Instrução Universae Ecclesiae: cresce a esperança

Caríssimo Professor Alberto,
Comungo totalmente com este seu artigo.
Deus o abençoe e ” Viva o Papa!”
Pe. Marcélo Tenorio
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Bento XVI, quando Cardeal rezando a Missa de Sempre, num grande Pontifical Solene

                                                                                            

                                                                                                    Prof. Alberto Zucchi
Ao contrário dos teólogos-internautas de plantão – que se apresentam como especialistas nos assuntos ligados à religião e para os quais o que interessa, ainda que com comentários superficiais, imprecisos e muitas vezes errados, é se tornar o primeiro a transmitir a novidade – julgamos que seria útil deixar transcorrer ao menos alguns dias, antes de nos pronunciarmos a respeito da Instrução Universae Ecclesiae sobre a aplicação da Carta Apostólica Motu Próprio Summorum Pontificum, da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei¹.  
Nossa espera foi recompensada pois, neste período, tivemos a oportunidade de tomar  conhecimento de bons artigos que tratam deste tema de fundamental importância, além de obter informações de autoridades e de verdadeiros especialistas sobre a questão. Assim, pareceu-nos adequado agora comentar um pouco as conseqüências do referido documento, especialmente para aqueles que estão nas linhas da frente da batalha pela Missa.
De forma geral, o documento trouxe esperanças para muitos  daqueles que pretendem fazer uma maior difusão da Missa de São Pio V. Vários sacerdotes que já se utilizam desse Missal, se sentiram animados em continuar a fazê-lo e agora com maior freqüência. Consta, ainda, que muitos novos padres estão aprendendo o rito antigo e que a tendência é de uma ampla divulgação e aumento das celebrações da Missa antiga. A Instrução veio fortalecer este movimento.
Neste mesmo sentido podemos ainda citar o comunicado da Fraternidade de São Pio X que, após tecer várias críticas ao conteúdo da Instrução, afirma:
“Não resta dúvida de que a Instrução Universæ Ecclesiæ, que está em consonância com o Motu Proprio Summorum Pontificum, é um passo importante no reconhecimento dos direitos da missa tradicional”².
Sobre o reconhecimento dos direitos da missa de São Pio V, de fato, chama a atenção  a letra (b) do número 8 da Instrução, ao afirmar que:
“… o uso da Liturgia Romana vigente em 1962 é uma faculdade concedida para o bem dos fiéis e, por conseguinte, deve ser interpretada em sentido favorável aos fiéis, que são os seus principais destinatários”
O texto deixa claro que a concessão da Missa antiga é um bem para os fiéis e, portanto, a sua solicitação deve ser considerada como algo bom. Infelizmente, esta não tem sido, até o presente momento, a atitude de muitos bispos, que vêem a Missa antiga como uma  concessão feita a um grupo estranho dentro da Igreja, cuja utilidade seria apenas a de evitar um mal maior, isto é, a separação deste grupo em direção a movimentos que não estão em comunhão com Roma, ou mesmo que negam a autoridade de Bento XVI como Papa.
Outro ponto importante para o restabelecimento da Missa Antiga, de forma ampla na Igreja, foi a confirmação de que não há restrição para a celebração do Triduo Pascal segundo o missal de São Pio V. Em muitas dioceses a celebração do Tríduo, na forma antiga, não era permitida. Os Bispos responsáveis afirmavam que só poderia ser celebrada uma única cerimônia, e essa de acordo com o Missal de Paulo VI. Exigiam, ainda,  que na celebração do Tríduo de acordo com o Missal de Paulo VI  estivessem presentes todos aqueles que haviam solicitado a Missa antiga. Agora, de acordo com o item 32 da instrução, esta situação não mais existe, pois:
“O coetus fidelium que adere à tradição litúrgica precedente, no caso de dispor de um sacerdote idôneo, pode também celebrar o Tríduo Sacro na forma extraordinária. Caso não haja uma igreja ou oratório destinados exclusivamente para estas celebrações, o pároco ou o Ordinário, em acordo com o sacerdote idôneo, disponham as modalidades mais favoráveis para o bem das almas, não excluindo a possibilidade de uma repetição das celebrações do Tríduo Sacro na mesma igreja”.
Note-se que a instrução permite a celebração do Tríduo segundo o rito de São Pio V na mesma Igreja, onde ele já foi celebrado de acordo com o Missal de Paulo VI! Não restam dúvidas de que não existe mais qualquer restrição para a celebração do Tríduo no rito antigo.
Um ponto que causou certa preocupação, nos freqüentadores habituais da Missa de São Pio V, foi o número 19 da Instrução. As discussões que este item tem suscitado, nos levam a crer que seria possível fazer um tratado sobre este ponto.
Para facilitar a compreensão sobre este item é importante notar que o mesmo se compõe de duas partes. A primeira impede os fiéis que solicitam a Missa de se “manifestarem contrários á validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária”. A  segunda parte afirma que estes mesmos fiéis não podem “ser contrários ao Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja Universal.”
 Veja-se que, na primeira parte, são proibidas apenas as manifestações, não se obriga a crer em nada. Já a segunda trata de uma exigência de reconhecimento da autoridade do Papa.
A primeira parte do texto nos faz lembrar os ensinamentos de Dom Antonio de Castro Mayer, bispo de Campos, com os quais sempre estivemos de acordo. Afirmava ele que a Missa nova é válida, e que as dificuldades que existem para a aceitação do novo Missal estavam na sua licitude, e não na sua legitimidade. Estas dificuldades decorriam das ambigüidades e mesmo dos erros doutrinários que se encontravam implícitos em alguns pontos do novo Missal.  Dom Mayer sempre reconheceu no Papa a autoridade para alterar o missal, bem como jamais questionou os aspectos legais relacionados à promulgação do novus ordus.
Claro que o termo legítimo não é unívoco e certamente surgirão discussões sobre sua interpretação neste texto. Resta-nos aguardar, confiantes em que o Sant´ssimo Padre continue seu trabalho de difundir o Rito antigo e que fará tudo para favorecer sua expansão, num espírito de pacificação que é sempre o Seu.
É evidente, ainda, que o texto da Instrução não proibiu toda e qualquer crítica ao novo missal, críticas que, aliás, partiram de muito alto na Igreja, algumas já antes de sua publicação definitiva.  
Citemos, por exemplo, o que afirmou o Cardeal  Oddi:
“Tenho a impressão de que as pessoas escolhidas para efetuar todas essas reformas litúrgicas não estavam muito preocupadas com a pureza do dogma e da doutrina. Tentaram apresentar as coisas para agradar alguém, por uma errônea concepção ecumênica”³ .
Ou aquelas, ainda mais graves, expressas pelos Cardeais Ottaviani e Bacci em seu Breve Exame Crítico do Novus Ordus, que segundo suas Eminências demonstra de forma bastante clara que a Novus Ordo Missae – considerando-se os novos elementos amplamente suscetíveis a muitas interpretações diferentes que estão nela implícitos ou são tomados como certos – representa, tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia  católica da Missa tal qual .
Prova ainda mais clara de que a crítica ao novo missal não está excluída é a recente publicação do primeiro volume das obras completas do Papa Bento XVI. Neste volume, que é o de número 11 dentro da coleção, mas que Sua Santidade fez questão de publicar em primeiro lugar, o Papa trata da liturgia e faz uma longa, minuciosa e profunda crítica à posição do padre de frente para os assistentes e de costas para Deus. Se a Instrução proibisse qualquer crítica à Nova Missa, aqueles que desejam a Missa antiga não poderiam apoiar o Papa, o que é um absurdo inconcebível.
 Também merece ser citado o texto de S.E.R D. Albert Malcon Ranjith, em seu Prefácio ao livro do Padre Claudio Crescimano, La Riforma della Reforma litúrgica, onde afirma:
 “O Cardeal Ratzinger viu três problemas de abordagem litúrgica para o Novo Missal: primeiro, a necessidade de assegurar a eclesialidade da liturgia, que não devia deixar espaço a alternativas e a uma criatividade livre; segundo, o perigo de usar uma linguagem adaptada e diversas nuances, como a igualdade absoluta entre os sexos (linguagem inclusiva); terceiro, a questão da direção do sacerdote”.
 Quanto ao que chamamos segunda parte do texto, seguindo ainda os ensinamentos de Dom Mayer, sempre nos submetemos à autoridade papal desde os tempos do Papa Paulo VI até o atual reinado de Bento XVI, e continuamente condenamos as teses sedevacantistas. Recentemente fomos até acusados de “papolatras”…
 Nesta perspectiva a razão do item 19 parece estar muito relacionada com uma preocupação constante do Santo Padre no terceiro objetivo da Instrução, que consta no  item 8 letra c: “favorecer a reconciliação ao interno da Igreja.”
Entretanto, infelizmente, não é difícil supor que muitas autoridades eclesiásticas poderão utilizar este texto, quando da solicitação da Missa Antiga, para fazerem exigências arbitrárias aos grupos de fiéis. Caso isto venha a ocorrer será um abuso, contrário ao espírito de reconciliação recomendado pelo documento.
 Ademais, atualmente, a grande maioria das discussões com críticas à Missa nova é iniciada quando aqueles que assistem à Missa antiga sofrem acusações por parte dos modernistas. Tais acusações chegam ao ponto de difamar aqueles que aderem ao Rito antigo como cismáticos e hereges.  Veja-se, por exemplo, o recente caso do jesuíta que pretende rezar a Missa Antiga em Porto Alegre, e que, só por isto, foi chamado de idiota – publicamente e por escrito – por seus confrades. Não há um único padre que não se sinta acuado pelos modernistas, quando começa a se utilizar do Missal antigo, ainda que continue também a rezar a Missa pelo novo Missal.
Por último, um item da instrução que pouco foi comentado – mas que talvez seja dos mais importante –  é o número 28:
“Outrossim, por força do seu caráter de lei especial, no seu próprio âmbito, o Motu Proprio Summorum Pontificum derroga os textos legislativos inerentes aos sagrados Ritos promulgados a partir de 1962 e incompatíveis com as rubricas dos livros litúrgicos em vigor em 1962”.
Este item estabelece que o Missal a ser utilizado nas missas segundo o rito de São Pio V é o Missal de 1962. Isto determina o fim da experiência daqueles que desejavam utilizar o missal de 1965, apresentando-o como hibrido entre a Missa antiga e a Missa nova.  Muitos acreditavam ser a implantação desse missal um objetivo a ser atingido pois, desta forma, poderia haver uma conciliação entre a Missa antiga e a Missa nova. Com a Instrução, este caminho foi recusado pela Comissão Ecclesia Dei. Os padres que celebram no rito antigo devem, portanto, renunciar às “criatividades eclesiásticas”, que vinham ocorrendo em diversos lugares no Brasil, e cumprir as rubricas determinadas no Missal.
Apenas para se ter uma idéia da amplitude do significado desta decisão, no segundo congresso sobre o Summorum Pontificum, realizado em Roma no ano passado, foi lembrado aos presentes que  o uso do véu pelas mulheres era obrigatório nas missas de São Pio V. É possível imaginar o impacto que causará nas paróquias a existência de uma Missa onde todas as mulheres estejam de véu? Que contraste com uma celebração carismática!
Como conclusão dessas observações, parece-nos ficar confirmada a tese apresentada na entrevista do Padre Barthe⁴, recentemente publicada em nosso site:
Quer se queira ou não, quarenta anos de liturgia paroquial nova é um fato que é necessário, doravante, ser levado em conta. Convirá, por conseguinte, ajudar concretamente, na liturgia das paróquias ordinárias, os padres que pedem para mudar progressivamente o rito reformado, isto é, corrigi-lo pouco a pouco em função da tradição litúrgica romana, da lex orandi em sua plenitude.
Assim, de acordo com o item 28 da Instrução não haverá uma mistura entre a Missa antiga e a Missa nova e não haverá um Missal de Bento XVI. A Missa antiga será utilizada como um padrão para a missa nova, a qual deverá mudar aos poucos em direção à missa antiga, para talvez,  no fim desse processo, termos novamente apenas uma Missa no Rito Romano.
Alberto Luiz Zucchi
02/06/2011
² Comentário Oficial sobre a Instrução Universæ Ecclesiæ. DICI nº 235, 19/05/11http://www.dici.org/en/news/comentario-oficial-sobre-a-instrucao/
³ 30 Dias, julho/91, apud A Missa nova em questão in Cadernos de Ontem Hoje Sempre, Campos RJ, s.d.
⁴ Por um novo movimento litúrgico – entrevista com o Padre Claude Barthe. http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=imprensa&subsecao=igreja&artigo=20101003&lang=bra

31 DE MAIO – COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA

          SOBRE A FEIA SEMPRE-VIVA  E AS BELAS ROSAS NUMA NOITE DE MAIO

                                                                                       Pe. Marcélo Tenorio

Hoje é um grande dia!
É o dia em que, do alto de nossos altares será solenemente coroada a Virgem Maria! É o dia da Coroação!
Sou de uma região que, pelos arredores dos povoados, sítios e fazendas, no início do mês de maio se colocava num mastro improvisado de bambo ou qualquer outra madeira, um bandeirinha branca, simples, mas indicadora..Mostrava que alí se celebrava o Mês de Maio!
Ah, o Mês de maio da minha vida! Como era belo para nós! Na velha catedral, a  imagem da Conceição, sem o véu sobre a cabeça ( nunca mais vi  uma imagem da Virgem sem o véu, como aquela!…), com olhos vivos, parecendo de verdade ,a olhar para o alto e suas belíssimas mãos sobre o peito, como que cantando o Magnificat!
Ah, o Mês de  Maio da minha infância já tão distante!.
A catedral cheia, todas as noites!
O povo de todas as classes, mas especialmente os simples, com flores na mão:” É para a Santa!”, diziam todos, que com lágrimas nos olhos – de amor e gratidão – subiam ao altar para depositar aos  pés de Nossa Senhora as suas vidas, nas flores colhidas em maio.
” Dai-nos, ó liçen-ça, Senho-ra,
Para ofer-ta vos fa-zer
Estas flo-res que em Maio
Co-lhe-mos pra Vos Tra-zer”
A coroa era trazida nas mãos da coroante: Coroa em ouro branco, tendo no centro o mundo e sobre o mundo a pomba do Espírito Santo. Entre o entusiasmo dos devotos e os sinos da velha catedral, era Coroada Nossa Senhora!
” Aceitai esta coroa,
Virgem Santa ,Mãe Querida,
Que nos sejas, Ó a Rainha,
De um penhor de eterna Vida!”
Hoje é 31 de Maio, dia da Coroação.
Lembro bem que neste  dia, lá em casa, diante de um velho e bicentenário oratório, eu, muito pequeno, arrumava o altar de Nossa Senhora. Era uma também pequena imagem de Nossa Senhora das Graças, a minha predileta….Arrumava, eu o santuário; escondia, com uma cortinazinha os demais santos, pois entendia que a festa era somente de Maria e , sendo assim, só ela deveria aparecer.
Minha mãe comprava para mim algumas flores, as mais baratas ( geralmente sempre-vivas), pois naquela época não se dispunha de dinheiro para comprar rosas somente, como era o desejo dela. Arrumado tudo, esperava à noite e, enquanto na Catedral, que era quase ao lado da nossa casa, acontecia a solenidade da coroação, eu fazia a minha….após a reza o terço, acompanhado por tia Nesta, bem lúcida, apesar de mais de 100 anos de vida.
Certa vez estava eu a arrumar o oratório, num 31 de maio e chegou em nossa casa o sacristão. Era comum  ir sempre por lá, tomar um cafezinho. Ele me olhou e disse à minha mãe: ” É uma pena..quando ele crescer, esquecerá!” – Enganou-se o sacristão!
A vida passou.
A criança cresceu…e, embora os pecados aumentaram, em nada diminuiu o meu amor por Aquela que na minha vida tudo fez.
Hoje não tenho mais o oratório, deram-me uma Matriz….
Não tenho mais a pequena imagem da Graça, deram-me uma Graça enorme…E não me faltam rosas das mais variadas espécies para a festa.
Olho para traz…
Na velha catedral os sinos não mais tocam….
O sacristão lá não mais está.
Todas as mãos que coroaram a bela imagem já se encontram na eternidade.
Somente ela – a imagem- continua lá; deformada por uma pintura de mal gosto, mas continua lá:
 Os mesmos olhos. As mesmas mãos sobre o peito, num Magnificat sem ocaso.
Não sei onde encontrar hoje as ‘ sempre-vivas”..Prefiro essas flores do que as rosas mais caras do mundo. As sempre- vivas são resistentes. Demoram. Persistem, mesmo sem água, por um bom tempo.
É verdade que não são tão belas que as rosas, mas que importa?
As sempre-vivas parecem-se mais comigo, até na feiúra.
Até no “espinhento” de seu dorso.
Nesta noite de tua coroação, Ó Mãe querida, do esplendor onde tu te encontrarás, da altura de teu majestoso vulto, não te espantes, nem te ofendas se os teus olhos sagrados, contemplando as belas rosas colocadas em teus pés, depararem-se, num canto qualquer, com um pouco de sempre-vivas sem perfume algum; elas são a minha oferta, a pobre oferta da minha alma, que apesar do seu pecado, exulta e grita o teu Nome Dulcíssimo, ó Soberana Rainha, minha única esperança.

SANTO ANSELMO..SANTO ANSELMO!….

Caros amigos,
Salve Maria!
O artigo abaixo, do liturgo leigo e professor do Pontificio Ateneu Santo Anselmo, transpira raiva da liturgia tradicional e de tudo o que pode favorecê-la, inclusive do Papa!. Depois da divertida apresentação de Enrico, do Messa in latino, o texto está em espanhol.
 
Lúcia Zucchi
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Benché ancora in viaggio, il mio senso altruistico non mi consente di tenere per me, come tesoro esclusivo, l’ineffabile gaudio che ho ricevuto dalla lettura dell’articolo che segue: desidero pertanto farne partecipi i lettori. Si tratta di un commento “a caldo” (è il caso di dirlo: quando la febbre sale, la mente delira…) all’IstruzioneUniversae Ecclesiae sul rito tradizionale, ad opera del liturgista barbudo Andrea Grillo. La cui prosa scomposta (ricorderete che l’italiano non è il suo forte…) trasuda atrabile ad ogni frase ed esprime un sentimento di vero panico. La linea dell’insulto al Santo Padre viene abbondantemente superata, ma soprattutto quella del ridicolo, di cui il liturgista involontariamente si copre. Confudit inimicos suos Dominus…

La settimana comincia benissimo. Buona lettura.
 
 
 
Mayor incertidumbre después de la infelíz Instrucción
Universæ Ecclesiæ,
que debió llamarse Contraversæ Ecclesiæ
 

Proféticamente, el día después de la promulgación, en julio de 2007, del Motu Proprio Summorum Pontificum, el Card. Ruini había advertido sobre “el riesgo de que un documento promulgado precisamente para unir más a la comunidad cristiana, fuera utilizado para dividirla“.
La necesidad de la Carta a los Obispos que lo acompañaba, como la presente Instrucción (Universæ Ecclesiæ) que lo aclara, indican que el augurio ha dado en el clavo: Como consecuencia de aquel documento, la división es una posibilidad real, que ahora podría llevarse a cabo con mayor facilidad.
 
Es necesario reconocer que el “monstruo” era tal desde el principio. Cuando se quiere revivir una tradición reanimando un rito “abolido”, como aquel vigente en 1962, obstinándose en asumir hechos que no existen, y en construir ficciones jurídicas sin sustento real, con la pretensión de que un equilibrismo audaz y riesgosísimo conciba una doble vigencia paralela de dos formas diferentes y en tensión del mismo Rito Romano, el nudo de la contradicción está destinado a ajustarse cada vez más.
Y con cada comisión que se instituya, con cada consulta que se prevea, con cada DVD con instrucciones para aprender la misa preconciliar que se distribuya, con cada “derecho de los fieles” que se reconozca, la confusión y el extravío aumentarán cada vez mas.
 
El último eslabón de la cadena, la Instrucción Universæ Ecclesiæ, resulta prisionero de un problema estructuralmente insoluble: ¿cómo se puede “intruir” sobre una contradicción patente? Cuanto más se enseña, menos se entiende.
Si de improviso, y no sabemos todavía en base a qué principio jurídico o tradicional, un rito “que no está más vigente”, superado por la versión reformada de sí mismo, entra por arte de magia en vigor y pretende merecer el mismo respeto que aquello que, intencionalmente, lo ha enmendado, renovado y superado, todo sufre una especie de deformación irremediable.
Cuando se toma a los apegos y a la nostalgia como principio del ordenamiento eclesial, no se irá muy lejos.
 
En efecto, sobre la base de este punto de vista altamente problemático, cualquier sacerdote puede optar por celebrar la misa con la forma que prefiera, diciendo que la celebrará “en privado”. Muy instructivo: dos contradicciones individualistas superpuestas, no son más que una ironía de celebración y de identidad.
 
Por otro lado, cualquier grupo de fieles tiene el derecho a la celebración de la misa según el rito antiguo. Y ahora se dice, con la precisión de una eclesiología de supermercado o de cine multisala
que un “grupo estable” puede estar formado por un fiel de Bérgamo, otro de Vicenza, tres de Como y uno de Novara. Lo cual es muy instructivo sobre la naturaleza comunitaria de la Iglesia.
 
Es más, la lógica del modo “Extraordinario” es tan excepcional que, cuando choca con la realidad, tiene la fuerza suficiente para derogar la misma Ley. Porque cuando el Código de Derecho Canónico vigente es incompatible con las rúbricas del rito abolido… no hay problema alguno: se debe aplicar la Ley vigente en 1962, o sea el código de 1917… ¡que ya no rige hoy! No importa: es justo, en efecto, que al rito abolido le correspondan leyes que también lo están. ¿Hay algo que pueda ser más instructivo de la coherencia entre un rito y una ley ya abolidos?
 
Pero aún reconociendo que normalmente no hay ordenaciones celebradas en el rito extraordinario, aún así, en algunos casos una excepción es posible, y a alguien se le da la facultad de ordenar según el rito preconciliar.
¿Cómo puede no ser instructiva esta aclaración puntual, sobre las excepciones a la sacrosanta intangibilidad del rito ordinario?
 
Luego está la cuidadosa tipificación del “sacerdote” considerado “idóneo” para la celebración del rito abolido. Es cierto que deberá vérselas con el Latín, pero manejar las cinco declinaciones, y tener alguna experiencia de los paradigmas verbales son condición suficiente para cumplir los requisitos básicos, que “satis est – ya es mucho” para que la forma más formal esté a salvo y, por lo tanto, sea válida. Que sepa el rito en su estructura, se debe presumir en base a la “espontaneidad” con la cual el sacerdote lo solicita: aquí el efecto instructivo raya con una sutil y complaciente ironía.
 
Muchos detalles de la nueva Instrucción, de los cuales hemos citado sólo los más llamativos, ilustran bien la cadena interminable de paradojas –observadas con diversa preocupación- en las que se cae cuando se pierde el sentido de la realidad, y se toma el camino del ensueño, de la ilusión y de la mistificación.
 
¿Qué significa que ahora deberemos insertar, en el misal de 1962, nuevos santos y prefacios? ¿Cómo se puede pensar en reformar un rito que ya ha sido reformado, con todos los santos nuevos, nuevos prefacios, nuevas oraciones colectas, sobre las ofrendas y poscomunión, nuevas lecturas y nuevas plegarias eucarísticas? ¿Tenemos necesidad de agregar santos y prefacios al rito abolido en 1962? ¿Es que no estamos en 2011? ¿Nos hemos despertado de improviso de un sueño de 49 años? ¿Cómo no darse cuenta de que esta lucha en el vacío y con el vacío, sólo sirve para confundir y desperdiciar fuerzas y energías?
 
Luego de todo esto: ¿no nos estamos ocupando demasiado de estas quimeras sin futuro?
El rito de 1962 no está más vigente desde el momento en que el Papa Pablo VI aprobó su reforma. Desde este punto de vista, el rito romano está tradicionalmente vivo y floreciente dentro de la nueva forma. Mientras que la forma y el uso definido provisoriamente en 1962, por explícita declaración del Papa Juan XXIII, esta ahora superado, agotado, sin ninguna vigencia ni tradición. Cualquier tentativa de negar esta evidencia, produce ilusión, contradicción y desorientación.
 
La intención del Motu Proprio era solucionar las heridas del cisma lefevbriano. Luego de casi cuatro años, y con todo lo que ha sucedido desde el 2007 en adelante, podemos decir con seguridad: non expedit.
La instrucción dice, en cambio, que el Motu Proprio”ha hecho más accesible a la Iglesia universal la riqueza de la liturgia romana.” O sea, pretende desvincular el proveído de la justificación contingente que lo había motivado originalmente.
Se espera de una Instrucción que resuelva el problema –pero aquí no hay nada verdaderamente resuelto- no que haga teología especulativa –y aquí, por desgracia, nos atrevemos a hacerla con mucha facilidad.
 
La Cereza de la torta es el título: Universae Ecclesiae. La Iglesia Universal, en verdad, no está apasionada por los temas de esta Instrucción en la que no se ve reflejada.
En efecto, para hacerla participar, hubiera sido necesario incluírla al menos en el título. Propiamente debe decirse que las reivindicaciones del documento generan una iglesia Múltiple cuando no Controvertida.
La Comisión que redactó el texto se llama Ecclesia Dei, pero este nombre deriva del documento que le dio origen: “Ecclesia Dei afflicta”. Por desgracia, sólo aflicción y no reconciliación parecen provenir de esta infelicísima Instrucción.

(1) Fishwrap: Expresión usada en USA para referirse a un periódico que no cumple su cometido, y que sólo puede ser útil dando sus hojas para envolver pescado. Un blog tradicionalista, de habla inglesa, utiliza esta expresión para referirse a los blog’s progresistas.
Publicado por Página Católica

SOBRE O ENCONTRO DE ASSIS

                   



                                           
                          PEDRO, TU ME AMAS?
                                                Pe. Marcelo Tenório
Aproxima-se o chamado “Encontro de Assis”, no qual o Santo Padre Bento XVI se reunirá com vários líderes religiosos do mundo para juntos rezarem pela paz.
O primeiro encontro de Assis aconteceu em 27 de outubro de 1988, convocado pelo Papa João Paulo II. Lembro-me bem deste dia. Em minha diocese de origem, por determinação do bispo (mas acredito que a mesma coisa ocorreu em todo Brasil), todos os sinos, ao meio-dia, repicaram pelo entusiasmo e alegria desta iniciativa. Entusiasmo que foi-se diluindo ao se perceber, na verdade, o que acontecia em Assis: a consagração ecumênica e  inter-religiosa elevada a um grau sem precedentes. Este novo encontro quer comemorar os 25 anos daquele I Encontro.
Se muitos aplaudiram o gesto de João Paulo II, vendo nisso um ato de “fraternidade” universal, muitos outros, inclusive cardeais, se opuseram desde o início ao evento. Sabe-se que o próprio cardeal Ratzinger, prefeito do Santo Ofício, foi um dos que desaprovou, mas que depois, teve a dura tarefa de “teologizar” o que parecia estranho e ao mesmo tempo inédito: um Papa está rezando junto com cristãos, não cristãos, esotéricos e bruxos…, acontecimento sem precedentes na história.
O Santo Padre Pio XI, em 1928, já percebia o perigo desse humanismo crescente, que de fato não era de todo desconhecido. O Papa Pio X já o observara e já o condenara dando-lhe nome: Modernismo. Coube então a Pio XI, seguindo seu predecessor, condenar esses erros e essas tentativas, mais tarde defendidos por um grupo cada vez mais crescente, e escreveu a famosa Carta Encíclica “Mortalium Animos”, que vai verter justamente sobre o desejo do homem moderno por uma paz, uma fraternidade e um diálogo universal, que desemboca em reuniões ecumênicas entre pagãos e crentes. Ouçamo-lo:
“Ânsia Universal de Paz e Fraternidade
Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos. (…)
A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos
Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dessemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.
Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.
Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão. (…).” E ainda, continua o papa:
“…Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.
Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.” (M. A. I, II e III)
Uma das vozes que se levantou contra o Encontro de Assis, na época, foi a de Mons. Marcel Lefébvre: a Igreja nunca antes tinha sido humilhado de tal forma no curso de sua história… O escândalo dado às almas dos católicos não pode ser medido. A Igreja está abalada até os alicerces, disse o prelado.
A questão é que o Encontro de Assis pôs a Religião Verdadeira em pé de igualdade com as falsas religiões, o erro ao lado da Verdade; Pedro ao lado de Lutero; Deus ao lado do demônio. E isso, sem dúvida alguma, constituiu um “Escândalo sem precedência”.
Na leitura da paixão, que acabamos de refletir quando dos exercícios quaresmais, sobretudo na semana santa, deparamo-nos com a pergunta de Pilatos a Jesus: “O que é a Verdade?” – Pergunta que ficou sem a resposta do Salvador. Nada lhe disse, pois sabia Ele que Pilatos não buscava sinceramente a Verdade e por isso não fazia parte de seu rebanho: “Todo aquele que é da Verdade, ouve a minha voz.” (Jo.18, 37)
Mas o que é a Verdade? Ele mesmo nos responde: “Eu SOU!”
Na Santa Missa, antes do Pater Noster, o sacerdote reza, traçando três cruzes com o Santíssimo Corpo sob o precioso Sangue o “Per Ipsum, Et Cum Ipso, Et in Ipso…”; é a doxologia perfeita: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”. De forma que, tudo deve levar à Verdade sem a qual ninguém poderá se salvar: a Verdade Católica!
E o Encontro de Assis o que trouxe de bom? Nada! Pelo contrário, consagrou a idéia difundida, até em meios eclesiásticos, de que toda religião é boa… Não importa o que se professa, desde que faça o homem mais justo, humano e fraterno. Ora, isso é o puro humanismo do qual falava Pio XI, acima.
Teilhard de Chardin, arauto de teorias humanísticas e de uma cosmovisão inaudita, em 1948, ao Pe. Assistente do Superior Geral dos Jesuítas, escreve:
“Necessidade urgente para a fé cristã naquEle que está Lá-em-Cima  de incorporar a Neo-Fé humana em  um Lá-Adiante nascido (já nasceu, e para sempre…) da aparição  objetiva diante de nós de um Ultra-Humano (desencadeamento de um neo-Humanismo, que arrasta automaticamente um neo- Cristianismo). (Claude Cuénot, op, cit. pp. 327-328).
Percebe-se aqui, já nos tempos de Pio XII, que a corrente do humanismo, em seu grande expoente, o Pe. Teilhard de Chardin, movimentava-se na urgência de incorporar a Fé Cristã ao neo-humanismo, para assim desembocar numa religião do amor e da fraternidade cósmica, na qual o homem não seria mais submetido ao rigor da fé ou de uma moral rígida, insustentável, e incompreensível aos tempos modernos.
E ainda em carta a Leontine Zante, em 1936, Chardin escreve:
“Aquilo que domina crescentemente o meu interesse é o esforço para estabelecer dentro de mim mesmo e para difundir em torno de mim uma nova religião (chamemo-la, se você quiser, uma cristandade desenvolvida) na qual o Deus pessoal não seria mais o neolítico grande proprietário de terras dos tempos ultrapassados, mas a alma do mundo” (Apud Padre G.H. Duggan, S. M., The Collapse of the Church in the West – 1960-2000).
Em 19 de junho de 1960, o cardeal Montini, arcebispo de Milão, escrevendo sobre o Trabalho e o Cristianismo, falou sobre o advento de uma nova religião que em breve despontaria. A religião do amanhã seria, talvez, a Religião do Homem:
“O homem moderno não chegará, um dia, à medida que seus estudos científicos progredirem e descobrirem realidades escondidas atrás do rosto mudo da matéria, a prestar atenção à voz maravilhosa do Espírito que palpita nela? Não será a religião do amanhã? O próprio Einstein entreviu a espontaneidade de uma religião de hoje?…” (Discurso em 27 de Março 1960, apud Documentation Catholique, nº 133, 19 de junho de1960).
Já como Papa Paulo VI, o ex-cardeal Montini, pronuncia este discurso famoso, no encerramento do Concílio Vaticano II:
“… A Igreja do Concílio [Vaticano II] se ocupou bastante do homem, do homem tal qual ele se apresenta em nossa época, o homem vivo, o homem todo ocupado consigo mesmo, o homem que se faz centro de tudo aquilo que o interessa, mas que ousa ser o princípio e a razão última de toda a realidade… O humanismo laico e profano, enfim, apareceu na sua terrível estatura, e, em certo sentido, desafiou o Concílio. A religião de Deus que se fez homem encontrou-se com a religião do homem que se fez Deus.
Que aconteceu? Um choque, uma luta, um anátema? Isso poderia ter acontecido, mas isso não aconteceu. A antiga história do samaritano foi o modelo da espiritualidade do Concílio. Uma imensa simpatia o [o Concílio] investiu inteiramente. A descoberta das necessidades humanas absorveu a atenção deste Concílio. Reconhecei-lhe ao menos este mérito, ó vós humanistas modernos, que haveis renunciado à transcendência das coisas supremas, que saibais reconhecer o nosso novo humanismo: também nós, Nós, mais que qualquer outro, nós temos o culto do homem (Paulo VI, Discurso de Encerramento do Vaticano II, 7 de Dezembro de 1965).
E ainda:
“Que o mundo saiba que a Igreja o olha com uma profunda compreensão, com uma admiração verdadeira, sinceramente disposta, não a subjugá-lo, mas a servi-lo(29 Set 1963, após a 2ª sessão do Concílio).

“A Igreja aceita, reconhece, e serve ao mundo tal como ele se apresenta a ela atualmente.”
“Certamente, ouvimos falar da severidade dos Santos quanto aos males do mundo. Muitos ainda estão familiarizados com os livros de ascese, que contêm um julgamento globalmente negativo sobre a corrupção terrestre. Mas, também é certo que vivemos num clima espiritual diferente, e estamos sendo convidados, especialmente pelo presente Concílio, a lançar um olhar otimista sobre o mundo moderno, seus valores, conquistas… A célebre Constituição Gaudium Et Spes é, toda ela, encorajamento a essa nova atitude espiritual” (Doc.Cath. 21 Jul 1974, n.° 1658, pp. 60 e 61).
A partir de então, o clima era de fraternidade. Não mais anátema, não mais condenações, mas uma certa “simpatia” pelo homem que com sua religião própria se faz Deus.
Este é o verdadeiro espírito de Assis. A Igreja não é mais vista como a que detêm a Verdade plena, mas apenas e no mínimo uma entre tantas outras. De “Mãe e Mestra da Verdade”, de “Corpo Místico de Cristo”, passa a ser “servidora do homem”.
Em Assis o Papa ficará ao meio, visto que é o dono da casa, mas nada impede que, pelo espírito de comunhão universal, algum outro “guia” espiritual o convide para encontro semelhante. Lá ele não ficará no centro, não presidirá, será apenas um entre outros…
Pedro, tu me amas?”
Esta pergunta de Nosso Senhor a Pedro feita por três vezes quer ressaltar a grandiosa importância do Vigário de Cristo na terra. Do amor, que não é mero sentimento, mas querer. Pedro deve passar ao exercício de sua missão que é a confirmação na Fé de seus irmãos.
No original grego, esse texto nos apresenta algo muito particular e interessante. Dois verbos se contrapõem: o falado por Nosso Senhor em sua pergunta a Pedro e o usado por Pedro em sua resposta a Nosso Senhor.
“Pedro, tu me amas?” Jesus usa o verbo αγάπη, ágape, que significa um amor maior, um amor sacrifical, um amor que dá a vida.
“… Tu sabes que eu te amo” Na resposta de Pedro não se percebe o mesmo verbo de Jesus, mas um verbo inferior, correspondente a um simples “gostar”: γεύση.
Mesmo vacilante, é Simão o escolhido: “Apascenta as minhas ovelhas!”. Sabemos o significado da imposição do nome para um judeu. Nosso Senhor chama de Rocha, aquele que de nome e de fato era apenas um “caniço”: Tu és Pedro! – Eis o mistério que envolve a pedra sobre a qual a Igreja é edificada.
Mesmo vacilante, Pedro é a Pedra. Sabemos que todos os atos, gestos, colocações de um Papa não estão revestidos do caráter da Infalibilidade. Tornar infalível tudo o que ele faz e diz é não compreender a doutrina católica proferida solenemente no Concílio Vaticano I, quando da proclamação do dogma da infalibilidade papal. Deve-se entender bem quando o Vigário de Cristo, pelo uso de seu Múnus pleno, supremo e universal, define de forma infalível uma doutrina. Na história da Igreja temos muitos exemplos disso. O papa Libério não se fez “rocha”, mas “caniço”, quando favoreceu à heresia Ariana. O grande Pio IX, no início de seu reinado favoreceu aos liberais, chegando a nomear um primeiro ministro para a Itália nada católico, sendo aplaudido pela maçonaria em todo mundo, entretanto proclamou ele o Dogma da Imaculada Conceição o da Infalibilidade papal, além de escrever o Syllabus. S. Pio X, por sua vez, deixou-se enganar pelo movimento de Sillon, de Marc Sangnier; recomendou que os bispos da França abrissem-lhes as portas, mas depois, percebendo os erros, o condenou severamente (Carta Apostólica Notre Charge Apostolique, Pio X).
Mas tudo isso não tira do papa o que ele é: A rocha.
No mundo inteiro, católicos têm suplicado ao Santo Padre que não vá a Assis. Com filial devoção, esperam que Bento XVI tome um caminho diferente. Que nos confirme na fé. Um filho pode colocar-se diante do pai até para discordar de suas atitudes. São Bento ensina na Sta. Regra que o Abade deve está atento aos mais novos, porque às vezes Deus serve-se deles para exortar. Santa Catarina de Sena, humildemente, suplica ao papa que retorne a Roma, onde é o seu lugar.
Desprovido da santidade de Catarina de Sena e de sua grandíssima humildade, uno-me a todos os fiéis e sacerdotes que, compreendendo, o perigo do Encontro de Assis, roga ao Papa: “Santo Padre, não vá a Assis, confirma-nos na Fé!”
E que Fé é esta? A mesma que nos foi dada por Nosso Senhor e transmitida até nós pelos apóstolos. A Fé pela qual os mártires derramaram seu sangue, os doutores ensinaram, os missionários anunciaram… A Fé de sempre que brilha na Igreja de todos os tempos como luz que não conhece ocaso. A Fé como ensina o Credo dos Apóstolos; a Fé como proclamada por Santo Atanásio no Quocunque:
“Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade…”
Não se pode julgar as intenções de João Paulo II, como não nos atrevemos a julgar as intenções de Bento XVI com esse novo encontro de Assis. O fato é que o Encontro de Assis criou problemas graves à unidade da Fé, bem como à unidade litúrgica e disciplina eclesiástica, todavia, mais grave são os maus frutos que vão do escândalo à blasfêmia, como ocorreu e foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Chegou-se ao cúmulo de se colocar uma imagem de Buda em cima do altar onde repousam as relíquias de S. Vitorino, morto 400 anos depois de Cristo por testemunhar a Fé, para ser reverenciada pelos budistas ali presentes… Soube ainda, e de fontes seguras, que, após o encontro, conscientes da profanação que ali acontecera, devido ao uso dos altares por cada seita, a basílica teria sido, às portas fechadas, re-consagrada durante a noite.
O que se busca nesse encontro? A Paz. No primeiro encontro de Assis, realizado na frente da porciúncula, via-se a palavra paz em todas as línguas. Todos se reuniram para pedir aos seus “deuses” a Paz. Digo “a seus deuses”, porque o conceito, a idéia de Deus é bem diferente nas religiões e seitas existentes. O que seria, então, Deus para os hinduístas, brahmistas, hare krishna e todos os outros nomes estranhos e difíceis de se pronunciar? Certamente não é o mesmo Deus Uno e Trino, do cristianismo católico.
Na Dominus Iesus, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, escrita pelo próprio cardeal Ratzinger, acolhida com entusiasmo por uns e desprezo por outros, lemos coisas “bem católicas”, e que por muito tempo já não se dizia nem se defendia mais. Não que se negasse, de frente, o dogma “Fora da Igreja não há Salvação”, mas ou se esquecia de ensinar, em nome de uma fraternidade sem fronteiras, ou se dava uma nova interpretação mais moderna e menos católica.
Pude escutar muitos “famosos” teólogos doutores, aqui no Brasil, desdenhando a Dominus Iesus. Estive presente num encontro para padres e seminaristas onde o teólogo-doutor, além de menosprezar o documento, orientava que se jogasse na gaveta.
Percebe-se, claramente, uma dissonância entre o que se ler aqui e a prática do encontro de Assis que iguala todas as religiões e, se as religiões são igualadas, deve-se crer, a partir daí, que já não há uma objetividade na Verdade, mas um relativismo que deve permear o crer (a Fé), o celebrar (o culto), o agir (a Moralidade dos atos).
Em 25 de janeiro de 2002, entusiasmado com o sucesso do II encontro de Assis, Pe. Vicenzo Coli, superior do convento de S. Francisco, fez a seguinte proposta: “que Assis possa promover um encontro anual para celebrar o sagrado ser humano” (Folha de S. Paulo, Cad.A, pg A-11, de 25/01/02).
Claro, a expressão usada pelo Pe. Coli é o resumo de tudo para onde caminha Assis: ao pantheon, onde o culto do homem possui também o seu altar.
Pergunta-se: por que um papa como Bento XVI, que sabe-se não ter desejado o I encontro de Assis, e de ter feito o que pôde para que o II encontro, realizado em 24 de janeiro de 2002, não parecesse tão escandaloso como o primeiro, resolveu convocar o III Encontro de Assis? Possuidor de uma invejável inteligência, reconhecida até por seus inimigos, como cardeal constatou tudo o que aconteceu nos arredores de Assis e na Igreja inteira, depois disso.
O professor Dr. Peter Beverhaus, emérito em missiologia e teologia ecumênica na Faculdade de Tubinger, na Alemanha, a mesma onde o Card. Ratzinger ensinava, recebeu uma mensagem pessoal do Santo Padre, na qual o Pontífice tratava de Assis. Nela há uma insinuação de que ele, Bento XVI, não foi o promotor deste III evento. Vejamos:
“Pode-se deduzir da carta que a iniciativa deste evento de aniversário, que, de fato, ele considerou necessário, aparentemente não partiu dele. Ele, no entanto, comparecerá e, como escreve literalmente, ‘tentará determinar a direção como um todo e fazer tudo [que estiver a seu alcance] para impossibilitar uma explicação sincretista ou relativista do acontecimento’. Ele explicitamente me autorizou a tornar pública esta sua opinião, mas pediu para deixar claro que eu confio que o Papa permanece firme naquilo que ele é chamado por conta de sua função — isto é, fortalecer seus irmãos na fé em Jesus Cristo como único Filho de Deus e Redentor e confessá-Lo inequivocamente (Em Kirchliche Umschau, abril 2011, fonte: Rorate Caeli).
Rezemos pelo Santo Padre mais ainda, para que cumprindo sua missão possa, sem hesitar,  golpear o liberalismo em seu âmago e assim responder – até com o martírio, se for preciso – intrepidamente, sem vacilar, mas com heróica firmeza:
“Senhor, tu sabes tudo de mim. Tu sabes que eu te amo!”




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Os grifos são nossos

E O PADRE SE FOI



E o padre se foi…
Para os muros rochosos e protegidos do Castelo à prova de modernismos e, parece-me até, de pecado original.
Embaixo, os outros, poucos ainda, que lutam, que sofrem, que caem, por vezes feridos, mas que abrem o peito na batalha que parece infinda.
Em cima, tranquilamente, entre ovelhas e verdes pastagens, o padre reza tranquilamente seu Breviarium Romanum (Romanum?) ao vento “puríssimo da ortodoxia”, bem longe das heresias modernas.
Enfim, a segurança; enfim, os ombros livres de cargas-pesadas. E, na leveza do corpo, ele reza.
Terceira queda! Jesus cai com o rosto em terra pelo peso da cruz. Nada de leveza em seus ombros quase que expostos pelo peso do madeiro.
Para isso foi feito o padre. Para isso foi feito o cristão: “jamais finda, é constante esta guerra. É herança dos filhos de Adão”.
Por causa da rima as vezes se perde o tom. Por isso não é bom “rimar”. O romantismo rima com isso e com aquilo e também poderei ser acusado de romântico modernista, de péssima formação.
Certa vez aconteceu que pessoas apreciadoras de castelos também chegaram do lado de cá.
Queriam a Missa. Queriam sacramentos, sobretudo batismos. Depois nem sequer um “muito-obrigado”.
Queriam bênçãos e mais bênçãos e, ao subirem ao Castelo, já não prestava mais nada. Já não era católico mais nada. Só eles.
O papa não era católico. O bispo não era católico. O padre? Piorou! Esse era caótico.
Engraçado. Disse o padre que fugiu para o Castelo que aqui tem grupos que fazem padres de máquinas sacramentais, pois, pois!…
Vozes, vozes e vozes!
Vozes de cá e vozes de lá.
Escutei vozes por aqui que gritavam: “Viva o Papa!”
E as de lá: “Há um Papa em Roma?”
As daqui: “Tu és Pedro!”
As de lá: “O volante é nosso!” (e os tribunais, também!)
Vozes que precisam ser ouvidas, bem ouvidas…
Mais que isso: Com-pre-en-di-das.
Uma voz que já se extinguiu e que gostava de dizer, por aqui, e de ensinar acolá: “O clero sempre à frente!”. E isso não o fazia anti-clero ou anti-papa, fazia-o Católico.
Pois bem, no Castelo se encontra o Padre. Um padre privado. Deve refazer tudo, adaptar-se, purificar-se e se mostrar digno de receber o selo de qualidade total!
O castelo, a cada dia, parece crescer para cima, como o pé-de-feijão do João.
Um dia houve uma torre parecida que cresceu tanto, que tornou-se orgulhosa tanto, que foi confundida tanto. E, portanto, já não se escuta dela, tanto…
Tenho pena do padre que foi para o castelo. Lá é tão alto e, o pior, não está fincado na Rocha. Pode desmoronar como outros castelos. Os de areia…
E não venham me dizer que estou em pecado mortal por isso.
Mortal é não enxergar, mesmo vendo.
Mortal é afastar-se deliberadamente da Rocha que é Pedro e, inchando-se de orgulho, querer tomar as suas chaves.
Mortal é ter a terrível presunção de que virá do castelo a salvação de tudo, quando na verdade esse mesmo castelo nada será sem fincar-se na Rocha que é Pedro, que é Bento XVI, que será sempre Cristo.



Pe. Marcélo Tenório

BENTO XVI E A ESPERANÇA

 
Alberto Luiz Zucchi

O recente noticiário a respeito da publicação possível e provável de uma Instrução da Comissão Ecclesia Dei a respeito do Summorum Pontificum deu novo alento à onda de comentários sobre a atuação do Papa Bento XVI. Esta discussão já havia tomado os ambientes chamados de tradicionais, especialmente os da Internet apesar desta não ser tão tradicional, desde o anuncio de uma nova jornada de Assis.
A leitura de muitos dos comentários me trouxe saudades do nosso Professor Orlando Fedeli (que, depois de tantos anos, nos acostumamos a chamar simplesmente de o Professor) .
Recordei-me de quando ele se referia a um fato do Antigo Testamento no qual um israelita vendo que a Arca da Aliança parecia tombar tentou segurá-la. No mesmo instante foi fulminado e morreu, porque era proibido tocar na Arca. Contava-nos o Professor que São Tomás ensina que este homem não cometeu pecado, mas com este fato Deus quis mostrar que os homens precisam ter confiança nele e mesmo quando parece que a Igreja “vai cair” não é permitido tomar iniciativas que são reservadas ao Clero. É necessário ter esperança na Providência.
Deus de nós exige confiança. Os apóstolos acordaram Nosso Senhor no meio de uma tempestade no mar, com medo de que o barco afundasse. Eles pediam um milagre e acreditavam que Nosso Senhor poderia fazê-lo, mas apesar disto eles foram repreendidos: “homens de pouca fé”. Não tiveram paciência de esperar o momento adequado que só Nosso Senhor conhecia.
Assim, em nossos dias, parece que muitos gritam contra o Papa na esperança de acordar Nosso Senhor, e parecem não ver que ainda dormindo ele pode agir, mesmo através de um Papa que outrora tenha sido um grande modernista. Um claro exemplo de querer “segurar a Arca” pode-se ver na absurda ampliação do chamado “estado de necessidade” que permitiu a alguns a criação de tribunais religiosos paralelos à autoridade papal, que se permitem declarar a nulidade matrimonial. E não duvido que, no futuro, possa ser a justificativa até para a criação de institutos religiosos e dioceses.
De fato o Professor tinha muita esperança de que Bento XVI seja o Papa que, de acordo com um dos sonhos de Dom Bosco, após uma grande luta, traria de volta a barca da Igreja para amarrá-la junto às colunas da Eucaristia e de Nossa Senhora. Isto não significa dizer que o Professor apoiasse todas as iniciativas do Papa. Ele jamais apoiaria o encontro de Assis,  e certamente não estaria de acordo com qualquer restrição à Missa Antiga. Mas certamente o Professor não esteve e não estaria entre aqueles que pretendem segurar a “Arca”.
O que levava o Professor a ter esta esperança em Bento XVI?
Creio eu que uma primeira razão pode ser encontrada na própria vida do Professor.
Não conheci ninguém que tivesse sido um instrumento de Deus, como foi o Professor, para operar tantas e tão profundas conversões. Digo instrumento porque ele foi o meio que Deus utilizou para realizar essas conversões. O próprio Professor não se cansava de repetir isto. Assim, o Professor sempre tinha esperança nas conversões mais difíceis e muitas vezes elas aconteciam. Desta forma, o fato de Bento XVI ter sido um teólogo modernista, de maneira nenhuma se constituía em um impeditivo para que o Professor acreditasse em uma possível mudança de posição. Talvez seja a falta da experiência de ter realizado coisas aparentemente impossíveis, a razão por que muitos não acreditam que Bento XVI possa ser o Papa que, de forma vacilante e cambaleante, como na visão de Fátima, esteja a caminho de uma montanha encimada por uma cruz.  Como exemplo podemos citar o Sr. Sidney Silveira, que declara concordar em muitos pontos com o Professor, mas discordar dele neste assunto. Assim, nesse aspecto – só nesse aspecto! –  ele se posiciona  mais próximo das opiniões de representantes da Fraternidade São Pio X.
Mas, o Professor citava outras e mais importantes razões para se ter esperança em Bento XVI, sempre lembrando que, segundo outro sonho de Dom Bosco, o tempo de afastamento da Cidade Santa é o mesmo tempo que demoraria para o retorno.
Uma destas razões é o ódio dos progressistas. Em suas aulas, contava o Professor que durante o Vaticano I um bispo velho e surdo, mas com uma doutrina muito correta se manifestava ora aplaudindo, ora protestando contra os discursos que eram feitos pelos Bispos. Alguém então o questionou como ele sabia de que forma se manifestar se era surdo. Ele então respondeu “é muito simples eu olho monsenhor Dupanloup, quando ele aplaude, eu critico, quando ele critica, eu aplaudo”. Assim, Bento XVI é muito criticado pelos modernistas e, portanto, é nossa obrigação aplaudi-lo sempre que possível. Quantas traições por parte dos modernistas não tem Bento XVI sofrido? Basta lembrar do padre Lombardi, seu porta voz, desmentido o Papa em tantas ocasiões.
Providencialmente, enquanto revisava este artigo apareceu em um site de importância nacional, com destaque, um artigo criticando o Papa:
“Os leitores mais atentos e fiéis do Balaio já sabem que não simpatizo muito com o papa Bento 16, o ultra conservador líder religioso alemão que está fazendo de tudo para esvaziar os templos da Igreja Católica”.
O autor é um esquerdista, cuja fraqueza intelectual e  parcialidade me dispensam de citá-lo nominalmente, mas vale a pena perguntar quando foi a última vez que a esquerda chamou um Papa de “ultra conservador”? Talvez tivéssemos que voltar aos tempos de São Pio X…
O ódio que setores progressistas demonstram a Bento XVI só é comparável à raiva que alguns setores tradicionalistas têm ao mesmo Papa. Assim os sedevacantistas se espalham como nunca, apesar de ser inegável que nenhum papa, desde o Concílio Vaticano II, tenha feito tanto pela Missa Antiga como Bento XVI. Apesar de todas as vantagens que obtivemos durante o reinado de Bento XVI, esses setores cada vez mais radicalizam sua oposição ao Papa, e nos dias de hoje já temos os “eclesiovacantistas”: segundo estes, não só a Sé de Pedro é vacante, mas não existem mais bispos no mundo todo ou nem mesmo um clero visível. Como ensina São Tomás, a “forma” de uma sociedade é dada pela  sua autoridade. Os sedevancantistas destroem a autoridade do Papado, pois acreditam que têm direito de destituí-lo. Ao fazer isto, para eles, a Igreja  perde sua “forma”.
De forma contrária, é curioso como alguns dos chamados tradicionalistas esquecem do bem feito por Bento XVI e somente ressaltam as suas falhas. Mas quando se trata de seus próprios grupos, agem de maneira diversa. Veja-se, por exemplo, o caso de Dom Williamson. Quanto mal não fizeram suas declarações exatamente no momento em que o Papa preparava o levantamento das excomunhões dos Bispos da Fraternidade? Quando ainda tínhamos contato com o Padre Beauvais, na época o superior da FSSPX para a América do Sul, ele comentou que existiam até padres gnósticos na Fraternidade. Nada disto é lembrado, os simpatizantes da FSSPX somente ressaltam as suas próprias atividades em favor da Missa Antiga, o que é sem dúvida um trabalho excelente.

Também foi a atuação de Bento XVI no caso da Missa que levou o Professor, e leva a nós hoje, a termos esperança neste Papa, assim como nos dá a convicção de que um retorno encontra-se em curso. E nesse caso basta lembrarmos o Motu Proprio Summorum Pontificumsobre a liturgia tridentina. Lembro-me do tempo em que os Padres em São Paulo se recusavam sequer a falar sobre a Missa Antiga. Hoje, somente na cidade de São Paulo, sem contar as cidades vizinhas, são ao menos cinco lugares onde essa Missa pode ser assistida de forma pública. E só não temos mais locais porque é difícil encontrarmos padres que estejam dispostos a celebrá-la, e não porque haja qualquer impedimento de Roma. Ademais, a afirmação de que a Missa Antiga nunca foi proibida nos tirou da posição de desobedientes, e colocou nesta situação todos aqueles que se recusaram em atender, no passado, a nossos pedidos, justificando assim o nosso trabalho de anos e transformando em um ato ilegal toda a perseguição que sofremos por causa da Missa.
Outro ponto que deixa claro este retorno foi a criação do IBP. Um Instituto que tem como rito exclusivo o missal de 1962 e que deve fazer criticas construtivas ao Vaticano II, deixa claro a todos que o Vaticano II não é um concílio infalível e que se pode pertencer a Igreja Católica sem assistir à Missa Nova. É uma pena que tantos daqueles que se atribuem um papel importante na luta pela “tradição” lhe façam tanta oposição.
Convivi trinta e oito anos com o Professor. Será que, apesar de ter um temperamento tão diferente do dele, este convívio também teria me transformado em um otimista? Mais do que todos os fatos citados anteriormente, nossa esperança, do Professor e a minha, está em que, apesar de todas as misérias humanas, inclusive as nossas, jamais deixamos de acreditar na Igreja. Isto significa acreditar na promessa de Cristo a Ela: “as portas do inferno não prevalecerão contra ti”. São Pio X na encíclica  Vehementer Nos, lamentando a lei francesa que determinou a separação entre a Igreja e o Estado, profetizou que a lei acarretaria prejuízos para a Igreja e para a França, acrescentando, entretanto, que sua preocupação com a França era muito maior do que com a Igreja, pois a promessa de perenidade feita por Cristo se dirigiu à Igreja e não à França. Também nós, apesar de nos preocuparmos com a situação da Igreja, devemos estar muito mais atentos com nossas próprias fraquezas, pois a promessa de Cristo foi feita para a Igreja e não para a Montfort ou para FSSPX. Assim, é somente na Igreja que repousa nossa esperança.
Que Nossa Senhora de Fátima nos ajude a manter a fé apesar de ver que a “Arca” está prestes a tombar. Que não tenhamos a ousadia de tocá-la, e que continuemos acreditando que Nosso Senhor, mesmo dormindo, move os céus e a terra, e também pode mover o Papa, que sempre foi e continua sendo o seu representante.

http://noticias-catolicas1.blogspot.com/2011/03/bento-xvi-e-esperanca.html
 

O ATANÁSIO BRASILEIRO

A morte do Atanásio brasileiro
(o Bispo Emérito de Anápolis, Dom Manoel Pestana Filho)
Atanásio significa imortal. É o nome do Bispo de Alexandria, Doutor da Igreja (300-373), que se destacou na defesa da divindade de Cristo, professada pelo Concílio de Niceia (325) contra a heresia do presbítero Ário, que reduzia Cristo a uma criatura de Deus. A firmeza doutrinal de Santo Atanásio custou-lhe a perseguição dos arianos por toda a vida. Por cinco vezes foi obrigado a abandonar sua cidade, transcorrendo 17 anos no exílio e sofrendo pela fé.
* * *
No início de 1988 (provavelmente em fevereiro), o monge Dom Marcos Barbosa, do Mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro) irradiava em seu programa Encontro Marcado (Rádio Jornal do Brasil) uma pequena palestra intitulada “Um novo Atanásio”. Eram tempos difíceis aqueles. A “teologia da libertação” marxista tinha o apoio de vários bispos. Leonardo Boff era defendido contra o Papa João Paulo II, que lhe impusera silêncio por causa da obstinação em seus erros teológicos.
Dom Marcos Barbosa, ao afirmar que a CNBB não era mais confiável “por estar criando uma Igreja paralela (sic)”, fazia uma ressalva de vários bispos fiéis, entre os quais Dom Eugênio Sales (Rio de Janeiro), Dom Luciano Cabral Duarte (Aracaju), Dom José Freire Falcão (Brasília), Dom José Veloso (Petrópolis), Dom Boaventura Kloppenburg (Novo Hamburgo) e Dom Lucas Moreira Neves (Salvador)[1]. O herói da crônica, porém, era o Bispo de Anápolis, Dom Manoel Pestana Filho, em quem o monge beneditino descobrira “a ortodoxia e a fibra de um novo Atanásio”.
Leia-se o trecho da seguinte carta (citada por Dom Marcos Barbosa) de 20 de janeiro de 1988 enviada por Dom Pestana ao presidente da CNBB Dom Luciano Mendes de Almeida:
 “Creio que já ultrapassamos os limites do tolerável. Nem mais seríamos canes non valentes latrare[2], responsáveis diante de Deus e da Igreja pelas inimagináveis consequências do nosso silêncio no meio do sofrido povo de Deus, se, estupidificados pelo engodo da ‘unidade’, continuássemos engolindo a infidelidade e apostasia que escorrem do alto. Não é apenas a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, por alguma fenda oculta, como lamentava o Santo Padre Paulo VI: é, transpondo triunfalmente os portões, o diabo inteiro, presente nos mais altos postos, através de seus fiéis seguidores.
Um Cardeal, que depois de comunicar que nem tomaria conhecimento da passagem da imagem de Fátima pela sua Arquidiocese, pronuncia-se, na televisão, a favor da abolição do celibato eclesiástico – ou melhor, declara-o contra o direito – e defende o homossexualismo; a CNBB que assume oficialmente, para espanto dos Constituintes que ainda respeitam a Igreja, a posição do sinistro Frei Betto pela despenalização do aborto, como em vão propugnou Dom Cândido Padim em Itaici, na Comissão da Constituição e em plenário; a imposição prática de um texto da Campanha da Fraternidade, complementado pelo que a AEC, avançando ainda mais, preparou para os pobres colégios católicos, em que não sobra nem fraternidade nem fé; os cursos de lavagem cerebral para Bispos que, apenas transferidos de Itaici para o Embu, são agora apresentados como ‘cursos para bispos novos’ – e V. Exa. sabe muito bem quais são os seus organizadores e professores – TUDO ISSO claramente indica que o caminho que estamos seguindo não leva a Jerusalém nem muito menos a Roma: vai direto a Sodoma e Gomorra, que já não estão muito longe.
Revendo, para um curso de férias, as peripécias do Arianismo, Nestorianismo e Monofisitismo, pus-me a refletir no acerto de Franklin: ‘Não me importa o que hoje pensam de mim, mas o que dirão de mim daqui a cem anos’… E assusta-me a responsabilidade perante o presente e principalmente o futuro, que vamos alegre e levianamente assumindo”.
Em 19 de fevereiro de 1988, Dom Pestana enviou nova carta a Dom Luciano (citada por Dom Marcos Barbosa no mesmo programa):
 “Agradecendo-lhe o envio de parabéns e a garantia de orações pelo aniversário de minha consagração episcopal, peço-lhe a caridade de ouvir-me ainda uma vez.
A situação eclesial brasileira se deteriora a olhos vistos, dia a dia. Lembra-me o espantoso processo de autodemolição de que falava Paulo VI. Um incrível masoquismo estéril e suicida, com graves danos para o Reino de Deus. O Sr. tem uma posição privilegiada nesse contexto. Pelo amor de Deus, pare um pouco. A velocidade embriaga. E há gente demais ligada ao seu desempenho.
Não se pode mais aceitar como conselheiros e mestres nas Assembleias da CNBB, muito menos como representantes da CNBB na Constituinte, tipos como Plínio da Arruda Sampaio, que vota pelo aborto e pelo divórcio; ou Hélio Bicudo que, conhecido por posições opostas aos princípios cristãos, ameaça de público levar o Papa ao Tribunal de Haia; ou outros confessadamente trotskistas (já os tivemos em Itaici), marxistas, etc, como, em livro, acaba de confirmar antigo assessor da Conferência.
Seria bem mais vantajoso desligar-me, acomodado, se a paralisia não fosse consciente e dolorosa. Veja nisto, desajeitada que pareça, a contribuição que posso oferecer para que a situação, que nos querem fazer irreversível, seja superada energicamente, enquanto é tempo.
Sei que muitos não creem em Fátima. Problema deles. Entretanto, o que vem acontecendo, ademais da atitude do Magistério eclesiástico autêntico, me leva a confiar, apreensivo, na Senhora da Mensagem, como chamou João Paulo II. E muita coisa diz respeito ao que agora se está vendo…”
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A fama do Atanásio brasileiro chegou até o Rio de Janeiro, em cujo seminário eu estudava. Atraído por ele – assim como tantos outros de toda parte do Brasil e do mundo – transferi-me para a Diocese de Anápolis (GO), onde terminei meus estudos. Recebi de suas mãos a ordem sacerdotal em 31 de maio de 1992, festa da Visitação de Maria a Isabel (o encontro de duas mães com seus bebês no ventre).
Estaria, porém, totalmente enganado quem pensasse que Dom Pestana era irascível, autoritário e intolerante. Ao contrário, a mansidão, a simplicidade e o bom humor eram constantes em sua fisionomia. De espírito aberto, contentava-se com a unidade, mas não exigia a uniformidade. Dava-se bem com os mais diversos movimentos, inclusive com a Renovação Carismática Católica. Dizia frequentemente: “Não devemos apagar a mecha que ainda fumega” (cf. Is 42,3; Mt 12,20). Habitualmente celebrava a Missa de Paulo VI (Novus Ordo Missae), mas não se importava se algum sacerdote quisesse usar a forma extraordinária (Missa de São Pio V). Em sua prática pastoral, adotava o lema do grande reformador São Carlos Borromeu: “omnia videre, multa tolerare, pauca corrigere” (ver todas as coisas, tolerar muitas, corrigir poucas). Se nas cartas acima, ele se mostrou tão inflamado, foi porque – conforme dissera – já haviam sido ultrapassados “os limites do tolerável”. O escândalo causava nele – como em Jesus – uma santa cólera. Podia dizer com São Paulo: “Quem é escandalizado, que eu não me inflame?” (2Cor 11,29). Seu amor aos pequeninos fazia com que ele se consumisse de indignação contra o aborto. Rezava continuamente “pela inocência das crianças, pela pureza dos jovens e pela santidade das famílias”. Na esteira do Concílio Vaticano II, que chamou o aborto de “crime abominável[3], Dom Pestana cunhou a jaculatória: “Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto”.
Sua militância pró-vida foi ao ponto de participar de uma “operação resgate” em frente a uma clínica de abortos em Nova Orleans (EUA). Em 1989, após a visita a Anápolis do grande Mons. Ney Sá Earp (coordenador do Movimento em Defesa da Vida do Rio de Janeiro) acompanhado de um grupo de militantes da Human Life International (Vida Humana Internacional), fundou o Pró-Vida de Anápolis, que se tornaria, no dizer de seu sucessor Dom João Wilk, “referência nas ações de defesa da vida e da dignidade da pessoa humana”[4]. Mesmo após o seu longo episcopado à frente de Anápolis (1979-2004), já como Bispo Emérito, Dom Pestana não se cansava de se dedicar à causa pró-vida. Em 11 de agosto de 2010, pressentindo a proximidade da própria morte e o perigo iminente de um terceiro governo petista, escreveu um apelo ardente aos Bispos, que circulou pela Internet:
“Caros irmãos no Episcopado,
Suportem-me, que o menor dos irmãos lhes possa dirigir uma palavrinha amiga, mas angustiada de quem se prepara, temeroso, para partir.
Pelo amor de Deus! Estamos diante de uma situação humanamente irreversível. A América Latina, outrora “Continente da Esperança”, como a saudava João Paulo II, hoje mergulha na antecâmara do terrorismo vermelho, aliás, como prenunciava aos pastorinhos de Fátima a Senhora do Rosário.
Podem parecer, a essa altura, resquícios de uma idade de trevas, mas tudo acontece como se ouviu em dezembro de 1917 (“a Rússia comunista espalhará seus erros pelo mundo, com perseguições à Igreja, etc.”). Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos.
Horroriza-me a frieza com que olhamos tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, alem disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?
Perdoem-me, mas não poderia deixar de falar, sem me sentir infiel à minha consciência e à minha Igreja.
Parabéns a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e a Dom Henrique Soares da Costa”.
O apelo de Dom Pestana não ficou sem frutos. Uma reação inédita contra o aborto surgiu de vários Bispos brasileiros. Não, porém, suficiente para impedir a eleição da candidata do PT. Angustiado pela vitória de Dilma Rousseff, Dom Pestana ainda encontrou forças para enviar-me uma mensagem de ânimo no dia 17 de novembro de 2010:
“Carissimo Pe Lodi:
Deus Nosso Senhor o abençoe sempre; Nossa Senhora o acompanhe e defenda a cada momento, para não nos vermos privados da sua lucidez e coragem.
O seu pronunciamento acerca do O poder da oração e uma vitoria da cultura da morte representa um estimulo para aqueles que sabem que uma batalha perdida não é uma guerra desperdiçada.
Quando se luta por Deus, a nossa fé não pode vacilar.
Cristo garantiu-nos que os poderes da morte do pecado não hão de vencer, e o Senhor nos pede não a vitória, mas a luta.
Ai daqueles que vacilam e baixam a guarda!
É aí que os inimigos avançam.
Muito obrigado pelo seu testemunho de verdadeiro apóstolo.
Continuamos rezando: é a nossa força”.
No dia 8 de janeiro de 2011, Dom Pestana faleceu em Santos (SP), sua terra natal, aonde tinha vindo visitar seus parentes e amigos, vítima de um enfarto do miocárdio. Entre os 84 padres por ele ordenados, um já é bispo e curiosamente se chama Atanásio: É Dom Atanásio Schneider, Bispo auxiliar em Karaganda, Casaquistão.
A morte de Dom Pestana foi o coroamento de sua missão pró-vida. Afinal, “se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto” (Jo 12,24). Ele morreu como vítima, oferecida com Cristo em nosso favor. Agora, ganhamos um intercessor junto ao Pai. Enquanto seu corpo, sepultado na Catedral do Bom Jesus em Anápolis, aguarda a ressurreição, desde já experimentamos os frutos imortais de sua caridade.
Anápolis, 8 de fevereiro de 2011.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis