranha ou grave, ou ao mesmo tempo estranha e grave. Os sacramentos são essenciais para se viver a vida da Graça. Sem eles não existe vida sobrenatural em nós.

O vidente também desconhece a doutrina infalível sobre o Mistério de Cristo e da Igreja contidas nas definições do Concílio de Trento e em vários outros documentos que ensinam que a Igreja Católica fundada por Jesus Cristo é necessária para salvação de todos os homens e que fora dela ninguém poderá se salvar, além de possuir a Verdade Plena, como Mãe e Mestra. As palavras que ele mesmo pronuncia são gravíssimas e elas- por si – provam que suas visões, se existem, não provem de Deus, visto que Deus não pode errar e se contradizer. Vejamos o pensamento do Pedro Siqueira:

“Mas você achar que só uma religião pode te levar a Deus, não é correto, porque Deus é Pai de todos.” (Cf: AJ: tempo: 16:02 )

E ainda, falando sobre os problemas atuais do mundo, Pedro ressalta: “..Nós não temos conversão. Eu não digo nem conversão à Igreja Católica. Conversão verdadeira a Deus, seja qual for a sua religião”. (Cf: AJ. Tempo: 22:05 )

Mais: “ Não importa a religião que você tenha. No grau espiritual somos um só com Deus” ( AJ 21:50).

As pessoas me procuram, sim. Muita gente que é espírita…vem me perguntar e procurar. Pois bem: o que digo a eles é o seguinte: você chega a Deus por você mesmo. Através do seu contato diário, através do seu querer.” ( AJ: 18:00 )

A entrevista com Marília Gabriela é bastante interessante, porque mostra claramente que o nosso “vidente” foge de respostas objetivas e conflitantes. Não podemos dizer que a pessoa em questão seja alguém pouco inteligente e de pouca visão de mundo. Muito pelo contrário. Um professor universitário. Ora, a entrevistadora chega, logo de início, a uma questão interessante: noutras palavras ela lhe pergunta: “se você ver os santos católicos, os anjos e Nossa Senhora, você define que a Igreja católica é a única certa e verdadeira e que as outras religiões estão erradas?”

A resposta de Pedro: “Não! Que é isso! Nunca disse isso. Na verdade eu me sinto bem aí..

Independente da religião dela, se faz caridade, se evolui espiritualmente, acredito que ela vai para o céu.” ( Cf: MG . tempo: 13: 34;  15:19).

Quando indagado sobre se sua forma de ação seria idêntica a de Chico Xavier, o “vidente” parece não conhecer nada de Chico Xavier, para em seguida afirmar: “não! Eu não psicografo, ele psicografava”!.Fica claro a fuga do conflito com a apresentadora. Ao insistir na similaridade da forma de ação dele e de Chico Xavier, a apresentadora interroga sobre esse ponto, o que ele conclui dizendo: “provavelmente a mesma coisa que eu vejo”. E ainda sobre o mesmo Chico Xavier, diz ele: “ Deus pode se manifestar em qualquer pessoa” (MG 38.37).

As colocações do Pedro Siqueira acima, além de negar frontalmente o dogma sobre a Igreja, leva ao relativismo religioso e propicia a prática natural da fé, defendida pelo iluminismo, já condenado pela Igreja. Negar que a Igreja é a Única verdadeira e que fora dela ninguém poderá se salvar, vai contra a Fé Católica infalível, presente nos documentos dos Papas em 20 séculos e no Sacrossanto Concílio Dogmático de Trento. Quem se aproxima destas negações, mesmo em caso de ignorância vencível, beira , certamente a heresia.

Quem refuta o pensamento liberal, iluminista e não católico presentes nas palavras de Pedro Siqueira é a doutrina da Igreja ,abaixo colocada.

São Cipriano, já no século III, afirmava:): “Não há salvação fora da Igreja”.

No “Quiconque” de Santo Atanásio, séc. IV, credo oficial da Igreja Católica, lemos  ” Todo aquele que queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (…) está é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá se salvar”. Papa Inocêncio III (1198-1216): “De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva”.

No IV Concílio de Latrão(1215),lemos no Canon I, esta declaração infalível: “…Há apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo…”. E ainda o Canon III: “Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia erguida contra a santa, ortodoxa e Católica fé sobre a qual nós, acima, explanamos…”.

Papa Bonifácio VIII (1294-1303): “Por apego da fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só e Santa Igreja Católica e a mesma apostólica e nós firmemente cremos e simplesmente a confessamos e fora dela não há salvação nem perdão dos pecados (…)

Foi o  Concílio infalível de Trento (1545-1563), que ratificou todos os demais concílios: “… nossa fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus…”

Vale a pena ler o solene e infalível ensino de Grerório XVI, na Mirari Vos.

“Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do reto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só batismo (Ef. 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo(Luc. 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha(Simb. Sancti Athanasii).(…) Desta fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e que defende a liberdade de consciência. Esse erro corrupto que abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte, chegando a imprudência de alguém asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma do que a liberdade do erro?, dizia Santo Agostinho (Ep. 166)”.

Há muito mais declarações solenes dos papas sobre esta questão que não colocamos para esse artigo não se tornar por demais enfadonho e pesado. Mas fica claro o espaço de diferença entre o que ensina a Igreja e as declarações, posições ou ensino de alguém que afirma ser conduzido por seu anjo da guarda e pela Virgem Maria.

Algumas imprecisões e estranhezas:

Falando sobre os lugares que gosta de estar em Fátima, o vidente  coloca sua preferência no bosque de valinhos. Ele fala que foi lá a maior parte das aparições de Nossa Senhora e o local onde se deu o Milagre do Sol. Errado. As aparições aconteceram em sua maior parte na Cova da iria, bem como o Milagre do Sol, na última aparição do dia 13 de outubro de 1917.

Também teria sido no Bosque, numa oração da Via sacra que ele teria tido uma aparição de Nossa Senhora. Nessa aparição, Ela fala com ele e lhe faz um pedido: de escrever um livro sobre a vida dele. Ele simplesmente ignora a Virgem Maria e continua andando, por não querer fazer o que ela lhe pedia. Ele diz claramente à Nossa Senhora: “ Não vou escrever!”Nossa Senhora insiste e então ele aceita…

Aqui algo peculiar, jamais visto entre os videntes autênticos: alguém negar um pedido de Nossa Senhora e deixa-la sozinha.

( Cf : AJ: Tempo 39.11)

Numa entrevista, em João Pessoa, época do conclave, pós renúncia de Bento XVI, ele falou à entrevistadora sobre o resultado da oração do terço, que aconteceu naquela tarde e de suas visões:

“S. Pedro está muito preocupado com a sucessão do Papa” ( CEN tempo: 27:39) e ainda: “ Ela ( N. Senhora) estava impressionada com a quantidade que surge e se firmou e que estão chegando”. Referência às comunidades marianas ( Cf: CEN tempo: 39:51).

Ora aqueles que já se encontram na visão beatífica já não participam das imperfeições de nossa humanidade. Não há vicissitudes, nem dúvidas, nem incertezas. Jamais S. Pedro estaria “preocupado” no céu, nem tão pouco Nossa Senhora ficaria “ impressionada”.São imperfeições que não existem mais na Visão Beatífica.

Um dos critérios centrais que a Igreja usa no discernimento das chamadas “revelações privadas”é justamente a mensagem anunciada e ainda as colocações dos videntes. São centrais porque havendo erros, equívocos ou contradições neles, todo o resto desmorona. Se um dos videntes de Fátima tivesse afirmado, por exemplo, que não se pode crer em uma única Igreja Verdadeira, mas que basta a prática do amor fraterno, estaria claro que a mensagem de Fátima não se sustentaria como mensagem verdadeiramente celeste. O mais importante não é o milagre que possa ter acontecido, mas a Verdade Católica existente ou ausente. Se existente, há probabilidades, de fato, de se  tratar de algo celeste e autêntico. Aqui entra o critério que S. Paulo nos deu em Gálatas 1, 8: “Contudo, ainda que nós ou mesmo um anjo dos céus vos anuncie um evangelho diferente do que já vos pregamos, seja considerado anátema”

Que no momento da nossa concepção, nosso Criador designa para nós um anjo da Guarda é doutrina inquestionável. Todavia a função do nosso anjo não se resume em tagarelar conosco, nos levar ás viagens astrais, nem tão pouco nos revelar acontecimentos sobre esta ou aquela pessoa. Ensina Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica I, q 113,a.5.ad 2, que sua principal função é iluminar nossa inteligência quanto a Sagrada Doutrina: “ a guarda dos anjos tem como efeito último e principal a iluminação doutrinal.”

Diante dessas palavras do aquinate, devemos concluir que: alguém que tem a graça de ser conduzido pessoalmente pelo seu anjo da guarda, de conversar com ele e de ser instruído por ele, jamais poderia desconhecer a doutrina católica a ponto de se posicionar de forma contrária a esta mesma doutrina. Muito mais tratando-se de um “vidente” que conversa, dialoga com a Virgem Maria.

Em todas as aparições autênticas da Virgem viu-se, por parte do vidente extrema humildade e extrema retidão na doutrina.

Diante do que expomos, acima, fica claro que os fatos, argumentos, posições, colocações do “vidente” se afastam veloz e consideravelmente da autenticidade católica necessária. Podemos, enfim, afirmar: as declarações de Pedro Siqueira, em pontos acima expostos, não são católicas e, por isso, não devem ser cridas, mas evitadas pelos fiéis.

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Vídeos para Conferência:

 

 

 

 

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Uma resposta para “A Mensagem do “Vidente” Pedro Siqueira à Luz da Teologia Católica”

  1. Essa exposição na Midia é para quê? Este menino deveria ler a vida de S. Damião de Molokai e entender o que significa a fé cristã, a verdadeira santidade.

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