CAFÉ TEOLÓGICO – JOSEPH RATZINGER REFUTA VERSUS POPULUM

 

DEDICADO a todos os  SEMINARISTAS maravilhosamente TEIMOSOS

 

euEBento

 

Caríssimos, Salve Maria!

Esse “Café Teológico” dedico a todos os SEMINARISTAS de boa vontade que, apesar da crise, teimam em continuar Católicos. Bela teimosia!

O motivo da dedicação é justamente pela péssima formação direcionada e ideológica que acontece em muitos institutos teológicos e seminários. Nessas casas,os formadores que são “ecumenicamente” liberais, defendem a pluralidade de pensamento, mas ao mesmo tempo não admitem que os formandos pensem diferente deles, típica democracia petista, verdadeira como uma nota de dez tostões. 

A vocês, seminaristas católicos meu respeito e amizade. Continuem assim: teimosamente católicos.

Sobre a declaração do Cardeal Sarah,  silenciada em muitos sites de Institutos de Teologia, o desmentido do finado Pe. Lombardi ( esse já bem divulgado em sites desses institutos tupiniquis), trago para todos vocês, queridos seminaristas a defesa da Missa ad Orientem do Cardeal Ratzinger, para angústia dos pseudos  doutores malabaristas do País-das-maravilhas..

Boa leitura….e, continuem Teimosos!

Pe. Marcélo Tenorio

 

Ps. Qualquer reclamação dos reitores,  favor endereçar ao Mons. Joseph  Ratzinger.

 

  1. APRESENTAÇÃO

Neste artigo será demonstrado que as interpretações que vêm sendo feitas, por parte de algumas pessoas, da declaração do Padre Frederico Lombardi, ex-porta-voz do Vaticano, não podem ser as mais corretas.

O então porta-voz disse que não haverá nenhuma norma nova para o advento e que o termo «reforma da reforma» deve ser evitado para não causar interpretações erradas. Na mesma linha partidária, o Padre Antonio Spadaro, editor do jornal La Civiltà Cattolica, levantou alguns argumentos contra a Missa «versus Deum», isto é, «de frente para Deus».

Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI

O Cardeal Ratzinger, atual Papa emérito Bento XVI, foi quem promoveu o movimento chamado «reforma da reforma» e contribuiu, como tantos outros ótimos liturgistas, para a compreensão da orientação litúrgica. Pois bem, exporemos o seu pensamento, que se apoia também em outros estudiosos, e, desta forma, refutaremos os argumentos levantados pelos amantes da Missa “ao revés”. O versus populum não é inválido ou ilícito, nem pretendemos isso dizer; queremos apenas demonstrar que o versus Deum também é não somente válido e lícito, mas a melhor forma.

Quanto ao termo «reforma da reforma» é suficiente dizer que não oferece nenhuma possibilidade de má interpretação, pois já foi exaustivamente explicado por inúmeros liturgistas, até mesmo pelo próprio Joseph Ratzinger em diversas oportunidades, inclusive já postamos um desses textos aqui no blog.

Cabe, antes de mais nada, avisar que ao final deste artigo poderá o leitor encontrar um índice para melhor visualização da ordenação das partes. E o aconselhamos que assim faça. Boa leitura.

  1.    INTRODUÇÃO

O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, em um discurso para a Conferência Sacra Liturgia UK 2016, no Oratório de São Filipe Néri (Oratório de Brompton), em Londres, instigou os sacerdotes para que pudessem celebrar também a Forma Ordinária do Rito Romano (segundo o Missal de Paulo VI) de frente para Deus, isto é, «Versus Deum», pois, segundo ele, é “muito importante que retornemos o quanto antes possível para uma comum orientação, dos sacerdotes e fiéis, voltados na mesma direção – para o oriente ou pelo menos para a abside”[2].

O oriente (ou leste) é o símbolo da ressurreição e ascensão do Senhor e, igualmente, de sua segunda vinda, que ocorrerá da mesma forma que partiu (At 1, 11). Se o batistério, colocado à porta da Igreja, no Oeste, é o símbolo do princípio do percurso, o altar ao leste é a meta para qual nos dirigimos, caminhando ao encontro daquele que foi, mas que voltará.

O Cardeal africano, no entanto, esclareceu que esta implementação deve ocorrer “com prudência e com a necessária catequese”[3], por isso, cabe um discernimento pastoral para avaliar como e quando esta prática pode ser aplicada. Neste ponto, ele sugeriu que um bom tempo para que os sacerdotes começassem a implantá-la seria no Advento, isto porque é justamente o tempo em que “esperamos «o Senhor que virá» e «que não tardará» (cf. Introito, Missa da Quarta-feira da Primeira Semana do Advento)”[4]. Trata-se de um tempo litúrgico que está intimamente ligado à orientação litúrgica, por isso, a sugestão deste tempo.

Leia também: A reforma da reforma e o futuro do Missal de Pio V

O purpurado se dedicou a outros temas interessantes (cf. o discurso completo), mas foram estas palavras que criaram alvoroço. Assim, após esse pronunciamento do Prefeito da liturgia surgiram debates em muitos lugares, tudo em torno de uma má compreensão tanto do sentido da orientação litúrgica como da legislação atual.

Nessa onda, até mesmo o Padre Antonio Spadaro, editor do jornal La Civiltà Cattolica, entrou na polêmica através de seu Twitter, incentivando a celebração da Missa de frente para o povo, ou para quem quiser, de costas para Deus. O Padre Spadaro citou como argumento, entre outras coisas, o parágrafo 146 da Instrução Geral do Missal Romano para tentar justificar sua opinião “populista”.

O Vaticano mostrando-se preocupado logo apareceu para pôr panos quentes na história. Através de um pronunciamento do Padre Frederico Lombardi, então porta-voz da sala de imprensa (agora o novo porta-voz é Greg Burke, pois Pe. Lombardi renunciou), foi afirmado que não haverá nenhuma nova normativa para o próximo advento e que o termo «reforma da reforma» pode gerar algumas interpretações erradas, por isso seria melhor evitá-lo. Esta declaração do ex-porta-voz caiu como uma bomba, sendo usada pelo clero mais progressista como arma contra o Cardeal Sarah e os católicos que apoiam tanto a orientação Versus Deum como a «reforma da reforma».

Será que o que disse o Padre Lombardi pode realmente ser usado dessa forma? E a reforma da reforma é um termo tão controverso assim? É o que veremos.

  1.    A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA: DEUS OU POVO?

Nesta seção dividiremos a problemática da orientação litúrgica em três partes. A primeira consiste em um resumido aspecto histórico, no qual será elaborada a fundamentação histórica e, por consequência indireta, um pouco da razão teológica; a segunda será uma análise da legislação atual, trazendo os fundamentos para que tal prática seja, além de válida, tida por lícita; a terceira, por fim, responderá a algumas objeções, aquelas que mais comumente são utilizadas e as que foram levantadas sobre o pronunciamento do Cardeal Sarah pelos partidários da Missa invertida. Desta forma acreditamos delinear e abarcar toda a questão.

3.1.   HISTÓRIA

Em todo o período da cristandade se há algo que sempre esteve claro certamente é, segundo Joseph Ratzinger [5], “a orientação da oração ao oriente”, que é uma tradição que remonta às origens do cristianismo. Pois já no início da era cristão se tinha o sol como símbolo cristão, e, como se sabe, o sol nasce ao leste (oriente), daí dizer que a própria palavra «orientação» só possui seu sentido lato quando aplicado na direção ao leste.

Joseph Ratzinger, à época Cardeal Prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé

O eminente teólogo alemão diz[6] que “a orientação da oração comum a sacerdotes e fiéis (cuja forma simbólica era geralmente em direção ao leste/oriente, quer dizer, ao sol que se eleva), era concebida como um olhar lançado ao Senhor, ao verdadeiro sol” e que na liturgia católica existe uma antecipação do retorno de Cristo, onde “sacerdotes e fiéis vão ao seu encontro”. E esta orientação na oração, continua, “expressa no caráter teocêntrico da liturgia obedece à exortação: «Voltemo-nos para o Senhor»”.

E é possível, nos afirma o Mons. Klaus Gamber, “provar com certeza que jamais houve celebrações versus populum (de frente para o povo) nem na Igreja do Oriente nem na do Ocidente”[7]. Confira o quanto da liturgia católica está intimamente ligada com a luz, com o sol, com o astro que ilumina. Jean Fournée nos recorda que no natal encontramos um rito enormemente ligado com a mística da luz e o mesmo podemos dizer da Epifania, na qual lê-se Isaías: “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor”.

Todo o edifício litúrgico gira em torno deste simbolismo; não esqueçamos, por exemplo, a páscoa que com sua vigília nos oferece uma verdadeira riqueza espiritual, onde o Círio com sua luz é o símbolo de Cristo: “O círio que acendeu as nossas velas possa esta noite toda fulgurar; misture sua luz à das estrelas, cintile quando o dia despontar” (cf. Proclamação da Páscoa). Ainda o Deus que é “a força imutável e luz inextinguível” (cf. Vigília Pascal) é louvado todos os dias na Liturgia das Horas no despontar do sol, onde cantamos o retorno da luz que da noite dissipa as trevas.

Dom N. Le Nourry expõe uma das razões de conveniência da orientação na oração, dizendo que “Cristo, na cruz, olhava para o ocidente, era, pois, normal que os cristãos ao contemplar a cruz se voltassem para o oriente”[8]. Para demonstrar ainda como mais solidez a disposição da Igreja ao oriente, é possível citar, entre muitos outros Padres da Igreja, Clemente de Alexandria (+215) e Orígenes (+255):

O oriente é a imagem do dia que nasce. É deste lado também que cresce a luz, a qual em primeiro lugar faz desaparecer as trevas onde se detém a ignorância e de onde se separou o dia do conhecimento da verdade da mesma maneira como se eleva o sol. Por isto, é normal que se dirijam as orações rumo ao nascimento da manhã. [9]

E agora, a respeito da parte do mundo para a qual se deve dirigir para rezar, serei breve. Sendo quatro essas partes: o norte, o sul, o poente e o nascente, quem pois negará que se deve indicar bem claramente o nascente, e que devemos rezar voltando-nos simbolicamente para esse lado, olhando com a alma de certo modo a saída da verdadeira luz? [10]

Se podemos notar a beleza extraordinária encontrada no simbolismo solar, do oriente, o que dizer da cruz? Não é o sol apenas um símbolo, à título comparativo, enquanto que a Cruz figura realmente o Cristo? Não é a Cruz mais brilhante que todos os astros (“O Crux, splendidior cunctis astris”) [11]? Por que então não ver a Cruz como superior ao sol? A Cruz para nós não representa uma vergonha, mas “o testemunho deslumbrante da glória de Cristo com a qual se iluminará o último amanhecer do cosmo”[12], e nos diz Santo Efrem que a cruz que aparecerá no céu é “como o cetro de Cristo, o grande Rei… superando o brilho do sol e precedendo a vinda do Senhor de todas as coisas”[13] e exclama São João Crisóstomo: “Sinal triunfal, mas resplandecente que o astro dos dias!”[14]

Neste ponto, afirma[15] Joseph Ratzinger que “a orientação ao leste tinha uma estreita relação com o “sinal do Filho do Homem”, com a Cruz que anuncia a segunda vinda do Senhor” e, desta forma, “o oriente se uniu rapidamente ao símbolo da cruz”. À esta afirmação ajunta Jean Fournée, dizendo[16] que “nas origens do cristianismo se associa a oração voltada ao Oriente com o culto da Cruz”, sendo “o culto da cruz, antes de tudo, uma homenagem rendida à glória divina”.

Se a Cruz é o símbolo da glória divina, também o é da esperança. Os primeiros cristãos traçavam uma Cruz na parede oriental de suas casas para rezar diante dela, afirma Fournée, expressando a fé na ressurreição e a esperança do retorno glorioso. Este duplo aspecto da cruz confere o significado do presente e do futuro.

Algumas pessoas não sabem, mas a cruz sobre o altar virada para o sacerdote provém de uma ideia (muito inteligente, por sinal) de Joseph Ratzinger. Ele diz[17] que “onde não seja possível a orientação de uns e outros ao leste, a cruz pode servir como oriente interior da fé” e, assim, novamente “a cruz seria o ponto de referência comum do sacerdote e a comunidade que reza”.  Portanto, essa dica dada é um “tapa-buraco” na orientação litúrgica e mesmo essa ideia tem um problema, apontado por Fournée[18].

Como esquecer toda essa riqueza, deixada como patrimônio cristão? E se seria estranho cantar as Laudes durante do tardar do dia, por que não percebemos a mesma incoerência na orientação litúrgica? Será que ficamos tão insensíveis aos símbolos? Esquecemos que o nosso Deus é a luz do mundo e, no nosso espírito desprezível, perdemos todo o sentido externo? Joseph Ratzinger constata esta insensibilidade do homem moderno.

Infelizmente para os partidários da Missa invertida, será doloroso demonstrar que a primeira pessoa que teve a ideia de uma celebração «versus populum» foi um herege. Martinho Lutero, prova Gamber[19], na sua obra “A Missa alemã e a ordem do culto divino” (“Deutsche Messe und Ordnung des Gottesdienstes“) de 1526, diz assim, no capítulo “O domingo para os leigos”: “Conservaremos os paramentos sacerdotais, o altar e as velas até que se acabem ou até que achemos conveniente mudá-los. Todavia, deixaremos que outros que queiram fazer diferente o façam. Porém, na verdadeira missa, entre verdadeiros cristãos, será necessário que o altar não fique como está e que o sacerdote se volte sempre para o povo (…)”.

Em seu livro, “O ordo divino de Cranmer”, Michael Davies merece crédito por haver demonstrado, especificamente no capítulo 11, que o Livro de Oração de 1549 dos reformadores protestantes desejava a destruição dos altares e a ereção de outros separados da abside. Evidencia é que por toda a Inglaterra foram destruídos altares com a revolução protestante. Constatamos que o mesmo se sucedeu nos tempos modernos. Quer queiramos ou não, esta é a origem do versus populum.

Para citar o Brasil é necessário dizer o que se segue. O movimento litúrgico da década de 20 tinha por meta ótimos objetivos, mas começaram a aparecer diferentes teses, caminhos, conforme o parecer individual de cada liturgista. Nisto residia o perigo, o que culminou em várias correções por parte dos papas, em especial por Pio XII. Aqui no Brasil o movimento estava bem representado, de forma fiel e ortodoxa, por liturgistas como Padre João Batista Reus, S.J., mas também chegaram nestas terras homens com seus desvios, e, em 15 de julho de 1933, o bispo Dom Martinho Michler celebrou para seis rapazes, numa fazendo do interior do Estado do Rio de Janeiro, a primeira missa versus populum e dialogada[20].

Leia também: Revelação de Bento XVI sobre o Movimento Litúrgico

Para finalizar este ponto penso ser interessante destacar o fato descrito por Fournée:

Havia antigamente em Paris uma igreja que se chamava de São Bento o “Bétourné”. A origem deste estranho epíteto é o seguinte. O edifício medieval que havia precedido a construção do séc. XVI estava ‘ocidentado’. Esta anomalia chocou tanto o povo que este batizou a igreja de: São Bento le Mal Tourné (mal virada) ou “Mautourné”. Porém ao ser reconstruída e seu altar mor recolocado no oriente, passou a ser de São Bento le Bétourné (bem virada). [21]

3.2.   LEGISLAÇÃO

Comecemos esclarecendo um fato importantíssimo para nossa questão: a orientação versus populum jamais foi proposta pelos documentos do Concílio Vaticano II. Desnecessário provar, basta consultar os textos, mas mesmo assim fazemos questão de constar que Gamber diz o mesmo: “em vão se buscará na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, promulgada pelo Concílio Vaticano II, uma prescrição que exija celebrar a Santa Missa de frente para o povo”[22]. E não foi proposta pelo simples fato de que jamais se passou pela cabeça dos padres conciliares um tamanho absurdo!

Mons. George Eder já em 1989 esclarecia o equívoco em pensar que a orientação versus Deum tenha sido proibida pelo Concílio Vaticano II.

O Concílio não pediu em nenhum texto que haja em cada igreja um altar de frente para o povo. Nem no novo código de Direito Canônico há algo a este respeito. O Concílio deixou liberdade neste terreno. Porém una nova moda apareceu, e depois se aponta com o dedo para os que não têm o altar de frente para o povo! Fazem o mesmo por causa do latim. Desde o princípio, eu lutei pelo bilinguismo na Igreja; é a boa solução. Se se canta em inglês, todos contentes, porém se se dizem três palavras em latim… é anticonciliar! Por isto quero me servir no futuro desta liberdade que o Concílio deixou para a língua e para o altar. [23]

É o mesmo parecer do Mons. Michael Schmitz que diz que a celebração da Missa na qual “o sacerdote fica de frente para a assembleia nunca foi mencionado no Concílio Vaticano II e é atualmente uma introdução posterior”[24]. Também Ratzinger o constata ao dizer que “o texto conciliar não fala da orientação do altar para o povo”[25]. Michael Davies, depois de seu estudo, conclui o mesmo ao dizer que “não existe nenhuma ordem, rubrica, regulamentação ou lei dentro do Rito Romano que estipule que a Missa deva ser celebrada de frente para o povo”[26]. Portanto, fica elucidado que o Concílio jamais admitiu a celebração de frente para o povo.

O Padre Frederico Lombardi fez uma confusão entre orientação e forma do rito, como se a forma ordinária estivesse intrinsecamente relacionada com o versus populum. Nada mais falso, como já foi provado acima. E Mons. Schmitz ratifica isso ao dizer que “a posição do sacerdote voltado para o oriente junto com a assembleia não é exclusiva do Rito Romano Clássico [forma extraordinária]”[27].

A forma ordinária (Missal de Paulo VI) não apenas não proíbe o versus Deum como regulamenta. Em diversos locais a rubrica supõe que o sacerdote esteja virado para o altar e não para o povo. Diz o Mons. Schmitz que “algumas das rubricas do Rito mais novo parecem ainda pressupor que o celebrante esteja na mesma direção que o povo, esteja num altar solto ou num altar-mor que tenha um retábulo”[28]. Com mais certeza, conclui Davies: “certamente, as rubricas do Novus Ordo Missae, especificamente, definem a prática tradicional e instrui o sacerdote a fim de que se vire para a assembleia em várias ocasiões e logo vira-se ao altar, por exemplo nos artigos de número 107, 116, 122, 198 e 199 da Instrução Geral do Missal Romano (Institutio Generalis)”[29].

Leia também: O que não te contaram sobre as Orações Eucarísticas

Os parágrafos citados por Davies possuem numeração diferente, porque ele usa a versão típica ou de 1969 ou 1970, segundo o que pude conferir. Mas os parágrafos em que ele cita se referem aos momentos em que o sacerdote fala com o povo, em diálogo, em por consequência ele deve estar voltado para a assembleia (“versus ad populum”, “stans versus populum”). Atualizando para o Missal de 2002, podemos dizer que o sacerdote volta-se ao povo quando ele, após fazer o sinal da cruz, faz dirige uma breve palavra para o povo (n. 124); após o lavabo, quando convida o povo a rezar, dizendo “Orate, fratres” (n. 146); ao distribuir a paz ao povo, dizendo “Pax Domini sit semper vobiscum” (n. 154); ao fim da Oração Eucarística, ao mostrar a Hóstia consagrada ao povo, dizendo “Ecce Agnus Dei” (n. 157); novamente quando convida o povo a rezar, após a comunhão, dizendo “Oremus” (n. 165); quando abençoa o povo, ao fim da Missa (n. 167 e 185).

O Ritus servandus in celebratione Missae, que é a Instrução Geral do Missal tridentino, também prescreve que o sacerdote esteja voltado para o povo em iguais momentos, conforme podemos notar: “versus populum (…) dicit voce prædicta: Dóminus vobíscum, vel si sit Episcopus: Pax vobis” (cap. V, 1), “ad populum, et extendens ac jungens manus dicit: Dóminus vobíscum” (cap. VII, 1), “ad populum, et versus eum extendens et jungens manus, dicit voce aliquantulum elata: Orate, fratres” (cap. VII, 7), “stans junctis manibus ante pectus versus populum, dicit, si dicendum est: Ite, Missa est” (cap. XI, 1).

A distinção entre o Missal de João XXIII e o de Paulo VI é apenas acidental, pois como a forma extraordinária (tridentina) obriga que a Missa seja versus Deum[30], o tridentino prescreve o virar-se (“vertit se ad populum”), enquanto que o Missal de Paulo VI não tem essa partícula, porque o sacerdote já pode estar voltado para o povo, uma vez que este missal permite a missa versus populum.

O exposto já é suficiente para comprovar que a Missa, segundo o missal de Paulo VI, pode perfeitamente ser celebrada versus Deum; o que para os emitentes teólogos citados é o ideal. Entretanto, para fundamentar ainda mais podemos citar dois argumentos tão fortes quanto os já enunciados: a prática dos papas e a resposta da Congregação para o Culto Divino.

No ano 2000 a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos foi perguntada se na celebração da Missa, de acordo com o Missal de Paulo VI, fica excluída a possibilidade na celebração da “liturgia eucarística, a posição do sacerdote «versus abside»”, isto é, voltado «versus Deum»”. Assim foi a resposta: “A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, «re mature perpensa et habita ratione» (após madura reflexão e tendo em conta) a história litúrgica, responde: «Negative et ad memtem» (Negativo e segundo a opinião) pela qual deve se levar em conta diversos elementos”[31].

Leia também: Qual a necessidade de uma reforma da reforma?

Some-se a isso o fato de que os papas Bento XVI e Francisco celebraram, igualmente, a Missa de Paulo VI com a orientação versus Deum. Em duas ocasiões, o Papa Francisco celebrou, conforme podemos ver no youtube as celebrações[32], enquanto que o Papa Bento XVI o fez incontáveis vezes, já que a sua missa diária em sua capela particular era de tal forma, conforme provamos através de imagens[33] e vídeos[34].

Portanto, comprovamos que o Concílio jamais promoveu ou propôs o versus populum e que a legislação atual permite a celebração versus Deum, conforme parecer apontado por diversos estudiosos, pela resposta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como através da prática litúrgica dos papas.

3.3.   OBJEÇÕES

Nesta seção serão respondidas[35] as principais objeções que comumente são levantadas contra a orientação versus Deum e também aquelas elencadas nos últimos dias diante do pronunciamento do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah.

A.    O Cardeal Sarah não tem autoridade para legislar sozinho

Esta objeção se discute assim: Parece que o Cardeal Sarah, sem aprovação papal, não tem autoridade para estabelecer uma norma. Logo, a celebração versus Deum não se sustenta.

Ao que respondemos: É verdade, o Cardeal Sarah, sem aprovação papal, não tem autoridade para estabelecer uma norma. Porém, a conclusão dessa premissa é falsa. Isto porque ela não segue nem da premissa nem da realidade dos fatos. Se é verdade que o Cardeal sozinho não tem tal autoridade, verdade é também que ele não desejou nem estabeleceu nenhuma norma nova. O purpurado não criou norma nenhuma, apenas recordou que a legislação atual, já aprovada, permite tal orientação.

Portanto, a celebração versus Deum se sustenta, mas não pelo pronunciamento do purpurado, mas pelas próprias normas já aprovadas, isto é, vigentes.

B.     O Padre Lombardi: “não haverá nova norma”

Esta objeção se discute assim: O Padre Frederico Lombardi afirmou que não haverá nova norma para o Advento. Logo, desmentiu o Cardeal Sarah e, assim, não é permitida a celebração versus Deum.

Ao que respondemos: Esta objeção é bastante semelhante à anterior, tanto na matéria como nos erros que nela são encontrados. O Cardeal Sarah jamais afirmou que o Advento haveria de ter uma nova norma, apenas aconselho este tempo como o início para o uso da orientação, tendo em vista que é um tempo propício, porque o versus Deum está intimamente ligado à esperança do retorno de Cristo. Portanto, o antigo porta-voz da sala de imprensa não desmentiu nada nem ninguém.

A segunda conclusão do nosso oponente (“não é permitida a celebração versus Deum”) é, mais uma vez, uma falácia, pois não segue da premissa, por isso não convém repetir o que já dissemos no item A.

C.     O Cardeal Sarah não obrigou, mas incentivou

Esta objeção se discute assim: O Cardeal Sarah, em seu discurso, não obrigou a celebração orientada, apenas incentivou. Logo, não devemos celebrar versus Deum.

Ao que respondemos: A premissa está correta, pois o purpurado nem mesmo poderia obrigar, tendo em vista o que já dissemos no item A. Entretanto, mais uma vez, a conclusão não segue da premissa, pelo contrário, ela, a conclusão, é contrária à premissa, pois se o purpurado incentivou, como bem disse nosso oponente, como podemos disso concluir que não devemos celebrar versus Deum?

Portanto, esclarecemos novamente que a legislação permite a celebração orientada e que o cardeal, seguindo a mesma linha dos estudiosos já apresentados, prefere a celebração de frente para Deus àquela de frente para o povo, por inúmeros motivos que não cabem neste trabalho resumido. Em outra oportunidade poderemos destacar as razões, além das que já ficaram implícitas aqui, pelas quais a celebração de frente para Deus é a melhor.

D.    O parágrafo 299 da Instrução Geral proíbe o Versus Deum

Esta objeção se discute assim: Parece que o parágrafo n. 299 obriga que o altar esteja separado da parede e que a celebração seja versus populum. Logo, não é permitido celebrar versus Deum.

Ao que respondemos: Essa objeção levantada está equivocada por sua interpretação do parágrafo citado, pois, conforme veremos, a correta interpreta da Igreja é que tal trecho resulta em uma sugestão apenas.

Assim diz o número 299 da Institutio Generalis: “Altare exstruatur a pariete seiunctum, ut facile circumiri et in eo celebratio versus populum peragi possit, quod expedit ubicumque possibile sit.” (O altar seja construído afastado da parede, para que possa facilmente ser circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém realizar em todo lugar que for possível).

Uma análise dos termos usados nos conclui que, de fato, trata-se de uma sugestão. Toda a questão gira em torno da última oração que diz «quod expedit ubicumque possibile sit», pois parece ser obrigatório que o altar esteja separado da parede e a celebração seja de frente para o povo. No entanto, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na resposta de 25 de setembro de 2000, que já citamos, explica que o termo «expedit» (convém) expressa uma sugestão, isto é, permanece uma opção, não uma obrigação.

Antes de tudo, deve-se recordar que o termo «expedit» não constitui uma forma obrigatória, mas uma sugestão, que diz respeito tanto à construção do altar a «pariete seiunctum» [separado da parede], quanto à celebração versus populum [de frente para o povo].

(Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 25 de setembro de 2000)

Fazendo menção a esta resposta da Congregação para o Culto divino, Ratzinger também explica que a interpretação proibitiva não é a correta.

“Esta interpretação [de que o número 299 proíbe o versus Deum], no entanto, foi rechaçada pela competente Congregação para o Culto Divino, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” não expressa uma obrigação, mas um conselho”[36].

Portanto, a interpretação correta nos indica que tanto a posição do altar separado da parede como a celebração de frente para o povo são apenas uma sugestão.

            Além disso, é necessário dizer que o altar separado da parede em nada contraria a celebração versus Deum, ad abside, por que não é a posição do altar em relação ao templo que importa, mas a posição do sacerdote, em conjunto com o povo, em relação ao altar. Em outras palavras, não importa que o altar esteja separado da parede ou não, pois de qualquer modo o sacerdote e o povo podem se colocar diante dele, na mesma direção.

            O Missal da forma extraordinária, tridentino, inclusive regulamenta a forma como deve ser incensado o altar quando ele estiver separado da parede, como diz Gamber:

Que o altar deva estar separado da parede “a fim de ser facilmente circundado” é outra questão. Esta exigência da Congregação dos Ritos está totalmente de acordo com a tradição (o pontifical romano tradicional, no capítulo “Sobre a dedicação das Igrejas”, exige expressamente que o altar não esteja fixo à parede, para que se possa dar a volta por todos os lados a fim de cumprir convenientemente os ritos da consagração. O “Missal de São Pio V” – edição de 1962, por outro lado indica a maneira como a incensação deve ser feita com este tipo de altares. Ao contrário do que se pode normalmente crer, o altar assim disposto está perfeitamente de acordo com a tradição, ainda que a partir da baixa idade média se tenha preferido normalmente fixá-lo à parede). [38]

E.     Deus é espírito, está em todo lugar

Esta objeção se discute assim: Deus é espírito, está em todo lugar, logo não é necessário fixar os olhos no crucifixo para a Ele rezar.

Ao que respondemos: É verdade que Deus é espírito e, por consequência, é onipresente, isto é, está em todo lugar. No entanto, esta doutrina de fé somente existe como consequência do Deus que nos revelou. Se podemos rezar em qualquer lugar, pelo fato de Deus está lá, no ouvindo, também é verdade que este mesmo Deus se encarnou, tomou a matéria, a carne. Deus “tomou um corpo, entrando no espaço e no tempo da terra, assim é apropriado que na oração – pelo menos na liturgia comunitária – nosso falar com Deus seja «encarnado», que seja cristológico, que, através da mediação do Verbo Encarnado, se dirija ao Deus trinitário”[39], assim responde Joseph Ratzinger.

Portanto, o dogma de fé apenas nos possibilita rezar em qualquer lugar, mas devemos viver a fé revelada em sua totalidade, não apenas num único aspecto, e, esta revelação, nos ensina a encarnação que deve transparecer na liturgia. Sendo assim, uma liturgia encarnada, baseada em toda a revelação, pressupõe que todos, sacerdote e fieis, estejam voltados para um símbolo visível, o oriente real ou simbólico.

F.     A Basílica de São Pedro tem altar no centro da Igreja

Esta objeção se discute assim: Parece que nem sempre e em todo lugar foi observada a celebração versus Deum, pois a Basílica de São Pedro possui um altar no centro da nave da Igreja.

Ao que respondemos: O altar foi construído já em tempo tardio, segundo o parecer de Joseph Ratzinger, “provavelmente porque assim ficaria em cima da tumba de São Pedro”[40], fazendo com que o Sacrifício do Senhor expressasse concretamente a comunhão dos santos, conclui o teólogo.

Isso poderia levar alguns a achar que o versus populum era adotado. Entretanto, não é bem assim a realidade dos fatos. A Basílica está “orientada para o ocidente”, por isso o parecer mais provável e seguro é de que o “sacerdote ficava atrás do povo, e, consequentemente, o povo lhe dava as costas”[41], não se tratava de uma celebração cara à cara, mas também orientada, onde todos estavam voltados para a mesma direção, o oriente real (leste).

Acrescenta-se o que diz Fournée sobre este assunto:

[…] em algumas das primeiras basílicas romanas, cuja abside estava para o oeste e a entrada ao leste, e onde, consequentemente, os fiéis olhavam para o ocidente, o sacerdote assim celebrava voltado para o oriente. Tal disposição acarretava forçosamente a Missa versus populum, porém esta não passava de uma consequência e não de uma disposição ritual querida sistematicamente. É, pois, uma afirmação errônea pretender que na Igreja primitiva a Missa se celebrava voltada para o povo. É mais exato dizer que a celebração estava orientada, qualquer que fosse a posição dos fiéis no edifício. Porém quando estes, ao estar situados diante do altar, se encontravam voltados para o oeste, era-lhes prescrito em certos momentos da celebração, especialmente na oratio fidelium, o voltar-se para o leste, e consequentemente, dar as costas ao celebrante e ao altar. Acontecia o mesmo ao convite do Sursum corda. Estas prescrições são anteriores ao primeiro Ordo Romanus, ou seja, pelo fim do séc. VII. O Ordo Romanus I prescreve a orientação durante o Glória, a Coleta e a Oratio fidelium, e reitera a obrigação para o celebrante de estar sempre olhando para o leste durante toda a ação eucarística, desde o prefácio até a doxologia final. [42]

O Pe. Josef Jungmann, um dos mais importantes historiadores do rito romano, diz que “a afirmação, normalmente tão repetida, de que o altar da igreja primitiva supunha sempre que o sacerdote estava voltado para o povo, se comprova que é uma lenda”[43]. Portanto, a objeção não refuta o fato de que, historicamente, jamais a Igreja celebrou missa versus populum, isto é, como sacerdote e fieis olhando-se mutuamente.

G.    A Ceia do Senhor foi celebrada versus populum

Esta objeção se discute assim: Parece que a Ceia do Senhor, nas vésperas de sua Paixão, foi celebrada com os discípulos à sua frente, logo esta é a forma original da Missa.

Ao que respondemos: O argumento é impreciso e carece de fontes históricas. Joseph Ratzinger, para refutar tal objeção, cita[44] Louis Bouyer, eminentíssimo estudioso, que diz que este argumento “se baseia simplesmente em uma concepção equivocada”, pois no início da era cristã “aquele que presidia uma comida jamais sentava na frente dos demais”, “todos estavam sentados, ou encostados, no lado convexo de uma mesa em forma de sigma ou de fechadura”, portanto “todos os participantes se encontravam no mesmo lado da mesa”.

            Acrescenta-se os resultados dos estudos de Gamber e também de Louis Boyer que chegam às mesmas conclusões:

No tempo de Jesus, e em alguns séculos mais tarde, usava-se uma mesa redonda ou uma mesa em forma de sigma (em semicírculo). A parte dianteira ficava livre para permitir servir os diferentes pratos. Os convidados estavam sentados ou deitados por trás da mesa semicircular. Para isso usavam uma espécie de sofá ou um banco, em forma de sigma. [45]

Em todos os banquetes da antiguidade, tanto judeus, como pagãos, nunca se davam a cara… pela simples razão de que todos os participantes estavam situados no lado convexo de uma mesa em forma de sigma, reservando-se o lado côncavo para o vai e vem dos que serviam. De tudo isso resulta que a denominada Missa “de frente para o povo” não é mais que um total contrassenso ou mais ainda uma pura falta de sentido. [46]

            Portanto, é historicamente infundada a objeção levantada.

H.    A Missa é apenas um banquete

Esta objeção se discute assim: Parece que a Missa é apenas um banquete, assim não faz sentido estar olhando para uma direção, menos ainda para a cruz.

Ao que respondemos: Se nosso opositor chegou a tal afirmação, podemos dizer, sem duvidar, que está deixando à largos passos a Fé católica. Joseph Ratzinger diz[47] que neste ponto “os termos comida ou convite não podem descrever adequadamente a Eucaristia” e que, se não há dúvida que nosso Senhor tenha introduzido a ideia do banquete judaico no culto cristão, também não há dúvida que “a Eucaristia remete à cruz”.

A Constituição De Sacra Liturgia, no número 47, explica assim a Missa:

O nosso Salvador, na última Ceia, na noite em que foi traído, instituiu o Sacrifício Eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar o Sacrifício da Cruz pelos séculos afora, até à sua vinda, deixando deste modo à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se recebe Cristo, se enche a alma de graça e é dado o penhor da glória futura.

E, fazendo menção a estas palavras, o Papa Paulo VI, na Encíclica Mysterium Fidei, diz que elas “exaltam-se ao mesmo tempo não só o Sacrifício, que pertence à essência da Missa, que todos os dias é celebrada, mas também o sacramento, no qual os fiéis comem, pela sagrada comunhão” (grifo nosso). E o Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, recolhe a mesma citação no parágrafo 12. Mas friso o que nos interessa: o aspecto sacrifical faz parte da essência da Missa.

Portanto, podemos afirmar que a objeção é, igualmente, falsa e herética.

I.       Jesus está nas pessoas

Esta objeção se discute assim: Parece o homem 1) é imagem e semelhança de Deus, que Jesus 2) está presente em todas as pessoas e que está presente de 3) forma especial no sacerdote. Logo não há necessidade de estarem voltados para o oriente e, mais, seria até mesmo conveniente o olhar mútuo.

Ao que respondemos: Podemos dizer que o ser humano, enquanto criatura especial, 1) é imagem e semelhança de Deus, mas que nem sempre 2) tem Deus no seu coração e que a 3) presença de Cristo no sacerdote é singular. No entanto, estas presenças são diversas, com graus diferentes, e não podem ser usadas como fundamento para uma orientação cara a cara, principalmente pelo fato de serem, sobretudo e ao fim, invisíveis, isto é, não podem ser vistas senão aos olhos da fé.

RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. O ser humano é imagem e semelhança de Deus, conforme professa a doutrina católica, no entanto essa imagem e semelhança não é física, nem visível corporalmente. Joseph Ratzinger desacreditou[48] que este argumento pudesse ser levantado com seriedade, “já que não é tão fácil ver a imagem de Deus no homem”, pois a imagem de Deus não é visível aos olhos, mas “somente com a nova visão da fé”.

Esta imagem e semelhança diz respeito ao fato de Deus ter imprimido, juntamente com o sopro da vida, a razão. É a razão que nos faz semelhantes à Deus, e, por isso, diz Santo Agostinho que “o que faz a excelência do homem é que Deus o fez à sua imagem, pelo fato de lhe ter dado um espírito inteligente que o torna superior aos animais.”

Esta imagem e semelhança não é perfeita, mas imperfeita, sendo usada como advérbio de modo, conforme verifica-se através da preposição “a” da frase, exprimida pela contração com o artigo “a”, resultando em crase. Por dizer que o homem é imagem, ele é semelhança, enquanto que à imagem, demonstra a imperfeição da semelhança, pois a semelhança perfeita somente pode ser encontrada em Jesus, por possuir identidade de natureza com o Pai e o Espírito Santo, conforme o parecer de Santo Tomás.

RESPOSTA À SEGUNDA OBJEÇÃO. Devemos dizer que Deus está no coração não do homem, mas do justo, e que esta presença especial não altera sua natureza, apenas a eleva. Santo Tomás diz assim: “Assim, pois, a não ser a graça santificante, nenhum outro efeito pode ser a razão de um novo modo de presença da Pessoa divina na criatura racional.” (Suma, I, q.43, a.3). Portanto, é falso afirmar que esta presença é encontrada em toda pessoa; verdadeiro é, porém, dizer que toda pessoa é capaz de possuir esta presença, de forma gratuita.

A graça santificante do Espírito é o Amor, que eleva a natureza humana a um nível mais sublime, mas como a graça não destrói a natureza, segundo o Doutor Angélico, e, por isso, segue-se que a natureza humana permanece a mesma, substancialmente humana. De tal forma, igualmente falso é afirmar que podemos, através dos sentidos externos, ver Deus no homem, ainda que supondo a existência da graça.

RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO. É necessário dizer, para ser mais preciso, não que Cristo “está” no sacerdote, mas, ao contrário, que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Atuar na pessoa de Cristo não é, em sentido estrito, ser Cristo (embora haja um sentido verdadeiro para tal) substancialmente, uma vez que Pessoa não se multiplica por ser indivisível.

  1. a) Este modo de atuar, in persona Christi, é sacramental, não alterando em nada a natureza do homem ordenado. Por isso, embora o sacerdote aja sacramentalmente na pessoa de Cristo, não pode ser adorado, mesmo celebrando a Missa.
  2. b) Quando o sacerdote, através do caráter a ele conferido pelo sacramento da ordem, atua in persona Christi o faz por um poder a ele concedido. Este poder, ordem, é estrito, no sentido que não se estende para além do conferido, que é a realização do sacramento. Por essa razão, mesmo celebrando uma Missa (agindo in persona Christi) o sacerdote não poderia, por exemplo, ressuscitar um morto através deste caráter sacramental. Se o pode fazer provém, porém, de uma graça distinta, pois pela Ordem é conferido o poder apenas de realizar o sacramento, segundo parecer de Santo Tomás (Suma, III, q.82, a.1).

Conclui-se, portanto, que é de todo falso alegar que o ministro do sacramento da Eucaristia possa ser o centro das atenções, por agir na pessoa de Cristo.

J.      «Não é conveniente rezar voltado para a parede » ou «7 razões para celebrar versus Deum»

Esta objeção se discute assim: A orientação versus abside não traz nenhum benefício à qualidade da celebração. Logo, ou as duas direções, versus populum e versus abside, tem o mesmo peso ou ainda a primeira é superior à segunda.

Ao que respondemos: Nosso adversário em sua apologia à Missa “ao revés”, por fim, esquecendo tudo o que já foi dito afirma, sem fundamentação alguma, que a direção versus populum ou é igual à orientação versus abside ou é melhor. Para refutar, mais uma vez, essa mirabolante direção seria interessante expor todos os bons motivos pelos quais a orientação versus abside é melhor. Porém, como nosso espaço é curto, apenas citaremos algumas, dentre muitas outras, restringindo-nos a dizer alguma palavra somente nos itens que ainda não havíamos citado.

Enumeramos sete razões para o uso da forma «versus abside», «versus Deum» ou «Ad orientem», como queiram nomear, de acordo com as particularidades de cada termo.

  1. Está em total continuidade e harmonia com a tradição católica

Já provamos exaustivamente que a orientação Versus Deum remonta às origens do cristianismo, conforme demonstrado pelos escritos dos primeiros cristãos. Nenhuma palavra a mais é necessária!

  1. Não provém do protestantismo, como é o versus populum

A orientação Versus Deum provém de tradição legitimamente católica, enquanto que o Versus populum remonta às reformas protestantes, conforme já ficou provado. Ninguém pode tirar o puro do impuro (Jó 14, 4)!

  1. Transparece melhor o caráter sacrifical da Missa e não apenas a ideia de banquete

Por que os protestantes rechaçam a ideia de uma celebração orientada? Por causa da doutrina que eles negam: o caráter sacrifical do sacramento. Não é necessário é expor novamente que a Fé católica ensina que o caráter sacrifical faz parte da essência da Missa, o Sacrifício da nova e eterna Aliança, conforme vimos no item H. Convém apenas destacar que a orientação versus populum inverte a Missa, fazendo com que a ideia secundária, isto é, a ideia de banquete, passe a ser a principal.

O grande promotor do movimento litúrgico, Dom Prósper Guéranger, O.S.B., abade de Solesmes, alertou em seu famoso livro Institutions Liturgiques[49], de 1840, que uma das heresias anti-litúrgicas dos sectários era o de substituir o sacrifício pelo banquete: “Nada também de altar, mas simplesmente uma mesa; nada de sacrifício, como em toda religião, mas simplesmente uma ceia.”

A utilização do altar sempre fez referência à sacrifícios, desde das religiões pagãs, passando pelo judaísmo, e chegando no cristianismo como o Sacrifício da Nova Aliança. E Gamber explica que a posição do sacerdote nesses sacrifícios também tem sua correlação.

O sacerdote se coloca diante do altar do sacrifício, não atrás. O mesmo fazia o sacerdote entre os pagãos. No santuário, seu olhar se dirigia para a representação da divindade a quem se oferecia o sacrifício. O mesmo se fazia no Templo de Jerusalém, onde o sacerdote encarregado de oferecer a vítima se colocava diante da “mesa do Senhor” (cf. Ml 1,12), como se chamava o grande altar dos holocaustos situado no centro do Templo, de frente para o templo interior, que guardava a arca da aliança no Santos dos Santos, lugar onde habita o Altíssimo (cf. Sl 16,15). O oficiante está separado da multidão e se põe diante desta, diante do altar e voltado para a divindade. Sempre as pessoas que oferecem um sacrifício estão voltadas para aquele a quem se destina o sacrifício e, nunca, para os que participam na cerimônia. [50]

E essa busca por transformar a celebração da Missa em simples banquete é demonstrado também pelo arranjo do próprio altar, que em muitos lugares nem mais se colocam castiçais e o crucifixo, apenas flores; “deseja-se apenas uma mesa para a comida e não um altar”[51], completa Gamber. A esta ideia também ajunta o Padre Manfred Hauke, no Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, acontecido em Roma no ano de 2015, que constatou que a orientação favorece enormemente o caráter sacrifical da Missa.

A preeminência do sacrifício pela descrição da Santa Missa tem também suas consequências para a orientação da oração. Ao sacrifício corresponde o voltar-se para Deus por parte do celebrante e de toda a assembleia litúrgica. Quando o sacerdote fala com Deus, não faz sentido pedir que ele se volte em direção à assembleia. É melhor, se o celebrante se volta junto com toda a assembleia para a cruz e para o altar, possivelmente na direção do oriente. O oriente, o sol nascente, está no lugar de Cristo ressuscitado cujo retorno esperamos no fim dos tempos. Um voltar-se ao povo, pelo contrário, é conveniente para a proclamação da Palavra de Deus e pela comunicação da graça nas saudações, na bênção e na distribuição da Comunhão. Esta orientação é possível também no rito de Paulo VI, mas as disposições do rito antigo parecem mais propícias a este fim, colocando no centro a cruz, o altar e o próprio Senhor no Tabernáculo. [52]

  1. A posição física está de acordo com a disposição espiritual e interior

A Congregação para o Culto Divino esclareceu, na resposta já mencionada do ano 2000, que na celebração da Missa devemos distinguir duas orientações: a física e a espiritual. A orientação física, ou topográfica, é a posição do sacerdote em relação ao altar e à assembleia, havendo duas espécies: ad abside e versus populum, enquanto que a orientação espiritual (interior), encontrada em uma única espécie, diz respeito à orientação em relação à Deus.

Textualmente, a Congregação diz assim:

No entanto, qualquer que seja a posição do sacerdote celebrante, é claro que o Sacrifício Eucarístico é oferecido a Deus Uno e Trino, e que o sacerdote principal, Sumo e eterno, é Jesus Cristo, que atua através do ministério do sacerdote que preside visivelmente como Seu instrumento. A assembleia litúrgica participa na celebração em virtude do sacerdócio comum dos fiéis, o qual tem necessidade do sacerdote ordenado para ser exercido na Sinaxis Eucarística. Deve-se distinguir a posição física, relacionada especialmente com a comunicação entre os diversos membros da assembleia, e a orientação espiritual e interior de todos. Seria um grave erro imaginar que a orientação principal do ato sacrificial seja para a comunidade. Se o sacerdote celebra versus populum, o que é legítimo e muitas vezes aconselhável, a sua atitude espiritual deve ser sempre versus Deum per Iesum Christum, como representante de toda a Igreja. Também a Igreja, que assume forma concreta na assembleia que participa, está toda voltada versus Deum como primeiro movimento espiritual. (grifo nosso)[53]

A mesma Congregação já havia explicado esta distinção em uma outra oportunidade, nestas palavras:

Convém explicar claramente que a expressão «celebrar voltados para o povo» não tem um sentido teológico, mas somente topográfico-posicional. Toda celebração da Eucaristia é «ad laudem et gloriam nominis Dei, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiae sua sanctae». Teologicamente, portanto,a Missa é sempre dirigida a Deus, em favor do povo[54]. Na forma de celebração é preciso estar atento a não confundir teologia e topografia, sobretudo quando o sacerdote está no altar. Somente nos diálogos a partir do altar o sacerdote fala ao povo. Todo o resto é oração ao Pai por meio de Cristo, no Espírito Santo. Esta teologia deve poder ser visível. (grifo nosso)[55]

Desses dois textos da Congregação para o Culto Divino extraímos quatro importantes ensinamentos, enumerados abaixo:

(I)               É necessário distinguir o aspecto externo (físico-topográfico) e o interno (espiritual-teológico);

(II)               O aspecto interno é sempre dirigido ad Deum;

(III)            O aspecto interno deve poder ser visível;

(IV)            É um grave erro imaginar que a Missa é dirigida ao povo.

Assim, portanto, na celebração «ad abside» os dois aspectos (internos e externos) coincidem, garantindo que o item (III) seja observado, isto é, a teologia (culto oferecido à Deus) é expressa no exterior, no visível. Enquanto que na celebração em sentido contrário o culto que é oferecido à Deus não é expresso no exterior, nem sempre cumprindo o item (III).

  1. Demonstra melhor que a Missa é celebrada para Deus

Esta afirmação se deduz da anterior, uma vez que quando o interior coincide com o exterior, coincide, obviamente, que o culto oferecido à Deus é manifestado com maior força nas ações. Isto não somente oferece uma nobre catequese aos fiéis, como também os ajudam a viver a Ação litúrgica, tal qual sua natureza. E como se isto já não fosse suficiente, notamos ainda que somente a celebração da Missa «versus populum» está sujeita ao «grave erro» mencionado no item (IV) da afirmação anterior.

  1. O Versus Deum também não prejudica a audibilidade

Apenas um único argumento plausível é levantado a favor do versus populum, o da melhor audibilidade, isto é, as palavras são melhor entendidas pela assembleia de fiéis. É exatamente esse o fundamento que é citado pela Congregação para o Culto Divino quando na resposta do ano 2000 diz que “a posição versus populum parece ser a mais conveniente visto que torna a comunicação mais fácil”, remetendo-se ao texto de 1993, onde se lê o mesmo.

Não discordamos que quando o sacerdote fala ad abside a onda sonora não se propaga a longas distâncias, pois parte da onda é absorvida e parte transmitida, enquanto que somente a parcela refletida chegará aos fiéis. Mas devemos dizer três coisas a este respeito:

(I)            A audibilidade é algo muito louvável e desejável, sem dúvida alguma. Mas será que vale a pena ganhar audibilidade às custas de uma orientação que traz consigo benefícios doutrinais e pastorais, como já apresentamos?

(II)          Os momentos em que o sacerdote fala à assembleia de fiéis são poucos, se comparados com aqueles em que ele se dirige à Deus. E é, por isso, que o Missal, tanto o da forma extraordinária (João XXIII) como o da ordinária (Paulo VI), regulamentam os momentos em que o sacerdote deve voltar-se para o povo. A audibilidade era difícil justamente durante as leituras, feitas até então do altar, e foi exatamente por isso que o Papa Pio XII restaurou o uso do ambão, permitindo que as leituras fossem feitas em vernáculo e de frente para o povo, e desde então a liturgia da palavra é feita dessa forma. Assim, não há impedimento para que os fiéis possam ouvir.

(III)        Some-se tudo isto ao seguinte fato: não estamos mais no início do século XX. Os aparelhos sonoros (microfone, caixas de som, etc.) vieram para acabar de vez com esses problemas. Era justo que naquela época se falasse em dificuldade, mas hoje isso já não é mais válido, portanto, a essa objeção de audibilidade tem seu prazo de validade já vencido.

Ainda poderiam objetar que o versus populum confere maior visibilidade, mas observemos que este argumento não é levantado pela Congregação para o Culto Divino, isto porque é falso. Ele acentua exageradamente a necessidade de os fiéis verem o altar e os gestos do sacerdote, sendo usado inclusive por aqueles que se opõem à colocação do Crucifixo no centro do altar. Portanto, limitamo-nos a citar o que diz Fournée e Ratzinger, respectivamente, sobre a celebração versus populum e a cruz sobre o altar nesse tipo de celebração.

A Missa por acaso é um espetáculo? E o que se quer mostrar aos espectadores: como se opera a transubstanciação??? Como se faz a fração da hóstia? Como procede o sacerdote para comungar sob as duas espécies? Acaso o povo tem necessidade de ver isso para crer? Deve-se pensar que antigamente estávamos muito mal informados dos ritos sacramentais e que os fiéis agora têm muita sorte? Vamos então! O único olhar capaz de contemplar o mistério é o olhar interior da fé, e se necessita de referências visíveis e audíveis, que eu saiba não lhe faltava até há pouco quando a Missa estava no bom sentido. Não, verdadeiramente não vejo como virar o altar facilita o acesso ao mysterium fidei. Pelo contrário, penso que, nesta Missa onde se vê tudo, há um perigo de considerar os gestos do celebrante por si mesmos, de se ver tentado a humanizá-los, de deter-se em sua expressão formal, de considerar a quem os realiza em função não de sua missão sagrada, mas da maneira como os leva a cabo. [56]

Um dos fenômenos verdadeiramente absurdos das últimas décadas está, ao meu modo de ver, no fato de se colocar a cruz de lado para ver o sacerdote. A cruz é obstrutiva durante a Missa? Acaso o sacerdote é mais importante que o Senhor? Este erro deve ser corrigido o mais rápido possível; e é possível sem novas reformas. [57]

  1. Evita que o padre se torne o centro das atenções, o showman

Geralmente os apologistas que criticam a Missa em sua forma extraordinária (tridentina), dizendo que os fiéis nada fazem, sendo tudo é realizado pelo sacerdote, são os mesmos apologistas da celebração versus populum. Contradição? Sim, porque na imensa maioria das missas versus populum o sacerdote transforma-se no showman, aquele que tudo faz e que é o centro das atenções, nas palavras de Boyer “o sacerdote-ator, que pretende atrair toda a atenção sobre si e que discursa como um vendedor atrás de seu balcão”[58].

Devemos constatar, para não fazer injustiça, que, é verdade, há sacerdotes que não se colocam como centro das atenções, mas estes são poucos, muito poucos. Na celebração versus populum até o altar, que deveria ser aquilo que une, separa o sacerdote dos fiéis, virou uma barreira, distanciando o povo do sacerdote, criando uma clericalização exagerada a tal ponto que Fournée se pergunta se acaso não dever-se-ia substituir o “Ite Missa est” por um feedback.

Cito, para finalizar, o que de Ratzinger e Fournée, respectivamente, dizem a este respeito.

A verdade é que com isso [versus populum] se introduz uma clericalização como nunca antes existiu. De fato, o sacerdote – o presidente, como agora preferem chamar – se transforma no ponto de referência de toda a celebração. Tudo depende dele. É a ele que devemos olhar, participamos em sua ação, a ele respondemos. Sua criatividade é o que sustenta o conjunto da celebração. Por isso é compreensível que agora se tente diminuir o papel a ele atribuído, distribuindo diversas atividades aos outros e confiando a preparação da liturgia à “criatividade” de uns grupos que, antes de tudo, querem e devem “tomar parte ativamente”. Cada vez se dá menos atenção à Deus e mais importância ao que fazem as pessoas que ali se reúnem e que, de forma alguma, querem se submeter a um “esquema pré-determinado”. O sacerdote de frente para o povo transmite à comunidade o aspecto de um círculo fechado em si mesmo. Já não é – por sua própria disposição – uma comunidade aberta para frente e para cima, mas fechada em si mesma. [59]

Para o sacerdote, porém, que celebra de frente para o povo e que se vê como objeto dos olhares, existe o risco de “fazê-lo com pose”. Este risco é máximo nas Missas transmitidas pela TV. Como poderia ser de outra maneira quando no lugar de seu grupo habitual de fiéis, o celebrante sabe que é o alvo de milhares de rostos, estando as câmeras a fazer dele um ator, um protagonista? Este é um caso extremo, sem dúvida. Porém põe em relevo o aspecto de espetáculo da Missa de frente para o povo, na qual, com demasiada frequência, mesmo diante de uma reduzida assistência, as entoações e os gestos do celebrante parecem estudados como os de um ator, com uma busca pela forma que vai além da simples preocupação pela dignidade. Isto é às vezes tão sensível que alguém pode perguntar se tal Missa deveria concluir não com “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, mas com “Me vistes? ”[60]

  1. CONCLUSÃO

Os mais eminentes estudiosos da história e teologia litúrgica há bastante tempo provaram o qual infundado é a celebração versus populum, isto é, (des)orientada para o povo e não para o oriente, seja o real (leste) ou o simbólico (crucifixo). Esta disposição não tem respaldo nem na história, seja do ocidente ou do oriente, nem na teologia e nem mesmo na pastoral, enquanto que a correta e perfeita orientação versus Deum está concorde com a tradição católica, tanto ocidental como oriental, com sua doutrina e tem uma pastoral provada pela experiência de dois milênios.

Portanto, através deste trabalho pudemos provar que a orientação versus Deum pode ser perfeitamente ser usada na celebração da Missa, segundo o missal do Papa Paulo VI, e, o leitor há que concordar conosco, que esta disposição é a melhor sob diversos aspectos. Não resta dúvida que o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, estava certo ao afirmar que é “muito importante que retornemos o quanto antes possível para uma comum orientação, dos sacerdotes e fiéis, voltados na mesma direção – para o oriente ou pelo menos para a abside”[61].

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ÍNDICE

  1. APRESENTAÇÃO
  2. INTRODUÇÃO
  3. A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA: DEUS OU POVO?

3.1.      HISTÓRIA

3.2.      LEGISLAÇÃO

3.3.      OBJEÇÕES

  1. O Cardeal Sarah não tem autoridade para legislar sozinho
  2.      O Padre Lombardi: “não haverá nova norma”
  3.      O Cardeal Sarah não obrigou, mas incentivou
  4.     O parágrafo 299 da Instrução Geral proíbe o Versus Deum
  5.      Deus é espírito, está em todo lugar
  6.      A Basílica de São Pedro tem altar no centro da Igreja.
  7.     A Ceia do Senhor foi celebrada versus populum
  8.     A Missa é apenas um banquete
  9.       Jesus está nas pessoas
  10. «Não é conveniente rezar voltado para a parede » ou «7 razões para celebrar versus Deum»
  11. CONCLUSÃO

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NOTAS

[1] – Esse artigo foi escrito com zelo, mas ainda não foi revisado. Assim, qualquer contribuição será bem recebida.

[2] – SARAH, Cardeal Robert. Discurso na Conferência Sacra Liturgia UK 2016. A tradução está disponível no site da Associação Redemptionis Sacramentum – ARS.

[3] – Ibidem.

[4] – Ibidem.

[5] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 97. Tradução nossa.

[6] – RATZINGER, Joseph. Prefácio à edição francesa do livro “Voltados para o Senhor”, de Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[7] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[8] – Nourry, Dom N. Le. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), Pag. 12, Nota de rodapé n. 42. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[9] – Clemente de Alexandria, Stromatum., livro VII, cap. 7. P.G. IX, 482-483. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), p. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[10] – Orígenes, P.G. XI, 555. Citado por Jean Fournée em “A Missa de frente para Deus” (1976), p. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[11] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 6. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[12] – Ibidem.

[13] – Ibidem.

[14] – Ibidem.

[15] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 105. (Tradução nossa)

[16] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 6. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[17] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 105. (Tradução nossa)

[18] – Assim diz Fournée em seu livro “A Missa de frente para Deus” (1976): “Onde colocá-lo e em que sentido? (…) Porém, que a Cruz esteja ou não no altar, para onde deve olhar? Se é para o povo, Cristo dá as costas ao ministro do altar, e é mal-educado. Se é para o celebrante, é mal-educado para com os fiéis. (…) Não se poderia imaginar uma pirueta mais desenvolvida para descartar a única solução lógica, que seria voltar a colocar o altar no bom sentido… Em suma, se está em plena contradição, e em plena descortesia: o celebrante está de frente para o povo, mas o divino Crucificado lhe dá as costas! A liturgia se volta a fechar numa relação Cristo-altar-ministro, o que está em flagrante desacordo com todas as boas razões de abertura ao povo que os ardentes defensores da celebração versus populum invocam. E assim se está em ruptura com o simbolismo que, desde o começo do cristianismo, estava unido à cruz do Gólgota, olhando para o oeste, isto é, para o mundo dos redimidos, a que seus braços atraem e reúnem em um mesmo povo.” Assim, ao final, a orientação comum não é seguida por todos, apenas por um, ou o sacerdote ou o povo olham para o crucificado.

[19] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[20] – SILVA, J. Ariovaldo. Citado por Rodrigo Carvalho em “O espírito da Liturgia: De Vagaggini ao Concílio Vaticano II, 2014, p. 28, nota de rodapé n. 72.

[21] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 8. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[22] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 15. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[23] – EDER, George, entrevista ao jornal Kleine Zeitung, em 13 de janeiro de 1989. Citado por Gamber em seu livro Voltados para o Senhor. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[24] – SCHMITZ, R. Michael. O Portão para a eternidade: o Rito romano clássico e seu significado para a Igreja. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS

[25] – RATZINGER, Joseph. Prólogo ao livro do Padre Uwe Michael Lang, “Voltados para o Senhor: a orientação da oração litúrgica”. Tradução nossa.

[26] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423. Tradução nossa.

[27] – SCHMITZ, R. Michael. O Portão para a eternidade: o Rito romano clássico e seu significado para a Igreja. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS

[28] – Ibidem.

[29] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423-424. Tradução nossa.

[30] – Ressalvando o que se diz quanto à orientação topográfica do edifício. Cf. a objeção F.

[31] – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Resposta em 25 de setembro de 2000, Notitiae, prot. Nº. 2036/00/L. Tradução nossa.

[32] – Há dois vídeos disponíveis no youtube, um de 2014 em <youtube.com/watch?v=DHzunCPE98M> e outro de 2015 em <youtube.com/watch?v=7vlj6SqFV8s>

[33] – Imagens do Papa Bento XVI podem ser encontradas facilmente através do google imagens, tal como essa <liturgiacatolicaoficial.blogspot.com.br/2014/08/missa-em-rito-bizantino-versus-deum.html>. Mas basta fazer uma busca na internet que será possível verificar algumas outras.

[34] – Há um vídeo de 2008 em <youtube.com/watch?v=Q0aPU57zx6Q> onde vemos o Cânon sendo rezado pelo Papa Bento XVI e vemos nesse outro endereço <youtube.com/watch?v=6oeUmtzfGs8> uma pequena matéria sobre as missas diárias do Papa em sua capela particular.

[35] – Não descartamos a possibilidade de respostas ainda melhores serem apresentadas.

[36] – RATZINGER, Joseph. Prólogo ao livro do Padre Uwe Michael Lang, “Voltados para o Senhor: a orientação da oração litúrgica”. Tradução nossa.

[37] – DAVIES, Michael. La nueva Misa del Papa Pablo: la revolución litúrgica. Volume 3. Pag. 423-424. Tradução nossa.

[38] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 15. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[39] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 97-98. Tradução nossa.

[40] – Ibidem, pag. 98.

[41] – Ibidem, pag. 99.

[42] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 7. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[43] – JUNGMANN, Josef A. Missarum Sollemnia. Citado por Klaus Gamber em “Voltados para o Senhor” ,Pag. 18Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[44] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 100. Tradução nossa.

[45] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 13-14. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[46] – BOYER, Louis. Epílogo ao livro “Voltados para o Senhor”, do Mons. Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[47] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 100. Tradução nossa.

[48] – Ibidem, Pag. 105.

[49] – GUÉRANGER, Prosper. Institutions Liturgiques. Paris, 1840. Capítulo XIV. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[50] – GAMBER, Klaus. Voltados para o Senhor. Pag. 27. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[51] – Ibidem.

[52] – HAUKE, Manfred. Conferência. Congresso sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, Roma, 2015.

[53] – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Resposta em 25 de setembro de 2000, Notitiae, prot. Nº. 2036/00/L. Tradução nossa.

[54] – A tradução fornecida por THANNER diz «e dirigida ao povo», mas preferi substitui-la já que o texto latino citado diz «ad utilitatem» («para a utilidade»), resultando, consequêntemente, em um texto mais fiel ao que diz a doutrina católica.

[55] – Editoriale Pregare “ad orientem versus”, em Notitiae 29 (1993), 245-249. Citado por THANNER (2005) em “O Dinamismo intrínseco da Celebração eucarística e sua expressão externa”.

[56] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 28. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[57] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 106. Tradução nossa.

[58] – BOYER, Louis. Epílogo ao livro “Voltados para o Senhor”, do Mons. Klaus Gamber. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[59] – RATZINGER, Joseph. El Espírito de la Liturgia: Una introducción. Ediciones Cristandad: Madri, 2001. Pag. 101-102. Tradução nossa.

[60] – FOURNÉE, Jean. A Missa de frente para Deus. Colección Una Voce: Paris, 1976. Pag. 29. Tradução de Luís A. R. Domingues, ARS.

[61] – SARAH, Cardeal Robert. Discurso na Conferência Sacra Liturgia UK 2016. A tradução está disponível no site da Associação Redemptionis Sacramentum – ARS

Fonte: http://contemplacoescatolicas.blogspot.com.br/2016/07/suma-contra-o-versus-populum_15.html?m=1

Café Teológico – 04: Um Seminarista medroso escreve

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No  “Café Teológico”, desta semana, coloco aqui a resposta dada a um seminarista medroso que escreveu ao prof. Orlando Fedeli. A resposta do velho professor provoca no seminarista uma profunda e corajosa mudança de atitude. Mais que isso: uma conversão.
Leia logo abaixo.
Pe. Marcélo Tenorio
____________
Salve Maria.
Atendi o seu pedido de não publicar a sua carta com o seu nome. Mas lamento que me tenha pedido isso. Agora, você tem medo que saibam de seu posicionamento católico a favor da Missa tridentina, porque poderão não recebê-lo num antro modernista, como normalmente são, hoje, os seminários no Brasil.
    Quando você estiver num seminário, intoxicado de heresias, você esconderá seu posicionamento católico, por medo de ser expulso do seminário, porque você dirá que para poder ser padre, e padre bom, terá que esconder que prefere a Missa de sempre. Por isso, se calará, nada dizendo contra a Missa Nova, e nada dizendo a favor da Missa de sempre, senão não lhe permitirão ser ordenado. E você adiará sua confissão de fé — traindo a Fé — para poder ser ordenado padre… covarde.
    São omissões desse tipo que preparam as grandes traições e os silêncios cúmplices. Se os mártires tivessem sido como você é, hoje, jamais teriam morrido na arena. Eles só teriam a “glória” de ter passado muitos anos de vida… de boca fechada.
    Que “gloria”!
    Que vergonha!
    Veja o que você me escreveu sem ficar ruborizado:
Aqui a maioria dos padres é modernista e nem um usa batina, um padre chegou a falar que se mandarem ele celebrar a missa em latim ele manda a pessoa reclamar com o Vaticano, outro falou que existe salvação fora da Igreja Católica, mas quando foi esplicar caiu em contradição. Não conseguiu argumentar de forma coerente. Como ele é da equipe de seleção dos candidatos a seminarista, fiquei de boca fechada“.
    Como você é valente! Conseguiu ficar de boca fechada!
    Vergonha!
    Você é bem pior que esse padre modernista. Ele pelo menos, disse o que pensava.
    Você… Você ficou de “boca fechada” !
    Vergonha!
    Quando você for ordenado sacerdote, tendo praticado a vida inteira uma política de disfarce, de silêncios covardes, e de traições silenciosas, você continuará a pedir que não se publique o que pensa e calará o que você crê, porque o Bispo poderá puni-lo, e mandá-lo a ser pároco no Alto do Goloso do Grogotó dos Pimentas.
    E quando você, por acaso, por desgraça, for Bispo, — porque sendo assim “prudente” você tem grande chance de ser Bispo — você se calará, porque terá medo do que dirão de você na CNBB. E depois terá medo dos padres progressistas que o criticarão, e você terá esperança de vir a ser Cardeal…
    Para se calar, quando for Cardeal, para ver se, ficando de “boca fechada”, será eleito Papa. E se ficar Papa, será um Papa omisso, porque aprendeu, desde jovem, a ser cobra. E não como Cristo, que jamais temeu dizer a verdade em face dos inimigos de Deus.
     Com esse medo, tenho certeza de sua vocação para ser
um sacerdote… covarde, segundo os moldes dos atuais padres conservadores: todo padre conservador é um medroso omisso, que procura ocultar — “prudentemente” — o que pensa, e só busca compactuar com erros …”moderada” e silenciosamente… Padre conservador é aquele que fará depois de amanhã os sacrilégios que os padres mais radicais fizeram anteontem… Em nome da prudência e da moderação…
    Padre conservador é o que fica de “boca fechada” diante dos hereges, e, se algum dia for forçado a falar, fará um sem número de distinções para desculpar o mal, e camuflará a heresia que outros proclamam ousadamente, com mil distinções e ambigüidades. Foi assim que o Vaticano II foi gestado e aprovado pela maioria que aprendeu a ficar de “boca fechada” desde a juventude.
Prudentemente…
Em nome da moderação…
    Nos seminários. E até antes de entrar nos seminários…
    Que vergonha!
    Seja homem, rapaz, e tenha a coragem de proclamar bem alto o que você Crê.
    Seja católico de verdade e publicamente.
    Lembre-se do que Nosso Senhor disse na sétima carta do Apocalipse aos católicos da Igreja de Laodicéia:Antes foras frio ou quente, e não morno. Mas porque és morno, nem frio e nem quente, começarei a te vomitar de minha boca

Antes foras sinceramente, quente ou frio, negro ou branco, bom ou mau, mas jamais camuflado… Indefinido. Omisso. Cinzento. Disfarçado…
    Você quer aprender a dizer a Missa de sempre…
    Escondido?
    Em público, você dirá a missa nova, e irá dançar as musiquinhas do Padre Zezinho e do Padre Marcelo Rossi, para estar bem com a maioria. Para uivar como os lobos … Para sibilar como as cobras.
    Vergonha!
    Antes de comprar um Missal para aprender a dizer Missa de sempre, aprenda a ser homem. Aprenda a ser valente. Aprenda a ser leão.
    Tão acostumado você está a ser covarde, e a esconder o que pensa, que, no seu e mail — que deseja que permaneça secreto –, você confessa, sem nenhum pudor, sem perceber o horror do que diz, sem perceber o horror de como você mesmo se pinta: como covarde assumido, pois você me diz:
No orkut tenho 2 perfis. em um deles falo poco. No outro, que não boto meu nome verdadeiro, posso falar o que realmente acredito sem me preocupar com represálias de quem quer que seja“.
Então, você só fala o que pensa quando “não bota seu nome verdadeiro“.
    Então você tem “dois perfis”… Você me confessa que tem duas caras. Duas palavras…
    Que vergonha!
    E você conclui com uma promessa de valentia:“Mas quando me tornar padre aí vou poder falar a vontade. Vou sair das catacumbas pra luz do dia!”.

Esse dia nunca lhe chegará. A menos que você mude radicalmente. A menos que se converta. E é o que eu viso com esta carta, chamando-o a ter brio.
    Que ilusão você acalenta!
Quem se calou a vida toda, quando não tinha responsabilidade maior a não ser a de ser francamente católico, ficará de “boca fechada“, quando tiver qualquer responsabilidade sobre os ombros.
    Sabe de uma coisa? Tomara que você jamais fique sacerdote. Porque de padres covardes — silenciosos traidores da verdade–, já temos muitos.
Até demais.
    Antes foras frio ou quente…
    Antes de querer ser padre, queira ser homem.
    E valente.
    A força dos hereges vem da covardia dos padres silenciosos.
    Que Nossa Senhora tenha pena de você e o converta.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
Fonte: http://www.montfort.org.br/repreensao-dura-e-caridosa-produz-arrependimento/

Conceito de “TRADIÇÃO VIVA” – UMA HERESIA JÁ CONDENADA

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Pe. Marcélo Tenorio

O Conceito de “Tradição Viva”é na verdade uma heresia conhecida e já condenada pelo Papa S. Pio X, na Carta Encíclica “Pascendi”, de 1907, que trata dos erros modernistas.

Compreende-se por modernismo uma corrente cujo trabalho era promover uma melhor percepção sobre a Sagrada Escritura e a Igreja, tendo como líder, o mentor do liberalismo Alfred Loisy, francês (1857-1940). Ele considerando a análise crítica protestante, começa a empregar os pilares do chamado método histórico na Sagrada Escritura. Se esse sujeito é considerado o pai do Liberalismo, podemos parabeniza-lo pelo neto que seu filho lhe presenteou : o relativismo católico, que no dizer de Bento XVI, trata-se da grande ditadura de nosso tempo. A “Ditadura do Relativismo”, que entrou pela porta da frente da Igreja e encontra-se enraizada, como um câncer, em muitas paróquias, conventos, mas sobretudo nos institutos teológicos e seminários, gerando a maior crise que a Igreja já enfrentou. A crise de Fé!

 Muitos sacerdotes, religiosos e até bispos já não tem a fé católica. Repetem aqui e acolá os mesmo erros, grosseiros, já condenados no passado e quando são interpelados, respondem as mesmas baboseiras, que nos lembram petistas se defendendo:

 “ Não vivemos mais na cristandade, na Idade média, o mundo evoluiu, temos que dar novas respostas, aos novos desafios…..Não podemos ser fundamentalista., A Tradição é VIVA!”

Pois bem, a idéia de “Tradição Viva”, não foi elaborada pelo Concílio Vaticano II, mas bem antes dele, como acabamos de mostrar, sobretudo com Loisy.

Para ele era possível um desenvolvimento do dogma, correspondente à compreensão de cada época e para isso preconizava uma total autonomia da ciência em relação ao Magistério da Igreja.

Não tardou a surgir a ideia do simbologismo e pragmatismo do Dogma, que, segundo esta corrente, enquanto artigo de Fé era passível de variação e desenvolvimento na sua fórmula mesma, mas também poderia ser modificado quanto ao seu Sentido.No simbolismo de Loisy, as Verdades de Fé ( Dogmas) são fórmulas que externizam o “sentimento religioso que está em nós”, logo porta aberta ao relativismo da Fé, visto que o sentimento religioso é subjetivo em si mesmo e, por consequências encontraremos a variação, também, da Fórmula de acordo com o momento, cultura e situação em que se vive.

Duas considerações importantes e essenciais:

Dogma enquanto “ Artigo de Fé”, pode sofrer alterações, mas deve ser entendido apenas em relação a “Perfeição Relativa”. A Igreja possui o direito de explanar melhor, modificando os termos. Logo não é imutável a formula dogmática, pode acontecer progressos, mas sempre permanecerá imutável a Essência, a Substância, o Sentido permanecerá sempre o mesmo, como nos ensina o Conc. Vaticano de 1870, “que é mister conservar perpetuamente o sentido que nossa mãe, a Santa Igreja, proclamou, e que não é lícito nunca, nem a pretexto de esclarecimentos mais profundos, desviar-se deste sentido”. (Constituição Fide, cap II.)

Aqui, e justamente aqui está a oposição da Igreja ao conceito de Tradição Viva, ou de “Fé Viva”, condenado solenemente pela Pascendi e pelo Decreto Lamentabili de 1907.

Aliás é calamitoso entender o dogma como algo que evolui e que se reveste de um sentido novo.

O Dogma é o conjunto das VERDADES DE FÉ e, portanto, nenhum acréscimo se pode fazer, visto que a Revelação foi concluída com a morte do último apóstolo.

Estamos às vésperas do Domingo de Pentecostes, e N. Senhor, antes da ascensão, diz aos apóstolos:

“Depois de ter vindo o Espírito de verdade, guiar-vos-á em toda a verdade”, o que significa que eles

receberam a Revelação completa, sem nada faltar.E quanto as chamadas “revelações privadas” não pertencem ao Depósito da Fé, e só podem ser toleradas quando em profunda consonância com esta mesma Revelação Pública.

Voltemos agora ao Concílio Vaticano I, anterior, claro ao Papa S. Pio X:

 Constituição Dei Filius, capítulo 4, : “ A doutrina católica que Deus revelou não foi proposta como uma descoberta filosófica que devesse ser evoluir ao sopro do engenho humano, mas transmitida como um depósito divino à esposa de Cristo, para ser fielmente conservada e infalivelmente exposta. Portanto, o sentido dos sagrados dogmas deve ser perpetuamente guardado, uma vez definido pela Santa Madre Igreja, e jamais afastar-se desse sentido, a pretexto de uma mais alta compreensão.”

E o  Cânon 3º de fide et ratione: “Se alguém disser que pode ocorrer que aos dogmas propostos pela Igreja, às vezes, conforme o progresso da ciência, se deva atribuir um sentido diverso daquele que entendeu e entende a Igreja, seja excomungado”

Com propriedade, fala-nos o famoso Cardeal Ludovico Bilott, sobre a ideia Kantiana de “Tradição Viva”:

“Com efeito, não se poderia excogitar negação mais radical de todos os princípios e regras da fé cristã católica. Chega-se assim, não só por dedução lógica e inevitável conseqüência, mas também por uma confissão formal e eloqüente dos autores, à categórica negação de toda a revelação, isto é da verdadeira e própria palavra de Deus. Mas esta heresia, se se pode ainda falar em heresia, não revestiu imediatamente a forma completa sob a qual agora se trai. Teve suas primeiras raízes no falso conceito de tradição católica, como se efetivamente esta tradição estivesse contida no simples fato humano histórico, cujos testemunhos pudessem e devessem ser tratados segundo os mesmos critérios  e regras, nem mais nem menos, como os outros monumentos da antiguidade. Disto resulta o chamado método histórico nos estudos de teologia positiva; adotando tal método, alguns eruditos parecem admitir manifesta oposição entre o sentido do dogma conforme os mais antigos padres, sobretudo os anteniceneanos, e o sentido que os concílios e doutores de idade posterior abraçaram”. (De immutabilitate traditionis contra modernam haeresim evolutionismi, 1929)

Por fim, diante desta tremenda crise, fiquemos com a Doutrina de Sempre e estaremos, com certeza, seguros.

Se há algo verdadeiro na língua bifida dos modernistas é o fato de nos chamarem  Fundamentalistas e mais romanos-que-o-papa.. Se se entende como Fundamentalismo o fato de se reportar aos fundamentos mesmo da fé, então somos, sim Fundamentalistas, já eles, coitados, acreditando numa Fé Viva, numa Tradição Viva, correm o risco de ver ultrapassado amanhã, o que eles mesmos ensinam hoje.

Como mesmo dizia Pio X, os modernista vivem numa contínua contradição….

E quanto a Ser-Romano-Mais-Que-O-Papa, acredito que nunca vi tanto fideísmo como agora, no pontificado de Francisco. Aquilo que não se tinha no de Bento XVI, se excede e se esparrama mais que O-óleo-que-desce-da-Barba-de-Araão….Papismo-Romanismo-e – Fideísmo em excesso..Por que será?…

Não, não..há de se voltar aos bancos de estudo.

O Papa não espirra infalivelmente…, graças a Deus!

Há uma reta doutrina sobre o Primado e sua infalibilidade que o coloca como ” Servidor” da Fé e não o contrário.

Concluindo, tenho um presente para todos que chegaram ao fim desta leitura. Um teste!

Um teste?

Sim! Anti-modernista!

Leia  abaixo o Juramento  Anti-Modernista que o Papa S. Pio X obrigava os padres  e professores de teologia a fazerem. Os padres, antes de sua ordenação, os teólogos, antes de assumirem suas cátedras

 

Caso após sua leitura você  sentir tonturas, repulsa , vontade de vomitar ou de sair correndo……..

Não assine.

Você é um Modernista, de fato e de direito.

______________________________

JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

A ser proferido por todos os membros do clero, pastores, confessores, pregadores, superiores religiosos e professores em seminários de filosofia e teologia.

Eu, ______________, firmemente abraço e aceito cada uma e todas as definições feitas e declaradas pela autoridade inerrante da Igreja, especialmente estas verdades principais que são diretamente opostas aos erros deste dia.

Antes de mais nada eu professo que Deus, a origem e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir do mundo criado (Cf Rom. 1,90), ou seja, dos trabalhos visíveis da Criação, como uma causa a partir de seus efeitos, e que, portanto, Sua existência também pode ser demonstrada.

Segundo: eu aceito e reconheço as provas exteriores da revelação, ou seja, os atos divinos e especialmente os milagres e profecias como os sinais mais seguros da origem divina da Religião cristã e considero estas mesmas provas bem adaptadas à compreensão de todas as eras e de todos os homens, até mesmo os de agora.

Terceiro, eu acredito com fé igualmente firme que a Igreja, Guardiã e mestra da Palavra Revelada, foi instituída pessoalmente pelo Cristo histórico e real quando Ele viveu entre nós, e que a Igreja foi construída sobre Pedro, o príncipe da hierarquia apostólica, e seus sucessores pela duração dos tempos.

Quarto: eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi trazida desde os Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve. Condeno também todo erro segundo o qual, no lugar do divino Depósito que foi confiado à esposa de Cristo para que ela o guardasse, há apenas uma invenção filosófica ou produto de consciência humana que foi gradualmente desenvolvida pelo esforço humano e continuará a se desenvolver indefinidamente.

Quinto: eu mantenho com certeza e confesso sinceramente que a Fé não é um sentimento cego de religião que se alevanta das profundezas do subconsciente pelo impulso do coração e pela moção da vontade treinada para a moralidade, mas um genuíno assentimento da inteligência com a Verdade recebida oralmente de uma fonte externa. Por este assentimento, devido à autoridade do Deus supremamente verdadeiro, acreditamos ser Verdade o que foi revelado e atestado por um Deus pessoal, nosso Criador e Senhor.

Além disso, com a devida reverência, eu me submeto e adiro com todo o meu coração às condenações, declarações e todas as proibições contidas na encíclica Pascendi e no decreto Lamentabili, especialmente as que dizem respeito ao que é conhecido como a história dos dogmas.

Também rejeito o erro daqueles que dizem que a Fé mantida pela Igreja pode contradizer a história, e que os dogmas católicos, no sentido em que são agora entendidos, são irreconciliáveis com uma visão mais realista das origens da Religião cristã.

Também condeno e rejeito a opinião dos que dizem que um cristão erudito assume uma dupla personalidade – a de um crente e ao mesmo tempo a de um historiador, como se fosse permissível a um historiador manter coisas que contradizem a Fé do crente, ou estabelecer premissas que, desde que não haja negação direta dos dogmas, levariam à conclusão de que os dogmas são falsos ou duvidosos.

Do mesmo modo, eu rejeito o método de julgar e interpretar a Sagrada Escritura que, afastando-se da Tradição da Igreja, da analogia da Fé e das normas da Sé Apostólica, abraça as falsas representações dos racionalistas e sem prudência ou restrição adota a crítica textual como norma única e suprema.

Além disso, eu rejeito a opinião dos que mantém que um professor ensinando ou escrevendo sobre um assunto histórico-teológico deve antes colocar de lado qualquer opinião preconcebida sobre a origem sobrenatural da Tradição católica ou a promessa divina de ajudar a preservar para sempre toda a Verdade Revelada; e que ele deveria então interpretar os escritos dos Padres apenas por princípios científicos, excluindo toda autoridade sagrada, e com a mesma liberdade de julgamento que é comum na investigação de todos os documentos históricos profanos.

Finalmente, declaro que sou completamente oposto ao erro dos modernistas, que mantém nada haver de divino na Tradição sagrada; ou, o que é muito pior, dizer que há, mas em um sentido panteísta, com o resultado de nada restar a não ser este fato simples – a colocar no mesmo plano com os fatos comuns da história – o fato, precisamente, de que um grupo de homens, por seu próprio trabalho, talento e qualidades continuaram ao longo dos tempos subsequentes uma escola iniciada por Cristo e por Seus Apóstolos.

Prometo que manterei todos estes artigos fielmente, inteiramente e sinceramente e os guardarei invioladas, sem me desviar em nenhuma maneira por palavras ou por escrito. Isto eu prometo, assim eu juro, para isso Deus me ajude, e os Santos Evagelhos de Deus que agora toco com minha mão.

São Pio X

CAFÉ TEOLÓGICO – 02: Orlando Fedeli e o Terrivel Seminarista de III ano de Teologia

 

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Caríssimos,

Salve Maria!

Mais um Café Teológico , relembrando o Prof. Orlando Fedeli

Transcrevo aqui o encontro virtual do querido Professor Orlando Fedeli com um estudante de III ano de Teologia que repetia asneiras modernistas que são ensinadas nos institutos teológicos por professores que macaqueiam a Fé. Um de seus argumentos “fatais” é sobretudo o fato de que esses “mestres” eram graduados nas universidades romanas… Vale a pena a leitura. É muito divertido. Vale também um bom Café…. e com Torradas!

Bom Apetite!…Ah…Desculpe-me…Boa Leitura!

Pe. Marcélo Tenorio

  • Consulente: Richard J. Souza
  • Idade: 42
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Meus irmãos,

Li resposta de uma carta que questionava sobre a existência de Adão e Eva, onde a pessoa obiteve uma esplanação do Padre Cleodon, através da católicanet.

Mais horrorizado do que vocês, fiquei eu ao ver que a pessoa que respondeu e criticou o padre, chamando-o até de herege, não tem conhelcimento nenhum de teologia.

Como pode uma pessoa sem formação teológica ministrada pelas pontifícias, com grade curricular chancelada pelo Vaticano, até pelo atual Papa Bento XVI, na época, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, dizer que o que o padre falou é heresia? Se não tem formaçãop teológica apropriada, não deve deturpar os ensinamentos da nossa igreja, pregando conceitos pessoais.

Hamuitos anos que a igreja não atribuí mais os primeiros livros da Bíblia a Moisés, pois já se tem conhecimento que elenão escreveu nada.

Acaso não acompanham a evolução das ciências, as quais a igreja se baseia também como auxílio para interpretar os escritos sagrados.

Como poderia Moisés ter escrito a Torá em hebraico se na época não havia ainda se formado o alfabeto escrito do povo, se nem sabiam escrever ainda, se após centenas de anos vivendo no Egito, o povo falava egipicio? Até Moisés falava egipicio. Centenas de anos após a saída do povo da escravidão é que se formou o alfabeto e a escrita hebraica, que ainda no decorrer dos anos, foi se modificando. Só para se ter idéia, as vogais do alfabeto hebraico só foram criadas centenas de anos após o nascimento de Jesus.

Quem descobriu isto? Foram a arqueologia, a antropologia, com o auxílio da física, quimica, biologia etc., e depois de muito analisar, com anuência da igreja católica.

Antes de responder às perguntas, vocês deveriam procurar se aprofundar mais nos fundamentos teológicos da nossa igreja para não transmitirem inverdades, que estas sim, podem ser chamadas de heresias. Estão cometendo algumas sem conhecimento.

Paz e bem,

Richard
Estudante 3° ano graduação teologia
Ponltifícia Faculdade de Toologia Nª Sª Assunção.

Muito prezado Richard,
Salve Maria.
Infelizmente devo dizer-lhe que você está completamente enganado e quem o enganou foi algum padre modernista. Aliás não poderia ser diferente, sendo você aluno de uma faculdade de teologia onde ensinam muitos hereges defensores do Modernismo. Lá lhe contam fábulas.
    Foram os hereges modernistas que negaram que Moisés foi o autor do Gênesis. Sua afirmação de que Moisés não escreveu nada contraria frontalmente a doutrina católica, e o que determinou a Comissão Bíblica sobre a autoria do Gênesis.
    Quando os hereges modernistas – como você – negaram que Moisés fosse o autor do Pentatêuco, consultou-se a Pontifícia Comissão Bíblica fazendo a seguinte dúvida e pergunta:
“Dúvida I: Se os argumentos, acumulados pelos críticos para combater a autenticidade mosaica dos livros sagrados que se designam com o nome de Pentatêuco são de tanto peso que, sem ter em conta os muitos testemunhos de um e outro Testamento considerados em seu conjunto, o perpétuo consentimento do povo judeu, a tradição constante da Igreja, assim como os indícios internos que se tiram do próprio texto, dêem direito a afirmar que tais livros não têm a Moisés por autor, mas que foram compostos de fontes, na maior parte, posteriores à época mosaica.
Resposta:negativamente”.
(Resposta da Comissâo Bíblica em 27 de Junho de 1906. Cfr. Denzinger, 1996).
E fique sabendo que a Igreja não tem que acompanhar a Ciência pois Cristo não deu as chaves do reino dos céus a Darwin mas a São Pedro e a seus legítimos sucessores. Portanto, você está completamente errado.
    E você, cheio de empáfia, me escreve:“Só para se ter idéia, as vogais do alfabeto hebraico só foram criadas centenas de anos após o nascimento de Jesus”.

E na escrita egípica você garante que se escreviam vogais?
    Pior que a empáfia de ignorantes é a soberba de hereges. Você, infelizmente, juntou as duas.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

Caro Orlando,

Continuo impressionado com suas respostas que são evasivas e sem fundamentos.
Herético é todo aquele que fala e age de forma contrária à doutrina da Igreja Católica.
Chamar de modernista um padre que teve sua tese de doutorado chancelada pelo hoje Papa Bento XVI, vários professores que defenderam suas teses de mestrado e doutorado nas Pontificias em Roma (Itália), que tem seus diplomas chancelados pelo Vaticano, professores doutores em Bíblia, considerados por muitos e pela igreja como entre os maiores exegetas e hermenêutas do mundo, que são chamados para ensinar bispos no Vaticano, então é chamar a igreja de modernista.
Esta história de modernista é uma maneira de tentar desqualificar as pessoas.
Não se moderniza a Palavra de Deus, mas a atualiza, contextualizando o ensinamento passado, primeiro via oral, e depois escrito, nos dias de hoje. É necessário se fazer a atualização da revelação, não sua modernização.
Mas também não podemos continuar vivendo como se vivia na idade média. Temos que enchergar a palavra de Deus como se falada hoje, na linguágem de hoje, senão cairemos no fanatismo, no fundamentalismo.
REPITO: não podemos modernizar a PALAVRA DE DEUS mas sim RELER esta PALAVRA na linguágem de hoje.
Jesus nos fala hoje, sobre os problemas atuais, sobre nossa realidade e não sobre a realidade de Israel de 2.000 anos atráz ou da idade média.
Você se fundamenta em uma resposta da Pontifícia Comissão Bíblia de 1.906, portanto fazendo 100 anos. Só que a igreja vive hoje à luz do Concílio Vaticano II e talvez ja caminhando para o terceiro (Só Deus sabe quando será necessário). Nâo que o CVII veio abolir tudo o que foi dito antes, mas atualizou a doutrina conforme o momento que vivemos e reviu muita coisa que, como disse na carta enterior, as ciências mostraram estarem errados.
Se Moisés escreveu realmente o livro de Gênesis, porque narrou duas vezes a criação, de forma literária completamente diferênte?
Porque encontramos vários textos redigidos de formas diferêntes em todo o Pentatêuco?
Se foi Moisés quem escrevem, é lógico que o tipo de escrita, de narrativa, estilo lliterário seriam iguais, o que não acontece no Pentatêuco.
E porque não há relato sobre Moisés desenrolando um pergaminho e lendo a lei, só relatos dele dizendo?
Se Adão e Eva foram os primeiros humanos na terra, como, Caim, depois de ter matado Abel e sido expulso de junto dos pais, encontrou uma mulher, casou e teve descendência? Acaso a humanidade começou com um incesto?
Muitas dúvidas que a igreja não conseguia responder e consequentemente impunha o que achava verdade, foram revistas e sanadas com a ajuda das ciências, ou elas são ruins? São coisas do mal?
E é sobe a luz do Concílio Vaticano II, com base nos documentos elaborados nele pelos bispos da igreja do mundo todo é que se formulou e se ensina a doutrina da igreja.
REPITO: NÃO É NOVA DOUTRINA, POIS NOS FOI PASSADA POR JESUS, MAS SIM A ATUALIZAÇÃO CONFORME A REALIDADE QUE VIVEMOS.
Quem realmente está completamente enganado é você, que fala aquilo que acha e não o que a igreja ensina.
Sugiro que você leia todos os documentos do CONCÍLIO VATICANO II. Talvez consiga dar respostas com mais fundamentos teológicos para as pessoas, e não idéias pessoais.

Richard José de Souza
3° ano teologia Assunção

Muito prezado Richard,

Salve Maria.
     Sua carta coloca uma pergunta perplexitante: como um aluno que defende tais heresias, e de modo tão incompetente, pode ter chegado ao 30 ano de Teologia da Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo?
Sua carta desabona qualquer instituição escolar superior.
Pior: um herege que nem distingue a sua heresia, e um incompetente que nem percebe sua incompetência.
Um teólogo, como você indica que vai ser, será, normalmente, um cego que pretenderá guiar cegos. Com um título visionário.
Certamente você vai colocar seu futuro diploma de Teologia num quadro, em uma parede de seu escritório. Porque, assim como você assina seu nome orgulhosamente, ostentando-se como “aluno do Terceiro ano de Teologia”, mais ainda você ostentará seu diploma e seu título…vazio.
Sem perceber que sua ignorância monumental não honra a Faculdade que você freqüenta.
Como você chegou ao terceiro ano de Teologia, escrevendo o que escreve? Escrevendo como escreve?
Certamente, você, com a competência que demonstra, poderá vir a ser um sucessor do Lula.
Aliás, ele também, é um “católico à sua maneira”, como o definiu de modo perplexitante o Cardeal Hummes.
Contaram-me — e quase não acreditei — que professores dessa sua Faculdade ufanamente proclamam que querem produzir crises de Fé em seus alunos. Sua carta me faz crer que, de fato, seus professores podem ter dito isso.
E dos alunos, em crise de Fé, fizeram “católicos à sua maneira“, isto é, hereges modernistas.
Você deve ter tido na infância formação católica. A senhora sua mãe, se lesse sua carta, ou ouvisse seus delírios teológicos, deveria ficar estarrecida com a destruição da Fé que a Faculdade de Teologia produziu em você. Certamente ela lamentaria o fato de você ter entrado em uma Faculdade onde “Doutores de dúvidas”, que se pejam de criar crises de Fé, envenenaram a sua alma.
Analisemos, então, a sua pobre carta.
Já em sua segunda frase, você comete uma imprecisão, pois me diz:

“Herético é todo aquele que fala e age de forma contrária à doutrina da Igreja Católica”.

Não é assim. Herege é aquele que nega de modoconsciente e obstinadamente um dogma da Igreja.
Por exemplo, aquele que afirma pertinazmente que a doutrina da Igreja deve se adaptar aos tempos, mudando seus dogmas, de acordo com os novos dados das Ciências, é herege modernista, pois São Pio X condenou essa doutrina na encíclica Pascendi e no Decreto Lamentabili.
Claro que você nunca leu esses documentos solenes de um Papa Santo. Por isso, vou citá-los para você, para que aprenda, pois tenho pena de você, pobre vítima dos “Doutores de Dúvidas”.
O Decreto Lamentabili condenou os seguintes erros da heresia Modernista que você professa em sua pobre carta:

“53—“A constituição orgânica da Igreja não é imutável,senão que a sociedade cristã, da mesma forma que a sociedade humana, está sujeita a perpétua evolução”
“64- O progresso das ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, a criação, a revelação, a pessoa do Verbo Encarnado e a Redenção”
“65 –O Catolicismo atual não pode conciliar-se com a verdadeira ciência, se não se transforma em um cristianismo não dogmático, isto é, em um protestantismo amplo e liberal”.
“Censura: Sua Santidade aprovou e confirmou o decreto dos Eminentíssimos Padres e mandou que todas e cada uma das proposições acima enumeradas fossem por todos tidas como reprovadas e proscritas”
(São Pio X, Decreto Lamentabili, de 3 de Julho de 1907, in Denzinger, 2.053- 2.064- 2.065- 2.065 a).
     Reparou você, meu caro Richard, como essas condenações de São Pio X caem sobre as teses que lhe ensinam na sua Faculdade de Teologia Modernista?
Reparou você como essas condenações de São Pio X reprovam o que você colocou em sua carta para mim, repetindo as idéias heréticas que lhe incutiram de uma igreja em perpétua evolução de acordo com os progressos da ciência?
Não é a Ciência a fonte da Verdade, mas Jesus Cristo. E o Divino Mestre nos ensinou:“Passarão os céus e a terra, mas minhas palavras não passarão” (São Mateus XXIV, 35)

E o Salmo CXVI, 2 afirma contra o que lhe ensinaram:

“Veritas Domini manet in aeternum” – “A Verdade de Deus permanece eternamente”

E que você não crê mais na Igreja ,– como modernista que é — não crê em sua doutrina imutável, mas nas Ciências (que você certamente desconhece), fica provado na seguinte frase sua:

“Muitas dúvidas que a igreja não conseguia responder e consequentemente impunha o que achava verdade, foram revistas e sanadas com a ajuda das ciências, ou elas são ruins? São coisas do mal?”

Para você, então, a Igreja Católica não é mestra infalível de verdades. Ele tinha dúvidas, e, quando não sabia responder, impunha tiranicamente a “sua” verdade.
Para você mestras da verdade são “as ciências”.
Você sabe o que escreveu São Paulo: “Cientia inflat”?- “A ciência incha” (ICor. VIII, 1). Incha de orgulho.
E veja como você argumenta mal, quando me escreve o seguinte parágrafo:

“Chamar de modernista um padre que teve sua tese de doutorado chancelada pelo hoje Papa Bento XVI, vários professores que defenderam suas teses de mestrado e doutorado nas Pontificias em Roma (Itália), que tem seus diplomas chancelados pelo Vaticano, professores doutores em Bíblia, considerados por muitos e pela igreja como entre os maiores exegetas e hermenêutas do mundo, que são chamados para ensinar bispos no Vaticano, então é chamar a igreja de modernista”. (Os destaques são meus para deixar claro o seu erro).

Meu caro, um padre pode ter se diplomado em Roma, e ter tido seu diploma chancelado pelo Papa, e, entretanto, ele pode ser modernista. O Papa não é infalível quando chancela um diploma. E se um padre ou Cardeal é modernista, nem por isso a Igreja fica Modernista.
O Cardeal Kasper é Doutor em Teologia e é herege modernista, pois nega a Ressurreição de Cristo e seus milagres, e nem por isso a Igreja ficou modernista.
O Cardeal Martini, também ele Doutor em Sagrada Escritura, ainda há pouco, defendeu o aborto e outros horrores, como herege modernista que quer atualizar a moral de acordo com a Ciência moderna. E, contudo, ele não é a Igreja. O Cardeal Martini é modernista. A Igreja, não. Um Cardeal ou um teólogo não são a Igreja. E as Faculdades romanas não são a Igreja infalível.
Parece que em sua Faculdade não lhe ensinaram lógica.
Depois você me diz:

“Não se moderniza a Palavra de Deus, mas a atualiza, contextualizando o ensinamento passado, primeiro via oral, e depois escrito, nos dias de hoje. É necessário se fazer a atualização da revelação, não sua modernização” (O destaque é meu. A heresia é sua).

Que diferença há entre modernização e atualização da revelação?
Explique essa diferença sutil entre atualizar e modernizar. As duas significam uma mudança no entendimento da revelação.
Essa troca de palavras foi imaginada por você mesmo? Ou você a ouviu, talvez, de “doutores de dúvidas”, que a fazem só para escapar da condenação explícita de suas heresias
Então, para tentar fazer-lhe bem, e ver se a graça de Deus lhe abre os olhos, cito-lhe como São Pio X, na encíclica Pascendi, condenou a tese herética da evolução ou adaptação dos dogmas ao tempo:

”Logo também as fórmulas que chamamos dogmas tem que estar sujeitas às mesmas vicissitudes e, conseqüentemente, sujeitas a variação. E assim, em verdade, fica aberto o caminho para a íntima evolução do dogma. Por certo este é um amontoado infinito de sofismas que arruínam e aniquilam a religião” (São Pio X, Pascendi, in Denzinger, 2.079. Os destaques são meus)

E você, sem continuidade lógica em seu pensamento, depois de falar da “atualização da revelação” solta um slogan – tão repetido — que é típico de professores sofistas:
“Mas também não podemos continuar vivendo como se vivia na idade média. Temos que enchergar a palavra de Deus como se falada hoje, nalinguágem de hoje, senão cairemos no fanatismo, no fundamentalismo” (O destaque é meu. Os erros de português, de ortografia e de acentuação são seus. E eu só chamo sua atenção sobre eles para lhe fazer ver como você não conhece nem português, quanto mais Teologia! Abra os olhos, ó cego Richard!).
     Ora, o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, afirmou no discurso de abertura do Conclave que o elegeu Supremo Pontífice, que os hereges logo lançam a pecha de fundamentalista sobre aqueles que defendem a Fé.

“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento… A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançadas de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” svsv
(Cardeal Joseph Ratzinger, Decano do Colégio Cardinalício, Homilia na Missa Pro Eligendo Romano Pontifice (pela eleição do Papa), celebrada no Vaticano antes de começar o conclave. Cidade do Vaticano, segunda-feira, 18 de abril de 2005,
http://www.vatican.va/gpII/documents/homily-pro-eligendo-pontifice_20050418_po.html).

O Cardeal Ratzinger afirmou então que as heresias dos últimos decênios – 4 decênios desde o Concílio Vaticano II — agitaram a barca da Igreja, e que os hereges logo chamam de fundamentalistas quem defende a Fé contra o relativismo da evolução doutrinária. Até pareceria que o Papa havia lido a sua carta
E que quer você dizer com a frase “não podemos continuar vivendo como se vivia na idade média”., frase que você ouviu sem analisar, de algum sofista, quem sabe até de sua Faculdade de Teologia ?
Claro que não podemos mais andar de armadura, e nem morar em castelos. Mas os católicos de hoje tem que viver seguindo a mesma doutrina católica e obedecendo os mesmos mandamentos que seguiam e obedeciam os católicos medievais. Veritas Domini Manet in aeternum.
Uma religião moderninha, adaptada aos tempos, uma religião aggiornata como queria João XXIII em 1962, estará superada continuamente em cada amanhã. A religião do      Para que seguir, hoje, o que amanhã não valerá mais?
Depois lá me vem você com outro slogan sofístico: Concílio Vaticano II, um Catolicismo aggiornato, é uma religião descartável, uma religião que vale só hoje e que amanhã estará superada.
“Jesus nos fala hoje, sobre os problemas atuais, sobre nossa realidade e não sobre a realidade de Israel de 2.000 anos atráz ou da idade média”.

Meu caro, Nosso Senhor nos deu a solução dos problemas do homem. E os problemas trazidos pela natureza humana são os mesmos em todos os tempos. Cristo não veio trazer a solução para o problema do trânsito nas avenidas marginais. Ele veio trazer a solução dos problemas religiosos e morais, que são sempre os mesmos, pois a natureza humana não muda. O orgulho dos falsos teólogos atuais é o mesmo que o dos teólogos do farisaísmo. A Gnose dos fariseus é a mesma que a gnose dos modernistas de hoje.
A seguir você me sai com a seguinte afirmação:

“Nâo que o CVII veio abolir tudo o que foi dito antes, mas atualizou a doutrina conforme o momento que vivemos e reviu muita coisa que, como disse na carta enterior, as ciências mostraram estarem errados”.

Veja a loucura doutrinária que você afirmou: “as ciências mostraram estarem errados”  certos pontos da doutrina católica, e que, então, “o CVII”(…) “reviu muita coisa” (…) “conforme o momento que vivemos”.
Portanto, segundo você, ilustre aluno do Terceiro ano de Teologia da Faculdade Assunção, o Vaticano II admitiu que a Igreja tivera erros, e que, seguindo as ciências, e não segundo a doutrina dos Papas, o Vaticano II reviu os pontos que estavam errados na Igreja.
Logo, você não é mais Católico Apostólico Romano, mas é católico científico teologuento.
Vade retro!
Esta carta está ficando longa e chata. Mas se não responder a todos os seus pseudo argumentos, mostrando dolorosamente seus sofismas, você vai dizer que minhas repostas “são evasivas e sem fundamento”.
Você me obriga a esse trabalho duro de analisar todas as suas teologais besteiras.
E veja a seguinte:

“E porque não há relato sobre Moisés desenrolando um pergaminho e lendo a lei, só relatos dele dizendo?”

O verbo dizer, no caso de sua frase, é transitivo direto. Exige um complemento direto. “Só relatos dele dizendo” o quê?
Sua frase é sem sentido, como sua doutrina é sem cabimento.
E depois você vem com um argumento infantil:

“Se Adão e Eva foram os primeiros humanos na terra, como, Caím, depois de ter matado Abel e sido expulso de junto dos pais, encontrou uma mulher, casou e teve descendência? Acaso a humanidade começou com um incesto?”.

Sua pergunta deixa clara sua crença: a Sagrada Escritura não disse a verdade.
Ou Caim casou com sua irmã, praticando incesto, ou não houve um só casal original.
Você crê no poligenismo, doutrina condenada por Pio XII na encíclica Humani Generis, doutrina que acaba, por conseqüência, em negar o pecado original e a Redenção de Cristo.
Que queria você?
Quereria que Caim casasse com a filha do português da esquina?
Meu caro, não havia esquina! E não havia português. E não existia então a filha do português da esquina.
Caim, então, só podia casar-se com uma sua irmã, e isso não foi incesto, porque o que é de necessidade não tem lei.
Essa duvida ridícula mostra o nível de ensino que você recebeu na sua Faculdade de Teologia.

    Para concluir, você me desafia;

“Sugiro que você leia todos os documentos do CONCÍLIO VATICANO II. Talvez consiga dar respostas com mais fundamentos teológicos para as pessoas, e não idéias pessoais”.

Pobrezinho!…
Claro que li todos os documentos do Vaticano II. Li, analisei, estudei e anotei.
Meu caro, eu nunca fui estudante de Teologia. Por isso, antes de afirmar alguma coisa, leio, releio e estudo.
Estudante de Teologia, normalmente, nem estuda e nem analisa — como mostrado por sua cartinha.
Repete slogans e sofismas. E estadeia contradições…
Sem Fé.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

Replica

Deixei de comentar outra colocação sua:

“E fique sabendo que a Igreja não tem que acompanhar a Ciência pois Cristo não deu as chaves do reino dos céus a Darwin mas a São Pedro e a seus legítimos sucessores. Portanto, você está completamente errado.”

Em nenhum momento afirmei que o cientista Darwin é que está certo com relação à criação do mundo. Vou explicar melhor e mais detalhado para que possa entender:

O começo das atividades científicas, como arquelologia e antropologia, trouxe para o homem moderno o entendimento de como funcionavem as sociedades antigas, tanto no campo social, econômico, político e religioso. E muito se descobriu sobre os povos que relata a Bíblia, legitimando muitos escritos e conseguindo compor uma ordem cronológica aos dados relatados nela.
O aprofundamento das ciências humanas possibilitou que a igreja revisse vários entendimentos de fatos descritos nos Escritos Sagrados.
o que por muito tempo se tinha como verdade, descobriu-se que eram enganos, não erros, mas enganos de interpretação.
Como exemplo, voltemos à idade média, onde Galileu Galilei quase foi morto na fogueira da inquisição por declarar quea terra girava em torno do sol.
Outro exemplo que a igreja caminha junto com as ciências é que a cidade de Roma, incluindo o Vaticano, é local constante de pesquisas arqueológicas.
Isto não quer dizer que a igreja aceita ou deva aceitar tudo o que as ciências dizem.
Tudo é analisado, estudade e depois dado uma resposta positiva ou negativa.
É só olharmos as encíclicas papais e veremos uma mudança ou melhor, uma adaptação a verdade descoberta dos fatos antigos.
Mesmo se adaptando à realidade, não deixa nunca de professar os ensinamentos que Jesus ministrou aos apóstolos e foi passado a frente até os dias de hoje.
A excência não mudou e nunca mudará. O que muda é o entendimento que se tem dela.
Saber quem esta certo, o Criacionismo ou a Teoria da Evolução, não é o mais importante. O importante é que a Sagrada Escritura nos mostra que foi pelo AMOR de Deus que tudo existe, que tudo foi criado.
Aí entramos em um outro tema que é longo e não há como discuti-lo neste momento.

Outra coisa que queria falar é sobre uma colocação minha que você colocou na sua resposta.
É muito esperto este método de tirar do contexto uma frase apenas e lançá-la no ar.
O mais correto era ter reescrito todo o parágrafo e não apenas uma frase, pois a deixa sem sentido ou deturpa o seu entendimento. A mesma coisa acontece com quem usa apenas um versículo da Bíblia para fundamentar uma idéia. Acaba caindo no fundamentalismo barato e fúril.
Para seu conhelcimento, também não existem vogais no alfabeto egípcio antigo. Eles desenhavam símbolos e cada um significava uma consoante, ou palavra, ou objeto, ou forma, e até uma frase. Isto a arqueologia e a antropologia descobriram depois de muito estudar e pesquisar.
O alfabeto hebraico, até os primeiro séculos de nossa era, não tinham vogais e o que determinava o som das vogais era o som da consoante.
Como exemplo, o nome de Deus escrito em hebraico e transliterado para o nosso alfabeto é YHWH. Porteriormente foram atribuídas as vogais ficando YHAWEH. As traduções latinas já trazem como JAVE e numa junnção de YHWH e ADONAI, alguns traduzem como JEOVÁ.
Este entendimento não é fruto da minha imaginação ou minha vontada, mas de estudos que muitos doutoresno assunto fizeram e que a igreja aceita como correto.
Agora, se não aceita as descobertas científicas, creio então que continua acreditando que a terra é o centro do universo eque tudo gira em torno dela.
Aconselho-o a se instruir melhor para responder com mais clareza e entendimento às perguntas que lhe fazem, para não dar resposta como a que deu a mim, chamando-me de uma pessoa cheia de empáfia de ignorante e soberba. Apenas expressei minha opinião diante de colocações que são feitas nas suas respostas, que são fracas de sustentação e fundamentos, tanto teológicos como históricos.

Leia os documentos da igreja:
Os do Concílio Vaticano II, o Catecismo da Igreja Católica, as Encíclicas Papais, os documentos da Congregação da Doutrina da Fé, muitos escritos pelo Papa Bento XVI, quando preifeto da congregação, entre outros.

Serão grandes subsídios para suas respostas.

PS.: Quando citar algum documento, indique onde se encontra acitação para que as pessoas possam ler otexto todo e entender o contexto do escrito.

“Em tudo seja Cristo o centro”
(são Bento de Núrcia)

Richard José de Souza
Estudante de Teologia 3° ano
Pontifícia Faculdade de Teologia Nª Sª Assunção

Muito prezado Richard,
Salve Maria.
     Você me manda mais uma carta, tentando explicar o que disse e justificar-se de alguma maneira. Ficou ainda pior.
Meu caro, seu mal é ser pretensioso.
     Esse defeito é próprio de quem faz uma Faculdade ruim. Pensa que sabe, e nem sabe o quanto ignora.`     Para “explicar melhor” o que você pensa que pensa, você me escreveu;
“O aprofundamento das ciências humanas possibilitou que a igreja revisse vários entendimentos de fatos descritos nos Escritos Sagrados. o que por muito tempo se tinha como verdade, descobriu-se que eram enganos, não erros, mas enganos de interpretação“.
     Para você — muito vazio candidato a teólogo — a Igreja só descobriu que ensinara como verdades coisas erradas, depois que a ciência fez grandes descobertas.
     Se fosse assim, você confessa que segue a “Ciência” e não à Igreja.
     Portanto, você não é católico. E não é cientista.
     Como também não é teólogo, e nunca o será, ainda que lhe dêem um diploma de Teologia. Você pensa que vai ser teólogo…
Realmente você é só um herege, e com um nível de conhecimentos menos que ginasiano. Quer a prova disso? Veja a besteira que você escreveu:
“Como exemplo, voltemos à idade média, onde Galileu Galilei quase foi morto na fogueira da inquisição por declarar que a terra girava em torno do sol“.
     Galileu não viveu na Idade Média!
     Galileu nasceu em 1564 e morreu em 1642, em plena Idade Moderna!
     Marca-se o fim da Idade Média em 1453, com a queda de Constantinopla.
     E o problema de Galileu não foi “por declarar que a terra girava em torno do sol“.
     Quem defendeu isso foi Copérnico. Galileu defendia que a terra girava em torno de seu eixo, e queria provar isso pelas marés. Meu caro, o carro de sua ignorância é puxado por parelhas de sofismas e de mentiras.
     Estou sendo duro com você?
     Sua presunção não permite outra saída.
     Ou você compreende, hoje, seus defeitos, ou nunca mais.
     Se fazer o “Curso de Teologia” já o cegou tanto, imagine a cegeira que lhe produzirá o diploma desse curso!
E você me diz:
“Agora, se não aceita as descobertas científicas, creio então que continua acreditando que a terra é o centro do universo e que tudo gira em torno dela“.
     Você nem tem idéia do que seja centro.
     Será que você pensa, realmente, que tudo gira em torno do sol?
     E julga você que o sol é o centro do universo?
     Coitadinho!…
     O sol é apenas o centro de um sistema planetário no interior de uma galáxia.
Possivelmente você considera que o universo material é infinito.
     E, só para argumentar ad hominem, lhe pergunto: se o universo é infinito como pode ter centro?
A palavra centro tem vários sentidos. Um deles é o de centro geométrico ou físico. E desse modo o sol não é centro do universo.
     Outro sentido é o de centro de importância. São Paulo é o centro mais importante de nossa pátria, mas não é o centro geográfico do Brasil.
     Sem dúvida, a Terra é o centro do universo, porque nela habita o homem, para quem Deus fez o sol e as estrelas, a fim de que o homem compreendesse, pelas qualidades visíveis do universo, as qualidades invisíveis do Criador (Cfr. Rom. I , 20).
     O centro de tudo é Deus. O centro de tudo é Cristo. Tudo gira em torno de Cristo.
     E essa foi a única coisa que você escreveu de certo, no fim de sua carta:
“Em tudo seja Cristo o centro“
(são Bento de Núrcia)
     Mas, se isso é certo, — e isso é certíssimo! — jogue seus slogans sobre Galileu no lixo.
     E se o Galileu for junto, nada se perderá.
     E sua frase seguinte é inadequada, e absolutamente fora de contexto:
“Outro exemplo que a igreja caminha junto com as ciências é que a cidade de Roma, incluindo o Vaticano, é local constante de pesquisas arqueológicas“.
     O fato de que haja pesquisas arqueológicas em Roma nada prova sobre a posição da Igreja. Isso é bobagem.
     Pesquisas arqueológicas são feitas em inúmeros lugares da Terra. Talvez você quisesse dizer que a Igreja comprovou muito do que diz de seu passado histórico com provas arqueológicas. Mas a frase tal como você a escreveu é completamente inadequada.
Além de aprender a escrever, você teria que começar a aprender a pensar. E a começar a rezar pedindo a Deus humildade…
Veja outra prova de que você não sabe nem pensar,e nem escrever:
“A excência não mudou e nunca mudará. O que muda é o entendimento que se tem dela“.
     Que é a “excência“?
Vai ver que você quis escrever essência!
Esse seu erro de ortografia revela o nível filosófico de um aluno do Terceiro ano de Teologia da Faculdade Nossa Senhora da Assunção.
     Uma vergonha! “Excência“!!! Que vergonha!
[Mas você deveria se envergonhar mais dos erros contra a Fé do que com esse erro crasso de ortografia, que, afinal, é de somenos importância. Ninguém perde a alma por erros ortográficos. Mas, os erros contra a Fé ofendem muito a Nosso senhor e perdem almas.
Tenho pena de você! E gostaria de ajudá-lo. E somente continuo esta dura análise de sua carta porque tenho esperança de lhe abrir os olhos para seu estado lamentável].
     Quer outra prova de que você não sabe pensar, e que não sabe o que escreve?
     Veja aí esta outra frase sua:
“Saber quem esta certo, o Criacionismo ou a Teoria da Evolução, não é o mais importante. O importante é que a Sagrada Escritura nos mostra que foi pelo AMOR de Deus que tudo existe, que tudo foi criado“.
     Se pouco importa quem disse o certo, se a Bíblia ensinando o criacionismo ou se Darwin, mentindo sobre a evolução, se nada disso importa, como afirma você que a criação foi por “AMOR“?
     Mas então você aceita o criacionismo? E rejeita o “científico” Darwin?
“AMOR” é palavra coringa — ou mágica — usada em sermões bem vazios de pensamento. Quando num sermão, ou numa entrevista, um padre não sabe mais o que dizer, começa a tagarelar sobre o “AMOR“.
     É o que dá, ser viciado em telenovela.
     Pobrezinho!
     Muito provavelmente, você nem sabe o que significa a palavra “AMOR“.
     Por fim, agradeço-lhe sua preocupação com minha ignorância, pois que me dá um conselho que venho pondo em prática há muitos anos, pois que me diz:
“Aconselho-o a se instruir melhor para responder com mais clareza e entendimento às perguntas que lhe fazem, para não dar resposta como a que deu a mim, chamando-me de uma pessoa cheia de empáfia de ignorante e soberba. Apenas expressei minha opinião diante de colocações que são feitas nas suas respostas, que são fracas de sustentação e fundamentos, tanto teológicos como históricos“.
     E você não tem vergonha de me escrever isso?!
     ”Teólogo, cura-te a ti mesmo”.
Meu caro, coloque-se diante de Deus, peça-lhe que Ele lhe faça ver o que você mais precisa. E você precisa de muita coisa!
     Se eu puder ajudá-lo, conte comigo, que, desde já, peço a Deus que lhe abra os olhos, para que veja sua imensa presunção.
     Todos devemos — quer eu, quer você — ver bem como somos sem valor, como em nós nascem tendências para o erro e para o mal, e compreendermos que só Deus é fonte de Sabedoria.
     Somente Nossa Senhora, meu caro, pode retirá-lo do abismo em que você jaz.
     Rogo a Ela que o ajude.
     Um abraço, ainda com alguma esperança, pela ação da Virgem Maria em sua alma.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
Fonte: http://www.montfort.org.br/heresias-de-um-estudante-de-teologia/