O SUICÍDIO DO STF: OS TRÊS VETORES DA REVOLUÇÃO

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Salve Maria

Na Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, somos brindados com esse importante artigo da Dr. Raquel Machado Carleial de Andrade

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Em julgamento ocorrido no dia  29 de novembro de 2016, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, com o voto líder do Ministro Luís Roberto Barroso, acompanhado pelos Ministros Edson Fachin e Rosa Weber, nos autos do HC 124.306-RJ, que versava um caso envolvendo funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) com prisão preventiva decretada, decidiu descriminalizar o aborto realizado durante o primeiro trimestre de gestação – independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

No acórdão em tela, afirmou-se que a criminalização é incompatível com os seguintes direitos fundamentais: “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter uma gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez; e a igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria”.

Ao julgar inconstitucional a proibição do aborto no primeiro trimestre da gestação, e aqui deixando à margem a intenção dos Magistrados proferentes, moldou-se a Corte Suprema aos três vetores da Revolução.

Por primeiro, apartou-se da lei.

Com efeito, reza o artigo 124 do Código Penal, in verbis: “Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.”

Tipifica o referido artigo o crime de auto-aborto (quando a própria gestante pratica a conduta) e o aborto consentido (quando a gestante consente validamente para que terceiro pratique a conduta).

Ensina a doutrina que referida norma jurídica visa à proteção do direito à vida do feto, ou seja, o bem jurídico tutelado é a vida humana intra-uterina, de modo que se tutela o direito ao nascimento com vida.

Ressalte-se, ainda, que a inviolabilidade do direito à vida é assegurada constitucionalmente (art. 5º).

Ora, sendo do Congresso Nacional a atribuição exclusiva de legislar, parecerá que usurpa o STF função legislativa que não ostenta, na medida em que nega vigência a norma de lei (CP, art. 124).

Aparenta afrontada também a moral.

É cediço que o direito à vida se inicia desde a concepção, constituindo a destruição do produto da concepção, independentemente da idade gestacional, crime.

Em que pese a chocar-nos mais o aborto de um feto com nove meses de gestação, prestes a nascer, não se pode olvidar que ele alcançou essa idade pelo desenvolvimento natural, sendo ele, em essência, aquele mesmo embrião presente no início da gestação. Desde a concepção, está ele dotado de toda carga genética própria, herdada de ambos os genitores, distinguindo-se perfeitamente do corpo de sua mãe, embora ainda na vida intra-uterina.

Por que “os direitos sexuais e reprodutivos da mulher” (que, é bom que se recorde, em absoluto estão previstos no texto constitucional) são superiores ao direito à vida do feto garantido constitucionalmente? Como a vida, o bem maior do ser humano, pode ser tão defendida por ONGs, partidos políticos, intelectuais, quando se trata de animais irracionais (vide projeto TAMAR) e menosprezada por esses mesmos agentes quando se cuida de pessoa (substância individual de natureza racional)?

O Estado não está obrigando a mulher a manter uma gestação indesejada. Ora, a mulher exerce sua liberdade ao relacionar-se sexualmente, dentro da ótica liberal de que se deve dar vazão aos instintos sexuais, apartando o sexo da razão, e descobre-se grávida, consequência previsível e esperada de quem tem vida sexual ativa e, então, sua imaturidade para arcar com as consequências naturais do sexo leva-a a querer se livrar do seu produto, como se ele tivesse brotado por geração espontânea em seu ventre. O feto é, então, descartado, como um lixo, ao bel prazer de suas conveniências. Se escolha existencial existe, reside na sua escolha de manter ou não relações sexuais. O feto tem existência distinta de sua mãe. A prevalecer essa argumentação, devemos descriminalizar o assassinato de crianças que, em razão de choro, birras, mal comportamento etc. constituem-se em entraves ao exercício da liberdade de sua genitora.

Ao contrário do afirmado (autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais) não se cuida de escolha existencial da mulher, mas de escolha acerca da existência de um outro ser, a criança.

Fala-se em garantir a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez, como se a gravidez fosse uma doença, um câncer, que destrói a integridade da mulher, o que, como se viu, não é verdade, na medida em que a gravidez é a consequência natural do sexo.

Ignora-se, ainda, que é exatamente a prática do aborto que deixa terríveis consequências físicas e psíquicas na mãe, causando-lhe sofrimento e dor pela constatação de que se cometeu um homicídio contra um inocente, que não raras vezes a perseguirão por toda vida, como se verifica de inúmeros documentários com mulheres que praticaram o aborto, dentre eles https://www.youtube.com/watch?v=ayfMd2cEcOw

Invocar-se o gênero (igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria) para autorizar o assassinato de inocente dispensa comentários. Absurdo pensar que o direito à igualdade para com os homens produza o direito a matar uma pessoa que não tem a menor chance de defesa.

E se o feto abortado fosse feminino? Como ficariam seus direitos de mulher?

Somente uma sociedade doente, que já perdeu a compreensão da ordenação dos bens, encontra justificativa moral para colocar as conveniências de uma mulher acima da vida humana que ela carrega no ventre.

Afinal, é ou não a vida humana o maior bem de que dispomos?

Não se pode olvidar que nosso povo é maciçamente cristão (e que, como tal, deve ser respeitado pelas autoridades constituídas, em que pese ao malfadado laicismo estatal) e que o assassinato de inocentes nos primeiros três meses de gestação viola a concepção cristã de vida (além de contradizer a própria Ciência). Lembremo-nos que imediatamente após receber a visita do Anjo, Nossa Senhora se dirigiu às pressas à casa de Isabel e ali foi recebida por esta como “a Mãe de meu Senhor”, sendo que quando João Batista exultou de alegria no ventre de Isabel pela presença de Jesus, a Virgem Maria ainda não estava no terceiro mês de gestação (ela completou os três meses exatamente no nascimento de João Batista). Logo, para os cristãos, um feto já é um ser vivo muito antes do terceiro mês de gestação.

Já advertia o Sumo Pontífice Pio XI, na encíclica “Casti connubii”, que a criança inocente jamais pode ser qualificada de injusta agressora e, portanto, o pretenso direito de extrema necessidade, qualquer que seja o motivo, não pode justificar a morte direta de um ser inocente.

Há de recordar-se ainda o preceito divino que São Paulo também promulga: “porque não faríamos o mal para que dele venha o bem” (Rom 3, 8).

Por fim, parecerá ter havido vulneração da autoridade.

Quando a Corte Constitucional se afasta do próprio texto constitucional, fulminando a vida humana, cuja proteção é assegurada e encontra respaldo nos anseios populares, perde a confiança da população, instala a insegurança jurídica e a crise, perdendo, destarte, a própria autoridade, convertendo-se numa corte autoritária.

O Tribunal supremo federal ao normatizar contra legem, sobretudo em temas em que as soluções da Corte violam a moral reconhecida pelo povo brasileiro e os direitos inerentes à natureza humana e, portanto, inalienáveis, acaba, assim, por perder sua legitimidade.

Ainda que a parte mais liberal da Magistratura possa, sem ressalvas, aplaudir a decisão em comento, temos que, à luz dos vetores assinalados (ferindo ela tanto a lei, quanto a moral e o princípio de autoridade), maltrata exatamente os pilares que sustentam a própria Magistratura. Tais pilares são a fonte de sua própria autoridade e, portanto, a razão mesma de sua existência.

Afinal, sem eles, não há Poder Judiciário. Ou, ao menos, não há um que seja verdadeiramente independente e autônomo.

Na Festa da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem

  • Dr. Raquel Machado Carleial de Andrade é Juiza de Direito em São Paulo

 

Fonte: https://mmjusblog.wordpress.com/author/raquelcarleial/

Um discípulo do Pe. Amorth fala amplamente sobre exorcismos

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Tradução Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

Em setembro nos deixava o Pe. Gabriele Amorth, exorcista da diocese de Roma. Providencialmente contatei com um de seus discípulos, o Pe. Ricardo Ruiz Vallejo, exorcista mexicano, formado aos seus pés e que foi absorvendo através dos anos sua sabedoria e experiência. Um testemunho riquíssimo que compartilha conosco para a glória de Deus e a salvação das almas. É importante estar bem formado, segundo ensina a Tradição da Igreja, e ter as ideias claras em um tema que se presta tanto ao sensacionalismo, à confusão e ao erro.

Como nasceu sua vocação como exorcista?

Desde 1994 viajava periodicamente a Valência para visitar famílias e grupos de oração. Surgiu um caso de possessão e convidei o exorcista de Paris, o Pe. René Chenesseaux, Fundador da Associação Internacional de Exorcistas, a ocupar-se do mesmo. Eu atuava só de intérprete tradutor para os exorcismos e tinha contatos com o Arcebispo de Valência, Mons. Agustín García-Gasco. O Pe. René, já maior, se sentiu cansado de vir de Paris e me propôs de me ocupar ora em adiante dos casos que surgissem. Mons. Agustín García-Gasco, de comum acordo com meus superiores, decidiu enviar-me a Roma a cada 3 ou 6 meses, para receber formação teórica e prática com o exorcista da cidade eterna, o Pe. Gabriel Amorth.

Qual é a principal função de um exorcista?

O exorcista é antes de tudo sacerdote, pastor, portanto sua principal tarefa é levar as almas à conversão, à graça e melhora de vida. Sua ação como exorcista é ajudar às almas atacadas pelo maligno impedindo de melhorar suas vidas, não se converter e não avançar na vida espiritual. O exorcismo é só uma oração a mais que não molesta a ninguém, mas que é específica. Seu fim não é só liberar do demônio mas também aliviar dos ataques e sofrimentos que causa, já que há gente que não é liberada, contudo os exorcismos lhe ajudam muito e dão consolo para seguir o caminho do cristão com sua cruz.

Quando é necessário fazer um exorcismo?

Quando se esgotaram as possibilidades de que seja uma doença física ou psíquica, foram feitos exames e não há origem natural patológica do padecimento. A isso se agregam situações anormais, fenômenos estranhos sem explicação natural, rejeição ao sagrado, impossibilidade de poder rezar e/ou algumas experiências de vida em seitas, magia, espiritismo, cartomancia, satanismo ou curandeirismo. Então está bastante claro que se necessitam orações.

Que nos diz a Igreja sobre o demônio e suas diferentes formas de atuar?

A doutrina da Igreja é clara. A existência de Lúcifer é um dogma de fé e é inseparável da existência de Deus. Lúcifer aparece na Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. A teoria modernista de alguns “teólogos” modernos ou “biblistas” de vanguarda que afirmam que Lúcifer é só um símbolo para representar o mal, está claramente condenada pelo Magistério infalível da Igreja. O Demônio costuma atacar de três maneiras: por infestação, significa sua ação sobre lugares, casas ou objetos, por obsessão, que consiste em atacar a pessoa fisicamente, com doenças reais ou aparentes, sensações, sentimentos, odores, ruídos, pensamentos, imaginações e tudo isto de uma maneira obsessiva, como a obsessão de suicídio, de vícios ou de qualquer má tendência que saia do normal e seja patológico.

A terceira é a possessão diabólica, que consiste em que o espírito maligno toma possessão física da pessoa e controla seu corpo, isto não quer dizer que seja de maneira contínua, nem que a pessoa o saiba, há muitos casos nos que a pessoa afetada não sabia que tinha possessão. É o especialista na matéria quem deve diagnosticar se há possessão ou não. Não é qualquer pessoa que pode discerni-lo, tampouco qualquer um tem a preparação para sabê-lo. Há inclusive alguns exorcistas com pouca experiência e pouca preparação na matéria que se têm equivocado ao fazer este diagnóstico. É importante saber que o demônio possui o corpo, mas nunca a alma, nem pode tocar a vontade da pessoa.

São mais frequentes as obsessões e infestações que as possessões?

Os casos de possessão, em proporção, são poucos. O Pe. Gabriel Amorth dizia que segundo sua própria experiência de cada 100, só 10 ou 8 eram de possessão. Deus permite os sofrimentos e ataques do demônio em nossas vidas como parte de nossa purificação e aperfeiçoamento da virtude, como o caso de Jó, ou o de Tobias: “Porque foste agradável a Deus, foi necessário provar-te.” Não existe nenhum Santo na história da Igreja que não tenha padecido ataques do demônio por obsessão ou infestação no caminho da santidade. Santa Teresa dizia que “estava tão acostumada a ver demônios que lhe molestavam menos que as moscas.”

Que consequências costumam ter (relação com os suicídios por exemplo) e outros males?

Em certas ocasiões algumas pessoas que não creem na existência de satanás, ao ver que têm pensamentos obsessivos que lhes põem em extrema ansiedade, imaginações

obsessivas ou sentir algo em seu corpo que não podem explicar e que sai totalmente do normal, preferem pensar que estão se tornando loucos a aceitar a possibilidade de que existem os demônios e o mundo das trevas. Para esses a opção mais fácil e simples é a solução do suicídio, antes que viver como um “louco”. A ideia do suicídio simplesmente aparece como uma obsessão diabólica. O Pe. Gabriel Amorth nos disse que em várias ocasiões escutou os demônios dizerem durante os exorcismos: “Ah! que bom, quanta gente consegui convencer de suicidar!”

Não se sabe como tratar estes casos, que por suposto causam muitos outros males. Vemos gente totalmente drogada com medicamentos e que não podem ter uma vida normal porque ninguém crê na possibilidade de que a pessoa esteja sendo atacada pelo demônio. Famílias divididas e destruídas por causa de influências demoníacas, como invejas fora do normal, pessoas com obsessão de malícia sempre pensando mal dos que lhes rodeiam, que estão “maquinando contra eles”, que ninguém lhes quer, veem ódio e más intenções por toda parte de uma maneira obsessiva. Tudo isto destrói a união, as amizades e as boas relações no trabalho.

Conte-nos da Ouija e outras práticas demoníacas e dos perigos que acarretam…

Toda superstição está proibida pela Igreja porque nos faz mal, nos põe em perigo e posteriormente é muito difícil sair disso. A ouija, o espiritismo, as cartas, o curandeirismo e outras magias têm trazido graves problemas e foi preciso realizar exorcismos ou orações em muitos casos. Não é prova de autenticidade o ouvir a voz do avô ou alguma pessoa falecida que nos dá uma “mensagem” por um Médium, já que os demônios têm a capacidade de saber coisas ocultas de nossas vidas e de nossos familiares vivos ou mortos. Têm inclusive a capacidade de saber imitar com perfeição a voz de defuntos e pessoas vivas. Tem havido também casos muito graves de possessão pela superstição aparentemente ingênua, com aparência de bem, de invocar as graças do céu com bailes, aplausos frenéticos, tremedeiras no chão em um suposto “descanso no Senhor”, imposição de mãos por qualquer tipo de pessoas que, sem saber os afetados, eram pessoas que ao mesmo tempo que vão à igreja e à Missa, praticavam Reiki, magia, curandeirismo, cartas e xamanismo.

Que influência tem o demônio na sociedade e na política?

Alguns têm comentado que aí onde se aprova o aborto por lei, ou alguma lei anticristã, há mais demônios presentes, e aos milhares, que em qualquer outro ato do maligno. Evidentemente, uma lei que legaliza e normaliza o mal permite muitos milhares de males para a sociedade. Há testemunhos de ex-bruxos que afirmam que o provocar abortos com toda premeditação e com a grande tecnologia que têm a sua disposição é tido como um ritual obrigatório para iniciar-se no satanismo.

Podia contar algum caso impactante que demonstre que o demônio existe?

Há o caso de um homem na França, que desde os 6 anos foi ensinado por sua avó a fazer magia negra. Não era cristão, chegou a ser um empresário muito rico. Aos 30 anos se converteu ao catolicismo e começou mais tarde a ter como que ardores ou queimaduras em seu estômago. Acreditava-se que era um câncer, mas depois de todo tipo de exames os médicos ficaram surpreendidos de não encontrar nenhuma patologia física e lhe disseram: “Seu caso não é para nós mas para um sacerdote.” O caso foi confiado ao

Padre Mateus de Besançon, um capuchino exorcista que tinha grande fama e vinham vê-lo de muitos países da Europa. Como bom teólogo e homem de prudência, enquanto escutou a história de sua vida lhe disse: “Não tenho nenhuma dúvida que em seu caso se trata claramente de uma possessão.” Um sinal muito claro era que cada vez que lhe davam a absolvição na confissão, a dor e o ardor de seu estômago desapareciam imediatamente.

Foram feitos ao menos 19 exorcismos e não sucedeu absolutamente nada. No exorcismo número 20 o homem entrou em coma, perdeu a consciência e atirado ao chão lhe saíam líquidos por várias partes de seu corpo simultaneamente. Tinha uma força sobre-humana, tiveram de chamar quatro guardas civis, o prefeito e o pároco “que não acreditava nessas tolices”. Os quatro guardas e o prefeito puseram-se sobre o corpo do afetado para tentar subjugá-lo e controlá-lo. Ao primeiro sinal da cruz o homem começou a elevar-se no ar, subir até quase tocar no teto da habitação com todos esses homens em cima, todos voando literalmente e movendo suas pernas que gesticulavam no ar enquanto gritavam ao Padre Mateus: “o que é que está acontecendo aqui!? O homem desceu lentamente com todos esses homens em cima até o chão. Terminou o exorcismo e se acreditou que já estava liberado, mas teve que continuar com exorcismos durante vários anos. Se fez uma Missa depois do exorcismo para dar graças. Os guardas, o prefeito e todo mundo se confessou e comungaram por causa do impacto do sucedido. O incrédulo pároco do povoado já não teve dúvidas de que os diabos eram reais…

Aqui se dão vários aspectos para nosso ensinamento. Se o Padre Mateus tivesse sido um exorcista sem experiência, sem teologia nem prudência, como há alguns; não tivesse tido a paciência de perseverar e seguir fazendo 20 exorcismos apesar de não ter passado nada de nada! Há alguns exorcistas com pobre formação e pouca experiência que afirmam que se fazes um exorcismo e não passa nada isso quer dizer que não há nenhum problema e nem muito menos possessão… um desses exorcismos foi gravado e tornado público pela televisão da Suisse Romande, que se encontra em arquivo disponível com o nome de “Profession Exorciste”1.

Existem então exorcistas, sem formação e experiência, que não cumprem com sua missão?

Por desgraça, na realidade da Igreja atual e no passado também se podem dar casos assim. Todo sacerdote pelo fato de sê-lo possui o poder de exorcizar, mas não todo sacerdote tem a formação ou a ciência requerida para isso. É também necessário ter o dom, já que muitos sacerdotes têm muito medo ou insegurança para exercer esse ministério. Alguns tentam substituí-lo com temeridade e presumindo que têm muita ‘valentia’, mas isso é muito perigoso já que para enfrentar a satanás se necessita humildade verdadeira e não só “uma permissão” que não supõe necessariamente a preparação e o dom. Há um testemunho único e muito impressionante na história da Igreja de São Gregório Magno, Padre da Igreja: “O único caso de possessão diabólica de um sacerdote que conheci, foi porque era um sacerdote soberbo.” Por desgraça há alguns bispos que nomeiam exorcistas sem preocupar-se destes aspectos e isso tem tido como resultado graves erros e fieis escandalizados porque fizeram umas práticas de magia supersticiosa com eles e que nada têm a ver com o Ritual Romano para exorcismos. É verdade que o poder o tem o sacerdote com permissão do bispo também e que terá sua força, mas se não se vigiam

os outros aspectos requeridos ainda que tenha o poder se cometerão graves erros e alguns irreparáveis.

Falemos do modernismo na Igreja e as dificuldades que põem a seu trabalho…

O mesmo Padre Gabriel Amorth teve grandes dificuldades com os bispos e clero que não crê ou lhe custa aceitar ou que o diabo existe ou essas coisas dos exorcismos. Um amigo de uma diocese espanhola, que tem profunda formação na matéria e experiência, teve alguns casos que necessitavam provavelmente de exorcismos. Ele solicitou permissão ao seu bispo que lhe respondeu: “Sabes que não creio nessas tolices, por isso não me peças permissão que não a darei!”

O modernismo, denunciado pelo Papa São Pio X, como uma doutrina que já se infiltrou em muitos âmbitos da Igreja, não deixa possibilidade de defender-se nem atacar ao demônio com os meios que Jesus Cristo nos deixou nos sacramentais, já que o considera uma “realidade do passado” ou um símbolo do mal e não uma pessoa angélica que caiu no abismo voluntariamente.

Por que a Devoção à Santíssima Virgem é um grande remédio contra o demônio?

A Virgem Maria tem um papel importante nos exorcismos. Desde o Gênesis quando se promete a redenção a Adão e Eva se profetiza que Ela esmagará a cabeça de satanás. Isto o podemos ver já que nos exorcismos os demônios nunca podem pronunciar seu nome, sempre que se referem a Ela o fazem com medo e com um “ela”, “essa” o “esta”. Há toda uma lição da missão teológica da Virgem Maria para esmagar a cabeça de satanás que costumo expor, mas isso é um capítulo à parte dada sua extensão em matéria e tempo.

Evidentemente uma alma e uma família que reza sempre o Rosário dado pela Santíssima Virgem a São Domingos, é muito difícil que o demônio lhes possa tocar. Tenho visto casos de ataques diabólicos que se solucionaram sobretudo pela força da recitação do Rosário. Não existe demônio que possa suportar uma família ou pessoa que tenha sempre esta devoção à Virgem Maria. A prática respeitosa dos dez mandamentos, os sacramentos, especialmente a Santa comunhão, a Missa e a frequente confissão são a maior proteção contra as forças diabólicas. Quando os demônios querem perder ou possuir uma pessoa o primeiro que fazem é apartá-la dos sacramentos e da oração.

O senhor teve a graça de conhecer o Padre Amorth… Poderia fazer uma brevíssima descrição dele, de suas virtudes, seu exemplo e seu legado como exorcista?

Tive da benção de estar em contato com ele e com seus mais íntimos colaboradores até o momento de me despedir em seu funeral há apenas um mês. Era um homem antes de tudo de profunda oração, muito simples, muito direto e sem diplomacias para dizer a você o que tinha a lhe dizer, muito humano e próximo, mas ao mesmo tempo sempre enfocava tudo desde o ponto de vista sobrenatural. De uma personalidade muito forte e ao mesmo tempo fortemente paternal. Nos sentíamos como se estivéssemos falando com nosso próprio pai. Ainda ressoam suas palavras em meus ouvidos quando o recordo, pois ao ver-me me dizia sempre “Il mio figlio!” Tinha uma grande autoridade moral e isso lhe serviu para enfrentar-se a alguns bispos e superiores que não acreditavam ou desacreditavam de seu trabalho como exorcista. Todas estas qualidades o levaram a saber tocar adiante a Associação Internacional de Exorcistas e não haverá quem o substitua como exorcista e fundador com tais qualidades e virtudes.

O que mais me tem beneficiado dele tem sido sua fortaleza tão grande espiritualmente falando, sua experiência de anos na matéria, mas sobretudo essa segurança absoluta que transmitia e dava, tanto na doutrina como no momento de enfrentar o demônio com tanta serenidade e prumo ao mesmo tempo. Todas estas qualidades vividas durante anos a seu lado me dão muita segurança e principalmente proteção se se é fiel ao que ele te transmitiu.

NOTA: Qualquer pessoa que necessite ajuda e queira consultar algo com o sacerdote pode fazê-lo através de seu correio: edisanjo2016@gmail.com. Terá prazer em atendê-los.

Javier Navascués

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Fonte: http://adiantelafe.com/discipulo-del-p-amorth-fala-fondo-exorcismos/

Créditos: Airton Vieira de Souza

O papiro da "esposa de Jesus" é visto como falsificação por especialistas




Em casos como este os princípios metodológicos para a pesquisa histórica séria são sempre escamoteados ou evocados conforme a situação.

N. do E.: Segue matéria do WND. Abaixo, faço um comentário sobre o tema.

Não é apenas a certidão de nascimento de Barack Obama que é tida por muitos como uma fraude.

Um fragmento de papiro sugerindo que Jesus Cristo de Nazaré era na verdade casado está recebendo o mesmo tratamento pelos especialistas.

“Eu diria que é uma falsificação”, disse à Associated Press o papirologista da Universidade de Hamburgo, Alin Suciu, durante um congresso de estudos cópticos em Roma.

“O manuscrito não parece autêntico” quando comparado a outras amostras de manuscritos coptas em papiros que datam do século IV.

Outro especialista que questiona a autenticidade do fragmento é Stephen Emmel, professor de estudos cópticos na Universidade de Muenster, que em 2006 analisou a descoberta do Evangelho de Judas.
“Há algo nesse fragmento. Algo em sua aparência e também na gramática copta que me parece ser de alguma forma não muito convincente”, afirmou.


O papiro foi manchete pelo mundo todo na terça-feira e teve cobertura do New York Times. Links para a reportagem foram colocados no WND e no Drudge Report.

Diz-se que o papiro contém a frase “Jesus disse a eles: minha esposa…”.

A descoberta foi alardeada por Karen King, professora de cristianismo primitivo na Harvard Divinity School.

“Esse fragmento sugere que alguns cristãos primitivos tinham uma tradição que acreditava que Jesus era casado”, afirmou King à Times. “Como já sabemos, existiu uma controvérsia no século II sobre Jesus ter sido ou não casado. Esse assunto surgiu involuntariamente na discussão sobre a possibilidade dos cristãos poderem se casar e fazer sexo”.

O fragmento desbotado de papiro mede apenas 3.8 cm por 7 cm – tamanho parecido com um cartão de visitas ou um pequeno celular.

Tem oito linhas de um lado, com tinta preta legível com a ajuda de uma lupa.

Logo abaixo da menção à Jesus ter uma esposa, há outro trecho que diz “Ela estará preparada para ser minha discípula”.

King admitiu na quarta-feira que ainda há perguntas a serem respondidas no que diz respeito ao fragmento. Além disso, ela diz aceitar de bom grado a ajuda de seus colegas profissionais da área. Agora ela pretende submeter o documento a testes na tinta para descobrir se os componentes químicos lá encontrados são os mesmos daqueles usados nos tempos antigos.

“Ainda temos trabalho a fazer, como testar a tinta e assim por diante. Mas o que é mais excitante nesse fragmento, é que ele é o primeiro caso onde temos cristãos afirmando que Jesus teve uma esposa” disse a professora à AP.

A Bíblia em si, nunca insinuou que Jesus era casado. King disse que o fragmento de papiro, mesmo que se comprove autêntico, não dá evidências de que Jesus era casado, apenas diz que centenas de anos após a morte e ressurreição de Jesus, alguns cristãos acreditavam que Ele tinha uma esposa.

O linguista copta Wolf-Peter Funk também coloca em dúvida a autenticidade. Segundo ele, o papiro tem uma forma “suspeita”.

Ele disse à AP que não há como avaliar a relevância do fragmento, pois ele não tem contexto.

“Existem milhares de fragmentos de papiros onde você pode achar disparates”, disse Funk, co-diretor de um projeto de edição da biblioteca copta de Nag Hammadi na Universidade Laval, em Quebec. “Pode ser qualquer coisa”, disse.

Parte do mistério do fragmento é que ninguém parece estar certo da origem, procedência ou onde ele esteve. Além disso, o propri

etário desse papiro pediu para que não ter seu nome revelado.

A Harvard Divinity School disse que o fragmento aparentemente veio do Egito e sua documentação mais antiga é do começo dos anos de 1980. Isso indica que um professor alemão (agora falecido) acreditava que a peça era evidência de que Jesus poderia ser casado.

Hany Sadak, diretor geral do Museu Copta em Cairo, disse que os especialistas em antiguidades egípcias não faziam ideia da existência do fragmento até que ele apareceu nos noticiários.

“Eu particularmente penso, como pesquisador, que esse fragmento não é autêntico, pois caso fosse, ele teria estado no Egito anteriormente e nós saberíamos dele; também teríamos ouvido falar dele antes dele sair do Egito” disse Sadak à AP.

King disse que o proprietário que vender sua coleção para Harvard.

“Há todo tipo de suspeitas quando se trata desse assunto”, afirmou David Gill, professor de herança arqueológica na Universidade Campus Suffolk e autor do blog Looting Matters, que segue de perto o comércio ilícito de antiguidades.

“Ao meu ver, qualquer acadêmico sensato e responsável manteria distância disso.”

O surgimento do fragmento está causando muita conversa na blogosfera.

Michael D’Antonio, autor de Mortal Sins, Sex, Crime, and the Era of Catholic Scandal disse: “As implicações da descoberta da professora King são profundas. Se Jesus era casado, o principal argumento espiritual em favor da ordenação clerical apenas de homens e do celibato dos padres católicos será questionado. (Os padres não teriam de abandonar o sexo para imitá-Lo). Mais importante ainda, se Jesus era um homem de família, então a reivindicação feita pelo clero católico, que se denomina como sobrenaturalmente próximo à Deus, perderia muito de sua força.

Tradução: Leonildo Trombela Júnior

Comentário do editor:


O papiro dos coptas e o papinho dos contras

Pelo exposto na matéria acima, sobram motivos para se duvidar da autenticidade do papiro. Mas ainda que o fragmento seja de fato do século IV, é lamentável ter de observar tanta gente pensando que isso pode por abaixo o fato conhecido de que Jesus nunca se casou. Haja paciência!

Não é a “tradição cristã”, como vi por aí, que garante que Cristo jamais se casou. São os inúmeros relatos, não só os bíblicos, como também os extra-bíblicos, de seus contemporâneos, dentre os quais alguns que o amavam e outros que o odiavam, que apontam para o fato de que Jesus Cristo jamais teve uma esposa. Resta alguma dúvida de que, caso ele tivesse uma esposa, esta mulher não seria apenas conhecida, mas sim uma referência histórica, um tema milenar de estudos teológicos, culturais e históricos, e seria até mesmo idolatrada?

É digno de nota que em casos como este os princípios metodológicos para a pesquisa histórica séria são sempre escamoteados ou evocados conforme a situação. Um destes princípios é o que atribui pesos distintos aos relatos das testemunhas. Quanto mais próxima da época do episódio é a testemunha, maior validade tem seu relato. Esse é o primeiro princípio que precisa, na presente situação, ser escondido pelos críticos do cristianismo. Pois o papiro é do século IV. Já os vários judeus, os discípulos, outros seguidores de Jesus, os romanos e gente de outros povos que viram a Cristo em Belém, em Cafarnaum, em Jerusalém, em Nazaré, em Caná, e em outras cidades, ou seja, as testemunhas oculares de sua vida, nada dizem sobre o casamento de Cristo, ou dEle ter tido uma esposa, fato que jamais passaria despercebido se tivesse acontecido.

Mas os críticos, quando lhes convém, invertem os critérios. E então um pedaço de texto do século IV passa a valer mais do que textos completos de testemunhas oculares. Testemunhas consideradas confiáveis, se aplicarmos o método de análise de confiabilidade de testemunhas criado por David Hume (um ateu). Elas passam com louvor em todos os requisitos, e ainda vão além: deram a vida pelo seu testemunho.


Para atacar a ressurreição de Cristo ou o valor do cânon, os críticos do cristianismo fazem justamente o contrário: deixam estas testemunhas de lado e dão mais credibilidade a meras hipóteses criadas até mesmo séculos depois.

A pesquisadora Karen King, da Universidade de Harvard, que encontrou o papiro está correta: o texto não prova nada. O historiador André Chevitarese, da UFRJ, acertou ao dizer que usar o achado para dizer que Cristo era casado não passa de sensacionalismo, e que o relato diz mais sobre os cristãos coptas do século III do que propriamente sobre Jesus Cristo.
Também vale notar é que a apologética histórica sempre tem de lidar com a objeção da incognoscibilidade da história, que é jogada na gaveta assim que qualquer pedaço de papel de uma época qualquer supõe, em algum nível, uma ameaça a qualquer doutrina cristã milenar. Apenas nestes casos “a história prova” isso ou aquilo. Ou seja: evidência histórica, para alguns, só vale quando é contra o cristianismo.
Por aí se vê o que é o “pensamento crítico” e o “uso da razão” para certos ateus, neoateus militantes, agnósticos, botequeiros e palpiteiros compulsivos.
E não deixa de ser engraçado o fato de que muitos destes que não poucas vezes dizem que Jesus nem mesmo existiu, agora afirmam que Ele era casado e que os cristãos não querem admitir tal fato. 


Eis a “lógica” destes que posam de guardiões da ciência. Mesmo sem existir alguém pode se casar.