TERCEIRO DE TRÊS: O ABORTO E O CULTO SATÂNICO OU A NEW WORD WORDER

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Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

À guisa de introdução não sou exorcista. Nem demonólogo. Analista político, investidor da Bolsa ou sionista. Mas como fui o vencedor entre bilhões; entre milhões recebi o Selo fluído concedendo-me nada menos que a condição de um filho de Deus, confirmado, entre outros milhões mais, com outro Selo, invisível, mas mais indelével que as marcas visíveis dos pagãos em seus corpos; como ao longo de algumas décadas, entre centenas de milhares logrei escapar às cotidianas possibilidades de morte com as quais nos deparamos sem que nos demos conta; como, por fim, me foi concedida alguma medida de inteligência e certas condições de alimentá-la: mais que um direito, é um dever que se me impõe falar contra a morte (a má, porque a exemplo do colesterol, também há uma boa). Isto posto, vamos ao que interessa.

7 dias. E falamos sobre o Aborto sob sua mórbida causa principal, a Gnose ou o pensamento gnóstico, recordando que “No primeiro (de três) abordei o Limbo como uma das possíveis causas-consequências sobrenaturais para o Aborto institucionalizado”1. Após, sob um aspecto digamos mais natural, “o que move este ato, sua legalização ilegal e a adesão por parte de pessoas cuja defesa da vida deveria vir umbilicalmente ligada à função que exercem. Também o contexto em que se insere, o da Cultura da morte”2. Aqui, tentarei pôr fim à thanata3 tríade falando em autorias, intensões e consequências. Quiçá se encerrassem com ela os casos de aborto, mas esta é nada além de uma leda esperança…

Permitam-me então iniciar este fim de tríade com um elemento comum a todas: o sangue. No momento em que escrevo estas linhas um milenar sangue em estado sólido que deveria tornar-se líquido neste 16 de dezembro de 2016 não o fez4: permaneceu endurecido. Como a dura face divina em ocasiões de contumaz teimosia, desobediência e indiferença humanas. Para aprendermos a não negligenciar nosso Pai do Céu que, como modelo de nossos pais terrenos (os que ainda fazem jus a esta palavra), castiga. Para aprendermos que o castigo divino se dá menos de forma ativa como passiva: soltando-nos as mãos. Para aprendermos a não derramar sangue inocente. Daí que pelo sangue endurecido do santo mártir é provável que em breve muito sangue liquidamente vá rolar, sendo muitos os liquidados a exemplo das outras vezes em que o santo sangue não se

liquefez. Infeliz destino de tantos surdos, cegos e mudos aos apelos do Amor. É que o aborto, um dos desencadeadores da ira divina e novamente em voga, envolve também o amor, ainda que sob a forma de rejeição.

É fato que desde o primeiro fratricídio da história o homem imola o homem sobre o altar da soberba, da inveja e do ódio. Assim, o sangue de Abel se torna o primeiro de milhões a encher, gota a gota a ensandecida e insaciável taça colérica dos homens. Mas ela não será a única. Uma outra taça de cólera se enche em medida inimaginável com o sangue inocente, e esta é a taça da justiça divina. O Apocalipse revela a força deste sangue no clamor por justiça – e mesmo por vingança – porque o Gênesis já lhe autorizava. E a propósito do Apocalipse se diz que Chesterton5 dizia que para ficarmos por dentro das últimas notícias bastava com abrir este livro sagrado. Concedamos-lhe ainda esta vez a razão. Com base nessa afirmativa e seguindo o conselho de Cristo é bom que comecemos a dar mais atenção, à luz da Tradição, a esta divina Revelação como “lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações” (1 Pe I, 19).

Mas como disse ao abordar o aborto inserindo-o – obviamente – em uma lógica de morte, claro como a luz que nessa humana tragédia devesse figurar um personagem central, o Pai das trevas, o “homicida desde o princípio”, pois a morte não só lhe interessa como lhe é familiar. Para falar neste personagem é mister dizer que o símbolo taoísta do yin yang é um sofisma. Não somente pelo Taoísmo ser outro dos tentáculos gnósticos como pelo fato de a verdade valer para um dos lados do círculo, somente. O lado verdadeiro está em que de fato não há nada completamente mal que não possua um bem. Ou mau que não seja em algo bom. É o lado preto com o ponto branco. Mas como todo sofisma que se preza, em algum ponto enganará, ao fim e ao cabo arrastando-nos ao erro. O lado branco com o ponto preto indicando que não existe nada absolutamente bom é um erro grasso e grosseiro, pois há uma exceção e esta reside em Deus. Isto já é o suficiente para atribuir a este símbolo os adjetivos supracitados. Do sumo Bem, ou Suprema Bondade, como dizia Santo Tomás (outro que deveria ser tomado em conta nesses tempos obscuros) não pode advir algo mal, ou mesmo mau. Sendo a morte consequência do mal, dele não poderia advir. Em que pese e façam beiço os satanistas, satanás nunca foi ou será o antagonista à altura, pelo simples fato de não ser absolutamente mau, uma vez que possua coisas boas como, por exemplo, a existência (sinal de que nem ele foi abortado). E isso não é de poca monta como dizem nossos cari fratelli. E que viva Agostinho de Hipona (outro aconselhável) quem nos deu esta verdade!

Mas o fato é que aquele anjo bendito escolheu de livre e espontânea vontade a maldição-para-sempre. E se foi suficientemente convincente para arrastar milhões de semelhantes com ele, dificilmente não o lograria com seres pouco inferiores6 como nós (hoje, um pouco mais…). Corrompendo a Mãe dos viventes logrou, primeira e indiretamente, com que a morte entrasse no mundo. E não demoraria para que o posterior fratricídio entre os seus primeiros filhos inspirasse similitudes como o sororicídio, o matricídio, o parricídio, o filicídio7, o infanticídio, o uxoricídio, o suicídio – e mesmo o fordicídio – até galgar o cume dos homicídios com o deicídio. A Meretriz apocalíptica embriagava-se com o sangue dos mártires, à exemplo da mencionada no livro dos Reis

citada no Primeiro de três, pois o espírito de morte reclama a seiva da vida. Assim, o espírito homicida reclamará da seiva da vida humana para encher a sua taça insaciável. Não somente a título de serviço prestado, mas de serviço ofertado. Mesmo tornado o Anjo de luz em Príncipe das trevas não perde a potestade, somente que inverte sua destinação, sendo ora em diante obcecado pela coroa real. E como o reconhecimento por excelência da realeza divina é o culto de latria, também ele quererá ser adorado em culto próprio e com vítimas próprias, invertendo as polaridades ao se fazer passar pelo mocinho; porque também é o Pai da mentira. E aqui chega-se ao ponto nuclear, em que sou obrigado à força de justiça a tratar, mas antecedido da observação abaixo, uma vez que entender a questão não é tarefa das mais simples, envolvendo quase tantas vertentes quanto os fios de cabelo em uma cabeça adulta.

[Mea culpa. Por falta de entendimento não só o povo perece8, como faz perecer. Para abdicar da hipocrisia e restituir a quem defraudei, ainda que de maneira aquém das minhas defraudações, mesmo já o tendo feito ao sacerdote competente tenho de confessar aqui que também eu já abortei. Se não pelas condições feminina ou médica que não possuo, pela condição de auxiliar. Um mau auxiliar. Como o foi nossa primeira mãe ao nosso primeiro pai. Auxiliando com meios sedutores a que algumas Evas provassem do fruto proibido sacrificando assim vidas inocentes. Num tempo em que fui levado a pensar no sexo como coisa hedonista e nos filhos como coisa descartável ainda que fosse para o seu próprio bem, no velho sofisma de que melhor é não deixar vingar a vida se for para fazê-la sofrer. Assim cri, como irresponsável, covarde e estulto. E assim agi, como coassassino filicida e infanticida. Até a misericórdia se antepor à justiça e fazer com que em Sua luz eu visse a luz. Não encontrando então algo selado com relação a este ponto específico de nossa doutrina pelo fato de estar ainda em aberto9, meu primeiro impulso se deu através de um sólido e profundo desejo do Batismo a todos os santos inocentes cujos seios maternos auxiliei a que se tornassem um campo de batalha mortal. Para isso fiz o que de melhor estava ao alcance: encomendei ao Senhor do Tempo Santas Missas ad orientem nesta intensão. Em seguida me comprometi em rezar e sacrificar-me por cada um, por toda a vida, ainda que não tivesse ou continue tendo ideia de quantos poderiam ter (s)ido. Por fim, confessei a minha culpa ao tempo em que comprometi-me também eu a combater contra toda espécie de morte má dali em diante. E que o bom Deus, pelo Seio virginal, permita-me reencontrá-las algum dia plenamente felizes, juntamente com suas hoje infelizes mães.]

Feito o registro, sigamos adiante.

A coisa, apesar de complexamente tremenda é simples no tocante a causas e efeitos. O aborto, o comprovam as Escrituras, a Tradição e o Magistério, além de muitos envolvidos direta ou indiretamente, é uma mistura de alguns elementos nada desprezíveis que vão do ódio à vida (leia-se também: à matéria10) ao culto satânico de latria: adoração ao demônio com direito à oferenda sacrifical humana. Já o faziam alguns primitivos povos pagãos; ainda o fazem alguns desenvolvidos povos pagãos e outros ditos cristãos. O fato é o mesmo, muda-se apenas a forma. Se é verdade que no passado crianças e adultos eram imolados nos templos sob o altar dos falsos deuses, que não são outra coisa que

demônios11, é ainda tristemente verdade que tais pessoas hoje são imoladas de maneira especial nas clínicas de abortos transformadas em templos, com as mesas cirúrgicas servindo de altar e os médicos, de sacerdotes. Mas não só. Em sentido mais grave e primário, os templos e altares onde são feitos tais sacrifícios são os próprios ventres maternos, sendo as sacerdotisas as próprias mães. Mui elucidativo a propósito são alguns recentes exorcismos realizados pelos profissionais competentes, os sacerdotes. Entres estes, o notório caso de um senhor mexicano possesso levado para receber a benção do então recém empossado Papa há pouco mais de três anos. Pela boca desse senhor declararam os demônios serem os abortos uma espécie de versão moderna de rituais sacrificais a eles dedicados. Mais. Também fora anunciado pelos seres infernais através de boca humana que o número mensal de ocorrências de assassinatos no México seria proporcional ao número mensal de ocorrências de abortos. Em dados obviamente oficiais. O que foi estatisticamente comprovado. E que tanto estas estatísticas quanto a possessão do homem não sessariam enquanto, oficialmente por parte dos Bispos mexicanos, não se consagrasse aquele outrora católico país aos Corações que mais sofrem com a desordem e o desprezo humanos: os de Jesus e Maria.

Ocorre que como já se logrou que uma determinada teologia filosófica influenciasse a cultura, como dito anteriormente, há algumas centúrias vivemos numa cultura da morte cujo passo natural seria a influência direta no tecido social. Como? Como de maneira especial o inventou Gramsci12: através da revolução sócio-política-econômica não pelas armas, mas pela cultura. Trabalhando-se as cabeças pensantes para pensar segundo uma determinada cosmovisão de mundo, estas cabeças, uma vez no poder, passariam a legislar, a julgar e a executar segundo o que acreditariam ser a verdade, o bem e o belo. E se isso for contrário e mesmo antagônico à moral legada pelo Criador através do Salvador, certo é que ela atenderá aos princípios legados pelo Desordenador escravocrata. Uma vez cientes do que seja a moral cristã, que em sua integralidade não é outra que a moral católica, torna-se menos difícil detectar as pegadas de uma “moral” gnóstica favorável à morte ainda que sob a toga de direitos humanos, liberdade de expressão, religiosa e de tudo o mais; o que se traduz em outra mortífera tríade maçônico-revolucionária e contraditória em termos: Liberté, Egalité, Fraternité.

O Aborto e tudo o que esteja relacionado a este espírito de morte, rostos visíveis do antimetafísico pensamento gnóstico, ao tempo em que transformam homens em hóstias a serem imoladas sobre o altar de Moloc, oferecem ao “homicida desde o princípio” a força necessária à implantação de sua desordem mundial em detrimento à ordenação estabelecida pelo doador da vida. Não seria implausível, por isso, que o demônio – sabiamente considerado pelos antigos como o símio de Deus –, curiando desde o princípio o Plano de salvação, deixasse de elaborar e vender à humanidade o seu Plano de perdição que, principiado de maneira emblemática com a Torre de Babel, hoje vemo-lo remoçado em uma espécie de sua versão atual e definitiva com a New World Order13. Me parece instigante pensar ao modo de um grande símbolo deste começo do fim o tombo

ígneo do Centro Mundial do Comércio também designado de as Torres gêmeas. As Escrituras trazem uma interessante simbologia com relação a destruição de torres. Alguns exemplos os temos pelo das duas colunas (torres) com que Sansão pôs fim ao templo filisteu14, e com ele aos filisteus; das torres candentes com que os Macabeus desbarataram os filhos de Beã15; das torres como o fim de um tempo de arrogância16; e das torres, por fim, do Dies irae17. Estas figuras altamente semióticas servem tanto a uma boa quanto a uma má significação. De um lado temos as torres góticas das catedrais como braços erguidos ao céu em gratidão, adoração e súplica. De outro, as torres seculares como braços erguidos ao céu em afronta, soberba e rebeldia.

Assim que a Nova Ordem Mundial a podemos considerar tão somente como uma nova versão de uma velha ideia, a ideia de uma desordem mundial onde o homem possa ser definitivamente o seu próprio deus, com seu paraíso terreno uma vez que não há necessidade de transcender, porque por si jamais o lograria. Tudo é subjacente, underground, camuflado, esotérico. E ambíguo. Tudo carece ser oculto para não ser revelado, pois a aparente Bela não resistiria à Fera real. “Nada há novo sob o sol”, dizia o sábio rei18. Daí que ao se tornar cada vez mais velha a Fera, há que dar a ela a aparência de nova. Para rejuvenescer, acredita-se alguns bem intencionados homens de superstição que deva-se regar. O elixir da juventude então se fará do elixir escarlate da vida, com o tecido inocente servindo de cosméticos rejuvenescedores. Tudo carsicamente19 arquitetado para não dar conotação de rito.

Deixemos de prolixidades: o Aborto, como tudo o que envolva direta ou indiretamente o ódio à vida, é uma forma de culto de latria ao demônio “homicida desde o princípio”, “pai da mentira” e “príncipe das trevas”. Os homens e mulheres que o apoiam, defendem e praticam, seja pela descriminalização, pelo financiamento, a facilitação ou o ato em si, não fazem outra coisa que prestar sua homenagem e adoração a quem lhes premiará com o sofrimento e a morte eterna e sem fim. Tal atitude possui uma principal base teórica e esta é a Gnose ou o pensamento gnóstico que atribui ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó a criação da matéria como coisa má, como prisão, tendo seu salvador e libertador na pessoa de uma criatura angélica por nome Satanás ou Lúcifer, em que pesem algumas distinções. Tal pensamento nasce desde as origens, permeia toda a história e possui seus maiores arautos nos que hoje dominam economicamente o mundo, porque assim dominam o resto do mundo. Estes, por seu turno, possuem os seus peões, cavalos, bispos, torres, reis e rainhas nas mais diversas esferas sociais: do poder religioso ao militar, do civil ao político, do intelectual ao cultural e midiático. Pensando que assim lograrão terminar a Torre e serem deuses, dando o tão sonhado xeque-mate no Criador.

Mas como tudo o que jaz sob o maligno, traz as suas inevitáveis consequências. Que o homem não esqueça, por isso, que insistindo em brincar com o fogo estará pedindo para ser queimado. E logo o será. Pois, em algum lugar dos céus, já se pode ouvir o brado:

“Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?20”

Pensemos nestes tempos Neste que nasceu, que se fez carne (vendo que isso era bom) e por amor, mas um amor literalmente maior que o mundo. Pensemos nas mãos desta Criança que libertariam a tantos para depois se deixar prender. Pensemos em seus pés de cujas sandálias o Profeta não ousou desatar as correias, atados sob o laço dos cravos. Pensemos em sua cabeça, antes envolta em panos macios apoiada nos cândidos braços da Mãe, depois cravada em ásperos espinhos, sem apoio ou esteio; ela que optou ter pedras por travesseiros. Pensemos, por fim, em um lado cujo singelo palpitar de um pequeno coração a cada batida já abarcava o mundo, para literalmente explodir de amor no último brado. Esse Menino só pode receber a adoração de um Deus por um fato simples longe de ser simplório: o fato de um Fiat que não lhe permitiu um aborto.

Sacra Familia: ora pro nobis!

Na Festa do Natal do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu

SEGUNDO DE TRÊS: O ABORTO E A CULTURA DA MORTE OU A GNOSE DOS HOMENS DE PRETO

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Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

“As crianças são inocentes e amam a justiça, enquanto muitos de nós somos vis e naturalmente preferimos a misericórdia.” (G. K. Chesterton)

À guisa de introdução não sou antropólogo. Nem sociólogo. Artista, filósofo ou necrolátrico. Mas a coisa vem tomando contornos catastróficos. Então há que emitir, com alguma insistência, sob pena de se cultuar um dos atos que mais conduzem ao abismo eterno e sem fim: o ato da omissão. Isto posto, vamos ao que interessa.

7 dias. E falamos sobre o Aborto, mas sob a peculiar ótica do Limbo das Crianças[1] que, ao que parece, desde a supressão do direito à vida por parte dos nossos Homens de Preto, verá elevado seu índice demográfico. Ao discorrer sobre este tema aludi en passant a outro, o da cultura da morte em que está inserido, e que ocupará aqui a cadeira da presidência, ainda que de maneira compartilhada. No primeiro abordei o Limbo como uma das possíveis causas-consequências sobrenaturais para o Aborto institucionalizado. Aqui, abordarei o que move este ato, sua legalização ilegal e a adesão por parte de pessoas cuja defesa da vida deveria vir umbilicalmente ligada à função que exercem. Também o contexto em que se insere, o da Cultura da morte, expressão coeva[2] cujo alvo é a cova, com o perdão do trocadilho.

Então, vejamos: Aborto, suicídio, divórcio, homicídio, eutanásia, homossexualismo, ideologia de gênero, prostituição e promiscuidade: caracterizações do que conhecemos como a Cultura da Morte.  Por motivo simples – ainda que complexo – a caracterizam: por serem causa ou consequência de morte, nos únicos dois sentidos em que podemos empregar o termo: o físico e o espiritual. A curto, médio ou longo prazo, não importa. Enganam-se, contudo, os que estancam aí as caracterizações deste mote, pois os tentáculos do polvo são incontáveis. A título de emissão queiram, data venia, acompanhar-me: New Age, esoterismo, espiritismo, hedonismo, hinduísmo, ecologismo, drogas e alcoolismo. Islamismo, máfia, budismo, rock n’roll, macumba, umbanda, candomblé e xamanismo. Romantismo, ateísmo, funk, agnosticismo, marxismo, liberalismo, carnaval e socialismo. Hare krishna, gramscismo, ioga, heiki, iluminismo, eugenia, rosa cruz, corrupção e comunismo. Indigenismo, vodu, moda, quimbanda, necrofilia, ocultismo, magia, sufi, maçonaria e satanismo. Estes são alguns tentáculos extra Ecclesiae. Não faltariam os intra Ecclesiae, só me falta o espaço. Mas para não correr também eu o risco da omissão, faço a menção de uma dupla inseparável ao nível do Dr. Jekyll e Mr. Hyde[3]: Dr. Protestantismo e Mr. Modernismo, com a diferença apenas nos efeitos esquartejadores. Que se faça o registro. Mas que também se explique. Porque se chegamos ao ponto de se ter de elaborar teses científicas, organizar congressos e simpósios, fazer leis ou nos aproximar das táticas do Greenpeace para convencer gente inteligente e estudada que, a exemplo do gênero, número e grau gramáticos, só existem homem e mulher, desconfio que a inteligência chegou mesmo ao limbo, sem esperanças para si a não ser por intervenção divina direta. Porque, como recentemente anunciaram os meios científicos: “os fatos, não a ideologia, é que determinam a realidade”[4]. Com isso a ciência demonstra uma das mais antigas verdades do universo, a de que existem verdades absolutas, também chamadas dogmas. Usemos então da lógica, cuja antonomásia é senso comum. Para não matar ou desperdiçar neurônios, nem neoconcebidos.

De um lado, falar em uma cultura da morte é necessariamente falar em uma filosofia da morte que lhe é anterior esteio; esta, por sua vez, não existe senão cimentada em uma teologia da morte, pois a trave horizontal da cruz, a sustenta, a vertical, não o contrário. Isto, em linguagem feminina, e têm-se: filha, mãe e avó. Todas bem nascidas, ainda que falemos em causas e efeitos de morte.

De outro, temos que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida; isto, ainda que posto em dúvida é indubitável. Ocorre que dada a característica uníssona de Cristo, em verdade um só poderia ser o caminho em que esta Vida se tornaria integralmente manifesta às criaturas humanas. Esse caminho inicia-se com a Antiga e conclui-se com a Nova Aliança. Em outras palavras, de um Povo Escolhido passa-se a uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Deste axioma conclui-se que tudo o que não esteja contido verdadeiramente neste Caminho, em algum ponto do caminho revelará não o gérmen da vida, mas o da morte. O que quero dizer é que tudo o que não seja stricto sensu católico em maior ou menor grau integrará uma Cultura da morte, porque pertencerá a uma Filosofia esteada em uma Teologia da morte. Queiram ou não abortar esta verdade os supremos, os tribunais e os federais mundo afora. Porque tudo o que não proceda diretamente da Vida, dada a condição da Queda original, estará sob o jugo da morte. Por isso Jesus Cristo ordenou a pregação do seu Evangelho com o consequente Batismo trinitário “a toda a criatura” (Mt XXVIII, 19; Mc XVI, 15). Desta maneira compreende-se melhor o caráter de perenidade de um dogma: por conter em si a perene semente da Vida que o revelou. Em outras palavras: um dogma não muda porque Cristo, a Verdade, é imutável.

Isto, ligado ao presente artigo, será compreensível à medida em que tivermos clareza de que os nossos supremos Homens de Preto, ao legislar (sic!) legalizando o matricídio/parricídio das proles até a trindade mensal intrauterina, não fazem outra coisa senão manter viva uma filosofia cuja teologia gira em torno de uma heresia mortífera por nome Gnose, diametralmente oposta à verdade católica. Não por acaso esta palavra empresta sua inicial para a composição logótipa de outro tentáculo mortal: uma misteriosa agremiação constituída de outros sombrios homens de preto. Não por acaso ela ainda foi, por exemplo, o artefato teórico que catapultaria os cátaros[5] se a Igreja com a Santa Inquisição antes não os sepultasse. Esclarecendo neste ponto que se os cátaros não fossem sepultados pela Igreja, eles é que sepultariam não só uma boa parte da mesma como também da própria humanidade; sendo muito provável que, por exemplo, muitos dos pouco informados críticos desta Santa Inquisição jamais o fossem (porque sequer existiriam…).

É que a Gnose, originada na grande inteligência de um ser sem cabeça – mas “homicida desde o princípio” – e dali inoculada em algumas cabeças não digo sem inteligência, mas nada sábias, é contrária à vida tal como a conhecemos. A explicação do que seja a Gnose se dá em algo similar à consideração da matéria não com, mas como um defeito de fábrica. Por ter sido criada como prisão para o que os gnósticos denominam partículas ou centelhas divinas; a princípio livres, leves, soltas e sorridentes pelo universo, uma espécie de micro deuses. Prisão esta criada por ninguém menos que o ser a quem chamamos de Criador, que para aquelas cabeças é o Demiurgo, ou o Bad God, o “Deus do Antigo Testamento”. Daí que toda matéria é sinônimo de “prisão de centelha divina”; e para que as tais centelhas tornem a cintilar pelo universo sem fim há duas vias principais, uma para os que aqui chamarei “primos ricos” outra para os que denominarei “primos pobres”. Estes últimos serão literalmente os primeiros a voltar a cintilar, mas pela via da eliminação. Pela eliminação da matéria creem os gnósticos que se tornam algum tipo de juiz de soltura às centelhas injustamente aprisionadas, devolvendo-as ao universo donde voltarão a ser integralmente… divinas. Os meios para esta “obra de caridade”? Todos os ligados à cultura da morte.

Mas se há eliminados é de se supor que haja eliminadores. Tais são os “primos ricos”, assim considerados não somente por seu poder aquisitivo, como também pelas facilidades de acesso a uma categoria de conhecimento (do grego gnosis) denominada iniciática ou esotérica. Tal seleto pequeno rebanho será o (auto)responsável pela elaboração das teologias que fundamentarão as filosofias que darão o necessário suporte às ideologias que por seu turno serão as pedras angulares das leis que obrigarão os homens a fazerem o que fez o profeta Jonas, a princípio: ir na contramão da razão obediente e ordenada. Ou ainda o que denunciou o Apóstolo: trocar a verdade de Deus pela mentira, e adorar e servir às coisas e aos seres criados em lugar do Criador. Tudo com o curioso detalhe de que os iniciados – também autoconsiderados iluminados ­– têm como “instrumentos de execução” de sua ideológica filosofia teológica um rol de operários (inocentes úteis) que vão do personal training ao congressista; do professor primário ao governante; do recruta militar ao juiz (todos também elimináveis quando a conveniência assim o requerer).

Daí que quando vemos os nossos demiurgos[6] do Supremo a uma só voz com legisladores e governantes inventando, aprovando, promovendo e obrigando a sociedade a um comportamento contra naturam (porque irracional), há que denunciar claramente a existência por trás de tais (más) ações, de ideologias muito bem definidas. Que nos bastidores das políticas públicas se articulam teologias e filosofias privadas, pouco ou nada perceptíveis, mas bem assimiladas por todos os poros sociais sejam eles religiosos, midiáticos, universitários, escolares, militares, políticos, econômicos, culturais etc. E sem que nos demos conta, nós, demos[7], já estaremos bem habituados ao Monstro que nos devora!

 O Aborto integra uma Cultura de morte. Esta última integra uma Filosofia de morte, que por seu turno integra uma Teologia de morte concentrada de forma especial, ainda que não exclusiva, no abrangente pensamento gnóstico[8]. A maioria ignora. Muitos desdenham. Outros tantos negam, ignorante ou maliciosamente. Mas como “não há nada de oculto que não venha a revelar-se”[9], caberá, aos de boa vontade, uma prece: “Senhor, que eu veja!”[10]

Na Festa de Santa Luzia do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu

[1] http://www.sensusfidei.com.br/2016/12/06/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/#.WEqmCOgrKCi; http://www.ofielcatolico.com.br/2006/12/o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo.html; http://www.padremarcelotenorio.com/2016/12/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/

[2] Recente.

[3] Personagens da obra Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (1886), em português O médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. De fato um só personagem com dupla personalidade, em que uma esquartejava suas vítimas, em sua maioria prostitutas.

[4] http://www.avozdocidadao.com.br/agentesdecidadania/saude-publica-associacao-americana-de-pediatras-fulmina-ideologia-de-genero/

[5] Seita gnóstica europeia dos séculos XI e XII, que defendia, entre outras coisas, a morte por inanição, o aborto e mesmo o assassinato de mulheres grávidas por crerem no princípio da matéria como coisa intrinsecamente má, como veremos a seguir.

[6] Aqui o termo é empregado como sinônimo de um corpo de notáveis que formam uma restrita assembleia, partícipes de uma magistratura, ainda, como o corpo dos principais magistrados de uma cidade.

[7] Do grego: o povo.

[8] Cujo conceito o encontramos de forma inteligentemente explorado na obra Antropoteísmo – A Religião do Homem (Montfort, 2011), de Orlando Fedeli.

[9] Mc IV, 22.

[10] Lc XVIII, 41.

O SUICÍDIO DO STF: OS TRÊS VETORES DA REVOLUÇÃO

aborto

Salve Maria

Na Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, somos brindados com esse importante artigo da Dr. Raquel Machado Carleial de Andrade

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Em julgamento ocorrido no dia  29 de novembro de 2016, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, com o voto líder do Ministro Luís Roberto Barroso, acompanhado pelos Ministros Edson Fachin e Rosa Weber, nos autos do HC 124.306-RJ, que versava um caso envolvendo funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) com prisão preventiva decretada, decidiu descriminalizar o aborto realizado durante o primeiro trimestre de gestação – independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

No acórdão em tela, afirmou-se que a criminalização é incompatível com os seguintes direitos fundamentais: “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter uma gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez; e a igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria”.

Ao julgar inconstitucional a proibição do aborto no primeiro trimestre da gestação, e aqui deixando à margem a intenção dos Magistrados proferentes, moldou-se a Corte Suprema aos três vetores da Revolução.

Por primeiro, apartou-se da lei.

Com efeito, reza o artigo 124 do Código Penal, in verbis: “Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.”

Tipifica o referido artigo o crime de auto-aborto (quando a própria gestante pratica a conduta) e o aborto consentido (quando a gestante consente validamente para que terceiro pratique a conduta).

Ensina a doutrina que referida norma jurídica visa à proteção do direito à vida do feto, ou seja, o bem jurídico tutelado é a vida humana intra-uterina, de modo que se tutela o direito ao nascimento com vida.

Ressalte-se, ainda, que a inviolabilidade do direito à vida é assegurada constitucionalmente (art. 5º).

Ora, sendo do Congresso Nacional a atribuição exclusiva de legislar, parecerá que usurpa o STF função legislativa que não ostenta, na medida em que nega vigência a norma de lei (CP, art. 124).

Aparenta afrontada também a moral.

É cediço que o direito à vida se inicia desde a concepção, constituindo a destruição do produto da concepção, independentemente da idade gestacional, crime.

Em que pese a chocar-nos mais o aborto de um feto com nove meses de gestação, prestes a nascer, não se pode olvidar que ele alcançou essa idade pelo desenvolvimento natural, sendo ele, em essência, aquele mesmo embrião presente no início da gestação. Desde a concepção, está ele dotado de toda carga genética própria, herdada de ambos os genitores, distinguindo-se perfeitamente do corpo de sua mãe, embora ainda na vida intra-uterina.

Por que “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher” (que, é bom que se recorde, em absoluto estão previstos no texto constitucional) são superiores ao direito à vida do feto garantido constitucionalmente? Como a vida, o bem maior do ser humano, pode ser tão defendida por ONGs, partidos políticos, intelectuais, quando se trata de animais irracionais (vide projeto TAMAR) e menosprezada por esses mesmos agentes quando se cuida de pessoa (substância individual de natureza racional)?

O Estado não está obrigando a mulher a manter uma gestação indesejada. Ora, a mulher exerce sua liberdade ao relacionar-se sexualmente, dentro da ótica liberal de que se deve dar vazão aos instintos sexuais, apartando o sexo da razão, e descobre-se grávida, consequência previsível e esperada de quem tem vida sexual ativa e, então, sua imaturidade para arcar com as consequências naturais do sexo leva-a a querer se livrar do seu produto, como se ele tivesse brotado por geração espontânea em seu ventre. O feto é, então, descartado, como um lixo, ao bel prazer de suas conveniências. Se escolha existencial existe, reside na sua escolha de manter ou não relações sexuais. O feto tem existência distinta de sua mãe. A prevalecer essa argumentação, devemos descriminalizar o assassinato de crianças que, em razão de choro, birras, mal comportamento etc. constituem-se em entraves ao exercício da liberdade de sua genitora.

Ao contrário do afirmado (autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais) não se cuida de escolha existencial da mulher, mas de escolha acerca da existência de um outro ser, a criança.

Fala-se em garantir a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez, como se a gravidez fosse uma doença, um câncer, que destrói a integridade da mulher, o que, como se viu, não é verdade, na medida em que a gravidez é a consequência natural do sexo.

Ignora-se, ainda, que é exatamente a prática do aborto que deixa terríveis consequências físicas e psíquicas na mãe, causando-lhe sofrimento e dor pela constatação de que se cometeu um homicídio contra um inocente, que não raras vezes a perseguirão por toda vida, como se verifica de inúmeros documentários com mulheres que praticaram o aborto, dentre eles https://www.youtube.com/watch?v=ayfMd2cEcOw

Invocar-se o gênero (igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria) para autorizar o assassinato de inocente dispensa comentários. Absurdo pensar que o direito à igualdade para com os homens produza o direito a matar uma pessoa que não tem a menor chance de defesa.

E se o feto abortado fosse feminino? Como ficariam seus direitos de mulher?

Somente uma sociedade doente, que já perdeu a compreensão da ordenação dos bens, encontra justificativa moral para colocar as conveniências de uma mulher acima da vida humana que ela carrega no ventre.

Afinal, é ou não a vida humana o maior bem de que dispomos?

Não se pode olvidar que nosso povo é maciçamente cristão (e que, como tal, deve ser respeitado pelas autoridades constituídas, em que pese ao malfadado laicismo estatal) e que o assassinato de inocentes nos primeiros três meses de gestação viola a concepção cristã de vida (além de contradizer a própria Ciência). Lembremo-nos que imediatamente após receber a visita do Anjo, Nossa Senhora se dirigiu às pressas à casa de Isabel e ali foi recebida por esta como “a Mãe de meu Senhor”, sendo que quando João Batista exultou de alegria no ventre de Isabel pela presença de Jesus, a Virgem Maria ainda não estava no terceiro mês de gestação (ela completou os três meses exatamente no nascimento de João Batista). Logo, para os cristãos, um feto já é um ser vivo muito antes do terceiro mês de gestação.

Já advertia o Sumo Pontífice Pio XI, na encíclica “Casti connubii”, que a criança inocente jamais pode ser qualificada de injusta agressora e, portanto, o pretenso direito de extrema necessidade, qualquer que seja o motivo, não pode justificar a morte direta de um ser inocente.

Há de recordar-se ainda o preceito divino que São Paulo também promulga: “porque não faríamos o mal para que dele venha o bem” (Rom 3, 8).

Por fim, parecerá ter havido vulneração da autoridade.

Quando a Corte Constitucional se afasta do próprio texto constitucional, fulminando a vida humana, cuja proteção é assegurada e encontra respaldo nos anseios populares, perde a confiança da população, instala a insegurança jurídica e a crise, perdendo, destarte, a própria autoridade, convertendo-se numa corte autoritária.

O Tribunal supremo federal ao normatizar contra legem, sobretudo em temas em que as soluções da Corte violam a moral reconhecida pelo povo brasileiro e os direitos inerentes à natureza humana e, portanto, inalienáveis, acaba, assim, por perder sua legitimidade.

Ainda que a parte mais liberal da Magistratura possa, sem ressalvas, aplaudir a decisão em comento, temos que, à luz dos vetores assinalados (ferindo ela tanto a lei, quanto a moral e o princípio de autoridade), maltrata exatamente os pilares que sustentam a própria Magistratura. Tais pilares são a fonte de sua própria autoridade e, portanto, a razão mesma de sua existência.

Afinal, sem eles, não há Poder Judiciário. Ou, ao menos, não há um que seja verdadeiramente independente e autônomo.

Na Festa da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem

  • Dr. Raquel Machado Carleial de Andrade é Juiza de Direito em São Paulo

 

Fonte: https://mmjusblog.wordpress.com/author/raquelcarleial/

Primeiro de três: O Aborto e o Limbo ou Diante do Supremo Tribunal Celestial

 

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Frei Zaqueu

 

À guisa de introdução não sou teólogo. Nem doutor da Igreja. Profeta, santo ou vidente. Mas sobre o assunto tenho a data venia de colocar-me[1], também por se tratar de um tema ainda em aberto[2]. Isto posto, vamos ao que interessa.

Dia 08 de dezembro festejamos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Desconfio, porém que o seio de Maria está suando, e suando sangue. Por milhões de seios sangrentos porque maculados, expelindo pelos poros os filhos esquartejados e envenenados; pelo templo que deveria ser o mais sagrado, pelo quartel que deveria ser o mais guarnecido, pela guardiã que deveria ser a mais vigilante.

7 dias. E tivemos a satânica, imoral e ilegal legalização do matricídio/parricídio para proles de até três meses de idade, intrauterina. Pelo Supremo Tribunal Federal. Pelo que conclamo a que unamos a Festa ao Luto pelos milhões mais que morrerão agora “legalizados” e com nosso cofinanciamento mesmo a contragosto. O que significa sem a mais pequena possibilidade de erro que esperemos o pior. Todo o Brasil! Do Caburaí ao Chuí. Pelo pecado de muitos maus e a omissão de muitos bons, o que dá no mesmo. E dê-se voz a quem de direito: “Aí onde se aprova o aborto por lei, ou alguma lei anticristã, há mais demônios presentes, e aos milhares, que em qualquer outro ato do maligno. Evidentemente, uma lei que legaliza e normaliza o mal permite muitos milhares de males para a sociedade[3].” (grifo nosso). Muito justo. EUA, México e outros tantos que o digam, afinal “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhados pelo espaço” (Ef VI, 12).

Assim que é hora de fazer ressoar estrondosamente as trombetas dos ais apocalípticos sobre as muralhas supremas: Ai!, ai!, ai! de vós, pobres juízes do Supremo, ao comparecerdes diante do Supremo Juiz para a derradeira sessão de vossas vidas. Ali, a cessão da justiça negada aos indefesos e inocentes; ali, a seção destinada “a quem muito foi dado”[4], onde se chorará e rangerá dentes por muito e muito e muito tempo; ali, por esse e um sem número de injustos despachos também vós sereis despachados, sem toga, anel, terno ou gravata. Agora, pelo Supremo Tribunal Celestial. Agora, pela pérfida simbologia, pela Trindade Santa. Agora, na justa medida, e sem apelação. Que a suprema Bondade, que é suprema Justiça e suprema Verdade, não o permita!

Aos “beneficiados” com a medida também uma consideração. E rogamos que a considerem. Como dito em outro lugar[5] as mulheres de hoje ganham em perversa crueldade em relação à prostituta dos tempos de Salomão. Esta “…não se importava que dividisse, em dois pedaços, a criança que não era sua, por mágoa e inveja”[6]. As hodiernas “… não se importam em deixar retalhar, em vários pedaços, as suas próprias, por vaidade e covardia. E o que é pior: aquelas (mulheres) ainda não conheciam o amor em pessoa, na figura do Menino-Deus. Estas sim.”. E a cumplicidade, conivência e covardia dos “companheiros” não ficará atrás de quem os abaliza para o mal uso da liberdade que os escravizará pela eternidade sem fim. Também estes haverão – se a misericórdia não se antepuser à justiça, do que não temos garantia em termos absolutos – de chorar e ranger os dentes até serem destroçados por completo pelo medonho bruxismo, o que jamais ocorrerá.

De outra parte, muitos são os justos e acertados enfoques dados hoje em dia pelos grupos e pessoas pró-vida especialmente nos campos médico, jurídico e moral. Quero somar-me a estes, mas por outra via, quase nada vista apesar de válida porque não condenada pela Igreja ainda que nossos bem intencionados, mas mal (in)formados clérigos digam – como já ouvi – que “isso deixou de ser dogma”. Como se algum dia tivesse sido; ou sendo, pudesse deixar de sê-lo. Falamos do Limbo das Crianças! Aqui, de meu livro, o extrato de um capítulo dedicado ao Batismo e o Limbo das Crianças, temas umbilicalmente ligados ao aborto, creiam-me[7]:

Para um tema de crucial importância na vida de todos nós existe uma teoria ainda não definida como dogma pela Igreja, o que não impede de encontrar em Santo Tomás de Aquino, considerado o doutor por excelência, um argumento sólido e consistente seguido por muitos doutores, santos e teólogos: o Limbo das Crianças.

Aqui esboçaremos muito superficialmente o pensamento do santo doutor, sendo aconselhável seu aprofundamento através da Suma Teológica que elaborou (1) ou através de pesquisa sobre o tema do Limbo em Santo Tomás. Para expô-lo, comecemos com a continuação das palavras de Cristo acima mencionadas: “… o que, porém, não crer, será condenado” (Mc XVI, 16b). Na primeira parte do versículo, como visto, Nosso Senhor deixa claro quais os critérios de entrada em seu Reino. Compreendendo o que seja a mancha do pecado original teremos uma ideia da perfeição e justeza desta sentença: nada de impuro pode entrar no céu, na presença de Deus, que é pureza absoluta. Em contrapartida, ao declarar que somente a falta de fé pressupõe a condenação e não a falta do batismo, abre-se outra perspectiva, que podemos resumir da seguinte forma: Se para o inferno basta a falta de fé (que em última instância será a negação de Deus, se não da criança, de seus pais, que sobre ela possuem autoridade), mas para o céu há a necessidade da fé e do batismo, é lógico inferir que deva existir outro lugar para os que, apesar de não ter o batismo não tiveram tempo ou condições de pecar, negar a Deus. Que não tiveram as duas condições necessárias para obter o paraíso, mas também não passaram pela condição necessária à condenação eterna. Lugar semelhante existiu para receber os que morriam na graça de Deus, mas que ainda não podiam entrar no céu antes que Cristo nascesse, morresse, ressuscitasse e lhes abrisse as portas, pois ainda não tinham sido batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”: era o Limbo dos Justos, o “Seio de Abraão” narrado nas Escrituras (2).

Sabemos todos que o fato de algo não ser mencionado na Bíblia de forma explícita não significa que não possa existir ou ser verdadeiro (3). No caso do Limbo das Crianças, apesar de não ser explicitamente declarado também não foi explícita ou implicitamente negado (da mesma forma que o batismo para os pequenos). Não será por isso difícil entender sua lógica, pois a doutrina defendida por S. Tomás e vários teólogos, além de razoável, se bem analisada não possui contradição alguma com a Revelação. Para entendê-la precisamos antes saber como seria este lugar.

O doutor angélico (4) o explica como possuindo basicamente duas características: as crianças que para lá se dirigem, primeiro em espírito e após o juízo final também em corpo, jamais verão a Deus “face a face”, porém jamais terão sofrimento ou dor. O que a princípio parece contraditório e intricado, de fato não o é. É que estas alminhas, que por negligência dos pais ou outro motivo não receberam a “vacina”, ainda que não tenham culpa (pecados atuais) não ficarão imunes à doença do pecado original, que já nasce com elas, permanecendo suas almas manchadas (impuras, maculadas) ao morrer. Como no céu nada de impuro pode entrar, por uma questão de justiça não entrarão, mas também por justiça não irão ao Inferno pois não cometeram pecados voluntários, não negaram a Deus ou blasfemaram seu santo nome. Daí ser destinado a estes pequeninos um lugar sem sofrimento ou dor, apesar de não ser o paraíso. Qual o sentido de justiça de tais disposições? Justamente em não conhecer o céu.

Sigamos com a explicação tomista.

Só se deseja o que se conhece. Se desconhecemos a existência de algo não sofremos sua falta… Com o Limbo ocorre algo semelhante. Segundo S. Tomás, por misericórdia e justiça Deus não permite que estes pequenos tomem conhecimento da existência do céu, para que não o desejem e assim sofram eternamente sua não participação. Acontece que devido a este lugar ser isento de sofrimentos ou dores, o que podemos deduzir se tratar de um local agradável e feliz, para elas ali será o paraíso, o melhor lugar do mundo, não havendo assim injustiça por parte de Deus. O fato de não ser citado nos relatos referentes ao juízo final se justificaria em que as almas do Limbo também não participariam dele, dado que seremos julgados pelos nossos atos, o que pressupõe inteligência e vontade suficientes para pecar. Sua ressurreição, por isso, se daria à parte (para a ressurreição não há exceção, pois todos haveremos de ressuscitar (5)), sem um juízo, pois nenhum pecado atual haverá nelas para ser julgado.

Por fim, entender atualmente a doutrina do Limbo das Crianças por este prisma também nos dá condições de melhor entender a “cultura da morte” impregnada nas sociedades cada vez mais paganizadas, que vem promovendo um número crescente de abortos pelo mundo, passando por cima das leis natural e divina ao legalizar o assassinato infantil, privando milhões de crianças não só da vida, mas do batismo, porta de entrada para a eterna visão de Deus (6). O problema maior não é a morte, mas as condições em que se morre (7). Ao demônio não interessa tanto matar, mas fechar as portas do paraíso. Por isso vem inspirando cada vez mais celeremente os homens a criar leis desordenadas e falsas doutrinas que acarretarão, pela falta do batismo, o impedimento de se chegar a Cristo um número significativo de “meninos”.

                                   Notas:

  • Há teólogos que discordam deste posicionamento de S. Tomás, como p.ex., S. Carlos Borromeu, bispo e doutor. Outros que concordam em parte. Ao analisar os argumentos contrários veremos que os de Santo Tomás ainda prevalecem em lógica e clareza, por isso os adotamos neste livro.
  • Lc XVI, 26
  • Jo XXI, 25 e XIV, 26
  • Assim chamado por ter tratado do tema da natureza angélica de forma sublime e destacada. É ainda chamado de Aquinate (derivação de Aquino, lugar de onde veio).
  • Lc XX, 37s; 1 Cor XV, 51
  • Rom VI, 4
  • Mt X, 28

Em favor da doutrina tomista há ainda outra defesa de peso. Sabemos que existem revelações públicas e privadas por parte de Deus. As primeiras, de fé obrigatória, residem nas Sagradas Escrituras e são corroboradas pela Tradição e o Magistério. As segundas, de fé opcional, as recebem os santos e santas de Deus ou os de boa vontade. Aqui se trata das segundas. A extraio da mesma fonte acima e com ela encerro, não sem antes recordar aos pais e mães especialmente católicos, cujos filhos mortos não receberam o batismo ao menos em uma de suas três possibilidades[8]: vocês serão os primeiros da lista de cobranças. Seguidos pelos pastores que não lhes formaram devidamente a consciência. Ou vice-versa. Listo, Señor[9].

Com relação ao Limbo, mui interessante é o relato de outra revelação de Jesus a Santa Brígida, que corrobora a doutrina do Aquinate. Tais revelações chamadas “particulares” ou “privadas”, apesar de não ter a autoridade do dogma e não obrigar ao fiel à sua aceitação, em alguns casos recebem o aval da autoridade Eclesiástica que atesta não haver erro teológico ou relativo à fé e à moral, o que aqui é o caso; por isso nos permitimos transcrever parte de uma destas revelações, em que Cristo fala sobre o tema. Ela se encontra no livro 2, capítulo 1 de As profecias (e Revelações) de Santa Brígida (da Suécia): “Devido ao meu grande amor, eu dou o reino dos céus a todos os batizados que morrem antes de atingirem a idade do discernimento. Como está escrito: É do agrado do meu Pai conceder o Reino dos Céus a tais como estes. Devido ao meu terno amor, Eu mostro misericórdia até mesmo às crianças dos pagãos (as não batizadas de nenhuma forma – grifo nosso). Se qualquer um deles morre antes de atingir a idade do discernimento, eles não podem me conhecer face a face, e vão para um lugar que não é permitido que se saiba, mas onde eles viverão sem sofrimento”.[10]

            Com isso nos sobra um rogo: Regina sine labe originali concepta, ora pro nobis!

Na Festa da Imaculada Conceição de Maria do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

Frei Zaqueu

___________________

Em tempo:     1) O enfoque proposto, como entrevisto, não se antecipa ao juízo da Igreja, estando a ela submetido. Por isso, nada afirma-se. Sobre os ombros das Escrituras, da Tradição e do Magistério se propõe o tema como uma via possível e mesmo plausível, porque já anteriormente defendida por competências abalizadas.

2) valerá a pena a leitura desta feliz matéria cuja reconhecida história a resgata, neste nefasto momento de nossa história, O Fiel Católico: http://www.ofielcatolico.com.br/2006/12/medico-campeao-em-abortos-convertido.html

[1] Ver: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_30121988_christifideles-laici.html

[2] Catecismo da Igreja Católica (C.I.C) 1261.

[3] http://www.sensusfidei.com.br/2016/11/30/um-discipulo-do-pe-amorth-fala-amplamente-sobre-exorcismos/#.WEFjNvkrLIV

[4] Lc XII, 47s.

[5] Cf. 1 Re III, 16-28.

[6] FREI ZAQUEU. Evangélico, graças a Deus!(?) – V.1. Uberaba, 2016. Pg. 28 (nota 25).

[7] Ibidem. Pgs 66-73.

[8] Cf. C.I.C 1257-1260.

[9] Do espanhol: com o sentido de Está avisado.

[10] Cabe lembrar que esta revelação a Santa Brígida recebeu ainda o aval de um Beato Papa, Pio IX.

Paróquias da IPDM se declaram a favor do aborto e rompem com ensinamento de Francisco e CNBB

Um conjunto de paróquias da Diocese  de São Miguel Paulista – SP integra  a Associação Povo de Deus em Movimento -IPDM, adepto ao ideal da Teologia da Libertação. O grupo estarreceu católicos de todo o Brasil ao  se manifestar favorável à decisão do Supremo Tribunal Federal – STF que  decidiu  nesta terça-feira, dia 29, que aborto até o terceiro mês de gravidez não é crime.

Grupo de diz católico e defensor do aborto.
Grupo de diz católico e defensor do aborto.

Em sua página no Facebook a associação disse que “todas as medidas que vão promover igualdade entre raças, gênero ou de natureza socioeconômica, geram embates entre pessoas conservadoras e subjugam as minorias” – ainda emendaram com uma forte crítica aos grupos pró-vidas – “a partir da ótica da meritocracia e do pseudo diálogo cristão conservador ‘a favor da vida’, porém, esse discurso é seletivo, preconceituoso e discriminatório uma vez que é de conveniência, tal qual o julgamento da moral pelo olhar da fé cristã”.

O Grupo que se diz católico e seguidor fiel do Papa Francisco parece ter rompido  com um dos ensinamentos mais contundentes do pontificado de Francisco. O Romano Pontífice   é um ferrenho defensor da vida e já deixou claro em muitas ocasiões sua  aversão ao aborto que ele classifica dentro da cultura do descartável.

 

O grupo também rompe com a orientação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB que já emitiu nota contra a decisão do STF.A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, manifesta sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural (cf. Constituição Federal, art. 1°, III; 3°, IV e 5°, caput)”, lê-se no texto assinado pelo cardeal e presidente da conferência, Sergio da Rocha.

A Igreja do Povo de Deus em Movimento chega a dizer que “é inaceitável a influência de valores morais cristãos na decisão do estado”. Entretanto o grupo é conhecido pela militância político-partidária naquela região de São Paulo, contradizendo deste modo o que prescreveram na nota fraca e descomprometida com a vida  dos mais pobres, neste caso, milhares de crianças indefesas.

[Atualização de informações 2/12/2016 – 16h29]

IPDM recua e emite nota se dizendo fiel ao Magistério da Igreja no que diz respeito ao aborto.

Dada a repercussão negativa na página do coletivo IPDM, a instituição excluiu a postagem  e emitiu nota dizendo que o texto publicado favorável à decisão do STF  não fora autorizado pela administração da IPDM. O coletivo informou em letra garrafais que “O TEMA DO ‘ABORTO’ NUNCA FEZ PARTE DAS PAUTAS DE ‘IGREJA – POVO DE DEUS – EM MOVIMENTO’ – IPDM”.

 

Fonte: http://blog.opovo.com.br/ancoradouro/paroquias-da-ipdm-se-declaram-a-favor-do-aborto-e-rompem-com-ensinamento-de-francisco-e-cnbb/

Terremoto na Academia Pontifícia para a Vida. Com uma limpeza dos Não-Alinhados.

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Por Sandro Magister, 26 de outubro de 2016

 Conforme anunciado no dia 13 de outubro pelo blog Settimo Cielo, amanhã não será o cardeal Robert Sarah a inaugurar o novo ano acadêmico do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família.

O discurso de abertura será proferido pelo próprio Papa Francisco. Mas ele não se dirigirá até a Pontifícia Universidade Lateranense, e sim receberá os membros do instituto na Sala Clementina do Vaticano, às 11 da manhã.

A mudança dramática de pessoa foi lida por todos como o início oficial de um novo rumo para o instituto, agora mais em linha com a “abertura” de Jorge Mario Bergoglio e, a pedido de seu novo grão-chanceler, que desde meados de agosto é Dom Vincenzo Paglia.

Enquanto isso, na adjacente Pontifícia Academia para a Vida, também entregue pelo Papa aos cuidados de Dom Paglia, a limpeza dos membros não-alinhados já é visível.

Nos termos dos artigos 5º § 2 dos estatutos, os membros ordinários, todos nomeados pelo Papa, e quase todos nomeados por João Paulo II, ficam no cargo continuamente até completarem 80 anos. São, portanto, irremovíveis. Mas, Dom Paglia já obteve do Papa Francisco o sinal verde para mudar o estatuto, reduzindo a 5 anos ou pouco mais que isso o mandato, como já ocorre com os chamados membros “correspondentes”. Ele está se preparando para fazer com que a nova norma tenha efeito retroativo.

Entre os acadêmicos de renome que correm o risco de expulsão estão, por exemplo, o austríaco Josef Maria Seifert e o inglês Luke Gormally, ambos culpados de terem feito críticas radicais à exortação pós-sinodal “Amoris laetitia”.

Entre os cardeais membros estão na mira Carlo Caffara, que também foi o primeiro presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, e Willem Jacobus Eijk, que é arcebispo de Utrecht e Presidente da Conferência Episcopal Holandesa, mas que também é um médico e teólogo moralista de valor, culpado também de criticar a “Amoris laetitia” e talvez mais ainda por ter assinado a famosa carta dos treze cardeais que tanto  irritou Papa Francisco no início do último sínodo.

Inseguros também estão os membros mais comprometidos com os movimentos pró-vida, começando pela batalhadora Guatemalteca-americana Maria de Mercedes Arzu Wilson, de quem se recorda uma áspera polêmica com Dom Rino Fisichella, então presidente da Pontifícia Academia para a Vida, por causa de um artigo escrito por ele no “L’Osservatore Romano” muito compreensivo com relação ao caso de um aborto feito por uma adolescente e mãe solteira brasileira.

Um destino diferente, ou seja, a reconfirmação, está prevista para outros membros da academia se estes forem cientificamente qualificados, mas que sustentam posições – em matéria de bioética – não exatamente de acordo com o ensinamento da Igreja, pelo menos o de antigamente.

Um deles é, por exemplo, Felice Petraglia de Siena, ginecologista e editor-chefe da revista internacional “Human Reproduction Update”, fundada por Robert Edwards, um dos pais da fertilização em tubo de proveta e membro do órgão oficial da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, que apoia a fertilização “in vitro”, o diagnóstico e seleção genética de embriões, pílulas abortivas e outros semelhantes.

E outro é o ginecologista francês Charles Chapron, um amigo de Petraglia, membro de várias sociedades internacionais de obstetrícia e ginecologia, também favorável ao anterior em tudo, e que no entanto foi admitido como membro correspondente da Academia.

Um estratagema no qual Paglia está trabalhando, para associar membros desse naipe à Academia Pontifícia para a Vida e para incluir outros nos próximos anos, seria o mesmo que eliminar do estatuto o que está disposto nos art. 5 § 4º, alínea b:

“Os novos acadêmicos são convidados a subscrever a Declaração dos Servidores da Vida, com os quais se comprometem a promover e defender os princípios sobre o valor da vida e da dignidade da pessoa humana, interpretados de modo consistente com o Magistério da Igreja”.

Com isso, estaria aplainado o caminho para convidar a fazer parte da Academia Pontifícia para a Vida também Angelo Vescovi, muito ligado a Paglia desde quando ele era bispo de Terni e ajudou-o a estabelecer na cidade a sede central sua criação, a Fundação de células-tronco. Angelo Vescovi não é Católico e participou da campanha do plebiscito de 2005 para defender a lei 40, fortemente desejada pelo Cardeal Camillo Ruini. Mas, fora isso, ele nunca se destacou na defesa pública da vida humana nos círculos científicos dos quais ele é membro. Além do mais, é conhecida a sua posição ambígua sobre as questões de células-tronco embrionárias.

Tradução e Fonte: FratresInUnum.com:

Atualidade da mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres.

 

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Por Hermes Rodrigues Nery 

A sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oitenta anos das aparições.

Com “O Diário do Silêncio”, a escritora Ana Lígia Lira apresenta a mais completa obra sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças, no Brasil, ocorridas no pequeno povoado de Cimbres, distrito de Pesqueira, em Pernambuco, em 1936. A publicação do livro ocorre, portanto, próximo das comemorações dos oitenta anos das aparições, e com uma documentação inédita, de fontes primárias, com correspondências (especialmente as do Padre Kehrle, designado pelo bispo local a investigar o caso) e depoimentos que elucidam toda a história das aparições, como também da irmã Adélia, falecida em 13 de outubro de 2013 (na época, a menina Maria da Luz, uma das crianças a quem Nossa Senhora dirigiu suas palavras). Para o Padre Paulo Ricardo, a mensagem de Nossa Senhora das Graças de Cimbres “é bastante atual, principalmente para nós que vivemos num Brasil cada vez mais tomado pelo ideal do comunismo, do marxismo, porque foi exatamente aquilo que Nossa Senhora previu”1. Na verdade, a previsão foi a de que o Brasil seria tomado pelo comunismo e padeceria três castigos, evitados somente com a oração e a penitência. E que “o sangue correrá no Brasil”2.

Gostaria de me deter nesse artigo não tanto sobre os fatos em si da história das aparições (já abordados em relatos de outros autores), mas sobre alguns aspectos de conjuntura para auxiliar na compreensão da importância das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, especialmente nos dias de hoje, pois a sua mensagem é atualíssima, diante dos acontecimentos históricos que ainda estamos vivenciando, no momento em que comemoramos oito décadas das aparições.

Os três castigos

Os três castigos preconizados por Nossa Senhora das Graças, estariam, de certa forma, relacionados com as três tentativas de tomada do poder que os comunistas fariam no Brasil, ao longo desses últimos oitenta anos. A primeira delas, com a Intentona Comunista (1935), alguns meses antes das aparições em Cimbres. Depois, no governo de João Goulart, a segunda tentativa, que foi contida pelo regime militar (1964), especialmente na fase de combate às guerrilhas. E, em seguida, a terceira tentativa, com a redemocratização, na Nova República, principalmente nas gestões petistas, após 2003.

Nas duas primeiras tentativas, o sangue correu, assim como aconteceu nos países aonde o comunismo foi implantado. Na Intentona Comunista de 1935, vários defensores da pátria tombaram, dentre eles o herói-mártir da Polícia Militar, Luiz Gonzaga de Souza3. Também foram muitas as vítimas que tiveram o sangue derramado por terroristas e guerrilheiros comunistas na segunda tentativa, quando quiseram implantar a ditadura do proletariado no País, conforme depoimentos de conhecidas lideranças esquerdistas, que atuaram, naquela época4, reconhecendo que a luta contra o regime militar, inclusive por meios das guerrilhas, tinha como propósito a implantação de uma ditadura comunista5.

Mas, como bem destacou o Prof. Olavo de Carvalho, “o governo militar se ocupou de combater a guerrilha, mas não de combater o comunismo na esfera cultural, social e moral.”6 Por isso, criou-se o ambiente para a terceira e atual tentativa, ainda em curso, no Brasil, de complexa situação. Olavo de Carvalho explica que a parte da esquerda que não foi para a guerrilha, “se encaixou no esquema pregado por Antonio Gramsci, que é a revolução cultural, a penetração lenta e gradual em todas as instituições de cultura, mídia etc. Foi a facção que acabou tirando vantagem de tudo isso – até da derrota, porque a derrota lhes deu uma plêiade de mártires.”7 O fato é que a esquerda se apropriou de um discurso para se favorecer e buscar consolidar seu projeto de poder [daí a narrativa da controversa Comissão da Verdade], e até hoje, a base social aparelhada pela esquerda, de raiz filosófica marxista e até anarquista, continua como um barril de pólvora, num momento em que as forças conservadoras começam a reagir, sem saber como fazer, por estarem totalmente desorganizadas e sem estratégias e meios adequados para isso.

O processo de impeachment da presidente Dilma Roussef (ex guerrilheira no período do regime militar),  expôs a tensão desta terceira tentativa, cujos desdobramentos ainda são muito imprevisíveis. Terceira fase esta iniciada com a criação do Foro de São Paulo, em 1990 (por Fidel Castro e Lula), para viabilizar um projeto de poder totalitário, de integração regional latino-americana, a chamada Pátria Grande socialista. Projeto esse em que, antes da tomada do poder político, os comunistas buscaram criar uma base social aparelhada (seguindo a estratégia gramsciana), de aparelhamento das instituições, especialmente na área cultural, dos sindicatos, da imprensa, e até mesmo da Igreja Católica, se utilizando da teologia da libertação para influir e ampliar os setores progressistas dentro da instituição.

Com a eleição de Lula, em 2002, o PT alargou de modo desproporcional o aparelhamento do Estado, dando início à estratégia proposta pelo Foro de São Paulo, de fazer da democracia o método revolucionário, se utilizando inclusive de meios inteiramente amorais para captar recursos com volúpia desmesurada, não contando, porém, que seriam contidos nessa gula e obsessão de poder, pela Operação Lava Jato, o que ocasionou a gravíssima crise em que vivemos, aonde não sabemos ainda como a terminará.

Não é a toa que, durante o processo de impeachment, os maiores defensores da ex-guerrilheira Dilma Roussef vieram justamente do PCdoB (com Aldo Rebelo como seu Ministro da Defesa, Jandira Feghali na Câmara dos Deputados, Vanessa Graziotin no Senado, etc.). O fato é que a terceira tentativa de implantação do comunismo no Brasil está em fase já bem avançada. Depois das jornadas de junho de 2013, do pleito de 26 de outubro de 2014 e das grandes manifestações pró-impeachment de 2015-2016, cresceram as apreensões sobre como o Brasil poderá vencer essa nova batalha contra o comunismo, expresso não apenas no lulopetismo, mas em todos os demais partidos e movimentos sociais e culturais de esquerda alinhados com o projeto de poder do Foro de São Paulo.

E o que mais se teme, em tudo isso, é que novamente corra o sangue [conforme previu Nossa Senhora das Graças, em Cimbres], num momento que o País está dividido entre uma maioria conservadora e cristã [mas desorganizada], e uma minoria aparelhada que deteve o poder de decisão nos últimos treze anos [e muito bem organizada]. Tal tensão levou o Brasil a um impasse político sem precedentes. E muitas forças do internacionalismo de esquerda e também das fundações internacionais querendo intensificar a agenda antivida e antifamília, que já vem fazendo correr o sangue humano inocente, no ventre materno, com a difusão cada vez maior da cultura do aborto e tudo mais. Como ocorreu na União Soviética, quando o comunismo foi lá implantado.

“Os padres e os bispos sofrerão muito?”8

Nas aparições em Cimbres, na gruta do Sítio da Guarda, Nossa Senhora das Graças dissera às crianças: “virão tempos sérios”9, e dentre muitas coisas preditas, a confirmação de que o comunismo iria penetrar o Brasil, abrangendo todo o País (não no interior), e que tais coisas não viriam logo, mas que “os padres e os bispos sofrerão muito”10.

Nesse sentido e no contexto dos oitenta anos desde as aparições em Cimbres, cabe ressaltar que o sofrimento dos bons padres e bispos também está relacionado, de alguma forma, aos “erros da Rússia” espalhados pelo mundo, que não foram contidos, conforme pediu Nossa Senhora em Fátima aos pastorinhos, em 1917.

Como bem expôs  Valdis Grinsteins:

“Defensores do permissivismo moral, os comunistas aprovaram leis favorecendo o amor livre e o divórcio e, em 1920, durante o governo de Lenine, a Rússia foi o primeiro país do mundo a permitir o crime do aborto. O resultado dessa lamentável situação não tardou a aparecer: divórcios numerosos, trazendo como consequência famílias cada vez menores, nas quais o número de filhos era limitado em função da perspectiva de estabilidade do ‘cônjuge’, do trabalho, da moradia ou do capricho dos pais. Filhos abandonados ou entregues a orfanatos, dos quais fugiam depois para formar pequenos bandos de criminosos, logo se tornaram uma praga nacional. Uma geração que crescia sem conhecer o que fosse respeitar os outros. O crime chegou a tais níveis que, visando limitar seus efeitos, Stalin modificou a legislação em 1936, chegando a proibir o aborto. Como não houve nenhum arrependimento verdadeiro, mas apenas interesse político, pouco depois da Segunda Guerra Mundial o aborto voltou a ser introduzido na legislação comunista, bem como todos os outros ditos ‘avanços’. E a situação tornou-se ainda pior.”11

O comunismo, como um dos maus frutos do modernismo, adentrou dentro da Igreja, sob várias formas. E conforme advertira São Pio X, visou corroer, por dentro a sã doutrina católica. Os padres e bispos seduzidos pelo modernismo, anuíram com correntes de pensamento contrárias à fé, abrindo brechas para distorções e equívocos, agravados ainda mais pelo atual relativismo. Debilitar o cristianismo, especialmente a doutrina católica, foi estratégia dos comunistas, principalmente gramscianos para, por dentro da Igreja, promover a rebelião e a apostasia. Com isso, os bons padres e bispos foram encontrando dificuldades em defender a fé, num ambiente cada vez mais hostil à sã tradição católica. E mais: passaram também a difundir que o comunismo era coisa do passado, principalmente depois da queda do muro de Berlim e o desabamento da União Soviética, no Natal de 1991. Mas justamente na América Latina, e mais ainda no Brasil, com o Foro de São Paulo, o internacionalismo de esquerda instrumentalizou os setores progressistas da Igreja Católica para difundir os males do comunismo [com faces novas e diversificadas]. O próprio Fidel Castro, após o fracasso das guerrilhas no Brasil, entendeu que era preciso utilizar-se das estruturas e capilaridade da Igreja, para aparelhá-la por dentro, e propiciar assim a extensão da revolução cubana em todo o continente latino-americano, especialmente no Brasil. Para isso, foi utilíssimo espalhar a cizânia da teologia da libertação, gestada pela KGB, conforme revelou Ion Mihai Pacepa12.

Mas por que a Igreja não reagiu contra esta nova investida do comunismo? E por que o relativismo grassou de tal forma, minando toda e qualquer resistência na defesa da sã doutrina católica?

O Prof. Roberto de Mattei explica que um dos fatos relevantes para isso foi porque não houve uma condenação explícita do comunismo no Concílio Vaticano II (1962-1965), período em que se intensificou a segunda tentativa de implantação do comunismo no Brasil, detido – como dissemos – pelo regime militar.

O fato é que o Concílio foi “uma oportunidade extraordinária para as correntes progressistas”13 em que, em muitos aspectos, “a condenação do erro”14 deixou de ser vista como “uma obra de misericórdia”15. A nova forma de organização, através de conferências episcopais, especialmente a CNBB e o CELAM, contribuíram muito para afofar o terreno, em que foi possível emergir mais facilmente todas as tendências modernizantes. A não condenação do comunismo no Concílio favoreceu a instrumentalização dos setores progressistas da Igreja para a subversão da sã doutrina por dentro da instituição. Formou-se então uma rede cada vez mais fraterna de prelados progressistas, “entre bispos e teólogos europeus e latino-americanos”16, sob a liderança de Dom Hélder Câmara, rede esta descrita por François Houtart, o mesmo que, anos mais tarde, ministraria um curso no Partido Comunista cubano para convencer os militantes marxistas de que era possível conciliar cristianismo e socialismo, e que eles precisariam da estrutura da Igreja, para difundir essa concepção revolucionária.

Não faltaram apelos contra o comunismo durante o Concílio. Roberto de Mattei conta que “o arcebispo vietnamita de Hué, Ngô-Dinh-Thuc, por exemplo, definia o comunismo como ‘o problema dos problemas’, a mais importante questão do momento”.17 Mas empenhado na promoção do ecumenismo, e para garantir a presença do Patriarca de Moscou, que, na época, “estava  notoriamente  nas mãos do Kremlim”18, o Cardeal Bea conseguiu estabelecer “um acordo com base no qual o Patriarca de Moscou acolherá o convite pontifício se o Papa garantir que o Concílio se absterá de condenar o comunismo”19. E foi o que aconteceu. O Concílio se silenciou sobre a questão do comunismo, mesmo o Santo Ofício tendo reafirmado, em 1959, pouco antes, “a validade da excomunhão de 7 de janeiro de 1949, contra todo tipo de colaboração com o comunismo”20, pois já prevalecia, entre muitos altos prelados, de que “no fundo, os comunistas andam a procura da justiça e são gente que sofre”21. A partir dessa omissão e dessa nova mentalidade é que foi possível espalhar o cancro da teologia da libertação na América Latina, ainda quando se desejava impor o comunismo por meio da guerrilha.

“Quase” como na Espanha

Ao ser indagada se o sofrimento causado pelos castigos seria “como na Espanha” (que vivia, na época das aparições, o início da Guerra Civil Espanhola), Nossa Senhora respondera às crianças: “quase”.

Esse “quase” pode estar relacionado à posição do clero em relação à divisão ideológica que a Espanha viveu, ao longo da guerra civil (1936-1939), quando morreram milhares de pessoas, especificamente mais de seis mil religiosos. No entanto, o clero espanhol comparou a guerra contra o comunismo na Espanha, naquele período, como uma “cruzada moderna”22. O mesmo não se pode dizer do clero brasileiro atual, imbuído de relativismo, com um bom número de bispos conservadores (especialmente após o pontificado de Bento XVI), mas com padres e bispos progressistas em postos estratégicos de decisão, muitos alinhados ainda à esquerda, com paróquias e OnGs católicas (e até universidades como as PUCs) como base social aparelhada pelo lulopetismo. Dada a complexidade da situação, no cenário brasileiro atual, muitos padres e bispos se dizem impotentes para fazer qualquer coisa, e de se pronunciar a respeito. Por isso, se constata o silêncio e a omissão de muitos em relação ao permissivismo moral (especialmente da classe artística), evitando se posicionar ideológica e politicamente contra os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff. Daí a posição de neutralidade da conferência episcopal em relação ao processo de impeachment, quando a maioria do povo brasileiro (conservador) foi às ruas clamando “Fora Dilma, Fora PT, Fora Foro de São Paulo”. Significativo foi o ato em que fiéis leigos ergueram após a missa de encerramento da 54ª assembleia da CNBB23, na Basílica de Aparecida, diante de todos os bispos que passavam em direção à sacristia, com os dizeres; “Por uma Igreja livre do PT e do comunismo”, imagem essa que teve um número enorme de curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, comprovando assim (nesse aspecto) o sentimento da maioria do povo brasileiro, que clama por posições de pastores mais em consonância com a doutrina moral e social da Igreja, sem ambiguidades, mas de modo firme e cristalino, de modo especial contra o comunismo.

Nesse sentido, os três castigos preconizados por Nossa Senhoras das Graças, às crianças, em Cimbres, podem também estar associados (tendo em vista o que ocorreu durante a Guerra Civil Espanhola), a tais fatores e consequências:  1º) a divisão ideológica do País; 2º) a anarquia social provocada por instituições e grupos aparelhados; 3º) o derramamento de sangue. Mas o “quase” predito pode significar que é possível evitar as situações extremas de tais fatores e consequências, se principalmente as autoridades eclesiásticas exortarem o povo à oração e à penitência, e se, enfim, o comunismo for rechaçado mais explicitamente e condenado (recorrendo aos documentos já existentes da doutrina social da Igreja) por aqueles que tem o dever de orientar os fiéis católicos dos perigos que representam as correntes de pensamento e os partidos políticos que tem como premissa ideológica o ideário comunista. O clero, portanto, não pode estar omisso quanto a isso, para que tais fatores não acarretem tais consequências.

Os castigos previstos podem ser evitados com a oração e a penitência

Os oitenta anos das aparições de Nossa Senhora das Graças, em Cimbres, coincidem com o momento mais crítico da crise econômica e política que colocou em xeque o lulopetismo no País, podendo comprometer assim o projeto de poder do Foro de São Paulo e frear a terceira tentativa de implantação do comunismo. Por isso, se houve previsões de “tempos calamitosos para o Brasil”24, a Mãe do Céu dissera às crianças Maria da Conceição e Maria da Luz que os castigos previstos poderiam ser evitados pela oração e penitência. Esta exortação (em sintonia com todas os apelos feitos por Nossa Senhora, em La Salette, em Lourdes, em Fátima e em todas as demais aparições pelo mundo) indicam as armas pelos quais os cristãos devem se empenhar no combate ao mal. Assim como os cristãos venceram em Lepanto (1571), fazendo do Rosário a “arma da vitória”25, assim também foi a força do Rosário capaz de evitar o derramamento de sangue no difícil processo abolicionista, no séc. XIX, em que a Princesa Isabel fez triunfar a libertação dos escravos, com a Lei Áurea, vencendo também pela oração os desafios das turbulências políticas de sua época.

Nossa Senhora apresentou-se às crianças como “a Mãe da Graça”, e se veio “avisar ao povo que se aproximam três grandes castigos”26, também apareceu com o Menino Jesus em seus braços como “a Mãe do Céu”, “a Mãe de Deus”, para dizer também que é com a oração e a penitência que é possível desviar-se de tais castigos, invocando-a como Nossa Senhora das Graças, e apresentando ainda as devoções ao Coração de Jesus e a ela própria, como práticas para afastar tais males.

A leitura, portanto, de “O Diário do Silêncio”, de Ana Lígia Lira (competente pesquisadora e escritora), torna-se imprescindível para que conheçamos, em detalhes, o que ocorreu em Cimbres, e o quanto atual é a mensagem de Nossa Senhora das Graças, e a validade da sua exortação à oração e a penitência, para vencer a terceira (e mais complexa) tentativa de implantação do comunismo no Brasil.

Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: hrneryprovida@uol.com.br

Notas:

  1. https://padrepauloricardo.org/episodios/o-alerta-de-maria-para-o-brasil.
  2. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  3. http://museuvitimasdoscomunistas.com.br/saloes/ver/intentona-comunista-1935-
  4. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  5. https://www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs
  6. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/olavo-de-carvalho-esquerda-ocupou-vacuo-pos-ditadura
  7. Ibidem.
  8. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/B29467EA-3048-560B-1CD5958C0D784589/mes/Agosto2006
  12. http://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919/
  13. Roberto de Mattei, O Concílio Vaticano II – Uma História nunca escrita. Porto, 2012, p. 167.
  14. Ib. p. 173.
  15. Ibidem.
  16. Ib. p. 189.
  17. Ib. 152.
  18. Ib. 147.
  19. Ib. pp. 149-150.
  20. Ib. p. 152.
  21. Ibidem.
  22. http://historia-portugal.blogspot.com.br/2009/05/guerra-civil-espanhola.html
  23. https://www.youtube.com/watch?v=Xi6WMq2cQq0
  24. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html
  25. http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2015/12/integra-da-palestra-princesa-isabel.html
  26. http://aparicoes.leiame.net/brasil/pesqueira.html

 

Fonte: http://nossasenhoradecimbres.com.br/2016/05/25/artigo-do-prof-hermes-rodrigues-nery-sobre-cimbres/

BISPO DE CRATEÚS DIZ QUE CNBB NÃO APÓIA GOLPE NO BRASIL

Salve Maria!

Em pronunciamento, como podem ver abaixo, o bispo de Crateús, diz que CNBB não apoia golpe contra governo que nasceu dos pobres…

Qualquer um pode perceber o tom elogioso de S. Excia ao governo abortista e marxista do PT.

Seria bom se S. Excia também dissesse que o Governo que nasceu dos Pobres ainda continua Pobre…

Graças a Deus muitos bispos da CNBB não pensam como ele.

O bispo Dom Ailton Menegussi, da Diocese de Cratéus (CE), rechaçou duramente a tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele disse que a Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) não aceita que “partidos políticos se aproveitem a crise para dar golpe no País”.

O Bispo disse em encontro com religiosos em Tauá, no Sertão cearense, que:

“Não vamos apoiar a troca de governo, de pessoas interesseiras. Tem muita gente pousando de santinho, mas nunca pensou em pobre. Fazem discurso bonito porque querem poder, e a CNBB não concorda”.

Afirmou também:

“Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados. Mas quando se trata de governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim”.

Na avaliação do bispo, a Justiça “está tratando criminosos antes de provas as coisas”. “Uma vez provadas, que se punam os culpados. Agora os culpados não é só desse partido ou só daquele. Não sejamos bobos”, afirmou. “Queremos que o País seja respeitado, que os cidadãos seja respeitado