ROSÁRIO DE REPARAÇÃO NA PRAÇA DE SÃO PEDRO

 

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Fonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Um grande grupo de fiéis (cerca de oitenta), liderado pela Milizia dell’Immacolata e acompanhado por alguns sacerdotes do Priorado de Albano Laziale (Lazio-Italia), se reuniram na Praça de São Pedro na segunda-feira à tarde para um ato de profissão pública de fé.

Pouco antes havia sido realizada, de fato, a cerimônia do “Vésperas” anglicanas na basílica central do cristianismo, com a aprovação da hierarquia vaticana. Este ato, certamente não é o primeiro de molde ecumênico nesses últimos cinquenta anos, mas que teve o triste privilégio de tido lugar na Basílica do Príncipe dos Apóstolos, despertou a justa indignação de muitos fiéis que procuraram expressar seu desacordo com uma oração de reparação: o encontro foi, portanto, marcado para as 16h na capela da via Urbana, em Roma, para a missa “Ad Tollendum Schisma” e em seguida, partiram para a Via della Conciliazione para a recitação pública do Rosário.

Depois de alguma discussão com a polícia, que parecia não querer permitir a realização das orações muito perto da basílica, o grupo se manteve firme em seu lugar, no topo da Via della Conciliazione, e, guiado por sacerdotes, de joelhos na calçada e voltados para a basílica vaticana, recitaram o santo Rosário e a ladainha de Nossa Senhora.

O grupo, em seguida, moveu-se, conforme os pedidos da polícia, para o Castel Sant’Angelo para entoarem algumas canções marianas e distribuir panfletos à população, a fim de explicar o alcance desse gesto ecumênico e o significado da oração de reparação.

Após este belo testemunho de fé, tudo terminou de forma organizada por volta das 19h. Que o Senhor dê cada vez mais força aos católicos para resistir às tendências ecumênicas e coragem de expressar abertamente sua fé!

OS QUE PENSAM QUE VENCERAM: 2. Verdadeira e falsa restauração

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Caríssimos, Salve Maria!

Excelente texto sobre o que se chamou de “Nova Teologia” apadrinhada por Lubac e Hans Urs von Balthasar – jejuíta e ex jesuíta, mas sempre jejuíta…

Aos seminaristas e estudantes de teologia, de boa vontade, eis o Texto:

Pe Marcélo Tenorio

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Tradução: Airton Vieira

Os que pensam que «venceram» são os neomodernistas fiéis à linha (se assim pode chamar-se) dos padres fundadores da «nouvelle théologie» ou «nova teologia» e, especialmente, à linha (tortuosa e obscura) traçada pelo jesuíta Henri de Lubac e pelo ex-jesuíta Hans Urs von Balthasar. «Se exaltam os expoentes da nova teologia como se fossem eles a pedra angular da Igreja» escreveu com razão o pensador Mons. Julio Meinvielle («De la cábala al progresismo», ed. Calchaqui, Salta (Argentina), 1970).

Antes de apresentar estes «santos padres» do mundo católico pós-conciliar, é, sem dúvida, oportuno ilustrar aqui brevemente a essência da «nova teologia».

O princípio simples de uma heresia complexa

O sacerdote e teólogo alemão Johannes Dörmann, em seu ótimo livro «L’étrange théologie de Jean-Paul II et l’esprit d’Assise» (Ed. Fideliter, Eguelshardt (Francia), 1992) [Ed. em castelhano: «Itinerario teológico de Juan Pablo II hacia la jornada mundial de oración de las religiones en Asís», Fund. são Pio X, Madrid, 1994], escreve:

«A “nouvelle théologie” se apresenta sob dois aspectos, mas é simples em seu princípio, e, por isto, podem agrupar-se suas múltiplas formas sob o mesmo nome. Suas diferentes formas têm em comum o repúdio da teologia tradicional» (p. 55).

O que significa o repúdio da «teologia tradicional» o explica o Autor, concisa e eficazmente, a propósito do último Concílio, que considerou seu dever renunciar por motivos «pastorais» à linguagem escolástica: «Os teólogos manipuladores viram perfeitamente que nesta questão da linguagem se tratava a questão, toda a questão da teologia e da fé. Porque a linguagem escolástica estava indissoluvelmente vinculada à filosofia escolástica, a filosofia escolástica à teologia escolástica e esta última finalmente à tradição dogmática da Igreja» (p. 52). E, portanto, o adeus à linguagem escolástica se havia resolvido em última análise no adeus à Tradição divino-apostólica custodiada fielmente pela Igreja.

«O abandono por parte dos padres da “linguagem escolástica” – escreve ainda Dörmann – era para eles [os teólogos manipuladores do Concílio] a condição sine qua non da ruptura com a antiga dogmática, para instalar a “nova teologia” depois de haver deixado de utilizar a “antiga” e ter-se despedido dela» (p. 53).

A utopia

E como esteve e está motivada esta «despedida» da teologia tradicional, isto é, da teologia católica tout court, indissoluvelmente vinculada à Tradição dogmática da Igreja? Com «esta simples e sedutora ideia: uma “nova teologia” na perspectiva do carácter científico moderno e da imagem moderna do mundo e da história» (p. 55). Em outros termos, com a antiga e sempre renascente utopia da Igreja conciliada com o «mundo moderno», ou seja, com o pensamento filosófico moderno, com o qual Pio IX (cfr. Syllabus, proposição octogésima) declarou que a Igreja não pode nem deve conciliar-se, dado seu caráter essencialmente anticristão:

«Os homens [modernos] são em geral estranhos às verdades e aos bens sobrenaturais e creem poder satisfazer-se com a só razão humana e na ordem natural das coisas e poder conseguir nelas sua própria perfeição e felicidade» (Vaticano I, esquema preparatório de doctrina catholica).

«Para os membros da “nouvelle théologie” – continua Dörmann – o lema “aggiornamento” significava a decidida abertura da Igreja ao pensamento moderno [estranho à verdade e aos bens sobrenaturais] para chegar a uma teologia totalmente diferente da qual deveria nascer uma nova Igreja [secularizada] adaptada a sua época» (op. cit., p. 54). É a idêntica utopia do modernismo. «Onde vai a nouvelle théologie? Torna ao modernismo» escrevia o padre Garrigou-Lagrange O. P.

«Pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia»

E, em efeito, escavando mais a fundo, sob o princípio simples da nova teologia (o adeus à «antiga» e, por isso, envelhecida teologia) encontramos a mesma perversão da noção de verdade que é o fundamento do modernismo:

«A verdade não é mais imutável que o mesmo homem já que ela evolui nele, com ele e para ele» (São Pio X, decreto Lamentabili, proposição quinquagésima oitava). Pelo que o padre Garrigou-Lagrange O. P., não profetizando, mas simplesmente extraindo as lógicas conclusões, escrevia em 1946:

«Onde irá esta nova teologia com os novos mestres nos que se inspira? Onde senão pelo caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?» (La nouvelle théologie où va-t-elle?, em Angelicum 23, 1946, pp. 136-154).

Uma utopia culpável

O veremos. A nós nos interessa aqui sublinhar que a intenção de conciliar a Igreja com o «mundo moderno» (ou seja, com a filosofia moderna subjetivista e imanentista e a «cultura» embebida de subjetivismo e imanentismo que dela promanou) não é uma utopia inculpável. A tal intenção, em efeito, o Magistério dos Romanos Pontífices encerrou repetidamente o caminho, especialmente Gregório XVI com a Mirari Vos (1832), Pio IX com o Syllabus (1864), São Pio X com a Pascendi (1907) e, nos umbrais do último Concílio, Pio XII com a Humani Generis (1950). Nesta última Encíclica, desatendida e depois desautorizada e sepultada pelos mesmos a quem ela havia condenado, Pio XII, ilustrando o clima precedente ao Concílio, assinala «com ansiedade» e claridade os perigos da «nova teologia», que, buscando seu fundamento fora da filosofia perene, põe em perigo todo o edifício do dogma católico. Sobretudo, Pio XII não deixa de sublinhar o desprezo ao Magistério que se adverte sob tal atitude:

«[…] a razão será devidamente cultivada: se […] ela se nutrir daquela sã filosofia que é como um patrimônio herdado das precedentes idades cristãs e que possui uma mais alta autoridade porque o mesmo Magistério da Igreja confrontou com a verdade revelada seus princípios e suas principais assertivas postas à luz e fixadas lentamente através dos tempos por homens de grande engenho. Esta mesma filosofia, confirmada e comumente admitida pela Igreja, defende o genuíno valor da cognição humana, os inquebrantáveis princípios da metafísica – isto é, de razão suficiente, de causalidade e de finalidade – e finalmente sustém que se pode alcançar a verdade certa e imutável.

Nesta filosofia há certamente muitas coisas que não se referem à fé e aos costumes, nem direta nem indiretamente, e que, por isto, a Igreja deixa à livre discussão dos competentes nesta matéria; mas não existe nela a mesma liberdade a respeito de muitas outras, especialmente a respeito dos princípios e das principais assertivas das que já falamos [valor do conhecimento humano, inquebrantáveis princípios da metafísica, etc.] […].

A verdade em toda sua manifestação filosófica não pode estar sujeita a cotidianas mutações especialmente tratando-se dos princípios de por si conhecidos da razão humana ou daquelas asserções que se apoiam tanto na sabedoria dos séculos como também no consenso e no fundamento da Revelação divina […].

Por isto deve deplorar-se mais que nunca que hoje a filosofia confirmada e admitida pela Igreja seja objeto de desprezo por parte de alguns, de modo que, com imprudência, a declaram antiquada pela forma e racionalista pelo processo de pensamento. […].

Sem embargo, enquanto que desprezam esta filosofia, exaltam as demais, tanto antigas como recentes, tanto de povos orientais como dos ocidentais, de maneira que parecem querer insinuar que todas as filosofias ou opiniões, com o acréscimo – se é necessário – de alguma correção ou de algum complemento, se podem conciliar com o dogma católico. Mas nenhum católico pode pôr em dúvida quanto tudo isto é falso, especialmente quando se trata de sistemas como o imanentismo, o idealismo, o materialismo tanto histórico como dialético, ou também como o existencialismo, quando professa ou ateísmo o quando nega o valor do raciocínio no campo da metafísica. […].

Seria verdadeiramente inútil deplorar estas aberrações se todos, também no campo filosófico, fossem respeitosos com a devida veneração pelo Magistério da Igreja, que, por instituição divina, tem a missão não somente de custodiar e interpretar o depósito da Revelação, como também de velar sobre as mesmas ciências filosóficas para que os dogmas católicos não recebam nenhum dano por opiniões não retas».

Resta assim confirmado quanto desde há anos temos repetido e documentando: mesmo sendo membros da hierarquia católica, os neomodernistas são e permanecem sendo uns desobedientes ao Magistério constante e, por isto, infalível da Igreja, e a «obediência» que de fato eles impõem ao novo curso eclesial se concretiza em uma imposição de desobediência à Igreja.

Verdadeira e falsa «restauração»

De quanto se tem dito mais acima se segue que a autêntica restauração percorrerá o caminho inverso ao que tem levado à ruptura com a Tradição doutrinal da Igreja: torna à filosofia perene e portanto à teologia escolástica e portanto à tradição dogmática da Igreja, em obediência às diretivas constantes do Magistério Pontifício.

Os neomodernistas fiéis à «linha» de de Lubac e de von Balthasar se auto intitulam hoje de «moderados» e inclusive de «restauradores», mas não tentam repudiar em absoluto a «nova teologia», da qual – queiram ou não – é filha da crise que paralisa em nossos dias a vida da Igreja. «Nossa linha – dizia “seguro” o padre Henrici S. J. a 30 Giorni (dezembro de 1991) – é a de extremo centro. Nem excessiva atenção [sic!] ao Magistério, nem contestação. Nem direita nem esquerda. Adesão à tradição [que, na linguagem de de Lubac e dos «novos» teólogos, não é – o veremos – a Tradição dogmática da Igreja] na linha da théologie nouvelle de Lyon [sede de de Lubac e de outros «padres fundadores»], que sublinhava a não contraposição [leia-se: identificação] entre natureza e preternatureza, entre fé e cultura, e que se converteu na teologia oficial do Vaticano II».

«Théologie nouvelle» que Pio XII, na Humani Generis, havia condenado como um cúmulo de «falsas opiniões que ameaçam com subverter os fundamentos da doutrina católica»! É, portanto, mais que nunca, necessário saber que há detrás da «moderação» destes neomodernistas de «extremo centro», sim, mas, não obstante, neomodernistas.

 

(continua)

 

Hirpinus

(Traducido por Marianus el eremita. Imagem principal: padre Garrigou-Lagrange O. P)

Fonte: http://adelantelafe.com/los-piensan-vencido-2-verdadeira-falsa-restauracion/

 

Foto: padre Garrigou-Lagrange O. P)

O arcebispo de Ottawa sustenta a tradição: não haverá comunhão para católicos que vivem em adultério

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O arcebispo de Ottawa, Mons. Terrence Prendergast, sj, aprovou as diretrizes dos bispos de Alberta sobre Amoris Laetitia, nas que se qualifica como «errôneo» que os fiéis que estão divorciados e se tornaram a unir civilmente recebam a Sagrada Comunhão na Missa. 2/03/17 8:07

(Life Site News/InfoCatólica) – Tradução de Airton Vieira – O arcebispo aprovou o documento de Alberta em 2 de fevereiro, chamando-o uma «orientação para acompanhar às famílias com compaixão e cuidado e ao mesmo tempo sustentar o ensinamento imutável da Igreja quanto ao Sacramento do Matrimônio e da Eucaristia». As diretrizes, publicadas em setembro passado pelos bispos de Alberta e do Território Noroeste, assinalam que «todo católico, antes da recepção da Comunhão, deve confessar sacramentalmente todo pecado grave do qual ele ou ela sejam conscientes». As diretrizes acrescentam que tal confissão «deve estar motivada por uma contrição verdadeira que implica, necessariamente, um arrependimento sincero, a renúncia ao pecado e uma firme resolução para emendar a vida».

«É possível que, através dos meios de comunicação, os amigos ou familiares, tenham dado a entender aos pares que houve uma mudança no costume da Igreja, e que agora a recepção da Sagrada Comunhão na Missa por pessoas que estão divorciadas e tornaram a se unir civilmente é permissível simplesmente mediante uma conversação com um sacerdote. Este juízo é errôneo», afirmam as diretrizes.

O arcebispo Prendergast assinala que não obstante a exortação apostólica do Papa de abril passado «abordar de maneira comovedora a beleza e os desafios do matrimônio contemporâneo e da vida familiar», é o oitavo capítulo o que «tem chamado mais a atenção».

Nesse oitavo capítulo o Santo Padre exorta aos sacerdotes a acompanhar os pares divorciados e unidos civilmente, e que portanto vivem atualmente no adultério, para ajudar-lhes a integrar-se à vida católica. O Papa agregou aí – no

que se tem dado a chamar de uma «nota de rodapé contundente»– que esse caminho à integração «pode incluir a ajuda dos sacramentos».

Esta ambígua passagem tem causado o surgimento de uma série contraditória de diretrizes pastorais, algumas das quais permitem que os adúlteros, e inclusive os que vivem em concubinato, recebam a Comunhão.

O arcebispo Prendergast disse que as diretrizes de Alberta tornam «possível receber de maneira autêntica a mensagem do Santo Padre e ao mesmo tempo permanecer fiel ao ensinamento da Igreja acerca da indissolubilidade do matrimônio e a reverência devida para receber a Santa Eucaristia».

«Para aqueles que buscam respostas fáceis a perguntas complexas, este documento, igual à Amoris Laetitia, representará um desafio. Para os católicos que buscam receber, valorizar e crescer em sua fé, em seu matrimônio e em sua vida familiar, não obstante, é uma exposição compassiva da verdade e a beleza dos Sacramentos e da alegria e o desafio da vida familiar», escreveu.

Além de qualificar como «errôneo» para os católicos divorciados unidos civilmente receber a Sagrada Comunhão, as diretrizes dos bispos instam aos pares a viver segundo a verdade objetiva de sua situação.

Se um tribunal esponsalício «confirma a validez da primeira união, a obediência fiel à indissolubilidade do matrimônio, segundo nos revelou Jesus Cristo, expressará com claridade [ao par] os passos que devem tomar,« afirma a diretiva dos bispos.

«Estão obrigados a viver com as consequências dessa verdade como parte de seu testemunho ante Jesus Cristo e de seu ensinamento acerca do matrimônio», agrega.

Por exemplo, se um par «não pode separar-se pelo bem dos filhos e de seu cuidado, deverão abster-se da intimidade sexual e viver em castidade »como irmão e irmã« (cf. Familiaris Consortio, 84)», declaram as Diretrizes.

«Essa resolução firme de viver segundo o ensinamento de Jesus Cristo, contando sempre com a ajuda de sua graça, abre a possibilidade de celebrar o Sacramento da Reconciliação, que por sua vez pode levar à recepção da Comunhão na Missa».

E se o acima mencionado tribunal declarasse a nulidade do matrimônio anterior, o pastor deve ajudar ao par a compreender a necessidade de casar-se pela Igreja.

Ainda que alguns bispos empreguem Amoris como um motivo para dar Comunhão a aqueles que se encontram em situação objetiva de pecado grave, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tem repreendido a esses bispos por «justificar situações contrárias à vontade de Deus».

«O adultério sempre foi um pecado mortal e os bispos que criam confusão acerca deste ponto devem aprofundar na doutrina da Igreja», afirma Müller. «Devemos ajudar aos pecadores a sobrepor-se ao pecado e converter-se à fé».

As Diretrizes dos bispos de Alberta não abrem mão em um ponto similar. Os pastores devem ajudar aos pares a fazer «exame de consciência» segundo os ensinamentos da Igreja. Isto poderia tomar «bastante» tempo e um número

considerável de reuniões, durante estas o pastor deve tentar «conduzi-los progressivamente, com suavidade e por etapas até a compreensão de sua situação».

Os bispos de Alberta reiteram que o ensinamento da Igreja acerca do matrimônio está fundado na palavra de Jesus Cristo: «Quem repudia a sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira; e se uma mulher repudia a seu marido e se casa com outro, ela comete adultério» (Marcos 10:2-12; cf. Mateus 19:2-9).

Estas palavras «representaram um desafio» e dificuldades em tempos de Jesus Cristo, e ainda em nossos dias não deixa de ser assim, declaram as diretrizes.

Traduzido por Enrique E. Treviño, da equipe de tradutores de InfoCatólica Publicado originalmente em Life Site News

Fonte: http://www.infocatolica.com/?t=noticia&cod=28707

Créditos: Airton Vieira de Souza

APOSTASIA: Bispos Alemães: ” É possivel dar comunhão aos divorciados em segunda união”

Conferência Episcopal da Alemanha

Na Alemanha, os católicos, depois de uma separação e de um casamento posterior, não estão mais, em princípio, excluídos da comunhão. A decisão é da Conferência Episcopal Alemã, que chegou a essa conclusão a partir da exortação apostólica Amoris laetitia, do ano passado.

A reportagem é do sítio do jornal Frankfurter Allgemeine, 01-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nesse documento, o Papa Francisco ressaltou a importância da decisão em consciência, comunicaram os bispos na quarta-feira em Bonn. Assim, em casos individuais, a decisão de se aproximar da Eucaristia deve ser respeitada. O processo de decisão deve ser acompanhado por um diretor espiritual.

Não se trataria, portanto, de uma liberalização geral, enfatizaram os bispos: “Nem todos os fiéis cujo matrimônio fracassou e que estão separados e se casaram de novo podem receber os sacramentos indiscriminadamente”.

Até agora, os divorciados que contraíram um novo matrimônio não podem receber a comunhão, porque, segundo a doutrina católica, vivem em estado de culpa grave. Durante um ano inteiro, os bispos católicos alemães tentaram chegar a uma declaração pastoral comum, para poderem implementar as indicações do documento do papa em todas as dioceses.

Alguns bispos conservadores alertavam contra uma liberalização dos sacramentos, o que colocaria em discussão a indissolubilidade do matrimônio. Os cardeais alemães Joachim Meisner e Walter Brandmüller, por isso, se opuseram à linha proposta pelo papa. Junto com outros dois cardeais, um italiano e um estadunidense, pediram a Francisco, no ano passado, um esclarecimento sobre alguns pontos ambíguos, na opinião deles.

A Conferência Episcopal Alemã também anunciou que quer melhorar a preparação para o matrimônio e dar mais peso para a pastoral para os cônjuges.

O Comitê Central dos Católicos Alemães e o movimento de leigos católicos “Nós somos Igreja” acolheram favoravelmente a declaração dos bispos. No entanto, o “Nós somos Igreja” lamentou o fato de os bispos alemães terem levado nada menos do que nove meses antes de chegarem a um acordo sobre uma declaração conjunta. E que, do ponto de vista ecumênico, justamente no ano do 500º aniversário da Reforma, é decepcionante uma declaração dos bispos alemães que ainda afirma que “nos casamentos mistos também não é possível a plena comunhão na ceia do Senhor”.

Declaração dos Bispos:

Os bispos alemães confirmam a abertura sobre a comunhão aos divorciados em segunda união nas diretrizes publicadas nessa quarta-feira para a aplicação da Amoris laetitia, ressaltando que a exortação do Papa Francisco sobre a família, que está provocando um intenso debate no seio da Igreja Católica, embora sem estabelecer “uma regra geral ou um automatismo”, prevê, em casos individuais e depois de um processo de discernimento dentro da comunidade católica, a admissão à Eucaristia em alguns desses casos.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada no jornal La Stampa, 01-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Conferência Episcopal Alemã, liderada pelo cardeal Reinhard Marx, de Munique, um dos nove purpurados conselheiros de Francisco, publicou nessa quarta-feira o documento “A alegria do amor que é vivida nas famílias é também a alegria da Igreja” (subtítulo: “Introdução a uma renovada pastoral do matrimônio e da família à luz da Amoris laetitia”), aprovado no dia 23 de janeiro passado pelo Conselho Permanente do mesmo episcopado.

Quem tomou posição em favor de uma leitura aberturista do texto papal nas últimas semanas foi, antes ainda que a alemã, a Conferência Episcopal de Malta, com um documento depois republicado pelo jornal L’Osservatore Romano. Nem todos parecem se inclinar para uma atitude desse tipo. Prova disso, por exemplo, é a entrevista com o cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller, também alemão, publicada também nessa quarta-feira pela “revista mensal de apologética” Il Timone.

As diretrizes dos prelados da Alemanha abordam uma série de questões sobre as quais o papa escreveu na exortação apostólica que concluiu o duplo Sínodo sobre a Famíliade 2014 e 2015: da preparação ao matrimônio ao acompanhamento pastoral das famílias, da fé vivida nas famílias às famílias que vivem situações de fragilidade, detendo-se também na antiga questão sobre se os casais de divorciados recasados podem receber os sacramentos. Sobre o tema, os bispos não veem “nenhuma regra geral e nenhum automatismo”. Na opinião deles, são necessárias soluções diferenciadas, que levem em conta o caso individual.

“A Amoris laetitia – sublinham os bispos alemães – não negligencia nem a pesada culpa que muitas pessoas vivem em tais situações de fratura e de fracasso da relação matrimonial, nem a questão problemática de que as segundas bodas contradizem o sinal visível do sacramento do matrimônio, mesmo quando a pessoa envolvida tenha sido deixada sem culpa. A Amoris laetitia, no entanto, não permanece na proibição categórica e irreversível do acesso aos sacramentos.”

A nota de rodapé 336 do texto papal, lembram os prelados, ressalta que também pode haver consequências sacramentais diferentes para situações diferentes no que diz respeito à culpa no fracasso matrimonial, e a nota de rodapé 351 reitera a ajuda que a Igreja pode dar com a Eucaristia em alguns casos e, portanto, ela também “prevê a possibilidade de acesso aos sacramentos nesses casos”. A Conferência Episcopal especifica ainda que “nem todos os fiéis cujo matrimônio fracassou e que se separaram e se casaram de novo civilmente podem receber os sacramentos indiscriminadamente. Ao contrário, são necessárias soluções diferenciadas que levem em conta o caso individual, quando as bodas não podem ser anuladas. Nesses casos, encorajamos todos aqueles que têm a fundamentada dúvida sobre a validade do seu matrimônio que levem em consideração o serviço dos juízes matrimoniais eclesiais para verificar se são possíveis novas bodas na Igreja”.

Nos casos em que o casamento não é nulo, em vez disso, “a Amoris laetitia parte de um processo de discernimento que deve ser acompanhado por um pastor” e, nesse contexto, sublinha o documento dos bispos alemães, “abre para a possibilidade de receber os sacramentos da reconciliação e da Eucaristia. Na Amoris laetitia, o Papa Francisco salienta o significado da decisão com consciência, quando diz: ‘Também nos custa deixar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las’. No fim desse processo espiritual, que sempre diz respeito à integração, no entanto, não há o acesso aos sacramentos da reconciliação e da Eucaristia. A decisão individual de receber ou não os sacramentos, sob certas condições, merece respeito e atenção. Mas também uma decisão de receber os sacramentos deve ser respeitada. Deve-se rejeitar uma atitude de laxismo, sem um intenso exame no acompanhamento, discernimento e integração, assim como uma atitude rigorista, que consiste em julgamentos precipitados sobre as pessoas nas chamadas situações irregulares. Em vez dessas atitudes extremas, o discernimento (latim, discretio) deve ocorrer em um diálogo pessoal. Vemos como é nossa tarefa aprofundar o caminho da formação das consciências dos fiéis. Para esse fim, devemos tornar nossos pastores idôneos e fornecer critérios a eles. Tais critérios de uma formação da consciência são fornecidos de modo difuso e excelente pelo Santo Padre na Amoris laetitia”.

Fontes: http://www.ihu.unisinos.br/166-sem-categoria/564564-bispos-alemaes-comunhao-para-divorciados-em-segunda-uniao-em-alguns-casos

http://www.ihu.unisinos.br/564563-bispos-alemaes-afirmam-que-e-possivel-dar-a-comunhao-a-divorciados-em-segunda-uniao

A Crise Ariana e a controvérsia por Amoris Laetitia: um paralelo

sonho do papa liberio

Traduzido por Frei Zaqueu

Um renomado acadêmico compara ambas situações

PROF. CLAUDIO PIERANTONI

 

As reflexões que seguem derivam sua origem de uma coincidência bastante curiosa. Nos primeiros dias de abril deste ano, em efeito, na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Santiago do Chile se pôs em movimento um grupo de estudo sobre a controvérsia ariana.


Na primeira reunião do grupo refletiram sobre a extraordinária rapidez com a que a controvérsia suscitada pelo presbítero alexandrino Ario no ano 318 ou 319 [d. C.], aparentemente reprimida com a condenação deste por parte de Alexandre (o bispo da metrópole), se difundiu rapidamente na Palestina, e desde ali e em poucos anos incendiou todo o Oriente romano, obrigando inclusive o imperador Constantino a convocar um concílio ecumênico para resolvê-la. Aparentemente se trata só de um punhado de frases imprudentes sobre a relação do Filho com o Pai, mas que puseram a descoberto profundas diferenças doutrinais existentes no episcopado, e desencadearam uma polêmica evidentemente latente há muito já instalada.


Pois bem, justamente nesses mesmos dias de abril de 2016 se publicou a exortação apostólica “Amoris laetitia”, e pouco tempo depois […] apareceram as reações do cardeal Burke e as do cardeal Müller, e começou a polêmica. Não passou muito tempo para compreender que o incêndio que se estava propagando rapidamente, justamente como nos tempos de Ario, era de vastas proporções, apesar das modestas aparências de basear-se só em um par de notas imprudentes ao pé da página, das que o Papa afirmava que nem sequer as recordava.


Me pareceu então natural começar a fazer um paralelo entre as duas crises. […] Em efeito, os dois momentos podem ser vistos em analogia, porque em ambos casos muitos católicos percebem uma intervenção importante do magistério como em conflito com a doutrina anterior. E ademais, em ambos casos se percebe um silêncio ensurdecedor da hierarquia da Igreja Católica, naturalmente com suas exceções.


Quanto ao conteúdo, as duas crises são certamente diferentes. No primeiro caso, o tema da discórdia é estritamente teológico, referido ao fundamento da doutrina cristã sobre o Deus uno e trino, enquanto que no segundo caso é teológico-moral, referido principalmente ao tema do matrimônio.


Não obstante, me parece que o elemento principal que aproxima as duas crises é o fato que ambos afetam a um pilar da mensagem cristã, que se é destruído a mensagem mesma perde sua fisionomia fundamental. […]


  1. Paralelo entre as duas crises, nos documentos doutrinais 


Desde o ponto de vista dos documentos doutrinais, o elemento paralelo que maiormente chama a atenção é o carácter de ambiguidade presente nas fórmulas filo-arianas dos anos 357-360 d. C.


Em efeito, […] a minoria filo-ariana, ainda estando no poder, não se arriscou a propor uma posição que se opusesse muito claramente à visão tradicional. Não diz expressamente que o Filho é inferior ao Pai, mas utiliza uma expressão genérica, “semelhante” ao Pai, que podia prestar-se a diversos graus de subordinacionismo. Em síntese, ainda estando no poder, a minoria filo-ariana tenta esconder-se.


De modo análogo, a atual exortação apostólica “Amoris laetitia”, no famoso capítulo VIII, não nega abertamente a indissolubilidade do matrimônio, a afirma explicitamente. Mas na prática nega as consequências necessárias que se derivam da indissolubilidade matrimonial, e o faz através de um discurso sinuoso e enviesado, com formulações que abarcam uma gama de posições diferentes, algumas mais extremas, outras mais moderadas.


Por exemplo, diz que “em alguns casos” poderia dar-se a “ajuda dos sacramentos” às pessoas que vivem em uniões “chamadas irregulares”. Não se dizem quais são estes casos, por isso a partir do texto podem se dar ao menos quatro interpretações, das quais as mais restritivas são obviamente incompatíveis com as mais amplas. Por claridade interpretativa, é então útil classificá-las com base no distinto grau de amplitude, partindo da mais restritiva até a mais extensa:


  1. Sobre a base do princípio de continuidade hermenêutica, a expressão “em alguns casos” deveria interpretar-se como referidos aos casos especificados nos documentos do magistério vigente, como “Familiaris consortio”, a qual diz que se pode dar a absolvição e a comunhão eucarística nesses casos nos que os conviventes prometem conviver como irmão e irmã.


Esta interpretação tem desde já um princípio hermenêutico fundamental, o qual poderia parecer irrefutável, mas essa interpretação está refutada pela nota 329, que afirma de forma explícita que justamente este comportamento (isto é, a convivência como irmão e irmã) seria potencialmente daninho, por isso há que evitá-lo.


  1. “Em alguns casos” pode interpretar-se em sentido mais amplo como referido à certeza subjetiva da nulidade do matrimônio anterior, supondo que por motivos particulares não é possível prová-la em um tribunal.


Em tais casos poderia dar-se certamente que em segredo de consciência não haja culpa na nova união: isto poderia ser visto, no plano da doutrina moral, de forma concorde com “Familiaris consortio”. Mas se mantém uma diferença fundamental no plano eclesiológico: a Eucaristia é um ato sacramental, público, não que não possa tomar-se em consideração uma realidade em si mesma invisível e publicamente incontrolável.


  1. “Em alguns casos” pode interpretar-se, mais amplamente ainda, como referido a uma responsabilidade subjetiva menor ou também nula, devido a ignorância da norma, ou bem à incapacidade de compreendê-la; ou também a uma “força maior”, na que alguma circunstância especial pode ser tão forte como para “forçar” a uma convivência “more uxorio”, que então não constituiria culpa grave; mais bem, inclusive, segundo o documento, o abandono da convivência poderia fazer incorrer em uma culpa mais grave.


Aqui temos já sérios problemas também de teologia moral. Ignorância e incapacidade de compreender podem limitar efetivamente a responsabilidade pessoal, mas parece incongruente, por não dizer contraditório, invocá-las neste discurso, no que se fala de um itinerário e de um discernimento “acompanhado”, os quais são processos que precisamente deveriam culminar na superação dessa ignorância e incapacidade de compreender.

Quanto à força maior, não é para nada obvio, mais ainda é contrário a toda a tradição e a importantes pronunciamentos dogmáticos que ela possa justificar o não cumprimento da lei divina. É verdade que não se pode excluir a priori que possa existir circunstâncias particulares, nas que a situação pode mudar a espécie moral de um ato externamente igual, também consciente e voluntário. Por exemplo, o ato de subtrair um bem de alguém não pode configurar-se como furto, mas como ato de um pronto socorro a uma pessoa ou como um ato direto para evitar um mal maior. Mas ainda supondo, sem concedê-lo, que isto possa aplicar-se ao adultério, o que aqui impede decididamente uma justificação deste gênero é o carácter de permanência do comportamento objetivamente negativo: o que é justificável em um momento pontual, de emergência, não pode sê-lo em uma situação estável, conscientemente elegida.


De todo modo, se mantém firme também o princípio eclesiológico pelo qual em nenhum caso pode fazer-se magicamente visível a nível público o que por sua natureza pertence ao segredo de consciência.


  1. Na interpretação mais extensa de todas, “em alguns casos” pode ampliar-se até incluir todos esses casos – que são além disso esses casos reais, concretos e frequentes que todos temos em mente – nos que se dá um matrimônio pouco feliz, que fracassa por uma série de mal-entendidos e incompatibilidades e aos quais lhes segue uma convivência feliz, estável no tempo, com fidelidade recíproca, etc. (cf. AL 298).


Nestes casos, pareceria que o resultado prático, em particular a duração e a felicidade da nova união contra a brevidade e infelicidade da anterior, pode interpretar-se como uma espécie de confirmação da bondade e, em consequência, legitimidade da nova união. Neste contexto (AL 298) se silencia qualquer consideração sobre a validez do matrimônio anterior e sobre a incapacidade de compreender e sobre a força maior. E em efeito, quando mais adiante (AL 300) se passa a considerar o tipo de discernimento que deverá fazer-se nestes casos, resulta ainda mais claro que os temas em discussão no exame de consciência e no arrependimento respectivo não serão outros que o bom ou mal comportamento frente ao fracasso matrimonial e o bom êxito da nova união.


É claro aqui que o “arrependimento” que há que considerar não se refere em absoluto à nova união em presença de uma união legítima anterior; pelo contrário, se refere ao comportamento durante a crise anterior e as consequências (no melhor dos casos) da nova união sobre a família e sobre a comunidade.


É então evidente que o documento tenta ir mais além, tanto dos casos nos que se tem certeza subjetiva da invalidez do vínculo anterior, como também dos casos de ignorância, de dificuldade para compreender e de força maior ou de suposta impossibilidade de cumprir a lei.


Agora bem, é suficientemente claro que se a medida válida para julgar a licitude da nova união é, em última instância, seu êxito prático, sua felicidade visível e empírica, contra o fracasso e a infelicidade do matrimônio anterior – licitude que obviamente se supõe para receber a absolvição sacramental e a Eucaristia –, a consequência inevitável é que agora o matrimônio anterior é considerado implicitamente, e também publicamente, sem efeito e, em consequência, dissolvido: isto é, o matrimônio é dissolúvel. Deste modo, na Igreja Católica se introduz de fato o divórcio, enquanto que se continua afirmando de palavra sua indissolubilidade.


É também suficientemente claro que se o êxito do novo matrimônio basta para estabelecer sua licitude, isto inclui a justificação praticamente de todos os casos de nova união. Em efeito, se se tivesse que demonstrar que a nova união carece de êxito, não subsistirá o estímulo para justificá-la e se passará ainda a uma união ulterior, na esperança de um êxito maior. Em suma, esta e não outra é precisamente a lógica do divórcio.

Disto se pode logo deduzir que a discussão sobre casos que poderíamos chamar “intermediários”, isto é, os situados entre a posição tradicional e a mais ampla – que como temos mostrado inclui de fato todos os casos –, se por uma parte permite a muitos, mais moderados, reconhecer-se em uma ou outra gradação e, em consequência, pode ter um valor “tranquilizador”, pelo contrário, desde o ponto de vista prático termina por ser muito pouco relevante. Em efeito, em essência e em linhas gerais, o documento outorga carta branca para resolver a grande maioria das situações reais com um critério muito mais simples e em linha com a mentalidade dominante em nossa civilização: em uma palavra, está perfeitamente em linha com a ideologia do divórcio.


*


Voltando ao nosso paralelo, tudo isto lembra muito proximamente a política do imperador Constâncio, ao buscar uma expressão suficientemente genérica que se propusesse manter contentes as muitas posições diferentes. Na controvérsia ariana, o caráter genérico da expressão “semelhante ao Pai segundo as Escrituras” encontra uma perfeita confirmação no carácter genérico da expressão “em alguns casos” que encontramos em “Amoris laetitia”. Em teoria, é possível reconhecê-lo em quase todas as posições.

Como consequência, as situações resultam análogas também quanto ao resultado prático. Da mesma maneira que quase todo o episcopado do império aceitou a fórmula de Rimini-Constantinopla do 359-60 d. C., assim também hoje a esmagadora maioria do episcopado tem aceitado sem queixar-se o novo documento, ainda sabendo que isto legitima de fato uma série de posições incompatíveis entre elas, algumas das quais é manifestamente herética.


Hoje em dia muitos bispos e teólogos acalmam sua própria consciência afirmando, tanto em público como a si mesmos, que dizer que “em certos casos” os divorciados que se “recasaram” podem receber os sacramentos não é em si errôneo e pode interpretar-se, em uma hermenêutica da continuidade, como em linha com o magistério anterior. Justamente da mesma maneira os antigos bispos pensavam que não era em si errôneo dizer que “o Filho é semelhante ao Pai segundo as Escrituras”.


Mas em ambos casos, se bem em uma e em outra fórmula tomada isoladamente se pode reconhecer uma ampla gama de posições, no contexto dos respectivos documentos é muito claro que a posição ortodoxa, verdadeiramente em linha com o magistério anterior, é precisamente a que é justamente excluída. […]


No caso de “Amoris laetitia”, isto se leva a cabo:


– com a negação da formulação de “Familiaris consortio” sobre a abstenção da convivência “more uxorio” como condição do acesso aos sacramentos;

– com a eliminação dos limites anteriores entre certeza da consciência e normas eclesiológicas sacramentais;

– com a instrumentalização dos preceitos evangélicos da misericórdia e do não julgar, usados para sustentar que na Igreja não seria possível a aplicação de censuras gerais a determinados comportamentos objetivamente ilícitos;

– e por último, ainda que não menos importante, censurando duramente a quem tivesse a “mesquinha” e “farisaica” pretensão de invocar normas jurídicas precisas para julgar qualquer caso individual, que pelo contrário deve ser rigorosamente deixado ao discernimento e ao acompanhamento pessoal.


Deste modo, ainda com a boa vontade de respeitar um princípio hermenêutico certamente válido – o da continuidade com os documentos anteriores -, se corre o risco de olvidar outro princípio ainda mais importante e evidente: o do contexto imediato no que se formula uma proposição.


Se se lê as afirmações particulares de “Amoris laetitia” não isoladamente, mas em seu contexto, e o documento por sua vez é lido em seu contexto histórico imediato, se descobre facilmente que a “mens” geral que o guia é essencialmente a ideia do divórcio, além da ideia hoje difundida de não colocar limites claros entre um matrimônio ilegítimo e uma união irregular. […]

  1. Paralelo entre as duas crises, no desenvolvimento histórico


Também se pode advertir um paralelo evidente desde o ponto de vista do desenvolvimento histórico da heresia ariana. Se assiste a sua preparação durante a segunda metade do século terceiro; ao fazer-se pública, é condenada pelo Concílio de Niceia, mas no Oriente, pelo contrário, recebe uma rejeição generalizada. Não obstante, a rejeição de Niceia é mais moderada em uma primeira fase, e o arianismo verdadeiro e genuíno é tolerado somente como um mal menor, mas pouco a pouco esta tolerância lhe permite retomar vigor, até que dadas as favoráveis circunstâncias políticas chega ao poder. Uma vez alcançado este, sente contudo a necessidade de camuflar-se: não se expressa de forma franca e direta, mas em uma forma indireta, apoiando-se sobre a pressão e a intimidação pública. Mas o fato mesmo de impor-se, ainda quando o arianismo era uma minoria, sobre uma maioria covarde e indecisa, o expõe de todos os modos a uma refutação muito mais forte e clara por parte do setor mais ortodoxo e consciente do episcopado que prepara, de forma gradual mas inexorável, a derrota definitiva nas duas décadas que seguem.


Analogamente, no caso da heresia atual, que a causa do nome de seu expoente principal podemos chamar “kasperiana”, temos assistido a uma lenta preparação, a partir da segunda metade do século XX. Se fez pública e foi condenada nos documentos de João Paulo II (sobretudo em “Veritatis splendor” e “Familiaris consortio”). Mas desde um setor do episcopado e da teologia culta estes documentos foram rejeitados de forma mais ou menos aberta e radical, e a práxis ortodoxa foi omitida em amplas e importantes zonas da catolicidade. Esta rejeição foi tolerada amplamente, tanto a nível teórico como prático, e desde ali adquiriu força, até que, dadas as circunstâncias favoráveis, políticas e eclesiásticas, chegou ao poder. Mas apesar de haver alcançado o poder, o erro não se expressa de forma franca e direta, senão melhor através das não de todo claras atividades sinodais (2014-2015), e desemboca logo em um documento apostólico exemplar por sua tortuosidade. Mas o fato mesmo de haver chegado a aparecer em um documento magisterial suscita uma indignação moral e uma reação intelectual muito mais forte e dinâmica, e obriga a todo aquele que tem os instrumentos intelectuais a repensar a doutrina ortodoxa, por uma formulação ainda mais profunda e clara de sua parte, para preparar uma condenação definitiva não só do erro pontual examinado, mas também de todos os erros vinculados a ele, que chegam a incidir sobre toda a doutrina sacramental e moral da Igreja. Ademais permite, e isto não é pouco, pôr a prova, reconhecer e também reunir os que aderem verdadeira e solidamente ao depósito da fé.


Podemos dizer que esta é justamente a fase na que nos encontramos neste momento. Recém começou e se preanuncia não privada de obstáculos. Não podemos prever quanto durará, mas devemos ter a certeza da fé de que Deus não permitiria esta gravíssima crise se não fosse para um bem superior das almas. Será certamente o Espírito Santo o que nos dê a solução, iluminando este Papa ou a seu sucessor, talvez também através da convocatória a um novo concílio ecumênico. Enquanto isso, cada um de nós está chamado, na humidade e na oração, a dar seu testemunho e sua contribuição. E a cada um de nós certamente o Senhor nos pedirá contas.

Fonte: Chiesa

Fonte: http://panoramacatolico.info/articulo/la-crise-ariana-y-la-controvérsia-por-amoris-laetitia-un-paralelo

Cardeal Burke explica como será a correção do Papa

Como indica o titulo desta postagem, e em claro contraste com as palavras ditas pelo Cardeal Muller no Programa de Televisão italiano “Stanze Vaticane”, do Canal TGCOM24 e comentado durante todo o dia em páginas católicas na Internet, o Cardeal Burke afirmou em uma recente entrevista, que a ”Amoris Laetitia” Se supõe como um perigo para a Fé e que se fará a correção do Papa. Ademais disse que não teme perder a Púrpura Cardinalicia, mas sim que teme o juízo de Deus. A entrevista se deu ao periódico The Remnant  publicada no dia 09 de Janeiro.
No Domingo passado(08 de Janeiro) o Cardeal Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista entrou em contradição com sua postura previa(A respeito das Dúbias). Assegurou que não se fará a correção do Papa a curto prazo porque no existe perigo para a fé “Uma correção fraterna ao Papa me parece muito distante, neste momento não é possível, por que não há nenhum perigo para a fé”.  
 
O Cardeal Burke, ademais, voltou a reiterar que a “Amoris Laetitia” não é um documento magisterial, como indica o mesmo Papa Francisco no documento. Segundo Burke, algumas afirmações confusas do documento embora não sejam heréticas materialmente necessitam ser esclarecidas, porque podem induzir os fieis ao erro em questões muito sérias. Para ele se não chegar um esclarecimento por parte do Papa o resultado será devastador.
E quanto ao medo de perder o Barrete Cardinalício, Burke assegurou que conhece qual seu dever e que não teme dizer a verdade. Disse temer estar defronte a Nosso Senhor no juízo final e ter que dizer: “Não te defendi quando estavas sendo atacado e a verdade que tu ensinastes estava sendo traída”.
Ao ser perguntado se a situação atual se parece com o tempo da heresia Ariana no Século IV, disse que de certo modo sim: “Agora está em jogo as verdades da fé: As que se refere ao Sacramento do Matrimonio e as que se refere ao Sacramento da Eucaristia. E se a confusão atual for preservada, chegará um momento que haverá setores amplos de fieis sem a Fé Católica, como  se encontrava quando Santo Ambrósio foi nomeado Arcebispo de Milão.
E em relação sobre quando e como seria essa correção formal, o Cardeal Burke declarou que não seria muito diferente das “Dubias”, em outras palavras aquelas verdades que parecem ser postas em questão pela Amoris Laetitia simplesmente se confrontaria com o que a Igreja tem ensinado, praticado e anunciado sempre em seu magistério oficial, desta maneira os ditos erros serão corrigidos.
 
 
Fonte: http://institutobentoxvi.blogspot.com.br/2017/01/cardeal-burke-explica-como-sera.html

“O que tenhas que fazer, faze-o logo”

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MARCELO GONZÁLEZ

tradução frei zaqueu

 

E após o bocado (a Eucaristia), nesse momento, entrou nele Satanás.

Jesus então lhe disse: “O que tenhas que fazer, faze-o logo”.

João XIII, 27

Estamos vivendo um tempo de esperança.

O leitor habitual talvez possa surpreender-se. A Esperança é uma virtude sobrenatural que sustenta nosso desejo de ir ao céu e alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste sentido, todos os momentos da história são de esperança.

Mas afastando-nos de certo modo da definição estritamente teológica, ainda que sustentados por ela, se pode falar da esperança em sentido mais humano: há etapas da cristandade de grandes triunfos. Para nós tudo isso pertence ao passado. Há séculos, a Igreja e a ordem social cristã vão retrocedendo, até chegar, nas últimas décadas à beira do abismo.

Sempre nos sustenta a Esperança sobrenatural, mas uma coisa é essa Esperança em si e outra encarnada nos fatos históricos, como por exemplo antes e depois da batalha de Lepanto. Antes era, talvez mais puramente, sobrenatural. Em seguida se converteu na prova tangível do poder de Deus para dirigir a história em um sentido contrário ao que todos previam, normalmente concedendo estes triunfos quando as causas segundas, isto é, o que o homem faz para alcançá-los, movem sua Misericórdia e lhe dão a vitória.

Aprofundando o vastíssimo tema que expõe Fátima, nestas vésperas do centenário, se tem a impressão de que os católicos em geral, os bons e fiéis, conhecem somente de um modo superficial o que ali se iniciou. E para muitos é uma devoção a mais. Mas não é assim.

Quanto mais se aprofunda, mais se adverte que Fátima é a inauguração dos tempos finais da história. Inclusive se em La Salette as profecias foram cruéis e explícitas: “Roma perderá a fé e se converterá na sede do Anticristo”. Fátima, cuja mensagem pode suspeitar-se hoje com fundamentos não ter sido completamente revelada, foi, sim, ratificada pela santidade extraordinária dos videntes (extraordinária inclusive se se a compara com os santos de toda a história no caso das crianças), pela certeza de suas profecias, pelo papel que tem tido como advertência para evitar a crise final da Igreja (a mensagem devia revelar-se em 1960) e pelo que ainda não se cumpriu, mas que no texto que irmã Lúcia nos deixou fica em forma assertiva: “Finalmente meu Coração Imaculado Triunfará”.

Promessa não condicionada. Como não foi condicionada a promessa de realizar o grande milagre, o do Sol, em outubro de 1917, ante crentes e incrédulos, piedosos e ímpios. Visto por dezenas de milhares de pessoas, em um raio de mais de 50 kms. Em torno da Cova da Iria.

Certamente, os milagres devem merecer-se. Nosso Senhor os realizou somente a pedido dos que humildemente podiam recebê-los ou por sua própria vontade, quando as multidões de pecadores punham sua esperança nesse extraordinário profeta que logo descobriram era o Messias, o Filho de Deus Vivo. “Tua fé te salvou”. “Vai e não peques mais”. Não realizou milagres ante Herodes, nem ante Pilatos nem muito menos ante os fariseus ao pé da Cruz.

Vivemos a Crucificação da Igreja. Se espera sua Ressurreição ainda que exista muitos momentos terríveis, sem dúvida, pelos que temos de atravessar.

Hoje, os planos de destruição da Igreja estão postos em xeque por diversas circunstâncias que pareciam impensáveis há alguns anos atrás. Tão impensável como que chegasse ao pontificado um personagem tão particular como Bergoglio. A quem curiosamente, em Buenos Aires, muitos católicos apodavam “Judas”, para escândalo de outros muitos.

Hoje esta impressão de um Bergoglio-Judas se tem estendido a todo o mundo. Não é só o pânico que reina na Santa Sé entre os membros dos dicastérios e comissões, de alto e de baixo nível. É também a espionagem (já praticada com frequência em Buenos Aires) dos professores das distintas universidades de Roma que devem alinhar-se sem reservas com a orientação de Amoris Laetitia, a grande pedra com a que tem tropeçado Francisco.

Os mesmos jornalistas, até as agências internacionais, que costumam guardar notável silêncio sobre estes temas, lamentam o destrato e a censura das preguntas que “não são amigáveis”, ou seja, as que se referem ao katejon, ao grande obstáculo para o triunfo da doutrina kasperiana com a que Francisco se tem embandeirado, exposto tão simplesmente por uns cardeais.

Que causou esta soçobra em Francisco e em seu entorno de confiança que o levou a dizer coisas impensáveis, como que os que se empenham em manter a doutrina tradicional e quem os apoiam são espiritualmente “coprófagos”. Sim, já o sabemos: as dubia dos quatro (ou seis, ou trinta segundo os últimos dados) cardeais que apoiam o direito de colocá-las e a necessidade de respondê-las.

Por que não respondê-las e já? Para que gastar tanta energia em insultar a quatro cardeais que pedem esclarecimentos doutrinais? Para que assinalar-lhes tão grosseiramente na imprensa mundial? Para que dedicar-lhes todo o discurso do Papa à Cúria Romana destes dias com motivo do fim de ano, que nesta ocasião se centrou exclusivamente na “resistência” a suas mudanças definida como uma tentação do Demônio?

O motivo é simplíssimo, como o é o Evangelho. Se Francisco responde no sentido kasperiano, fica exposto a ser declarado herege formal. Se responde em sentido tradicional, seus promotores e mantenedores o abandonariam à sua sorte. Os poderes do mundo, com os que tão bem se leva, não lhe perdoariam um passo atrás, nem por razões estratégicas. Talvez ele mesmo, ainda que pudesse, não estaria disposto a dá-lo.

Francisco está entre a espada e a parede.

Quanto mais demore em responder, maior será o poder da oposição a seus desvarios doutrinais. Mais tempo terão as forças conservadoras e tradicionais para articular uma pressão insuportável. O Card. Burke, com sua habitual serenidade, tem dito que considera conveniente fazer uma “correção fraterna” (apresentar um documento assinado por – quantos? – cardeais e bispos corrigindo os erros doutrinais de sua Exortação Apostólica e convidando-o a retratar-se deles. E também que o tempo adequado seria o de Epifania. Isto é, se lhe sugeriu um ultimatum.

A rejeição desta correção produziria um efeito jurídico. O papa Francisco passaria da heresia material à heresia formal, segundo a opinião dos mais respeitados doutores da Igreja através da história. Em seguida vem uma instância ainda discutida. Deve ser deposto? Deve se declarar sua renúncia ao ofício petrino por causa de sua heresia e como tal estabelecer que a Sede ficou vacante e proceder à eleição de outro papa? São as opiniões mais comuns dos doutores. O Card. Burke tem dado a entender que apoia a segunda opinião: deve se deixar o governo da Igreja em mãos de quem habitualmente substitui o Papa durante a transição da Sede Vacante.

Quem podia imaginar um conjunto de cardeais dizendo publicamente estas coisas apenas uns meses atrás? Esta novidadeira intrepidez –bendita seja!- se faz presente apenas a poucos meses do centenário de Fátima. Os tradicionalistas tem reclamado, ao menos a correção fraterna, desde há décadas, sobre matérias doutrinais gravíssimas.

A visão do Segredo de Fátima nos fala de dois bispos. Um que parecia ser o papa, outro que o era. Um deles é morto pelos inimigos da Igreja enquanto caminha pelas ruínas de uma cidade, em meio de cadáveres de clérigos e fiéis. Dois anjos proclamam a necessidade de “Penitência” três vezes, enquanto recolhem em distintos cálices o sangue dos mártires que procede dos braços de uma tosca cruz.

“Finalmente, Meu Coração Imaculado triunfará. O papa consagrará a Rússia, que se converterá. Será dado ao mundo um certo tempo de paz”.

Estamos entrando por fim nesse momento? Eu creio que sim. E isso é um motivo de alegria e esperança. Se para chegar a ele, como para chegar à Redenção, é necessário que alguém entregue Cristo às mãos de seus inimigos (algo que vem sucedendo há muito, mas mais claramente agora), e esse agente do mal é Francisco, “o que deva fazer, que o faça logo”. Se pelo contrário, sua retratação e seu retorno ao caminho da fé fosse um milagroso desígnio de Deus, e o motivo para que sofresse o martírio, também rogamos que faça logo o que deva fazer.

Esclarecimento. Os leitores inadvertidos podem pensar que estes fatos referidos são vaticanofição. Cada afirmação tem fundamento em notícias comprovadas. A imprensa em geral e a TV em particular, formadora da agenda das “coisas que passam”, tem guardado astuto silêncio sobre estes temas, ou os trata superficialmente com um olhar ignorante ou tendencioso. Os fatos, não obstante, parecem iminentes.

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Fonte: http://panoramacatolico.info/articulo/lo-que-tengas-que-hacer-hazlo-pronto

Tradução: Fr. Zaqueu

Pontifício Conselho para Unidade dos Cristãos considera Lutero: ” Testemunha do Evangelho”

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Salve Maria!

Agora é o Pontifício Conselho para Unidade dos Cristãos que está ‘canonizando” o heresiarca Lutero. O material da semana de Oração para Unidade dos Cristãos, traz  Lutero como heroi e ” Testemunha do Evangelho”. Se esse infame é considerado assim pelos que deveriam condena-lo, então segue o enterro…

Contra uma total apostasia, nos escudemos nas palavras de Nossa Senhora em Fátima.

EM ESPANHOL

La Santa Sede ha publicado el material para la Semana de Oración por la unidad de los cristianos. En el texto oficial se vuelve a reconocer a Lutero como «testigo del evangelio». Habrá una conmemoración conjunta de la Reforma protestante.

(InfoCatólica) El material del Consejo Pontificio para la Unidad de los Cristianos incluye el siguiente texto:

En 1517 Martín Lutero levantó preocupaciones acerca de lo que él consideraba abusos en la Iglesia de su tiempo haciendo públicas sus 95 tesis. 2017 es el 500 aniversario de este acontecimiento crucial en el movimiento de la Reforma que ha marcado la vida de la Iglesia occidental a lo largo de muchos siglos. Este acontecimiento ha sido un tema controvertido en la historia de las relaciones intereclesiales en Alemania también en los últimos años. La Iglesia Evangélica de Alemania (EKD) ha estado preparando este aniversario desde 2008, centrándose cada año en un aspecto concreto de la Reforma, por ejemplo: la Reforma y la política o la Reforma y la educación. La EKD también ha invitado a sus interlocutores ecuménicos en varios niveles a que ayuden a conmemorar los acontecimientos de 1517.

Después de extensos y a veces difíciles debates, las Iglesias de Alemania han alcanzado el acuerdo de que la forma de conmemorar ecuménicamente la Reforma debía ser con una Christusfest, una celebración de Cristo. Si se pone el énfasis en Jesucristo y en su obra reconciliadora como centro de la fe cristiana, los interlocutores ecuménicos de la EKD (católicos romanos, ortodoxos, baptistas, metodistas, menonitas y otros) podrían participar en las celebraciones del aniversario.

Si se tiene en cuenta que la historia de la Reforma se ha caracterizado por una dolorosa división, este es un logro muy considerable. La Comisión Luterano-Católico Romana sobre la Unidad ha trabajado mucho para llegar a un entendimiento compartido de la conmemoración. Su importante informe Del conflicto a la comunión reconoce que las dos tradiciones se acercan a este aniversario en una época ecuménica, con los logros de 50 años de diálogo a sus espaldas y con una comprensión nueva de su propia historia y de la teología. Separando lo que es polémico de las cosas buenas de la Reforma, los católicos ahora son capaces de prestar sus oídos a los desafíos de Lutero para la Iglesia de hoy, reconociéndole como un «testigo del evangelio» (Del conflicto a la comunión, 29). Y así, después de siglos de mutuas condenas y vilipendios, los católicos y los luteranos en 2017 conmemorarán por primera vez juntos el comienzo de la Reforma.

Cabe recordar que el Catecismo de San Pío X, definía así la Reforma protestante:

129. El Protestantismo o religión reformada, como orgullosamente la llaman sus fundadores, es el compendio de todas las herejías que hubo antes de él, que ha habido después y que pueden aún nacer pira ruina de las almas.

Fonte: http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=28209

Créditos: Tiago Bana

TERCEIRO DE TRÊS: O ABORTO E O CULTO SATÂNICO OU A NEW WORD WORDER

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Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

À guisa de introdução não sou exorcista. Nem demonólogo. Analista político, investidor da Bolsa ou sionista. Mas como fui o vencedor entre bilhões; entre milhões recebi o Selo fluído concedendo-me nada menos que a condição de um filho de Deus, confirmado, entre outros milhões mais, com outro Selo, invisível, mas mais indelével que as marcas visíveis dos pagãos em seus corpos; como ao longo de algumas décadas, entre centenas de milhares logrei escapar às cotidianas possibilidades de morte com as quais nos deparamos sem que nos demos conta; como, por fim, me foi concedida alguma medida de inteligência e certas condições de alimentá-la: mais que um direito, é um dever que se me impõe falar contra a morte (a má, porque a exemplo do colesterol, também há uma boa). Isto posto, vamos ao que interessa.

7 dias. E falamos sobre o Aborto sob sua mórbida causa principal, a Gnose ou o pensamento gnóstico, recordando que “No primeiro (de três) abordei o Limbo como uma das possíveis causas-consequências sobrenaturais para o Aborto institucionalizado”1. Após, sob um aspecto digamos mais natural, “o que move este ato, sua legalização ilegal e a adesão por parte de pessoas cuja defesa da vida deveria vir umbilicalmente ligada à função que exercem. Também o contexto em que se insere, o da Cultura da morte”2. Aqui, tentarei pôr fim à thanata3 tríade falando em autorias, intensões e consequências. Quiçá se encerrassem com ela os casos de aborto, mas esta é nada além de uma leda esperança…

Permitam-me então iniciar este fim de tríade com um elemento comum a todas: o sangue. No momento em que escrevo estas linhas um milenar sangue em estado sólido que deveria tornar-se líquido neste 16 de dezembro de 2016 não o fez4: permaneceu endurecido. Como a dura face divina em ocasiões de contumaz teimosia, desobediência e indiferença humanas. Para aprendermos a não negligenciar nosso Pai do Céu que, como modelo de nossos pais terrenos (os que ainda fazem jus a esta palavra), castiga. Para aprendermos que o castigo divino se dá menos de forma ativa como passiva: soltando-nos as mãos. Para aprendermos a não derramar sangue inocente. Daí que pelo sangue endurecido do santo mártir é provável que em breve muito sangue liquidamente vá rolar, sendo muitos os liquidados a exemplo das outras vezes em que o santo sangue não se

liquefez. Infeliz destino de tantos surdos, cegos e mudos aos apelos do Amor. É que o aborto, um dos desencadeadores da ira divina e novamente em voga, envolve também o amor, ainda que sob a forma de rejeição.

É fato que desde o primeiro fratricídio da história o homem imola o homem sobre o altar da soberba, da inveja e do ódio. Assim, o sangue de Abel se torna o primeiro de milhões a encher, gota a gota a ensandecida e insaciável taça colérica dos homens. Mas ela não será a única. Uma outra taça de cólera se enche em medida inimaginável com o sangue inocente, e esta é a taça da justiça divina. O Apocalipse revela a força deste sangue no clamor por justiça – e mesmo por vingança – porque o Gênesis já lhe autorizava. E a propósito do Apocalipse se diz que Chesterton5 dizia que para ficarmos por dentro das últimas notícias bastava com abrir este livro sagrado. Concedamos-lhe ainda esta vez a razão. Com base nessa afirmativa e seguindo o conselho de Cristo é bom que comecemos a dar mais atenção, à luz da Tradição, a esta divina Revelação como “lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações” (1 Pe I, 19).

Mas como disse ao abordar o aborto inserindo-o – obviamente – em uma lógica de morte, claro como a luz que nessa humana tragédia devesse figurar um personagem central, o Pai das trevas, o “homicida desde o princípio”, pois a morte não só lhe interessa como lhe é familiar. Para falar neste personagem é mister dizer que o símbolo taoísta do yin yang é um sofisma. Não somente pelo Taoísmo ser outro dos tentáculos gnósticos como pelo fato de a verdade valer para um dos lados do círculo, somente. O lado verdadeiro está em que de fato não há nada completamente mal que não possua um bem. Ou mau que não seja em algo bom. É o lado preto com o ponto branco. Mas como todo sofisma que se preza, em algum ponto enganará, ao fim e ao cabo arrastando-nos ao erro. O lado branco com o ponto preto indicando que não existe nada absolutamente bom é um erro grasso e grosseiro, pois há uma exceção e esta reside em Deus. Isto já é o suficiente para atribuir a este símbolo os adjetivos supracitados. Do sumo Bem, ou Suprema Bondade, como dizia Santo Tomás (outro que deveria ser tomado em conta nesses tempos obscuros) não pode advir algo mal, ou mesmo mau. Sendo a morte consequência do mal, dele não poderia advir. Em que pese e façam beiço os satanistas, satanás nunca foi ou será o antagonista à altura, pelo simples fato de não ser absolutamente mau, uma vez que possua coisas boas como, por exemplo, a existência (sinal de que nem ele foi abortado). E isso não é de poca monta como dizem nossos cari fratelli. E que viva Agostinho de Hipona (outro aconselhável) quem nos deu esta verdade!

Mas o fato é que aquele anjo bendito escolheu de livre e espontânea vontade a maldição-para-sempre. E se foi suficientemente convincente para arrastar milhões de semelhantes com ele, dificilmente não o lograria com seres pouco inferiores6 como nós (hoje, um pouco mais…). Corrompendo a Mãe dos viventes logrou, primeira e indiretamente, com que a morte entrasse no mundo. E não demoraria para que o posterior fratricídio entre os seus primeiros filhos inspirasse similitudes como o sororicídio, o matricídio, o parricídio, o filicídio7, o infanticídio, o uxoricídio, o suicídio – e mesmo o fordicídio – até galgar o cume dos homicídios com o deicídio. A Meretriz apocalíptica embriagava-se com o sangue dos mártires, à exemplo da mencionada no livro dos Reis

citada no Primeiro de três, pois o espírito de morte reclama a seiva da vida. Assim, o espírito homicida reclamará da seiva da vida humana para encher a sua taça insaciável. Não somente a título de serviço prestado, mas de serviço ofertado. Mesmo tornado o Anjo de luz em Príncipe das trevas não perde a potestade, somente que inverte sua destinação, sendo ora em diante obcecado pela coroa real. E como o reconhecimento por excelência da realeza divina é o culto de latria, também ele quererá ser adorado em culto próprio e com vítimas próprias, invertendo as polaridades ao se fazer passar pelo mocinho; porque também é o Pai da mentira. E aqui chega-se ao ponto nuclear, em que sou obrigado à força de justiça a tratar, mas antecedido da observação abaixo, uma vez que entender a questão não é tarefa das mais simples, envolvendo quase tantas vertentes quanto os fios de cabelo em uma cabeça adulta.

[Mea culpa. Por falta de entendimento não só o povo perece8, como faz perecer. Para abdicar da hipocrisia e restituir a quem defraudei, ainda que de maneira aquém das minhas defraudações, mesmo já o tendo feito ao sacerdote competente tenho de confessar aqui que também eu já abortei. Se não pelas condições feminina ou médica que não possuo, pela condição de auxiliar. Um mau auxiliar. Como o foi nossa primeira mãe ao nosso primeiro pai. Auxiliando com meios sedutores a que algumas Evas provassem do fruto proibido sacrificando assim vidas inocentes. Num tempo em que fui levado a pensar no sexo como coisa hedonista e nos filhos como coisa descartável ainda que fosse para o seu próprio bem, no velho sofisma de que melhor é não deixar vingar a vida se for para fazê-la sofrer. Assim cri, como irresponsável, covarde e estulto. E assim agi, como coassassino filicida e infanticida. Até a misericórdia se antepor à justiça e fazer com que em Sua luz eu visse a luz. Não encontrando então algo selado com relação a este ponto específico de nossa doutrina pelo fato de estar ainda em aberto9, meu primeiro impulso se deu através de um sólido e profundo desejo do Batismo a todos os santos inocentes cujos seios maternos auxiliei a que se tornassem um campo de batalha mortal. Para isso fiz o que de melhor estava ao alcance: encomendei ao Senhor do Tempo Santas Missas ad orientem nesta intensão. Em seguida me comprometi em rezar e sacrificar-me por cada um, por toda a vida, ainda que não tivesse ou continue tendo ideia de quantos poderiam ter (s)ido. Por fim, confessei a minha culpa ao tempo em que comprometi-me também eu a combater contra toda espécie de morte má dali em diante. E que o bom Deus, pelo Seio virginal, permita-me reencontrá-las algum dia plenamente felizes, juntamente com suas hoje infelizes mães.]

Feito o registro, sigamos adiante.

A coisa, apesar de complexamente tremenda é simples no tocante a causas e efeitos. O aborto, o comprovam as Escrituras, a Tradição e o Magistério, além de muitos envolvidos direta ou indiretamente, é uma mistura de alguns elementos nada desprezíveis que vão do ódio à vida (leia-se também: à matéria10) ao culto satânico de latria: adoração ao demônio com direito à oferenda sacrifical humana. Já o faziam alguns primitivos povos pagãos; ainda o fazem alguns desenvolvidos povos pagãos e outros ditos cristãos. O fato é o mesmo, muda-se apenas a forma. Se é verdade que no passado crianças e adultos eram imolados nos templos sob o altar dos falsos deuses, que não são outra coisa que

demônios11, é ainda tristemente verdade que tais pessoas hoje são imoladas de maneira especial nas clínicas de abortos transformadas em templos, com as mesas cirúrgicas servindo de altar e os médicos, de sacerdotes. Mas não só. Em sentido mais grave e primário, os templos e altares onde são feitos tais sacrifícios são os próprios ventres maternos, sendo as sacerdotisas as próprias mães. Mui elucidativo a propósito são alguns recentes exorcismos realizados pelos profissionais competentes, os sacerdotes. Entres estes, o notório caso de um senhor mexicano possesso levado para receber a benção do então recém empossado Papa há pouco mais de três anos. Pela boca desse senhor declararam os demônios serem os abortos uma espécie de versão moderna de rituais sacrificais a eles dedicados. Mais. Também fora anunciado pelos seres infernais através de boca humana que o número mensal de ocorrências de assassinatos no México seria proporcional ao número mensal de ocorrências de abortos. Em dados obviamente oficiais. O que foi estatisticamente comprovado. E que tanto estas estatísticas quanto a possessão do homem não sessariam enquanto, oficialmente por parte dos Bispos mexicanos, não se consagrasse aquele outrora católico país aos Corações que mais sofrem com a desordem e o desprezo humanos: os de Jesus e Maria.

Ocorre que como já se logrou que uma determinada teologia filosófica influenciasse a cultura, como dito anteriormente, há algumas centúrias vivemos numa cultura da morte cujo passo natural seria a influência direta no tecido social. Como? Como de maneira especial o inventou Gramsci12: através da revolução sócio-política-econômica não pelas armas, mas pela cultura. Trabalhando-se as cabeças pensantes para pensar segundo uma determinada cosmovisão de mundo, estas cabeças, uma vez no poder, passariam a legislar, a julgar e a executar segundo o que acreditariam ser a verdade, o bem e o belo. E se isso for contrário e mesmo antagônico à moral legada pelo Criador através do Salvador, certo é que ela atenderá aos princípios legados pelo Desordenador escravocrata. Uma vez cientes do que seja a moral cristã, que em sua integralidade não é outra que a moral católica, torna-se menos difícil detectar as pegadas de uma “moral” gnóstica favorável à morte ainda que sob a toga de direitos humanos, liberdade de expressão, religiosa e de tudo o mais; o que se traduz em outra mortífera tríade maçônico-revolucionária e contraditória em termos: Liberté, Egalité, Fraternité.

O Aborto e tudo o que esteja relacionado a este espírito de morte, rostos visíveis do antimetafísico pensamento gnóstico, ao tempo em que transformam homens em hóstias a serem imoladas sobre o altar de Moloc, oferecem ao “homicida desde o princípio” a força necessária à implantação de sua desordem mundial em detrimento à ordenação estabelecida pelo doador da vida. Não seria implausível, por isso, que o demônio – sabiamente considerado pelos antigos como o símio de Deus –, curiando desde o princípio o Plano de salvação, deixasse de elaborar e vender à humanidade o seu Plano de perdição que, principiado de maneira emblemática com a Torre de Babel, hoje vemo-lo remoçado em uma espécie de sua versão atual e definitiva com a New World Order13. Me parece instigante pensar ao modo de um grande símbolo deste começo do fim o tombo

ígneo do Centro Mundial do Comércio também designado de as Torres gêmeas. As Escrituras trazem uma interessante simbologia com relação a destruição de torres. Alguns exemplos os temos pelo das duas colunas (torres) com que Sansão pôs fim ao templo filisteu14, e com ele aos filisteus; das torres candentes com que os Macabeus desbarataram os filhos de Beã15; das torres como o fim de um tempo de arrogância16; e das torres, por fim, do Dies irae17. Estas figuras altamente semióticas servem tanto a uma boa quanto a uma má significação. De um lado temos as torres góticas das catedrais como braços erguidos ao céu em gratidão, adoração e súplica. De outro, as torres seculares como braços erguidos ao céu em afronta, soberba e rebeldia.

Assim que a Nova Ordem Mundial a podemos considerar tão somente como uma nova versão de uma velha ideia, a ideia de uma desordem mundial onde o homem possa ser definitivamente o seu próprio deus, com seu paraíso terreno uma vez que não há necessidade de transcender, porque por si jamais o lograria. Tudo é subjacente, underground, camuflado, esotérico. E ambíguo. Tudo carece ser oculto para não ser revelado, pois a aparente Bela não resistiria à Fera real. “Nada há novo sob o sol”, dizia o sábio rei18. Daí que ao se tornar cada vez mais velha a Fera, há que dar a ela a aparência de nova. Para rejuvenescer, acredita-se alguns bem intencionados homens de superstição que deva-se regar. O elixir da juventude então se fará do elixir escarlate da vida, com o tecido inocente servindo de cosméticos rejuvenescedores. Tudo carsicamente19 arquitetado para não dar conotação de rito.

Deixemos de prolixidades: o Aborto, como tudo o que envolva direta ou indiretamente o ódio à vida, é uma forma de culto de latria ao demônio “homicida desde o princípio”, “pai da mentira” e “príncipe das trevas”. Os homens e mulheres que o apoiam, defendem e praticam, seja pela descriminalização, pelo financiamento, a facilitação ou o ato em si, não fazem outra coisa que prestar sua homenagem e adoração a quem lhes premiará com o sofrimento e a morte eterna e sem fim. Tal atitude possui uma principal base teórica e esta é a Gnose ou o pensamento gnóstico que atribui ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó a criação da matéria como coisa má, como prisão, tendo seu salvador e libertador na pessoa de uma criatura angélica por nome Satanás ou Lúcifer, em que pesem algumas distinções. Tal pensamento nasce desde as origens, permeia toda a história e possui seus maiores arautos nos que hoje dominam economicamente o mundo, porque assim dominam o resto do mundo. Estes, por seu turno, possuem os seus peões, cavalos, bispos, torres, reis e rainhas nas mais diversas esferas sociais: do poder religioso ao militar, do civil ao político, do intelectual ao cultural e midiático. Pensando que assim lograrão terminar a Torre e serem deuses, dando o tão sonhado xeque-mate no Criador.

Mas como tudo o que jaz sob o maligno, traz as suas inevitáveis consequências. Que o homem não esqueça, por isso, que insistindo em brincar com o fogo estará pedindo para ser queimado. E logo o será. Pois, em algum lugar dos céus, já se pode ouvir o brado:

“Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?20”

Pensemos nestes tempos Neste que nasceu, que se fez carne (vendo que isso era bom) e por amor, mas um amor literalmente maior que o mundo. Pensemos nas mãos desta Criança que libertariam a tantos para depois se deixar prender. Pensemos em seus pés de cujas sandálias o Profeta não ousou desatar as correias, atados sob o laço dos cravos. Pensemos em sua cabeça, antes envolta em panos macios apoiada nos cândidos braços da Mãe, depois cravada em ásperos espinhos, sem apoio ou esteio; ela que optou ter pedras por travesseiros. Pensemos, por fim, em um lado cujo singelo palpitar de um pequeno coração a cada batida já abarcava o mundo, para literalmente explodir de amor no último brado. Esse Menino só pode receber a adoração de um Deus por um fato simples longe de ser simplório: o fato de um Fiat que não lhe permitiu um aborto.

Sacra Familia: ora pro nobis!

Na Festa do Natal do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu