Pe. Rodrigo Maria: sobre o Decreto “soleníssimo” do Bispo de Uruaçu

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Resposta a decreto que proíbe uso do sagrado véu, das cadeias da total consagração e dificulta o acesso dos fiéis à Total Consagração à Santíssima Virgem.

Esse posicionamento é típico de padres e bispos que não conhecem a Total Consagração à Santíssima Virgem e nem o que a Igreja diz a respeito do assunto.

Esta Consagração foi aprovada ou recomendadas por mais de 10 Papas. Indulgenciada e louvada pela Igreja, essa Consagração foi vivenciada por numerosíssimos santos.

Os Papas em seus documentos de aprovação a essa maravilhosa Consagração, sempre utilizaram os termos “escravos de Maria”, “escravidão marial” ou “escravos de Nossa Senhora”, incluindo o atualíssimo São João Paulo II. Portanto dizer que este termo está desatualizado é desconhecer o que ele significa na doutrina e na espiritualidade católica. Ou devemos concluir que alguns bispos ou padres modernos sabiam mais sobre teologia e doutrina do que os Papas que usaram esse o termo “escravo” para designar essa Total entrega a Jesus por Maria? E o que dizer de São do próprio São Paulo e outros apóstolos que nas Sagradas Escrituras se intitulam escravos (que no tempo e contexto bíblico = servo)? Neste caso teríamos também que desqualificar e criticar a expressão pela qual a própria Santíssima Virgem se designa, uma vez que apresenta como “escrava do Senhor”…

É sem sem efeito a proibição de se usar véu ou as cadeias, pois se tratam de práticas, aprovadas e louvadas pela Igreja, não cabendo portanto a padres ou bispos legislar a esse respeito. O uso do véu é bíblico e com forte referência na tradição e na prática de piedade das fiéis católicas. Até 1983 era obrigatório o uso. Com o advento do novo Código de Direito Canônico, deixou de ser obrigatório, mas não deixou de ser recomendado.

Se trata de uma peça da indulmentária da mulher católica e compete UNICAMENTE a elas a decisão de usar ou não tal peça, não dependo em nada, do consentimento ou autorização do pároco ou bispo.
Na verdade a grande maioria dos que fazem essa consagração participam e servem em suas respectivas paróquias e se empenham na defesa da vida, da família e dá fé católica, muitas vezes em meio à grandes provações e sofrimentos.

A Total Consagração como é apresentada por São Luís Maria Grignion de Montfort é um ato pessoal não sendo necessário o consentimento ou autorização do pároco, bispo ou de quem quer seja para ser feita, pois se trata de uma prática de piedade já aprovada e recomenda pela mais alta autoridade da Igreja. É semelhante à reza do terço: ninguém precisa pedir autorização para o padre ou bispo para reza-lo, pois se trata de uma prática já aprovada e recomendada pela Igreja.

Devemos ter todo respeito e obediência a nossos pastores, desde que esses estejam em sintonia com os ensinamentos e a doutrina de sempre da Igreja.
Também os padres e os bispos devem obedecer a Igreja e respeitar a legítima escolhas dos fiéis.

Se há erros, que estes sejam corrigidos. Mas querer dificultar práticas santas e piedosas e penalizar as pessoas que as vivenciam por conta do mal uso que algum possa ter feito não é honesto nem condizente com a verdade e a justiça.

Estamos todos, enquanto católicos, sujeitos à autoridade da Santa Igreja, e dos bispos e padres, enquanto em sintonia com esta. Entretanto, ninguém está obrigado a obedecer um decreto injusto que contradiz a doutrina da Igreja, nem a ir contra a própria consciência, formada pelo Sagrado Magistério, para atender caprichos ou gostos pessoais de quem quer que seja.

Seria muito bom, que os padres e especialmente os bispos usassem de sua autoridade para combater os muitos abusos e heresias que têm sido praticados e ensinados em sua dioceses.

Porque ao invés de decretos proibindo as correntes (que são sacramentais aprovados pela Igreja) não fazem um decreto proibindo os piercings e tatuagens diabólicas? Porque ao invés de um decreto proibindo os véus (cujo uso é recomendo na Bíblia e praticado na Tradição) não se faz um decreto proibindo as mulheres entrarem nas Igrejas de mini-saias, shorts, blusinhas de alças penduradas, roupas transparentes, coladas e decotadas e sensuais? Porque ao invés de decretos que fazem ser maus vistos bons fiéis que fizeram a Total Consagração a Nossa Senhora, não se faz decretos proibindo as famigeradas missas de “Cura e Libertação” ou a comunhão “self service” ou as “missas sertanejas” e outras aberrações do gênero? Porque que ao invés de decretos atacando a piedade não se faz decretos fazendo eco à doutrina da Igreja que proíbe os católicos se inscreverem na maçonaria ou se filiarem, apoiarem ou votarem em partidos comunistas/socialistas e abortistas como é o caso do PT, PC do B, PSOL, PSTU, PDT e tantos outros?…E esses decretos seriam apenas a aplicação das doutrina e da disciplina da Santa Igreja… mas parece que é mais fácil atacar e fazerem ser vistos como excêntricos, obscuros e “desobedientes” os que apenas têm buscado, sob o patrocínio da Santíssima Virgem, viver melhor sua fé.

Muito triste e lamentável essa inversão de valores. Enquanto os ímpios, heréticos e verdadeiros desobedientes à Igreja trabalham tranquilos e seguem sua obra de destruição da Igreja (conscientes ou não) sob o patrocínio ou ao menos sem oposição de muitíssimos bispos, bons católicos tem sido atacados, impedidos ou desencorajados e covardemente ameaçados por essas mesmas autoridades… que a todo custo querem ser obedecidas, mas em tantas coisas graves e importantes não obedecem a Igreja.

Parece que para muitos bispos o tal “protagonismo dos leigos” tão preconizado pelo Concílio Vaticano II, só pode ser exercido sem em conformidade com ideologias modernistas dos respectivos pastores.

Ameaçar de punição em um decreto os quem não quiserem obedecer as ideias e gostos pessoais do autoridade local, parece algo muito extremamente intolerante, “opressor”, sem caridade e causador de divisões desnecessárias, nada em sintonia com uma pretensa “Igreja acolhedora” e “aberta ao diálogo”.

Parece que o diálogo fica restrito aos heréticos e aos que pensam de forma completamente contrária à Igreja.

Que os católicos, sem perder a reverência e o respeito pelas legítimas autoridades, saibam defender seus legítimos direitos, entre estes os de terem a pregação integral dá verdade católica e a digna celebração dos sacramentos.

Procuremos viver a verdade, pois no dia de nossa morte, Deus será nosso único juiz.

Padre Rodrigo Maria
escravo inútil da Santíssima Virgem

Fonte: http://www.padrerodrigomaria.com.br/bispo-proibe-uso-do-sagrado-veu-e-cadeias-da-total-consagracao-em-sua-diocese/

A Casa Varrida pelos Ventos

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Até o ano seguinte ao da morte de Evan, quando Cessi percebia uma mudança no ar, era sempre uma questão de vagas sensações interiores. Mas o primeiro presságio de mudança nos anos sessenta foi diferente. Foi específico, e suficientemente inquietante e significativo como para que não só ela o reconhecesse como um primeiro tremor que prognosticava terremotos vindouros.

Posto que os famosos mandatos de Fátima ordenavam ao «papa de 1960» revelar ao mundo o terceiro segredo de Fátima, e dirigir os bispos da Igreja universal na consagração da Rússia a Santa Maria, sob seu título de Imaculada Conceição, todo o mundo esperava que isso fizesse o papa João. Mas este se negou a obedecer dito mandato. Não se levou a cabo a consagração da Rússia. Não se revelou o famoso terceiro segredo a milhões de católicos expectantes. Cessi estava acossada de pressentimentos.

-Pode ser que o chamem bom papa. Mas nem sequer o papa pode negar-se a obedecer o mandato da rainha dos céus e esperar sair-se bem -advertiu.

Cessi e Declan aperceberam-se da lamentável e inaceitável realidade da decisão do bom papa quando, na qualidade de privilegiati di Stato, assistiram à inauguração oficial do Concílio Vaticano II em 11 de outubro de 1962, e ocuparam seus assentos na tribuna da basílica de São Pedro.

Os dois Gladstone ouviram como o sumo pontífice declarava ante os bispos reunidos de todas as dioceses, a Igreja universal e o mundo em geral, os objetivos que seu concílio se propunha alcançar. Falou de modernizar e atualizar sua organização eclesiástica, de abrir a Igreja aos que não compartilhavam a fé católica e a fé cristã, e da necessidade de relaxar as rigorosas normas que castigavam a quem quebrantava a lei da Igreja ou rejeitava sua sagrada doutrina.

Para Cessi e Declan, com isso a Igreja não só renunciava à forte posição que sempre havia mantido, senão que o bom papa parecia desculpar-se, em lugar de sentir-se orgulhoso, pelo que a

Igreja havia feito e sido até aquele momento. Mas o pior era que o bom papa parecia estar convencido de que a Igreja atual devia recorrer ao mundo, para aprender a ser uma verdadeira Igreja.

Não havia tido forma de apaziguar a ira de Cessi, nem de mitigar seu desprezo. Se pôs furiosa inclusive antes de que ela e seu pai abandonassem a basílica, sem preocupar sequer de não levantar a voz.

-Não sei o que o senhor opina, papai, mas a meu parecer se nos concederam assentos de primeira fila para presenciar a declaração pública da execução da Igreja. Esse velho papa gordo esbofeteou na cara a todos os católicos, bispos, padres e fieis incluídos!

O melhor que podiam fazer, disse, era marchar-se de Roma e regressar quanto antes a «A casa varrida pelos ventos».

Cessi havia observado as inovações introduzidas pelos bispos do concílio com uma desconfiança que calava até sua medula. Como Gladstone que era, possuía um profundo instinto arraigado em sua família desde seus primeiros tempos em Cornualha, quando seus antepassados reconheceram o inimigo que fustigava sua fé, seus valores mais queridos e a eles como pessoas. Não obstante, em 1962, ninguém antecipou com precisão até que ponto Roma, seus bispos e

seus papas, abraçariam a quem mais adiante seriam caracterizados como lobos com pele de clérigo, cujos objetivos eram nefastos para a doutrina e a moral católicas.

A princípio o concílio introduziu inovações isoladas. Entretanto, não tardaram em

converter-se em um pequeno fluxo sistemático e logo em uma inundação. Sem o consentimento nem a aprovação sequer do papa nem dos bispos do concílio, começaram a trabalhar novos exércitos de autodeterminados «expertos litúrgicos», «mestres catequistas» e «especialistas arquitetônicos» da Igreja. Todas as dioceses dos Estados Unidos, Galveston incluída, se viram impregnadas do que Cessi e Declan interpretavam como moral liberal, liturgia anticatólica, Igrejas adulteradas e crenças aguadas. Inclusive as missas celebradas na catedral de Santa Maria, agora em inglês, se convertiam, com bastante frequência, em manifestações folclóricas de costumes locais e causas políticas, em lugar da profissão e celebração da cerimônia central da fé católica. Em Galveston, como em outros lugares, se ordenava aos fiéis sentar-se, levantar-se e dar-se a mão. Já somente se ajoelhavam raramente na presença de Deus.

Cessi compreendeu que as mudanças procedentes de Roma transformariam de tal modo a sociedade em geral que, apesar das medidas que tomaram seus filhos, se veriam mui afetados.

Por conseguinte, de forma engenhosa e devota, mudou o ritmo da vida cotidiana n’«A casa varrida pelos ventos». Ela e Declan participavam de modo muito menos frequente na vida social de Galveston. Cessi dedicava agora a vida inteira à educação de seus filhos, a defesa da fé católica em sua vida como fieis papistas que eram, e a cultivar sua própria vocação como professora de dança.

Quando começaram a multiplicar-se os efeitos do Concílio Vaticano II, os Gladstone só assistiam a missa na capela da torre d’«A casa varrida pelos ventos». Os três filhos receberam instrução religiosa privada, em lugar das novas «classes de catecismo». Quando deixou de ser prático educar às crianças em casa, Cessi se assegurou de que tanto a madre superiora da escola à que assistia Tricia como os irmãos da escola que havia escolhido para Christian e Paul compreenderam que seus generosos aportes financeiros só continuariam enquanto conservassem um alto nível acadêmico e uma sólida doutrina católica.

A fins dos anos sessenta, as profundas mudanças na vida secular que Cessi havia antecipado começaram a converter-se em realidade. A vida privada e pública da sociedade se desprendia de seus princípios morais, e não havia forma de isolar seus filhos de ditas mudanças. O melhor que podia fazer, segundo lhe disse a Declan, era advertir a Christian, Paul e Tricia dos perigos da nova conformidade secular, que emergia como o que Cessi considerava uma nova religião estatal, seguir facilitando-lhes uma ampla compreensão de sua fé católica, apostólica e romana, e alentar a independência intelectual que constituiria uma característica permanente da vida e personalidade de cada um deles.

Tão completa, autocontida e autossuficiente era a vida que Cessi e Declan haviam organizado n’«A casa varrida pelos ventos», que em 1969 quase parecia que nada lograria transformá-la. Não obstante, teve então lugar algo rotineiro que adquiriu dimensões críticas e reforçou ainda mais a atitude de Cessi a respeito das difundidas consequências do Concílio Vaticano II do bom papa.

Havia sido solicitado a presença de Cessi e Declan em Washington para celebrar uma reunião com funcionários da tesouraria sobre certas propriedades dos Gladstone, em zonas muito

delicadas da América do Sul. Apesar de haver reservado suas habitações com muita antecipação no hotel Hay Adams, descobriram à sua chegada que todavia não estavam prontas. O problema, ao que parecia, se devia a uma populosa assembleia de sacerdotes a favor de um clérigo casado.

Um clérigo casado era uma contradição tão absurda e disparatada para Cessi e Declan como um neurocirurgião paraplégico ou Satanás livre de pecado. Contudo, enquanto esperavam no vestíbulo do hotel, estavam rodeados de sacerdotes de todas as idades e descrições. Uns poucos de barba grisalha vestiam roupa clerical, mas a maioria levava calças e camisas esportivas. Nas mãos dos presentes se viam alguns breviários, mas eram muito mais numerosas as mulheres que assistiam em qualidade de ajudantes ou, como comentou um recepcionista depois de piscar o olho, de «donas de chaves». Várias centenas de delegados trintões e quarentões não mostravam indício externo algum de sua condição sacerdotal, e nada parecia dar-lhes mais gosto como alternar no bar, enquanto outros ainda mais jovens, provavelmente recém saídos do seminário, deambulavam pelo vestíbulo do hotel como estudantes depois de um campeonato universitário de basquete. Ataviados com grande diversidade de roupa desportiva, parecia que lhes apetecia formar grupos que desafinavam cantando O sonho impossível, acompanhados de violões.

Presas de uma mistura de curiosidade e horror, Cessi e Declan consultaram a tabela de anúncios no vestíbulo, onde se exibia o programa de atividades para aquela assembleia de sacerdotes. Uma das conferências trataria d’«a antropologia do sacerdócio», outra exploraria «o papel das mulheres na vida da redenção», o resto examinaria temas como «a sexualidade ao serviço de Deus» e «a androgenia do amor humano como se descreve na Bíblia» que enfureceram Declan.

A fúria lhe impediu dormir aquela noite. Pela manhã, Cessi encontrou seu pai, temendo e pálido como a cera, sentado ainda junto ao escritório. As explorações médicas de urgência levadas a cabo em Washington não permitiram chegar a nenhuma conclusão. Mas os especialistas chamados por Cessi para que acudissem a Galveston depois de seu regresso descobriram que Declan havia sofrido um pequeno infarto.

Ainda que prontamente privado da robusta saúde que havia desfrutado toda sua vida, e incapaz de ocupar-se como costumava fazê-lo dos negócios, ou de galopar pelo campo com os filhos de Cessi, Declan se contentava em passar a maior parte do tempo sem sair da casa. Na sua idade, dizia com um humor um tanto amargo, era de esperar que as rodas e polias de sua maquinaria precisassem certo ajuste.

Declan nunca se recuperou. Sobreviveu uns oito meses, mas a avalanche das denominadas «reformas» que manavam da burocracia pós-conciliar foi excessivo para ele. Faleceu pacificamente e rodeado de sua família. Francesca Gladstone se converteu então na dona d’«A casa varrida pelos ventos». E do mesmo modo que havia defendido seus filhos dos abusos de seu marido, se defenderia agora a si mesma, a seus filhos e a todas as pessoas vinculadas com «A casa varrida pelos ventos» dos desaforos perpetrados na missa católica imemorial. O novus ordo nunca se celebraria na capela da torre. Agora mais que nunca, Cessi se converteu na personificação do lema de sua família: lutaria «sem quartel» ao largo de sua vida para permanecer fiel ao catolicismo romano de seus antepassados papistas.

“A Casa Varrida pelos Ventos” – Malachi Martin. Tradução não oficial do espanhol “El ultimo Papa”, edição digital, por Frei Zaqueu (freizaqueu@gmail.com)

Créditos: Fr. Zaqueu

SEGUNDO DE TRÊS: O ABORTO E A CULTURA DA MORTE OU A GNOSE DOS HOMENS DE PRETO

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Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

“As crianças são inocentes e amam a justiça, enquanto muitos de nós somos vis e naturalmente preferimos a misericórdia.” (G. K. Chesterton)

À guisa de introdução não sou antropólogo. Nem sociólogo. Artista, filósofo ou necrolátrico. Mas a coisa vem tomando contornos catastróficos. Então há que emitir, com alguma insistência, sob pena de se cultuar um dos atos que mais conduzem ao abismo eterno e sem fim: o ato da omissão. Isto posto, vamos ao que interessa.

7 dias. E falamos sobre o Aborto, mas sob a peculiar ótica do Limbo das Crianças[1] que, ao que parece, desde a supressão do direito à vida por parte dos nossos Homens de Preto, verá elevado seu índice demográfico. Ao discorrer sobre este tema aludi en passant a outro, o da cultura da morte em que está inserido, e que ocupará aqui a cadeira da presidência, ainda que de maneira compartilhada. No primeiro abordei o Limbo como uma das possíveis causas-consequências sobrenaturais para o Aborto institucionalizado. Aqui, abordarei o que move este ato, sua legalização ilegal e a adesão por parte de pessoas cuja defesa da vida deveria vir umbilicalmente ligada à função que exercem. Também o contexto em que se insere, o da Cultura da morte, expressão coeva[2] cujo alvo é a cova, com o perdão do trocadilho.

Então, vejamos: Aborto, suicídio, divórcio, homicídio, eutanásia, homossexualismo, ideologia de gênero, prostituição e promiscuidade: caracterizações do que conhecemos como a Cultura da Morte.  Por motivo simples – ainda que complexo – a caracterizam: por serem causa ou consequência de morte, nos únicos dois sentidos em que podemos empregar o termo: o físico e o espiritual. A curto, médio ou longo prazo, não importa. Enganam-se, contudo, os que estancam aí as caracterizações deste mote, pois os tentáculos do polvo são incontáveis. A título de emissão queiram, data venia, acompanhar-me: New Age, esoterismo, espiritismo, hedonismo, hinduísmo, ecologismo, drogas e alcoolismo. Islamismo, máfia, budismo, rock n’roll, macumba, umbanda, candomblé e xamanismo. Romantismo, ateísmo, funk, agnosticismo, marxismo, liberalismo, carnaval e socialismo. Hare krishna, gramscismo, ioga, heiki, iluminismo, eugenia, rosa cruz, corrupção e comunismo. Indigenismo, vodu, moda, quimbanda, necrofilia, ocultismo, magia, sufi, maçonaria e satanismo. Estes são alguns tentáculos extra Ecclesiae. Não faltariam os intra Ecclesiae, só me falta o espaço. Mas para não correr também eu o risco da omissão, faço a menção de uma dupla inseparável ao nível do Dr. Jekyll e Mr. Hyde[3]: Dr. Protestantismo e Mr. Modernismo, com a diferença apenas nos efeitos esquartejadores. Que se faça o registro. Mas que também se explique. Porque se chegamos ao ponto de se ter de elaborar teses científicas, organizar congressos e simpósios, fazer leis ou nos aproximar das táticas do Greenpeace para convencer gente inteligente e estudada que, a exemplo do gênero, número e grau gramáticos, só existem homem e mulher, desconfio que a inteligência chegou mesmo ao limbo, sem esperanças para si a não ser por intervenção divina direta. Porque, como recentemente anunciaram os meios científicos: “os fatos, não a ideologia, é que determinam a realidade”[4]. Com isso a ciência demonstra uma das mais antigas verdades do universo, a de que existem verdades absolutas, também chamadas dogmas. Usemos então da lógica, cuja antonomásia é senso comum. Para não matar ou desperdiçar neurônios, nem neoconcebidos.

De um lado, falar em uma cultura da morte é necessariamente falar em uma filosofia da morte que lhe é anterior esteio; esta, por sua vez, não existe senão cimentada em uma teologia da morte, pois a trave horizontal da cruz, a sustenta, a vertical, não o contrário. Isto, em linguagem feminina, e têm-se: filha, mãe e avó. Todas bem nascidas, ainda que falemos em causas e efeitos de morte.

De outro, temos que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida; isto, ainda que posto em dúvida é indubitável. Ocorre que dada a característica uníssona de Cristo, em verdade um só poderia ser o caminho em que esta Vida se tornaria integralmente manifesta às criaturas humanas. Esse caminho inicia-se com a Antiga e conclui-se com a Nova Aliança. Em outras palavras, de um Povo Escolhido passa-se a uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Deste axioma conclui-se que tudo o que não esteja contido verdadeiramente neste Caminho, em algum ponto do caminho revelará não o gérmen da vida, mas o da morte. O que quero dizer é que tudo o que não seja stricto sensu católico em maior ou menor grau integrará uma Cultura da morte, porque pertencerá a uma Filosofia esteada em uma Teologia da morte. Queiram ou não abortar esta verdade os supremos, os tribunais e os federais mundo afora. Porque tudo o que não proceda diretamente da Vida, dada a condição da Queda original, estará sob o jugo da morte. Por isso Jesus Cristo ordenou a pregação do seu Evangelho com o consequente Batismo trinitário “a toda a criatura” (Mt XXVIII, 19; Mc XVI, 15). Desta maneira compreende-se melhor o caráter de perenidade de um dogma: por conter em si a perene semente da Vida que o revelou. Em outras palavras: um dogma não muda porque Cristo, a Verdade, é imutável.

Isto, ligado ao presente artigo, será compreensível à medida em que tivermos clareza de que os nossos supremos Homens de Preto, ao legislar (sic!) legalizando o matricídio/parricídio das proles até a trindade mensal intrauterina, não fazem outra coisa senão manter viva uma filosofia cuja teologia gira em torno de uma heresia mortífera por nome Gnose, diametralmente oposta à verdade católica. Não por acaso esta palavra empresta sua inicial para a composição logótipa de outro tentáculo mortal: uma misteriosa agremiação constituída de outros sombrios homens de preto. Não por acaso ela ainda foi, por exemplo, o artefato teórico que catapultaria os cátaros[5] se a Igreja com a Santa Inquisição antes não os sepultasse. Esclarecendo neste ponto que se os cátaros não fossem sepultados pela Igreja, eles é que sepultariam não só uma boa parte da mesma como também da própria humanidade; sendo muito provável que, por exemplo, muitos dos pouco informados críticos desta Santa Inquisição jamais o fossem (porque sequer existiriam…).

É que a Gnose, originada na grande inteligência de um ser sem cabeça – mas “homicida desde o princípio” – e dali inoculada em algumas cabeças não digo sem inteligência, mas nada sábias, é contrária à vida tal como a conhecemos. A explicação do que seja a Gnose se dá em algo similar à consideração da matéria não com, mas como um defeito de fábrica. Por ter sido criada como prisão para o que os gnósticos denominam partículas ou centelhas divinas; a princípio livres, leves, soltas e sorridentes pelo universo, uma espécie de micro deuses. Prisão esta criada por ninguém menos que o ser a quem chamamos de Criador, que para aquelas cabeças é o Demiurgo, ou o Bad God, o “Deus do Antigo Testamento”. Daí que toda matéria é sinônimo de “prisão de centelha divina”; e para que as tais centelhas tornem a cintilar pelo universo sem fim há duas vias principais, uma para os que aqui chamarei “primos ricos” outra para os que denominarei “primos pobres”. Estes últimos serão literalmente os primeiros a voltar a cintilar, mas pela via da eliminação. Pela eliminação da matéria creem os gnósticos que se tornam algum tipo de juiz de soltura às centelhas injustamente aprisionadas, devolvendo-as ao universo donde voltarão a ser integralmente… divinas. Os meios para esta “obra de caridade”? Todos os ligados à cultura da morte.

Mas se há eliminados é de se supor que haja eliminadores. Tais são os “primos ricos”, assim considerados não somente por seu poder aquisitivo, como também pelas facilidades de acesso a uma categoria de conhecimento (do grego gnosis) denominada iniciática ou esotérica. Tal seleto pequeno rebanho será o (auto)responsável pela elaboração das teologias que fundamentarão as filosofias que darão o necessário suporte às ideologias que por seu turno serão as pedras angulares das leis que obrigarão os homens a fazerem o que fez o profeta Jonas, a princípio: ir na contramão da razão obediente e ordenada. Ou ainda o que denunciou o Apóstolo: trocar a verdade de Deus pela mentira, e adorar e servir às coisas e aos seres criados em lugar do Criador. Tudo com o curioso detalhe de que os iniciados – também autoconsiderados iluminados ­– têm como “instrumentos de execução” de sua ideológica filosofia teológica um rol de operários (inocentes úteis) que vão do personal training ao congressista; do professor primário ao governante; do recruta militar ao juiz (todos também elimináveis quando a conveniência assim o requerer).

Daí que quando vemos os nossos demiurgos[6] do Supremo a uma só voz com legisladores e governantes inventando, aprovando, promovendo e obrigando a sociedade a um comportamento contra naturam (porque irracional), há que denunciar claramente a existência por trás de tais (más) ações, de ideologias muito bem definidas. Que nos bastidores das políticas públicas se articulam teologias e filosofias privadas, pouco ou nada perceptíveis, mas bem assimiladas por todos os poros sociais sejam eles religiosos, midiáticos, universitários, escolares, militares, políticos, econômicos, culturais etc. E sem que nos demos conta, nós, demos[7], já estaremos bem habituados ao Monstro que nos devora!

 O Aborto integra uma Cultura de morte. Esta última integra uma Filosofia de morte, que por seu turno integra uma Teologia de morte concentrada de forma especial, ainda que não exclusiva, no abrangente pensamento gnóstico[8]. A maioria ignora. Muitos desdenham. Outros tantos negam, ignorante ou maliciosamente. Mas como “não há nada de oculto que não venha a revelar-se”[9], caberá, aos de boa vontade, uma prece: “Senhor, que eu veja!”[10]

Na Festa de Santa Luzia do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu

[1] http://www.sensusfidei.com.br/2016/12/06/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/#.WEqmCOgrKCi; http://www.ofielcatolico.com.br/2006/12/o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo.html; http://www.padremarcelotenorio.com/2016/12/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/

[2] Recente.

[3] Personagens da obra Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (1886), em português O médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. De fato um só personagem com dupla personalidade, em que uma esquartejava suas vítimas, em sua maioria prostitutas.

[4] http://www.avozdocidadao.com.br/agentesdecidadania/saude-publica-associacao-americana-de-pediatras-fulmina-ideologia-de-genero/

[5] Seita gnóstica europeia dos séculos XI e XII, que defendia, entre outras coisas, a morte por inanição, o aborto e mesmo o assassinato de mulheres grávidas por crerem no princípio da matéria como coisa intrinsecamente má, como veremos a seguir.

[6] Aqui o termo é empregado como sinônimo de um corpo de notáveis que formam uma restrita assembleia, partícipes de uma magistratura, ainda, como o corpo dos principais magistrados de uma cidade.

[7] Do grego: o povo.

[8] Cujo conceito o encontramos de forma inteligentemente explorado na obra Antropoteísmo – A Religião do Homem (Montfort, 2011), de Orlando Fedeli.

[9] Mc IV, 22.

[10] Lc XVIII, 41.

Se revive a situação de Mons. Lefebvre e Mons. de Castro Mayer

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Nas vésperas do cisma?

MARCELO GONZÁLEZ

É possível que em breve ocorra um cisma na Igreja. Mas os acusados de cismáticos, como tem ocorrido antes, não serão quem o provoque mas quem o enfrente.

É muito difícil dizer algo sobre a atual situação da Igreja, salvo que é terrivelmente confusa. Uma confusão nascida há pouco mais de 50 anos à vida pública por meio de documentos que em essência incubavam o mesmo problema que agora tem estalado em função da Exortação Amoris Laetitia. Isto é, uns textos que longe de aclarar pontos obscuros, ou reafirmar verdades sabidas, criaram escuridão sobre o que se tinha por claro e definitivo.

Durante muitos anos, décadas certamente, uma grande maioria de católicos amantes da doutrina, mas talvez não suficientemente decididos ou conscientes da gravidade da situação, puseram suas esperanças em duas questões: uma, que o próximo papa corrigiria os abusos de interpretação. Outra, que essas interpretações eram sempre abusos de textos cujo espírito era outro.

A história desses anos é rica em provas contrárias a estas esperanças: os papas que seguiram ao Concílio não corrigiram a raiz dos problemas, ainda quando se fizeram alguns esforços em tal ou qual matéria. Pelo contrário, decidiram emendar o “espírito do Concílio”, ou seja, essas interpretações deliberadamente errôneas, com mais aplicação das ambiguidades conciliares. E em alguns casos, levando estas à prática na pior linha possível: o diálogo inter-religioso é talvez a pior e mais extrema derivação. Hoje termina no escandaloso elogio de Lutero, mas vem dos diversos Assis e pedidos de perdão…

Ainda que Bento viu o problema litúrgico até certo ponto, e atuou com decisão, por um lado seu modo errático e por outro a pressão que não soube resistir terminaram com seu pontificado do modo mais estranho: agora há dois papas que se reconhecem como tais, um passivo e outro ativo. Joseph Ratzinger deveria ser hoje o Cardeal Ratzinger e não o “papa emérito”. Se pode conjeturar um “acordo” para a renúncia nestas tão estranhas circunstâncias? Tudo se pode conjeturar, o problema é prová-lo com certeza. Sem dúvida é um elemento que inquieta.

Hoje, graças a Francisco, essa tolerância à ambiguidade, tão generalizada nos católicos mais fiéis, mas que resistem sempre em ser considerados “tradicionalistas” e assumir esse custo, encabeçam uma resistência crítica muito chamativa e crescente. O feroz embate do papa Bergoglio a questões fundamentais da moral católica, pontos de doutrina revelada, é demasiado. Temos publicado, dos tantos e tantos atos de resistência ao documento mais escandaloso em matéria moral que tenha saído da pluma de um papa, alguns que são a ponta de um movimento subterrâneo que aflora.

As “dubia” dos quatro cardeais são o elemento catalizador. Elas têm feito coalhar outros documentos de crítica enfocados de modo diverso mas que resultam extremadamente incômodos para Francisco. Ele tem decidido calar e seus porta-vozes dão diversos motivos, alguns agravantes para com a hierarquia e os fiéis, outros patéticos por sua falta de solidez. O certo é que um papa NÃO pode negar-se a esclarecer um ponto de doutrina. E o que menos quer fazer Francisco é esclarecer, já que todo seu sedizente  “magistério” é uma sorte de charlatanice de coisas misturadas. Um caudaloso rio de palavras que se afogam umas às outras.

Os cardeais tiveram a simples e evangélica ideia de pedir a aclaração de certos pontos, gravíssimos, da doutrina promovida por Francisco de um modo tão enredado. Simples perguntas de sim ou não. Isto desatou um terremoto que já se começa a mostrar nas fraturas a flor da pele. Não são poucos os que falam de cisma. É curioso: as mesmas circunstâncias, com diferenças evidentes, têm produzido as mesmas reações que há 40 anos produziu o tradicionalismo, liderado por Mons. Lefebvre. Os críticos apelam à Tradição, os oficialistas respondem com palavras de agravo e ameaças. Acusam de “cisma”. Sustentando argumentos insustentáveis: o “magistério” de Francisco não se aparta um ápice da doutrina… A diferença, neste caso, é que a reação da hierarquia tem passado a ser a de muitos mais que um punhado de bispos, como nos tempos de Mons. Lefebvre e Mons. de Castro Mayer.

Esta reação é quiçá o disparador de uma mais profunda, que revise não só estes pontos

doutrinais, senão muitos outros, assim como a terrível crise litúrgica, que tem sido um componente essencial na perda de fé e a debilidade de costumes dos católicos nas últimas décadas.

Para alguns, mais que um cisma que se vai materializando, é um que permanecia sufocado pela imposição de um clero em que a grande maioria de seus membros já perdeu a fé ou apenas tem vagas ideais do que ela implica, que ignora o catecismo básico e tem uma ideia absolutamente deformada do que é o culto divino. E em consequência os fiéis estão sumidos na mais obscura confusão, afastados dos sacramentos eficazes, sem sentido da Fé.

A batalha se perfila e talvez se desate antes do que se espera. Espera-se um documento de “correção fraterna” de parte de bispos e cardeais se Francisco persiste em seu silêncio ou confirma suas doutrinas heterodoxas. Os teólogos e canonistas mais clássicos, fundados na doutrina tradicional, sustentam que “a Igreja” pode julgar um papa só em matéria de Fé. E esse juízo pode concluir em uma deposição de seu cargo por heresia formal. Não há deposição ipso fato, sem antes um juízo da Igreja.

É muito difícil imaginar as consequências de um ato tão pouco frequente e não obstante tão enraizado na Tradição da Igreja, já que a primeira “correção” que sofreu um papa foi a que o Apóstolo São Paulo fez ao papa São Pedro quando quis judaizar (com as melhores intenções) ou seja, tratou de impor aos gentios costumes que não estavam já em vigência após a fundação da Igreja para não escandalizar aos conversos de origem judia.

Tudo isto à luz de Fátima.

Podemos chamar-nos ditosas testemunhas de feitos terríveis e extraordinários. Muito mais que o milagre do sol. Sob condição de não ceder às tentações de escândalo, às instâncias da ansiedade ou a estima excessiva do juízo próprio. Isto o lograremos somente se vivemos no espírito de Fátima: confiança, entrega, sacrifício e oração, muito especialmente, o Santo Rosário.

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Fonte: http://panoramacatolico.info/articulo/en-visperas-del-cisma

Créditos: Fr. Zaqueu

O TERRIVEL FIM DE FIDEL CASTRO.

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O famoso teólogo espanhol José Antonio Fortea refletiu sobre a recente morte do ditador cubano Fidel Castro e assegurou que “Deus deu 90 anos a sua alma para mudar, para entender, para pedir perdão”.

Em um artigo publicado em seu blog, intitulado ‘Elegía a Fidel Castro’ (Escolhia Fidel Castro), o Pe. Fortea assinalou que a longa vida que Deus concedeu ao ditador cubano devia ser dedicada a “pedir perdão às suas milhares de vítimas, seus milhões de oprimidos, pedir perdão a Deus, a si mesmo”.

“Perdoar-se a si mesmo para seguir vivendo com dignidade, para não viver sob o remorso, sob o peso de uma culpa entristecedora, para não viver como Macbeth, como um animal encurralado, encurralado e mordido pela sua própria consciência”.

Castro, governou Cuba depois de derrubar o ditador Fulgêncio Batista em 1959, governou durante quase 50 anos e depois cedeu o poder na ilha ao seu irmão, Raúl.

Na noite dia 25 de novembro de 2016, em uma mensagem televisionada à nação, Raúl Castro anunciou a morte de Fidel.

O regime de Fidel Castro foi repetidamente acusado de violações aos direitos humanos, com múltiplos encarceramentos a opositores políticos, assim como milhares de execuções.

Além disso, a repressão alcançou os defensores da vida desde o momento da concepção. O Dr. Óscar Elías Biscet foi preso por cerca 12 anos, por ter denunciado os abortos e assassinatos de crianças recém-nascidas realizados nos hospitais públicos cubanos.

A Igreja também foi vítima da repressão do regime comunista, com severas restrições ao culto. Em dezembro de 1998, alguns meses depois da visita de São João Paulo II a Cuba, o governo permitiu que que fosse celebrado novamente, depois de várias décadas, o Natal.

Para o Pe. José Antonio Fortea, “acabou o tempo para Fidel Castro. Agora já não há poder sobre a terra, não há santo, nem anjo que possa lhe outorgar o perdão”.

“Ele, que sentenciou tantos, agora está sendo sentenciado, e já não encontrará perdão neste mundo, nem no céu”.

“Castro, que não teve piedade de tantos que suplicaram misericórdia, se já não encontrou perdão, já não o encontrará nunca”, disse o sacerdote espanhol. “Ele que tornou um inferno a vida de muitas pessoas, se tiver entrado no inferno, agora sofre com os olhos abertos”, acrescentou.

O Pe. Fortea assinalou que para Fidel Castro “agora não serve de nenhuma ajuda todas as manifestações multitudinárias na Praça da Revolução que possam convocar em sua honra, nem todos os artigos que o jornal ‘Granma’ escreva o enaltecendo, nem todos os discursos do Partido que o elogiem até as nuvens”.

“Agora está sozinho, com a sua alma. Preso na terrível prisão da sua alma. No reino escuro de Satanás ou nas prisões imateriais do lugar de purificação, seu destino o estava esperando. Durante 90 anos, seu destino eterno o estava esperando”.

O teólogo assinalou que tanto se Fidel estiver em uma morada ou em outra, “o que não resta dúvidas é que a Justiça pesa sobre sua pequena e miserável alma”.

“A única dúvida, a única, é se sua situação espantosa durará séculos, ou séculos sem fim”, concluiu. ACI.

Primeiro de três: O Aborto e o Limbo ou Diante do Supremo Tribunal Celestial

 

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Frei Zaqueu

 

À guisa de introdução não sou teólogo. Nem doutor da Igreja. Profeta, santo ou vidente. Mas sobre o assunto tenho a data venia de colocar-me[1], também por se tratar de um tema ainda em aberto[2]. Isto posto, vamos ao que interessa.

Dia 08 de dezembro festejamos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Desconfio, porém que o seio de Maria está suando, e suando sangue. Por milhões de seios sangrentos porque maculados, expelindo pelos poros os filhos esquartejados e envenenados; pelo templo que deveria ser o mais sagrado, pelo quartel que deveria ser o mais guarnecido, pela guardiã que deveria ser a mais vigilante.

7 dias. E tivemos a satânica, imoral e ilegal legalização do matricídio/parricídio para proles de até três meses de idade, intrauterina. Pelo Supremo Tribunal Federal. Pelo que conclamo a que unamos a Festa ao Luto pelos milhões mais que morrerão agora “legalizados” e com nosso cofinanciamento mesmo a contragosto. O que significa sem a mais pequena possibilidade de erro que esperemos o pior. Todo o Brasil! Do Caburaí ao Chuí. Pelo pecado de muitos maus e a omissão de muitos bons, o que dá no mesmo. E dê-se voz a quem de direito: “Aí onde se aprova o aborto por lei, ou alguma lei anticristã, há mais demônios presentes, e aos milhares, que em qualquer outro ato do maligno. Evidentemente, uma lei que legaliza e normaliza o mal permite muitos milhares de males para a sociedade[3].” (grifo nosso). Muito justo. EUA, México e outros tantos que o digam, afinal “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhados pelo espaço” (Ef VI, 12).

Assim que é hora de fazer ressoar estrondosamente as trombetas dos ais apocalípticos sobre as muralhas supremas: Ai!, ai!, ai! de vós, pobres juízes do Supremo, ao comparecerdes diante do Supremo Juiz para a derradeira sessão de vossas vidas. Ali, a cessão da justiça negada aos indefesos e inocentes; ali, a seção destinada “a quem muito foi dado”[4], onde se chorará e rangerá dentes por muito e muito e muito tempo; ali, por esse e um sem número de injustos despachos também vós sereis despachados, sem toga, anel, terno ou gravata. Agora, pelo Supremo Tribunal Celestial. Agora, pela pérfida simbologia, pela Trindade Santa. Agora, na justa medida, e sem apelação. Que a suprema Bondade, que é suprema Justiça e suprema Verdade, não o permita!

Aos “beneficiados” com a medida também uma consideração. E rogamos que a considerem. Como dito em outro lugar[5] as mulheres de hoje ganham em perversa crueldade em relação à prostituta dos tempos de Salomão. Esta “…não se importava que dividisse, em dois pedaços, a criança que não era sua, por mágoa e inveja”[6]. As hodiernas “… não se importam em deixar retalhar, em vários pedaços, as suas próprias, por vaidade e covardia. E o que é pior: aquelas (mulheres) ainda não conheciam o amor em pessoa, na figura do Menino-Deus. Estas sim.”. E a cumplicidade, conivência e covardia dos “companheiros” não ficará atrás de quem os abaliza para o mal uso da liberdade que os escravizará pela eternidade sem fim. Também estes haverão – se a misericórdia não se antepuser à justiça, do que não temos garantia em termos absolutos – de chorar e ranger os dentes até serem destroçados por completo pelo medonho bruxismo, o que jamais ocorrerá.

De outra parte, muitos são os justos e acertados enfoques dados hoje em dia pelos grupos e pessoas pró-vida especialmente nos campos médico, jurídico e moral. Quero somar-me a estes, mas por outra via, quase nada vista apesar de válida porque não condenada pela Igreja ainda que nossos bem intencionados, mas mal (in)formados clérigos digam – como já ouvi – que “isso deixou de ser dogma”. Como se algum dia tivesse sido; ou sendo, pudesse deixar de sê-lo. Falamos do Limbo das Crianças! Aqui, de meu livro, o extrato de um capítulo dedicado ao Batismo e o Limbo das Crianças, temas umbilicalmente ligados ao aborto, creiam-me[7]:

Para um tema de crucial importância na vida de todos nós existe uma teoria ainda não definida como dogma pela Igreja, o que não impede de encontrar em Santo Tomás de Aquino, considerado o doutor por excelência, um argumento sólido e consistente seguido por muitos doutores, santos e teólogos: o Limbo das Crianças.

Aqui esboçaremos muito superficialmente o pensamento do santo doutor, sendo aconselhável seu aprofundamento através da Suma Teológica que elaborou (1) ou através de pesquisa sobre o tema do Limbo em Santo Tomás. Para expô-lo, comecemos com a continuação das palavras de Cristo acima mencionadas: “… o que, porém, não crer, será condenado” (Mc XVI, 16b). Na primeira parte do versículo, como visto, Nosso Senhor deixa claro quais os critérios de entrada em seu Reino. Compreendendo o que seja a mancha do pecado original teremos uma ideia da perfeição e justeza desta sentença: nada de impuro pode entrar no céu, na presença de Deus, que é pureza absoluta. Em contrapartida, ao declarar que somente a falta de fé pressupõe a condenação e não a falta do batismo, abre-se outra perspectiva, que podemos resumir da seguinte forma: Se para o inferno basta a falta de fé (que em última instância será a negação de Deus, se não da criança, de seus pais, que sobre ela possuem autoridade), mas para o céu há a necessidade da fé e do batismo, é lógico inferir que deva existir outro lugar para os que, apesar de não ter o batismo não tiveram tempo ou condições de pecar, negar a Deus. Que não tiveram as duas condições necessárias para obter o paraíso, mas também não passaram pela condição necessária à condenação eterna. Lugar semelhante existiu para receber os que morriam na graça de Deus, mas que ainda não podiam entrar no céu antes que Cristo nascesse, morresse, ressuscitasse e lhes abrisse as portas, pois ainda não tinham sido batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”: era o Limbo dos Justos, o “Seio de Abraão” narrado nas Escrituras (2).

Sabemos todos que o fato de algo não ser mencionado na Bíblia de forma explícita não significa que não possa existir ou ser verdadeiro (3). No caso do Limbo das Crianças, apesar de não ser explicitamente declarado também não foi explícita ou implicitamente negado (da mesma forma que o batismo para os pequenos). Não será por isso difícil entender sua lógica, pois a doutrina defendida por S. Tomás e vários teólogos, além de razoável, se bem analisada não possui contradição alguma com a Revelação. Para entendê-la precisamos antes saber como seria este lugar.

O doutor angélico (4) o explica como possuindo basicamente duas características: as crianças que para lá se dirigem, primeiro em espírito e após o juízo final também em corpo, jamais verão a Deus “face a face”, porém jamais terão sofrimento ou dor. O que a princípio parece contraditório e intricado, de fato não o é. É que estas alminhas, que por negligência dos pais ou outro motivo não receberam a “vacina”, ainda que não tenham culpa (pecados atuais) não ficarão imunes à doença do pecado original, que já nasce com elas, permanecendo suas almas manchadas (impuras, maculadas) ao morrer. Como no céu nada de impuro pode entrar, por uma questão de justiça não entrarão, mas também por justiça não irão ao Inferno pois não cometeram pecados voluntários, não negaram a Deus ou blasfemaram seu santo nome. Daí ser destinado a estes pequeninos um lugar sem sofrimento ou dor, apesar de não ser o paraíso. Qual o sentido de justiça de tais disposições? Justamente em não conhecer o céu.

Sigamos com a explicação tomista.

Só se deseja o que se conhece. Se desconhecemos a existência de algo não sofremos sua falta… Com o Limbo ocorre algo semelhante. Segundo S. Tomás, por misericórdia e justiça Deus não permite que estes pequenos tomem conhecimento da existência do céu, para que não o desejem e assim sofram eternamente sua não participação. Acontece que devido a este lugar ser isento de sofrimentos ou dores, o que podemos deduzir se tratar de um local agradável e feliz, para elas ali será o paraíso, o melhor lugar do mundo, não havendo assim injustiça por parte de Deus. O fato de não ser citado nos relatos referentes ao juízo final se justificaria em que as almas do Limbo também não participariam dele, dado que seremos julgados pelos nossos atos, o que pressupõe inteligência e vontade suficientes para pecar. Sua ressurreição, por isso, se daria à parte (para a ressurreição não há exceção, pois todos haveremos de ressuscitar (5)), sem um juízo, pois nenhum pecado atual haverá nelas para ser julgado.

Por fim, entender atualmente a doutrina do Limbo das Crianças por este prisma também nos dá condições de melhor entender a “cultura da morte” impregnada nas sociedades cada vez mais paganizadas, que vem promovendo um número crescente de abortos pelo mundo, passando por cima das leis natural e divina ao legalizar o assassinato infantil, privando milhões de crianças não só da vida, mas do batismo, porta de entrada para a eterna visão de Deus (6). O problema maior não é a morte, mas as condições em que se morre (7). Ao demônio não interessa tanto matar, mas fechar as portas do paraíso. Por isso vem inspirando cada vez mais celeremente os homens a criar leis desordenadas e falsas doutrinas que acarretarão, pela falta do batismo, o impedimento de se chegar a Cristo um número significativo de “meninos”.

                                   Notas:

  • Há teólogos que discordam deste posicionamento de S. Tomás, como p.ex., S. Carlos Borromeu, bispo e doutor. Outros que concordam em parte. Ao analisar os argumentos contrários veremos que os de Santo Tomás ainda prevalecem em lógica e clareza, por isso os adotamos neste livro.
  • Lc XVI, 26
  • Jo XXI, 25 e XIV, 26
  • Assim chamado por ter tratado do tema da natureza angélica de forma sublime e destacada. É ainda chamado de Aquinate (derivação de Aquino, lugar de onde veio).
  • Lc XX, 37s; 1 Cor XV, 51
  • Rom VI, 4
  • Mt X, 28

Em favor da doutrina tomista há ainda outra defesa de peso. Sabemos que existem revelações públicas e privadas por parte de Deus. As primeiras, de fé obrigatória, residem nas Sagradas Escrituras e são corroboradas pela Tradição e o Magistério. As segundas, de fé opcional, as recebem os santos e santas de Deus ou os de boa vontade. Aqui se trata das segundas. A extraio da mesma fonte acima e com ela encerro, não sem antes recordar aos pais e mães especialmente católicos, cujos filhos mortos não receberam o batismo ao menos em uma de suas três possibilidades[8]: vocês serão os primeiros da lista de cobranças. Seguidos pelos pastores que não lhes formaram devidamente a consciência. Ou vice-versa. Listo, Señor[9].

Com relação ao Limbo, mui interessante é o relato de outra revelação de Jesus a Santa Brígida, que corrobora a doutrina do Aquinate. Tais revelações chamadas “particulares” ou “privadas”, apesar de não ter a autoridade do dogma e não obrigar ao fiel à sua aceitação, em alguns casos recebem o aval da autoridade Eclesiástica que atesta não haver erro teológico ou relativo à fé e à moral, o que aqui é o caso; por isso nos permitimos transcrever parte de uma destas revelações, em que Cristo fala sobre o tema. Ela se encontra no livro 2, capítulo 1 de As profecias (e Revelações) de Santa Brígida (da Suécia): “Devido ao meu grande amor, eu dou o reino dos céus a todos os batizados que morrem antes de atingirem a idade do discernimento. Como está escrito: É do agrado do meu Pai conceder o Reino dos Céus a tais como estes. Devido ao meu terno amor, Eu mostro misericórdia até mesmo às crianças dos pagãos (as não batizadas de nenhuma forma – grifo nosso). Se qualquer um deles morre antes de atingir a idade do discernimento, eles não podem me conhecer face a face, e vão para um lugar que não é permitido que se saiba, mas onde eles viverão sem sofrimento”.[10]

            Com isso nos sobra um rogo: Regina sine labe originali concepta, ora pro nobis!

Na Festa da Imaculada Conceição de Maria do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu

___________________

Em tempo:     1) O enfoque proposto, como entrevisto, não se antecipa ao juízo da Igreja, estando a ela submetido. Por isso, nada afirma-se. Sobre os ombros das Escrituras, da Tradição e do Magistério se propõe o tema como uma via possível e mesmo plausível, porque já anteriormente defendida por competências abalizadas.

2) valerá a pena a leitura desta feliz matéria cuja reconhecida história a resgata, neste nefasto momento de nossa história, O Fiel Católico: http://www.ofielcatolico.com.br/2006/12/medico-campeao-em-abortos-convertido.html

[1] Ver: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_30121988_christifideles-laici.html

[2] Catecismo da Igreja Católica (C.I.C) 1261.

[3] http://www.sensusfidei.com.br/2016/11/30/um-discipulo-do-pe-amorth-fala-amplamente-sobre-exorcismos/#.WEFjNvkrLIV

[4] Lc XII, 47s.

[5] Cf. 1 Re III, 16-28.

[6] FREI ZAQUEU. Evangélico, graças a Deus!(?) – V.1. Uberaba, 2016. Pg. 28 (nota 25).

[7] Ibidem. Pgs 66-73.

[8] Cf. C.I.C 1257-1260.

[9] Do espanhol: com o sentido de Está avisado.

[10] Cabe lembrar que esta revelação a Santa Brígida recebeu ainda o aval de um Beato Papa, Pio IX.

O Casamento tem cura

 

casamento

 

Frei Zaqueu

 

A família pode ser claramente caracterizada como a suprema instituição humana. Todos deveriam admitir que ela tem sido, até agora, a célula-mãe e a unidade central de quase todas as sociedades, salvo, na verdade, de sociedades como as da Lacedemônia, que decidiram pela “eficiência” e, portanto, pereceram sem deixar vestígios. O cristianismo… não alterou antiga e selvagem santidade; simplesmente a inverteu. Não negou a trindade de pai, mãe e filho. Apenas leu em sentido contrário, fazendo-a passar para filho, mãe e pai. Esta não é chamada de família, mas de Sagrada Família, pois muitas coisas são santificadas ao virar de ponta-cabeça. (Chesterton, Hereges).

Recentemente tive acesso pelas redes sociais, estas fantásticas invenções que ao nos interligar nos mantêm enredados, de uma novidade tão antiga quanto a geração antediluviana. E esta foi a separação de mais um casal. Não fosse talvez pela senhora, pessoa pública e notória defensora de valores cristãos, a coisa ficasse como ficasse. Mas então o fato despertou-me estas linhas, que lanço à arena virtual por intermédio de almas caridosas e gentis para daí poder dizer com santo Inácio de Antioquia: que se tornem o trigo de Deus.

*

Os nossos tempos se encontram bem traduzidos de maneira especial em duas passagens das Escrituras de difícil digestão, mesmo ingestão. A primeira dirigida ao gênero feminino, um dos dois únicos existentes, em que pese alguns distintos cientistas e estudiosos. São os tempos daquela espécie de mulher que ao ir misturando distraidamente desejos e pecados jamais aprende que a conta para se entender a Trindade, na medida em que isso possa se dar, não é a da adição, mas da multiplicação1. A segunda dirigida ao gênero masculino, outro dos dois únicos, em que pese alguns distintos políticos e filósofos. São os daqueles homens que entram no salão alardeando sua nova e opulenta roupa de gala, sem dar-se conta de que ainda estão com o pijama2. Assim que, mulher e homem parecem ter chegado ao cume da baixeza humana, desconsiderando por completo a que veio, porque já não se sabe de onde veio ou para onde foi destinado. Melhor dizer, de Quem e para Quem.

Iniciamos, como visto, pela mulher, pois o início desse processo de involução se dá com ela, sem pré-conceitos ou discriminação, esta, no sentido comumente entendido. Mas o fato é que uma vez desligados da dignidade com que, em Cristo, foram revestidos: “Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, de glória e de honra o coroaste, e lhe deste o mando sobre as obras de tuas mãos.” (Sl VIII, 6s), invertem a ordem natural, pondo tudo de ponta-cabeça. E como por ordem divina a sociedade humana inicia com a família, sua célula-mãe, o Criador, sabendo de antemão das peripécias de suas criaturas, como nos aponta Chesterton porá de ponta-cabeça as desordens das mesmas, reordenando-as com modelos de santificação,

em nosso caso o de uma Família Sagrada, que demonstre a que a primeira e todas as demais vieram, ao tempo em que comprove que o ideal, não só é desejável, mas realizável.

Para pecar não precisamos sair do lugar (o que evidentemente vale para a santificação). Quando, pela herança da Queda original, o homem (leia-se: a humanidade; porque hoje é preciso aclarar sob pena de alguma espécie de homolatria) se torna propenso a essa desordem, instintivamente se agarra a qualquer folha de justificação para não se sentir nu. Ou para não permitir que o vejam nu. Se por algum resquício de uma longínqua integridade intelectual não consiga revestir sua nudez, isto é, justificar a desordem do pecado, não demorará a vir em seu auxílio a rebeldia soberba, fundamento de toda insana revolução. Revolta-se porque não se logrou dar rédea solta aos galopes dos desejos desenfreados, uma vez que existem mãos de cocheiro perseverando em manter as bestas longe do perigo de desembestar. Chame-se aquele consciência ou Anjo da Guarda. Até que se precipite cocheiros ao solo, arrebente-se freios, sacuda-se viseiras, desvencilhe-se de carroças e se ponha a galopar bestamente precipício abaixo, não como os três, mas como os dois mil suínos de uma história nada fictícia.

Assim que as insanidades estão atadas à vida. Elas a atingem direta e indiretamente. Um de seus maiores sintomas, que já vem causando úlceras de todos os tipos na vida de nossa enferma sociedade, é a hoje denominada “cultura da morte”, visceralmente interligada a uma determinada cosmovisão de mundo a que chamamos Gnose (coincidentemente a mesma que empresta sua inicial a determinados agrupamentos humanos que “Alardeando sabedoria, tornaram-se tolos e trocaram a glória do Deus incorruptível por uma imagem de seres corruptíveis…”). Já no A.T. encontramos bons exemplos desta cosmovisão gnóstica: no fratricídio de Caim, na sodomia dos habitantes de Sodoma, na tentativa de infanticídio por parte da meretriz dos tempos de Salomão, e mesmo no adultério e posterior homicídio de seu pai, o rei Davi: o que hoje conseguimos elevar a porcentagens até então impensáveis, ainda que previstas3. Em nossos tempos, o hedonismo hodierno traduz de forma convincente os frutos desta insana cosmovisão: na guerra e violência banal e generalizada, no divórcio, no aborto, na eutanásia, na ideologia de gênero, enfim, no mal, no feio e no falso. Por isso hoje em dia existe um exemplo muito curioso em que vemos pessoas de todo tipo ansiando por dar justificativas ao injustificável. Assim, ao mesmo tempo em que sabemos que Deus, que fez homem e mulher complementários, e que “Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua esposa, e os dois se tornarão uma só carne.”, o que elucida a ordem: “o que Deus uniu, não o separe o homem!” (Gen II, 24; Mt XIX, 6; Mc X, 8; Efe V, 31); a esse Deus o queiramos responsabilizar e agradecer pelas separações dos homens – entenda-se homem e mulher – unidos sob um sagrado compromisso, o do casamento, apesar da concessão à famigerada carta de divórcio, concebida como exceção à regra e “por causa da dureza de vossos corações” (Mt XIX, 8). O que torna sem justificação possível uma coabitação entre Casamento e Divórcio, mui especialmente se se pressupor que tal coabitação possa se dar “graças a Deus”.

Parafraseando Chesterton, a questão sobre o casamento é que não há questão sobre o casamento. O pano de fundo é simplesmente um que se desmembra: ainda como herança da Queda, queremos a Redenção sem o Calvário. Desde a reprovação de nossos primeiros pais, herdamos uma ácida acídia que corrói o desejo do mérito justamente adquirido. Quer-se o prêmio sem o esforço. Daí que queremos a Deus sem a Cristo, e Cristo sem a Igreja; daí que queremos ao Crucificado sem a cruz, o bônus sem o ônus; daí que se quer o casal sem o casamento. Em minha cidade natal há um parque por nome Redenção. Ele nos diz algo a respeito do espírito com que o homem moderno busca ser redimido, e este é o recreativo. Penitência, jejum, esmola, sacrifício e tudo o que tange ao negar-se a si mesmo e tomar sua cruz, parte integrante não só do seguimento a Cristo, como de uma família, cheira à mofo, ou dá indigestão. O Antigo Testamento já o demostrava. O Novo já soava o alarme. A Igreja e os Santos o anunciaram e as heresias o comprovam.

Emblemático – por se tratar de algo em voga – é o caso de Lutero e sua invenção, o protestantismo. Entre costumeiras supressões, acaba por suprimir também a cruz, dela baixando o Crucificado para aliviar o fardo, ou a lembrança de um fracasso. Dado que falhe à (ou apague da) memória de seus fiéis o fato de Cristo desde sempre ter sido alegre e incompreensivelmente anunciado em seu instante menos glorioso, tido por isso como “… escândalo para os Judeus, loucura para os Gentios…”4; é compreensível que se queira a Cristo, mas não a “Cristo crucificado…”, com suas loucuras e escândalos. E que se deseje ardentemente o Adveniat regnum tuum, mas sem o Fiat voluntas Tua. Já em relação ao catolicismo, para ficar em um bom, belo e verdadeiro – além de atual – exemplo, mencionemos a pequena cidade bósnia-herzegovina por nome Siroki-Brijeg. Lá não há (fábricas de) divórcios, garantindo assim, pela união terrena com o ser amado a união celeste com o Ser Amor; em consequência, tornando-se aqueles citadinos modelos universais. É que lá – coisa um tanto louca e escandalosa – quem casa não quer casa, quer cruz.5 E aqui está o segredo do anel.

Há uma curiosa frase de efeito cunhada sob encomenda para traduzir o estado de ânimo/alma dos adeptos da liberdade absoluta (contradição em termos a tudo o que se refira à criação): “poder trocar de marido/mulher como se troca de roupa”. Nada tão fácil e cômodo, livre de empecilhos. Ocorre que uma vez tornada lei a utopia, a separação pelo homem do que Deus uniu terá como uma de suas naturais consequências o aborto, natural empecilho à renovação de guarda-roupas. Não sabendo como justificar o matricídio (por vezes de mãos dadas com o parricídio), inventa-se o “argumento” de que, tal como a indumentária ou as partes por ela cobertas, a criança seja algo que pertença à mulher; de onde a palavra de (des)ordem: “meu corpo, minhas regras”. Claro sinal de que a doença já criou metástase, atingindo as faculdades intelectivas de mulheres e homens; e nos encontramos diante do mundo como um Grande Manicômio, como bem vaticinaram os

visionários Huxley e Orwell6. Como bem arquitetaram os gnósticos de Sião7. Mas os defensores do casamento-indumento parecem não se contentar com esta pseudojustificação e vão além: querem tornar defensável que uma separação possa constituir um bem, um belo e um justo à prole – não raro, fruto de ato livre e espontaneamente acidental. É batido o “argumento” oferecido a ela na base da quantidade=qualidade: o de que, dada a nova situação, não se ponha abatida ou fique aflita, ao menos agora terá duas casas para morar.

O mais gramisciano dos gramscianos, o pensador marxista Antonio Gramsci, nos fez o prestimoso favor de descobrir que para se implantar o Comunismo a nível mundial bastaria com “rifar” duas simples instituições, a Igreja Católica e a Família8. E como chegou à conclusão? Muito sensatamente por descobrir serem estes os alicerces do mundo. Se houver alguma fundada objeção quanto à Igreja e o Oriente, tal objeção não pode ser aplicada à Família. E ainda assim ficaríamos como estamos, pois os valores contidos na e difundidos pela Igreja em todo o orbe não são nada mais que os dez mandamentos universalmente conhecidos porque inscritos no coração do homem9, desde que este deixou sua condição puramente mineral.

Mas a questão é que o Casamento tem cura, e ela, bem administrada com a correta medicação, tornará novamente sadio o corpo, seu e de quem dele se beneficia. Valendo-nos de Gramsci como da víbora, se o Comunismo se alimenta, como parasita, da (morte da) Igreja e da Família; e se o Comunismo já provou ser por si um câncer, portanto uma enfermidade social e por cima gangrenada; dois remédios nos restam para extirpá-lo, antes que estirpe todo o corpo social. E tais remédios já nos ensinaram as avós das avós de nossas avós. Assim que a Igreja e a Família, glóbulos brancos contra as células cancerígenas do Comunismo (e de tantas outras), sua doença, são a cura para o casamento. Contudo, há que saber extrair o veneno da própria serpente que o morde para então poder entrar neste jardim sagrado, neste oásis em meio ao deserto, já tão maltratado pelas intempéries e fauna peçonhenta. Para poder beber de suas fontes, provar de seus frutos (permitidos) e desfrutar de sua sombra, pois que há um “vale da sombra da morte”10 à espreita em cada esquina, em cada mídia, em cada diversão e ainda que nos custe, em cada igreja. Mas que não desesperemos, como guia no caminho nos foi dada uma Sagrada Família. Em seu seio, uma Mulher, que obviamente é uma Mãe. Com Ela a promessa de que um belo dia seu materno Coração triunfará.

Aos 23 de novembro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu

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Em tempo: O jornalista inglês Gilbert Keith Chesterton, detentor de uma vasta, versátil e inigualável produção literária, e possível primeiro santo jornalista da Igreja (mui providencial a esses tempos de abundante pecado jornalístico), nos deixou o feliz e apaixonante ensaio sobre o Casamento intitulado: The Superstition of Divorce11. Ele traz a dupla vantagem de nos servir, ao casamento e à família. E se puder acrescentar ainda outra serventia não menos desprezível, ele também nos servirá à eterna felicidade. Mas se com ele abrimos este artigo, com ele podemos com justiça encerrá-lo, pois aos que há muito decretaram a morte do casamento tal como nos foi proposto pelo Criador, ele responde: “Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e possivelmente irá condená-la.”

Crédito: Airton Vieira de Souza

Fonte:

Lutero: um herege a serviço do demônio

1

 

O Papa Leão X, com a Bula Exurge Domine (15 de junho de 1520), na qual condena 41 dos erros defendidos por Lutero em 1517, afirma solenemente: “Pela autoridade do Deus Todo-Poderoso, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de nossa própria autoridade, nós condenamos, reprovamos, e rejeitamos completamente cada uma dessas teses ou erros como heréticos, escandalosos, falsos, ofensivos aos ouvidos piedosos ou sedutores das mentes simples, e contra a verdade católica. Listando-os, nós decretamos e declaramos que todos os fiéis de ambos os sexos devem considerá-los como condenados, reprovados e rejeitados […] Nós os proibimos a todos em nome da santa obediência e sob as penas de uma automática excomunhão […]”.

O artigo abaixo foi publicado na revista Catolicismo em março deste ano, mas devido à atualidade que adquiriu com a notícia, largamente difundida pela mídia do mundo inteiro, a respeito do encontro no Vaticano, no dia 13 de outubro (data da última aparição de Nossa Senhora de Fátima em 1917), do Papa Francisco com aproximadamente 1000 luteranos, [foto acima] aqui transcrevo a matéria.

No referido encontro com luteranos, vemos na foto, ao lado do Papa Francisco, que foi colocada uma imagem do herege Lutero, ex-monge que se “casou” com uma ex-freira

O SIMBÓLICO GESTO DO PAPA FRANCISCO COMEMORANDO O HERESIARCA LUTERO

Luiz Sérgio Solimeo

Muitas vezes os atos e gestos simbólicos têm maior força de persuasão do que as palavras e os raciocínios, embora ambos se completem. Foi assim com o Divino Salvador, que alternava continuamente sua pregação com gestos simbólicos e o uso de metáforas e parábolas.

Também por essa razão a Igreja sempre se cercou de símbolos, a fim de tornar mais perceptíveis a beleza de sua doutrina, a sacralidade de sua liturgia, a dignidade e a autoridade de seus hierarcas. O Papa era coroado solenemente, para simbolizar o poder a ele conferido por Nosso Senhor como sucessor de São Pedro no governo da Igreja e orientação da Cristandade.

Lutero queima, em praça pública, a bula papal…

MAGISTÉRIO POR ATOS SIMBÓLICOS

O Sumo Pontífice atual faz muito uso dos gestos simbólicos e tem um magistério mais feito de atos e atitudes do que propriamente de palavras, embora as utilize, infelizmente com frequência, de modo confuso e mesmo escandaloso, como o famoso “quem sou eu para julgar?”

Na linha de seu magistério através de atos e gestos, reveste-se de suma gravidade sua anunciada participação nas comemorações da revolta do monge apóstata e heresiarca Martinho Lutero.

Com efeito, como informou o “Vatican Informative Service” de 25 de janeiro último, Francisco irá neste ano à cidade de Lund, na Suécia, onde “presidirá uma comemoração conjunta da Reforma em 31 de Outubro”(1) com dirigentes luteranos Como se recorda, foi nessa data que, em 1517, Lutero teria afixado as suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg.(2)

A comemoração de um fato histórico não é uma simples lembrança do mesmo, como poderia ocorrer numa aula de história. É a rememoração festiva e com louvor de algo que se julga digno de admiração, imitação ou mesmo de devoção. É assim que o orbe católico comemorará em 2017 o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

Como pode o Papa Francisco participar ativamente das comemorações da revolta de Lutero contra a Igreja e o Papado sem dar a impressão a católicos e não-católicos de que ele admira os atos e as doutrinas do heresiarca?

CONDENAÇÃO SOLENE DOS ERROS DE LUTERO

Convém lembrar que na Bula Exurge Domine, de 15 de junho de 1520, o Papa Leão X [quadro abaixo] condenou solenemente 41 dos erros defendidos por Lutero em 1517:
“Pela autoridade do Deus Todo-Poderoso, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de nossa própria autoridade, nós condenamos, reprovamos, e rejeitamos completamente cada uma dessas teses ou erros como heréticos, escandalosos, falsos, ofensivos aos ouvidos piedosos ou sedutores das mentes simples, e contra a verdade católica. Listando-os, nós decretamos e declaramos que todos os fiéis de ambos os sexos devem considerá-los como condenados, reprovados e rejeitados […] Nós os proibimos a todos em nome da santa obediência e sob as penas de uma automática excomunhão…” Do mesmo modo, o Papa condenava os outros escritos de Lutero:
“Ainda mais, por causa dos precedentes erros e de muitos outros contidos nos livros ou escritos e sermões de Martinho Lutero, nós do mesmo modo condenamos, reprovamos e rejeitamos completamente os livros e todos os escritos e sermões do citado Martinho, seja em Latim seja em qualquer outra língua, que contenham os referidos erros ou qualquer um deles; e desejamos que sejam considerados totalmente condenados, reprovados e rejeitados. Proibimos a todos e a qualquer um dos fiéis de ambos os sexos, em nome da santa obediência e sob as penas acima em que incorrerão automaticamente, de ler, sustentar, pregar, louvar, imprimir, publicar ou defendê-los”.(3)

FUROR CONTRA O PAPADO

Em seu estilo arrogante e vulgar, a resposta do heresiarca foi o panfleto de 4 novembro desse mesmo ano, Contra a Execrável Bula do Anticristo, no qual proclamava:
“Tu, então, Leão X, e vós cardeais e o resto de vós em Roma, eu vos digo em vossa face […] a renunciar à vossa blasfêmia diabólica e impiedade audaciosa, e, se não mudardes, teremos vosso lugar como possuído e oprimido por Satanás e como o maldito assento do Anticristo.” O furor de Lutero contra o Papado levou-o a incorrer sempre mais na vulgaridade, chegando a usar termos e a encomendar e promover gravuras inimagináveis.[um exemplo ao lado]

Com um pedido de desculpas ao leitor, transcrevemos aqui uma amostra. Trata-se da apreciação feita por um historiador protestante do libelo de Lutero Contra o Papado em Roma, fundado pelo diabo, publicado na revista Concordia Theological Quarterly da Igreja Luterana do Sínodo de Missouri:
“Lutero superou até mesmo a violência e a vulgaridade da Contra Hanswurst [na qual atacava o duque católico Henrique de Brunswick] em seu libelo de 1545 intitulado Contra o Papado em Roma, fundado pelo diabo. Na esteira desses tratados, publicou uma série de xilogravuras escatológicas e violentas que, de um modo gráfico, sugeria como os bons cristãos deviam tratar o Papado. Nesses e em outros tratados, Lutero bestializava seus oponentes, com maior frequência comparando-os com suínos ou burros, ou chamando-os de mentirosos, assassinos, e hipócritas. Eles eram todos os asseclas do demônio. […] [chamou o Papa Paulo III, 1534-1549] ‘Sua Sodomita Infernal’ Papa Paula III, e utilizou palavras como excremento por toda parte com toda naturalidade. Nas xilogravuras por Lucas Cranach, que Lutero encomendou no final de sua vida, a Igreja papista era apresentada como saindo de uma enorme diaba, e sugeria, mais uma vez, que o Papa, os cardeais e bispos deviam ser pendurados na forca com suas línguas de fora”.(4) O mesmo artigo informa:
“Quando perguntado por que havia publicado as caricaturas, Lutero respondeu ter percebido que não tinha muito tempo de vida e que ainda tinha muito a ser revelado sobre o Papado e seu reino. Por esta razão, ele havia publicado as figuras, cada uma valendo por um livro, do que deveria ser escrito sobre o Papado. Era – afirmou ele – seu testamento”.(5)Em 1529, Lutero proclamava:
“Sob o papismo nós estávamos possuídos por cem mil diabos”(6). Uma das mais suaves críticas de Lutero ao Papa é este seu comentário nas Conversas à mesa:
“Anticristo é o papa e o Turco [o Grão-Turco] em conjunto; uma besta cheia de vida deve ter um corpo e uma alma; o espírito ou alma do anticristo é o papa, sua carne ou o corpo, o Turco. O segundo assalta e persegue a igreja de Deus corporalmente; o primeiro, espiritual e também corporalmente, com enforcamentos, fogueiras, assassinatos etc.”(7)

DOUTRINA DA FALSA MISERICÓRDIA

A essência da doutrina de Lutero é a justificação somente pela fé. Mas a consequência dessa doutrina é um falso conceito da misericórdia de Deus. Analisando o livro do Cardeal Walter Kasper, Misericórdia: A Essência do Evangelho e a chave da vida cristã, Frei Serafino Lanzetta escreve:
“Historicamente, segundo julga Kasper, apoiado por O. H. Pesch, ‘a idéia de um Deus vingativo e castigador lançou muitos na angústia em relação à sua salvação eterna. O caso mais conhecido, e um prenúncio de graves consequências para a História, é o do jovem Martin Lutero, que foi durante muito tempo atormentado pela pergunta: ‘Como posso encontrar um Deus bondoso?’, até que ele reconheceu um dia que, no sentido da Bíblia, a justiça de Deus não é a sua justiça punitiva, mas a sua justiça justificadora e, portanto, sua Misericórdia’”.(8) Essa doutrina está bem sintetizada na famosa carta de Lutero a Melanchthon em 1521:
“Se você é um pregador da misericórdia, não pregue uma misericórdia imaginária, mas a verdadeira. Se a misericórdia é verdadeira, você deve levar em conta um verdadeiro pecado, não um pecado imaginário. Deus não salva aqueles que são apenas pecadores imaginários. Seja um pecador, e peque fortemente, mas que sua confiança em Cristo seja mais forte, e alegre-se em Cristo, que é o vencedor do pecado, da morte e do mundo. […] Basta que através da glória de Deus reconheçamos o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Nenhum pecado pode nos separar d’Ele, mesmo que matemos e cometamos adultério milhares de vezes por dia. Você acha que tal Cordeiro exaltado pagou apenas um pequeno preço com um magro sacrifício pelos nossos pecados? Reze forte porque você é um grande pecador. No dia da Festa de São Pedro Apóstolo, 1521”.(9)Em outro lugar, escreveu Lutero:
“É conveniente que nós nos tornemos injustos e pecadores, a fim que Deus seja reconhecido justo em suas palavras”.(10) Alguns escritores, mesmo católicos, procuram apresentar essas palavras de Lutero como meras hiperbóles, uma vez que ele também fala contra o pecado. No entanto, essa doutrina do pecca fortiter (peca fortemente) é a consequência da “iluminação” que ele recebeu na cloaca do convento, ou seja, de que é somente a fé, sem as obras — a “sola fide” — que salva.(11)

Já em 1516, portanto antes de sua revolta pública, Lutero escrevia ao seu confrade agostiniano George Spenlein:
“Sê um real pecador, porque Cristo habita apenas nos pecadores”.(12)No seu panfleto A Igreja no Cativeiro da Babilônia, Lutero deixa claro que o único pecado pelo qual uma pessoa pode se perder é o da incredulidade. Crendo, uma pessoa, por maior pecador que seja, estará salva:
“Veja quão rico é, portanto, um cristão, aquele que é batizado! Mesmo que ele queira, ele não poderá se perder, por mais que peque, a menos que deixe de crer. Porque nenhum pecado pode condená-lo, fora a incredulidade. Todos os outros pecados, enquanto retorne ou permaneça a fé na promessa de Deus feita no batismo, todos os outros pecados, digo eu, são imediatamente apagados por essa mesma fé, ou melhor, através da verdade de Deus, porque Ele não pode negar a si mesmo”.(13) Em um sermão de 1532, Lutero pregava:
“Tirando a incredulidade, não há mais pecados: todo o resto são bagatelas. Quando meu pequeno Joãozinho vai defecar em um canto, a gente ri e acabou-se. Fides facit ut stercus non feteat [A fé faz com que as fezes não cheirem]. Resumo dos resumos: a incredulidade é o único pecado em relação ao Filho [de Deus]”.(14)

O Papa São Gregório Magno celebra a Santa Missa tão odiada por Lutero

LUTERO: A MISSA CATÓLICA, PIOR QUE UM PROSTÍBULO

Lutero pregava em 1524:
“Sim, eu o digo, todos os prostíbulos, condenados, entretanto, severamente por Deus, todos os homicídios, mortes, roubos e adultérios, são menos prejudiciais do que a abominação da Missa papista”.(15) No já citado panfleto O Cativeiro da Igreja na Babilonia, Lutero dizia que o padre“oferecendo a missa como um sacrifício […] é o auge da perversidade!”.(16)

O ESPIRITO DE VERDADE NÃO INDUZ AO ERRO

As citações poderiam continuar, mas os textos apresentados são suficientes para deixar claro que as doutrinas e a personalidade do heresiarca — cuja revolta arrastou nações inteiras para fora do único redil de Cristo — nada têm de comum com a Igreja Católica.

Não se entende então por que o atual Papa, ele mesmo um jesuíta, Ordem religiosa suscitada por Deus para combater o Protestantismo, empreenda uma viagem para comemorar o centenário de uma revolta contra a Igreja.

A missão dada a São Pedro foi a de alimentar as ovelhas de Cristo;(17) o encargo de confirmar os irmãos na fé;(18) ele recebeu as chaves do reino dos Céus(19) para conduzir as almas à bem-aventurança eterna.

O Concílio Vaticano I deixou claro que:
“O Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro não para que eles possam, por sua revelação, dar a conhecer algumas novas doutrinas, mas que, pela sua assistência, possam guardar religiosamente e expor fielmente a revelação ou depósito da fé transmitida pelos apóstolos”.(20)Com efeito, o Espírito Santo é um “Espírito de Verdade”(21) e não pode inspirar o erro, seja por meio de palavras, atos, gestos ou atitudes.

“UM SINISTRO SUPERMERCADO DE RELIGIÕES”

Em situação semelhante, por ocasião do quinto centenário do nascimento do monge apóstata [pintura abaixo], o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que dedicou sua vida à defesa da Igreja e do Papado, escreveu estas palavras de advertência:
“Não compreendo como homens da Igreja contemporâneos, inclusive dos mais cultos, doutos ou ilustres, mitifiquem a figura de Lutero, o heresiarca, no empenho de favorecer uma aproximação ecumênica, de imediato com o protestantismo e indiretamente com todas as religiões, escolas filosóficas etc.
E concluiu:
“Não discernem eles o perigo que a todos nos espreita, no fim deste caminho, ou seja, a formação, em escala mundial, de um sinistro supermercado de religiões, filosofias e sistemas de todas as ordens, em que a verdade e o erro se apresentarão fracionados, misturados e postos em balbúrdia? Ausente do mundo só estaria — se até lá se pudesse chegar — a verdade total; isto é, a fé católica apostólica romana, sem nódoa nem jaça”.(22)

A IGREJA VENCERÁ MAIS ESTA CRISE

No seu luminoso ensaio Revolução e Contra-Revolução, o mesmo pensador católico escreveu estas palavras cheias de esperança sobre a Igreja:
“Alios ego vidi ventos; alias prospexi animo procellas, poderia ela dizer ufana e tranquila em meio às tormentas por que passa hoje. A Igreja já lutou em outras terras, com adversários oriundos de outras gentes, e por certo enfrentará ainda, até o fim dos tempos, problemas e inimigos bem diversos dos de hoje”(23).Aproximando-se o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, peçamos a Ela que apresse o cumprimento da promessa feita nessa ocasião: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”.

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Notas:
1. http://www.news.va/en/news/joint-ecumenical-commemoration-of-the-reformation (Salvo indicação em contrário, todas as ênfases nos textos aqui citados são do autor deste artigo).
2. O historiador Pe. Ricardo Garcia-Villoslada, S.J., em seu livro sobre Lutero, apresenta argumentos e documentação muito convincentes de que este ato não se deu. Nem Lutero o menciona em seus escritos, nem tal fato é registrado por cronistas contemporâneos. Foi somente depois de sua morte que Melanchthon, que não estava em Wittenberg nessa época, mencionou o suposto ato. Caso ele tivesse ocorrido, posto que era véspera de Todos os Santos, uma festa muito concorrida na igreja do Castelo de Wittenberg, teria chamado muito a atenção e seria referido nas crônicas. (Ricardo García-Villoslada, Lutero El Frayle Hambriento de Dios, BAC, Madrid, 1973, v. 1, pp.334-338). Mas o que importa é que, real ou não, esse fato ficou como símbolo da revolta luterana.
3. Leão X, EXSURGE DOMINE, 15.06.1520, Tradução: José Fernandes Vidal, at http://agnusdei.50webs.com/exsdom1.htm, acessado em 2/2/16.xxxxxxxxxxxx 4. Mark U. Edwards, Jr., Luther’s Last Battles, CONCORDIA THEOLOGICAL QUARTERLY, Volume 48, Numbers 2 & 3 APRIL-JULY 1984, pp. 126-127 (emphasis original), http://www.ctsfw.net/media/pdfs/edwardslutherslastbattles.pdf, acessado em 29/1/16.
5. Idem, p. 133.
6. Werke, t. XXVIII, p. 452, 11, apud J. Paquier, Luther, Dictionnaire de Théologie Catholique, v. IX, premire partie, col.1170.
7. THE TABLE-TALK OF MARTIN LUTHER ,TRANSLATED BY WILLIAM HAZLITT, Esq.
8. Philadelphia: The Lutheran Publication Society. 1997, at http://reformed.org/master/index.html?mainframe=/documents/Table_talk/table_talk.html, (acessado 27/1/16). Fr Serafino M. Lanzetta, Kasper’s Perplexing Notion of “Mercy” Is Not What Church Has Always Taught – an extensive book review, and its implications for Marriage, at http://rorate-caeli.blogspot.com/2014/09/kaspers-perplexing-notion-of-mercy-is.html, acessado 1/2/126.
9. Let Your Sins Be Strong: A Letter From Luther to Melanchthon, Letter no. 99, 1 August 1521, From the Wartburg (Segment) Translated by Erika Bullmann Flores from: _Dr. Martin Luther’s Saemmtliche Schriften Dr, Johannes Georg Walch, Ed. (St. Louis: Concordia Publishing House, N.D.), Vol. 15,cols. 2585-2590. http://www.iclnet.org/pub/resources/text/wittenberg/luther/letsinsbe.txt (acessado 27/1//16).
10. Werke, t. IV, p. 343, 22, apud J. Paquier, Luther, Dictionnaire de Théologie Catholique, v. IX, premire partie, col. 1212.
11. Em 1532 Lutero fazia a seus convivas a seguinte confidência, recolhida nas Conversas à mesa: “O Espírito Santo me deu essa intuição nesta cloaca” (T.R., t. II, n. 1681, t. III, n. 3232ª, in Paquier, col. 1207).
12. Enders, Luthers Briefwechsel, I, p. 29, in Hartmann Grisar, S.J., Martim Luther his Life and Work, The Newman Press, Wstminster, Maryland, 1960, p. 68.
13. Martin Luther, The Babylonian Captivity of the Church – A prelude 1520, 3.8, at http://www.lutherdansk.dk/Web-babylonian%20Captivitate/Martin%20Luther.htm (acessado 281//16).
14. Werke, t. XXXVI, p. 183, 7, in Paquier, col. 1249.
15. Werke, t. XV, p. 774, 18, apud J. Paquier, col. 1170.
16. The Babylonian Captivity of the Church, n.7.11, http://www.lutherdansk.dk/Web-babylonian%20Captivitate/Martin%20Luther.htm.
17. São João 21:15-17.
18. São Lucas 22:32.
19. São Mateus 16:19.
20. Denzinger 1836.
21. São João 14:21.
22. Lutero pensa que é divino!, 10 de janeiro de 1984 , Folha de S. Paulo, at http://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP_84-01-10_Lutero_pensa.htm#.VrE9ilkwCZM, acessado 2-2-16.

O DITO PELO NÃO DITO do CARDEAL SARAH e VIVA S. Benedito!

aaaaaaallal

Pe. Marcélo Tenorio

Na década de 40, na cidade de Garanhuns, interior de Pernambuco, era bispo diocesano D. Mário de Miranda Villas Boas, conhecido por sua fidalguia, inteligência e grandiosa oratória que lhe outorgava fama nacional.

Foi precisamente em 1943, que Dom Mário comunicou a todos o Primeiro Congresso Eucarístico de sua Diocese.
Quando a notícia se espalhou, os protestantes começaram a fazer seus gracejos e, no silencio da noite, desciam as avenidas em grupinhos, cantando sonoramente uma musiqueta:

“ O Bispo dis—sssse que quem não fos-sssee
Para o Congres-sso virava bi—cho
Do rabo gros-ssso.”
E um perguntava na melodia:
“Quem foi que dis—ssse?”
E todos: “ Dom Mário dis-ssseee!”

Isso deixou o Vigário Geral irritado e, na missa dominical, do púlpito, em desagravo, inventou de repetir o gracejo dos incautos , mas no tom, o que provocou um riso geral dos paroquianos, deixando o velho Monsenhor duplamente irritado…

Esse fato me lembrou o pronunciamento do Cardeal Sarah sobre a missa ‘ ad orientem” e o rápido desmentido do Porta-voz do Vaticano, o Pe. Lombardi , que já se foi tarde,muito tarde..

A missa ‘Ad orientem” nunca foi proibida e qualquer um pode rezar desta maneira, aliás é assim que se reza, todas as manhãs, na basílica Vaticana.

Triste época na qual a palavra de um cardeal de tão grande importância é desmentida por um Porta-voz. O problema não é da fala do cardeal que foi claríssima, mas da obscuridade de palavras Lombardianas que refletem bem os tempos atuais de profunda confusão.

Quem imaginaria alguem explicar as palavras de um Pio IX, Pio X, Bento XV , entre outros? Tudo era muito claro, claríssimo, sem ambiguidades. A verdade é que até Pio XII, tudo era bem conhecido , estabelecido e determinado;ou se acreditava ou não se acreditava mais.

Mas agora o que o papa fala, não se deve crer de imediato, mas há de se esperar a explicação oficial do Porta-voz. Não é mais importante o que o Papa falou, cardeal falou, mas o que o Porta-voz explicou.

Trata-se de uma contínua exegese das palavras papais. Ora quando as palavras de um papa devem ser explicadas, então estamos diante de algo grave, muito grave.

São os tempos difíceis que chegaram e com eles a duplicidade nas palavras, nos gestos e , infelizmente, nos documentos.
O papa fala, porta voz explica. Cardeal diz, porta voz “dês-diz”
Isso tudo me lembra duas tias idosas minhas, quando estavam conversando: “ Esta quente hoje, Nesta!”
“ Se chegou, não vi, Palmira!”,
Respondia ela.
Um completo diálogo entre surdos.

É claro que a exortação do cardeal Sarah não seria acolhida, visto que se desejou uma Igreja voltada para o homem, inclinada para o homem, cultuadora do homem, como falava Paulo VI no encerramento do Concílio.

Então, é com você, Lombardi.

“Lobardi dis-ssseee que quem celebras-ssssseee
Ad oriennn-tem
Virava bi——-cho
Do rabo gros-sssooo”
Quem foi que dis-sse?
O Papa dis-ssee?
Não, sei..mas Lombardi
Dis-sssse.

Uma Tiara de presente para Francisco ( O retorno de uma profecia?)

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Pe. Marcélo Tenorio

A tiara papal não é simplesmente um adorno nem tão pouco uma ostentação de poder, de império e de domínio político. Seu significado é bem mais profundo e grave, de forma que, hoje em dia, um papa já não pode usá-la sem causar grande impacto. Se existe um símbolo eclesiástico temido e rejeitado é, justamente, a tiara papal: os inimigos entendem muito bem o que ela evoca.

A tiara possui três coroas sobrepostas, conhecida mais como “tríplice coroa”, ou triregnum. Isso quer dizer que o Vigário de Cristo detém o poder pleno, supremo e absoluto sobre os três reinos:

–a primeira coroa, “Pai dos Reis”;

–a segunda  coroa, “Pastor Universal”;

–a terceira, “Vigário de Jesus Cristo”.

O último papa a fazer uso da tiara foi o Papa Paulo VI, em 1963. Ele usou de uma tiara nova, presente dos fiéis de Milão, onde foi arcebispo e cardeal.

A nova tiara de Paulo VI tinha algo de profética. Era essencialmente feia, sem expressão alguma. Os adornos tinham sido retirados e a tríplice coroa não era tão visível: a impressão era de que se desmoronava de cima para baixo..Seu formato não era agradável e, segundo alguns críticos parecia uma “ogiva nuclear”.

No final da II Sessão do Concílio Vaticano II, em 1963, Paulo VI desceu os degraus de seu trono, na Basílica de S. Pedro, e depositou a tiara sobre o altar.

Muitos atribuíram àquela atitude um gesto de humildade.

A verdade é que, depois disso, a tiara não voltou mais a ser usada, a não ser nas ornamentações dos brasões papais ou na cabeça da imagem de São Pedro, na basílica vaticana, pela solenidade dos apóstolos.

Paulo VI manteve na Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo (1975), sobre as Eleições dos Papas, menções à coroação dos seus sucessores:

“Finalmente, o Pontífice será coroado pelo Cardeal Protodiácono e, dentro de um momento oportuno, irá tomar posse na Arquibasílica Patriarcal de Latrão, de acordo com o ritual prescrito”.

João Paulo I não quis a coroação. Houve apenas uma cerimônia chamada de “inauguração do Sumo Pontífice”, embora tenha usado a Sedia Gestatória (trono móvel, ricamente adornado, utilizado para transportar o Papa).

Seu sucessor, João Paulo II, não só recusou a coroação como retirou qualquer menção à coroação dos pontífices na Constituição Apostólica de 1996, Universi Dominici Gregis. Assim ele se pronunciou em sua “Inauguração”:

“O último Papa que foi coroado foi Paulo VI em 1963, mas após a cerimônia de coroação solene ele nunca usou a tiara novamente e deixou seus sucessores livres para decidirem a esse respeito. O Papa João Paulo I, cuja memória é tão viva em nossos corações, não gostaria de usar a tiara, nem o seu sucessor deseja hoje. Este não é o momento de voltar a uma cerimônia e um objeto considerado, erradamente, como um símbolo do poder temporal dos papas. Nosso tempo nos chama, nos exorta, nos obriga a olhar para o Senhor e mergulhar na meditação humilde e devota sobre o mistério do poder supremo do próprio Cristo”.

O Papa Bento XVI inicia o seu pontificado com um brasão que não mais apresenta a tiara papal. Em seu lugar uma mitra, embora com três linhas, fazendo uma discretíssima menção à tríplice coroa.

“O Santo Padre Bento XVI decidiu não usar mais a tiara no seu brasão oficial pessoal, mas colocar só uma simples mitra, que não é portanto encimada por uma pequena esfera e por uma cruz como era a tiara”.

Todavia, inesperadamente – e esse papa sempre nos surpreendia -, a tiara papal reaparece, a la Gregório XVI, no brasão papal da nova flâmula da sacada da Basílica de São Pedro .

O problema central da tiara não são as pedras preciosas nela contidas, pois isso poderia ser bem resolvido e não é a questão fundamental. O antigo argumento de que a Igreja deveria “vender” tudo que possui e dar aos pobres, “porque é muito rica”, já não se encaixa mais nas mentes inteligentes. Tudo ali é patrimônio da humanidade e sabe-se que mais gastos provoca que rentabilidade. Basta pensarmos no valor incalculável da restauração de um pequeno pedaço da Capela Sistina e em quem deve pagar essa conta.

Logo, a questão da tiara é teológica! Ela representa o império de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a humanidade inteira: sobre a Igreja, sobre os Estados, sobre toda a sociedade. Eis aqui o tríplice reino, o tríplice múnus.

Era comum de se ver nas belas igrejas antigas e centenárias, como um marco da passagem de um século para outro, uma cruz, colocada na parede da Igreja, no pórtico de entrada com as seguintes frases: “Cristo vence – Reina – Impera. A Ele o Poder, a Glória, o Domínio e o Império, pelos Séculos dos Séculos”.

A supremacia de Cristo Rei deve resplandecer na face da Igreja e, sobretudo, na pessoa de seu Vigário, o Papa.

A tiara papal na verdade anuncia a Supremacia de Deus sobre os três reinos: Igreja, Estado e Sociedade.

Ao iniciar um novo tempo, a modernidade, onde a “deusa razão” inaugura a época do antropocentrismo, do homem livre, do livre pensamento, da libertação das cadeias de todo e qualquer dogma ou verdade absoluta; onde o triunfo da Revolução Francesa, com seus princípios maçônicos, é amplamente assumido em todas, sobretudo na filosofia e teologia, devastando tudo e destruindo por toda parte o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a tiara simplificada, lisa, sem adornos, oval, de Paulo VI, nos anuncia o “desmoronamento” da Igreja pelo que viria depois…

E hoje, assistimos a toda essa derrocada que começou com a separação oficial da Igreja e do Estado.

Ora, o Estado existe pelas pessoas que o compõem, de maneira que a ideia da laicidade do Estado é, no mínimo, absurda, visto que, sendo a Lei Divina superior à lei humana positiva, esta existe, com legitimidade, apenas quando em perfeita conformidade e submissa à Lei Divina.

Incentivando a laicidade do Estado, colaboramos com a destronização de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei e Senhor dos Exércitos e, ao invés de servirmos à Verdade plena, que sempre aponta à Verdade Católica, terminamos como humanistas e doutores do “amor fraterno universal”, oco, visto que desprovido da perfeita caridade que somente existe fundamentada na Verdade, que é Cristo.

A laicidade gera a pluralidade religiosa, que por sua vez, gera o subjetivismo religioso, pai do indiferentismo e avô do ateísmo prático.

Leão XIII, considerava esta questão de extrema importância, tanto que se dedicou ao assunto em sua Encíclica “Immortale Dei”:

“Deus dividiu o governo de toda sociedade humana entre dois poderes: o eclesiástico e o civil; o primeiro, que cuida das coisas divinas e o outro que cuida das humanas. Cada qual na sua esfera é soberano, cada um tem seus limites perfeitamente determinados e traçados conforme a sua natureza e seu fim determinado. Ha assim como que uma esfera de atuação onde cada um exerce sua ação ‘jure’ próprio”.

E ainda:

“Gregório XVI, em sua Carta-Encíclica “Mirare Vos”, de 15 de agosto de 1832, (…) sobre a separação da Igreja e do Estado, dizia o seguinte: ‘Não poderíamos esperar situação mais favorável para a Religião e o Estado, se atendêssemos os desejos daqueles que anseiam por separar a Igreja do Estado e romper a concórdia mútua entre o sacerdócio e o império; pois se vê quanto os que gostam de uma liberdade desenfreada temem esta concórdia, pois ela sempre produziu bons e saudáveis frutos para a causa eclesiástica e civil”.

A laicização do Estado destrona Nosso Senhor. As leis já não se pautam mais na Lei divina, a Igreja, possuidora da Verdade plena e com vinte séculos de existência, é posta ao lado das seitas mais bizarras: Cristo e Baal em pé de igualdade.

Um exemplo claro acontece em nosso dias: a aprovação da lei nazista de extermínio de indefesos. Na fala dos ministros estava estampada essa idéia de calar a voz da Igreja, neutralizá-la. O sucesso do STF advém de outro: o princípio maçônico de igualdade, liberdade e fraternidade.

Não se pode negar a grande dificuldade que a Igreja enfrenta hoje diante de um mundo que odeia a Verdade e que não aceita mais o “jugo” de Deus.

Como insistir no Reinado Social de Nosso Senhor e na Supremacia da Verdade e da Fé? Como fazer com que Ele reine, quando seu trono foi retirado do Estado e, em muitos casos, com  beneplácitos eclesiástico?

Era um cardeal quem dizia: “O reinado de Nosso Senhor é praticamente impossível em nossos dias!” – uma afirmação terrível!

“Eu sou Rei e para isso vim ao mundo!”, retrucou Jesus a Pilatos.

O Reinado Social de Nosso Senhor é vital! A Europa começa a despencar moralmente, numa crise jamais vista, justamente porque Nosso Senhor foi retirado de seu trono. E as consequências são vistas a olho nu: famílias acabadas, jovens perdidos, sem sentido algum, liberação e supremacia das vontades mais diabólicas do homem. Eis a separação de todo o equilíbrio social, quando se exclui Nosso Senhor Jesus Cristo.

A humanidade caminhando para um paganismo prático encontrará, no fim da linha, apenas o caos, o nada, o “não ser”.

Bento XVI, em seu pontificado,  surpreendeu, positivamente, em muitos pontos, sobretudo na reafirmação de valores já esquecidos pela sociedade cristã. Mesmo pagando um alto preço, não  se omitiu em relação à proclamação da Verdade sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo.

Bento XVI, recebeu no México um presente típico, um chapéu e, imediatamente, o pôs sobre a cabeça. Isto também fizera noutras vezes, com outros estilos. Tempos atrás recebeu de presente dos católicos húngaros uma bela tiara, mas ponderou, olhou, olhou, agradeceu e… a entregou ao secretário.

No auge das invasões de terra pelo MST, aqui, nas terras tupiniquins, Lula pôs em sua cabeça um boné do movimento vermelho. Como falou aquele boné em sua cabeça! Falou-nos muito mais que suas atrapalhadas palavras.

Como ressoou alto aquele gesto de Paulo VI, retirando de sua cabeça a tiara…

Como ecoaria “urbi et orbi” a tiara de volta à cabeça do Vigário de Cristo?

Nós sabemos como.

A verdade é que após o abandono da Tiara, Paulo VI pode dizer aquelas terríveis palavras, encerrando o Concílio Vaticano II, em 7 de dezembro de 1965:

 “…O humanismo laico e profano apareceu, finalmente, em toda a sua terrível estatura, e por assim dizer desafiou o Concílio para a luta. A religião, que é o culto de Deus que quis ser homem, e a religião — porque o é — que é o culto do homem que quer ser Deus, encontraram-se. Que aconteceu? Combate, luta, anátema? Tudo isto poderia ter-se dado, mas de facto não se deu. Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio. Com efeito, um imenso amor para com os homens penetrou totalmente o Concílio. A descoberta e a consideração renovada das necessidades humanas — que são tanto mais molestas quanto mais se levanta o filho desta terra — absorveram toda a atenção deste Concílio. Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, dai ao Concílio ao menos este louvor e reconhecei este nosso humanismo novo: também nós —  e nós mais do que ninguém temos o culto do homem…” ( o grifo é nosso)

São, de fato, palavras terríveis saindo da boca de um Papa.Aqui se encontra todo antropocentrismo doutrinário e litúrgico que, de fato, já não combina, em nada, com a Supremacia da Verdade e o Reinado Universal de Cristo, que a Tiara teologicamente simboliza.

Também em nada combinaria a tiara na cabeça de um Pontífice que realizasse o “patheon” de Assis, ou o beijo ao alcorão .

Também o Papa Francisco recebeu, por esses dias, de presente uma Tiara. Muitos viram nesse gesto, dos ofertantes, uma provocação descabida, visto que desde o início Bergóglio tem rejeitado os símbolos tradicionais do Papado, embora valorize os  exteriores dos judeus, budistas e outros….

Mais uma vez a “ Profecia da Tiara” bate à porta. Foi com Bento XVI, e agora, ousadamente com o humilde Francisco…

Os símbolos falam muito mais que palavras. É preciso entende-los.

Li, imediatamente tudo e entendi: o nome que o novo Papa adotou, à maneira que se apresentou na Sacada de S. Pedro, sem a murça dos mártires, sem a estola petrina….; o dobrar-se às orações dos fieis, o desprezo por todos os títulos, preferindo apenas o de “bispo de Roma”, a batina curta, desajeitada e transparente…Símbolos, Símbolos apenas que falam….como falam as velhas fontes de Roma…cada coisa elas dizem!…

Rezemos para que um dia, algum Papa, saiba compreender a Profecia da Tiara que , teimosamente, insiste em voltar.

“Accipe tiaram tribus coronis ornatam, et scias te esse Patrem Principum et Regum, Rectorem Orbis, in terra Vicarium Salvatoris Nostri Jesu Christi, cui est honor et gloria in sæcula sæculorum”.

Como Francisco reagiu ao presente, não é difícil de imaginar.

Più non ti dico… pìu non ti dico!…..